terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Festa de Nª Senhora Da Luz- Bênção dos Bebés

 


Na nossa paróquia, como habitualmente, decorreu a celebração em honra de Nossa Senhora da Luz, no dia 2 de fevereiro, segunda-feira, na igreja de Nossa Senhora da Luz,
Teve inicio com a bênção das velas, pelas 17h30, seguida da Eucaristia, celebrada pelos párocos Fernando Farinha e Rui Lourenço, no decorrer da mesma foram apresentadas e abençoadas as crianças presentes, nascidas no último ano.
De referir que no ano de 2025, nasceram no concelho de Arronches 21 crianças.
É habitual sair a procissão em honra de Nossa Senhora da Luz pelo centro histórico de Arronches, mas este ano, não foi possível devido ás condições atmosféricas adversas que se faziam sentir com chuva e vento.
A Paróquia de Arronches, contou com a colaboração da Câmara Municipal de Arronches e GNR.

MHR




Fotos de Emílio Moitas


A LIBERDADE É UM MERGULHO

 



Há dias em que o céu se fecha em tons de chumbo, carregado de promessas de tempestade.
E, ainda assim, a alma decide rir.
No meio da imensidão líquida, onde o horizonte se perde, o corpo não luta contra a água — celebra-a. Flutua. Entrega-se. Confia.
É aqui que o ser se revela mais verdadeiro:
quando a alegria não espera pelo sol para existir.
Porque nem sempre as nossas maiores prisões são visíveis.
Um escravo pode ser alguém acorrentado pela falta de educação, ou alguém que passa a vida num trabalho que não o realiza.
Um escravo pode ser quem serve os próprios medos, quem se rende aos vícios,
quem sacrifica a saúde para ganhar dinheiro
e depois descobre que não teve tempo
para dar amor a quem mais precisava.
Todos nós carregamos áreas de escravidão dentro de nós. O mais grave é que nos habituamos a essas correntes
e deixamos de as sentir.
Talvez por isso a liberdade assuste.
Porque, muitas vezes, ela é mais desconfortável do que as prisões que já conhecemos. Mas liberdade não é fazer tudo o que apetece. Liberdade é poder escolher aquilo que nos torna melhores pessoas.
Entre o sal e a espuma,
a criança que ainda vive em nós recorda-nos uma verdade simples:
só somos verdadeiramente livres para amar mais, para cuidar melhor,
para tornar o mundo um pouco mais humano.
A liberdade começa no instante em que deixamos de sobreviver
e passamos a viver com sentido.
Quando já não somos guiados pelo medo,
mas pela verdade que nos habita.
Ser livre é tornar-se espaço de esperança,
é fazer da própria vida um lugar onde outros respiram melhor. É caminhar leve, mesmo carregando cicatrizes, porque a alma sabe para onde vai.
E no fim, talvez a liberdade seja isto:
um mergulho confiante no que somos chamados a ser,
sem algemas por dentro,
sem medo do fundo,
sabendo que quem vive enraizado no essencial
nunca se afoga.


Padre João Torres
Foto: Hugo Delgado, in Moçambique

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Apresentação do Senhor






Esta festa já era celebrada em Jerusalém, no século IV. Chamava-se festa do encontro,hypapántè , em grego. Em 534, a festa estendeu-se a Constantinopla e, no tempo do Papa Sérgio, chegou a Roma e ao Ocidente. Em Roma, a festa incluía uma procissão até à Basílica de S. Maria Maior. No século X, começaram a benzer-se as velas.

José e Maria levam o Menino Jesus ao templo, oferecendo-o ao Pai. Como toda a oferta implica renúncia, a Apresentação do Senhor é já o começo do mistério do sofrimento redentor de Jesus, que atingirá o seu ponto culminante no Calvário. Maria e José unem-se à oferta do seu divino Filho estando a seu lado e colaborando, cada um a seu modo, na obra da Redenção.

A Candelária é festa de luz. A luz da fé não nos foi dada apenas para iluminar o nosso caminho, desinteressando-nos dos outros... A luz da fé também não é para ter acesa apenas na igreja, ou em certos momentos, mas em todos os momentos e situações da nossa vida... A nossa fé há de ser luz que ilumina, fogo que aquece... É luz e fogo quem é compreensivo e bom com todos... quem sabe apoiar os pequenos esforços... os pequenos progressos... quem tem palavras de amizade, de estímulo, de apoio... quem sabe dizer uma boa palavra, dar uma ajuda... O amor cristão tem a sua origem em Deus que nos amou e nos enviou o seu Filho com quem nos encontramos em vários momentos da nossa vida, particularmente quando celebramos a Eucaristia. Esse é o nosso encontro, enquanto esperamos o encontro definitivo no Céu.

https://www.dehonianos.org/

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Sermão da Montanha

 



Como podemos construir uma existência que faça sentido e que não corra o risco de fracassar? Sobre que valores devemos assentar a construção do edifício da nossa vida? As leituras que a liturgia nos convida a escutar no quarto domingo comum respondem a estas questões. Convidam-nos a confiar completamente em Deus e a colocar n’Ele – e só n’Ele – a nossa esperança; desafiam-nos a seguir atrás de Jesus e a viver ao seu estilo.

Na primeira leitura, o profeta Sofonias deixa aos seus contemporâneos um convite a viverem como humildes e pobres. Os “pobres” são aqueles que, não possuindo bens materiais nem seguranças humanas, tendem a depositar toda a sua confiança e esperança em Deus; são aqueles que encontram em Deus refúgio, conforto e felicidade. Eles são os preferidos de Deus. Deus cuidará deles e acompanhá-los-á em cada passo do caminho que percorrem.Os profetas são a voz de Deus que ecoa no mundo. Eles trazem-nos o sonho de Deus para o mundo e para os homens. Escutá-los é, frequentemente, questionarmo-nos sobre a forma como temos distorcido o projeto de Deus. Andamos há muitos séculos a construir um mundo e uma história onde os que “contam”, os que têm visibilidade, os que toda a gente inveja e aplaude, os que conduzem os destinos dos povos são os “fortes”, os ricos, os poderosos, os que se impõem aos outros, os que têm sede de poder e de protagonismo… Contudo, o profeta Sofonias diz-nos hoje que Deus não se revê nas lógicas, nas atitudes e nos valores dos ricos, dos orgulhosos, dos prepotentes, dos que dominam o mundo e pretendem construir a história dos homens sobre a injustiça, a mentira, a violência, a corrupção, a ganância. Sofonias, com a linguagem típica dos pregadores da sua época, garante: chegará o dia em que os orgulhosos e os prepotentes perceberão a estupidez das suas escolhas e se arrependerão pela forma como construíram as suas vidas. Nesse dia, Deus ficará do lado dos humildes e dos pobres e sentar-se-á com eles à mesa da vida eterna. O que achamos disto? O que nos sugere a preferência de Deus pelos humildes e pobres? A que tipo de gente queremos confiar a condução dos destinos dos homens e do mundo?

Na segunda leitura, o apóstolo Paulo pede aos cristãos de Corinto que não apostem na sabedoria humana como caminho para construir uma vida com sentido. Paulo propõe-lhes, em contrapartida, que acolham a “loucura da cruz” e que optem por seguir Jesus incondicionalmente, vivendo ao seu estilo, abraçando os valores que Ele abraçou, percorrendo com Ele o caminho do amor e do dom da vida. É aí que está a verdadeira sabedoria, a sabedoria que conduz à salvação e à vida plena.O que é que dá sentido à nossa vida? O que é que determina o nosso êxito ou o nosso fracasso? O que é que faz que a nossa vida valha a pena? Muitos acreditam que o segredo da realização plena do homem está em fatores humanos: a família em que se nasceu, a escola que se frequentou, os títulos que se obtiveram, o poder que se conquistou, a capacidade intelectual, a competência profissional, o reconhecimento social, o bem-estar económico… O apóstolo Paulo avisa que colocar a própria esperança e a própria segurança em fatores de âmbito puramente humano é apostar no “cavalo errado”. Os fatores humanos falham, são contingentes, têm validade limitada, são incapazes de saciar a nossa sede de vida eterna. Paulo propõe, em contrapartida, que nos dispúnhamos a acolher a “loucura da cruz” e que optemos por seguir Jesus incondicionalmente, vivendo ao seu estilo, abraçando os valores que Ele abraçou, percorrendo com Ele o caminho do amor e do dom da vida. O que pensamos disto? A indicação de Paulo fará sentido? Dispomo-nos a abraçar a lógica de Deus e a buscar a nossa plena realização nos valores de Jesus e do Evangelho?

No Evangelho Jesus apresenta a magna carta do Reino de Deus. Recuperando uma linguagem frequente na tradição bíblica e judaica, Jesus apresenta oito “bem-aventuranças”, oito portas para entrar na comunidade do Reino de Deus, oito propostas que definem o estilo de vida que os seus seguidores devem adotar, oito “apontadores” que mostram como construir uma vida feliz e com sentido. Nas oito bem-aventuranças, Jesus oferece aos seus discípulos um resumo perfeito do seu Evangelho.Dois mil anos depois de Jesus ter feito o “sermão da montanha”, as “bem-aventuranças” continuam a soar aos nossos ouvidos de uma forma estranha e paradoxal. Deixam-nos perplexos e algo desconcertados, pois apontam num sentido que parece ir contra o senso comum. Parecem subverter todas as nossas lógicas e contradizer tudo aquilo que sabemos sobre êxito e fracasso. São um desafio que ameaça todas as nossas certezas e seguranças, a nossa sabedoria convencional e a nossa organização social. Poderão realmente ser um caminho para a felicidade e para a plena realização do ser humano? Jesus tem razão quando garante que a verdadeira felicidade se alcança por caminhos completamente diferentes dos que a sociedade atual propõe? As “bem-aventuranças” serão uma desculpa de fracassados, conversa de gente que não tem coragem para competir, para se impor, para triunfar, ou serão uma forma de construir um mundo diferente, mais justo, mais humano e mais fraterno? O nosso mundo ganharia alguma coisa se abandonássemos a competitividade e a luta feroz pelo êxito humano e optássemos por viver na lógica das “bem-aventuranças”? Seríamos mais livres e mais felizes se renunciássemos a certos valores que a sociedade impõe e passássemos a viver de acordo com os valores propostos por Jesus?

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sábado, 31 de janeiro de 2026

Habitar as palavras que nos dão vida

 


Habitar as palavras que nos dão vida
As palavras que dizemos a nós próprios não são neutras. Criam-nos. Ou desfazem-nos.
Quando nos repetimos em falta, em medo, em desvalor, nada cresce dentro de nós. Não há raiz que aguente uma linguagem que só fere. Falar mal de nós a nós próprios não nos protege — enfraquece-nos.
Há palavras, porém, que nos levantam.
“Eu sou capaz.”
“Eu crio a minha própria realidade.”
“Eu escolho ser feliz hoje.”
Ditas em voz baixa ou em silêncio, estas palavras fazem bem. Não porque neguem a dor, mas porque a atravessam com sentido. Dão-nos força. Direção. Horizonte.
Somos feitos de palavras: as que escutámos, as que dissemos, as que escrevemos e também as que calámos. Algumas tornaram-se abrigo; outras, ferida. Há palavras que nos convertem — viram-nos para a luz. Mudam o olhar, a direção, a forma como entendemos a vida.
Não há uma vida profana e outra sagrada. Toda a vida é sagrada. Cada gesto, cada escolha, cada caminho pode ser lugar de Deus, se não recusarmos nenhuma fonte: a ciência, a arte, a música, a beleza, a natureza, a ternura humana. Tudo nasce Nele e para Ele regressa. Como escreve Maurice Zundel, “toda a vida é chamada a ser consagrada”.
E quando tomamos consciência de que há em nós um desejo de mais — de Deus, de um além, de um mundo que ultrapassa o nosso — começamos a reconciliar-nos com a realidade simples e, tantas vezes, banal da nossa vida. É aí que tudo começa a fazer sentido, como lembra Anselm Grün.
Escolher bem as palavras que nos habitam é um ato espiritual.
É um gesto de cuidado.
É um modo de nos recriarmos, todos os dias.


Padre João Torres

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Mensagem do Bispo D. Pedro à população afectada pela Kristin



O Bispo Diocesano, D. Pedro Fernandes, emitiu uma mensagem, que aqui divulgamos, a propósito da tempestade que se abateu sobre o País, com especial incidência na região Centro, e que afectou também o território da Diocese, com particular gravidade no eixo Sertã a Castelo Branco,
Mensagem
A todos os cidadãos afetados pelos efeitos devastadores da depressão Kristin, especialmente às vítimas mais diretas e seus familiares,
Quero expressar a minha mais viva dor, consternação e solidariedade para com todos os que sofreram, direta ou indiretamente, com a passagem desta tempestade brutal, que atrás de si deixou um aterrador rastro de destruição e morte. Dirijo-me de modo especial a todos os que moram dentro do território da Diocese de Portalegre- Castelo Branco, tendo igualmente presentes todas as outras pessoas, das demais regiões do país afetadas.
Diante deste terrível quadro de calamidade e sofrimento, cabe-nos manifestar a nossa proximidade, como cidadãos e como cristãos. Quero dizer a todos, especialmente aos familiares e amigos das vítimas mortais, como também a todos os que sofreram danos materiais que lhes trazem tanto prejuízo e sofrimento, que me sinto próximo, unido à sua aflição e em muita comunhão de orações. Felicito toda a solidariedade que se tem desencadeado, dentro e fora da diocese, para socorrer e apoiar as vítimas, manifestando a minha solidariedade com todas as forças vivas, públicas, privadas e também da Igreja Católica, que têm multiplicado esforços para estar junto das pessoas e minorar o seu sofrimento.
Continuarei a acompanhar de perto esta situação que faz sofrer a todos e desafia todos à solidariedade. Que a ajuda de Deus não falte àqueles que perderam tanto e acolha no seu seio de Pai aqueles que perderam a vida nesta hora de desgraça e sofrimento.


Fátima, 29/01/2026
+Pedro, Bispo de Portalegre -Castelo Branco

A tua alegria vale ouro



Parece que nos faltam motivos para festejar e estar alegres.

Aquela alegria de quem recebeu uma boa notícia seja ela uma mensagem inesperada, a entrada na universidade ou uma boa nota num exame complicado. Sei lá, aquela alegria que te faz pular, rir, e gritar de contentamento, lembras-te quando foi a última vez que fizeste isso? Também reparaste que passou rápido? Lembras-te quando eras criança e ficavas super contente por receberes uma prenda? Ou porque um professor faltou? Pois, eu sinto que perdi essa ingenuidade, esse gozar o momento. Parece que estamos à espera que algo de mau vá acontecer como se não merecêssemos essa alegria.

Mas hoje não quero falar da alegria que advém das nossas conquistas, mas da alegria que nos vem da alegria dos outros. Quem ama, vive intensamente as tristezas mas também as alegrias dos nossos, certo? E quando vemos os nossos felizes acho que há uma alegria muito genuína que para mim "vale ouro".

Quando vejo os meus filhos a pular de alegria com uma boa nota na escola, com um elogio, ou com a expectativa de uma participação, sinto uma enorme alegria que “vale ouro”. O sorriso, o bem estar dos meus é precioso. E sabes, acho que essa dura mais tempo que a nossa. A alegria dos que amamos conforta-nos e tranquiliza-nos, pelo menos a mim, sim! Sinto vontade de festejar também e a alegria partilhada ganha outra intensidade.

Por vezes, estamos felizes com algo nosso, mas não temos com quem partilhar, e a alegria fica como que contida ao ponto de a chegarmos a desvalorizar. Mas quando a partilhamos, ou alguém a partilha connosco ela propaga-se como uma boa frequência.

Sentes isso?

Então, temos o dever de reparar mais no que nos traz alegrias na vida, seja na tua como na dos outros e se necessário pular, gritar e festejar para que dure o tempo necessário para reacender a luz da nossa esperança.

E tu, amiga, de quem a alegria vale ouro para ti?


Raquel Rodrigues