segunda-feira, 22 de junho de 2026

O medo lixa-nos a vida...

 


O medo lixa-nos a vida...

O medo envenena a nossa vida, o medo enche-nos de ansiedade
e impede-nos de termos alegria, acreditar e crescer. O medo lixa-nos a vida.
Jesus volta a fazer-nos um convite: “Não tenhais medo”.
Previne cada um de nós para três medos:
O medo de sermos julgados pelos outros,
pelo que pensamos e naquilo em que acreditamos.
Estamos sempre ligados, entregamo-nos ao tribunal dos outros, nas redes sociais todos julgam todos. O fantástico mundo da liberdade tornou-se o mundo que nos escraviza.
O segundo medo é daqueles que matam o corpo.
A obsessão pelo corpo perfeito vira doença!
Não basta investir apenas no corpo - ginástica, cremes, cabeleireiros, SPAs.
Somos mais que um corpo...Somos um mundo, um universo e uma história.
É preciso cuidar da alma para entender o sentido da vida.
O terceiro medo é o de não ser digno.
De não ser amado, de errar, de ser inútil, supérfluo...
O nosso Deus é capaz de conhecer os passarinhos, de amá-los, de cuidar deles. Eu valho mais do que muitos passarinhos, diz Jesus. Nós somos importante para Ele.
«É sabendo que Deus me ama, que posso mudar, crescer e ser amável»
Deus não quer que nos destruamos.
Ele sabe que as sombras do medo envelhecem-nos o coração.
O medo paralisa, rouba o melhor da vida.
O medo lixa-nos a vida...

Padre João Torres

“Não tenhais medo dos homens…”


“Não tenhais medo dos homens…”
Jesus Cristo segundo S. Mateus no Capítulo 10, Versículo 26


O que move a nossa vida é esta certeza que nos habita:

EU SOU PECADO, MAS ACREDITO NUM DEUS QUE ME SALVA A CADA DIA.

Podemos gritar aos quatro cantos deste mundo redondo:

Deus escuta-nos sempre!

Não há local escondido aos olhos de Deus!

Não há ar que Deus não respire com cada um de nós!

Não há criação que Deus não tenha sonhado, cuidado, semeado!

Não há alegria, não há justiça, não há perdão que não saia do coração do Pai.

Somos força! Somos Criação Divina! Somos Vida!


Viver ao sabor de Deus e encontrá-Lo em cada ser humano,

ilumina o nosso dia a dia.

Afasta do nosso coração o engano e a mentira.


É urgente que a nossa Alma se entregue por inteiro à verdade e ao Amor de Deus.

É essa condição que faz toda a diferença na nossa vida.


Vivo, porque Deus assim O quer.

Vivo, como Deus quer.

Vivo, onde Deus me envia.


Que voltem para as nossas bocas as frases:

“Até amanhã, se Deus quiser!”

“Se Deus quiser, fico melhor!”

“Onde Deus está, nada falta!”

“Quem vive com Deus, Deus ajuda!”


Hoje, façamos um pedido ao nosso Deus, ao nosso Pai:

Senhor, que eu confie em Ti, como o frágil passarinho, sempre.


Liliana Dinis

domingo, 21 de junho de 2026

Encerramento da catequese

 Hoje a Paróquia de Arronches, reuniu-se com o coração cheio de alegria e gratidão para celebrar a missa de encerramento do ano  da catequese. Ao longo do ano vimos a caminhada de fé, partilhamos a Palavra de Deus e crescemos como comunidade.

Este foi  momento de agradecer ao Senhor por todos os que participaram, pelas amizades fortalecidas nesta caminhada de fé.

Esta Eucaristia teve também um significado muito especial para todos. Hoje despedimo-nos de uma catequista. Foram anos de dedicação, amor incondicional e muita paciência. Muito obrigado pelo seu sim, D. Júlia.

A Eucaristia foi animada  pelo coro da igreja e algumas catequizantes participaram nas leituras e ofertório.

Após a Comunhão foram entregues os Diplomas da Avé Maria ao 1º ano, a Bíblia ao 4º ano e a Proclamação das Bem-Aventuranças ao 7º ano.

Após a Acção de Graças, foram entregues os  Diplomas do Credo ao 5º  ano e o Compromisso ao 9º ano.

FÉRIAS DA CATEQUESE SIM! 

MAS FÉRIAS DE JESUS NUNCA!!




























Não temais

 

https://www.youtube.com/watch?
v=GJcNE9yPQVw&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=160

As leituras deste domingo põem em relevo a dificuldade em viver como discípulo, dando testemunho do projecto de Deus no mundo. Sugerem que a perseguição está sempre no horizonte do discípulo... Mas garantem também que a solicitude e o amor de Deus não abandonam o discípulo que dá testemunho da salvação.

A primeira leitura apresenta-nos o exemplo de um profeta do Antigo Testamento - Jeremias. É o paradigma do profeta sofredor, que experimenta a perseguição, a solidão, o abandono por causa da Palavra; no entanto, não deixa de confiar em Deus e de anunciar - com coerência e fidelidade - as propostas de Deus para os homens.
No baptismo, fomos ungidos como "profetas", à imagem de Cristo. Estamos conscientes dessa vocação a que Deus, a todos, nos convocou? Temos a noção de que somos a "boca" através da qual a Palavra de Deus ressoa no mundo e Se dirige aos homens?

No Evangelho, é o próprio Jesus que, ao enviar os discípulos, os avisa para a inevitabilidade das perseguições e das incompreensões; mas acrescenta: "não temais". Jesus garante aos seus a presença contínua, a solicitude e o amor de Deus, ao longo de toda a sua caminhada pelo mundo.
A Palavra de Deus que nos foi hoje proposta convida-nos também a fazer a descoberta desse Deus que tem um coração cheio de ternura, de bondade, de solicitude. Se nos entregarmos confiadamente nas mãos desse Deus, que é um pai que nos dá confiança e protecção e é uma mãe que nos dá amor e que nos pega ao colo quando temos dificuldade em caminhar, não teremos qualquer receio de enfrentar os homens.

Na segunda leitura, Paulo demonstra aos cristãos de Roma como a fidelidade aos projectos de Deus gera vida e como uma vida organizada numa dinâmica de egoísmo e de auto-suficiência gera morte.
Alguns acontecimentos que marcam o nosso tempo confirmam que uma história construída à margem de Deus e das suas propostas é uma história marcada pelo egoísmo, pela injustiça e, portanto, é uma história de sofrimento e de morte. Quando o homem deixa de dar ouvidos a Deus, dá ouvidos ao lucro fácil, destrói a natureza, explora os outros homens, torna-se injusto e prepotente, sacrifica em proveito próprio a vida dos seus irmãos. Qual o nosso papel de crentes neste processo? O que podemos fazer para que Deus volte a estar no centro da história e as suas propostas sejam acolhidas?


https://www.dehonianos.org/liturgia/?mc_id=5786

sábado, 20 de junho de 2026

La Moreneta de Montserrat

 


Um pequeno apontamento da visita de Leão XIV a Espanha.

Cinquenta quilómetros separam Barcelona de Montserrat. O Papa subiu à montanha onde se encontra a abadia que guarda La Moreneta, padroeira da Catalunha. A Senhora Negra, que segundo a lenda foi encontrada numa gruta por algumas crianças, é uma estátua românica da Virgem Maria esculpida em madeira, que fica no alto de uma montanha rochosa. Pelo tom escuro que a madeira adquiriu ao longo dos séculos devido ao fumo das velas e ao verniz, os fiéis começaram a chamá-la carinhosamente em catalão de La Moreneta, ou A Morenita, em português. Atrai peregrinos de todo o mundo há mais de um milénio.

Na visita à basílica, Leão XIV explicou que a escolheu «para lhe confiar, cheio de fé na sua intercessão materna, o meu ministério petrino e a missão da Igreja no mundo que clama por justiça e paz». E também para lhe implorar que «nos ajude a revestir-nos unicamente com a armadura de Deus».

Não é por acaso que recorda a conversão de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, «que neste lugar evocativo, após uma noite de oração diante da Virgem, entregou a sua armadura de cavaleiro, momento que marcou o início de uma nova vida ao serviço de Cristo».

Em 1521, quando ainda era conhecido pelo seu nome de batismo, Íñigo, sofreu um grave ferimento de bala de canhão numa perna durante a defesa de Pamplona. Durante a sua longa e dolorosa recuperação, leu livros religiosos que despertaram o desejo de imitar os santos e seguir uma vida espiritual. Assim que recuperou forças para caminhar, Inácio decidiu fazer uma peregrinação. O seu primeiro grande destino espiritual foi o Santuário de Montserrat, em março de 1522.

A passagem de Inácio de Loyola pelo santuário da Morenita ficou marcada por três gestos carregados de simbolismo cavaleiresco e desapego material. A Confissão Geral: Inácio passou três dias a preparar-se e a escrever os seus pecados, fazendo uma longa e profunda confissão com um dos monges do mosteiro para purificar o passado. A Troca de Roupas: Ele tirou as suas vestes nobres de fidalgo e cortesão e deu-as a um homem pobre. Em substituição, vestiu uma túnica austera feita de pano de saco, o traje típico dos peregrinos humildes. A Vigília d’Armas: Como antigo cavaleiro, Inácio adotou a tradição militar da "vigília d’armas". Ele passou toda a noite de 24 de março de 1522 de pé ou de joelhos diante da imagem da Morenita. No altar da Virgem, ele pendurou e abandonou a sua espada e o seu punhal.

O significado espiritual deste ato diante da Morenita representou a sua demissão do exército terreno e o alistamento no que ele considerava o exército de Cristo. A espada, que antes servia para procurar a fama e a honra humana, foi entregue à Virgem Maria.

Leão XIV sublinhou a importância deste gesto: «Maria conduz-nos a Cristo e ensina-nos a escutar a sua voz», mas também «convida-nos a alcançar um coração reconciliado com os critérios do Evangelho». Porque «Jesus mostra-nos o caminho da misericórdia, da reconciliação, da verdade e da mansidão. Ao mesmo tempo, desmascara a violência que pode estar escondida nas nossas palavras e atitudes: a crítica que humilha, a condenação que destrói e a agressão que divide. Esta violência oculta pode muitas vezes estar revestida de uma aparente armadura com que procuramos proteger as nossas feridas, os nossos medos ou o sofrimento causado pela injustiça». Por isso, o Papa pede-nos que, tal como Inácio, depositemos «aos seus pés a armadura que gradualmente endureceu os nossos corações».

O exemplo de Santo Inácio é muito importante para todos nós, cristãos, peregrinos em busca do sentido da vida, em busca do Senhor. Em Montserrat, depôs as suas armas materiais. Hoje, nós, cristãos, e toda a humanidade somos chamados a depor as armas da guerra, certamente, mas também aquelas armas afiadas como espadas, que são as palavras que causam dano, que criam divisão e ódio entre pessoas e povos. E é dos cristãos que deve vir, hoje mais do que nunca, uma palavra de paz, para que a humanidade aprenda a desarmar não só as palavras, mas também as atitudes e viver uma cultura de encontro que proteja cada ser humano.


Paulo Victória,

Olha à tua volta

 



Olha à tua volta.

Deixa-te serenar. Silenciar o ruído, por dentro e por fora. Para respirares, para sentires, para veres com o coração.

E olha bem à tua volta.

Ainda existe beleza... No abraço que é porto de abrigo, na mão que ampara, no sorriso do coração.

Ainda existe beleza... No olhar que abraça a alma, na ternura que cura, no colo que tudo acalma.

Ainda existe beleza... Na palavra que conforta, no silêncio que compreende (e que tanto fala), no riso que contagia.

Ainda existe beleza... Na companhia que faz tudo melhorar, no gesto que faz sorrir, nas pessoas que te querem bem.

Ainda existe beleza... Nos momentos que tocam (para sempre) o coração, na delicadeza das coisas simples, no amor que salva.

Olha à tua volta.

Ainda existe beleza... Mesmo que existam os dias cinzentos, as noites escuras, as tempestades.

Ainda existe beleza... Enquanto o amor ainda morar aqui.

E em ti... que ainda és vida que cuida, bondade que abraça, esperança que não se apaga.

Olha à tua volta.

Vês?

Daniela Barreira

sexta-feira, 19 de junho de 2026

ACHADO POLICIAL DE VALOR INCALCULÁVEL!...


Nas minhas escavações arqueológicas, momentos houve em que pulei ao jeito de Arquimedes no zénite do seu achado, mas com uma grande diferença. Ele descobriu o ‘Princípio do Empuxo’ e logo correu a gritar: “Eureka!”. Eu descobri um recorte do ‘Diário Popular’ e logo vociferei uma jaculatória minhota! É... são sortes!
Arquimedes, com a sua descoberta, denunciou a falcatrua do ourives e sossegou Hierão II, rei tirano de Siracusa, que entendeu que a sua cabecinha de rei bem merecia uma coroa de ouro puro sem prata à mistura. Eu, com o meu achado amarelecido pelo tempo, redescobri que o nosso rei, avesso a coroas doiradas, preferia a devota prece dos seus pides sem pregações à mistura.
Arquimedes percebeu que, ao entrar na banheira, o volume de água que transbordava correspondia ao volume exato do seu corpo. Ora, sendo a prata mais leve que o ouro, uma coroa de ouro com prata à mistura, teria maior volume que uma coroa de ouro puro com o mesmo peso. Assim, a tramoia do ourives ficaria descoberta e o rei sossegado. Eu, porém, logo apliquei o princípio: quando os pides entravam numa igreja, a piedade não transbordava porque a sua devoção não tinha qualquer peso, o rei continuava enganado pelas aldrabices dos seus ‘ourives’, o pio parenético lá dentro da igreja, mesmo que gravado, até esse seria deturpado pelos preconceituosos bufos, mirones e testemunhas. Mas, vamos ao que importa antes que anoiteça e o leitor adormeça ou perca a paciência.
Dirigida “aos senhores diretores de serviços, chefes das delegações, subdelegações e postos de vigilância na metrópole”, com data de 21 de março de 1973, o major Silva Pais, diretor da Pide/DGS, teve a gentil bondade de fazer correr a seguinte circular:
“Como é do conhecimento dos Serviços, são já de certo modo numerosos os sacerdotes que, em ato de culto, atacam declaradamente as instituições e a política ultramarina do Governo – direi da própria Nação – e os seus princípios morais. Trata-se de uma ação subversiva que a lei penal prevê iniludivelmente. Muitas das prédicas de que nos chega conhecimento enquadram-se claramente nas disposições daquela legislação. Há que enfrentar esta atividade delituosa, decididamente. Assim, as homilias dos padres conhecidos nas áreas por tais atividades, devem ser seguidas atentamente, de modo a colherem-se elementos para a devida participação inicial, com indicação de testemunhas, para consequente decisão. Aos domingos, há que fazer assistir à missa habitual pelo menos três agentes, que tomarão boa nota no caso de o sacerdote entrar em afirmações de carácter delituoso. O funcionário mais graduado ou antigo fará depois a devida participação, o que tudo será exposto aos Serviços Centrais (caso das delegações, subdelegações e postos de vigilância). Promover também, sendo possível, a gravação das homilias, sem que isso dispense a simultânea prova testemunhal. O que se torna imperioso é que os serviços se habilitem com os elementos indispensáveis para se promover a devida ação penal, se assim for entendido. O que não pode é assistir-se passivamente, com simples protestos verbais, à ação dissolvente e subversiva conduzida por esses sacerdotes”.
Oram vejam lá se esta coisa não é mesmo de valor incalculável! Incalculável também era a expressão dum cicerone do museu da catedral de Braga - já muito idoso ao nosso olhar de rapazes, mas talvez muito mais novo do que esses rapazes hoje são -, que, desaferrolhando aquelas portas com aquelas chaves de grande medida e peso, nos ia guiando por salas adentro. O refrão era sempre o mesmo sobre tudo e cada coisa: ‘de valor incalculável, de valor incalculável...”. Não sei se o fazia por estar cansado de explicar sempre o mesmo, se por entender que os rapazes eram demasiado traquinas para entender qualquer douta explicação, se era mesmo por, para ele, a explicação menos maçadora e mais valiosa era mesmo essa em jeito de refrão: ‘de valor incalculável, de valor incalculável...’.
Coisa também admirável é o que nos diz, esta semana, uma conceituada revista semanal: um dos seus jornalistas “foi a sete missas diferentes. E quis ir a mais uma”. Se, por um lado, me fez lembrar aqueles que pertencem a nove confrarias e não descansam enquanto não pertencem a mais alguma sem estar em nenhuma, por outro lado, embora o seu artigo resulte também de conversa com pessoas pertencentes a esses movimentos que alcunha de ‘mais conservadores’, o seu zelo de ir a sete missas e de ter sido barrado de ir a mais uma, mesmo que o não seja, dá ares de muito pidesco.
Mas também, caro leitor, quero contar-lhe outra coisa de valor incalculável. Essa sim, é mesmo mesmo de valor incalculável! Numa das paróquias do Arciprestado de Castelo Branco, o Pároco, e também eu algumas vezes, celebrámos com a presença de dois GNRs plantados mesmo ali ao lado do altar. Acho que ainda hoje isso acontece. Perante essa ‘estranha’ presença, o leitor ficará incrédulo e com ares de certa revolta me perguntará: ‘mas, porquê?’. É que ambos tocavam, cantavam e rezavam no Grupo Coral. Ó gente boa e afinada, feliz e colaboradora: um abraço!

D. Antonino Dias
Caminha, 19-06-2026.