sexta-feira, 17 de julho de 2026

O que mancha a tua alegria?



O que mancha a tua alegria?


O medo?

A vergonha?

Por vezes queremos festejar algo que de bom nos aconteceu, mas parece que nos sentimos tensos e até com medo de celebrar, não vá nada agoirar.

Quando uma família recebe a notícia que vai ter um filho, ficam felizes, mas logo começam os receios e o medo.

Quando, finalmente, consegues um emprego, celebras mas logo és acometida por medo e dúvidas sobre se és capaz.

E por aí fora…

Sempre que tens um motivo para festejar, parece que o rastilho é curto porque és assaltada por outras tantas preocupações, medos e até vergonha de mostrar que estás contente.

Ora, pensa lá, quando foi a última vez que celebras-te uma boa notícia, mas celebrar a sério, com pinchos, saltinhos, e risos de alegria.

Quando tiveste esse momento, o que fizeste? Partilhaste essa alegria com quem? Como reagiram?

Ou será que escondeste isso para ti, relativizando e até sentindo vergonha como se fosse algo injusto e que não mereceste?

É que a nossa alegria cresce quando é partilhada, mas às vezes…essa partilha mata a alegria de qualquer um. Quantas vezes contaste a alguém uma boa notícia e o outro respondeu: Ah que bom, mas…! Isso mata qualquer festejo.

Outras vezes até somos nós a matar o entusiasmo dos que nos rodeiam, umas vezes por medo outras por uma pontada de inveja.

Não é fácil sentir a alegria pura de uma criança quando abre um brinquedo no Natal, ou que reencontra o abraço do pai depois de tanto o procurar. Uma alegria despreocupada e totalmente confiante no que sente no agora, sem mancha de medos ou invejas.

Ora pensa lá! Se calhar temos de treinar mais essa aptidão para a felicidade e a sua celebração.

E tu, amiga, o que achas que mancha a tua alegria?


Raquel Rodrigues


quinta-feira, 16 de julho de 2026

Ser padrinho ou madrinha

 



Ser padrinho ou madrinha:

quando o coração assina mais do que um papel
Há pedidos que chegam ao cartório paroquial com um sorriso e uma frase quase pronta: "Preciso de um atestado de idoneidade para ser padrinho."
Como se bastasse um papel.
Como se a fé pudesse ser impressa numa folha A4.
Como se o Crisma fosse um bilhete vitalício que se guarda na gaveta, ao lado do certificado da escola e da garantia do frigorífico.
Mas não é assim.
A Igreja não pede aos párocos um certificado de sacramentos. Pede-lhe um atestado de vida. Não pergunta apenas: "Foi crismado?" Pergunta: "É alguém que vive a fé? Participa na comunidade? Pode uma criança olhar para esta pessoa e descobrir, nela, um caminho até Cristo?"
Ser padrinho ou madrinha nunca foi um prémio de amizade. Nem um lugar reservado na fotografia do Batismo. É muito mais bonito. E muito mais exigente.
É aceitar que, um dia, um pequeno coração poderá aprender a rezar porque viu o padrinho ou a madrinha a rezar. Poderá descobrir o valor do perdão porque os viu a perdoar. Poderá acreditar em Deus porque encontrou neles fé... não apenas aos domingos especiais, mas nas segundas-feiras difíceis.
Um padrinho não substitui os pais. Caminha ao lado. Está presente. Recorda, anima, levanta, escuta. E quando o afilhado se afasta da fé, não desiste dele. Continua a mostrar-lhe o caminho.
A Igreja precisa de inspiradores de vida. Porque a fé não se herda por decreto. Nem se transmite por WhatsApp.
Transmite-se à mesa de casa. No banco da igreja. Numa visita a quem sofre. Num sinal da cruz feito sem vergonha. Numa vida que, com todas as suas fragilidades, continua a dizer: vale a pena seguir Jesus.
Se alguém deseja ser padrinho ou madrinha, a pergunta mais importante talvez não seja: "Tenho os documentos?"
Mas esta:
"Se o meu afilhado imitasse a minha maneira de viver a fé, eu ficaria feliz?"
Ser padrinho ou madrinha é assinar um compromisso... primeiro com o coração e só depois com a caneta.
Porque os papéis envelhecem.
As fotografias ficam amareladas.
Mas uma vida que aponta para Deus... essa permanece para sempre.

Padre João Torres

quarta-feira, 15 de julho de 2026

A vida é uma enorme incerteza



Por mais seguros que nos sintamos em relação a alguma questão da nossa vida, isso será sempre mais sinal de emoção do que de razão. Ninguém pode sentir-se seguro aqui.

A fé é um dom que muitas vezes confundimos com uma espécie de negação da realidade. Cada um de nós é chamado a fazer mais do que esperar, colocando os seus talentos e as suas forças ao serviço do bem.

A realidade ultrapassa-nos, mas nunca seremos meros espectadores. Somos chamados a ser autores e atores nas muitas peças que compõem os nossos dias.

Com um palco cheio de pessoas, cada um a decidir por si só o que faz, muitos são os encontros e desencontros, os atropelos e os desentendimentos. Como se isso não bastasse, a existência é, em si mesma, imprevisível; o palco, as luzes e tudo o que não é humano parecem também ter vontade própria.

A existência é uma enorme viagem por um mar que tão depressa nos oferece a maior paz como logo a seguir nos revela que afinal nem a nossa vida conseguimos agarrar com força suficiente.

A esperança, tal como o desespero, faz sentido. No entanto, cabe-nos escolher o que esperar. É tão certo que os males de agora passarão como que outros, hoje desconhecidos, virão. Assim também é certo que os bens de que usufruímos hoje se perderão, mas que outros, que hoje nem conseguimos imaginar, estão a caminho da nossa vida!

Os sonhos fazem sempre sentido, mais ainda se nos dispusermos a trabalhar e a lutar para que se concretizem!


José Luís Nunes Martins


terça-feira, 14 de julho de 2026

O Preço de estar Vivo

 


O Preço de estar Vivo

Viver não é apenas ver os dias passar no ecrã do telemóvel, contar as faturas pagas ao fim do mês ou cumprir horários numa rotina anestesiada. Timothy Radcliffe recorda-nos uma verdade crua, daquelas que se cravam na pele da nossa existência: "Se amas, serás crucificado; se não amas, já estás morto."
Amar de verdade dá trabalho. Dói. Significa abrir a porta de casa e do peito, sabendo perfeitamente que o vento pode entrar e desarrumar tudo. Amar é expor a nossa vulnerabilidade, na mesa do jantar onde as palavras às vezes falham, ou no silêncio pesado depois de uma discussão estúpida por causa da loiça por lavar. Quando escolhemos cuidar, quando decidimos importar-nos e dar a mão a quem caminha connosco, estamos a desarmar-nos. Ficamos expostos. E o mundo, tantas vezes apressado, egoísta e cínico, julga, aponta o dedo, magoa. Amar é aceitar essa cruz quotidiana; é o preço de quem se recusa a ser indiferente.
Mas qual é a alternativa real? Fechar os estores da alma? Blindar o coração numa redoma de betão para que nada nos atinja?
Quem não arrisca o afeto, quem se esconde do amor para evitar a dor, não está a proteger-se — está apenas a vegetar. Anda pelas ruas como uma sombra que consome oxigénio, mas cujo peito já não vibra por nada nem por ninguém. É um corpo com os batimentos cardíacos em dia, mas com a alma já enterrada no vazio.
Prefiro mil vezes a ferida aberta e sangrenta de quem ama, com todas as suas quedas e incompreensões, à segurança estéril e cinzenta de uma vida sem entrega. Prefiro o peso de uma cruz que me liga aos outros e me cola à realidade, ao caixão invisível do desamor. Que tenhamos a coragem de amar, mesmo sabendo o preço. Porque só quem se atreve a ser quebrado sabe o que é, verdadeiramente, estar vivo.

Padre João Torres

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Fátima: D. Pedro Fernandes condena discursos populistas na sociedade

Bispo de Portalegre-Castelo Branco deixa alertas na peregrinação do 13 de julho



Fátima, 13 jul 2026 (Ecclesia) – O bispo de Portalegre-Castelo Branco condenou hoje em Fátima o crescimento de discursos populistas na sociedade e a “arrogância espiritual” que gera divisões no seio da Igreja.

“É perigosa a investida violenta de indivíduos ou povos poderosos que se aproveitam do medo das pessoas e dos sentimentos de insegurança para venderem fórmulas fáceis e uma estabilidade que não se funda na reconciliação e na justiça, mas em discursos populistas e estratégias perversas que põem povos contra povos e pessoas contra pessoas”, alertou D. Pedro Fernandes, na homilia da Missa conclusiva da peregrinação internacional do 13 de julho.

O presidente da celebração rejeitou a manipulação das populações através da “tenebrosa estratégia populista de dividir para reinar”, opondo-lhe o direito e a justiça como únicos garantes da paz.

“Todos deploramos a guerra e a violência que assolam o Médio Oriente, a Ucrânia e tantos outros povos martirizados e violentados, obrigados a fugir dos seus países para procurar refúgio, trabalho, vida digna, liberdade e segurança em lugares onde nem sempre encontram o acolhimento de fraternidade e justiça a que têm direito”, observou.

A construção da vida coletiva, no âmbito público ou privado, não pode fundar-se em legislações ou práticas políticas, económicas ou culturais que promovam a exclusão ou a desvalorização das pessoas ou de algumas pessoas. Isso deve encontrar em nós, se somos cristãos, uma inequívoca oposição ao mal.”

A reflexão evocou a encíclica ‘Magnifica Humanitas’ do Papa Leão XIV para advertir que a tecnologia e a inteligência artificial podem criar as condições ideais para “um perigoso jogo em que verdade e falsidade se confundem”.

O presidente da celebração olhou ainda para a vida interna da Igreja Católica, apontando “o recente acontecimento de uma comunidade sectária [Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, ndr] decidir colocar-se numa situação de excomunhão” como o exemplo de fratura institucional.

“Mesmo sem chegar aos extremos, claramente contrários à vontade de Deus, de romper com a comunhão eclesial, também podemos ir entretendo sentimentos, atitudes e posições que, em nome da defesa da verdade, tal como nós a percecionamos, são de facto a expressão de arrogância espiritual”, indicou D. Pedro Fernandes.

O bispo de Portalegre-Castelo Branco pediu que a resposta cristã às lógicas de exclusão e violência se concretize “pela voz crítica e desassombrada e pela ação solidária, inclusiva e pacificadora”.

A celebração decorreu no altar do Recinto de Oração na sequência da tradicional procissão matinal a partir da Capelinha das Aparições, antes da bênção dos doentes e da procissão do adeus.

A peregrinação de julho evoca a terceira aparição da Virgem Maria aos videntes, registada a 13 de julho de 1917 na Cova da Iria.

OC

domingo, 12 de julho de 2026

Fátima: D. Pedro Fernandes preside à Peregrinação Internacional Aniversária de julho

 



Fátima, 12 jul 2026 (Ecclesia) – O bispo de Portalegre-Castelo Branco, D. Pedro Fernandes, vai presidir à Peregrinação Internacional Aniversária de julho, que se inicia hoje no Santuário de Fátima.

Neste seu primeiro ano no episcopado, D. Pedro Fernandes encara esta peregrinação como uma oportunidade para entregar a Nossa Senhora de Fátima o seu ministério na diocese de Portalegre-Castelo Branco.

Em declarações ao Gabinete de Comunicação do Santuário de Fátima, o presidente da Peregrinação de julho reforça que os “desafios da missão e da evangelização da igreja em Portugal” são intenções que estão sempre muito presentes ao visitar o santuário.

“Fátima tornou-se um dos corações fortes da Igreja em Portugal, onde também sentimos uma especial ligação ao mundo”, disse o bispo de Portalegre-Castelo Branco.

D. Pedro Fernandes nasceu a 22 de junho de 1969, em Lisboa.

Religioso da Congregação do Espírito Santo (Espiritanos), fez a sua formação em Lisboa e em Paris, e foi ordenado sacerdote em 1996; foi missionário na Guiné-Bissau e serviu vários anos em Moçambique.

De regresso a Portugal, foi Superior Provincial dos Espiritanos da Província Portuguesa entre 2018 e 2024.

Foi nomeado bispo de Portalegre-Castelo Branco pelo Papa Leão XIV a 7 de outubro de 2025, tendo sido ordenado bispo a 16 de novembro do mesmo ano, na Sé de Portalegre, sucedendo a D. Antonino Dias.

O programa da Peregrinação inicia na noite do dia 12, domingo, com a recitação do Terço, às 21h30. Segue-se a Procissão das Velas até ao Altar do Recinto de Oração, onde D. Pedro Fernandes presidirá à Celebração da Palavra.

No dia 13, após a recitação do Terço, às 09h00, na Capelinha das Aparições, a Imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima será conduzida em procissão até ao Altar do Recinto de Oração, onde se celebra a Missa Internacional Aniversária, com Bênção aos Doentes e a Procissão do Adeus.

A Peregrinação Internacional Aniversária de julho evoca a terceira aparição de Nossa Senhora aos Pastorinhos, na Cova da Iria, a 13 de julho de 1917.

Foi nesta terceira aparição que a Virgem do Rosário mostrou o inferno às três crianças videntes, lhes anunciou que Deus queria estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria, e lhes mostrou uma visão profética sobre o sofrimento da Igreja, num mundo secularizado.

LFS

"Como se faz uma Terra Boa?"

 


"Como se faz uma Terra Boa?"

Telefonei a um mais velho para lhe perguntar como é que ele fazia para manter uma terra boa, lá nos campos. Deu-me três segredos:
1. disse-me que quando uma terra não é muito boa “para receber a semente”, a primeira coisa a fazer é revolvê-la toda com o arado, o mais fundo possível, “para trazer a terra do fundo para cima, e deixá-la respirar” durante uns dias. “A terra do fundo é sempre melhor”, disse ele. E ele nem sequer imaginava que eu estava a ouvir tudo o que me dizia como símbolo do nosso Coração… “A terra do fundo é sempre melhor…” Sim, é verdade! Mas nós muitas vezes queremos semear à superfície, na casca da Vida, no lado de fora da existência…
2. depois, há que não deixar a terra habituar-se à sementeira: “se um ano é batatas, no outro ano semeia-se trigo! Um ano batatas, outro ano trigo!” Porque quando uma terra se habitua à semente, normalmente “começa a dar menos, porque se cansa”. E eu voltei a sorrir… Aquele mais velho falou-me do perigo da habituação, que conduz sempre ao cansaço e à desilusão…
3. finalmente, disse-me que é sempre bom, mais ou menos de sete em sete anos, “deixar a terra descansar um ano”. “Para que a terra ganhe força”, explicou-me. E eu percebi de novo. A importância de pararmos… Pararmos para nos darmos descanso e silêncio, para ficarmos mais fortes, para nos enriquecermos de nutrientes… aqueles do Coração, claro!
Depois, disse “Obrigado” àquele mais velho. E ele ainda agora não imagina as coisas bonitas que me disse! Sabes, aquele mais velho não conhece uma única letra do alfabeto, mas Deus também nos fala assim…

Texto adaptado do Pe. Rui Santiago
Padre João Torres