A Diocese de Portalegre-Castelo Branco dinamizou uma assembleia, com o mote ‘Constrói a minha Igreja – Unidos na Missão’, hoje, dia 5 de outubro, em Ponte de Sor.
A assembleia diocesana reuniu “diferentes comunidades, movimentos, serviços e realidades da Igreja diocesana para um dia de encontro, celebração, escuta e partilha”, lê-se na nota enviada à Agência ECCLESIA.
Uma expressão concreta de uma Igreja que se reconhece como “comunidade, que se escuta e que procura caminhar unida na missão que lhe está confiada”, acrescenta.
“Uma oportunidade para celebrar o caminho já feito, reconhecer o que Deus tem realizado entre nós e abrir novos horizontes para a vida e a missão da diocese”.
Um dia para “escutar diferentes vozes e renovar o compromisso de cada um na construção da Igreja”.
Num tempo em que a Igreja é chamada a viver de forma “cada vez mais sinodal”, a assembleia diocesana quer “também fortalecer a comunhão entre as comunidades e valorizar a participação e a corresponsabilidade de todos”
“Cada pessoa, com a sua história, os seus dons e a sua experiência, tem um lugar e um contributo a oferecer”, refere o comunicado.
O bispo diocesano, D. Pedro Fernandes, sublinha que este “não é um encontro para alguns”, mas uma assembleia de toda a diocese.
“Cada pessoa é chamada a participar, a trazer a sua voz, a sua experiência, a sua esperança e o seu desejo de construir, com os outros, a Igreja de hoje e de amanhã”. O programa teve início às 09h30, com o acolhimento dos participantes no adro da igreja, seguiu-se a oração inicial (10h00), e, a partir das 11h00, os participantes foram convidados a integrar diferentes programas de trabalho, organizados de acordo com os públicos a que se destinam.
Os adultos reuniram no Teatro-Cinema, num programa coordenado por D. Pedro Fernandes e pelo padre Nuno Folgado; o Centro de Artes e Cultura acolheu as crianças e adolescentes sob a coordenação do Secretariado Diocesano da Educação da Infância e Adolescência (SDECIA), e os jovens têm um programa dinamizado pelo Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil e Vocacional (SDPJV).
Após a pausa para almoço, às 13h00, os trabalhos foram retomados às 14h00, mantendo-se a organização dos participantes pelos diferentes grupos e espaços, e
A Assembleia Diocesana de Portalegre-Castelo Branco terminou com a celebração da Eucaristia, um momento de ação de graças e de comunhão de toda a diocese,
Numa história de amor não há coisa pior do que uma traição.... O nosso Deus, olha para a sua vinha com os olhos do amor e rodeia-a de cuidados... Ama-a tanto... Esperava cumplicidade... mas veio a traição... Em vez de uvas produziu silvas... Silvas que gerou mais oprimidos, sangue e injustiça, fugas desesperadas e náufragos... Os enviados á vinha, em vez de receberem cestos com uvas ou pipas com vinho, receberam a morte! Por fim, é enviado o Filho do proprietário da vinha, e ao qual fizeram ainda pior. Lançaram-no para fora da Vinha e mataram-no. Nem sabemos se, afinal, havia frutos ou não havia naquela Vinha… Sabemos que estava “arrendada”, mas os trabalhadores da Vinha comportavam-se como DONOS dela. Aí estava o problema! É a voz obscura que grita em cada um de nós: sê o mais forte, o mais astuto, não te importes com a honestidade e serás tu o chefe, o rico, o primeiro. Esta embriaguez por poder e dinheiro é a origem de todas as vindimas de sangue da terra. Estar na Vinha não chega… Amá-la também não, porque a podemos amar das maneiras mais erradas... O sonho de Deus - não é nem o tributo finalmente pago - nem a condenação a uma pena exemplar para quem errou, ... mas uma vinha, um mundo ... que não amadureça mais cachos vermelhos de sangue - e amargos de lágrimas, - que não seja uma guerra perene pelo poder e pelo dinheiro, - mas que amadureça uma vindima de justiça e de paz, - a revolução da ternura, a cura da vida, dos outros e da criação.
“Não continues a beber só água, mas toma também um pouco de vinho, por causa do estômago e das tuas frequentes indisposições” (1Tim 5, 23). “Quando vieres, traz o manto que deixei em Tróade, em casa de Carpo, bem como os livros, especialmente os pergaminhos” (2Tim 4,13). Ora aí está mais um bom conselho, um conselho de sábio para um amigo de coração! Sobretudo agora que se aproxima o inverno, há que libertar o estômago dos maus humores, nada de zurrapa ou de água inquinada. É preciso precaver-se contra o frio que dói nos ossos e ter livros para ler. Certo é que beber um copito, já não é preciso aconselhar os portugueses a fazê-lo. Quem cuida desses rácios e rankings vai-nos dizendo que somos bons alunos e muitíssimo cumpridores. Ultrapassamos, muito para além dos maiores fãs, a medida profilaxia e medicinal. Quanto ao capote, costuma dizer-se que Deus dá o frio conforme a roupa, e que ao menino e ao borracho põe Deus a mão por baixo! Eu, porém, que sou friorento, acho que é um pensamento demasiado otimista e arriscado. Só confirma o ditado, que diz: fia-te na Virgem e não corras! Muita criança, quando cai, amolga o nariz. Muita gente, por causa do frio, mesmo atafulhada de roupa, tirita demasiado, parte cedo e muito contrariada. Não porque Deus não esteja atento, mas porque, primeiro, os homens devem fazer a sua parte. Em vez de se engalfinharem em guerras só para saber quem é mais forte e ter mais uma courela de terreno, deviam sentir o dever de respeitar, amar e cuidar do próximo. Se, quanto ao álcool, os portugueses são atletas olímpicos, bem treinados nas escolas de Baco, quantos aos livros, por vezes ouvimos dizer que os portugueses fogem deles como o diabo da cruz. No entanto, em setembro findo, li que a leitura atingiu o valor mais elevado dos últimos três anos e o mercado do livro cresceu, apesar de o livro estar a perder espaço. Cresce a leitura, mas em livros digitais, gratuitos ou não. A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), se manifesta apreço pelo crescimento de leitores, sobretudo entre os jovens, também manifesta alguma preocupação quanto à sustentabilidade do setor. Pudera!... Também, por razões que se atribuem ao progresso e aos seus cireneus, hoje, ainda haverá quem o faça, sobretudo oficial ou protocolarmente, mas escrever cartas privadas e, por elas, dar conselhos como São Paulo, já não haverá muito quem o faça. Deve ser coisa rara! Acho eu que a correspondência em papel sumiu. Aquela paciência, na alegre esperança de receber um aerograma ou uma carta, quando o carteiro tocava a corneta à porta do destinatário, foi chão que deu uvas. O tempo tinha sempre tempo, a paciência era muitíssimo paciente. A esperança de receber não apressava a pressa, tornava a alegria da receção muito maior e partilhada: “Ó vizinha, o teu rapaz tem escrito?”. - “Tem, tem. Ainda recebi uma carta dele há pouco, talvez haja um ou dois meses”. Hoje a pressa apressou-se, a paciência deixou de ser paciente, a arte epistolar está com os pés para a cova, a carta por correio deu lugar à digitalização que, se não se cuida, logo se evapora ou esquece, não dá tempo para ser saboreada, logo logo vem outra a atropelar aquela e já outra ali vem. Se a correspondência privada das maiores figuras da literatura nacional estão publicadas e nos enriquecem, ver isso acontecer no futuro será bem mais difícil. Esse género literário sempre foi muito utilizado, já era incentivado nas escolas romanas e gregas. Era a maneira mais comum de divulgar ideias, de orientar as comunidades, de trocar informações. São Paulo escrevia às suas comunidades na qualidade de apóstolo, não de escritor. No entanto, nas cartas que se conservam, deixou-nos um legado literário de apreciar. Em princípio, as suas epístolas eram lidas na reunião da comunidade a que se dirigiam. Quem as recebia devia dá-las a conhecer às comunidades vizinhas, deviam trocá-las entre si. Em Colossenses 4,16, por exemplo, lemos: “quando esta carta tiver sido lida entre vós, fazei com que seja lida também na igreja de Laodiceia. Lede também a que receberdes da igreja de Laodiceia”. Algumas possuem carácter público, oficial, muitas vezes visavam resolver problemas. Deus também escreveu uma Carta de Amor à Humanidade. Aí, revela a sua vontade, a sua aliança e o seu afeto por cada pessoa. Essa Carta mantém-se atual, é atemporal, continua a orientar povos de todos as épocas e culturas. É “adequada para ensinar, refutar, corrigir e educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e esteja preparado para toda a obra boa” (2Tim 3,16). São Paulo constatou que muitos falsificavam a Palavra de Deus exarada nessa Carta de Amor que Deus escreveu a todas as pessoas de boa vontade. A par, anunciou que as comunidades cristãs devem ser o testemunho vivo de fé, devem testemunhar que são uma Carta de Cristo, “escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo; não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne que são os vossos corações” (2Cor 3, 3). Então, para fazer jus ao título deste artigo, beba lá um copito, caro leitor, para estar sempre de bom humor. Se possível, de meio copo para baixo, de preferência Alvarinho. Agasalhe-se, e porque não se pode ser cristão sem Cristo e estamos a começar o mês das Missões, aconselho a leitura dos Atos dos Apóstolos, na certeza de que vai gostar e voltará a ler com a preocupação de São Paulo: “Ai de mim se não evangelizar”.
A liturgia do 27º Domingo do Tempo Comum utiliza a imagem da "vinha de Deus" para falar desse Povo que aceita o desafio do amor de Deus e que se coloca ao serviço de Deus. Desse Povo, Deus exige frutos de amor, de paz, de justiça, de bondade e de misericórdia.
Na primeira leitura, o profeta Isaías dá conta do amor e da solicitude de Deus pela sua "vinha". Esse amor e essa solicitude não podem, no entanto, ter como contrapartida frutos de egoísmo e de injustiça... O Povo de Jahwéh tem de deixar-se transformar pelo amor sempre fiel de Deus e produzir os frutos bons que Deus aprecia - a justiça, o direito, o respeito pelos mandamentos, a fidelidade à Aliança. O encontro com o amor de Deus tem de significar uma efectiva transformação do nosso coração e tem de nos levar ao amor ao irmão. Quem trata os irmãos com arrogância, quem assume atitudes duras, agressivas e intolerantes, quem pratica a injustiça e espezinha os direitos dos mais débeis, quem é insensível aos dramas dos irmãos, certamente ainda não fez a experiência do amor de Deus. Às vezes encontramos nas nossas comunidades cristãs ou religiosas pessoas muito válidas do ponto de vista da organização e da animação, que se consideram a si próprias colunas da comunidade, que têm uma fé inabalável, mas que são insensíveis, amargas, agressivas, intolerantes... Será possível ser sinal de Deus e testemunhar o Deus que ama os homens, sem nos deixarmos conduzir pela tolerância, pela misericórdia, pela bondade, pela compreensão?
No Evangelho, Jesus retoma a imagem da "vinha". Critica fortemente os líderes judaicos que se apropriaram em benefício próprio da "vinha de Deus" e que se recusaram sempre a oferecer a Deus os frutos que Lhe eram devidos. Jesus anuncia que a "vinha" vai ser-lhes retirada e vai ser confiada a trabalhadores que produzam e que entreguem a Deus os frutos que Ele espera. As nossas comunidades cristãs e religiosas são constituídas por homens e mulheres que se comprometeram com o Reino e que trabalham na "vinha" do Senhor. Deviam, portanto, produzir frutos bons e testemunhar diante do mundo, em gestos de amor, de acolhimento, de compreensão, de misericórdia, de partilha, de serviço, a realidade do Reino que Jesus Cristo veio propor. É isso que acontece, ou limitamo-nos a ter muitos grupos paroquiais, a preparar organigramas impressionantes da dinâmica comunitária, a construir espaços físicos amplos e confortáveis, a recitar a liturgia das horas, a produzir liturgias solenes, faustosas, imponentes... e completamente desligadas da vida?
Na segunda leitura, Paulo exorta os cristãos da cidade grega de Filipos - e todos os que fazem parte da "vinha de Deus" - a viverem na alegria e na serenidade, respeitando o que é verdadeiro, nobre, justo e digno. São esses os frutos que Deus espera da sua "vinha". A forma como Paulo propõe aos seus cristãos os mesmos valores que constavam das listas de valores dos moralistas gregos da sua época, deve convidar-nos a reflectir sobre a nossa relação com os valores do mundo que nos rodeia e sobre a forma como os aceitamos e integramos na nossa vida. Não podemos esconder-nos atrás da nossa muralha fortificada e rejeitar, em bloco, tudo aquilo que o mundo de hoje nos proporciona, como se fosse algo de mau e pecaminoso. O mundo em que vivemos tem valores muito bonitos e sugestivos, que nos ajudam a crescer de uma forma sã e equilibrada e a integrar uma realidade rica em desafios e esperanças. O que é necessário é saber discernir, de entre todos os valores que o mundo nos apresenta, aquilo que nos torna mais livres e mais felizes e aquilo que nos torna mais escravos e infelizes, aquilo que não belisca a nossa fé e aquilo que ameaça a essência do Evangelho...