segunda-feira, 8 de junho de 2026

Jesus olha-te com misericórdia

 


“Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores!”
Jesus Cristo


Jesus chama. Diz o teu e o meu nome.

Não hesita! Não avalia curriculum vitae. Não solicita grandes teses.

Não quer saber o que já fizeste, nem o que deixaste de fazer.

Durante toda a tua vida,

os momentos de desassossego, ânsias e turbulências virão ao teu encontro.

Se conhecesses o Senhor Teu Deus,

saberias que qualquer sacrifício será recompensado,

pela forma como amaste o teu irmão e a tua irmã.

Nada há temer, porque Deus é Misericórdia Divina.

O Cristo olha para ti, despe-te com um único olhar…

Tu ficas rendido e um pouco confuso… e a resposta só pode ser: “SSIIIMMM!”

Após o teu: “Sim!”, pleno e forte, lembra-te de tomar a medicação diária:


    Chamaste-me Senhor a seguir-Te.
    O caminho da fé implica dizer à humanidade que Tu és a verdade e a vida…
    MAS não tenho a coragem de Mateus e abandono a minha fé!

    Chamaste-me Cristo a seguir-Te.
    O jardim da esperança tem rosas perfumadas que me dão o alento,
    mas quando toco nos espinhos das minhas dúvidas e anseios, estremeço…
    perco a força de Abraão e não parto para Te anunciar…

    Chamaste-me Senhor a partilhar o Teu Pão e a ser sacrário vivo, a ser amor             verdadeiro!
    Mas, afasto-me da Eucaristia e não aceito conhecer-Te mais e mais a cada             dia…

Reza-lhe baixinho e em segredo.

Pede-Lhe perdão e no dia seguinte volta a dar o mesmo “SIM!”

Bem sabes que Jesus todos os dias chama o teu nome…

Não desiste! Tu és Dele e Ele quer-Te.

Segue-O



Liliana Dinis,

domingo, 7 de junho de 2026

Segue me


https://www.youtube.com/watch?v=X1WsLLiamm0

A Palavra de Deus deste 10º Domingo do Tempo Comum repete, com alguma insistência, que Deus prefere a misericórdia ao sacrifício. A expressão deve ser entendida no sentido de que, para Deus, o essencial não são os actos externos de culto ou as declarações de boas intenções, mas sim uma atitude de adesão verdadeira e coerente ao seu chamamento, à sua proposta de salvação. É esse o tema da liturgia deste dia.

Na primeira leitura, o profeta Oseias põe em causa a sinceridade de uma comunidade que procura controlar e manipular Deus, mas não está verdadeiramente interessada em aderir, com um coração sincero e verdadeiro, à aliança. Os actos externos de culto – ainda que faustosos e magnificentes – não significam nada, se não houver amor (quer o amor a Deus, quer o amor ao próximo – que é a outra face do amor a Deus).
O culto a Deus, sem o amor ao irmão, não faz sentido. O nosso compromisso com Deus tem de se concretizar em obras em favor dos homens e em gestos libertadores, que levem ternura, misericórdia, à vida de todos aqueles que Deus coloca no nosso caminho.

Na segunda leitura, Paulo apresenta aos cristãos (quer aos que vêm do judaísmo e estão preocupados com o estrito cumprimento da Lei de Moisés, quer aos que vêm do paganismo) a única coisa essencial: a fé. A figura de Abraão é exemplar: aquilo que o tornou um modelo para todos não foram as obras que fez, mas a sua adesão total, incondicional e plena a Deus e aos seus projectos.
Como é que eu respondo ao dom de Deus? Com o orgulho e a auto-suficiência de quem não precisa de Deus para ser feliz e para se realizar? Com a “esperteza saloia” de quem pretende negociar com Deus para obter a salvação? Ou com o reconhecimento de que a salvação é um dom não merecido que, apesar de tudo, Deus me oferece e me convida a acolher?

O Evangelho apresenta-nos uma catequese sobre a resposta que devemos dar ao Deus que chama todos os homens, sem excepção. O exemplo de Mateus sugere que o decisivo, do ponto de vista de Deus, é a resposta pronta ao seu convite para integrar a comunidade do “Reino”.
A Palavra de Deus que aqui nos é proposta sugere também que na comunidade do “Reino” não há cristãos de primeira e cristãos de segunda (conforme cumprem ou não as leis e as regras). O que há é pessoas a quem Deus chama e que respondem ou não ao seu convite. De qualquer forma, não pode haver, na comunidade cristã, qualquer tipo de discriminação ou de marginalização…

https://www.dehonianos.org/

sábado, 6 de junho de 2026

QUO VADIS, HUMANITAS?

Sob o título ‘Quo Vadis, Humanitas?’ (Para onde vais, Humanidade?), a Comissão Teológica Internacional, já neste ano de 2026, diante dos desafios culturais que questionam a especificidade da natureza humana, publicou uma interessante reflexão sobre a antropologia cristã. Ao longo do texto, faz referência aos “aspetos mais inquietantes que não podemos deixar de reconhecer no transumanismo e no pós-humanismo”.
Leão XIV, na Carta Encíclica ‘Magnifica Humanitas’, também agrupa algumas correntes do pensamento atual sob os nomes de transumanismo e pós-humanismo. É certo que não são realidades novas e muitos vão queimando as pestanas a aprofundar tais assuntos. Para a maior parte das pessoas, porém, esses termos não lhe são muito familiares, bem como o que eles significam e ensinam. Se já Aldous Huxley, em 1932, no seu “Admirável Mundo Novo” de ficção científica, apontava para a desumanização dos seres humanos, escravizados pela ditadura proveniente das suas próprias invenções e vontade, foi o seu irmão, o eugenista Julian Huxley, quem, em 1951, usou o termo transumanismo. A fundação e organização deste movimento deu-se na década de 1990. E lá foi e vai fazendo a sua história.
O pós-humanismo começou a ganhar força nas décadas de 70-80, mas já nas décadas de 40 a 60, as reflexões sobre a fusão entre o homem e a máquina começaram a desafiar a ideia clássica do que entendemos por humano, porfiando a desconstrução dessa ideia tradicional. Em 1985, a feminista Donna Haraway, publica o “Manifesto Ciborgue” e utiliza a figura do ciborgue – uma mistura de homem e máquina – para ir destruindo as barreiras entre o natural e o artificial. Pelos anos 90, esta corrente, o pós-humanismo, constituiu-se em movimento organizado e cultural, contestando a centralidade do ser humano. Ambas, como correntes filosóficas, culturais, sociais e até políticas, questionam os limites da espécie humana. Embora aqui e ali se cruzem, elas seguem caminhos diferentes. O transumanismo pretende melhorar as capacidades físicas, intelectuais e psicológicas do ser humano através da ciência e da tecnologia, superando as limitações biológicas, como as doenças, o envelhecimento e a própria morte. Para isso, serve-se da biotecnologia, da robótica, da IA, da engenharia e melhoramento genético, da nanotecnologia e dos implantes cibernéticos, unindo partes artificiais com o corpo humano, fazendo com que, paulatinamente, controlando e acelerando as tendências evolutivas, sejam superadas as fundacionais caraterísticas humanas. Se o transumanismo quer descentralizar o humano, repensando a sua relação com o mundo e com as máquinas, o pós-humanismo rejeita que o ser humano seja o centro do universo e a medida de todas as coisas. Procura desconstruir a visão tradicional sobre o humano e repensar a forma como interagimos com animais, plantas e tecnologias. Afirma que as fronteiras entre o que é humano, máquina e natureza já são uma miscelânea retrógrada, ultrapassada. Rejeita a ideia de que existe uma "natureza humana" fixa ou essencial. Procura desconstruir as categorias tradicionais, como homem/mulher, natureza/cultura, humano/animal. Vê o próprio conceito de género como uma construção social flexível que pode ser questionada e reconfigurada. Defensores, pois, da ideologia de género, defendem que a identidade sexual é um produto cultural, social, psicológico. E não falta também quem proponha a extinção humana voluntária, não por meios violentos, mas de forma voluntária, renunciando a ter filhos. Assim se eliminariam os problemas da espécie humana. Ela própria, como praga ou vírus, seria extinta, deixaria de existir, o planeta deixaria de ter os problemas que os humanos lhe causam, os ciclos naturais voltariam a funcionar... O ‘homo sapiens’, após a fase do transumanismo, será superado pelo pós-humano, dizem. Não haverá mais necessidade do ser humano, é coisa mais que antiquada. Os poderosos lóbis industriais e científicos muito ajudarão a conseguir tal objetivo. Surgirá uma era radicalmente nova, o pós-humano.
E nós cá estaremos para ver, nem que seja do lado de lá, nos ‘novos céus e na nova terra’! (Ap 21,1). Se Otzi, o homem do gelo de há 5.300 anos, imaginasse que isto iria acontecer, se não tivesse morrido assassinado e congelado lá pelos Alpes, teria morrido de desgosto só em saber que haveria de morrer antes de ver acontecer este admirável mundo novo!
Leão XIV afirma que transumanismo e pós-humanismo “constituem o pano de fundo ideológico que está presente nalguns centros do poder tecnológico e coloniza o imaginário coletivo de forma simplificada, especialmente nos meios de comunicação e nas redes sociais, acendendo o entusiasmo pelas novas tecnologias com uma visão futurista do “homem aperfeiçoado” ou do “homem hibridado” com a máquina”. Diz que o “transumanismo e o pós-humanismo incluem em si uma pluralidade de correntes e sensibilidades, sendo difícil dar deles uma descrição unívoca. Podem ser comparados a um arquipélago de ilhas conceituais diferentes, mas ligadas pelo mesmo mar de pressupostos: a centralidade da tecnologia e o sonho de ultrapassar os limites da condição humana. O transumanismo, em linhas gerais, imagina um aperfeiçoamento do ser humano através das tecnologias (biomedicina, engenharia corporal, dispositivos, algoritmos), aspirando a aumentar o seu desempenho e capacidades. O pós-humanismo, sobretudo nas suas versões radicais, vai além: critica o antropocentrismo e propõe uma forma de hibridação entre o ser humano, a máquina e o ambiente, chegando a imaginar uma transição em que a humanidade se superará a si própria, entrando num novo estádio de evolução. Mesmo se estas hipóteses permanecem em grande parte especulativas, elas adquirem relevância, porque modificam o imaginário coletivo e consequentemente, orientam as escolhas sociais, económicas e políticas. O ponto crítico, à luz da Doutrina Social da Igreja, não é o uso da tecnologia em si, mas a visão que lhe está subjacente: se o ser humano for tratado como matéria a aperfeiçoar ou a ultrapassar, é então mais fácil aceitar que alguns sejam considerados menos úteis, desejáveis e dignos. Em nome do progresso, pode chegar-se a imaginar “sacrifícios necessários” e a fazer com que os mais frágeis paguem o preço de uma suposta otimização da espécie. A já mencionada advertência de São Paulo VI mantém-se, portanto, de grande clarividência: as conquistas científicas e técnicas, desvinculadas do progresso moral e social, acabam realmente por se voltar contra o homem. Por isso, é necessário distinguir com clareza: uma coisa é integrar as tecnologias numa visão humana e relacional, outra é deixar-se guiar por um imaginário que desvaloriza os limites e promete uma “salvação” puramente técnica” (MH15-18).

D. Antonino Dias
Caminha, 05-06-2026.



Magnifica Humanitas: uma BD sobre a pessoa humana na era da IA

 


Pastoral da Comunicação 

“Magnifica Humanitas: Babel ou Jerusalém?” é uma banda desenhada inspirada na reflexão do Papa Leão XIV sobre a pessoa humana na era da inteligência artificial. Através das figuras do Papa e de Carlo Acutis, a narrativa convida jovens e adultos a pensar sobre o uso da tecnologia, a verdade, a liberdade, o trabalho, a paz e o bem comum.

Num mundo cada vez mais marcado pelos algoritmos e pelas máquinas inteligentes, esta BD propõe uma pergunta simples, mas decisiva: queremos construir uma nova Babel, feita de poder e isolamento, ou uma Jerusalém, feita de dignidade, comunhão e esperança?
Uma proposta visual e acessível para refletir, em família, na escola ou em comunidade, sobre como colocar a tecnologia ao serviço da pessoa humana.


sexta-feira, 5 de junho de 2026

O Teu Corpo e o Teu Sangue

 


O Teu Corpo e o Teu Sangue
Enche-me de luz terna e suave!

Ajudam-me a escrever-me
No que sou e no que faço!
Sou letras de Páscoa
Tinta de gestos, serviço, encontro...
Regam-me, de Ti!
E onde não há mais saída
onde não há mais solução
Tu abres sempre uma porta
Cheia de horizontes e esperança
Olhar-Te é beber beleza
Encher-me da Tua brisa
e ter a certeza que sem Ti nada posso fazer!
Sem Ti ando nu como roupa ao vento
sem pouso, nem ira nem beira.
Sou tantas vezes
um comedor de palavras e pão
e bebedor do teu vinho.
Comerciante da Tua memória!
Como gostaria de ser um Contigo
Ter o Teu Corpo e o Teu sangue
Deixá-lo correr nas veias
Fazê-lo transbordar no coração
Tê-lo nos lábios
Colocá-lo nas mãos
Lavar com ele as mágoas
Curar com ele as feridas
Partilhá-lo no hospital e na prisão
O Teu corpo e o Teu sangue
faz-me ser estrela no Teu céu
Ser luz que faz sorrir
Ter de asas e dançar
Ser ponte
onde todos podem caminhar
O Teu corpo, o Teu sangue,
faz queimar em mim
o que me impede de caminhar
de te Ter e levar
a todos e a qualquer lugar
O Teu corpo, o Teu sangue,
São mais que piedade e devoção
Mais que aproveito próprio
Mais do que rezar pela morte de alguém
Ou qualquer outra intenção
É Comida compartilhada
bondade, fraternidade
Toalha, água e alguidar
para fazer de todos irmãos
aqui e em qualquer lugar....


Padre João Torres

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Festa da Fé

 


A Igreja de Arronches acolheu, hoje, as celebrações do Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus, com a Eucaristia, seguida de procissão.

A Eucaristia teve lugar na igreja matiz às 10h30, onde os catequizandos do 3º ano de Catequese da Paróquia de Arronches, receberam Jesus pela primeira vez , ao fazer a 1ª. Comunhão.
Esta Celebração é muito especial pois testemunharmos um passo muito importante na caminhada da vida cristã destas crianças do grupo dos “Discípulos de Jesus”. Pela primeira vez, estas crianças, foram convidadas a receber Jesus de forma especial, na sua Primeira Comunhão. Façamos com que este seja o primeiro de muitos momentos de alegria e de comunhão, vivenciados por estes meninos e meninas. E que nos faça lembrar da importância de estarmos em comunhão com Deus e de sermos exemplo de vida movida pela Fé.
A tradicional procissão solene pelas ruas da vila, “um testemunho público de fé e adoração ao Santíssimo Sacramento”, voltou a ter a “presença de todas as crianças da paróquia que receberam o sacramento da Primeira Comunhão”.
Esta participação simbólica liga a vivência do pós-comunhão à grande comunidade diocesana, permitindo que os mais novos testemunhem e partilhem a alegria da Eucaristia num dos momentos públicos mais marcantes do calendário pastoral.
No final da procissão que foi acompanhada pela banda da Sociedade Musical Euterpe, Portalegre, o padre Rui Lourenço, manifestou a sua satisfação pela forma como a mesma decorreu e agradeceu a todos aqueles que participaram nas cerimónias religiosas .










Fotos de Emílio Moitas

Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

 

https://www.youtube.com/watch?v=YJC8yURnhVo


À solenidade do Pentecostes, que encerra o tempo pascal, segue-se o domingo da Santíssima Trindade. Este permite reconduzir todos os acontecimentos da história da salvação à sua fonte: o Deus uni-trino, do qual tudo provém e ao qual tudo regressa. Na quinta-feira seguinte, celebra-se a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, mais conhecida entre nós por “Corpo de Deus” (o que nem está mal, visto o nosso Deus ser um Deus encarnado, feito um de nós – e a solenidade do Corpo de Deus alerta-nos para esta imanência daquele Absolutamente Transcendente celebrado no domingo anterior). O Corpo de Deus, porém, implica uma outra dimensão: a proximidade. Deus não só encarnou num tempo determinado, em Jesus Cristo, mas quis ficar sempre connosco na sua carne. E ficou, no sacramento da Eucaristia, proclamado pela Igreja “presença real” do Corpo, Sangue, Alma e Divindade do Senhor Jesus Cristo entre nós, pão dos caminhantes que somos em busca de uma outra morada, pois nesta sabemos não ter assento permanente.

“Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar é a minha carne para a salvação do mundo”. A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: “Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne”? Então, Jesus lhes disse: “Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue terá a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue uma verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim, como o Pai que me enviou, vive e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu, não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem comer deste pão viverá eternamente” (Jo 6,51-58).

Oração:

“Senhor Jesus, ao indicar-me, que devo seguir o homem com a jarra de água, fazei-me entender que devo seguir os passos de quem faz, realmente, a experiência do Batismo: ajudai-me a imitar os que vivem uma nobre medida de vida.

Senhor Jesus, ao convidar-me ao que é superior, vós me pedis para deixar de lado um estilo de vida chato: ajudai-me a seguir os desejos, que inspirais em meu coração.

Senhor Jesus, ao dar-me o pão e vinho, vosso Corpo e Sangue, me ensinais que a vida é um dom: ajudai-me, ao alimentar-me por vós, a fazer da minha vida uma oferta agradável ao Pai.

Senhor Jesus, ao reunir vossos discípulos ao redor da mesa, me ensinais que não há Eucaristia sem fraternidade e nem fraternidade sem serviço: ajudai-me a fazer da minha vida uma vida eucarística”.

(Padre André Vena)

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Lágrimas de tristeza, provas de amor



Como seria o dia se não houvesse noite? Quem desfrutaria do sol se nunca chovesse? Quem valorizaria a saúde se não houvesse doença?

A essência e a grandeza do amor revelam-se na forma como lidamos com a perda. Sofre-se porque se ama. Amamos, de forma mais ou menos consciente, sabendo que, num só instante, tudo muda e o amor tem de crescer e transformar-se. O amor não morre nem se perde, mas aqueles que amamos podem afastar-se de nós e terão de morrer.

Quando? A incerteza é certa. Mas também é certo que quem ama e quer continuar a amar deve evitar desperdiçar o tempo, como se fosse eterno neste mundo. As riquezas que se perdem podem sempre ser recuperadas, mas o tempo não.

Que a tristeza do fim de uma etapa nasça menos do arrependimento pelo que ficou por fazer e mais da esperança de um novo tempo.

O que seria da vida se não houvesse morte? O que seria o amor se não tivesse de ser posto à prova?

Quantos de nós valorizamos aquilo que temos e somos hoje, sabendo que tudo pode perder-se… ainda hoje? A nossa existência é frágil. Estamos apenas de passagem neste mundo. Procuremos amar na certeza de que o amor, tal como nós, não pertence a este mundo.

Quem acumula coisas e quer ter sempre mais está a prender-se a este mundo, do qual um dia — talvez hoje — terá de partir.

Amemos e choremos as perdas, até mesmo antes de acontecerem. Amar implica esse sofrimento. Que esse sofrimento nos mantenha atentos à missão de amar e de nos abrirmos ao amor de que precisamos.

Uma lágrima é sempre uma prova de amor — e talvez também uma fonte de esperança para quem não desiste de amar.


José Luís Nunes Martins


terça-feira, 2 de junho de 2026

INFORMAÇÃO PAROQUIAL

 


SOLENIDADE DE CORPO DE DEUS

    Festa da Catequese em Arronches

    Arronches-  4 de Junho
                     -10h30-Missa
                     -11h30 - PROCISSÃO
       

As crianças não são o futuro. São o agora.

 


Hoje celebra-se o Dia Mundial da Criança.
Mas talvez o mais importante não seja celebrar.
Seja acordar.
Porque há crianças a sorrir nas fotografias… e a sofrer em silêncio na vida real.
Enquanto algumas crescem rodeadas de carinho, outras aprendem demasiado cedo o peso da dor, da guerra, da fome, da violência e da indiferença.
A fotografia daquele menino sem braços devia inquietar-nos profundamente.
Não pela ausência dos braços.
Mas pela ausência de humanidade num mundo que continua a fabricar guerras, ódio e destruição… enquanto fala de progresso.
Que mundo é este que investe mais em armas do que em infância?
Que humanidade é esta que se emociona nas redes sociais… mas se habitua rapidamente ao sofrimento dos inocentes?
Há crianças que perderam os pais.
Outras perderam a casa.
Outras perderam a escola, o pão, a segurança.
E há as mais esquecidas de todas:
as que perderam o direito de serem simplesmente crianças.
E talvez a tragédia maior seja esta:
estamos lentamente a normalizar a dor.
Dizemos que as crianças são “o futuro”.
Mas não é verdade.
As crianças são o presente.
Precisam de amor agora.
De proteção agora.
De escuta agora.
De dignidade agora.
Não quando a guerra acabar.
Não quando houver melhores políticas.
Não quando “houver tempo”.
Agora.
Uma criança não precisa de um mundo perfeito.
Precisa de adultos capazes de amar, proteger e cuidar.
E talvez Deus passe exactamente aí.
No modo como olhamos os mais frágeis.
Na forma como tratamos quem depende de nós.
Na capacidade de ainda nos comovermos.
Porque uma sociedade que deixa morrer a infância… começa também a morrer por dentro.
Hoje não basta publicar frases bonitas.
É preciso recuperar humanidade.
Ensinar ternura.
Criar presença.
Salvar a inocência do cinismo deste tempo.
E nunca esquecer:
uma criança que cresce sem amor aprende demasiado cedo a sobreviver…
quando só devia aprender a viver.

Padre João Torres

Santíssima Trindade



“É o amor, correndo o mundo todo, em busca do calor
A noite espera pela hora do nosso esplendor
A luz acesa preparada para os dias de afeição
A mesa posta, a alma aberta
A chamar a multidão, a família em união

Juntos, somos mais fortes
Seremos o céu que abraça o mundo
Juntos, seremos a voz que acende o amor, o amor”

Amor electro [2018]

Quando o poema de uma música pop rock só nos fala sobre Deus…
Daquele que é o Deus Trino!
O nosso Deus!
O nosso Criador, o nosso Salvador, o nosso Intercessor…
temos a certeza de que Deus não nos abandona,
está mais vivo do que nós…
e ainda semeia toda a Sua Esperança na humanidade pecadora.

Um Amor tão grande só pode ser Divino.

Não te apoquentes, nem te percas com questões sobre o que é ou não possível…
O que é ou não é explicável… O que é ou não razoável!

A resposta habita no teu coração, longe da tua mente…
onde a luz ofusca o que os teus olhos veem, porque és tu quem ilumina o mundo!
onde o que os teus ouvidos escutam, é promessa cumprida, carne que se fez Homem!
onde a tua boca silencia para acolher o Pão Vivo que te alimenta a Alma!

Para aqueles que duvidam que Deus é Pai, Filho, Espírito Santo e são apenas UM,
canto com toda a minha Alma: “Juntos, somos mais fortes!”

Vem! Adora a Santíssima Trindade e faz-te IGREJA.

Serás feliz! Encontrarás o Amor


tags: Liliana dinis

segunda-feira, 1 de junho de 2026

TRÊS JEITOS DE AMAR...…


 

A SANTÍSSIMA TRINDADE

é o mistério de pura relação de amor e de perfeita comunhão.
Não são três pessoas divinas do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
São três vias, três são pobres para falar deste mistério…
Porque as palavras, ainda que sejam para dizer o que nelas não cabe;
ainda ficamos sem elas.
❝ Deus é menos Deus como ainda não era conhecido! ❞
Manifesta-se em três jeitos de AMAR…
• Chamamos a estes “três jeitos de amar”, Pessoas,
porque Deus é PESSOAS, na medida em que é a Comunhão Perfeita
de TRÊS JEITOS DE SER em relação, de amar, de abertura ao outro,
de relação horizontal e radicalmente vertical.
❝ Deus é amar do Pai:
“Sou todo para ti! Dou-te todo o Meu Amor, dou-Me todo a Ti!” ❞
O amor corre do DOM TOTAL, GRAÇA,
do AMOR NOVO, PROJECTO, DESEJO
de amar que Jesus nos ensina a tratar por “Abba”, Papá.
É o amor que Se faz DOM total de Si próprio, Amor que gera o outro.
❝ Deus é amar do Filho:
“Sou todo por Ti! Acolho todo o Teu Amor, recebo-Me todo de Ti!” ❞
O amor corre do ACOLHIMENTO TOTAL,
da RECEPÇÃO, da ESCUTA, OBEDIÊNCIA, DOCILIDADE, ABERTURA:
o amor que Jesus nos revelou no Seu próprio SER-FAZER-DIZER.
❝ Deus é amar do Espírito Santo:
“Sou todo para todos! Acolho o Amor, acolho o Amor!” ❞
O amor corre do abraço que não pode ser dividido, desmanchado.
É a criatividade de RELAÇÃO, LAÇO DE ENCONTRO,
COMUNHÃO DE ALIANÇA, laços de sangue FAMILIAR:
o amor que inspira e anima a relação entre o Pai
e o Filho, como ternura Maternal de Deus.
É o Espírito que nos vai ajudando a entender todas estas coisas…
Porque o mundo precisa de me amar para ser AMOR…
e quem quiser ser AMOR, não pode deixar de me amar!!!

Padre João Torres

Peregrinação Diocesana a Fátima

 


A Diocese de Portalegre-Castelo Branco efetuou a sua peregrinação diocesana a Fátima este domingo, 31 de maio. Lembre-se que esta peregrinação acontece anualmente no último domingo de maio, sendo que este ano se realizou pela 41.ª vez.
Presidida pelo bispo D. Pedro Fernandes, a mesma reuniu para cima de duas mil pessoas oriundas desta Diocese. Pelas 10H00 teve lugar a recitação do terço na Capelinha das Aparições daquele santuário mariano. Às 11H00 realizou-se a missa no altar do recinto presidida por D. Pedro Fernandes.
Na parte da tarde houve tempo para a realização da assembleia diocesana.

Jornal Reconquista














domingo, 31 de maio de 2026

Solenidade da Santíssima Trindade

 

https://www.youtube.com/watch?v=dZV9SHvizKM&list=PL7Zt-5fD4oJhVVxawhFCohF3X97J026TG

A Solenidade que hoje celebramos não é um convite a decifrar o mistério que se esconde por detrás de "um Deus em três pessoas"; mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para os fazer comungar nesse mistério de amor.

Na primeira leitura, o Deus da comunhão e da aliança, apostado em estabelecer laços familiares com o homem, auto-apresenta-Se: Ele é clemente e compassivo, lento para a ira e rico de misericórdia.
Deus, da sua parte, faz tudo para viver em comunhão com o homem. No entanto, respeita, de forma absoluta, a liberdade do homem. Eu sou livre de aceitar, ou não, a proposta de "aliança" que Deus me faz. Como é que eu respondo ao Deus da "aliança"? Eu aceito esta vontade que Ele manifesta de viver em relação de comunhão comigo? O que é que eu faço para responder a este desafio?

Na segunda leitura, Paulo expressa - através da fórmula litúrgica "a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco" - a realidade de um Deus que é comunhão, que é família e que pretende atrair os homens para essa dinâmica de amor.
A celebração da Solenidade da Trindade não pode ser a tentativa de compreender e decifrar essa estranha charada de "um em três". Mas deve ser, sobretudo, a contemplação de um Deus que é amor e que é, portanto, comunidade. Dizer que há três pessoas em Deus, como há três pessoas numa família - pai, mãe e filho - é afirmar três deuses e é negar a fé; inversamente, dizer que o Pai, o Filho e o Espírito são três formas diferentes de apresentar o mesmo Deus, como três fotografias do mesmo rosto, é negar a distinção das três pessoas e é, também, negar a fé. A natureza divina de um Deus amor, de um Deus família, de um Deus comunidade, expressa-se na nossa linguagem imperfeita das três pessoas. O Deus família torna-se trindade de pessoas distintas, porém unidas. Chegados aqui, temos de parar, porque a nossa linguagem finita e humana não consegue "dizer" o indizível, não consegue definir o mistério de Deus.

No Evangelho, João convida-nos a contemplar um Deus cujo amor pelos homens é tão grande, a ponto de enviar ao mundo o seu Filho único; e Jesus, o Filho, cumprindo o plano do Pai, fez da sua vida um dom total, até à morte na cruz, a fim de oferecer aos homens a vida definitiva. Nesta fantástica história de amor (que vai até ao dom da vida do Filho único e amado), plasma-se a grandeza do coração de Deus.
O amor de Deus traduz-se na oferta ao homem de vida plena e definitiva. É uma oferta gratuita, incondicional, absoluta, válida para sempre; mas Deus respeita absolutamente a nossa liberdade e aceita que recusemos a sua oferta de vida. No entanto, rejeitar a oferta de Deus e preferir o egoísmo, o orgulho, a auto-suficiência, é um caminho de infelicidade, que gera sofrimento, morte, "inferno". Quais são as manifestações desta recusa da vida plena que eu observo, na vida das pessoas, nos acontecimentos do mundo, e até na vida da Igreja?
Nós, crentes, devíamos ser as testemunhas desse Deus que é amor; e as nossas comunidades cristãs ou religiosas deviam ser a expressão viva do amor trinitário. É isso que acontece? Que contributo posso eu dar para que a minha comunidade - cristã ou religiosa - seja sinal vivo do amor de Deus no meio dos homens?

https://www.dehonianos.org/

sábado, 30 de maio de 2026

OBRIGADO, SENHORA ENFERMEIRA, BEM HAJA!...


Há doenças na sociedade que precisam de grandes cuidados profiláticos, mesmo que não estejam debaixo da alçada da OMS, da DGS e do SNS. Se, infelizmente, alguns já não têm cura e outros haja gravemente afetados, bom seria que ninguém mais se viesse a contaminar. Os medicamentos estão à mão de semear, são gratuitos, indolores e tomam-se em casa. No entanto, porque são gratuitos, há quem os rejeite, como se estivessem fora de prazo ou fossem umas mezinhas sem sentido. Preferem sofrer, sob aparências de boa saúde e desafogo. No jornal Público do passado dia 24 de maio, Carmen Garcia, que também se identifica como Enfermeira, num artigo intitulado “Isto está a fugir-nos das mãos”, fala-nos de tal andaço, pois, “tanto faz não é resposta”. Quando os do meu mister e eu falamos disso, cai o Carmo e a Trindade, não sei se os Clérigos e os Jerónimos também. Por isso, com a devida vénia, vou levar a mais alguns leitores o trabalho desta senhora Jornalista e Enfermeira. Denuncia factos empiricamente verificáveis e, acredito eu, sem ver e ouvir os peritos, acredito eu que são cientificamente consensuais entre os pedagogistas como coisas a evitar. Faço-o com gratidão e em jeito de oferta vacinatória, mesmo que vá pelejar com muitos negacionistas e interessses. Escreve ela sob o título: “Isto está a fugir-nos das mãos”:
“Hoje o meu filho Pedro faz a sua Primeira Comunhão. É um dia especial para ele e fico muito feliz por vê-lo tão empenhado e tão contente por ser, como ele diz, “amigo de Jesus”. Além disso, acho que o facto de finalmente poder comungar está a fazê-lo sentir-se crescido – ouço-o falar para o irmão, apenas um ano mais novo, e dizer coisas como “na hora de comungar tu ainda vais ter de ficar no banco com os pequenos”. Então, sim, hoje é um dia importante e espero que a celebração da eucaristia lhe fique na memória - eu ainda me lembro da minha comunhão como se fosse hoje e a verdade é que já lá vão 31 anos. Mas é “só” isso. Notem as aspas na palavra só, por favor. Que fique claro que não estou, de todo, a desvalorizar a importância deste sacramento - estou simplesmente a tentar trazê-lo para o patamar da fé que é aquele de onde nunca devia ter saído. Os espanhóis têm como expressão óptima para aquilo que quero dizer com esta crônica: “Se nos ha ido de las manos”. Que é como quem diz que estamos absolutamente descontrolados. E no que toca a este tipo de celebração confesso-vos que não fazia ideia do nível de alucinação global instalado. É claro que o exagero em que se tornaram as festas de aniversário infantis me devia ter alertado, mas como insisto em ignorar os espaços com decorações caríssimas, as mesas com mais luxo do que comida, os bolos ao preço do ouro e as actividades pensadas ao pormenor, acabei por me distrair. Mas quando esta semana me perguntaram se já tinha vestido para a missa senti que os alarmes me disparavam no cérebro. “Como assim, vestido?” – perguntei. E a pessoa lá me explicou que até há marcas com colecções próprias para mães de meninos que fazem a Primeira Comunhão. E eu fui ver. E depois vi o resto. E fiquei assustada.
A sério, quando é que passámos da missa e de um almoço em família, muitas vezes em casa, para festas que parecem autênticos casamentos? Eu que fiquei toda contente porque o Pedro e os colegas vão todos vestidos com uma alva do colégio e, assim, não tenho de gastar mais dinheiro, afinal agora tenho de ir comprar roupa para mim?
Lamento, mas não vai acontecer. Prefiro arriscar as minhas chances de ser a mais malvestida na Igreja. Tenho a certeza que Jesus não se vai importar e que, para o meu filho, almoçar com os pais, os irmãos e os avós é mais do que o suficiente.
Mas, sim, dei-me ao trabalho, depois da conversa do vestido, de ir espreitar como são agora às primeiras comunhões. E descobrir que há quem faça créditos para pagar estas celebrações, com vestidos e fatos caríssimos e festas onde são servidos almoços de três pratos. Se acho mal? Por acaso acho um bocadinho, mas quem gosta e pode que se sinta livre. Agora não tentem é normalizar este exagero e fingir que sempre foi assim.
Falamos de um sacramento que aproxima as crianças de Jesus e que, de repente, se transformou em mais uma oportunidade de negócio para uns e de encher o Instagram de fotografias bonitas para outros. Ostentação, ostentação e mais ostentação. E gastar, muitas vezes, o dinheiro que não se tem porque isto, já se sabe, o que importa é parecer, fazer inveja às amigas e mostrar que o meu filho teve uma festa mais bonita do que o teu.
Atualmente tudo é uma produção. Uma simples festa de aniversário passou a precisar quase de um diretor artístico. E a Primeira Comunhão, que deve ser um sacramento associado a humildade e espiritualidade, foi transformado num verdadeiro espetáculo de ostentação.
Sei que muita gente vai ler esta crónica e pensar “mas o que é que ela tem que ver com o que os outros fazem com o seu dinheiro?”. E a resposta é que não tenho rigorosamente nada. Mas assusta-me a nossa necessidade de transformar tudo em excesso e as consequências que isso pode ter para os nossos filhos e para uma geração inteira. Será que não percebemos que, cada vez mais, estamos a dizer aos nossos filhos que o amor se mede em espetáculo e que a felicidade precisa de excesso? Estamos a criar uma geração que vai crescer e acreditar que tudo deve ser grandioso e fotografável e que o simples é insuficiente.
Os nossos filhos crescem sem conhecer o tédio e improviso. E a acharem que o mundo os deve celebrar como se fossem uma espécie de pequenos sóis à volta de quem todos devem engravidar. E depois de os enchermos com expectativas irreais ficamos muito preocupados quando percebemos que não sabem lidar com a frustração. Pela forma como os educamos ninguém diria que havia uma forte probabilidade de que isso acontecesse, pois não?
Transformamos o exagero no novo normal de tal forma que quem se recusa a entrar na onda e insiste no mais simples corre o risco de parecer desinteressado ou pouco dedicado aos filhos. Porque hoje o amor parece medir-se no valor dos vestidos, no tamanho dos insufláveis e nas lembranças personalizadas que se distribuem no final das festas.
Essas crianças vão crescer. E quando isso acontecer, a vida vai encarregar-se a lhes demonstrar que no lugar das mesas temáticas e dos fotógrafos profissionais o que existe são trabalhos repetitivos, relações imperfeitas e que a maioria dos momentos vividos é muito pouco Instagramável.
Estamos a criar a volta dos miúdos uma espécie de parque temático emocional permanente: tudo é feito para o entreter, estimular e ser memorável. E enquanto fazemos isto vamos-lhes roubando a capacidade de encontrarem prazer e serem felizes na normalidade. E isto, se pensarmos bem, diz muito sobre nós: inseguros, desesperados por validação e cada vez mais incapazes de aceitar a simplicidade da vida.
Aos poucos fomos deixando de fazer coisas que nos fazem felizes e passámos a fazer coisas que nos fazem ser vistos, admirados e invejados. Falamos de saúde mental e enchemos a boca a dizer que queremos proteger os nossos filhos, mas ao mesmo tempo colocamo-los no centro de uma lógica onde tudo tem de ser extraordinário: a festa simples é insuficiente; o presente modesto sabe a pouco e se não dá para fotografias bonitas é quase como se nem tivesse acontecido.
E atenção: eu percebo perfeitamente porque é que isto acontece. Também tenho momentos em que olho para as redes sociais e penso se não estarei a dar “pouco” aos meus filhos. O problema é que se for atrás da competição vou acabar transformada numa espécie de Sísifo e viver pela eternidade a tentar completar uma tarefa que nunca acaba. Porque nunca nada será suficiente.
Quero acreditar que ainda vamos a tempo de travar isto um bocadinho e de devolver alguma simplicidade à vida. Tenho esperança de que, mais dia menos dia, o nosso bom senso ganhe a corrida. Até lá, o Pedro faz a primeira comunhão e eu não levo um vestido.
Nesta tema escolho fazer parte da resistência”.
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D. Antonino Dias
Caminha, 29-05-2026.

Os quatro silêncios essenciais

 





O silêncio é muito mais do que a ausência de som. É essencial à criação de um espaço interior de escuta, verdade e encontro connosco mesmos, com os outros e com Deus.
Vale a pena refletir sobre quatro silêncios fundamentais da vida.

Em primeiro lugar, o silêncio das palavras excessivas. Falamos demais; falamos antes de olhar, antes de pensar, antes de saber. Muitas vezes, tornamos pequenas as maiores e mais belas obras, apenas porque nos julgamos mais do que somos. Nem sempre dizemos a verdade, e muitas vezes nem sequer há necessidade do que dizemos. Há, talvez, apenas uma ansiedade de preencher o vazio e de evitar o desconforto do olhar dos outros. Mas, para ir ao encontro de alguém, é preciso escutá-lo. E só o escutamos se nos calarmos.

Em segundo lugar, o silêncio dos pensamentos dispersos. O pensamento salta sem cessar de preocupação em preocupação, entre memórias, receios, desejos e distrações. Vivemos pouco, de tanto que nos passa pela cabeça a cada momento. Quem é capaz de parar está mais presente e inteiro, menos fragmentado e menos confuso. Quando aquilo que paira dentro de nós assenta, surge uma clareza que traz consigo paz e beleza.

Em terceiro lugar, o silêncio de Deus. Pedimos e esperamos respostas sem grande paciência. Julgamos que, se Deus é Deus e nos ama, então tem de nos responder de imediato. Custa-nos aceitar que Ele, de forma muito simples, possa confiar em nós, permanecendo presente na nossa vida, quaisquer que sejam as nossas escolhas. Sentimos a sua ausência porque não O escutamos. Ora, a presença basta, porque todas as grandes obras se fazem em silêncio. Amar é dar-se, sem qualquer necessidade de ruído ou exibição.

Por fim, o silêncio do egoísmo, do orgulho e da necessidade de colocar o próprio “eu” no centro de tudo. Há pessoas que não são capazes de se livrar da necessidade constante de afirmação, validação e reconhecimento. Desejam ser vistas e elogiadas a todo o momento. De tanto se admirarem e se defenderem — até mesmo de quem procura o seu bem — nunca saem de si mesmas. E, por isso, nunca chegam a conhecer a beleza imensa do mundo, nem a verdade e o amor que nos chegam através dos outros. O silêncio do egoísmo não significa negar a identidade, mas sim deixar de precisar de provar o nosso valor. É um caminho de humildade e liberdade interior, no qual a pessoa já não vive para ocupar o centro da vida dos outros, mas para encontrar alegria na verdade do dom de ser quem é.

A presença, quando é amor, basta.


José Luís Nunes Martins

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Pessoas luz

 


A todas as pessoas que carregam luz no peito e a distribuem gratuitamente - a minha profunda gratidão!

São elas que iluminam os caminhos deste mundo, tantas vezes mergulhado em escuridão.

São elas que trazem alento aos dias cinzentos e analgesiam dores, quem sabe dilacerantes.

São elas que ainda acreditam que amanhã pode ser melhor e que vale a pena persistir.

São elas um pedacinho do céu aqui na terra!

A todas as pessoas luz e em particular às que fazem parte da minha vida desejo que essa luz nunca se apague, que brilhe sempre mais e que a recebem para si também!



Lucília Miranda

quinta-feira, 28 de maio de 2026

INFORMAÇÃO PAROQUIAL


Peregrinação Diocesana ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima - 31 de maio de 2026


No último dia deste mês de maio, a nossa Diocese de Portalegre - Castelo Branco, ruma em peregrinação ao Santuário de Fátima. Um dia em que celebramos juntos a diversidade da Diocese, unida em oração aos pés da Nossa Mãe.
Somos todos convidados a ir, e, como movimento da Igreja Diocesana, desafiamos todos os Convivas a levar vestida a t-shirt do Movimento dos Convívios Fraternos da Diocese de Portalegre - Castelo Branco. Vamos pintar o Santuário com o nosso azul bonito e mostrar que o movimento está vivo!
Se não tens como ir fala com o teu pároco, de certeza que ainda há lugares no autocarro
Entregaremos as orações de todos junto da Mãe, e rezaremos também para que este movimento continue a levar os jovens até Deus, para Ele lhes transformar a vida
Até lá!

INFORMAÇÃO PAROQUIAL

Domingo,31 de Maio, a nossa Diocese de Portalegre - Castelo Branco, ruma em peregrinação ao Santuário de Fátima, por esse motivo NÃO HAVERÁ CELEBRAÇÕES EUCARÍSTICAS NAS PARÓQUIAS.
NO SÁBADO, 30, CELEBRA - SE MISSA VESPERTINA NA IGREJA DE NOSSA SENHORA DA LUZ PELAS 18H00, COM ORAÇÃO DO TERÇO PELAS 17H30.

SALVOS… DE QUÊ?

 



Encontrei o Guilherme e a Inês no fim da Missa de Páscoa.
A igreja estava a esvaziar-se devagar. Havia ainda cânticos soltos no ar, mas ecoavam já misturados com o barulho das conversas.
Eles vinham na minha direção.
Já não os via há muito tempo.
Tinham feito voluntariado no meu hospital, no tempo em que eu assumia funções no campo da Pastoral Juvenil.
Lembro-me deles nesse tempo:
jovens disponíveis,
próximos,
às vezes sem saber muito bem o que fazer,
mas com uma presença que fazia bem.
Havia sempre ali qualquer coisa de verdadeiro.

— “Foi a Inês que me trouxe…”
— disse o Guilherme, com um sorriso meio irónico.

Ela não desmentiu.

(Conheceram-se no hospital e acho que agora são namorados).

Acresce dizer que não são de Missa ao domingo.

Mas neste domingo vieram.

Fosse por tradição.

Fosse por insistência.

Fosse, talvez, por razões que não sabem bem explicar, mas que não os deixou ficar em casa.

Ficámos a conversar com a naturalidade de quem retoma uma história interrompida. Sem formalidades. Como se o tempo, afinal, não tivesse sido assim tanto.

Fomos até ao bar. Um café, alguns rostos conhecidos, memórias que voltavam sem esforço.
E, a certa altura, a Inês foi direta:

“Posso fazer uma pergunta?”

Assenti.

— “Os cristãos dizem que Jesus morreu para nos salvar… até o padre disse isso há pouco na Missa. Mas… salvar do quê? E como é que morrer salva alguém?”

O Guilherme ficou em silêncio, mas percebeu-se que a pergunta também era dele.

E naquele instante pensei em muita coisa ao mesmo tempo.

Na catequese que ambos tinham feito.

No Crisma que tinham recebido.

Na boa vontade de tantos catequistas.

E, ao mesmo tempo, na dificuldade real de dizer isto de forma que não fique só na cabeça, mas que toque a vida.

Olhei para eles.

Não achei que me estivessem a provocar. Achei, antes, que estavam a tentar perceber.

“Vou tentar dizer isto de forma simples… mas completa, ok?”

Assentiram.

“Primeiro: salvar de quê?”

Parei um pouco.

— “Salvar-nos daquilo que nos prende por dentro. Do medo que manda nas nossas escolhas. Da culpa que nos faz acreditar que já não valemos muito. Da forma como, com o tempo, nos vamos fechando… e deixamos de confiar, de amar, de viver com verdade.”

O Guilherme acenou:

— “Isso… acontece.”

— “Pois. E isso é sério. Porque podemos estar vivos por fora… mas meio desligados por dentro.”

A Julieta ouviu em silêncio.

— “Agora, segunda parte: salvar como?”

Respirei fundo. E depois continuei.

“Nós gostaríamos que Deus resolvesse isto de fora. Tipo: tirava o sofrimento, corrigia tudo, punha a vida no lugar...”

Olhei para eles.

— “Mas Jesus não faz isso. Ele faz o contrário: entra na nossa vida tal como ela é.”

“Mesmo no pior?” — perguntou a Julieta.

— “Mesmo no pior. Até ao sofrimento injusto. Até ao abandono. Até à morte.”

Silêncio.

“Na cruz, Jesus não está ali só a sofrer. Está a fazer uma coisa muito concreta: está a amar até ao fim.”

O Guilherme franziu a testa:

“Mas… isso resolve o quê?”

“Resolve mais do que parece.

Esforcei-me um pouco mais.

“Imagina isto: quando alguém nos falha, ou nos magoa… o mais normal é fecharmo-nos, ou respondermos na mesma moeda.”

Eles assentiram.

“Jesus faz o contrário. Mesmo a ser rejeitado, continua a amar. Não entra na lógica da violência, nem do ‘cada um por si’.

Pausa.

“E isso é novo. Porque quebra o ciclo.”

A Julieta perguntou:

“Que ciclo?”

— “O ciclo do mal que gera mais mal. Da dor que gera mais dor. Da desconfiança que se multiplica.”

Silêncio.

— “Na cruz, Jesus mostra que esse ciclo pode ser interrompido. Não com força… mas com amor que não recua e é levado até ao fim.”

O Guilherme ficou a pensar.

“Então… Ele não vence evitando a morte?

“Não. Ele vence atravessando-a.

Olhei para os dois.

— “A ressurreição não é um truque para apagar a cruz. É a prova de que a cruz, o sofrimento, o fracasso, a morte… não têm a última palavra.”


A Inês respirou fundo.

“Então salvar é… dar-nos uma saída?”

“Sim. Mas não uma saída fácil. Uma saída por dentro.”

Expliquei melhor:

— “Salvar é abrir um caminho dentro da própria vida real, com tudo o que ela tem, onde não ficamos presos ao medo, à culpa, ao passado, à dor.”

Pausa.

— “É cair… e não ficar no chão. É falhar… e não desistir. É sofrer… sem deixar de amar.”

O Guilherme olhou para mim:

— “Mas isso não é automático, pois não?”


“Não. Deus não faz isso à força.”

Olhei para ele com calma:

— “Ele abre o caminho. Mas não nos arrasta para ele. Nós temos de o querer percorrer.”

A Inês perguntou:

— “E como é que isso começa?”


“Começa em coisas simples. Muito simples. Pelo concreto. Sempre.”

Pausa.

“Quando escolhes não te fechar, mesmo depois de teres sido magoada.

Quando decides confiar um pouco mais, mesmo com medo.

Quando não deixas que o erro, teu ou dos outros, seja a última palavra.”

Silêncio.

“É aí que a salvação começa a acontecer"


O Guilherme ficou quieto.

“Então… não é só uma coisa para depois da morte?”

“Não. Começa agora. Aqui. Na forma como vives.”

Pausa.

“A vida eterna não é só uma vida que vem depois. É uma vida nova que começa já, quando deixas de estar preso ao que te fecha.”

Ficámos em silêncio uns segundos.

O Guilherme acrescentou:

— “É estranho… mas ao mesmo tempo parece… real.”

Sorri.

“Se não for real, não serve.”

O barulho à volta continuava, mas já não nos chegava da mesma maneira.

Antes de novas perguntas a Inês disse:

“Nunca tinha pensado na cruz assim…”

O Guilherme acrescentou:

“Nem eu. Sempre me pareceu… meio sem sentido.”

Olhei para eles.

Se a cruz fizer sempre sentido… talvez ainda não a tenhamos levado a sério.

Fiquei com a frase no ar.

O Guilherme mexia na chávena vazia, como quem precisa de fazer alguma coisa com as mãos enquanto pensa.

A Inês estava mais quieta. Não parecia convencida. Mas também não parecia distante.

“Mas há uma coisa…” — disse ela, devagar. — “Isso tudo que disseste… é bonito. Mas depois a vida real não é assim tão limpa.”

O que ela me dizia não era uma objeção teórica. Era uma espécie de teste.

“Pois não.” — respondi.

“E ainda bem que disseste isso, Inês. Porque se isto só funcionasse em teoria, não servia para nada.”

Pausa.

“A questão é outra: quando não fazemos isto… a vida fica melhor?”

O Guilherme levantou os olhos.

“Não.”

“Pois. Fica mais dura. Mais fechada. Mais cansada.”

Encostei-me ligeiramente para trás.

— “A proposta cristã não é: ‘faz isto e vais sentir-te sempre bem’.

É, antes: ‘se não fizeres isto, vais acabar fechado num sítio onde já ninguém entra. Nem tu’.”

Silêncio.

Aquilo bateu mais do que qualquer explicação anterior.

A Inês não respondeu logo. Mas deixou de estar na defensiva.

— “Então… a cruz não resolve tudo…”

“Não.”

“Mas impede que tudo se estrague por dentro.”

Ficaram os dois calados.

E, pela primeira vez desde que a conversa começou, não estavam à procura de mais explicações.

Estavam a medir aquilo na própria vida.

Ao longe, alguém chamou por eles. Um dos doentes reconheceu-os.

Eles levantaram-se.

O Guilherme estendeu-me a mão, mas depois mudou de ideias e deu-me um abraço rápido, meio desajeitado.

“Obrigado… isto ficou aqui a trabalhar.”

A Inês sorriu.

“Acho que vou precisar de pensar nisto mais tempo.”

“Ainda bem.” — disse eu. — “Se ficasse resolvido hoje… era mau sinal.”

Começaram a afastar-se para ir ao encontro dos doentes e depois seguirem para casa.

Em boa verdade, não iam com aquele entusiasmo típico de quem “percebeu tudo”.

Nem com aquele ar de quem ouviu uma coisa bonita e vai esquecer daqui a meia hora.

Iam mais lentos.

Mais atentos.

Como quem já não consegue fingir que não ouviu.

Fiquei a vê-los.

E pensei que, no fundo, é isto.

A salvação não começa quando tudo faz sentido.

Começa quando já não conseguimos continuar a viver da mesma maneira,

e ainda assim… não sabemos bem o que fazer com isso.


Fernando d'Oliveira



quarta-feira, 27 de maio de 2026

Que o Espírito do Ressuscitado nos salve do mal da guerra, vencida não por uma superpotência, mas pela omnipotência do amor» – Leão XIV

Papa presidiu à Missa da solenidade de Pentecostes, encerrando tempo litúrgico da Páscoa

                                                                            Foto: Lusa/EPA


Cidade do Vaticano, 24 mai 2026 (Ecclesia) – O Papa apelou hoje no Vaticano ao fim dos conflitos armados internacionais, invocando a força do Espírito Santo para travar a violência bélica através da unidade e da oração.

“Rezemos hoje para que o Espírito do Ressuscitado nos salve do mal da guerra, que é vencida não por uma superpotência, mas pela omnipotência do amor”, pediu Leão XIV, na homilia da Missa de Pentecostes a que presidiu na Basílica de São Pedro.

“Rezemos para que Ele liberte a humanidade da miséria, que é redimida não por uma riqueza incalculável, mas por um dom inesgotável. Rezemos para que nos cure da ferida do pecado, pela redenção anunciada a todos os povos em nome de Jesus”, acrescentou, perante milhares de participantes.

A intervenção papal advertiu para mudanças que “não renovam o mundo, mas que o envelhecem entre erros e violências”.

“O Senhor derrama o Espírito da paz de um extremo ao outro da história, porque aquele que redimiu todos da morte não exclui ninguém”, observou.

A reflexão assinalou que a “reconciliação universal” constitui a única via para estabelecer o “código da paz” entre a humanidade.

“Esta paz provém do perdão e leva-nos ao perdão: começa com o perdão dado pelo próprio Jesus, que foi por nós traído, condenado e crucificado”, indicou Leão XIV.











O Papa instou as comunidades e os responsáveis religiosos a rejeitarem atitudes divisionistas, pedindo unidade para a Igreja, face ao perigo “das fações, das hipocrisias, das modas que obscurecem a luz do Evangelho”.

“O Espírito, que falou por meio dos profetas, promove sempre a unidade na verdade, porque suscita em nós compreensão, concórdia e coerência de vida”, disse.

A homilia falou ainda do “Espírito da missão”, que impele os cristãos a ir ao encontro dos outros, “transformando a confusão do mundo em comunhão”.

“Esta fé vive e expressa-se em cada boa ação, em cada ato de misericórdia e de virtude”, precisou Leão XIV.

A solenidade litúrgica do Pentecostes assinala-se 50 dias depois da Páscoa e evoca a efusão do Espírito Santo sobre os primeiros apóstolos, momento que os católicos assumem como o nascimento público da Igreja.

Leão XIV recitou posteriormente a oração do ‘Regina Caeli’ ao meio-dia de Roma, desde a janela do apartamento pontifício, reforçando a sua mensagem em favor da paz.

“Precisamos de redescobrir Deus como Pai que nos ama, de edificar uma Igreja onde todos se sintam em casa e de fazer crescer um mundo fraterno, onde reine a paz entre todos os povos”, apelou o pontífice.

A reflexão destacou a importância da comunhão e da fraternidade, inspiradas pela fé cristã.

“O Espírito Santo abre as portas dos nossos corações, ajudando-nos a vencer as resistências, os egoísmos, as desconfianças e os preconceitos, e tornando-nos capazes de viver como filhos de Deus e irmãos uns com os outros”, explicou o Papa.

Leão XIV deixou uma mensagem especial às comunidades católicas, pedindo que a Igreja seja “acolhedora e hospitaleira em relação a todos, mesmo aqueles que fecharam as portas a Deus, aos outros, à esperança e à alegria de viver”.

“Irmãos e irmãs, também nos nossos dias, especialmente neste dia de Pentecostes, devemos invocar o Espírito Santo, para que Ele abra as portas que permanecem fechadas. Precisamos de redescobrir Deus como Pai que nos ama, de edificar uma Igreja onde todos se sintam em casa e de fazer crescer um mundo fraterno, onde reine a paz entre todos os povos”, concluiu.

OC

https://agencia.ecclesia.pt/

terça-feira, 26 de maio de 2026

A TRUCULÊNCIA DOS LÍDERES ANGUSTIA O POVO


Acho que isto, e muito mais, deve estar nos livros! Se, porém, não estiver, paciência! Entendo que, num líder, tudo lhe sai tão normalmente que o povo confia nele. Regra geral, um líder surge de dentro para fora, não imerge de fora para dentro. Não se estica para ser reconhecido como tal, não se impõe, não é devoto do ‘são nunca à tarde’, não atira para as calendas gregas o que deve ser feito agora e já, desculpando-se com a Eva, com a cobra ou com terceiros. Um líder manifesta-se, no seu dia-a-dia, pelo seu modo de ser, de estar, de se relacionar, pelo que pensa, pelo que diz, pelo que faz, pelo que gera de esperança. É por isso que é seguido. Mas um líder, se é verdadeiramente líder, não é um sabe tudo, um nunca se engana, um infalível que não quer ouvir ninguém, um não volta atrás, um teimoso no erro, um ‘picareta falante’ que pensa que tem razão só porque grita mais alto, um surdo à opinião dos outros, um cego que não quer ver a realidade e reconhecer a verdade. O êxito de qualquer líder está no objetivo que o move: se tem consciência da sua missão junto de quem lidera e trabalha pelo bem comum ou se está apenas apostado em salvar a sua pele e os interesses pessoais ou do seu grupo.
Até nisso a Sagrada Escritura nos rasga autoestradas seguras para chegarmos à meta da conversão, sem estorvos de tal espécie. Toda a gente sabe que o cargo não torna ninguém infalível, nem sábio, nem impecável, nem solitário na liderança, nem autossuficiente. O líder que é líder deve cultivar, cada vez mais, isso sim, aquelas virtudes que nele não se podem dispensar, como, por exemplo, a competência, a honestidade, a honradez, a humildade, a proximidade, a capacidade de dialogar, de ouvir e escutar, de se corrigir quando erra, de querer aprender com aqueles que lidera, de ter confiança neles, de manter a esperança de que será com eles que chegará a bom porto...
Já lá para trás, por exemplo, muito antes que anteontem, o rei Roboão, filho de Salomão, ouviu o que, seu irmão Jeroboão e toda a assembleia de Israel, lhe disseram: “O teu pai impôs-nos um fardo pesado. Se nos aliviares da dura escravidão e do fardo pesado que ele nos impôs, nós servir-te-emos”.
Roboão, que já devia estar com ela fisgada, disse que ia pensar e mandou-os regressar dali a três dias. Entretanto, representando grande preocupação, foi pedir conselho aos anciãos que tinham servido seu pai, o rei Salomão, e perguntou-lhes: “O que é que me aconselhais a responder a este povo?”. Eles disseram-lhe: “Se hoje te colocares ao serviço deste povo, se o servires e lhe responderes com boas palavras, então eles colocar-se-ão para sempre ao teu serviço”.
Roboão, porém, desprezou o conselho do povo e dos anciãos experimentados. Preferiu seguir os que tinham crescido com ele e o serviam, à boa prática do clientelismo político, do ‘cronyism’, do amiguismo e compadrio. Foi aconselhar-se com os seus “jobs for the boys”. E perguntou-lhes: “O que é que me aconselhais a responder a este povo que me disse: “Aliviai-nos do jugo que o teu pai nos impôs”? Os jovens que tinham crescido com ele e o serviam, disseram-lhe: “A esse povo que disse: “Teu pai tornou pesado o nosso fardo; alivia este fardo que pesa sobre nós”, responderás: “O meu dedo mínimo é mais grosso do que a cintura de meu pai. O meu pai colocou sobre vós um fardo pesado. Pois bem! Eu aumentarei sobre vós esse fardo. Meu pai castigou-vos com chicotes, eu castigar-vos-ei com ferrões”. (1Re 1-19)
Passados os três dias, Roboão respondeu isto mesmo ao povo que voltou ao seu encontro, como ficara combinado. Sem ponderar e bem discernir, desprezando o conselho do povo e dos anciãos cheios de experiência política e popular, o jovem rei, rico de si, quis esquecer que a sua função de autoridade justa era servir o povo e ouvir o seu clamor. Assim, até que as coisas se alinhassem, e nunca como se desejaria, abriu-se a guerra, começaram as turras entre o seu irmão e o povo sempre sofredor.
Passados cerca de três mil anos, mais minuto menos segundo, nada se aprendeu, embora nos tivessem dito qual é o Caminho, a Verdade e a Vida. E todos nós sabemos que as armas de hoje são muito mais mortíferas que as fisgas, as fundas e o mais que à mão de semear estivesse naquele tempo.
Em 17 de outubro de 2015, nos 50 anos da instituição do Sínodo dos Bispos, o Papa Francisco falava da "pirâmide invertida" para defender e sublinhar que a verdadeira autoridade é o serviço e não o poder. Na Evangelii Gaudium falou da autoridade como poliedro, o qual une e integra a diversidade, reflete a confluência de todas as partes, evitando lógicas autoritárias ou piramidais (cf. EG236). Na Carta Encíclica Fratelli Tutti, voltou ao tema, para afirmar que o poliedro, tanto na comunidade eclesial como na civil, representa uma sociedade onde as diferenças convivem, integram-se, enriquecem-se e iluminam-se reciprocamente, havendo aspetos da realidade que uns topam mas não se descobrem nos centros de poder onde se tomam decisões determinantes (cf. FT215).
Na Igreja, a sinodalidade está a fazer caminho e tem muito caminho para trilhar. Quando as dinâmicas políticas, em vez de empecilharem uns com os outros, descobrirem este filão, oh oh, ups, o mundo vai ter muita mais beleza, o povo muito mais proveito e alegria! Haja esperança!

D. Antonino Dias
Caminha, 23-05-2026