Telefonei a um mais velho para lhe perguntar como é que ele fazia para manter uma terra boa, lá nos campos. Deu-me três segredos:
1. disse-me que quando uma terra não é muito boa “para receber a semente”, a primeira coisa a fazer é revolvê-la toda com o arado, o mais fundo possível, “para trazer a terra do fundo para cima, e deixá-la respirar” durante uns dias. “A terra do fundo é sempre melhor”, disse ele. E ele nem sequer imaginava que eu estava a ouvir tudo o que me dizia como símbolo do nosso Coração… “A terra do fundo é sempre melhor…” Sim, é verdade! Mas nós muitas vezes queremos semear à superfície, na casca da Vida, no lado de fora da existência…
2. depois, há que não deixar a terra habituar-se à sementeira: “se um ano é batatas, no outro ano semeia-se trigo! Um ano batatas, outro ano trigo!” Porque quando uma terra se habitua à semente, normalmente “começa a dar menos, porque se cansa”. E eu voltei a sorrir… Aquele mais velho falou-me do perigo da habituação, que conduz sempre ao cansaço e à desilusão…
3. finalmente, disse-me que é sempre bom, mais ou menos de sete em sete anos, “deixar a terra descansar um ano”. “Para que a terra ganhe força”, explicou-me. E eu percebi de novo. A importância de pararmos… Pararmos para nos darmos descanso e silêncio, para ficarmos mais fortes, para nos enriquecermos de nutrientes… aqueles do Coração, claro!
Depois, disse “Obrigado” àquele mais velho. E ele ainda agora não imagina as coisas bonitas que me disse! Sabes, aquele mais velho não conhece uma única letra do alfabeto, mas Deus também nos fala assim…
Texto adaptado do Pe. Rui Santiago
Padre João Torres
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