domingo, 30 de agosto de 2026

"SE ALGUÉM QUISER SEGUIR-ME, TOME A SUA CRUZ..."

 

https://www.youtube.com/watch?v=VwSXZ8tZ2w0&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=151

A liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum convida-nos a descobrir a "loucura da cruz": o acesso a essa vida verdadeira e plena que Deus nos quer oferecer passa pelo caminho do amor e do dom da vida (cruz).

Na primeira leitura, um profeta de Israel (Jeremias) descreve a sua experiência de "cruz". Seduzido por Jahwéh, Jeremias colocou toda a sua vida ao serviço de Deus e dos seus projectos. Nesse "caminho", ele teve que enfrentar os poderosos e pôr em causa a lógica do mundo; por isso, conheceu o sofrimento, a solidão, a perseguição... É essa a experiência de todos aqueles que acolhem a Palavra de Jahwéh no seu coração e vivem em coerência com os valores de Deus.
• No baptismo, fomos ungidos como "profetas", à imagem de Cristo. Estamos conscientes dessa vocação a que Deus, a todos, nos convocou? Temos a noção de que somos a "boca" através da qual a Palavra de Deus ressoa no mundo e se dirige aos homens?

A segunda leitura convida os cristãos a oferecerem toda a sua existência de cada dia a Deus. Paulo garante que é esse o sacrifício que Deus prefere. O que é que significa oferecer a Deus toda a existência? Significa, de acordo com Paulo, não nos conformarmos com a lógica do mundo, aprendermos a discernir os planos de Deus e a viver em consequência.
Como é que o crente deve responder aos dons de Deus? Com actos rituais solenes e formais, com orações ou gestos tradicionais repetidos de forma mecânica, com a oferta de uma "esmola" para os cofres da Igreja, com uma peregrinação a um santuário? Paulo responde: o culto que Deus quer é a nossa vida, vivida no amor, no serviço, na doação, na entrega a Deus e aos irmãos. Respondemos ao amor de Deus entregando-nos nas suas mãos, tentando perceber as suas propostas, vivendo na fidelidade aos seus projectos. Como é o culto que eu procuro prestar a Deus: é um somatório de gestos mecânicos, rituais e externos, ou é uma vida de entrega e de amor a Deus e aos homens meus irmãos?

No Evangelho, Jesus avisa os discípulos de que o caminho da vida verdadeira não passa pelos triunfos e êxitos humanos, mas passa pelo amor e pelo dom da vida (até à morte, se for necessário). Jesus vai percorrer esse caminho; e quem quiser ser seu discípulo tem de aceitar percorrer um caminho semelhante.
O que é "renunciar a si mesmo"? É não deixar que o egoísmo, o orgulho, o comodismo, a auto-suficiência dominem a vida. O seguidor de Jesus não vive fechado no seu cantinho, a olhar para si mesmo, indiferente aos dramas que se passam à sua volta, insensível às necessidades dos irmãos, alheado das lutas e reivindicações dos outros homens; mas vive para Deus e na solidariedade, na partilha e no serviço aos irmãos.
O que é "tomar a cruz"? É amar até às últimas consequências, até à morte. O seguidor de Jesus é aquele que está disposto a dar a vida para que os seus irmãos sejam mais livres e mais felizes. Por isso, o cristão não tem medo de lutar contra a injustiça, a exploração, a miséria, o pecado, mesmo que isso signifique enfrentar a morte, a tortura, as represálias dos poderosos.

https://www.dehonianos.org/

sábado, 29 de agosto de 2026

Homenagem ao Padre Fernando e Padre Rui



Querida comunidade paroquial, estimados Senhores Padres Fernando Farinha e Rui Lourenço,

Hoje, o nosso coração divide-se entre a profunda gratidão pelo caminho que percorremos juntos e a natural nostalgia da despedida. O tempo não se mede apenas em anos, mas sim na marca que deixamos na vida daqueles que nos rodeiam. E a vossa marca na nossa paróquia é indelével.

Ao Padre Fernando Farinha,

Ao longo de 17 anos de dedicação incansável, o Senhor Padre foi muito mais do que um pastor; foi um pilar, um conselheiro e uma presença constante em todos os momentos da nossa comunidade. Viu famílias crescerem, guiou gerações e, com a sua sabedoria e paciência, soube acolher cada paroquiano como um filho. Dezassete anos de serviço são o testemunho vivo de uma vocação entregue inteiramente a Deus e aos outros.

Ao Padre Rui Lourenço
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Ao longo destes últimos 5 anos, a sua energia, o seu espírito de missão e a sua dedicação renovaram a nossa comunidade. Com dinamismo e proximidade, soube caminhar connosco, partilhar os desafios do dia a dia e enriquecer a nossa vivência da fé. A sua passagem por esta paróquia, embora mais breve, deixa frutos profundos que continuaremos a cultivar.

Aos dois, a nossa paróquia diz hoje, em uníssono: Muito obrigado. Obrigado pelo vosso "Sim" diário, pela vossa entrega generosa, pelas palavras de conforto nas horas difíceis e pela alegria partilhada nas celebrações.

Ao Padre Fernando Farinha, no seu caminho para a reforma: Que este novo tempo seja de merecido descanso, de paz profunda e de saúde. Que possa olhar para trás com o coração cheio de orgulho pelo dever cumprido e que Deus o continue a abençoar nesta nova etapa da sua vida.

Ao Padre Rui Lourenço, na sua nova missão: Que a nova paróquia o acolha de braços abertos e com o mesmo carinho que aqui deixa. Desejamos-lhe as maiores bênçãos nesta nova caminhada pastoral, certos de que continuará a ser uma luz na vida dos seus novos paroquianos.

Não nos despedimos com um adeus, mas sim com um "até sempre". Esta paróquia será sempre a vossa casa e as nossas orações acompanhar-vos-ão onde quer que estejam.

Que Deus vos abençoe hoje e sempre!







A esperança de sermos compreendidos

 



Gostamos que gostem de nós. Na maior parte dos casos, esse desejo é sinal de que somos carentes, de que precisamos da atenção e do afeto dos outros para nos sentirmos completos e realizados.

Hoje, até chamamos amigos a pessoas com quem apenas temos contacto, mas sabemos, no fundo, que ser amigo de verdade é muito mais do que ter uma ligação no mundo virtual.

Por trás dessa confusão entre contacto e amizade está o desejo de não estarmos sós. É um desejo profundo, que corresponde a uma íntima e imensa necessidade de abraços que nos acolham, de quem nos aceite, compreenda e goste de nós como somos.

Claro que a responsabilidade também passa pela ilusão que criamos e alimentamos. Uma grande ilusão é o princípio da desilusão. Importa saber sonhar e moderar o desejo de que gostem de nós.

Depois, costumamos esconder as nossas facetas mais sombrias e complexas, enquanto sonhamos que os outros gostem, ou pelo menos aceitem, também aquilo que, por medo de sermos rejeitados, escondemos deles…

Connosco anda sempre uma esperança secreta de que possamos ser compreendidos pelos outros, mais ainda por aqueles que nos são próximos.

O maior problema desta atitude é que, na ânsia de procurar compreensão, não tentamos sequer compreender os outros: nem os próximos, que julgamos conhecer já muito bem, nem os estranhos, de quem muitas vezes a aparência nos basta para julgar que sabemos quem são.

Seria bom que aprendêssemos a olhar e a escutar o outro, sobretudo aquele que nos é próximo, com atenção e respeito, partindo sempre do princípio de que tudo quanto julgamos saber acerca dele não é, nem de perto, suficiente.


José Luís Nunes Martins

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

E tu, és insubstituível?


E tu, és insubstituível?

Eu respondo que sim. És. Todos somos. Porque somos únicos e ninguém nunca vai ocupar o lugar que era exclusivamente nosso na família, junto dos amigos, no trabalho, na sociedade, enfim neste universo.

Mário Cortella diz o seguinte: "Eu sou único. Mas não sou o único. Não há ninguém como eu, não houve e não haverá, mas não sou só eu que sou."

Pois assim também entendo, que cada vida é única e de inestimável valor, jamais para ser descartada ou substituída para que outros tomem o que será sempre nosso.

Semelhante sim, igual nunca.

E há, certamente, lugar para todos!


Lucília Miranda

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Reconhecer Deus




A liturgia convida-nos a seguir Jesus e, muitas vezes, a subir ao monte. O monte significa, entre outras coisas, o afastamento do ruído que nos impede de discernir e ouvir Deus. Não é por acaso que a natureza e a criação divina nos aparece sempre como um elemento revelador de Deus. A beleza da natureza é algo contemplativo mas exige paciência e confiança pois tudo leva o seu tempo. A nossa vida deveria ser assim, mais " longe do mundo e perto de Deus"!

Foi no monte que Jesus se transfigurou, foi no mar que Jesus pôs à prova a fé de Pedro, era no monte que Jesus se recolhia para orar, mas não foi só Jesus. Um dia textos que mais me impactou foi a espera de Elias pela passagem de Deus. Elias esperou que Deus se manifestasse em elementos barulhentos, assustadores e brutais. Mas não! Deus fez-se reconhecer se por uma brisa suave. Que simples! E Elias reconheceu de imediato ao ponto de se ter levantado da gruta e ter cessado a espera. Dizem as escrituras que Elias vivia um momento confuso e turbulento e Deus manifestou se no oposto, e precisamente em tudo aquilo que Elias precisava. Recordo que quando li esta passagem senti de imediato uma enorme empatia e trago na memória a capacidade de parar, descansar, se necessário subir ao monte e ver Deus na beleza, na brisa suave e na serenidade que nestes tempos parecem escassear.

Não há fórmulas secretas para reconhecer Deus mas acredito que Ele se revela a cada um de maneiras diferentes e de acordo com a capacidade individual de cada um de se dispor a ver, sem pressas nem julgamentos e de modo muito mais real do que alguns imaginam.

Mas desenganem-se se acham que Deus nos quer apenas seres contemplativos, se reparares bem depois de todas estas paragens há algo que muda, há algo que os impele à ação e à mudança. Cada um que reconhece Deus tende a mudar de caminho (como os discípulos Emaús), a levantar-se e sair da gruta (como Elias), ou a aumentar a fé (como Pedro), e tantas e tantas outras transformações que a bíblia nos relata. Se estiveres bem atenta verás Deus, ou melhor…sentirás a sua presença.

E tu amiga, estás preparada para aceitar a presença de Deus na tua vida?


Raquel Rodrigues


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

O lugar onde os sonhos assentam os pés

 


O lugar onde os sonhos assentam os pés


Às vezes esquecemo-nos do que é ser criança. Escrevemos palavras grandes, erguemos muros de certezas, vestimos preconceitos antigos e esquecemo-nos de olhar para o chão, onde a vida verdadeiramente acontece.
E lá em baixo, ao nível dos olhos de quem está a começar, o mundo é simples.
Quando uma criança cigana corre, ri ou olha para o céu, não está a carregar o peso do passado nem os rótulos de quem a vê passar. Está apenas a viver. Traz no olhar a mesma sede de descobrir o mundo, a mesma fome de futuro e o mesmo direito sagrado de ser feliz que qualquer outra criança.
Mas a infância não se protege sozinha.
Esta responsabilidade não é de "uns" nem de "outros". É de todos nós. Compete à comunidade cigana e à sociedade civil, sem dedos apontados, sem julgamentos fáceis, de peito aberto. Se nos despirmos do ruído e nos focarmos no que é verdadeiramente essencial, percebemos que o futuro de uma criança é a medida da nossa própria humanidade.
Cuidar delas, abrir caminhos, garantir que têm espaço para aprender, sonhar e voar em igualdade, não é um favor. É o compromisso mais bonito que podemos assumir enquanto pessoas.
Acredito profundamente que é no encontro, no respeito e na coragem de dar a mão que nos salvamos a nós próprios. Porque quando garantimos que o mundo é um lugar seguro e justo para uma criança, o mundo torna-se, finalmente, um lugar melhor para todos.
Afinal, a infância devia ser sempre esse lugar onde o amor não pede licença e os sonhos têm onde pousar.

Padre João Torres

terça-feira, 25 de agosto de 2026

«E vós, quem dizeis que Eu sou?»




«Uma amizade ou um amor, autênticos, são exceções, não regras.
É raro encontrar-se alguém que nos levante quando estamos caídos,
menos ainda que o faça sem hesitação e independentemente de estar muita gente a olhar.
Se depois de nos levantarmos seguimos ao seu lado, iremos longe. Muito longe.»
José Luís Nunes Martins
In Momentos de Sabedoria [pag. 152]





Jesus, no Evangelho de hoje,

anuncia aos Seus Discípulos o maior mistério que faz a humanidade caminhar, em união.

O Messias, O Filho de Deus vivo,

quer saber a perceção que têm aqueles que passam por Ele, sobre Ele…

Mas, não a tem em conta!

«E vós, quem dizeis que Eu sou?»


O que pesa nas Suas decisões; o que O faz viver;

o que leva Jesus até à morte e morte de Cruz, é o sentimento mais profundo:

O Amor misericordioso

vivido com o tempero mais puro da raiz de uma amizade verdadeira:

«Fazemo-nos irmãos de quem experimenta a mesma dor.
O sofrimento remete-nos para uma solidão profunda,
da qual a maioria dos outros se afasta como se fosse contagiosa.
E, assim, ao mal da tragédia acresce-se a dor da perda
dos que julgávamos que ficariam connosco.»
José Luís Nunes Martins
In Momentos de Sabedoria [pag. 153]


Jesus entrega a chave a Pedro e pede aos discípulos que não anunciem que Ele é o Messias…

Tudo teria de estar consumado.

Os Seus Amigos seriam colocados à prova:

De um lado: a mentira, a cobardia, a vaidade e a ganância. A humanidade…

Do outro lado: Jesus que ama enternecidamente cada um deles.


Ainda hoje, sentimos esse mesmo amor…

essa amizade que não tem fronteiras e é liberdade genuína.



Quantos de nós queremos levar este Jesus a todos e todos a este Jesus,

que é semente de serviço, que abraça os impuros, que sofre e chora connosco?



O Messias não nos apresenta uma vida de alegria sem fim.

Apenas quer caminhar connosco…

Fazer-se presença terna que nos fortalece com migalhas dO Pão…

Amor… sem reservas! Ser, apenas, O nosso Amigo…


Liliana Dinis