domingo, 14 de junho de 2026

A Oração do descanso

 


Que eu saiba descansar na mesma medida em que sei trabalhar.

Que eu olhe para a vida como é e não como gostava que fosse.

Que eu honre os dias lentos, sem afazeres nem pressas.

Que eu atravesse os dias devagar, não me culpando nunca por precisar de parar. Abrandar. Refazer. Retomar. Suspender. Pausar.

Que o ruído dê lugar à paz. Principalmente dentro de mim.

Que as palavras do outro não me forcem nunca a fazer o que não quero. A ir para além dos meus limites.

Que eu saiba que o trabalho faz parte da vida, mas que o trabalho não é (nem poderá substituir – ou ser – a minha vida).

Que as dificuldades sejam desatadas com calma. Com conversa.

E, de preferência, após uma noite de sono completa.

Que a luz da manhã me traga a certeza de que este dia é meu, mas que o de amanhã pode não ser.

Que eu não subestime o meu corpo nem os sinais que me dá quando estou a fazer demais, a ser demais, a dar demais.

Que eu possa parar e recomeçar todas as vezes que forem necessárias para o meu bem-estar emocional, mental, espiritual e físico.

Que eu seja sempre fiel aos meus ritmos internos e não aos ritmos de uma empresa, de um trabalho ou de uma profissão.

Que a minha vida esteja sempre em primeiro lugar.

Que o descanso seja vivido mais vezes sem a necessidade de compensar (com trabalho) depois.

Que aprendamos a amar o sossego, a quietude, a tranquilidade e a natureza de todas as coisas como são.


Marta Arrais

A Missão

 

https://www.youtube.com/watch?v=8olVxlfVNEU&t=288s

Neste domingo, a Palavra que vamos reflectir recorda-nos a presença constante de Deus no mundo e a vontade que Ele tem de oferecer aos homens, a cada passo, a sua vida e a sua salvação. No entanto, a intervenção de Deus na história humana concretiza-se através daqueles que Ele chama e envia, para serem sinais vivos do seu amor e testemunhas da sua bondade.

A primeira leitura apresenta-nos o Deus da "aliança", que elege um Povo para com ele estabelecer laços de comunhão e de familiaridade; a esse Povo, Jahwéh confia uma missão sacerdotal: Israel deve ser o Povo reservado para o serviço de Jahwéh, isto é, para ser um sinal de Deus no meio das outras nações.

O Evangelho traz-nos o "discurso da missão". Nele, Mateus apresenta uma catequese sobre a escolha, o chamamento e o envio de "doze" discípulos (que representam a totalidade do Povo de Deus) a anunciar o "Reino". Esses "doze" serão os continuadores da missão de Jesus e deverão levar a proposta de salvação e de libertação que Deus fez aos homens em Jesus, a toda a terra.

A segunda leitura sugere que a comunidade dos discípulos é fundamentalmente uma comunidade de pessoas a quem Deus ama. A sua missão no mundo é dar testemunho do amor de Deus pelos homens - um amor eterno, inquebrável, gratuito e absolutamente únic
o.

sábado, 13 de junho de 2026

A tua fé te salvou




Quando algo não nos corre bem temos a tendência de apontar o dedo a Deus e perguntar: “onde estavas?”

Quando vemos as notícias na televisão de guerras e destruição temos a tendência de apontar o dedo a Deus e perguntar: “porque não fazes nada?”

Temos vontade de nos revoltar e até cobrar a Deus toda a nossa devoção, oração e missão em prol da messe, em troca de benfeitorias eternas. Será legítimo?

Gostaria muito de não ser assolada por preocupações mas, não seria mais santa por isso. Que testemunho daria eu aos outros se amar Deus apenas porque ele me dá o que quero?

Que testemunho daria aos outros se abandonasse a minha fé apenas porque Deus, aparentemente, me virou as costas, provando-me com a doença, morte ou dificuldades financeiras?

É mais fácil testemunhar Deus quando assistes a milagres, mas será tão mais importante nos momentos em que estiveres a passar dificuldades teres a capacidade de, ainda assim, louvares a Deus e a mostrar que confias Nele.

Toma por exemplo o amor de uma mãe ou pai.

Quando é que nos focamos mais nos filhos? Precisamente quando mais eles precisam de nós. Podem ter mil e um defeitos, mas basta tossir ou estarem abatidos que lá vamos nós com todo o amor.



E é muito fácil falar dos nossos filhos quando eles são bons alunos, atletas, educados, mas não será mais valente aquele que apesar de reconhecer as fragilidades do filho ainda tem a coragem de testemunhar o quanto o ama?

E nós? Basta a vida correr mal que duvidamos logo do amor de Deus e pomos em causa a nossa fé como se ela de nada nos valesse.

Será que ainda não nos apercebemos que a nossa fé, a nossa confiança, enfim o nosso amor a Deus é o que nos salva? O que seria de nós, se apesar das contrariedades, não tivéssemos a certeza de que não estamos sós e que nada é em vão?

Por isso se um dia estiveres a passar um mau momento e te perguntarem: “Ainda assim tens fé?” Lembra-te de responder: “O que seria se não tivesse?”

E tu amiga, quando sentiste que a tua fé te salvou?


Raquel Rodrigues

sexta-feira, 12 de junho de 2026

AÍ NÃO PODE MESMO HAVER FRONTEIRAS...

Por essas raias adentro todos somos, desde há muito, dum espaço schengen muito mais generoso que o acordado em 1985. Há mais de dois mil anos, consumado e assinado a sangue, foi inaugurado um ‘espaço’ que nos desafia à fraternidade universal, sem fronteiras! Até os putim, os trump, os netanyahu e outros que tais, devem fazer parte da mochila de quem ultrapassa as fronteiras de si próprio para se preocupar com os outros, sem esquecer os predadores e as suas vítimas. Sim, também o bem dos predadores, para que reconsiderem o terrível sofrimento das suas vítimas e o mal que fazem a si próprios e ao mundo; e pelo bem das vítimas, para que não paguem na mesma moeda dos predadores, moeda desprezível, há muito desvalorizada e sem cota no mercado do bem viver e do viver bem.
Muitos dos leitores terão lido o livro de Giovanni Guareschi: ‘O Pequeno Mundo de Dom Camilo’. Outros, com certeza, viram o filme do cineasta francês Julien Duvivier, de 1952, baseado nesse livro, em que, o ator Fernandel faz o papel de Dom Camilo, o pároco da povoação, e Gino Cervi, o papel de Peppone, o governante local, comunista ferrenho. O livro realça as peripécias de Dom Camilo com Peppone e de Peppone com Dom Camilo. Dois cavalheiros, mas com singularidades muito próprias. Eram como o “cão e o gato”, diria o povo. Na hora agá, porém, sempre acabava por permanecer o bom senso e a humanidade. Os empecilhos eram superados, a tolerância, mesmo que rabugenta, lá vencia, e até não se inibiam de partilhar confidências e uma bebida lá na tasca do sítio. Apesar de inimigos ideológicos, ambos primavam pela dedicação à terra e amor à população, e cada um reconhecia a importância do outro no bem-estar da mesma. Quando algum deles estava na mó de baixo, lá estava o outro a defendê-lo perante o povo.
Mas, a que propósito vem isto agora? - perguntarão. Vem vem, vem muito a propósito. Não é uma viola no enterro. É o enterro da viola de quem, porventura, toca a vida a desprezar os outros. Até esquece que a própria oração não pode ter essas fronteiras, mesmo que force a engolir alguns sapinhos em seco ou a ter de os empurrar com o dedo. Os diálogos de Dom Camilo com a imagem de Cristo crucificado, são mais que eloquentes nesse sentido. Apesar de comunista, ateu e rival do Padre, Peppone, em horas de aperto, dirige-se à igreja para suplicar a Dom Camilo que rezasse pelo seu filho, gravemente doente. O Padre, vendo-o tão desesperado e a chorar, comoveu-se, esqueceu a sanha política, prometeu rezar pela criança e até a guerra fria sentiu uma folgazinha. No entanto, Dom Camilo, interiormente amuado pelo atrevimento de Peppone, sente necessidade de ir confidenciar e pôr o Crucificado ao corrente do que se estava a passar. A resposta do Crucificado não se fez esperar. Diz-lhe Dom Camilo: "Senhor, Vós sabeis quem é Peppone. Ele roubou, ameaçou, fez a vida negra à igreja e aos vossos fiéis. Mas hoje ele chorou". E responde-lhe Cristo: "Camilo, o sofrimento dele também é sofrimento teu. Tu deves perdoar e rezar pela criança". E insiste Dom Camilo: "Mas Senhor, Vós não podeis pedir-me tanto! A criança é filho daquele comunista. É pedir demais!". E volta Cristo: "Dom Camilo, não te esqueças de que Eu também perdoei aos que me crucificaram". Dom Camilo, vencido pela palavra e pelo sorrizinho de Cristo, reza pela cura da criança que acaba por recuperar a saúde. Peppone, muito reconhecido, vai à igreja para agradecer, como sabia e sentia, a ajuda divina na sua causa.
É certo que ninguém deve criticar a forma de rezar de quem quer que seja. No entanto, os mestres nessa área dizem-nos que é preciso aprender a rezar: “Senhor, ensina-nos a orar, como João também ensinou os seus discípulos” (Lc 11, 1). Sem dúvida que cada um é cada qual e lá tem o seu caminho e o seu jeito de caminhar, desde que esse jeito e caminho não constituam uma romaria ao redor de si mesmo. Poderá haver gente que se tem como centro do mundo. Tudo faz para que todos girem à sua volta e olhem para si. Até pensa que pode envolver o próprio Deus nessa sua singularidade. Primeiro, eu. Segundo, eu. Terceiro, eu. Quarto, eu. Sempre, eu. E se alguma coisa sobrar para além do meu eu, ó Senhor, que seja para aqueles de quem gosto e me possam ajudar! Nunca reza por outras causas, nem pelos outros, muito menos pelos inimigos ou adversários! Toda a oração que deixa os outros de fora, que deixa o mundo para trás, é uma farsa, afirmava o Papa Francisco: “Se a oração não recolhe as alegrias e as tristezas, as esperanças e angústias da humanidade, torna-se uma atividade ‘decorativa’, uma atitude superficial, teatral, uma atitude intimista”.
O catecismo da Igreja Católica diz-nos que a oração pelos outros nos conforma de perto com a oração de Jesus, o qual intercedeu por todos. Jesus é o único intercessor junto do Pai em favor de todos, em particular dos pecadores, incluindo os que lhe fizeram mal, os próprios inimigos. E continua a fazê-lo, pois possui um sacerdócio eterno, um sacerdócio que não acaba, está vivo para sempre, a fim de interceder por nós (cf. Hb 7, 24-25).
Também o Espírito Santo, de acordo com a vontade de Deus, intercede por todos nós, “com gemidos inefáveis” (Rom 8, 26b-27). Interceder pelos outros é próprio dum coração conforme com a misericórdia de Deus: assim é desde Abraão. As primeiras comunidades cristãs faziam desta forma de partilha uma força de comunhão, de unidade, uma força missionária. Todos, como ainda hoje acontece, eram incluídos na sua oração: pessoas, famílias, povos, autoridades, inimigos, perseguidores, os que rejeitavam o Evangelho e o próprio Deus, as necessidades da Igreja e dos Estados, a paz, a cura de doenças e causas específicas (cf. CIgC2634-2636). São Paulo, em todas as suas orações, pedia com alegria por todos (Fil 1, 4.7), dava graças a Deus por todos (Fil 1,3; Rom 1,8), agradecia a graça que Deus a todos concedia em Jesus Cristo (1Cor 1,4).
Esta atitude de Paulo é “uma visão espiritual, de fé profunda, que reconhece aquilo que o próprio Deus faz neles. E, simultaneamente, é a gratidão que brota de um coração verdadeiramente solícito pelos outros” (EG282). Colocar-se como intercessor entre Deus e as pessoas ou circunstâncias, manifesta humildade, amor, compaixão, caridade, solidariedade. Ao longo da História da Humanidade, grandes homens e mulheres, que influenciaram os destinos do mundo eram grandes intercessores. Colocar-se no lugar do outro, sentir as suas dores e necessidades, interceder pelas suas causas e dificuldades, buscar ativamente a intervenção divina em seu favor, é um ato de amor e de serviço ao próximo.


D. Antonino Dias
Caminha, 12-06-2026


O que realmente importa?



Hoje começo a minha reflexão por subscrever estas palavras de Pedro Chagas Freitas... "o que não é essencial torna-se ridículo e quase tudo não é essencial" isto no seguimento das ridículas mesmices com que brindamos os nossos dias e que tantas vezes, nos frustram, nos abalam, nos fazem perder o nosso precioso tempo, em prol daquilo que verdadeiramente deve importar!

Costumo, até, dizer que há quem tenha o dom de tornar o fácil difícil só porque sim e porque de empatia percebe pouco, centrando o seu mundo no seu umbigo. E assim age como se esses seus quês fossem a" jóia da coroa" sem pensar que o "ouro sobre azul" está a anos luz dessas mesquinhices que brotam por aí como ervas daninhas!

Por isso importemo-nos com o que importa e transportemos para os outros mais leveza e menos fardo.

Termino como comecei citando outras palavras, do mesmo autor, que diz: "... o risco a sério, o medo verdadeiro, arranca-nos as camadas de estupidez com que nos embrulhamos a vida toda!"

Pensemos nisto.


Lucília Miranda


quinta-feira, 11 de junho de 2026

CRISMA/CONFIRMAÇÃO SEM PERSEVERANÇA: FÉ VERDADEIRA OU SIMPLES TRADIÇÃO?

 


CRISMA/CONFIRMAÇÃO SEM PERSEVERANÇA:
FÉ VERDADEIRA OU SIMPLES TRADIÇÃO?
“Se conferir a Crisma é uma das maiores alegrias do bispo, há outra coisa que é motivo de tristeza. É que, às vezes, quando o bispo confere a Crisma, o dom do Espírito Santo, nunca mais vê os adolescentes! Desaparecem da paróquia. E, a esse respeito, quero pedir: dediquem uma atenção especial a um dos dons do Espírito Santo chamado perseverança. Não esqueçam o que viveram neste tempo, para que a alegria também chegue a Roma, para celebrarmos juntos, rezarmos juntos, para essa alegria viva em seus corações e para que continuem sendo discípulos fiéis de Jesus Cristo. Sejam perseverantes na fé, para que voltem à paróquia — há muitas atividades, muitas oportunidades —, mas sobretudo na vida de fé, porque Jesus Cristo quer caminhar com vocês, com cada um de vocês e com todos vocês em comunidade - o que é tão importante. Não vivemos a fé sozinhos, vivemos juntos. E formar essas relações de amizade, de comunidade, é uma maneira de viver a perseverança como discípulos de Jesus.” (Papa Leão XIV, 16.5.2026)
As palavras do papa são ao mesmo tempo um apelo e um diagnóstico doloroso da realidade. Fala da alegria do Crisma, mas também da tristeza de ver tantos jovens desaparecerem da vida da comunidade logo depois de receberem o sacramento. E a pergunta impõe-se: terá razão? Infelizmente, basta olhar para a realidade das nossas paróquias para perceber que sim.
Muitos jovens fazem a catequese, recebem os sacramentos, participam nas celebrações do Crisma e, pouco tempo depois, afastam-se completamente da Igreja. Durante anos prepararam-se para um compromisso de fé que, na prática, rapidamente abandonam. E isto obriga-nos a questionar: estaremos a formar verdadeiros discípulos de Cristo ou apenas a cumprir etapas sociais e culturais?
O Papa insiste na perseverança como dom do Espírito Santo. Mas a perseverança exige decisão, convicção e verdade. A fé não pode ser apenas um momento bonito, uma celebração, uma tradição de família ou um acontecimento para fotografias. Ser cristão implica assumir um caminho, uma pertença, uma comunidade, uma responsabilidade. E talvez a realidade que vivemos seja exactamente o contrário disso: uma fé ocasional, emocional e superficial, sem continuidade nem compromisso.
Também é legítimo perguntar: afinal, o que mais querem os jovens? A Igreja oferece espaços de encontro, atividades, grupos, peregrinações, voluntariado, momentos de oração e convivência. Mas, apesar disso, muitos continuam indiferentes. Talvez porque o problema não esteja apenas na falta de propostas, mas numa cultura onde tudo é provisório, descartável e sem compromisso duradouro, inclusive a fé.
Por isso, as palavras do Papa são incómodas porque tocam numa verdade que muitas vezes evitamos enfrentar. E perante aquilo que se verifica, talvez fosse mais honesto assumir claramente: ou se quer viver a fé seriamente, ou então reconhecer que nunca houve verdadeira adesão a Cristo. Porque pior do que afastar-se é viver de aparência, fazer de conta que se acredita, fazer de conta que se pertence à Igreja, quando no fundo nunca se quis realmente seguir Jesus Cristo.
A fé autêntica não é perfeita, mas é sincera. Pode ter dúvidas, fragilidades e quedas, mas procura permanecer. O problema não é quem luta para acreditar; o problema é transformar os sacramentos em simples cerimónias vazias, sem consequência para a vida. E talvez seja precisamente esse o desafio lançado pelo Papa: deixar de viver um cristianismo de ocasião e recuperar uma fé consciente, madura e perseverante.
(P. António Magalhães Sousa)

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Homília ; Santuário de Fátima, D, Pedro Fernandes



Nesta quarta-feira partilhamos as palavras de D. Pedro Fernandes, Bispo de Portalegre-Castelo Branco, proferidas na homilia celebrada no dia 31 de maio de 2026, no Recinto de Oração do Santuário de Fátima.
“O nome de Deus é compaixão, é amor, é comunhão. Verdadeiramente um, indivisível e eterno, e verdadeiramente três, Pai, Filho e Espírito Santo, eternamente distintos e eternamente unidos.
Assim, o que Deus nos diz de si mesmo é que ele é uno e diverso e que unidade e diversidade não se opõem, antes implicam-se. A imagem que temos de Deus muda tudo no modo como estamos diante dele e como nos vemos uns aos outros.
(...) Quando acolhemos a boa nova de que Deus é amor, uno e trino, então percebemos que somos amados, acolhidos por este Deus que a todos nos une e, de tantos e tão diferentes, nos faz ser um só corpo.
Não porque anula as diferenças, isso seria uma violência impossível ao Deus de misericórdia, mas porque coloca as diferenças em relação positiva e construtiva. O rosto trinitário de Deus e a nossa fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo contrastam com os modelos polarizados e violentos que parecem prevalecer hoje neste nosso mundo contemporâneo. Neste, as diversidades entre pessoas, grupos e povos são usadas tantas vezes como pretexto para levantar muros, inventar preconceitos e avolumar violência, em vez de serem acolhidas como material de construção de um mundo em que as diversidades concorrem para a complementaridade e para a unidade no diálogo.
(...) Como dizia o Papa Francisco, somos missão. O nosso compromisso na Igreja não é propriamente apenas o de sermos colaboradores dos ministros ordenados, dos diáconos, dos padres, dos bispos, mas de sermos todos seguidores do único missionário, que é Cristo. Todos protagonistas da missão, cada um segundo o dom do Espírito que recebeu.
(...) Quando os frágeis e os mais pobres são descartados ou ignorados por uma economia que mata, porque apenas se alimenta da lógica capitalista que desvaloriza as pessoas, os cristãos põem no centro o Deus de Jesus Cristo, que se identificou com todos, especialmente com os mais frágeis. O nosso centro é a periferia, aí onde Deus mora.
(...) Não me canso de dizer que na Igreja não há filhos e enteados, como não há irmãos de primeira e irmãos de segunda. Na Igreja, à imagem da trindade, fazemos festa com a diferença e acolhemo-la como o lugar próprio da nossa unidade. É isso que queremos para o mundo, porque a nossa missão na terra dos humanos identifica-se com a missão de Deus, que nos enviou o seu Filho. Com Cristo na cruz, com Cristo ressuscitado, queremos vencer a violência com a mansidão, o descarte com a hospitalidade, o preconceito com a valorização de todos.”


Movimento da Mensagem de Fátima