Se me amas... Tudo começa com um punhado de palavras carregadas de delicadeza e de estima. “Se me amas. Guardarás os meus mandamentos”. Um ponto de partida TÃO LIVRE, tão FRÁGIL, tão HUMILDE, tão CONFIANTE e tão PACIENTE... Jesus não impõe. Não se trata de uma ORDEM, mas de uma busca de um procurar, de um caminhar... Jesus procura espaços, espaços no coração, espaços de transformação: se me amardes, tornar-vos-eis como Eu. Eu posso tornar-me como Ele, adquirir nos meus dias um sabor de Céu e de história boa; sabor de liberdade, de mansidão, de paz, de força, de inimigos perdoados, e depois de mesas cheias, de relações boas e fecundas que são a beleza do viver... Amar transforma; uma pessoa transforma-se naquilo que ama; transforma-se naquilo que o habita. «Quem me ama, será amado por meu Pai e eu amá-lo-ei» (Jo.14,21). A promessa de Jesus só se realiza naqueles que se DEMORAM e se ESPECIALIZAM na arte de amar, Pôr Deus em primeiro lugar, dando-lhe tempo e coração... Amar, a começar pelos de casa; Respeitar o bem dos outros; Ter palavras e gestos belos: Não querer tudo e mais alguma coisa... Criar silêncio... Para o cristão, amar como Jesus nos amou não é uma cantiga, não é um dado adquirido, de uma vez por todas. É algo ARTESANAL que se constrói todos os dias....
A Semana da Vida de 2026 convida-nos à reflexão sobre a proteção da Vida, enquanto forma concreta de pacificação: cuidar, acolher, defender, promover e acompanhar. Entre os dias 10 e 17 de maio, somos convidados a rezar com o tema “Bem-aventurados os que Protegem a Vida”.
ORAÇÃO PELA VIDA
Senhor da Vida e da Paz,
Dá-nos um coração capaz de proteger cada vida,
especialmente as mais frágeis e esquecidas.
Ensina-nos a ser construtores de paz
num mundo ferido pela guerra e pela indiferença.
Que o teu Espírito nos torne guardiões da dignidade humana
A liturgia do 6º Domingo da Páscoa convida-nos a descobrir a presença - discreta, mas eficaz e tranquilizadora - de Deus na caminhada histórica da Igreja. A promessa de Jesus - "não vos deixarei órfãos" - pode ser uma boa síntese do tema.
O Evangelho apresenta-nos parte do "testamento" de Jesus, na ceia de despedida, em Quinta-feira Santa. Aos discípulos, inquietos e assustados, Jesus promete o "Paráclito": Ele conduzirá a comunidade cristã em direcção à verdade; e levá-la-á a uma comunhão cada vez mais íntima com Jesus e com o Pai. Dessa forma, a comunidade será a "morada de Deus" no mundo e dará testemunho da salvação que Deus quer oferecer aos homens. Jesus garantiu aos seus discípulos o envio de um "defensor", de um "consolador", que havia de animar a comunidade cristã e conduzi-la ao longo da sua marcha pela história. Nós acreditámos, portanto, que o Espírito está presente, animando-nos, conduzindo-nos, criando vida nova, dando esperança aos crentes em caminhada. Quais são as manifestações do Espírito que eu vejo na vida das pessoas, nos acontecimentos da história, na vida da Igreja?
A primeira leitura mostra exactamente a comunidade cristã a dar testemunho da Boa Nova de Jesus e a ser uma presença libertadora e salvadora na vida dos homens. Avisa, no entanto, que o Espírito só se manifestará e só actuará quando a comunidade aceitar viver a sua fé integrada numa família universal de irmãos, reunidos à volta do Pai e de Jesus. Uma comunidade cristã é uma comunidade onde se manifesta a comunhão com Jesus e a comunhão com todos os outros irmãos que partilham a mesma fé. É na comunhão com os irmãos, é no amor partilhado, é na consciência de que fazemos parte de uma imensa família que caminha animada pela mesma fé, que se manifesta a vida do Espírito. Cada crente precisa de desenvolver a consciência de que não é um caso isolado, independente, autónomo: afirmações como "eu cá tenho a minha fé" não fazem sentido, se traduzem a vontade de percorrer um caminho à margem da comunidade, sem aceitar confrontar-se com os irmãos... Cada comunidade precisa de desenvolver a consciência de que não é um grupo autónomo e sem ligações, mas uma parcela de uma Igreja universal, chamada a viver na comunhão, na partilha, na solidariedade com todos irmãos que, em qualquer canto do mundo, partilham a mesma fé.
A segunda leitura exorta os crentes - confrontados com a hostilidade do mundo - a terem confiança, a darem um testemunho sereno da sua fé, a mostrarem o seu amor a todos os homens, mesmo aos perseguidores. Cristo, que fez da sua vida um dom de amor a todos, deve ser o modelo que os cristãos têm sempre diante dos olhos. Diante das dificuldades, das propostas contrárias aos valores cristãos, é em Cristo - o Senhor da vida, do mundo e da história - que colocamos a nossa confiança e a nossa esperança? Ou é noutros esquemas mais materiais, mais imediatos, mais lógicos, do ponto de vista humano?
Eu continuo a acreditar que é possível sonhar. Mesmo quando a esperança se esconde atrás de pequenas desilusões que ninguém vê. Sonhar, às vezes, não é fugir da realidade. É exatamente o contrário: é não deixar que a realidade nos roube por dentro. Há livros que não se leem apenas com os olhos, mas com a alma. O diário de Etty Hillesum é um desses lugares onde a vida se torna mais nua, mais verdadeira, mais exigente. E nela encontro uma voz que não se resigna, mesmo no meio da dor. Uma voz que fala de Deus não como distância, mas como presença a ser cuidada dentro de nós. Ela escreve algo que inquieta e, ao mesmo tempo, ilumina: não é Deus que nos deve servir como resposta imediata a tudo… mas somos nós que, de algum modo, somos chamados a não deixar que essa presença desapareça da forma como vivemos. Há aqui uma inversão profunda do olhar. Não é um Deus distante que resolve tudo por nós… mas uma responsabilidade interior de não deixar morrer o que é mais humano em nós. “Salvar um pedaço de Deus em nós.” Que frase estranha e bela. Como se o sagrado não estivesse fora, à espera de ser encontrado… mas dentro, à espera de não ser esquecido. Não te peço nenhuma justificação para a vida. Peço apenas que não deixes morrer o lugar onde ainda é possível recomeçar. Porque talvez viver seja isto: não deixar que o mundo apague aquilo que, em nós, ainda acredita. E enquanto houver essa chama… ainda é possível sonhar.
Padre João Torres Madona de Porto Lligat, 1950, Salvador Dalí
Um grupo de Cursistas do núcleo centro do MCC, reuniu-se no dia 2 de maio na pitoresca vila de Nisa (Diocese de Portalegre- Castelo Branco), para uma jornada de reflexão sobre a realidade atual do Movimento dos Cursilhos de Cristandade. A reflexão girou em torno de três temas principais: • A realidade do MCC • A espiritualidade do MCC • O perfil e missão do Reitor/Reitora E de uma pergunta para reflexão: “Como dirigente deste movimento, neste momento da história, neste momento da vida da Igreja, neste momento da vida do MCC, …, continuaremos a dizer que Cristo conta connosco. Numa viagem pela realidade do movimento, na companhia de textos incontornáveis, como as “Ideias Fundamentais”, a “Evangelii Gaudium” e olhando sempre para o contraste entre o Ideal do movimento e a situação real, João Mota, Presidente em exercício do Secretariado nacional, conduziu-nos por um caminho de confronto entre as aspirações dos fundadores do movimento expressas pelo Ideal, a visão da igreja para a missão dos cristãos no mundo e o “afinal onde estamos? “ … Se a história é a raiz profunda que ancora o MCC, é nos frutos da árvore viva que pretendemos ser, que os outros vêm o que este movimento pode fazer pela Igreja. E fica a esperança de que cada um dos mais de 4000 cursilhistas que nos últimos 5 anos descobriram a alegria de ser cristão, sejam frutos que desenvolvam todo o seu aroma e sabor ligados à árvore mãe e não frutos secos caídos no chão. Mas muito tem de mudar, a linguagem dos anos 40 tem de ceder o lugar ao léxico do século XXI, usado por uma geração que já não sabe quem foi Rita Hayworth e a tecnologia tem de ser, se não a essência da mensagem, pelo menos a ferramenta ao serviço da sua eficácia. Mas é pegando na sua HISTÓRIA, vivendo o seu CARISMA, assumindo a sua MENTALIDADE, em ordem à FINALIDADE, obedecendo a uma ESTRATÉGIA clara e a um MÉTODO bem definido, que os momentos de PRÉ_CURSILHO, CURSILHO e PÓS-CURSILHO, serão de facto a chave para revigorar e rejuvenescer o Movimento dos Cursilhos de Cristandade. Mas onde procurar a energia que parece faltar-nos neste momento? O guia para a resposta reside na Espiritualidade e foi para ela que o Pde Ricardo Lameira orientou a nossa canoa. Ao leme colocou o sonho de um simples “Aprendiz de cristão”, guiado por uma estrela de luz que brilha para todos os povos “Lumen Gentium”. Na canoa vai a mensagem que no momento próprio tocará cada novo aprendiz de cristão, seja esse momento no recolhimento, na solidão e no silêncio, numa palavra de corredor que nos desperta, na conversa íntima com aquele Jesus que habita o Sacrário ou no calor humano que nos conforta o coração num “abraço de Paz”. A isto chamou o Pde Ricardo a “singularidade” de cada um dos frutos da árvore do MCC. Mas o MCC é sobretudo “movimento”, que se inicia no momento em que, inspirado por Deus, um irmão nos conduz a uma vivência especial que no final não deve mudar a nossa geografia, a física e a humana, mas a nossa capacidade de apreciar a primeira e modificar a segunda. A nossa missão como leigos cristãos é assim secular, viver no mundo, mas resistindo à tentação de ser mundano. Então onde está a verdadeira “espiritualidade do MCC?”. A resposta é simples: na PESSOA, a palavra mais repetida (120 vezes) na coluna vertebral do nosso movimento que é o livro “Ideias Fundamentais”. Mas afinal qual de nós é o mais importante no movimento? A resposta é simples: Aquele que tiver mais talento para servir os outros. E foi desse, do seu perfil, que nos falou o irmão Francisco Sousa da diocese do Porto.
Mas afinal quem é esse desconhecido que dá pelo nome de Reitor/Reitora. O “ideias Fundamentais” no seu nº209 começa a desvendar o mistério: “209. O reitor ou coordenador. É o principal responsável pela equipa. … deve conhecer perfeitamente os objetivos e a técnica metodológica …. Será o primeiro e principal servidor da caridade e da harmonia na equipa e em todo o cursilho”. Então como deve ele comportar-se? “ao jeito de Jesus”. Mas há mais? Sim deve ser: • Transparente e coerente em tudo o que vive e faz. A cada dia procura ser melhor. • Fascinado por Jesus, pela sua forma de ser e estar no mundo dos homens. • Ser fermento vivo no seu ambiente. • Ter espírito de serviço e fidelidade total ao carisma. Saber que muitos são os rollos do cursilho, mas cada um é uma parte do todo e que ele ou ela, o reitor ou a reitora, deve sempre ter presente (concatenação dos rollos). Saber que a sua missão principal será sempre: ”Fazer amigos, fazer-se amigo e fazê-los amigos de Cristo” E depois? Terminado o cursilho volta a ser um entre nós, na companhia e na humildade dos muitos que servem, mas sempre preparado para dizer: “Cristo, conta comigo”