quinta-feira, 11 de junho de 2026

CRISMA/CONFIRMAÇÃO SEM PERSEVERANÇA: FÉ VERDADEIRA OU SIMPLES TRADIÇÃO?

 


CRISMA/CONFIRMAÇÃO SEM PERSEVERANÇA:
FÉ VERDADEIRA OU SIMPLES TRADIÇÃO?
“Se conferir a Crisma é uma das maiores alegrias do bispo, há outra coisa que é motivo de tristeza. É que, às vezes, quando o bispo confere a Crisma, o dom do Espírito Santo, nunca mais vê os adolescentes! Desaparecem da paróquia. E, a esse respeito, quero pedir: dediquem uma atenção especial a um dos dons do Espírito Santo chamado perseverança. Não esqueçam o que viveram neste tempo, para que a alegria também chegue a Roma, para celebrarmos juntos, rezarmos juntos, para essa alegria viva em seus corações e para que continuem sendo discípulos fiéis de Jesus Cristo. Sejam perseverantes na fé, para que voltem à paróquia — há muitas atividades, muitas oportunidades —, mas sobretudo na vida de fé, porque Jesus Cristo quer caminhar com vocês, com cada um de vocês e com todos vocês em comunidade - o que é tão importante. Não vivemos a fé sozinhos, vivemos juntos. E formar essas relações de amizade, de comunidade, é uma maneira de viver a perseverança como discípulos de Jesus.” (Papa Leão XIV, 16.5.2026)
As palavras do papa são ao mesmo tempo um apelo e um diagnóstico doloroso da realidade. Fala da alegria do Crisma, mas também da tristeza de ver tantos jovens desaparecerem da vida da comunidade logo depois de receberem o sacramento. E a pergunta impõe-se: terá razão? Infelizmente, basta olhar para a realidade das nossas paróquias para perceber que sim.
Muitos jovens fazem a catequese, recebem os sacramentos, participam nas celebrações do Crisma e, pouco tempo depois, afastam-se completamente da Igreja. Durante anos prepararam-se para um compromisso de fé que, na prática, rapidamente abandonam. E isto obriga-nos a questionar: estaremos a formar verdadeiros discípulos de Cristo ou apenas a cumprir etapas sociais e culturais?
O Papa insiste na perseverança como dom do Espírito Santo. Mas a perseverança exige decisão, convicção e verdade. A fé não pode ser apenas um momento bonito, uma celebração, uma tradição de família ou um acontecimento para fotografias. Ser cristão implica assumir um caminho, uma pertença, uma comunidade, uma responsabilidade. E talvez a realidade que vivemos seja exactamente o contrário disso: uma fé ocasional, emocional e superficial, sem continuidade nem compromisso.
Também é legítimo perguntar: afinal, o que mais querem os jovens? A Igreja oferece espaços de encontro, atividades, grupos, peregrinações, voluntariado, momentos de oração e convivência. Mas, apesar disso, muitos continuam indiferentes. Talvez porque o problema não esteja apenas na falta de propostas, mas numa cultura onde tudo é provisório, descartável e sem compromisso duradouro, inclusive a fé.
Por isso, as palavras do Papa são incómodas porque tocam numa verdade que muitas vezes evitamos enfrentar. E perante aquilo que se verifica, talvez fosse mais honesto assumir claramente: ou se quer viver a fé seriamente, ou então reconhecer que nunca houve verdadeira adesão a Cristo. Porque pior do que afastar-se é viver de aparência, fazer de conta que se acredita, fazer de conta que se pertence à Igreja, quando no fundo nunca se quis realmente seguir Jesus Cristo.
A fé autêntica não é perfeita, mas é sincera. Pode ter dúvidas, fragilidades e quedas, mas procura permanecer. O problema não é quem luta para acreditar; o problema é transformar os sacramentos em simples cerimónias vazias, sem consequência para a vida. E talvez seja precisamente esse o desafio lançado pelo Papa: deixar de viver um cristianismo de ocasião e recuperar uma fé consciente, madura e perseverante.
(P. António Magalhães Sousa)

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Homília ; Santuário de Fátima, D, Pedro Fernandes



Nesta quarta-feira partilhamos as palavras de D. Pedro Fernandes, Bispo de Portalegre-Castelo Branco, proferidas na homilia celebrada no dia 31 de maio de 2026, no Recinto de Oração do Santuário de Fátima.
“O nome de Deus é compaixão, é amor, é comunhão. Verdadeiramente um, indivisível e eterno, e verdadeiramente três, Pai, Filho e Espírito Santo, eternamente distintos e eternamente unidos.
Assim, o que Deus nos diz de si mesmo é que ele é uno e diverso e que unidade e diversidade não se opõem, antes implicam-se. A imagem que temos de Deus muda tudo no modo como estamos diante dele e como nos vemos uns aos outros.
(...) Quando acolhemos a boa nova de que Deus é amor, uno e trino, então percebemos que somos amados, acolhidos por este Deus que a todos nos une e, de tantos e tão diferentes, nos faz ser um só corpo.
Não porque anula as diferenças, isso seria uma violência impossível ao Deus de misericórdia, mas porque coloca as diferenças em relação positiva e construtiva. O rosto trinitário de Deus e a nossa fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo contrastam com os modelos polarizados e violentos que parecem prevalecer hoje neste nosso mundo contemporâneo. Neste, as diversidades entre pessoas, grupos e povos são usadas tantas vezes como pretexto para levantar muros, inventar preconceitos e avolumar violência, em vez de serem acolhidas como material de construção de um mundo em que as diversidades concorrem para a complementaridade e para a unidade no diálogo.
(...) Como dizia o Papa Francisco, somos missão. O nosso compromisso na Igreja não é propriamente apenas o de sermos colaboradores dos ministros ordenados, dos diáconos, dos padres, dos bispos, mas de sermos todos seguidores do único missionário, que é Cristo. Todos protagonistas da missão, cada um segundo o dom do Espírito que recebeu.
(...) Quando os frágeis e os mais pobres são descartados ou ignorados por uma economia que mata, porque apenas se alimenta da lógica capitalista que desvaloriza as pessoas, os cristãos põem no centro o Deus de Jesus Cristo, que se identificou com todos, especialmente com os mais frágeis. O nosso centro é a periferia, aí onde Deus mora.
(...) Não me canso de dizer que na Igreja não há filhos e enteados, como não há irmãos de primeira e irmãos de segunda. Na Igreja, à imagem da trindade, fazemos festa com a diferença e acolhemo-la como o lugar próprio da nossa unidade. É isso que queremos para o mundo, porque a nossa missão na terra dos humanos identifica-se com a missão de Deus, que nos enviou o seu Filho. Com Cristo na cruz, com Cristo ressuscitado, queremos vencer a violência com a mansidão, o descarte com a hospitalidade, o preconceito com a valorização de todos.”


Movimento da Mensagem de Fátima

Mudar para crescer

 


Mudar para crescer
A nossa vida é feita de escolhas e decisões,
é assim que aprendemos,
é assim que crescemos,
é assim que mudamos....
Muitas vezes, queremos mudar, mas optamos por não o fazer, com medo, por falta de coragem ou confiança, preferimos ficar parados, sem nada fazer, sem nada mexer, sem nada arriscar.
Por isso, se queremos mudanças, elas têm que partir de nós,
temos de agir em vez de aguardar,
temos de fazer para acontecer.
Ficar parado, também é uma escolha nossa,
também tem resultados e consequências.
A nossa relação com Deus exige, da nossa parte, mudança de coração.
Não podemos criar uma amizade com Ele somente quando nos dá jeito.
Bastando fazer uns sacrifícios, para obter d’Ele o que queremos...
Ele prefere a misericórdia ao sacrifício... ou seja, que mudemos os nossos comportamentos, as nossas relações, em vez de nos preocuparmos com ritos sem sentido.
Jesus chama-nos para a mudança, como fez com Mateus,
um homem mal visto, cobrador de impostos...
E Mateus aceitou tal mudança...
porque acreditou que a sua vida podia ser diferente.
É esta a mudança que Jesus continua a querer que nós façamos:
que cada um de nós mude para crescer.
Será tempo perdido, ficarmos à espera
que as mudanças se façam por si mesmas, aí, só vamos encontrar desilusão.

Padre João Torres


terça-feira, 9 de junho de 2026

Afinal, quais são as tuas prioridades?



Temos tantas solicitações e programas que há dificuldade em escolher aquilo que realmente vale a pena. Até porque muitas das vezes o conforto da casa fala mais alto e acabamos por adiar projetos, visitas, caminhadas e encontros.

Mas a verdade é que quando queremos arranjamos sempre tempo. Há de tudo:

Aqueles que nunca têm tempo para nada mas que andam metidos em tudo;

Aqueles que não estão metidos em nada, nem querem estar;

E depois há a queles que até nem queriam estar, mas para desenrascar algo acabam por ficar permanentes.

E claro ouvimos “são sempre os mesmos” pois são, e às vezes ainda bem. Ainda bem que temos gente de compromisso que diz ”presente” quando se pergunta qualquer coisa.

Esses são os corajosos. Depois temos aqueles que estão sempre á espera da ultima hora para confirmar se estão ou não presentes nos compromissos.

Isso é válido para quase tudo. Sejam reuniões, ou jantares há sempre alguns que se tem de perguntar diretamente pois têm dificuldade em dizer “sim ou não” gostam de ficar em cima do muro a ver o que acontece.

E pronto!

Temos cada vez mais dificuldade em assumir compromissos e definir prioridades. Estamos muito sujeitos à nossa disposição, ao “quem vai la estar” ou “se vale a pena” e poucas vezes assumimos perante quem nos congrega que fazemos questão de estar.

E imprevistos? Irra, esses é escolher! Há sempre algo que acontece que impede de estar até que descobrimos que na verdade esse imprevisto até era previsível.

Por isso define bem as tuas prioridades, aquilo pelo qual te comprometes.

Que a tua prioridade seja seres feliz…mas não te esqueças da felicidade dos outros.

E tu amiga, quais são as tuas prioridades?


Raquel Rodrigues

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Leão XIV: testemunhem a alegria do Evangelho na unidade de suas diferenças


 


No encontro com a comunidade diocesana de Madri, Leão XIV convidou a fazer "da escuta e do diálogo o terreno comum no qual fazer crescer a justiça e a fraternidade". "Nas grandes cidades, mais do que em outros lugares, às vezes nos parece que já não possuímos os mapas para nos mover com segurança", disse o Papa, convidando a "oferecer o testemunho evangélico que desperta as melhores forças de uma humanidade bombardeada por imagens e palavras, mas faminta de justiça e sedenta de verdade".

Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Leão XIV encontrou-se com a comunidade diocesana de Madri no Estádio Santiago Bernabéu, na tarde desta segunda-feira (08/06), no âmbito de sua viagem apostólica à Espanha.
O Estádio Santiago Bernabéu, propriedade do Real Madri Football Club, deve seu nome ao histórico jogador e presidente do Real Madri, que presidiu o clube de 1943 a 1978.
O estádio, inaugurado em 1947 e reformado diversas vezes, pode atualmente acomodar mais de 80 mil espectadores e possui mais de 200 camarotes VIP.

                Diversidade na unidade

“Imagino que, para um jogador de futebol, marcar um gol neste estádio seja algo que marca a sua vida. Mas, dom José, hoje a Igreja de Madri marcou um golaço para sempre!

Assim, Leão XIV iniciou o seu discurso, dizendo que este encontro "é um grande hino de fé", e manifestou satisfação de estar ali e unir sua voz à da comunidade diocesana de Madri, "para louvar a Deus e fortalecer os laços desta bela família eclesial que está aprendendo a arte da polifonia, ou seja, da diversidade na unidade".

(@Vatican Media)

O Papa agradeceu ao arcebispo de Madri, cardeal José Cobo Cano, "por apresentar a parábola do canto, que sugere que números, dados e fatos não bastam para gerar comunidade". De acordo com o Papa, "o nosso coração precisa cantar, ou seja, interpretar os acontecimentos e as situações celebrando com os outros o sentido que eles revelam. Para a Igreja, isso ocorre de modo singular na liturgia, o grande Memorial da história que nos salvou".

“Cantar é uma necessidade que permeia a convivência e interpela a cultura, estimulando-a a permanecer aberta e em constante evolução. Vocês são a Igreja diocesana no meio de um povo que ama a música, a dança e o convívio, mas que também conhece conflitos, resignação e, por vezes, o desespero, situações nas quais o Evangelho pode abrir um caminho para a esperança.”


Cultivar o desejo de encontrar o Ressuscitado

"A alegria de vocês será contagiante se, deixando de ser uma emoção passageira, se tornar um modo estável de ser, um sentimento profundo que renova as pessoas, os grupos e a comunidade diocesana", disse ainda o Papa, recordando que "o Batismo muda verdadeiramente a vida".

“Nossas sensibilidades, origens e prioridades encontram-se em Cristo e recebem da sua vida a seiva, como os ramos ligados à videira. Concretamente, isso significa que muito daquilo que já existia em nós é transformado, porque passa a ser orientado para o serviço, deixa de ser um dom privado e passa a servir ao bem comum.”

Recordando um trecho de sua Encíclica Magnifica humanitas, o Papa sublinhou que é preciso transformar "a diversidade em um recurso" e fazer "da escuta e do diálogo o terreno comum no qual fazer crescer a justiça e a fraternidade".
  (@Vatican Media)
De acordo com Leão XIV, "existe uma relação especial entre a Igreja e a cidade, que adquire ainda maior importância na mudança de época que estamos vivendo: uma relação que, naturalmente, se concretiza entre pessoas de carne e osso, nas relações de trabalho e de proximidade, mas também nas diversas comunidades, associações e entidades de bairro".

"Torna-se cada vez mais evidente a especificidade da missão cristã no interior das grandes realidades urbanas, onde “pulsa e se elabora uma cultura inédita”. "A clareza sobre esse ponto amadureceu muito ao longo do caminho sinodal, permitindo-nos conhecer-nos e escutar-nos com maior profundidade nos contextos em que a comunidade diocesana vive e se configura", disse ainda o Papa, convidando a "cultivar o desejo de encontrar o Ressuscitado, que sempre vai à nossa frente, nos precede e talvez já esteja presente onde ainda não O procuramos".

Reaprender a arte espiritual da cordialidade

De acordo com o Papa, buscar o Senhor "e segui-Lo é a condição para indicá-Lo aos outros; caso contrário, não há evangelização. Hoje, podemos compreender isso melhor do que no passado".
“Nas grandes cidades, mais do que em outros lugares, às vezes nos parece que já não possuímos os mapas para nos mover com segurança. Então é preciso reaprender a arte espiritual da cordialidade, sem a qual até mesmo o anúncio do Evangelho corre o risco de transformar-se numa repetição impessoal e, perdendo sua eficácia, abrir espaço para a frustração e a desconfiança.”

"Juntos, como Igreja diocesana, vocês podem oferecer o testemunho evangélico que desperta as melhores forças de uma humanidade bombardeada por imagens e palavras, mas faminta de justiça e sedenta de verdade", disse ainda o Papa.

  (@Vatican Media)

O papel dos conselhos paroquiais e diocesanos

A propósito do papel dos conselhos paroquiais e diocesanos, o Papa sublinhou que eles têm o objetivo de "transformar a sensibilidade de cada pessoa por meio de uma escuta mais profunda daquilo que o Espírito diz à Igreja". "Eles são espaços de escuta recíproca para o exercício do discernimento, sem o qual não apenas cada um segue o seu próprio caminho, mas corremos o risco de não compreender onde o Senhor nos quer, o que espera de nós e a quais conversões nos chama", destacou. "Quando cuidamos desses espaços, então o culto se transforma em vida e, entre as pessoas, surgem laços de fraternidade e projetos de solidariedade", disse ainda o Papa Leão.
O Papa convidou "os presbíteros a reconhecerem a prática do discernimento comunitário como uma das maiores oportunidades que a sinodalidade oferece ao seu ministério". Leão XIV concluiu, dizendo que "quando reduzimos a vida eclesial a uma rotina na qual cada um permanece fechado em seus hábitos e em seu papel, o que nos falta é o Espírito. É Ele quem suscita vocações e as une, provocando às vezes inquietação, debate e a busca de novos equilíbrios".


Jesus olha-te com misericórdia

 


“Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores!”
Jesus Cristo


Jesus chama. Diz o teu e o meu nome.

Não hesita! Não avalia curriculum vitae. Não solicita grandes teses.

Não quer saber o que já fizeste, nem o que deixaste de fazer.

Durante toda a tua vida,

os momentos de desassossego, ânsias e turbulências virão ao teu encontro.

Se conhecesses o Senhor Teu Deus,

saberias que qualquer sacrifício será recompensado,

pela forma como amaste o teu irmão e a tua irmã.

Nada há temer, porque Deus é Misericórdia Divina.

O Cristo olha para ti, despe-te com um único olhar…

Tu ficas rendido e um pouco confuso… e a resposta só pode ser: “SSIIIMMM!”

Após o teu: “Sim!”, pleno e forte, lembra-te de tomar a medicação diária:


    Chamaste-me Senhor a seguir-Te.
    O caminho da fé implica dizer à humanidade que Tu és a verdade e a vida…
    MAS não tenho a coragem de Mateus e abandono a minha fé!

    Chamaste-me Cristo a seguir-Te.
    O jardim da esperança tem rosas perfumadas que me dão o alento,
    mas quando toco nos espinhos das minhas dúvidas e anseios, estremeço…
    perco a força de Abraão e não parto para Te anunciar…

    Chamaste-me Senhor a partilhar o Teu Pão e a ser sacrário vivo, a ser amor             verdadeiro!
    Mas, afasto-me da Eucaristia e não aceito conhecer-Te mais e mais a cada             dia…

Reza-lhe baixinho e em segredo.

Pede-Lhe perdão e no dia seguinte volta a dar o mesmo “SIM!”

Bem sabes que Jesus todos os dias chama o teu nome…

Não desiste! Tu és Dele e Ele quer-Te.

Segue-O



Liliana Dinis,

domingo, 7 de junho de 2026

Segue me


https://www.youtube.com/watch?v=X1WsLLiamm0

A Palavra de Deus deste 10º Domingo do Tempo Comum repete, com alguma insistência, que Deus prefere a misericórdia ao sacrifício. A expressão deve ser entendida no sentido de que, para Deus, o essencial não são os actos externos de culto ou as declarações de boas intenções, mas sim uma atitude de adesão verdadeira e coerente ao seu chamamento, à sua proposta de salvação. É esse o tema da liturgia deste dia.

Na primeira leitura, o profeta Oseias põe em causa a sinceridade de uma comunidade que procura controlar e manipular Deus, mas não está verdadeiramente interessada em aderir, com um coração sincero e verdadeiro, à aliança. Os actos externos de culto – ainda que faustosos e magnificentes – não significam nada, se não houver amor (quer o amor a Deus, quer o amor ao próximo – que é a outra face do amor a Deus).
O culto a Deus, sem o amor ao irmão, não faz sentido. O nosso compromisso com Deus tem de se concretizar em obras em favor dos homens e em gestos libertadores, que levem ternura, misericórdia, à vida de todos aqueles que Deus coloca no nosso caminho.

Na segunda leitura, Paulo apresenta aos cristãos (quer aos que vêm do judaísmo e estão preocupados com o estrito cumprimento da Lei de Moisés, quer aos que vêm do paganismo) a única coisa essencial: a fé. A figura de Abraão é exemplar: aquilo que o tornou um modelo para todos não foram as obras que fez, mas a sua adesão total, incondicional e plena a Deus e aos seus projectos.
Como é que eu respondo ao dom de Deus? Com o orgulho e a auto-suficiência de quem não precisa de Deus para ser feliz e para se realizar? Com a “esperteza saloia” de quem pretende negociar com Deus para obter a salvação? Ou com o reconhecimento de que a salvação é um dom não merecido que, apesar de tudo, Deus me oferece e me convida a acolher?

O Evangelho apresenta-nos uma catequese sobre a resposta que devemos dar ao Deus que chama todos os homens, sem excepção. O exemplo de Mateus sugere que o decisivo, do ponto de vista de Deus, é a resposta pronta ao seu convite para integrar a comunidade do “Reino”.
A Palavra de Deus que aqui nos é proposta sugere também que na comunidade do “Reino” não há cristãos de primeira e cristãos de segunda (conforme cumprem ou não as leis e as regras). O que há é pessoas a quem Deus chama e que respondem ou não ao seu convite. De qualquer forma, não pode haver, na comunidade cristã, qualquer tipo de discriminação ou de marginalização…

https://www.dehonianos.org/