domingo, 2 de agosto de 2026

Na partilha do pão, a razão de viver!

 


https://www.youtube.com/watch?v=IKRKHn9Cl-w&list=PL7Zt-5fD4oJhPpMPYGpfws_kYf8rQHiXA&index=14

A liturgia do 18º Domingo do Tempo Comum apresenta-nos o convite que Deus nos faz para nos sentarmos à mesa que Ele próprio preparou, e onde nos oferece gratuitamente o alimento que sacia a nossa fome de vida, de felicidade, de eternidade.

Na primeira leitura
, Deus convida o seu Povo a deixar a terra da escravidão e a dirigir-se ao encontro da terra da liberdade - a Jerusalém nova da justiça, do amor e da paz. Aí, Deus saciará definitivamente a fome do seu Povo e oferecer-lhe-á gratuitamente a vida em abundância, a felicidade sem fim.
Para acolher os dons que Deus oferece, é preciso desinstalar-se, abandonar os esquemas de comodismo e de preguiça que impedem que no coração haja lugar para a novidade de Deus e para os desafios que ele lança. Estou disponível para deixar cair os meus preconceitos, seguranças, esquemas organizados, egoísmos, e para me deixar questionar por Deus e pelas suas propostas?

O Evangelho
apresenta-nos Jesus, o novo Moisés, cuja missão é realizar a libertação do seu Povo. No contexto de uma refeição, Jesus mostra aos seus discípulos que é preciso acolher o pão que Deus oferece e reparti-lo com todos os homens. É dessa forma que os membros da comunidade do Reino fugirão da escravidão do egoísmo e alcançarão a liberdade do amor.
É preciso criarmos a consciência de que os bens criados por Deus pertencem a todos os homens e não a um grupo restrito de privilegiados. O Vaticano II afirma: "Deus destinou a terra com tudo o que ela contém para uso de todos os povos; de modo que os bens criados devem chegar equitativamente às mãos de todos (...). Sejam quais forem as formas de propriedade, conforme as legítimas instituições dos povos e segundo as diferentes e mutáveis circunstâncias, deve-se sempre atender a este destino universal dos bens. Por esta razão, quem usa desses bens temporais, não deve considerar as coisas exteriores que legitimamente possui só como próprias, mas também como comuns, no sentido de que possam beneficiar não só a si, mas também os outros. De resto, todos têm o direito de ter uma parte de bens suficientes para si e suas famílias" (Gaudium et Spes, 69). Como me situo face aos bens? Vejo os bens que Deus me concedeu como "meus, muito meus e só meus", ou como dons que Deus depositou nas minhas mãos para eu administrar e partilhar, mas que pertencem a todos os homens?

A segunda leitura é um hino ao amor de Deus pelos homens. É esse amor - do qual nenhum poder hostil nos pode afastar - que explica porque é que Deus enviou ao mundo o seu próprio Filho, a fim de nos convidar para o banquete da vida eterna.
Esse amor veio ao nosso encontro em Jesus Cristo, atingiu a nossa existência e transformou-a, capacitando-nos para caminharmos ao encontro da vida eterna. Ora, antes de mais, é esta descoberta que Paulo nos convida a fazer... Nos momentos de crise, de desilusão, de perseguição, de orfandade, quando parece que o mundo está todo contra nós e que não entende a nossa luta e o nosso compromisso, a Palavra de Deus grita: "não tenhais medo; Deus ama-vos".
 Descobrir esse amor dá-nos a coragem necessária para enfrentar a vida com serenidade, com tranquilidade e com o coração cheio de paz. O crente é aquele homem ou mulher que não tem medo de nada porque está consciente de que Deus o ama e que lhe oferece, aconteça o que acontecer, a vida em plenitude. Pode, portanto, entregar a sua vida como dom, correr riscos na luta pela paz e pela justiça, enfrentar os poderes da opressão e da morte, porque confia no Deus que o ama e que o salva.

https://www.dehonianos.org/

sábado, 1 de agosto de 2026

As conversas que curam almas

 



As conversas que curam almas


Com certeza já estiveste numa conversa em que simplesmente ”desligaste” e deixaste de estar presente, porquê? O que te fez não querer ouvir?

Mas também tenho a mesma certeza de que já tiveste conversas para as quais desejas-te não terem fim de tão boas que são. Certo?

O que será que as distingue? São as pessoas, os temas, o sítio?

É difícil atribuir responsabilidades mas reconheço que não é fácil teres uma conversa em que te sintas escutada tanto como ouvida. Não me refiro a uma moeda de troca mas da reciprocidade da conversa.

Por vezes, até gostamos muito de um amigo, mas ele não tem a capacidade de desenvolver uma conversa com profundidade e ficamos ali a discutir o mais trivial que existe.

Outros são de tal ordem egoístas que nunca nos perguntas se estamos bem, mas afirmam e constatam que “estamos bem”.
Raras são as conversas em que se perguntam o que se pensa, o que se sente sobre um assunto sem que degenere na discórdia ou na desvalorização do que pensas por força de um rótulo qualquer.

Gosto de falar com pessoas que me perguntam sobre as minhas coisas, os meus pensamentos, os meus projetos. Pessoas que se preocupam em sair do óbvio e do supérfluo para esventrar aquilo que às vezes precisa de ser falado e oficializado.

Recentemente tive um jantar com uns amigos que têm esse dom! O dom de nos porem tão à vontade que falamos das nossas coisas sem filtros e ao mesmo tempo sem domínio absoluto. Falamos do que sentimos e sim, sentimento puxa sentimento com mais facilidade do que imaginamos e quando te aperceberes é um pedacinho da alma que curaste.

Podemos todos treinar melhor essa capacidade de falar e de ouvir mas essencialmente de nos conhecermos mais e melhor. Como? Podemos começar por fazer mais perguntas em vez de afirmações.

E tu, amiga com quem são as conversas que curam a tua alma?


Raquel Rodrigues