quinta-feira, 30 de abril de 2026

O poder revela quem o possui


Se queremos saber quem alguém é, importa esperar até que venha a ter algum tipo de poder. O que estava oculto revela-se.

É possível encontrar sábios com poder, mas isso é muito raro. O mais comum é que os poderosos não sejam tão prudentes e sensatos quanto seria de esperar. Aquilo a que muitos poderosos chamam coragem é, na verdade, uma audácia precipitada e excessiva, que se expõe a perigos desnecessários e graves.

E, talvez mais perigoso ainda, o poder vicia. Cria a ilusão de que somos o que podemos… e não somos! E, para fugir a essa crua verdade, procuramos cada vez mais poder.

Um ato de bondade é um gesto poderoso, porque, mais do que fazer muito ou muitas vezes, o verdadeiro poder está em fazer bem — acertar em cheio.

A quem deve servir o poder que se tem? A si próprio ou a todos os que lhe estão sujeitos?

Como uso eu o poder que tenho sobre mim – sobre a minha vida?

Se posso ser feliz e não o sou, então não estou a usar bem o poder que tenho — nem sequer para meu próprio benefício!


José Luís Nunes Martins

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Ser amor


Que saibamos sempre ser abraço. Que chega de mansinho e que abriga tudo. Como refúgio que envolve em noites de tempestade.

Que saibamos sempre ser presença. Que fica e que diz “estou aqui”, sem precisar de dizer. Como mão que acompanha e colo que ampara.

Que saibamos sempre olhar mais longe. Olhar que olha fundo na alma, que escuta o silêncio do coração. Como luz que atravessa a escuridão.

Que saibamos sempre ser palavra de ternura. Que conforta e que traz esperança no momento certo. Como abraço que vem para cuidar.

Que saibamos sempre ser amor. Na delicadeza dos pequenos gestos, na bondade do nosso coração. Como sopro que passa só para abraçar.

Talvez melhoremos o dia de alguém. Talvez toquemos a vida de alguém. Talvez façamos sorrir o coração de alguém.

E talvez isso cure. Talvez salve. Talvez seja tudo.

Para alguém.

E, quase sem percebermos, para nós também.



Daniela Barreira

terça-feira, 28 de abril de 2026

Conhecidos pelo nome

 


Hoje, Jesus apresenta-Se como o Bom Pastor.
Não um dono. Não um chefe.
Mas Aquele que conhece.
Que chama pelo nome.
Que dá a vida. E fica. Mesmo quando todos se vão.
Num mundo que nos deixa cansados, dispersos, sozinhos...
Ele conhece o que escondemos:
o medo, a ferida, o cansaço por trás do sorriso.
E mesmo assim — chama-nos.
Não com gritos.
Mas com um sussurro.
Deus não impõe. Espera. E fala ao coração.
Para escutar essa voz, é preciso parar.
E isso assusta. Porque essa voz pede mais.
Pede verdade.
Pede entrega.
Pede caminho.
A fé não é costume.
É encontro.
É deixar-se conduzir por um Amor que nunca desiste.
Ele continua a chamar.
E o mundo tem fome.
Fome de sentido. Fome de paz. Fome de um Amor que não passa.
Talvez a vocação comece aqui:
no silêncio onde descobrimos que viver…
é dar a vida.

Padre João Torres

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Homilia do Papa Leão na missa de ordenação de dez sacerdotes

 


“Hoje, mais do que nunca, especialmente onde os números parecem indicar um distanciamento entre as pessoas e a Igreja, mantenham a porta aberta! Deixem entrar e estejam sempre prontos para sair. Este é outro segredo para a sua vida: vocês são um canal, não um filtro.
Muitos acreditam já saber o que há além daquele limiar. Trazem consigo memórias, talvez de um passado distante; com frequência, há algo vivo que não se extinguiu e que atrai; por vezes, porém, há qualquer outra coisa, que ainda sangra e afasta. O Senhor sabe e espera. Sejam reflexo da sua paciência e da sua ternura. Vocês são de todos e para todos! Que este seja o traço fundamental da sua missão: manter livre essa soleira e indicá-la, sem necessidade de muitas palavras.”

Vatican News

                     







domingo, 26 de abril de 2026

A Semana do Papa Leão XIV. 23 de abril de 2026

 

https://www.youtube.com/watch?v=F-Vp4oktiLM

O BOM PASTOR

 

https://www.youtube.com/watch?v=UQ66Q2MdxfU&list=PL7Zt-5fD4oJj3JMhvkLAxHxO47r0rTeet&index=3

O 4º Domingo da Páscoa é considerado o “Domingo do Bom Pastor”, pois todos os anos a liturgia propõe, neste domingo, um trecho do capítulo 10 do Evangelho segundo João, no qual Jesus é apresentado como “Bom Pastor”. A imagem evoca proximidade, cuidado, ternura, confiança, segurança, paz, vida em abundância… É bom podermos entregar a nossa vida nas mãos de um tal “Pastor”.

No Evangelho Jesus recorre a duas imagens para descrever a missão que o Pai lhe confiou: Ele é o “Pastor Bom” e “a porta” que dá acesso às ovelhas. Como “Pastor Bom”, Ele cuida das ovelhas de Deus com dedicação e amor, liberta-as do domínio da escravidão e leva-as ao encontro das pastagens verdejantes onde há vida em plenitude. Como “porta”, Ele tem uma dupla função: impede que os “ladrões e salteadores” tenham acesso às “ovelhas” e torna-se a referência para as “ovelhas” que entram e que saem. A vida daqueles que fazem parte do “rebanho” de Deus constrói-se e entende-se a partir de Jesus.
No “rebanho” de Jesus, não se entra por convite especial, nem há um número restrito de vagas. A proposta de salvação que Jesus faz destina-se a todos os homens e mulheres, sem exceção. O que é decisivo para fazer parte do rebanho de Deus é “escutar a voz” de Jesus, aceitar as suas indicações, tornar-se seu discípulo… Isso significa, concretamente, ir atrás de Jesus, aderir ao projeto de salvação que Ele veio propor, viver ao seu estilo, percorrer o mesmo caminho que Ele percorreu, numa entrega total aos projetos de Deus e numa doação total aos irmãos. Atrevemo-nos a seguir o nosso “Pastor” (Jesus) no caminho exigente do dom da vida, ou estamos convencidos que esse caminho é apenas um caminho de derrota e de fracasso, que não leva aonde nós pretendemos ir?

A primeira leitura define o percurso que Jesus, “o Bom Pastor”, desafia as suas “ovelhas” a fazer: é preciso abandonar o egoísmo e a escravidão (converter-se), aderir a Jesus e segui-l’O (ser batizado), acolher a vida nova de Deus e deixar-se recriar, vivificar e transformar por ela (receber o Espírito Santo).
Aos interessados em acolher a salvação de Deus, Pedro propõe um caminho de conversão. Converter-se é abandonar os velhos caminhos de egoísmo, de prepotência, de orgulho, de autossuficiência que nos levam para longe de Deus e voltar para trás, para que possamos escutar novamente Deus, aceitar outra vez os seus desafios, viver de acordo com as suas indicações, numa entrega obediente nas mãos de Deus; é abraçar a proposta de vida nova que Jesus nos veio oferecer, seguir atrás de Jesus, viver ao seu estilo, abraçar o seu Evangelho, comprometer-se com o Reino de Deus. Estamos disponíveis para encarar a nossa vida sob o signo da conversão? O que é que, na nossa vida, mais necessita de ser transformado, em termos de ideias, valores, comportamentos? O que temos de corrigir para viver de forma coerente com o nosso batismo e com a nossa opção por Jesus?

Na segunda leitura um “mestre” cristão do final do séc. I convida os batizados a olharem para o exemplo de Cristo: “insultado, não pagava com injúrias; maltratado, não respondia com ameaças; mas entregava-se àquele que julga com justiça”. Jesus, o “Pastor Bom”, aponta-nos o caminho que leva à vida. Se seguirmos as suas orientações, não seremos “ovelhas desgarradas”.
O autor da primeira Carta de Pedro refere-se a Jesus como “o Pastor” que reúne as suas ovelhas, as guarda e as conduz para as pastagens eternas onde há vida em abundância. Seguir esse “Pastor” é tornar-se seu discípulo e ir atrás d’Ele pelos caminhos que Ele indica, imitar os seus gestos, fazer o bem a todos, perdoar sem condições, testemunhar a todos a misericórdia de Deus, responder à injustiça e à violência com o amor. Cristo é, de facto, o nosso “Pastor”, a nossa referência fundamental, o modelo de vida que temos sempre diante dos olhos, aquele que seguimos sem hesitar? Como Cristo, estamos disponíveis para dar testemunho no mundo – mesmo que “contra a corrente” – da ternura, da misericórdia e da bondade de Deus?

https://www.dehonianos.org/

sábado, 25 de abril de 2026

Guiné Equatorial: Papa visita prisão e defende justiça focada na reabilitação



Leão XIV sublinha necessidade de «reconstruir a vida quer das vítimas, quer dos culpados, quer das comunidades feridas»
Foto: Vatican Media

Bata, Guiné Equatorial, 22 abr 2026 (Ecclesia) – O Papa defendeu hoje que o sistema de justiça deve investir na dignidade e nas potencialidades da pessoa, falando durante uma visita à Prisão de Bata, na Guiné Equatorial.

“A verdadeira justiça procura não tanto punir, mas sobretudo ajudar a reconstruir a vida quer das vítimas, quer dos culpados, quer das comunidades feridas pelo mal”, afirmou Leão XIV, perante a comunidade prisional.

“Não há justiça sem reconciliação”, acrescentou, durante um encontro que decorreu no pátio interior da prisão.

O Papa pediu que as instituições prisionais ofereçam oportunidades concretas de reintegração, desejando que se faça todo o possível para garantir acesso ao estudo e ao trabalho digno durante o cumprimento das penas.

“A vida não é determinada apenas pelos erros cometidos, que geralmente são resultado de circunstâncias duras e complexas: existe sempre a oportunidade de se reerguer, de aprender e de se tornar uma pessoa nova”, sublinhou.

O Papa realçou que “ninguém é excluído do amor de Deus”.

A visita à prisão, num país governado há 47 anos pelo presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, ganha maior simbolismo perante denuncias de organizações internacionais que documentam um histórico de abusos e métodos de tortura no sistema penal do país africano.

“Deus nunca vos abandonará e a Igreja estará ao vosso lado”, disse Leão XIV, a centenas de reclusos presentes no encontro.

“A administração da justiça tem por objetivo proteger a sociedade, mas, para ser eficaz, deve sempre investir na dignidade e nas potencialidades de cada pessoa”, acrescentou.

Antes do seu discurso, Leão XIV referiu-se à forte chuva que se fez sentir e disse que é uma “bênção de Deus”.

A intervenção do Papa foi precedida pelo testemunho do capelão prisional e de um recluso, que reconheceu os erros cometidos.

“Embora as nossas mãos tenham feito coisas más no passado, o nosso coração ainda sonha em fazer o bem”, referiu o recluso, agradecendo ao Papa por os procurar num lugar onde muitos pensavam que ninguém iria.

O administrador da prisão também discursou, reforçando o compromisso da instituição em aliar a segurança a processos de “reabilitação”.

A visita ficou ainda marcada pela oferta de uma cruz de madeira, feita pelos próprios reclusos, ao pontífice.

À chegada à prisão, o Papa tinha sido recebido pelo ministro da Justiça do país, Reginaldo Biyogo Mba Ndong Anguesomo.
Foto: Vatican Media


No trajeto desde o aeroporto, Leão XIV fez uma breve paragem na Catedral de São Tiago e de Nossa Senhora do Pilar, para um momento de oração.

A passagem pela cidade costeira de Bata prossegue com uma homenagem junto ao monumento comemorativo das vítimas das explosões de 7 de março de 2021.

A tragédia no quartel militar de Nkoantoma causou 107 mortos e mais de 600 feridos devido à detonação negligente de explosivos.

A primeira viagem apostólica de Leão XIV a África, que se iniciou a 13 de abril e incluiu passagens pela Argélia, Camarões e Angola, termina esta quinta-feira com uma Missa no Estádio de Malabo, antes do voo de regresso a Roma.

OC