segunda-feira, 7 de setembro de 2026

GANHAR O IRMÃO!

 


GANHAR O IRMÃO!

Vejo em mim e ao meu redor muita paz, beleza, amor e paixão. Mas também muita raiva e violência, vitimização e desânimo. Vejo pessoas agressivas, descontentes, mexeriqueiras, sempre prontas para acusar, julgar, denegrir, justificar-se.
E é normal que assim seja. É instintivo. Viemos da lama. E pensamos que, afinal, não existem outras formas de ser, de viver, de se relacionar.
Jesus, como sempre, faz novas todas as coisas. Começa por nos dizer: “Se o teu irmão te ofender vai ter com ele”.
Habitualmente, as coisas não funcionam assim. Se alguém te OFENDE, tu ficas à ESPERA de que essa pessoa que te OFENDEU, que se chateou contigo, que VENHA TER CONTIGO e te peça desculpa pelo gesto, pelo ato que fez.
Repara que Jesus troca realmente os papéis e diz uma outra coisa que é: “Tu, que foste o ofendido, vai ter com aquele que te ofendeu”.
Vai com delicadeza, prudência, humildade, de um pecador a outro pecador. Tu a tu. Olhos nos olhos. Coração a coração. Não nos apeguemos ao nosso orgulho ferido.
Tenhamos a coragem de conversar, esclarecer, perguntar... encontrar um ponto de encontro. Sem ataques, sem julgamentos...
“Se te escutar, terás ganho o teu irmão” (Mt 18,15).
O importante é ganhar o irmão e não provar-lhe que eu é que tenho razão.
Se ele não te escutar... não desistas!
Convida outros para te ajudar... fala com a tua comunidade.
Se mesmo assim não ganhaste o irmão resta a ESPERANÇA: “nunca dês por perdido o teu irmão”.
Por isso, este é, talvez, o passo mais difícil, o mais radical: não abandonar ninguém à sua sorte, não desistir de ninguém, mas amar ainda mais essa pessoa, rezar por ela, e procurá-la sem desistir, até a encontrar, movidos sempre por aquele amor que tudo espera (1 Cor 13,7).

Padre João Torres
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domingo, 6 de setembro de 2026

Ser Sentinela

 

https://www.youtube.com/watch?v=CNyHtBaorVE&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=150

A liturgia deste domingo sugere-nos uma reflexão sobre a nossa responsabilidade face aos irmãos que nos rodeiam. Afirma, claramente, que ninguém pode ficar indiferente diante daquilo que ameaça a vida e a felicidade de um irmão e que todos somos responsáveis uns pelos outros.

A primeira leitura fala-nos do profeta como uma "sentinela", que Deus colocou a vigiar a cidade dos homens. Atento aos projectos de Deus e à realidade do mundo, o profeta apercebe-se daquilo que está a subverter os planos de Deus e a impedir a felicidade dos homens. Como sentinela responsável alerta, então, a comunidade para os perigos que a ameaçam.
Na verdade, Ele continua a chamar, todos os dias, profetas/sentinelas que alertem o mundo e os homens. Pelo Baptismo, todos nós fomos constituídos profetas. Recebemos do nosso Deus a missão de dizer aos nossos irmãos que certos valores que o mundo cultiva e endeusa são responsáveis por muitos dos dramas que afligem os homens. Temos consciência de que recebemos de Deus uma missão profética e que essa missão nos compromete com a denúncia do que está errado no mundo e na vida dos homens?

O Evangelho deixa clara a nossa responsabilidade em ajudar cada irmão a tomar consciência dos seus erros. Trata-se de um dever que resulta do mandamento do amor. Jesus ensina, no entanto, que o caminho correcto para atingir esse objectivo não passa pela humilhação ou pela condenação de quem falhou, mas pelo diálogo fraterno, leal, amigo, que revela ao irmão que a nossa intervenção resulta do amor.
A palavra "tolerância" é uma palavra profundamente cristã, que sugere o respeito pelo outro, pelas suas diferenças, até pelos seus erros e falhas. No entanto, o que significa "tolerância"? Significa que cada um pode fazer o mal ou o bem que quiser, sem que tal nos diga minimamente respeito? Implica recusarmo-nos a intervir quando alguém toma atitudes que atentam contra a vida, a liberdade, a dignidade, os direitos dos outros? Quer dizer que devemos ficar indiferentes quando alguém assume comportamentos de risco, porque ele "é maior e vacinado" e nós não temos nada com isso? Quais são as fronteiras da "tolerância"? Diante de alguém que se obstina no erro, que destrói a sua vida e a dos outros, devemos ficar de braços cruzados? Até que ponto vai a nossa responsabilidade para com os irmãos que nos rodeiam? A "tolerância" não será, tantas vezes, uma desculpa que serve para disfarçar a indiferença, a demissão das responsabilidades, o comodismo?

Na segunda leitura, Paulo convida os cristãos de Roma (e de todos os lugares e tempos) a colocar no centro da existência cristã o mandamento do amor. Trata-se de uma "dívida" que temos para com todos os nossos irmãos, e que nunca estará completamente saldada.
As nossas comunidades cristãs, a exemplo da primitiva comunidade cristã de Jerusalém, deviam ser comunidades fraternas onde se notam as marcas do amor. Os que estão de fora deviam olhar para nós e dizer: "eles são diferentes, são uma mais valia para o mundo, porque amam mais do que os outros". É isso que acontece? Quem contempla as nossas comunidades, descobre as marcas do amor, ou as marcas da insensibilidade, do egoísmo, do confronto, do ciúme, da inveja? Os estrangeiros, os doentes, os necessitados, os débeis, os marginalizados são acolhidos nas nossas comunidades com solicitude e amor?

https://www.dehonianos.org/

sábado, 5 de setembro de 2026

Papa apela à confiança em Deus em momentos de incerteza pessoal

«Nem sempre é fácil compreender e aceitar os caminhos de Deus, especialmente quando estão muito distantes dos nossos» – Leão XIV



Castel Gandolfo, Itália, 30 ago 2026 (Ecclesia) – O Papa apelou hoje à aceitação humilde dos “caminhos de Deus”, mesmo quando contrariam as expetativas humanas, alertando para a tentação de julgar a ação divina nos momentos de incerteza.

“Também para nós nem sempre é fácil compreender e aceitar os caminhos de Deus, especialmente quando estão muito distantes dos nossos”, reconheceu Leão XIV, durante a recitação dominical do ângelus na Praça da Liberdade em Castel Gandolfo.

“Nessa altura, surge a tentação de pensar, contra toda a lógica da fé, que é o Senhor quem está errado, ou pior ainda, que não nos ouve ou que não se interessa por nós”, acrescentou, perante centenas de pessoas reunidas junto à residência pontifícia, nos arredores de Roma.

O Papa sustentou que a superação destas crises espirituais obriga o crente a “nunca interromper, nem mesmo nestes momentos, o diálogo com o Senhor”, sempre com total “confiança”.

Leão XIV realçou ainda a importância de “nunca julgar a ação de Deus, mas sim ouvir, com humildade, na oração, o que Ele está a revelar”.

A reflexão baseou-se no episódio evangélico em que Jesus anuncia a sua morte, uma perspetiva que provocou a indignação do apóstolo Pedro por estar “muito longe das expectativas” de “um Messias triunfante e poderoso”.

O encontro dominical culminou com um pedido para que a comunidade católica cultive a “docilidade” necessária para aceitar aquilo que Cristo pede.

“Que também nós, na nossa vida de fé e na nossa oração, tenhamos a mesma sinceridade de Pedro, ao dizer humildemente o que realmente sentimos, mesmo quando o coração está confuso”, recomendou.

Após a oração, Leão XIV saudou os vários grupos presentes no encontro, agradecendo às forças da Ordem e a todos os que contribuíram para a sua estadia em Castel Gandolfo, neste período do verão.

“Envio a minha cordial saudação aos fiéis que seguem o ângelus a partir da Praça de São Pedro. E a todos desejo um bom domingo”, concluiu, antes de se deslocar ao encontro da multidão, num pequeno veículo elétrico, passando entre os peregrinos durante vários minutos.



OC

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Oração de quem quase desespera



Senhor Jesus, neste dia em que a minha existência me parece mais vazia e insignificante, peço-Te:

Que eu aprenda a esperar, com a paciência de quem sabe que entre a sementeira e a colheita há sempre muitos dias e noites.

Que eu saiba fazer o que devo e não o que quero, porque só assim me torno mais digno daquilo que sonho merecer.

Que eu aprenda a viver sem compreender os porquês e os para quês de tudo o que se passa na minha vida, confiando que tudo pode e deve concorrer para o maior de todos os bens.

Que eu continue a dar paz e alegria a quem mais delas precisa, mesmo quando não as tenho nem as sinto dentro de mim.

Que eu tenha bem presente que os meus desejos e fomes nascem da tentativa de esquecer as minhas necessidades mais profundas: amor, pertença e sentido. E tudo isto porque me empenho até ao limite em procurar saciar outras fomes mais superficiais: prazer, poder e dinheiro.

Que eu não desespere, mesmo contra todas as evidências. Que o meu coração se fixe na rocha da fé e que assim, apesar de vacilar, eu não me deixe arrastar pelos ventos e pelas marés do mundo.

Que todos aprendamos que ninguém é nada sozinho, pois as fraquezas humanas nos forçam a depender uns dos outros, e isso é, apesar de tudo, muito bom.

Que eu seja feliz, mesmo por entre todas as tristezas de cada um dos meus dias.

Que eu saiba, no mais profundo da minha alma, que Deus me ama como sou, mas me sonha ainda melhor!

 José Luís Nunes Martins

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

«Tempo da Criação»: Papa apela à conversão ecológica

 Leão XIV preside a Missa em Castel Gandolfo, no Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação


Cidade do Vaticano, 01 set 2026 (Ecclesia) – O Papa apelou hoje à conversão do coração humano para que os recursos e instrumentos utilizados em cenários de destruição sejam orientados para a preservação da vida, numa mensagem partilhada na rede social X.

“O cuidado da nossa casa comum exige uma conversão do coração, para que aquilo que tem sido utilizado para causar destruição possa, em vez disso, ser orientado para a vida. Convido todos a unirem-se em oração e ação, para que possamos tornar-nos canais de água viva da paz de Deus, revigorando o nosso mundo ferido”, exortou Leão XIV na manhã em que se assinala o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação.

A proteção da casa comum requer uma alteração de paradigma capaz de travar a presente lógica bélica, reiterou o pontífice ao refletir sobre o tema ‘Água Viva’, escolhido para este ano.

A jornada culmina com a celebração da Missa para a Custódia da Criação, presidida pelo Papa junto à estátua da Virgem no Borgo Laudato Si’, nos Jardins Pontifícios de Castel Gandolfo, a partir das 18h30 (menos uma em Lisboa).

A liturgia recorre a um formulário específico concebido pelo esforço conjunto de quatro dicastérios do Vaticano, o qual foi utilizado de forma inédita por Leão XIV em julho de 2025.

O ‘Tempo da Criação’, que une cristãos de várias confissões em iniciativas de oração e ação climática, prolonga-se até ao dia 4 de outubro, data da festa de São Francisco de Assis.

Na abertura deste ciclo, o patriarca de Constantinopla (Igreja Ortodoxa), Bartolomeu I, apelou a uma revolução na ideia de progresso para travar o “geocídio” ambiental provocado pelo consumismo.



OC

Vem conhecer a minha terra, MCC

 


quarta-feira, 2 de setembro de 2026

HÁ GENTE TÃO POBRE TÃO POBRE TÃO POBRE QUE SÓ TEM DINHEIRO!


Onde é que eu já li ou ouvi este espirro de sabedoria?!... Pensando bem, e pensar dá uma trabalheira dos diabos..., pensando bem, acho que não li nem ouvi. Acho que não inventei nem sonhei. Acho que é fácil de o fisgar por entre aquilo a que chamam notícias e todos os dias nos martirizam a falar de uns tais senhores que a humanidade - e a criação em geral, aliás -, bem dispensavam, se não como pessoas, pelo menos como chefes, chefes saltitantes lá pelos galhos do poder, à procura, não de bananas, mas do vil metal, a sua grande paixão. E a paixão cega, já dizia a mariquinhas!... Se não vivem de aparências para inglês ver e povaréu enganar, como é possível que esses povos, sempre falados como paladinos no progresso civilizacional, no exercício da democracia, na clarividência política e social e no gosto de viverem em liberdade, como é que esses povos tapam os olhos, cerram os ouvidos, engrunham a língua e ofendem o senso comum, acabando, orgulhosamente, por escolher tais líderes?! Eu sei que não é tão difícil penetrar nesse mistério como difícil é penetrar no da Santíssima Trindade, mas que isso é um grande mistério humano lá isso é, é mesmo difícil de decifrar!
Conhecem a fábula de Esopo sobre as rãs que pediram insistentemente um rei? Perguntem à meta! E têm presente o que aconteceu ao povo judeu quando implorou a Samuel que também lhe desse um rei, já que ele estava velho? (1Sam 8, 1-22). Será bom recordar, pois a escolha de um governante deve ser esclarecida e livre. E neste processo de esclarecer ou confundir, não estão isentos de algum mérito ou demérito quem noticia coisas e loisas a esmo, só para mostrar serviço e entreter, um pouco assim como quem deita palha ao gado para que fique sossegado e a remoer. De facto, “Vivemos numa sociedade da informação que nos satura indiscriminadamente de dados, todos postos ao mesmo nível, e acaba por nos conduzir a uma tremenda superficialidade no momento de enquadrar as questões morais” (EG64). Não se pensa criticamente, não se oferece um caminho de amadurecimento nos valores, está-se nas tintas para com a dignidade da pessoa e o bem comum, promovem-se as aparências de bem e os populismos que, camaleonicamente, querem levar a água ao seu moinho como se tudo fosse igual a tudo. “Assim como o bem tende a difundir-se, assim também o mal consentido, que é a injustiça, tende a expandir a sua força nociva e a minar, silenciosamente, as bases de qualquer sistema político e social, por mais sólido que pareça” (EG59). E tão culpado é quem entra no jogo como quem fica na bancada a aplaudir e incentivar. Neste ‘tic tic dare dare’, o dinheiro, a ambição, a ganância e a ilusão do poder pelo poder cantam de galo tão assumidamente que nem o milagroso galo de Barcelos, ao saltar do prato, foi capaz de o fazer com tanta mestria e garbo! E assim, lá se vai a honestidade, a ética e a centralidade no bem comum, precisamente aquilo que faz da política essa arte nobre de bem servir o homem e a criação, vocacional e belamente.
De facto, Jesus esclareceu que “Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro” (Mt 6, 24). E São Paulo não se esqueceu de advertir que “a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro” (1 Tm 6, 10). E exorta a comunidade a abandonar os vícios, referindo-se à ganância como "uma idolatria" e um pecado social (Col 13,5). São Lucas exorta: "Guardai-vos de toda a ganância, porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui" (Lc 12,15). E a Carta aos Hebreus exorta à simplicidade e à confiança na providência divina: "Seja a vossa vida isenta de ganância, contentando-vos com o que tendes" (Heb 13,5). Não se trata de deitar a riqueza ao mar ou de a condenar como pérfida e hostil à vida, trata-se, isso sim, é de saber como é adquirida e como é usada. O dinheiro pode invadir o campo da consciência individual e impor aí a sua lei, a lei do enriquecimento a qualquer preço, nem que seja através de formas de criminalidade organizada ou esmagando, anestesiando ou matando quem a produz. Pior ainda, quando, porventura, há autoridades que apenas se movem nesse campo, não assumem a defesa intransigente do bem comum e só olham para o seu umbigo, goste quem gostar ou doa a quem doer. O ladrão não pede riquezas, só quer que lhe digam onde é que elas estão!
De facto, mal vai quando a relação com o dinheiro é semelhante à relação de um patrão tirano com quem o serve por necessidade. Francisco dizia que “a crise financeira que atravessamos faz-nos esquecer que, na sua origem, há uma crise antropológica profunda: a negação da primazia do ser humano. (...) A adoração do antigo bezerro de ouro (cf. Ex 32, 1-35) encontrou uma nova e cruel versão no fetichismo do dinheiro e na ditadura duma economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano” (EG55).
E ao comentar a parábola do rico avarento, Francisco afirmava que a ganância do rico o faz vaidoso e soberbo. Vive de aparências que são a máscara do seu vazio interior, é prisioneiro da exterioridade, da dimensão mais superficial e efémera da existência (cf. EG 62). Veste-se como se fosse um rei, simula a posição de um deus, esquece-se que é um simples mortal, assume que nada mais existe além do seu próprio eu. O dinheiro é o seu ídolo, um ídolo tirânico de quem se orgulha e a quem se escraviza. Em vez de instrumento ao seu dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro subjuga-o, a si e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço ao amor e dificulta a paz (cf. Audiência 18/05/2016; e Mensagem Quaresma 19/02/2017).
No Antigo Testamento, a ganância é criticada principalmente pelo seu impacto comunitário e pela ilusão de segurança que as riquezas trazem. No Livro do Eclesiastes, por exemplo, lemos que "Quem ama o dinheiro jamais se fartará de dinheiro; e quem ama a riqueza nunca ficará satisfeito com os seus lucros" (Ecl 5,9). A ganância torna as pessoas insaciáveis. O Livro de Amós insurge-se contra quem coloca o lucro acima da dignidade humana, sendo capaz de vender "o justo por dinheiro e o necessitado por um par de sandálias" (Amós 2,6-7). Isaías atira-se àqueles que “juntam casa a casa e acrescentam campo a campo, até não haver mais terreno e serem os únicos a habitar no meio do país” (Is 5, . Ou do mundo!... Neste Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, rezemos por estes pobres tão pobres tão pobres tão pobres que só têm dinheiro e poder e ainda querem mais, nem que seja destruindo as pessoas e o pobre planeta. Coitados, são uns pobres sem abrigo, que, pelo menos, bem mereciam a compaixão de uma cadeia!

D. Antonino Dias
Caminha, 01-09-2026

terça-feira, 1 de setembro de 2026

A cruz é outra coisa...

 


A cruz é outra coisa...

Chamamos facilmente de «cruz» tudo o que nos faz sofrer...
A Cruz não é o “sofrimento” que Deus manda nem o “azar” que nos acontece na Vida! Isso é linguagem pagã que muita gente usa por aí… aceitar a nossa cruz significa compreender que o SOFRIMENTO faz parte da vida de toda a gente e que a nossa cruz não se deve transformar na cruz de mais ninguém...
A cruz é outra coisa. Jesus chama os seus discípulos a segui-lo fielmente e a colocarem-se ao serviço de um mundo mais humano: o reino de Deus.
Isso é o primeiro e mais importante. A cruz nada mais é do que o sofrimento que
nos advirá como consequência deste seguimento; o doloroso destino que teremos
de partilhar com Cristo se realmente seguirmos os seus passos. É por isso que
não devemos confundir o «carregar a cruz» com posturas masoquistas, uma falsa
mortificação.
Se queremos esclarecer qual deve ser a atitude cristã, temos de entender bem em que consiste a cruz para o cristão, porque pode acontecer que a coloquemos onde Jesus nunca a colocou.
Jesus não ama a cruz e ficaria feliz em passar sem ela.
Ele não quer morrer.
O que Jesus quer é manifestar a verdadeira face de Deus e para isso está
disposto a assumir a insegurança, o conflito, a rejeição ou a perseguição!
Até morrer para não negar a verdadeira face de Deus...
Quem pensa só em si
mesmo, quem usa os outros,
quem muda de ideias,
quem julga sem se expor, nunca
entenderá a linguagem da cruz!

Porque a cruz é outra coisa...


Padre João Torres

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O QUE TE SEDUZ?


 




Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir;
Vós me dominastes e vencestes. […]
Jr 20, 7-9



Em nós, seres humanos, habita uma insaciável sede pela felicidade plena.

O mundo é um parque de diversões que nos alicia a cada amanhecer.

Somos invadidos por inúmeras seduções.

Procuramos o sorriso fácil.

O Diálogo que nos conforta.

Um Olhar misterioso que nos fascina.

Alguém que nos escute sem julgar nem confrontar.

Um coração que sossegue o nosso coração.

Uma Alma calma e tranquila.


Entregar a vida ao projeto que Deus traçou para cada um de nós.

É a utopia que devia pulsar no nosso coração.

Nesse sonho que Deus, Pai misericordioso,

amorosamente desenha para cada um de nós,

há uma presença que nos acompanha desde o dia do nosso Batismo: A CRUZ!


Muitos de nós olham para a Cruz e o sonho transforma-se, imediatamente, em pesadelo.

Temos medo… acobardamo-nos… viramos costas… fugimos…

Esquecemos que somos CRISTÃOS.

Somos d’O Cristo! Daquele que morreu para que tenhamos VIDA.


Porque haveríamos de ter medo da nossa Cruz,

quando o nosso corpo, de pé e de braços abertos, é a Cruz mais bela que envergamos?


É de pé que inalamos o ar mais puro.

É de pé que iniciamos o caminho.

É de pé que ficamos prontos para vencer qualquer obstáculo.

É de braços abertos que acolhemos quem amamos.

É de braços abertos que perdoamos quem nos ofende.

É de braços abertos que recebemos a missão de Ser Felizes ao jeito dO Messias.

Faz deste levar Jesus a todos e todos a Jesus o teu caminho de salvação.

Deixa-te seduzir pelas lágrimas.

Pelo Diálogo que te faz mudar o rumo.

Pelo Olhar que te desmonta.

Por alguém que te chama a ir mais além.

Pelo coração que desassossega o teu coração.


Pela Alma que te inquieta...

que te faz partir a anunciar que Cristo está vivo num pedacinho de Pão.


Segue-O…


Liliana Dinis

domingo, 30 de agosto de 2026

"SE ALGUÉM QUISER SEGUIR-ME, TOME A SUA CRUZ..."

 

https://www.youtube.com/watch?v=VwSXZ8tZ2w0&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=151

A liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum convida-nos a descobrir a "loucura da cruz": o acesso a essa vida verdadeira e plena que Deus nos quer oferecer passa pelo caminho do amor e do dom da vida (cruz).

Na primeira leitura, um profeta de Israel (Jeremias) descreve a sua experiência de "cruz". Seduzido por Jahwéh, Jeremias colocou toda a sua vida ao serviço de Deus e dos seus projectos. Nesse "caminho", ele teve que enfrentar os poderosos e pôr em causa a lógica do mundo; por isso, conheceu o sofrimento, a solidão, a perseguição... É essa a experiência de todos aqueles que acolhem a Palavra de Jahwéh no seu coração e vivem em coerência com os valores de Deus.
• No baptismo, fomos ungidos como "profetas", à imagem de Cristo. Estamos conscientes dessa vocação a que Deus, a todos, nos convocou? Temos a noção de que somos a "boca" através da qual a Palavra de Deus ressoa no mundo e se dirige aos homens?

A segunda leitura convida os cristãos a oferecerem toda a sua existência de cada dia a Deus. Paulo garante que é esse o sacrifício que Deus prefere. O que é que significa oferecer a Deus toda a existência? Significa, de acordo com Paulo, não nos conformarmos com a lógica do mundo, aprendermos a discernir os planos de Deus e a viver em consequência.
Como é que o crente deve responder aos dons de Deus? Com actos rituais solenes e formais, com orações ou gestos tradicionais repetidos de forma mecânica, com a oferta de uma "esmola" para os cofres da Igreja, com uma peregrinação a um santuário? Paulo responde: o culto que Deus quer é a nossa vida, vivida no amor, no serviço, na doação, na entrega a Deus e aos irmãos. Respondemos ao amor de Deus entregando-nos nas suas mãos, tentando perceber as suas propostas, vivendo na fidelidade aos seus projectos. Como é o culto que eu procuro prestar a Deus: é um somatório de gestos mecânicos, rituais e externos, ou é uma vida de entrega e de amor a Deus e aos homens meus irmãos?

No Evangelho, Jesus avisa os discípulos de que o caminho da vida verdadeira não passa pelos triunfos e êxitos humanos, mas passa pelo amor e pelo dom da vida (até à morte, se for necessário). Jesus vai percorrer esse caminho; e quem quiser ser seu discípulo tem de aceitar percorrer um caminho semelhante.
O que é "renunciar a si mesmo"? É não deixar que o egoísmo, o orgulho, o comodismo, a auto-suficiência dominem a vida. O seguidor de Jesus não vive fechado no seu cantinho, a olhar para si mesmo, indiferente aos dramas que se passam à sua volta, insensível às necessidades dos irmãos, alheado das lutas e reivindicações dos outros homens; mas vive para Deus e na solidariedade, na partilha e no serviço aos irmãos.
O que é "tomar a cruz"? É amar até às últimas consequências, até à morte. O seguidor de Jesus é aquele que está disposto a dar a vida para que os seus irmãos sejam mais livres e mais felizes. Por isso, o cristão não tem medo de lutar contra a injustiça, a exploração, a miséria, o pecado, mesmo que isso signifique enfrentar a morte, a tortura, as represálias dos poderosos.

https://www.dehonianos.org/

sábado, 29 de agosto de 2026

Homenagem ao Padre Fernando e Padre Rui



Querida comunidade paroquial, estimados Senhores Padres Fernando Farinha e Rui Lourenço,

Hoje, o nosso coração divide-se entre a profunda gratidão pelo caminho que percorremos juntos e a natural nostalgia da despedida. O tempo não se mede apenas em anos, mas sim na marca que deixamos na vida daqueles que nos rodeiam. E a vossa marca na nossa paróquia é indelével.

Ao Padre Fernando Farinha,

Ao longo de 17 anos de dedicação incansável, o Senhor Padre foi muito mais do que um pastor; foi um pilar, um conselheiro e uma presença constante em todos os momentos da nossa comunidade. Viu famílias crescerem, guiou gerações e, com a sua sabedoria e paciência, soube acolher cada paroquiano como um filho. Dezassete anos de serviço são o testemunho vivo de uma vocação entregue inteiramente a Deus e aos outros.

Ao Padre Rui Lourenço
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Ao longo destes últimos 5 anos, a sua energia, o seu espírito de missão e a sua dedicação renovaram a nossa comunidade. Com dinamismo e proximidade, soube caminhar connosco, partilhar os desafios do dia a dia e enriquecer a nossa vivência da fé. A sua passagem por esta paróquia, embora mais breve, deixa frutos profundos que continuaremos a cultivar.

Aos dois, a nossa paróquia diz hoje, em uníssono: Muito obrigado. Obrigado pelo vosso "Sim" diário, pela vossa entrega generosa, pelas palavras de conforto nas horas difíceis e pela alegria partilhada nas celebrações.

Ao Padre Fernando Farinha, no seu caminho para a reforma: Que este novo tempo seja de merecido descanso, de paz profunda e de saúde. Que possa olhar para trás com o coração cheio de orgulho pelo dever cumprido e que Deus o continue a abençoar nesta nova etapa da sua vida.

Ao Padre Rui Lourenço, na sua nova missão: Que a nova paróquia o acolha de braços abertos e com o mesmo carinho que aqui deixa. Desejamos-lhe as maiores bênçãos nesta nova caminhada pastoral, certos de que continuará a ser uma luz na vida dos seus novos paroquianos.

Não nos despedimos com um adeus, mas sim com um "até sempre". Esta paróquia será sempre a vossa casa e as nossas orações acompanhar-vos-ão onde quer que estejam.

Que Deus vos abençoe hoje e sempre!







A esperança de sermos compreendidos

 



Gostamos que gostem de nós. Na maior parte dos casos, esse desejo é sinal de que somos carentes, de que precisamos da atenção e do afeto dos outros para nos sentirmos completos e realizados.

Hoje, até chamamos amigos a pessoas com quem apenas temos contacto, mas sabemos, no fundo, que ser amigo de verdade é muito mais do que ter uma ligação no mundo virtual.

Por trás dessa confusão entre contacto e amizade está o desejo de não estarmos sós. É um desejo profundo, que corresponde a uma íntima e imensa necessidade de abraços que nos acolham, de quem nos aceite, compreenda e goste de nós como somos.

Claro que a responsabilidade também passa pela ilusão que criamos e alimentamos. Uma grande ilusão é o princípio da desilusão. Importa saber sonhar e moderar o desejo de que gostem de nós.

Depois, costumamos esconder as nossas facetas mais sombrias e complexas, enquanto sonhamos que os outros gostem, ou pelo menos aceitem, também aquilo que, por medo de sermos rejeitados, escondemos deles…

Connosco anda sempre uma esperança secreta de que possamos ser compreendidos pelos outros, mais ainda por aqueles que nos são próximos.

O maior problema desta atitude é que, na ânsia de procurar compreensão, não tentamos sequer compreender os outros: nem os próximos, que julgamos conhecer já muito bem, nem os estranhos, de quem muitas vezes a aparência nos basta para julgar que sabemos quem são.

Seria bom que aprendêssemos a olhar e a escutar o outro, sobretudo aquele que nos é próximo, com atenção e respeito, partindo sempre do princípio de que tudo quanto julgamos saber acerca dele não é, nem de perto, suficiente.


José Luís Nunes Martins

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

E tu, és insubstituível?


E tu, és insubstituível?

Eu respondo que sim. És. Todos somos. Porque somos únicos e ninguém nunca vai ocupar o lugar que era exclusivamente nosso na família, junto dos amigos, no trabalho, na sociedade, enfim neste universo.

Mário Cortella diz o seguinte: "Eu sou único. Mas não sou o único. Não há ninguém como eu, não houve e não haverá, mas não sou só eu que sou."

Pois assim também entendo, que cada vida é única e de inestimável valor, jamais para ser descartada ou substituída para que outros tomem o que será sempre nosso.

Semelhante sim, igual nunca.

E há, certamente, lugar para todos!


Lucília Miranda

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Reconhecer Deus




A liturgia convida-nos a seguir Jesus e, muitas vezes, a subir ao monte. O monte significa, entre outras coisas, o afastamento do ruído que nos impede de discernir e ouvir Deus. Não é por acaso que a natureza e a criação divina nos aparece sempre como um elemento revelador de Deus. A beleza da natureza é algo contemplativo mas exige paciência e confiança pois tudo leva o seu tempo. A nossa vida deveria ser assim, mais " longe do mundo e perto de Deus"!

Foi no monte que Jesus se transfigurou, foi no mar que Jesus pôs à prova a fé de Pedro, era no monte que Jesus se recolhia para orar, mas não foi só Jesus. Um dia textos que mais me impactou foi a espera de Elias pela passagem de Deus. Elias esperou que Deus se manifestasse em elementos barulhentos, assustadores e brutais. Mas não! Deus fez-se reconhecer se por uma brisa suave. Que simples! E Elias reconheceu de imediato ao ponto de se ter levantado da gruta e ter cessado a espera. Dizem as escrituras que Elias vivia um momento confuso e turbulento e Deus manifestou se no oposto, e precisamente em tudo aquilo que Elias precisava. Recordo que quando li esta passagem senti de imediato uma enorme empatia e trago na memória a capacidade de parar, descansar, se necessário subir ao monte e ver Deus na beleza, na brisa suave e na serenidade que nestes tempos parecem escassear.

Não há fórmulas secretas para reconhecer Deus mas acredito que Ele se revela a cada um de maneiras diferentes e de acordo com a capacidade individual de cada um de se dispor a ver, sem pressas nem julgamentos e de modo muito mais real do que alguns imaginam.

Mas desenganem-se se acham que Deus nos quer apenas seres contemplativos, se reparares bem depois de todas estas paragens há algo que muda, há algo que os impele à ação e à mudança. Cada um que reconhece Deus tende a mudar de caminho (como os discípulos Emaús), a levantar-se e sair da gruta (como Elias), ou a aumentar a fé (como Pedro), e tantas e tantas outras transformações que a bíblia nos relata. Se estiveres bem atenta verás Deus, ou melhor…sentirás a sua presença.

E tu amiga, estás preparada para aceitar a presença de Deus na tua vida?


Raquel Rodrigues


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

O lugar onde os sonhos assentam os pés

 


O lugar onde os sonhos assentam os pés


Às vezes esquecemo-nos do que é ser criança. Escrevemos palavras grandes, erguemos muros de certezas, vestimos preconceitos antigos e esquecemo-nos de olhar para o chão, onde a vida verdadeiramente acontece.
E lá em baixo, ao nível dos olhos de quem está a começar, o mundo é simples.
Quando uma criança cigana corre, ri ou olha para o céu, não está a carregar o peso do passado nem os rótulos de quem a vê passar. Está apenas a viver. Traz no olhar a mesma sede de descobrir o mundo, a mesma fome de futuro e o mesmo direito sagrado de ser feliz que qualquer outra criança.
Mas a infância não se protege sozinha.
Esta responsabilidade não é de "uns" nem de "outros". É de todos nós. Compete à comunidade cigana e à sociedade civil, sem dedos apontados, sem julgamentos fáceis, de peito aberto. Se nos despirmos do ruído e nos focarmos no que é verdadeiramente essencial, percebemos que o futuro de uma criança é a medida da nossa própria humanidade.
Cuidar delas, abrir caminhos, garantir que têm espaço para aprender, sonhar e voar em igualdade, não é um favor. É o compromisso mais bonito que podemos assumir enquanto pessoas.
Acredito profundamente que é no encontro, no respeito e na coragem de dar a mão que nos salvamos a nós próprios. Porque quando garantimos que o mundo é um lugar seguro e justo para uma criança, o mundo torna-se, finalmente, um lugar melhor para todos.
Afinal, a infância devia ser sempre esse lugar onde o amor não pede licença e os sonhos têm onde pousar.

Padre João Torres

terça-feira, 25 de agosto de 2026

«E vós, quem dizeis que Eu sou?»




«Uma amizade ou um amor, autênticos, são exceções, não regras.
É raro encontrar-se alguém que nos levante quando estamos caídos,
menos ainda que o faça sem hesitação e independentemente de estar muita gente a olhar.
Se depois de nos levantarmos seguimos ao seu lado, iremos longe. Muito longe.»
José Luís Nunes Martins
In Momentos de Sabedoria [pag. 152]





Jesus, no Evangelho de hoje,

anuncia aos Seus Discípulos o maior mistério que faz a humanidade caminhar, em união.

O Messias, O Filho de Deus vivo,

quer saber a perceção que têm aqueles que passam por Ele, sobre Ele…

Mas, não a tem em conta!

«E vós, quem dizeis que Eu sou?»


O que pesa nas Suas decisões; o que O faz viver;

o que leva Jesus até à morte e morte de Cruz, é o sentimento mais profundo:

O Amor misericordioso

vivido com o tempero mais puro da raiz de uma amizade verdadeira:

«Fazemo-nos irmãos de quem experimenta a mesma dor.
O sofrimento remete-nos para uma solidão profunda,
da qual a maioria dos outros se afasta como se fosse contagiosa.
E, assim, ao mal da tragédia acresce-se a dor da perda
dos que julgávamos que ficariam connosco.»
José Luís Nunes Martins
In Momentos de Sabedoria [pag. 153]


Jesus entrega a chave a Pedro e pede aos discípulos que não anunciem que Ele é o Messias…

Tudo teria de estar consumado.

Os Seus Amigos seriam colocados à prova:

De um lado: a mentira, a cobardia, a vaidade e a ganância. A humanidade…

Do outro lado: Jesus que ama enternecidamente cada um deles.


Ainda hoje, sentimos esse mesmo amor…

essa amizade que não tem fronteiras e é liberdade genuína.



Quantos de nós queremos levar este Jesus a todos e todos a este Jesus,

que é semente de serviço, que abraça os impuros, que sofre e chora connosco?



O Messias não nos apresenta uma vida de alegria sem fim.

Apenas quer caminhar connosco…

Fazer-se presença terna que nos fortalece com migalhas dO Pão…

Amor… sem reservas! Ser, apenas, O nosso Amigo…


Liliana Dinis

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Quem sou Eu para ti?

 



Quem sou Eu para ti?

Pergunta de Jesus a cada um de nós!
A resposta não se obtém pelo muito SABER, mas pelo muito AMAR. Saberemos quem é Jesus, não pelo que LEMOS ou APRENDEMOS, mas pelo amor com que somos amados e amamos.
Podemos viver a vida inteira a assistir a missas e a rezar terços, sem nunca nos deixarmos abalar, emocionar, questionar...
Porque uma coisa é dizer que somos crentes, outra coisa é acreditar.
É dizer, no mais profundo de nós mesmos:
Encontrar-TE foi a melhor coisa da minha vida!
Tu és a coisa mais bela e mais forte que me aconteceu...
Jesus usa o método das perguntas... Não nos cansemos de fazer perguntas: uma boa pergunta já contém em si mesma uma boa resposta.
Jesus não procura PALAVRAS, procura PESSOAS.
Não procura DEFINIÇÕES, mas COMPROMISSOS que nos envolvam...
Eu posso ser seu “simpatizante” e “ouvinte”, ou seu “amigo” e “seguidor”.
Pedro deu uma resposta: «Tu és o Messias». Tu és o Cristo, aquele que aviva a vida.
Pedro revela que Jesus é o Cristo; Jesus revela a Simão que ele é Pedro. Troca de cortesias.
Quando nos aproximamos do mistério de Deus, descobrimos o nosso rosto; quando nos aproximamos da Verdade de Deus, recebemos em troca a verdade sobre nós mesmos.
Cristo não é o que digo d’Ele, mas o que vivo d’Ele... Cristo não é as minhas palavras, mas o que d’Ele arde em mim...
Quem sou Eu para ti?
Talvez esta seja uma das perguntas mais importantes que Jesus nos pode fazer. Não basta saber quem Ele é. É preciso descobrir quem Ele se torna na nossa vida.
Deus não quer saber do que sabemos d’Ele, mas da nossa paixão por Ele…

Padre João Torres

domingo, 23 de agosto de 2026

Quem é Cristo para mim?

 

https://www.youtube.com/watch?v=r-q--g9oqi8&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=152

No centro da reflexão que a liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum nos propõe, estão dois temas à volta dos quais se constrói e se estrutura toda a existência cristã: Cristo e a Igreja.

O Evangelho convida os discípulos a aderirem a Jesus e a acolherem-n'O como "o Messias, Filho de Deus". Dessa adesão, nasce a Igreja - a comunidade dos discípulos de Jesus, convocada e organizada à volta de Pedro. A missão da Igreja é dar testemunho da proposta de salvação que Jesus veio trazer. À Igreja e a Pedro é confiado o poder das chaves - isto é, de interpretar as palavras de Jesus, de adaptar os ensinamentos de Jesus aos desafios do mundo e de acolher na comunidade todos aqueles que aderem à proposta de salvação que Jesus oferece.
"E vós, quem dizeis que Eu sou?" É uma pergunta que deve, de forma constante, ecoar nos nossos ouvidos e no nosso coração. Responder a esta questão não significa papaguear lições de catequese ou tratados de teologia, mas sim interrogar o nosso coração e tentar perceber qual é o lugar que Cristo ocupa na nossa existência... Responder a esta questão obriga-nos a pensar no significado que Cristo tem na nossa vida, na atenção que damos às suas propostas, na importância que os seus valores assumem nas nossas opções, no esforço que fazemos ou que não fazemos para o seguir... Quem é Cristo para mim?

A primeira leitura mostra como se deve concretizar o poder "das chaves". Aquele que detém "as chaves" não pode usar a sua autoridade para concretizar interesses pessoais e para impedir aos seus irmãos o acesso aos bens eternos; mas deve exercer o seu serviço como um pai que procura o bem dos seus filhos, com solicitude, com amor e com justiça.
O texto convida-nos a uma reflexão sobre a lógica e o sentido do poder... Sugere que o poder é um serviço à comunidade. Quem exerce o poder, deverá fazê-lo com a solicitude, o cuidado, a bondade, a compreensão, a tolerância, a misericórdia, e também com a firmeza com que um pai conduz e orienta os seus filhos. Nessa perspectiva, o serviço da autoridade não é uma questão de poder, mas é uma questão de amor. Será impensável considerar que alguém pode desempenhar com êxito cargos de responsabilidade, se não for guiado pelo amor. É esta mesma lógica que os cristãos devem exigir, seja no exercício do poder civil, seja no exercício do poder no âmbito da comunidade cristã.

A segunda leitura é um convite a contemplar a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus que, de forma misteriosa e às vezes desconcertante, realiza os seus projectos de salvação do homem. Ao homem resta entregar-se confiadamente nas mãos de Deus e deixar que o seu espanto, reconhecimento e adoração se transformem num hino de amor e de louvor ao Deus salvador e libertador.
Esse Deus omnipotente, que nunca conseguiremos definir, controlar e explicar não é um concorrente ou um adversário do homem, preocupado em afirmar a sua grandeza e omnipotência à custa da humilhação do homem... Mas é um pai, preocupado com a felicidade dos seus filhos e com um projecto de salvação que Ele pretende que os homens acolham. É verdade que muitas vezes não percebemos o alcance desse projecto; mas se virmos em Deus, não um concorrente mas um pai cheio de amor, aprenderemos a não nos fecharmos no orgulho e na auto-suficiência e a acolhermos, com gratidão, os seus dons - como um menino que recebe do pai a vida, o alimento, o afecto, o amor.

https://www.dehonianos.org/

sábado, 22 de agosto de 2026

477 anos da criação da Diocese de Portalegre – Castelo Branco - D. Pedro Fernandes

 


No âmbito dos 477 anos da criação da Diocese de Portalegre – Castelo Branco, D. Pedro Fernandes, Bispo Diocesano, deixa uma mensagem de celebração, gratidão e esperança para o futuro da nossa Diocese.
E porque o futuro também passa por novas formas de estar e comunicar, esta mensagem marca igualmente 𝘂𝗺𝗮 𝗻𝗼𝘃𝗮 𝗲𝘁𝗮𝗽𝗮 𝗻𝗮 𝗰𝗼𝗺𝘂𝗻𝗶𝗰𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗮 𝗗𝗶𝗼𝗰𝗲𝘀𝗲.
Mais presença nas redes sociais, mais proximidade e uma 𝗻𝗼𝘃𝗮 𝗽𝗮́𝗴𝗶𝗻𝗮 𝗻𝗼 𝗜𝗻𝘀𝘁𝗮𝗴𝗿𝗮𝗺, para partilhar a vida, a missão e o caminho da nossa comunidade diocesana.
𝗦𝗶𝗴𝗮 𝗮 𝗻𝗼𝘃𝗮 𝗽𝗮́𝗴𝗶𝗻𝗮 𝗲 𝗳𝗮𝗰̧𝗮 𝗽𝗮𝗿𝘁𝗲 𝗱𝗲𝘀𝘁𝗮 𝗻𝗼𝘃𝗮 𝗲𝘁𝗮𝗽𝗮!
[Instagram: diocese.portalegre.cbranco]

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

UM JOVEM CASAL EM BUSCA DO ESSENCIAL


Nesta época mais desejada para os jovens contraírem matrimónio, o aviso nas passagens dos caminhos de ferro não se devia ignorar: "Pare, Escute e Olhe".
Um jovem casal, de Divinópolis, Brasil, que haviam casado no dia 1 de agosto, prometeram-se ir a Itália como viagem de lua de mel. Para as despesas do casamento e a concretização desse sonho, fizeram meses de sacrifícios e poupança. Yago, que trabalha na ação social, até vendeu pães de mel pelas ruas com esse objetivo. Essa angariação de fundos, porém, era curta, não chegava. No entanto, graças aos amigos, o casal conseguiu fazer a viagem de uma semana a Itália. Pontos de maior referência eram a passagem pela Basílica de São Pedro e a possibilidade de se poderem encontrar com o Papa e receber a Bênção que ele costuma dar aos recém casados. Danielly explica: "Com a graça de Deus queríamos conversar com ele: uma palavra, uma frase, aquilo que ele dissesse, que iria edificar o nosso coração, iria edificar o nosso matrimónio. E valeu muito a pena! Valeu muito a pena a viagem, a visita, algo sobrenatural mesmo, muito, muito além do que a gente podia imaginar ou sonhar."
E lá estiveram na audiência desta quarta-feira, dia 12 de agosto, tendo, após a Audiência Geral, se encontrado com o Santo Padre Leão XIV. E porque o Papa se aproximava, sentiram a possibilidade de até lhe dirigirem uma palavra. Yago, na esperança de que isso acontecesse, confessou: "Naquele momento, quando ele estava vindo, cumprimentando a gente, só me vinha uma pergunta: o que é que eu posso perguntar? E, pra mim, a pergunta que me vinha mais ao meu coração era isso: o meu maior desejo do coração é ter uma família santa. Então eu vou-lhe perguntar isso. Aí, eu fiquei treinando em italiano. Como é que eu vou perguntar isso? Eu falo até meio travado assim, porque eu queria perguntar em italiano pra que ele pudesse entender. E foi mágico ver ele olhando meus olhos, respondendo a essa pergunta. Eu achei que meu coração ia parar ali, naquele momento!". E quando Yago fez a pergunta ao Papa – como ser uma família santa -, ele disse-lhes: “Coloquem tudo nas mãos de Deus. Rezem muito: o rosário, a santa missa, os sacramentos. E muita paciência entre vocês.” Este foi o conselho simples e prático dado a um jovem casal, segundo a notícia. E acrescentou Yago: "estar diante do Papa e pegar na sua mão, foi o entendimento que o amor de Deus é verdadeiro, e que não há nada que nos impeça de conquistar os nossos sonhos, sendo o maior deles a santidade e o Céu". Agora, o sentimento do jovem casal é de gratidão aos amigos e a Deus pelo "carinho e pela sua providência", e pela oportunidade de compartilhar com outros jovens casais o conselho do Papa para construir uma família santa.
Como a sociedade seria diferente se as famílias cristãs marcassem a diferença como verdadeiras famílias cristãs! O Papa Francisco afirmava que a santidade da família não está na perfeição. Está no amor quotidiano, no perdão mútuo, na vivência da fé em gestos simples do dia a dia. É um caminho concreto de aprendizagem, dinâmico, alegre e realista. Não é um produto acabado, mas um projeto que o casal constrói em conjunto ao longo da vida, aprendendo a contemplar o cônjuge com os olhos de Deus, aceitando os seus limites, celebrando as suas virtudes, gerindo as crises de forma a fortalecer a união. É um compromisso, uma aliança sempre renovada e centrada na paciência, no cuidado, na escuta atenta, no respeito pelas diferenças do outro, no crescimento conjunto, na superação de conflitos. A inserção e participação na comunidade é importante, não só como apoio ao casal mas também para a educação dos filhos. Esta educação não se faz com grandes discursos, mas com o testemunho, a oração individual, em família e na comunidade, valorizando o Domingo e os sacramentos, manifestando a beleza da oração simples e da caridade no dia a dia. Há pequenos gestos e atitudes que se tornam extraordinários e eficazes.

D. Antonino Dias
Caminha, 14-08-2026.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

O preço de escolher bem

 



O preço de escolher bem

O mal apresenta-se-nos sob a aparência do bem. Desvia-nos do melhor, levando-nos a trocar o melhor por aquilo que é apenas bom. É subtil, mas eficaz, porque nos vai afastando do caminho do bem supremo.

A maioria das escolhas decisivas das nossas vidas não são entre o bem e o mal, mas entre dois ou mais bens. Haverá algum mal em escolher um bem que, embora não seja o maior, continua a ser um bem? Sim. Ao fazê-lo, renunciamos a um bem maior.

Há situações em que somos forçados a escolher entre dois ou mais males. Todas as opções são más, mas aqui é ainda mais evidente que temos o dever de escolher o mal menor.

Importa ter a coragem de escolher o bem maior e de renunciar aos bens menores. É sempre duro assumir que deixar boas opções para trás faz parte do preço a pagar para alcançar o melhor. Afinal, é como se apenas merecesse o melhor quem fosse capaz das renúncias que isso implica.

É interessante que associemos a ideia de liberdade a algo muito agradável. A verdade, porém, é que a liberdade não é aquilo que sentimos depois de escolher bem; é aquilo que torna essa escolha possível. Todos somos livres e isso não é uma escolha. Estamos assim condenados a ser responsáveis pelas escolhas que fazemos – as boas e as más.

Somos responsáveis por aquilo que somos, por aquilo que fazemos aos outros e a nós próprios. Mais do que escolher um bem, devemos procurar escolher sempre o melhor de todos os bens. Só assim estaremos a escolher bem.


José Luís Nunes Martins

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Reconhecer Deus



A liturgia convida-nos a seguir Jesus e, muitas vezes, a subir ao monte. O monte significa, entre outras coisas, o afastamento do ruído que nos impede de discernir e ouvir Deus. Não é por acaso que a natureza e a criação divina nos aparece sempre como um elemento revelador de Deus. A beleza da natureza é algo contemplativo mas exige paciência e confiança pois tudo leva o seu tempo. A nossa vida deveria ser assim, mais " longe do mundo e perto de Deus"!

Foi no monte que Jesus se transfigurou, foi no mar que Jesus pôs à prova a fé de Pedro, era no monte que Jesus se recolhia para orar, mas não foi só Jesus. Um dia textos que mais me impactou foi a espera de Elias pela passagem de Deus. Elias esperou que Deus se manifestasse em elementos barulhentos, assustadores e brutais. Mas não! Deus fez-se reconhecer se por uma brisa suave. Que simples! E Elias reconheceu de imediato ao ponto de se ter levantado da gruta e ter cessado a espera. Dizem as escrituras que Elias vivia um momento confuso e turbulento e Deus manifestou se no oposto, e precisamente em tudo aquilo que Elias precisava. Recordo que quando li esta passagem senti de imediato uma enorme empatia e trago na memória a capacidade de parar, descansar, se necessário subir ao monte e ver Deus na beleza, na brisa suave e na serenidade que nestes tempos parecem escassear.

Não há fórmulas secretas para reconhecer Deus mas acredito que Ele se revela a cada um de maneiras diferentes e de acordo com a capacidade individual de cada um de se dispor a ver, sem pressas nem julgamentos e de modo muito mais real do que alguns imaginam.

Mas desenganem-se se acham que Deus nos quer apenas seres contemplativos, se reparares bem depois de todas estas paragens há algo que muda, há algo que os impele à ação e à mudança. Cada um que reconhece Deus tende a mudar de caminho (como os discípulos Emaús), a levantar-se e sair da gruta (como Elias), ou a aumentar a fé (como Pedro), e tantas e tantas outras transformações que a bíblia nos relata. Se estiveres bem atenta verás Deus, ou melhor…sentirás a sua presença.

E tu amiga, estás preparada para aceitar a presença de Deus na tua vida?


Raquel Rodrigues

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Não guardes a tua fé



«Entre todas as coisas magníficas da criação de Deus,
duas deixam para trás as outras;
uma está acima de nós - a imensidão dos céus estrelados;
outra dentro de nós - o espírito do homem.»



Para quem tem Fé em Deus e em todas as Suas criaturas,

o mundo é um verdadeiro paraíso sem fim.

Acreditamos que cada um de nós é único e irrepetível.

Acreditamos que saímos das mãos do Criador, que amorosamente nos desenha,

para vivermos numa intensa obediência à Sua misericordiosa providência.

Acreditamos que cada grão de areia

é colocado estrategicamente pelo Senhor que nos dá a vida,

num local definido, com uma textura distinta e com uma missão muito específica.

Também acreditamos que tudo o que vem de Deus

é para todos, todos, todos e para cada um de nós.

As coisas boas não são só para mim, porque sou mais bonito…

As coisas más não são só para ti, porque mereces…

E… contestar o que Deus providencia é perda de tempo!

Quando acreditamos que Deus nos ama, infinitamente, não há dor, há compaixão!

Deus espera por mim e por ti, a cada dia.

Mesmo que os nossos passos estejam desalinhados,

o Pai anseia que eu te leve a Jesus e que tu me leves até Jesus…

Deus não pergunta a tua nacionalidade,

nem se nasceste no seio de uma família conceituada.

Deus apenas quer que respeitemos o que é direito, que pratiquemos a justiça e…

que tenhamos uma Fé inabalável, Naquele que morreu para que a salvação fosse possível.

Quem tem Fé em Jesus encontra a cura para qualquer mal.

E até simples migalhas são um manjar repleto de iguarias.

Não guardes a tua Fé!

Faz-te Fé na vida da humanidade…


Liliana Dinis

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

MULHER DA GRANDE FÉ!

 


MULHER DA GRANDE FÉ!

O Evangelho deste Domingo, conta-nos a bela e maravilhosa história de vida, de uma mulher e mãe «libanesa», carregada com o drama da sua filha doente, situação verdadeira ontem como hoje, vem IMPLORAR DE JESUS, num GRITO que lhe sai do fundo das entranhas, que lhe «faça graça», isto é, que olhe para ela com mesma ternura com que ela embala ao colo a sua filha...
O texto diz que Jesus nem lhe respondeu. Mas a mulher não DESISTE, mas INSISTE... AQUELA MULHER NÃO ARREDA PÉ! Não se SENTE, nem se RESSENTE, perante o silêncio frio ou quente de Jesus.
A sua fé, já não se ABALA, com uma boa ou má fala do Mestre!
A sua fé, não CRESCE, nem DESAPARECE, por causa do mau feitio de qualquer um dos seus discípulos.
E é tal a insistência e a persistência, que esta libanesa consegue FAZER IMPLODIR DE COMPAIXÃO o coração de Jesus, com uma verdadeira explosão de fé!
«Mulher da grande fé!», replicou Jesus, «faça-se como queres!»
Esta cena do evangelho provoca, SEM DÓ, NEM PIEDADE, esta nossa fé TÃO POUCA e TÃO POLIDA DE ÁGUA benta e quantas vezes “melindrada”, por tudo e por nada!
Daqui é preciso estender o elogio de Jesus, às mães solteiras, às ciganas, às estrangeiras, ou àquelas que, separadas ou mal casadas, sozinhas e inteiras, suportam com coragem uma maternidade violenta, ou a crueldade de uma doença, que atormenta e desespera!
..... não podíamos encontrar um rosto mais feliz, do que esta mulher, distante e imigrante, tocada pela ternura de Deus... Só cumprimos a vontade do Pai quando vivemos abertos a todo o ser humano que sofre e geme pedindo compaixão...
O Evangelho deste Domingo, conta-nos a bela e maravilhosa história de vida, de uma mulher e mãe «libanesa», carregada com o drama da sua filha doente, situação verdadeira ontem como hoje, vem IMPLORAR DE JESUS, num GRITO que lhe sai do fundo das entranhas, que lhe «faça graça», isto é, que olhe para ela com mesma ternura com que ela embala ao colo a sua filha...
O texto diz que Jesus nem lhe respondeu. Mas a mulher não DESISTE, mas INSISTE... AQUELA MULHER NÃO ARREDA PÉ! Não se SENTE, nem se RESSENTE, perante o silêncio frio ou quente de Jesus.
A sua fé, já não se ABALA, com uma boa ou má fala do Mestre!
A sua fé, não CRESCE, nem DESAPARECE, por causa do mau feitio de qualquer um dos seus discípulos.
E é tal a insistência e a persistência, que esta libanesa consegue FAZER IMPLODIR DE COMPAIXÃO o coração de Jesus, com uma verdadeira explosão de fé!
«Mulher da grande fé!», replicou Jesus, «faça-se como queres!»
Esta cena do evangelho provoca, SEM DÓ, NEM PIEDADE, esta nossa fé TÃO POUCA e TÃO POLIDA DE ÁGUA benta e quantas vezes “melindrada”, por tudo e por nada!
Daqui é preciso estender o elogio de Jesus, às mães solteiras, às ciganas, às estrangeiras, ou àquelas que, separadas ou mal casadas, sozinhas e inteiras, suportam com coragem uma maternidade violenta, ou a crueldade de uma doença, que atormenta e desespera!
..... não podíamos encontrar um rosto mais feliz, do que esta mulher, distante e imigrante, tocada pela ternura de Deus... Só cumprimos a vontade do Pai quando vivemos abertos a todo o ser humano que sofre e geme pedindo compaixão...

Padre João Torres


domingo, 16 de agosto de 2026

A Páscoa de Maria

 


A Páscoa de Maria

A todos nós nos preocupa de uma certa forma
o fim último da nossa existência...
A festa da Assunção de Nossa Senhora ajuda-nos a ver um pouco de luz nessa imensa escuridão, que é a morte para nós...
Essa palavra estranha e abstrata assunção, quer dizer simplesmente que Maria, venceu definitivamente a morte. Foi assumida por Deus...
Mas Nossa Senhora morreu?
E o corpo, desapareceu?
Como aconteceu isso?
Não sabemos como aconteceu tudo isto,
mas sabemos que desde os primeiros séculos
se conservam os túmulos dos principais apóstolos,
e não se conservaram os restos mortais de Maria…
Os primeiros cristãos entenderam a morte de Maria como um “adormecer” (ou “dormição”) para acordar inteiramente no amor de Deus. Foi-se assim tornando claro que Deus chamou a si toda a realidade (espírito, alma, corpo) desta mulher especial.
Ela é a primeira resgatada e a primeira ressuscitada.
Ela é o primeiro ser humano a viver em plenitude aquilo
para que todos fomos criados.... Viver para sempre com Deus...
Maria “antecipa” a nossa ressurreição!
Dá-nos a esperança de também lá chegarmos,
na medida em que nos abrirmos à graça e ao amor de Deus.
Maria é abençoada porque ela acreditou. Porque ela confiou,
porque ela deu espaço a Deus, ela deixou-O agir na sua vida...
Ela é um SINAL DE ESPERANÇA para todas as pessoas simples,
ignoradas pelos poderosos, mas plenamente confiantes em Deus...
Nossa Senhora da Assunção nos ensine a colocar nossa vida o sonho de Deus....
nos alcance um novo ardor de ressuscitados,
para levar a todos o Evangelho da vida que vence a morte!


Padre João Torres

Solenidade de Nª Srª da Assunção

As Festas em Honra de Nossa Senhora da Assunção encheram Arronches de vivacidade através de uma programação que uniu a fé e a cultura alentejana. O dia ficou marcado por uma forte adesão popular aos vários momentos litúrgicos e etnográficos preparados pela comissão organizadora.
 O dia começou às 10h00 com a Missa Solene celebrada pelos Párocos Fernando Farinha e Rui Lourenço, na Igreja Matriz, onde o coro paroquial guiou os cânticos litúrgicos da comunidade.
 Pelas 11h00, a imagem da padroeira percorreu o centro histórico na tradicional Procissão. O momento contou com o acompanhamento musical solene da Banda Euterpe, que tocou ao longo da Praça da República e ruas adjacentes.
 Logo de seguida, as ruas foram invadidas pelo Desfile Etnográfico de Carroças, sob a coordenação da Associação «Os Romeiros de Esperança». A componente rítmica e festiva do desfile foi assegurada pelo Grupo das Pedrinhas de Arronches, atraindo muitos aplausos de residentes e turistas.
Às 12h00, realizou-se a emblemática Bênção dos Animais
O fecho do dia deu-se a partir das 22h00 na escadaria da Igreja Matriz, um cenário monumental transformado em casa de fados ao ar livre.
A Noite de Fados encerrou as celebrações num ambiente intimista de partilha cultural, na escadaria da Igreja Matriz, na qual se juntaram as grandes vozes presentes no cartaz deste ano 2026, as fadistas, Luís Caeiro, Cláudia Zarro, Hugo Faustino e Leonor Fartouce, acompanhados á guitarra portuguesa por Nuno Cirilo e Ricardo Semedo e á viola por Miguel Monteiro.
Organização pela Paróquia de Arronches e da Junta de Freguesia de Assunção e colaboração da Câmara Municipal de Arronches, animada por voluntários, no serviço de mesa e bar.


















Salto de Fé

 

https://www.youtube.com/watch?v=tdZINi11N3A&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=153

A liturgia do 20º Domingo do Tempo Comum reflecte sobre a universalidade da salvação. Deus ama cada um dos seus filhos e a todos convida para o banquete do Reino.

Na primeira leitura
, Jahwéh garante ao seu Povo a chegada de uma nova era, na qual se vai revelar plenamente a salvação de Deus. No entanto, essa salvação não se destina apenas a Israel: destina-se a todos os homens e mulheres que aceitarem o convite para integrar a comunidade do Povo de Deus.
A Igreja é a comunidade do Povo de Deus. Todos os seus membros são filhos do mesmo Deus e irmãos em Jesus, embora pertençam a raças diferentes, a culturas diferentes e a extractos sociais diferentes. No entanto: todos são lá acolhidos da mesma forma? O rico e o pobre são sempre tratados da mesma forma nas recepções das nossas igrejas? Aqueles que têm comportamentos considerados social ou religiosamente incorrectos são sempre tratados com amor e acolhidos com respeito nas nossas comunidades cristãs, ou são tratados como cristãos de segunda

O Evangelho apresenta a realização da profecia do Trito-Isaías, apresentada na primeira leitura deste domingo. Jesus, depois de constatar como os fariseus e os doutores da Lei recusam a sua proposta do Reino, entra numa região pagã e demonstra como os pagãos são dignos de acolher o dom de Deus. Face à grandeza da fé da mulher cananeia, Jesus oferece-lhe essa salvação que Deus prometeu derramar sobre todos os homens e mulheres, sem excepção.
Quem é que é cristão? Quem é que pode fazer parte da comunidade de Jesus? A resposta está implícita na história da mulher cananeia: torna-se membro da comunidade de Jesus quem aceita a sua oferta de salvação, quem acolhe o Reino, adere a Jesus e ao Evangelho. O que é determinante, para integrar a comunidade do Reino, não é a raça, a cor da pele, o local de nascimento, a tradição familiar, a formação académica, a capacidade intelectual, a visibilidade social, o cumprimento de ritos, a recepção de sacramentos, a amizade com o pároco, os serviços prestados à "fábrica da igreja", mas a fé (entendida como adesão a Jesus e à sua proposta de salvação). Para mim, o que é que é ser cristão? O que está no centro da minha experiência cristã é a pessoa de Jesus e a sua proposta de salvação? Em que é que se fundamenta a minha fé?

A segunda leitura sugere que a misericórdia de Deus se derrama sobre todos os seus filhos, mesmo sobre aqueles que, como Israel, rejeitam as suas propostas. Deus respeita sempre as opções dos homens; mas não desiste de propor, em todos os momentos e a todos os seus filhos, oportunidades novas de acolher essa salvação que Ele quer oferecer.
Aquilo que, muitas vezes, nos parece ilógico e sem sentido, talvez faça parte dos projectos de Deus - projectos que nem sempre conseguimos entender e enquadrar nos nossos esquemas mentais. Temos de aprender a confiar em Deus e na forma como Ele dirige a história, mesmo quando não conseguimos entender os seus projectos.Convida-nos - implicitamente - a não nos arvorarmos em juízes dos nossos irmãos. Por um lado, porque o comportamento tolerante de Deus nos convida a uma tolerância semelhante; por outro, porque aquilo que nos parece estranho e reprovável pode fazer parte, em última análise, dos projectos de Deus.


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