domingo, 24 de maio de 2026

Oração de Santo Agostinho

 


Solenidade do Pentecostes

 

https://www.youtube.com/watch?v=J54atK7be9Y&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=163



O tema deste domingo é, evidentemente, o Espírito Santo. Dom de Deus a todos os crentes, o Espírito dá vida, renova, transforma, constrói comunidade e faz nascer o Homem Novo.

O Evangelho apresenta-nos a comunidade cristã, reunida à volta de Jesus ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma comunidade viva, recriada, nova, a partir do dom do Espírito. É o Espírito que permite aos crentes superar o medo e as limitações e dar testemunho no mundo desse amor que Jesus viveu até às últimas consequências.
Identificar-se como cristão significa dar testemunho diante do mundo dos "sinais" que definem Jesus: a vida dada, o amor partilhado. É esse o testemunho que damos? Os homens do nosso tempo, olhando para cada cristão ou para cada comunidade cristã, podem dizer que encontram e reconhecem os "sinais" do amor de Jesus?

Na primeira leitura, Lucas sugere que o Espírito é a lei nova que orienta a caminhada dos crentes. É Ele que cria a nova comunidade do Povo de Deus, que faz com que os homens sejam capazes de ultrapassar as suas diferenças e comunicar, que une numa mesma comunidade de amor, povos de todas as raças e culturas.
Nunca será demais realçar o papel do Espírito na tomada de consciência da identidade e da missão da Igreja... Antes do Pentecostes, tínhamos apenas um grupo fechado dentro de quatro paredes, incapaz de superar o medo e de arriscar, sem a iniciativa nem a coragem do testemunho; depois do Pentecostes, temos uma comunidade unida, que ultrapassa as suas limitações humanas e se assume como comunidade de amor e de liberdade. Temos consciência de que é o Espírito que nos renova, que nos orienta e que nos anima? Damos suficiente espaço à acção do Espírito, em nós e nas nossas comunidades?

Na segunda leitura, Paulo avisa que o Espírito é a fonte de onde brota a vida da comunidade cristã. É Ele que concede os dons que enriquecem a comunidade e que fomenta a unidade de todos os membros; por isso, esses dons não podem ser usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço de todos.
 É preciso ter consciência da presença do Espírito: é Ele que alimenta, que dá vida, que anima, que distribui os dons conforme as necessidades; é Ele que conduz as comunidades na sua marcha pela história. Ele foi distribuído a todos os crentes e reside na totalidade da comunidade. Temos consciência da presença do Espírito e procuramos ouvir a sua voz e perceber as suas indicações? Temos consciência de que, pelo facto de desempenharmos esta ou aquela função, não somos as únicas vozes autorizadas a falar em nome do Espírito?

https://www.dehonianos.org/

sábado, 23 de maio de 2026

Vem Espírito Santo

 

 

Vem, Espírito Santo


Tentemos deixar fluir,
ao menos uma vez na vida,
o sopro do Espírito Santo
no meio e dentro de nós.
Torna-te lume novo… e tu ardes!
Quem não arde, não vive.
O Grande Espírito move-se pela nossa cozinha interior,
entre púcaros, vasilhas e panelas.
E ali Ele dá-nos sabor…
O Infinito vem ao sangue,
mistura-se para que a graça seja graça…
Comida pronta que nos torna humanos.
Ele é a mola da nossa história
onde penduramos, tantas vezes, a vida
cansada, sem espanto, sem calor!
Deixa-te secar por Ele.
Não perderás tantas fibras,
encolhes menos e duras mais.
Ele vem e faz-se caminho nas nossas entranhas!
Damo-nos connosco a descobrir a Luz
e a sermos silêncio.
Onde Ele para para nos encontrar.
Deixa que os seus pingos de chuva
entrem na tua terra árida!
Sente esse cheiro intenso que te torna respirável.
Aperta a sua frescura
e sente a sua música entre os teus dedos…
Sem o Espírito Santo podes construir a vida toda
e chegar ao fim sem teres abrigo.
Sem Ele serás simplesmente barro,
terra com a terra, pó com pó.


Padre João Torres

sexta-feira, 22 de maio de 2026

O remédio para as feridas do coração

              


Se a felicidade fosse uma questão de inteligência, então haveria muito mais gente feliz do que existe.

O amor não é lógico. À primeira vista, o egoísmo parece muito mais prudente do que a entrega gratuita sem garantia de reciprocidade.

Os nossos sentimentos e a voz da nossa alma também nos dão indicações em relação aos destinos e caminhos que devemos escolher. Por mais que a razão tente impor-se, a verdade é que ela, por si só, não nos faz felizes.

Se o sentido da vida é a busca da felicidade, então a inteligência é apenas mais uma das ferramentas. Muitas vezes é o coração que tem de abrir as portas da prisão em que os pensamentos nos aprisionaram a alma.

Um sofrimento para o qual não se encontra sentido não deixa de doer; muitas vezes, dói ainda mais. A inteligência nem sempre é a melhor conselheira da paz interior.

O sonho é ilógico e, no entanto, pode preencher muitos vazios interiores. Há quem decida procurar no céu o que não tem na terra. Acreditar é uma das forças essenciais para criar grandes obras.

Talvez os sonhos sejam a forma de o coração pensar.

Importa lembrar que, por mais que reflitamos, há verdades que só se revelam quando entregamos a questão a um silêncio profundo e paciente.

Os sonhos permitem-nos estabelecer metas, imaginar soluções, descobrir forças e ir mais longe do que alguma vez imaginámos.

O amor é o caminho e a força necessária para seguir em frente. A grandeza do amor mede-se pelo que alguém é capaz de sacrificar por ele.

O amor é o remédio para as feridas do coração — feridas que só tem quem não desiste de sonhar.


José Luís Nunes Martins


quinta-feira, 21 de maio de 2026

Desculpa… eu disso não percebo nada!




Creio que ninguém gosta de pedir.

Há um incómodo em termos de pedir um favor, um jeitinho ou uma ajuda pois revela uma fragilidade que nem sempre gostamos de assumir. Eu confesso, não gosto! É mais fácil pedir para alguém do que para nós, não achas?

Mas, volta e meia, tentamos a nossa sorte porque precisamos ou, simplesmente para ter algum facilitismo.

Quantos de nós já não pediram para dar um jeitinho numa lista de espera, um jeitinho numa informação que pelos meios normais teima em chegar, um jeitinho para uma oportunidade de emprego ou outra situação…quem nunca!?

Custa tanto pedir! Se calhar porque achamos que não é correto pois não gostamos de incomodar ou aborrecer alguém com a nossa situação. Nem sempre “pedi, e ser-vos-á dado” funciona com Deus, quanto mais com os homens.

Muitos de nós já tiveram o poder na mão de dar jeitinhos capazes de mudar a vida de alguém sem prejudicar a dos outros, mas outros, quando o podem fazer escusam-se.

Estão no direito de recusar ajudar e até podem alegar que não lhes é possível, mas até nisso é preciso sensibilidade. Acho que quase todos nós, já nos recusamos a ajudar, seja a dar esmola ou a participar em algo…quem nunca!?

Não estou a julgar nem criticar, apenas refletir sobre a nossa atitude perante as duas situações: teres de pedir, e alguém ter de te pedir a ti!

Há uns bons anos, pedi uma informação sobre um concurso a alguém que estava na área e para a qual eu nunca me tinha recusado a ajudar nas inúmeras vezes que fui solicitada. Expus o meu pedido e recebi secamente: “Desculpa eu disso, não percebo nada”. Sem mais! Nem um indicação de quem me poderia ajudar, sem qualquer empatia ou gentileza. Já lá vão muitos anos e nunca apaguei esse email. Acho que o guardo para me lembrar de não fazer o mesmo. Não o guardo com rancor nem à espera de vingança, foi o que foi, nunca mais vi essa pessoa e desejo-lhe o melhor.

Peço para que de cada vez que alguém tiver pedir, não escute nem silêncio, nem ofensa, nem desdém.

Que sirva de oração :
    -Peço para que o meu coração não se endureça perante os pedidos que me chegam como resultado das ausências de respostas em relação aos meus.

    - Peço a empatia para aceitar que apesar de “ não perceber nada disso”, posso procurar quem saiba.

   - Peço a sabedoria para acolher cada pedido sem arrogância.


E peço que nunca tenha de pedir em desespero e que do outro lado encontre sempre alguém que me acolha e me conforme.

E tu amiga, quantas vezes usaste uma desculpa para não ajudar?


Raquel Rodrigues


quarta-feira, 20 de maio de 2026

Há coisas que só o tempo explica



Há coisas que só o tempo explica
Passamos a vida a tentar segurar o que nunca foi verdadeiramente nosso: o controlo absoluto dos dias, das pessoas, dos acontecimentos, do futuro.
Queremos que tudo aconteça à nossa maneira.
Planeamos caminhos perfeitos, antecipamos respostas, imaginamos finais felizes e acreditamos que, se fizermos tudo certo, a vida obedecerá aos nossos planos.
Mas a vida não é um mapa desenhado por nós.
Há portas que se fecham sem aviso.
Há encontros inesperados que mudam tudo.
Há despedidas que chegam cedo demais.
Há sonhos que não acontecem.
E há caminhos que só aparecem depois de perdermos o rumo.
E talvez viver seja exactamente isto:
aprender, devagar, a largar o controlo que julgávamos ter.
Porque há coisas que não dependem da nossa força, da nossa vontade ou da nossa pressa.
E lutar constantemente contra aquilo que não podemos mudar só nos rouba paz.
A verdade é que nem sempre compreendemos o que Deus está a fazer na nossa vida. Às vezes, o coração revolta-se porque não era “assim” que tínhamos imaginado. Mas o tempo tem uma estranha maneira de revelar sentidos escondidos.
Quantas vezes aquilo que parecia um fim acabou por salvar a nossa vida? Quantas vezes uma perda nos conduziu a um lugar mais verdadeiro? Quantas dores nos tornaram mais humanos, mais conscientes, mais capazes de amar?
Há respostas que chegam tarde… mas chegam.
Por isso, quando algo fugir ao teu plano, respira fundo. Nem tudo o que desaparece é castigo. Nem tudo o que termina é derrota. Nem tudo o que dói veio para destruir.
Às vezes, Deus afasta-nos daquilo que queríamos porque conhece o lugar onde realmente podemos florescer.
Um dia, talvez olhes para trás e percebas que aquilo que hoje te custa aceitar foi precisamente o que te ensinou a viver de outra maneira.
Até lá, segue mais leve.
Agradece o que tens.
Cuida de quem caminha contigo.
Não desperdices os dias preso ao medo do amanhã.
E aprende a confiar um pouco mais.
Porque há caminhos que só fazem sentido depois de serem atravessados.

Padre João Torres

terça-feira, 19 de maio de 2026

ASCENSÃO




                                                    O visível orienta. O Invisível move!”
     Henrique Santana



A frase: “Estou mesmo a precisar de descansar!” não sai das nossas bocas.

Andamos errantes e demasiado ocupados com o fazer tudo, que o tudo não nos satisfaz…

Então… perdemos o rumo certo!

Ficamos parados a olhar para o céu, sem entender que o cansaço físico da correria diária,

não nos traz alegria, não nos faz viver mais e não nos satisfaz.

Mas,

preciso parar um bocadinho ao pé de Ti, Jesus,

porque estás aí, em cima, a olhar para mim

e vês todas as opções que tomei sem pensar em Ti.



Faz-me falta ver que estás ao pé de mim.

Fazes-me falta, porque és luz e conforto.

Fazes-me falta.


Por vezes, até me lembro que o meu Batismo

dá-me a capacidade de ir ao encontro de todos,

apenas para abrir os braços e partilhar um abraço;

apenas para esboçar um sorriso e soltar uma gargalhada;

apenas para ficar em silêncio e escutar!


E tudo isto é anunciar o Teu Reino,

em nome do Pai, do Teu nome e do nome do Teu Santo Espírito.


Enquanto estou aqui, a olhar para o infinito, deixa-me sentir um bocadinho a Tua presença.

Vou fechar os olhos… respirar fundo e carregar naquele botão que abre os olhos do coração.

Sei que depende de mim, apenas de mim e só de mim!


Quero ver-Te… Quero sentir-Te… Quero escutar-Te.

Hoje! pois a Tua Ascensão faz-Te ainda mais perto de mim.

Põe-me inquieta! Com uma ânsia e um cansaço feliz, porque Te quero anunciar.



Liliana Dinis