domingo, 15 de fevereiro de 2026

Escutar e pôr em pratica

 

https://www.youtube.com/watch?v=BuSx4t-JDvw&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=1


Como devemos responder à oferta de salvação que Deus nos faz? A liturgia do sexto domingo comum propõe-nos algumas respostas. Entre as diversas considerações que as leituras nos trazem, sobressai esta: somos chamados por Deus a um destino transcendente, a uma vocação sublime, a uma felicidade completa e eterna; não podemos, por desleixo, por comodismo, por falta de compromisso, ignorar uma proposta que nos garante a vida em plenitude.

Na segunda leitura, o apóstolo Paulo apresenta o plano salvador de Deus (aquilo a que ele chama a “sabedoria de Deus” ou o “mistério”). É um projeto que Deus preparou desde sempre “para aqueles que o amam”, que esteve oculto aos olhos dos homens, mas que Jesus Cristo revelou com a sua pessoa, com as suas palavras, com os seus gestos e, sobretudo, com o dom da sua vida até ao extremo. Na cruz onde Jesus entregou a vida vemos – ao vivo e a cores – o amor que Deus tem por nós; nesse amor descobrimos o caminho que leva à salvação, à nossa plena realização. A “sabedoria humana” – que Paulo denuncia – não é necessariamente, à priori, algo mau. Só será algo mau se nos atirar para caminhos de orgulho, de vaidade, de autossuficiência. Ora, muitas vezes é precisamente isso que acontece. Convencidos da nossa importância e da excelência das nossas “qualidades”, julgamos que podemos bastar-nos a nós próprios. Afastamo-nos de Deus, ignoramos as suas propostas, construímos a nossa história de vida à volta dos nossos interesses, dos nossos motivos, das nossas convicções pessoais. Os “mandamentos” de Deus tornam-se, para nós, um empecilho que fazemos questão de ignorar. Achamos também que não precisamos dos outros. Tornamo-nos arrogantes com os nossos irmãos, desprezamo-los e fazemos com que o mundo gire apenas à nossa volta. Acabamos por nos encontrar em caminhos fechados, que não levam a lado nenhum. Não é aí que está a nossa salvação, não é dessa forma que chegaremos à realização plena, não é assim que daremos sentido à nossa vida. Como é que queremos viver?

A primeira leitura diz-nos, no entanto, que somos livres de escolher entre as propostas de Deus (que conduzem à vida e à felicidade) e a nossa autossuficiência (que conduz, quase sempre, à morte e à desgraça). Para aqueles que escolhem a vida, Deus oferece-lhes os seus “mandamentos”: são os “sinais” que mostram o caminho da salvação. De onde vêm os males que sombreiam o caminho e a história dos homens? Resultarão da negligência de um Deus que “não quer saber” dos seus filhos? Serão castigos de Deus por nos termos portado mal e por termos escolhido caminhos inadequados? O problema do mal é complexo e não tem respostas simples. No entanto, a reflexão de Ben Sirá deixa-nos, desde logo, uma certeza: muitos dos males que desfeiam o mundo e que causam sofrimento aos homens provêm das escolhas erradas que fazemos. Deus não castiga, nem “inventa” males para nos travar; mas as nossas opções sem sentido podem resultar em dor e infelicidade para nós e para todos aqueles que caminham ao nosso lado. Se, no exercício da nossa liberdade, escolhermos ignorar as indicações de Deus e avançar por caminhos sem sentido, poderemos atribuir a Deus as culpas pelo dano que isso nos traz?

No Evangelho, Jesus pede aos seus discípulos – àqueles que aceitam a oferta da salvação que Ele traz e se dispõem a caminhar com Ele – que não se limitem a “serviços mínimos”, isto é, ao cumprimento da letra da “Lei”, mas adiram a Deus de todo o coração e busquem a vontade do Pai com paixão, com entusiasmo, com total compromisso. O “sermão da montanha” que Jesus um dia dirige aos discípulos no alto de um monte da Galileia tem por objetivo desafiá-los, fazê-los “ganhar altura”, evitar que eles fiquem atascados numa existência fútil e rasteira, levá-los a caminhar de rosto levantado e de olhos postos nas realidades eternas. Não se trata de evitar que eles sujem os pés e as mãos no pó dos caminhos, ou que reneguem essa fragilidade que é inerente à condição humana; trata-se de oferecer-lhes uma perspetiva elevada do sentido da existência, de forma que eles não se conformem com a mediocridade, as meias tintas, as convicções mornas, as coisas efémeras. Talvez devêssemos ler de vez em quando o “sermão da montanha” para não nos resignarmos à mediania e à banalidade, para não nos instalarmos numa existência cómoda mas sem saída. Somos chamados por Deus à santidade, a um destino transcendente, a uma vocação sublime, a uma felicidade completa e eterna. Não podemos aceitar menos do que isso. Estamos disponíveis para aceitar o desafio de Jesus e para abraçar o dinamismo do Reino de Deus e da sua justiça? Estamos dispostos a “voar alto” e a encontrar um sentido pleno para a nossa existência?
 
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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Papa dedica mensagem aos avós e idosos que «vivem na solidão ou se sentem esquecidos»

VI Dia Mundial vai ser celebrado a 26 de julho


Foto: Vatican Media


Cidade do Vaticano, 10 fev 2026 (Ecclesia)
– O Papa vai dedicar a sua mensagem para o VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos a todos os que “vivem na solidão ou se sentem esquecidos”, anunciou hoje o Vaticano.

‘Eu nunca te esquecerei’, uma passagem do livro bíblico do profeta Isaías (Is 49,15) é o tema escolhido por Leão XIV, assinala o comunicado de imprensa do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (Santa Sé), enviado à Agência ECCLESIA.

Segundo o organismo do Vaticano, a escolha “pretende sublinhar que o amor de Deus por cada pessoa nunca falha, mesmo na fragilidade da velhice”.

“Retirado do livro do profeta Isaías, o versículo escolhido pretende ser uma mensagem de consolo e esperança para todos os avós e idosos, especialmente para aqueles que vivem na solidão ou se sentem esquecidos. Ao mesmo tempo, é um apelo às famílias e às comunidades eclesiais para que não os esqueçam, reconhecendo neles uma presença preciosa e uma bênção”, indica a nota oficial.

O Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, instituído pelo Papa Francisco em 2021, é celebrado todos os quartos domingos de julho e apresenta-se como “uma ocasião para levar aos idosos a proximidade da Igreja e valorizar a sua contribuição nas famílias e nas comunidades”.

Este ano, a data coincide com a festa dos Santos Joaquim e Ana, 26 de julho, e Papa “convida a celebrar o Dia com uma liturgia eucarística na Igreja Catedral de cada diocese”.

O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida exorta as dioceses, as associações e as comunidades eclesiais de todo o mundo a “encontrarem formas de valorizar este dia no seu próprio contexto local e, para isso, disponibilizará posteriormente alguns instrumentos pastorais específicos”.

OC

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

A QUARESMA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL




Todos sabemos que o problema não está em ter assuntos importantes para escrever. Albert Einstein terá dito: “Duas coisas são infinitas: o universo e a burrice humana. Mas a respeito do universo ainda tenho dúvidas”. A respeito das temáticas importantes sobre as quais se pode escrever, também eu não tenho dúvidas, são mesmo como a burrice humana, são infinitas! O problema está em saber sobre qual delas, sem doidejar nem pôr a paciência a pique, sobre qual delas é que é importante escrever! Acho, porém, que escrever sobre a Quaresma, agora que ela está mesmo à bica, é tema mais que importante, mesmo que gente muito importante não enxergue a sua importância.
Porque, em horas de sonolência, o pensar me estava a dar cá uma trabalheira dos diabos, ainda por cima com este tempo assanhado sem sombra de chaparro à mão de semear, por curiosidade, mas de pé atrás pelo que me poderia dizer, perguntei à Inteligência Artificial (IA) que pistas me dava para escrever e aconselhar boas práticas para que esta Quaresma fosse, de facto, bem vivida por gente de boa vontade. E..., imaginem só!... a própria IA, clara e rápida, não achou a Quaresma ultrapassada nem manifestou qualquer discriminação entre gente de boa vontade e gente de má vontade. Na minha ciclópica ignorância sobre tal matéria, arrisco a dizer que isso deve ter muito a ver com os segredos dos algoritmos!... Estes, porém, embora não tenham comparação possível, fazem-me lembrar os segredos pontifícios, aqueles que nem o Papa sabe!... Tal como Deus não faz - e ensinou a que não fizéssemos -, também ela, a IA, não fez acessão de pessoas. A todos, mesmo àqueles que partilham do banquete do progresso mal-entendido, das guerras e quejandos, aconselhou as sempre atuais e necessárias práticas, práticas, pelos vistos, nunca ultrapassadas, mesmo que venham de muitíssimo antes dos afonsinhos. E reparem que até ao momento, a IA é o maior dos espirros da inteligência e do progresso humano, embora outros se venham a seguir bem mais estrondosos e admiráveis, suponho eu! Para ela, supina inteligência artificial, somos todos usuários desta ‘cebola cósmica’ a descascar lacrimosamente, onde toda a gente está convidada a abraçar o tempo santo da Quaresma. É um tempo favorável para limpar as ervas daninhas, as poeiras e as lamas da vida. E também o é para varrer as teias d’aranha que sempre teimam em enxamear os olhos, a mente e o coração, com grave influência no rodopio da vida pessoal e familiar, nos hábitos e tinos sociais. Se por todos vivida, em verdade e alegria, até as lágrimas ajudarão a lavar os olhos, o coração e a mente, afastando ódios e vinganças, peneiras e orgulhos, guerras e ganâncias, desprezos e descartes, violências e mortes, indiferenças e línguas maldosas e viperinas...
Eis, ‘ipsis verbis’, o que a IA me disse:
“A Quaresma é um tempo litúrgico de 40 dias - de Quarta-feira de Cinzas até à Quinta-feira Santa - focado na conversão, preparação para a Páscoa, penitência e oração.
A vivência bem-sucedida deste período baseia-se tradicionalmente no "tripé" quaresmal: oração, jejum e esmola.
Aqui estão algumas pistas práticas baseadas na tradição católica para uma Quaresma bem vivida:
1. Oração: Intensificar o Relacionamento com Deus
- Mais Tempo de Oração: Reserve um tempo diário, em silêncio, para rezar, preferencialmente meditando a liturgia diária ou lendo a Sagrada Escritura.
- Via Sacra: Reze a Via Sacra (seja na igreja ou em casa) para meditar sobre o sacrifício de Jesus.
- Adoração e Missa: Participe com mais frequência na Santa Missa, comungando, e dedique tempo à adoração semanal.
- Rezar o Terço: Dedique-se à oração do terço diariamente.
2. Jejum e Penitência: Desapego e Conversão
- Jejum de Alimentos: Cumprir o jejum e a abstinência de carne na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa.
- Jejum da Língua: Evite fofocas, calúnias, reclamações e procure falar bem dos outros.
- Jejum Digital/Renúncias: Reduza o tempo nas redes sociais, televisão, jogos ou evite doces/bebidas alcoólicas.
- Mortificação: Pratique pequenas renúncias diárias para treinar a vontade e elevar a mente a Deus.
3. Esmola: Caridade e Solidariedade
- Ajudar os Necessitados: O valor economizado com os jejuns pode ser doado a quem precisa.
- Atos de Caridade: Realize ações concretas de solidariedade, como visitar doentes ou ajudar alguém próximo.
- Doação de Bens: Faça uma limpeza no guarda-roupa ou na casa e doe o que não utiliza.
4. Mudança de Vida e Conversão
- Confissão: Faça um bom exame de consciência e procure o sacramento da Reconciliação (confissão) para se preparar para a Páscoa.
- Leitura Espiritual: Separe minutos da rotina para ler bons livros espirituais ou a Bíblia.
- Praticar a Virtude: Foque na humildade, paciência e resiliência no dia a dia.
- Cuidado com a Casa Comum: Evite o desperdício de energia, água e alimentos.
-- Dica chave: Não tente fazer tudo de uma vez. Escolha um propósito concreto e viva-o com intensidade, preferencialmente com o auxílio do Espírito Santo.”
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Esta manhã, em Roma, foi publicada a Mensagem do Santo Padre para a Quaresma 2026, sob o tema: “Escutar e jejuar - Quaresma como tempo de conversão”.
D. Antonino Dias
13-02-2026.

A saudade é uma dor do amor




O amor que um dia foi verdade nunca desaparece. Pode afundar-se dentro de um coração ao ponto de já ninguém, nem o próprio, o ver. Mas não morre, porque o amor não morre, nunca. Bastará muito pouco para que se manifeste e se revele vivo, apesar de tudo.

É dolorosíssimo aceitar que já não há neste mundo o que há, tão vivo, em nós. O tempo, que quase tudo muda, não muda o amor. O que fica então? A saudade, que congrega três dimensões distintas:

– Uma alegria pura e uma dor profunda por sermos senhores de viver algo raro;

– A vontade imensa de voltar para junto da fonte de onde brotou a razão da nossa esperança;

– A certeza amarga de que é impossível voltar a viver, mas que, apesar de tudo, ainda tudo é possível.

Alguns de nós deixam-se ficar numa destas facetas, outros vivem uma a uma sucessivamente, outros ainda não sabem sequer identificar aquilo que o amor lhes pede agora, depois de lhes ter dado tudo.

O amor faz-me ser quem sou. Se há algo ou alguém que amo que deixa de estar perto, então começa o tempo da luta para encontrar a verdade de que, por mais que não pareça, o nosso amor existe; a dor prova-o com grande evidência.

Não estou só, porque amo. É quando estou mais longe deste mundo que mais sinto aqueles que amo. Não é bom… nem mau. É assim. É amor.

Cada um de nós é um amor no tempo.

O tempo acabará; o amor, não.


José Luís Nunes Martins


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

É o que é!


E pronto, não vale a pena contestar, esbracejar porque as coisas são como são e nem sempre como queres que seja.

É o que é, as pessoas são como são e tu és o que és!

Dou por mim a aceitar que há coisas com as quais não vale a pena lutar, e a aceitar que elas são assim e eu, por mais que tente, não as consigo mudar. Depois resta-me decidir se quero fazer parte de algo em que não sinto que “Sou” ou se simplesmente aceito e sigo outro caminho.

Não significa que tenha razão, ou que a minha perspetiva seja a correta, mas há momentos que sentes ninguém quer saber da tua opinião e como tal aceitas que as coisas são como são.

Não podemos mudar o mundo nem moldá-los às nossas convicções ou pontos de vista, mas talvez conseguíssemos melhor se ouvíssemos mais opiniões com vontade genuína de receber um contributo para o que pensamos, sem estereótipos nem barreiras.

Resignamos e baixamos os braços porque nem sempre vemos as nossas opiniões e ideias serem recebidas como algo bom, por mais estranho que pareça. Perdemos muito tempo com o ruído e esquecemo-nos do que realmente é importante: Aquilo que tu és!

E o que és é uma construção repleta de muitas e variadas peças, de alegrias, mágoas, rancores e conquistas e elas tornam-te única e especial.

Não te distraias com o ruído dos que querem parecer superiores e definir como as coisas têm de ser. Repara que aquilo que é depende muito do sítio em que estás, na posição em que olhas para a situação, ou das tuas próprias fragilidades. E sabes, nem sempre o que é hoje, será amanhã por isso está atenta, amanhã pode ser a tua oportunidade que aquilo que é ser exatamente aquilo que queres que seja.

E tu, amiga, como queres que seja o teu amanhã?


Raquel Rodrigues

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

DIA MUNDIAL DO DOENTE



Instituído em 1992 pelo Papa João Paulo II, o Dia Mundial do Doente vem despertar a consciência do Povo de Deus e das instituições de saúde para a necessidade de uma assistência digna a todos os que sofrem. Este dia lembra‑nos que cuidar dos doentes não é algo secundário, mas uma dimensão central da missão da Igreja.

Bento XVI e Francisco aprofundaram esta visão, sublinhando a diaconia da caridade e um cuidado que acolha e acompanhe a pessoa na sua totalidade. A Encíclica Fratelli Tutti recorda-nos que a saúde não é apenas um bem individual, mas um bem comum, que convoca solidariedade e responsabilidade partilhada.

Para o XXXIV Dia Mundial do Doente, o Papa Leão XIV propõe-nos A compaixão do samaritano: amar carregando a dor do outro. Retomando a parábola do Bom Samaritano, o Santo Padre recorda que amar exige a coragem de parar, a humildade de nos aproximarmos e a disponibilidade de cuidar. A compaixão não é apenas um sentimento, mas torna‑se compromisso, ação concreta, sobretudo diante da fragilidade da doença.

Amar o próximo é a expressão visível do nosso amor a Deus e um caminho para um amor mais autêntico a nós mesmos. O cuidado pelos doentes e pelos mais vulneráveis não é ocasional nem opcional: é um dos sinais mais claros da fidelidade ao Evangelho e da esperança que somos chamados a testemunhar no mundo.

RMOP

Sobre presença!



Tenho pensado cada vez mais sobre isto do estar presente. Num mundo com pressa e com valores que se atropelam, onde cada um quer mais falar de si, sobrando pouco para o outro; presença pode ser um presente incrível para oferecer, ainda por cima gratuito!

E tu quando estás, estás?

A minha resposta seria: não tantas vezes quanto gostaria.

Pois bem, sinto que quando estou sou mais genuína, oiço com atenção, respondo com mais verdade, o tempo dá-nos uma trégua e às vezes até pára um pouquinho para ali ficarmos atentos, juntos, a partilhar "coisas" da vida.

E quando o fazem comigo também é incrível, porque me sinto vista, sentida, acolhida.

Vamos lá oferecer mais presença!


Lucília Miranda