sábado, 31 de agosto de 2019

Estar parado também é caminho?


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Estar parado também pode ser caminho. Estar à espera também pode fazer parte do caminho. No entanto, parece-nos difícil não associar a esta palavra uma noção de movimento, de andança e de estrada percorrida. Soa-nos diferente, e até estranha, essa ideia de parar.

Parar.

Parar para ver o que há em redor.

Parar para descansar à beirinha do que já se construiu.

Parar para recuperar forças.

Parar para respirar fundo e para fechar os olhos a tudo o que já não precisa de ser visto.

Parar para deixar cair o que já não faz falta.

Parar para aprender a abrir os braços outra vez.

Parar para encontrar um lugar seguro e para reparar no que nos tinha escapado antes.

Estar parado também pode ser caminho. Para andar para a frente e para soprar força aos remos da vida que vamos levando ao peito, é preciso saber atirar a rapidez para longe. É preciso despedir a rotina e dar casa a um ou outro dia que (nos) faça a diferença. Que nos faça diferentes.

Estar parado não é andar para trás. É segurar as aventuras e as histórias que fizemos nascer e deixá-las pousar, ao de leve, nos ramos de dentro que vão dar ao coração.

Estar parado não é desistir. Não é deixar de querer.

Estar parado é saber abrandar. Colocar o pé no travão de tudo o que nos obriga a avançar só porque sim.

Fazer caminho também é ousar parar. Para descobrir, sem pressas, que dentro dos trilhos que percorremos está mais de metade do que somos.


Marta Arrais

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

MAS QUE GRANDE GRITARIA AQUELA!....

a foto de perfil de Antonino Dias, A imagem pode conter: 1 pessoa
Ao longo da história, sempre existiram pessoas a despertar e a manter viva a consciência coletiva. Atentas aos sinais dos tempos, sem preconceitos, sabem apreciar e interpretar os fenómenos sociais e os seus impactos no futuro. Por isso, sem subserviências e com olhos de ver, tornam-se críticos mordazes do poder e da governança e nada moles na forma de o fazer. Procuram sacudir, fazer acordar, forçar a inversão das coisas. Não são pessoas frustradas ou de mal com a vida, são profetas, e basta!... Por isso, embora sejam indispensáveis no desenrolar da História, não raro, tornam-se antipáticos, fazem aquecer os fusíveis dos dormentes e instalados nas suas seguranças, ao ponto de serem fortemente admoestados, silenciados, perseguidos, presos... Vivem convictos de que o poder não pertence à essência da humanidade. Mesmo que constituídas em autoridade, as pessoas são relativas, e quem o tem, exerce um poder delegado e em função do bem comum. Exerce-o não só para cuidar da prosperidade económica e do bem estar social, mas também para que a pessoa se realize em plenitude. E a pessoa aspira à imortalidade, tem dentro de si ambições de infinito, parece-lhe impossível que para lá do horizonte da História e da complexidade majestosa e bela do universo, não haja algo que corresponda a esta sua ânsia interior de sobrevivência e sentido. Para nós, os crentes, a história caminha, de facto, em direção aos Novos Céus e à Nova Terra (cf. Ap 21,1). Em direção a uma realidade que nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem qualquer mente humana, por mais sagaz que seja, pode sequer imaginar! (cf. 1Cor 2,9).
O sentido último da existência de qualquer autoridade é servir, rasgando horizontes de alegria e de verdadeira esperança. Não se trata de querer teocracias ou regimes sagrados. Tampouco se trata de querer ferir a justa autonomia das realidades terrenas ou de querer que todos pensem e digam a mesma coisa ou governem de igual forma. Trata-se de um exercício do poder que seja capaz de promover o bem comum de forma verdadeiramente solidária e fraterna, na justiça e na paz. Que faça convergir as energias de todos os cidadãos no bom uso da sua liberdade e na consciência do próprio dever e sentido de responsabilidade. Esta missão de congregar e conduzir o povo à alegria de viver com esperança, se reclama competência, também exige humildade e respeito por todos, tendo presente que todas as formas de absolutismo significam retrocesso e fiasco. Quando se tem consciência do exercício do poder como responsabilidade delegada e se age em conformidade, todos, crentes e não crentes, poderemos ir petiscando, desde já, um pouquinho dessa vida que nós, os crentes, esperamos viver em plenitude nos Novos Céus e na Nova Terra, onde também esperamos ver, com grande júbilo e satisfação, os Tomés de hoje, emocionalmente deslumbrados e a confessar: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 28).
Tudo isto vem a propósito do profeta Elias e da sua ação. Outrora, o grande império do rei Salomão, por razões da fragilidade humana, dividira-se em dois reinos. Cada um sem qualquer projeção política e ambos sempre mal servidos. O profeta Elias constata o mal estar do povo e confronta-se com os desmandos governativos do rei Acab. Acab tinha-se casado com uma princesa fenícia que logo arrasta consigo os costumes e a religião dos fenícios, onde o deus Baal era considerado o senhor da fertilidade e da vida. No entanto, em vez da vida que o povo esperava, o país, para além da incompetência governativa, sofre uma terrível seca e, consequentemente, a ruina do povo. Elias mostra que se a situação se deve à débil governança sem justiça e sem direito, também se deve ao facto de terem voltado as costas ao Deus da Aliança. Surge assim um forte quiproquó entre Elias e o rei Acab e os profetas de Baal subservientes ao poder do rei. Elias desmascara os deuses falsos e aqueles que os servem. Esforça-se por levar o povo à redescoberta da verdade e a fazer com que ele escolha, de novo, o Deus que dá a vida e não os ídolos que provocam a morte. O rei Acab não gostou da festa, saiu ao encontro de Elias considerando-o a ruína de Israel e com vontade de lhe cortar o pescoço. Elias, porém, responde que «Não, eu não sou a ruína de Israel. Pelo contrário, tu e a casa de teu pai é que o sois, por terdes abandonado os preceitos do Senhor”. Empoleirados nas suas certezas, travam-se de razões e fazem uma aposta para fazer valer cada um a sua razão e a sua força. Assim, o rei Acab convocou a sua malta e todos os profetas de Baal e de Achera, centenas deles. Elias, o único profeta do Senhor que ainda restava, aproximou-se deles e chama-os a atenção pelo facto de viverem na indecisão, com um pé dentro e outro fora: “Até quando coxeareis com as duas pernas? Se Javé é o Deus verdadeiro, segui a Javé. Se é Baal, segui a Baal!» O povo não respondeu a esta tirada de Elias, não sabia o que responder. Então, Elias coloca sobre a mesa os dados da aposta, um momento com certo humor que até podemos imaginar e espreitar da nossa janela. Elias pediu dois novilhos para que eles escolhessem um, o preparassem e colocassem sobre a lenha, mas sem lhe chegar fogo. Elias ficaria com o outro, prepará-lo-ia e colocá-lo-ia sobre a lenha, também sem lhe chegar fogo. Invocariam então, cada um o seu Deus e aquele que respondesse enviando o fogo para consumir a vítima seria reconhecido como o único Deus verdadeiro. Todos acharam muito bem. Com certeza que apertaram a mão ou trocaram outro gesto habitual a selar a aposta. E lá chegou a hora do ajuste de contas. As centenas de profetas de Baal, ligados ao rei Acab, depois de terem preparado as coisas, foram os primeiros a invocar o seu deus, Baal. Invocaram-no “desde manhã até ao meio-dia, gritando: «Baal, escuta-nos!» Mas nenhuma voz se ouviu, nem houve quem respon¬desse. E dançavam à volta do altar que tinham levantado. Quando era já meio-dia, Elias começou a escarnecer deles, dizendo: «Gritai com mais força! Talvez esse deus esteja entre¬tido com alguma conversa! Ou então estará ocupado, ou anda de viagem. Talvez esteja a dormir! É preciso acordá-lo!» Então eles gritavam em voz alta, feriam-se, segundo o seu costume, com espadas e lanças, até ficarem cobertos de sangue. Passado o meio-dia, continuaram enfurecidos, até à hora em que era habitual fazer-se a oblação. Mas não se ouviu resposta nem qualquer sinal de atenção”.
Chegou então a vez de Elias invocar o seu Deus. Todo o povo se aproximou dele enquanto ele preparava as coisas. Erigiu um altar ao nome do Senhor e cavou um sulco em volta do altar. Dispôs a lenha e colocou o novinho já esquartejado e pronto sobre ela, e disse-lhes: «Enchei quatro talhas de água e derramai-a sobre o holocausto e sobre a lenha.» Depois acrescentou: «Tornai a fazer o mesmo.» Tendo eles repetido o gesto, acrescentou: «Fazei-o pela terceira vez.» Eles obedeceram. A água correu à volta do altar até o sulco ficar completamente cheio. À hora do sacrifício, o profeta Elias aproximou-se, dizendo: «Senhor, Deus de Abraão, de Isaac e de Israel, mostra hoje que és Tu o Deus em Israel, que eu sou o teu servo; às tuas ordens é que eu fiz tudo isto. Responde-me, Senhor, responde-me! Que este povo reconheça que Tu, Senhor, é que és Deus, aquele que lhes converte os corações.» De repente, o fogo do Senhor caiu do céu e consumiu o holocausto, a lenha, as pedras, a lama e até mesmo a própria água do sulco. Ao ver isto, o povo prostrou-se de rosto por terra, exclamando: «O Senhor é que é Deus! O Senhor é que é Deus!» (1Reis 18).
Perante tantos deuses que o mundo de hoje nos oferece e entroniza, é bom que não nos deixemos coxear com as duas pernas, que não andemos também nós com um pé dentro e outro fora...
D. Antonino Dias - Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 30-08-2019



Elogio da contemplação


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Paro.
Ao som das ondas do mar a bater na areia acalmo o pensamento.
E escuto o silêncio.
O dia é de nevoeiro e tudo em volta se propicia a ver para além do olhar.
Sente-se, ainda assim, o calor do sol que cumpre a sua missão.
E uma brisa suave.
E o murmúrio das vozes que teimam em deixar sair palavras que não tiram férias.

O tempo, esse é infinito e ainda assim teimamos em dissecá-lo,
iludidos que andamos de que isso nos ajuda a organizar uma agenda anual onde colocamos intervalos para sair da rotina.
Essa, pode sufocar-nos, atarefados como estamos em manter um ritmo de vida que muitas vezes é mais de sobrevivência do que de sentido.

Por isto, os tempos de férias deveriam ser mais do que dias contemplados num contracto laboral ou num qualquer calendário escolar.
São estes essenciais para o encontro com a nossa verdade mais profunda,
para a coragem de arrumar a tralha interior,
para renovar a promessa que fizemos a nós mesmos na raiz dos nossos sonhos,
para renovar laços que nos unem uns aos outros e que validam e alimentam a nossa humanidade divina.

Em verdade, a via da contemplação será sempre aquela que nos ajudará a entender que nos encontramos sedentos de inteireza mesmo no meio dos nevoeiros da vida.

E é esta que nos oferece a possibilidade de parar, convocando os ponteiros do relógio a conceder-nos a possibilidade de nos sentirmos maravilhados e agradecidos pelo dom imenso que é a vida.


Cristina Duarte

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Guardiões uns dos outros

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Sentar-nos e escutar. Olhar olhos nos olhos e exprimir atenção e cuidado.
Eis um dos actos sagrados do mundo e da convivência humana.
E quanta sede latente ou manifesta desta mesma escuta e acolhimento!
Talvez nos falte essa arte de quem acolhe cada pessoa como única e irrepetível, com sonhos tantas vezes escondidos e medos que não são revelados, que tolhem a pessoas e a deixam parada na vida.
Talvez nos falte a arte de entender que cada encontro é a possibilidade de um novo nascimento, a possibilidade de retirar as teias dos olhos e nos podermos encantar com a verdade profunda de cada pessoa.
Ainda assim, teimamos em caminhar com a mala de pré-conceitos, convencidos que somos de que realmente conhecemos as pessoas, boicotando a genuína cultura do encontro. Ainda mais, quando falamos dos nossos mais íntimos e próximos.
Talvez nos falte a coragem de abrir a porta do coração e acompanhar os silêncios ou as lágrimas de quem muitas vezes na luta da solidão só precisa que lhe emprestemos os ouvidos. Tarefa gratuita e quantas vezes o remédio para as feridas que teimam em permanecer abertas.
Podemos fingir que não vemos, podemos encher a agenda de mil tarefas, podemos até enganar-nos a nós mesmos e dizer(nos) que não temos jeito para isso.
Porém, acolher pela escuta não é um acto heróico ou predestinado a algumas pessoas. É um acto que podemos treinar e tornarmo-nos realmente naquilo que somos: guardiões uns dos outros.

Cristina Duarte


terça-feira, 27 de agosto de 2019

A Igreja recorda hoje Santa Mônica

Resultado de imagem para mônica de hiponaDe  origem berbere, Mônica nasceu no ano 331, em Tagaste, norte da África, no seio de uma família opulenta, mas de antigas raízes cristãs. Aplicou-se, com dedicação, aos ensinamentos da Sagrada Escritura; sua forte espiritualidade foi forjada pela oração e assídua prática dos Sacramentos, além dos quais se coloca ao serviço da comunidade eclesial. Casou-se com Patrício, homem ambicioso, pagão, irascível, de caráter difícil, que também lhe foi infiel. Mônica, doce, benévola, capaz de dialogar nos momentos oportunos, com o seu método, composto de espera, paciência e oração, - que o sugere até às suas amigas, que lhe confiam seus problemas e incompreensões conjugais – consegue vencer as rudezas do marido, a ponto de levá-lo a abraçar a fé.

Esposa e mãe

Aos 22 anos, Mônica dá à luz ao primogênito Agostinho, seguido por outro filho, Navígio, e uma filha, da qual não se sabe o nome, e os educa segundo os princípios cristãos. Tornando-se viúva, aos 39 anos, administra os bens da família, dedicando-se, com amor incomensurável à sua prole. Quem mais causou preocupações à cuidadosa e astuta mãe foi Agostinho, o “filho de tantas lágrimas”; de coração irrequieto e ambicioso retórico, na busca da verdade, ele se distancia da fé católica e vaga de uma filosofia à outra. Mônica jamais deixa de rezar por ele; pelo contrário, segue todas as vicissitudes da sua vida e lhe permanece sempre ao lado. Por isso, transfere-se para Cartagena e, depois, para a Itália, quando o filho, no ápice da sua carreira, como docente de retórica, vai morar em Milão. Seu carinho materno e as suas orações acompanham a conversão de Agostinho, que, ao receber o batismo pelo santo Bispo Ambrósio, decidiu voltar para Tagaste, onde fundou uma Comunidade de servos de Deus. Mônica estava com ele, quando tiveram que embarcar no porto de Óstia com destino à África. Porém, ao esperar o navio, foram obrigados a passar alguns dias ali.

Êxtase em Óstia e a morte

No entanto, Mônica e Agostinho mantêm intensos diálogos espirituais. A um destes se refere o chamado “êxtase em Óstia”, narrado nas suas Confissões (XIX, 10, 23-27): «Aconteceu... encontrar-nos a sós, eu e ela, apoiados em uma janela que dava para o jardim interior da casa em que morávamos. Era em Óstia, sobre a foz do Tibre, onde, longe da multidão, depois do cansaço de uma longa viagem, recobrávamos forças para a travessia do mar. Ali, sozinhos, conversávamos com grande doçura, esquecendo o passado, ocupados apenas no futuro, indagávamos juntos, na presença da Verdade, que és tu, qual seria a vida eterna dos santos... percorremos uma a uma todas as coisas corporais, até o próprio céu... E subimos ainda mais em espírito, meditando, celebrando e admirando tuas obras, e chegamos até o íntimo de nossas almas. E fomos além delas, para alcançar a região da abundância inesgotável... onde a vida é a própria Sabedoria... E enquanto assim falávamos dessa Sabedoria e por ela suspirávamos, chegamos a tocá-la com supremo ímpeto de nosso coração».

Assim, Mônica sente ter atingido o ápice da sua vida e confessa ao filho: “No que me diz respeito, esta vida já não tem mais nenhum atrativo para mim. O que estou fazendo ainda aqui? Não sei. As minhas expectativas aqui na terra já se esgotaram. Somente uma coisa me fazia permanecer aqui em baixo...: ver, antes de morrer, que você se tornou cristão católico. Meu Deus me satisfez completamente, porque vejo que você até despreza a felicidade terrena para servir a Ele. O que estou fazendo aqui?”.

Alguns dias depois, Mônica adoece e morre aos 56 anos. Seu corpo foi enterrado em Óstia Antiga, na atual igreja de Santa Áurea. O tempo, provavelmente, é uma basílica paleocristã com uma necrópole ao lado.

As relíquias de Santa Mônica

Os restos mortais de Santa Mônica descansam, por muitos séculos, na igreja de Santa Áurea. Hoje, no lugar, pode-se ver apenas uma lápide, porque, no século XV, o Papa Martinho V quis que as relíquias fossem transladadas para Roma, na igreja de São Trifão, confiada aos frades Agostinianos – depois englobada a uma grande Basílica dedicada a Santo Agostinho. Ali, ainda hoje, encontram-se respostas aos tantos porquês diante de um sarcófago de mármore verde, na capela decorada com afrescos, em 1885, por Pietro Gagliardi. (https://is.gd/rENcJI

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domingo, 25 de agosto de 2019

A Porta Estreita


https://www.youtube.com/watch?v=vc-XpgIqS7I


A liturgia deste domingo propõe-nos o tema da "salvação". Diz-nos que o acesso ao "Reino" - à vida plena, à felicidade total ("salvação") - é um dom que Deus oferece a todos os homens e mulheres, sem excepção; mas, para lá chegar, é preciso renunciar a uma vida baseada nesses valores que nos tornam orgulhosos, egoístas, prepotentes, auto-suficientes, e seguir Jesus no seu caminho de amor, de entrega, de dom da vida.
Na primeira leitura, um profeta não identificado propõe-nos a visão da comunidade escatológica: será uma comunidade universal, à qual terão acesso todos os povos da terra, sem excepção. Os próprios pagãos serão chamados a testemunhar a Boa Nova de Deus e serão convidados para o serviço de Deus, sem qualquer discriminação baseada na raça, na etnia ou na origem.
No Evangelho, Jesus - confrontado com uma pergunta acerca do número dos que se salvam - sugere que o banquete do "Reino" é para todos; no entanto, não há entradas garantidas, nem bilhetes reservados: é preciso fazer uma opção pela "porta estreita" e aceitar seguir Jesus no dom da vida e no amor total aos irmãos.
A segunda leitura parece, à primeira vista, apresentar um tema um tanto deslocado e marginal, em relação ao que nos é proposto pelas outras duas leituras; no entanto, as ideias propostas são uma outra forma de abordar a questão da "porta estreita": o verdadeiro crente enfrenta com coragem os sofrimentos e provações, vê neles sinais do amor de Deus que, dessa forma, educa, corrige, mostra o sem sentido de certas opções e nos prepara para a vida nova do "Reino".



sábado, 24 de agosto de 2019

Deixa que me sente hoje contigo, Maria,

Jogo das crianças Criança no campo do dente-de-leão Flor do verão


Deixa que me sente hoje contigo, Maria,

Que sejas tu o meu lugar de pausa,

Porque têm sido muitos os estímulos,

E quero pedir-te que me ajudes nas minhas respostas.


Mostra-me como o Teu coração se deixou abrir ao mistério de Deus.

Talvez tão distante da tua realidade de Nazaré,

Material, palpável, concreta.

Permitiste-te acreditar no que parecia impossível.

Deixaste que te marcasse a vida esse Sim desafiador.


Fala-me de como se vive assim, em alegria simples.

De como te deixaste iluminar pelo brilho do Menino,

Que pudeste sentir crescer-te no ventre.

Que conversas terás partilhado com o teu Senhor,

Quando te viste eleita, na tua humildade!...

Deixaste que reinasse a esperança,

Quando à tua volta se impunham a dúvida e a incerteza.

Confiaste na palavra,

Aguardando os tempos necessários para que pudesse cumprir-se…


Diz-me como semeavas a presença de Deus nos teus dias.

Como deixavas chegar a Graça às rotinas da tua casa,

Às conversas com as mulheres e os homens do teu tempo,

Às escolhas que tiveste de fazer,

Às decisões que tomaste com a tua família.


Foi neste caminho de encontro contínuo que te preparaste para o Calvário?

Foi nesta confiança, treinada, aprendida, que pudeste ser fiel até à Cruz?

Esse momento ignóbil, impensável, cruel,

Da mais dura perda e de abandono…

Esse momento que, de um ou outro modo, chega sempre à vida de cada um…


Quando a derrota nos deixa à beira da loucura e do abismo…

Quando o negro não nos permite ver para além das nuvens do desespero…

Quando os nossos alicerces, “tão robustos”, se vergam como palha seca sob o peso do sofrimento…

Estende-nos a tua mão,

Segura-nos no teu olhar,

Ensina-nos a subir contigo os nossos calvários, Mãe!

De olhos postos no Crucificado…

consigamos ver para além dos véus da dor, a promessa de Deus.



Catarina Gregório Martins


sexta-feira, 23 de agosto de 2019

1 DE SETEMBRO: ORAÇÃO E CONVERSÃO ECOLÓGICA

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O Planeta Terra faz soar os seus alarmes, merece atenção, precisa da solidariedade universal, do envolvimento de todos. Cada vez com maior criatividade, o homem sempre usou e transformou a natureza para superar condicionalismos, buscar soluções e dar resposta às perguntas que a luta pela vida e a sua curiosidade aliada à liberdade, inteligência e vontade lhe iam colocando. Desde o primeiro investimento tecnológico em busca das ferramentas básicas para quebrar as nozes, ir à caça ou para outros afazeres de subsistência imediata; desde (talvez!) as “Lomekiwan” até aos nossos dias, o homem, para ajustar os bens da natureza ao seu modo de estar e viver com mais qualidade, foi aguçando o engenho e deitando foguetes face aos avanços que ia conseguindo. Descobriu coisas, inventou coisas, produziu coisas, acumulou conhecimentos, contribuiu sempre para o avanço da ciência e desenvolvimento coletivo. Nestes nossos tempos, lembramos a “máquina a vapor, a ferrovia, o telégrafo, a eletricidade, o automóvel, o avião, as indústrias químicas, a medicina moderna, a informática e, mais recentemente, a revolução digital, a robótica, as biotecnologias e as nanotecnologias” (Laudato Si,102-LS). Alegramo-nos com isso e usufruímos desse progresso que continua a rasgar novos horizontes para ir mais além em busca de novas conquistas. Todas essas aquisições, porém, vão dando ao homem um poder enorme, sobretudo àqueles que detêm o conhecimento e o poder económico para o disfrutar. “Nunca a humanidade teve tanto poder sobre si mesma, e nada garante que o utilizará bem, sobretudo se se considera a maneira como o está a fazer”, como refere o Papa Francisco (id.104). O homem moderno “não foi educado para o reto uso do poder». O imenso crescimento tecnológico “não foi acompanhado por um desenvolvimento do ser humano quanto à responsabilidade, aos valores, à consciência”. E por isso, a sua ”liberdade adoece quando se entrega às forças cegas do inconsciente, das necessidades imediatas, do egoísmo, da violência brutal. Neste sentido, ele está nu e exposto frente ao seu próprio poder que continua a crescer, sem ter os instrumentos para o controlar. Talvez disponha de mecanismos superficiais, mas podemos afirmar que carece de uma ética sólida, uma cultura e uma espiritualidade que lhe ponham realmente um limite e o contenham dentro dum lúcido domínio de si” (id.105). Esta é hoje uma grande preocupação da humanidade. O Planeta Terra “clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la” (id.2). E não somos.
O movimento ecológico mundial tem feito o seu caminho de sensibilização para o problema. Tem havido cimeiras mundiais ainda que aquém das expectativas. As questões ambientais vão ocupando as agendas políticas, o debate público multiplica-se, promove-se o estudo e a proteção dos ecossistemas, luta-se por uma agricultura mais sustentável e diversificada, por uma gestão mais adequada dos recursos florestais e marinhos e da própria água potável. Procura-se que as energias renováveis, substituam, quanto antes, a tecnologia baseada nos combustíveis fósseis, altamente poluentes. As escolas vão fazendo o seu trabalho, cada um vai sendo sensibilizado para que faça o que pode e deve fazer em favor deste bem coletivo, desta casa comum que é a natureza. Muitas iniciativas vão sendo tomadas, a mudança de hábitos, mesmo que lenta e difícil, vai acontecendo.
O Papa Francisco, numa das suas abordagens a este tema referiu que este cuidado não pode ser apenas tarefa dos ecologistas: “Quando ouvimos falar que as pessoas se reúnem para pensar em como proteger a Criação, podemos dizer: `Mas são ecologistas?` Não, não são ecologistas! Isso é ser Cristão! Um cristão que não preserva a Criação, que não a faz crescer, é um cristão que não se importa com o trabalho de Deus, aquele trabalho que nasceu do Seu amor por nós”.
E na sua Carta Encíclica Laudato Si, ao propor algumas linhas de espiritualidade ecológica, ele acrescenta “que alguns cristãos, até comprometidos e piedosos, com o pretexto do realismo pragmático, frequentemente se burlam das preocupações pelo meio ambiente. Outros são passivos, não se decidem a mudar os seus hábitos e tornam-se incoerentes. Falta-lhes, pois, uma conversão ecológica, que lhes permita deixar emergir, nas relações com o mundo que os rodeia, todas as consequências do encontro com Jesus. Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspeto secundário da experiência cristã, mas parte essencial duma existência virtuosa” (id.217).
Tendo em contam a reflexão de inúmeros cientistas, filósofos, teólogos e organizações sociais que foram enriquecendo o pensamento da Igreja, este tema foi abordado muitas vezes pelos últimos Papas. O Papa Francisco recorda isso na Carta Encíclica Laudato Si, tornando presente, em síntese, a preocupação dos seus últimos antecessores. Paulo VI falou da possibilidade de uma “catástrofe ecológica sob o efeito da explosão da civilização industrial”. Entendia que, se o homem não viesse a mudar radicalmente o seu comportamento, ia sofrer graves consequências: “os processos científicos mais extraordinários, as invenções técnicas mais assombrosas, o desenvolvimento económico mais prodigioso, se não estiverem unidos a um progresso social e moral, voltam-se necessariamente contra o homem”. João Paulo II sentiu a necessidade de apelar a uma “conversão ecológica global”, a qual haveria de passar por mudanças profundas “nos estilos de vida, nos modelos de produção e de consumo, nas estruturas consolidadas de poder”. Bento XVI renovou o convite a “eliminar as causas estruturais das disfunções da economia mundial e a corrigir os modelos de crescimento que parecem incapazes de garantir o respeito do meio ambiente”. Esta preocupação também está presente noutras igrejas e comunidades cristãs, bem como noutras religiões. Tem havido trabalho e pronunciamentos interessantes, pois, como afirmava o Patriarca Bartolomeu, “todos, na medida em que causamos danos ecológicos”, somos chamados a reconhecer “a nossa contribuição – pequena ou grande – para a desfiguração e destruição do ambiente” (id. 6-8).
O Papa Francisco, por sua vez, brindou-nos com a sua Carta Encíclica sobre o cuidado da casa comum, Laudato Si, dirigida não só aos cristãos mas a todos os homens e mulheres de boa vontade. Em 6 de agosto de 2015, à semelhança do que já existia na Igreja Ortodoxa, decidiu instituir também, na Igreja Católica, o “Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação”, a celebrar anualmente no primeiro dia de setembro, data em que já é comemorado pela Igreja Ortodoxa. É um dia para oferecer “aos fiéis individualmente e às comunidades a preciosa oportunidade de renovar a pessoal adesão à própria vocação de guardas da criação, elevando a Deus o agradecimento pela obra maravilhosa que Ele confiou ao nosso cuidado, invocando a sua ajuda para a proteção da criação e a sua misericórdia pelos pecados cometidos contra o mundo em que vivemos”. Com todas as pessoas de boa vontade, vivamos nós também este “Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação”, o dia 1 de setembro.

ORAÇÃO DO PAPA FRANCISCO PELA NOSSA TERRA

Deus Omnipotente,
que estais presente em todo o universo
e na mais pequenina das vossas criaturas,
Vós que envolveis com a vossa ternura
tudo o que existe,
derramai em nós a força do vosso amor
para cuidarmos da vida e da beleza.
Inundai-nos de paz,
para que vivamos como irmãos e irmãs
sem prejudicar ninguém.
Ó Deus dos pobres,
ajudai-nos a resgatar
os abandonados e esquecidos desta terra
que valem tanto aos vossos olhos.
Curai a nossa vida,
para que protejamos o mundo
e não o depredemos,
para que semeemos beleza
e não poluição nem destruição.
Tocai os corações
daqueles que buscam apenas benefícios
à custa dos pobres e da terra.
Ensinai-nos a descobrir o valor de cada coisa,
a contemplar com encanto,
a reconhecer que estamos profundamente unidos
com todas as criaturas
no nosso caminho para a vossa luz infinita.
Obrigado porque estais connosco todos os dias.
Sustentai-nos, por favor, na nossa luta
pela justiça, o amor e a paz (Laudato Si, 246)


D.Antonino Dias- Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 23-08-2019.

Não fazer turismo espiritual na Igreja, mas viver como irmãos

A menina na audiência geral

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Um dia houve alguém que falou!

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Um dia houve alguém que falou. Pegou em toda a sua vida e levou-a à boca. Tornou-se palavra que alimenta e que aviva. Ousou-se tornar verbo para que todo o movimento e ação viesse do seu dinamismo de amor tão misterioso, mas ao mesmo tempo tão encantador. 

Um dia houve alguém que falou. Decidiu rasgar por completo a gramática do seu tempo e dar a conhecer as novas regras da libertação que não se focavam em opressão, mas que se regiam pelos seus gestos que eram adjetivos bem qualificados de comunhão, união e compaixão. Usou a sabedoria de se colocar perante os sujeitos e não permitiu que o predicado da sua divindade atropelasse a essência da criação da sua tão bela humanidade. 

Um dia houve alguém que falou. Saiu a espalhar a Boa Nova brincando com as palavras. Brincou tanto que chegou ao ponto de se tornar tremendamente sério. Deixou que toda a sua vida fosse cosida de cima a baixo com as palavras de seu Pai. Não veio com um discurso de campanha, nem com palavras feitas, porque ele era a verdadeira palavra. Veio para ser a palavra e nós bem sabemos que as expressões só ganham crédito quando os nossos gestos condizem com a nossa fala. E assim o fez: deixou tudo por escrito nos gestos da sua humanidade soprados pela sua autêntica divindade.

Um dia houve alguém que falou. Falou tanto e tão bem que aceitou que a palavra lhe entranhasse. Deu-lhe vida através da sua própria vida e deu a conhecer assim o vocábulo que não se perde pelo tempo ou pelos escritos, mas que insiste e resiste em viver em todos e por todos. 

Um dia houve alguém que falou e, diante de tão belos discursos, foi ditando de cor e salteado o Reino do seu tão amado Pai!

Emanuel António Dias

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Papa Francisco clama por um novo humanismo

Papa escreveu o prefácio de um livro sobre Movimentos Populares

Com um prefácio de seu próprio punho, o Papa Francisco apresenta um livro que reúne cinco anos de reflexão sobre o trabalho de milhares de associações que, atuando como “uma alavanca de transformação social”, lutam por um estilo de desenvolvimento justo e inclusivo.


Cidade do Vaticano

O profundo valor e os desafios de centenas de associações sociais que lutam contra a exclusão no mundo é o tema central do prefácio que o Papa Francisco escreveu para o livro “A irrupção dos Movimentos Populares: Rerum novarum do nosso tempo”.

Esta edição, preparada pela Pontifícia Comissão para a América Latina, oferece os principais pronunciamentos feitos nos Encontros Mundiais que, desde 2014, reuniu milhares de representantes de Movimentos Populares em diversas partes do continente americano.

Alavanca de grande transformação social

O Santo Padre começa a sua reflexão afirmando que as pessoas que vivem nas periferias territoriais e existenciais não são só um setor da população que deve ser alcançada pela Igreja, mas são “uma semente, uma renovação que, como o grão de mostarda, dará muito fruto», porque os concebe como «alavanca de uma grande transformação social».

Assim, não são atores passivos ou meros receptores de assistência social, que devem resignar-se a contemplar como as elites administram a ordem mundial, mas são verdadeiros protagonistas ativos, agentes do futuro da humanidade, cuja “rebelião pacífica”, à imagem de Jesus manso e humilde, conta com a solidariedade incondicional do Santo Padre.

Francisco reconhece nesta articulação dos movimentos sociais de carácter transnacional e transcultural aquele “modelo poliédrico” ao qual fez referência em sua exortação apostólica Evangelii Gaudium (nº2), e que se constitui a partir de um paradigma social baseado na cultura do encontro.

Sentinelas

Para o Papa, esta pluralidade de movimentos, cujas experiências de luta pela justiça ficam plasmadas no livro, «representam uma grande alternativa social, um grito profundo, um marco, uma esperança de que “tudo pode mudar”». Seu modo de resistir ao modelo reinante por meio de um testemunho de trabalho e sofrimento os revela – segundo Francisco - como “sentinelas” de um futuro melhor.

Reafirmando sua convicção de que a humanidade enfrenta atualmente uma transformação de época caracterizada pelo medo, pela xenofobia e pelo racismo, o Santo Padre garante que os «Movimentos Populares podem representar uma fonte de energia moral para revitalizar nossas democracias».

Antídoto aos populismos

De fato, em meio a uma sociedade global ferida por uma economia cada vez mais distante da ética, afirma que estes agregados sociais podem exercer a função de um antídoto contra os populismos e a política do espetáculo, já que privilegiam a participação da cidadania, com uma consciência mais positiva sobre o outro. Essa é a consequência da promoção de uma “força do nós”, que se opõe à “cultura do eu”.

Ao finalizar suas palavras, o Santo Padre enfatiza o tema do trabalho humano como um daqueles direitos sagrados que deve ser preservado em cada pessoa. Frente às concreções práticas de teses neoliberais e neoestatais, que sufocam e oprimem as pessoas em suas experiências profissionais, Francisco clama por um «novo humanismo, que coloque fim ao analfabetismo da compaixão e ao progressivo eclipse da cultura e da noção de bem».

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terça-feira, 20 de agosto de 2019

Ser cristão significa ser coerente com o Evangelho


https://www.youtube.com/watch?v=iA4OemLAEpg



Dizer-se cristão é bom, mas é preciso ser cristão: palavras do Papa Francisco ao se reunir com os fiéis e peregrinos na Praça São Pedro para o Angelus dominical.

O Pontífice comentou o trecho de São Lucas, no qual Jesus adverte os discípulos de que chegou o momento da decisão.

“A sua vinda ao mundo, de fato, coincide com o tempo das escolhas decisivas: não se pode adiar a opção pelo Evangelho”, explicou o Papa.

Abandonar a apatia para acolher o fogo do amor

Para exemplificar melhor esse chamado, Jesus utiliza a imagem do fogo que Ele mesmo veio trazer sobre a terra: «Vim lançar fogo na terra; e que mais quero, se já está aceso ?».
Essas palavras, prosseguiu Francisco, têm a finalidade de ajudar os discípulos a abandonar toda atitude de preguiça, de apatia, de indiferença e de fechamento para acolher o fogo do amor de Deus.

“Jesus revela aos seus amigos, e também a nós, o seu desejo mais ardente: levar sobre a terra o fogo do amor do Pai, que acende a vida e mediante o qual o homem é salvo.”

O fogo do amor, aceso por Cristo no mundo por meio do Espírito Santo, é sem limites, universal, disse ainda o Papa.

"Incêndio benéfico"


Foi o que aconteceu desde os primeiros tempos do Cristianismo: o testemunho do Evangelho se propagou como um “incêndio benéfico, superando toda divisão entre indivíduos, categorias sociais, povos e nações”.

Este testemunho queima toda forma de particularismo e mantém a caridade aberta a todos, com uma preferência pelos mais pobres e excluídos.

Aderir a este fogo significa duas coisas: adorar a Deus e a disponibilidade a servir o próximo. A primeira quer dizer "aprender a oração da adoração, que com frequência esquecemos", afirmou o Papa, convidando os fiéis a descobrirem a beleza desta oração. Depois, estar disponível a servir o próximo e Francisco manifestou sua admiração a quem se dedica aos mais necessitados mesmo durante o período de férias.

“Para viver segundo o espírito do Evangelho, é preciso que, diante das sempre novas necessidades que aparecem no mundo, haja discípulos de Cristo que saibam responder com novas iniciativas de caridade. Assim, o Evangelho se manifesta realmente como fogo que salva, que transforma o mundo a partir da mudança do coração de cada um.”

Escolhas coerentes com o Evangelho

Assim se compreende outra afirmação de Jesus contida no trecho de Lucas, que numa primeira leitura pode chocar: «Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo, mas antes dissensão».

Isso significa que Jesus veio para “separar com o fogo” o bem do mal, o justo do injusto.

“Neste sentido, Jesus veio para “dividir”, para colocar “em crise” – mas de modo saudável – a vida dos seus discípulos, desfazendo as fáceis ilusões daqueles que acreditam poder conjugar vida cristã e mundanidade, vida cristã e acordos de todo gênero, práticas religiosas e atitudes contra o próximo.” O Pontífice advertiu que recorrer à cartomante é superstição, "não é de Deus".

A adesão a este fogo requer deixar a hipocrisia de lado e estar dispostos a pagar o preço por escolhas coerentes com o Evangelho. "Esta é a atitude que cada um deve buscar na vida: coerência", e pagar o preço por ela.


“ É bom dizer-se cristãos, mas é preciso antes de tudo ser cristãos nas situações concretas, testemunhando o Evangelho, que é, essencialmente, amor por Deus e pelos irmãos. ”

Francisco concluiu pedindo a Maria que “nos ajude a deixar-nos purificar o coração pelo fogo trazido por Jesus, para propagá-lo com a nossa vida, mediante escolhas firmes e corajosas”.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Sê a mudança


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Quantas vezes sonharam com um mundo de paz? Para mim, nunca passou de um sonho. Um sonho tão distante, um daqueles sonhos que sabemos que nunca vamos chegar porque não dependem de nós, porque no mundo existem tantas desigualdades, tantos diferentes pontos de vista. O mundo tem tantas coisas diferentes e tantas pessoas distintas que aos poucos me acostumei à ideia de que um mundo de paz só vai existir nos meus sonhos mas não para ver concretizado algum dia.
Torna-se ainda mais difícil porque nem sequer me sentia paz comigo mesma. Então, se nem sequer no sítio onde vivo e com quem vivo consigo a paz que sonho quanto mais almejá-lo para uma realidade ainda maior.
Pensar global, agir local. Comecei por mim. A paz não é um sítio onde chegas é um caminho que, com coragem, te propões a caminhar todos os dias. Todas as coisas que queria para o mundo comecei a aplica-las comigo, na minha vida. Ousei erradicar a violência da minha vida. Ousei começar a escolher a paz. Pelo caminho compreendi que a violência é como uma droga. Nem sabemos que somos viciados. Nem sabemos o quanto nos magoa, o quanto nos faz mal até nos irmos livrando dela.
A verdade é que pensamos que é só uma discussão. Que gritar é normal. Que casa ralhada é casa governada. A verdade é que nos repetimos que faz parte. Que isto é a vida. Não! Não! A tua vida podia ser assim mas isso não significa que não possa ser de outra forma. Lá porque neste momento parece que não existe outra opção não significa que ela não exista. Ela existe. É possível viver sem violência. É possível viver-se de paz. É possível governar-se uma casa, debater-se pontos de vistas sem nos magoarmos no percurso.
A verdade é quando crescemos nos ensinam a escrever, a ler e a fazer contas. Mas tantas vezes se esquecem de ensinar a amar e a ser amado. Tantas vezes nos esquecemos de ensinar a viver com paz, serenidade. Tantas vezes nos esquecemos de ensinar as emoções. A verdade é que o mundo de paz é possível, porque amar é possível. Basta começarmos por nós. E, ao mudarmos veremos em como o mundo se atreve a mudar connosco.

Paula Ascenção