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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

GANHAR O IRMÃO!

 


GANHAR O IRMÃO!

Vejo em mim e ao meu redor muita paz, beleza, amor e paixão. Mas também muita raiva e violência, vitimização e desânimo. Vejo pessoas agressivas, descontentes, mexeriqueiras, sempre prontas para acusar, julgar, denegrir, justificar-se.
E é normal que assim seja. É instintivo. Viemos da lama. E pensamos que, afinal, não existem outras formas de ser, de viver, de se relacionar.
Jesus, como sempre, faz novas todas as coisas. Começa por nos dizer: “Se o teu irmão te ofender vai ter com ele”.
Habitualmente, as coisas não funcionam assim. Se alguém te OFENDE, tu ficas à ESPERA de que essa pessoa que te OFENDEU, que se chateou contigo, que VENHA TER CONTIGO e te peça desculpa pelo gesto, pelo ato que fez.
Repara que Jesus troca realmente os papéis e diz uma outra coisa que é: “Tu, que foste o ofendido, vai ter com aquele que te ofendeu”.
Vai com delicadeza, prudência, humildade, de um pecador a outro pecador. Tu a tu. Olhos nos olhos. Coração a coração. Não nos apeguemos ao nosso orgulho ferido.
Tenhamos a coragem de conversar, esclarecer, perguntar... encontrar um ponto de encontro. Sem ataques, sem julgamentos...
“Se te escutar, terás ganho o teu irmão” (Mt 18,15).
O importante é ganhar o irmão e não provar-lhe que eu é que tenho razão.
Se ele não te escutar... não desistas!
Convida outros para te ajudar... fala com a tua comunidade.
Se mesmo assim não ganhaste o irmão resta a ESPERANÇA: “nunca dês por perdido o teu irmão”.
Por isso, este é, talvez, o passo mais difícil, o mais radical: não abandonar ninguém à sua sorte, não desistir de ninguém, mas amar ainda mais essa pessoa, rezar por ela, e procurá-la sem desistir, até a encontrar, movidos sempre por aquele amor que tudo espera (1 Cor 13,7).

Padre João Torres
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

O perdão é tarefa para uma vida inteira



Falamos sobre o perdão como se fosse simples. Como se pudéssemos carregar num botão e ativar essa funcionalidade que nos mudaria a vida e nos tornaria numa espécie de cúmulo do altruísmo. Não é assim que funciona.

Há alguns dias que esta ideia tem dançado na minha cabeça: o perdão é trabalho para a vida inteira. A verdade é que perdoar é difícil. Pode tornar-se, até, insuportável. Dependendo do que nos tenha sido feito, podemos demorar até conseguir, sequer, equacionar esta possibilidade. Entendemos o perdão como um presente que vamos oferecer a quem nos ofendeu. Uma espécie de livre-trânsito para continuarem por aí a magoar-nos ou a ferir outros.

Mas, na realidade, o perdão é um presente que nos oferecemos a nós próprios. É um bálsamo para colocar na ferida triste e velha que, às vezes, carregamos durante tantas décadas. Ainda assim, é-nos difícil assimilar esta perspetiva. Sentimo-nos também culpados por termos deixado (ou por termos permitido) que nos magoassem. E talvez seja por isso tão difícil oferecer-nos o perdão ou encontrar lugar para este presente nas nossas vidas.

O perdão é trabalho para uma vida. E, para algumas mágoas, talvez fossem necessárias duas vidas. Ou mais.

Mas mais do que conseguir encontrar espaço para o perdão, é preciso ter coragem para o querer. Ter vontade de perdoar pode ser tão corajoso como o próprio ato de o conseguir, efetivamente, fazer.

Neste início de ano, e imersos num mês de janeiro tão comprido, que possamos encontrar tempo para perceber que partes de nós precisamos de perdoar. Deixar cair essa vontade (ou ilusão) de que poderíamos ter feito diferente e aceitar que foi como foi. E aceitar que é como é. Depois, e numa tentativa séria de perscrutar o que nos habita a alma, tentar lembrar cada um daqueles que nos deram razões para chorar ou que nos tornaram a vida num lugar pior. Perceber que, muitas vezes, quem magoa também foi magoado. Perceber que quem magoa precisa de aprender a dar amor de outra maneira.

Não nos deixemos iludir. O que escrevo é dificílimo. Quase tremendo de estivermos a falar de pessoas que nos destruíram a vida, por exemplo. Mas… queremos dar-lhes o direito de o continuar a fazer?


Marta Arrais

sábado, 1 de julho de 2023

A família vive do perdão



A família é a base da felicidade. Porém, quando nela persiste o egoísmo, o orgulho ou o ressentimento, torna-se numa espécie de pedra atada a todos, impedindo qualquer um dos seus membros de ter paz.

Sem perdão não há família. Todos erramos uns com os outros. Pelo que só com amor se podem sarar estas feridas. Na verdade, o perdão é uma prova concreta do amor que une os que decidem viver e lutar pela alegria duradoura juntos.

Uma família precisa de espaço e tempo entre aqueles que a compõem. O respeito pelo outro exige que guardemos alguma distância e sejamos pacientes. Sem liberdade não há nem verdade nem felicidade. Estar presente não significa invadir um espaço que não é meu. Amar é dar espaço e tempo. Também por isso é que uma família é muito maior do que a soma dos seus membros!

Uma família alimenta-se da fé, da confiança partilhada, de valores comuns, de sonhos em que os outros também entram, de uma vontade comum de que não haja ali solidão não desejada. Numa família todos somos um eu e um nós.

Sem um compromisso que se renove e cumpra a cada dia, apenas subsiste um conjunto de pessoas que não são uma verdadeira família, mas que assim se arrastam umas às outras para uma verdadeira tristeza por vezes disfarçada de sossego, mas que, por isso mesmo, se torna ainda mais trágica a sua tristeza.

As tribulações são parte constante da vida individual e familiar. Por isso, importa que aproveitemos os raros dias de bonança para descansar com vista às tempestades que, com certeza, apesar de em tempo incerto, se aproximam.

Face às contrariedades, não devemos abandonar os nossos. Por piores que sejam as adversidades e por menos bons que nos pareçam aqueles que, apesar de tudo, devemos amar.

Uma família mantém-se unida e firme na tribulação. Resiste às angústias, aos desesperos, à aparente falta de amor, de sentido e de justiça do mundo e dos outros.

Se eu não sei ser justo, porque não sei julgar com o conhecimento de tudo o que importa, então porque passo tanto tempo da minha vida a culpar e a condenar os outros a começar pelos da minha família?


José Luís Nunes Martins

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

BUSCAR O ALTO



Quase sempre tentamos trilhar – ou impingir a outros – um caminho de santidade que não vai além do fazer: há que fazer coisas boas, como voluntariado; há que fazer retiros; há que fazer festas; há que fazer partilhas em grupo; há que participar em tudo. E isto é um equívoco! A santidade não pertence ao domínio do fazer, pertence ao domínio do ser.

Há que servir, sim, mas como resposta a um amor maior, não a partir da autossuficiência. Há que seguir, sim, mas não colocando a confiança num conjunto de regras na pedra, mas numa pessoa, Jesus. Há que conversar, sim, mas não ‘sobre’ coisas profundas, mas de maneira profunda.

Para entrar na aventura que é o caminho da santidade, há três atitudes-base a exercitar: agradecer, pedir perdão, assumir. De que forma? Agradecer a graça que Deus nos oferece em todas as situações; pedir perdão pelas cegueiras e coxeios próprios; assumir que não somos o centro da história, mas sim Jesus e a sua presença santificante, o Espírito.

Agradecer. Pedir perdão. Assumir. Três atitudes a exercitar todos os dias para santificar e viver a graça. Como se fôssemos uma árvore no jardim original, devemos lançar raízes através do agradecimento, fertilizá-las com a nossa miséria-feita-nova-vida na misericórdia de Deus e esticar os nossos ramos para os céus, não por nós, mas para que os fatigados possam descansar à sua sombra, os famintos alimentar-se dos seus frutos e para que os demais se deixem guiar pela direção que os nossos ramos apontam ao buscar o alto: o caminho para o Céu.

Nelson Faria, sj

Fotografia: Benjamin Davies (unsplash.com)


https://redemundialdeoracaodopapa.pt/

quarta-feira, 6 de abril de 2022

V Quaresma: «Perdão…»

 


Há algo mais maravilhoso do que abrir o mar?
Fazer brotar rios na terra árida?
Saborear a justiça que vem de Deus e se funda na Fé?
Ter um encontro pessoal e total com Cristo?
e… tudo isto num só momento, será possível tal perfeição?!…

Quando a palavra Perdão vem ao nosso pensamento, somos inundados por borboletas no estômago.
Há o perdão que temos de dar e o perdão que ansiamos receber.
Num intenso cuidar do Perdão apercebemo-nos que onde há Amor, nascem gestos.

Hoje, o Evangelho do 5º Domingo da Quaresma, do Ano C,
atira-nos pedras para edificarmos pontes, lares, Igreja Vivas…
O Mestre é colocado na barra do tribunal. Não sabe se acusa ou defende…
Mas o coração divino que O habita plenamente, palpita por um único gesto: Apontar!
Jesus inclina-se e aponta no chão os pecados, para que todo o mal seja calcado e aniquilado.
Ao erguer-se pergunta: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?».
Então, aponta um novo caminho à pecadora arrependida:
«Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar».

Quem és tu para condenares outro Filho de Deus?
Quem sou eu para te condenar a ti?

A maravilha da Boa Nova que Jesus nos vem oferecer cabe na palma da tua mão.
O ressentimento que nasce em ti, quando alguém atira palavras que provacam o desconforto;
a mágoa que se apodera das tuas palavras, quando alguém ignora a tua dor;
a maldade que colocas nos teus gestos, quando te sentes mal amado;
as amarras que te prendem, quando alguém precisa do teu abraço de perdão…
obrigam-te a fechar as mãos e não partilhas com o mundo a tua Alma!
Então, ficas doente… sentes-te mal…

O Perdão é o mais belo sinónimo de Alegria.
É o respirar fundo quando falta o ar…
Não sejas pedra fria e calculista.
Sê mais uma pedrinha forte e segura
que se une ao Reino de Paz e de Amor, que Deus criou para cada um de nós.

Durante esta última semana do Tempo Favorável da Quaresma,
ajoelha-te no teu quarto para sentires o chão frio, que tem sabor a vingança…
apaga a luz para que a noite desperte em ti o desejo de seres luz…
fecha a porta para que o silêncio externo entre no mais íntimo do teu ser…
e reza baixinho, ao compasso do palpitar do teu coração:

Pai nosso, que estás no céu,
santificado seja o Teu nome.
Venha a nós o Teu reino, seja feita a Tua vontade
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Perdoa-nos as nossas ofensas
assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido;
e não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.

Pede o Perdão para os teus pecados! Dá o Perdão sem hesitar… Cuida-te!


Liliana Dinis


terça-feira, 19 de setembro de 2017

Perdoar

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Perdoar, per+donare, conceder generosamente ao agressor arrependido, através de um gesto benevolente, a graça de se libertar da culpa por uma ofensa cometida. É um passo muitas vezes incompreensível, sem justiça nem lógica. Grandioso como uma pirâmide e simples, tão simples e discreto que se esconde facilmente na ternura de um olhar ou no silêncio de um abraço. É um acontecimento regenerador. Proporciona um caminho diferente.

A experiência de liberdade é evidente: o ofendido não cedeu à tentação da reacção primitiva da vingança e o agressor, tocado por este gesto sobrenatural, reconhece-se amado, libertando-se assim do medo da retaliação. Perdoar é uma sublime manifestação de amor. É dizer 70X7 «eu amo-te apesar da tua fraqueza». E quem não perdoa, não só não ama, como não se sente amado. Talvez não se perdoe também. Por isso, tem uma história suspensa. Permanece congelado pelo ódio e é refém dos estilhaços de uma palavra, de um gesto, de um passado que é sempre presente. Resiste à graça da reconciliação.

Guardo na memória, com algum incómodo, o exemplo de perdão dos cristãos egípcios cujos familiares tinham sido brutalmente assassinados pelos ISIS. Era um perdão capaz do milagre maior da conversão do assassino. Um gesto que o transformaria se ele se tivesse deixado tocar pela atitude misericordiosa das vítimas.

Mas o perdão não vem por si. É necessário um treino diário. Assim como aprendemos as primeiras letras, também devíamos interiorizar a beleza da comunhão construída pelo perdão celebrado em família, na escola e entre amigos. Só assim nos livramos da espiral de violência reclamada pela natureza humana e potenciada por uma cultura que enaltece os aparentemente fortes e vencedores. Pedir perdão não é, no entanto, um sinal de fraqueza nem de derrota.

Per-doar não se confunde com esquecimento. Posso ter bem presente o cenário doloroso da ofensa, mas o seu efeito e respetivo veneno, já foi neutralizado pelo antídoto do amor. Pelo contrário, tornar-me-ia terra fértil para o rancor e em cada palavra e até nos gestos mais simples transpareceria o azedume da discórdia e a sede de vingança.

Tristes são aqueles que se despedem deste mundo com o jugo das ofensas nunca perdoadas. Só a eternidade lhes há-de ensinar o valor do perdão.

[
P. Nélio Pita, CM] - 16 Setembro 2017 em iMissio

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Perdoa-te...


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«Concede o teu perdão àquele que foste ontem
e não te conhece hoje debaixo do chuveiro.
(...)
A verdade é só uma, o que tu foste ontem
já não te conhece».

Armando Silva Carvalho - A Sombra do Mar





Tu és humano.
Tu és humano, mas não sabes viver como tal.
Não suportas essa definição. Não queres sequer perceber o que isso implica.
Tu és humano, mas não cabe em ti a ideia de que és um ser falível. Não cabe em ti a ideia de que és muito mais frágil do que imaginas.
A verdade é que, durante a azáfama da vida, vais disfarçando ser um "ser perfeito".
Não tens coragem de enfrentar os teus erros. Não tens coragem de ouvir o teu "eu". É demasiado barulhento. É demasiado constrangedor. E tu sabes que isso implicaria que te virasses para ti mesmo.
Isso obrigar-te-ia a desligar dos sons do mundo para ouvires o teu batimento.
E tu bem sabes que precisas disso...
Precisas de sentir esse batimento cardíaco para perceberes de que massa é que és feito.
Necessitas de ouvir o teu respirar para entender que tudo em ti pode falhar.
Não tens que ignorar, nem tens que seguir a todo o gás. Tens de parar para seguires no caminho certo.
E quando parares tens de olhar bem para ti.
Olha-te no espelho e sente o valor da tua vida.
Olha-te no espelho e convence-te que és merecedor de uma nova oportunidade.
Olha-te no espelho e entende que és digno de ser perdoado por ti mesmo.
Não te condenes, nem vivas como se fosses o único.
Aceita-te como és. Reconcilia-te contigo mesmo e descobre que o teu futuro é feito com perdões do teu passado.
O teu ontem constrói-te, mas não te finaliza.
Por isso, não te dês por terminado, quando ainda tens milhares de milhas à tua frente.
Não te deixes ficar preso no erro, quando podes ser libertado pelo perdão.
O segredo de um bom caminho está, unicamente, na capacidade de tu te perdoares a ti mesmo.
Emanuel António Dias 14-07-2017 em iMissio

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Papa: Deus, quando perdoa, esquece


Papa: Deus, quando perdoa, esquece

“Gosto de pensar, brincando um pouco com Deus: 'O Senhor não tem boa memória'... É a fraqueza de Deus, que, quando perdoa, esquece"

Vencer a mentalidade egoísta dos doutores da lei, que condena sempre. Esta foi a advertência de Francisco na Missa matutina na Casa Santa Marta (20/01).

Inspirando-se na Primeira Leitura, extraída da Carta aos Hebreus, o Papa destacou que a nova aliança que Deus faz conosco em Jesus Cristo nos renova o coração e nos muda a mentalidade.

Deus renova tudo “na raiz, não somente na aparência”, disse o Papa, afirmando que esta nova aliança tem as suas características. A primeira: “a lei do Senhor não é um modo de agir externo”, entra no coração e “nos muda a mentalidade”. Na nova aliança, afirmou, “há uma mudança de mentalidade, há uma mudança de coração, uma mudança no sentir, no modo de agir”, “um modo diferente de ver as coisas”.

Superar e mentalidade egoísta

Francisco cita como exemplo uma obra à qual um arquiteto pode olhar com frieza, com inveja ou, pelo contrário, com uma atitude de alegria e “benevolência”:

“A nova aliança nos muda o coração e nos faz ver a lei do Senhor com este novo coração, com esta nova mente. Pensemos nos doutores da lei que perseguiam Jesus. Eles faziam tudo, tudo o que estava prescrito pela lei, tinham o direito em mãos, tudo, tudo, tudo. Mas sua mentalidade era uma mentalidade distante de Deus. Era uma mentalidade egoísta, centrada sobre si mesmos: o coração deles era um coração que condenava, sempre condenando. A nova aliança nos muda o coração e nos muda a mente. Há uma mudança de mentalidade”.

Deus perdoa os nossos pecados; a nova aliança muda a nossa vida

O Senhor, acrescentou o Papa, vai avante e nos garante que perdoará as iniquidades e não se recordará mais dos nossos pecados. Às vezes, comentou, “gosto de pensar, brincando um pouco com Deus: “O Senhor não tem boa memória”… É a fraqueza de Deus, explicou, que, quando perdoa, esquece:

“Ele esquece porque perdoa. Diante de um coração arrependido, ele perdoa e esquece: ‘Eu esquecerei e não lembrarei dos seus pecados’. Este também é um convite a não levar o Senhor a lembrar dos pecados, ou seja, não pecar mais. O Senhor me perdoou, esqueceu, mas eu tenho uma dívida com o Senhor… mudança de vida. A Nova Aliança me renova e me faz mudar de vida; não mudar apenas a mentalidade e o coração, mas a vida. Logo, viver sem pecado, distante do pecado. Eis a verdadeira recriação do Senhor”.

Enfim, o Papa voltou a atenção ao terceiro ponto, a “mudança de pertença”. “Nós pertencemos a Deus, os outros deuses não existem”, “são bobeiras”.

O Senhor muda o nosso coração para mudar a nossa mentalidade

“Mudança de mentalidade, mudança de coração, mudança de vida e mudança de pertença”. “Esta é a recriação que o Senhor faz melhor que a primeira criação”. “Peçamos ao Senhor para ir adiante nesta aliança de ser fiéis”, disse o Papa acrescentando:

“O sigilo desta aliança, desta fidelidade. Ser fiel a este trabalho que o Senhor faz para mudar a nossa mentalidade, mudar o nosso coração. Os profetas diziam: ‘O Senhor transformará o seu coração de pedra em coração de carne’. Mudar o coração, mudar a vida, não pecar mais ou não fazer o Senhor se lembrar do que já tinha se esquecido em relação aos nossos pecados de hoje e mudar de pertença: nunca pertencer à mundanidade, ao espírito do mundo, às coisas efémeras do mundo, mas somente ao Senhor”.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Papa diz que misericórdia e perdão devem ser «estilo de vida» dos católicos


https://www.youtube.com/watch?v=NnSt7MxD9ik

O Papa Francisco disse quarta- feira no Vaticano que a misericórdia e o perdão são uma marca da vida dos católicos e não um “slogan” sem consequências práticas.

“Ser misericordiosos significa saber estender a mão, oferecer um sorriso, realizar um gesto de amor para com todos os que necessitam”, explicou, na audiência pública semanal que reuniu, segundo a Rádio Vaticano, 25 mil pessoas na Praça de São Pedro.

A intervenção partiu afirmação de Deus que ama cada pessoa “como um pai e como uma mãe”, uma convicção que deve levar a Igreja a ser “sacramento da misericórdia de Deus no mundo” em todos os tempos.

Jesus não pretende subverter o decurso da justiça humana, todavia recorda aos discípulos que para ter relações fraternas é preciso suspender os juízos e as condenações.

Francisco acrescentou que o ensinamento de Jesus mostrou a necessidade de “suspender os julgamentos e condenações” para construir relações fraternas, a partir do perdão.

“O cristão deve perdoar. Porque? Porque foi perdoado. Todos nós que estamos aqui nesta Praça fomos perdoados. Nenhum de nós, nas nossas vidas, deixou de ter necessidade do perdão de Deus. Porque fomos perdoados, devemos perdoar, [como] todos os dias rezamos no Pai-Nosso”, apelou.

O Papa sustentou que julgar e condenar quem peca é “errado”, porque ninguém está “acima” dos outros nem de Deus, que ama e perdoa.

“Quanta necessidade temos todos nós de ser um pouco mais misericordiosos, de não falar mal dos outros, de não julgar, de não falar mal com críticas, com inveja, com ciúme. Não! Perdoar, ser misericordiosos, viver a nossa vida no amor e doar”, declarou.

Francisco dirigiu-se à multidão no seu habitual tom de diálogo para lhes fazer uma pergunta: “O que é que preferem: um coração de pedra ou um coração cheio de amor?”.

“Se preferirem um coração repleto de amor, sejam misericordiosos”, concluiu.
OC

CF Atualidades
De Agência Ecclesia
Link http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/vaticano/vaticano-papa-diz-que-misericordia-e-perdao-devem-ser-estilo-de-vida-dos-catolicos/

sábado, 6 de agosto de 2016

Assis: «Estrada do perdão pode renovar a Igreja e o mundo» - Francisco

https://www.youtube.com/watch?v=8jhH5edVsLQ&feature=youtu.be


 O Papa realizou hoje uma visita privada à terra de São Francisco para celebrar os 800 anos do ‘Perdão de Assis’ e afirmou que a “estrada do perdão pode renovar a Igreja e o mundo”.

“O mundo tem necessidade de perdão”, disse o Papa na Porciúncula, a pequena igreja restaurada por São Francisco antes de fundar a Ordem dos Frades Menores (franciscanos) e onde pediu para fossem perdoados os pecados dos que visitassem esse templo, há 800 anos.

Na reflexão que fez sobre o capítulo 18 do Evangelho de São Mateus, onde Jesus diz que cada um não deve perdoar até 7 vezes mas até 70 vezes 7, o Papa desafiou os presentes a serem humildes “sinais do perdão e instrumentos da misericórdia".

“Oferecer o testemunho da misericórdia no mundo de hoje é uma missão a que nenhum de nós pode evitar” disse o Papa na comunicação realizada no exterior da Porciúncula, na Basílica de Santa Maria dos Anjos.

Francisco advertiu que “o drama da humanidade” é que cada pessoa pede misericórdia quando é “devedor” e invoca a justiça nos casos em que é credor.

“E todos fazemos assim”, insistiu o Papa

“Não é esta a reação dos discípulos de Cristo e não pode ser este o estilo de vida dos cristãos. Jesus ensina-nos a perdoar e a fazê-lo sem limites”, sublinhou.

Francisco indicou como princípio de ação o “Amor do Pai” e não a “pretensão de justiça” de cada um.

" É difícil perdoar. Quanto nos custa perdoar os outros! Aqui na Porciúncula tudo fala de perdão”, assinalou o Papa

No fim da reflexão, Francisco convidou todos os presentes a procurar o "sacramento do perdão” e convidou os sacerdotes e bispos presentes a “oferecer o perdão”, dirigindo-se o Papa para um confessionário onde permaneceu a atender em confissão durante uma hora.

Após ter chegado à Basílica de Santa Maria dos Anjos, o Papa permaneceu em silêncio durante mais de 10 minutos na igreja da Porciúncula em oração, onde se São Francisco pediu o “perdão de Assis”.

Na edição de setembro-outubro da revista Bíblica, dos Franciscanos Capuchinhos, frei Lopes Morgado explica que o “Perdão de Assis” surgiu na sequência de uma “visão de Jesus e da Virgem Maria” por São Francisco quando estava a rezar na igreja da Porciúncula.

“Foi-lhe perguntado que graça desejava, uma vez que tinha rezado tanto pelos pecadores. Francisco respondeu pedindo que fosse concedido o perdão completo de todas as culpas a quem, confessado e arrependido, visitasse aquela igreja”, explica frei Lopes Morgado, acrescentando que esse pedido foi concedido, na condição de “se dirigir ao Papa, como vigário de Cristo na terra, para pedir a instituição de tal indulgência”.

São Francisco apresentou esse pedido ao Papa Honório III, que permitiu a possibilidade de indulgência no dia 2 de agosto, livrando “da culpa e da pena no céu e na terra, desde o dia do batismo até ao dia e hora da entrada nesta igreja”, primeiro só igreja da Porciúncula, depois alargando-se a todas as igrejas franciscanas e, sucessivamente, a todas as igrejas paroquiais, mantendo-se “a data da celebração e o nome”, indica frei Lopes Morgado na revista Bíblica.

PR

CF Atualidades
De Agência Ecclesia
Link http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/internacional/assis-estrada-do-perdão-pode-renovar-a-igreja-e-o-mundo-francisco-direto/

segunda-feira, 27 de junho de 2016

RESSENTIMENTO E PERDÃO


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Hoje vamos falar do ressentimento e do perdão no hino da caridade...



Diz-nos S. Paulo que o amor não guarda ressentimento.
Primeiro, o que é o ressentimento?

O ressentimento é a «mágoa sentida por uma ofensa». Não me parece que seja possível impedir o ressentimento. Todos nós ficamos ressentidos se nos ofendem, se nos magoam. Ora, esta mágoa depende muito do tipo de ofensa que nos fazem. A ofensa vai de uma brincadeira que nos magoa até um ato de uma crueldade inaudita. Reparemos que S. Paulo não nos diz que o amor não fica ressentido. Diz que não guarda ressentimento. Aqui, eu gostava de acrescentar uma coisa: a pessoa cristã, magoada, pode não guardar ressentimento para sempre, mas guarda ressentimento durante algum tempo. Senão não era uma pessoa normal. E se fomos muito magoados, o ressentimento dura muito tempo. E, ainda, se somos magoados constantemente, o ressentimento também é constante; não acaba enquanto a dor se mantiver.

Diz-nos S. Paulo que o amor não guarda ressentimento.

Primeiro, o que é o ressentimento? O ressentimento é a «mágoa sentida por uma ofensa». Não me parece que seja possível impedir o ressentimento. Todos nós ficamos ressentidos se nos ofendem, se nos magoam. Ora, esta mágoa depende muito do tipo de ofensa que nos fazem. A ofensa vai de uma brincadeira que nos magoa até um ato de uma crueldade inaudita. Reparemos que S. Paulo não nos diz que o amor não fica ressentido. Diz que não guarda ressentimento. Aqui, eu gostava de acrescentar uma coisa: a pessoa cristã, magoada, pode não guardar ressentimento para sempre, mas guarda ressentimento durante algum tempo. Senão não era uma pessoa normal. E se fomos muito magoados, o ressentimento dura muito tempo. E, ainda, se somos magoados constantemente, o ressentimento também é constante; não acaba enquanto a dor se mantiver.

O ressentimento é, pois, proporcional à dor da ferida e à nossa sensibilidade. O ressentimento há de passar, mas se fomos muito magoados, não passa durante muito tempo. E se formos constantemente magoados, nunca passa. Há, assim, duas causas que podem fazer o nosso ressentimento durar muito tempo:

– ou um ato que nos magoou muito,

– ou uma série de atos que não param.

Vou dar dois exemplos:

Uma vez tive que fazer o enterro de uma senhora que tinha sido assaltada, violada, assassinada e depois os criminosos ainda deitaram fogo à casa. A família dessa senhora vai guardar ressentimento durante muito tempo porque é uma ferida horrorosa. Provavelmente vai, mesmo, guardar ressentimento toda a vida, se bem que possa ir diminuindo.

Outro caso, que pode acontecer, é nós sermos magoados de forma continuada. Neste caso, há alguém que não para de nos magoar, que nos está sempre a magoar. Assim o ressentimento não acaba porque aquilo que nos magoa também não acaba.

Às vezes achamos que não estamos em posição de sacudir essa pessoa das nossas vidas. Na minha vida de padre já me deparei com pessoas que eram muito humilhadas no emprego, mas que não conseguiam arranjar outro. E também me deparei com pessoas achincalhadas pelos pais, não tendo forças para cortar com eles porque achavam que não se podiam desligar dos pais. Já para não falar dos casos de violência doméstica, em que a pessoa atacada não luta para se libertar daquela situação.

S. Paulo também nos diz: «a caridade tudo desculpa». Sim, o amor desculpa tudo mas às vezes demora muito tempo.

E o que é desculpar? Desculpar é deixarmos de querer mal à pessoa que nos fez mal. Desculpar é ainda rezar por essa pessoa. E é ser capaz de querer bem. Desculpar não é convidar a pessoa para minha casa, desculpar não é convidar para casa quem me fez mal ou fazer-me amigo dessa pessoa. Também não é esquecer.

Este ponto é muito importante porque há muitas pessoas que confundem as duas coisas. Podemos já ter perdoado e continuar a lembrar o mal que nos fizeram. Continuar, mesmo, a sentir dor, incómodo, revolta (etc.) de cada vez que pensamos na pessoa que nos magoou não quer dizer que não tenhamos perdoado. São sensações que têm mais a ver com a Psicologia do que com a Moral. São sensações de quem não esqueceu e não de quem não perdoou. Não tem a ver com o perdão, tem a ver com aquilo que nos marca. Positiva ou negativamente. Tanto não esquecemos o dia da Primeira Comunhão como aquela terrível ida ao dentista. Daí que se a ofensa foi muito grande, como nos marcou muito, nunca mais vá ser esquecida. Mas atenção que enquanto a ofensa não parar, não é possível perdoar. Se uma pessoa nos achincalha ou maltrata com regularidade, a ferida (psicológica) que nos provoca está permanentemente a ser aberta, logo é muito difícil, senão de todo impossível, perdoar.

Concluindo:

O ressentimento é a dor que sentimos.

Esta dor demora tanto mais tempo a passar quarto maior foi a ofensa.

Perdoar é não querer mal e ser capaz de rezar por. Nem implica ser amigo nem implica esquecer.

No próximo artigo vamos ver o seguinte:

Se perdoar não implica ficar amigo, como é que podemos amar os inimigos?

Texto: Gonçalo Miller Guerra, s.j.

Imagem: Ilda David'

segunda-feira, 6 de junho de 2016

7 razões para perdoar


freedom

Está magoado com alguém? Então, respire fundo e venha   conferir os 7 motivos para perdoar: com certeza  vai passar a ver o problema com outros olhos.



1. AO PERDOAR  ACABA COM O ESTRESSE DA OFENSA

Todas as vezes que se lembra da pessoa que lhe feriu vem aquela sensação ruim: o coração acelera e dá um nó no estômago, não é mesmo? Naturalmente seu corpo reage às emoções negativas e lembranças angustiantes. No momento em que  para de relembrar a ofensa e coloca a atenção nas coisas boas da vida passa a aproveitar melhor o presente, deixando de reviver os sofrimentos que já fazem parte do passado.


2. AO PERDOAR  PASSA A TER UMA VISÃO CORRETA DOS ACONTECIMENTOS

Pense comigo: quando um amigo está irritado com alguém, ele tem a tendência de exagerar as coisas, vendo tudo pior do que é, certo? E sabe de uma coisa? Você não deve ser muito diferente quando está de cabeça quente: a raiva nos cega e triplica o impacto das ofensas. Ao praticar o perdão,  para de alimentar a raiva e pode avaliar os acontecimentos com outros olhos.

Difícil? Muito! Mas também é libertador.


3. AO PERDOAR  DEIXA DE DAR PODER À OUTRA PESSOA

Vamos supor que não se trate de um mal-entendido. A pessoa em questão, realmente, estava querendo fazê- lo se sentir mal. Então, ficar remoendo o acontecimento só vai dar a essa pessoa o poder de lhe fazer sofrer. Será que é isso que você quer? E, não seria exactamente isso que essa outra pessoa quer?

Precisamos ser mais cuidadosos para não sermos atingidos. É necessário proteger nossos sentimentos. Quando uma pessoa tenta ofender alguém e não consegue ela fracassa. Além de ter que conviver com seus próprios problemas e com sua infelicidade, não vai conseguir transmitir - lhe nada disso.


4. AO PERDOAR  PODE SE AFASTAR EMOCIONALMENTE DE QUEM É TÓXICO

Se a pessoa que te ofendeu é amarga, o tipo de pessoa tóxica, mais razões para  não alimentar pensamentos relacionados com essa pessoa. O melhor é se libertar da raiva que acaba te mantendo ligado a quem  não quer.


5. AO PERDOAR  PODE CONVIVER MELHOR COM QUEM VALE A PENA

Mas, e quando quem te magoou é alguém importante na sua vida? Aí é bom lembrar que todos nós, mesmo sem querer, já machucamos alguém. Às vezes em uma discussão acalorada, com um comentário impensado ou uma piadinha fora de hora…a verdade é que todos já passamos por isso.

Então, de mãos dadas com o pensamento de que ninguém é perfeito, pergunto: será que vale a pena perder o convívio com alguém importante por causa de um momento infeliz?

Pessoas boas e que se preocupam verdadeiramente com a gente são poucas. Por isso não podemos ser intolerantes. Quem a gente ama deve estar acima do nosso orgulho. Troque a raiva pelo diálogo e tente entender os motivos dos outros. Dessa forma  sempre estará cercado de pessoas especiais!


6. AO PERDOAR  DEIXA DE SE CONCENTRAR EM SUAS MÁGOAS

Focando na dor deixamos de prestar a atenção no que vale a pena. Se quer que aconteçam coisas boas na sua vida precisa olhar com mais optimismo para o agora. Alegre-se com quem te estendeu a mão hoje, perdoe e esqueça quem te negou ajuda ontem. A importância que dá aos acontecimentos define o que será importante na sua vida. Então, chega de supervalorizar as ofensas!


7. AO PERDOAR  ESTÁ CAUSANDO UM BEM PARA SI MESMO

E o mais importante: vai se sentir muito bem, garantido!

Perdoar é mesmo muito difícil mas, também é uma das atitudes mais bonitas e inteligentes que o ser humano pode praticar.

O perdão traz uma sensação gostosa de tranquilidade e auto controle. Alimentar o rancor e praticar a vingança só vai atrair inimigos e atrasar a sua vida. Valorize seu tempo: coloque o coração no que te faz feliz! Perdoe a pessoa que te ofendeu e ignore a ofensa.

(via Refletir para Refletir)

sexta-feira, 11 de março de 2016

Perdoar sem medo de amar


Depressed woman in front of a bench

Perdoar nem sempre é fácil, principalmente quando a causa da ofensa abriu profundas feridas no coração

Muitos caminham pela vida com feridas abertas há muitas décadas, buscam a cura para a cicatrização; mas quando pensam que ela ocorreu, a ferida se abre novamente e causa dores maiores que no passado.

Jesus nos diz que devemos perdoar o nosso irmão setenta vezes sete, ou seja, o perdão não tem limites para ser concedido. No entanto, nossa realidade humana, frágil e pecadora insiste em deixar que a ofensa seja maior que o perdão. Tudo isso se deve à profundidade que a mágoa causou em nossa alma. Bom mesmo seria se conseguíssemos perdoar sempre e de coração.

O perdão é um processo que precisa de nossa ajuda para que possa ser concedido de maneira plena. As causas das mágoas podem ser várias e ocorrer nas mais diversas situações, desde uma palavra mal interpretada até uma carência profunda e sem consciência. Muitos são os motivos para que as feridas abertas demorem muito tempo para serem cicatrizadas.

Quanto mais remoemos em nosso coração a ofensa sofrida, maior será a dificuldade de perdoar. A mágoa que é alimentada pelo nosso coração não é benéfica para o nosso processo de cura interior. Pelo contrário, uma mágoa que é alimentada constantemente pelo sentimento de revolta aumenta as dores emocionais e dificulta a processo de cicatrização de uma ferida aberta.

O desejo de vingança é bastante comum em quem sofreu uma traição. O primeiro sentimento que surge no coração de quem passa por e processo é: “Assim como fez comigo, também farei”. Esse sentimento é sempre prejudicial, porque nunca iremos resolver um problema usando das mesmas armas que feriram nossa alma. Guerra de sentimentos produz destruição em massa do amor. A solução para os conflitos não se busca na vingança, mas sim no diálogo sincero, maduro e humano.

Também não adianta falarmos para todo mundo e espalharmos aos quatro ventos a revolta que sentimos, se nunca temos a coragem de procurar quem nos ofendeu. Palavras de revolta, quando partilhadas com todos, podem aumentar os princípios de reconciliação. São muitas as situações em que o ser humano precisa de uma plateia que aplauda suas críticas para reforçar a autoestima de que o agressor não merece perdão.

No tumulto das emoções, toda busca de reconciliação e de paz será infrutífera. É preciso cultivarmos a paciência da espera. Emoções à flor da pele nunca vão nos ajudar na busca da paz. O tempo é um precioso aliado para quem deseja fazer do perdão um ponto de partida para um novo recomeço. Espere até que as ondas da fúria possam ceder lugar à serenidade das águas de um lago.

Nunca deixe de orar pela situação que você enfrenta. A oração é o alimento da alma e a paz que acalma nossos sentimentos. Busque na oração o primeiro passo para a cura de suas mágoas. Coloque tudo o que você sente nas mãos de Deus e deixe que Ele transforme o negativo de suas emoções nas flores do perdão.

(via Canção Nova)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Deixa cá ver há quanto tempo não me confesso?

A Confissão explicada passo a passo numa criativa animação | Vídeo


Deus não se cansa de perdoar! Nesta Quaresma aproximemo-nos dele que quer transformar o nosso coração.

Uma das melhores práticas neste tempo da Quaresma é aproximar-se do sacramento da confissão ou da reconciliação.
Este vídeo educativo que faz parte de uma série de vídeos de VCAT (vídeo catecismo), recorda-nos a bênção que significa que podemos receber (sempre que necessário), o perdão e a misericórdia de Deus. Se o transferirmos para a experiência humana, compreender a natureza deste sacramento é tão difícil como perdoar inúmeras vezes a mesma pessoa que nos ofende; repetir os mesmos erros. Humanamente isto seria impossível. Mas para Deus não é. Esta é uma das maiores riquezas da confissão: o perdão sem limites e com a única condição de estar verdadeiramente arrependido e disposto a cooperar com a graça que Deus nos dá.

Deus, em sua infinita bondade, sabe que os seres humanos precisam de sinais sensíveis para experimentar realidades concretamente invisíveis. Ninguém se sente perdoado se ao pedir desculpas recebe em troca o silêncio de seu agressor, é necessário um gesto, uma palavra, um sinal de perdão. Este sinal sensível do perdão de Deus torna-se concreto nas palavras do padre no momento da absolvição. Deus realmente perdoa, apaga do nosso coração a ferida dos pecados atuais, falhas conscientes e vergonhosas; a sua misericórdia é capaz de restaurar os nossos corações e devolver-nos um espírito novo, renovado na sua graça, amizade e proximidade com Ele.


Por que não apreciar o grande dom deste sacramento? Por que privar-nos de receber o impulso da graça, apenas por causa da vergonha ou medo? Já dizia o santo: “o Diabo tira a vergonha na hora de pecar e a devolve em dobro na hora de pedir perdão”.Não permitamos que a vergonha ou medo nos mantenham afastados da bondade de Deus, um bom Pai que nos espera no confessionário com o mesmo abraço com que abraçou o filho pródigo. Aproximemo-nos dele e peçamos para curar as feridas do nosso coração e nos mantenha cada dia mais unido a ele.



Lembre-se as palavras do Papa Francisco: "Deus não se cansa de perdoar, nós é que nos cansamos de pedir perdão".


[Por Astrid Duque | ©CatholicLink | Tradução: Bento Oliveira iMissio]

domingo, 6 de dezembro de 2015

ESPOSA EXAGEROU: MARIDO SOUBE DESCULPAR

“O perdão entre os esposos permite redescobrir a verdade de um amor que é para sempre e que não passa. No âmbito das relações familiares, a necessidade de reconciliação é praticamente quotidiana. (…) Um pacto ferido pode ser recomposto” (Sínodo da Família, 81).


D. Antonino Dias

Na terra de Hus, existiu um homem chamado Job. Era íntegro e reto, muito feliz com a sua esposa, os sete filhos e três filhas. Possuía um sem número de ovelhas, camelos, bois, jumentos e um sem número de servidores. Era o homem mais importante de todos os homens do Oriente, lá pelo século VI, antes de Cristo.
Dia após dia, sem razão que o justificasse, ficou reduzido à miséria. Os próprios filhos morreram esmagados, durante uma festa, debaixo de uma casa que ruiu por causa de um furacão. Por fim, ele próprio ficou numa chaga viva, desde a planta dos pés ao alto da cabeça. Era tal o seu sofrimento que chegou ao ponto de pegar num caco de telha para se coçar. Tudo suportou com uma paciência infinita, sem revolta nem protestos, sem cometer pecado nem dizer qualquer estroinice contra Deus. A sua atitude tornou-se proverbial e ainda hoje usamos a expressão: “paciência de Job”. Muito mais impaciente andava a sua mulher que, com ele, quando tudo corria bem, também era muito feliz. Na hora da prova, porém, não acompanhou Job, não o compreendeu no sofrimento, não lhe incutiu coragem e esperança. Considerou-o culpado da desgraça que lhes bateu à porta, incitou-o à revolta e manifestou-se nervosa e fora do bom senso. Afiou de tal modo a língua que, viperinamente, o mimoseou assim: “Persistes ainda na tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre de vez!” Mas ele é que não foi nessa. Se ela tinha pressa que fosse andando. Não se perturbou com o que ouviu e disse-lhe com muita serenidade: “falas como uma insensata. Se recebemos os bens das mãos de Deus, não aceitaremos também os males?” (cf. Job 1-2). De facto, quer fosse pelo cansaço da dedicação à doença do marido, quer fosse por lhe custar aceitar a pobreza inesperada e a morte dos filhos, quer fosse porque não aguentava mais tal situação, quer fosse por se sentir desencantada com Deus e com Job, quer fosse lá pelo que fosse, ela não esteve à altura do momento. Job não deitou lenha na fogueira, procurou entender a pedrada e desculpar a esposa. Continuou a enfrentar o sofrimento, agravado, por certo, com esta reação de quem ele menos esperava: da sua esposa! Job soube ouvir e perdoar. Não destruiu a ponte por onde passar. Perdoou, soube perder para que todos ganhassem. Não abandonou, não guardou rancor, não amuou, não encabritou, não levantou paredes. Soube ser fiel, amar e respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Depois, como o amigo poderá verificar, o Livro de Job dá-nos conta dum longo debate entre um Job questionador e os seus amigos Elifaz, Baldad, Sofar e Eliú, numa tentativa de compreenderem, à luz da teologia da época, as razões do sofrimento.
Apesar dos trambolhões da vida e dum quotidiano tantas vezes acidentado, este é o caminho que uma família, ao se constituir, assume, com alegria esperança: viver sem que o amor entre num rame-rame sem sentido, sem que o amor perca o entusiasmo da primeira hora, sem que o encanto se perca, a magia desapareça, a agressividade se imponha, a indiferença reine, a novidade e a surpresa deixem de existir. “O perdão entre os esposos permite redescobrir a verdade de um amor que é para sempre e que não passa. No âmbito das relações familiares, a necessidade de reconciliação é praticamente quotidiana. (…) Um pacto ferido pode ser recomposto” (Sínodo da Família, 81).
Nesta primeira semana do advento, o Senhor mandou-nos vigiar e orar

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

7 dicas infalíveis para aprender a perdoar


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Não se esqueça de seguir a #3 e não tenha medo da #6

PILDORASDEFE.NET

Perdoar é dar liberdade a um prisioneiro, e depois descobrir que esse prisioneiro… era você!

É daquelas pessoas que não conseguem se desfazer do seu passado, não se esquecem das coisas, não conseguem perdoar nem ter compaixão, são duras de coração? Carrega rancores e ressentimentos a vida inteira?

Isso pode paralisá-lo e impedi-lo de ser feliz. Por isso, apresentamos, a seguir, 7 dicas infalíveis para aprender a perdoar e finalmente alcançar a liberdade:

1. Comece perdoando a si mesmo

Lembre-se de que ninguém é totalmente bom ou ruim – nem você nem os outros. Cada um reage às situações segundo aprendeu na vida. Mas todo mundo quer ser feliz. Se for mais tolerante consigo mesmo, compreendendo e aceitando suas sombras psicológicas, estará em melhores condições para fazer o mesmo com outras pessoas.

2. Coloque para fora o que sente

É preferível exteriorizar seus sentimentos no momento em que eles acontecem, ao invés de ficar guardando isso. O que guardamos pode crescer até adquirir proporções irracionais. Mas tampouco se trata de impulsividade cega ou ira irreflexiva. Saiba discernir, expressar sem buscar ofender.

3. Aprenda a relativizar as coisas

Faça um exercício de atenção consciente e conceda a cada acontecimento a importância que ele merece – nem mais, nem menos. Não exagere diante de coisas pequenas, negando-se a perdoá-las por orgulho. Coloque-se no lugar do outro e então verá as coisas de outra maneira.

4. Identifique suas emoções

Sentimento de humilhação, decepção, tristeza? Tome consciência de tudo o que está por trás da sua raiva, e isso o ajudará a livrar-se dela, ao compreender que o “culpado” despertou uma região de sofrimento que já existia dentro de você.

5. Busque a verdadeira intenção do outro

Encontrar a verdadeira motivação do seu ofensor ajudá-lo-á a ser mais condescendente com ele, colocando-se em seu lugar, ao invés de vê-lo como verdugo ou inimigo. Por exemplo: uma pessoa que ofende outra em público pode estar revelando sua insegurança ou necessidade de autoafirmação.

6. Reconheça sua responsabilidade

Será que não gerou expectativas demais com relação à pessoa que o ofendeu? Terá sido pouco claro ao expressar seus objetivos ou necessidades? Reconheça sua parte de responsabilidade no assunto e procure evitar mal-entendidos na comunicação.

7. Facilite a reconciliação

Diante de um problema, o melhor sempre é se aproximar da pessoa para comunicar-se. É importante escolher bem o momento, sentar-se e falar com calma, sem pressa, manifestando como o outro é importante para si. A reconciliação evita ressentimentos.

E nunca se esqueça: enfrentar um sofrimento de maneira adequada é o segredo para alcançar a paz interior.