quinta-feira, 20 de agosto de 2026

O preço de escolher bem

 



O preço de escolher bem

O mal apresenta-se-nos sob a aparência do bem. Desvia-nos do melhor, levando-nos a trocar o melhor por aquilo que é apenas bom. É subtil, mas eficaz, porque nos vai afastando do caminho do bem supremo.

A maioria das escolhas decisivas das nossas vidas não são entre o bem e o mal, mas entre dois ou mais bens. Haverá algum mal em escolher um bem que, embora não seja o maior, continua a ser um bem? Sim. Ao fazê-lo, renunciamos a um bem maior.

Há situações em que somos forçados a escolher entre dois ou mais males. Todas as opções são más, mas aqui é ainda mais evidente que temos o dever de escolher o mal menor.

Importa ter a coragem de escolher o bem maior e de renunciar aos bens menores. É sempre duro assumir que deixar boas opções para trás faz parte do preço a pagar para alcançar o melhor. Afinal, é como se apenas merecesse o melhor quem fosse capaz das renúncias que isso implica.

É interessante que associemos a ideia de liberdade a algo muito agradável. A verdade, porém, é que a liberdade não é aquilo que sentimos depois de escolher bem; é aquilo que torna essa escolha possível. Todos somos livres e isso não é uma escolha. Estamos assim condenados a ser responsáveis pelas escolhas que fazemos – as boas e as más.

Somos responsáveis por aquilo que somos, por aquilo que fazemos aos outros e a nós próprios. Mais do que escolher um bem, devemos procurar escolher sempre o melhor de todos os bens. Só assim estaremos a escolher bem.


José Luís Nunes Martins

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Reconhecer Deus



A liturgia convida-nos a seguir Jesus e, muitas vezes, a subir ao monte. O monte significa, entre outras coisas, o afastamento do ruído que nos impede de discernir e ouvir Deus. Não é por acaso que a natureza e a criação divina nos aparece sempre como um elemento revelador de Deus. A beleza da natureza é algo contemplativo mas exige paciência e confiança pois tudo leva o seu tempo. A nossa vida deveria ser assim, mais " longe do mundo e perto de Deus"!

Foi no monte que Jesus se transfigurou, foi no mar que Jesus pôs à prova a fé de Pedro, era no monte que Jesus se recolhia para orar, mas não foi só Jesus. Um dia textos que mais me impactou foi a espera de Elias pela passagem de Deus. Elias esperou que Deus se manifestasse em elementos barulhentos, assustadores e brutais. Mas não! Deus fez-se reconhecer se por uma brisa suave. Que simples! E Elias reconheceu de imediato ao ponto de se ter levantado da gruta e ter cessado a espera. Dizem as escrituras que Elias vivia um momento confuso e turbulento e Deus manifestou se no oposto, e precisamente em tudo aquilo que Elias precisava. Recordo que quando li esta passagem senti de imediato uma enorme empatia e trago na memória a capacidade de parar, descansar, se necessário subir ao monte e ver Deus na beleza, na brisa suave e na serenidade que nestes tempos parecem escassear.

Não há fórmulas secretas para reconhecer Deus mas acredito que Ele se revela a cada um de maneiras diferentes e de acordo com a capacidade individual de cada um de se dispor a ver, sem pressas nem julgamentos e de modo muito mais real do que alguns imaginam.

Mas desenganem-se se acham que Deus nos quer apenas seres contemplativos, se reparares bem depois de todas estas paragens há algo que muda, há algo que os impele à ação e à mudança. Cada um que reconhece Deus tende a mudar de caminho (como os discípulos Emaús), a levantar-se e sair da gruta (como Elias), ou a aumentar a fé (como Pedro), e tantas e tantas outras transformações que a bíblia nos relata. Se estiveres bem atenta verás Deus, ou melhor…sentirás a sua presença.

E tu amiga, estás preparada para aceitar a presença de Deus na tua vida?


Raquel Rodrigues

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Não guardes a tua fé



«Entre todas as coisas magníficas da criação de Deus,
duas deixam para trás as outras;
uma está acima de nós - a imensidão dos céus estrelados;
outra dentro de nós - o espírito do homem.»



Para quem tem Fé em Deus e em todas as Suas criaturas,

o mundo é um verdadeiro paraíso sem fim.

Acreditamos que cada um de nós é único e irrepetível.

Acreditamos que saímos das mãos do Criador, que amorosamente nos desenha,

para vivermos numa intensa obediência à Sua misericordiosa providência.

Acreditamos que cada grão de areia

é colocado estrategicamente pelo Senhor que nos dá a vida,

num local definido, com uma textura distinta e com uma missão muito específica.

Também acreditamos que tudo o que vem de Deus

é para todos, todos, todos e para cada um de nós.

As coisas boas não são só para mim, porque sou mais bonito…

As coisas más não são só para ti, porque mereces…

E… contestar o que Deus providencia é perda de tempo!

Quando acreditamos que Deus nos ama, infinitamente, não há dor, há compaixão!

Deus espera por mim e por ti, a cada dia.

Mesmo que os nossos passos estejam desalinhados,

o Pai anseia que eu te leve a Jesus e que tu me leves até Jesus…

Deus não pergunta a tua nacionalidade,

nem se nasceste no seio de uma família conceituada.

Deus apenas quer que respeitemos o que é direito, que pratiquemos a justiça e…

que tenhamos uma Fé inabalável, Naquele que morreu para que a salvação fosse possível.

Quem tem Fé em Jesus encontra a cura para qualquer mal.

E até simples migalhas são um manjar repleto de iguarias.

Não guardes a tua Fé!

Faz-te Fé na vida da humanidade…


Liliana Dinis

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

MULHER DA GRANDE FÉ!

 


MULHER DA GRANDE FÉ!

O Evangelho deste Domingo, conta-nos a bela e maravilhosa história de vida, de uma mulher e mãe «libanesa», carregada com o drama da sua filha doente, situação verdadeira ontem como hoje, vem IMPLORAR DE JESUS, num GRITO que lhe sai do fundo das entranhas, que lhe «faça graça», isto é, que olhe para ela com mesma ternura com que ela embala ao colo a sua filha...
O texto diz que Jesus nem lhe respondeu. Mas a mulher não DESISTE, mas INSISTE... AQUELA MULHER NÃO ARREDA PÉ! Não se SENTE, nem se RESSENTE, perante o silêncio frio ou quente de Jesus.
A sua fé, já não se ABALA, com uma boa ou má fala do Mestre!
A sua fé, não CRESCE, nem DESAPARECE, por causa do mau feitio de qualquer um dos seus discípulos.
E é tal a insistência e a persistência, que esta libanesa consegue FAZER IMPLODIR DE COMPAIXÃO o coração de Jesus, com uma verdadeira explosão de fé!
«Mulher da grande fé!», replicou Jesus, «faça-se como queres!»
Esta cena do evangelho provoca, SEM DÓ, NEM PIEDADE, esta nossa fé TÃO POUCA e TÃO POLIDA DE ÁGUA benta e quantas vezes “melindrada”, por tudo e por nada!
Daqui é preciso estender o elogio de Jesus, às mães solteiras, às ciganas, às estrangeiras, ou àquelas que, separadas ou mal casadas, sozinhas e inteiras, suportam com coragem uma maternidade violenta, ou a crueldade de uma doença, que atormenta e desespera!
..... não podíamos encontrar um rosto mais feliz, do que esta mulher, distante e imigrante, tocada pela ternura de Deus... Só cumprimos a vontade do Pai quando vivemos abertos a todo o ser humano que sofre e geme pedindo compaixão...
O Evangelho deste Domingo, conta-nos a bela e maravilhosa história de vida, de uma mulher e mãe «libanesa», carregada com o drama da sua filha doente, situação verdadeira ontem como hoje, vem IMPLORAR DE JESUS, num GRITO que lhe sai do fundo das entranhas, que lhe «faça graça», isto é, que olhe para ela com mesma ternura com que ela embala ao colo a sua filha...
O texto diz que Jesus nem lhe respondeu. Mas a mulher não DESISTE, mas INSISTE... AQUELA MULHER NÃO ARREDA PÉ! Não se SENTE, nem se RESSENTE, perante o silêncio frio ou quente de Jesus.
A sua fé, já não se ABALA, com uma boa ou má fala do Mestre!
A sua fé, não CRESCE, nem DESAPARECE, por causa do mau feitio de qualquer um dos seus discípulos.
E é tal a insistência e a persistência, que esta libanesa consegue FAZER IMPLODIR DE COMPAIXÃO o coração de Jesus, com uma verdadeira explosão de fé!
«Mulher da grande fé!», replicou Jesus, «faça-se como queres!»
Esta cena do evangelho provoca, SEM DÓ, NEM PIEDADE, esta nossa fé TÃO POUCA e TÃO POLIDA DE ÁGUA benta e quantas vezes “melindrada”, por tudo e por nada!
Daqui é preciso estender o elogio de Jesus, às mães solteiras, às ciganas, às estrangeiras, ou àquelas que, separadas ou mal casadas, sozinhas e inteiras, suportam com coragem uma maternidade violenta, ou a crueldade de uma doença, que atormenta e desespera!
..... não podíamos encontrar um rosto mais feliz, do que esta mulher, distante e imigrante, tocada pela ternura de Deus... Só cumprimos a vontade do Pai quando vivemos abertos a todo o ser humano que sofre e geme pedindo compaixão...

Padre João Torres


domingo, 16 de agosto de 2026

A Páscoa de Maria

 


A Páscoa de Maria

A todos nós nos preocupa de uma certa forma
o fim último da nossa existência...
A festa da Assunção de Nossa Senhora ajuda-nos a ver um pouco de luz nessa imensa escuridão, que é a morte para nós...
Essa palavra estranha e abstrata assunção, quer dizer simplesmente que Maria, venceu definitivamente a morte. Foi assumida por Deus...
Mas Nossa Senhora morreu?
E o corpo, desapareceu?
Como aconteceu isso?
Não sabemos como aconteceu tudo isto,
mas sabemos que desde os primeiros séculos
se conservam os túmulos dos principais apóstolos,
e não se conservaram os restos mortais de Maria…
Os primeiros cristãos entenderam a morte de Maria como um “adormecer” (ou “dormição”) para acordar inteiramente no amor de Deus. Foi-se assim tornando claro que Deus chamou a si toda a realidade (espírito, alma, corpo) desta mulher especial.
Ela é a primeira resgatada e a primeira ressuscitada.
Ela é o primeiro ser humano a viver em plenitude aquilo
para que todos fomos criados.... Viver para sempre com Deus...
Maria “antecipa” a nossa ressurreição!
Dá-nos a esperança de também lá chegarmos,
na medida em que nos abrirmos à graça e ao amor de Deus.
Maria é abençoada porque ela acreditou. Porque ela confiou,
porque ela deu espaço a Deus, ela deixou-O agir na sua vida...
Ela é um SINAL DE ESPERANÇA para todas as pessoas simples,
ignoradas pelos poderosos, mas plenamente confiantes em Deus...
Nossa Senhora da Assunção nos ensine a colocar nossa vida o sonho de Deus....
nos alcance um novo ardor de ressuscitados,
para levar a todos o Evangelho da vida que vence a morte!


Padre João Torres

Solenidade de Nª Srª da Assunção

As Festas em Honra de Nossa Senhora da Assunção encheram Arronches de vivacidade através de uma programação que uniu a fé e a cultura alentejana. O dia ficou marcado por uma forte adesão popular aos vários momentos litúrgicos e etnográficos preparados pela comissão organizadora.
 O dia começou às 10h00 com a Missa Solene celebrada pelos Párocos Fernando Farinha e Rui Lourenço, na Igreja Matriz, onde o coro paroquial guiou os cânticos litúrgicos da comunidade.
 Pelas 11h00, a imagem da padroeira percorreu o centro histórico na tradicional Procissão. O momento contou com o acompanhamento musical solene da Banda Euterpe, que tocou ao longo da Praça da República e ruas adjacentes.
 Logo de seguida, as ruas foram invadidas pelo Desfile Etnográfico de Carroças, sob a coordenação da Associação «Os Romeiros de Esperança». A componente rítmica e festiva do desfile foi assegurada pelo Grupo das Pedrinhas de Arronches, atraindo muitos aplausos de residentes e turistas.
Às 12h00, realizou-se a emblemática Bênção dos Animais
O fecho do dia deu-se a partir das 22h00 na escadaria da Igreja Matriz, um cenário monumental transformado em casa de fados ao ar livre.
A Noite de Fados encerrou as celebrações num ambiente intimista de partilha cultural, na escadaria da Igreja Matriz, na qual se juntaram as grandes vozes presentes no cartaz deste ano 2026, as fadistas, Luís Caeiro, Cláudia Zarro, Hugo Faustino e Leonor Fartouce, acompanhados á guitarra portuguesa por Nuno Cirilo e Ricardo Semedo e á viola por Miguel Monteiro.
Organização pela Paróquia de Arronches e da Junta de Freguesia de Assunção e colaboração da Câmara Municipal de Arronches, animada por voluntários, no serviço de mesa e bar.


















Salto de Fé

 

https://www.youtube.com/watch?v=tdZINi11N3A&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=153

A liturgia do 20º Domingo do Tempo Comum reflecte sobre a universalidade da salvação. Deus ama cada um dos seus filhos e a todos convida para o banquete do Reino.

Na primeira leitura
, Jahwéh garante ao seu Povo a chegada de uma nova era, na qual se vai revelar plenamente a salvação de Deus. No entanto, essa salvação não se destina apenas a Israel: destina-se a todos os homens e mulheres que aceitarem o convite para integrar a comunidade do Povo de Deus.
A Igreja é a comunidade do Povo de Deus. Todos os seus membros são filhos do mesmo Deus e irmãos em Jesus, embora pertençam a raças diferentes, a culturas diferentes e a extractos sociais diferentes. No entanto: todos são lá acolhidos da mesma forma? O rico e o pobre são sempre tratados da mesma forma nas recepções das nossas igrejas? Aqueles que têm comportamentos considerados social ou religiosamente incorrectos são sempre tratados com amor e acolhidos com respeito nas nossas comunidades cristãs, ou são tratados como cristãos de segunda

O Evangelho apresenta a realização da profecia do Trito-Isaías, apresentada na primeira leitura deste domingo. Jesus, depois de constatar como os fariseus e os doutores da Lei recusam a sua proposta do Reino, entra numa região pagã e demonstra como os pagãos são dignos de acolher o dom de Deus. Face à grandeza da fé da mulher cananeia, Jesus oferece-lhe essa salvação que Deus prometeu derramar sobre todos os homens e mulheres, sem excepção.
Quem é que é cristão? Quem é que pode fazer parte da comunidade de Jesus? A resposta está implícita na história da mulher cananeia: torna-se membro da comunidade de Jesus quem aceita a sua oferta de salvação, quem acolhe o Reino, adere a Jesus e ao Evangelho. O que é determinante, para integrar a comunidade do Reino, não é a raça, a cor da pele, o local de nascimento, a tradição familiar, a formação académica, a capacidade intelectual, a visibilidade social, o cumprimento de ritos, a recepção de sacramentos, a amizade com o pároco, os serviços prestados à "fábrica da igreja", mas a fé (entendida como adesão a Jesus e à sua proposta de salvação). Para mim, o que é que é ser cristão? O que está no centro da minha experiência cristã é a pessoa de Jesus e a sua proposta de salvação? Em que é que se fundamenta a minha fé?

A segunda leitura sugere que a misericórdia de Deus se derrama sobre todos os seus filhos, mesmo sobre aqueles que, como Israel, rejeitam as suas propostas. Deus respeita sempre as opções dos homens; mas não desiste de propor, em todos os momentos e a todos os seus filhos, oportunidades novas de acolher essa salvação que Ele quer oferecer.
Aquilo que, muitas vezes, nos parece ilógico e sem sentido, talvez faça parte dos projectos de Deus - projectos que nem sempre conseguimos entender e enquadrar nos nossos esquemas mentais. Temos de aprender a confiar em Deus e na forma como Ele dirige a história, mesmo quando não conseguimos entender os seus projectos.Convida-nos - implicitamente - a não nos arvorarmos em juízes dos nossos irmãos. Por um lado, porque o comportamento tolerante de Deus nos convida a uma tolerância semelhante; por outro, porque aquilo que nos parece estranho e reprovável pode fazer parte, em última análise, dos projectos de Deus.


https://www.dehonianos.org/