Se reparares bem, boa parte dos nossos maiores erros que cometemos na vida não nascem da falta de caráter, mas do pavor da solidão. Aceitamos migalhas emocionais, relações falidas, toleramos faltas de respeito ou preenchemos a agenda com encontros vazios. Parece que desenvolvemos uma fobia que se está a tornar crónica: a fobia do silêncio, da solidão. Parece que ficar sozinho tornou-se sinónimo de abandono, quando na verdade deveria ser sinónimo de paz. Sabes, quem não suporta a própria companhia, geralmente foge do que está escondido dentro da própria mente… o medo de enfrentar os próprios vazios, traumas e as verdades que a correria do dia a dia consegue abafar. Procurar estar só, por vezes, é um acto de poder e maturidade emocional, porque o encontro connosco mesmos é tão vital como respirar. Quando a tua mente está em paz, sabes, ganhas uma liberdade de escolha fora de série. Deixas de te relacionar por necessidade, por carência ou para tapar buracos, e passas a relacionar-te por desejo e admiração real… no fundo abandonas a prostituiçao dos teus vazios. Quem se basta não aceita qualquer relacionamento. Se tu fores a tua melhor companhia, só vais querer do teu lado quem soma, quem acrescenta… não quem te diminui. Sabes, a solidão só assusta quem ainda não aprendeu a habitar consigo próprio.
Padre Ricardo Esteves
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