segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Por onde passares, deixa sal e luz!

 


Por onde passares, deixa sal e luz!
Não estamos cá para fazer só por fazer ou para viver só por viver. Também não estamos cá para viver à sombra do tanto-faz. Do é-me igual. Do seja o que for. Estamos cá para iluminar, na pele do mundo aquilo de que somos feitos... para salgar na memória dos outros um rasto de esperança e de novidade. De promessa de futuro.
«Vós sois o sal da terra.... Vós sois a luz do mundo». Não se trata de uma exortação de Jesus, "esforçai-vos por vos tornardes luz", mas "sabei que já o sois".
Como fazer para viver esta responsabilidade séria, que é de todos? Menos palavras e mais gestos. «Reparte o teu pão», e depois é todo um seguimento de outros gestos: dá abrigo, veste o nu, não vires a cara. «Então a tua luz surgirá como a aurora, a tua ferida não tardará em sarar».
Cura os outros e curar-se-á a tua ferida, cuida de alguém e Deus cuidará de ti; produz amor, e Ele envolver-te-á o coração, quando está ferido. Ilumina outros e iluminar-te-ás, porque quem olha só para si próprio nunca se ilumina. Quem não procura, mesmo às apalpadelas, o rosto que da escuridão pede ajuda, nunca se acenderá. É da noite partilhada que se ergue o sol de todos.
Não estamos cá para dar nas vistas ou para ser famosos.
Estamos cá para deixar sal e luz.
Para gravar o nosso nome nas coisas bem-feitas.
Por onde passares, deixa sal e luz!



Padre João Torres

domingo, 8 de fevereiro de 2026

SAL DA TERRA, LUZ DO MUNDO

 

https://www.youtube.com/watch?v=63DneP9CEqo&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f


Para que vivemos? Qual o sentido da nossa vida? Como devemos marcar a nossa passagem pela terra? Que “obras” devemos fazer? A Palavra de Deus do 5.º Domingo do Tempo Comum propõe-nos respostas para estas questões. Desafia-nos a ser “luz” que brilha e que ilumina o mundo com as cores de Deus.

Na primeira leitura um profeta anónimo do séc. VI a.C. convida os habitantes de Jerusalém a serem uma luz de Deus que ilumina a noite do mundo. Como? Oferecendo a Deus o espetáculo de uma religião feita de rituais vazios e desligados da vida? Não. Ser “luz de Deus” passa por partilhar o pão com os famintos, ficar do lado dos injustiçados, cuidar daqueles que ninguém cuida, ser testemunha da misericórdia e da bondade de Deus junto daqueles que sofrem. O que é que Deus pretende de nós? Qual o papel que Ele nos destina no seu plano salvador? A estas perguntas poderão ser dadas múltiplas respostas. Uma das mais belas e mais desafiantes aparece nas palavras do Trito-Isaías que escutamos hoje: Deus pretende que sejamos uma luz que brilha na noite do mundo e que aponta aos homens o caminho que leva à vida verdadeira. Sim, é uma boa resposta. Mas, como poderemos ser essa luz? Oferecendo a Deus rituais litúrgicos majestosos, que sejam expressão (mesmo que deslavada) da grandeza e da omnipotência de Deus? É oferecendo ao mundo o espetáculo de uma religião que se exprime em gestos e palavras carregados de história e de tradição, mas herméticos e incompreensíveis para os homens e mulheres que se movem à margem dos caminhos da fé? Ouçamos, outra vez, o Trito-Isaías: seremos luz de Deus no mundo se partilharmos o nosso pão com os famintos, se ficarmos do lado dos injustiçados, se cuidarmos daqueles que ninguém cuida, se formos testemunhas da misericórdia e da bondade de Deus junto daqueles que sofrem. Dessa forma, todos nos verão e todos entenderão o nosso testemunho. Como é que vemos tudo isto? Como vivemos e expressamos a fé que nos anima?

No Evangelho, Jesus recorre a duas metáforas para definir os contornos da missão que vai confiar aos seus discípulos. Os que integram a comunidade do Reino de Deus devem ser “sal da terra” e “luz do mundo”. Com as suas “boas obras”, os discípulos de Jesus devem “dar sabor” à vida e fazer desaparecer as sombras que trazem sofrimento à vida dos seus irmãos. Para que vivemos, cinquenta, setenta, noventa, cem anos? Que marca deixamos no mundo e na memória daqueles que se cruzam connosco no caminho da vida? A nossa ação e intervenção tem vindo a acrescentar alguma coisa à história dos homens? O que é que determina o êxito ou o fracasso da nossa existência? A nossa realização passará apenas por viver o mais comodamente possível, com um mínimo de complicações, de aborrecimentos e de contrariedades? As coisas corriqueiras e fúteis, a mediocridade e a banalidade, as diversões e os bens materiais, os prazeres e as satisfações efémeras, os triunfos e os aplausos, bastarão para dar sentido à nossa vida e para saciar a nossa sede de felicidade? Nós que encontramos Jesus, que acolhemos o seu chamamento e que nos apaixonamos pelo seu projeto, em que moldes construímos a nossa existência de forma que ela faça pleno sentido?
Para que o sal possa cumprir o seu papel, tem de ser misturado com os alimentos; para que uma luz possa iluminar “todos os que estão em casa”, não pode estar escondida debaixo do alqueire. Tudo isto parece-nos demasiado evidente. Mas temos sempre tirado daí as consequências que se impõem? Há entre nós quem, desagradado com a indiferença ou até mesmo a hostilidade do mundo, ache que a comunidade de Jesus deve fechar-se ao mundo, condenar o mundo e “cortar relações” com uma sociedade que não entende a proposta cristã. Poderemos ser “sal da terra” e “luz do mundo” fechados dentro das nossas igrejas ou dos espessos muros dos nossos conventos, limitados a atirar condenações lá para fora? Poderemos alhear-nos dos problemas e angústias, alegrias e esperanças dos homens, renunciando a contagiar o mundo com a proposta de Jesus? Uma Igreja que gasta todas as energias com os seus solenes rituais litúrgicos ou com a arrumação harmoniosa do calendário paroquial poderá dar sabor à vida moderna e oferecer aos homens a luz genuína do Evangelho?

Na segunda leitura o apóstolo Paulo convida os cristãos de Corinto a agarrarem-se à “sabedoria de Deus” e a prescindirem da “sabedoria do mundo”. A salvação do homem não vem das palavras bonitas, dos sistemas filosóficos bem elaborados ou das qualidades humanas dos arautos da mensagem salvífica; mas vem do amor de Deus, expresso naquela cruz onde o Filho de
Deus ofereceu a vida e nos deixou a lição do amor até ao extremo. Paulo é testemunha privilegiada dessa mensagem: viver a partir da “loucura da cruz” é que dá sentido pleno à vida do homem. À “sabedoria do mundo” Paulo contrapõe a “sabedoria de Deus”. A “sabedoria de Deus pode parecer algo de estranho e de incongruente à luz da nossa lógica humana; mas ela é, segundo o apóstolo Paulo, fonte de vida verdadeira e eterna. O que aconteceu com Jesus aponta exatamente nesse sentido: Ele aceitou prescindir das suas prerrogativas divinas, desceu até nós, assumiu a nossa humanidade, experimentou a nossa fragilidade, solidarizou-se connosco e partilhou as nossas dores, enfrentou corajosamente a injustiça e a maldade, foi condenado e sofreu uma morte maldita; mas, da Sua entrega brotou vida nova que inundou o mundo e transformou a história dos homens. Jesus mostrou-nos uma coisa que, mesmo depois de dois mil anos, ainda temos dificuldade em entender: o amor até às últimas consequências, o serviço aos outros, a vida “dada” até ao extremo, a renúncia a si próprio, são fonte de vida. Quem vive dessa forma não fracassa, não passa ao lado da vida, não é um vencido; quem vive dessa forma dá sentido pleno à sua existência. O que vale para nós a “sabedoria de Deus”? É a partir dela que construímos o nosso projeto de vida?

https://www.dehonianos.org/

sábado, 7 de fevereiro de 2026

MATRIMÓNIOS FELIZES – FILHOS AGRADECIDOS!...

                       

Todos os anos, no segundo Domingo de fevereiro, bem próximo do Dia dos Namorados, celebra-se o Dia Internacional do Matrimónio. Nasceu na década de oitenta do século findo, num grupo de casais do Movimento Encontro Matrimonial. Um movimento de espiritualidade conjugal e familiar já presente em mais de cem países, incluindo Portugal. Este Dia pretende homenagear os casais, celebrar o amor e o diálogo conjugal, destacar a beleza e a importância do compromisso, promover a união familiar vivida em alegria e fidelidade, fortalecer a instituição familiar.
Casamento e Matrimónio, palavras usados como sinónimas, fazem alguma diferença. O Casamento acontece com um ato jurídico, celebrado perante a lei civil, entre um homem e uma mulher, para formalizar a união e definir direitos e obrigações. O Matrimónio, por sua vez, está associado à união sagrada, sacramental. Tem conotações teológicas, espelha o ‘sonho de Deus’ para a humanidade, representa a união de Cristo com a Igreja. Quando só civil, mesmo entre não batizados, o Casamento também é irrevogável, indissolúvel. É uma aliança que, pela lei natural, se destina a durar até à morte de um dos cônjuges. E os filhos agradecem! No início da criação, Deus os fez homem e mulher. O homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua esposa e serão dois numa só carne (cf. Gn 2, 24). Embora assim não se queira entender e a sua história seja complexa, a indissolubilidade vem desde o princípio, funda-se no amor que, por sua natureza, exige compromisso total e definitivo, para bem de cada um dos cônjuges e dos filhos. Mais tarde, Cristo elevou essa união de um homem e de uma mulher ao nível de Sacramento, sendo para a Igreja a lembrança permanente do que aconteceu na cruz. Os esposos “são um para o outro, e para os filhos, testemunhas da salvação, da qual o sacramento os faz participar”.
Na fé, é possível assumir os bens do Matrimónio como compromissos que se podem cumprir melhor com a ajuda da graça do Sacramento. Este, porém, não é uma simples “convenção social, um rito vazio ou o mero sinal externo dum compromisso”. Não é uma ‘coisa’, nem ‘uma força’. Nem se vai buscar ou comprar à Igreja. O Sacramento celebra-se na comunidade e vive-se no quotidiano da vida. Embora a celebração tenha um princípio e um fim, não é um rito passageiro, vazio, uma mera burocracia. É uma graça, uma ação durável, permanente, a sustentar a vida cristã de quem o celebra. Trata-se dum encontro real com Cristo. É o próprio Cristo que “vem ao encontro dos esposos cristãos, fica com eles, dá-lhes a coragem de o seguirem, tomando sobre si a sua cruz, dá-lhes a coragem de se levantarem depois das quedas, de se perdoarem mutuamente, de levarem o fardo um do outro” (cf. AL). É um dom para a santificação e a salvação dos esposos.
No entanto, tudo o que é dom de Deus implica tarefa humana. O dom não age automaticamente. Se a vida é um dom, eu tenho de procurar viver com dignidade, com respeito absoluto pela minha vida e pela vida dos outros. Se a fé é um dom, eu tenho de o alimentar e de o viver de forma coerente, com adesão pessoal a Deus e amor para com o próximo. Se o Sacramento é um dom, um encontro preparado e pessoal na amizade com Cristo, eu devo-o acolher com abertura de coração e aceitar todas as consequências que daí advêm para a transformação da minha vida quotidiana: cristã, familiar e social. Unidos, pois, em Matrimónio, num projeto de vida comum baseado no amor, na fidelidade e no acolhimento, homem e mulher devem assumir como essencial para a sustentação, fortalecimento e vivência dessa união conjugal, deitar mão daqueles meios que Jesus a todos aconselhou: humildade, oração, vigilância, atenção mútua, inserção na comunidade, participação, companheirismo, capacidade de colocar a felicidade do outro acima dos próprios interesses. Trata-se de um ‘sim’ livre e generoso, capaz de superar desafios e dificuldades para construir uma família, uma comunidade de vida e de amor, cuja construção implica paciência, perdão, amadurecimento diário, fortaleza, tempo e graça de Deus. É verdade que sempre surgem dificuldades, problemas, sofrimento. O importante, porém, é que nunca se perca o entusiasmo da primeira hora, que se reaviva a fé e a graça sacramental, que tudo se vá superando, tantas vezes sabendo perder para se ganhar.
A celebração deste Dia pode incluir celebrações religiosas ou civis, a renovação da aliança, a bênção dos casais e iniciativas várias para a valorização da mais pequenina e importante das comunidades humanas. Paralelamente a todas as atividades que envolvam as comunidades, muitas famílias dão continuidade à celebração deste dia, paredes dentro as suas próprias casas. Sabem remar contra a maré, a qual tende a desvalorizar o valor incontornável da família. Vão renovando e fortalecendo aquele interesse pela santificação mútua e pela educação na fé de todos os seus membros, a começar pelos mais pequeninos. Nenhuma família deverá contribuir, com o seu silêncio e a sua falta de testemunho, para que os seus mais próximos não façam a sua experiência de fé, com determinação e alegria.9



D. Antonino Dias
Caminha, 06-02-2026.










Viver com sentido

 



A luz nasce no meio da vida
A luz não começa no céu.
Começa no chão que pisamos todos os dias.
No cansaço de quem acorda cedo e chega tarde.
Nas contas que não acabam.
Nos sonhos adiados.
Nas relações gastas pelo tempo e pelas palavras que nunca foram ditas.
Nas frustrações silenciosas de quem dá tudo e recebe pouco.
É aí, nesse mundo real, sem filtros, que a luz decide brilhar.
Não brilha em discursos grandiosos, mas em gestos simples:
numa casa que abriga,
numa esperança restaurada,
num olhar que se detém na dor do outro,
num pão que é sempre repartido, mesmo quando parece pouco.
A luz brilha quando escolhemos calar a maledicência,
quando recusamos a fraude,
quando não alimentamos a difamação,
quando optamos pela verdade dita com delicadeza.
A luz não se impõe.
Oferece-se.
E só pode ser oferecida pela modéstia, pela mansidão, pela atenção ao outro.
A sabedoria de Deus não está no brilho do poder,
mas na loucura da Cruz.
Uma sabedoria estranhamente ligada ao sal e à luz:
ao que preserva,
ao que dá sabor,
ao que impede que a vida apodreça por dentro.
Não fomos chamados a embalsamar múmias,
nem a repetir gestos vazios,
nem a ser cegos a guiar outros cegos.
A planta que não se volta para a luz definhar-se.
E o cristão que prefere fixar-se apenas nas sombras,
que se alimenta do cinismo, do medo ou do ressentimento,
condena-se a uma morte lenta.
Não cresce.
Não floresce.
Não se edifica em Cristo.
Ser luz não é ser perfeito.
É escolher, todos os dias, para onde olhar.
É voltar o rosto para a Luz,
e deixar que ela atravesse a nossa vida —
tal como ela é.




Padre João Torres

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Sermão da Montanha




Jesus estava louco… ou somos nós que desaprendemos a viver?

Felizes os pobres.
Felizes os mansos.
Felizes os que choram.
Felizes os perseguidos.
À primeira vista, isto soa estranho.
Até absurdo.
Num mundo onde vence quem acumula, quem impõe, quem não sente.
Mas o Sermão da Montanha não foi feito para agradar.
Foi feito para acordar.
Não é confortável.
É revolucionário.
O problema não está nas Bem-aventuranças.
Está quando as confundimos com resignação.
Jesus não diz: “aguenta e cala”.
Jesus diz: “vive diferente”.
As Bem-aventuranças não são frases bonitas.
São um caminho.
Não prometem uma vida fácil,
mas oferecem uma vida verdadeira.
Quando Jesus fala dos pobres, não glorifica a miséria.
Fala da liberdade.
Dos que não vivem agarrados.
Dos que colocam a própria vida ao serviço da vida dos outros.
“Felizes os que choram.”
Porque só quem ama é capaz de chorar.
A indiferença, essa sim, mata.
“Felizes os que têm fome e sede de justiça.”
Não os conformados,
mas os que se levantam quando outros caem.
“Felizes os misericordiosos.”
Gente com entranhas.
Gente com coração vivo.
Gente que se recusa a viver fechada em si mesma.
Jesus não promete sucesso.
Promete sentido.
Não promete ausência de dor,
mas uma alegria que atravessa a dor e não se perde.


Padre João Torres

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O Dia Nacional de Alerta para a Alienação Parental




O Dia Nacional de Alerta para a Alienação Parental, celebrado a 5 de fevereiro, recorda-nos as feridas invisíveis de uma criança, quando afastada emocionalmente de um dos progenitores.
Este dia convida-nos a refletir sobre outra realidade igualmente dolorosa: as crianças com doenças incuráveis. Embora distintas, ambas as realidades revelam a profunda vulnerabilidade da infância. Uma criança gravemente doente precisa de estabilidade, amor e presença familiar; precisa de sentir que os laços que a sustentam são firmes. Quando existe alienação parental, esses laços tornam-se frágeis ou quebram-se, agravando o sofrimento emocional que se junta à fragilidade física.

Como pode uma criança lutar pela vida, quando apanhada no conflito emocional entre aqueles que deviam ser o seu porto seguro? A alienação parental torna-se especialmente cruel porque retira à criança não só um pai ou uma mãe, mas também o apoio emocional fundamental para enfrentar a doença. O amor dos pais é insubstituível; negar esse amor é ferir ainda mais a criança.

Seja na doença ou na rutura de um vínculo, as crianças precisam de proteção e de amor que não falhe. Esta é a maior cura que lhes podemos oferecer. Sempre que fizeste isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizeste. Sempre que o deixaste de fazer a um destes pequeninos, foi a mim que o deixaste de fazer (cf. Mt 25, 40.45).

RMOP

Papa Leão XIV- Intenções de Oração para Fevereiro

 

O Papa Leão XIV confia à oração da Igreja as crianças que sofrem de doenças incuráveis, convidando os fiéis de todo o mundo a rezar por elas, pelas suas famílias e por todos os que cuidam da sua vida com dedicação, ternura e esperança.