terça-feira, 15 de setembro de 2026

Perdão, o caminho para a liberdade?




Como disse Shakespeare:
"Guardar rancor é como beber veneno e esperar que a outra pessoa sofra"



Ser corajoso não é armar um exército contra quem nos ofendeu;

é olhar para quem esteve menos bem connosco e tranquilamente ficar em Paz.

Perdoar é a ação mais libertadora que a nossa vida nos apresenta.

MAS… É uma opção nossa e só nossa.

Podemos manter o desconforto, a tristeza, a dor...

ou respirar fundo, fechar os olhos, acalmar a Alma e sentir Jesus a pulsar no nosso sangue!


A ira e a vingança não faz de nós seres superiores.

O verdadeiro coração Cristão é aquele que aniquila sentimentos mesquinhos,

que nos fazem perder o rumo do caminho certo que nos leva à Santidade:

Levar Jesus a todos e todos a Jesus, nos pequenos grandes gestos do dia a dia.

A liturgia de domingo,

vem ao nosso encontro com aquele Perdão, que só Jesus é capaz de semear...

Aquele número infinito de vezes que a pessoa nos ofende,

e reagimos de olhos fechados, de boca fechada e até de ouvidos fechados…

é quase como uma tortura que emana um doce perfume da Cruz d’O Cristo!


Não podemos pensar que só os outros é que erram connosco.

Cada um de nós já fez algo que interferiu na vida do seu próximo e deixou cicatrizes….

Já colocou um espinho na carne do outro. Já se achou mais do que o outro.



A Parábola do servo impiedoso vem em nosso auxílio e é reforçada pela oração do Pai Nosso:

Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos!”

Se no Evangelho da semana passada,

Jesus manda-nos falar [diretamente] com aquele que toma más decisões,

hoje, coloca em cada coração a força do Perdão, regada pelo fruto da Paciência.



De que nos adianta uma guerra,

quando os momentos mais felizes são os abraços que oferecemos?

Já escutaste o ritmo do teu coração,

quando sente a angústia e a ira de quem te traz infelicidade?

Provoca-te o pânico e o ar nem entra nos pulmões.

É a ansiedade de viver fora dos sonhos de Deus, nosso Pai.

É a maldade a ganhar raiz… é o humano a vencer o Divino que é o Amor mais puro…



Resta apenas a mundana questão:

Como posso perdoar-me pelo que fiz para perder o Senhor Jesus?”

Jesus responde misericordiosamente:

“Não precisas de te perdoar, porque EU já te perdoei e perdoar-te-ei, sempre!”



Já pensaste em desconsertar quem te ofende com um silencioso abraço?

Jesus, do alto da Cruz, quando perdoa os pecados da humanidade,

é muito mais do que 70X7!


Agora vai e perdoa.

Irás libertar-te do veneno de não reconheceres Deus em cada coração humano…



Liliana Dinis


segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Débitos e créditos...

 


Débitos e créditos...

Achamos sempre que nestas matérias os outros nos devem muito e nós devemos sempre tão pouco aos outros! Se falarmos de perdão, os outros devem-nos sempre muito e nós não devemos nada a ninguém... No entanto, o pequeno crédito que achamos que temos para com os nossos irmãos não é nada comparado com a dívida monstruosa que contraímos para com Deus e que Ele cancelou.
Jesus conta uma parábola que é medicinal, para todos nós, que nos julgamos vítimas de DÍVIDAS IMPAGÁVEIS ou de OFENSAS INAPAGÁVEIS. Jesus sabe que a vingança, que não dá lugar ao perdão, faz mais mal à vítima, do que a ofensa do agressor!
Perdoar faz-nos bem! A ira e o rancor fazem mal ao coração! Quem não perdoa faz mal a si próprio, alimenta o veneno que o mata. Quem não sabe perdoar, pode ficar ferido para sempre.
Perdoar é necessário, para conviver, de maneira saudável: na família, na amizade e no amor e em múltiplas situações da vida.
Perdoar não significa branquear o mal, ignorar a injustiça! Não perdoo, porque eu seja bom e o outro mereça. Perdoamos um ao outro, porque ambos precisamos de seguir em frente... O perdão é um presente com futuro!
Digo-te, agora, a ti mesmo, e de todo o coração: se não for por mais nada,
“perdoa, pela tua rica saúde”!

Padre João Torres

domingo, 13 de setembro de 2026

Arronches despede- se do Padre Fernando

Reverendo Padre Fernando Farinha,

Celebrar os seus 56 anos de sacerdócio e, em particular, os últimos 17 anos dedicados à nossa comunidade é um ato de elementar justiça e profunda gratidão. A Igreja Matriz de Arronches testemunhou hoje não uma despedida, mas sim o reconhecimento público de uma vida inteira entregue a Deus e ao próximo.

É com o coração cheio de emoção e de uma profunda gratidão que hoje nos despedimos das suas funções como nosso pároco. Foram 17 anos de uma dedicação incansável às paróquias de Assunção, Esperança e Mosteiros, mas, acima de tudo, foram 17 anos em que o Padre Fernando foi mais do que um pastor — foi um amigo, um conselheiro e uma presença constante nas nossas vidas.
Obrigado pelo seu brio, pela sua sensibilidade e pela forma tão bonita como sempre cuidou da nossa comunidade.
Agradecemos o seu zelo pastoral, o cuidado que dedicou às nossas paróquias e a dignidade com que sempre celebrou a fé entre nós. O seu dever foi cumprido com uma entrega exemplar.
Levaremos sempre connosco o seu exemplo de fé e humanidade. Que esta nova etapa da sua vida lhe traga o merecido descanso, com a certeza de que a sua marca em Arronches é eterna..
Rezamos para que Deus o abençoe nesta nova fase de recolhimento, concedendo-lhe saúde e paz. Arronches será sempre a sua casa.

Senhor Deus,
Hoje elevamos o nosso coração em ação de graças pela vida, vocação e ministério do Padre Fernando Farinha. Obrigado pelos 58 anos de sacerdócio que ele ofereceu à Tua Igreja e, de forma especial, pelos 17 anos em que ele foi o bom pastor das nossas paróquias de Arronches.
Abençoa-o, Senhor, pelo pão que repartiu, pelas palavras de conforto que proferiu e pelo amor com que nos guiou. Pedimos-Te que lhe concedas agora o descanso merecido, saúde e a constante certeza de que a sua semente deu frutos generosos na nossa terra. Protege-o e guarda-o sempre no Teu amor.
Amén.


Com toda a nossa amizade e gratidão,

Muito obrigado por tudo.




COITADO!... O HOMEM CHORAVA COMO UMA MULHER!...

 


Não fui eu quem viu!... Não fui eu quem o disse!... Tampouco sei apreciar tão lacrimosos epifenómenos através desse suor das janelas da alma!... Sim, isto de ver rios de água a serpentear cara abaixo de qualquer homem feito Madalena ou de qualquer Madalena feita homem não é, para mim, coisa agradável de se ver. Muito menos eu faria uma afirmação assim tão deselegante. A não ser que perdesse o tino e me deixasse influenciar pela baixaria que ecoa lá pela ‘Universidade Politécnica do Parlamento’, no ensino e exercício prático com que transmite e educa o país na arte nobre da política. Se ela fosse uma das competências de avaliação do PISA, haveríamos de ver como o ranking da maior parte dos eleitos pelo povo os faria chorar as pitangas, mas sem propósito de emenda. Perante a contumácia, só um GPS de marmeleiro lhes indicaria o rumo certo!... ihhihihihih!
Terá sido Aixa, mãe do rei de Granada, quem viu e afirmou essa coisa em título. E ao que parece, não eram lágrimas de crocodilo. Eram o amargo fruto daquela tremebunda e monarca tristeza, sentada lá pelos sofás daquele coração feito em cacos, destroçado! Ninguém gosta de perder nem que seja a feijões ou na raspadinha!... Na impossibilidade de torcer o pescoço aos reis de Espanha, o dito cujo, com a mochila às costas carregada com mísseis de raiva visceral, disparou, lá do alto do monte por onde passava, o seu último olhar e suspiro sobre a cidade! Não destruiu nada, não matou ninguém, ninguém se intimidou, foi um mero desabafo em alívio daquele patriótico nó na garganta. Presumo até que, naquele momento, o seu único consolo seria o de saber que iria chegar a casa a tempo e horas para o jantar, com a certeza de que, a partir de agora, iria ter tempo com fartura para o que desse e viesse! Acabava de entregar, à governança de Espanha, definitivamente, as chaves dessa sua amada pátria: Granada. Era o 2 de janeiro de 1492. O monte passou a ser conhecido por “Suspiro do Mouro”. Sua mãe, mulher resistente, de carácter forte e ‘pelo na venta’, de ‘antes quebrar que torcer’, que tudo tinha feito pelo seu filhote rei e pelo reino de todos, desgostosa pela sua fraqueza e capitulação, ter-lhe-á dito, ironicamente: “Chora, chora agora como uma mulher o que não soubeste defender como um homem”....
Mudando o bico ao prego, há muitas coisas na vida que também nós, homens e mulheres, temos de defender com determinação, com valentia e orgulho, para que um dia não tenhamos de chorar a perda daquela Pátria definitiva que nos está reservada. Uma Pátria que nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem o coração suspeitou, nem qualquer mente humana, por mais fulgurosa que seja, pode sequer imaginar quão sublime ela é (cf. 1Cor 2,9). Uma dessas coisas que é preciso defender e cuidar é a fé de que já falámos no texto anterior e continuaremos a falar. Mas o que é a fé? Não é um vago sentimento religioso que toda a gente tem, todas as civilizações e culturas tiveram e continuam a ter. O desejo de Deus “é um sentimento inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus. Deus não cessa de atrair o homem para Si e só em Deus é que o homem encontra a verdade e a felicidade que procura sem descanso” (CIC1). A fé também não é um saber de cor um conjunto de princípios que alguém ensinou a papaguear. Não é qualquer coisa que se possa reivindicar pelas ruas, comprar na quermesse, na feira, na farmácia, na loja dos chineses ou no supermercado, embora, mesmo que já se tenha e dela se viva, se deva pedir constantemente com humildade e confiança. Dizer que se tem fé está para além do dizer que se acredita e do clamar pelo Senhor. Não é uma mera concordância intelectual, pois, como São Tiago afirma, “também os demónios creem” (Tg 2,19). Não é uma espécie de passaporte, uma força interior a exigir que Deus satisfaça os nossos caprichos, como São Tiago também denuncia (Tg 4,3). Não é um compromisso cego, um sentimento arbitrário, um otimismo vazio, uma mera esperança humana. Não é coisa que se oponha à razão. Fé e razão devem ser como Romeu e Julieta, precisam uma da outra e uma implica a outra, completam-se, são duas janelas diferentes de olhar o mundo, duas formas diferentes de procurar a verdade, “duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade”, como escreveu São João Paulo II no Prólogo da Fides et Ratio. Fé e razão apoiam-se e dialogam entre si, respeitosamente. A fé apoia-se na autoridade divina e na revelação. A razão baseia-se na lógica, na evidência, na capacidade crítica da mente humana. Ciência e fé respondem a perguntas diferentes e utilizam métodos distintos para compreender a realidade do universo. A ciência investiga o “como” do universo e das suas maravilhas, através de evidências empíricas, de testes e do método científico, quer saber como as coisas funcionam e se formaram. A fé procura responder ao ‘porquê’ do universo, centrando-se no sentido da existência, na origem última e nos valores espirituais que estão fora do alcance observável de qualquer laboratório. A razão protege a fé do fanatismo, da superstição, da credulidade cega, das bruxarias, adivinhos, videntes e quejandos. A fé protege a razão da perda de sentido, do ceticismo absoluto, de possíveis endeusamentos e arrogâncias de autossuficiência.
Como escreve José Ayllón, “os ateus acham que Deus não existe. Os agnósticos dizem que Deus não fala. Os crentes creem que Deus nunca se cala. Por vezes, porém, aqueles que o negam ou o ignoram começam a ouvi-lo na imensa linguagem das galáxias, no elegantíssimo idioma da genética, nos números incríveis da física atómica, na linguagem inefável do amor e ainda no desconcertante significado do sofrimento”.
D, Antonino Dias
Caminha, 11-09-2026.

«Senhor, quantas vezes devo perdoar?

 

https://www.youtube.com/watch?v=6tl9fJyfHTM&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=149

A Palavra de Deus que a liturgia do 24º Domingo do Tempo Comum nos propõe fala do perdão. Apresenta-nos um Deus que ama sem cálculos, sem limites e sem medida; e convida-nos a assumir uma atitude semelhante para com os irmãos que, dia a dia, caminham ao nosso lado.

O Evangelho fala-nos de um Deus cheio de bondade e de misericórdia que derrama sobre os seus filhos - de forma total, ilimitada e absoluta - o seu perdão. Os crentes são convidados a descobrir a lógica de Deus e a deixarem que a mesma lógica de perdão e de misericórdia sem limites e sem medida marque a sua relação com os irmãos.
O que significa, realmente, perdoar? Significa ceder sempre diante daqueles que nos magoam e nos ofendem? Significa encolher os ombros e seguir adiante quando nos confrontamos com uma situação que causa morte e sofrimento a nós ou a outros nossos irmãos? Significa "deixar correr" enquanto forem coisas que não nos afectem directamente? Significa pactuar com a injustiça e a opressão? Significa tolerar tudo num silêncio feito de cobardia e de conformismo? Não. O perdão não pode ser confundido com passividade, com alienação, com conformismo, com cobardia, com indiferença... O cristão, diante da injustiça e da maldade, não esconde a cabeça na areia, fingindo que não viu nada... O cristão não aceita o pecado e não se cala diante do que está errado; mas não guarda rancor para com o irmão que falhou, nem permite que as falhas derrubem as possibilidades de encontro, de comunhão, de diálogo, de partilha... Perdoar não significa isolar-se num silêncio ofendido, ou demitir-se das responsabilidades na construção de um mundo novo e melhor; mas significa estar sempre disposto a ir ao encontro, a estender a mão, a recomeçar o diálogo, a dar outra oportunidade.

A primeira leitura deixa claro que a ira e o rancor são sentimentos maus, que não convêm à felicidade e à realização do homem. Mostra como é ilógico esperar o perdão de Deus e recusar-se a perdoar ao irmão; e avisa que a nossa vida nesta terra não pode ser estragada com sentimentos, que só geram infelicidade e sofrimento.
Todos os dias vemos, nas notícias que nos chegam de todos os cantos do mundo, onde nos leva a lógica do "responder na mesma moeda". Para vingar ofensas reais ou imaginárias, desencadeiam-se mecanismos de vingança que são responsáveis pela morte de inocentes, por sofrimentos e dramas sem fim e por uma espiral de violência sem limites e sem prazos. É este o mundo que queremos? A única forma de fazermos respeitar os nossos direitos e a nossa dignidade passará por deixarmos à solta os nossos instintos de vingança, de rancor e de ódio?

Na segunda leitura Paulo sugere aos cristãos de Roma que a comunidade cristã tem de ser o lugar do amor, do respeito pelo outro, da aceitação das diferenças, do perdão. Ninguém deve desprezar, julgar ou condenar os irmãos que têm perspectivas diferentes. Os seguidores de Jesus devem ter presente que há algo de fundamental que os une a todos: Jesus Cristo, o Senhor. Tudo o resto não tem grande importância.
Paulo está consciente de que há vários caminhos válidos para chegar a Cristo e à sua proposta de salvação. Esses caminhos não só não se excluem mas, na sua diversidade, constituem um factor de enriquecimento da nossa experiência comunitária. A comunidade tem de estar consciente de que a diversidade não exclui, necessariamente, a unidade. Por isso, a comunidade cristã não é o lugar da intolerância, da incompreensão, do desrespeito pela diversidade de opiniões, da uniformidade imposta em nome da fé; mas é o lugar do amor, do respeito pelo outro, da aceitação das diferenças, da partilha, do perdão. A este respeito, como classifico a minha comunidade cristã ou religiosa?


https://www.dehonianos.org/

sábado, 12 de setembro de 2026

Sem medo de ter saudades

 



Em cada tempo de recomeço, importa olhar o passado para tentar compreender o caminho, mas também olhar para o futuro, porque não se vive sem olhar em frente.

Os sonhos integram todas as saudades, levando-as connosco e cada vez mais longe.

Há quem prefira não sofrer com perdas e, por isso, a nada se apega. Ora, se é verdade que quem não ama não sofre, também será verdade que só não sofre porque não vive. Amar é a única forma de alguém se realizar.

Há quem julgue que, confiando apenas em si mesmo, chegará mais longe. Na verdade, até pode chegar, mas sem ninguém… e que tristeza é a solidão de quem descobre que, afinal, por mais que tenha alcançado, sozinho, ninguém chega a ser feliz.

Sonhemos sem medo de nunca alcançar o que sonhamos ou de perder o que conquistámos. Sonhemos sem medo de nos tornarmos alguém com ainda mais saudades.

Aquilo que temos, amanhã, já terá passado, mas o que somos será a base do que seremos. A perda edifica-nos, constrói-nos, revela-nos o quanto amamos.

A saudade contém dor, porque nasce de uma ausência, mas também gratidão, porque é a prova de que algo magnífico existiu. A saudade dói, mas é um tesouro que se enriquece a cada dia.

Talvez seja bom sermos capazes de valorizar o dia de hoje, porque muito em breve tudo isto fará parte do passado. Cada instante é irrepetível, e quanto melhor vivermos, maior será a saudade.

E que tristeza será a de quem não sente saudades, mas apenas arrependimentos…

José Luís Nunes Martins

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Papa reforça alertas sobre desenvolvimento da IA e pede bispos de «coração aberto a todos»


Leão XIV encontrou-se com responsáveis dos cinco continentes

Leão XIV falava com 147 bispos dos cinco continentes, incluindo o português D. Pedro Fernandes (bispo de Portalegre-Castelo Branco), nomeados no último ano, que participam num curso de formação promovido por vários organismos do Vaticano.
Foto: Vatican Media
Cidade do Vaticano, 10 set 2026 (Ecclesia) – O Papa assinalou hoje, no Vaticano, os desafios colocados pelo desenvolvimento tecnológico, recordando que as inovações se mostram incapazes de travar as consequências das crises globais.

“Os desenvolvimentos das tecnologias da comunicação e da inteligência artificial abriram possibilidades que, até há poucos anos, nem sequer teríamos imaginado, mas, certamente, não podem libertar a humanidade do pecado e das suas consequências: demonstram-no tragicamente as crises que ela atravessa”, referiu Leão XIV, numa intervenção divulgada pela sala de imprensa da Santa Sé.

O Papa falava com 147 bispos dos cinco continentes, incluindo o português D. Pedro Fernandes (bispo de Portalegre-Castelo Branco), nomeados no último ano, que participam num curso de formação promovido por vários organismos do Vaticano.

“Nenhum bispo caminha sozinho”, destacou aos participantes.

A intervenção apontou a encíclica ‘Magnifica Humanitas’ como ” uma visão e um método para enfrentar o grande desafio da salvaguarda do humano na era da inteligência artificial”.

“Encorajo-vos a promover nas vossas dioceses percursos de reflexão e de diálogo, a fim de formar e apoiar quantos se desejam empenhar ao serviço da civilização do amor”, instou o Papa.

Leão XIV exortou os presentes a exercerem a sua autoridade como “um serviço de amor”, dando prioridade à proximidade pastoral e ao cuidado com os sacerdotes das respetivas dioceses.

“Amai as pessoas que o Senhor vos confiou. Aprendei os seus nomes, escutai as suas histórias, entrai, sempre que puderdes, nas suas casas, rezai com elas. Especialmente nas jovens Igrejas, muitas vezes a presença do bispo diz muitíssimo, antes mesmo das suas palavras”, recomendou.

Tende uma atenção particular para com os mais idosos e os doentes. Fazei-os sentir que são preciosos, que a Igreja lhes está grata e que o bispo não os esquece. Por vezes, basta um telefonema, uma visita, uma palavra afetuosa da vossa parte.”Foto: Vatican Media

O Papa evocou o pensamento de Santo Agostinho sobre o compromisso profundo com a comunidade diocesana, citando a frase “para vós sou bispo, convosco sou cristão”.

Leão XIV dedicou particular atenção aos responsáveis das “Igrejas jovens”, desafiando-os a cultivarem um coração missionário que vá para além do limite dos membros habituais na vida das comunidades.

“O bispo missionário tem um coração aberto a todos: não apenas àqueles que frequentam as nossas paróquias, mas também aos cristãos de outras confissões, aos crentes de outras religiões, às pessoas que não professam uma fé, a todos os homens e mulheres de boa vontade”, sustentou.

A audiência no Vaticano encerrou os trabalhos do curso de formação ‘Bispos, servidores da comunhão na Igreja e no mundo de hoje’, promovido por três Dicastérios da Santa Sé.

Em declarações à Agência ECCLESIA e Renascença, D. Pedro Fernandes falou de “um encontro muito interessante, de muita proximidade”, com oportunidade para os bispos “colocarem perguntas ou partilharem reações, preocupações” ao Papa.

“O balanço final é muito positivo, claro”, acrescentou.

OC