sábado, 18 de abril de 2026

Argélia: Papa alerta para «espiral negativa» de violência no mundo

 



Leão XIV deixa mensagem de despedida, no último encontro público com os católicos do país



Annaba, Argélia, 14 abr 2026 (Ecclesia) – O Papa alertou hoje para a “espiral negativa” de violência do mundo, numa mensagem de despedida aos católicos da Argélia.

“Reconheçamos que a situação atual do mundo, como uma espiral negativa, tem origem, no fundo, no nosso orgulho. Precisamos de Deus, da sua misericórdia. Só Nele o coração humano encontra a paz”, disse Leão XIV, no final da Missa a que presidiu na Basílica de Santo Agostinho, em Annaba, a antiga cidade de Hipona, no Império Romano.

Perante cerca de 1500 pessoas, que participaram na primeira Missa pública presidida por um Papa na Argélia, o pontífice pediu que todos se voltem para Deus com “humildade”.

“Só com Ele poderemos todos juntos, reconhecendo-nos como irmãos, trilhar os caminhos da justiça, do desenvolvimento integral e da comunhão”, acrescentou.

Leão XIV agradeceu pelo acolhimento da comunidade católica e pela “hospitalidade atenciosa” as autoridades civis, ao longo destes dois dias de visita.

O primeiro Papa da Ordem de Santo Agostinho falou desta viagem como “um dom especial da providência de Deus”, em referência à passagem pela cidade onde o doutor da Igreja foi bispo, no século V.

“É um dom que o Senhor quis fazer a toda a Igreja por intermédio de um Papa agostiniano. E parece-me poder resumi-lo assim: Deus é amor, é o Pai de todos os homens e de todas as mulheres”, afirmou.

Na manhã desta quarta-feira, Leão XIV ruma aos Camarões, com chegada prevista à capita, Iaundé.

A agenda no território camaronês integra uma deslocação a Bamenda, na quinta-feira, para um encontro pela paz com a comunidade local e a celebração da Missa.

O dia 17 de abril é marcado por uma passagem por Douala, com uma missa em estádio e a visita a um hospital católico, antes do regresso a Iaundé para um encontro com o mundo universitário.

O núncio apostólico em Iaundé, D. José Avelino Bettencourt, destacou à Agência ECCLESIA o simbolismo da presença do Papa em contextos de elevada fragilidade social e militar, como acontece em Bamenda, no território anglófono, “uma zona de guerra”.

O Papa despede-se dos Camarões a 18 de abril, dia em que a comitiva papal viaja para Angola.

A viagem termina a 23 de abril, após passagem pela Guiné-Equatorial.

OC

SEM PERDER A POESIA, QUE LEITURAS NAS ESCOLAS?




Embora seja importante, não sei escrever sobre que livros se devam ler nas escolas. Apesar de concordar que “não há maior fragata que um livro para nos levar a terras distantes”, como afirmava Emily Dickinson, não me sinto à altura de o fazer. Acredito, no entanto, que seja uma grande e justa preocupação em quem tem essa responsabilidade. Além disso, também não estou dentro da verdadeira causa da iniciativa e dos parâmetros estabelecidos para analisar tal questão, quer se trate de saber se há alguma toxicidade nas leituras que estão em uso, quer se trate de mera rotina a confirmar a sua potabilidade, quer se trate de escolher fontes mais empáticas, capazes de provocar uma maior procura dessas águas em prol da saúde pública dos estudantes e do seu desenvolvimento integral. Presumo, no entanto, que, criar o gosto pela leitura, incutir a estima e a gratidão por quem tem o dom e a arte de escrever, apreciar o estilo do autor e levar a interpretar e a saber triar o conteúdo daquilo que se lê, com verdadeiro sentido crítico, é bem mais importante do que temperar o que se deve ler com o sal da obrigatoriedade ou o piripiri de qualquer ideologia.
A minha intenção está em reiterar o apelo do Papa Francisco na sua última Carta Encíclica: é preciso regressar ao coração. Se a preocupação dos pais, dos formadores e professores, isto é, se a preocupação de quem educa, ensina e forma, também incluir a necessidade de formar o coração dos seus educandos, o mundo terá muita mais beleza e encanto! Até evitaremos os tiranos, os egocêntricos e gananciosos, o individualismo doentio!
Hoje aposta-se muito na formação da inteligência, no conhecimento, na defesa dos valores da liberdade, da vontade... e bem, são valores evangélicos. No entanto, se as leituras que se procuram, além do interesse cultural ajudarem a que as ações das pessoas “sejam colocadas sob o ‘controle político’ do coração, que a agressividade e os desejos obsessivos sejam acalmados no bem maior que o coração lhes oferece e na força que ele tem contra os males; que a inteligência e a vontade sejam também postas ao seu serviço, sentindo e saboreando as verdades em vez de as querer dominar, como algumas ciências tendem a fazer; que a vontade deseje o bem maior que o coração conhece, e que a imaginação e os sentimentos se deixem também moderar pelo bater do coração”, então, todos lucraremos, pois cada um será o seu coração, será o coração que o distingue, o molda, o põe em comunhão com os outros, o torna possível de qualquer vínculo autêntico, o faz ultrapassar a fragmentação do individualismo. A desvalorização deste centro íntimo do homem, porém, vem de longe, diz o Papa. Ele “teve pouco espaço na antropologia e é uma noção estranha ao grande pensamento filosófico. Preferiram-se outros conceitos, como a razão, a vontade ou a liberdade. O seu significado permanece impreciso e não lhe foi atribuído um lugar específico na vida humana”. No entanto, ao não se dar o devido valor ao coração, dizia Francisco, quando não “se consideram as especificidades do coração, perdemos as respostas que a inteligência por si só não pode dar, perdemos o encontro com os outros, perdemos a poesia. E perdemos a história e as nossas histórias, porque a verdadeira aventura pessoal é aquela que se constrói a partir do coração. No fim da vida, só isto contará”.
Levar o coração a sério, reformá-lo com “os olhos postos no mundo inteiro e naquelas tarefas que podemos realizar juntos para o progresso da humanidade” terá verdadeiras consequências sociais, a sociedade mundial recuperará o seu coração, pois os “desequilíbrios de que sofre o mundo atual estão ligados com aquele desequilíbrio fundamental que se radica no coração do homem”. Neste mundo líquido, “é necessário voltar a falar do coração; indicar onde cada pessoa, de qualquer classe e condição, faz a própria síntese; onde os seres concretos encontram a fonte e a raiz de todas as suas outras potências, convicções, paixões e escolhas. Movemo-nos, porém, em sociedades de consumidores em série, preocupados só com o agora e dominados pelos ritmos e ruídos da tecnologia, sem muita paciência para os processos que a interioridade exige. Na sociedade atual, o ser humano corre o perigo de se desorientar do centro de si mesmo. O homem contemporâneo encontra-se com frequência transtornado, dividido, quase privado de um princípio interior que crie unidade e harmonia no seu ser e no seu agir. Modelos de comportamento infelizmente bastante difundidos, exaltam a sua dimensão racional-tecnológica ou, ao contrário, a instintiva. Falta o coração”.
É, pois, “necessário recuperar a importância do coração quando nos assalta a tentação da superficialidade, de viver apressadamente sem saber bem para quê, de nos tornarmos consumistas insaciáveis e escravos na engrenagem de um mercado que não se interessa pelo sentido da nossa existência”. O coração é o “centro unificador que dá a tudo o que a pessoa experimenta um substrato de sentido e orientação”. É “o lugar da sinceridade, onde não se pode enganar ou dissimular”. Ele costuma “indicar as verdadeiras intenções, o que se pensa, se acredita e se quer realmente”. É no coração “que se decide tudo: ali não conta o que mostramos exteriormente ou o que ocultamos, ali conta o que somos. E esta é a base de qualquer projeto sólido para a nossa vida, porque nada que valha a pena pode ser construído sem o coração. As aparências e as mentiras só trazem vazio”.

Antonino Dias
Caminha, 17-04-2026.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

D. Pedro Fernandes denuncia «discursos de ódio, com dados errados, sobre a população imigrante»



Na Assembleia Plenária da CEP que terminou hoje em Fátima foram eleitos os novos responsáveis para liderar os vários setores da pastoral, no triénio 2026-2029.
Pastoral Social: D. Roberto Mariz assume a comissão com o compromisso claro de "remar contra a discriminação" e apoiar os mais frágeis.
https://agencia.ecclesia.pt/.../pastoral-social-novo.../

Mobilidade Humana: D. Pedro Fernandes deixa um alerta forte, denunciando os discursos de ódio baseados em dados errados sobre a população imigrante.
https://agencia.ecclesia.pt/.../mobilidade-humana-novo.../

Comunicações Sociais: D. Alexandre Palma sublinha o papel da comunicação, defendendo que a Igreja deve ser uma "qualificadora do debate público".
https://agencia.ecclesia.pt/.../comunicacoes-sociais.../

Missão e Nova Evangelização: D. Rui Valério aponta caminhos para o futuro, sublinhando que é necessário "saber evangelizar numa sociedade reconfigurada pela imigração".
https://agencia.ecclesia.pt/.../pastoral-social-e.../

Bispos e Vida Consagrada: A liderar a Comissão Mista, D. Nélio Pita valoriza o trabalho em conjunto: “Ganhamos todos com esta articulação e com este diálogo”.
https://agencia.ecclesia.pt/.../bispos-vida-consagrada.../

Igreja tem «papel importante» integração» de comunidades imigrantes, afirma novo presidente da comissão episcopal

Foto Agência ECCLESIA/PR, D. Pedro Fernandes


Fátima, 16 abr 2026 (Ecclesia) – D. Pedro Fernandes saudou a criação da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana (CEMH), na Assembleia Plenária que hoje terminou, e lembrou o “importante papel” da Igreja “na criação de paz e integração” nas comunidades.

“Numa sociedade ocidental, em geral, e também em Portugal, onde têm crescido discursos de ódio, discursos distorcidos, com dados errados, seja sobre a população imigrante, seja sobre a própria realidade das diversidades culturais dentro do nosso tecido social, parece-me que é muito importante ajudar as nossas comunidades humanas e também a comunidade cristã a crescer neste sentido da fraternidade e da verdade nas relações”, afirmou à Agência ECCLESIA.

A Assembleia Plenária da Conferência Episcopal portuguesa elegeu o bispo de Portalegre-Castelo Branco, padre espiritano, para presidir à Comissão Episcopal da Mobilidade Humana num mandato até 2029.

A CEMH nasce da divisão da Comissão Episcopal de Pastoral Social e Mobilidade Humana, que fica agora de forma autónoma na organização da Conferência Episcopal Portuguesa.

“A Igreja tem um papel importante a criar condições de mais paz social, de mais coesão, de mais comunhão e de mais integração das diversidades na unidade nacional, que é feita dessas diversidades”, sublinhou.

O responsável reconhece que as migrações são um tema “cada vez mais importante” na sociedade contemporânea, que “toca algo de essencial na vida cristã, na vida da Igreja e da sociedade”, desafiando as “relações humanas” a viver em “fraternidade, com convicções fundamentais de igualdade e de comunhão”.

“Argumentações de caráter mais funcionalista, mais economicista, que pretendam de alguma maneira desvalorizar a imigração ou os imigrantes, ou relegá-los para o segundo plano, ou até promover discursos de discriminação, de ódio, de racismo, isto penso que tem que ser desmontado. E há uma exigência, penso, de liberdade social e de verdade cristã”, sublinhou.

O novo presidente acredita que na sociedade portuguesa “prevalece o bom senso” uma vez que encontra entre a população “moderação e equilíbrio”.

“Sou otimista e acredito que essa fragmentação poderá não acontecer, e não deverá acontecer na nossa sociedade, como vemos acontecer noutros sítios. Mas parece-me que é preciso que haja muita concertação das diferentes sensibilidades e forças sociais e culturais, que se orientem no mesmo sentido, que resistam aos populismos, que resistam a discursos que pretendem dividir para reinar, que pretendem aproveitar-se do medo e das situações de instabilidade, de insegurança e de insatisfação das pessoas, para prevalecerem no poder ou para conquistarem o poder”, adverte.

D. Pedro Fernandes pede que “este tipo de tendências” sejam “contrariados em nome da verdade e do bem comum”.

PR/LS

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Tens três amigos?



Há pessoas que têm três amigos — daqueles que permanecem com elas quando tudo corre mal. São mesmo bem-aventuradas! Há também quem saiba ser amigo e permanecer ao lado de alguém nas adversidades.

Na desgraça de alguém, todos são chamados a revelar-se. Uns desiludem por completo, sempre com desculpas. Outros tornam-se presentes e disponíveis para partilhar a dor ou, pelo menos, para que não nos sintamos abandonados. Estes são poucos. És um deles? Para quem? E quantos são capazes de ficar contigo? Três?

Também em relação aos amigos é melhor ser do que ter.

Uma amizade verdadeira é uma das mais belas formas do amor. Um verdadeiro amigo é um tesouro. Ser amigo é ser um dom – o dom de ser dom – porque se torna capaz de amar o imperfeito – sabendo que é imperfeito – e aceitando essas imperfeições.

Há uma alegria perigosa naqueles que julgam ter muitos amigos apenas porque nunca os puseram à prova. Num momento mais duro, descobrem-se, de súbito, abandonados numa solidão que se assemelha a um deserto – rodeados de gente indiferente à dor alheia.

Não procuremos ter três amigos, mas antes ser um… de dois ou três!

Que sejamos capazes de nos dar, mesmo sem que nos peçam, quando isso puder aquietar, ainda que só um pouco, o sofrimento de alguém. E que, pelo menos, saibamos reconhecer quando alguém faz o mesmo por nós.


José Luís Nunes Martins

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Homo sapiens, será?



Ora partindo do pressuposto que o homem de hoje é resultado da sua evolução, não posso deixar de questionar se será realmente assim?

É que parece que evoluímos tanto mas ainda assim, estamos a anos luz da verdadeira evolução, aquela que assenta em algo que realmente nos acrescente, nos faça bem, nos facilite a vida, nas acima de tudo nos transforme em seres melhores.

Um lamiré à nossa volta e deparamo-nos com um mundo onde o dinheiro e o poder são senhores, onde impera o materialismo e o culto da imagem, onde se descartam valores essenciais e aqui penso não seremos hoje mais homens das cavernas do que nunca?

Onde está a sapiência que pelos vistos alcançamos?

Mas não está tudo perdido, como diz Pedro Abrunhosa numa das suas canções "ainda há frutos sem veneno", e eu sigo a acreditar que ainda há esperança na humanidade!


Lucília Miranda

terça-feira, 14 de abril de 2026

Deus não vive no céu

 




Deus não vive no céu

És Tu Deus Cigano, que eu adoro,
Sei que não vives no céu…
Porque vives em mim
e não te posso procurar para além do meu jardim.
Fazes do vento, do pó, da estrada,
do meu olhar e do outro a Tua morada.
Vais montando a Tua tenda
cheia de tudo e cheia de nada
nas misérias e recantos de qualquer casa…
És Tu, no nosso meio, com rosto de gente
levando paz e amor ao íntimo do descontente.
Vais em Liberdade, sem preconceitos, nem religião
habitar na disponibilidade de qualquer coração.
Vais simplesmente, porque é a Tua forma cigana de ser.
Sem fórmulas, doutrinas, teorias que acham que te podem ter.
És Tu, à procura de formar família na Babilónia da Humanidade,
a trazer o céu à terra no meio da nossa comodidade
e confundindo quem acha que descobriu toda a verdade….
És sempre a vir, a chegar e a estar...
És Tu, que outrora eras solteiro, no princípio do Livro Sagrado
e agora com a história e com a criação, És casado.
És Tu Deus Cigano
Um Deus sempre a descobrir….
Em cada coração
No meu e no rosto do meu irmão…
Todo o resto, é puro engano…


Padre João Torres

segunda-feira, 13 de abril de 2026

O Bispo da Diocese de Portalegre–Castelo Branco, D. Pedro Fernandes, visitou, pela primeira vez, a Paróquia de Arronches



Domingo, 12 de Abril, O Bispo da Diocese de Portalegre–Castelo Branco, D. Pedro Fernandes, visitou, pela primeira vez, a Paróquia de Arronches.





Neste domingo, com a Igreja Matriz repleta, D. Pedro foi recebido com carinho e entusiasmo, pelos fiéis.
Com o objetivo de renovação espiritual da comunidade e o fortalecimento do compromisso apostólico, celebrando a administração do sacramento do Crisma, a visita foi um momento de graça e encontro, uma oportunidade de diálogo, escuta e aproximação, cuidando, orientando e partilhando com a comunidade, celebrando a fé e reforçando a unidade.

https://www.youtube.com/watch?v=8Yn75D4hh6w