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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

GANHAR O IRMÃO!

 


GANHAR O IRMÃO!

Vejo em mim e ao meu redor muita paz, beleza, amor e paixão. Mas também muita raiva e violência, vitimização e desânimo. Vejo pessoas agressivas, descontentes, mexeriqueiras, sempre prontas para acusar, julgar, denegrir, justificar-se.
E é normal que assim seja. É instintivo. Viemos da lama. E pensamos que, afinal, não existem outras formas de ser, de viver, de se relacionar.
Jesus, como sempre, faz novas todas as coisas. Começa por nos dizer: “Se o teu irmão te ofender vai ter com ele”.
Habitualmente, as coisas não funcionam assim. Se alguém te OFENDE, tu ficas à ESPERA de que essa pessoa que te OFENDEU, que se chateou contigo, que VENHA TER CONTIGO e te peça desculpa pelo gesto, pelo ato que fez.
Repara que Jesus troca realmente os papéis e diz uma outra coisa que é: “Tu, que foste o ofendido, vai ter com aquele que te ofendeu”.
Vai com delicadeza, prudência, humildade, de um pecador a outro pecador. Tu a tu. Olhos nos olhos. Coração a coração. Não nos apeguemos ao nosso orgulho ferido.
Tenhamos a coragem de conversar, esclarecer, perguntar... encontrar um ponto de encontro. Sem ataques, sem julgamentos...
“Se te escutar, terás ganho o teu irmão” (Mt 18,15).
O importante é ganhar o irmão e não provar-lhe que eu é que tenho razão.
Se ele não te escutar... não desistas!
Convida outros para te ajudar... fala com a tua comunidade.
Se mesmo assim não ganhaste o irmão resta a ESPERANÇA: “nunca dês por perdido o teu irmão”.
Por isso, este é, talvez, o passo mais difícil, o mais radical: não abandonar ninguém à sua sorte, não desistir de ninguém, mas amar ainda mais essa pessoa, rezar por ela, e procurá-la sem desistir, até a encontrar, movidos sempre por aquele amor que tudo espera (1 Cor 13,7).

Padre João Torres
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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Oração de quem quase desespera



Senhor Jesus, neste dia em que a minha existência me parece mais vazia e insignificante, peço-Te:

Que eu aprenda a esperar, com a paciência de quem sabe que entre a sementeira e a colheita há sempre muitos dias e noites.

Que eu saiba fazer o que devo e não o que quero, porque só assim me torno mais digno daquilo que sonho merecer.

Que eu aprenda a viver sem compreender os porquês e os para quês de tudo o que se passa na minha vida, confiando que tudo pode e deve concorrer para o maior de todos os bens.

Que eu continue a dar paz e alegria a quem mais delas precisa, mesmo quando não as tenho nem as sinto dentro de mim.

Que eu tenha bem presente que os meus desejos e fomes nascem da tentativa de esquecer as minhas necessidades mais profundas: amor, pertença e sentido. E tudo isto porque me empenho até ao limite em procurar saciar outras fomes mais superficiais: prazer, poder e dinheiro.

Que eu não desespere, mesmo contra todas as evidências. Que o meu coração se fixe na rocha da fé e que assim, apesar de vacilar, eu não me deixe arrastar pelos ventos e pelas marés do mundo.

Que todos aprendamos que ninguém é nada sozinho, pois as fraquezas humanas nos forçam a depender uns dos outros, e isso é, apesar de tudo, muito bom.

Que eu seja feliz, mesmo por entre todas as tristezas de cada um dos meus dias.

Que eu saiba, no mais profundo da minha alma, que Deus me ama como sou, mas me sonha ainda melhor!

 José Luís Nunes Martins

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

HÁ GENTE TÃO POBRE TÃO POBRE TÃO POBRE QUE SÓ TEM DINHEIRO!


Onde é que eu já li ou ouvi este espirro de sabedoria?!... Pensando bem, e pensar dá uma trabalheira dos diabos..., pensando bem, acho que não li nem ouvi. Acho que não inventei nem sonhei. Acho que é fácil de o fisgar por entre aquilo a que chamam notícias e todos os dias nos martirizam a falar de uns tais senhores que a humanidade - e a criação em geral, aliás -, bem dispensavam, se não como pessoas, pelo menos como chefes, chefes saltitantes lá pelos galhos do poder, à procura, não de bananas, mas do vil metal, a sua grande paixão. E a paixão cega, já dizia a mariquinhas!... Se não vivem de aparências para inglês ver e povaréu enganar, como é possível que esses povos, sempre falados como paladinos no progresso civilizacional, no exercício da democracia, na clarividência política e social e no gosto de viverem em liberdade, como é que esses povos tapam os olhos, cerram os ouvidos, engrunham a língua e ofendem o senso comum, acabando, orgulhosamente, por escolher tais líderes?! Eu sei que não é tão difícil penetrar nesse mistério como difícil é penetrar no da Santíssima Trindade, mas que isso é um grande mistério humano lá isso é, é mesmo difícil de decifrar!
Conhecem a fábula de Esopo sobre as rãs que pediram insistentemente um rei? Perguntem à meta! E têm presente o que aconteceu ao povo judeu quando implorou a Samuel que também lhe desse um rei, já que ele estava velho? (1Sam 8, 1-22). Será bom recordar, pois a escolha de um governante deve ser esclarecida e livre. E neste processo de esclarecer ou confundir, não estão isentos de algum mérito ou demérito quem noticia coisas e loisas a esmo, só para mostrar serviço e entreter, um pouco assim como quem deita palha ao gado para que fique sossegado e a remoer. De facto, “Vivemos numa sociedade da informação que nos satura indiscriminadamente de dados, todos postos ao mesmo nível, e acaba por nos conduzir a uma tremenda superficialidade no momento de enquadrar as questões morais” (EG64). Não se pensa criticamente, não se oferece um caminho de amadurecimento nos valores, está-se nas tintas para com a dignidade da pessoa e o bem comum, promovem-se as aparências de bem e os populismos que, camaleonicamente, querem levar a água ao seu moinho como se tudo fosse igual a tudo. “Assim como o bem tende a difundir-se, assim também o mal consentido, que é a injustiça, tende a expandir a sua força nociva e a minar, silenciosamente, as bases de qualquer sistema político e social, por mais sólido que pareça” (EG59). E tão culpado é quem entra no jogo como quem fica na bancada a aplaudir e incentivar. Neste ‘tic tic dare dare’, o dinheiro, a ambição, a ganância e a ilusão do poder pelo poder cantam de galo tão assumidamente que nem o milagroso galo de Barcelos, ao saltar do prato, foi capaz de o fazer com tanta mestria e garbo! E assim, lá se vai a honestidade, a ética e a centralidade no bem comum, precisamente aquilo que faz da política essa arte nobre de bem servir o homem e a criação, vocacional e belamente.
De facto, Jesus esclareceu que “Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro” (Mt 6, 24). E São Paulo não se esqueceu de advertir que “a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro” (1 Tm 6, 10). E exorta a comunidade a abandonar os vícios, referindo-se à ganância como "uma idolatria" e um pecado social (Col 13,5). São Lucas exorta: "Guardai-vos de toda a ganância, porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui" (Lc 12,15). E a Carta aos Hebreus exorta à simplicidade e à confiança na providência divina: "Seja a vossa vida isenta de ganância, contentando-vos com o que tendes" (Heb 13,5). Não se trata de deitar a riqueza ao mar ou de a condenar como pérfida e hostil à vida, trata-se, isso sim, é de saber como é adquirida e como é usada. O dinheiro pode invadir o campo da consciência individual e impor aí a sua lei, a lei do enriquecimento a qualquer preço, nem que seja através de formas de criminalidade organizada ou esmagando, anestesiando ou matando quem a produz. Pior ainda, quando, porventura, há autoridades que apenas se movem nesse campo, não assumem a defesa intransigente do bem comum e só olham para o seu umbigo, goste quem gostar ou doa a quem doer. O ladrão não pede riquezas, só quer que lhe digam onde é que elas estão!
De facto, mal vai quando a relação com o dinheiro é semelhante à relação de um patrão tirano com quem o serve por necessidade. Francisco dizia que “a crise financeira que atravessamos faz-nos esquecer que, na sua origem, há uma crise antropológica profunda: a negação da primazia do ser humano. (...) A adoração do antigo bezerro de ouro (cf. Ex 32, 1-35) encontrou uma nova e cruel versão no fetichismo do dinheiro e na ditadura duma economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano” (EG55).
E ao comentar a parábola do rico avarento, Francisco afirmava que a ganância do rico o faz vaidoso e soberbo. Vive de aparências que são a máscara do seu vazio interior, é prisioneiro da exterioridade, da dimensão mais superficial e efémera da existência (cf. EG 62). Veste-se como se fosse um rei, simula a posição de um deus, esquece-se que é um simples mortal, assume que nada mais existe além do seu próprio eu. O dinheiro é o seu ídolo, um ídolo tirânico de quem se orgulha e a quem se escraviza. Em vez de instrumento ao seu dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro subjuga-o, a si e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço ao amor e dificulta a paz (cf. Audiência 18/05/2016; e Mensagem Quaresma 19/02/2017).
No Antigo Testamento, a ganância é criticada principalmente pelo seu impacto comunitário e pela ilusão de segurança que as riquezas trazem. No Livro do Eclesiastes, por exemplo, lemos que "Quem ama o dinheiro jamais se fartará de dinheiro; e quem ama a riqueza nunca ficará satisfeito com os seus lucros" (Ecl 5,9). A ganância torna as pessoas insaciáveis. O Livro de Amós insurge-se contra quem coloca o lucro acima da dignidade humana, sendo capaz de vender "o justo por dinheiro e o necessitado por um par de sandálias" (Amós 2,6-7). Isaías atira-se àqueles que “juntam casa a casa e acrescentam campo a campo, até não haver mais terreno e serem os únicos a habitar no meio do país” (Is 5, . Ou do mundo!... Neste Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, rezemos por estes pobres tão pobres tão pobres tão pobres que só têm dinheiro e poder e ainda querem mais, nem que seja destruindo as pessoas e o pobre planeta. Coitados, são uns pobres sem abrigo, que, pelo menos, bem mereciam a compaixão de uma cadeia!

D. Antonino Dias
Caminha, 01-09-2026

terça-feira, 1 de setembro de 2026

A cruz é outra coisa...

 


A cruz é outra coisa...

Chamamos facilmente de «cruz» tudo o que nos faz sofrer...
A Cruz não é o “sofrimento” que Deus manda nem o “azar” que nos acontece na Vida! Isso é linguagem pagã que muita gente usa por aí… aceitar a nossa cruz significa compreender que o SOFRIMENTO faz parte da vida de toda a gente e que a nossa cruz não se deve transformar na cruz de mais ninguém...
A cruz é outra coisa. Jesus chama os seus discípulos a segui-lo fielmente e a colocarem-se ao serviço de um mundo mais humano: o reino de Deus.
Isso é o primeiro e mais importante. A cruz nada mais é do que o sofrimento que
nos advirá como consequência deste seguimento; o doloroso destino que teremos
de partilhar com Cristo se realmente seguirmos os seus passos. É por isso que
não devemos confundir o «carregar a cruz» com posturas masoquistas, uma falsa
mortificação.
Se queremos esclarecer qual deve ser a atitude cristã, temos de entender bem em que consiste a cruz para o cristão, porque pode acontecer que a coloquemos onde Jesus nunca a colocou.
Jesus não ama a cruz e ficaria feliz em passar sem ela.
Ele não quer morrer.
O que Jesus quer é manifestar a verdadeira face de Deus e para isso está
disposto a assumir a insegurança, o conflito, a rejeição ou a perseguição!
Até morrer para não negar a verdadeira face de Deus...
Quem pensa só em si
mesmo, quem usa os outros,
quem muda de ideias,
quem julga sem se expor, nunca
entenderá a linguagem da cruz!

Porque a cruz é outra coisa...


Padre João Torres

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O QUE TE SEDUZ?


 




Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir;
Vós me dominastes e vencestes. […]
Jr 20, 7-9



Em nós, seres humanos, habita uma insaciável sede pela felicidade plena.

O mundo é um parque de diversões que nos alicia a cada amanhecer.

Somos invadidos por inúmeras seduções.

Procuramos o sorriso fácil.

O Diálogo que nos conforta.

Um Olhar misterioso que nos fascina.

Alguém que nos escute sem julgar nem confrontar.

Um coração que sossegue o nosso coração.

Uma Alma calma e tranquila.


Entregar a vida ao projeto que Deus traçou para cada um de nós.

É a utopia que devia pulsar no nosso coração.

Nesse sonho que Deus, Pai misericordioso,

amorosamente desenha para cada um de nós,

há uma presença que nos acompanha desde o dia do nosso Batismo: A CRUZ!


Muitos de nós olham para a Cruz e o sonho transforma-se, imediatamente, em pesadelo.

Temos medo… acobardamo-nos… viramos costas… fugimos…

Esquecemos que somos CRISTÃOS.

Somos d’O Cristo! Daquele que morreu para que tenhamos VIDA.


Porque haveríamos de ter medo da nossa Cruz,

quando o nosso corpo, de pé e de braços abertos, é a Cruz mais bela que envergamos?


É de pé que inalamos o ar mais puro.

É de pé que iniciamos o caminho.

É de pé que ficamos prontos para vencer qualquer obstáculo.

É de braços abertos que acolhemos quem amamos.

É de braços abertos que perdoamos quem nos ofende.

É de braços abertos que recebemos a missão de Ser Felizes ao jeito dO Messias.

Faz deste levar Jesus a todos e todos a Jesus o teu caminho de salvação.

Deixa-te seduzir pelas lágrimas.

Pelo Diálogo que te faz mudar o rumo.

Pelo Olhar que te desmonta.

Por alguém que te chama a ir mais além.

Pelo coração que desassossega o teu coração.


Pela Alma que te inquieta...

que te faz partir a anunciar que Cristo está vivo num pedacinho de Pão.


Segue-O…


Liliana Dinis

sábado, 29 de agosto de 2026

A esperança de sermos compreendidos

 



Gostamos que gostem de nós. Na maior parte dos casos, esse desejo é sinal de que somos carentes, de que precisamos da atenção e do afeto dos outros para nos sentirmos completos e realizados.

Hoje, até chamamos amigos a pessoas com quem apenas temos contacto, mas sabemos, no fundo, que ser amigo de verdade é muito mais do que ter uma ligação no mundo virtual.

Por trás dessa confusão entre contacto e amizade está o desejo de não estarmos sós. É um desejo profundo, que corresponde a uma íntima e imensa necessidade de abraços que nos acolham, de quem nos aceite, compreenda e goste de nós como somos.

Claro que a responsabilidade também passa pela ilusão que criamos e alimentamos. Uma grande ilusão é o princípio da desilusão. Importa saber sonhar e moderar o desejo de que gostem de nós.

Depois, costumamos esconder as nossas facetas mais sombrias e complexas, enquanto sonhamos que os outros gostem, ou pelo menos aceitem, também aquilo que, por medo de sermos rejeitados, escondemos deles…

Connosco anda sempre uma esperança secreta de que possamos ser compreendidos pelos outros, mais ainda por aqueles que nos são próximos.

O maior problema desta atitude é que, na ânsia de procurar compreensão, não tentamos sequer compreender os outros: nem os próximos, que julgamos conhecer já muito bem, nem os estranhos, de quem muitas vezes a aparência nos basta para julgar que sabemos quem são.

Seria bom que aprendêssemos a olhar e a escutar o outro, sobretudo aquele que nos é próximo, com atenção e respeito, partindo sempre do princípio de que tudo quanto julgamos saber acerca dele não é, nem de perto, suficiente.


José Luís Nunes Martins

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

E tu, és insubstituível?


E tu, és insubstituível?

Eu respondo que sim. És. Todos somos. Porque somos únicos e ninguém nunca vai ocupar o lugar que era exclusivamente nosso na família, junto dos amigos, no trabalho, na sociedade, enfim neste universo.

Mário Cortella diz o seguinte: "Eu sou único. Mas não sou o único. Não há ninguém como eu, não houve e não haverá, mas não sou só eu que sou."

Pois assim também entendo, que cada vida é única e de inestimável valor, jamais para ser descartada ou substituída para que outros tomem o que será sempre nosso.

Semelhante sim, igual nunca.

E há, certamente, lugar para todos!


Lucília Miranda

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Reconhecer Deus




A liturgia convida-nos a seguir Jesus e, muitas vezes, a subir ao monte. O monte significa, entre outras coisas, o afastamento do ruído que nos impede de discernir e ouvir Deus. Não é por acaso que a natureza e a criação divina nos aparece sempre como um elemento revelador de Deus. A beleza da natureza é algo contemplativo mas exige paciência e confiança pois tudo leva o seu tempo. A nossa vida deveria ser assim, mais " longe do mundo e perto de Deus"!

Foi no monte que Jesus se transfigurou, foi no mar que Jesus pôs à prova a fé de Pedro, era no monte que Jesus se recolhia para orar, mas não foi só Jesus. Um dia textos que mais me impactou foi a espera de Elias pela passagem de Deus. Elias esperou que Deus se manifestasse em elementos barulhentos, assustadores e brutais. Mas não! Deus fez-se reconhecer se por uma brisa suave. Que simples! E Elias reconheceu de imediato ao ponto de se ter levantado da gruta e ter cessado a espera. Dizem as escrituras que Elias vivia um momento confuso e turbulento e Deus manifestou se no oposto, e precisamente em tudo aquilo que Elias precisava. Recordo que quando li esta passagem senti de imediato uma enorme empatia e trago na memória a capacidade de parar, descansar, se necessário subir ao monte e ver Deus na beleza, na brisa suave e na serenidade que nestes tempos parecem escassear.

Não há fórmulas secretas para reconhecer Deus mas acredito que Ele se revela a cada um de maneiras diferentes e de acordo com a capacidade individual de cada um de se dispor a ver, sem pressas nem julgamentos e de modo muito mais real do que alguns imaginam.

Mas desenganem-se se acham que Deus nos quer apenas seres contemplativos, se reparares bem depois de todas estas paragens há algo que muda, há algo que os impele à ação e à mudança. Cada um que reconhece Deus tende a mudar de caminho (como os discípulos Emaús), a levantar-se e sair da gruta (como Elias), ou a aumentar a fé (como Pedro), e tantas e tantas outras transformações que a bíblia nos relata. Se estiveres bem atenta verás Deus, ou melhor…sentirás a sua presença.

E tu amiga, estás preparada para aceitar a presença de Deus na tua vida?


Raquel Rodrigues


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

O lugar onde os sonhos assentam os pés

 


O lugar onde os sonhos assentam os pés


Às vezes esquecemo-nos do que é ser criança. Escrevemos palavras grandes, erguemos muros de certezas, vestimos preconceitos antigos e esquecemo-nos de olhar para o chão, onde a vida verdadeiramente acontece.
E lá em baixo, ao nível dos olhos de quem está a começar, o mundo é simples.
Quando uma criança cigana corre, ri ou olha para o céu, não está a carregar o peso do passado nem os rótulos de quem a vê passar. Está apenas a viver. Traz no olhar a mesma sede de descobrir o mundo, a mesma fome de futuro e o mesmo direito sagrado de ser feliz que qualquer outra criança.
Mas a infância não se protege sozinha.
Esta responsabilidade não é de "uns" nem de "outros". É de todos nós. Compete à comunidade cigana e à sociedade civil, sem dedos apontados, sem julgamentos fáceis, de peito aberto. Se nos despirmos do ruído e nos focarmos no que é verdadeiramente essencial, percebemos que o futuro de uma criança é a medida da nossa própria humanidade.
Cuidar delas, abrir caminhos, garantir que têm espaço para aprender, sonhar e voar em igualdade, não é um favor. É o compromisso mais bonito que podemos assumir enquanto pessoas.
Acredito profundamente que é no encontro, no respeito e na coragem de dar a mão que nos salvamos a nós próprios. Porque quando garantimos que o mundo é um lugar seguro e justo para uma criança, o mundo torna-se, finalmente, um lugar melhor para todos.
Afinal, a infância devia ser sempre esse lugar onde o amor não pede licença e os sonhos têm onde pousar.

Padre João Torres

terça-feira, 25 de agosto de 2026

«E vós, quem dizeis que Eu sou?»




«Uma amizade ou um amor, autênticos, são exceções, não regras.
É raro encontrar-se alguém que nos levante quando estamos caídos,
menos ainda que o faça sem hesitação e independentemente de estar muita gente a olhar.
Se depois de nos levantarmos seguimos ao seu lado, iremos longe. Muito longe.»
José Luís Nunes Martins
In Momentos de Sabedoria [pag. 152]





Jesus, no Evangelho de hoje,

anuncia aos Seus Discípulos o maior mistério que faz a humanidade caminhar, em união.

O Messias, O Filho de Deus vivo,

quer saber a perceção que têm aqueles que passam por Ele, sobre Ele…

Mas, não a tem em conta!

«E vós, quem dizeis que Eu sou?»


O que pesa nas Suas decisões; o que O faz viver;

o que leva Jesus até à morte e morte de Cruz, é o sentimento mais profundo:

O Amor misericordioso

vivido com o tempero mais puro da raiz de uma amizade verdadeira:

«Fazemo-nos irmãos de quem experimenta a mesma dor.
O sofrimento remete-nos para uma solidão profunda,
da qual a maioria dos outros se afasta como se fosse contagiosa.
E, assim, ao mal da tragédia acresce-se a dor da perda
dos que julgávamos que ficariam connosco.»
José Luís Nunes Martins
In Momentos de Sabedoria [pag. 153]


Jesus entrega a chave a Pedro e pede aos discípulos que não anunciem que Ele é o Messias…

Tudo teria de estar consumado.

Os Seus Amigos seriam colocados à prova:

De um lado: a mentira, a cobardia, a vaidade e a ganância. A humanidade…

Do outro lado: Jesus que ama enternecidamente cada um deles.


Ainda hoje, sentimos esse mesmo amor…

essa amizade que não tem fronteiras e é liberdade genuína.



Quantos de nós queremos levar este Jesus a todos e todos a este Jesus,

que é semente de serviço, que abraça os impuros, que sofre e chora connosco?



O Messias não nos apresenta uma vida de alegria sem fim.

Apenas quer caminhar connosco…

Fazer-se presença terna que nos fortalece com migalhas dO Pão…

Amor… sem reservas! Ser, apenas, O nosso Amigo…


Liliana Dinis

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Quem sou Eu para ti?

 



Quem sou Eu para ti?

Pergunta de Jesus a cada um de nós!
A resposta não se obtém pelo muito SABER, mas pelo muito AMAR. Saberemos quem é Jesus, não pelo que LEMOS ou APRENDEMOS, mas pelo amor com que somos amados e amamos.
Podemos viver a vida inteira a assistir a missas e a rezar terços, sem nunca nos deixarmos abalar, emocionar, questionar...
Porque uma coisa é dizer que somos crentes, outra coisa é acreditar.
É dizer, no mais profundo de nós mesmos:
Encontrar-TE foi a melhor coisa da minha vida!
Tu és a coisa mais bela e mais forte que me aconteceu...
Jesus usa o método das perguntas... Não nos cansemos de fazer perguntas: uma boa pergunta já contém em si mesma uma boa resposta.
Jesus não procura PALAVRAS, procura PESSOAS.
Não procura DEFINIÇÕES, mas COMPROMISSOS que nos envolvam...
Eu posso ser seu “simpatizante” e “ouvinte”, ou seu “amigo” e “seguidor”.
Pedro deu uma resposta: «Tu és o Messias». Tu és o Cristo, aquele que aviva a vida.
Pedro revela que Jesus é o Cristo; Jesus revela a Simão que ele é Pedro. Troca de cortesias.
Quando nos aproximamos do mistério de Deus, descobrimos o nosso rosto; quando nos aproximamos da Verdade de Deus, recebemos em troca a verdade sobre nós mesmos.
Cristo não é o que digo d’Ele, mas o que vivo d’Ele... Cristo não é as minhas palavras, mas o que d’Ele arde em mim...
Quem sou Eu para ti?
Talvez esta seja uma das perguntas mais importantes que Jesus nos pode fazer. Não basta saber quem Ele é. É preciso descobrir quem Ele se torna na nossa vida.
Deus não quer saber do que sabemos d’Ele, mas da nossa paixão por Ele…

Padre João Torres

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

UM JOVEM CASAL EM BUSCA DO ESSENCIAL


Nesta época mais desejada para os jovens contraírem matrimónio, o aviso nas passagens dos caminhos de ferro não se devia ignorar: "Pare, Escute e Olhe".
Um jovem casal, de Divinópolis, Brasil, que haviam casado no dia 1 de agosto, prometeram-se ir a Itália como viagem de lua de mel. Para as despesas do casamento e a concretização desse sonho, fizeram meses de sacrifícios e poupança. Yago, que trabalha na ação social, até vendeu pães de mel pelas ruas com esse objetivo. Essa angariação de fundos, porém, era curta, não chegava. No entanto, graças aos amigos, o casal conseguiu fazer a viagem de uma semana a Itália. Pontos de maior referência eram a passagem pela Basílica de São Pedro e a possibilidade de se poderem encontrar com o Papa e receber a Bênção que ele costuma dar aos recém casados. Danielly explica: "Com a graça de Deus queríamos conversar com ele: uma palavra, uma frase, aquilo que ele dissesse, que iria edificar o nosso coração, iria edificar o nosso matrimónio. E valeu muito a pena! Valeu muito a pena a viagem, a visita, algo sobrenatural mesmo, muito, muito além do que a gente podia imaginar ou sonhar."
E lá estiveram na audiência desta quarta-feira, dia 12 de agosto, tendo, após a Audiência Geral, se encontrado com o Santo Padre Leão XIV. E porque o Papa se aproximava, sentiram a possibilidade de até lhe dirigirem uma palavra. Yago, na esperança de que isso acontecesse, confessou: "Naquele momento, quando ele estava vindo, cumprimentando a gente, só me vinha uma pergunta: o que é que eu posso perguntar? E, pra mim, a pergunta que me vinha mais ao meu coração era isso: o meu maior desejo do coração é ter uma família santa. Então eu vou-lhe perguntar isso. Aí, eu fiquei treinando em italiano. Como é que eu vou perguntar isso? Eu falo até meio travado assim, porque eu queria perguntar em italiano pra que ele pudesse entender. E foi mágico ver ele olhando meus olhos, respondendo a essa pergunta. Eu achei que meu coração ia parar ali, naquele momento!". E quando Yago fez a pergunta ao Papa – como ser uma família santa -, ele disse-lhes: “Coloquem tudo nas mãos de Deus. Rezem muito: o rosário, a santa missa, os sacramentos. E muita paciência entre vocês.” Este foi o conselho simples e prático dado a um jovem casal, segundo a notícia. E acrescentou Yago: "estar diante do Papa e pegar na sua mão, foi o entendimento que o amor de Deus é verdadeiro, e que não há nada que nos impeça de conquistar os nossos sonhos, sendo o maior deles a santidade e o Céu". Agora, o sentimento do jovem casal é de gratidão aos amigos e a Deus pelo "carinho e pela sua providência", e pela oportunidade de compartilhar com outros jovens casais o conselho do Papa para construir uma família santa.
Como a sociedade seria diferente se as famílias cristãs marcassem a diferença como verdadeiras famílias cristãs! O Papa Francisco afirmava que a santidade da família não está na perfeição. Está no amor quotidiano, no perdão mútuo, na vivência da fé em gestos simples do dia a dia. É um caminho concreto de aprendizagem, dinâmico, alegre e realista. Não é um produto acabado, mas um projeto que o casal constrói em conjunto ao longo da vida, aprendendo a contemplar o cônjuge com os olhos de Deus, aceitando os seus limites, celebrando as suas virtudes, gerindo as crises de forma a fortalecer a união. É um compromisso, uma aliança sempre renovada e centrada na paciência, no cuidado, na escuta atenta, no respeito pelas diferenças do outro, no crescimento conjunto, na superação de conflitos. A inserção e participação na comunidade é importante, não só como apoio ao casal mas também para a educação dos filhos. Esta educação não se faz com grandes discursos, mas com o testemunho, a oração individual, em família e na comunidade, valorizando o Domingo e os sacramentos, manifestando a beleza da oração simples e da caridade no dia a dia. Há pequenos gestos e atitudes que se tornam extraordinários e eficazes.

D. Antonino Dias
Caminha, 14-08-2026.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

O preço de escolher bem

 



O preço de escolher bem

O mal apresenta-se-nos sob a aparência do bem. Desvia-nos do melhor, levando-nos a trocar o melhor por aquilo que é apenas bom. É subtil, mas eficaz, porque nos vai afastando do caminho do bem supremo.

A maioria das escolhas decisivas das nossas vidas não são entre o bem e o mal, mas entre dois ou mais bens. Haverá algum mal em escolher um bem que, embora não seja o maior, continua a ser um bem? Sim. Ao fazê-lo, renunciamos a um bem maior.

Há situações em que somos forçados a escolher entre dois ou mais males. Todas as opções são más, mas aqui é ainda mais evidente que temos o dever de escolher o mal menor.

Importa ter a coragem de escolher o bem maior e de renunciar aos bens menores. É sempre duro assumir que deixar boas opções para trás faz parte do preço a pagar para alcançar o melhor. Afinal, é como se apenas merecesse o melhor quem fosse capaz das renúncias que isso implica.

É interessante que associemos a ideia de liberdade a algo muito agradável. A verdade, porém, é que a liberdade não é aquilo que sentimos depois de escolher bem; é aquilo que torna essa escolha possível. Todos somos livres e isso não é uma escolha. Estamos assim condenados a ser responsáveis pelas escolhas que fazemos – as boas e as más.

Somos responsáveis por aquilo que somos, por aquilo que fazemos aos outros e a nós próprios. Mais do que escolher um bem, devemos procurar escolher sempre o melhor de todos os bens. Só assim estaremos a escolher bem.


José Luís Nunes Martins

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Reconhecer Deus



A liturgia convida-nos a seguir Jesus e, muitas vezes, a subir ao monte. O monte significa, entre outras coisas, o afastamento do ruído que nos impede de discernir e ouvir Deus. Não é por acaso que a natureza e a criação divina nos aparece sempre como um elemento revelador de Deus. A beleza da natureza é algo contemplativo mas exige paciência e confiança pois tudo leva o seu tempo. A nossa vida deveria ser assim, mais " longe do mundo e perto de Deus"!

Foi no monte que Jesus se transfigurou, foi no mar que Jesus pôs à prova a fé de Pedro, era no monte que Jesus se recolhia para orar, mas não foi só Jesus. Um dia textos que mais me impactou foi a espera de Elias pela passagem de Deus. Elias esperou que Deus se manifestasse em elementos barulhentos, assustadores e brutais. Mas não! Deus fez-se reconhecer se por uma brisa suave. Que simples! E Elias reconheceu de imediato ao ponto de se ter levantado da gruta e ter cessado a espera. Dizem as escrituras que Elias vivia um momento confuso e turbulento e Deus manifestou se no oposto, e precisamente em tudo aquilo que Elias precisava. Recordo que quando li esta passagem senti de imediato uma enorme empatia e trago na memória a capacidade de parar, descansar, se necessário subir ao monte e ver Deus na beleza, na brisa suave e na serenidade que nestes tempos parecem escassear.

Não há fórmulas secretas para reconhecer Deus mas acredito que Ele se revela a cada um de maneiras diferentes e de acordo com a capacidade individual de cada um de se dispor a ver, sem pressas nem julgamentos e de modo muito mais real do que alguns imaginam.

Mas desenganem-se se acham que Deus nos quer apenas seres contemplativos, se reparares bem depois de todas estas paragens há algo que muda, há algo que os impele à ação e à mudança. Cada um que reconhece Deus tende a mudar de caminho (como os discípulos Emaús), a levantar-se e sair da gruta (como Elias), ou a aumentar a fé (como Pedro), e tantas e tantas outras transformações que a bíblia nos relata. Se estiveres bem atenta verás Deus, ou melhor…sentirás a sua presença.

E tu amiga, estás preparada para aceitar a presença de Deus na tua vida?


Raquel Rodrigues

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Não guardes a tua fé



«Entre todas as coisas magníficas da criação de Deus,
duas deixam para trás as outras;
uma está acima de nós - a imensidão dos céus estrelados;
outra dentro de nós - o espírito do homem.»



Para quem tem Fé em Deus e em todas as Suas criaturas,

o mundo é um verdadeiro paraíso sem fim.

Acreditamos que cada um de nós é único e irrepetível.

Acreditamos que saímos das mãos do Criador, que amorosamente nos desenha,

para vivermos numa intensa obediência à Sua misericordiosa providência.

Acreditamos que cada grão de areia

é colocado estrategicamente pelo Senhor que nos dá a vida,

num local definido, com uma textura distinta e com uma missão muito específica.

Também acreditamos que tudo o que vem de Deus

é para todos, todos, todos e para cada um de nós.

As coisas boas não são só para mim, porque sou mais bonito…

As coisas más não são só para ti, porque mereces…

E… contestar o que Deus providencia é perda de tempo!

Quando acreditamos que Deus nos ama, infinitamente, não há dor, há compaixão!

Deus espera por mim e por ti, a cada dia.

Mesmo que os nossos passos estejam desalinhados,

o Pai anseia que eu te leve a Jesus e que tu me leves até Jesus…

Deus não pergunta a tua nacionalidade,

nem se nasceste no seio de uma família conceituada.

Deus apenas quer que respeitemos o que é direito, que pratiquemos a justiça e…

que tenhamos uma Fé inabalável, Naquele que morreu para que a salvação fosse possível.

Quem tem Fé em Jesus encontra a cura para qualquer mal.

E até simples migalhas são um manjar repleto de iguarias.

Não guardes a tua Fé!

Faz-te Fé na vida da humanidade…


Liliana Dinis

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

MULHER DA GRANDE FÉ!

 


MULHER DA GRANDE FÉ!

O Evangelho deste Domingo, conta-nos a bela e maravilhosa história de vida, de uma mulher e mãe «libanesa», carregada com o drama da sua filha doente, situação verdadeira ontem como hoje, vem IMPLORAR DE JESUS, num GRITO que lhe sai do fundo das entranhas, que lhe «faça graça», isto é, que olhe para ela com mesma ternura com que ela embala ao colo a sua filha...
O texto diz que Jesus nem lhe respondeu. Mas a mulher não DESISTE, mas INSISTE... AQUELA MULHER NÃO ARREDA PÉ! Não se SENTE, nem se RESSENTE, perante o silêncio frio ou quente de Jesus.
A sua fé, já não se ABALA, com uma boa ou má fala do Mestre!
A sua fé, não CRESCE, nem DESAPARECE, por causa do mau feitio de qualquer um dos seus discípulos.
E é tal a insistência e a persistência, que esta libanesa consegue FAZER IMPLODIR DE COMPAIXÃO o coração de Jesus, com uma verdadeira explosão de fé!
«Mulher da grande fé!», replicou Jesus, «faça-se como queres!»
Esta cena do evangelho provoca, SEM DÓ, NEM PIEDADE, esta nossa fé TÃO POUCA e TÃO POLIDA DE ÁGUA benta e quantas vezes “melindrada”, por tudo e por nada!
Daqui é preciso estender o elogio de Jesus, às mães solteiras, às ciganas, às estrangeiras, ou àquelas que, separadas ou mal casadas, sozinhas e inteiras, suportam com coragem uma maternidade violenta, ou a crueldade de uma doença, que atormenta e desespera!
..... não podíamos encontrar um rosto mais feliz, do que esta mulher, distante e imigrante, tocada pela ternura de Deus... Só cumprimos a vontade do Pai quando vivemos abertos a todo o ser humano que sofre e geme pedindo compaixão...
O Evangelho deste Domingo, conta-nos a bela e maravilhosa história de vida, de uma mulher e mãe «libanesa», carregada com o drama da sua filha doente, situação verdadeira ontem como hoje, vem IMPLORAR DE JESUS, num GRITO que lhe sai do fundo das entranhas, que lhe «faça graça», isto é, que olhe para ela com mesma ternura com que ela embala ao colo a sua filha...
O texto diz que Jesus nem lhe respondeu. Mas a mulher não DESISTE, mas INSISTE... AQUELA MULHER NÃO ARREDA PÉ! Não se SENTE, nem se RESSENTE, perante o silêncio frio ou quente de Jesus.
A sua fé, já não se ABALA, com uma boa ou má fala do Mestre!
A sua fé, não CRESCE, nem DESAPARECE, por causa do mau feitio de qualquer um dos seus discípulos.
E é tal a insistência e a persistência, que esta libanesa consegue FAZER IMPLODIR DE COMPAIXÃO o coração de Jesus, com uma verdadeira explosão de fé!
«Mulher da grande fé!», replicou Jesus, «faça-se como queres!»
Esta cena do evangelho provoca, SEM DÓ, NEM PIEDADE, esta nossa fé TÃO POUCA e TÃO POLIDA DE ÁGUA benta e quantas vezes “melindrada”, por tudo e por nada!
Daqui é preciso estender o elogio de Jesus, às mães solteiras, às ciganas, às estrangeiras, ou àquelas que, separadas ou mal casadas, sozinhas e inteiras, suportam com coragem uma maternidade violenta, ou a crueldade de uma doença, que atormenta e desespera!
..... não podíamos encontrar um rosto mais feliz, do que esta mulher, distante e imigrante, tocada pela ternura de Deus... Só cumprimos a vontade do Pai quando vivemos abertos a todo o ser humano que sofre e geme pedindo compaixão...

Padre João Torres


domingo, 16 de agosto de 2026

A Páscoa de Maria

 


A Páscoa de Maria

A todos nós nos preocupa de uma certa forma
o fim último da nossa existência...
A festa da Assunção de Nossa Senhora ajuda-nos a ver um pouco de luz nessa imensa escuridão, que é a morte para nós...
Essa palavra estranha e abstrata assunção, quer dizer simplesmente que Maria, venceu definitivamente a morte. Foi assumida por Deus...
Mas Nossa Senhora morreu?
E o corpo, desapareceu?
Como aconteceu isso?
Não sabemos como aconteceu tudo isto,
mas sabemos que desde os primeiros séculos
se conservam os túmulos dos principais apóstolos,
e não se conservaram os restos mortais de Maria…
Os primeiros cristãos entenderam a morte de Maria como um “adormecer” (ou “dormição”) para acordar inteiramente no amor de Deus. Foi-se assim tornando claro que Deus chamou a si toda a realidade (espírito, alma, corpo) desta mulher especial.
Ela é a primeira resgatada e a primeira ressuscitada.
Ela é o primeiro ser humano a viver em plenitude aquilo
para que todos fomos criados.... Viver para sempre com Deus...
Maria “antecipa” a nossa ressurreição!
Dá-nos a esperança de também lá chegarmos,
na medida em que nos abrirmos à graça e ao amor de Deus.
Maria é abençoada porque ela acreditou. Porque ela confiou,
porque ela deu espaço a Deus, ela deixou-O agir na sua vida...
Ela é um SINAL DE ESPERANÇA para todas as pessoas simples,
ignoradas pelos poderosos, mas plenamente confiantes em Deus...
Nossa Senhora da Assunção nos ensine a colocar nossa vida o sonho de Deus....
nos alcance um novo ardor de ressuscitados,
para levar a todos o Evangelho da vida que vence a morte!


Padre João Torres

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

O que esconde o sorriso...

 


Tu sabes que nem todos os sorrisos que vês significam que está tudo bem. Nem toda a pessoa que sorri está em paz. Nem toda a resposta que está tudo bem conta a história toda. Muitas pessoas enfrentam batalhas em silêncio… e tu sabes que sim! Muitas carregam dores que ninguém vê, passam necessidade sem pedirem ajuda. Sabes, por isso em tudo na tua vida escolhe a empatia antes do julgamento. Até porque tu nunca sabes o que alguém enfrentou antes de cruzar o teu caminho. Às vezes, uma simples palavra de carinho… uma simples palavra de carinho é o suficiente, um gesto de atenção, ou uma ajuda no momento certo pode mudar o dia desse alguém, ou até mesmo a vida. O mundo, cada vez mais, precisa mais de compaixão do que julgamentos, porque nem toda a dor arrasta consigo barulho e nem todo o sorriso revela realmente o que está no coração. E tu??? Tu tens apenas olhado para a aparência das pessoas ou tens procurado olhar de verdade para a história que elas carregam?

Padre Ricardo Esteves

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Sentir-se Cristão

 


Sentir-se cristão
Há quem diga que é cristão porque foi batizado.
Há quem o diga porque vai à Missa.
Há quem o diga porque reza.
Tudo isso é importante.
Mas só sabe verdadeiramente o que é ser cristão quem, pelo menos uma vez na vida, decidiu por causa de Cristo.
Quem escolheu o perdão quando o coração pedia vingança. Quem calou uma palavra que iria ferir. Quem mudou um comportamento, contrariou um orgulho ou renunciou a uma vontade apenas porque queria viver o Evangelho.
Ser cristão não é só saber coisas sobre Jesus.
É deixar que Jesus mude alguma coisa em nós.
É acordar e perceber que este novo dia não é um direito, mas um dom. É maravilhar-se com o mar, com o silêncio da montanha, com o canto dos pássaros, com o rosto de quem amamos, sabendo que a vida nunca nos foi devida. Tudo é graça.
Mas ser cristão é também deixar-se ferir pelas feridas do mundo. É não passar indiferente diante da fome, da guerra, da solidão ou da injustiça. É reconhecer, em cada rosto cansado, um pedaço do rosto de Cristo.
Ser cristão é viver de olhos levantados para Deus e de mãos estendidas aos irmãos.
É rir com quem se alegra, chorar com quem sofre, construir pontes onde outros levantam muros e acreditar que o amor continua a ser a única força capaz de mudar verdadeiramente o mundo.
É perdoar quem não merece. É fazer bem a quem não merece...

Talvez, no fim, ser cristão seja apenas isto: deixar que Cristo viva de tal maneira em nós que quem se cruza connosco consiga acreditar, por um instante, que Deus continua a passar pelas estradas deste mundo.

Padre João Torres

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

A OUTRA MARGEM

 


A OUTRA MARGEM

Somos seres de travessia e vivemos contínuos deslocamentos, desde o ventre materno. Saímos de lugares estreitos em direção a espaços mais amplos, até à travessia definitiva. Toda travessia tem um “para quê” (um sentido); ela aponta para algo maior, inspirador. O perigo é deixar-nos determinar pelo medo, bloquear nosso espírito aventureiro e nos “acostumarmos” com a margem conhecida.
Às vezes estamos no meio de uma tempestade... levantam-se ondas de obscuridades sem sentido, de medos paralisantes, de dúvidas angustiantes... sopram outros ventos tempestuosos que nos ameaçam, arrastando tantas seguranças que nos sustentaram, quebrando tantos salva-vidas aos quais nos agarrávamos...
Mas, no meio das tempestades, urge não perder a calma, ter a coragem de “permanecer na barca” e não permitir que o ruído dos ventos nos vença, que os relâmpagos nos ceguem, que as ondas nos levem...
Afinal, somos “seres de travessia”. Jesus está connosco e diz-nos: «Coragem!
Sou Eu, não tenhais medo!»
Caminhar para a outra margem é sair do centro, da segurança, da acomodação... e ir em busca das surpresas, das novas descobertas; implica arriscar, ter ousadia, não ter medo de caminhar para os “confins da terra”, para regiões desconhecidas no seu próprio interior...
Somente partindo da realidade de nós mesmos, que é sempre uma realidade rica e original, é que poderemos crescer como “peregrinos” em direção à nossa interioridade e em direção a um maior compromisso.
Só assim podemos chegar ao outro lado.
Coragem!

Padre João Torres