sexta-feira, 19 de junho de 2026

Quem olha por ti?

 



Podemos saber por quem olhamos, mas conseguiremos saber quem olha por nós?

Alguns de nós afirmam que não têm ninguém, que estão sós. Talvez até pudesse ser verdade em alguns casos, mas como pode alguém ter essa certeza?

Acredito que qualquer pessoa que esteja a ler este texto consegue fazer uma lista com pelo menos 25 nomes de pessoas importantes na sua vida. Não é uma tarefa simples, porque quem se propõe a tal assume sempre que deve apontar o nome daqueles que ama ou pelos quais nutre bons sentimentos.

Mas quantos dos que constam da minha lista me têm na deles?

Mais ainda, será que o meu nome não aparece nas listas de pessoas que eu desconheço ou de quem já nem me lembro que existem?

Não somos importantes apenas para quem o queremos ser. Algumas vezes, nem esses nos aceitam como tal.

Por outro lado, a nossa vida pode ser um dom para pessoas cujo nome nunca conheceremos ou que julgamos serem apenas figurantes da nossa existência.

Outros ainda podem olhar por nós e amar-nos sem deixar grandes pistas que nos permitam encontrá-los. Se existirem – e existem! – por que razão não querem sequer que lhes agradeçamos?

É bom ser bom, mais ainda sem esperar ser reconhecido por isso.

Será que me lembro – e guardo no coração – todos os que me fizeram e fazem bem, que me amaram e ainda me amam?

Quantas vezes, ao longo da minha vida, caí em desgraça e fui encontrado por alguém no chão, levado para um abrigo — e, quando acordei, nem percebi bem como fui ali parar?

Ilustração de Carlos Ribeiro

José Luís Nunes Martins

quinta-feira, 18 de junho de 2026

As nossas inconstâncias

 



Gosto de confiar nas pessoas;

Gosto de saber que posso contar com elas;

Gosto que se cumpram compromissos;

Gosto de alguma previsibilidade de comportamentos.

E tu?

Não gosto quando me dizem que vão e não vão;

Não gosto que digam algo que não corresponde às ações;

Não gosto que se comprometam e depois ignorem o compromisso.

E tu?

Tenho um pouco de dificuldade em confiar nas pessoas que parece que fazem tudo, e nos vendem a ideia de que amanhã te resolvem o problema e depois desaparecem e escondem-se atras de desculpas e desculpas.

Aquelas pessoas que se comprometem a passar logo lá em casa para te resolver algo, e não aparecem.

Aqueles que dizem que adoram o que faço mas quando pergunto, nem se quer sabem do que falo.

Arrisco-me a dizer que já todos fizemos isto. Em algum momento tivemos uma epifania de euforia e dizemos: “eu faço isto e aquilo” e depois passa como uma brisa. Depois fracassamos e pomos nas gavetas os projetos que idealizamos. É agora…mas não foi!

O problema aumenta quando envolvemos outros nas nossas inconstâncias e fracassamos com as nossas promessas. O problema é que há cada vez mais pessoas que ora é tudo, ora é nada e isso quebra qualquer espirito de confiança que alicerça as relações.

Quando no auge da nossa vontade, nos comprometemos, devemos garantir que caso não o façamos, pelo menos desculpamo-nos e assumimos: olha que o outro repara, e às vezes o outro és tu.

Não pares de sonhar e envolver quem te ama, mas mostra-lhe respeito tanto no sucesso como no fracasso.

E tu amiga, tens sido inconstante?


Raquel Rodrigues

terça-feira, 16 de junho de 2026

AMO A MINHA IGREJA

 


Ele há gente sem NOME, sem NORTE nem SORTE, sem MEMÓRIA, sem VIDA e sem FUTURO. Onde cada um se ESCONDE, NEGAR-SE E PERDER-SE....
«Jesus, percebeu-lhes o sofrimento, adivinhou-lhes a angústia, sentiu-lhes o aperto. Porque era gente dispersa e não reconhecida. Gente entregue a si mesma, não amada. Gente «stressada», ocupada no imediato, sem alma que brilhasse...
Jesus vê que estamos perdidos, como ovelhas sem pastor, porque não temos dentro de nós as respostas para todas as perguntas.
Jesus comove-se e inventa a Igreja. Jesus pensa numa companhia, numa busca comum, num sonho realizado: homens e mulheres, seus discípulos, capazes, juntos, de buscar sentido e plenitude, moderação e alegria.
Jesus escolhe doze pessoas para começar a construir o Reino, doze que ficam com ele, para depois se tornarem capazes de conduzir outros... E a missão é simples. CURAR, CHAMAR, LIBERTAR, COMPROMETER...
Quando ouvimos as palavras de Jesus: “Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara”, interpretamos este convite de maneira redutora.
Significa pedir a Deus que me mande a mim como trabalhador da ternura... que me mande com um coração de carne comer o pão das lágrimas com quem chora e beber o cálice do sofrimento com quem sofre...
Vou-vos contar um segredo: eu amo a Igreja.
Amo esse sonho louco de Deus que sou chamado a viver...
Vamos nos entender:
não aquele rabisco de igreja muitas vezes cultivado
por membros mornos e fanáticos, que se acham perfeitos.
Não: a Igreja é uma comunidade de companheiros de viagem
chamados a tornar presente o Pastor nos seus gestos...
que têm vontade de ensinar e cuidar uns dos outros,
que se esforçam por serem um sorriso de Deus para os irmãos...
É dessa gente louca de Deus que a nossa Igreja precisa...

Padre João Torres

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Só damos o que temos



“Só damos o que temos.

Cada um oferece aquilo que tem e transborda de dentro de si.”
Augusto Branco



Deus chama por cada um de nós.

Não é a nossa resposta verbal que faz a diferença.

A nossa atitude diária perante as adversidades do caminho,

é o que nos faz trabalhadores da seara.


Honrar a aliança que Deus fez com o Seu Povo, é um renovar o amor a cada amanhecer.

Para isso, muitas vezes, morremos para o mundo!

Permanecemos em silêncio…

Gastamos mais um bocadinho da nossa paciência…

Escutamos os outros…

Partilhamos o pouco que possuímos…

Vamos ao encontro de quem está sozinho…

Costuramos feridas abertas com um abraço…

Abrimos a boca para que as palavras sejam regaço que acolhe…

Acendemos luzes no caminho da Reconciliação…

…e em troca ambicionamos um sorriso!


As tristezas e as lamentações diárias

tornam-se mais leves quando sorrimos.

Um brilho no olhar,

que pode ser o início de uma lágrima que quer cair;

ou a alegria de ser ovelha que se arrepende e Acredita na Boa Nova.


Hoje, somos convidados a ir.

Mais do que partir ao encontro é ser encontro!

Sentar ao pé do mar e tocar o coração de alguém…

Subir à montanha e reconstruir uma Alma que sofre…

Deitar na relva fria e agarrar a mão de quem amamos…


Sejamos alegres trabalhadores na seara do Reino do Pai!

Eu vou! Vens?


Liliana Dinis

Festa do Pai Nosso



A nossa paróquia está de parabéns e em festa, porque as crianças do segundo ano de catequese aprenderam coisas muito importantes ao longo deste ano e hoje receberam a oração do Pai Nosso. Deus, Pai de todos os meninos e meninas, que nos ensinou a amar e abriu no nosso coração o caminho para sermos felizes
A nossa vida é preciosa aos olhos de Deus qualquer que seja a idade e o estado em que nos encontramos.e por isso devemos dar valor à nossa vida e respeitar a dos outros.

Este domingo as crianças do 2º ano, celebram a Festa do Pai-Nosso. Jesus ensinou-nos a Sabedoria da Oração. O encontro que acontece no mais íntimo do coração, mas que tem também um profundo rosto comunitário. Ao dizermos Pai Nosso, e Pão Nosso estamos a ser sinal da fraternidade que queremos construir e assumir como missão.




























domingo, 14 de junho de 2026

A Oração do descanso

 


Que eu saiba descansar na mesma medida em que sei trabalhar.

Que eu olhe para a vida como é e não como gostava que fosse.

Que eu honre os dias lentos, sem afazeres nem pressas.

Que eu atravesse os dias devagar, não me culpando nunca por precisar de parar. Abrandar. Refazer. Retomar. Suspender. Pausar.

Que o ruído dê lugar à paz. Principalmente dentro de mim.

Que as palavras do outro não me forcem nunca a fazer o que não quero. A ir para além dos meus limites.

Que eu saiba que o trabalho faz parte da vida, mas que o trabalho não é (nem poderá substituir – ou ser – a minha vida).

Que as dificuldades sejam desatadas com calma. Com conversa.

E, de preferência, após uma noite de sono completa.

Que a luz da manhã me traga a certeza de que este dia é meu, mas que o de amanhã pode não ser.

Que eu não subestime o meu corpo nem os sinais que me dá quando estou a fazer demais, a ser demais, a dar demais.

Que eu possa parar e recomeçar todas as vezes que forem necessárias para o meu bem-estar emocional, mental, espiritual e físico.

Que eu seja sempre fiel aos meus ritmos internos e não aos ritmos de uma empresa, de um trabalho ou de uma profissão.

Que a minha vida esteja sempre em primeiro lugar.

Que o descanso seja vivido mais vezes sem a necessidade de compensar (com trabalho) depois.

Que aprendamos a amar o sossego, a quietude, a tranquilidade e a natureza de todas as coisas como são.


Marta Arrais

A Missão

 

https://www.youtube.com/watch?v=8olVxlfVNEU&t=288s

Neste domingo, a Palavra que vamos reflectir recorda-nos a presença constante de Deus no mundo e a vontade que Ele tem de oferecer aos homens, a cada passo, a sua vida e a sua salvação. No entanto, a intervenção de Deus na história humana concretiza-se através daqueles que Ele chama e envia, para serem sinais vivos do seu amor e testemunhas da sua bondade.

A primeira leitura apresenta-nos o Deus da "aliança", que elege um Povo para com ele estabelecer laços de comunhão e de familiaridade; a esse Povo, Jahwéh confia uma missão sacerdotal: Israel deve ser o Povo reservado para o serviço de Jahwéh, isto é, para ser um sinal de Deus no meio das outras nações.

O Evangelho traz-nos o "discurso da missão". Nele, Mateus apresenta uma catequese sobre a escolha, o chamamento e o envio de "doze" discípulos (que representam a totalidade do Povo de Deus) a anunciar o "Reino". Esses "doze" serão os continuadores da missão de Jesus e deverão levar a proposta de salvação e de libertação que Deus fez aos homens em Jesus, a toda a terra.

A segunda leitura sugere que a comunidade dos discípulos é fundamentalmente uma comunidade de pessoas a quem Deus ama. A sua missão no mundo é dar testemunho do amor de Deus pelos homens - um amor eterno, inquebrável, gratuito e absolutamente únic
o.