sábado, 9 de maio de 2026

SONHAR É UMA FORMA DE RESISTÊNCIA INTERIOR

 


Eu continuo a acreditar que é possível sonhar.
Mesmo quando a esperança se esconde atrás de pequenas desilusões que ninguém vê.
Sonhar, às vezes, não é fugir da realidade.
É exatamente o contrário: é não deixar que a realidade nos roube por dentro.
Há livros que não se leem apenas com os olhos, mas com a alma. O diário de Etty Hillesum é um desses lugares onde a vida se torna mais nua, mais verdadeira, mais exigente.
E nela encontro uma voz que não se resigna, mesmo no meio da dor. Uma voz que fala de Deus não como distância, mas como presença a ser cuidada dentro de nós.
Ela escreve algo que inquieta e, ao mesmo tempo, ilumina:
não é Deus que nos deve servir como resposta imediata a tudo…
mas somos nós que, de algum modo, somos chamados a não deixar que essa presença desapareça da forma como vivemos.
Há aqui uma inversão profunda do olhar.
Não é um Deus distante que resolve tudo por nós…
mas uma responsabilidade interior de não deixar morrer o que é mais humano em nós.
“Salvar um pedaço de Deus em nós.”
Que frase estranha e bela.
Como se o sagrado não estivesse fora, à espera de ser encontrado…
mas dentro, à espera de não ser esquecido.
Não te peço nenhuma justificação para a vida.
Peço apenas que não deixes morrer o lugar onde ainda é possível recomeçar.
Porque talvez viver seja isto:
não deixar que o mundo apague aquilo que, em nós, ainda acredita.
E enquanto houver essa chama…
ainda é possível sonhar.


Padre João Torres
Madona de Porto Lligat, 1950, Salvador Dalí



Encontro de reflexão do MCC – Núcleo Centro


Encontro de reflexão do MCC – Núcleo Centro
Um grupo de Cursistas do núcleo centro do MCC, reuniu-se no dia 2 de maio na pitoresca vila de Nisa (Diocese de Portalegre- Castelo Branco), para uma jornada de reflexão sobre a realidade atual do Movimento dos Cursilhos de Cristandade.
A reflexão girou em torno de três temas principais:
• A realidade do MCC
• A espiritualidade do MCC
• O perfil e missão do Reitor/Reitora
E de uma pergunta para reflexão:
“Como dirigente deste movimento, neste momento da história, neste momento da vida da Igreja, neste momento da vida do MCC, …, continuaremos a dizer que Cristo conta connosco.
Numa viagem pela realidade do movimento, na companhia de textos incontornáveis, como as “Ideias Fundamentais”, a “Evangelii Gaudium” e olhando sempre para o contraste entre o Ideal do movimento e a situação real, João Mota, Presidente em exercício do Secretariado nacional, conduziu-nos por um caminho de confronto entre as aspirações dos fundadores do movimento expressas pelo Ideal, a visão da igreja para a missão dos cristãos no mundo e o “afinal onde estamos? “ …
Se a história é a raiz profunda que ancora o MCC, é nos frutos da árvore viva que pretendemos ser, que os outros vêm o que este movimento pode fazer pela Igreja. E fica a esperança de que cada um dos mais de 4000 cursilhistas que nos últimos 5 anos descobriram a alegria de ser cristão, sejam frutos que desenvolvam todo o seu aroma e sabor ligados à árvore mãe e não frutos secos caídos no chão.
Mas muito tem de mudar, a linguagem dos anos 40 tem de ceder o lugar ao léxico do século XXI, usado por uma geração que já não sabe quem foi Rita Hayworth e a tecnologia tem de ser, se não a essência da mensagem, pelo menos a ferramenta ao serviço da sua eficácia.
Mas é pegando na sua HISTÓRIA, vivendo o seu CARISMA, assumindo a sua MENTALIDADE, em ordem à FINALIDADE, obedecendo a uma ESTRATÉGIA clara e a um MÉTODO bem definido, que os momentos de PRÉ_CURSILHO, CURSILHO e PÓS-CURSILHO, serão de facto a chave para revigorar e rejuvenescer o Movimento dos Cursilhos de Cristandade.
Mas onde procurar a energia que parece faltar-nos neste momento? O guia para a resposta reside na Espiritualidade e foi para ela que o Pde Ricardo Lameira orientou a nossa canoa. Ao leme colocou o sonho de um simples “Aprendiz de cristão”, guiado por uma estrela de luz que brilha para todos os povos “Lumen Gentium”.
Na canoa vai a mensagem que no momento próprio tocará cada novo aprendiz de cristão, seja esse momento no recolhimento, na solidão e no silêncio, numa palavra de corredor que nos desperta, na conversa íntima com aquele Jesus que habita o Sacrário ou no calor humano que nos conforta o coração num “abraço de Paz”. A isto chamou o Pde Ricardo a “singularidade” de cada um dos frutos da árvore do MCC.
Mas o MCC é sobretudo “movimento”, que se inicia no momento em que, inspirado por Deus, um irmão nos conduz a uma vivência especial que no final não deve mudar a nossa geografia, a física e a humana, mas a nossa capacidade de apreciar a primeira e modificar a segunda.
A nossa missão como leigos cristãos é assim secular, viver no mundo, mas resistindo à tentação de ser mundano.
Então onde está a verdadeira “espiritualidade do MCC?”. A resposta é simples: na PESSOA, a palavra mais repetida (120 vezes) na coluna vertebral do nosso movimento que é o livro “Ideias Fundamentais”.
Mas afinal qual de nós é o mais importante no movimento? A resposta é simples: Aquele que tiver mais talento para servir os outros. E foi desse, do seu perfil, que nos falou o irmão Francisco Sousa da diocese do Porto.

Mas afinal quem é esse desconhecido que dá pelo nome de Reitor/Reitora. O “ideias Fundamentais” no seu nº209 começa a desvendar o mistério:
“209. O reitor ou coordenador. É o principal responsável pela equipa. … deve conhecer perfeitamente os objetivos e a técnica metodológica …. Será o primeiro e principal servidor da caridade e da harmonia na equipa e em todo o cursilho”. Então como deve ele comportar-se? “ao jeito de Jesus”.
Mas há mais? Sim deve ser:
• Transparente e coerente em tudo o que vive e faz. A cada dia procura ser melhor.
• Fascinado por Jesus, pela sua forma de ser e estar no mundo dos homens.
• Ser fermento vivo no seu ambiente.
• Ter espírito de serviço e fidelidade total ao carisma.
Saber que muitos são os rollos do cursilho, mas cada um é uma parte do todo e que ele ou ela, o reitor ou a reitora, deve sempre ter presente (concatenação dos rollos).
Saber que a sua missão principal será sempre: ”Fazer amigos, fazer-se amigo e fazê-los amigos de Cristo”
E depois? Terminado o cursilho volta a ser um entre nós, na companhia e na humildade dos muitos que servem, mas sempre preparado para dizer: “Cristo, conta comigo”



JOÃO MARTINS







sexta-feira, 8 de maio de 2026

Informação Paroquial


MÊS DE MARIA  

Maio é o mês dedicado à Mãe do Céu.

Atendendo ao pedido da Virgem  reza -se o TERÇO em comunidade em :

REGUENGO: 19H30, TODOS OD DIAS
ALEGRETE: 18H00 DE SEGUNDA A SEXTA
ARRONCHES; 17H30, DE SEGUNDA A SÁBADO. DOMINGOS, ANTES DA MISSA( 11H30)

PROCISSÃO DAS VELAS

12/05- 20H30- ARRONCHES
13/05- 20H30- VALE DE CAVALOS
16/05- 21H00- ALEGRETE
22/05- 21H00- BESTEIROS
23/05- 21H00- REGUENGO
30/05- 21H00- DEGOLADOS
30/05- 21H00- ESPERANÇA

PEREGRINAÇÃO DIOCESANA A FÁTIMA

31 DE MAIO- INSCRIÇÕES SÓ COM O PÁROCO ANTES OU DEPOIS DA MISSAS AT´23 DE MAIO

BANCO ALIMENTAR
RECOLHA DE ALIMENTOS ATÉ AO ÚLTIMO FIM DE SEMANA DE MAIO.
COLABORE DEIXANDO O SEU CONTRIBUTO EM LOCAL PRÓPRIO NA IGREJA LOCAL


 

Precisamos todos de um apagão



Precisamos de ficar sem nada, frágeis e desprotegidos

Precisamos nos desligar do que tomamos como certo e garantido.

Precisamos de ficar às escuras para se nos abrirem os olhos para o essencial.

Precisamos de nos sentir sós para valorizar as pessoas que temos.

Precisamos? Será que precisamos mesmo, de deixar de ter, para dar valor?

Se sim, parece-me que algo está errado à nascença.

A nossa sociedade tem vivido alguns apagões que nos dão um choque momentâneo de “vai tudo ficar bem” ou “ agora vamos ser melhores”, mas não me parece que essas promessas sejam cumpridas. Parece-me que rapidamente passa essa vontade de ser melhor, mais atento, preocupado e diligente para dar lugar a um argumento egoísta de: “já passei tanto, agora vou aproveitar!”

Quem o era, antes do apagão, continua a ser.

Quem o era, antes da perda, pode ter de se isolar, mas rapidamente volta ao que era.

Agora, quem não foi, quem não é, pode ainda vir a ser mas, nem sempre se pode esperar por acontecimentos trágicos para começar essa mudança.

Todos precisamos de um apagão, mas não podemos esperar que ele nos salve ou que nos abra os olhos. Precisamos de começar mais cedo a perceber e a agir de acordo com o que vemos, ou melhor de Quem vemos.

Podemos aguardar a vida toda para mudar algo que sabemos que queremos mudar.

Podemos querer valorizar mais o que temos, mas estamos agarrados ao passado.

Podemos agradecer mais, mas estamos acomodados.

Podemos ser mais gentis, mas esperamos que primeiro sejam gentis connosco.

E esperamos, esperamos e esperamos. Um dia acontece um apagão e não estávamos à espera. Ficamos maravilhados, assustados e comprometidos, mas será que alguma coisa verdadeiramente muda?

E tu amiga, de que apagão estás à espera?


Raquel Rodrigues

quinta-feira, 7 de maio de 2026

“Só se desilude quem estava iludido”!



Quando uma professora me disse esta frase, não compreendi de imediato. Achei que a desilusão que sentíamos perante os outros tinha, única e exclusivamente, que ver com o que esse “outro” nos fazia.

Na verdade, eu associava a desilusão apenas à pessoa que tinha tido uma atitude que eu não tinha gostado ou que me tinha magoado. Era mais fácil assim, realmente. Quando eu me desiludia não tinha qualquer responsabilidade no acontecimento, no evento, na situação.

Mas no dia em que a minha professora me (e nos) disse esta frase algo mudou em mim. Começou a nascer e instalou-se uma nova perspetiva. Nesta face do caleidoscópio também aparecia a minha responsabilidade. Também entrava aquilo que eu era.

Comecei a compreender que a ilusão era um cenário colocado por mim. Um véu que eu deixava cair em cima da pessoa do outro e que estava de acordo com aquilo que eu queria que ele fosse e fizesse. Como se eu decidisse amar de uma versão de alguém que só existia no meu entendimento e na minha cabeça.

E era assim que quando aquela pessoa, aquele amigo, aquele familiar fazia algo que me deixava “desiludida” eu me permitia colocar-me no lugar de vítima. O outro passava a ser o “mau” e eu a “boazinha”. Rapidamente concluí que também eu tinha um papel importante no sentir-me desapontada. Desiludida. Quem sabe até se a “culpa” não era mais minha do que do outro.

Como assim?

Se eu coloco no outro o peso de ser como eu quero e espero deixo de o ver e de o observar como é. Deixo de encontrar espaço para a sua pessoa, para o seu ser individual, para as atitudes que tem de acordo com a sua própria raiz. Se eu quero o outro à minha maneira e à minha imagem, sou eu quem não está a agir bem em primeiro lugar. O que o outro me vai devolver é apenas uma continuação óbvia da minha atitude e postura iniciais.

Se eu quero realmente amar e compreender alguém, tenho de encontrar espaço em mim para uma consciência mais ampla. Para considerar a história do outro como parte sua. Para esperar dele apenas o que ele é e não aquilo que eu gostava que fosse.


Marta Arrais

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Quando a ausência fala




Quando a ausência fala

Nem tudo na vida se impõe.
Nem tudo precisa de ser explicado, defendido ou insistido.
Há momentos em que damos tudo:
tempo, atenção, cuidado, presença…
e, ainda assim, parece não ser suficiente.
E isso cansa.
Desgasta por dentro.
Faz-nos duvidar do nosso valor.
Mas há uma sabedoria simples — e exigente:
nem sempre é preciso dar mais… às vezes é preciso saber parar.
Existe um ditado japonês que o diz com clareza:
“Se tudo o que ofereces não for suficiente, oferece a tua ausência.”
Não como fuga.
Não como castigo.
Mas como verdade.
Porque há presenças que só são reconhecidas quando deixam de estar.
Como o sal:
não aparece no menu,
não chama a atenção,
não faz barulho…
mas quando falta, tudo perde sabor.
Na vida do dia-a-dia é assim:
há pessoas discretas que sustentam muito,
há gestos pequenos que fazem toda a diferença,
há silêncios que cuidam mais do que mil palavras.
E quando isso não é visto,
quando não é acolhido,
quando não é valorizado…
talvez seja tempo de dar espaço.
Não para desistir,
mas para deixar que o outro veja, sinta, perceba.
Às vezes, a ausência não afasta —
revela.
Revela o valor do que estava,
a falta do que sustentava,
o lugar que alguém ocupava.
E, no meio disso,
também nos ensina a nós:
a não mendigar atenção,
a não forçar o que não cresce,
a cuidar da nossa dignidade.
Porque quem é presença verdadeira
não precisa de se impor —
precisa apenas de ser reconhecido.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Diz antes que seja tarde



Diz antes que seja tarde

Há palavras que ficam presas na garganta.
Não porque não sejam verdadeiras,
mas porque temos medo.
Medo de parecer frágeis.
Medo de não sermos correspondidos.
Medo de dizer demais…
num mundo que nos ensinou a sentir de menos.
E assim vamos adiando.
Guardando o que é essencial
como se o tempo fosse infinito.
Mas não é.
A vida passa nos dias simples,
nos encontros que achamos garantidos,
nas pessoas que pensamos que estarão sempre ali.
E, de repente, já não estão.
Ou já não somos os mesmos.
Ou já é tarde demais.
Há um peso silencioso
que muita gente carrega:
o peso de não ter dito.
De não ter dito “gosto de ti”,
quando o coração pedia.
De não ter dito “amo-te”,
quando isso podia ter mudado tudo.
Porque, no fim,
não são as palavras ditas que nos inquietam…
são as que ficaram por dizer.
Dizer não nos diminui.
Não nos torna fracos.
Torna-nos verdadeiros.
Amar não é um risco —
é uma necessidade.
Por isso, hoje,
não adies.
Não compliques.
Não esperes pelo momento perfeito.
Se sentes, diz.
Se amas, mostra.
Talvez não mudes o mundo…
mas mudas o mundo de alguém.
E o teu também.
Diz enquanto é tempo.

Padre João Torres