quarta-feira, 8 de abril de 2026

Tira a Pedra do teu Sepulcro



O caminho quaresmal está repleto de alusões a mudanças e transformações.

É um cego que passa a ver, um paralítico que volta a andar, um morto que volta à vida e uma mulher que é perdoada e muda de vida.

Era tão bom que fosse assim tão fácil!

Era tão bom que um encontro nos permitisse ver melhor o que de bom há no mundo, andar ao encontro do que realmente é importante, recuperar o gosto pela vida quando o desânimo se apodera de nós ou sentir que nos é dada uma nova oportunidade sem preconceitos ou julgamentos.

E não fica por aí.

Esta alusão permanece ao longo dos tempos mas assume especial relevo no dia da ressurreição. Aí é uma Pedra que é tirada para que a luz entre na escuridão e se liberte o que nos impede de ser melhores: o medo, a culpa, a raiva a revolta…

Temos tantas coisas que nos mantêm no escuro, que nos limita e nos impede de ver a beleza do que a luz do dia permite ver. Mas não é fácil, e não é de um dia para o outro que sentimos que nos tiram o peso da pedra.

Quantos de nós gostariam de acordar e sentir que algo mudou?

Quantos gostariam de acordar e não sentir saudade?

Quantos gostaríamos de acordar e saber que alguém recuperou a saúde?

Quantos Senhor, gostariam de ressuscitar contigo e recomeçar! Sair de um Sepulcro de tristeza e sentir a alegria da vida, do caminho e dos encontros.

Ensina-me Senhor, a tirar a pedra do meu Sepulcro para que, também eu faça Páscoa contigo.

E tu amiga o que te impede de ver a Luz!


Raquel Rodrigues

terça-feira, 7 de abril de 2026

Quem retira a pedra do nosso Sepulcro?






Entramos, agora, na Semana Maior.

Nestes dias, Jesus aproxima-se mais do nosso sofrimento, e da nossa Cruz, uma vez que os viveu (primeiro) por nós. E antes de nós. Sinto sempre que esta é uma das semanas que mais nos tornamos cúmplices da vida de Jesus. Sentimos que sabemos o que este homem passou por passarmos, nós, também pelo sofrimento e pela dor.

A Semana Santa abre caminho para um encontro muito profundo, e às vezes doloroso, com a nossa própria fragilidade. É como se fôssemos convocados a conhecer o sofrimento alheio para ter coragem e compaixão suficientes para encarar e respirar o nosso.

É sempre tempo de trazer, nesta altura, a certeza de quantos caminhos foram abertos para nós, como humanidade, através desta entrega plena do Filho de Deus.

No entanto, apercebemo-nos, com o viver do dia a dia, que este presente que nos foi dado há tantos mil anos (e que é renovado a cada Semana Santa) é tantas vezes esquecido e ignorado por cada um de nós. Temos memória curta para o que não nos interessa. Para o que é difícil e para o que tomamos como garantido.

Esta entrega de Jesus não nos trouxe só a convocação da cumplicidade do sofrimento e da dor. Trouxe-nos muito mais do que isso.

Trouxe-nos o entendimento e a consciência de que o sofrimento tem um avesso e um final que rima com a luz da eternidade. É aqui que talvez resida a lição que melhor temos de aprender: na luz e na esperança que residem por detrás do sepulcro do nosso sofrimento e da nossa vida (tantas vezes desafiante e dolorosa).


Há esperança, apesar da Cruz.

Há luz apesar da dor.

Há Céu e um coração que arde apesar do que nos pesa.

Há voo apesar das asas que, um dia, foram cortadas.

Tudo isto nos é ensinado pela Cruz. É através da Cruz que nos vemos melhor.

Que nos possamos relembrar que estaremos capazes de abrir a pedra do nosso sepulcro quando compreendermos que é o próprio Jesus que nos leva pela mão.


Marta Arrais

segunda-feira, 6 de abril de 2026

CORRIDA DA PÁSCOA

 


Maria Madalena corre para o sepulcro de Jesus.
Corre porque o amor tem pressa.
Não suporta demoras, nem atrasos de comunhão.
Também eu tenho de aprender a correr…
abandonando a lentidão,
os medos das quedas,
as resignações de uma vida sem Ressurreição nem Páscoa.
Maria Madalena corre,
levada pela chama de um amor que não morre.
Depois de ficar impactada diante do túmulo aberto,
ela volta a correr à cidade para contar aos outros.
É a primeira corrida de Maria Madalena.
A grande corrida da Páscoa!
Por que corre Maria Madalena? Quem a faz correr?
Algo estranho, quase surpreendente:
a Páscoa é coisa de atletas…
Correr é o sinal evidente de quem ama.
O amor corre.
Não pára diante das dificuldades da vida.
A corrida da Páscoa é a grande corrida:
da morte à vida,
do medo à confiança,
da separação ao encontro,
do ressentimento ao perdão,
das lágrimas à alegria profunda.
A corrida da Páscoa não é um “tudo ou nada”,
nem um ponto final já alcançado.
É um caminho…
um avanço…
uma promessa que começa a cumprir-se.
É motivo para não desistir.
É motivo para recomeçar.
É motivo para continuar a correr…
Cristo ressuscitou. E tu, vais ficar parado?

Padre João Torres

domingo, 5 de abril de 2026

Páscoa

                                       https://youtu.be/gOEevpZb8Pc?si=m-LvmxsTMLAi8vM6




  











Domingo de Páscoa

 

https://www.youtube.com/watch?v=epFfn1Sq780&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=164



A liturgia deste domingo celebra a ressurreição de Jesus. Proclama a vitória da Vida sobre a morte, do Amor sobre o ódio, do Bem sobre o mal, da Verdade sobre a mentira, da Luz sobre as trevas. Garante-nos que a morte não pode prender quem aceita fazer da própria vida um dom de amor. É do amor que nasce a Vida plena, a Vida em abundância, a Vida verdadeira e eterna.

Na primeira leitura
Pedro, em nome da comunidade, apresenta o exemplo de Cristo que “passou pelo mundo fazendo o bem” e que, por amor, fez da sua vida um dom total a Deus e aos homens. Por isso, Deus ressuscitou-O: o caminho que Jesus percorreu e propôs conduz à Vida. Os discípulos, testemunhas desta dinâmica, devem anunciar este “caminho” a todos os homens. A ressurreição de Jesus significa também que o medo, a morte, o sofrimento e a injustiça deixam de ter poder sobre a pessoa que ama, que se dá, que partilha a vida. Ela tem assegurada a Vida plena – essa Vida que os poderes do mundo não podem destruir, atingir ou restringir. Ela pode, assim, enfrentar o mundo com a serenidade que lhe vem da fé. Estamos conscientes disto, ou deixamo-nos dominar pelo medo, sempre que temos de agir para combater aquilo que rouba a vida e a dignidade, a nós e a cada um dos nossos irmãos?

O Evangelho convida-nos a olhar para o túmulo vazio de Jesus e a “acreditar”: o verdadeiro discípulo de Jesus, aquele que o conhece bem, que entende a sua proposta e está disposto a segui-l’O sabe que a forma como Ele viveu e amou não podia terminar no túmulo, no fracasso, no nada. Por isso, está sempre preparado para acolher a Boa notícia da ressurreição. A ressurreição de Jesus é a vitória da Vida sobre a morte, da verdade sobre a mentira, da esperança sobre o desespero, da justiça sobre a injustiça, da alegria sobre a tristeza, da luz sobre as trevas. Abre-nos perspetivas completamente novas e garante-nos o triunfo de Deus sobre as forças que querem destruir o mundo e os homens. Nós, que acreditamos e celebramos a ressurreição de Jesus, somos testemunhas da vitória da Vida junto dos nossos irmãos paralisados pelo medo e pelo pessimismo? A mensagem que levamos ao mundo é uma mensagem de alegria e de esperança que tem as cores da manhã de Páscoa?

A segunda leitura ensina que os cristãos, unidos a Cristo ressuscitado pelo batismo, morreram para o pecado e nasceram para a Vida nova. Ao longo da sua caminhada pelo mundo, devem dar testemunho dessa Vida nova nos seus gestos, no seu amor, no seu serviço a Deus e aos homens. O Batismo introduz-nos numa dinâmica de comunhão com Cristo ressuscitado. A partir do Batismo, Cristo passa a ser o centro e a referência fundamental à volta da qual se constrói toda a vida do crente. Qual o lugar que Cristo ocupa na nossa vida? Temos consciência de que o nosso Batismo significou um compromisso com Cristo e uma identificação com Cristo?

https://www.dehonianos.org/

sábado, 4 de abril de 2026

UM PEDAÇO DE SILÊNCIO



Ontem, com um gesto rápido,
apanhei um pedaço do manto de Cristo.
Era um pedaço de silêncio.
E percebi…
que há silêncios que não são ausência —
são presença que ainda não sabemos escutar.
O Sábado Santo é isso:
um dia suspenso,
um tempo que não avança nem recua,
um espaço onde tudo parece ter terminado…
e nada ainda começou.
A cruz já ficou para trás.
A Ressurreição ainda não chegou.
E no meio… fica este silêncio.
Silêncio pesado.
Silêncio que dói.
Silêncio de quem perdeu,
de quem não entende,
de quem já não tem palavras para rezar.
A pedra foi colocada.
O sepulcro fechou-se.
E com ele, parecem fechar-se também
as certezas, os sonhos, a esperança.
Quantas vezes a nossa vida é assim…
um longo Sábado Santo.
E custa.
Custa quando Deus não fala.
Quando não intervém.
Quando parece ausente.
Mas talvez…
talvez seja precisamente aí
que Ele mais profundamente trabalha.
O Sábado Santo não é vazio.
É gestação.
É o tempo em que Deus parece ausente,
mas está a descer às profundezas da nossa noite,
aos nossos medos,
às nossas perdas,
às zonas onde já não acreditamos em nada…
E aí, onde ninguém chega,
Ele entra.
Rompe cadeias.
Abre caminhos.
Acende luz.
Por isso, este silêncio não é o fim.
É um intervalo sagrado.
É o tempo da fé mais pura —
aquela que não vê,
mas permanece.
É o tempo de aprender a esperar.
A confiar sem garantias.
A permanecer, mesmo sem sentir.
Talvez hoje a tua vida esteja assim:
em suspenso,
em silêncio,
num Sábado que parece não ter fim.
Não fujas.
Fica.
Escuta.
Acolhe.
Porque é neste silêncio
que Deus te refaz por dentro.
E mesmo que ainda não o vejas…
mesmo que tudo pareça fechado…
a pedra já começou a mover-se.


Padre João Torres

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Judas vendeu Jesus, mas não conseguiu comprar paz



Judas caminhou com Jesus, ouviu Seus ensinamentos, presenciou milagres, viu o poder de Deus manifestado diante dos seus olhos. Ainda assim, seu coração foi seduzido por algo menor: trinta moedas de prata.

O problema de Judas não foi apenas a traição, foi a troca. Ele trocou o eterno pelo imediato, o Salvador pelo dinheiro, a verdade pela vantagem.
Há pessoas que caminham perto de Jesus, mas o coração ainda está negociando valores. Estão na igreja, mas ainda fazem acordos silenciosos com o pecado, com a ambição, com a aprovação dos homens.
A história de Judas nos lembra uma verdade profunda: quem vende princípios para ganhar algo neste mundo pode até receber as moedas… mas perde a paz, perde a consciência e, muitas vezes, perde a própria alma.
Dinheiro nenhum compra descanso para um coração que sabe que traiu a verdade. Poder nenhum silencia uma consciência que sabe que negociou aquilo que era sagrado.
Por isso Jesus disse em
Mateus 16:26:
“Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”
O Reino de Deus não é construído por pessoas perfeitas, mas por pessoas que decidiram que existem coisas que não estão à venda.
Que a nossa fé não esteja à venda.
Que nossa consciência não esteja à venda.
Que nossa lealdade a Cristo não esteja à venda.
Porque quando Cristo é o nosso maior tesouro, nenhuma moeda deste mundo é capaz de nos comprar.
Quem negocia princípios pode até ganhar moedas… mas sempre perde algo que dinheiro nenhum pode devolver: a própria alma.

(Celebrando a Vida)