sexta-feira, 16 de outubro de 2026

UMA CORDA TRIPLA NÃO REBENTA FACILMENTE

Querem saber quem cacarejou tal coisa? Foi um hebreu reguila do tempo dos Ptolemeus. Viveu antes de ontem, no século III antes de Cristo, na Palestina, colónia helenista! Se apenas parece ou era mesmo um pessimista de gema, não sei, mas o que ressalta dos seus escritos, em estilo um pouco assim-assim, é que era uma pessoa profundamente atenta, crítica, lúcida, realista, inspirada, com ares de genial! Desanca no absurdo da condição humana, sobretudo quando a humanidade aplaude e abraça seguranças ilusórias! O seu dito: “uma corda tripla não rebenta facilmente” (Ecl 4,12) arremessou comigo até Roma para espreitar alguma coisa do que ali presentemente acontece, sim, presentemente. Quanto ao passado, em qualquer pedra que por lá se levante com um mero tropeção, logo se podem ler muitas histórias da História! Nem todas felizes!...
Os chefes das Igrejas Orientais, os presidentes de todas as Conferências Episcopais, alguns casais e diversos especialistas foram convocados pelo Papa Leão XIV para, de 7 a 10 de outubro, celebrarem o décimo aniversário da Exortação Apostólica Amoris Laetitia.
No quarto dia desse encontro, debruçaram-se, sobretudo, sobre a necessidade de “escutar atentamente a experiência dos jovens casais: como contam aquilo que estão a aprender juntos ou aquilo que os impede de aprender e crescer; os recursos que descobrem no sacramento do matrimónio; o que esperam das comunidades cristãs e como compreendem a própria responsabilidade missionária.” Acentuou-se a importância da pastoral da continuidade para que o sacramento não seja apenas celebrado mas também vivido e cultivado ao longo da vida. Casar-se significa doar-se reciprocamente, construir um projeto comum, aprender a amar-se no concreto da vida, com suas alegrias e dificuldades. Mais do que uma preparação concentrada sobretudo na celebração das núpcias, importa uma pastoral que ajude os esposos, antes, durante e depois do matrimónio. Os primeiros anos, o nascimento dos filhos, as responsabilidades profissionais, as dificuldades económicas, a doença e as mudanças pessoais exigem capacidade de diálogo, paciência, perdão e uma renovada vontade de permanecer unidos. O casal precisa de “oferecer a si mesmo um tempo de qualidade para conversar, revisitar a própria história, reconhecer pontos fortes e fragilidades, rezar e discernir”.
Construir um “nós”, sem anular a identidade do “eu” e do “tu”, não nasce automaticamente “do facto de duas pessoas se amarem, nem é a soma de dois indivíduos, nem uma fusão, mas o encontro de duas culturas familiares que dão origem a uma terceira, nova e irrepetível”. Isso exige tempo de qualidade, escuta recíproca, partilha da fé e capacidade de enfrentar os conflitos sem permitir que enfraqueçam o vínculo, mas transformem a sua união num testemunho concreto de fidelidade, perdão e esperança. O matrimónio cristão “não é apenas uma história de duas pessoas; é também uma vocação eclesial, chamada a crescer e a desenvolver-se dentro de uma comunidade”. São “duas liberdades que, sustentadas pela fidelidade de Jesus Cristo, fazem do acolhimento recíproco o sinal visível de um Amor maior”. Como sabemos, “a unidade não exige a supressão da diferença; pertencer não significa possuir; cuidar não significa dominar; e a fidelidade permite atravessar as transformações sem abandonar a aliança.”
O matrimónio entre batizados não é apenas um contrato entre um homem e uma mulher. É uma realidade que não pertence, apenas, ao plano natural, mas adquire uma nova dimensão, a dimensão da graça, a ser assumida pelo homem novo à imagem de Jesus Cristo. É uma aliança sagrada, é um sacramento, onde Jesus Cristo é o centro, a base e o elo de ligação do casal. É ele que lhe dá sentido e concede a graça indispensável para serem vividos em conformidade com a sua vontade. Isto significa que é um sinal visível e eficaz da graça invisível de Deus. Cristo não é uma mera testemunha do casamento. Ele passa a habitar na união do casal. O casal não conta apenas com o amor humano, mas com a graça divina para superar os desafios, perdoar e manter-se fiel. A Sagrada Escritura compara a união entre marido e mulher à união entre Cristo e a Igreja. O amor do casal deve espelhar o amor de Jesus: um amor que é total, fiel, indissolúvel e fecundo, um amor disposto a dar a vida um pelo outro. Cristo torna-se o modelo de entrega e paciência para o marido e para a esposa. Essa realidade tripla não rebenta facilmente, pois a união do casal não confia apenas na força humana de ambos. Com Cristo, a união ganha uma força divina, tornando o matrimónio muito mais resistente às crises e ao desgaste do tempo. Ajuda-os a caminhar como discípulos de Cristo, avançando sempre mais na própria perfeição e na mútua santificação.
Como é agradável ver os casais envolvidos nas comunidades e a participarem, juntos, e com os filhos, na liturgia, sobretudo na santa Missa. Reunir em comunidade, ouvir a Palavra, participar e trocar entre si aquele ósculo da paz que a liturgia convida a fazer, quão benéfico é para lembrar o amor de Cristo pela sua Igreja, aprendendo a ir em frente com alegria e esperança, testemunhando um ao outro e aos filhos a fé que os anima, aperfeiçoando-se, dando firmeza à sua unidade indissolúvel, perdoando, desculpando, ultrapassando obstáculos, acolhendo e integrando as diferenças que sempre enriquecem.
‘Uma corda tripla não rebenta facilmente’! Esta certeza deve ser a dos esposos. Mesmo que a sua formação teime em dizer-lhes que sim, os esposos nunca estão sozinhos no combate contra momentos adversos ou contra a tentação de seguranças ilusórias. Se esticarem os olhos e olharem bem, com eles está e atua Jesus como outrora nas bodas de Caná, proporcionando-lhes que a festa das bodas continue na alegria e entusiasmo da primeira hora.

D. Antonino Dias
Caminha, 16-10-2026

A caridade não é aquilo que fazemos



A caridade não é aquilo que fazemos. É aquilo que somos.

Dá para fazer muito pelos outros e continuar longe deles.
Podemos preencher o formulário, entregar o cabaz, marcar a consulta, cumprir o horário, fechar o relatório. Tudo isso é preciso, e quem o faz merece o nosso respeito. Mas há quem saia de um balcão com o papel carimbado e o coração na mesma. E há quem saia sem papel nenhum, só com a sensação de que alguém o viu.
Fazer bem não é o mesmo que estar presente.
A caridade cristã pede mais do que respostas. Pede proximidade, escuta, tempo. Pede que o outro deixe de ser um caso e volte a ser um rosto.
Costumamos dizer, com orgulho e com razão: «Temos um Centro Social. Temos uma Conferência Vicentina. Temos a santa Casa da Misericórdia. Temos uma equipa socio-caritativa.» É bom que existam. Mas antes de todas as respostas há uma pergunta mais funda: que pessoas somos nós quando encontramos alguém que sofre?
O jesuíta Paul Valadier avisa-nos de um risco silencioso. Não critica as obras sociais da Igreja, nem a urgência de cuidar dos pobres. Teme que a caridade, de tanto se organizar, acabe a gerir a pobreza em vez de a combater. Que passemos a administrar, com toda a competência, a permanência de alguém no sítio de onde devia sair.
Uma instituição pode funcionar na perfeição e já ter perdido a alma.
E acontece sem darmos por isso. A pessoa vai desaparecendo atrás do processo.
O pobre passa a ser um processo.
O idoso passa a ser uma vaga.
O doente passa a ser um diagnóstico.
O preso passa a ser um número.
A família passa a ser um agregado.
O toxicodependente passa a ser um caso.
O alcoólico passa a ser um problema.
Quem vive sozinho passa a ser uma estatística.
Precisamos de nomes, de critérios, de organização. Mas chega um momento em que é preciso parar e perguntar: onde está a pessoa?
Jesus nunca encontrou categorias. Encontrou pessoas. Ele não começava por perguntar o que tinham feito. Perguntava o que lhes estava a acontecer. É uma diferença enorme. É a diferença entre julgar e acolher.
Uma coisa é olhar para alguém e dizer «é um pobre», «é um preso», «é um problema». Outra, bem diferente, é reconhecer: «É alguém. Tem nome. Tem história. Tem feridas. Tem uma dignidade que ninguém lhe pode tirar.»
É aqui que a caridade começa a sério. Não quando classificamos melhor, mas quando voltamos a ver. Não quando gerimos melhor a pobreza, mas quando encontramos o rosto que ela esconde.
E fica a pergunta, só para si: quando foi a última vez que alguém lhe soube o nome sem precisar de consultar a ficha?
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Padre João Torres

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

UM DOMINGO MUITO ESPECIAL NA NOSSA PARÓQUIA

 


No próximo domingo, 18 de outubro, a nossa comunidade vai viver um momento de grande alegria e comunhão. Às 12h00, na Igreja Matriz de Arronches, celebramos a Eucaristia que assinala o Início do Ano Catequético!

Será uma celebração repleta de significado, onde iremos vivenciar

:Festa do Acolhimento: Damos as boas-vindas aos mais pequeninos e a todos os que iniciam este caminho de fé.

Envio dos Catequistas: O momento em que a comunidade envia e agradece a missão daqueles que vão guiar as nossas crianças e jovens.

Bênção das Mochilas: Convidamos todas as crianças e jovens a trazerem as suas mochilas escolares para receberem uma bênção especial para este ano letivo.

Contamos com a presença de todos os catequizandos, famílias, catequistas e de toda a comunidade paroquial. 

Vamos começar este ano com o coração cheio de esperança!

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Ver-me com os olhos de Deus




 

Vale a pena olhar para mim próprio com os olhos de Deus. Com justiça e amor. Aceitando-me. Acolhendo os meus erros, os meus arrependimentos e as minhas fragilidades. Procurando com ternura as razões daquelas falhas que eu próprio não consigo (ou não quero) assumir, enfrentar e tentar resolver.


Deus vê para lá do que os olhos conseguem saber. Abre o Seu coração ao meu coração e procura o meu abraço tanto quanto eu procuro o Seu.

O perdão é uma escolha de amor. Quem perdoa não deixa de sentir dor. Não se deve perdoar de acordo com a medida da falta, nem com as emoções, mas sim de acordo com o amor que se tem e se quer ter por quem se perdoa.

É duro perdoar, mas é ainda pior não o fazer. Há quem dê abrigo dentro de si a mágoas de que se poderia livrar se perdoasse a quem é responsável por elas… e, muitas vezes, é a própria pessoa que não é capaz de se perdoar.

Importa perguntar a mim mesmo o que quero de Deus. Desejo os benefícios que Ele me pode dar para não sofrer e ter aquilo com que sonho (ainda que não mereça nem uma coisa nem outra!)? Ou quero a Sua presença e a força para continuar a viver e amar com vontade, sabedoria e perseverança, apesar de tudo o que me dói, de tudo o que me falta e de todos os sonhos que não consigo alcançar?

E o que quererá Deus de mim? Será que consigo escutá-lO como Ele me escuta?


José Luís Nunes Martins

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Há convites que nunca chegam




“Adoro o convite feito pelo olhar. Que não precisa dizer nada. Só sentir.”
Aline Goulart


Quando recebemos um convite para uma festa temos duas reações:

adoramos, porque amamos quem nos fez o convite;

detestamos, porque vamos gastar dinheiro.


Por vezes, surgem aquelas evasivas questões:

Porque será que fui convidado?

O que querem que eu leve para a festa?

Nem sei o que vestir?


E às vezes… quando o convite não chega…

Ficamos indignados e muito tristes.



No nosso relacionamento com Deus, o convite não chega pelas mãos divinas.

O Pai fica amorosamente a preparar o Banquete.

Todos os pormenores da grande Festa passam pelos Seus olhos

e são delicadamente tecidos no tear do Seu coração.



O Senhor que nos dá a Vida oferece a importante missão da entrega do Convite a mim e a ti.

Somos nós, a Igreja d’O Cristo,

quem chama cada homem e cada mulher ao Banquete, que é a Eucaristia.



Eis a pergunta que hoje deve crescer no nosso coração:

Como entrego eu o convite do Senhor?

Com um sorriso no rosto.

Com Fé, Esperança e Caridade.

Com Amor verdadeiro!



E quem tem de receber o convite?

«Todos! Todos! Todos!»

Com persistência e sem julgamentos.

Com aquele olhar repleto de Amor…

Porque O único que pode dizer quem é ou não é digno, é o Rei.



A mim e a ti só nos compete levar Jesus a todos e todos a Jesus,

na certeza de que nunca nada nos faltará,

porque sabemos viver na fartura e na fome!

Afinal… é O próprio Deus quem nos prepara o Banquete.


Liliana Dinis

 

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Que coisas melhores temos que fazer hoje do que ser felizes?

 


Que coisas melhores temos que fazer hoje do que ser felizes?
O Deus que Jesus veio revelar é um rei que convida para um casamento. Ele não força, não obriga, não intimida. Ele propõe um elegante banquete, que há muito sonhamos.
Deus é um espetáculo de luz e de vida e pede-me, para participar da Sua vida, para compartilhar da Sua alegria. É um Deus feliz que me quer feliz.
Mas surpreendentemente, os convidados rejeitam o convite para participar no banquete... Na prática Deus recebe um solene e partilhado: não, obrigado.
Temos coisas para fazer. Coisas urgentes, necessárias e importantes.
Mas sempre e somente coisas. Matéria, compromisso, trabalho, suor.
Aqueles que recusam não são maus. Eles estão ocupados demais para serem felizes. Eles iludem-se pensando que encontrarão a felicidade depois de ficarem sem coisas para fazer. Como se a felicidade pudesse esperar. Como se dependesse das coisas.
No entanto, não é preciso muito. Aceite o convite, vá.
Todo o Evangelho consiste num vem e vê.
Que melhor coisa temos para fazer hoje do que ser felizes?
Damos desculpas. Problemas, dores, às vezes até atribuídas a Deus, obstáculos.
De facto, o que de mais precioso se pode oferecer a alguém, neste mundo apressado, é o TEMPO. É o tempo que gastamos com os outros, que tornam os outros tão importantes para nós!
E se aqueles que deveriam participar não estiverem lá, não importa. Deus convida aqueles que ninguém convida... convidados não têm nome, são todos, são todos os nomes.
Mas eu quero lá estar. Quero como São Paulo, experimentar que tudo posso naquele que me dá força. Quero viver esse tempo de graça.
Olhem!
Que coisas melhores temos que fazer hoje do que ser felizes?

Padre João Torres

domingo, 11 de outubro de 2026

«felizes os convidados para a Ceia do Senhor».

 

https://www.youtube.com/watch?v=NGU9-id-u6w&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=145


Qual o projeto de Deus para nós? Qual é a meta final da nossa existência, o nosso horizonte último? Para onde é que Deus nos está a conduzir? As leituras que a liturgia do 28º Domingo do Tempo Comum nos oferece recorrem à imagem de um “banquete” para descrever esse mundo de amor, de alegria, de felicidade e de vida sem fim que Deus quer oferecer a todos os seus filhos. “O banquete está preparado; vinde sentar-vos comigo à mesa” – diz-nos Deus.

Na primeira leitura, o profeta Isaías anuncia uma festa esplêndida que, um dia, Deus vai oferecer a todos os seus filhos, sem exceção. Homens e mulheres de todas as raças formarão uma única família, reunida à mesa de Deus, numa fraternidade sem sombras nem fraturas. Sobre a mesa familiar estarão “manjares suculentos”, “comida de boa gordura”, “vinhos deliciosos e puríssimos”, vida bela e abundante. Será o início de uma nova era de paz e de felicidade, de um tempo em que a humanidade estará livre de tudo aquilo que a fere e a faz sofrer. O poema em que Isaías canta estas coisas eternas é um dos mais belos cânticos de esperança que a humanidade já escutou.
No primeiro instante da nossa existência, Deus fez-nos chegar o seu convite para nos sentarmos à Sua mesa, à mesa desse “banquete” fraterno que Ele preparou para “todos os povos”. No dia do nosso batismo nós aceitamos o convite de Deus e dispusemo-nos a integrar a família de Deus. Assumimos um compromisso com Deus, decidimos dizer “não” ao egoísmo e à autossuficiência, dispusemo-nos a abraçar os valores de Deus. Juntamente com todos os outros homens e mulheres que aceitaram o convite de Deus para se sentarem à mesa do “banquete”, comprometemo-nos a construir, já aqui, uma nova terra de justiça, de solidariedade, de partilha, de amor. A nossa vida tem sido coerente com essa opção?

No Evangelho Jesus compara o reino de Deus a uma festa que um rei preparou para celebrar o casamento do seu filho. Houve convidados que se recusaram a comparecer; mas a festa não foi cancelada: o rei abriu as portas da sala do banquete a todo o tipo de pessoas – gente “improvável”, encontrada nas “encruzilhadas dos caminhos” – que tiveram a oportunidade de se sentar à mesa do rei e de participar numa festa inolvidável. No banquete do reino de Deus haverá lugar para todos os homens e mulheres que estiverem dispostos a acolher o convite de Deus.
Para onde caminhamos? Qual o projeto de Deus para nós? Qual é a meta final da nossa existência? A nossa vida resumir-se-á a aproveitar uns breves instantes de felicidade, antes que a morte ponha fim a essa experiência efémera que é a nossa caminhada pela terra? Jesus conhecia bem Deus e estava seguro de que Ele tem um projeto magnífico para os seus filhos. Para nos descrever o projeto que Deus tem para nós, Jesus utiliza uma imagem que fazia sonhar os seus contemporâneos: a de uma festa de casamento. Segundo Jesus, Deus quer reunir todos os seus filhos numa festa eterna, que será como um grandioso banquete nupcial; aí, como em qualquer festa de casamento, haverá alegria transbordante, comida abundante para saciar a nossa fome, vinhos finíssimos para alegrar o nosso coração, fraternidade sem fronteiras, experiência plena de amor, de comunhão, de encontro. O que é que pensamos disto? Trata-se de um “programa” capaz de nos entusiasmar? Vemo-nos a aceitar o convite de Deus para participar nesta festa?

Na segunda leitura, o apóstolo Paulo apresenta-nos um exemplo concreto de uma comunidade que aceitou o convite do Senhor e vive animada pelo dinamismo do reino de Deus: a comunidade cristã de Filipos. É uma comunidade generosa e solidária, verdadeiramente empenhada na vivência do amor e em dar testemunho do Evangelho diante de todos os homens.
 Com o seu generoso gesto em favor de Paulo, prisioneiro por causa do Evangelho, a comunidade cristã de Filipos deixa-nos o exemplo de uma comunidade que se mantém atenta às necessidades das pessoas, que está aberta à partilha e ao dom, que cuida dos seus membros quando estão em situação de fragilidade, que pratica a caridade… O testemunho que os filipenses dão ao mundo é o testemunho de quem acredita no Evangelho, de quem está comprometido com os valores do reino de Deus. Como são as nossas comunidades cristãs? São comunidades que testemunham os valores do reino de Deus? São comunidades atentas às necessidades dos mais frágeis e carentes? São comunidades que cuidam daqueles que a vida feriu e que arrastam cruzes impossíveis de carregar sozinho? São comunidades disponíveis para partilhar os bens? São comunidades “com coração”, onde se pode fazer a experiência da bondade, da misericórdia, da compaixão de Deus por todos os seus filhos?

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