sábado, 2 de maio de 2026

Papa pede mobilização contra a fome

Leão XIV denuncia desperdício alimentar, em intenção de oração para mês de maio


Cidade do Vaticano, 30 abr 2026 (Ecclesia) – O Papa alertou hoje para o drama da fome, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, denunciando o desperdício alimentar e apelando a uma nova cultura de consumo.

“Hoje reconhecemos com dor que milhões de irmãos e irmãs continuam a passar fome, enquanto tanto alimento é desperdiçado nas nossas mesas”, lê-se na oração escrita por Leão XIV, no vídeo que divulga a sua intenção para o mês de maio.

A iniciativa, promovida pela Rede Mundial de Oração do Papa, apresenta como tema ‘Por uma alimentação para todos’.

O Papa evoca a urgência de passar “da lógica do consumo egoísta para uma cultura de solidariedade, apelando ao compromisso das comunidades católicas.


    "Pai bondoso, torna-nos capazes de transformar a lógica do consumo egoísta em cultura de solidariedade. Que as nossas comunidades promovam gestos concretos: campanhas de sensibilização, bancos alimentares, e um estilo de vida sóbrio e responsável.”

Leão XVI defende uma “nova consciência”, com gratidão pelos alimentos, que leve a “consumir com simplicidade, a partilhar com alegria, e a cuidar dos frutos da terra como um dom teu, destinado a todos, não apenas a alguns.”

A mensagem do Papa é enquadrada pelos números divulgados pelas agências das Nações Unidas.

O relatório ‘WFP 2026 Global Outlook’, do Programa Alimentar Mundial, perspetiva que 318 milhões de pessoas enfrentem níveis de crise de fome ou situações mais graves em 2026, alertando que o conflito no Médio Oriente pode atirar mais 45 milhões de pessoas para a “fome aguda” nos próximos meses.

Os documentos alertam que, no ano transato, foram mesmo confirmadas duas situações de fome generalizada simultâneas em partes de Gaza e do Sudão.

O diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, padre Cristóbal Fones, assinala que esta é uma preocupação pessoal de Leão XIV, que convoca a comunidade cristã “a não ficar indiferente, mas a agir com determinação, a partir da oração e de gestos concretos de solidariedade”.


OC

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Estou cansada



Cansa-me a luta constante por ver o melhor de tudo.

Cansa-me o esforço para por a render as ideias que me dás, Senhor!

Cansa-me os pensamentos de tristeza e de injustiça que volta e meia me assolam.

Queria tanto Senhor, que me desses a capacidade de lidar melhor com aquilo que não controlo. Ter o poder da eloquência e da argumentação sem que pareça ofendida e no limiar de perder a razão. Cansa-me ter de fazer silêncio sob pena de magoar e cansa-me o silêncio dos outros que esperam que seja sempre eu a chegar com a cabeça à frente.

Incomoda-me a subserviência e a desvalorização do que se faz sob o mote do: “não vale a pena” ou “ não funciona”. E dou por mim a dizer: basta! Se calhar não vale mesmo a pena e como tal vou por outro caminho.

Estou cansada! E pior do que isso é sentir que, de nada me adianta pois o meu cansaço e frustração esbarram na insensibilidade de quem tem o poder de decidir ou simplesmente de matar ideias.

Estou cansada de pensar, organizar e idealizar projetos que, por melhor que sejam não, são tão bons como os outros como se estivéssemos em constante comparação e competição.

Dou por mim a fazer juízos de valor e a distanciar-me daquilo que quero sentir. Dou por mim a fechar olhos para não ver, e ouvidos para não ouvir com medo daquilo que vou pensar. E sim, cansa-me esta constante luta entre o que sinto e o que gostaria de sentir. E dou por mim num ponto em que a única coisa que peço é: Senhor, pega-me ao colo!

E tu, amiga, de que estás cansada?


Raquel Rodrigues

quinta-feira, 30 de abril de 2026

O poder revela quem o possui


Se queremos saber quem alguém é, importa esperar até que venha a ter algum tipo de poder. O que estava oculto revela-se.

É possível encontrar sábios com poder, mas isso é muito raro. O mais comum é que os poderosos não sejam tão prudentes e sensatos quanto seria de esperar. Aquilo a que muitos poderosos chamam coragem é, na verdade, uma audácia precipitada e excessiva, que se expõe a perigos desnecessários e graves.

E, talvez mais perigoso ainda, o poder vicia. Cria a ilusão de que somos o que podemos… e não somos! E, para fugir a essa crua verdade, procuramos cada vez mais poder.

Um ato de bondade é um gesto poderoso, porque, mais do que fazer muito ou muitas vezes, o verdadeiro poder está em fazer bem — acertar em cheio.

A quem deve servir o poder que se tem? A si próprio ou a todos os que lhe estão sujeitos?

Como uso eu o poder que tenho sobre mim – sobre a minha vida?

Se posso ser feliz e não o sou, então não estou a usar bem o poder que tenho — nem sequer para meu próprio benefício!


José Luís Nunes Martins

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Ser amor


Que saibamos sempre ser abraço. Que chega de mansinho e que abriga tudo. Como refúgio que envolve em noites de tempestade.

Que saibamos sempre ser presença. Que fica e que diz “estou aqui”, sem precisar de dizer. Como mão que acompanha e colo que ampara.

Que saibamos sempre olhar mais longe. Olhar que olha fundo na alma, que escuta o silêncio do coração. Como luz que atravessa a escuridão.

Que saibamos sempre ser palavra de ternura. Que conforta e que traz esperança no momento certo. Como abraço que vem para cuidar.

Que saibamos sempre ser amor. Na delicadeza dos pequenos gestos, na bondade do nosso coração. Como sopro que passa só para abraçar.

Talvez melhoremos o dia de alguém. Talvez toquemos a vida de alguém. Talvez façamos sorrir o coração de alguém.

E talvez isso cure. Talvez salve. Talvez seja tudo.

Para alguém.

E, quase sem percebermos, para nós também.



Daniela Barreira

terça-feira, 28 de abril de 2026

Conhecidos pelo nome

 


Hoje, Jesus apresenta-Se como o Bom Pastor.
Não um dono. Não um chefe.
Mas Aquele que conhece.
Que chama pelo nome.
Que dá a vida. E fica. Mesmo quando todos se vão.
Num mundo que nos deixa cansados, dispersos, sozinhos...
Ele conhece o que escondemos:
o medo, a ferida, o cansaço por trás do sorriso.
E mesmo assim — chama-nos.
Não com gritos.
Mas com um sussurro.
Deus não impõe. Espera. E fala ao coração.
Para escutar essa voz, é preciso parar.
E isso assusta. Porque essa voz pede mais.
Pede verdade.
Pede entrega.
Pede caminho.
A fé não é costume.
É encontro.
É deixar-se conduzir por um Amor que nunca desiste.
Ele continua a chamar.
E o mundo tem fome.
Fome de sentido. Fome de paz. Fome de um Amor que não passa.
Talvez a vocação comece aqui:
no silêncio onde descobrimos que viver…
é dar a vida.

Padre João Torres

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Homilia do Papa Leão na missa de ordenação de dez sacerdotes

 


“Hoje, mais do que nunca, especialmente onde os números parecem indicar um distanciamento entre as pessoas e a Igreja, mantenham a porta aberta! Deixem entrar e estejam sempre prontos para sair. Este é outro segredo para a sua vida: vocês são um canal, não um filtro.
Muitos acreditam já saber o que há além daquele limiar. Trazem consigo memórias, talvez de um passado distante; com frequência, há algo vivo que não se extinguiu e que atrai; por vezes, porém, há qualquer outra coisa, que ainda sangra e afasta. O Senhor sabe e espera. Sejam reflexo da sua paciência e da sua ternura. Vocês são de todos e para todos! Que este seja o traço fundamental da sua missão: manter livre essa soleira e indicá-la, sem necessidade de muitas palavras.”

Vatican News