sexta-feira, 15 de maio de 2026

Não vás embora, fazes falta!



Às vezes é só isto que precisamos de ouvir para dar mais um bocadinho, para fazer mais um esforço.


Quantas vezes já dissemos: vou desistir, vou embora? Será que queríamos mesmo desistir e ir embora?

Quando trabalhamos nem sempre nos sentimos valorizados e devidamente recompensados e às vezes é mais fácil sair, ir embora, mesmo que não queiramos e que nos faça sentir derrotados.

Mas se pensarmos bem, às vezes, apenas precisamos que alguém nos diga: ”Não vás embora, fazes falta!”. E não é por ego, mas por reconhecimento que precisamos ouvir e sentir que não somos tão irrelevantes ao ponto de irmos embora e sermos facilmente substituídos. Podem substituir o que fazemos mas não o que somos e como fazemos.

Há alturas em que temos mesmo de ir embora, virar a página e prosseguir caminho noutro trabalho, noutro grupo, noutra missão mas mesmo assim sabe tão bem ouvir: ”não vás…fazes falta!”

Mas nem sempre é assim, às vezes partilhamos esse desânimo e ninguém luta por nós. Ninguém insiste e nos convence a acreditar no nosso valor. É mais fácil aceitar e acenar com a cabeça em tom paternalista como quem compreende e aceita, mas nem sempre é isso que precisamos de ouvir.

Precisamos mais de:

- anda cá, preciso de ti!

- já vais? fica mais um pouco.

- sei que está cansada mas as coisas vão mudar.

- vá lá… não desistas!

Diz lá se não faz toda a diferença. Mesmo no nosso dia a dia, quando nos despedimos dos pais do marido, dos filhos e dos amigos, sabe bem ouvir ”já vais? Fica mais um pouco!”.

Por isso amiga, da próxima vez que alguém disser que quer desistir e ir embora, pergunta-lhe porquê e lembra-a da sua importância, porque, sabes, às vezes, vezes de mais, achamos que não somos importantes e precisamos que alguém não desista de nós e diga: "Não vás embora… fazes falta!”


E tu amiga, onde sentes que fazes falta?


Raquel Rodrigues

quinta-feira, 14 de maio de 2026

PROCISSÃO DAS VELAS

 Dia 12 de Maio, dezenas de fiéis participaram na missa  e procissão das velas em Arronches





Dois pesos e duas medidas!



Hoje falo sobre as exigências que o mundo tem para connosco e a completa desproporção quando se trata de sermos nós a reivindica-las também!

Onde está a palavra de honra, onde está o brio, o profissionalismo, a vontade de fazer melhor?

Tudo nos é cobrado, mas e ao contrário não teremos nós, igualmente, todo o direito de o fazer?

Torna-se cada vez mais difícil confiar e a leviandade com que se rematam certos problemas deixa tanto a desejar!

Por isso a minha reflexão de hoje vai no sentido de exercitamos a capacidade de nos colocarmos por um minutinho que seja no lugar do outro e perguntar: "e se fosse comigo?"

Tenho para mim que este é um dos segredos que tornaria o mundo num lugar melhor.



Lucília Miranda

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Estar vivo aleija

É habitual dizermos que a vida é maravilhosa e um dom. No meu caso, talvez por inexperiência, tenho descoberto que só assim é porque estar vivo aleija. As grandes coisas da vida, os seus recantos mais valiosos, só são realmente extraordinários porque implicam algumas maçadas. É o caso da liberdade que nos leva a ter de estar expostos a opiniões diferentes das nossas. Tenho para mim, por isso, que um dos grandes atentados à dignidade humana nos dias que correm é, precisamente, a tentativa de anular este tipo de “complicações”; a tentativa de promover a vida plana, a eliminação das contradições. Pessoalmente acredito que devemos desconfiar das promessas de perfeição. Sempre que se quis edificar o Paraíso, acabou-se a contruir o inferno. A obsessão contemporânea por alcatifar a existência, por arredondar todas as esquinas do dia-a-dia, por garantir que não nos cortamos, tem resultado numa nova forma de apatia e ansiedade. Na física, não há calor sem fricção. No Evangelho, não há dom sem custo. Uma semana da vida servirá, assim, para celebrar essa desproporção. Não para tornar a vida um slogan, como se ela precisasse de marketing. Não para a revestir de cores publicitárias e mercantis. Não para lhe roubar ou omitir o desconforto e a indecisão. Quando era criança – embora não seja certo que não o continue a ser – existiam uns desenhos animados chamados “era uma vez a vida”. No genérico anunciava-se: que a vida “é música, som e harmonia”. Mas hoje tenho a sensação que, para muita gente, isso é capaz de ainda ser um luxo. Num comovedor e essencial livro, recentemente traduzido para português, denominado “Tudo na natureza apenas continua”, Yiyun Li escreve sobre a morte de um filho aquilo que, no fundo, podemos afirmar sobre a vida: “não é uma onda de calor, uma tempestade de neve, nem uma corrida de obstáculos para vencer rapidamente, nem uma doença aguda ou crónica da qual devemos recuperar rapidamente”. Talvez precisemos de concluir como a autora chinesa que, a certo momento, insinua que a vida é “uma simplificação de algo muito maior do que essa palavra”, porque possivelmente a grande pergunta que habita o coração humano não é se esta vida vale a pena ser vivida, mas se “vale a pena sofrer por ela”. Há uma música de Zeca Afonso, em que se diz que “a mulher, na democracia, não é biombo de sala”. Não façamos o mesmo à vida. Não permitamos que ela seja transformada numa “metáfora para a esperança e a resignação”. Não a domestiquemos. Não lhe roubemos o escárnio.

Padre João Bastos


terça-feira, 12 de maio de 2026

Eu vivo em vós vivereis




                           «Devemos sempre confiar no poder e no amor de Deus,
                                           mesmo na hora mais escura do nosso sofrimento.»

                                                                                                         John Piper

Quando as encruzilhadas da vida nos apanham…

Quando o sofrimento nos faz desesperar…

Quando a indecisão avassala o tempo que não passa…

Quando o tear fia e desfia a dor de viver na solidão…

Quando nos perdemos no caminho e apagamos a luz dos outros…

Quando vivemos fora do verdadeiro sentido Cristão…

Quando as gotas de suor são de sangue e invisíveis a olhos nus…

Quando as nossas escolhas nos pregam rasteiras de morte…

Quando quem amamos não está feliz…

Quando afastamos o nosso coração do Amor mais puro…


Jesus vem e resgata-nos.


Atravessa as encruzilhadas e sorri.

Sara as nossa feridas com o bálsamo da Paz.

Decide que a brisa é mais forte do que o tempo em que nos afastamos de Deus.

Fia e desfia a Esperança da comunhão e da fraternidade.

Acende a luz e abraça-nos.

Arrasta-nos para o convívio intenso e maravilhoso da Sua Igreja.

Seca-nos o rosto e fita o Seu olhar misericordioso no nosso.

Levanta-nos do chão com um grito de Ressurreição.

Rasga o Seu coração e faz-nos amar o irmão.

Ama-nos! Como somos!



 Liliana Dinis, 

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Se me amas

 


Se me amas...
Tudo começa com um punhado de palavras
carregadas de delicadeza e de estima.
“Se me amas. Guardarás os meus mandamentos”.
Um ponto de partida TÃO LIVRE,
tão FRÁGIL, tão HUMILDE, tão CONFIANTE e tão PACIENTE...
Jesus não impõe.
Não se trata de uma ORDEM, mas de uma busca
de um procurar, de um caminhar...
Jesus procura espaços, espaços no coração, espaços de transformação: se me amardes, tornar-vos-eis como Eu. Eu posso tornar-me como Ele, adquirir nos meus dias um sabor de Céu e de história boa; sabor de liberdade, de mansidão, de paz, de força, de inimigos perdoados, e depois de mesas cheias, de relações boas e fecundas que são a beleza do viver...
Amar transforma; uma pessoa transforma-se naquilo que ama;
transforma-se naquilo que o habita.
«Quem me ama, será amado por meu Pai e eu amá-lo-ei» (Jo.14,21).
A promessa de Jesus só se realiza naqueles que se
DEMORAM e se ESPECIALIZAM na arte de amar,
Pôr Deus em primeiro lugar, dando-lhe tempo e coração...
Amar, a começar pelos de casa;
Respeitar o bem dos outros;
Ter palavras e gestos belos:
Não querer tudo e mais alguma coisa... Criar silêncio...
Para o cristão, amar como Jesus nos amou não é uma cantiga,
não é um dado adquirido, de uma vez por todas.
É algo ARTESANAL que se constrói todos os dias....


Padre João Torres

domingo, 10 de maio de 2026

Semana da Vida | 10 a 17 de maio de 2026

 

A Semana da Vida de 2026 convida-nos à reflexão sobre a proteção da Vida, enquanto forma concreta de pacificação: cuidar, acolher, defender, promover e acompanhar. Entre os dias 10 e 17 de maio, somos convidados a rezar com o tema “Bem-aventurados os que Protegem a Vida”.

                                 ORAÇÃO PELA VIDA

                      Senhor da Vida e da Paz,
                 Dá-nos um coração capaz de proteger cada vida,
                     especialmente as mais frágeis e esquecidas.
                       Ensina-nos a ser construtores de paz
                 num mundo ferido pela guerra e pela indiferença.
              Que o teu Espírito nos torne guardiões da dignidade humana
                         e testemunhas da esperança que não morre. Amém