quarta-feira, 9 de setembro de 2026

O NÃO SABER LEVA À INCRUDELIDADE

O NÃO SABER LEVA À INCRUDELIDADE

É uma verdade de La Palice, o qual, se não tivesse morrido, ainda hoje era vivo. Conta-se que, Luís IX, Rei de França, falecido a 25 de agosto de 1270, certo dia recebeu um Embaixador, estrangeiro, que junto dele fora tratar de negócios de Estado. No fim da audiência, o Embaixador recebeu um documento assinado pelo Rei, assim: “Luís, Rei dos Franceses”, e despediu-se com estas palavras lisonjeiras: “Vossa Majestade deve sentir-se feliz ao assinar: “Luís, Rei dos Franceses”. O Rei concentrou-se uns momentos e, depois, com os olhos fitos no Embaixador, respondeu: “A minha maior glória é poder assinar as minhas cartas particulares com: “Luís de Poissy”. Perante a incompreensão do Embaixador, o Rei explicou: “Poissy é uma pequena terra de França, uma terra quase desconhecida, mas foi nessa terra que eu recebi o Batismo e com o Batismo, a fé. E ser crente é a minha maior glória”. Ele sabia apreciar a fé. Sabia que a fé é um tesouro, um dom gratuito de Deus, um dom inestimável e necessário para a salvação. Sabia que crer é um ato humano, consciente e livre, que está de acordo com a dignidade da natureza humana, é um ato eclesial.
Porque será que muitos cristãos não apreciam devidamente este dom de Deus? Porque será que muitos vivem praticamente como que se não acreditassem? Esta é uma realidade que causa mossa. Ainda há muitos povos que desconhecem o Deus verdadeiro, o Filho de Deus que veio ao mundo, a obra da redenção, a Igreja, a vida cristã, é certo. Mas serão apenas esses aqueles a quem a luz do Evangelho ainda não chegou? Infelizmente, não. Acho que dentro da Igreja há muitos incrédulos batizados, incrédulos confirmados, incrédulos que receberam o sacramento do matrimónio, incrédulos que, porventura, até se confessam e comungam.
“Cala-te, que estás a exagerar”, estar-me-ão a repreender alguns dos leitores. Aceito o reparo, mas acho que este é um dos grandes males com que a Igreja se enfrenta. Um dos caminhos que conduzem a este estado de coisas é a falta de conhecimento dos fundamentos da fé e a pouca ou nenhuma apetência para os querer saber. E, talvez também, a falta de jeito ou de competência para fazer passar a mensagem que se impõe dar a conhecer. O que é certo é que a ignorância leva à incredulidade. Naquele encontro noturno entre Jesus e Nicodemos – aquele chefe judeu que parece ter vergonha de o procurar de dia – Jesus explica-lhe que ninguém pode entrar no Reino de Deus senão nascer da água e do Espírito Santo, isto é, se não receber o Batismo de Jesus e não acreditar n’Ele (cf. Jo 3,1...). O fariseu não entendeu bem e perguntou: “Como pode um homem nascer, sendo velho?”. Jesus respondeu-lhe, assim um pouco em tom de censura: - “Tu és mestre em Israel e ignoras estas coisas?”. Sem querer apontar o dedo a quem quer que seja, esta mesma realidade podemos nós encontrá-la em muitos dos cristãos que se têm como mestres em Israel, mas ignoram as verdades mais rudimentares da fé. Apesar disso, uma das maiores tendências que as pessoas têm é discutir sobre questões religiosas. Quando não se sabe, em princípio não se discute sobre medicina, física, biologia, astronomia, sobre tudo aquilo do qual não se tem conhecimento. Questões de religião, porém, quase toda a gente se julga mestre em Israel: na praça, no clube, na associação, no café, na taberna, onde quer que for... Apesar de se discutir sobre aquilo que apenas se intui, se supõe ou se inventa, mesmo assim, eu olho isso pelo lado positivo. Acho que, bem lá no fundo de cada pessoa, há um grito de eternidade que incomoda, que não se cala e faz reagir de alguma forma! É que “Deus invisível, na riqueza do seu amor, fala aos homens como amigos e convive com eles, para os convidar e admitir à comunhão com Ele”. A resposta adequada a este convite é a fé. E a fé é um ato pessoal, uma resposta livre do homem à proposta de Deus que se revela. Mas não é um ato isolado. Ninguém pode acreditar sozinho, tal como ninguém pode viver só. Ninguém se deu a fé a si mesmo, como ninguém a si mesmo deu a vida. Foi de outrem que o crente recebeu a fé; a outrem a deve transmitir” (CIC166). Ninguém ama o que não conhece!
Que honra e brio poderá ter um doutor, um médico, um advogado, um professor, um agricultor, um governante se não sabe porque linhas se cose nas próprias áreas em que atua? Que honra e brio poderá sentir um cristão, mesmo que seja pai, doutor, advogado, professor, agricultor, médico, político, governante, se inerente à sua fé não está o desejo de conhecer melhor Aquele em quem acredita e de compreender melhor o que Ele revelou e para quê?
Pode haver, com certeza, muita boa gente batizada, com cursos académicos, com muita cultura, dedicados de alma e coração às ciências, às artes, à liderança dos povos e ao bem comum, que nunca se esforçou por gastar – não digo perder, digo gastar – que nunca se esforçou por gastar algum tempo com Aquele que lhe dá todo o tempo e o sopro da própria vida. Que alguém não tenha interesse por esta ou aquela dimensão do saber, entende-se. Mas que um cristão ignore ou até sinta orgulho em não saber os rudimentos da fé, não é muito curial. E isso tem consequências imediatas: a incredulidade. E do abandono ao desprezo da fé vai um passo, por vezes orgulhosamente assumido. Ora, Jesus Cristo esteve durante três horas na cruz para nos resgatar, mas durante três anos percorreu todas as terras da Judeia para nos instruir. Ensinou os pobres, os ricos, os doutores, os doentes, os sacerdotes, os governantes, todos sem exceção. Correu cidades e aldeias, ensinou por toda a parte, sem descanso! E para quê? Para que todos os seus discípulos e pessoas de boa vontade não ignorassem as verdades indispensáveis para a salvação. E antes de partir para o Pai, disse aos seus discípulos: “Foi-me dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mt 28, 18-20).

D. Antonino Dias
Caminha, 05-09-2026.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Corrigir sem humilhar: a coragem de falar com o outro

 




Quando alguém nos magoa ou erra, há uma tentação muito humana: escolher uma terceira pessoa antes da primeira. Contamos o que aconteceu, procuramos confirmação, repetimos a história. Às vezes chamamos-lhe desabafo; outras vezes, preocupação. Mas a pessoa de quem falamos continua fora da conversa.

No Evangelho segundo São Mateus, Jesus propõe outro caminho: começar pelo encontro. «vai ter com ele e repreende-o a sós.» (cf. Mt 18,15). No Angelus deste domingo, 6 de setembro, o Papa Leão XIV voltou a apresentar a correção fraterna como uma «arte delicada» que exige franqueza e gradualidade. Primeiro, a sós; depois, se for necessário, com a ajuda de outros; só então com a comunidade. O objetivo não é aumentar a exposição, mas criar possibilidades de verdade e reconciliação.

A coragem de dizer e a delicadeza de preservar

Falar diretamente parece simples até chegar a nossa vez. Há o medo de ferir, de perder a relação, de sermos mal interpretados. E há também uma razão menos nobre: falar sobre alguém pode ser mais confortável do que assumir a vulnerabilidade de falar com essa pessoa.

O saudoso Papa Francisco, a 10 de setembro de 2023, apontava precisamente o perigo da coscuvilhice: o erro torna-se conhecido por todos, menos por quem precisaria de ser confrontado com ele. A correção fraterna segue a direção contrária. Procura a lealdade do encontro e uma coragem que não precisa de humilhar para dizer a verdade.

Enzo Bianchi acrescenta um critério importante: quem corrige deve fazê-lo com humildade, clareza e no momento oportuno, protegendo a vergonha do outro em vez de a expor. Isto muda profundamente a lógica da correção. Já não se trata de provar que temos razão, de descarregar irritação ou de marcar uma fronteira entre os certos e os errados. Trata-se de assumir responsabilidade por uma relação ferida.

Uma dívida que nunca fica liquidada

Leão XIV começa a sua reflexão por uma expressão de São Paulo: «Não fiqueis a dever nada a ninguém, a não ser isto: amar-vos uns aos outros» (Rm 13,8). A imagem desloca a correção fraterna para um lugar exigente. Corrigir pode ser uma forma de amor quando nasce do desejo de bem do outro e da comunidade; pode deixar de o ser quando serve a superioridade, a vingança ou a exposição.

Por isso, nem toda a crítica é correção fraterna. A pergunta cristã não é apenas se aquilo que dizemos é verdade. Importa também por que o dizemos, como o dizemos e o que esperamos que aconteça depois. A verdade pode ser usada como arma. O Evangelho pede que ela seja colocada ao serviço da comunhão.

Isto não significa fingir que nada aconteceu, evitar conflitos ou confundir misericórdia com permissividade. As três leituras insistem num caminho concreto e gradual. Há erros que precisam de ser nomeados; há situações em que é necessária a intervenção de outras pessoas ou da própria comunidade. Mas mesmo aí o horizonte não é o pelourinho. É procurar, tanto quanto for possível, que quem errou reconheça o mal, possa mudar e não seja reduzido para sempre ao seu erro.

Talvez por isso a correção fraterna seja tão difícil: obriga-nos a permanecer próximos quando seria mais fácil afastar, comentar ou condenar. E recorda-nos que ninguém ocupa definitivamente o lugar de quem corrige. Hoje podemos ajudar alguém a ver melhor; amanhã seremos nós a precisar de uma palavra dita com verdade e misericórdia.

Uma comunidade cristã não se mede pela ausência de conflitos. Mede-se também pelo modo como os atravessa: se transforma o erro em espetáculo ou em ocasião de conversão; se acumula versões sobre uma pessoa ou encontra coragem para ir ao seu encontro; se usa a verdade para vencer ou para reconstruir.

Falar com o outro, antes de falar sobre o outro, pode ser um dos gestos mais discretos — e mais exigentes — da caridade.


Razões para Acreditar

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

GANHAR O IRMÃO!

 


GANHAR O IRMÃO!

Vejo em mim e ao meu redor muita paz, beleza, amor e paixão. Mas também muita raiva e violência, vitimização e desânimo. Vejo pessoas agressivas, descontentes, mexeriqueiras, sempre prontas para acusar, julgar, denegrir, justificar-se.
E é normal que assim seja. É instintivo. Viemos da lama. E pensamos que, afinal, não existem outras formas de ser, de viver, de se relacionar.
Jesus, como sempre, faz novas todas as coisas. Começa por nos dizer: “Se o teu irmão te ofender vai ter com ele”.
Habitualmente, as coisas não funcionam assim. Se alguém te OFENDE, tu ficas à ESPERA de que essa pessoa que te OFENDEU, que se chateou contigo, que VENHA TER CONTIGO e te peça desculpa pelo gesto, pelo ato que fez.
Repara que Jesus troca realmente os papéis e diz uma outra coisa que é: “Tu, que foste o ofendido, vai ter com aquele que te ofendeu”.
Vai com delicadeza, prudência, humildade, de um pecador a outro pecador. Tu a tu. Olhos nos olhos. Coração a coração. Não nos apeguemos ao nosso orgulho ferido.
Tenhamos a coragem de conversar, esclarecer, perguntar... encontrar um ponto de encontro. Sem ataques, sem julgamentos...
“Se te escutar, terás ganho o teu irmão” (Mt 18,15).
O importante é ganhar o irmão e não provar-lhe que eu é que tenho razão.
Se ele não te escutar... não desistas!
Convida outros para te ajudar... fala com a tua comunidade.
Se mesmo assim não ganhaste o irmão resta a ESPERANÇA: “nunca dês por perdido o teu irmão”.
Por isso, este é, talvez, o passo mais difícil, o mais radical: não abandonar ninguém à sua sorte, não desistir de ninguém, mas amar ainda mais essa pessoa, rezar por ela, e procurá-la sem desistir, até a encontrar, movidos sempre por aquele amor que tudo espera (1 Cor 13,7).

Padre João Torres
.

domingo, 6 de setembro de 2026

Ser Sentinela

 

https://www.youtube.com/watch?v=CNyHtBaorVE&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=150

A liturgia deste domingo sugere-nos uma reflexão sobre a nossa responsabilidade face aos irmãos que nos rodeiam. Afirma, claramente, que ninguém pode ficar indiferente diante daquilo que ameaça a vida e a felicidade de um irmão e que todos somos responsáveis uns pelos outros.

A primeira leitura fala-nos do profeta como uma "sentinela", que Deus colocou a vigiar a cidade dos homens. Atento aos projectos de Deus e à realidade do mundo, o profeta apercebe-se daquilo que está a subverter os planos de Deus e a impedir a felicidade dos homens. Como sentinela responsável alerta, então, a comunidade para os perigos que a ameaçam.
Na verdade, Ele continua a chamar, todos os dias, profetas/sentinelas que alertem o mundo e os homens. Pelo Baptismo, todos nós fomos constituídos profetas. Recebemos do nosso Deus a missão de dizer aos nossos irmãos que certos valores que o mundo cultiva e endeusa são responsáveis por muitos dos dramas que afligem os homens. Temos consciência de que recebemos de Deus uma missão profética e que essa missão nos compromete com a denúncia do que está errado no mundo e na vida dos homens?

O Evangelho deixa clara a nossa responsabilidade em ajudar cada irmão a tomar consciência dos seus erros. Trata-se de um dever que resulta do mandamento do amor. Jesus ensina, no entanto, que o caminho correcto para atingir esse objectivo não passa pela humilhação ou pela condenação de quem falhou, mas pelo diálogo fraterno, leal, amigo, que revela ao irmão que a nossa intervenção resulta do amor.
A palavra "tolerância" é uma palavra profundamente cristã, que sugere o respeito pelo outro, pelas suas diferenças, até pelos seus erros e falhas. No entanto, o que significa "tolerância"? Significa que cada um pode fazer o mal ou o bem que quiser, sem que tal nos diga minimamente respeito? Implica recusarmo-nos a intervir quando alguém toma atitudes que atentam contra a vida, a liberdade, a dignidade, os direitos dos outros? Quer dizer que devemos ficar indiferentes quando alguém assume comportamentos de risco, porque ele "é maior e vacinado" e nós não temos nada com isso? Quais são as fronteiras da "tolerância"? Diante de alguém que se obstina no erro, que destrói a sua vida e a dos outros, devemos ficar de braços cruzados? Até que ponto vai a nossa responsabilidade para com os irmãos que nos rodeiam? A "tolerância" não será, tantas vezes, uma desculpa que serve para disfarçar a indiferença, a demissão das responsabilidades, o comodismo?

Na segunda leitura, Paulo convida os cristãos de Roma (e de todos os lugares e tempos) a colocar no centro da existência cristã o mandamento do amor. Trata-se de uma "dívida" que temos para com todos os nossos irmãos, e que nunca estará completamente saldada.
As nossas comunidades cristãs, a exemplo da primitiva comunidade cristã de Jerusalém, deviam ser comunidades fraternas onde se notam as marcas do amor. Os que estão de fora deviam olhar para nós e dizer: "eles são diferentes, são uma mais valia para o mundo, porque amam mais do que os outros". É isso que acontece? Quem contempla as nossas comunidades, descobre as marcas do amor, ou as marcas da insensibilidade, do egoísmo, do confronto, do ciúme, da inveja? Os estrangeiros, os doentes, os necessitados, os débeis, os marginalizados são acolhidos nas nossas comunidades com solicitude e amor?

https://www.dehonianos.org/

sábado, 5 de setembro de 2026

Papa apela à confiança em Deus em momentos de incerteza pessoal

«Nem sempre é fácil compreender e aceitar os caminhos de Deus, especialmente quando estão muito distantes dos nossos» – Leão XIV



Castel Gandolfo, Itália, 30 ago 2026 (Ecclesia) – O Papa apelou hoje à aceitação humilde dos “caminhos de Deus”, mesmo quando contrariam as expetativas humanas, alertando para a tentação de julgar a ação divina nos momentos de incerteza.

“Também para nós nem sempre é fácil compreender e aceitar os caminhos de Deus, especialmente quando estão muito distantes dos nossos”, reconheceu Leão XIV, durante a recitação dominical do ângelus na Praça da Liberdade em Castel Gandolfo.

“Nessa altura, surge a tentação de pensar, contra toda a lógica da fé, que é o Senhor quem está errado, ou pior ainda, que não nos ouve ou que não se interessa por nós”, acrescentou, perante centenas de pessoas reunidas junto à residência pontifícia, nos arredores de Roma.

O Papa sustentou que a superação destas crises espirituais obriga o crente a “nunca interromper, nem mesmo nestes momentos, o diálogo com o Senhor”, sempre com total “confiança”.

Leão XIV realçou ainda a importância de “nunca julgar a ação de Deus, mas sim ouvir, com humildade, na oração, o que Ele está a revelar”.

A reflexão baseou-se no episódio evangélico em que Jesus anuncia a sua morte, uma perspetiva que provocou a indignação do apóstolo Pedro por estar “muito longe das expectativas” de “um Messias triunfante e poderoso”.

O encontro dominical culminou com um pedido para que a comunidade católica cultive a “docilidade” necessária para aceitar aquilo que Cristo pede.

“Que também nós, na nossa vida de fé e na nossa oração, tenhamos a mesma sinceridade de Pedro, ao dizer humildemente o que realmente sentimos, mesmo quando o coração está confuso”, recomendou.

Após a oração, Leão XIV saudou os vários grupos presentes no encontro, agradecendo às forças da Ordem e a todos os que contribuíram para a sua estadia em Castel Gandolfo, neste período do verão.

“Envio a minha cordial saudação aos fiéis que seguem o ângelus a partir da Praça de São Pedro. E a todos desejo um bom domingo”, concluiu, antes de se deslocar ao encontro da multidão, num pequeno veículo elétrico, passando entre os peregrinos durante vários minutos.



OC

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Oração de quem quase desespera



Senhor Jesus, neste dia em que a minha existência me parece mais vazia e insignificante, peço-Te:

Que eu aprenda a esperar, com a paciência de quem sabe que entre a sementeira e a colheita há sempre muitos dias e noites.

Que eu saiba fazer o que devo e não o que quero, porque só assim me torno mais digno daquilo que sonho merecer.

Que eu aprenda a viver sem compreender os porquês e os para quês de tudo o que se passa na minha vida, confiando que tudo pode e deve concorrer para o maior de todos os bens.

Que eu continue a dar paz e alegria a quem mais delas precisa, mesmo quando não as tenho nem as sinto dentro de mim.

Que eu tenha bem presente que os meus desejos e fomes nascem da tentativa de esquecer as minhas necessidades mais profundas: amor, pertença e sentido. E tudo isto porque me empenho até ao limite em procurar saciar outras fomes mais superficiais: prazer, poder e dinheiro.

Que eu não desespere, mesmo contra todas as evidências. Que o meu coração se fixe na rocha da fé e que assim, apesar de vacilar, eu não me deixe arrastar pelos ventos e pelas marés do mundo.

Que todos aprendamos que ninguém é nada sozinho, pois as fraquezas humanas nos forçam a depender uns dos outros, e isso é, apesar de tudo, muito bom.

Que eu seja feliz, mesmo por entre todas as tristezas de cada um dos meus dias.

Que eu saiba, no mais profundo da minha alma, que Deus me ama como sou, mas me sonha ainda melhor!

 José Luís Nunes Martins

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

«Tempo da Criação»: Papa apela à conversão ecológica

 Leão XIV preside a Missa em Castel Gandolfo, no Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação


Cidade do Vaticano, 01 set 2026 (Ecclesia) – O Papa apelou hoje à conversão do coração humano para que os recursos e instrumentos utilizados em cenários de destruição sejam orientados para a preservação da vida, numa mensagem partilhada na rede social X.

“O cuidado da nossa casa comum exige uma conversão do coração, para que aquilo que tem sido utilizado para causar destruição possa, em vez disso, ser orientado para a vida. Convido todos a unirem-se em oração e ação, para que possamos tornar-nos canais de água viva da paz de Deus, revigorando o nosso mundo ferido”, exortou Leão XIV na manhã em que se assinala o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação.

A proteção da casa comum requer uma alteração de paradigma capaz de travar a presente lógica bélica, reiterou o pontífice ao refletir sobre o tema ‘Água Viva’, escolhido para este ano.

A jornada culmina com a celebração da Missa para a Custódia da Criação, presidida pelo Papa junto à estátua da Virgem no Borgo Laudato Si’, nos Jardins Pontifícios de Castel Gandolfo, a partir das 18h30 (menos uma em Lisboa).

A liturgia recorre a um formulário específico concebido pelo esforço conjunto de quatro dicastérios do Vaticano, o qual foi utilizado de forma inédita por Leão XIV em julho de 2025.

O ‘Tempo da Criação’, que une cristãos de várias confissões em iniciativas de oração e ação climática, prolonga-se até ao dia 4 de outubro, data da festa de São Francisco de Assis.

Na abertura deste ciclo, o patriarca de Constantinopla (Igreja Ortodoxa), Bartolomeu I, apelou a uma revolução na ideia de progresso para travar o “geocídio” ambiental provocado pelo consumismo.



OC