És leve como uma borboleta ou pesado como um elefante?
Que fardos carregas na tua mala?
Eu sou os dois, mas tento ser borboleta!
Só devemos carregar o que nos acrescenta não é verdade? Rasgar a página lida do livro, retirar dela a melhor " lição" e seguir em frente, sem pesos desnecessários!
Quem dera fosse mais fácil, mas não será impossível.
Talvez nos falte fazer um pouco mais. Ou, para quem se esgota a fazer tudo, optar por fazer um pouco menos.
Falta-nos agradecer. Pelo que é. Pelo que foi. E pelo que, um dia, ainda há de ser.
Falta-nos saber que somos guiados. Que há um Amor maior que nunca nos abandona, mesmo que às vezes nos sintamos desnutridos.
Falta-nos aprender a receber. Um elogio. Um presente. Uma mensagem. Falta-nos encontrar mais encanto nessas coisas simples que dizem tanto sobre o outro. que são, efetivamente, o outro em nós e para nós.
Falta-nos querer menos coisas. Viver (só) com o que se tem como se já fosse tudo.
Falta-nos dizer que não vamos. Que não nos apetece. Que não faz sentido. Vivemos tanto para agradar e para ser aceites pelos outros que, por vezes, deixamos de saber quem somos e o que queremos. A palavra não é tão preciosa como a palavra sim.
Falta-nos a calma para esperar.
Ou a força para mudar.
Falta-nos atar a esperança ao pulso como fazíamos com os balões coloridos que os nossos pais nos davam quando éramos miúdos e miúdas.
Falta-nos normalizar a vulnerabilidade e a tristeza. Valorizamos demasiado a força, a garra e o “aguentar”.
Falta-nos uma validação que venha de dentro. Que não dependa sempre do que o outro acha, sente ou quer.
Falta-nos perceber que o nosso lugar é (mesmo) insubstituível. Que pode sempre existir alguém que faça o que nós fazemos, mas que não há ninguém que seja o que (só) nós somos.
Falta-nos compreender que não há relações perfeitas nem simples. Que não somos nós que estamos errados e que os outros não estão sempre certos. O equilíbrio é medido a cada hora e ninguém está sempre bem. Mesmo que assim pareça nas fotografias ou nas redes sociais.
Falta-nos saber que não sabemos metade do que o outro vive, sente, experiencia ou é. O que vemos dos outros não é a totalidade do que são. Para o bem e para o mal.
Falta-nos parar de correr atrás de um sucesso indefinido e inalcançável. O teu maior sucesso é seres quem és.
Falta-nos perdoar-nos por tudo o que também não fazemos bem. Pelos que deixámos pelo caminho, para nos salvar ou para nos priorizar. Ou pelos erros que ficaram algures, com alguém, e que não pudemos ou soubemos evitar.
Temos um Deus que quer ser encontrado por cada um de nós. Um Deus que é disponibilidade pura. Um Deus que chama. Um Deus que aguarda pacientemente. Um Deus que escuta tudo e todos. Um Deus que nos recompensa. Um Deus que abre portas e janelas. Um Deus que nos alimenta. Um Deus que perdoa. Um Deus que ama infinitamente.
A cada amanhecer, lembra o teu pensamento que a justiça divina, não é a justiça humana. Não percas tempo com olhares distorcidos, que te afastam da lógica divina. Olha sempre com bondade para cada ser humano e para as suas obras. Não compares pesos, nem medidas! Não te valorizes em excesso… nem penses que não és capaz. Não julgues os teus passos pelo caminho que o teu semelhante faz. Algures, numa encruzilhada, o teu discernimento falha e, sem dares conta, perdes um denário. Recomeça o trabalho e apazigua o teu coração.
A cada anoitecer, agradece a força que te fez podar cada tristeza. Agarra a oportunidade de sentir que nem tudo é bom… e que Deus partilhou contigo cada grito sufocado por um sorriso leve. Terás Jesus ao teu lado… Pronto a que O leves aos outros e O tragas comigo a cada oração…
Hoje… Entra na Casa do Pai. Fecha os olhos à tua maldade. Abre os ouvidos à dor dos que te rodeiam. Respira a bondade que Jesus semeia na humanidade inteira. Silencia o teu coração. Ajoelha a tua Alma. Aí encontrarás o Senhor Teu Deus… A felicidade dos outros será a Tua melhor recompensa. E… trabalhar na vinha do Senhor é a alegria que tanto anseias.
Custa-nos tanto sentir que alguém tem mais do que nós, que alguém recebeu tanto como nós. Somos tantas vezes mesquinhos, invejosos e ciumentos. Jesus conta uma parábola para nos revelar como é que Deus, no seu infinito amor, suporta, importa e se comporta connosco. Ele fala-nos de um proprietário que sai de casa, sem complexos de patrão. Não espera pelos pedidos de emprego no gabinete. Não espera que alguém apareça. Sai. Sai da sua comodidade. Temos nós esta coragem de sair, de convidar, de chamar, de envolver, de provocar outros? Este proprietário sai por amor, a todas as horas. E chega ao cúmulo de ir contratar às cinco da tarde, quando a jornada acabava às quatro. Isto é de loucos! Mas o amor tem destas coisas. E o amor não usa relógio. Vivemos tantas vezes em part-time. Este proprietário sai à procura daqueles de quem ninguém quer saber, daqueles a quem ninguém chama ou convida para nada. Sai à procura de todos. Quem procuramos nós? Este proprietário não paga à hora nem a horas. Começa pelos últimos. Dá o mesmo a quem é da casa e a quem acabou de chegar. A medida do pagamento não é o mérito, nem a produção. A medida da retribuição é a sua bondade. Este proprietário faz contas de partir a cabeça e o coração. Deus é assim.
Ontem, domingo, 20 de setembro, a Igreja Matriz de Arronches encheu-se de fiéis para um momento de profunda fé e renovação espiritual: a solene tomada de posse do Padre Poncien. A celebração foi presidida pelo Bispo Diocesano de Portalegre-Castelo Branco, D. Pedro Fernandes, marcando oficialmente o início deste novo capítulo na liderança pastoral da nossa vila. O momento contou com a honrosa presença de entidades locais e de representantes das várias paróquias, demonstrando a união e a comunhão de toda a nossa comunidade.
Neste dia de transição, expressamos a nossa mais profunda e sincera gratidão ao Padre Fernando Farinha e ao Padre Rui Lourenço pelo incansável serviço prestado à nossa comunidade. Obrigado pela vossa dedicação, proximidade e pelo testemunho de fé que deixam nos nossos corações. Que Deus continue a abençoar a vossa missão pastoral!
Damos as mais calorosas boas-vindas ao Padre Poncien! Que o Espírito Santo guie os seus passos e abençoe a sua missão junto de todos nós, fortalecendo o nosso caminho no amor e no serviço ao próximo.
A liturgia do 25º Domingo do Tempo Comum convida-nos a descobrir um Deus cujos caminhos e cujos pensamentos estão acima dos caminhos e dos pensamentos dos homens, quanto o céu está acima da terra. Sugere-nos, em consequência, a renúncia aos esquemas do mundo e a conversão aos esquemas de Deus.
A primeira leitura pede aos crentes que voltem para Deus. "Voltar para Deus" é um movimento que exige uma transformação radical do homem, de forma a que os seus pensamentos e acções reflictam a lógica, as perspectivas e os valores de Deus. A conversão é um processo nunca acabado. Todos os dias o crente terá de optar entre os valores de Deus e os valores do mundo, entre conduzir a sua vida de acordo com a lógica de Deus ou de acordo com a lógica dos homens. Por isso, o verdadeiro crente nunca cruza os braços, instalado em certezas definitivas ou em conquistas absolutas, mas esforça-se por viver cada instante em fidelidade dinâmica a Deus e às suas propostas. Finalmente, o nosso texto sugere uma reflexão sobre a imagem que temos de Deus. Não podemos construir e testemunhar diante dos outros homens um Deus à nossa imagem, que funcione de acordo com os nossos esquemas mentais e que assuma comportamentos parecidos com os nossos. Temos de descobrir, no diálogo pessoal com Ele, esse Deus que nos transcende infinitamente. Sem preconceitos, sem certezas absolutas, temos de mergulhar no infinito de Deus, e deixarmo-nos surpreender pela sua lógica, pela sua bondade, pelo seu amor.
O Evangelho diz-nos que Deus chama à salvação todos os homens, sem considerar a antiguidade na fé, os créditos, as qualidades ou os comportamentos anteriormente assumidos. A Deus interessa apenas a forma como se acolhe o seu convite. Pede-nos uma transformação da nossa mentalidade, de forma a que a nossa relação com Deus não seja marcada pelo interesse, mas pelo amor e pela gratuidade. Todos têm lugar na Igreja de Jesus... Mas todos terão a mesma dignidade e importância? Jesus garante que sim. Não há trabalhadores mais importantes do que os outros, não há trabalhadores de primeira e de segunda classe. O que há é homens e mulheres que aceitaram o convite do Senhor - tarde ou cedo, não interessa - e foram trabalhar para a sua vinha. Dentro desta lógica, que sentido é que fazem certas atitudes de quem se sente dono da comunidade porque "estou aqui há mais tempo do que os outros", ou porque "tenho contribuído para a comunidade mais do que os outros"? Na comunidade de Jesus, a idade, o tempo de serviço, a cor da pele, a posição social, a posição hierárquica, não servem para fundamentar qualquer tipo de privilégios ou qualquer superioridade sobre os outros irmãos. Embora com funções diversas, todos são iguais em dignidade e todos devem ser acolhidos, amados e considerados de igual forma.
A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de um cristão (Paulo) que abraçou, de forma exemplar, a lógica de Deus. Renunciou aos interesses pessoais e aos esquemas de egoísmo e de comodismo, e colocou no centro da sua existência Cristo, os seus valores, o seu projecto. Um dos elementos que mais impressionam e questionam neste testemunho é a centralidade de Cristo na vida de Paulo. Diante de Cristo, todos os interesses pessoais e materiais do apóstolo passam a um plano absolutamente secundário. O apóstolo vive de Cristo e para Cristo; nada mais lhe interessa. Paulo aparece, neste aspecto, como o perfeito modelo do cristão: para os baptizados, Cristo deveria ser o centro de todas as referências e interesses, a "pedra angular" à volta da qual se constrói a existência cristã. Que significa CrisVoltar para Deusto para mim? Ele é a referência fundamental à volta da qual tudo se articula, ou é apenas mais um entre muitos interesses a partir dos quais eu vou construindo a minha vida? Quando tenho de optar, para que lado cai a minha escolha: para o lado de Cristo, ou para o lado dos meus interesses pessoais?
Há perguntas que fazemos a Deus já com a resposta a fervilhar na cabeça. Pedimos que uma porta se abra, que uma situação se resolva, que alguém fique, que uma doença desapareça, que um sonho se concretize. Rezamos com fé, mas, muitas vezes, confundimos fé com a certeza de que Deus fará exatamente aquilo que Lhe pedimos.
E se a resposta de Deus não for a que esperavas?
É talvez aí que começa a verdadeira fé. Porque acreditar em Deus quando tudo acontece como desejamos é relativamente fácil. Mais difícil é continuar a confiar quando o caminho toma uma direção que não compreendemos.
A oração não é uma forma de convencer Deus a fazer a nossa vontade. É, antes, o lugar onde aprendemos a confiar na vontade d’Ele. E isso nem sempre é simples. Há respostas de Deus que chegam sob a forma de um «sim», mas também há «nãos» e há silêncios que nos desconcertam.
O problema é que queremos compreender tudo. Queremos saber porquê, para quê e quando. Deus, porém, nem sempre nos dá explicações. Dá-nos, muitas vezes, a Sua presença.
São Paulo escreve: «Sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam» (Rom 8, 28). Não significa que tudo o que nos acontece seja bom. Significa que Deus é capaz de fazer nascer bem mesmo daquilo que, naquele momento, nos parece uma derrota, uma perda ou um caminho sem saída.
Talvez a resposta que esperávamos não fosse aquela de que precisávamos. Talvez a porta que tanto pedimos para abrir precisasse mesmo de permanecer fechada. Talvez aquilo que interpretámos como ausência de Deus fosse, afinal, uma forma diferente da Sua presença.
Confiar não significa deixar de sofrer ou de fazer perguntas. Significa continuar a caminhar mesmo quando não temos todas as respostas. Significa dizer a Deus: «Eu não entendo, mas continuo a confiar em Ti.»
Porque Deus não deixa de ser Deus quando a Sua resposta nos desilude. E nós não deixamos de ser amados quando a nossa oração não recebe a resposta que esperávamos.