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Qual o projeto de Deus para nós? Qual é a meta final da nossa existência, o nosso horizonte último? Para onde é que Deus nos está a conduzir? As leituras que a liturgia do 28º Domingo do Tempo Comum nos oferece recorrem à imagem de um “banquete” para descrever esse mundo de amor, de alegria, de felicidade e de vida sem fim que Deus quer oferecer a todos os seus filhos. “O banquete está preparado; vinde sentar-vos comigo à mesa” – diz-nos Deus.
Na primeira leitura, o profeta Isaías anuncia uma festa esplêndida que, um dia, Deus vai oferecer a todos os seus filhos, sem exceção. Homens e mulheres de todas as raças formarão uma única família, reunida à mesa de Deus, numa fraternidade sem sombras nem fraturas. Sobre a mesa familiar estarão “manjares suculentos”, “comida de boa gordura”, “vinhos deliciosos e puríssimos”, vida bela e abundante. Será o início de uma nova era de paz e de felicidade, de um tempo em que a humanidade estará livre de tudo aquilo que a fere e a faz sofrer. O poema em que Isaías canta estas coisas eternas é um dos mais belos cânticos de esperança que a humanidade já escutou.
No primeiro instante da nossa existência, Deus fez-nos chegar o seu convite para nos sentarmos à Sua mesa, à mesa desse “banquete” fraterno que Ele preparou para “todos os povos”. No dia do nosso batismo nós aceitamos o convite de Deus e dispusemo-nos a integrar a família de Deus. Assumimos um compromisso com Deus, decidimos dizer “não” ao egoísmo e à autossuficiência, dispusemo-nos a abraçar os valores de Deus. Juntamente com todos os outros homens e mulheres que aceitaram o convite de Deus para se sentarem à mesa do “banquete”, comprometemo-nos a construir, já aqui, uma nova terra de justiça, de solidariedade, de partilha, de amor. A nossa vida tem sido coerente com essa opção?
No Evangelho Jesus compara o reino de Deus a uma festa que um rei preparou para celebrar o casamento do seu filho. Houve convidados que se recusaram a comparecer; mas a festa não foi cancelada: o rei abriu as portas da sala do banquete a todo o tipo de pessoas – gente “improvável”, encontrada nas “encruzilhadas dos caminhos” – que tiveram a oportunidade de se sentar à mesa do rei e de participar numa festa inolvidável. No banquete do reino de Deus haverá lugar para todos os homens e mulheres que estiverem dispostos a acolher o convite de Deus.
Para onde caminhamos? Qual o projeto de Deus para nós? Qual é a meta final da nossa existência? A nossa vida resumir-se-á a aproveitar uns breves instantes de felicidade, antes que a morte ponha fim a essa experiência efémera que é a nossa caminhada pela terra? Jesus conhecia bem Deus e estava seguro de que Ele tem um projeto magnífico para os seus filhos. Para nos descrever o projeto que Deus tem para nós, Jesus utiliza uma imagem que fazia sonhar os seus contemporâneos: a de uma festa de casamento. Segundo Jesus, Deus quer reunir todos os seus filhos numa festa eterna, que será como um grandioso banquete nupcial; aí, como em qualquer festa de casamento, haverá alegria transbordante, comida abundante para saciar a nossa fome, vinhos finíssimos para alegrar o nosso coração, fraternidade sem fronteiras, experiência plena de amor, de comunhão, de encontro. O que é que pensamos disto? Trata-se de um “programa” capaz de nos entusiasmar? Vemo-nos a aceitar o convite de Deus para participar nesta festa?
Na segunda leitura, o apóstolo Paulo apresenta-nos um exemplo concreto de uma comunidade que aceitou o convite do Senhor e vive animada pelo dinamismo do reino de Deus: a comunidade cristã de Filipos. É uma comunidade generosa e solidária, verdadeiramente empenhada na vivência do amor e em dar testemunho do Evangelho diante de todos os homens.
Com o seu generoso gesto em favor de Paulo, prisioneiro por causa do Evangelho, a comunidade cristã de Filipos deixa-nos o exemplo de uma comunidade que se mantém atenta às necessidades das pessoas, que está aberta à partilha e ao dom, que cuida dos seus membros quando estão em situação de fragilidade, que pratica a caridade… O testemunho que os filipenses dão ao mundo é o testemunho de quem acredita no Evangelho, de quem está comprometido com os valores do reino de Deus. Como são as nossas comunidades cristãs? São comunidades que testemunham os valores do reino de Deus? São comunidades atentas às necessidades dos mais frágeis e carentes? São comunidades que cuidam daqueles que a vida feriu e que arrastam cruzes impossíveis de carregar sozinho? São comunidades disponíveis para partilhar os bens? São comunidades “com coração”, onde se pode fazer a experiência da bondade, da misericórdia, da compaixão de Deus por todos os seus filhos?












