Nem todos os lugares são para nós
Há uma coisa que a vida nos vai ensinando, muitas vezes à custa de algumas feridas: nem sempre devemos insistir.
Quando alguém não responde, talvez já tenha respondido.
Quando não nos procuram, talvez já tenham escolhido outro caminho.
Quando nos sentimos sempre a mais, talvez seja tempo de deixar de pedir um lugar onde nunca nos fizeram sentir em casa.
Durante muito tempo confundimos insistência com amor, disponibilidade com amizade e sacrifício com fidelidade. Mas não é assim.
As relações saudáveis não vivem de perseguições. Vivem de reciprocidade. Não exigem que andemos constantemente a provar o nosso valor. Quem gosta de nós encontra forma de nos fazer sentir importantes, mesmo nos pequenos gestos.
Também dói aceitar isto. Dói perceber que investimos tempo, afeto e coração em pessoas para quem fomos apenas uma passagem. Mas há dores que nos libertam.
Nem todas as portas que se fecham são um castigo. Algumas impedem-nos de continuar onde já não havia espaço para crescer.
Não guardes ressentimento. Também não vivas à espera que alguém mude. A vida é demasiado curta para ser gasta a mendigar atenção, carinho ou presença.
Há pessoas que chegam para ficar. Outras chegam apenas para nos ensinar que o nosso valor nunca pode depender do lugar que ocupamos na vida de alguém.
No fim de contas, a paz começa no dia em que deixamos de correr atrás de quem se afasta e começamos a caminhar ao lado de quem escolhe ficar.
Porque quem quer a tua presença nunca te faz sentir um incómodo. Faz-te sentir um dom.
Padre João Torres



