domingo, 8 de novembro de 2026

Vigiai e estai preparados


Os textos que a liturgia do trigésimo segundo Domingo do Tempo Comum nos convida a escutar contêm um veemente apelo à vigilância. Recordam-nos que a segunda vinda de Jesus está no horizonte final da história humana. De olhar fixo nesse horizonte, caminhamos pela vida atentos ao Senhor que vem, com o coração sempre preparado para O acolher.

Na primeira leitura um “sábio” de Israel apresenta-nos a “sabedoria”, dom gratuito e incondicional de Deus oferecido aos homens para os ajudar a encontrar os caminhos que conduzem à vida verdadeira. A iniciativa de Deus resulta do seu amor infinito, da sua eterna preocupação com o bem e a felicidade dos seus queridos filhos. Ao ser humano resta estar atento, vigilante e disponível para acolher, a cada instante, a vida e a salvação que Deus lhe oferece. A “visão” que a catequese de Israel propõe no seu discurso sobre a sabedoria, dom de Deus ao homem, vai no sentido oposto: o interesse de Deus não é escravizar-nos, controlar-nos e limitar-nos, mas sim ajudar-nos a perceber como dar sentido pleno à nossa vida. Deus não é e nunca será nosso adversário; mas é e será sempre um Pai que nos ama e que só pretende o nosso bem. Como “lemos” a relação que Deus tem connosco? Vemos Deus como alguém que nos condiciona e que nos impede de fazer o que pretendemos, ou como um Pai que nos ama infinitamente e que nos ajuda a fazer as escolhas que nos levam à vida verdadeira?

No Evangelho
, Jesus, poucas horas antes de morrer na cruz, pede aos seus discípulos que permaneçam atentos e vigilantes, comprometidos a cada instante com os valores do reino de Deus. Viver distraído, não definir corretamente as prioridades, correr atrás de valores efémeros, atuar de maneira irresponsável ou negligente, instalar-se no imobilismo, poderá significar passar ao lado de algo imperdível, construir a vida sobre a areia, falhar completamente o sentido da existência.A reflexão que nos é proposta por Mateus refere-se primordialmente ao nosso encontro final com Jesus. Contudo, sabemos que Jesus vem ao nosso encontro muitas vezes e de muitas formas. Compete-nos perceber os sinais da sua presença, escutar a sua voz, reconhecer o seu rosto, acolher os seus apelos, abraçar os seus desafios… Ele vem certamente ao nosso encontro na Palavra de Deus que escutamos nas nossas celebrações eucarísticas; mas Ele também vem ao nosso encontro na indignação das vítimas das injustiça, no olhar dolorido de uma criança com fome, no pedido de auxílio de um imigrante sem papéis, na tristeza de um velho sem família e sem amor, no sofrimento de um doente terminal, no grito silencioso de um pobre abandonado na berma da estrada, nas lágrimas de uma mulher vítima de violência, na revolta do “condenado” que exige ser respeitado na sua dignidade… Conseguimos reconhecê-l’O? Somos capazes de escutar os seus apelos? Dispomo-nos a acolhê-l’O?

Na segunda leitura, o apóstolo Paulo garante aos cristãos de Tessalónica que Jesus virá de novo para concluir a história humana e para inaugurar a realidade do mundo definitivo. Os tessalonicenses podem estar tranquilos e viver confiantes: todo aquele que tiver aderido a Jesus e se tiver identificado com Ele irá ao seu encontro e permanecerá com Ele para sempre. A certeza de estar destinado à ressurreição influenciou decididamente a forma como Paulo via a vida. Deu-lhe forças para viver a sua fé e a missão que lhe foi confiada; levou-o a relativizar determinadas coisas e a dar mais peso a outras; ajudou-o a enfrentar a vida com esperança. Ter sempre diante dos olhos a vida futura transformou a nossa capacidade do apóstolo de encarar e viver a vida presente. Sentimos isso, também nós? Que influência tem a certeza da ressurreição na forma como encaramos a vida? Ajuda-nos a ter um olhar de esperança sobre o presente? A certeza da ressurreição condiciona a nossa forma de estar, de atuar, de ver o mundo, de ver os irmãos que caminham ao nosso lado nos caminhos do mundo e da história?


https://www.dehonianos.org


sábado, 7 de novembro de 2026

Semana de Oração pelos Seminários 2026

 

 Mensagem do Bispo Diocesano, D. Pedro Fernandes, no âmbito da Semana de Oração pelos Seminários 2026



«𝘊𝘰𝘮𝘶𝘯𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘳𝘦𝘻𝘢, 𝘚𝘦𝘮𝘪𝘯𝘢́𝘳𝘪𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘧𝘭𝘰𝘳𝘦𝘴𝘤𝘦!»


                                    

A Eternidade de um Momento.

 



Há momentos que queremos agarrar para sempre, e há momentos que sabemos que serão eternos. E como sabes disso? Não sei, sinto!

Nunca te aconteceu de estares à conversa com amigo e familiares e eles te recordarem um determinado momento, que te surpreende?

Um momento que te faz remexer o baú das recordações e te faz sorrir e mexer com emoções? Geralmente a primeira sensação é: “Como o tempo passa!” Ou “estou a ficar velha!”. Percebemos que o tempo passa e há tanta coisa que nos esquecemos, até que percebemos que não: basta mexeres um pouco para elas se reavivarem. Isso significa que é algo que fica tatuado no íntimo do teu ser. São conversas, sustos, risadas, aventuras e tristezas que, independentemente de gostares ou não, são eternizadas naquilo que dizes e fazes. Não há volta a dar.

Achamos que coisas subtis são apagadas, e algumas são mesmo, mas repara na quantidade de memórias e momentos que estão bem guardados em ti e que a passagem do tempo não apaga. Eu não sou saudosista, até porque, reconheço que a nível de memória sou “fraquinha”J , mas sei que há momentos que mesmo que aches que te esqueças estão tatuados no que és.

Outras memórias não queres apagar.

Não te queres esquecer do rosto dos que já partiram.

Não te queres esquecer do primeiro beijo.

Não te queres esquecer da primeira vez que pegaste no filho ao colo.


Queres muito que alguns momentos fiquem eternos, não queres? Eu também!


E depois há momentos que parece que nunca acabam e sabes geralmente quais são? Os MAUS!


Quando alguém me diz que “passou tão rápido” costumo lembrar que isso é bom, porque geralmente, quando um momento parece uma eternidade é porque é um momento difícil. Quando esperas um resultado, quando aguardas uma notícia decisiva, quando aguardas uma decisão que muda a tua vida, isso parece que nunca mais acaba e desejas que “passe rápido”.

Não é assim?

Seja como for, os momentos mais importantes da nossa vida, nem sempre são os que decidimos ser, mas são os que decidimos guardar em cartas, fotografias e outros registos.

E tu amiga, diz-me quais os momentos que, para ti, serão eternos?


Raquel Rodrigues


sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Como regressamos?

 


Acho que a fé se torna mais inteira quando passa para a vida.


E eu vejo a vida como uma peregrinação. Talvez por isso me faça tanto sentido pôr-me a caminho. Caminhar, mesmo com os pés cansados, mas com o coração aberto.


Ao início, damos mais atenção à mochila, aos sapatos, à distância que vamos percorrer. Depois, com o passar do tempo, começamos a reparar noutras coisas. Especialmente no silêncio que, aos poucos, deixamos de precisar de preencher.


Mas, é fácil falar de abertura quando estamos confortáveis. Mais difícil é mantê-la quando o caminho nos pede alguma coisa que não tínhamos previsto dar.


E talvez seja aí que a fé ganha morada. Quando aceito ajuda sem precisar de provar que consigo tudo sozinha. Quando abrando para acompanhar alguém, apesar da vontade de seguir ao meu ritmo. Quando consigo olhar para quem caminha ao meu lado com curiosidade, sem achar que já sei a sua história.


Penso muitas vezes que podemos fazer muitos quilómetros e continuar fechados. O que permitimos que nos toque, verdadeiramente, pelo caminho?


Não espero que cada peregrinação mude a minha vida. Há coisas em mim que precisam de tempo, de repetição, de muitas partidas.


Depois há o regresso à rotina.
Os compromissos, as mesmas pessoas e os mesmos assuntos por resolver.


Quero uma fé que possa viver aí. Que me ajude a estar presente na vida que tenho, com as suas exigências e imperfeições. Uma fé que me faça continuar a aprender a amar, sobretudo quando isso custa.


Por isso, quando penso na vida como uma peregrinação, a pergunta que mais me acompanha é como regresso. E o que faço, depois, com aquilo que o caminho me deu.

Boa semana!



Carla Correia

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Lembro-me de ti...

 


Lembro-me de ti...

Hoje a saudade aperta-me
e o teu rosto toma conta de mim.
Sinto tanto a tua falta!
Falta de tudo o que há de mais belo em ti!
Às vezes dou comigo a chamar por ti
como se não tivesses ido embora...
Amavas genuinamente a vida,
protegias-me acima de tudo e de todos.
O teu abraço era tão bom
era o meu porto seguro...
e o teu olhar dizia-me que estarias sempre ao lado
mesmo quando te procuro e não te vejo...
Às vezes dou comigo a rir-me do teu riso,
a lembrar-me das tuas histórias
a sentar-me no teu lugar
a comer o teu prato favorito
a cheirar a tua roupa...
faz-me tanto bem!
Lembrar-me de ti aproxima-me do paraíso
onde acredito que estás...
A morte foi a porta através da qual regressaste
a casa que sempre foi a tua...
Por vontade de Deus Somos imensamente mais do que aparentamos,
mais do que pensamos que somos.
Somos loucamente eternos.
Por isso, acredito que te voltarei a ver!
Hoje digo-te «até amanhã», ou «até já»,
ou melhor «Adeus»!
Sim, «a-Deus», porque é no seio de Deus,
que havemos de ser e nos havemos de encontrar!

Padre João Torres

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Choram os olhos de quem sonha

 


Uma fé que não age não é fé. A esperança que não é firme não é esperança. O amor que não exige sacrifício não é amor.

A fé exige que não acreditemos nas aparências nem nas superficialidades e isso é muito difícil, até porque o mundo parece valorizar essas realidades mais do que todas as outras.

A esperança exige que superemos muitos fracassos e desilusões, alimentando sempre a convicção de que chegará o tempo de realizar aquilo com que sonhamos.

O amor exige que deixemos o egoísmo de lado, embora a própria natureza pareça inclinar-nos mais para a satisfação dos nossos desejos do que para o cuidado dos outros.

Que quem somos se revele nas nossas ações, inspiradas pela fé, sustentadas pela esperança e expressas na entrega desprendida a quem amamos.

Choremos, mas sem deixar que os nossos olhos se fechem ao que está para além do que vemos hoje, sem que desistamos de cumprir o que temos de fazer hoje e sem nunca deixarmos de amar… mesmo quando isso nos faz doer, muito.

As lágrimas não nascem nos olhos, mas na alma.

O amor desarma-nos e expõe-nos ao supremo risco de nos perdermos… Apesar de tudo, nunca ninguém foi feliz longe do amor.

Há quem não chore, finja sorrisos e, com isso, mascare a sua infelicidade, afastando os outros de si.

Talvez só os felizes chorem.

Muitos dos que choram ainda não são felizes, mas, com fé, esperança e amor, também chegará o seu tempo. Depois, continuarão a chorar, mas nunca mais deixarão de ser felizes.


José Luís Nunes Martins

terça-feira, 3 de novembro de 2026

Que santidade é esta?



Que coisa é esta de que se fala de cima do altar, mas que se vive nas nossas casas?

Não é fácil, mas confesso que desde pequena fui fascinada pela santidade que considero ser o mais próximo da perfeição. Mas hoje, parece que nos afastamos tanto da santidade. Que raio!

O discurso do ódio parece normalizado. O insulto como algo banal.

Parece que nos fascinamos por discursos em que se ofende desde "burros, estúpidos, ladrões"...e um sei lá de impropérios que envergonham qualquer santo.

As pessoas aplaudem como se estivessem a ver um espetáculo de comédia.

As pessoas assistem como se fosse um circo romano em que a palavra é como Leão que mata.

E sabem o que mais me incomoda?

Não é quem as vocifera, mas quem se acomoda, quem se cala ou pior, quem adora. Pessoas com responsabilidade política, e não só, insultam sem qualquer pudor. E quando são confrontados, viram o prego e acusam os outros de lhes tirar" liberdade de expressão ".

Não acham estranho como as regras mudam dependendo do lado em que estamos. E sabem, lamento profundamente ouvir isto de quem se sente dono de religião, crente, e com Deus do seu lado. Lamento ouvir o nome de Deus como fundamento a qualquer ato de ódio. Sim, ódio porque se alimenta da agressividade para justificar a maldade.

Vejo gente com enorme responsabilidade, palco e tempo de antena a semear o mal, mas a sentirem se os únicos donos e defensores do bem.

Hoje, podíamos todos parar um pouco, longe de ideologias, crenças e valores políticos e pensar o que é realmente ser Santo. O Papa Francisco é exímio nas palavras sobre esse tema, mas nós somos os responsáveis por colocá- las em prática.

Sejamos Santos, ou pelo menos morremos a tentar.

E tu amiga, como fazes o teu caminho para a santidade?


Raquel Rodrigues