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sábado, 5 de setembro de 2026

Papa apela à confiança em Deus em momentos de incerteza pessoal

«Nem sempre é fácil compreender e aceitar os caminhos de Deus, especialmente quando estão muito distantes dos nossos» – Leão XIV



Castel Gandolfo, Itália, 30 ago 2026 (Ecclesia) – O Papa apelou hoje à aceitação humilde dos “caminhos de Deus”, mesmo quando contrariam as expetativas humanas, alertando para a tentação de julgar a ação divina nos momentos de incerteza.

“Também para nós nem sempre é fácil compreender e aceitar os caminhos de Deus, especialmente quando estão muito distantes dos nossos”, reconheceu Leão XIV, durante a recitação dominical do ângelus na Praça da Liberdade em Castel Gandolfo.

“Nessa altura, surge a tentação de pensar, contra toda a lógica da fé, que é o Senhor quem está errado, ou pior ainda, que não nos ouve ou que não se interessa por nós”, acrescentou, perante centenas de pessoas reunidas junto à residência pontifícia, nos arredores de Roma.

O Papa sustentou que a superação destas crises espirituais obriga o crente a “nunca interromper, nem mesmo nestes momentos, o diálogo com o Senhor”, sempre com total “confiança”.

Leão XIV realçou ainda a importância de “nunca julgar a ação de Deus, mas sim ouvir, com humildade, na oração, o que Ele está a revelar”.

A reflexão baseou-se no episódio evangélico em que Jesus anuncia a sua morte, uma perspetiva que provocou a indignação do apóstolo Pedro por estar “muito longe das expectativas” de “um Messias triunfante e poderoso”.

O encontro dominical culminou com um pedido para que a comunidade católica cultive a “docilidade” necessária para aceitar aquilo que Cristo pede.

“Que também nós, na nossa vida de fé e na nossa oração, tenhamos a mesma sinceridade de Pedro, ao dizer humildemente o que realmente sentimos, mesmo quando o coração está confuso”, recomendou.

Após a oração, Leão XIV saudou os vários grupos presentes no encontro, agradecendo às forças da Ordem e a todos os que contribuíram para a sua estadia em Castel Gandolfo, neste período do verão.

“Envio a minha cordial saudação aos fiéis que seguem o ângelus a partir da Praça de São Pedro. E a todos desejo um bom domingo”, concluiu, antes de se deslocar ao encontro da multidão, num pequeno veículo elétrico, passando entre os peregrinos durante vários minutos.



OC

terça-feira, 14 de abril de 2026

Deus não vive no céu

 




Deus não vive no céu

És Tu Deus Cigano, que eu adoro,
Sei que não vives no céu…
Porque vives em mim
e não te posso procurar para além do meu jardim.
Fazes do vento, do pó, da estrada,
do meu olhar e do outro a Tua morada.
Vais montando a Tua tenda
cheia de tudo e cheia de nada
nas misérias e recantos de qualquer casa…
És Tu, no nosso meio, com rosto de gente
levando paz e amor ao íntimo do descontente.
Vais em Liberdade, sem preconceitos, nem religião
habitar na disponibilidade de qualquer coração.
Vais simplesmente, porque é a Tua forma cigana de ser.
Sem fórmulas, doutrinas, teorias que acham que te podem ter.
És Tu, à procura de formar família na Babilónia da Humanidade,
a trazer o céu à terra no meio da nossa comodidade
e confundindo quem acha que descobriu toda a verdade….
És sempre a vir, a chegar e a estar...
És Tu, que outrora eras solteiro, no princípio do Livro Sagrado
e agora com a história e com a criação, És casado.
És Tu Deus Cigano
Um Deus sempre a descobrir….
Em cada coração
No meu e no rosto do meu irmão…
Todo o resto, é puro engano…


Padre João Torres

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

«Sou eu e o meu deus?»

 



Numa época que parece já não precisar de Deus: Eis a tecnologia! Eis a inteligência artificial! Eis que desenvolvem novos conhecimentos e novas conquistas!...

Numa época em que a frequência dos sacramentos e a vida de fé estão a diminuir significativamente, embora muitos afirmem crer mesmo sem frequentarem a Igreja ou as comunidades cristãs da sua residência...

Da época em que a fé cristã influenciou a vida dos povos e as suas instituições políticas, hoje, especialmente nos países ocidentais, a questão de Deus parece estar a perder relevância...

Esta mudança leva os cristãos a sentirem-se uma minoria...

Mas é aqui e agora que devem sentir crescer a responsabilidade do testemunho evangélico no mundo. A fé cristã é um compromisso pessoal com Jesus. Exige como resposta a vivência de uma vida imersa em Cristo e um testemunho visível e credível para o mundo.

O risco de viver uma fé íntima, onde "sou eu e o meu deus", as minhas orações e práticas religiosas, corre o risco de empobrecer a dimensão testemunhal da vida cristã.

Aos muitos cristãos tentados a refugiar-se numa privacidade confortável ou a isolar-se em círculos fechados e íntimos, renunciando à dimensão social do Evangelho, e a alguns que desejam um Cristo puramente espiritual, sem carne e sem cruz, o Papa Francisco recordou-nos que o Evangelho convida-nos sempre a correr o risco de encontrar a face do outro, com um ar de desafio ou com a sua dor e os seus pedidos.

O que celebramos no Natal? Não é um Deus que veio para a salvação de todos os homens?

O Natal pede-nos que participemos e testemunhemos essa salvação universal, composta por gestos de atenção, cuidado e solidariedade para com os que estão próximos e distantes, para nos tornarmos próximos, vencendo a tentação da indiferença que fere a humanidade.

Os cristãos não são ilhas, mas seres de comunhão, de relação, capazes de criar laços, mesmo quando isso implica o esforço do diálogo e do confronto ou a tensão de viver a fé num ambiente pluralista, por vezes indiferente ou hostil.

Isso não nos deve desanimar, antes pelo contrário, deve encorajar-nos a abraçar a nossa fé.

O Natal, como disse Hannah Arendt, é o milagre que preserva o mundo da ruína, infundindo fé e esperança nos vivos, fé e esperança que encontram a sua «expressão mais gloriosa e eficaz nas palavras com que o Evangelho anunciou a alegre notícia do Advento: “Nasceu-nos um menino”».

Votos de um Santo Natal!


Paulo Victória

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Como continuar confiando em Deus quando a vida parece difícil demais

 




Santa Teresinha nos encoraja a confiar na misericórdia de Deus, especialmente quando não somos fiéis a Ele


Uma das primeiras coisas que acontece quando a vida fica difícil é deixarmos de permanecer fiéis a Deus. Observamos nossas vidas e pensamos: "Onde o Senhor está, Deus?". Isso fica ainda mais acentuado quando nossa força de vontade é enfraquecida e sucumbimos a várias tentações.

Em momentos como estes, Santa Teresinha do Menino Jesus nos exorta a correr como uma criança nos braços de nosso Pai Celestial:

"[Uma criança que pecou] se joga nos braços de seu pai, dizendo que lamenta tê-lo machucado, que o ama e que provará isso por ser bom a partir de agora ... Então, se essa criança pedir ao pai para puni-la com um beijo, não acho que o pai possa endurecer seu coração contra a confiança de seu filho, conhecendo sua sinceridade e amor."

Uma ação como essa requer uma profunda confiança em Deus, vendo-O não como um pai vingativo que castiga desnecessariamente seus filhos, mas como um pai amoroso e misericordioso, pronto para nos receber e curar nossas feridas.

Santa Teresa fala essas palavras por experiência própria, pois admite à sua irmã que não é perfeita:

"Receio não ter dito o que devo; talvez você pense que eu sempre faço o que estou dizendo. Ah não! Nem sempre sou fiel, mas nunca desanimo; eu me abandono nos braços de Jesus. A pequena gota de orvalho vai mais fundo no cálice da flor dos campos e lá encontra novamente tudo o que perdeu e muito mais."

Esta a imagem de correr para Jesus e permitir que ele nos abrace é uma ilustração muito amada de Santa Teresa. Ela volta a isso com frequência em seus escritos e incentiva os outros a terem uma confiança semelhante em Deus.

Quando os tempos ficam difíceis e começamos a duvidar da bondade de Deus, a melhor coisa a fazer é correr para ele. Mas isso requer um coração filial, que não teme a ira de Deus, mas confia em sua misericórdia.


https://pt.aleteia.org/

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Viver a liberdade de Deus



“É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha
do que um rico entrar no Reino dos céus”
(Mt 19, 24).


Nestes últimos dias tens-me convidado a refletir sobre a liberdade. Tu e o teu provocador sentido de humor. Ouço frequentemente aquela frase cliché redutora e egoísta ‘a minha liberdade termina onde começa a tua’. Vivemos numa sociedade assoberbada de egos onde é comum entrarem em conflito uns com os outros, preocupados apenas com quem é o maior (cf. Mc 9, 34). Nas ruas, à mesa, em recreios de escolas, entre outros, andam tantos cabisbaixos por estarem mais interessados nos ecrãs onde mergulham do que nas pessoas à sua volta. A fantasia, as vidas perfeitas nas redes sociais, os avatares nos jogos e até os ‘desafios’ do TikTok, por vezes mortíferos, tornaram-se mais reais do que as suas realidades, por vezes, desinteressantes e rotineiras que passam a ser apenas uma névoa impalpável.

Posso não compreender tudo sobre a liberdade, mas sei que não é isto. Somos chamados a viver a tua liberdade, a que elevou a nossa condição humana para que pudesse tocar o divino. Sendo Deus, fizeste-te homem e o foste na perfeição. Um homem generoso, que foi a lugares improváveis, que partilhou o pão com os impensáveis e que amou os justos e injustos, os doutores e os pecadores, sendo fiel à vontade do Pai até àquele lugar de escândalo e de loucura onde morreste por nós.

Gostaria de pensar que, confrontada com a mesma encruzilhada, seria capaz de dar a vida por alguém. Talvez a escolha seja mais fácil quando são os nossos que estão em perigo, mas menos evidente se fosse um desconhecido. E talvez não porque já muitos entregaram suas vidas ao longo dos séculos por ti.

Sei que tenho ainda muitas amarras que me impedem a ser livre ao teu jeito porque há mágoas muito profundas cujas feridas teimam em não cicatrizar e que voltam a abrir-se quando o pensamento se desvia por lá. Não menos apertadas são as correntes que pus a mim mesma carregando as culpas das ações dos outros e da paralisia das minhas perante determinadas situações. As que não consegui prever e as que não soube compreender e acolher nos momentos em que aconteceram.

Curiosa é a contradição entre o teu olhar sobre as nossas fragilidades e o nosso olhar orgulhoso e carregado de juízos. Olho ao espelho e vejo apenas as minhas falhas enquanto tu vês a minha inteireza amando-me exatamente como sou. Gostava tanto de ver-me através do teu olhar e sei que grande parte das nossas frustrações e desilusões brotam da nossa incapacidade de nos aceitarmos como somos, aprisionando a nossa liberdade.

A tua liberdade convida-nos a viver uma vida de serviço sem ser servil, a amar o pecador mesmo que detestemos o seu pecado, a rejeitar a justiça do mundo quando for contrária à tua e tudo viver com a tua humildade e mansidão, mesmo quando nos perseguem por testemunharmos com a nossa vida tudo que és para nós.

Ouço com alguma tristeza cristãos a dizer ‘Deus tem mais que fazer do que se preocupar com os meus problemas’. Dizer isto é ainda não te conhecer bem porque prometeste estar sempre connosco. Não existem problemas mais ou menos importantes porque conheces tudo o que somos e quando algo nos entristece ou aflige, mesmo que por vezes não nos apercebemos, tu estás sempre presente.

Não há nada que com a tua graça não consigamos suportar. Bem disseste que para seguir-te era necessário aceitar a nossa cruz pois nela está toda a nossa vida, os dons que nos deste e as nossas fragilidades. Ao tomá-la aceitamos as pedras no caminho na certeza que estás em cada passo. Seguir-te é saber que vais à nossa frente para iluminar e guiar-nos nesse caminho que nos conduz ao Pai. Se, no entanto, dele nos desviar-nos ou se cairmos à sua beira, vens ao nosso encontro para nos levantar e pela mão nos levares de volta.

Sim, carregar a nossa cruz é difícil e muitas vezes nos parece demasiado pesada, mas também tu carregaste a tua até à morte. Como então não ver a sua beleza? Dá-me, Senhor, a coragem de desprender-me de tudo que me escraviza e a graça de tomar a minha cruz com verdadeira liberdade, a que me conduz a ver nos outros a missão que nos confias, mesmo nos momentos de dor e cansaço, por nela estás tu.



Raquel Dias

terça-feira, 26 de novembro de 2024

«Como escutar Deus?»

 



Esta foi a pergunta que uma amiga me fez durante uma semana agitada.
Sorri por dentro. Escutar Deus é tão simples e ao mesmo tão difícil.
Que desafio este! Que despertar...

Sei que Deus me fala a cada instante. .
Das mais diversas formas. Sei que me acompanha a cada passo. Caminha comigo. E o que eu adoro caminhar!

Sei que me leva pela mão. Que me empurra para seguir em frente. Mesmo que eu dê passos atrás, Ele vai comigo. Não me abandona na ausência da certeza.

Sei que me acolhe a cada momento de zanga e falta de esperança.
Conforta-me com o seu amor. É colo. É casa. Celebra comigo todas as alegrias. Mostra-me como a vida é bonita, simples e mágica.

Sei que abana a minha estrutura. Exige como um pai e uma mãe. Quer-me ver crescer em sabedoria e amor.
Desperta a minha luz no meio das sombras. Mostra-me a dualidade da vida e o caminho da fé.

Escutar Deus, é do mais bonito e profundo que existe em mim. É sentir que Ele é toda a minha existência.

Escutar Deus é confiar, entregar-me à vida de cada dia. Escutar Deus é traze-lo comigo no pensamento, no coração e nas palavras. É vê-lo em mim em tudo o que faço. É vê-lo em cada uma das pessoas que me rodeia. Cada um de nós tem esse brilho.
É a lanterna que nos leva a casa.

Escutar Deus...
É abrir o coração e deixar que Ele me fale, guie e ilumine.
Tu sabes sempre quando Ele é.
Fecha os olhos e sente.

Boa semana!


Carla Correia

segunda-feira, 8 de julho de 2024

Coração... o lugar de Deus.




Coração... o lugar de Deus.

Acredito que conseguimos ultrapassar todas as dificuldades! Leve o tempo que levar... acredito! Somos força em movimento, fé em movimento, amor em movimento.

Acredito, plenamente, que foi essa verdade que Jesus nos veio ensinar.

A verdade da força que existe em cada um, do amor que move montanhas, da fé que habita o nosso coração e nos transforma.

Acredito no Deus da vida! Que nos ama incondicionalmente e de que todos somos merecedores do seu amor.

Acredito nos valores que falam por si, onde ninguém tem de provar nada, apenas escolher ser o que é, praticando.

Acredito que Deus está no centro do meu coração e do teu e é essa a linguagem universal.

Acredito que mesmo perante as minhas falhas, elas nao me limitam. Nada é nada sem o seu contrário.
São as fragilidades e a humildade de as viver que me permite evoluir numa dimensão independente, mas interdepente de quem me rodeia. Porque apesar da individualidade única de cada um, há uma ligação de todos ao todo.

O todo que faz sentido pelo lugar que cada um ocupa. É nesse lugar que se dá a experiência da vida. Esse lugar onde Deus nos convida a ser, a aceitar, a agradecer, a ver a beleza de cada oportunidade...de recomeçar.

Um lugar onde podemos amar mais e temer menos.

Um lugar onde nunca estamos sós. Onde Deus nos convida a permanecer, a acreditar e confiar. Um lugar onde fecho os olhos e simplesmente, Eu Sou.

O coração, é o lugar de Deus.


Carla Correia


terça-feira, 7 de maio de 2024

Eles ainda se amam?



«Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor.»

Jo 15, 9
Jesus resume toda a lei e todos os seus mandamentos em amor e pede, depois da sua ressurreição, que os seus/suas discípulos/as permaneçam no amor. Jesus sustentou toda a sua vida em palavras e atos de amor. As suas palavras permitiram que muitos/as se sentissem amados/as e, por consequência, reencontrassem de novo o caminho do amor próprio. Foi também através das suas palavras que muitos/as descobriram a novidade do amor revelado por um Deus-Pai com entranhas de Mãe. Mas os seus atos também abriram a possibilidade de muitos/as encontrarem, no amor e através do amor, a beleza dos recomeços. O seu toque e o seu erguer deram a força necessária para que a cura iniciasse, muitas vezes, a cura biográfica, onde homens e mulheres puderam aceitar o que eram e o que foram e, assim, compreenderem que poderiam ser e fazer mais, muito mais.

No entanto, nesta passagem o que mais me marcou foi “Permanecei no meu amor.”. E ao repetir estas palavras recordava a expressão que caracterizava os primeiros cristãos: “Vede como eles se amam!”. E enquanto as repetia, questionava-me: o que perdemos, enquanto cristãos, para não estarmos no seu amor? O que valorizou a Igreja para que não seja reconhecida, atualmente, pelo amor? O que andamos a dizer e a fazer que não permitem ser reflexo de amor para os outros? Como é que podemos permanecer no seu amor? Ou melhor, como podemos voltar ao seu amor?

Acredito que aquilo que Jesus pedia, e continua a pedir, e que era também colocado em prática por aqueles primeiros cristãos, é que tenhamos a coragem, a audácia e a beleza de aceitarmos todos e todas. Aceitar, acolher e receber sem julgamentos. Tornando-nos pão para quem tem fome de Vida e vinho para quem tem sede de esperança e alegria. Aceitar, acolher e receber sem julgamentos para que todos e todas possam descobrir que no amor tudo é possível e depois, muito mais à frente e se fizer sentido dar a conhecer a proposta de caminho da Igreja. Ao ritmo de cada um, desconstruindo e caminhando em novos horizontes.

O primeiro passo será sempre tornar cristãos, através do amor, porque é no amor que surge a relação. É no amor que nasce a compreensão da fé e da Palavra: “Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores.” (João 4:23-24).

Permaneceremos no seu amor e seremos reconhecidos através desse mesmo amor, se formos adoradores em espírito e em verdade. E para isto não são necessários preceitos ou rituais, para isto não são necessárias vestes litúrgicas ou objetos da realeza. Para sermos adoradores em espírito e em verdade precisamos de viver segundo a nossa inteireza. Precisamos de autenticidade. Com tudo o que fomos, somos e ainda podemos vir a ser.

Hoje, antes de te intitulares novamente como cristão/cristã, questiona-te: os outros reconhecem-te como cristão/cristã? Como? Onde? E em que circunstâncias?


 Emanuel António Dias


quinta-feira, 7 de março de 2024

Deus é a espera!

                


Todos os dias, de manhã, passo por uma senhora que, religiosamente, espera pelos seus netos. Já tive oportunidade de passar em diferentes alturas, tanto enquanto espera como quando os recebe. E não deixa de ser espantoso verificar o impacto que aquele momento tem na sua vida.

Aquela senhora de estatura baixa, de postura frágil e olhar meigo, cujo nome eu desconheço, espera, cheia de esperança e pacientemente, à porta do seu apartamento pelos seus netos. Espera por quem ama. Espera por aqueles a quem o abraço lhe aconchega. Espera por aqueles a quem o seu olhar sorri de forma instantânea. Espera por aqueles que preenchem por completo a sua vida.

E a verdade é que aquela senhora, todos os dias, me faz lembrar este Deus apresentado por Jesus. Um Deus que espera. À porta da nossa vida. Sem imposição e com toda a esperança. Aquela senhora testemunha, sem dar conta, o Deus a quem eu professo toda a minha fé. No seu “bom dia” e nos seus abraços reconheço o Deus que se alegra com o que somos, independentemente do que fomos. Na sua espera e na alegria do encontro reconheço o Deus que sempre está e que se revela em pequenos gestos. Na sua fragilidade, que ganha robustez no encontro com os seus netos, reconheço o Deus que acolhe toda a minha fragilidade e que conta com ela para se fazer presente.

Aquela senhora que me cumprimenta com o olhar dá-me a conhecer o que Deus é. Deus é a espera. É a espera do que fui, do que sou e do que ainda posso ser. Deus é a espera. É a espera que me permite amadurecer. Deus é a espera. É a espera que me permite saborear o silêncio do mistério. Deus é a espera. É a espera da presença que nos permite sempre recomeçar.

Hoje, antes de regressares à monotonia da tua vida, questiona-te: acredito que Deus espera? Por mim e em mim?


Emanuel António Dias


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Os silêncios de Deus.

 


Fala Senhor, não te ouço! Mostra-Te Senhor, não te vejo!



Querida amiga já sentiste isto? Eu também, e dou por mim a questionar e a confrontar Deus com os seus Silêncios.

Ensinam-nos a acreditar que “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á.”( Mateus 7:7,8) e rezamos, suplicamos e suspiramos e parece que de Deus apenas ouvimos um Silencio perturbador.

E somos postos constantemente à prova, tanto por nós que pensamos em desistir, como por não crentes que nos pedem constantemente razões para a nossa fé.

Rezamos com fé, fazemos novenas, somos assíduos à Eucaristia e confesso, gostaria que isso nos desse uma capa protetora contra a tristeza e desgraça. Gostaria que a nossa fé protegesse, a TODOS, da fome, da doença e da guerra. Sei contudo, que muito do que nos entristece, advém de nós mesmos e do Joio que deixamos crescer no coração. Mas num mundo que clama por paz e sossego, vemos um punhado de Homens a controlar, manipular e a instigar o ódio de mundo e meio, e sobre isso sinto-me completamente impotente.

E tu Senhor, que Fazes? Não Te Ouço! Não te vejo! Este silêncio…

Manifesta-te Senhor!

São Marcos (1, 40-45) relata a história de um leproso que foi ter com Deus e suplicou-Lhe: “Se quiseres, podes curar-me”. Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: “Quero: fica limpo”.

Eu sei Senhor que podes Curar por isso compadece-Te de nós! Não nos abandones!

Cura, Senhor, os corações tanto daqueles que têm o poder de mudar a Vida de multidões, como daqueles que podem mudar a vida ao mais humilde do seu irmão.


E tu amiga, como lidas com os silêncios de Deus?


Raquel Rodrigues

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Momentos com Deus

                    

Não procures fora. Não procures que os outros te deem as respostas, encontra-as, abre-te a “elas” no caminho da vida. No que és e no que os outros te trazem em e na relação. Escuta (te), escuta (Me) dentro de ti. O Que vieste aqui fazer foi aprender a escutar e a ver. A escutar e ver Deus em cada pessoa, em cada momento e espaço de tempo, em cada movimento em cada ação. Tudo o que és e tudo o que te rodeia é Deus e por isso, tudo se move por amor. Não vejas menos que isso, não te movas por mais nada, pois assim tu estás em mim e eu em ti.

Estejas onde estiveres aí está Deus. Cada dia que vives, cada abrir e piscar de olhos, cada sorriso, cada abraço é Deus que se expressa em e por ti. Cumpre, cumpre o que és na tua maravilhosa e perfeita essência. Não tenhas medo, porque o Pai está contigo.

Carla Correia

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Se amarmos...



Deus não é uma ideia, não é um conceito, não é um sistema filosófico. Deus é Alguém que nos fala, que nos procura, que nos ama e que nos convida a viver a partir desse amor.
E O amor é a presença silenciosa de Deus em nós. É o Espírito que nos habita e nos faz arder de amor. É o Espírito que nos fala no silêncio do coração, que nos guia e nos sustenta na nossa fragilidade. É o Espírito que nos ensina a amar como Jesus amou.


| Cardeal D. José Tolentino Mendonça

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Deus fala-nos de muitas formas





Faz uma pergunta a Deus e não procures responder-lhe logo numa lógica de pressa. Interioriza a pergunta e pensa com calma e seriedade. Imagina que quem está a ouvir é o próprio Deus, pelo que qualquer fuga à honestidade fará perder todo o sentido. Está atento aos sinais. Os nossos dias estão cheios de pistas valiosas, ainda que as ignoremos como se já fossemos muito sábios e felizes!

A maior parte de nós vive cheio de certezas que, em boa verdade, não são mais do que opiniões sem grande fundamento.

Uma boa pergunta incomoda, porque reconhecê-la como merecedora da nossa atenção já é um passo na direção certa. Saber que não se sabe é o primeiro momento de um processo pelo qual se chega à sabedoria.

Precisamos muito de sossego para que possamos escutar o que vive no mais fundo de nós e nos faz viver.

Aceitar o desafio de perguntar algo a Deus, tentando antes de tudo o mais compreender a dimensão da pergunta, recolhendo-se depois numa escuta atenta aos sinais que podem indicar a resposta, é um caminho longo, demorado e profundo.

Ainda que as perguntas sejam quase sempre as mesmas, as respostas de cada um hão de ser construídas de muitas formas, porque, apesar da verdade ser uma só, cada um vê-a a partir da sua vida.

Um dos maiores perigos nos dias de hoje reside no relativismo absoluto, uma espécie de princípio segundo o qual a verdade não é senão algo que cabe a cada um decidir criar. Não é assim, há o bem e o mal, e a linha que os separa. Não importa o que possa pensar cada um de nós, ou todos… O bem e o mal não variam, porque não dependem do que se possa pensar deles ou do que se julga justo.

Não se entendam as perguntas como desafios para que cada um crie a sua resposta. Não. O caminho é o da paz do silêncio, onde nos serão reveladas, não as nossas respostas, mas a verdade.

Nenhuma oração muda a vontade de Deus, mas qualquer prece pode mudar quem a faz, assim a saiba rezar.

É preciso perguntar, esperando com amor por sinais da resposta. Não peças a alguém que amas aquilo que podes alcançar sozinho. Sinais hão de bastar. Por vezes, a resposta é uma pergunta maior, que, de tão grande, nos faz crescer por dentro!

A vida que nos é dada a cada dia é um dom. Compete-nos vivê-la bem. Escuta aqueles que amas, para que possas ir ao encontro das suas necessidades. Escuta aqueles que te amam, não suponhas que sabes o que te querem ou hão de dizer. Pergunta com humildade e sabedoria, escuta com paciência e atenção.

O Céu vive no nosso coração, e nós no coração do Céu, mas só encontramos Deus quando nos esvaziamos de nós mesmos.

Deus fala-nos de muitas formas, mas o que procura é sempre o mesmo: que sejamos quem podemos ser. Únicos, autênticos e felizes.


José Luís Nunes Martins

quarta-feira, 23 de março de 2022

Deus é amor?



Deus é Amor. Recorda-nos o Evangelista João e tantos e tantas que a ela recorrem para definir Deus.

É para mim, e acredito que para muitos/as, a definição mais bela e mais completa de Deus, apesar da sua tremenda simplicidade. No entanto, tenho-me apercebido que às vezes a usamos de uma forma infantilizada.

Definirmos Deus como Amor não significa que Ele seja só amor. E muito menos que seja um amor lamechas. Cheio de coraçõezinhos. E, claro, mencionar ainda que Deus será sempre muito mais do que eu penso. Muito mais do que eu imagino. E muito mais do que aquilo que alguma vez conseguirei exprimir em palavras.

No entanto, definirmos que Deus é Amor significa que Ele se encaixa num amor à séria. Num amor que em diversas situações não conseguimos compreender, porque muitas vezes (para não dizer sempre) foge à nossa lógica. Sim, porque o amor de Deus é o mesmo que nos pede para amar quem não conseguimos suportar. É o mesmo que nos pede para amar aqueles/as em quem nós achamos que Ele não pode estar. É o mesmo que nos pede para amar aqueles a quem insistimos em manter à parte.

Se Deus é Amor, então não pode ser outra coisa senão amor. E isso implica reconhecer o amor de forma adulta. Não significa torná-Lo romantizado, mas reconhecer que Ele habita a história de cada um. Significa ter a capacidade de entender que muitas vezes o amor não tendo resposta, nem solução, deixa-se habitar em presença verdadeira e silenciosa.

Deus ser amor, não é pintar o mundo de fantasias e ignorar a realidade de cada um e de cada uma. Deus ser amor é fazermos da nossa história um Evangelho encarnado. É tornarmo-nos Pais e Mães de filhos e filhas pródigas. Sem questões. Sem juízos, mas de braços abertos prontos a tornar a existência de cada um/a num autêntico banquete. Prontos para erguer e recomeçar.

Deus é amor. Mesmo. E isso implica estar à séria. Viver à séria. E quando o fazemos isso pode trazer alguma dor. Pode desgastar-nos, mas não nos podemos esquecer que também nos dará vida. E vida em abundância.

Deus é Amor, mas não O tornemos fofinho, mostremos antes que é um Amor adulto. E o que é que isto significa? Significa que defini-Lo num amor adulto é reconhecê-Lo como um Deus comprometido, misericordioso e que sempre está!


Emanuel António Dias

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Onde está Deus?





O mundo está a ultrapassar uma fase complicada. Dos desastres naturais que ocorrem de uma ponta à outra do mundo, à pandemia Covid-19, até à crise humanitária que se vive no Afeganistão e no Haiti. Perante tudo isto, muitos perguntam: Onde está Deus?

Quando confrontados com todas as vivências que ocorrem no mundo atual, muitos questionam a presença de Deus, porque Deus não permitiria tudo isto. Mas é preciso retirarmos as vendas dos olhos para vislumbrar a presença incrível de Deus nos dias de hoje.

Se pensarmos bem, todas estas crises têm a mão do Homem. O Homem que se centra em si e não no outro, que prefere o dinheiro e o poder ao amor, que resolve tudo com violência em vez da paz. A mão do Homem que agora se percebe pequeno perante a grandeza da Natureza que não consegue controlar. A culpa de tudo o que vivemos não é de Deus, é do Homem. Mas então, onde está Deus?

Se retirarmos as vendas dos olhos, conseguimos ver e sentir a presença de Deus. Deus que está nos milhões de profissionais de saúde espalhados pelo mundo e que formam a linha da frente na guerra contra o Covid-19. Eles que colocam as suas vidas em perigo para salvar vidas, porque todas as vidas contam. Eles que se colocam em último para que todos os outros possam ser os primeiros. Eles que também choram, que dão a mão, que precisam de um abraço, mas que dão os mais apertados. Deus está neles!

E está em todos os militares que arriscam as suas vidas para combater a guerra e trazer a paz ao mundo. Eles que defendem o seu país e o país dos outros, para que cidadãos inocentes possam ter direito à vida. Eles que enfrentam terroristas, que ensinam povos, que dotam de conhecimentos, que acalmam e protegem. Eles que também têm medos e desligam o botão dos sentimentos para poderem ir à luta. Deus está neles!

E também está em todos os voluntários que se multiplicam para ajudar todos os que enfrentam crises humanitárias, de saúde e de causas naturais. Eles que recolhem materiais e fundos, que os distribuem por quem necessita, que dão cor ao mundo cinzento destes povos. Deus está neles!

Mas não só neles! Deus está em ti! Tu que podes dar a mão, que te podes entregar, que podes ser a paz, a cor e o amor que o outro precisa. Tu que tens o poder de tornar o mundo um lugar melhor, com as mais pequenas atitudes. Deus está nos profissionais de saúde, nos militares e nos voluntários, mas principalmente, Deus está em ti!


Joana Carvalho



sexta-feira, 25 de junho de 2021

Não te preocupes: Deus sabe e vê!



Não te preocupes. Deus sabe. E vê-te. Sabe do que te preocupa. Sabe o que te atormenta. O que guardas dentro do coração até ser o momento certo. Sabe o que te faz chorar. Sabe o que te insufla a pele com alegria. Sabe dos teus medos, das tuas faltas repetidas, das dores de estimação, dos sonhos que escreveste naquele caderno com mais ou menos brilhantes.

Não te preocupes. Deus sabe. E vê. Conhece os contornos da tua alma e sabe o que já passaste. Sabe das tuas lutas. Das guerras que travas com o mundo e contigo próprio. Sabe do que escondes. Do que mostras. Das bandeiras que te fazem arder o coração.

Não te preocupes. Deus sabe. E vê. E ama. E olha para ti com um carinho que nunca poderás medir ou conter dentro de ti. Sorri, ao de leve, quando te vê subir mais um degrau em direção ao futuro que desenhaste (e desenhou!) para ti. Segura-te na mão e enche-a de beijos quando a usas para esconder e limpar as tuas lágrimas. Afasta o lixo do teu coração quando ele se assoberba com os demónios que não o largam.

Não te preocupes. Deus sabe. E vê. E ama-te como se só existisses tu. Como se o mundo tivesse sido criado para que pudesses habitar a sua raiz. Deus conhece o que não dás a conhecer a ninguém. Deus ensina. Mostra. Aponta. Guia. Fica em silêncio quando tem de ficar. Grita na voz de alguém que mora nos teus dias quando precisa de te avisar. É colo através dos braços de alguém que sempre esteve ali e nem reparaste.

Enquanto não vemos nada e nos sentimos perdidos de tudo, Deus está a construir. A construir a partir do Seu tremendo amor por nós.

Enquanto nos revoltamos e olhamos para o Céu em busca de ajuda, Deus está à espera de que tenhamos a coragem de O olhar nos olhos e que nos deixemos agarrar pela sua Luz.

Enquanto tudo se desfaz em pó, Deus está debruçado no chão da nossa vida a recolher todos os nossos grãos de areia para, depois, nos erguer numa versão mais bonita, mais polida, mais brilhante e mais séria.

Enquanto temos medo de Deus e do que vem lá, Deus está a preparar momentos que nos façam compreender melhor o quanto nos quer bem.

Não te preocupes. Deus sabe. Vê. Ama. E toma conta de tudo.

Se toma conta de tudo como não tomaria conta de ti?!


Marta Arrais


quinta-feira, 6 de maio de 2021

O abraço de Deus




O abraço de Deus certamente já o recebemos sem nos darmos conta, pois nem sempre se revela em corporeidade intensa e próxima, mas não deixa nunca de nos acolher por inteiro. O abraço de Deus não se limita a uma única manifestação. E, por isso, vai-se manifestando de diversas formas permitindo que O possamos reconhecer em todos e em qualquer instante. Afinal de contas, Ele vive desde sempre abraçado a nós.

O abraço de Deus pode surgir num simples encontro de amigos à volta da mesa. Ali, na reunião e união da vida, o Seu abraço faz-se acontecer em conversas que se tornam casa para todos. Ali, dando bom nome à nossa existência, o Seu abraço apanha-nos por inteiro em gargalhadas genuínas e em lágrimas que damos a conhecer àqueles que decifram connosco o mistério de todo este caminhar.

O abraço de Deus anda por aí. Em olhares que nos enchem a alma. Em olhares que nos interpretam toda a nossa história sem precisarmos de contar um único pormenor. É deste jeito que Ele nos vai abraçando. Num simples e silencioso olhar que nos conforta e nos ampara. Num simples e silencioso olhar que nos relembra que não caminhamos sozinhos. Num simples e silencioso olhar que nos ajuda a sorrir em cada dia.

O abraço de Deus revela-se também em encontros calorosos de peito a peito. De face a face. O abraço de Deus também se dá a conhecer nos braços dos outros. Também se dá a conhecer naqueles em que, por breves instantes, as suas presenças de verdadeira paz, nos fazem sentir a delícia de nos sabermos amados. De nos sabermos tremendamente valiosos aos seus olhos.

O abraço de Deus anda a visitar-nos em músicas que nos arrepiam a pele. Anda a tocar-nos em orações de desespero, de sofrimento, de agradecimento e alegria. Anda a comover-nos com a sensibilidade e delicadeza de cada poema. Anda empenhado em entrelaçar a nossa humanidade na Sua divindade.

O mais bonito do abraço de Deus são as suas consequências. É aquilo que ele produz em nós. E que bonito é ver que tantos homens e mulheres, apesar de toda a ciência e de todo o conhecimento que possuem, continuarem a derreter-se com o Seu abraço e permitirem que o seu ceticismo não lhes anule o experienciar de um encontro íntimo com Aquele que sempre está!


Emanuel António Dias


quinta-feira, 1 de abril de 2021

O Deus que rola pedras



O Deus que rola pedras. É este o Deus que Jesus nos apresenta. Aquele que não se cansa enquanto não rolar todas as pedras da nossa vida. Aquele que não se contenta enquanto não retirar tudo o que nos impeça de ver o Dom, a Graça e a Luz de nos sentirmos amados.

O Deus que rola pedras. É este mesmo Deus que continua a estar presente nas nossas vidas. Que não deixa que tudo se dê como finalizado. Que não permite que nada, nem ninguém se dê como indigno, pois tem em Si a beleza de conjugar todas as vidas num eterno recomeçar. E é no recomeçar de todos os dias que este Deus vai rolando tantas pedras da nossa existência.

O Deus que rola pedras. O Deus que anda comprometido com a nossa vida. Com a nossa singularidade. O Deus que se compadece com o pó e a areia do nosso caminhar e que, por isso, não nos pede um rastejar pela vida, mas um constante reerguer. Um reerguer que nos salve por inteiro. Um reerguer que se reflita na nossa corporeidade e que se torne, desta forma, presença viva e verdadeira da sua Luz.

O Deus que rola pedras. O Deus que não quer senão ser amor. E não há nada que o amor não possa. Não há obstáculo algum que o amor não possa demover. Seja ele denominado de pecado. De falha. De incompreensão. De dúvida. De tristeza. De angústia. Não há calhau algum (inclusive nós mesmos) que Ele não possa transformar e dar mais vida.

Um Deus que rola pedras para que não fiquemos estagnados perante as sombras do nosso caminhar!



Emanuel António Dias