Que coisas melhores temos que fazer hoje do que ser felizes? O Deus que Jesus veio revelar é um rei que convida para um casamento. Ele não força, não obriga, não intimida. Ele propõe um elegante banquete, que há muito sonhamos. Deus é um espetáculo de luz e de vida e pede-me, para participar da Sua vida, para compartilhar da Sua alegria. É um Deus feliz que me quer feliz. Mas surpreendentemente, os convidados rejeitam o convite para participar no banquete... Na prática Deus recebe um solene e partilhado: não, obrigado. Temos coisas para fazer. Coisas urgentes, necessárias e importantes. Mas sempre e somente coisas. Matéria, compromisso, trabalho, suor. Aqueles que recusam não são maus. Eles estão ocupados demais para serem felizes. Eles iludem-se pensando que encontrarão a felicidade depois de ficarem sem coisas para fazer. Como se a felicidade pudesse esperar. Como se dependesse das coisas. No entanto, não é preciso muito. Aceite o convite, vá. Todo o Evangelho consiste num vem e vê. Que melhor coisa temos para fazer hoje do que ser felizes? Damos desculpas. Problemas, dores, às vezes até atribuídas a Deus, obstáculos. De facto, o que de mais precioso se pode oferecer a alguém, neste mundo apressado, é o TEMPO. É o tempo que gastamos com os outros, que tornam os outros tão importantes para nós! E se aqueles que deveriam participar não estiverem lá, não importa. Deus convida aqueles que ninguém convida... convidados não têm nome, são todos, são todos os nomes. Mas eu quero lá estar. Quero como São Paulo, experimentar que tudo posso naquele que me dá força. Quero viver esse tempo de graça. Olhem! Que coisas melhores temos que fazer hoje do que ser felizes?
Qual o projeto de Deus para nós? Qual é a meta final da nossa existência, o nosso horizonte último? Para onde é que Deus nos está a conduzir? As leituras que a liturgia do 28º Domingo do Tempo Comum nos oferece recorrem à imagem de um “banquete” para descrever esse mundo de amor, de alegria, de felicidade e de vida sem fim que Deus quer oferecer a todos os seus filhos. “O banquete está preparado; vinde sentar-vos comigo à mesa” – diz-nos Deus.
Na primeira leitura, o profeta Isaías anuncia uma festa esplêndida que, um dia, Deus vai oferecer a todos os seus filhos, sem exceção. Homens e mulheres de todas as raças formarão uma única família, reunida à mesa de Deus, numa fraternidade sem sombras nem fraturas. Sobre a mesa familiar estarão “manjares suculentos”, “comida de boa gordura”, “vinhos deliciosos e puríssimos”, vida bela e abundante. Será o início de uma nova era de paz e de felicidade, de um tempo em que a humanidade estará livre de tudo aquilo que a fere e a faz sofrer. O poema em que Isaías canta estas coisas eternas é um dos mais belos cânticos de esperança que a humanidade já escutou. No primeiro instante da nossa existência, Deus fez-nos chegar o seu convite para nos sentarmos à Sua mesa, à mesa desse “banquete” fraterno que Ele preparou para “todos os povos”. No dia do nosso batismo nós aceitamos o convite de Deus e dispusemo-nos a integrar a família de Deus. Assumimos um compromisso com Deus, decidimos dizer “não” ao egoísmo e à autossuficiência, dispusemo-nos a abraçar os valores de Deus. Juntamente com todos os outros homens e mulheres que aceitaram o convite de Deus para se sentarem à mesa do “banquete”, comprometemo-nos a construir, já aqui, uma nova terra de justiça, de solidariedade, de partilha, de amor. A nossa vida tem sido coerente com essa opção?
No Evangelho Jesus compara o reino de Deus a uma festa que um rei preparou para celebrar o casamento do seu filho. Houve convidados que se recusaram a comparecer; mas a festa não foi cancelada: o rei abriu as portas da sala do banquete a todo o tipo de pessoas – gente “improvável”, encontrada nas “encruzilhadas dos caminhos” – que tiveram a oportunidade de se sentar à mesa do rei e de participar numa festa inolvidável. No banquete do reino de Deus haverá lugar para todos os homens e mulheres que estiverem dispostos a acolher o convite de Deus. Para onde caminhamos? Qual o projeto de Deus para nós? Qual é a meta final da nossa existência? A nossa vida resumir-se-á a aproveitar uns breves instantes de felicidade, antes que a morte ponha fim a essa experiência efémera que é a nossa caminhada pela terra? Jesus conhecia bem Deus e estava seguro de que Ele tem um projeto magnífico para os seus filhos. Para nos descrever o projeto que Deus tem para nós, Jesus utiliza uma imagem que fazia sonhar os seus contemporâneos: a de uma festa de casamento. Segundo Jesus, Deus quer reunir todos os seus filhos numa festa eterna, que será como um grandioso banquete nupcial; aí, como em qualquer festa de casamento, haverá alegria transbordante, comida abundante para saciar a nossa fome, vinhos finíssimos para alegrar o nosso coração, fraternidade sem fronteiras, experiência plena de amor, de comunhão, de encontro. O que é que pensamos disto? Trata-se de um “programa” capaz de nos entusiasmar? Vemo-nos a aceitar o convite de Deus para participar nesta festa?
Na segunda leitura, o apóstolo Paulo apresenta-nos um exemplo concreto de uma comunidade que aceitou o convite do Senhor e vive animada pelo dinamismo do reino de Deus: a comunidade cristã de Filipos. É uma comunidade generosa e solidária, verdadeiramente empenhada na vivência do amor e em dar testemunho do Evangelho diante de todos os homens. Com o seu generoso gesto em favor de Paulo, prisioneiro por causa do Evangelho, a comunidade cristã de Filipos deixa-nos o exemplo de uma comunidade que se mantém atenta às necessidades das pessoas, que está aberta à partilha e ao dom, que cuida dos seus membros quando estão em situação de fragilidade, que pratica a caridade… O testemunho que os filipenses dão ao mundo é o testemunho de quem acredita no Evangelho, de quem está comprometido com os valores do reino de Deus. Como são as nossas comunidades cristãs? São comunidades que testemunham os valores do reino de Deus? São comunidades atentas às necessidades dos mais frágeis e carentes? São comunidades que cuidam daqueles que a vida feriu e que arrastam cruzes impossíveis de carregar sozinho? São comunidades disponíveis para partilhar os bens? São comunidades “com coração”, onde se pode fazer a experiência da bondade, da misericórdia, da compaixão de Deus por todos os seus filhos?
Haja esperança! Fomos criados à imagem e semelhança de quem nos criou. Quem nos criou é essencialmente relacional e livre. Define-se pelo diálogo, pelo encontro, pela comunicação, pela comunhão: “Deus é amor”. Por isso, somos, por natureza, seres sociais e livres. Ainda barro fresco acabado de modelar, talvez já cansados por sermos convidados a dar o nome a toda a bicharada, confrontados com a tentação, logo sucumbimos perante a árvore do bem e do mal. Talvez que esse momento fosse, para o homem, a plena tomada de consciência de si mesmo, a sua passagem “de ser natural e instintivo, a ser que vive uma existência histórica-humana”. A liberdade que tínhamos, de optar, também incluía o risco de optar pelo mal. Por respeito e amor, o Criador assumiu esse risco e a humanidade voltou-lhe as costas. Deus, porém, porque nos amou primeiro e nos continua a amar, não nos pagou na mesma moeda. Veio ao nosso encontro para, como amigo, estabelecer connosco o diálogo da salvação. Esse diálogo foi-se promovendo gradualmente. Deus foi-se revelando até que se revelou em plenitude em Jesus Cristo seu Filho, que se fez homem. Jesus, em constante diálogo com o Pai, dialogou com todos, com respeito por todos. Sem limites, sem cálculos, sem preconceitos, sem exceção, sem olhar aos méritos dos interlocutores, sem se impor, sem obrigar a responder. Instituiu a Igreja e, em seu nome, enviou-a por todo o mundo a fazer como ele fez, o promover o diálogo com Deus e com toda a humanidade e da humanidade entre si, a reproduzir no tempo a vida que existe no seio de Deus. E de forma universal, sem exceção, respeitando as lentidões da maturação psicológica e histórica, sem coação, sem deixar para amanhã o que pode conseguir hoje e tomando a iniciativa, com amor e respeito, com delicadeza, estima, simpatia e bondade, com clareza, mansidão, confiança e prudência pedagógica, convergindo para a verdade, recusando o relativismo, estando no mundo sem ser do mundo. Sem condenação apriorística, sem polêmica ofensiva, sem prurido de falar por falar, mas com apreço pela dignidade e liberdade do interlocutor, dispondo-o à comunhão mais plena de sentimentos e convicções (cf. Paulo VI, Ecclesiam Suam, 6/8/1964). Mesmo assim, os homens muitas vezes falharam e continuam a falhar. O diálogo dos homens com Deus, dos crentes e não crentes ente si, o diálogo com a cultura, a ciência e a filosofia e dos homens entre si como necessidade, orça em déficit acentuado. No último Concílio, o Espírito reconduziu as coisas ao seu lugar e foi publicada a Declaração Nostra aetate, na qual a Igreja reconhece que nas tradições religiosas também há valores verdadeiros e santos, convidando os fiéis a olhar com respeito “esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas”. Esse convite continua a constituir para a Igreja “um desafio permanente: como conjugar fidelidade à identidade cristã e abertura sincera à alteridade? Como viver concretamente o apelo à fraternidade universal em sociedades marcadas pela crescente diversidade cultural e religiosa, pela guerra e pela violência e caracterizadas pelo impulso crescente à secularização?” Três Dicastérios publicaram, em conjunto, em 16 de setembro passado, uma Nota a propósito dos sessenta anos dessa Declaração conciliar. Porque a Nota é maior que a própria Declaração e é pena que não chegue às pessoas, vou pescar dela algumas ideias sobre os trabalhos desenvolvidos. Revendo o caminho percorrido, a Nota, com esperança e gratidão, fala da transformação do relacionamento inter-religioso que houve a partir da referida Declaração, dizendo: “A Igreja passou de uma atitude muitas vezes reservada ou distante a um corajoso caminho de diálogo sincero, de encontro respeitoso e de cooperação fraterna. Esta herança constitui um património vivente e irrenunciável, que continua a interpelar os fiéis de hoje e os compromete a prosseguir esta aventura humana e espiritual, tão vital para o nosso tempo”. Afirma a atualidade do documento e que a “fraternidade entre crentes de diversas tradições religiosas não é um simples ideal, mas uma exigência moral, espiritual e social. Diante dos desafios contemporâneos - extremismos religiosos, migrações globais, secularização, crises ecológicas e sociais - as religiões são chamadas a transformar o mundo e a sociedade para que sejam expressões fraternas da vontade de Deus”. Prosseguindo com determinação este caminho exigente, a Igreja convida a que todos se tornem “construtores de pontes, não de muros”, artesãos de paz e de fraternidade, capazes de acolher o outro na sua diferença, de reconhecer as riquezas espirituais e de colaborar na construção de uma sociedade mais justa e mais humana. Acentua a necessidade de avançar resolutamente nesta direção. Neste arco de tempo, se tem havido frutos evidentes na relacionamento entre a Igreja Católica e o judaísmo e o islão, também a Igreja dialogou e colaborou, por exemplo, “em diversos âmbitos e em vários níveis, com os seguidores do hinduísmo, do budismo, do jainismo, do sikhismo, do shintoísmo, do taoísmo, do confucionismo e do zoroastrismo, além das religiões tradicionais, em particular aquelas africanas”. Foram instauradas relações duradouras de amizade entre responsáveis religiosos, encaminhados projetos educativos e sociais conjuntos, publicadas declarações comuns diante de dramas humanitários, guerras ou crises ambientais, promoveu-se a cultura do diálogo e do encontro, trocaram-se mensagens de felicitações aos amigos das outras tradições religiosas por ocasião das suas festas principais, para revigorar e reforçar os laços de estima recíproca e colaboração e aplaudem-se os bons testemunhos de boa convivialidade. A Nota não esconde que, apesar dos progressos, as dificuldades do diálogo permanecem. Alguns ambientes continuam a duvidar da sua oportunidade, temendo o relativismo doutrinal ou a diluição da identidade religiosa. Em algumas regiões, as relações entre fiéis de diferentes religiões são historicamente conflituosas, e a lembrança das feridas antigas torna difícil a confiança recíproca. Noutros lugares, o crescimento dos fundamentalismos, a permanência dos preconceitos, a manipulação política das pertenças religiosas ou as violências em nome de Deus minam as bases do diálogo. As tensões identitárias, o fechamento das comunidades, a manipulação política do facto religioso, mas também a indiferença crescente em muitos países para com toda forma de espiritualidade, obrigam a renovar as modalidades do diálogo num mundo em rápida transformação. Não é fácil abandonar as lógicas de defesa, de hostilidade ou de conquista, para adotar uma atitude aberta, benévola, corajosa. Os modelos monolíticos e isolados, que encorajam a visão fechada da realidade são inadequados, são fonte de violência e de sofrimento (cf. Nota - Um Caminho de Esperança, dos Dicastérios para a Doutrina da Fé, para a Promoção da Unidade dos Cristãos e para o Diálogo Inter-Religioso, de 16/09/2026).
Há sempre algo que, em algum momento da nossa vida, nos impele ao caminho.
Seja o início de um novo trabalho.
Seja o início de um novo ano escolar.
Seja um problema de saúde.
Seja o sofrimento alheio, ou o nosso.
Às vezes temos mesmo de nos meter ao caminho, ir à luta, desafiar, propor ou até mesmo inspirar mas será que estás atenta a quem faz caminho lado a lado contigo? Os encontros que se propiciam, as conversas, as resoluções e as oportunidades que surgem podem ajudar a seguir o caminho certo.
A história da nossa Igreja está repleta de peregrinos evangelizadores.
Os apóstolos e discípulos foram desafiados a pôr pés ao caminho e levar Esperança a quem dela precisasse e a fazer encontro curando, partindo o pão e falando do testemunho de Jesus. Não consta que foi fácil! Porventura, houve momentos que queriam voltar atras, desistir e mudar de caminho, mas deixam um testemunho de fé, esperança e caridade que resiste à passagem do tempo.
Também nós somos chamados ao caminho e nem sempre por vontade própria, atrevo-me a dizer que muitos poem pés ao caminho pelos outros e acabam por descobrir nesse ato nobre uma bênção infinita.
Seja qual for o motivo que te leva ao caminho (ou seja, fora do teu conforto) permite que ele tenha um propósito, um sentido, algo pelo qual valha a pena. Aí verás que não fazes apenas caminho, fazes Peregrinação! E isso muda tudo!
No dia 7 de outubro, a nossa comunidade uniu-se em oração e devoção numa noite profundamente marcante. As celebrações em honra de Nossa Senhora do Rosário começaram com a celebração da Santa Missa, realizada pelas 20h00 na Igreja Matriz de Arronches, reunindo dezenas de fiéis.
Logo após a Eucaristia, o silêncio respeitoso e a luz das velas invadiram as ruas do centro da nossa vila. A emocionante procissão percorreu o coração de Arronches, num testemunho vivo de fé, união e tradição que continua a passar de geração em geração.
Neste dia tão especial, recordámos com carinho o eterno apelo de Nossa Senhora: o convite diário para rezarmos o terço. Que esta oração continue a ser uma arma de paz, esperança e conforto para as nossas famílias e para todo o mundo.
Agradecemos a todos os que tornaram este momento possível e a todos os paroquianos que se juntaram a nós nesta manifestação de amor à nossa Mãe do Céu.