quarta-feira, 11 de março de 2026

As sementes...

 


Há momentos na vida em que a terra se move debaixo dos nossos pés. 
Há algo que nos desinstala. Mas, no entanto, é precisamente nesses instantes que o solo se torna fértil. 
 
A terra só se abre quando algo precisa de ser plantado; e a semente 
traz uma sabedoria profunda. Ela não tem pressa de florescer. Tem vontade de se enraizar primeiro. 
 
A semente permanece, silenciosamente. Não discute com o inverno. Não tenta convencer o solo de que é árvore.  
 
Todos nós  carregamos sementes. Todos nós carregamos experiências. 
 
Como e onde as queremos plantar? Como e onde as queremos cultivar?  

A terra nem sempre é gentil; 
Há quem transforme o conflito em muralha. Há quem transforme o conflito em raiz. 
 
Que em cada dia, as sementes que se instalam no nosso coração possam crescer, para tudo o que de verdade traz sabedoria, consciência e liberdade de ser. 
 
No seu tempo, no seu tempo...
 
Boa semana! 

 Carla Correia

terça-feira, 10 de março de 2026

Procissão do Encontro


"Toma a tua cruz e segue-me." ✝️💜

Neste domingo, 15 de março, as nossas ruas transformam-se num caminho de oração. A Procissão do Senhor dos Passos convida-nos a sair do conforto e a caminhar lado a lado com Jesus, recordando o Seu sacrifício supremo por cada um de nós.
Cada estação, cada passo e cada olhar para a imagem do Senhor carregando a cruz é uma oportunidade para entregarmos as nossas próprias lutas e cansaços, confiando que Ele caminha connosco.

📍 Encontro marcado:

🗓️ Data: Domingo, 15 de março
🕒 Hora: 16h00- Missa seguida de Procissão
⛪ Início: Igreja Matriz de Arronches

Desejo de água vivente…





Desejo de água vivente… 

«Sem desejos, o ser humano é incompreensível».

A vida quer viver, a vida é sede de vida.
Uma mulher da Samaria chega a um poço para tirar água, muito segura de si, sente-se dona do poço, da água e do cântaro. Jesus faz-se de pedinte: «Dá-me de beber»… Falam os dois de água e de sede, de poços e de velhas rixas entre os povos vizinhos, coisas de todos os dias. Repentinamente, irrompe a linguagem “das coisas do alto”: água fresca, água pura, água vivente. A água que é vida, água que mata a sede de vida plena, a saudade humana de amor e felicidade.

A mulher torna-se pedinte: «Senhor, dá-me dessa água…» (João 4,15).

O nosso coração é um «interminável reservatório de sede. Sede de amor, de verdade, de razões de viver, de um refúgio, de novas palavras, de justiça... Sede de humanidade autêntica. Sede de infinito».

Falta-nos ir mais fundo. Bem ao fundo daquilo que somos como batizados.

Somos água vivente ou água parada? Água pura ou água inquinada?

Precisamos tanto de beber Deus.

Precisamos tanto de nos ver como Ele nos vê: com um amor de Pai com entranhas de Mãe, extremamente apaixonado, renovando todos os dias a esperança de nos ver chegar à Sua casa.

E sermos capazes de dar a beber aos outros da água fresca do Evangelho, recebida de Cristo, como fez a Samaritana.

Teremos dentro de nós este desejo?

“Senhor, Água viva, dá-me de beber!”


Padre João Torres

segunda-feira, 9 de março de 2026

Dá-me essa água



“Morrer de sede ao pé da fonte”
Ditado popular

Somos terra seca.

Escolhemos um caminho árido.

Ansiamos viver num deserto.

Sentimos a desilusão e a tristeza…


Deus mima-nos como um Pai!

Tudo coloca ao nosso alcance.

Se acreditarmos que somos capazes, até de um rochedo sem vida brota água.


Mas, não temos a capacidade de acreditar sem medida.

Ser Esperança no mundo, passa por uma condição belíssima:

Não podemos enganar, nem mentir…

São as nossas obras que dão vida à Esperança,

e nem sempre abrimos o nosso coração à voz de Deus.

Então… somos terra seca, ressequida,

sem Esperança, nem Fé, onde morre a semente da caridade.


Uma dúvida que magoa vem ao nosso encontro e rega a semente do ódio:

«Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?»


Iniciamos conflitos e guerras, porque vivemos no local onde o outro não mora…

Será que a geografia é mais importante que o Amor?


Hoje, a Samaritana abandona as questões sem sentido e vem em nosso auxílio.

Traz um balde na mão e está destinada a fazer, de cada um de nós,

peregrinos de Esperança.


Regar o mundo com Paz.

Ser afável com todos, até com quem não merece.

Ser consciente de que gritar só é bom quando anunciamos que temos um Deus que nos salva,

que envia o Seu próprio Filho para ser Água Viva, Fonte inesgotável de Amor.


Dá-me essa água, Senhor.


Liliana Dinis

domingo, 8 de março de 2026

Dia da Mulher




A verdadeira "genialidade feminina" manifestou-se no Sim mais importante da história.

O Dia Internacional da Mulher, sob o olhar da fé católica, convida-nos a contemplar a dignidade feminina através daquela que é o modelo perfeito de humanidade: Maria Santíssima.
Enquanto o mundo foca em conquistas sociais e direitos necessários, a Igreja recorda-nos a "genialidade feminina" (termo de São João Paulo II) manifestada no Fiat de Nossa Senhora. Maria não foi apenas uma figura passiva; ela foi a mulher da coragem e da escuta, que ao dizer "sim", mudou o curso da história humana.
Neste dia, celebrar a mulher é reconhecer:

A Força na Entrega: Tal como Maria aos pés da Cruz, a mulher carrega uma capacidade única de permanecer, de sustentar a esperança onde outros desistem e de transformar o sofrimento em amor fecundo.

A Missão de Gerar Vida: Seja na maternidade biológica ou espiritual, a mulher reflete o acolhimento de Maria, transformando o mundo num lar e lembrando à humanidade a importância da ternura.

A Dignidade Redimida: Em Maria, a mulher é elevada à mais alta honra. Ela mostra que o verdadeiro empoderamento nasce da fidelidade a Deus e do serviço aos irmãos.

Que a exemplo de Maria, todas as mulheres encontrem na sua fé a força para serem luz na família e na sociedade, sendo sempre "mensageiras da paz e da vida".

“Se conhecêsseis o dom de Deus!”

 

https://www.youtube.com/watch?v=EDVDx_ImrZY



Estamos no terceiro domingo da Quaresma. Não é fácil nem isento de obstáculos o caminho que, através do deserto quaresmal, nos leva em direção à vida nova. Conseguiremos superar os obstáculos deste caminho de conversão e de renovação? A Palavra de Deus que escutamos no terceiro domingo da Quaresma deixa-nos uma indicação verdadeiramente reconfortante: Deus acompanhar-nos-á em cada passo e nunca deixará de saciar a nossa sede de vida.

A primeira leitura relembra-nos um dos momentos determinantes da caminhada dos hebreus pelo deserto, após a libertação do Egito: o povo, apoquentado pela sede e afundado em dúvidas, questiona o desígnio de Deus e pergunta-se se Deus pretende salvá-lo ou perdê-lo. A esta bizarra dúvida Deus responde com um gesto extraordinário: faz brotar água de um rochedo e sacia a sede do seu povo. Não se trata de um caso isolado: o Deus salvador e libertador esteve, está e estará sempre empenhado em saciar a sede de vida do seu povo enquanto este atravessa o deserto da história. Quando saíram do Egito e deixaram para trás a escravidão, os hebreus sentiram-se profundamente reconhecidos ao Deus que os salvou. Mas a gratidão que sentiam evaporou-se quando tiveram de enfrentar as dificuldades do caminho: a fome, a sede, o calor, o cansaço, as ciladas dos inimigos, as decisões difíceis, os riscos da liberdade… Então, murmuraram contra Deus, duvidaram da sua bondade e do seu amor, acusaram-n’O até de ter posto em marcha um projeto de morte destinado a fazê-los perecer no deserto. Isto não nos soa familiar? Quando o caminho nos parece demasiado longo e solitário, quando tropeçamos nos obstáculos inevitáveis que a vida nos traz, quando experimentamos os nossos limites e fragilidades, quando nos sentimos cansados, desiludidos e perdidos, quando nos enganamos e optamos por valores errados, quando nos entrincheiramos atrás da nossa autossuficiência e nos damos mal, criticamos Deus, acusamo-l’O de nos abandonar, duvidamos do seu amor… Parecemos crianças mimadas que passam a vida a lamentar-se e a acusar Deus pelos “dói-dóis” que a vida nos faz. Já pensamos que muitas das coisas que nos fazem sofrer resultam das nossas escolhas erradas e não da ação de Deus? Já pensamos que muitas das dificuldades que temos de enfrentar talvez façam parte da pedagogia de Deus para nos fazer crescer, para nos ajudar a descobrir o sentido da vida, para nos renovar e transformar?

No Evangelho Jesus, em diálogo com uma mulher da Samaria, junto do poço de Jacob, propõe-se oferecer-lhe uma “água viva” que matará todas as sedes e que se tornará “uma nascente que jorra para a vida eterna”. A samaritana mostra-se disponível para acolher e beber a água que Jesus tem para lhe oferecer. Estaremos, também nós, dispostos a saciar a nossa sede com a água que Jesus nos quer oferecer? Aquela mulher anónima da Samaria, depois de encontrar o “salvador do mundo” que veio trazer aos homens a água que mata a sede de vida eterna, não guardou para si própria essa experiência inolvidável e não se fechou em casa a gozar a sua descoberta… Correu para a cidade e partilhou com os seus concidadãos a verdade que tinha encontrado e que tinha alterado a sua visão da vida: “Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Não será Ele o Messias?”. As experiências que mudam a nossa existência e que nos abrem horizontes novos, não são para ficar confinadas nos nossos mundos pessoais. Quando nos encontramos com Jesus e descobrimos, com Ele, novos horizontes e novas possibilidades, partilhamos essa descobertas com aqueles que caminham ao nosso lado pelas estradas da vida?

A segunda leitura não evoca o tema da água, como a primeira leitura e o Evangelho; mas reafirma o empenho de Deus em oferecer vida e salvação ao seu povo. Garante-nos que, sejam quais forem as nossas falhas e infidelidades, Deus “justifica-nos”. A sua misericórdia falará sempre mais alto do que o nosso pecado. Deus oferecer-nos-á sempre, de forma gratuita e incondicional, a sua salvação. Quando Deus fizer a contabilidade final dos nossos dias o que encontrará? As nossas boas obras serão em número suficiente para nos garantir a salvação? No “livro de contas” de Deus a nossa coluna dos débitos será mais extensa do que a coluna dos créditos? Deus atuará como um contabilista rigoroso que, depois de tudo somado, nos apontará, sem contemplações, aquilo que temos em falta? O apóstolo Paulo deixa-nos, na leitura de hoje, uma notícia tranquilizadora: na contabilidade final da nossa vida, a única coisa que contará será o amor de Deus. O nosso Deus é um Deus clemente e compassivo, lento para a ira e rico em misericórdia. Ele “justificar-nos-á” e emitirá sobre nós um veredicto de graça e de misericórdia, mesmo que nós não o mereçamos. A única coisa que Ele exigirá de nós é que acolhamos a sua oferta de salvação. Deus não nos condena; Deus salva-nos sempre. Basta que acolhamos o seu amor e que aceitemos o convite que Ele nos faz para integrar a sua família. Como vemos e sentimos esta “Boa Notícia”?

https://www.dehonianos.org/

sábado, 7 de março de 2026

Sem amor aos pobres, a liturgia é vazia




Sem amor aos pobres, a liturgia é vazia

Podemos ter igrejas cheias.
Cânticos afinados.
Ritos impecáveis.
Incenso a subir bonito no ar.
Mas se não houver amor aos pobres e aos frágeis, tudo isso será apenas cenário.
Rituais belos por fora — vazios por dentro.
Sem o gesto do lava-pés nunca entenderemos a Eucaristia. Sem ajoelhar diante da dor do outro, ajoelhar no altar torna-se formalidade.
Uma Igreja que não visita os presos, que não se aproxima dos doentes, que não se inclina sobre os que falharam, pode ter muitas atividades — mas não será a Igreja de Jesus Cristo.
Não basta dizer “naquele tempo…”.
Não basta citar o Evangelho como memória distante. Não basta acumular documentos, doutrinas, reflexões eruditas.
Se o coração não arde, a fé arrefece.
Se a Palavra não muda a vida, torna-se discurso. Se a Missa não continua na rua, torna-se espetáculo.
Os discípulos não reconheceram Jesus numa teoria. Reconheceram-no à mesa, na partilha, na presença viva.
Mas a questão não é de palavras.
É de espírito.
A Palavra não foi dada para ficar confinada ao sagrado. Foi dada para transformar o profano.
Para entrar no trabalho, na política, na economia, na família. Para gerar justiça, solidariedade, misericórdia.
De que nos serve comungar, se não partilhamos?
De que nos serve rezar, se não perdoamos?
De que nos serve cantar “irmãos”, se mantemos distâncias e divisões?
O externo deve ser expressão do que amadureceu no coração.
Caso contrário, é máscara.
Deus está próximo quando a Palavra anima as ações.
Quando o altar se prolonga na rua.
Quando o culto se transforma em serviço.
Quando a fé se traduz em gestos concretos.
A Igreja de Jesus é peregrina, samaritana, hospitaleira.
É Igreja do perdão.
É Igreja em saída.
É Igreja que caminha com — e não acima de.
Não é a crença que nos define.
São os nossos atos.
Porque no fim, talvez Deus nos pergunte apenas isto:
Onde estavam os teus irmãos quando disseste que Me amavas?


Padre João Torres