Mas talvez o mais importante não seja celebrar.
Seja acordar.
Porque há crianças a sorrir nas fotografias… e a sofrer em silêncio na vida real.
Enquanto algumas crescem rodeadas de carinho, outras aprendem demasiado cedo o peso da dor, da guerra, da fome, da violência e da indiferença.
A fotografia daquele menino sem braços devia inquietar-nos profundamente.
Não pela ausência dos braços.
Mas pela ausência de humanidade num mundo que continua a fabricar guerras, ódio e destruição… enquanto fala de progresso.
Que mundo é este que investe mais em armas do que em infância?
Que humanidade é esta que se emociona nas redes sociais… mas se habitua rapidamente ao sofrimento dos inocentes?
Há crianças que perderam os pais.
Outras perderam a casa.
Outras perderam a escola, o pão, a segurança.
E há as mais esquecidas de todas:
as que perderam o direito de serem simplesmente crianças.
E talvez a tragédia maior seja esta:
estamos lentamente a normalizar a dor.
Dizemos que as crianças são “o futuro”.
Mas não é verdade.
As crianças são o presente.
Precisam de amor agora.
De proteção agora.
De escuta agora.
De dignidade agora.
Não quando a guerra acabar.
Não quando houver melhores políticas.
Não quando “houver tempo”.
Agora.
Uma criança não precisa de um mundo perfeito.
Precisa de adultos capazes de amar, proteger e cuidar.
E talvez Deus passe exactamente aí.
No modo como olhamos os mais frágeis.
Na forma como tratamos quem depende de nós.
Na capacidade de ainda nos comovermos.
Porque uma sociedade que deixa morrer a infância… começa também a morrer por dentro.
Hoje não basta publicar frases bonitas.
É preciso recuperar humanidade.
Ensinar ternura.
Criar presença.
Salvar a inocência do cinismo deste tempo.
E nunca esquecer:
uma criança que cresce sem amor aprende demasiado cedo a sobreviver…
quando só devia aprender a viver.
Padre João Torres
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