sábado, 4 de julho de 2026

A SOLIDÃO





Se reparares bem, boa parte dos nossos maiores erros que cometemos na vida não nascem da falta de caráter, mas do pavor da solidão. Aceitamos migalhas emocionais, relações falidas, toleramos faltas de respeito ou preenchemos a agenda com encontros vazios. Parece que desenvolvemos uma fobia que se está a tornar crónica: a fobia do silêncio, da solidão. Parece que ficar sozinho tornou-se sinónimo de abandono, quando na verdade deveria ser sinónimo de paz. Sabes, quem não suporta a própria companhia, geralmente foge do que está escondido dentro da própria mente… o medo de enfrentar os próprios vazios, traumas e as verdades que a correria do dia a dia consegue abafar. Procurar estar só, por vezes, é um acto de poder e maturidade emocional, porque o encontro connosco mesmos é tão vital como respirar. Quando a tua mente está em paz, sabes, ganhas uma liberdade de escolha fora de série. Deixas de te relacionar por necessidade, por carência ou para tapar buracos, e passas a relacionar-te por desejo e admiração real… no fundo abandonas a prostituiçao dos teus vazios. Quem se basta não aceita qualquer relacionamento. Se tu fores a tua melhor companhia, só vais querer do teu lado quem soma, quem acrescenta… não quem te diminui. Sabes, a solidão só assusta quem ainda não aprendeu a habitar consigo próprio.

Padre Ricardo Esteves

sexta-feira, 3 de julho de 2026

EU SEI PARA ONDE VOU

 


A vida desdobra-se num amálgama constante,
entre a certeza que se confirma
e a surpresa que desabrocha a cada amanhecer.
Ao contrário de tantos que caminham sem bússola,
trago em mim a clareza límpida do que quero e do que recuso.
Sei bem de onde venho,
reconheço o meu destino
e abraço o caminho que escolhi trilhar.
Há quem passe pelos meus dias sem acrescentar valor,
servindo apenas como um espelho daquilo que nunca quero ser.
Cruzar-me com a mentira, a hipocrisia, a falsidade e o oportunismo
obriga-me a olhar para dentro e a escolher a diferença.
A vaidade, o egocentrismo e o narcisismo de alguns
provocam-me um aperto profundo no peito,
mas a maior e mais triste ironia
é constatar que estas sombras habitam, tantas vezes,
no topo dos altares, entre os afamados pastores da Igreja.
Em contrapartida, é no povo mais simples
que a vida se torna sagrada, desarmante e profunda.
Eles ensinam-me, no silêncio e na verdade dos seus gestos,
o significado puro da bondade, da generosidade,
da proximidade e da humildade.
Revelam-me o altruísmo, a comunhão
e os sinais mais bonitos de uma fé viva.
Sinto-me tão pequeno diante da imensidão desta gente humilde
que, generosamente, faz o favor de me acolher nos seus dias.
Por tudo isto, o meu coração eleva-se em gratidão a Deus.
Porque se a maldade existe e corrói,
encastelada nas elites eclesiásticas que deviam dar o exemplo,
a luz dos simples é infinitamente mais forte.
São eles que, na beleza pura do quotidiano,
me continuam a mostrar o rosto de Cristo todos os dias.

Padre António Magalhães


quinta-feira, 2 de julho de 2026

Papa encerra encontro consistório extraordinário com apelo contra a violência

 «A guerra nasce dentro de nós, quando a suspeita toma o lugar da confiança» – Leão XIV





Cidade do Vaticano, 27 jun 2026 (Ecclesia) – O Papa encerrou hoje o segundo consistório extraordinário do seu pontificado com um alerta sobre a violência e um apelo ao desenvolvimento da reflexão teológica sobre a legitimidade da guerra em resposta a agressões.

“Antes de se manifestar na história, a guerra nasce dentro de nós, quando a suspeita toma o lugar da confiança, o medo substitui a esperança e o outro é percebido como uma ameaça”, disse o Papa, perante cardeais dos cinco continentes, reunidos no Vaticano.

Leão XIV sustentou que a beligerância global ultrapassa o mero confronto armado, nascendo de uma “cultura do poder” que contamina o pensamento político, económico e tecnológico da sociedade.

“Se esta é a raiz da crise, a resposta exige reconstruir uma cultura da cooperação e do diálogo, capaz de dar novo vigor ao multilateralismo”, advertiu o pontífice.

O Papa defendeu a urgência de uma atitude pacífica para travar a escalada de agressões internacionais, garantindo que esta é uma postura “profundamente evangélica”.

A resposta não-violenta, precisou, “não consiste na renúncia ao conflito nem numa atitude passiva, mas na escolha de o enfrentar sem reproduzir a sua lógica”.

“Deus deseja a paz para cada nação e para cada povo. Por isso não nos podemos resignar à violência”, declarou,

A intervenção sublinhou que o perdão continua a ter espaço na história, exortando os líderes a terem “coragem” para percorrer novos caminhos de reconciliação e ajudar o mundo a reconhecê-los.

Leão XIV convidou os cardeais a desenvolver a reflexão sobre a “legítima defesa”, exigindo o necessário “rigor teológico e pastoral” face às transformações da guerra moderna.

A intervenção confessou particular inquietação com as novas gerações, sublinhando o sofrimento agudo que conduz a juventude “ao desespero, e por vezes ao desespero extremo de tirar a própria vida”.

O Papa pediu que as comunidades católicas transformem a Doutrina Social num critério ordinário de formação, promovendo espaços seguros de escuta onde seja possível “redescobrir juntos” o bem comum.

A reunião de cardeais decorreu desde sexta-feira, procurando respostas pastorais às divisões globais.

A agenda de trabalhos incluiu a discussão sobre a superação da teoria da “guerra justa”.

A metodologia do encontro dividiu os participantes em pequenos grupos para uma “escuta partilhada”, com intervenções individuais limitadas a três minutos e sem declarações à imprensa.

O programa oficial encerra-se na segunda-feira, com a Missa da solenidade de São Pedro e São Paulo.

Leão XIV decidiu convocar os cardeais, pela primeira vez, em janeiro deste ano, num encontro destinado a estabelecer prioridades para a Igreja Católica.

O Colégio Cardinalício tem 241 cardeais oriundos de 92 países dos cinco continentes, incluindo Portugal, entre os quais 117 eleitores.

OC

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Diocese de Portalegre-Castelo Branco anuncia mudanças nas paróquias


A Diocese de Portalegre-Castelo Branco anunciou um conjunto de nomeações e dispensas pastorais que entrarão em vigor com a tomada de posse dos respectivos responsáveis, prevista para o início de Setembro. As alterações, assinadas pelo bispo diocesano, D. Pedro Fernandes, visam responder às actuais necessidades pastorais da diocese e reforçar a presença da Igreja nas diferentes comunidades.

Entre as principais mudanças no distrito de Portalegre, o Pe. Rui Rodrigues foi nomeado pároco das paróquias de Alegrete e Reguengo, em acumulação com as restantes funções que já desempenha. Já o Pe. Pontien Luboya Ilunga assume a responsabilidade pastoral das paróquias de Arronches, Esperança, Degolados e Mosteiros. O Pe. Fernando Farinha foi dispensado de todas as paróquias para que estava nomeado.

Em simultâneo, o Pe. Pontien Luboya Ilunga deixa de exercer funções como vigário paroquial das paróquias de Fortios e da Sé de Portalegre, cessando igualmente a colaboração pastoral com o Mons. Paulo Dias nas comunidades que este acompanha.

Por sua vez, o Pe. Rui Lourenço passa a desempenhar funções de vigário paroquial nas paróquias da Sé e de São Lourenço, em Portalegre, bem como em Fortios, Reguengo e Alegrete.

Outra das novidades é a colaboração pastoral do diácono Diogo Fernandes, actualmente em formação em Direito Canónico na Universidade Católica Portuguesa. O diácono ficará a residir em Alter e colaborará nas paróquias de Aldeia da Mata, Alter, Cabeço de Vide, Chancelaria, Crato-Mártires, Cunheira, Flor da Rosa, Monte da Pedra, Seda e Vale do Peso.

Na Vigararia de Abrantes registam-se igualmente alterações na organização pastoral. O Pe. Gonçalo Rafael Duarte Gomes foi nomeado pároco in solidum das paróquias de São Vicente, São João e Rio de Moinhos.

Por outro lado, o Pe.Joaquim Lumingo foi dispensado das funções de pároco in solidum das paróquias de Alferrarede, Sardoal, Valhascos, Rio de Moinhos, São Vicente e São João (Abrantes). O Pe. António Castanheira deixa as paróquias de Alferrarede, Sardoal e Valhascos, mantendo-se como pároco in solidum, na qualidade de moderador, das restantes comunidades que lhe estão confiadas. Já o Cón. Emanuel Silva é dispensado das paróquias de São Vicente, São João (Abrantes) e Rio de Moinhos, permanecendo nas restantes paróquias de que é pároco.

Foi ainda anunciada a instalação de uma comunidade da Congregação da Missão (Padres Vicentinos) na Diocese de Portalegre-Castelo Branco. A comunidade ficará sediada na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Castelo Branco, assumindo igualmente a responsabilidade pastoral das paróquias de Santo André das Tojeiras e Sarzedas. A equipa será constituída pelos padres Suresh Praban Siluvayya, António Manuel Bernardo Martins e pelo diácono Vilarino Calisto.

No documento divulgado, D. Pedro Fernandes agradece o trabalho desenvolvido pelos sacerdotes que agora cessam funções nas respetivas comunidades e deseja «os melhores êxitos» aos que assumem as novas responsabilidades pastorais.

Vamos lá!




Arrebita!


Anima-te!

Força! Vá lá, não desanimes. São chavões muito comuns que por vezes têm o condão de nos deixar ainda mais desanimados. E repetimos esses trejeitos sem pensar muito.

A verdade é que, às vezes, precisamos que alguém nos empurre nos puxe para cima e nos relembre que o facto de nos sentirmos miseráveis não nos traz qualquer vantagem. Sim, porque por vezes, sentimo-nos de tal ordem desanimados que o que nos resta é “deixar estar assim”, quieto e sossegado à espera que passe. Por experiência, sei que passa, mas vai deixando mazelas.

Para que a expressão “Vamos lá” não pareça paternalista deve vir acompanhada de lufadas de ar fresco, sugestões, ideias, e não apenas palavras inspiradoras que nos soam a oco.

O “vamos lá”, deve implicar ir mesmo, tomar as dores e procurar soluções.

O “vamos lá” pode ser poderoso quando tu vais lá e ajudas a ver opções.

E sim, vale a pena estimular os outros a sair do seu lugar seguro porque já procuraram tanto, já tentaram tanto e nem sempre as portas se abrem até que um dia alguém se lembrou e te deu a mão.

Nem sempre são os mais próximos que nos conseguem ajudar a sair do sítio, às vezes a ajuda vem de fora, de onde nunca esperarias. Vem sobre forma de mensagens, palavras ou convites inusitados e são esses que nos dão vontade de “ir outra vez à luta”.

Seja por um emprego, uma relação melhor, uma casa ou algo que tanto ambicionamos mas que nos parece tão difícil, seja por o que for, eu sei que tanto posso precisar de um” vamos lá” como posso ser eu a responsável por alguns irem por onde nunca pensaram ir.

E tu, amiga, anima-te, “vamos lá”?


Raquel Rodrigues

terça-feira, 30 de junho de 2026

Quanto mais fundo, mais alto

 


As dores engrandecem-nos e enobrecem-nos. Podem fazer de qualquer um de nós um herói ou um fugitivo. Uma simples mudança brusca na vida pode criar uma revolução interior. Aquilo que se alterou no exterior obriga-nos a transformar o interior, e isso dói sempre — mesmo quando é para melhor.

A dor revela-nos até a nós próprios, porque onde nos dói a dor é também onde reside aquilo que nos salva – que só desperta quando levamos ao limite as nossas forças – aquelas que julgávamos ser todas quanto tínhamos, mas que… afinal tínhamos mais. E bem fortes.

O sofrimento é, apesar de tudo, uma fonte de significado, autenticidade e sabedoria. A vida é uma enorme sequência de decadência e de crescimento, de decomposição e de renascimento, de podridão e de regeneração, de perdas e de ganhos. Só o amor permanece e resiste a tudo. Se o amor não subsiste ou se perde, será outra coisa que até se pode confundir com amor na superfície, mas que, na verdade, não é.

Quem ama torna-se capaz de florescer no meio do sofrimento. As mais belas flores surgem nos contextos mais adversos, como se a dor se fizesse a sua raiz.

Cuidado, há muitos olhos que sorriem e que, assim, escondem grandes dores. Por vezes, essa é uma forma de acrescentar o sofrimento da solidão ao sofrimento já existente. Outras vezes, porém, o sorriso pode ser o princípio do triunfo. De facto, é difícil para a maioria de nós acreditar na dor de quem a partilha com um sorriso.

As grandes dores chegam a impor uma espécie de lei do silêncio. Nem lágrimas nem sorrisos. Mas é muitas vezes quem sofre que mais depressa e melhor socorre a dor dos outros.

As dores que na nossa vida se sucedem são como uma escadaria para o céu: edificam-nos, elevam-nos e divinizam-nos.

 José Luís Nunes Martins


segunda-feira, 29 de junho de 2026

Seguir Jesus


“A cruz é sinal positivo na matemática.
Ao seguires Jesus, a tua Cruz irá somar alegrias sem fim à tua vida.…”
Catequese 8º Ano

Como é bom ter algo.

Ter roupa para vestir.

Ter pão para comer.

Ter uma casa para descansar.

Ter um carro para chegar onde quero.

Ter um amigo para partilhar as alegrias.

Ter uma Religião para viver em comunidade.

Ter um Batismo que faz de mim Filha.

Nada me falta.

“Tenho borboletas na barriga!”

E…

…sou Feliz!

Porque ambiciono para a minha vida o Ser!


Ser aconchego para alguém quando está frio.

Ser alimento para quem tem fome de Fé.

Ser albergue para os que caminham sem Esperança.

Ser mãe que transporta os filhos com a oração diária.

Ser amiga que carrega as dores e as angústias.

Ser a religião que desamarra o coração dos preconceitos banais e sem sentido.

Ser perdão e misericórdia para os que vivem sem Deus e sem Amor…


Hoje, quero a Cruz de Cristo em mim.

Sou Dele…

e sei que Jesus me ama muito mais do que eu me amo…

porque por mim e por ti O Cristo dá, a cada dia, a Sua própria Vida!


Liliana Dinis