Os filhos não são uma propriedade. São uma missão.
Há uma tentação silenciosa que habita o coração de muitos pais: pensar que amar um filho é moldá-lo à sua própria imagem. Desejam protegê-lo de todas as quedas, evitar-lhe todas as lágrimas, escolher os caminhos que julgam melhores. Fazem-no por amor. Mas, por vezes, sem se aperceberem, confundem amor com posse.
Os filhos não são um projeto para realizar os sonhos que ficaram por cumprir. Não vieram ao mundo para repetir a história dos pais, corrigir os seus erros ou confirmar as suas escolhas.
Vieram para escrever a sua própria história.
Deus confia os filhos aos pais, mas não lhes entrega um destino já traçado. Confia-lhes uma vida única e irrepetível, com uma vocação que só cada filho poderá descobrir.
Educar é, por isso, um dos maiores atos de humildade.
É ensinar sem prender. Corrigir sem humilhar. Orientar sem controlar. Estar presente sem ocupar todo o espaço. É aprender, todos os dias, a dar um passo atrás para que os filhos possam dar um passo em frente.
Ser pai ou ser mãe é aceitar que chegará o dia em que os filhos deixarão de pedir a mão dos pais para começarem a caminhar pelos seus próprios pés. E esse dia não será o fracasso da educação; será, talvez, o seu maior sucesso.
Os filhos precisam de raízes, mas também de asas.
As raízes dão-lhes identidade, valores, fé e sentido de pertença. As asas dão-lhes liberdade para sonhar, decidir, amar, errar, recomeçar e encontrar o lugar que Deus preparou para eles.
Os pais são chamados a lançar os filhos para a vida com confiança, sabendo que o amor verdadeiro não prende; acompanha. Não domina; inspira. Não vive no medo de perder, mas na alegria de ver crescer.
Educar é amar tanto, que se aprende a deixar partir.
Padre João Torres
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