Felizes os pobres.
Felizes os mansos.
Felizes os que choram.
Felizes os perseguidos.
À primeira vista, isto soa estranho.
Até absurdo.
Num mundo onde vence quem acumula, quem impõe, quem não sente.
Mas o Sermão da Montanha não foi feito para agradar.
Foi feito para acordar.
Não é confortável.
É revolucionário.
O problema não está nas Bem-aventuranças.
Está quando as confundimos com resignação.
Jesus não diz: “aguenta e cala”.
Jesus diz: “vive diferente”.
As Bem-aventuranças não são frases bonitas.
São um caminho.
Não prometem uma vida fácil,
mas oferecem uma vida verdadeira.
Quando Jesus fala dos pobres, não glorifica a miséria.
Fala da liberdade.
Dos que não vivem agarrados.
Dos que colocam a própria vida ao serviço da vida dos outros.
“Felizes os que choram.”
Porque só quem ama é capaz de chorar.
A indiferença, essa sim, mata.
“Felizes os que têm fome e sede de justiça.”
Não os conformados,
mas os que se levantam quando outros caem.
“Felizes os misericordiosos.”
Gente com entranhas.
Gente com coração vivo.
Gente que se recusa a viver fechada em si mesma.
Jesus não promete sucesso.
Promete sentido.
Não promete ausência de dor,
mas uma alegria que atravessa a dor e não se perde.
Padre João Torres






