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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

GANHAR O IRMÃO!

 


GANHAR O IRMÃO!

Vejo em mim e ao meu redor muita paz, beleza, amor e paixão. Mas também muita raiva e violência, vitimização e desânimo. Vejo pessoas agressivas, descontentes, mexeriqueiras, sempre prontas para acusar, julgar, denegrir, justificar-se.
E é normal que assim seja. É instintivo. Viemos da lama. E pensamos que, afinal, não existem outras formas de ser, de viver, de se relacionar.
Jesus, como sempre, faz novas todas as coisas. Começa por nos dizer: “Se o teu irmão te ofender vai ter com ele”.
Habitualmente, as coisas não funcionam assim. Se alguém te OFENDE, tu ficas à ESPERA de que essa pessoa que te OFENDEU, que se chateou contigo, que VENHA TER CONTIGO e te peça desculpa pelo gesto, pelo ato que fez.
Repara que Jesus troca realmente os papéis e diz uma outra coisa que é: “Tu, que foste o ofendido, vai ter com aquele que te ofendeu”.
Vai com delicadeza, prudência, humildade, de um pecador a outro pecador. Tu a tu. Olhos nos olhos. Coração a coração. Não nos apeguemos ao nosso orgulho ferido.
Tenhamos a coragem de conversar, esclarecer, perguntar... encontrar um ponto de encontro. Sem ataques, sem julgamentos...
“Se te escutar, terás ganho o teu irmão” (Mt 18,15).
O importante é ganhar o irmão e não provar-lhe que eu é que tenho razão.
Se ele não te escutar... não desistas!
Convida outros para te ajudar... fala com a tua comunidade.
Se mesmo assim não ganhaste o irmão resta a ESPERANÇA: “nunca dês por perdido o teu irmão”.
Por isso, este é, talvez, o passo mais difícil, o mais radical: não abandonar ninguém à sua sorte, não desistir de ninguém, mas amar ainda mais essa pessoa, rezar por ela, e procurá-la sem desistir, até a encontrar, movidos sempre por aquele amor que tudo espera (1 Cor 13,7).

Padre João Torres
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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Sentir-se Cristão

 


Sentir-se cristão
Há quem diga que é cristão porque foi batizado.
Há quem o diga porque vai à Missa.
Há quem o diga porque reza.
Tudo isso é importante.
Mas só sabe verdadeiramente o que é ser cristão quem, pelo menos uma vez na vida, decidiu por causa de Cristo.
Quem escolheu o perdão quando o coração pedia vingança. Quem calou uma palavra que iria ferir. Quem mudou um comportamento, contrariou um orgulho ou renunciou a uma vontade apenas porque queria viver o Evangelho.
Ser cristão não é só saber coisas sobre Jesus.
É deixar que Jesus mude alguma coisa em nós.
É acordar e perceber que este novo dia não é um direito, mas um dom. É maravilhar-se com o mar, com o silêncio da montanha, com o canto dos pássaros, com o rosto de quem amamos, sabendo que a vida nunca nos foi devida. Tudo é graça.
Mas ser cristão é também deixar-se ferir pelas feridas do mundo. É não passar indiferente diante da fome, da guerra, da solidão ou da injustiça. É reconhecer, em cada rosto cansado, um pedaço do rosto de Cristo.
Ser cristão é viver de olhos levantados para Deus e de mãos estendidas aos irmãos.
É rir com quem se alegra, chorar com quem sofre, construir pontes onde outros levantam muros e acreditar que o amor continua a ser a única força capaz de mudar verdadeiramente o mundo.
É perdoar quem não merece. É fazer bem a quem não merece...

Talvez, no fim, ser cristão seja apenas isto: deixar que Cristo viva de tal maneira em nós que quem se cruza connosco consiga acreditar, por um instante, que Deus continua a passar pelas estradas deste mundo.

Padre João Torres

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Porque temos tanto medo de repartir



«Minha mãe ensinou-me:
Se nós temos um pão e o vizinho não tem pão…
Então, nós temos meio pão e o vizinho tem outro meio.»
História popular



O Amor é a maior força que Deus semeia no peito de cada ser humano.

Uma pequena dose diária de Amor faz maravilhas…

Mas, como e onde podemos obter tal porção mágica?


O princípio básico do Amor é a distribuição.

Quanto mais dás… mais se enchem os cestos!


Se tens medo de saciar a sede ao teu irmão, também tu terás sede…

Quando hesitamos aceitar viver em comunidade e ao serviço, não saboreamos o Pão Vivo!

Não temos vida em nós…

Somos corpo sem sal e com diabetes…

que vive apenas do doce que o mundo tem para oferecer.

Aquele sabor passageiro que fica amargo e perde a força, à primeira hora.

Corrompe o nosso corpo e não alimenta a nossa Alma.

Deixa-nos um cansaço extremo e oprime a nossa mente!

MAS… há um Pão sem fermento e sem sal,

que Se parte e reparte-Se, por inteiro, a cada dia, em cada Eucarist
Tu e eu apenas temos de nos levantar.

Caminhar calmamente até ao altar e abrir as mãos.

Acolher o pedacinho de Pão na nossa boca.

Fazer com que rapidamente chegue ao nosso coração.

Permanecer em silêncio, em ação de graças…

e sair a anunciar que o maior Milagre de Jesus,

une-nos à volta de uma mesa simples, onde nunca irá faltar o Pão,

porque O Senhor do Universo, nunca desiste de habitar em cada um de nós!

Vem!

O Pão é infinito e o Amor é um doce que não amarga.


Liliana Dinis,


sexta-feira, 31 de julho de 2026

Desejamos muito, precisamos de pouco



Desejamos muito, precisamos de pouco


Os nossos desejos são infinitos, mas são poucas as verdadeiras necessidades.

Julgamos que a felicidade está em possuir muito, ou mesmo tudo o que desejamos. No entanto, o caminho de ir satisfazendo os desejos não é bom porque leva sempre a novas e maiores carências de coisas que, na realidade, não são importantes. A satisfação dos desejos só seria boa se soubéssemos o que devíamos desejar.

Muitas pessoas desprezam as suas necessidades, que tomam por caprichos, enquanto consideram essencial aquilo que é, na verdade, uma inutilidade.

Hoje, talvez como nunca, as pessoas anseiam e acabam por se entristecer em virtude dos seus desejos pelas coisas supérfluas. Muitos têm até mais do que precisam para serem felizes, mas é o seu desejo de possuir o que não tem verdadeiro valor que os faz infelizes – talvez com alguma justiça.

O que é mais importante: uma casa ou uma família? E se só pudermos escolher uma delas?

É preciso ouro ou pão para ser feliz?

Imaginamos muitas vezes o que faríamos se ganhássemos uma enorme fortuna num qualquer sorteio. Mas, por exemplo, eu não trocaria nenhuma das minhas filhas pelo maior prémio do Euromilhões. Então, por que razão não me sinto mais feliz por ser pai delas do que me sentiria se esse prémio me tivesse calhado?

Precisamos de viver com todo o coração tudo quanto já somos e temos. Deixemos as lutas pelas coisas materiais para quem acredite que é nelas que está a sua paz e serenidade.

Precisamos de ter a coragem de saber no nosso íntimo o nosso valor, sem que nos importemos com o que o mundo diz. Confiemos na vida e em tudo o que nos chegar. Muitos obstáculos são marcas de bom caminho.

Precisamos de amor e de nos centrarmos nisso mais do que em qualquer desejo superficial que nos pode distrair e… destruir.

Precisamos de menos do que desejamos e de mais do que merecemos.


José Luís Nunes Martins

terça-feira, 28 de julho de 2026

O amor a falar-nos

 




Aqueles abraços que chegam, de mansinho, e que abrigam tudo em nós.

Aquelas mãos que seguram as nossas como quem nos segura o coração.

Aqueles olhares que se demoram em nós com ternura.

Aqueles sorrisos que tornam o nosso dia mais bonito.

Aquelas palavras que nos confortam a alma.

Aqueles silêncios que nos sentem o coração.

Aquelas mensagens que chegam no momento certo.

Aquelas companhias que, só por estarem, fazem tudo melhorar.

Aqueles gestos que nos fazem sorrir.

Aquelas pessoas que nos recordam que, faça chuva ou faça sol, estão sempre perto de nós.

São formas que o amor vai encontrando, todos os dias, para se pousar em nós.

Na poesia das coisas simples, na bondade que ainda existe.

E para nos recordar que ele – o amor – ainda mora aqui.

 Daniela Barreira


terça-feira, 21 de julho de 2026

As palavras nunca viajam sozinhas




As palavras nunca viajam sozinhas

Há palavras que julgamos nossas.
Saem da boca, da mão que escreve ou da voz que canta, e pensamos que nasceram naquele preciso instante. Mas não.
As palavras que pronunciamos já fizeram outras viagens. Habitaram outras vidas. Consolaram quem chorava, levantaram quem tinha desistido, feriram corações, reconciliaram famílias, ensinaram crianças, inspiraram santos e, infelizmente, também alimentaram guerras.
Cada palavra traz consigo a memória de quem a disse antes de nós.
Quando um pai diz ao filho: "Estou contigo", há nesse abraço o eco de todos os pais que um dia souberam amar.
Quando alguém murmura: "Desculpa", essa palavra transporta séculos de humanidade à procura da paz.
Quando dizemos "Amo-te", não inventamos o amor. Apenas lhe emprestamos a nossa voz.
É por isso que as palavras nunca são inocentes.
Elas carregam histórias. Constroem ou destroem pontes. Deixam marcas que permanecem muito para além do instante em que foram pronunciadas.
Todos nós conhecemos frases que nunca esquecemos. Algumas disseram-nos quem éramos quando ninguém acreditava em nós. Outras fizeram-nos duvidar do nosso próprio valor durante anos.
Uma palavra dura pode durar uma vida inteira.
Uma palavra de esperança pode salvar alguém sem que nunca o saibamos.
Talvez por isso devêssemos falar mais devagar.
Escrever com mais consciência.
Responder com menos impulsividade.
Cantar com mais verdade.
Porque aquilo que sai de nós nunca fica apenas em nós. Viaja. Encontra outros corações. Faz morada em alguém. E, muitas vezes, regressa transformado.
No Evangelho, Deus não escolheu uma espada para mudar o mundo. Escolheu uma Palavra. E continua a confiar nas nossas palavras para levar luz onde há escuridão, esperança onde há desalento e paz onde reina o conflito.
Hoje, antes de falares, pergunta-te:
A pessoa que me vai ouvir ficará mais leve ou mais pesada por causa das minhas palavras?
A resposta a essa pergunta pode mudar o dia de alguém.
E talvez mude também o teu.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Onde há amor, há oração



A oração é a expressão máxima do amor. O amor exige presença, silêncio e tempo, muito tempo, ao ponto de quem ama se esquecer de si. A oração é igual.

A oração é uma manifestação de carinho e de fragilidade. O amor é uma vontade de entregar toda a riqueza e, ao mesmo tempo, uma pobreza que estende a mão.

Amar eleva a nossa alma, rezar também.

Somos chamados, se quisermos ser felizes, a amar e a pedir pelos que não nos amam e pelos que não amamos.

É, pois, no silêncio do nosso quarto e no interior do nosso coração que devemos falar com Deus sobre os que amamos e dos que não amamos, procurando amar mais uns e outros.

A oração tem sempre algo de tão belo quanto de clandestino. Não é uma troca nem uma resposta concreta que se deseja; é uma confiança que se deposita em quem se ama e se quer amar. Uma palavra sussurrada pode valer muito mais do que um discurso a uma multidão.

O amor com que se reza é mais importante do que qualquer palavra que se use.

Os que julgam que se bastam a si mesmos, que não precisam nem dependem de ninguém, vivem numa ilusão perigosa que se pode desmoronar a qualquer instante. A vida tende a dar lições muito duras a quem não aprende o que é evidente.

A oração muda quem a faz. Aperfeiçoa os sentimentos e aproxima o pensamento da verdade. O amor também.

Quem ama abre, estende e entrega o seu coração ao Céu e ao outro. Quem reza também.


José Luís Nunes Martins

sábado, 30 de maio de 2026

Os quatro silêncios essenciais

 





O silêncio é muito mais do que a ausência de som. É essencial à criação de um espaço interior de escuta, verdade e encontro connosco mesmos, com os outros e com Deus.
Vale a pena refletir sobre quatro silêncios fundamentais da vida.

Em primeiro lugar, o silêncio das palavras excessivas. Falamos demais; falamos antes de olhar, antes de pensar, antes de saber. Muitas vezes, tornamos pequenas as maiores e mais belas obras, apenas porque nos julgamos mais do que somos. Nem sempre dizemos a verdade, e muitas vezes nem sequer há necessidade do que dizemos. Há, talvez, apenas uma ansiedade de preencher o vazio e de evitar o desconforto do olhar dos outros. Mas, para ir ao encontro de alguém, é preciso escutá-lo. E só o escutamos se nos calarmos.

Em segundo lugar, o silêncio dos pensamentos dispersos. O pensamento salta sem cessar de preocupação em preocupação, entre memórias, receios, desejos e distrações. Vivemos pouco, de tanto que nos passa pela cabeça a cada momento. Quem é capaz de parar está mais presente e inteiro, menos fragmentado e menos confuso. Quando aquilo que paira dentro de nós assenta, surge uma clareza que traz consigo paz e beleza.

Em terceiro lugar, o silêncio de Deus. Pedimos e esperamos respostas sem grande paciência. Julgamos que, se Deus é Deus e nos ama, então tem de nos responder de imediato. Custa-nos aceitar que Ele, de forma muito simples, possa confiar em nós, permanecendo presente na nossa vida, quaisquer que sejam as nossas escolhas. Sentimos a sua ausência porque não O escutamos. Ora, a presença basta, porque todas as grandes obras se fazem em silêncio. Amar é dar-se, sem qualquer necessidade de ruído ou exibição.

Por fim, o silêncio do egoísmo, do orgulho e da necessidade de colocar o próprio “eu” no centro de tudo. Há pessoas que não são capazes de se livrar da necessidade constante de afirmação, validação e reconhecimento. Desejam ser vistas e elogiadas a todo o momento. De tanto se admirarem e se defenderem — até mesmo de quem procura o seu bem — nunca saem de si mesmas. E, por isso, nunca chegam a conhecer a beleza imensa do mundo, nem a verdade e o amor que nos chegam através dos outros. O silêncio do egoísmo não significa negar a identidade, mas sim deixar de precisar de provar o nosso valor. É um caminho de humildade e liberdade interior, no qual a pessoa já não vive para ocupar o centro da vida dos outros, mas para encontrar alegria na verdade do dom de ser quem é.

A presença, quando é amor, basta.


José Luís Nunes Martins

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Ser amor


Que saibamos sempre ser abraço. Que chega de mansinho e que abriga tudo. Como refúgio que envolve em noites de tempestade.

Que saibamos sempre ser presença. Que fica e que diz “estou aqui”, sem precisar de dizer. Como mão que acompanha e colo que ampara.

Que saibamos sempre olhar mais longe. Olhar que olha fundo na alma, que escuta o silêncio do coração. Como luz que atravessa a escuridão.

Que saibamos sempre ser palavra de ternura. Que conforta e que traz esperança no momento certo. Como abraço que vem para cuidar.

Que saibamos sempre ser amor. Na delicadeza dos pequenos gestos, na bondade do nosso coração. Como sopro que passa só para abraçar.

Talvez melhoremos o dia de alguém. Talvez toquemos a vida de alguém. Talvez façamos sorrir o coração de alguém.

E talvez isso cure. Talvez salve. Talvez seja tudo.

Para alguém.

E, quase sem percebermos, para nós também.



Daniela Barreira

segunda-feira, 30 de março de 2026

Quando se ama.

 


...quando se ama.
Todas as palavras me parecem
verdadeiramente a mais neste dia.
...porque diante de um crucificado
temos que aprender a fazer silêncio...
o “Maior” em Deus não se veste
com as roupas dos grandes deste mundo
nem lhes imita o destino...
Entra em Jerusalém no meio de palmas e ramos…
Aclamado como rei.
Os ramos das aclamações triunfais tornam-se cinza…
Como todos os poderes deste mundo!
A Hora de Jesus não é a Hora do sucesso e das palmas do mundo.
Tudo acontece tão rápido…
perseguido, traído, preso, negado,
condenado à falsa fé e assassinado.
A suprema beleza da história
aconteceu fora de Jerusalém,
sobre a colina,
onde o Filho de Deus se deixa pregar,
pobre e nu, a um lenho para morrer de amor.
Compreendeu-o primeiro não um discípulo mas um estrangeiro,
o centurião pagão: “Na verdade, este homem era filho de Deus!”
«Porquê a cruz
o sorriso
a pena inumana?
Acreditai-me
é muito simples
quando se ama» (J. Twardowski).
Texto: Pe. Rui Santiago

quarta-feira, 18 de março de 2026

O amor ainda mora aqui



Para ti, que também precisas de um abraço que chegue sem pressa, que se demore e que te deixe demorar, que te envolva como refúgio.

Para ti, que também precisas de uma mão que segure a tua, de um olhar que te veja por dentro, de um sorriso que te ilumine o dia (e o coração).

Para ti, que também precisas de um colo onde serenar a alma, de uma palavra feita de ternura, de um silêncio que te compreenda o coração.

Para ti, que também precisas de uma companhia que permaneça, que te ampare e que faça tudo melhorar, só por estar ali.

Para ti, que também precisas de um gesto que te salve o dia, que te toque a vida, que te faça sorrir o coração.

Para ti, que também precisas de um abraço. Mesmo sem saber.

Para ti (e para mim):

Ainda há esperança. Na poesia das coisas simples, na bondade que ainda existe, no amor que ainda mora aqui.

Um abraço para ti.


Daniela Carreira

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Somos pobres de amor



Quem de entre nós se reconhece como carente, como mendigo da atenção e do amor do outro?

É muito mais comum encontrar pessoas que julgam bastar-se a si mesmas, que dizem amar os outros e amar-se a si próprias, sem assumirem a falta de serem amadas.

A miséria de precisar do amor do outro é algo que faz parte da nossa natureza e é como uma força que nos aponta o caminho da felicidade. Se não me sentir amado, jamais serei feliz. Por muito que ame.

Claro que ninguém se ama a si mesmo. Isso é uma contradição, um egoísmo com um nome agradável ao ouvido. Quem se dá a si mesmo não se dá a mais ninguém, até porque nunca se dará por satisfeito: é como beber água salgada para matar a sede. Amar é ser um meio para a felicidade de um outro, diferente de mim, construindo, em comunhão, algo que nenhum de nós alcançará sozinho.

Posso e devo cuidar de mim antes de me entregar a alguém, não por amor a mim, mas por amor ao outro.

Para ser amado preciso de ser humilde, para me abrir a esse bem que me chega de fora. Os orgulhosos não são felizes, também porque não se deixam amar, talvez por se julgarem acima dessa necessidade.

O que os egoístas e os orgulhosos não sabem é que, sem amar e ser amado, nunca ninguém foi feliz.

É essencial que cada um de nós estenda as mãos do seu coração e, com humildade, reconheça o amor de quantos nos amam. Alguns bem diante de nós, outros a partir de onde não podemos ver… mas podemos sentir.


José Luís Nunes Martins

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Diz a quem te ama que sentes o seu amor!



É essencial expressarmos o nosso amor a alguém através de palavras claras. Mas há algo que quase nunca fazemos: reconhecer o amor que sentimos que alguém nos dá.

O orgulho faz-nos cometer muitos erros. Julgamo-nos muitas vezes superiores aos outros e chegamos a pensar que eles têm o dever de nos estimar e admirar. Vivemos como se o mundo girasse à volta do trono em que nos colocamos. Com muito egoísmo, apenas contabilizamos o bem que fazemos, mas nunca o que nos fazem a nós.

Na verdade, é mesmo muito difícil que alguém reconheça que recebeu o que não merece. Como seria bom se eu fosse capaz de agir de forma diferente e tivesse, com autenticidade, coragem para dizer a alguém: “Sinto que me amas”.

Agradecer é sempre justo. Sempre. Reconhecer o amor que percebemos que alguém nos dá é ainda mais do que um simples Obrigado. “Tu amas-me” é uma afirmação humilde que engrandece quem dela for capaz. Quem a escuta poderá ficar mais seguro de que o amor que nos dá chega ao destino e é sentido.

Além disso, há ainda quem nos ame sem se fazer notar e que nós não conseguimos distinguir na confusão dos dias, por estarmos longe de pensar na verdade e na origem do que nos chega. Uma das maiores virtudes de uma graça é a discrição.

O amor, quando é verdadeiro, não supõe reciprocidade. É generosidade pura. Dar e dar-se sem esperar, e muitas vezes nem querer, retribuição alguma. Amar com verdade, e por mais sofrimento que implique, é já, em si mesmo, a sua própria recompensa.


José Luís Nunes Martins

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

O amor é a chave da vida...





O amor é a chave da vida...


E a vida, encontra sempre forma de mostrar caminho.

De fazer compreender que cada passo, tem um sentido de existência plena. Que cada momento, tem uma presença infinita de amor e que cada despertar, é a sabedoria de saber ver.

Nós não vemos o que vemos, nós vemos o que somos. E isto leva-me a refletir, no que realmente queremos ver, no que realmente queremos ser.

A vida encontra sempre um jeito...encontra sempre forma de mostrar, que a nossa percepção do mundo é um reflexo do que carregamos dentro e que a vida acontece, não diante, mas através de nós.

A vida não nos pede pressa, pede-nos abertura. Pede-nos a ousadia de ver com olhos do coração, pois só assim ganha um novo sentido. O sentido de sermos através dela.

Se resistirmos, tem sempre forma de nos conduzir. Mostra-nos que Ser, já é um milagre e que o amor é a chave da nossa existência.

Boa semana!


Carla Correia


sexta-feira, 1 de agosto de 2025

De que é feito o espírito?



O espírito é sagrado. Liga-nos ao céu, porque é o céu em nós. É o que escutamos quando conseguimos fazer silêncio dentro de nós mesmos. É o sopro divino que nos entregou a vida.

O espírito inspira-nos a que nos dediquemos a um destino, a um caminho e a uma forma de caminhar, muitas vezes contra o que é confortável e nos parece ser o melhor. No entanto, o espírito propõe, não impõe. Cabe sempre a cada um de nós decidir e, com isso, decidir-se. Somos o resultado do que fazemos com a liberdade de nos criarmos a partir do que nos foi dado. O espírito guia, mas apenas para quem decide deixar-se guiar.

Mais do que a inteligência ou as emoções, o espírito sabe o que é essencial e o que importa em cada momento. Aprendamos a calar as vozes do nosso interior e a escutar a do espírito que nos anima.

Cabe a cada um de nós cuidar do seu espírito, alimentando-o, enriquecendo-o, elevando-o. Toda a nossa existência será julgada de acordo com o que fizemos com a vida que nos foi confiada. Viemos com um tesouro e, enquanto alguns o desperdiçam como se não fosse precioso, outros multiplicam-no fazendo-se merecedores do que receberam e tornando-se dignos de que lhes seja confiado muito mais.

De que é feito o espírito?

O espírito é Amor.


José Luís Nunes Martins

terça-feira, 15 de julho de 2025

O que a vida não nos ensina



A vida não nos ensina a perder.

Não nos diz como nos despedimos. Não nos explica como fazemos o luto de um filho. De dois filhos.

Não nos explica nem nos deixa instruções sobre como continuar quando tudo se apaga. Quando as cortinas se fecham. As possibilidades se tornam estéreis e quando já não sabemos quem (ou o que) somos.

Não nos diz como continuamos quando tudo é difícil ou como se acendem velas quando, à nossa volta, desceu a maior escuridão.

Temos pouca literacia sobre a vida. Não nos foram dados manuais prévios ou preparatórios que nos munissem de ferramentas para navegar os dias.

Mas foi-nos dado o amor. Sem grandes explicações nem textos muito desenvolvidos. Foi-nos dado o amor. A capacidade de ver que o pequeno e o ténue pode tornar-se essencial quando não temos nada. A certeza de que a bondade supera o escárnio, a intolerância e a violência, se nos dispusermos a ver bem.

Foi-nos dado o amor e é essa a única coisa que nos salva e nos resgata. É o amor que nos dá lenha ao fogo que mora no coração. Que nos dá combustível para sobreviver. É por amor que vamos quando não sabemos por onde ir. É por amor que aguentamos quando não temos força para acreditar no Céu que desliza por cima das nossas cabeças.

É por amor que vale a pena viver. O amor de quem nos dá sem esperar receber. O amor de quem se entrega ao que vier. De quem nos vem salvar mesmo quando nem sabemos que precisamos. O amor de quem nos vê quando nem sabíamos que precisávamos de ser vistos.

É por amor que ficamos. Que partimos. Que nos gastamos sem saber que ainda tínhamos tanto para dar. É a única esperança que podemos ter quando tudo o resto parece distópico, estranho e sem rumo.

Só o amor permanece, quando tudo falha.

E se formos amor, que hipótese teremos de falhar?



Marta Arrais

terça-feira, 29 de abril de 2025

Ama até ao fim. Amarás sem fim.



O amor começa por se prometer, para que depois se vá cumprindo. Para tal, muitas vezes implica sofrer. Nesse ponto, o que importa não será nunca a dor, por maior que seja, mas o amor que lhe dá sentido.

A nossa existência será sempre absurda se escolhermos não definir um destino e um caminho para o alcançar. Depois, ainda que com muitas quedas, mudanças de planos e por mais cansaço que se sinta, a vida será sempre para avançar. Mais do que mudar – o que é essencial – viver é continuar. Apesar de tudo.

A vida chega-nos como um dos frutos do amor dos nossos pais, dos seus pais e assim por diante. Podemos julgar que somos fruto de um conjunto sem fim de acasos, ou compreender que talvez haja sentidos para além daqueles que conseguimos entender neste mundo.

Recebemos essa vida, cabe-nos depois tratar de a viver bem. O maior de todos os perigos desta viagem entre o nascimento e a morte é a falta de amor. A vida não é para si mesma, só se vive para fora. Nenhuma vida vive só. Amar é o princípio mais radical de qualquer vida. Viver é dar-se, existir num mundo e para o que nele existe.

O amor dá vida e a vida ama quem ama e quem a ama.

O final deste mundo corresponde ao começo de outro. O que levamos connosco? O que fomos capazes de dar. Todo o bem que fizemos chegar à vida daqueles com quem nos cruzámos. Mais ainda, todos os sacrifícios e sofrimentos de que fomos capazes para que assim fosse.

Esta vida é breve, importa viver devagar e com profundidade, alongando e engrandecendo os dias. Num dia cabe mais do que uma vida. Tratemos de aproveitar cada hora. Amando.

A minha vida não é nem minha nem para mim.

Ama. E se tiveres de sofrer, sofre. E se tiveres de entregar a tua própria vida a fim de que o amor se cumpra… fá-lo. Porque entregando o teu tempo neste mundo conquistarás a eternidade.



José Luís Nunes Martins

sábado, 15 de março de 2025

A força maior da vida...



A força maior da vida...
É o amor.

Neste tempo que atravessamos, onde abrimos as portas à esperança, compreendemos que quem nos salva é a abertura do nosso coração ao amor.

Não há força maior na vida, que a força do amor.

A vida em plenitude vem de dentro.
Não nos podemos abandonar a nós mesmos, e o que somos na essência mais pura; esse sentimento que faz salvar o mundo e que na busca pelo poder, pela ausência de generosidade e incompreensão de quem nos rodeia, nos afasta da virtude que é amar.

Perder o coração é perder a nossa bússola. É perder o sentido e permanecer no vazio.

Que neste caminho, os corações se sintonizem e encontrem espaço para dar lugar à força maior da vida.

O amor.

Boa semana!


Carla Correia

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Sobre Amor



Ouvi há dias, pelo professor de teologia, Alexandre Duarte, que o amor não é um sentimento e sim uma ação! Ora eu nunca tinha parado para pensar nisso?!

Pois que adianta dizer que se ama se não se materializar esse amor em algo concreto e que faça o outro sentir- se realmente amado?

Disse também que amar "de verdade" também pressupõe sempre amar alguém, porque amar- me não chega!

Ora o Amor, esse nobre, que move montanhas, que arranca sorrisos, que arrebata corações, que segura bem alto a bandeira da paz, que respeita, que agrega, que faz feliz, não pode ser nunca preterido em função, do que tantas vezes importa tão pouco, mas se sobrepõe!

Conclusão: Amor precisa-se!


Lucília Miranda,

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Quero ir para o céu!

 



Nada é para sempre neste mundo, mas, no fundo de cada coração, há uma certeza da eternidade. Quem ama sente-a como tão verdadeira quanto a verdade da própria existência.

Não sou da terra. Vivo e percorro o meu caminho aqui, mas estou de passagem. Tal como nenhum de nós deu a vida a si mesmo, também não há quem possa decidir ficar neste mundo.

Para onde vou? Bem, eu quero ir para o céu. O caminho é duro porque implica amar, lutando contra uma das maiores forças que parecem naturais em nós: o egoísmo. O caminho implica sofrer e ser atacado por dúvidas, muitas vezes.

O valor de alguém mede-se pela forma como enfrenta um obstáculo. Quando algo aparece e nos obriga a deitar fora os planos e a sonhar outros sonhos, se quisermos sair de um dos muitos pesadelos ilógicos e injustos. Quantos homens se fizeram ricos através da forma como aceitaram as suas misérias?

Para voar, é preciso que nos aperfeiçoemos; neste caso, isso não implica acrescentar, antes sim, libertar-se do que está a mais. Custa, porque tantas vezes somos chamados a acreditar no que não faz sentido. Se sou amado, porque me sinto só? Por que razão tenho de ser exposto a tanta dor? E até na agonia me é pedido que a enfrente com alegria?

Que eu saiba dar tudo o que posso. Que eu leve muitos a provar o sabor de um pão partilhado.

Preciso de me esvaziar de mim. Confiar e chegar a compreender que a felicidade não é um destino, mas uma recompensa… e que só o amor dá sentido à vida… e à morte.


José Luís Nunes Martins