sexta-feira, 9 de outubro de 2026

SERÁ MESMO QUE O DIÁLOGO NOS FARÁ ENTENDER?...


Haja esperança! Fomos criados à imagem e semelhança de quem nos criou. Quem nos criou é essencialmente relacional e livre. Define-se pelo diálogo, pelo encontro, pela comunicação, pela comunhão: “Deus é amor”. Por isso, somos, por natureza, seres sociais e livres. Ainda barro fresco acabado de modelar, talvez já cansados por sermos convidados a dar o nome a toda a bicharada, confrontados com a tentação, logo sucumbimos perante a árvore do bem e do mal. Talvez que esse momento fosse, para o homem, a plena tomada de consciência de si mesmo, a sua passagem “de ser natural e instintivo, a ser que vive uma existência histórica-humana”. A liberdade que tínhamos, de optar, também incluía o risco de optar pelo mal. Por respeito e amor, o Criador assumiu esse risco e a humanidade voltou-lhe as costas. Deus, porém, porque nos amou primeiro e nos continua a amar, não nos pagou na mesma moeda. Veio ao nosso encontro para, como amigo, estabelecer connosco o diálogo da salvação. Esse diálogo foi-se promovendo gradualmente. Deus foi-se revelando até que se revelou em plenitude em Jesus Cristo seu Filho, que se fez homem. Jesus, em constante diálogo com o Pai, dialogou com todos, com respeito por todos. Sem limites, sem cálculos, sem preconceitos, sem exceção, sem olhar aos méritos dos interlocutores, sem se impor, sem obrigar a responder. Instituiu a Igreja e, em seu nome, enviou-a por todo o mundo a fazer como ele fez, o promover o diálogo com Deus e com toda a humanidade e da humanidade entre si, a reproduzir no tempo a vida que existe no seio de Deus. E de forma universal, sem exceção, respeitando as lentidões da maturação psicológica e histórica, sem coação, sem deixar para amanhã o que pode conseguir hoje e tomando a iniciativa, com amor e respeito, com delicadeza, estima, simpatia e bondade, com clareza, mansidão, confiança e prudência pedagógica, convergindo para a verdade, recusando o relativismo, estando no mundo sem ser do mundo. Sem condenação apriorística, sem polêmica ofensiva, sem prurido de falar por falar, mas com apreço pela dignidade e liberdade do interlocutor, dispondo-o à comunhão mais plena de sentimentos e convicções (cf. Paulo VI, Ecclesiam Suam, 6/8/1964). Mesmo assim, os homens muitas vezes falharam e continuam a falhar. O diálogo dos homens com Deus, dos crentes e não crentes ente si, o diálogo com a cultura, a ciência e a filosofia e dos homens entre si como necessidade, orça em déficit acentuado. No último Concílio, o Espírito reconduziu as coisas ao seu lugar e foi publicada a Declaração Nostra aetate, na qual a Igreja reconhece que nas tradições religiosas também há valores verdadeiros e santos, convidando os fiéis a olhar com respeito “esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas”. Esse convite continua a constituir para a Igreja “um desafio permanente: como conjugar fidelidade à identidade cristã e abertura sincera à alteridade? Como viver concretamente o apelo à fraternidade universal em sociedades marcadas pela crescente diversidade cultural e religiosa, pela guerra e pela violência e caracterizadas pelo impulso crescente à secularização?” Três Dicastérios publicaram, em conjunto, em 16 de setembro passado, uma Nota a propósito dos sessenta anos dessa Declaração conciliar. Porque a Nota é maior que a própria Declaração e é pena que não chegue às pessoas, vou pescar dela algumas ideias sobre os trabalhos desenvolvidos. Revendo o caminho percorrido, a Nota, com esperança e gratidão, fala da transformação do relacionamento inter-religioso que houve a partir da referida Declaração, dizendo: “A Igreja passou de uma atitude muitas vezes reservada ou distante a um corajoso caminho de diálogo sincero, de encontro respeitoso e de cooperação fraterna. Esta herança constitui um património vivente e irrenunciável, que continua a interpelar os fiéis de hoje e os compromete a prosseguir esta aventura humana e espiritual, tão vital para o nosso tempo”. Afirma a atualidade do documento e que a “fraternidade entre crentes de diversas tradições religiosas não é um simples ideal, mas uma exigência moral, espiritual e social. Diante dos desafios contemporâneos - extremismos religiosos, migrações globais, secularização, crises ecológicas e sociais - as religiões são chamadas a transformar o mundo e a sociedade para que sejam expressões fraternas da vontade de Deus”. Prosseguindo com determinação este caminho exigente, a Igreja convida a que todos se tornem “construtores de pontes, não de muros”, artesãos de paz e de fraternidade, capazes de acolher o outro na sua diferença, de reconhecer as riquezas espirituais e de colaborar na construção de uma sociedade mais justa e mais humana. Acentua a necessidade de avançar resolutamente nesta direção. Neste arco de tempo, se tem havido frutos evidentes na relacionamento entre a Igreja Católica e o judaísmo e o islão, também a Igreja dialogou e colaborou, por exemplo, “em diversos âmbitos e em vários níveis, com os seguidores do hinduísmo, do budismo, do jainismo, do sikhismo, do shintoísmo, do taoísmo, do confucionismo e do zoroastrismo, além das religiões tradicionais, em particular aquelas africanas”. Foram instauradas relações duradouras de amizade entre responsáveis religiosos, encaminhados projetos educativos e sociais conjuntos, publicadas declarações comuns diante de dramas humanitários, guerras ou crises ambientais, promoveu-se a cultura do diálogo e do encontro, trocaram-se mensagens de felicitações aos amigos das outras tradições religiosas por ocasião das suas festas principais, para revigorar e reforçar os laços de estima recíproca e colaboração e aplaudem-se os bons testemunhos de boa convivialidade.
A Nota não esconde que, apesar dos progressos, as dificuldades do diálogo permanecem. Alguns ambientes continuam a duvidar da sua oportunidade, temendo o relativismo doutrinal ou a diluição da identidade religiosa. Em algumas regiões, as relações entre fiéis de diferentes religiões são historicamente conflituosas, e a lembrança das feridas antigas torna difícil a confiança recíproca. Noutros lugares, o crescimento dos fundamentalismos, a permanência dos preconceitos, a manipulação política das pertenças religiosas ou as violências em nome de Deus minam as bases do diálogo. As tensões identitárias, o fechamento das comunidades, a manipulação política do facto religioso, mas também a indiferença crescente em muitos países para com toda forma de espiritualidade, obrigam a renovar as modalidades do diálogo num mundo em rápida transformação. Não é fácil abandonar as lógicas de defesa, de hostilidade ou de conquista, para adotar uma atitude aberta, benévola, corajosa. Os modelos monolíticos e isolados, que encorajam a visão fechada da realidade são inadequados, são fonte de violência e de sofrimento (cf. Nota - Um Caminho de Esperança, dos Dicastérios para a Doutrina da Fé, para a Promoção da Unidade dos Cristãos e para o Diálogo Inter-Religioso, de 16/09/2026).

D. Antonino Dias
Caminha, 09-10-2026.

Há sempre um caminho!

 






Há sempre algo que, em algum momento da nossa vida, nos impele ao caminho.

Seja o início de um novo trabalho.

Seja o início de um novo ano escolar.

Seja um problema de saúde.

Seja o sofrimento alheio, ou o nosso.


Às vezes temos mesmo de nos meter ao caminho, ir à luta, desafiar, propor ou até mesmo inspirar mas será que estás atenta a quem faz caminho lado a lado contigo? Os encontros que se propiciam, as conversas, as resoluções e as oportunidades que surgem podem ajudar a seguir o caminho certo.

A história da nossa Igreja está repleta de peregrinos evangelizadores.

Os apóstolos e discípulos foram desafiados a pôr pés ao caminho e levar Esperança a quem dela precisasse e a fazer encontro curando, partindo o pão e falando do testemunho de Jesus. Não consta que foi fácil! Porventura, houve momentos que queriam voltar atras, desistir e mudar de caminho, mas deixam um testemunho de fé, esperança e caridade que resiste à passagem do tempo.

Também nós somos chamados ao caminho e nem sempre por vontade própria, atrevo-me a dizer que muitos poem pés ao caminho pelos outros e acabam por descobrir nesse ato nobre uma bênção infinita.

Seja qual for o motivo que te leva ao caminho (ou seja, fora do teu conforto) permite que ele tenha um propósito, um sentido, algo pelo qual valha a pena. Aí verás que não fazes apenas caminho, fazes Peregrinação! E isso muda tudo!

E tu amiga que caminhos fazes tu?


Raquel Rodrigues

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Celebração e Fé em Arronches: Procissão de Nossa Senhora do Rosário


No dia 7 de outubro, a nossa comunidade uniu-se em oração e devoção numa noite profundamente marcante. As celebrações em honra de Nossa Senhora do Rosário começaram com a celebração da Santa Missa, realizada pelas 20h00 na Igreja Matriz de Arronches, reunindo dezenas de fiéis.

Logo após a Eucaristia, o silêncio respeitoso e a luz das velas invadiram as ruas do centro da nossa vila. A emocionante procissão percorreu o coração de Arronches, num testemunho vivo de fé, união e tradição que continua a passar de geração em geração.

Neste dia tão especial, recordámos com carinho o eterno apelo de Nossa Senhora: o convite diário para rezarmos o terço. Que esta oração continue a ser uma arma de paz, esperança e conforto para as nossas famílias e para todo o mundo.

Agradecemos a todos os que tornaram este momento possível e a todos os paroquianos que se juntaram a nós nesta manifestação de amor à nossa Mãe do Céu.







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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

O que talvez não saibas sobre o Rosário

 



Pegamos nas contas do Rosário, repetimos palavras que conhecemos quase de cor e talvez raramente nos perguntemos como nasceu esta oração que atravessou séculos, famílias, guerras, peregrinações, quartos de hospital e noites de silêncio.

O Rosário não nasceu num único momento. Foi-se formando. São João Paulo II dizia-o de forma muito clara na Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae: o Rosário, «ao sopro do Espírito de Deus se foi formando gradualmente no segundo Milénio».

A história desta oração é, por isso, também a história de muitas gerações que procuraram encontrar uma forma simples de permanecer diante de Deus.

Quando quem não sabia ler também queria rezar

Durante a Idade Média, os 150 Salmos ocupavam um lugar central na oração dos monges e religiosos. Para muitos cristãos, porém, esta forma de oração era inacessível. Não sabiam ler, não possuíam livros ou simplesmente não tinham possibilidade de acompanhar a oração monástica.

Começaram então a surgir formas populares de oração baseadas na repetição do Pai-Nosso e, progressivamente, da Avé-Maria.

As 150 Avé-Marias estabeleciam uma relação simbólica com os 150 Salmos. Paulo VI recordaria precisamente esta ligação ao afirmar que o número tradicional de cento e cinquenta Avé-Marias apresenta «uma certa analogia com o Saltério».

Para contar as orações utilizavam-se nós, contas ou outros pequenos objetos. Aquilo que hoje deslizamos entre os dedos guarda, portanto, a memória de uma oração profundamente simples e popular. Mas o Rosário foi-se tornando mais do que uma sucessão de orações.

A repetição começou a ser acompanhada pela contemplação dos grandes acontecimentos da vida de Cristo. E é aí que o Rosário encontra aquilo que continua a ser o seu verdadeiro centro. Não Maria isolada de Jesus, mas Maria conduzindo a Jesus.

São João Paulo II exprimiu-o de maneira particularmente feliz: apesar da sua «fisionomia mariana», o Rosário «no seu âmago é oração cristológica».

E São Domingos?

Há uma imagem que atravessou séculos de arte e devoção: Nossa Senhora entrega o Rosário a São Domingos de Gusmão.

A tradição dominicana associa profundamente o fundador da Ordem dos Pregadores à propagação desta oração. A própria Ordem Dominicana refere que, «segundo a tradição», São Domingos recebeu o Rosário da Virgem Maria como instrumento espiritual contra a heresia e o pecado.

É importante, contudo, distinguir tradição espiritual e documentação histórica.

As fontes contemporâneas de São Domingos não registam essa aparição. A forma do Rosário que hoje conhecemos desenvolveu-se progressivamente e ganhou particular impulso no século XV, sobretudo através do dominicano Alano de la Roche, que promoveu intensamente esta devoção.

Na década de 1470 surgiram também as primeiras confrarias formalmente organizadas do Rosário. A sua rápida expansão ajudou a estabilizar a estrutura da oração e a torná-la uma das grandes devoções populares da Igreja.

A própria Rosarium Virginis Mariae reconhece que «a história do Rosário mostra como esta oração foi utilizada especialmente pelos Dominicanos». O Rosário cresceu entre a pregação, a contemplação e a necessidade muito concreta de ajudar o povo a entrar no Evangelho.

Lepanto, outubro e uma oração que atravessa a História

No século XVI, outro acontecimento ficaria profundamente ligado ao Rosário. Em 1571, uma coligação cristã enfrentou a frota otomana na Batalha de Lepanto. O Papa São Pio V pediu oração e recitação do Rosário. Depois da vitória, associou o acontecimento à intercessão de Nossa Senhora e determinou que a sua memória fosse celebrada liturgicamente.

Leão XIII recordaria mais tarde que São Pio V quis perpetuar a memória daquela vitória através de uma festa dedicada à Virgem, posteriormente celebrada sob o título de Nossa Senhora do Rosário. A festa permanece no calendário da Igreja a 7 de outubro.

Séculos depois, Leão XIII voltou a dar enorme impulso à devoção, dedicando repetidamente o mês de outubro à oração do Rosário. Em 1891 escrevia que outubro estava já «consagrado à beatíssima Virgem» e convidava os fiéis a recorrer ao Rosário durante todo o mês.

Não é, portanto, por acaso que outubro continua a ser conhecido como o mês do Rosário.

Um Rosário que continua a crescer

Em 2002 aconteceu algo invulgar numa oração com tantos séculos de história. São João Paulo II propôs a introdução de cinco novos mistérios: os Mistérios Luminosos: Batismo de Jesus no Jordão; Bodas de Caná; Anúncio do Reino de Deus; Transfiguração; Instituição da Eucaristia.



O objetivo era tornar ainda mais evidente que o Rosário é uma contemplação da vida de Cristo.



O Papa explicava que estes mistérios permitiam contemplar momentos particularmente significativos da vida pública de Jesus e fazer do Rosário, de modo ainda mais pleno, um «compêndio do Evangelho».

Talvez esteja aqui a chave para compreender esta oração. «Recitar o Rosário nada mais é senão contemplar com Maria o rosto de Cristo», escreveu São João Paulo II.

Talvez seja por isso que esta oração sobreviveu a tantos séculos. Porque cabe numa mão, mas contém uma história inteira. Nascimento. Alegria. Luz. Sofrimento. Morte. Ressurreição.

A vida de Jesus passa diante de quem reza lentamente, mistério depois de mistério. E as palavras repetidas deixam de ser apenas palavras. Transformam-se em ritmo. Em memória. Em contemplação.

As contas passam pelos dedos. O Evangelho passa pelo coração. E Maria continua a fazer aquilo que fez em Caná: «Fazei tudo o que Ele vos disser.» (Jo 2,5)

https://www.imissio.net/

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Como cuidar da vinha do Senhor

 



Na Bíblia encontramos um código de ética perfeito sobre relacionamentos humanos.

As Parábolas de Jesus indicam um caminho assertivo,

repleto de pequenos passos e encantamentos que nos despertam o olhar para o Céu.


As maiores dúvidas do ser humano são sobre a forma como devemos ou não cuidar do outro…

Jesus, na Sua infinita sabedoria,

usa a vinha, local de trabalho e de sustento,

para mostrar a cada um de nós como é a Sua forma de Vida. Como é viver ao Seu jeito.

Também o Profeta Isaías usou a vinha e um amigo como cenário…

E o Salmo deste Domingo afirma que a vinha do Senhor é a Casa de Israel!


Em pleno século XXI, vivemos o Jubileu de S. Francisco de Assis, que morreu há 800 anos.

O milagre da vinha de Rieti em 1225,

toda a vida de S. Francisco rodeada pela natureza e pelos animais,

é sinónimo do seu voto de pobreza absoluta.

Um homem que viveu em PAZ e sem receber os frutos…

Viveu para trabalhar e servir, cuidar e amar a Vinha do Senhor Jesus.



Hoje, as vinhas são raras

e a grande maioria dos jovens subtraem de imediato uma vinha como posto de trabalho.


E nós?

Como cuidamos da Vinha do Senhor?

Quem somos na Sua vinha?

Será que produzimos bagos abundantes e saborosos?

Ou será que os agraços dominam a nossa vinha?

Será que temos o Dono da Vinha como o Senhor que nos dá o sustento

e a quem temos de respeitar?

Será que olhamos para o Herdeiro da Vinha com amor?


Já agora…

onde encontras a Vinha do Senhor hoje?

Já rezaste pela Vinha?


Não rejeites a Pedra Angular.

Dá bom fruto!

Sê aquele e aquela que leva Jesus a todos e todos a Jesus.



Liliana Dinis

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Assembleia diocesana centrada na construção da «Igreja» e na união da «Missão»



 A Diocese de Portalegre-Castelo Branco dinamizou uma assembleia, com o mote ‘Constrói a minha Igreja – Unidos na Missão’, hoje, dia 5 de outubro, em Ponte de Sor.

A assembleia diocesana reuniu “diferentes comunidades, movimentos, serviços e realidades da Igreja diocesana para um dia de encontro, celebração, escuta e partilha”, lê-se na nota enviada à Agência ECCLESIA.

Uma expressão concreta de uma Igreja que se reconhece como “comunidade, que se escuta e que procura caminhar unida na missão que lhe está confiada”, acrescenta.

“Uma oportunidade para celebrar o caminho já feito, reconhecer o que Deus tem realizado entre nós e abrir novos horizontes para a vida e a missão da diocese”.

Um dia para “escutar diferentes vozes e renovar o compromisso de cada um na construção da Igreja”.

Num tempo em que a Igreja é chamada a viver de forma “cada vez mais sinodal”, a assembleia diocesana quer “também fortalecer a comunhão entre as comunidades e valorizar a participação e a corresponsabilidade de todos”

“Cada pessoa, com a sua história, os seus dons e a sua experiência, tem um lugar e um contributo a oferecer”, refere o comunicado.

O bispo diocesano, D. Pedro Fernandes, sublinha que este “não é um encontro para alguns”, mas uma assembleia de toda a diocese.

“Cada pessoa é chamada a participar, a trazer a sua voz, a sua experiência, a sua esperança e o seu desejo de construir, com os outros, a Igreja de hoje e de amanhã”.
O programa teve início às 09h30, com o acolhimento dos participantes no adro da igreja, seguiu-se a oração inicial (10h00), e, a partir das 11h00, os participantes foram convidados a integrar diferentes programas de trabalho, organizados de acordo com os públicos a que se destinam.

Os adultos reuniram no Teatro-Cinema, num programa coordenado por D. Pedro Fernandes e pelo padre Nuno Folgado; o Centro de Artes e Cultura acolheu as crianças e adolescentes sob a coordenação do Secretariado Diocesano da Educação da Infância e Adolescência (SDECIA), e os jovens têm um programa dinamizado pelo Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil e Vocacional (SDPJV).

Após a pausa para almoço, às 13h00, os trabalhos foram retomados às 14h00, mantendo-se a organização dos participantes pelos diferentes grupos e espaços, e

A Assembleia Diocesana de Portalegre-Castelo Branco terminou com a celebração da Eucaristia, um momento de ação de graças e de comunhão de toda a diocese,



 às 16h00.

AMOR, TRAIÇÃO E SONHO...

 


AMOR, TRAIÇÃO E SONHO...

Numa história de amor não há coisa pior do que uma traição....
O nosso Deus, olha para a sua vinha com os olhos do amor e rodeia-a de cuidados... Ama-a tanto... Esperava cumplicidade... mas veio a traição... Em vez de uvas produziu silvas... Silvas que gerou mais oprimidos, sangue e injustiça, fugas desesperadas e náufragos...
Os enviados á vinha, em vez de receberem cestos com uvas ou pipas com vinho, receberam a morte! Por fim, é enviado o Filho do proprietário da vinha, e ao qual fizeram ainda pior. Lançaram-no para fora da Vinha e mataram-no.
Nem sabemos se, afinal, havia frutos ou não havia naquela Vinha… Sabemos que estava “arrendada”, mas os trabalhadores da Vinha comportavam-se como DONOS dela.
Aí estava o problema!
É a voz obscura que grita em cada um de nós: sê o mais forte, o mais astuto, não te importes com a honestidade e serás tu o chefe, o rico, o primeiro.
Esta embriaguez por poder e dinheiro é a origem de todas as vindimas de sangue da terra.
Estar na Vinha não chega… Amá-la também não, porque a podemos amar das maneiras mais erradas...
O sonho de Deus
- não é nem o tributo finalmente pago
- nem a condenação a uma pena exemplar para quem errou,
... mas uma vinha, um mundo
... que não amadureça mais cachos vermelhos de sangue
- e amargos de lágrimas,
- que não seja uma guerra perene pelo poder e pelo dinheiro,
- mas que amadureça uma vindima de justiça e de paz,
- a revolução da ternura, a cura da vida, dos outros e da criação.

Padre João Torres