sexta-feira, 27 de março de 2026

IMAGEM MARCANTE!... HISTÓRICA!... INESQUECÍVEL! ...



Março de 2020, dia 27, sexta-feira!
 Dia chuvoso aquele, dramático e triste! Ao entardecer, numa Praça habituada a multidões diárias, mas totalmente vazia, Francisco, sozinho, em direto para todo o mundo, sobe vagarosamente aquela praça sob o olhar atento e meigo de crentes e não crentes. Foi um momento solene e comovente, para, qual rocha firme em papel de Pedro, como interlocutor da solidariedade humana e da esperança no Senhor da vida, abraçar a Humanidade sofrida e fazer da Palavra de Deus e da oração um gesto extraordinariamente solidário, espiritualmente unificador, pedindo ao Senhor a bonança no meio daquela tempestade pandémica.
Como ele afirmou, “Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo dum silêncio ensurdecedor e um vazio desolador, que paralisa tudo à sua passagem: pressente-se no ar, nota-se nos gestos, dizem-no os olhares. Revemo-nos temerosos e perdidos. À semelhança dos discípulos do Evangelho, fomos surpreendidos por uma tempestade inesperada e furibunda. Demo-nos conta de estar no mesmo barco, todos frágeis e desorientados mas ao mesmo tempo importantes e necessários: todos chamados a remar juntos, todos carecidos de mútuo encorajamento. E, neste barco, estamos todos. Tal como os discípulos que, falando a uma só voz, dizem angustiados “vamos perecer”. E o Papa reconhecia que no meio de toda esta história, muitos companheiros de viagem, muitas pessoas habitualmente esquecidas, escreveram “os acontecimentos decisivos da nossa história: médicos, enfermeiros e enfermeiras, trabalhadores dos supermercados, pessoal da limpeza, curadores, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos - mas muitos - outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho. Perante o sofrimento, onde se mede o verdadeiro desenvolvimento dos nossos povos, descobrimos e experimentamos a oração sacerdotal de Jesus: «Que todos sejam um só» (Jo 17, 21). Quantas pessoas dia a dia exercitam a paciência e infundem esperança, tendo a peito não semear pânico, mas corresponsabilidade! Quantos pais, mães, avôs e avós, professores mostram às nossas crianças, com pequenos gestos do dia a dia, como enfrentar e atravessar uma crise, readaptando hábitos, levantando o olhar e estimulando a oração! Quantas pessoas rezam, se imolam e intercedem pelo bem de todos! A oração e o serviço silencioso: são as nossas armas vencedoras”.
Francisco baseara a sua reflexão em Mc 4, 35-41, quando os discípulos, aflitos no meio duma tempestade no mar da Galileia, acordam Jesus que dormia sossegado na proa do barco e lhes disse: “Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?”. A pandemia, tal como esta “tempestade – dizia Francisco - desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades. Mostra-nos como deixamos adormecido e abandonado aquilo que nutre, sustenta e dá força à nossa vida e à nossa comunidade. A tempestade põe a descoberto todos os propósitos de ‘empacotar’ e esquecer o que alimentou a alma dos nossos povos; todas as tentativas de anestesiar com hábitos aparentemente ‘salvadores’, incapazes de fazer apelo às nossas raízes e evocar a memória dos nossos idosos, privando-nos assim da imunidade necessária para enfrentar as adversidades. Com a tempestade, caiu a maquilhagem dos estereótipos com que mascaramos o nosso ‘eu’ sempre preocupado com a própria imagem; e ficou a descoberto, uma vez mais, aquela (abençoada) pertença comum a que não nos podemos subtrair: a pertença como irmãos”.
“Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?”. Francisco afirmava que esta palavra de Jesus “atinge e toca-nos a todos. Neste nosso mundo, que Tu amas mais do que nós, avançamos a toda velocidade, sentindo-nos em tudo fortes e capazes. Na nossa avidez de lucro, deixamo-nos absorver pelas coisas e transtornar pela pressa. Não nos detivemos perante os teus apelos, não despertamos face a guerras e injustiças planetárias, não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo. Avançamos, destemidos, pensando que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente. Agora, nós, sentindo-nos em mar agitado, imploramos-Te: “Acorda, Senhor!”. Nesta Quaresma, dizia o Papa, ressoa este apelo urgente: “Convertei-vos…”. Um apelo sempre atual: é “o tempo de decidir o que conta e o que passa, de separar o que é necessário daquilo que não o é. É o tempo de reajustar a rota da vida rumo a Ti, Senhor, e aos outros (...) Não somos autossuficientes, sozinhos afundamo-nos: precisamos do Senhor como os antigos navegadores, das estrelas. Convidemos Jesus a subir para o barco da nossa vida. Confiemos-Lhe os nossos medos, para que Ele os vença. Com Ele a bordo, experimentaremos – como os discípulos – que não há naufrágio. Porque esta é a força de Deus: fazer resultar em bem tudo o que nos acontece, mesmo as coisas ruins. Ele serena as nossas tempestades, porque, com Deus, a vida não morre jamais”.

D. Antonino Dias
Caminha, 27-03-2026.

Papa visita Mónaco com apelos à paz e à ecologia

Leão XIV vai realizar primeira viagem internacional na Europa



Cidade do Vaticano, 25 mar 2026 (Ecclesia) – A Santa Sé apresentou hoje o programa da viagem de Leão XIV ao Principado de Mónaco, agendada para 28 de março, destacando temas como a paz, a defesa da vida e a ecologia.

“[O Mónaco é um] país de dimensões reduzidas, mas com um grande horizonte, no qual o Pontífice poderá oferecer uma primeira reflexão sobre o seu papel na Europa”, disse aos jornalistas o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni,

A deslocação, na véspera da Semana Santa, é a primeira de um Papa na era contemporânea ao Mónaco, segundo Estado mais pequeno do mundo, a seguir ao Vaticano.

Matteo Bruni destacou, em conferência de imprensa, que a viagem acontece numa “época de polarização social, em que muitas vezes as vidas são negligenciadas e se nota a necessidade de recompor as fraturas”.

O portal de notícias de Vaticano destaca a existência de imigrantes de 150 países, no Principado, com destaque para a comunidade portuguesa.

O programa oficial arranca às 09h00, com a chegada ao heliporto de Mónaco, onde Leão XIV será recebido pelo Príncipe Alberto II e pela Princesa Charlene, seguindo-se uma visita de cortesia ao Palácio do Príncipe.

Após uma passagem pela Catedral da Imaculada Conceição para um momento de oração com a comunidade católica local, o Papa desloca-se à igreja de Santa Devota para um encontro com jovens e catecúmenos, onde ouvirá testemunhos dos participantes.

O ponto alto desta viagem internacional acontece a partir das 15h30 (menos uma em Lisboa), com a celebração da missa no estádio Louis II, sob a presidência do Papa, perante cerca de 15 mil fiéis.

Todos os discursos da visita serão proferidos em língua francesa, adiantou o Vaticano, explicando que esta deslocação “relâmpago” foi encaixada na agenda antes da viagem apostólica a África, prevista para o mês de abril.

O Mónaco é um dos últimos países europeus a manter o catolicismo como religião de Estado; a Constituição de 1962 garante liberdade de culto aos residentes.

A primeira viagem internacional de Leão XIV levou-o à Turquia e ao Líbano, entre 27 de novembro e 2 de dezembro de 2025.

OC

quinta-feira, 26 de março de 2026

Chorar é amar com os olhos




A morte é o maior inimigo do homem, o mais temível. Ela é a montra maior da nossa fragilidade.

Para o homem contemporâneo, a morte é um tabu: não só temos medo de falar sobre ela, como também lutamos para a esconder. Por exemplo: uma criança ver o cadáver de um amigo ou familiar, pode ficar traumatizada. Ou, o medo irracional de manter o corpo em casa antes do funeral... Escondemos o luto…

No entanto, os cristãos recebem o dom de encarar a morte com esperança! A luz da fé deve iluminar o olhar e ajudar a enfrentar este acontecimento com confiança, na certeza de que a vida não é tirada, mas sim transformada. É verdade que ninguém quer morrer. O crente, porém, pode reconciliar-se com a morte ao ponto de a chamar "irmã", como Francisco de Assis.

A fé em Jesus, morto e ressuscitado, é o fundamento deste dom: o Filho de Deus, com a sua paixão, morte e ressurreição, venceu-a. «Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo!». (1 Coríntios 15. 54-57)

Vista na perspetiva da Páscoa, a morte deixa de nos aterrorizar, revelando-se como uma porta que se abre para uma vida plena e abundante.

Ouvimos no Evangelho deste domingo: «Eu sou a ressurreição e a vida». Observemos a ordem das palavras. A ressurreição vem em primeiro lugar, não a vida. Para Jesus, a libertação vem em primeiro lugar, e depois a vida autêntica.

Viver é o resultado de muitas ressurreições: do medo, do desespero, da violência, da solidão. A ressurreição é uma questão do agora, deste momento! Erguer-se de vidas tranquilas e medíocres, de vidas sem sonhos.

Quantos amigos rodeiam Lázaro, quantas lágrimas! Marta e Maria choram, os judeus, e até Jesus. Este, demonstrando a humanidade de Deus. Admirados, dizem todos os presentes: "Vejam como Ele o amava". Chorar é amar com os olhos. Lázaro ressuscita não pelo poder de um Deus, mas pelo amor de um amigo.

Invejo Lázaro, não porque regressa à vida uma segunda vez, mas porque vive num mundo cheio de amigos.

O "problema da morte" é a oportunidade de meditar sobre o sentido último da nossa existência, ela ajuda-nos a viver melhor o presente.

«O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não imaginou, são as coisas que Deus tem preparado para aqueles que o amam». (1 Coríntios 2. 9)


Paulo Victória

quarta-feira, 25 de março de 2026

Papa apela a superação de dinâmicas marcadas por violência, consumo e superficialidade

Leão XIV sublinha proximidade da Semana Santa, apontando a fé na Ressurreição como resposta à dispersão contemporânea




Vaticano, 22 mar 2026 (Ecclesia) – Leão XIV alertou hoje no Vaticano para a necessidade de superar dinâmicas de violência, consumo e superficialidade, apontando à próxima celebração da Semana Santa.

“A narrativa da ressurreição de Lázaro convida-nos a estar atentos a essa necessidade profunda e, com a força do Espírito Santo, a libertar os nossos corações de hábitos, condicionamentos e formas de pensar que, como grandes pedras, nos aprisionam nos sepulcros do egoísmo, do materialismo, da violência e da superficialidade”, disse o Papa, desde a janela do apartamento pontifício, antes da recitação do ângelus.

Perante milhares de pessoas na Praça de São Pedro, o pontífice criticou a procura incessante por novidades, alertando para o sacrifício de valores fundamentais.

“Este mundo parece estar em constante busca de mudanças e novidades, mesmo que isso implique sacrificar coisas importantes – tempo, energias, valores, afetos –, como se a fama, os bens materiais, os divertimentos e as relações passageiras pudessem preencher o nosso coração ou tornar-nos imortais”, advertiu.

O Papa identificou esta desorientação atual como “sintoma de uma necessidade de infinito” que cada um traz em si, mas “cuja resposta não pode ser confiada ao que é efémero.”

A reflexão exortou os católicos a libertarem-se do egoísmo na preparação para a Semana Santa, apontando a fé na Ressurreição como resposta à dispersão contemporânea.

“A Liturgia convida-nos a reviver, na Semana Santa que se aproxima, os acontecimentos da Paixão do Senhor – a entrada em Jerusalém, a Última Ceia, o julgamento, a crucificação e o sepultamento – para compreender o seu sentido mais autêntico e abrir-nos ao dom da graça que eles encerram”, afirmou.

A intervenção dominical concluiu-se com um desafio à renovação interior.

“Também a nós Jesus ordena ‘vem cá para fora!’, encorajando-nos a sair, regenerados pela sua graça, desses espaços confinados, para caminharmos na luz do amor, como mulheres e homens novos, capazes de esperar e amar segundo o modelo da sua caridade infinita, sem cálculos e sem limites”, observou.

OC

terça-feira, 24 de março de 2026

A dor torna-nos mais sábios


Ninguém gosta de sofrer, de passar dificuldades e de provações. Ninguém gosta de contar o dinheiro ao fim do mês, de se sentir injustiçado e só. Ninguém gosta de perder quem ama, de viver em guerra e conflito constante. Ninguém…

Mas há algo no processo do sofrimento que nos transforma e atrevo-me a dizer: Torna-nos mais sábios!

Podemos achar que já vivemos muito e sentimos dores terríveis, mas sempre que a vida nos apresenta uma contrariedade somos novamente postos à prova. Reclamamos, questionamos Deus, zangamo-nos contra o mundo e contra os nossos mas, no fim acabamos por resistir e seguir caminho com uma resiliência ímpar.

Nesse processo, somos convidados, sem que às vezes tenhamos consciência disso, a olhar o mundo de uma maneira diferente. Olhamos para o que nos rodeia com novos olhos e nem sempre de amor. A raiva e a revolta podem toldar-nos a mente, mas no fim, se quisermos, o amor sobressai e manifesta-se através de nós. Podes estar num momento complicado, mas se vires alguém pior do que tu, és bem capaz de tirar a única camisola que te resta.

És capaz de reconhecer em ti sentimentos que outrora não tinhas sentido ou prestado a atenção. A dor pode endurecer o nosso coração, apenas para proteger temporariamente o que de precioso queremos guardar: a nossa dignidade.

No processo da dor, podes zangar-te com todos, e em especial contigo e questionar: Porque eu Senhor?!

Não é fácil olhar para o sofrimento como aprendizagem, mas é ele que nos permite reconhecer os nossos limites, forças e âncoras.

Conheço algumas pessoas que estão a passar o “inferno” na sua vida, mas que se recusam baixar os braços e querem assumir a sua dor sem pieguices mas como um exemplo de humanidade para os outros. Sim, quem sofre consegue sempre ver o bom onde para outros é rotina. Reconhece melhor do que ninguém os gestos de amor e empatia, agarra-se com unhas e dentes ao que os outros dão e são, nem que seja apenas uma mensagem ou um gesto de Luz.

Se pudesses afastar esse “cálice” de ti, sei que o farias, eu também, mas se tiveres que beber dele acredita que há algo a transformar-se e em ti e que será um exemplo para tantos.

Que a tua dor encontre o amparo e a capacidade de reconhecer que és mais sábia do que antes.

E tu amiga, o que tem aprendido com a dor?


Raquel Rodrigues

segunda-feira, 23 de março de 2026

O dia em que a morte morreu...

 


O dia em que a morte morreu...
A morte, na realidade, vence e engole a vida. Porém, aquilo que vence a morte é o amor. O motivo da ressurreição de Lázaro é o amor de Jesus, um amor até às lágrimas, até ao fim.
A rebelião de Jesus contra a morte passa por três níveis:
Removei a pedra. Fazei rolar os penedos que estão à entrada do coração, os escombros sob os quais vos sepultastes com as vossas próprias mãos; afastai os sentimentos de culpa, a incapacidade de vos perdoardes a vós mesmos e aos outros; afastai a memória amarga do mal recebido...
Lázaro, vem para fora! E di-lo a mim: vem para fora da gruta negra dos arrependimentos e das desilusões, dos olhares só para ti mesmo...
Libertem-no e deixem-no ir. Libertai-vos todos da ideia de que a morte é o fim de uma pessoa. Libertem-no de máscaras e medos. E depois: deixem-no ir, deem-lhe uma estrada, e amigos com quem caminhar, algumas lágrimas e esperança, para habitar...
Que sentido de futuro e de liberdade emana deste Jesus que sabe amar, chorar e gritar; que liberta e coloca caminhos no coração. E compreendo que Lázaro sou eu. Eu sou Aquele-que-Tu-amas, que nunca aceitarás ver acabar no nada da morte.


Padre João Torres

domingo, 22 de março de 2026

“Eu sou a ressurreição e a vida.

 

https://www.youtube.com/watch?v=7VtnQ_ICuGs&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=166



A quinta etapa do nosso caminho quaresmal, a Palavra de Deus continua a desafiar-nos à conversão, ao reencontro com Deus, à vida nova. Este é o tempo de desatar os nós que nos prendem à morte, de sair dos cantos sombrios do nosso comodismo e de abraçar aquela oferta irrecusável de vida que Deus insistentemente nos faz.

Na primeira leitura, através da voz profética de Ezequiel, Javé promete aos habitantes de Judá exilados numa terra estrangeira, desesperados e sem futuro, uma vida nova. “Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo” – diz-lhes Deus. O desígnio de Deus para os seus queridos filhos é e sempre será um desígnio de vida; por isso, Ele nunca deixará de vir ao encontro do seu povo e de o guiar, pela sua própria mão, até às fontes da vida eterna.
É Deus que vem em nosso auxílio para nos tirar dos “túmulos” onde estamos encerrados; é Deus que infunde em nós o seu Espírito, esse Espírito que nos transforma, que nos renova, que nos faz reviver… No entanto Deus, tantas e tantas vezes, vem ao nosso encontro através de pessoas – como Ezequiel – que nos oferecem, em gestos concretos, a bondade, a misericórdia, a vida e o amor de Deus. Deus age no mundo e na vida dos homens através dos seus enviados. Talvez Deus também conte connosco para sermos, junto dos nossos irmãos, testemunhas e sinais da sua bondade e do seu amor. Dispomo-nos a colaborar com Deus e a gastar algum do nosso tempo a “curar” os males que ferem os irmãos que caminham ao nosso lado?

O Evangelho oferece-nos – a partir da história de um amigo de Jesus chamado Lázaro – uma magnífica catequese sobre o projeto de vida que Deus tem para o homem. Diz-nos que Jesus veio ao nosso encontro, enviado por Deus, para nos oferecer uma vida que a morte nunca poderá vencer. Àqueles que manifestam interesse em acolher essa vida, Jesus garante-lhes: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá”. Chegamos à vida se ousarmos seguir atrás de Jesus, como discípulos.
Estamos a percorrer o “caminho quaresmal”, o caminho que nos leva em direção à Páscoa, à vida nova, à Ressurreição. É uma boa oportunidade para redescobrirmos o compromisso que assumimos no dia do nosso batismo e para redirecionarmos o sentido da nossa existência. Talvez as nossas mãos, os nossos pés, o nosso coração, estejam enfaixados por ligaduras que nos prendem na morte e que nos impedem de sair dos túmulos sujos em que nos deixamos encerrar pelo nosso egoísmo, pelo nosso comodismo, pelo nosso orgulho, pela nossa ambição, pela nossa autossuficiência… Talvez necessitemos de prestar atenção à voz de Jesus que nos chama (“Lázaro, sai para fora”) e que nos convida a começar uma vida nova, uma vida gloriosa e cheia de sentido. Quais são as “ataduras” que nos mantêm agarrados a uma vida de sombras e de escravidões? Nesta Páscoa, estamos dispostos a ressuscitar com Jesus e a passar com Ele da morte para a vida?

Na segunda leitura o apóstolo Paulo convida os cristãos de Roma – e os discípulos de Jesus de todos os tempos e lugares – a relembrarem o compromisso que assumiram no dia do seu batismo e a viverem sob o domínio “do Espírito”. Aqueles que escolheram Cristo e que vivem no Espírito, pertencem a Deus e integram a família de Deus. Estão destinados à vida eterna, à vida plena e verdadeira.
Nós, os que fomos batizados e que estamos contentes com essa opção, temos procurado viver de forma coerente a nossa vocação batismal e caminhamos “no Espírito”? Nós os que fomos batizados mas depois nos desleixamos e deixamos de dar importância ao seguimento de Jesus, não gostaríamos de renovar o nosso compromisso batismal, de retomar o nosso contacto com Jesus e de viver de forma coerente com a opção que fizemos quando fomos batizados? Nós os que desistimos de Jesus e optamos conscientemente por outros caminhos, não estaríamos interessados em redescobrir a beleza de “viver no Espírito”, de procurar um sentido e uma realização mais completa da nossa vida?


https://www.dehonianos.org/