terça-feira, 7 de julho de 2026

Controlar o temperamento

 


Controlar o temperamento

Uma das coisas que mais salta à vista, neste tempo pós-pandemia, é que as pessoas se tornaram mais agressivas na linguagem, com du(r)as pedras na mão; mais brutas no trato e com uma pedra no sapato.
Sentimos as pessoas mais tensas, mais agitadas e impacientes, mais arrogantes e violentas. Talvez pelo excesso de trabalho e de produção, pelo esgotamento, pela pressão constante em darmos mais, tornamo-nos hoje pessoas zangadas, aborrecidas, quezilentas, mal-humoradas. Mas se vivermos assim, acabaremos ainda mais cansados e exaustos.
Jesus está a atravessar um período de insucessos e problemas: João Batista é preso, Ele é contestado abertamente por representantes do templo, as povoações, após a primeira onda de entusiasmo e de milagres, afastaram-se.
E diante daquele ambiente de derrota, Jesus não se torna agressivo; pelo contrário, admira-se com a novidade; enche-se de alegria, sente-se feliz: «Pai, bendigo-Te, dou-Te graças, agradeço-Te, porque Te revelaste aos pequenos.»
O lugar vazio dos grandes preenchem-no os pequenos: sim, os pequeninos, os que nada podem fazer sozinhos, mas que sabem confiar, sabem que podem confiar e sabem em Quem confiar.
Jesus dirige-lhes, e a cada um de nós, um convite surpreendente:
«Vinde a Mim», «Tomai sobre vós o meu jugo» e «Aprendei de Mim».
Com Jesus aprendemos a controlar o nosso temperamento.
O controlo do nosso temperamento pode tornar-se um dos maiores desafios da nossa vida.


Padre João Torres

O poder de dizer NÃO!



Nem sempre sentimos que temos permissão para dizer que não. Que não nos apetece. Que não aceitamos. Que hoje não contam connosco. Que vamos preferir o nosso descanso e a nossa verdade ao invés de agradar e dizer um sim mentiroso.

Acreditamos que, para ser amados, temos de ficar bem vistos. De viver para agradar. Se o outro me valida, eu fico melhor. E mais feliz. Mas será mesmo assim? Será que quando digo que sim aos outros (e mesmo que isso implique dizer que não ao que eu própria quero) vou necessariamente a receber amor? E que amor é este que eu quero receber a todo o custo, e de qualquer um?

A verdade é que quando aceitamos tudo de todos e quando dizemos “sim” em esforço, e em detrimento de uma renúncia pessoal ou emocional, estamos a dizer que não à pessoa de quem melhor devemos cuidar. Se eu quero cuidar dos que estão comigo e dos que amo, mas não sei cuidar de mim e das minhas necessidades emocionais mais básicas, que mensagem vou passar aos meus filhos, aos meus netos, aos meus descendentes, ou aos que se cruzam comigo?

Que para ser aceite e amado, eu tenho de dizer sempre que sim aos outros, mesmo que isso implique uma negação profunda daquilo que eu próprio necessito (e quero!).

Parece-me urgente que saibamos aprender a dizer que não sem sentir culpa. Sem premeditar o que o outro pode ficar a julgar de mim ou do que fiz. Sem sentir que me devia colocar em último lugar, porque é isso que é esperado de mim. E de nós.

O que é esperado de nós, e o que beneficia tudo (e todos), é que eu viva de acordo com a minha verdade. Que eu rime as minhas atitudes e decisões com a minha própria voz. Com a minha vontade. Isso não significa que eu possa, sempre, fazer só o que bem me apetece. Mas tão pouco significa que eu só possa fazer o que quero quando suprir as necessidades de todos os outros. Isso não é bondade, altruísmo ou gentileza. É negligência de mim para mim.

Que saibamos valorizar quando as pessoas colocam os seus limites. Quando os clarificam. Quando dizem que não. Quando tomam decisões com base no que é benéfico para si.

E tu, já aprendeste a dizer que não?


Marta Arrais

segunda-feira, 6 de julho de 2026

A humildade é a verdade


«A humildade não é uma virtude, não é sequer uma qualidade.
A humildade é a verdade.»
José Luís Nunes

A humanidade feliz anseia viver na humildade.

O humilde respira a alegria.

O que se humilha não teme a mão de Deus,

sabe que o próprio Jesus veio montado num simples jumentinho.


Humildemente…

Com o Seu coração manso, O Cristo oferece-nos o Seu maior legado: O Santo Espírito.

É Aquele que fica connosco, que nos habita

e faz a carne, que apodrece e morre, ter ação…

O Espírito anima-nos e vamos ao encontro de quem tem uma grandeza passageira,

para levarmos Jesus a todos e todos a Jesus.


A nossa maior riqueza é conhecermos o Nosso Deus,

que usa um jugo suave, que nos alivia, nos ampara quando vacilamos

e nos levanta quando nos sentimos oprimidos.


É tempo de descanso…

Tempo de reencontro com os amigos e parar.

Jesus é quem nos convida a ir até Ele.

A parar de verdade e na verdade!

A bendizermos o Pai e a alegrarmo-nos com as coisas mais simples,

que na realidade são as mais belas e as mais puras.


Sejamos pequeninos e humildes…

Como as margaridas dos campos que nos abastecem o coração com Fé!

Como a areia que é banhada pelo mar e nos alimenta a Esperança!

Como as folhas do carvalho que nos providenciam a sombra fresca de uma Caridade fecunda.


 Liliana Dinis,

domingo, 5 de julho de 2026

Deus é amor

 

https://www.youtube.com/watch?v=4dX1rZFuJvA&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=158

A liturgia deste domingo ensina-nos onde encontrar Deus. Garante-nos que Deus não Se revela na arrogância, no orgulho, na prepotência, mas sim na simplicidade, na humildade, na pobreza, na pequenez.

A primeira leitura apresenta-nos um enviado de Deus que vem ao encontro dos homens na pobreza, na humildade, na simplicidade; e é dessa forma que elimina os instrumentos de guerra e de morte e instaura a paz definitiva.
A história da salvação mostrou, muitas vezes, que é através dos pequenos, dos humildes, dos pobres, dos insignificantes que Deus actua no mundo e o transforma. Deus está mais na viúva que lança no tesouro do Templo umas pobres moedas do que no capitalista que preenche um cheque chorudo para pagar os vitrais da nova igreja da paróquia; Deus está mais no gesto simples do pacifista que oferece uma flor a um soldado do que na violência daqueles que lutam de armas na mão contra os "maus"; Deus está mais no olhar límpido de uma criança do que na palavra poderosa de um pregador inflamado que "sabe tudo" sobre Deus... Já aprendi a descobrir esse Deus que se manifesta na humildade, na pobreza, na simplicidade?

No Evangelho, Jesus louva o Pai porque a proposta de salvação que Deus faz aos homens (e que foi rejeitada pelos "sábios e inteligentes") encontrou acolhimento no coração dos "pequeninos". Os "grandes", instalados no seu orgulho e auto-suficiência, não têm tempo nem disponibilidade para os desafios de Deus; mas os "pequenos", na sua pobreza e simplicidade, estão sempre disponíveis para acolher a novidade libertadora de Deus.
Como nos situamos face a Deus e à proposta que Ele nos apresenta em Jesus? Ficamos fechados no nosso comodismo e instalação, no nosso orgulho e auto-suficiência, sem vontade de arriscar e de pôr em causa as nossas seguranças, ou estamos abertos e atentos à novidade de Deus, a fim de perceber as suas propostas e seguir os seus caminhos?

Na segunda leitura, Paulo convida os crentes - comprometidos com Jesus desde o dia do Baptismo - a viverem "segundo o Espírito" e não "segundo a carne". A vida "segundo a carne" é a vida daqueles que se instalam no egoísmo, orgulho e auto-suficiência; a vida "segundo o Espírito" é a vida daqueles que aceitam acolher as propostas de Deus.
Paulo ensina que a vida "segundo a carne" gera morte; e que a vida "segundo o Espírito" gera vida. O que é viver "segundo a carne"? Olhando para o mundo e para a vida da Igreja, quais são os sintomas que eu noto da vida "segundo a carne"? O que é viver "segundo o Espírito"? Olhando para o mundo e para a vida da Igreja, quais são os sintomas que eu noto da vida "segundo o Espírito"? O cristão tem de viver "segundo o Espírito". É desse jeito que eu vivo? Estou aberto à acção renovadora e libertadora do Espírito que recebi no dia do meu Baptismo?



https://www.dehonianos.org

sábado, 4 de julho de 2026

A SOLIDÃO





Se reparares bem, boa parte dos nossos maiores erros que cometemos na vida não nascem da falta de caráter, mas do pavor da solidão. Aceitamos migalhas emocionais, relações falidas, toleramos faltas de respeito ou preenchemos a agenda com encontros vazios. Parece que desenvolvemos uma fobia que se está a tornar crónica: a fobia do silêncio, da solidão. Parece que ficar sozinho tornou-se sinónimo de abandono, quando na verdade deveria ser sinónimo de paz. Sabes, quem não suporta a própria companhia, geralmente foge do que está escondido dentro da própria mente… o medo de enfrentar os próprios vazios, traumas e as verdades que a correria do dia a dia consegue abafar. Procurar estar só, por vezes, é um acto de poder e maturidade emocional, porque o encontro connosco mesmos é tão vital como respirar. Quando a tua mente está em paz, sabes, ganhas uma liberdade de escolha fora de série. Deixas de te relacionar por necessidade, por carência ou para tapar buracos, e passas a relacionar-te por desejo e admiração real… no fundo abandonas a prostituiçao dos teus vazios. Quem se basta não aceita qualquer relacionamento. Se tu fores a tua melhor companhia, só vais querer do teu lado quem soma, quem acrescenta… não quem te diminui. Sabes, a solidão só assusta quem ainda não aprendeu a habitar consigo próprio.

Padre Ricardo Esteves

sexta-feira, 3 de julho de 2026

EU SEI PARA ONDE VOU

 


A vida desdobra-se num amálgama constante,
entre a certeza que se confirma
e a surpresa que desabrocha a cada amanhecer.
Ao contrário de tantos que caminham sem bússola,
trago em mim a clareza límpida do que quero e do que recuso.
Sei bem de onde venho,
reconheço o meu destino
e abraço o caminho que escolhi trilhar.
Há quem passe pelos meus dias sem acrescentar valor,
servindo apenas como um espelho daquilo que nunca quero ser.
Cruzar-me com a mentira, a hipocrisia, a falsidade e o oportunismo
obriga-me a olhar para dentro e a escolher a diferença.
A vaidade, o egocentrismo e o narcisismo de alguns
provocam-me um aperto profundo no peito,
mas a maior e mais triste ironia
é constatar que estas sombras habitam, tantas vezes,
no topo dos altares, entre os afamados pastores da Igreja.
Em contrapartida, é no povo mais simples
que a vida se torna sagrada, desarmante e profunda.
Eles ensinam-me, no silêncio e na verdade dos seus gestos,
o significado puro da bondade, da generosidade,
da proximidade e da humildade.
Revelam-me o altruísmo, a comunhão
e os sinais mais bonitos de uma fé viva.
Sinto-me tão pequeno diante da imensidão desta gente humilde
que, generosamente, faz o favor de me acolher nos seus dias.
Por tudo isto, o meu coração eleva-se em gratidão a Deus.
Porque se a maldade existe e corrói,
encastelada nas elites eclesiásticas que deviam dar o exemplo,
a luz dos simples é infinitamente mais forte.
São eles que, na beleza pura do quotidiano,
me continuam a mostrar o rosto de Cristo todos os dias.

Padre António Magalhães


quinta-feira, 2 de julho de 2026

Papa encerra encontro consistório extraordinário com apelo contra a violência

 «A guerra nasce dentro de nós, quando a suspeita toma o lugar da confiança» – Leão XIV





Cidade do Vaticano, 27 jun 2026 (Ecclesia) – O Papa encerrou hoje o segundo consistório extraordinário do seu pontificado com um alerta sobre a violência e um apelo ao desenvolvimento da reflexão teológica sobre a legitimidade da guerra em resposta a agressões.

“Antes de se manifestar na história, a guerra nasce dentro de nós, quando a suspeita toma o lugar da confiança, o medo substitui a esperança e o outro é percebido como uma ameaça”, disse o Papa, perante cardeais dos cinco continentes, reunidos no Vaticano.

Leão XIV sustentou que a beligerância global ultrapassa o mero confronto armado, nascendo de uma “cultura do poder” que contamina o pensamento político, económico e tecnológico da sociedade.

“Se esta é a raiz da crise, a resposta exige reconstruir uma cultura da cooperação e do diálogo, capaz de dar novo vigor ao multilateralismo”, advertiu o pontífice.

O Papa defendeu a urgência de uma atitude pacífica para travar a escalada de agressões internacionais, garantindo que esta é uma postura “profundamente evangélica”.

A resposta não-violenta, precisou, “não consiste na renúncia ao conflito nem numa atitude passiva, mas na escolha de o enfrentar sem reproduzir a sua lógica”.

“Deus deseja a paz para cada nação e para cada povo. Por isso não nos podemos resignar à violência”, declarou,

A intervenção sublinhou que o perdão continua a ter espaço na história, exortando os líderes a terem “coragem” para percorrer novos caminhos de reconciliação e ajudar o mundo a reconhecê-los.

Leão XIV convidou os cardeais a desenvolver a reflexão sobre a “legítima defesa”, exigindo o necessário “rigor teológico e pastoral” face às transformações da guerra moderna.

A intervenção confessou particular inquietação com as novas gerações, sublinhando o sofrimento agudo que conduz a juventude “ao desespero, e por vezes ao desespero extremo de tirar a própria vida”.

O Papa pediu que as comunidades católicas transformem a Doutrina Social num critério ordinário de formação, promovendo espaços seguros de escuta onde seja possível “redescobrir juntos” o bem comum.

A reunião de cardeais decorreu desde sexta-feira, procurando respostas pastorais às divisões globais.

A agenda de trabalhos incluiu a discussão sobre a superação da teoria da “guerra justa”.

A metodologia do encontro dividiu os participantes em pequenos grupos para uma “escuta partilhada”, com intervenções individuais limitadas a três minutos e sem declarações à imprensa.

O programa oficial encerra-se na segunda-feira, com a Missa da solenidade de São Pedro e São Paulo.

Leão XIV decidiu convocar os cardeais, pela primeira vez, em janeiro deste ano, num encontro destinado a estabelecer prioridades para a Igreja Católica.

O Colégio Cardinalício tem 241 cardeais oriundos de 92 países dos cinco continentes, incluindo Portugal, entre os quais 117 eleitores.

OC