domingo, 12 de abril de 2026

Domingo da Divina Misericórdia

 

https://www.youtube.com/watch?v=Fg04YgJ04dA&list=PL7Zt-5fD4oJjynXOISrMBf6VpyurGZzsz


Foi o Papa João Paulo II que, no ano 2000, consagrou o segundo domingo do tempo pascal como o domingo da Divina Misericórdia. A liturgia deste domingo convida-nos a contemplar a comunidade de homens novos que nasce da cruz e da ressurreição de Jesus – a Igreja. Jesus ressuscitado, no próprio dia da ressurreição, confia à sua comunidade a missão de dar testemunho no mundo do amor e da misericórdia de Deus.

O Evangelho apresenta a comunidade da Nova Aliança, nascida da atividade criadora e vivificadora de Jesus. É uma comunidade que se reúne à volta de Jesus ressuscitado, que recebe d’Ele Vida, que é animada pelo Seu Espírito e que dá testemunho no mundo da Vida nova de Deus. Quem quiser “ver” e “tocar” Jesus ressuscitado, deve procurá-l’O no meio dessa comunidade que d’Ele nasceu e que d’Ele vive.
O Espírito Santo é o grande dom que Jesus ressuscitado faz à comunidade dos discípulos. É Ele que nos transforma, que nos anima, que faz de nós pessoas novas, que nos capacita para sermos testemunhas e sinais da Vida de Deus; é Ele que nos dá a coragem e a generosidade para continuarmos no mundo a obra de Jesus. No entanto, o Espírito só atua em nós se estivermos disponíveis para o acolher. Ele não se impõe nem desrespeita a nossa liberdade. Estamos disponíveis para acolher o Espírito? O nosso coração está aberto aos desafios que o Espírito constantemente nos lança?

A primeira leitura é uma “fotografia retocada” da primitiva comunidade cristã de Jerusalém. Lucas, o autor dos Atos dos Apóstolos, imprime nela os traços da comunidade ideal: é uma comunidade unida e fraterna, onde os bens são partilhados e onde cada um está atento às necessidades dos outros irmãos; é, também, uma comunidade empenhada em escutar a Boa Notícia de Jesus, em reunir-se para a “fração do pão” e para a oração comunitária. O estilo de vida desta “família” é contagiante e faz com que muitos outros homens e mulheres sintam vontade de integrar a Igreja de Jesus.
O autor dos Atos dos Apóstolos refere-se à comunidade cristã de Jerusalém como uma comunidade unida e fraterna, uma família de irmãos e de irmãs “tocada” por Jesus, onde há lugar para todos, onde se cuida dos mais frágeis e necessitados, onde se partilham os bens, onde todos vivem “como se tivessem uma só alma”. Parece demasiado belo para ser verdade, não é? Talvez achemos que Lucas, o autor dos Atos dos Apóstolos, está a exagerar um pouco ao propor-nos um ideal tão elevado… Mas uma comunidade nascida de Jesus, que se reúne à volta de Jesus, que escuta Jesus, que segue Jesus, que conhece o estilo de Jesus, não deveria viver assim? Ora, isto representa um desafio para as nossas comunidades cristãs… Como são e como vivem as comunidades onde a que pertencemos e onde fazemos a nossa experiência de fé? São comunidades onde se sente e respira o amor que Jesus ensinou? São comunidades onde se cuidam das necessidades dos mais pobres e dos mais frágeis? São comunidades onde todos – mesmo aqueles que falharam ou que passaram por experiências traumatizantes – podem fazer uma experiência de misericórdia, de perdão e de acolhimento?

Na segunda leitura um “catequista” dos finais do séc. I lembra a todos os batizados em Cristo a sua condição de homens novos, felizes beneficiários da misericórdia de Deus. Cristo, o vencedor da morte, salvou-os e abriu-lhes as portas da vida definitiva. Certos da vida nova que os espera, os cristãos devem encarar a sua caminhada pela terra com uma “esperança viva”, com uma “alegria inefável e gloriosa”, com um otimismo contagiante.
O autor da primeira Carta de Pedro coloca a ressurreição de Cristo no centro do projeto salvador de Deus e no centro do nosso caminho de fé. Lembra-nos, a nós que fomos batizados em Cristo, que com Ele renascemos para uma vida nova e eterna. O egoísmo, a maldade, a violência, a injustiça, a morte, já não determinam o sentido último da nossa vida. Cristo, pela sua ressurreição, derrotou tudo isso. Identificados com Cristo, caminhamos na esperança, ao encontro de Deus. A nossa fragilidade, as nossas limitações, as nossas opções duvidosas não põem um ponto final no caminho da nossa plena realização. Deus espera-nos de braços abertos para nos oferecer a vida plena e eterna. É uma mensagem sublime, que encaixa perfeitamente neste longo “dia de Páscoa” que continuamos a celebrar. Estamos conscientes das implicações e do alcance de tudo isto? A certeza da vida gloriosa que nos espera alimenta a nossa caminhada pela terra com uma “esperança viva”, com uma “alegria inefável e gloriosa”, com um otimismo contagiante? Procuramos viver de forma coerente com os compromissos que assumimos no dia do nosso batismo, o dia em que morremos para o pecado e nascemos para a vida nova?

Do mais incrédulo e obstinado dos discípulos de Jesus saiu um dos primeiros, senão o primeiro, ato de fé explícita na divindade de Cristo: “Meu Senhor e meu Deus!” e “Porque me viste, tu crês!” “Felizes aqueles que não viram e creram!”


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sábado, 11 de abril de 2026

COM MOISÉS NUM BOTECO DO DESERTO...


Desde que mandou os tachos e as panelas, as cebolas e os pepinos, os melões e os alhos do Egito às malvas, Israel sentiu que o preço da liberdade era muito alto e difícil de conseguir! (cf. Nm 11, 5). Chegou mesmo a ter saudades do anteriormente e a pôr em causa a capacidade de liderança de Moisés. Mas nada de estranhar, pois, ainda hoje, entre nós, há quem tenha saudades da antiga e maquilhada senhora e do seu cuidador-mor, se possível, em dose triplicada! Jetro, porém, nessa altura, há cerca de 3.500 anos - mais minuto menos minuto!-, líder por aquelas bandas e não só em sua casa, vendo como o povo era sacrificado à espera de que Moisés descalçasse a bota e desse solução às suas reivindicações, subiu as escadas do seu ministério a convidá-lo para um cafezinho, lá, no deserto, num boteco ao lado da pizzaria da esquina, para lhe gritar umas tantas verdades. Não sei se aconteceu ao som da tuba se da trombeta, mas dos U2 ou do Augusto Canário é que não foi:
- Moisés, meu caro genro, o que é que tu estás a fazer a essa gente? Não vês como cansas e sacrificas este povo e ainda por cima desfeias essa tua cara com olheiras de quem nem sequer tem tempo para dormir? Não vês como o resultado do teu trabalho é diminuto, provocas mal-estar e deixas de fazer aquilo que verdadeiramente só tu podes ou deves fazer? Por que pensas que só tu é que tens essa sabedoria, que só tu é que és justo e sério, que só tu é que és capaz de resolver as questões que o povo te coloca? Ganha juizinho, meu caro, não queiras que o povo sofra assim tanto e a minha filhinha, a Séfora, venha a ficar viúva, pois, como sabes, até já te quiseram matar à pedrada!
Com os salamaleques que as barbas do sogro lhe exigiam, Moisés lá deu a resposta que as pessoas centralizadoras ainda hoje dão: julgou-se insubstituível! Esqueceu-se de que os cemitérios, já nessa altura, estavam cheios de pessoas que se julgavam insubstituíveis. Elas morreram e o mundo lá continuou sem grandes percalços nem vontade de olhar para trás! Jetro, porém, mais impertinente que uma mosca esfomeada e sedenta de briga, puxou do bolso pela cartilha da subsidiariedade e disse-lhe o que ficou escrito: “Não estás a proceder bem”. E deu-lhe este conselho que a maior parte dos responsáveis de hoje, pechinchas únicas só na sua própria cabeça e autorreferencialidade, ainda têm muitíssima dificuldade em pôr em prática: “Escolhe, dentre o povo, homens capazes, que respeitem a Deus, que sejam honestos e não interesseiros. Nomeia esses homens como chefes ... eles administrarão regularmente a justiça ao povo ... os assuntos graves, apresentá-los-ão a ti ... os assuntos simples, eles próprios os resolverão ... assim te aliviarão desta responsabilidade e te ajudarão a cumpri-la... Moisés ouviu o conselho do seu sogro e fez tudo como ele disse...” (cf. Ex 18, 13-27). Ora aí está: “A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho natural” (Albert Einstein...?). Moisés percebeu que, de facto, a estrutura que criara era mais problema do que solução, em vez de servir, oprimia o povo.
Quando os Doze Apóstolos (At 6,1-4) se gastavam em tarefas que outros poderiam fazer e, talvez, fazer bem melhor do que eles, eles ficavam sem tempo para o que, de facto, só eles deveriam ou poderiam fazer. Vai daí, vendo-se gregos e acossados pelos sindicalistas que lhes moíam o toutiço em defesa dos que, por causa disso, ficavam esquecidos, o Espírito Santo arregalou-lhes os olhos do coração! Fez com que eles fizessem uma reunião de concertação social e convocassem uma assembleia geral. Ora, se a concertação social foi bem mais fácil de alinhar que a portuguesa, também, na reunião da assembleia geral, não sentiram necessidade daquela gritaria lusa que sempre acontece nas nobres cadeiras da representação nacional, lá pelos passos perdidos de São Bento. Os discípulos de Jesus, serena, mas eficazmente, concluíram, “com agrado de todos”, o que logo puseram em prática: “Não convém deixarmos a Palavra de Deus, para servirmos às mesas. Irmãos, é melhor procurardes entre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria; confiar-lhes-emos essa tarefa. Quanto a nós, entregar-nos-emos assiduamente à oração e ao serviço da Palavra”.
Jesus enviou todos os seus discípulos a irem por todo o mundo, sendo ‘sal da terra’, ‘luz do mundo’, ‘fermento’... Como poderão sê-lo se se dispensarem a si próprios desse serviço ou forem dispensados por quem tudo centraliza ou se julga insubstituível? Cada pessoa tem uma missão única e especial na organização e construção do bem comum. Nesta sociedade de consumo, em que até se compra o que logo se conclui que não serve para nada, muita dessa piedosa gente está eivada dessa terrível doença, em parte provocada por centralizadores e insubstituíveis. Pessoas há que se habituaram a consumir, consumir, consumir: pregações, novenas, devoções, procissões, encontros..., mas nunca ousaram sair de si próprias para ajudar a construir, colaborando. Criou-se nelas uma certa cultura consumista montada sobre o burriquito da subserviência. Consomem-se a si próprias no afã de consumir e ainda consomem quem, no seu estilo de centralizador, entende que assim é que deve ser, atarefando-se a encher as prateleiras desse mercado, com oferta discutível mesmo que generosa! Se cada batizado fizesse a sua parte, cuidasse e gerasse empatia, com alegria e verdade, o mundo seria bem melhor.
O princípio de subsidiariedade, apesar de não ser um conceito novo, não cheira a mofo! Mofo ou bafio poderá emanar de quem o não usa! Também não é um mero princípio filosófico para entretenimento de sofistas a defender que a verdade se ajusta ao contexto. Tampouco é uma abstração teórica ou um falar para se não estar calado enquanto se usa a roca e o fuso ou se treinam os pontos do croché ou as técnicas da renda de bilros! A subsidiariedade está enraizada na Sagrada Escritura, é um princípio profundamente teológico, reflete uma visão cristã de todo o ser humano, da sua dignidade, dos seus talentos e capacidade para ajudar a construir o bem comum. Como princípio “imutável” da filosofia social (cf. QA 79-80), não diz respeito apenas à organização da ‘polis’, à organização política, social e económica da sociedade em geral. Também tem profundas implicações na vida eclesial, na vida espiritual dos cristãos, na organização e dinâmica das próprias comunidades cristãs, na ação pastoral. Ninguém de ordem superior, pessoa ou instituição, deve intervir de tal forma que prive as pessoas e uma sociedade de ordem inferior da sua liberdade criativa, das suas iniciativas e competências. Deve sim, apoiá-las e ajudá-las a coordenar a sua ação com a dos demais agentes sociais, com vista ao bem comum (cf. CIgC1883). Tal princípio, posto em prática, encoraja, envolve, gera alegria e esperança, respeita a capacidade das pessoas, valoriza a sua iniciativa, a responsabilidade e a partilha de tarefas, reforça a liberdade que é um dom de Deus, leva a viver a fé de forma mais ativa e comprometida, reconhece tanto a dignidade própria como a dos outros: na família, na profissão, na comunidade, nas associações, nos grupos, na política, no desporto, nas artes e ofícios, em toda a vida social e diversidade dos seus setores de organização e ação, inclusive no cuidado com a criação. Se sempre assim foi, hoje, mais do que nunca, a sociedade não suporta quem tudo centraliza e se julga insubstituível!... A própria sinodalidade exige o respeito pelos outros, reclama de todos o seu contributo de ideias e de ação!

D. Antonino Dias
Caminha, 10-04-2026.

Às vezes esqueço o preço deste amor tão grande…!!!








Às vezes esqueço o preço deste amor tão grande…!!! A correria da vida, a mente cheia, tanta coisa para resolver. Eu até pensei em rezar mas deixei para depois. E foi nesse depois e em tantos outros depois que eu cedi em “coisas pequenas”… pensamentos, atitudes, nada grave aos meus olhos e segui o dia. Com isto, eu percebi que em alguns momentos eu trato o pecado como algo pequeno. Como se fosse só mais um erro, mas não é. Ele é tão sério que exigiu sangue. Foi tão grave que o Filho de Deus precisou morrer no meu lugar. E mesmo assim, eu, às vezes, negligencio a oração. Distraio-me, vivo sem vigilância. Talvez tu também estejas a perceber isso agora. Sabes, o maior perigo não é cair, é viver distante e acharmos que está tudo bem. O sacrifício de Jesus não foi só para nos perdoar, mas sim para nos trazer de volta. E ignorar isso é rejeitarmos o próprio amor que nos salvou. Hoje é dia de resposta… se te afastas-te, volta! Sem medo! Volta para a presença de Deus, volta para a oração. Ele não vai discutir contigo, vai apenas abraçar-te em silêncio. Se nunca Lhe entregaste a tua vida de verdade, de hoje em diante é o momento. Arrepende-te, reconhece-O, rende-te a este amor sem igual. Ele foi ferido por causa das nossas transgressões e moído pelas nossas faltas. O sangue foi derramado e a resposta precisa ser dada… Sabes, se não sabes, o pecado é tão sério que Deus deixou o seu filho morrer no meu e no teu lugar. Jesus foi esmagado por causa dos meus e dos teus pecados. Mas sei que Deus está sempre à espera de te ver voltar. E aí, a vida será vida de verdade. Um dia muito feliz para todos sempre com Deus no coração

Padre Ricardo Esteves

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Levanta-te: hoje é Páscoa em ti



Talvez hoje acordaste cansado…
com o peso da vida ainda por resolver,
com perguntas sem resposta,
com um coração meio adormecido.
Mas escuta, bem no fundo:
a vida não acabou — está a recomeçar.
O Ressuscitado não ficou no túmulo.
E também não ficou longe.
Leva-O para o teu trabalho!
Ele passa hoje…
no meio do teu dia comum,
no café apressado,
no trabalho que custa,
no silêncio que ninguém vê.
E sussurra-te:
“Levanta-te. Ainda há vida em ti.”
Não precisas ter tudo resolvido.
Não precisas sentir tudo perfeito.
Basta um passo.
Um pequeno recomeço.
Um gesto de amor.
Porque a Ressurreição é assim:
não faz barulho…
mas levanta o que parecia perdido.
Hoje, sorri — mesmo que devagar.
Acredita — mesmo com dúvidas.
Ama — mesmo com medo.
E vais ver:
a luz volta,
a esperança respira,
e a vida… levanta-se dentro de ti.
Hoje também é Páscoa. Em ti.


Padre João Torres

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Amo-te, mas preciso de ti



Sem que me aceites, não consigo amar-te. Por mais que tente, só se abrires o teu coração poderei viver nele. Preciso que sintas necessidade do meu amor.

Por mais gratuito que seja – e é – o quanto te quero dar de mim, não é por necessidade que o deves aceitar, antes, sim, por escolha.

Quando se ama alguém, essa pessoa torna-se essencial ao nosso equilíbrio. Aquilo que sou, quando amo, passa a depender daquele que amo.

Como o amor não é uma prisão, a liberdade com que amo deve respeitar a de quem é amado e ser correspondida por ela. Ninguém pode amar quem não aceita esse amor, a não ser numa espera firme, longa e paciente, assente na esperança de que essa recusa se dissipe.

Ninguém se basta a si mesmo; por isso amo e preciso de ser amado e de o sentir.

Amar-te implica aceitar que passo a depender de ti para ser eu.

Ainda que aceites o meu amor, preciso de aceitar também eu que nada é garantido e… que posso perder tudo, a qualquer momento e até sem sentido. O mais belo disto é que cada dia e cada momento em que conto contigo dão ainda mais valor ao amor com que me entrego, porque é de forma livre que o aceitas.

Quando amo, arrisco o que sou, porque posso perder-me por completo, mas também só dessa forma posso ganhar-me, realizar-me… e ser eu.

O valor do amor está no presente, não em garantias futuras. A verdade é que, se me dedico ao que já passou ou ao que pode estar para vir, não estarei aqui nem agora. E, sem isso, não é possível amar ninguém!

Amar-te é uma escolha minha, aqui e agora, que precisa que tu, também aqui e agora, escolhas aceitá-lo.

Amanhã? Se for mesmo amor, escolherei amar-te e precisarei, também amanhã, de que escolhas aceitar-me.


José Luís Nunes Martins

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Tira a Pedra do teu Sepulcro



O caminho quaresmal está repleto de alusões a mudanças e transformações.

É um cego que passa a ver, um paralítico que volta a andar, um morto que volta à vida e uma mulher que é perdoada e muda de vida.

Era tão bom que fosse assim tão fácil!

Era tão bom que um encontro nos permitisse ver melhor o que de bom há no mundo, andar ao encontro do que realmente é importante, recuperar o gosto pela vida quando o desânimo se apodera de nós ou sentir que nos é dada uma nova oportunidade sem preconceitos ou julgamentos.

E não fica por aí.

Esta alusão permanece ao longo dos tempos mas assume especial relevo no dia da ressurreição. Aí é uma Pedra que é tirada para que a luz entre na escuridão e se liberte o que nos impede de ser melhores: o medo, a culpa, a raiva a revolta…

Temos tantas coisas que nos mantêm no escuro, que nos limita e nos impede de ver a beleza do que a luz do dia permite ver. Mas não é fácil, e não é de um dia para o outro que sentimos que nos tiram o peso da pedra.

Quantos de nós gostariam de acordar e sentir que algo mudou?

Quantos gostariam de acordar e não sentir saudade?

Quantos gostaríamos de acordar e saber que alguém recuperou a saúde?

Quantos Senhor, gostariam de ressuscitar contigo e recomeçar! Sair de um Sepulcro de tristeza e sentir a alegria da vida, do caminho e dos encontros.

Ensina-me Senhor, a tirar a pedra do meu Sepulcro para que, também eu faça Páscoa contigo.

E tu amiga o que te impede de ver a Luz!


Raquel Rodrigues

terça-feira, 7 de abril de 2026

Quem retira a pedra do nosso Sepulcro?






Entramos, agora, na Semana Maior.

Nestes dias, Jesus aproxima-se mais do nosso sofrimento, e da nossa Cruz, uma vez que os viveu (primeiro) por nós. E antes de nós. Sinto sempre que esta é uma das semanas que mais nos tornamos cúmplices da vida de Jesus. Sentimos que sabemos o que este homem passou por passarmos, nós, também pelo sofrimento e pela dor.

A Semana Santa abre caminho para um encontro muito profundo, e às vezes doloroso, com a nossa própria fragilidade. É como se fôssemos convocados a conhecer o sofrimento alheio para ter coragem e compaixão suficientes para encarar e respirar o nosso.

É sempre tempo de trazer, nesta altura, a certeza de quantos caminhos foram abertos para nós, como humanidade, através desta entrega plena do Filho de Deus.

No entanto, apercebemo-nos, com o viver do dia a dia, que este presente que nos foi dado há tantos mil anos (e que é renovado a cada Semana Santa) é tantas vezes esquecido e ignorado por cada um de nós. Temos memória curta para o que não nos interessa. Para o que é difícil e para o que tomamos como garantido.

Esta entrega de Jesus não nos trouxe só a convocação da cumplicidade do sofrimento e da dor. Trouxe-nos muito mais do que isso.

Trouxe-nos o entendimento e a consciência de que o sofrimento tem um avesso e um final que rima com a luz da eternidade. É aqui que talvez resida a lição que melhor temos de aprender: na luz e na esperança que residem por detrás do sepulcro do nosso sofrimento e da nossa vida (tantas vezes desafiante e dolorosa).


Há esperança, apesar da Cruz.

Há luz apesar da dor.

Há Céu e um coração que arde apesar do que nos pesa.

Há voo apesar das asas que, um dia, foram cortadas.

Tudo isto nos é ensinado pela Cruz. É através da Cruz que nos vemos melhor.

Que nos possamos relembrar que estaremos capazes de abrir a pedra do nosso sepulcro quando compreendermos que é o próprio Jesus que nos leva pela mão.


Marta Arrais