Paróquia de Arronches
sexta-feira, 13 de março de 2026
Não somos só o que fica depois das perdas
Carregamos ao colo as nossas perdas mais íntimas, embalamos os sonhos que, entretanto, nos morreram. Nunca se tornam apenas fracassos do passado, são feridas que nos continuam a doer e das quais temos de cuidar.
Tornamo-nos responsáveis pelo que amamos, só que muitas das coisas e das pessoas que amamos perdem-se, deixam de estar ou morrem. Há em nós, como crianças que não param de chorar, um conjunto de vazios que reclama a nossa atenção – por mais que isso nada resolva e até acabe, muitas vezes, por agravar a dor.
Amamos ausências e impossibilidades. Entregamo-nos e embalamos muitas realidades que ou já não respiram ou nunca chegarão a fazê-lo.
Mais do que carregarmos as nossas perdas, somos moldados por elas, como se esculpissem a nossa alma, transformando um bloco bruto numa obra-prima.
O que somos nasce do que perdemos, mais até do que daquilo que possuímos.
Alguns desistem e não amam, porque lhes parece que tudo, até o seu amor, é passageiro, substituível e descartável.
Outros amam, apesar de saberem que é quase certo que terão de sofrer por causa disso.
A identidade é o resultado do que se escolhe e do que se renuncia, do que se ganha e do que se perde, do que se entrega e do que se recebe.
A maturidade talvez consista em não negar as perdas, nem fazer delas um altar. Há perdas que nos paralisam e há outras que nos ensinam a amar melhor. O luto pode endurecer o coração ou amaciá-lo.
Não somos apenas o que ficou depois das perdas; somos também a maneira como cuidamos do que sobreviveu. Alguns transformam as ausências em amargura, outros em compaixão. Alguns fecham-se para não sofrer, outros tornam-se mais atentos à dor alheia.
Talvez crescer no interior seja isto: aprender a embalar as perdas sem deixar que elas nos impeçam de voltar a amar. Porque, se o que somos nasce do que perdemos, então o que seremos depende do que, apesar de tudo, ainda formos capazes de decidir amar.
José Luís Nunes Martins
quinta-feira, 12 de março de 2026
Somos muito mais do que os erros que cometemos.
Há erros que nos marcam mas não nos definem
Há erros que nos mudam a vida mas que não são inúteis.
Mas então, porque será que temos a tentação de estar sempre a procurar os erros dos outros. Há um apetite voraz de procurar as falhas dos outros mas para quê?
É natural que reparemos nas coisas que os outros fazem e que não gostamos assim tanto, mas escarafunchar e estar constantemente a relembra disso parece-me vão. Outras vezes adoramos realçar o pior do outro para camuflar falhas nossas.
Todos erramos, seja em palavras ou em atitudes que, ao olhar mais atento, não nos deixam orgulhosos. Eu pelo menos sei de umas tantas, resultado de impulsividade e de alguma mágoa. Mas serão esses erros que me definem como pessoa? Não creio.
Quando erro, e me apercebo de tal, nem sempre sei corrigir, outras vezes não há muito a fazer a não ser conter os danos e pedir desculpa. Mas se quiser, esse erro vai ser um excelente ensinamento.
Ora o que me custa é como catalogamos as pessoas quando elas cometem erros, como somos cruéis na condenação ”eterna”, como não damos o benefício nem da dúvida nem da aprendizagem.
Enquanto puder irei tentar olhar para quem erra como muito mais do que isso. E sabes, se estivermos bem atentos poderemos encontrar coisas preciosas e estimular a que o erro dê lugar a um novo rumo.
Lamento informar que vou continuar a errar, e não o digo com orgulho, mas com a humildade de reconhecer que faz parte do crescimento. Até lá, tem paciência comigo e não me rotules pelos erros que cometo mas dá-me o benefício da dúvida: pelo menos tentei!
E tu amiga como te defines?
Raquel Rodrigues
quarta-feira, 11 de março de 2026
As sementes...
Há momentos na vida em que a terra se move debaixo dos nossos pés.
Há algo que nos desinstala. Mas, no entanto, é precisamente nesses instantes que o solo se torna fértil.
A terra só se abre quando algo precisa de ser plantado; e a semente
traz uma sabedoria profunda. Ela não tem pressa de florescer. Tem vontade de se enraizar primeiro.
A semente permanece, silenciosamente. Não discute com o inverno. Não tenta convencer o solo de que é árvore.
Todos nós carregamos sementes. Todos nós carregamos experiências.
Como e onde as queremos plantar? Como e onde as queremos cultivar?
A terra nem sempre é gentil;
Há quem transforme o conflito em muralha. Há quem transforme o conflito em raiz.
Que em cada dia, as sementes que se instalam no nosso coração possam crescer, para tudo o que de verdade traz sabedoria, consciência e liberdade de ser.
No seu tempo, no seu tempo...
Boa semana!
Carla Correia
terça-feira, 10 de março de 2026
Procissão do Encontro
"Toma a tua cruz e segue-me." ✝️💜
Neste domingo, 15 de março, as nossas ruas transformam-se num caminho de oração. A Procissão do Senhor dos Passos convida-nos a sair do conforto e a caminhar lado a lado com Jesus, recordando o Seu sacrifício supremo por cada um de nós.Cada estação, cada passo e cada olhar para a imagem do Senhor carregando a cruz é uma oportunidade para entregarmos as nossas próprias lutas e cansaços, confiando que Ele caminha connosco.
📍 Encontro marcado:
🗓️ Data: Domingo, 15 de março
🕒 Hora: 16h00- Missa seguida de Procissão
⛪ Início: Igreja Matriz de Arronches
Desejo de água vivente…
«Sem desejos, o ser humano é incompreensível».
A vida quer viver, a vida é sede de vida.
Uma mulher da Samaria chega a um poço para tirar água, muito segura de si, sente-se dona do poço, da água e do cântaro. Jesus faz-se de pedinte: «Dá-me de beber»… Falam os dois de água e de sede, de poços e de velhas rixas entre os povos vizinhos, coisas de todos os dias. Repentinamente, irrompe a linguagem “das coisas do alto”: água fresca, água pura, água vivente. A água que é vida, água que mata a sede de vida plena, a saudade humana de amor e felicidade.
A mulher torna-se pedinte: «Senhor, dá-me dessa água…» (João 4,15).
O nosso coração é um «interminável reservatório de sede. Sede de amor, de verdade, de razões de viver, de um refúgio, de novas palavras, de justiça... Sede de humanidade autêntica. Sede de infinito».
Falta-nos ir mais fundo. Bem ao fundo daquilo que somos como batizados.
Somos água vivente ou água parada? Água pura ou água inquinada?
Precisamos tanto de beber Deus.
Precisamos tanto de nos ver como Ele nos vê: com um amor de Pai com entranhas de Mãe, extremamente apaixonado, renovando todos os dias a esperança de nos ver chegar à Sua casa.
E sermos capazes de dar a beber aos outros da água fresca do Evangelho, recebida de Cristo, como fez a Samaritana.
Teremos dentro de nós este desejo?
“Senhor, Água viva, dá-me de beber!”
Padre João Torres
segunda-feira, 9 de março de 2026
Dá-me essa água
“Morrer de sede ao pé da fonte”
Ditado popular
Somos terra seca.
Escolhemos um caminho árido.
Ansiamos viver num deserto.
Sentimos a desilusão e a tristeza…
Deus mima-nos como um Pai!
Tudo coloca ao nosso alcance.
Se acreditarmos que somos capazes, até de um rochedo sem vida brota água.
Mas, não temos a capacidade de acreditar sem medida.
Ser Esperança no mundo, passa por uma condição belíssima:
Não podemos enganar, nem mentir…
São as nossas obras que dão vida à Esperança,
e nem sempre abrimos o nosso coração à voz de Deus.
Então… somos terra seca, ressequida,
sem Esperança, nem Fé, onde morre a semente da caridade.
Uma dúvida que magoa vem ao nosso encontro e rega a semente do ódio:
«Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?»
Iniciamos conflitos e guerras, porque vivemos no local onde o outro não mora…
Será que a geografia é mais importante que o Amor?
Hoje, a Samaritana abandona as questões sem sentido e vem em nosso auxílio.
Traz um balde na mão e está destinada a fazer, de cada um de nós,
peregrinos de Esperança.
Regar o mundo com Paz.
Ser afável com todos, até com quem não merece.
Ser consciente de que gritar só é bom quando anunciamos que temos um Deus que nos salva,
que envia o Seu próprio Filho para ser Água Viva, Fonte inesgotável de Amor.
Dá-me essa água, Senhor.
Liliana Dinis
domingo, 8 de março de 2026
Dia da Mulher
A verdadeira "genialidade feminina" manifestou-se no Sim mais importante da história.
O Dia Internacional da Mulher, sob o olhar da fé católica, convida-nos a contemplar a dignidade feminina através daquela que é o modelo perfeito de humanidade: Maria Santíssima.
Enquanto o mundo foca em conquistas sociais e direitos necessários, a Igreja recorda-nos a "genialidade feminina" (termo de São João Paulo II) manifestada no Fiat de Nossa Senhora. Maria não foi apenas uma figura passiva; ela foi a mulher da coragem e da escuta, que ao dizer "sim", mudou o curso da história humana.
Neste dia, celebrar a mulher é reconhecer:
A Força na Entrega: Tal como Maria aos pés da Cruz, a mulher carrega uma capacidade única de permanecer, de sustentar a esperança onde outros desistem e de transformar o sofrimento em amor fecundo.
A Missão de Gerar Vida: Seja na maternidade biológica ou espiritual, a mulher reflete o acolhimento de Maria, transformando o mundo num lar e lembrando à humanidade a importância da ternura.
A Dignidade Redimida: Em Maria, a mulher é elevada à mais alta honra. Ela mostra que o verdadeiro empoderamento nasce da fidelidade a Deus e do serviço aos irmãos.
Que a exemplo de Maria, todas as mulheres encontrem na sua fé a força para serem luz na família e na sociedade, sendo sempre "mensageiras da paz e da vida".
Subscrever:
Comentários (Atom)




