terça-feira, 30 de junho de 2026

Quanto mais fundo, mais alto

 


As dores engrandecem-nos e enobrecem-nos. Podem fazer de qualquer um de nós um herói ou um fugitivo. Uma simples mudança brusca na vida pode criar uma revolução interior. Aquilo que se alterou no exterior obriga-nos a transformar o interior, e isso dói sempre — mesmo quando é para melhor.

A dor revela-nos até a nós próprios, porque onde nos dói a dor é também onde reside aquilo que nos salva – que só desperta quando levamos ao limite as nossas forças – aquelas que julgávamos ser todas quanto tínhamos, mas que… afinal tínhamos mais. E bem fortes.

O sofrimento é, apesar de tudo, uma fonte de significado, autenticidade e sabedoria. A vida é uma enorme sequência de decadência e de crescimento, de decomposição e de renascimento, de podridão e de regeneração, de perdas e de ganhos. Só o amor permanece e resiste a tudo. Se o amor não subsiste ou se perde, será outra coisa que até se pode confundir com amor na superfície, mas que, na verdade, não é.

Quem ama torna-se capaz de florescer no meio do sofrimento. As mais belas flores surgem nos contextos mais adversos, como se a dor se fizesse a sua raiz.

Cuidado, há muitos olhos que sorriem e que, assim, escondem grandes dores. Por vezes, essa é uma forma de acrescentar o sofrimento da solidão ao sofrimento já existente. Outras vezes, porém, o sorriso pode ser o princípio do triunfo. De facto, é difícil para a maioria de nós acreditar na dor de quem a partilha com um sorriso.

As grandes dores chegam a impor uma espécie de lei do silêncio. Nem lágrimas nem sorrisos. Mas é muitas vezes quem sofre que mais depressa e melhor socorre a dor dos outros.

As dores que na nossa vida se sucedem são como uma escadaria para o céu: edificam-nos, elevam-nos e divinizam-nos.

 José Luís Nunes Martins


segunda-feira, 29 de junho de 2026

Seguir Jesus


“A cruz é sinal positivo na matemática.
Ao seguires Jesus, a tua Cruz irá somar alegrias sem fim à tua vida.…”
Catequese 8º Ano

Como é bom ter algo.

Ter roupa para vestir.

Ter pão para comer.

Ter uma casa para descansar.

Ter um carro para chegar onde quero.

Ter um amigo para partilhar as alegrias.

Ter uma Religião para viver em comunidade.

Ter um Batismo que faz de mim Filha.

Nada me falta.

“Tenho borboletas na barriga!”

E…

…sou Feliz!

Porque ambiciono para a minha vida o Ser!


Ser aconchego para alguém quando está frio.

Ser alimento para quem tem fome de Fé.

Ser albergue para os que caminham sem Esperança.

Ser mãe que transporta os filhos com a oração diária.

Ser amiga que carrega as dores e as angústias.

Ser a religião que desamarra o coração dos preconceitos banais e sem sentido.

Ser perdão e misericórdia para os que vivem sem Deus e sem Amor…


Hoje, quero a Cruz de Cristo em mim.

Sou Dele…

e sei que Jesus me ama muito mais do que eu me amo…

porque por mim e por ti O Cristo dá, a cada dia, a Sua própria Vida!


Liliana Dinis

Celebramos hoje São Pedro.




As chaves de Pedro não servem para fechar

Celebramos hoje São Pedro.
Talvez o imaginemos de chaves na mão, firme, seguro, quase perfeito. Mas o Evangelho apresenta-nos um homem bem diferente.
Pedro era impulsivo. Falava antes de pensar. Tinha o coração maior do que a prudência. Prometia mais do que era capaz de cumprir.
Quando ouviu dizer que queriam prender Jesus, fez voz grossa:
— "Ainda que todos Te abandonem, eu nunca Te abandonarei."
Não estava a fingir.
Acreditava sinceramente naquilo que dizia. Estava convencido de que seria capaz de morrer pelo Mestre.
Mas chegou a noite.
Chegou o medo.
Chegou a solidão.
E bastaram as perguntas de uma criada para fazer cair todas as certezas.
Três vezes negou conhecer Jesus.
Três vezes.
Não sabemos exatamente o que se passou dentro dele. Sabemos apenas que Pedro descobriu, da forma mais dura, que uma coisa é a imagem que fazemos de nós próprios; outra, bem diferente, é a verdade do nosso coração quando a vida nos coloca à prova.
Talvez por isso Jesus lhe tenha dito:
"Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja."
Não porque Pedro fosse uma rocha.
Mas porque decidiu apoiar a sua vida na verdadeira Rocha, que é Cristo.
A Igreja não nasceu da perfeição dos homens.
Nasceu da fidelidade de Deus.
Pedro caiu, mas deixou-se levantar.
Errou, mas não desistiu.
Chorou, mas não fugiu da misericórdia.
Foi precisamente um pecador perdoado que Jesus escolheu para confirmar os irmãos na fé.
Talvez seja esta a grande lição para os nossos dias.
Vivemos com demasiada facilidade a apontar o dedo aos erros dos outros. Há sempre alguém de quem falar, alguém para julgar, alguém que, na nossa opinião, já não merece uma segunda oportunidade.
Por vezes, até dentro da Igreja, surgem os "santaneiros" de ocasião: rápidos a condenar, lentos a compreender; prontos para fechar portas, mas pouco disponíveis para abrir o coração.
Conta-se que certa vez uma mulher, conhecida pela sua vida desregrada, entrou numa igreja para rezar. Uma pessoa muito "piedosa" escandalizou-se por a ver ali.
Esqueceu-se de uma coisa.
A Igreja nunca foi um clube de pessoas perfeitas.
É a casa onde os pecadores aprendem, todos os dias, a recomeçar.
Pedro compreendeu isso.
Por isso disse um dia:
— "Afasta-Te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador."
E mais tarde reconheceu:
— "Senhor, para quem iremos? Só Tu tens palavras de vida eterna."
E, depois da sua queda, já não fez promessas grandiosas.
Limitou-se a dizer:
— "Senhor, Tu sabes tudo. Tu bem sabes que Te amo."
Quem experimentou a misericórdia deixa de olhar os outros de cima.
Passa a olhá-los ao lado.
Por isso Pedro aparece sempre representado com umas chaves.
E talvez ainda hoje caiamos na tentação de pensar que as chaves servem para fechar portas.
Mas as chaves do Evangelho não servem para impedir a entrada.
Servem para abrir caminhos.
Abrir a porta a quem procura Deus.
Abrir espaço para quem regressa.
Abrir o coração àqueles que julgávamos perdidos.
Afinal, a porta que Jesus abriu na Cruz continua aberta.
E ninguém tem o direito de a fechar.

Padre João Torres

domingo, 28 de junho de 2026

Seguir Cristo na partilha com os irmãos

 

https://www.youtube.com/watch?v=W36l6nCyRNU&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=159

Nas leituras deste 13º Domingo do Tempo Comum, cruzam-se vários temas. No geral, os três textos que nos são propostos apresentam uma reflexão sobre alguns aspectos do discipulado. Fundamentalmente, diz-se quem é o discípulo (é todo aquele que, pelo baptismo, se identifica com Jesus, faz de Jesus a sua referência e O segue) e define-se a missão do discípulo (tornar presente na história e no tempo o projecto de salvação que Deus tem para os homens).

O Evangelho é uma catequese sobre o discipulado, com vários passos. Num primeiro passo, define o caminho do discípulo: o discípulo tem de ser capaz de fazer de Jesus a sua opção fundamental e seguir o seu mestre no caminho do amor e da entrega da vida. Num segundo passo, sugere que toda a comunidade é chamada a dar testemunho da Boa Nova de Jesus. No terceiro passo, promete uma recompensa àqueles que acolherem, com generosidade e amor, os missionários do "Reino".
Às vezes, as pessoas procuram os ritos cristãos por tradição, por influências do meio social ou familiar, porque "a cerimónia religiosa fica bonita nas fotografias...". Sem recusarmos nada devemos, contudo, fazê-las perceber que a opção pelo baptismo ou pelo casamento religioso é uma opção séria e exigente, que só faz sentido no quadro de um compromisso com o "Reino" e com a proposta de Jesus.
Integrar a comunidade cristã é assumir o imperativo do testemunho. Sinto verdadeiramente que isso é algo que me diz respeito - seja qual for o lugar que eu ocupo na organização da comunidade?

 Na primeira leitura mostra-se como todos podem colaborar na realização do projecto salvador de Deus. De uma forma directa (Eliseu) ou de uma forma indirecta (a mulher sunamita), todos têm um papel a desempenhar para que Deus se torne presente no mundo e interpele os homens.
Antes de mais, o texto sugere que o projecto de salvação que Deus tem para os homens e para o mundo envolve toda a gente e é uma responsabilidade que a todos compromete. Uns são chamados a estar mais na "linha da frente" e a desenvolver uma acção mais exclusiva e mais exposta; outros são chamados a desenvolver uma acção menos exclusiva e mais discreta, mas nem por isso menos importante. Mas uns e outros decidiram sentir a responsabilidade de colaborar com Deus. Estou consciente disso? Empenho-me verdadeiramente em descobrir o papel que Deus me confia no seu projecto e em cumpri-lo com generosidade?

A segunda leitura
recorda que o cristão é alguém que, pelo Baptismo, se identificou com Jesus. A partir daí, o cristão deve seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida e renunciar definitivamente ao pecado.
Em termos concretos, o que é que implica a nossa adesão a Cristo? Paulo responde: significa morrer para o pecado e viver para Deus. O que é que significa "pecar"? Significa fechar-se no próprio egoísmo e recusar Deus e os outros. "Pecar" é recusar a comunhão com Deus e ignorar conscientemente as suas proposta
s; é recusar fazer da vida um dom, um serviço, uma partilha de amor com os irmãos... Os homens do nosso tempo acham que falar de "pecado" não faz sentido e que o discurso sobre o pecado é um discurso antiquado, repressivo, alienante. No entanto, o "pecado" existe: é o egoísmo que gera injustiça e exploração; é o orgulho que gera conflito e divisão; é a vingança que gera violência e morte. O que se pede ao discípulo de Jesus é que renuncie a esta realidade e oriente a sua vida de acordo com outros critérios - os critérios e os valores de Jesus.


https://www.dehonianos.org/

sábado, 27 de junho de 2026

Acolher significa... viver pintado

 


Acolher significa... viver pintado

Diante das nossas DESCONFIANÇAS, de todos os INTERROGATÓRIOS que sempre fazemos antes de abrir as portas a alguém, somos convidados por Jesus a deixarmo-nos pintar pela vida do outro.
Para acolher incondicionalmente o outro
é necessário despir-se de todos os escuros e cinzentos
que fabricamos com a marca dos
PRÉ-CONCEITOS, dos julgamentos fáceis, da mania da superioridade...
Precisamos da máxima hospitalidade, na maior simplicidade!
A pessoa vale o que vale o seu coração;
cada pessoa vale pelo que dá. Cada um só tem o que dá!
A minha vida vale o que vale o meu amor pelos outros.
Muitas vezes enchemo-nos de coisas e sentimos o peso insustentável do vazio. Sentimos que temos coisas mas elas não falam, sentimos que não somos capazes de multiplicar a vida.
Jesus faz o elogio da hospitalidade.
se alguém der de beber,
nem que seja um copo de água fresca,
a um destes pequeninos... Não perderá a sua recompensa”.
Agrada-me este Deus concreto e palpável,
onde cada rosto é terra prometida,
lugar de acolhimento,
de dom e de entrega....
tudo aquilo que fazemos de bom,
de amor, tudo tem um eco e nós temos de acreditar nisso...
Eu acho que às vezes nós acreditamos pouco nos gestos de amor...
acreditamos mais nas coisas MATERIAIS,
acreditamos mais nos NÚMEROS que vemos,
do que acreditamos na força potenciadora do amor...
que é acolher a cor do outro em mim.
Ter a ousadia de viver pintado...

Padre João Torres

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Não resolve nada e, ainda assim, muda tudo

 


A mensagem chegou-me por WhatsApp como tantas outras: chegou sem contexto, sem aviso, no meio de coisas pequenas que ocupam o dia.

Era uma mensagem do Tiago, um colega do meu hospital.
Simples, directo:

— “Uma questão… Quem era a Verónica?"

Fiquei a olhar para o ecrã durante uns segundos.
Podia ter respondido logo: “Não aparece na Bíblia.” E teria sido verdade.

Mas também teria sido curto demais. E, se calhar, seria até um pouco defensivo, como se fechasse a porta à pergunta antes mesmo de a deixar entrar.

Escrevi:

“Curiosamente… não aparece nos Evangelhos. Mas na tradição bíblica foi a mulher que limpou o rosto de Jesus quando ele levava a cruz às costas.”

“Exacto… mas por acaso não sei quem ela era” – respondeu ele.

Completei a minha resposta:

“Não há muitas referências sobre ela, apenas que durante o caminho de Jesus para o Calvário, uma mulher sai da multidão, aproxima-se dele e limpa-lhe o rosto com um pano, e nesse pano teria ficado impressa a face de Cristo”.

“Pois... Eu sabia que havia mais qualquer coisa, que não "apenas" limpar o rosto. Obrigado”

A conversa ficou ali. Curta. Quase banal.

Uma pergunta. Duas ou três respostas. Um “Obrigado” no fim.

E, no entanto, não saiu de mim.

Eu sabia que havia mais qualquer coisa…”

Foi a última coisa que ele escreveu. E essa frase ficou.

Não ficou por causa da Verónica. Mas ficou por causa desse “mais”.
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Horas depois, entrei numa das Unidades do meu hospital.

Era um daqueles dias cinzentos. Sem grandes acontecimentos, mas com a visibilidade dos cansaços que se vão acumulando em silêncio.

Um doente mais agitado. Outro completamente fechado. Profissionais a fazerem o que podem. E, muitas vezes, a fazerem um pouco mais do que podem…

Sentei-me ao lado de um homem que conheço há algum tempo.

Não lhe disse grande coisa.

Ele também não.

Ficámos ali.

Ao fim de um bocado, passou uma auxiliar.

Vinha com pressa, como quase sempre vêm com pressa, porque o trabalho aperta.

Parou um segundo. Olhou para ele.

— “Tem aqui a cara toda suja…”

Disse-o com naturalidade. Sem peso. Sem discurso.

Foi buscar um pano. Molhou-o. E limpou-lhe o rosto.

Demorou menos de um minuto.

Não houve nenhum silêncio solene. Não houve nenhuma frase marcante. Não houve nada que, visto de fora, justificasse parar.

Acabou. E seguiu. Como quem faz apenas o que tem a fazer.

Mas ele ficou.

Diferente.

Endireitou-se ligeiramente. Passou a mão pelo rosto, como quem reconhece qualquer coisa. E ficou a olhar em frente de outra maneira.

Nada de extraordinário.
E, no entanto, ali estava.
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Lembrei-me da mensagem do Tiago.

“Eu sabia que havia mais qualquer coisa…”

Sim. Há.

Mas não é mais informação. Nem mais detalhe histórico. Nem mais precisão sobre quem era ou deixava de ser.

O “mais” está noutro lugar.

A Verónica, seja ela quem for, não muda o rumo da história. Não impede a cruz. Não altera o fim. Faz um gesto pequeno.

Quase inútil, se for medido pelos resultados.

Mas não é inútil.

Porque naquele momento, alguém deixa de ser apenas sofrimento exposto e volta, ainda que por instantes, a ser alguém.

E isso faz uma diferença gigantesca. Sim, faz…

Não muda tudo à nossa volta, é verdade.

Mas muda alguém.
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Às vezes procuramos o “mais” em explicações e ficamos presos à ideia de que só vale a pena o que resolve. O que é mensurável.

Mas no hospital, tal como na vida, há demasiadas coisas que não se resolvem. E o “mais” está quase sempre nos gestos que passam despercebidos.

E a pergunta da Verónica, que parece antiga, afinal não o é.

Repete-se todos os dias, nos corredores e nas Unidades de internamento:

quando não dá para curar,

quando não dá para impedir,

quando não dá sequer para explicar…

quando tudo é insuficiente,

quando nada parece chegar,

quando o que fazemos é sempre pouco…

ainda assim, fazemos

ou passamos ao lado?

tu passas ao lado

ou aproximas-te?

A conversa acabou com um “Obrigado”.

Mas acho que a resposta, a única que realmente interessa, não se escreve em mensagens.

Escreve-se nisto: num pano molhado, num rosto limpo, num segundo de interrupção do abandono.



Fernando d'oliveira

quinta-feira, 25 de junho de 2026

E tu, já pediste desculpa hoje?




Desculpa.


É outra das minhas palavras favoritas. Devo certamente algumas e tenho algumas a haver, quem sabe, mas a vida segue sem tantas vezes, nos darmos conta do quão importante seria parar, refletir e pedir desculpa, despretensiosa e acima de tudo sinceramente.

Quem me pede desculpa ganha o meu coração, pois tem a hombridade de o fazer mesmo que não seja fácil!

As vezes somos magoados pelos outros sem intenção, aí a desculpa pode tardar, mas não deve falhar "desculpa se te sentiste magoado, mas não foi essa a minha intenção" e desfazem- se mal-entendidos que, às vezes, duram a vida inteira!

Outras vezes somos magoados à séria e aí quando a desculpa é de coração é um momento tão bonito e tão importante que pode transformar vidas!

E é por isso que abomino a célebre frase: "as desculpas não se pedem, evitam-se" porque para mim é exatamente o contrário: AS DESCULPAS NÃO SE EVITAM, PEDEM-SE.


Lucília Miranda

quarta-feira, 24 de junho de 2026

S. João Baptista


https://www.youtube.com/watch?v=uHqgkPCCVQw

João Batista, além da Virgem Maria, é o único santo de quem a Liturgia celebra o nascimento para a terra. João, como "Precursor" de Jesus teve, de fato, um papel único na História da Salvação. Filho de Zacarias e de Isabel, a sua vida não desabrochou por iniciativa humana, mas por dom de Deus a dois pais de idade avançada e, por isso, já sem possibilidade de gerar filhos. Situado na charneira entre o Antigo e o Novo Testamento, como Precursor, João é considerado profeta de um e outro Testamento. O paralelismo estabelecido por Lucas entre a infância de Jesus e de João Batista levou a Liturgia a celebrar o nascimento de ambos: o de Jesus no solstício de Inverno e o de João no solstício de Verão.

A festa do nascimento de João Batista leva-nos a pensar no amor preveniente de Deus e na importância das suas preparações para o acolhermos devidamente e com fruto. Deus prepara o nascimento de João: um anjo anuncia a Zacarias que a sua mulher, idosa e estéril, vai ter um filho, cujo nascimento alegrará a muitos; inesperadamente, o nome da criança não é Zacarias, mas João, cujo significado é: "Deus faz graça"; João é enviado a preparar os caminhos do Senhor, o "ano de graça" do Senhor, a vinda de Jesus. Como o agricultor prepara o terreno antes de lhe lançar a semente, assim Deus prepara os tempos e os corações para receberem os seus dons. É por isso que havemos de viver vigilantes, de estar atentos à ação de Deus em nós e nos outros, para a sabermos discernir no meio dos acontecimentos humanos e nas mais variadas situações da nossa vida. João ajuda-nos a estarmos atentos a Jesus e ao que Ele quer fazer em nós e no nosso mundo. João acreditou e indicou Jesus aos que o seguiam: "depois de mim, virá alguém maior do que eu... Eis o Cordeiro de Deus!"
Por todas estas razões, a festa de hoje é um dia de alegria para a Igreja. E, todavia, João foi um profeta austero, que pregou a penitência com uma linguagem pouco amável: "Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da cólera que está para vir? Produzi, pois, frutos dignos de conversão e não vos iludais a vós mesmos, dizendo: 'Temos por pai a Abraão!'" (Mt 3, 7-8). O profeta exortava a uma penitência que se torna alegria, alegria da purificação, alegria da vinda do Senhor.
A missão de João Batista é, de certo modo, a missão de todo o crente: preparar a vinda do Senhor, o que é mais do que simplesmente anunciar. É preciso por ao serviço de Jesus não só as nossas palavras, mas também a nossa vida toda.

Oração

S. João Batista, glorioso Precursor de Jesus,
 verdadeiro amigo do Esposo,
 ensinai-me o espírito de penitência 
e o amor da pureza para alcançar uma união, 
cada vez maior, com Jesus, o Salvador, e com Maria, sua Mãe. 
Ensinai-me a viver essa união em todos os momentos da minha vida,
 incluindo o meu apostolado em que procuro preparar, 
como vós, os caminhos do Senhor.
 Que a minha ternura por Jesus se torne, 
cada vez mais, semelhante à vossa.
 Ámen.

https://www.dehonianos.org/liturgia/?mc_id=460

terça-feira, 23 de junho de 2026

Oração ao que fica por dizer…

 



Que saibamos encontrar formas de comunicar o que nos pesa.

Que não deixemos cristalizar a dor debaixo da nossa pele.

Que não naturalizemos o não falar. O não dizer. O guardar para nós.

Que as nossas palavras sejam mais vezes penas do que setas.

Que as nossas atitudes revelem a bondade do nosso coração, mas que isso não seja confundido com permissividade.

Que as palavras saiam depois de serem pensadas e rezadas. Que sejam eco nosso, mas nunca (simplesmente) reação em modo fogo posto.

Que possamos ser quem somos, ainda que os outros possam não gostar. Ou até julgar.

Que nos sobre empatia, mesmo quando os outros nos devolverem arrogância ou artilharia pesada.

Que a nossa assertividade não se confunda com agressividade.

Que a comunicação menos violenta seja um modo de vida. Uma aprendizagem que fique e que se torne forma de ser e de estar.

Que a nossa alma seja livre quando decidir falar ou expressar-se.

Que a nossa voz tenha asas para voar quando decidir ir contra o que todos pensam.

Que os nossos ouvidos filtrem o bom, apenas. E que o coração deixe cair o que foi menos simpático ou até doloroso.

Que as nossas palavras sejam colo e pão para quem vive sozinho ou com fome de amor e de companhia.

Que o que somos atravesse os outros de uma forma delicada, gentil e corajosa.

Que a nossa verdade seja sempre maior que a verdade que o mundo nos quer impingir.

O que fica por dizer pode transformar-se em pedra pesada dentro do coração.

Que não fique nada por dizer. E que o que for dito seja dito com amor.


Marta Arrais

segunda-feira, 22 de junho de 2026

O medo lixa-nos a vida...

 


O medo lixa-nos a vida...

O medo envenena a nossa vida, o medo enche-nos de ansiedade
e impede-nos de termos alegria, acreditar e crescer. O medo lixa-nos a vida.
Jesus volta a fazer-nos um convite: “Não tenhais medo”.
Previne cada um de nós para três medos:
O medo de sermos julgados pelos outros,
pelo que pensamos e naquilo em que acreditamos.
Estamos sempre ligados, entregamo-nos ao tribunal dos outros, nas redes sociais todos julgam todos. O fantástico mundo da liberdade tornou-se o mundo que nos escraviza.
O segundo medo é daqueles que matam o corpo.
A obsessão pelo corpo perfeito vira doença!
Não basta investir apenas no corpo - ginástica, cremes, cabeleireiros, SPAs.
Somos mais que um corpo...Somos um mundo, um universo e uma história.
É preciso cuidar da alma para entender o sentido da vida.
O terceiro medo é o de não ser digno.
De não ser amado, de errar, de ser inútil, supérfluo...
O nosso Deus é capaz de conhecer os passarinhos, de amá-los, de cuidar deles. Eu valho mais do que muitos passarinhos, diz Jesus. Nós somos importante para Ele.
«É sabendo que Deus me ama, que posso mudar, crescer e ser amável»
Deus não quer que nos destruamos.
Ele sabe que as sombras do medo envelhecem-nos o coração.
O medo paralisa, rouba o melhor da vida.
O medo lixa-nos a vida...

Padre João Torres

“Não tenhais medo dos homens…”


“Não tenhais medo dos homens…”
Jesus Cristo segundo S. Mateus no Capítulo 10, Versículo 26


O que move a nossa vida é esta certeza que nos habita:

EU SOU PECADO, MAS ACREDITO NUM DEUS QUE ME SALVA A CADA DIA.

Podemos gritar aos quatro cantos deste mundo redondo:

Deus escuta-nos sempre!

Não há local escondido aos olhos de Deus!

Não há ar que Deus não respire com cada um de nós!

Não há criação que Deus não tenha sonhado, cuidado, semeado!

Não há alegria, não há justiça, não há perdão que não saia do coração do Pai.

Somos força! Somos Criação Divina! Somos Vida!


Viver ao sabor de Deus e encontrá-Lo em cada ser humano,

ilumina o nosso dia a dia.

Afasta do nosso coração o engano e a mentira.


É urgente que a nossa Alma se entregue por inteiro à verdade e ao Amor de Deus.

É essa condição que faz toda a diferença na nossa vida.


Vivo, porque Deus assim O quer.

Vivo, como Deus quer.

Vivo, onde Deus me envia.


Que voltem para as nossas bocas as frases:

“Até amanhã, se Deus quiser!”

“Se Deus quiser, fico melhor!”

“Onde Deus está, nada falta!”

“Quem vive com Deus, Deus ajuda!”


Hoje, façamos um pedido ao nosso Deus, ao nosso Pai:

Senhor, que eu confie em Ti, como o frágil passarinho, sempre.


Liliana Dinis

domingo, 21 de junho de 2026

Encerramento da catequese

 Hoje a Paróquia de Arronches, reuniu-se com o coração cheio de alegria e gratidão para celebrar a missa de encerramento do ano  da catequese. Ao longo do ano vimos a caminhada de fé, partilhamos a Palavra de Deus e crescemos como comunidade.

Este foi  momento de agradecer ao Senhor por todos os que participaram, pelas amizades fortalecidas nesta caminhada de fé.

Esta Eucaristia teve também um significado muito especial para todos. Hoje despedimo-nos de uma catequista. Foram anos de dedicação, amor incondicional e muita paciência. Muito obrigado pelo seu sim, D. Júlia.

A Eucaristia foi animada  pelo coro da igreja e algumas catequizantes participaram nas leituras e ofertório.

Após a Comunhão foram entregues os Diplomas da Avé Maria ao 1º ano, a Bíblia ao 4º ano e a Proclamação das Bem-Aventuranças ao 7º ano.

Após a Acção de Graças, foram entregues os  Diplomas do Credo ao 5º  ano e o Compromisso ao 9º ano.

FÉRIAS DA CATEQUESE SIM! 

MAS FÉRIAS DE JESUS NUNCA!!




























Não temais

 

https://www.youtube.com/watch?
v=GJcNE9yPQVw&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=160

As leituras deste domingo põem em relevo a dificuldade em viver como discípulo, dando testemunho do projecto de Deus no mundo. Sugerem que a perseguição está sempre no horizonte do discípulo... Mas garantem também que a solicitude e o amor de Deus não abandonam o discípulo que dá testemunho da salvação.

A primeira leitura apresenta-nos o exemplo de um profeta do Antigo Testamento - Jeremias. É o paradigma do profeta sofredor, que experimenta a perseguição, a solidão, o abandono por causa da Palavra; no entanto, não deixa de confiar em Deus e de anunciar - com coerência e fidelidade - as propostas de Deus para os homens.
No baptismo, fomos ungidos como "profetas", à imagem de Cristo. Estamos conscientes dessa vocação a que Deus, a todos, nos convocou? Temos a noção de que somos a "boca" através da qual a Palavra de Deus ressoa no mundo e Se dirige aos homens?

No Evangelho, é o próprio Jesus que, ao enviar os discípulos, os avisa para a inevitabilidade das perseguições e das incompreensões; mas acrescenta: "não temais". Jesus garante aos seus a presença contínua, a solicitude e o amor de Deus, ao longo de toda a sua caminhada pelo mundo.
A Palavra de Deus que nos foi hoje proposta convida-nos também a fazer a descoberta desse Deus que tem um coração cheio de ternura, de bondade, de solicitude. Se nos entregarmos confiadamente nas mãos desse Deus, que é um pai que nos dá confiança e protecção e é uma mãe que nos dá amor e que nos pega ao colo quando temos dificuldade em caminhar, não teremos qualquer receio de enfrentar os homens.

Na segunda leitura, Paulo demonstra aos cristãos de Roma como a fidelidade aos projectos de Deus gera vida e como uma vida organizada numa dinâmica de egoísmo e de auto-suficiência gera morte.
Alguns acontecimentos que marcam o nosso tempo confirmam que uma história construída à margem de Deus e das suas propostas é uma história marcada pelo egoísmo, pela injustiça e, portanto, é uma história de sofrimento e de morte. Quando o homem deixa de dar ouvidos a Deus, dá ouvidos ao lucro fácil, destrói a natureza, explora os outros homens, torna-se injusto e prepotente, sacrifica em proveito próprio a vida dos seus irmãos. Qual o nosso papel de crentes neste processo? O que podemos fazer para que Deus volte a estar no centro da história e as suas propostas sejam acolhidas?


https://www.dehonianos.org/liturgia/?mc_id=5786

sábado, 20 de junho de 2026

La Moreneta de Montserrat

 


Um pequeno apontamento da visita de Leão XIV a Espanha.

Cinquenta quilómetros separam Barcelona de Montserrat. O Papa subiu à montanha onde se encontra a abadia que guarda La Moreneta, padroeira da Catalunha. A Senhora Negra, que segundo a lenda foi encontrada numa gruta por algumas crianças, é uma estátua românica da Virgem Maria esculpida em madeira, que fica no alto de uma montanha rochosa. Pelo tom escuro que a madeira adquiriu ao longo dos séculos devido ao fumo das velas e ao verniz, os fiéis começaram a chamá-la carinhosamente em catalão de La Moreneta, ou A Morenita, em português. Atrai peregrinos de todo o mundo há mais de um milénio.

Na visita à basílica, Leão XIV explicou que a escolheu «para lhe confiar, cheio de fé na sua intercessão materna, o meu ministério petrino e a missão da Igreja no mundo que clama por justiça e paz». E também para lhe implorar que «nos ajude a revestir-nos unicamente com a armadura de Deus».

Não é por acaso que recorda a conversão de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, «que neste lugar evocativo, após uma noite de oração diante da Virgem, entregou a sua armadura de cavaleiro, momento que marcou o início de uma nova vida ao serviço de Cristo».

Em 1521, quando ainda era conhecido pelo seu nome de batismo, Íñigo, sofreu um grave ferimento de bala de canhão numa perna durante a defesa de Pamplona. Durante a sua longa e dolorosa recuperação, leu livros religiosos que despertaram o desejo de imitar os santos e seguir uma vida espiritual. Assim que recuperou forças para caminhar, Inácio decidiu fazer uma peregrinação. O seu primeiro grande destino espiritual foi o Santuário de Montserrat, em março de 1522.

A passagem de Inácio de Loyola pelo santuário da Morenita ficou marcada por três gestos carregados de simbolismo cavaleiresco e desapego material. A Confissão Geral: Inácio passou três dias a preparar-se e a escrever os seus pecados, fazendo uma longa e profunda confissão com um dos monges do mosteiro para purificar o passado. A Troca de Roupas: Ele tirou as suas vestes nobres de fidalgo e cortesão e deu-as a um homem pobre. Em substituição, vestiu uma túnica austera feita de pano de saco, o traje típico dos peregrinos humildes. A Vigília d’Armas: Como antigo cavaleiro, Inácio adotou a tradição militar da "vigília d’armas". Ele passou toda a noite de 24 de março de 1522 de pé ou de joelhos diante da imagem da Morenita. No altar da Virgem, ele pendurou e abandonou a sua espada e o seu punhal.

O significado espiritual deste ato diante da Morenita representou a sua demissão do exército terreno e o alistamento no que ele considerava o exército de Cristo. A espada, que antes servia para procurar a fama e a honra humana, foi entregue à Virgem Maria.

Leão XIV sublinhou a importância deste gesto: «Maria conduz-nos a Cristo e ensina-nos a escutar a sua voz», mas também «convida-nos a alcançar um coração reconciliado com os critérios do Evangelho». Porque «Jesus mostra-nos o caminho da misericórdia, da reconciliação, da verdade e da mansidão. Ao mesmo tempo, desmascara a violência que pode estar escondida nas nossas palavras e atitudes: a crítica que humilha, a condenação que destrói e a agressão que divide. Esta violência oculta pode muitas vezes estar revestida de uma aparente armadura com que procuramos proteger as nossas feridas, os nossos medos ou o sofrimento causado pela injustiça». Por isso, o Papa pede-nos que, tal como Inácio, depositemos «aos seus pés a armadura que gradualmente endureceu os nossos corações».

O exemplo de Santo Inácio é muito importante para todos nós, cristãos, peregrinos em busca do sentido da vida, em busca do Senhor. Em Montserrat, depôs as suas armas materiais. Hoje, nós, cristãos, e toda a humanidade somos chamados a depor as armas da guerra, certamente, mas também aquelas armas afiadas como espadas, que são as palavras que causam dano, que criam divisão e ódio entre pessoas e povos. E é dos cristãos que deve vir, hoje mais do que nunca, uma palavra de paz, para que a humanidade aprenda a desarmar não só as palavras, mas também as atitudes e viver uma cultura de encontro que proteja cada ser humano.


Paulo Victória,

Olha à tua volta

 



Olha à tua volta.

Deixa-te serenar. Silenciar o ruído, por dentro e por fora. Para respirares, para sentires, para veres com o coração.

E olha bem à tua volta.

Ainda existe beleza... No abraço que é porto de abrigo, na mão que ampara, no sorriso do coração.

Ainda existe beleza... No olhar que abraça a alma, na ternura que cura, no colo que tudo acalma.

Ainda existe beleza... Na palavra que conforta, no silêncio que compreende (e que tanto fala), no riso que contagia.

Ainda existe beleza... Na companhia que faz tudo melhorar, no gesto que faz sorrir, nas pessoas que te querem bem.

Ainda existe beleza... Nos momentos que tocam (para sempre) o coração, na delicadeza das coisas simples, no amor que salva.

Olha à tua volta.

Ainda existe beleza... Mesmo que existam os dias cinzentos, as noites escuras, as tempestades.

Ainda existe beleza... Enquanto o amor ainda morar aqui.

E em ti... que ainda és vida que cuida, bondade que abraça, esperança que não se apaga.

Olha à tua volta.

Vês?

Daniela Barreira

sexta-feira, 19 de junho de 2026

ACHADO POLICIAL DE VALOR INCALCULÁVEL!...


Nas minhas escavações arqueológicas, momentos houve em que pulei ao jeito de Arquimedes no zénite do seu achado, mas com uma grande diferença. Ele descobriu o ‘Princípio do Empuxo’ e logo correu a gritar: “Eureka!”. Eu descobri um recorte do ‘Diário Popular’ e logo vociferei uma jaculatória minhota! É... são sortes!
Arquimedes, com a sua descoberta, denunciou a falcatrua do ourives e sossegou Hierão II, rei tirano de Siracusa, que entendeu que a sua cabecinha de rei bem merecia uma coroa de ouro puro sem prata à mistura. Eu, com o meu achado amarelecido pelo tempo, redescobri que o nosso rei, avesso a coroas doiradas, preferia a devota prece dos seus pides sem pregações à mistura.
Arquimedes percebeu que, ao entrar na banheira, o volume de água que transbordava correspondia ao volume exato do seu corpo. Ora, sendo a prata mais leve que o ouro, uma coroa de ouro com prata à mistura, teria maior volume que uma coroa de ouro puro com o mesmo peso. Assim, a tramoia do ourives ficaria descoberta e o rei sossegado. Eu, porém, logo apliquei o princípio: quando os pides entravam numa igreja, a piedade não transbordava porque a sua devoção não tinha qualquer peso, o rei continuava enganado pelas aldrabices dos seus ‘ourives’, o pio parenético lá dentro da igreja, mesmo que gravado, até esse seria deturpado pelos preconceituosos bufos, mirones e testemunhas. Mas, vamos ao que importa antes que anoiteça e o leitor adormeça ou perca a paciência.
Dirigida “aos senhores diretores de serviços, chefes das delegações, subdelegações e postos de vigilância na metrópole”, com data de 21 de março de 1973, o major Silva Pais, diretor da Pide/DGS, teve a gentil bondade de fazer correr a seguinte circular:
“Como é do conhecimento dos Serviços, são já de certo modo numerosos os sacerdotes que, em ato de culto, atacam declaradamente as instituições e a política ultramarina do Governo – direi da própria Nação – e os seus princípios morais. Trata-se de uma ação subversiva que a lei penal prevê iniludivelmente. Muitas das prédicas de que nos chega conhecimento enquadram-se claramente nas disposições daquela legislação. Há que enfrentar esta atividade delituosa, decididamente. Assim, as homilias dos padres conhecidos nas áreas por tais atividades, devem ser seguidas atentamente, de modo a colherem-se elementos para a devida participação inicial, com indicação de testemunhas, para consequente decisão. Aos domingos, há que fazer assistir à missa habitual pelo menos três agentes, que tomarão boa nota no caso de o sacerdote entrar em afirmações de carácter delituoso. O funcionário mais graduado ou antigo fará depois a devida participação, o que tudo será exposto aos Serviços Centrais (caso das delegações, subdelegações e postos de vigilância). Promover também, sendo possível, a gravação das homilias, sem que isso dispense a simultânea prova testemunhal. O que se torna imperioso é que os serviços se habilitem com os elementos indispensáveis para se promover a devida ação penal, se assim for entendido. O que não pode é assistir-se passivamente, com simples protestos verbais, à ação dissolvente e subversiva conduzida por esses sacerdotes”.
Oram vejam lá se esta coisa não é mesmo de valor incalculável! Incalculável também era a expressão dum cicerone do museu da catedral de Braga - já muito idoso ao nosso olhar de rapazes, mas talvez muito mais novo do que esses rapazes hoje são -, que, desaferrolhando aquelas portas com aquelas chaves de grande medida e peso, nos ia guiando por salas adentro. O refrão era sempre o mesmo sobre tudo e cada coisa: ‘de valor incalculável, de valor incalculável...”. Não sei se o fazia por estar cansado de explicar sempre o mesmo, se por entender que os rapazes eram demasiado traquinas para entender qualquer douta explicação, se era mesmo por, para ele, a explicação menos maçadora e mais valiosa era mesmo essa em jeito de refrão: ‘de valor incalculável, de valor incalculável...’.
Coisa também admirável é o que nos diz, esta semana, uma conceituada revista semanal: um dos seus jornalistas “foi a sete missas diferentes. E quis ir a mais uma”. Se, por um lado, me fez lembrar aqueles que pertencem a nove confrarias e não descansam enquanto não pertencem a mais alguma sem estar em nenhuma, por outro lado, embora o seu artigo resulte também de conversa com pessoas pertencentes a esses movimentos que alcunha de ‘mais conservadores’, o seu zelo de ir a sete missas e de ter sido barrado de ir a mais uma, mesmo que o não seja, dá ares de muito pidesco.
Mas também, caro leitor, quero contar-lhe outra coisa de valor incalculável. Essa sim, é mesmo mesmo de valor incalculável! Numa das paróquias do Arciprestado de Castelo Branco, o Pároco, e também eu algumas vezes, celebrámos com a presença de dois GNRs plantados mesmo ali ao lado do altar. Acho que ainda hoje isso acontece. Perante essa ‘estranha’ presença, o leitor ficará incrédulo e com ares de certa revolta me perguntará: ‘mas, porquê?’. É que ambos tocavam, cantavam e rezavam no Grupo Coral. Ó gente boa e afinada, feliz e colaboradora: um abraço!

D. Antonino Dias
Caminha, 19-06-2026.

Quem olha por ti?

 



Podemos saber por quem olhamos, mas conseguiremos saber quem olha por nós?

Alguns de nós afirmam que não têm ninguém, que estão sós. Talvez até pudesse ser verdade em alguns casos, mas como pode alguém ter essa certeza?

Acredito que qualquer pessoa que esteja a ler este texto consegue fazer uma lista com pelo menos 25 nomes de pessoas importantes na sua vida. Não é uma tarefa simples, porque quem se propõe a tal assume sempre que deve apontar o nome daqueles que ama ou pelos quais nutre bons sentimentos.

Mas quantos dos que constam da minha lista me têm na deles?

Mais ainda, será que o meu nome não aparece nas listas de pessoas que eu desconheço ou de quem já nem me lembro que existem?

Não somos importantes apenas para quem o queremos ser. Algumas vezes, nem esses nos aceitam como tal.

Por outro lado, a nossa vida pode ser um dom para pessoas cujo nome nunca conheceremos ou que julgamos serem apenas figurantes da nossa existência.

Outros ainda podem olhar por nós e amar-nos sem deixar grandes pistas que nos permitam encontrá-los. Se existirem – e existem! – por que razão não querem sequer que lhes agradeçamos?

É bom ser bom, mais ainda sem esperar ser reconhecido por isso.

Será que me lembro – e guardo no coração – todos os que me fizeram e fazem bem, que me amaram e ainda me amam?

Quantas vezes, ao longo da minha vida, caí em desgraça e fui encontrado por alguém no chão, levado para um abrigo — e, quando acordei, nem percebi bem como fui ali parar?

Ilustração de Carlos Ribeiro

José Luís Nunes Martins

quinta-feira, 18 de junho de 2026

As nossas inconstâncias

 



Gosto de confiar nas pessoas;

Gosto de saber que posso contar com elas;

Gosto que se cumpram compromissos;

Gosto de alguma previsibilidade de comportamentos.

E tu?

Não gosto quando me dizem que vão e não vão;

Não gosto que digam algo que não corresponde às ações;

Não gosto que se comprometam e depois ignorem o compromisso.

E tu?

Tenho um pouco de dificuldade em confiar nas pessoas que parece que fazem tudo, e nos vendem a ideia de que amanhã te resolvem o problema e depois desaparecem e escondem-se atras de desculpas e desculpas.

Aquelas pessoas que se comprometem a passar logo lá em casa para te resolver algo, e não aparecem.

Aqueles que dizem que adoram o que faço mas quando pergunto, nem se quer sabem do que falo.

Arrisco-me a dizer que já todos fizemos isto. Em algum momento tivemos uma epifania de euforia e dizemos: “eu faço isto e aquilo” e depois passa como uma brisa. Depois fracassamos e pomos nas gavetas os projetos que idealizamos. É agora…mas não foi!

O problema aumenta quando envolvemos outros nas nossas inconstâncias e fracassamos com as nossas promessas. O problema é que há cada vez mais pessoas que ora é tudo, ora é nada e isso quebra qualquer espirito de confiança que alicerça as relações.

Quando no auge da nossa vontade, nos comprometemos, devemos garantir que caso não o façamos, pelo menos desculpamo-nos e assumimos: olha que o outro repara, e às vezes o outro és tu.

Não pares de sonhar e envolver quem te ama, mas mostra-lhe respeito tanto no sucesso como no fracasso.

E tu amiga, tens sido inconstante?


Raquel Rodrigues

terça-feira, 16 de junho de 2026

AMO A MINHA IGREJA

 


Ele há gente sem NOME, sem NORTE nem SORTE, sem MEMÓRIA, sem VIDA e sem FUTURO. Onde cada um se ESCONDE, NEGAR-SE E PERDER-SE....
«Jesus, percebeu-lhes o sofrimento, adivinhou-lhes a angústia, sentiu-lhes o aperto. Porque era gente dispersa e não reconhecida. Gente entregue a si mesma, não amada. Gente «stressada», ocupada no imediato, sem alma que brilhasse...
Jesus vê que estamos perdidos, como ovelhas sem pastor, porque não temos dentro de nós as respostas para todas as perguntas.
Jesus comove-se e inventa a Igreja. Jesus pensa numa companhia, numa busca comum, num sonho realizado: homens e mulheres, seus discípulos, capazes, juntos, de buscar sentido e plenitude, moderação e alegria.
Jesus escolhe doze pessoas para começar a construir o Reino, doze que ficam com ele, para depois se tornarem capazes de conduzir outros... E a missão é simples. CURAR, CHAMAR, LIBERTAR, COMPROMETER...
Quando ouvimos as palavras de Jesus: “Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara”, interpretamos este convite de maneira redutora.
Significa pedir a Deus que me mande a mim como trabalhador da ternura... que me mande com um coração de carne comer o pão das lágrimas com quem chora e beber o cálice do sofrimento com quem sofre...
Vou-vos contar um segredo: eu amo a Igreja.
Amo esse sonho louco de Deus que sou chamado a viver...
Vamos nos entender:
não aquele rabisco de igreja muitas vezes cultivado
por membros mornos e fanáticos, que se acham perfeitos.
Não: a Igreja é uma comunidade de companheiros de viagem
chamados a tornar presente o Pastor nos seus gestos...
que têm vontade de ensinar e cuidar uns dos outros,
que se esforçam por serem um sorriso de Deus para os irmãos...
É dessa gente louca de Deus que a nossa Igreja precisa...

Padre João Torres

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Só damos o que temos



“Só damos o que temos.

Cada um oferece aquilo que tem e transborda de dentro de si.”
Augusto Branco



Deus chama por cada um de nós.

Não é a nossa resposta verbal que faz a diferença.

A nossa atitude diária perante as adversidades do caminho,

é o que nos faz trabalhadores da seara.


Honrar a aliança que Deus fez com o Seu Povo, é um renovar o amor a cada amanhecer.

Para isso, muitas vezes, morremos para o mundo!

Permanecemos em silêncio…

Gastamos mais um bocadinho da nossa paciência…

Escutamos os outros…

Partilhamos o pouco que possuímos…

Vamos ao encontro de quem está sozinho…

Costuramos feridas abertas com um abraço…

Abrimos a boca para que as palavras sejam regaço que acolhe…

Acendemos luzes no caminho da Reconciliação…

…e em troca ambicionamos um sorriso!


As tristezas e as lamentações diárias

tornam-se mais leves quando sorrimos.

Um brilho no olhar,

que pode ser o início de uma lágrima que quer cair;

ou a alegria de ser ovelha que se arrepende e Acredita na Boa Nova.


Hoje, somos convidados a ir.

Mais do que partir ao encontro é ser encontro!

Sentar ao pé do mar e tocar o coração de alguém…

Subir à montanha e reconstruir uma Alma que sofre…

Deitar na relva fria e agarrar a mão de quem amamos…


Sejamos alegres trabalhadores na seara do Reino do Pai!

Eu vou! Vens?


Liliana Dinis

Festa do Pai Nosso



A nossa paróquia está de parabéns e em festa, porque as crianças do segundo ano de catequese aprenderam coisas muito importantes ao longo deste ano e hoje receberam a oração do Pai Nosso. Deus, Pai de todos os meninos e meninas, que nos ensinou a amar e abriu no nosso coração o caminho para sermos felizes
A nossa vida é preciosa aos olhos de Deus qualquer que seja a idade e o estado em que nos encontramos.e por isso devemos dar valor à nossa vida e respeitar a dos outros.

Este domingo as crianças do 2º ano, celebram a Festa do Pai-Nosso. Jesus ensinou-nos a Sabedoria da Oração. O encontro que acontece no mais íntimo do coração, mas que tem também um profundo rosto comunitário. Ao dizermos Pai Nosso, e Pão Nosso estamos a ser sinal da fraternidade que queremos construir e assumir como missão.