terça-feira, 9 de junho de 2026

Afinal, quais são as tuas prioridades?



Temos tantas solicitações e programas que há dificuldade em escolher aquilo que realmente vale a pena. Até porque muitas das vezes o conforto da casa fala mais alto e acabamos por adiar projetos, visitas, caminhadas e encontros.

Mas a verdade é que quando queremos arranjamos sempre tempo. Há de tudo:

Aqueles que nunca têm tempo para nada mas que andam metidos em tudo;

Aqueles que não estão metidos em nada, nem querem estar;

E depois há a queles que até nem queriam estar, mas para desenrascar algo acabam por ficar permanentes.

E claro ouvimos “são sempre os mesmos” pois são, e às vezes ainda bem. Ainda bem que temos gente de compromisso que diz ”presente” quando se pergunta qualquer coisa.

Esses são os corajosos. Depois temos aqueles que estão sempre á espera da ultima hora para confirmar se estão ou não presentes nos compromissos.

Isso é válido para quase tudo. Sejam reuniões, ou jantares há sempre alguns que se tem de perguntar diretamente pois têm dificuldade em dizer “sim ou não” gostam de ficar em cima do muro a ver o que acontece.

E pronto!

Temos cada vez mais dificuldade em assumir compromissos e definir prioridades. Estamos muito sujeitos à nossa disposição, ao “quem vai la estar” ou “se vale a pena” e poucas vezes assumimos perante quem nos congrega que fazemos questão de estar.

E imprevistos? Irra, esses é escolher! Há sempre algo que acontece que impede de estar até que descobrimos que na verdade esse imprevisto até era previsível.

Por isso define bem as tuas prioridades, aquilo pelo qual te comprometes.

Que a tua prioridade seja seres feliz…mas não te esqueças da felicidade dos outros.

E tu amiga, quais são as tuas prioridades?


Raquel Rodrigues

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Leão XIV: testemunhem a alegria do Evangelho na unidade de suas diferenças


 


No encontro com a comunidade diocesana de Madri, Leão XIV convidou a fazer "da escuta e do diálogo o terreno comum no qual fazer crescer a justiça e a fraternidade". "Nas grandes cidades, mais do que em outros lugares, às vezes nos parece que já não possuímos os mapas para nos mover com segurança", disse o Papa, convidando a "oferecer o testemunho evangélico que desperta as melhores forças de uma humanidade bombardeada por imagens e palavras, mas faminta de justiça e sedenta de verdade".

Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Leão XIV encontrou-se com a comunidade diocesana de Madri no Estádio Santiago Bernabéu, na tarde desta segunda-feira (08/06), no âmbito de sua viagem apostólica à Espanha.
O Estádio Santiago Bernabéu, propriedade do Real Madri Football Club, deve seu nome ao histórico jogador e presidente do Real Madri, que presidiu o clube de 1943 a 1978.
O estádio, inaugurado em 1947 e reformado diversas vezes, pode atualmente acomodar mais de 80 mil espectadores e possui mais de 200 camarotes VIP.

                Diversidade na unidade

“Imagino que, para um jogador de futebol, marcar um gol neste estádio seja algo que marca a sua vida. Mas, dom José, hoje a Igreja de Madri marcou um golaço para sempre!

Assim, Leão XIV iniciou o seu discurso, dizendo que este encontro "é um grande hino de fé", e manifestou satisfação de estar ali e unir sua voz à da comunidade diocesana de Madri, "para louvar a Deus e fortalecer os laços desta bela família eclesial que está aprendendo a arte da polifonia, ou seja, da diversidade na unidade".

(@Vatican Media)

O Papa agradeceu ao arcebispo de Madri, cardeal José Cobo Cano, "por apresentar a parábola do canto, que sugere que números, dados e fatos não bastam para gerar comunidade". De acordo com o Papa, "o nosso coração precisa cantar, ou seja, interpretar os acontecimentos e as situações celebrando com os outros o sentido que eles revelam. Para a Igreja, isso ocorre de modo singular na liturgia, o grande Memorial da história que nos salvou".

“Cantar é uma necessidade que permeia a convivência e interpela a cultura, estimulando-a a permanecer aberta e em constante evolução. Vocês são a Igreja diocesana no meio de um povo que ama a música, a dança e o convívio, mas que também conhece conflitos, resignação e, por vezes, o desespero, situações nas quais o Evangelho pode abrir um caminho para a esperança.”


Cultivar o desejo de encontrar o Ressuscitado

"A alegria de vocês será contagiante se, deixando de ser uma emoção passageira, se tornar um modo estável de ser, um sentimento profundo que renova as pessoas, os grupos e a comunidade diocesana", disse ainda o Papa, recordando que "o Batismo muda verdadeiramente a vida".

“Nossas sensibilidades, origens e prioridades encontram-se em Cristo e recebem da sua vida a seiva, como os ramos ligados à videira. Concretamente, isso significa que muito daquilo que já existia em nós é transformado, porque passa a ser orientado para o serviço, deixa de ser um dom privado e passa a servir ao bem comum.”

Recordando um trecho de sua Encíclica Magnifica humanitas, o Papa sublinhou que é preciso transformar "a diversidade em um recurso" e fazer "da escuta e do diálogo o terreno comum no qual fazer crescer a justiça e a fraternidade".
  (@Vatican Media)
De acordo com Leão XIV, "existe uma relação especial entre a Igreja e a cidade, que adquire ainda maior importância na mudança de época que estamos vivendo: uma relação que, naturalmente, se concretiza entre pessoas de carne e osso, nas relações de trabalho e de proximidade, mas também nas diversas comunidades, associações e entidades de bairro".

"Torna-se cada vez mais evidente a especificidade da missão cristã no interior das grandes realidades urbanas, onde “pulsa e se elabora uma cultura inédita”. "A clareza sobre esse ponto amadureceu muito ao longo do caminho sinodal, permitindo-nos conhecer-nos e escutar-nos com maior profundidade nos contextos em que a comunidade diocesana vive e se configura", disse ainda o Papa, convidando a "cultivar o desejo de encontrar o Ressuscitado, que sempre vai à nossa frente, nos precede e talvez já esteja presente onde ainda não O procuramos".

Reaprender a arte espiritual da cordialidade

De acordo com o Papa, buscar o Senhor "e segui-Lo é a condição para indicá-Lo aos outros; caso contrário, não há evangelização. Hoje, podemos compreender isso melhor do que no passado".
“Nas grandes cidades, mais do que em outros lugares, às vezes nos parece que já não possuímos os mapas para nos mover com segurança. Então é preciso reaprender a arte espiritual da cordialidade, sem a qual até mesmo o anúncio do Evangelho corre o risco de transformar-se numa repetição impessoal e, perdendo sua eficácia, abrir espaço para a frustração e a desconfiança.”

"Juntos, como Igreja diocesana, vocês podem oferecer o testemunho evangélico que desperta as melhores forças de uma humanidade bombardeada por imagens e palavras, mas faminta de justiça e sedenta de verdade", disse ainda o Papa.

  (@Vatican Media)

O papel dos conselhos paroquiais e diocesanos

A propósito do papel dos conselhos paroquiais e diocesanos, o Papa sublinhou que eles têm o objetivo de "transformar a sensibilidade de cada pessoa por meio de uma escuta mais profunda daquilo que o Espírito diz à Igreja". "Eles são espaços de escuta recíproca para o exercício do discernimento, sem o qual não apenas cada um segue o seu próprio caminho, mas corremos o risco de não compreender onde o Senhor nos quer, o que espera de nós e a quais conversões nos chama", destacou. "Quando cuidamos desses espaços, então o culto se transforma em vida e, entre as pessoas, surgem laços de fraternidade e projetos de solidariedade", disse ainda o Papa Leão.
O Papa convidou "os presbíteros a reconhecerem a prática do discernimento comunitário como uma das maiores oportunidades que a sinodalidade oferece ao seu ministério". Leão XIV concluiu, dizendo que "quando reduzimos a vida eclesial a uma rotina na qual cada um permanece fechado em seus hábitos e em seu papel, o que nos falta é o Espírito. É Ele quem suscita vocações e as une, provocando às vezes inquietação, debate e a busca de novos equilíbrios".


Jesus olha-te com misericórdia

 


“Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores!”
Jesus Cristo


Jesus chama. Diz o teu e o meu nome.

Não hesita! Não avalia curriculum vitae. Não solicita grandes teses.

Não quer saber o que já fizeste, nem o que deixaste de fazer.

Durante toda a tua vida,

os momentos de desassossego, ânsias e turbulências virão ao teu encontro.

Se conhecesses o Senhor Teu Deus,

saberias que qualquer sacrifício será recompensado,

pela forma como amaste o teu irmão e a tua irmã.

Nada há temer, porque Deus é Misericórdia Divina.

O Cristo olha para ti, despe-te com um único olhar…

Tu ficas rendido e um pouco confuso… e a resposta só pode ser: “SSIIIMMM!”

Após o teu: “Sim!”, pleno e forte, lembra-te de tomar a medicação diária:


    Chamaste-me Senhor a seguir-Te.
    O caminho da fé implica dizer à humanidade que Tu és a verdade e a vida…
    MAS não tenho a coragem de Mateus e abandono a minha fé!

    Chamaste-me Cristo a seguir-Te.
    O jardim da esperança tem rosas perfumadas que me dão o alento,
    mas quando toco nos espinhos das minhas dúvidas e anseios, estremeço…
    perco a força de Abraão e não parto para Te anunciar…

    Chamaste-me Senhor a partilhar o Teu Pão e a ser sacrário vivo, a ser amor             verdadeiro!
    Mas, afasto-me da Eucaristia e não aceito conhecer-Te mais e mais a cada             dia…

Reza-lhe baixinho e em segredo.

Pede-Lhe perdão e no dia seguinte volta a dar o mesmo “SIM!”

Bem sabes que Jesus todos os dias chama o teu nome…

Não desiste! Tu és Dele e Ele quer-Te.

Segue-O



Liliana Dinis,

domingo, 7 de junho de 2026

Segue me


https://www.youtube.com/watch?v=X1WsLLiamm0

A Palavra de Deus deste 10º Domingo do Tempo Comum repete, com alguma insistência, que Deus prefere a misericórdia ao sacrifício. A expressão deve ser entendida no sentido de que, para Deus, o essencial não são os actos externos de culto ou as declarações de boas intenções, mas sim uma atitude de adesão verdadeira e coerente ao seu chamamento, à sua proposta de salvação. É esse o tema da liturgia deste dia.

Na primeira leitura, o profeta Oseias põe em causa a sinceridade de uma comunidade que procura controlar e manipular Deus, mas não está verdadeiramente interessada em aderir, com um coração sincero e verdadeiro, à aliança. Os actos externos de culto – ainda que faustosos e magnificentes – não significam nada, se não houver amor (quer o amor a Deus, quer o amor ao próximo – que é a outra face do amor a Deus).
O culto a Deus, sem o amor ao irmão, não faz sentido. O nosso compromisso com Deus tem de se concretizar em obras em favor dos homens e em gestos libertadores, que levem ternura, misericórdia, à vida de todos aqueles que Deus coloca no nosso caminho.

Na segunda leitura, Paulo apresenta aos cristãos (quer aos que vêm do judaísmo e estão preocupados com o estrito cumprimento da Lei de Moisés, quer aos que vêm do paganismo) a única coisa essencial: a fé. A figura de Abraão é exemplar: aquilo que o tornou um modelo para todos não foram as obras que fez, mas a sua adesão total, incondicional e plena a Deus e aos seus projectos.
Como é que eu respondo ao dom de Deus? Com o orgulho e a auto-suficiência de quem não precisa de Deus para ser feliz e para se realizar? Com a “esperteza saloia” de quem pretende negociar com Deus para obter a salvação? Ou com o reconhecimento de que a salvação é um dom não merecido que, apesar de tudo, Deus me oferece e me convida a acolher?

O Evangelho apresenta-nos uma catequese sobre a resposta que devemos dar ao Deus que chama todos os homens, sem excepção. O exemplo de Mateus sugere que o decisivo, do ponto de vista de Deus, é a resposta pronta ao seu convite para integrar a comunidade do “Reino”.
A Palavra de Deus que aqui nos é proposta sugere também que na comunidade do “Reino” não há cristãos de primeira e cristãos de segunda (conforme cumprem ou não as leis e as regras). O que há é pessoas a quem Deus chama e que respondem ou não ao seu convite. De qualquer forma, não pode haver, na comunidade cristã, qualquer tipo de discriminação ou de marginalização…

https://www.dehonianos.org/

sábado, 6 de junho de 2026

QUO VADIS, HUMANITAS?

Sob o título ‘Quo Vadis, Humanitas?’ (Para onde vais, Humanidade?), a Comissão Teológica Internacional, já neste ano de 2026, diante dos desafios culturais que questionam a especificidade da natureza humana, publicou uma interessante reflexão sobre a antropologia cristã. Ao longo do texto, faz referência aos “aspetos mais inquietantes que não podemos deixar de reconhecer no transumanismo e no pós-humanismo”.
Leão XIV, na Carta Encíclica ‘Magnifica Humanitas’, também agrupa algumas correntes do pensamento atual sob os nomes de transumanismo e pós-humanismo. É certo que não são realidades novas e muitos vão queimando as pestanas a aprofundar tais assuntos. Para a maior parte das pessoas, porém, esses termos não lhe são muito familiares, bem como o que eles significam e ensinam. Se já Aldous Huxley, em 1932, no seu “Admirável Mundo Novo” de ficção científica, apontava para a desumanização dos seres humanos, escravizados pela ditadura proveniente das suas próprias invenções e vontade, foi o seu irmão, o eugenista Julian Huxley, quem, em 1951, usou o termo transumanismo. A fundação e organização deste movimento deu-se na década de 1990. E lá foi e vai fazendo a sua história.
O pós-humanismo começou a ganhar força nas décadas de 70-80, mas já nas décadas de 40 a 60, as reflexões sobre a fusão entre o homem e a máquina começaram a desafiar a ideia clássica do que entendemos por humano, porfiando a desconstrução dessa ideia tradicional. Em 1985, a feminista Donna Haraway, publica o “Manifesto Ciborgue” e utiliza a figura do ciborgue – uma mistura de homem e máquina – para ir destruindo as barreiras entre o natural e o artificial. Pelos anos 90, esta corrente, o pós-humanismo, constituiu-se em movimento organizado e cultural, contestando a centralidade do ser humano. Ambas, como correntes filosóficas, culturais, sociais e até políticas, questionam os limites da espécie humana. Embora aqui e ali se cruzem, elas seguem caminhos diferentes. O transumanismo pretende melhorar as capacidades físicas, intelectuais e psicológicas do ser humano através da ciência e da tecnologia, superando as limitações biológicas, como as doenças, o envelhecimento e a própria morte. Para isso, serve-se da biotecnologia, da robótica, da IA, da engenharia e melhoramento genético, da nanotecnologia e dos implantes cibernéticos, unindo partes artificiais com o corpo humano, fazendo com que, paulatinamente, controlando e acelerando as tendências evolutivas, sejam superadas as fundacionais caraterísticas humanas. Se o transumanismo quer descentralizar o humano, repensando a sua relação com o mundo e com as máquinas, o pós-humanismo rejeita que o ser humano seja o centro do universo e a medida de todas as coisas. Procura desconstruir a visão tradicional sobre o humano e repensar a forma como interagimos com animais, plantas e tecnologias. Afirma que as fronteiras entre o que é humano, máquina e natureza já são uma miscelânea retrógrada, ultrapassada. Rejeita a ideia de que existe uma "natureza humana" fixa ou essencial. Procura desconstruir as categorias tradicionais, como homem/mulher, natureza/cultura, humano/animal. Vê o próprio conceito de género como uma construção social flexível que pode ser questionada e reconfigurada. Defensores, pois, da ideologia de género, defendem que a identidade sexual é um produto cultural, social, psicológico. E não falta também quem proponha a extinção humana voluntária, não por meios violentos, mas de forma voluntária, renunciando a ter filhos. Assim se eliminariam os problemas da espécie humana. Ela própria, como praga ou vírus, seria extinta, deixaria de existir, o planeta deixaria de ter os problemas que os humanos lhe causam, os ciclos naturais voltariam a funcionar... O ‘homo sapiens’, após a fase do transumanismo, será superado pelo pós-humano, dizem. Não haverá mais necessidade do ser humano, é coisa mais que antiquada. Os poderosos lóbis industriais e científicos muito ajudarão a conseguir tal objetivo. Surgirá uma era radicalmente nova, o pós-humano.
E nós cá estaremos para ver, nem que seja do lado de lá, nos ‘novos céus e na nova terra’! (Ap 21,1). Se Otzi, o homem do gelo de há 5.300 anos, imaginasse que isto iria acontecer, se não tivesse morrido assassinado e congelado lá pelos Alpes, teria morrido de desgosto só em saber que haveria de morrer antes de ver acontecer este admirável mundo novo!
Leão XIV afirma que transumanismo e pós-humanismo “constituem o pano de fundo ideológico que está presente nalguns centros do poder tecnológico e coloniza o imaginário coletivo de forma simplificada, especialmente nos meios de comunicação e nas redes sociais, acendendo o entusiasmo pelas novas tecnologias com uma visão futurista do “homem aperfeiçoado” ou do “homem hibridado” com a máquina”. Diz que o “transumanismo e o pós-humanismo incluem em si uma pluralidade de correntes e sensibilidades, sendo difícil dar deles uma descrição unívoca. Podem ser comparados a um arquipélago de ilhas conceituais diferentes, mas ligadas pelo mesmo mar de pressupostos: a centralidade da tecnologia e o sonho de ultrapassar os limites da condição humana. O transumanismo, em linhas gerais, imagina um aperfeiçoamento do ser humano através das tecnologias (biomedicina, engenharia corporal, dispositivos, algoritmos), aspirando a aumentar o seu desempenho e capacidades. O pós-humanismo, sobretudo nas suas versões radicais, vai além: critica o antropocentrismo e propõe uma forma de hibridação entre o ser humano, a máquina e o ambiente, chegando a imaginar uma transição em que a humanidade se superará a si própria, entrando num novo estádio de evolução. Mesmo se estas hipóteses permanecem em grande parte especulativas, elas adquirem relevância, porque modificam o imaginário coletivo e consequentemente, orientam as escolhas sociais, económicas e políticas. O ponto crítico, à luz da Doutrina Social da Igreja, não é o uso da tecnologia em si, mas a visão que lhe está subjacente: se o ser humano for tratado como matéria a aperfeiçoar ou a ultrapassar, é então mais fácil aceitar que alguns sejam considerados menos úteis, desejáveis e dignos. Em nome do progresso, pode chegar-se a imaginar “sacrifícios necessários” e a fazer com que os mais frágeis paguem o preço de uma suposta otimização da espécie. A já mencionada advertência de São Paulo VI mantém-se, portanto, de grande clarividência: as conquistas científicas e técnicas, desvinculadas do progresso moral e social, acabam realmente por se voltar contra o homem. Por isso, é necessário distinguir com clareza: uma coisa é integrar as tecnologias numa visão humana e relacional, outra é deixar-se guiar por um imaginário que desvaloriza os limites e promete uma “salvação” puramente técnica” (MH15-18).

D. Antonino Dias
Caminha, 05-06-2026.



Magnifica Humanitas: uma BD sobre a pessoa humana na era da IA

 


Pastoral da Comunicação 

“Magnifica Humanitas: Babel ou Jerusalém?” é uma banda desenhada inspirada na reflexão do Papa Leão XIV sobre a pessoa humana na era da inteligência artificial. Através das figuras do Papa e de Carlo Acutis, a narrativa convida jovens e adultos a pensar sobre o uso da tecnologia, a verdade, a liberdade, o trabalho, a paz e o bem comum.

Num mundo cada vez mais marcado pelos algoritmos e pelas máquinas inteligentes, esta BD propõe uma pergunta simples, mas decisiva: queremos construir uma nova Babel, feita de poder e isolamento, ou uma Jerusalém, feita de dignidade, comunhão e esperança?
Uma proposta visual e acessível para refletir, em família, na escola ou em comunidade, sobre como colocar a tecnologia ao serviço da pessoa humana.


sexta-feira, 5 de junho de 2026

O Teu Corpo e o Teu Sangue

 


O Teu Corpo e o Teu Sangue
Enche-me de luz terna e suave!

Ajudam-me a escrever-me
No que sou e no que faço!
Sou letras de Páscoa
Tinta de gestos, serviço, encontro...
Regam-me, de Ti!
E onde não há mais saída
onde não há mais solução
Tu abres sempre uma porta
Cheia de horizontes e esperança
Olhar-Te é beber beleza
Encher-me da Tua brisa
e ter a certeza que sem Ti nada posso fazer!
Sem Ti ando nu como roupa ao vento
sem pouso, nem ira nem beira.
Sou tantas vezes
um comedor de palavras e pão
e bebedor do teu vinho.
Comerciante da Tua memória!
Como gostaria de ser um Contigo
Ter o Teu Corpo e o Teu sangue
Deixá-lo correr nas veias
Fazê-lo transbordar no coração
Tê-lo nos lábios
Colocá-lo nas mãos
Lavar com ele as mágoas
Curar com ele as feridas
Partilhá-lo no hospital e na prisão
O Teu corpo e o Teu sangue
faz-me ser estrela no Teu céu
Ser luz que faz sorrir
Ter de asas e dançar
Ser ponte
onde todos podem caminhar
O Teu corpo, o Teu sangue,
faz queimar em mim
o que me impede de caminhar
de te Ter e levar
a todos e a qualquer lugar
O Teu corpo, o Teu sangue,
São mais que piedade e devoção
Mais que aproveito próprio
Mais do que rezar pela morte de alguém
Ou qualquer outra intenção
É Comida compartilhada
bondade, fraternidade
Toalha, água e alguidar
para fazer de todos irmãos
aqui e em qualquer lugar....


Padre João Torres