sábado, 24 de outubro de 2026

‘VENITE AD ME' COM FOCO NO KERYGMA




Sob o título “Venite ad Me”, o Dicastério para a Doutrina da Fé, depois de aprovado por Leão XIV, acaba de publicar uma Nota que convém ter em conta. Ela oferece uma reflexão específica e dá sugestões concretas para o anúncio do Evangelho. Não se trata de uma Nota doutrinária. Trata-se de Considerações sobre a transmissão da fé nestes tempos de grande fragmentação. Pretende estimular a reflexão eclesial e o empenho pastoral em torno da transmissão da fé, embora seja uma questão sempre em aberto para novas análises e desenvolvimentos.
‘Os capítulos I e II estabelecem suas bases teológicas, partindo do anúncio do amor do Pai manifestado na pessoa e nas obras de Jesus de Nazaré, para chegar aos seus principais contextos de transmissão na Igreja, ou seja, a família e a comunidade. O capítulo III aborda os desafios da mudança de época, cuja característica marcante é uma dificuldade sem precedentes em dar continuidade às formas tradicionais de transmissão da fé, à qual o capítulo IV responde apontando o coração pulsante dessa obra, ou seja, o anúncio do kerigma. O capítulo V apresenta diversas reflexões práticas sobre a transmissão da fé na vida das comunidades em seus vários aspetos, enquanto os capítulos VI e VII, respetivamente, aprofundam a relação entre fé e cultura, indicando algumas atenções pastorais específicas. O capítulo VIII, por fim, reúne alguns testemunhos concretos que mostram a transmissão da fé no contexto da vida quotidiana das pessoas’. Como não podia deixar de ser, a referência é Jesus, que “está sempre a caminho. Ele não espera. Não cria um santuário próprio nem uma escola. Ele viaja. Entra nas aldeias e nas cidades de seu povo e de seu tempo. Ele conversa com as pessoas simples, mas também com aqueles que ocupam cargos de poder público, religioso ou político. Por meio desses gestos e dessas palavras, Jesus leva a bom termo a revelação confiada ao povo de Israel” (n.º14). Usando uma linguagem próxima e familiar, ele conquista o coração dos simples ao mesmo tempo que desconcerta e inquieta as autoridades da época. E “não se limita apenas ao anúncio do amor incondicional de Deus. Ele dá testemunho concreto desse amor por meio de uma predileção especial por todos aqueles que já quase não esperam mais nada de ninguém: nem de seus parentes, nem de seus amigos, nem de seus compatriotas, nem de seus correligionários e talvez nem mesmo do Deus da Aliança dos Pais”.
Diante do cansaço e das fadigas do coração humano, Jesus apresenta-se como fonte de descanso, aproximando-se de cada pessoa na realidade concreta da sua vida, concedendo-lhe aquela verdadeira paz que só nele é possível encontrar: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso” (cf. n.º1).
De facto, só em Cristo se encontrarão as respostas para os problemas e inquietações da humanidade. Como lemos na Constituição Gaudium et Spes, nenhuma lei humana pode assegurar a dignidade da pessoa e a liberdade do homem, como o Evangelho de Cristo. O Evangelho "anuncia e proclama a liberdade dos filhos de Deus, rejeita toda a servidão que, em última análise, provém do pecado, respeita escrupulosamente a dignidade da consciência e a sua livre decisão, adverte, sem desfalecimento, que todos os talentos humanos devem frutificar para o serviço de Deus e para o bem da humanidade e, por fim, confia cada um ao amor de todos” (GS41).
Há dias, por ocasião do 100.º Dia Mundial das Missões, os nossos Bispos, manifestando gratidão a todos quantos, pessoas e comunidades, ao longo destes cem anos assumiram com empenho, alegria e entusiasmo, a missão de evangelizar em fidelidade à pessoa e ao mandato de Cristo, afirmavam que, se o anuncio do Evangelho continua a ser uma dimensão essencial da Igreja, essa missão, hoje, não se coloca apenas como necessária em terras longínquas. “Hoje, a missão passa pelas nossas cidades, aldeias, escolas, universidades, famílias e lugares de trabalho. Passa por aqueles que se afastaram da fé, por gerações que já não receberam o anúncio cristão e também pelo encontro quotidiano com pessoas de diferentes culturas e tradições religiosas. Não se trata de olhar para esta realidade com medo. Trata-se de reconhecer nela um apelo. Portugal é também, hoje, terra de missão”. E acrescentava que a missão “não pode limitar-se a transmitir doutrina, normas ou competências religiosas: somos chamados a gerar na fé. Evangelizar é fazer acontecer Jesus na vida das pessoas. É permitir que alguém descubra que é amado por Deus. É acompanhar uma pessoa até que o Evangelho deixe de ser apenas uma mensagem exterior e se transforme em princípio de vida. É ajudar a formar comunidades onde Cristo possa ser encontrado, reconhecido e seguido. É gerar homens e mulheres novos, capazes de viver segundo a lógica das Bem-aventuranças e de levar ao mundo a paz, a justiça, a fraternidade e a esperança que nascem do Evangelho”.
Neste documento do Dicastério para a Doutrina da Fé que acaba de ser publicado, salienta-se a necessidade de “uma profunda renovação kerygmática da própria catequese”. O anúncio do kerygma deve “ser capaz de apresentar a boa nova do amor e da misericórdia de Deus de tal forma que aqueles que a recebem possam compreender efetivamente que é justamente a eles que esse amor e essa misericórdia se dirigem”.

D. Antonino Dias
Caminha, 22-10-2026.

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Um Homem novo para um mundo novo.



As circunstâncias mudam muito rapidamente e temos de nos ajustar a realidades cada vez mais desafiantes. Não considero a minha geração mais especial do que aquela que viu surgir a eletricidade, o telefone, o desenvolvimento da ciência e que viu o seu mundo transformado como que de repente vivesse num mundo novo. O que acho é que atualmente somos constantemente sujeitos a alterações sociais, politicas e económicas que nos obrigam a refletir e até a mudar de atitudes.

Durante uns tempos pensamos que tínhamos a liberdade como algo garantido. A democracia como bem protegido e a paz como um valor inalienável. Tudo parecia protegido e seguro! Mas não!

Precisamos de olhar para este novo mundo com vontade de o acompanhar mas também com a noção do que se lutou para chegar aqui. No meio da rapidez e destas convulsões dá-mos por nós a relativizar valores e pensamentos, e a ter de explicar a jovens e velhos que precisamos de ir mais fundo das questões e não ficar pelas letras gordas dos jornais.

Não achas que precisamos de nos transformar?

Eu confesso que tenho dificuldade em me adaptar a certos pensamentos, discursos e ações. Evoluímos muito, mas dou por mim a resistir a certas mudanças qual “Velho do Restelo” a olhar com desconfiança para a leviandade com que se fazem as coisas.

Emergem Homens novos, com discursos bélicos, a infligir o medo, e a maravilha do capitalismo.

Surgem novos atores políticos mas a “cheirar” a mofo a provocar o caos usando táticas antigas do “dividir para conquistar”.

No meio disto ficamos desnorteados, sem saber quem tem razão e em quem confiar.

Para os cristãos a nossa bússola mantem-se que é Cristo que nos impele a ser verdadeiramente Homens novos e a romper com o que nos vendem como sendo a norma válida e absoluta. Pessoas como o Papa Francisco ou o Papa Leão XIV recordam-nos quais devem ser as premissas de um Homem Novo e transformado e isso começa em cada um de nós, no discurso que usamos e nos gestos que cultivamos. As bem aventuranças parecem cada vez mais uma abstração impossível de atingir, uma utopia, mas se calhar, é por aí que deve começar a transformação.

Que nunca nos esqueçamos que nem tudo o que reluz é ouro e o essencial da mudança pode começar com uma pergunta.

E tu amiga, o que precisas de transformar?


 Raquel Rodrigues



quinta-feira, 22 de outubro de 2026

O luto de quem não quer perder

 


A vida é uma quase infinita sequência de perdas. Estamos condenados a perder quase tudo o que julgamos importante. O que é mesmo nosso, e que não perdemos nunca, é a nossa identidade. O que somos, apesar de tudo.

Posso negar que perdi, convencendo-me de que não perdi aquilo que já não tenho, mas que continuo a sentir como parte de mim. A verdade, porém, é que o perdi, embora continue a fazer parte de mim.

Posso indignar-me e tentar com violência reaver o que sinto que com injustiça me foi roubado. Nada consigo de volta a não ser perder as forças com que bato e grito. Preciso de força, muita, mas para encontrar em mim o sentido do caminho daqui para diante.

Posso tentar compreender o incompreensível, mas sem qualquer sucesso. Por mais que me esforce, jamais o meu entendimento descobrirá os porquês de tudo o que me acontece. Não é a razão que me levará para a frente.

Posso deixar-me cair e ficar, esgotado por tantas batalhas perdidas desta revolta profunda, mas também não será assim que terei de volta o que perdi e tanto desejo.

O passado é história e o futuro é mistério. Cada um de nós é uma espécie de ponte em movimento entre esses dois tempos.

O luto é um processo essencial e passa por aceitar que o passado é irrecuperável, por melhor ou pior que tenha sido, aceitando tanto o que recebemos como o que nos foi tirado.

A felicidade nasce das escolhas mais difíceis. Uma delas talvez seja decidir ser feliz apesar de todo o sofrimento passado, presente e o que ainda virá. Lutando todos os dias.

Quem não faz os seus lutos perde mais do que perdeu, porque, ao não aceitar as perdas como parte da sua história, arrisca-se a esquecer-se de quem é e a perder-se a si mesmo.

A fé, a esperança e o amor ensinam-nos a nunca desesperar, apesar de tudo.


 José Luís Nunes Martins



quarta-feira, 21 de outubro de 2026

O que acaba não tem fim






Falamos pouco do que acaba. É natural. É muito mais bonito e simples falar do que começa. É mais agradável rezar sobre o que se inicia, fazer planos de futuro e de novidade.

Mas a verdade é que a vida também nos constrói (e se constrói) com os seus fins. Com as partidas. Com o que se rompe sem ser anunciado. E faz sentido, talvez, refletir sobre a importância do que, em nós, vai terminando. Sobre o que deixa de nos servir, de fazer sentido; sobre o que nos encolhe ou obriga a caber em caixas não compatíveis com a nossa grandeza de alma. E de espírito.

Há, no que se encerra, uma mágoa associada. Uma tragédia pequena, mas forte, que nos assola sempre como se fosse a primeira vez. No entanto, há uma beleza no fim. No precipício. Quando algo termina, surge uma promessa de infinito; surge um fio esguio de esperança que teimamos em colocar ao peito, mesmo que seja, apenas, vestido e usado por nós.

Faz-me, também, sentido pensar sobre o avesso daquilo que acaba.

Se analisarmos bem, o que acaba não tem fim. Não acaba, realmente, uma vez que aconteceu. E o que acontece (seja breve ou prolongado) permanece sempre numa parte mais ou menos recôndita de nós.

O que acaba nunca termina porque deixa os ecos do que foi. Do que ensinou. Do que nos mostrou sobre nós. Do que já conhecíamos e do que passámos a conhecer. Do novo e do velho.

Talvez o fim traga inúmeros inícios premeditados.

No fundo, nada pode começar sem antes uma outra parte (anterior) ter terminado.

Assim, resta-nos aprender. Fazer o luto do que acaba. Sobra-nos, ainda, espaço e tempo para o silêncio do que não compreendemos e do tanto que queríamos que tivesse sido diferente.

Mas, a verdade é que não foi.

Quem sabe se, um dia, aquilo que parecia um fim definitivo não seria, simplesmente, uma paragem no caminho. Um abrandamento que depois nos levaria (ou levará?) a um lugar mais bonito e melhor.

No fim, encontraremos flores. Saibamos nós regá-las e (re)nascer com elas.


Marta Arrais

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Há escolhas que fazemos. E escolhas que nos fazem.



“A vida é a soma das suas escolhas.”
Albert Camus


Há uma altura na nossa vida onde a encruzilhada se estreita.

Não há como fugir.

Tomar rumo urge como leão angustiado…

É HORA!

Gosto de pensar que a cada amanhecer Deus capacita-me para O escolher…

quer seja no centro de dia, no local de trabalho, na escola, na creche ou no seio da minha mãe.

O Pai unge-nos e quer-nos… mas, não se impõe!

Apenas nos chama pelo nome e ama-nos, profundamente,

desde o nascer do sol até as estrelas brilharem no céu.


Sei que levar Jesus a todos e todos a Jesus é a aposta certa para a vida.

O método é simples:

Cantar a glória e o poder do Senhor com tal entusiasmo,

que todos anseiem apaixonar-se pelo nosso Deus, que fez os céus e a terra.

O cântico revela-se na Fé com que as palavras da oração do Pai-Nosso saem da nossa boca…

revela-se na Esperança com que esboço um sorriso para quem sofre, pois vive longe de Deus…

revela-se na Caridade com que alimento a Paz num coração perturbado pela calúnia,

pela mentira e pela maldade que habita o mundo…


Hoje, a maldade ronda Jesus…

O Mestre não se deixa levar por palavras.

Maravilha cada um de nós com os Seus gestos.

Toma a moeda de tributo e rapidamente o denário representa a escolha que nos afasta Dele.


Ao olharmos demasiado para os bens materiais,

direcionamos o nosso olhar para longe do único Rosto que devemos adorar:

A face de Deus, O Cristo, O Pão Vivo que a cada Eucaristia nos fita.


Hoje… ao ajoelhares-te no momento da consagração, olha bem para a Tua escolha.

São as migalhas do Corpo d’O Cristo

que partilhamos com todos, todos, todos,

que nos fazem somar infinitas alegrias.


Põe-Te na fila! Não fujas… Jesus quer habitar em ti.

Escolhe saborea-Lo.


Liliana Dinis




segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Desconfinados para a Missão


Desconfinados para a Missão
Há em cada ser humano, a tentação de se fechar em si,
nas suas preocupações e nas suas pequenas coisas
é muitas vezes uma opção fácil e cómoda.
«É necessário profanar as coisas que temos»,
desinvestindo-as da sacralidade simbólica com as tratamos.
Missionário é aquele que anuncia o Evangelho,
fazendo suas as palavras e o testemunho de Jesus;
mas é também aquele que, mesmo sem anúncio explícito,
conquista pequenos pedaços de vida,
palavras leves
e silêncios densos...
transformando-os em gestos concretos de solidariedade....
faz-se companheiro mudo de cada solidão,
refúgio e bálsamo para o abandono e a exclusão...
É aquele que está disposto a sair,
lançar-se em terras estranhas e inóspitas,
que abre novas veredas no deserto ou na selva;
na montanha ou na rua ou nos campos...
mas é também aquele que se dispõe a ficar,
convertendo-se em presença viva e atuante em cada dor humana
e em cada porão de sofrimento.
Aprendem a viver de novo...
A devolver a Deus o que é de Deus...
Sem esquecer devolver a César o que é de César...


Padre João Torres


domingo, 18 de outubro de 2026

A caminhar juntos na fé: Arrancou hoje o novo ano de Catequese na nossa Paróquia!

 


A Igreja Matriz de Arronches encheu-se hoje de alegria, sorrisos e muitas mochilas cheias de sonhos para celebrar 
o Início da Catequese, o Envio das nossas Catequistas e a tradicional Bênção das Mochilas. Foi um momento único de festa, onde confiámos a Deus o percurso escolar e espiritual dos nossos mais novos.


A educação na fé é um caminho que se faz em equipa. Por isso, deixamos um apelo muito especial a todas as famílias: a Catequese e a Missa Dominical andam de mãos dadas! 

Pais, os vossos filhos seguem os vossos passos. A vossa responsabilidade é fundamental: Sejam o exemplo: O primeiro e mais bonito testemunho de fé nasce dentro de casa.
Priorizem o Domingo: Levar os vossos filhos à catequese e, logo depois, participar em família na Eucaristia fortalece os laços e a comunidade.
Caminhem lado a lado: Incentivem, perguntem o que aprenderam e rezem juntos.

As nossas dedicadas catequistas receberam hoje a missão de guiar os vossos filhos, mas a vossa presença ativa é o motor que os fará crescer em valores e amor.

Desejamos a todas as crianças, adolescentes, catequistas e famílias um ano letivo e pastoral muito abençoado! Vamos a isso?