domingo, 27 de setembro de 2026

DIZER SIM AO COMPROMISSO

 

https://www.youtube.com/watch?v=KhlxAN9_kf8&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=147

A liturgia do 26º Domingo do Tempo Comum deixa claro que Deus chama todos os homens e mulheres a empenhar-se na construção desse mundo novo de justiça e de paz que Deus sonhou e que quer propor a todos os homens. Diante da proposta de Deus, nós podemos assumir duas atitudes: ou dizer "sim" a Deus e colaborar com Ele, ou escolher caminhos de egoísmo, de comodismo, de isolamento e demitirmo-nos do compromisso que Deus nos pede. A Palavra de Deus exorta-nos a um compromisso sério e coerente com Deus - um compromisso que signifique um empenho real e exigente na construção de um mundo novo, de justiça, de fraternidade, de paz.

Na primeira leitura
, o profeta Ezequiel convida os israelitas exilados na Babilónia a comprometerem-se de forma séria e consequente com Deus, sem rodeios, sem evasivas, sem subterfúgios. Cada crente deve tomar consciência das consequências do seu compromisso com Deus e viver, com coerência, as implicações práticas da sua adesão a Jahwéh e à Aliança.
A leitura convida-nos a tomar consciência de que um compromisso com Deus é algo que nos implica profundamente e que devemos sentir pessoalmente, sem rodeios, sem evasivas, sem subterfúgios. No nosso tempo - no tempo da cultura do plástico, do "light", do efémero - há alguma tendência a não assumir responsabilidades, a não absolutizar os compromissos (no mundo do futebol e da política há até uma máxima que define a flutuabilidade, a incoerência, a contradição em que as pessoas se movem: "o que é verdade hoje, é mentira amanhã"). Mas, com Deus, não há meias tintas: ou se assume, ou não se assume. Como é que eu sinto esses compromissos que assumi com Deus no dia do meu Baptismo e que ao longo da vida, nas mais diversas circunstâncias, confirmei? Trata-se de algo que eu levo a sério e que eu aplico coerentemente a toda a minha existência e às opções que faço, ou de algo que eu só me lembro quando se trata de fazer uma bonita festa de casamento na igreja ou de cumprir a tradição e baptizar os filhos?

O Evangelho diz como se concretiza o compromisso do crente com Deus... O "sim" que Deus nos pede não é uma declaração teórica de boas intenções, sem implicações práticas; mas é um compromisso firme, coerente, sério e exigente com o Reino, com os seus valores, com o seguimento de Jesus Cristo. O verdadeiro crente não é aquele que "dá boa impressão", que finge respeitar as regras e que tem um comportamento irrepreensível do ponto de vista das convenções sociais; mas é aquele que cumpre na realidade da vida a vontade de Deus.
Diante do chamamento de Deus, há dois tipos de resposta... Há aqueles que escutam o chamamento de Deus, mas não são capazes de vencer o imobilismo, a preguiça, o comodismo, o egoísmo, a auto-suficiência e não vão trabalhar para a vinha (mesmo que tenham dito "sim" a Deus e tenham sido baptizados); e há aqueles que acolhem o chamamento de Deus e que lhe respondem de forma generosa. De que lado estou eu? Estou disposto a comprometer-me com Deus, a aceitar os seus desafios, a empenhar-me na construção de um mundo mais bonito e mais feliz, ou prefiro demitir-me das minhas responsabilidades e renunciar a ter um papel activo no projecto criador e salvador que Deus tem para os homens e para o mundo?
Nas nossas comunidades cristãs aparecem, com alguma frequência, pessoas que sabem tudo sobre Deus, que se consideram família privilegiada de Deus, mas que desprezam esses irmãos que não têm um comportamento "religiosamente correcto" ou que não cumprem estritamente as regras do "bom comportamento" cristão... Atenção: não temos qualquer autoridade para catalogar as pessoas, para as excluir e marginalizar... Na perspectiva de Deus, o importante não é que alguém se tenha afastado ou que tenha assumido comportamentos marginais e escandalosos; o essencial é que tenha acolhido o chamamento de Deus e que tenha aceitado trabalhar "na vinha". A este propósito, Jesus diz algo de inaudito aos "santos" príncipes dos sacerdotes e anciãos do povo: "os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o Reino de Deus". Hoje, que é que isto significa? Hoje, quem são os "vós"? Hoje, quem são os "publicanos e mulheres de má vida"?

A segunda leitura apresenta aos cristãos de Filipos (e aos cristãos de todos os tempos e lugares) o exemplo de Cristo: apesar de ser Filho de Deus, Cristo não afirmou com arrogância e orgulho a sua condição divina, mas assumiu a realidade da fragilidade humana, fazendo-se servidor dos homens para nos ensinar a suprema lição do amor, do serviço, da entrega total da vida por amor. Os cristãos são chamados por Deus a seguir Jesus e a viver do mesmo jeito, na entrega total ao Pai e aos seus projectos.




Os valores que marcaram a existência de Cristo continuam a não ser demasiado apreciados em muitos dos nossos ambientes contemporâneos. De acordo com os critérios que presidem ao nosso mundo, os grandes "ganhadores" não são os que põem a sua vida ao serviço dos outros, com humildade e simplicidade, mas são os que enfrentam o mundo com agressividade, com auto-suficiência e fazem por ser os melhores, mesmo que isso signifique não olhar a meios para passar à frente dos outros. Como pode um cristão (obrigado a viver inserido neste mundo e a ser competitivo) conviver com estes valores?

• Paulo tem consciência de que está a pedir aos seus cristãos algo realmente difícil; mas é algo que é fundamental, à luz do exemplo de Cristo. Também a nós é pedido um passo em frente neste difícil caminho da humildade, do serviço, do amor: será possível que, também aqui, sejamos as testemunhas da lógica de Deus?

https://www.dehonianos.org/

sábado, 26 de setembro de 2026

AS ESCADAS DA VIDA E O CORRIMÃO DA FÉ


Pelas escadas da vida acima, há muita variedade de corrimãos: a família, a Igreja, as escolas, as universidades, as instituições, os clubes, os colegas de trabalho, os amigos... enfim, um sem número de corrimãos.
Regra geral, os corrimãos fazem companhia ao lado de quem sobe ou desce as escadas. Mesmo que não façam falta, dão confiança, estão prontos para ajudar. Pela sua natureza, não são coisa para pisar ou desprezar, são para respeitar. Alguém haverá, que, na sua sôfrega ambição e exagerada autoconfiança, anseie, por si só, chegar ao topo das escadas o mais depressa possível, pulando até dois ou três degraus de cada vez como se fosse um campeão olímpico jamais igualado. Nestes propósitos, corre o risco de cair e partir os degraus das escadas com o nariz e os queixos. Com os focinhos, diz este povoléu do qual faço parte, ihihihih... Possivelmente, até dispensará os patamares das escadas para descansar as canetas e avaliar se não será melhor subir mais devagar e com outros propósitos, ou descer alguns degraus para mudar de rumo. Pior ainda se, desconsiderando-os, faz dos diversos corrimãos das escadas da sua vida uns meros trampolins para trepar vaidosamente! O leitor fará o favor de discernir se isto é ou não é mera ficção!...
Há uma preocupação comum a todos os humanos. Constitui o mais importante ponto de convergência de todas as diferenças. É o desejo de felicidade! Sejam quais forem os caminhos, somos criaturas que procuram a felicidade de forma apaixonada e nunca satisfeita. O sonho comanda a vida nesse sentido. A par, a experiência da fragilidade, dos limites, da doença e da morte ensina-nos que não dominamos o tempo nem a qualidade da existência, que não somos omnipotentes, que há coisas que nos desgastam e moem e não têm importância de maior, que a morte nos iguala a todos. Reconhecemos que a vida é curta e misteriosa, que não depende só de nós, que os bens mais importantes são a vida e o amor, que o mais importante é aceitar e disfrutar cada dia como prenda no sapatinho na chaminé. Ainda por cima, sabemos que fomos criados por amor e que Jesus nos veio revelar o rosto de um Deus que ama a vida e a felicidade do homem. Mas - pode perguntar-se -, se assim é, porque é que o Senhor permite a dor, o envelhecimento e a morte? Não há por aí, porventura, quem se declare ateu, forjando razões para apaziguar a sua consciência e se justificar perante os outros, só porque acha que o silêncio de Deus diante da dor é uma injustiça? Sim, há, e esse é, de facto, um dos maiores mistérios da humanidade, é o mistério do mal. O silêncio de Deus, porém, não significa ausência ou indiferença. É o custo doloroso de um mundo livre. A liberdade humana é tão sagrada que Deus prefere correr o risco do mal. Ele não criou um mundo de ‘robôs biológicos’, de seres programados. O amor forçado não é amor. Sem escolha não há virtude. Deus dotou o homem de inteligência, vontade e coração e confiou-lhe a tarefa de cuidar, cultivar e aperfeiçoar a criação, com amor. A questão, pois, não é saber onde está Deus. É saber onde está o homem, a humanidade. Jesus, na cruz, representa o próprio Deus vivenciando a dor extrema, a injustiça, o ódio, o abandono, o desprezo. Ele partilha a dor, ele sofre com o inocente, ele apela ao amor fraterno, à conversão da mente e do coração. Os homens, porém, ainda não entenderam, não querem entender. Preferem a guerra à paz, o ódio ao amor, o orgulho à humildade, a brutalidade dos encontrões à cultura dos encontros!
Mas será que nos devemos resignar? Não, a esperança na felicidade não morre. Como escreveram os Bispos franceses, “a esperança tem a ver com a alegria de viver. Supõe um futuro a esperar, a preparar, a desejar. Sentimos que a esperança requer e suscita unidade no coração: dá sentido e motiva cada um dos nossos sentimentos, cada uma das nossas aspirações, cada um dos nossos projetos.... Se há esperança, há paciência e há vigilância que faz discernir e que impele ao compromisso com cada coisa....”. E se há uma esperança que nasce e cresce graças às relações com as pessoas, também é possível pensar e desejar a esperança como um dom que vem ao nosso encontro de modo imprevisível, como um dom que transcende as nossa possibilidades, os nossos projetos, os nossos horizontes, como um dom que crê e ama: “a esperança de quem se sente amado, querido apoiado no quotidiano, num crescendo de sentido, de alegria, de operosidade construtiva, que vai para além de todos os limites. É esta a esperança que vem de Deus”... há em nós a nostalgia de um amor infinito...
Não acredita? Esqueça, isso passa! Duvida? Deixe lá, Miguel de Unamuno dizia que ‘uma fé que não duvida é uma fé morta’. Talvez Joseph Ratzinger possa ser o seu corrimão para lhe dizer que não está longe do Reino dos Céus, ajudando-o a subir mais alguns degraus nessas escadas da vida. Repare no que ele, já em 1969, muito antes de ser Bento XVI, escreveu: “Ninguém é capaz de apresentar uma prova matemática de Deus e do seu Reino; o próprio crente é incapaz de o fazer para seu próprio uso. Mas o não-crente bem quererá encontrar uma justificação, mas não escapará a este inquietante “talvez isso seja verdade!”.... por outras palavras, tanto o crente como o não-crente, cada qual à sua maneira, conhecerão a dúvida e a fé, se não tentarem iludir-se e disfarçar a verdade do seu ser. Ninguém pode escapar totalmente à fé; num, a fé estará presente contra a dúvida, noutro, graças à dúvida e na forma de dúvida. Há uma lei fundamental do destino humano: a humanidade realiza a sua existência nesta dialética permanente entre a dúvida e a fé, entre a tentação e a certeza. Desta forma, a dúvida, que impede tanto um como o outro de se encerrar na sua torre de marfim, poderia tornar-se o seu lugar de comunhão. Em vez de se dobrarem sobre si mesmos, eles encontrarão nela uma ocasião de abertura recíproca. O crente partilhará, assim, o destino do não-crente e este, graças à dúvida, sentirá o desafio lançado inexoravelmente pela fé”.

D. Antonino Dias
Caminha, 25-09-2026

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

A(s) teia(s) da nossa vida





Já reparaste no trabalho que envolve fazer uma teia e ao mesmo tempo para algo tão frágil e efémero. É curioso como as teias cumprem o seu propósito mesmo que desapareçam ou sejam eliminadas rapidamente.

Se estivermos atentos, vemos que as aranhas são rápidas e escolhem sítios estratégicos e que permitam atingir os seus objetivos mesmo que isso implique fazer e refazer uma e outra vez. É um animal engenhoso e teimoso!

Isso leva-me para a teia das nossas relações. Também nós somos construtores de redes, de ligações que nos ajudam a atingir os nossos propósitos sejam eles materiais, espirituais ou emocionais.

Também temos de ser persistentes na união de laços que são muitas vezes assolados por tempestades e ventos mais agrestes.

Também temos de perceber quando devemos deixar uma teia e começar outra, num outro lugar mais protegido ou simplesmente mais bonito.

Também temos de ajustar o tamanho da teia aos que somos capazes de proteger, cuidar e segurar. Nada pode ficar ao acaso, ou melhor: NINGUÉM.

Dá muito trabalho manter uma teia de amizade, pois podemos cair na tentação de achar que ela vale só pelo facto de existir, mas esquecemo-nos que ela apenas resiste na medida em que é fortalecida com gestos e atenções.

Será que temos apenas uma teia? Será que temos várias de acordo com o que pretendemos dela? Não sei. Apenas constato que há muita coisa que nos une e que isso é o que nos torna mais fortes. A força que tenho foi tecida por outros, e eu a outros a passarei, e enquanto isso reforço cada um dos fios que me unem ao que me faz ser a melhor versão de mim mesma.

Nesta teia gigante onde estamos, movemos e relacionamos somos mais importantes na garantia da sua manutenção do que aquilo que pensamos.


E tu, amiga, como é a tua teia?



Raquel Rodrigues

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Leve como uma borboleta ou...?




E tu, quantos kg pesas?

Sim quantos?


És leve como uma borboleta ou pesado como um elefante?


Que fardos carregas na tua mala?


Eu sou os dois, mas tento ser borboleta!


Só devemos carregar o que nos acrescenta não é verdade? Rasgar a página lida do livro, retirar dela a melhor " lição" e seguir em frente, sem pesos desnecessários!


Quem dera fosse mais fácil, mas não será impossível.


Sigamos na busca pela leveza da borboleta!



Lucília Miranda


quarta-feira, 23 de setembro de 2026

O que nos falta?



Talvez nos falte fazer um pouco mais. Ou, para quem se esgota a fazer tudo, optar por fazer um pouco menos.

Falta-nos agradecer. Pelo que é. Pelo que foi. E pelo que, um dia, ainda há de ser.

Falta-nos saber que somos guiados. Que há um Amor maior que nunca nos abandona, mesmo que às vezes nos sintamos desnutridos.

Falta-nos aprender a receber. Um elogio. Um presente. Uma mensagem. Falta-nos encontrar mais encanto nessas coisas simples que dizem tanto sobre o outro. que são, efetivamente, o outro em nós e para nós.

Falta-nos querer menos coisas. Viver (só) com o que se tem como se já fosse tudo.

Falta-nos dizer que não vamos. Que não nos apetece. Que não faz sentido. Vivemos tanto para agradar e para ser aceites pelos outros que, por vezes, deixamos de saber quem somos e o que queremos. A palavra não é tão preciosa como a palavra sim.

Falta-nos a calma para esperar.

Ou a força para mudar.

Falta-nos atar a esperança ao pulso como fazíamos com os balões coloridos que os nossos pais nos davam quando éramos miúdos e miúdas.

Falta-nos normalizar a vulnerabilidade e a tristeza. Valorizamos demasiado a força, a garra e o “aguentar”.

Falta-nos uma validação que venha de dentro. Que não dependa sempre do que o outro acha, sente ou quer.

Falta-nos perceber que o nosso lugar é (mesmo) insubstituível. Que pode sempre existir alguém que faça o que nós fazemos, mas que não há ninguém que seja o que (só) nós somos.

Falta-nos compreender que não há relações perfeitas nem simples. Que não somos nós que estamos errados e que os outros não estão sempre certos. O equilíbrio é medido a cada hora e ninguém está sempre bem. Mesmo que assim pareça nas fotografias ou nas redes sociais.

Falta-nos saber que não sabemos metade do que o outro vive, sente, experiencia ou é. O que vemos dos outros não é a totalidade do que são. Para o bem e para o mal.

Falta-nos parar de correr atrás de um sucesso indefinido e inalcançável. O teu maior sucesso é seres quem és.

Falta-nos perdoar-nos por tudo o que também não fazemos bem. Pelos que deixámos pelo caminho, para nos salvar ou para nos priorizar. Ou pelos erros que ficaram algures, com alguém, e que não pudemos ou soubemos evitar.

E mesmo que nos falte muito, já temos tanto!


Marta Arrais

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Entra na vinha





“Quem procura, encontra!”
Ditado popular

Temos um Deus que quer ser encontrado por cada um de nós.
Um Deus que é disponibilidade pura.
Um Deus que chama.
Um Deus que aguarda pacientemente.
Um Deus que escuta tudo e todos.
Um Deus que nos recompensa.
Um Deus que abre portas e janelas.
Um Deus que nos alimenta.
Um Deus que perdoa.
Um Deus que ama infinitamente.

A cada amanhecer, lembra o teu pensamento que a justiça divina, não é a justiça humana.
Não percas tempo com olhares distorcidos, que te afastam da lógica divina.
Olha sempre com bondade para cada ser humano e para as suas obras.
Não compares pesos, nem medidas!
Não te valorizes em excesso… nem penses que não és capaz.
Não julgues os teus passos pelo caminho que o teu semelhante faz.
Algures, numa encruzilhada, o teu discernimento falha e, sem dares conta, perdes um denário.
Recomeça o trabalho e apazigua o teu coração.

A cada anoitecer, agradece a força que te fez podar cada tristeza.
Agarra a oportunidade de sentir que nem tudo é bom…
e que Deus partilhou contigo cada grito sufocado por um sorriso leve.
Terás Jesus ao teu lado… Pronto a que O leves aos outros e O tragas comigo a cada oração…

Hoje…
Entra na Casa do Pai.
Fecha os olhos à tua maldade.
Abre os ouvidos à dor dos que te rodeiam.
Respira a bondade que Jesus semeia na humanidade inteira.
Silencia o teu coração.
Ajoelha a tua Alma.
Aí encontrarás o Senhor Teu Deus…
A felicidade dos outros será a Tua melhor recompensa.
E… trabalhar na vinha do Senhor é a alegria que tanto anseias.


Liliana Dinis,


 

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Contas de partir a cabeça



Contas de partir a cabeça

Custa-nos tanto sentir que alguém tem mais do que nós, que alguém recebeu tanto como nós. Somos tantas vezes mesquinhos, invejosos e ciumentos.
Jesus conta uma parábola para nos revelar como é que Deus, no seu infinito amor, suporta, importa e se comporta connosco.
Ele fala-nos de um proprietário que sai de casa, sem complexos de patrão. Não espera pelos pedidos de emprego no gabinete. Não espera que alguém apareça. Sai.
Sai da sua comodidade.
Temos nós esta coragem de sair, de convidar, de chamar, de envolver, de provocar outros?
Este proprietário sai por amor, a todas as horas. E chega ao cúmulo de ir contratar às cinco da tarde, quando a jornada acabava às quatro. Isto é de loucos! Mas o amor tem destas coisas. E o amor não usa relógio.
Vivemos tantas vezes em part-time.
Este proprietário sai à procura daqueles de quem ninguém quer saber, daqueles a quem ninguém chama ou convida para nada. Sai à procura de todos.
Quem procuramos nós?
Este proprietário não paga à hora nem a horas. Começa pelos últimos. Dá o mesmo a quem é da casa e a quem acabou de chegar.
A medida do pagamento não é o mérito, nem a produção.
A medida da retribuição é a sua bondade.
Este proprietário faz contas de partir a cabeça e o coração.
Deus é assim.

Padre João Torres