sexta-feira, 3 de julho de 2026

EU SEI PARA ONDE VOU

 


A vida desdobra-se num amálgama constante,
entre a certeza que se confirma
e a surpresa que desabrocha a cada amanhecer.
Ao contrário de tantos que caminham sem bússola,
trago em mim a clareza límpida do que quero e do que recuso.
Sei bem de onde venho,
reconheço o meu destino
e abraço o caminho que escolhi trilhar.
Há quem passe pelos meus dias sem acrescentar valor,
servindo apenas como um espelho daquilo que nunca quero ser.
Cruzar-me com a mentira, a hipocrisia, a falsidade e o oportunismo
obriga-me a olhar para dentro e a escolher a diferença.
A vaidade, o egocentrismo e o narcisismo de alguns
provocam-me um aperto profundo no peito,
mas a maior e mais triste ironia
é constatar que estas sombras habitam, tantas vezes,
no topo dos altares, entre os afamados pastores da Igreja.
Em contrapartida, é no povo mais simples
que a vida se torna sagrada, desarmante e profunda.
Eles ensinam-me, no silêncio e na verdade dos seus gestos,
o significado puro da bondade, da generosidade,
da proximidade e da humildade.
Revelam-me o altruísmo, a comunhão
e os sinais mais bonitos de uma fé viva.
Sinto-me tão pequeno diante da imensidão desta gente humilde
que, generosamente, faz o favor de me acolher nos seus dias.
Por tudo isto, o meu coração eleva-se em gratidão a Deus.
Porque se a maldade existe e corrói,
encastelada nas elites eclesiásticas que deviam dar o exemplo,
a luz dos simples é infinitamente mais forte.
São eles que, na beleza pura do quotidiano,
me continuam a mostrar o rosto de Cristo todos os dias.

Padre António Magalhães


Sem comentários:

Enviar um comentário

Este é um espaço moderado, o que poderá atrasar a publicação dos seus comentários. Obrigado