domingo, 1 de novembro de 2026

A Humildade vem do serviço

 

https://www.youtube.com/watch?v=CMzaTMDnzi0&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=142

A liturgia do 31º Domingo do Tempo Comum convida-nos a uma reflexão séria sobre a seriedade, a verdade e a coerência do nosso compromisso com Deus e com o Reino. De forma especial, as leituras deste domingo interpelam os animadores das comunidades cristãs acerca da verdade do seu testemunho, da pureza dos seus motivos, do seu real empenho na construção de comunidades comprometidas com os valores do Evangelho.

O Evangelho apresenta-nos o grupo dos "fariseus". Critica violentamente a sua pretensão à posse exclusiva da verdade, a sua incoerência, o seu exibicionismo, a sua insensibilidade ao amor e à misericórdia. Mais do que informação histórica, é um convite aos crentes no sentido de não deixarem que atitudes semelhantes se introduzam na família cristã e destruam a fraternidade, fundamento da comunidade.
 Mateus, ao denunciar a tendência dos "fariseus" para impor aos outros pesos insuportáveis, está a avisar-nos contra a tentação de inventar exigências e obrigações, mandamentos e leis que criam escravidão, que oprimem as consciências, que metem medo, que impedem os filhos de Deus de viverem livres e felizes. Isso acontece na Igreja de que fazemos parte? As cargas com que, às vezes, carregamos os homens e mulheres nossos irmãos, serão sempre consequência da radicalidade do Evangelho?

Na primeira leitura um "mensageiro de Jahwéh" interpela os sacerdotes de Israel. Convocados por Deus para serem "mensageiros do Senhor do universo", para ensinar a Lei e para conduzir o Povo para Deus, eles deixaram-se dominar por interesses egoístas, negligenciaram os seus deveres, desvirtuaram a Lei. Eles são, por isso, os grandes responsáveis pelo divórcio entre Israel e o seu Deus. Jahwéh anuncia que não pode tolerar esse comportamento e que vai desautorizá-los e desmascará-los.
Aos animadores das comunidades foi confiada por Deus e pela Igreja a missão fundamental de interpelar a comunidade, de revitalizar o seu ânimo, de recordar a cada crente os seus compromissos, de testemunhar a todos o amor de Deus... Aqueles que, de alguma forma, têm responsabilidades na animação das comunidades, desempenham este serviço com dedicação e entusiasmo, conscientes da grave responsabilidade que assumiram diante de Deus e da Igreja, ou instalam-se no comodismo e na indiferença, deixando que a sua comunidade caminhe à deriva e sem objectivos? Os animadores das nossas comunidades cristãs são apenas funcionários que asseguram o expediente das "nove às cinco", com intervalo sagrado para almoço e sesta, ou são cristãos responsáveis que, fiéis à missão que lhes foi confiada, põem a vida ao serviço de Deus e dos irmãos?

A segunda leitura apresenta-nos, em contraste com a primeira, o exemplo de Paulo, Silvano e Timóteo - os evangelizadores da comunidade cristã de Tessalónica. Do esforço missionário feito com amor, com humildade, com simplicidade, com gratuidade, nasceu uma comunidade viva e fervorosa, que acolheu o Evangelho como um dom de Deus, que se comprometeu com ele e que o testemunha com verdade e coerência.
Convém estarmos conscientes de que não basta que a Palavra seja proclamada: é preciso que ela seja, também, escutada e acolhida. Escutar não significa apenas "ouvir com os ouvidos", mas também acolher no coração as propostas que nos são feitas por Deus. Estamos sempre disponíveis para nos deixarmos interpelar e transformar pela Palavra que nos é anunciada, ou o nosso coração é como essa terra dura que recebe a semente e a deixa secar?


https://www.dehonianos.org/

sábado, 31 de outubro de 2026

CONSELHO DE ESTADO EM DIA DE FIÉIS DEFUNTOS


Feliz coincidência!... E porque não?... É o dia da comunhão universal: dos vivos entre si, dos vivos com os mortos e dos mortos com os vivos, para que todos se digam, com alegria e esperança, e se deem as mãos. É o dia da saudade, e as saudades são as memórias do coração!
Ao ouvir a notícia de tão elevada reunião, imaginei as preocupações de quem a convocou e logo recordei Ezequiel, esse grande profeta, lá, na sua guarita de sentinela do povo. Naquele tempo, século VI a. C., Ezequiel foi levado, em visão, a um vale coberto por ossos ressequidos. Interpelado sobre se aqueles ossos poderiam voltar à vida, Ezequiel disse que só se fosse por ‘milagre’. Instado a profetizar sobre eles, logo se ouviu um estranho ruído. Os ossos começaram a movimentar-se, indo cada um ao encontro do seu correspondente. Os tendões despontaram, a carne cresceu, a pele recobriu-os. O profeta voltou a profetizar e o espírito de vida soprou sobre aqueles ossos assim aperaltados, penetrou neles e eles reviveram, colocando-se de pé como se fossem um grande exército. E o que simbolizava tudo isso?
A ausência total de vida e de esperança do povo de Israel no exílio, a crise de identidade profunda que atravessava e a humilhação que sentia, faziam-no sentir mirrado, ressequido, abandonado. No entanto, apesar de parecer humanamente impossível devido à prepotência babilónica, a coisa iria mudar! O povo iria receber um novo sopro de vida, iria saltar daquele requietório e regressar para restaurar o seu país, na esperança de voltar a ser o que era, tal como aqueles ossos ressequidos agora reavivados. Perante tal desafio, havia exigências: teriam de assumir a responsabilidade pelo fracasso histórico de um sistema que se corrompeu, provocando o mal estar de todos; haveriam de entender que a simples reforma de um sistema corrompido não gera nenhuma sociedade nova, é sol de pouca dura, voltariam aos mesmos vícios; haveriam de assumir a construção de uma sociedade mais justa e fraterna, alicerçada na liberdade responsável e na vida digna de todos e de cada um. Ezequiel, porém, foi ainda mais longe. Pegou em duas varas, uma a representar o Reino do Sul, Judá, e a outra a representar o Reino do Norte, Israel/Efraim. Segurou-as muito bem unidas na sua mão, de modo que simbolizassem, perante o povo, que a reunificação geopolítica e espiritual do povo iria acontecer e juntariam sinergias para bem do progresso e da paz (Ez 37).
Não é que Portugal esteja em semelhante requietório. Mas que os seus ossos precisam de um novo fôlego de vida, lá isso precisam. E tudo quanto seja feito para os reanimar é sempre bem vindo, mesmo que uns se esmerem e digam que tudo se está a fazer nesse sentido, e, outros, para encobrir que também são culpados da situação, nada de bom fisguem no que aqueles dizem e fazem. E vice-versa, pois claro! Tudo faz parte da dialética democrática. No entanto, se eu fosse alguém com patuá credível junto dos políticos, pedir-lhes-ia, com a persistência espelhada nas parábolas do Juiz iníquo (Lc 18,1-8) e do Amigo importuno (Lc 11, 5-8) que fizessem o favor de dar as mãos e de reunir todas as forças nesse sonho de promover o bem comum, delineando, conjuntamente, o melhor para o país. Não para unir o Norte e o Sul, pois as rivalidades que entre eles possam existir não significam divisão. São meros ciúmes de quem se ama, mesmo por entre rivalidades clubísticas, culturais e políticas. Seria para lhes pedir que essa coisa a que chamam Direita, Centro, Esquerda e mais as pontas de cada lado que sempre falam zangadas com o mundo e arredores, se reunissem e, de forma sinodal, planeassem, sem preconceitos nem interesses ideológicos, pessoais ou partidários, as áreas e linhas comuns de um Pacto de Regime ou de Estado, a serem doravante assumidas pelos governantes de cada turno. Quem melhor e mais rapidamente as concretizasse é que deveria merecer o voto do povo, o qual, com a parcimónia devida, até reconheceria que os talentosos tribunos se faziam valer, não pela insonsa e demagógica gritaria, mas pela beleza da obra feita. Acredito que os aplausos e a gratidão seriam bem mais sinceros e ajustados.
Em Dia de Todos os Fiéis Defuntos, é bom lembrar os mortos sem andar aos pontapés aos vivos. Se outros o não tivessem feito, bastaria Camões para nos convidar a enaltecer “Aqueles que por obras valerosas / Se vão da lei da morte libertando" (C1,E2). Mas sem exagero! Sim, sem exagero, sem ter de chamar por Eça de Queirós para zurzir naqueles que, porventura, passassem o tempo a enaltecer o orgulho glorioso do passado para encobrir que eles próprios são “todos uns eunucos, uns tísicos, uns fadistas de trazer por casa!” (d’Os Maias, C.VI
). A morte física é inevitável, mas a memória e o reconhecimento público são quem resgata os patriotas de antanho, não para defesa de nacionalismos paralisantes, mas para estimulo dos presentes e futuros. Camões recorda e glorifica os heróis do passado e os que viriam a sê-lo. Não apenas os heróis individuais, também “o peito ilustre lusitano”, o herói coletivo (cf. C1,E3). É de presumir que o Conselho de Estado, nesse dia, faça memória dos heróis do passado, mas cuidará, sobretudo, não duvidamos, desse herói coletivo que sempre foi e é o povo português, o qual, apesar das vergastadas da vida e dos mimos das governanças, não desiste de lutar com valentia e garbo, mesmo que por entre alguns desatinos!

D. Antonino Dias
Caminha, 30-10-2026.

𝗦𝗲𝗺𝗮𝗻𝗮 𝗱𝗲 𝗢𝗿𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗽𝗲𝗹𝗼𝘀 𝗦𝗲𝗺𝗶𝗻𝗮́𝗿𝗶𝗼𝘀, (01 a 08 de novembro)



Está a chegar a grande 𝗦𝗲𝗺𝗮𝗻𝗮 𝗱𝗲 𝗢𝗿𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗽𝗲𝗹𝗼𝘀 𝗦𝗲𝗺𝗶𝗻𝗮́𝗿𝗶𝗼𝘀, (01 a 08 de novembro), este ano sob o tema «𝘊𝘰𝘮𝘶𝘯𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘳𝘦𝘻𝘢, 𝘴𝘦𝘮𝘪𝘯𝘢́𝘳𝘪𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘧𝘭𝘰𝘳𝘦𝘴𝘤𝘦».
Somos convidados a unir-nos em oração pelas vocações sacerdotais, pelos seminaristas e por todos os que os acompanham no caminho de discernimento.
O Secretariado da Juventude e Vocações propõe que as comunidades façam Vigília de Oração a 𝗽𝗲𝗱𝗶𝗿 𝗮𝗼 𝗦𝗲𝗻𝗵𝗼𝗿 𝘀𝗮𝗻𝘁𝗼𝘀 𝘀𝗮𝗰𝗲𝗿𝗱𝗼𝘁𝗲𝘀.

Haverá, porém, um momento comum com a presença do Bispo Diocesano, D. Pedro Fernandes.:
𝗩𝗶𝗴𝗶́𝗹𝗶𝗮 𝗱𝗲 𝗢𝗿𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗽𝗲𝗹𝗼𝘀 𝗦𝗲𝗺𝗶𝗻𝗮́𝗿𝗶𝗼𝘀, na Igreja de São Tiago, em Castelo Branco
Neste semana, também o Pré-Seminário iniciará as suas atividades, convidando os jovens a descobrir, num ambiente de partilha, convívio e oração, o que Deus sonha para a sua vida.

𝟳 𝗱𝗲 𝗻𝗼𝘃𝗲𝗺𝗯𝗿𝗼: 𝗜 𝗘𝗻𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗼 𝗱𝗲 𝗣𝗿𝗲́-𝗦𝗲𝗺𝗶𝗻𝗮́𝗿𝗶𝗼, no Seminário de São José, em Alcains, destinado a jovens a partir dos 14 anos.
INSCRIÇÕES ABERTAS!

Que cada comunidade cristã seja um lugar de oração, escuta e acompanhamento, onde possam florescer novas vocações ao serviço de Deus e da Igreja.
𝗖𝗼𝗺𝘂𝗻𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗾𝘂𝗲 𝗿𝗲𝘇𝗮, 𝘀𝗲𝗺𝗶𝗻𝗮́𝗿𝗶𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗳𝗹𝗼𝗿𝗲𝘀𝗰𝗲!

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Há beleza no caminho...


No meio de todos os desafios, sou uma privilegiada. Aliás, desafios… quem não os tem?!

Mas escolho, cada vez mais, olhar para as bênçãos da vida. Para quem caminha comigo, para o amor que recebo e para as pequenas coisas que me fazem sorrir.

Há dias em que este olhar me sai naturalmente. Noutros, preciso de parar e de me lembrar de tudo o que sou. E encontro sempre alguma coisa ( tantas) pela qual agradecer.

Mesmo no meio do que custa, há beleza no caminho. Vê bem!

Boa semana!


Carla Correia

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

INFORMAÇÃO PAROQUIAL

 INFORMAÇÃO PAROQUIAL

MISSAS NA ZONA PASTORAL DE ARRONCHES

SEMANA: Arronches 17h30- (Terça e Quinta) (horário de Inverno)

Sábados: Mosteiros.16h00- (1º sábado- 10h00 na Igreja Matriz)

Arronches: 17h30 - Nª Srª da Luz (só ultimo sábado do mês)

Domingos: Esperança-9h00

                   Degolados- 10h30

                   Arronches- 12h00

No próximo fim de semana:       


      

31 de Outubro- Mosteiros- 16h00

1 de Novembro:  Horário normal dos domingos

2 de Novembro:  Horário normal dos domingos

                           Mosteiros- 16h00 na Igreja Matriz

Depois de cada celebração, visita ao Cemitério para oração pelos fiéis defuntos.


Escolhe o bem, sem lamentar o que perdes


É claro que o mundo não se divide em bons e maus. No interior de cada um de nós, estas forças encontram-se em luta contínua. Quando cedemos ao mal, podemos escutar o bem a avisar-nos de que errámos; e quando conseguimos agir bem, é o mal que nos tenta castigar, acenando com aquilo que perdemos.

Quando decido seguir por um caminho, escolho recusar todos os outros. Os bons caminhos têm obstáculos difíceis, talvez ainda mais árduos do que os dos maus caminhos. Em contrapartida, uma escolha pelo mal dá acesso a muitas coisas agradáveis.

As contas entre o que se ganha e o que se perde a curto prazo costumam ser o inverso das que se fazem depois.

Parece evidente a quem opta pelo mal que está a fazer o melhor por si próprio, não só pelos prazeres imediatos que tem, mas também pelo que pode pensar quando vê o quanto sofrem os que preferem os bons caminhos.

Ainda assim, se escolhemos o bem, há uma amargura comum que devemos combater em nós: lamentar o que perdemos por não sermos maus.

No nosso coração, razões e emoções contradizem-se muitas vezes. E à nossa volta há muitas pessoas como nós: umas mais fortes, outras mais frágeis, algumas a ceder ao mal com mais facilidade, quase sempre em busca de algo que julgam que o bem não lhes pode dar.

É apenas uma questão de tempo até que as vantagens do mal se desvaneçam. É apenas uma questão de tempo até que as vantagens do bem se revelem.

O que escolho eu? O imediato ou o duradouro?


José Luís Nunes Martins

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Retira-te

 



E tu, praticas o silêncio?

Estás contigo mesmo?

Sem pressa de chegar a lugar nenhum?

E quando estás, estás mesmo?

Vês mesmo?

Ouves mesmo?

Sentes mesmo?

Não é fácil num mundo que vive a mil, onde há valores invertidos e onde a maioria ganha, mesmo que esteja errada.

Há que resistir, persistir, recentrar, as vezes que forem precisas!

Mas é possível.

Silencia o barulho que não te sustém.

Retira-te do que não importa.

Desistir da essência é proibido.

Aí se encontra Deus.


Lucília Miranda