segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O QUE TE SEDUZ?


 




Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir;
Vós me dominastes e vencestes. […]
Jr 20, 7-9



Em nós, seres humanos, habita uma insaciável sede pela felicidade plena.

O mundo é um parque de diversões que nos alicia a cada amanhecer.

Somos invadidos por inúmeras seduções.

Procuramos o sorriso fácil.

O Diálogo que nos conforta.

Um Olhar misterioso que nos fascina.

Alguém que nos escute sem julgar nem confrontar.

Um coração que sossegue o nosso coração.

Uma Alma calma e tranquila.


Entregar a vida ao projeto que Deus traçou para cada um de nós.

É a utopia que devia pulsar no nosso coração.

Nesse sonho que Deus, Pai misericordioso,

amorosamente desenha para cada um de nós,

há uma presença que nos acompanha desde o dia do nosso Batismo: A CRUZ!


Muitos de nós olham para a Cruz e o sonho transforma-se, imediatamente, em pesadelo.

Temos medo… acobardamo-nos… viramos costas… fugimos…

Esquecemos que somos CRISTÃOS.

Somos d’O Cristo! Daquele que morreu para que tenhamos VIDA.


Porque haveríamos de ter medo da nossa Cruz,

quando o nosso corpo, de pé e de braços abertos, é a Cruz mais bela que envergamos?


É de pé que inalamos o ar mais puro.

É de pé que iniciamos o caminho.

É de pé que ficamos prontos para vencer qualquer obstáculo.

É de braços abertos que acolhemos quem amamos.

É de braços abertos que perdoamos quem nos ofende.

É de braços abertos que recebemos a missão de Ser Felizes ao jeito dO Messias.

Faz deste levar Jesus a todos e todos a Jesus o teu caminho de salvação.

Deixa-te seduzir pelas lágrimas.

Pelo Diálogo que te faz mudar o rumo.

Pelo Olhar que te desmonta.

Por alguém que te chama a ir mais além.

Pelo coração que desassossega o teu coração.


Pela Alma que te inquieta...

que te faz partir a anunciar que Cristo está vivo num pedacinho de Pão.


Segue-O…


Liliana Dinis

domingo, 30 de agosto de 2026

"SE ALGUÉM QUISER SEGUIR-ME, TOME A SUA CRUZ..."

 

https://www.youtube.com/watch?v=VwSXZ8tZ2w0&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=151

A liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum convida-nos a descobrir a "loucura da cruz": o acesso a essa vida verdadeira e plena que Deus nos quer oferecer passa pelo caminho do amor e do dom da vida (cruz).

Na primeira leitura, um profeta de Israel (Jeremias) descreve a sua experiência de "cruz". Seduzido por Jahwéh, Jeremias colocou toda a sua vida ao serviço de Deus e dos seus projectos. Nesse "caminho", ele teve que enfrentar os poderosos e pôr em causa a lógica do mundo; por isso, conheceu o sofrimento, a solidão, a perseguição... É essa a experiência de todos aqueles que acolhem a Palavra de Jahwéh no seu coração e vivem em coerência com os valores de Deus.
• No baptismo, fomos ungidos como "profetas", à imagem de Cristo. Estamos conscientes dessa vocação a que Deus, a todos, nos convocou? Temos a noção de que somos a "boca" através da qual a Palavra de Deus ressoa no mundo e se dirige aos homens?

A segunda leitura convida os cristãos a oferecerem toda a sua existência de cada dia a Deus. Paulo garante que é esse o sacrifício que Deus prefere. O que é que significa oferecer a Deus toda a existência? Significa, de acordo com Paulo, não nos conformarmos com a lógica do mundo, aprendermos a discernir os planos de Deus e a viver em consequência.
Como é que o crente deve responder aos dons de Deus? Com actos rituais solenes e formais, com orações ou gestos tradicionais repetidos de forma mecânica, com a oferta de uma "esmola" para os cofres da Igreja, com uma peregrinação a um santuário? Paulo responde: o culto que Deus quer é a nossa vida, vivida no amor, no serviço, na doação, na entrega a Deus e aos irmãos. Respondemos ao amor de Deus entregando-nos nas suas mãos, tentando perceber as suas propostas, vivendo na fidelidade aos seus projectos. Como é o culto que eu procuro prestar a Deus: é um somatório de gestos mecânicos, rituais e externos, ou é uma vida de entrega e de amor a Deus e aos homens meus irmãos?

No Evangelho, Jesus avisa os discípulos de que o caminho da vida verdadeira não passa pelos triunfos e êxitos humanos, mas passa pelo amor e pelo dom da vida (até à morte, se for necessário). Jesus vai percorrer esse caminho; e quem quiser ser seu discípulo tem de aceitar percorrer um caminho semelhante.
O que é "renunciar a si mesmo"? É não deixar que o egoísmo, o orgulho, o comodismo, a auto-suficiência dominem a vida. O seguidor de Jesus não vive fechado no seu cantinho, a olhar para si mesmo, indiferente aos dramas que se passam à sua volta, insensível às necessidades dos irmãos, alheado das lutas e reivindicações dos outros homens; mas vive para Deus e na solidariedade, na partilha e no serviço aos irmãos.
O que é "tomar a cruz"? É amar até às últimas consequências, até à morte. O seguidor de Jesus é aquele que está disposto a dar a vida para que os seus irmãos sejam mais livres e mais felizes. Por isso, o cristão não tem medo de lutar contra a injustiça, a exploração, a miséria, o pecado, mesmo que isso signifique enfrentar a morte, a tortura, as represálias dos poderosos.

https://www.dehonianos.org/

sábado, 29 de agosto de 2026

Homenagem ao Padre Fernando e Padre Rui



Querida comunidade paroquial, estimados Senhores Padres Fernando Farinha e Rui Lourenço,

Hoje, o nosso coração divide-se entre a profunda gratidão pelo caminho que percorremos juntos e a natural nostalgia da despedida. O tempo não se mede apenas em anos, mas sim na marca que deixamos na vida daqueles que nos rodeiam. E a vossa marca na nossa paróquia é indelével.

Ao Padre Fernando Farinha,

Ao longo de 17 anos de dedicação incansável, o Senhor Padre foi muito mais do que um pastor; foi um pilar, um conselheiro e uma presença constante em todos os momentos da nossa comunidade. Viu famílias crescerem, guiou gerações e, com a sua sabedoria e paciência, soube acolher cada paroquiano como um filho. Dezassete anos de serviço são o testemunho vivo de uma vocação entregue inteiramente a Deus e aos outros.

Ao Padre Rui Lourenço
,

Ao longo destes últimos 5 anos, a sua energia, o seu espírito de missão e a sua dedicação renovaram a nossa comunidade. Com dinamismo e proximidade, soube caminhar connosco, partilhar os desafios do dia a dia e enriquecer a nossa vivência da fé. A sua passagem por esta paróquia, embora mais breve, deixa frutos profundos que continuaremos a cultivar.

Aos dois, a nossa paróquia diz hoje, em uníssono: Muito obrigado. Obrigado pelo vosso "Sim" diário, pela vossa entrega generosa, pelas palavras de conforto nas horas difíceis e pela alegria partilhada nas celebrações.

Ao Padre Fernando Farinha, no seu caminho para a reforma: Que este novo tempo seja de merecido descanso, de paz profunda e de saúde. Que possa olhar para trás com o coração cheio de orgulho pelo dever cumprido e que Deus o continue a abençoar nesta nova etapa da sua vida.

Ao Padre Rui Lourenço, na sua nova missão: Que a nova paróquia o acolha de braços abertos e com o mesmo carinho que aqui deixa. Desejamos-lhe as maiores bênçãos nesta nova caminhada pastoral, certos de que continuará a ser uma luz na vida dos seus novos paroquianos.

Não nos despedimos com um adeus, mas sim com um "até sempre". Esta paróquia será sempre a vossa casa e as nossas orações acompanhar-vos-ão onde quer que estejam.

Que Deus vos abençoe hoje e sempre!







A esperança de sermos compreendidos

 



Gostamos que gostem de nós. Na maior parte dos casos, esse desejo é sinal de que somos carentes, de que precisamos da atenção e do afeto dos outros para nos sentirmos completos e realizados.

Hoje, até chamamos amigos a pessoas com quem apenas temos contacto, mas sabemos, no fundo, que ser amigo de verdade é muito mais do que ter uma ligação no mundo virtual.

Por trás dessa confusão entre contacto e amizade está o desejo de não estarmos sós. É um desejo profundo, que corresponde a uma íntima e imensa necessidade de abraços que nos acolham, de quem nos aceite, compreenda e goste de nós como somos.

Claro que a responsabilidade também passa pela ilusão que criamos e alimentamos. Uma grande ilusão é o princípio da desilusão. Importa saber sonhar e moderar o desejo de que gostem de nós.

Depois, costumamos esconder as nossas facetas mais sombrias e complexas, enquanto sonhamos que os outros gostem, ou pelo menos aceitem, também aquilo que, por medo de sermos rejeitados, escondemos deles…

Connosco anda sempre uma esperança secreta de que possamos ser compreendidos pelos outros, mais ainda por aqueles que nos são próximos.

O maior problema desta atitude é que, na ânsia de procurar compreensão, não tentamos sequer compreender os outros: nem os próximos, que julgamos conhecer já muito bem, nem os estranhos, de quem muitas vezes a aparência nos basta para julgar que sabemos quem são.

Seria bom que aprendêssemos a olhar e a escutar o outro, sobretudo aquele que nos é próximo, com atenção e respeito, partindo sempre do princípio de que tudo quanto julgamos saber acerca dele não é, nem de perto, suficiente.


José Luís Nunes Martins

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

E tu, és insubstituível?


E tu, és insubstituível?

Eu respondo que sim. És. Todos somos. Porque somos únicos e ninguém nunca vai ocupar o lugar que era exclusivamente nosso na família, junto dos amigos, no trabalho, na sociedade, enfim neste universo.

Mário Cortella diz o seguinte: "Eu sou único. Mas não sou o único. Não há ninguém como eu, não houve e não haverá, mas não sou só eu que sou."

Pois assim também entendo, que cada vida é única e de inestimável valor, jamais para ser descartada ou substituída para que outros tomem o que será sempre nosso.

Semelhante sim, igual nunca.

E há, certamente, lugar para todos!


Lucília Miranda

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Reconhecer Deus




A liturgia convida-nos a seguir Jesus e, muitas vezes, a subir ao monte. O monte significa, entre outras coisas, o afastamento do ruído que nos impede de discernir e ouvir Deus. Não é por acaso que a natureza e a criação divina nos aparece sempre como um elemento revelador de Deus. A beleza da natureza é algo contemplativo mas exige paciência e confiança pois tudo leva o seu tempo. A nossa vida deveria ser assim, mais " longe do mundo e perto de Deus"!

Foi no monte que Jesus se transfigurou, foi no mar que Jesus pôs à prova a fé de Pedro, era no monte que Jesus se recolhia para orar, mas não foi só Jesus. Um dia textos que mais me impactou foi a espera de Elias pela passagem de Deus. Elias esperou que Deus se manifestasse em elementos barulhentos, assustadores e brutais. Mas não! Deus fez-se reconhecer se por uma brisa suave. Que simples! E Elias reconheceu de imediato ao ponto de se ter levantado da gruta e ter cessado a espera. Dizem as escrituras que Elias vivia um momento confuso e turbulento e Deus manifestou se no oposto, e precisamente em tudo aquilo que Elias precisava. Recordo que quando li esta passagem senti de imediato uma enorme empatia e trago na memória a capacidade de parar, descansar, se necessário subir ao monte e ver Deus na beleza, na brisa suave e na serenidade que nestes tempos parecem escassear.

Não há fórmulas secretas para reconhecer Deus mas acredito que Ele se revela a cada um de maneiras diferentes e de acordo com a capacidade individual de cada um de se dispor a ver, sem pressas nem julgamentos e de modo muito mais real do que alguns imaginam.

Mas desenganem-se se acham que Deus nos quer apenas seres contemplativos, se reparares bem depois de todas estas paragens há algo que muda, há algo que os impele à ação e à mudança. Cada um que reconhece Deus tende a mudar de caminho (como os discípulos Emaús), a levantar-se e sair da gruta (como Elias), ou a aumentar a fé (como Pedro), e tantas e tantas outras transformações que a bíblia nos relata. Se estiveres bem atenta verás Deus, ou melhor…sentirás a sua presença.

E tu amiga, estás preparada para aceitar a presença de Deus na tua vida?


Raquel Rodrigues


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

O lugar onde os sonhos assentam os pés

 


O lugar onde os sonhos assentam os pés


Às vezes esquecemo-nos do que é ser criança. Escrevemos palavras grandes, erguemos muros de certezas, vestimos preconceitos antigos e esquecemo-nos de olhar para o chão, onde a vida verdadeiramente acontece.
E lá em baixo, ao nível dos olhos de quem está a começar, o mundo é simples.
Quando uma criança cigana corre, ri ou olha para o céu, não está a carregar o peso do passado nem os rótulos de quem a vê passar. Está apenas a viver. Traz no olhar a mesma sede de descobrir o mundo, a mesma fome de futuro e o mesmo direito sagrado de ser feliz que qualquer outra criança.
Mas a infância não se protege sozinha.
Esta responsabilidade não é de "uns" nem de "outros". É de todos nós. Compete à comunidade cigana e à sociedade civil, sem dedos apontados, sem julgamentos fáceis, de peito aberto. Se nos despirmos do ruído e nos focarmos no que é verdadeiramente essencial, percebemos que o futuro de uma criança é a medida da nossa própria humanidade.
Cuidar delas, abrir caminhos, garantir que têm espaço para aprender, sonhar e voar em igualdade, não é um favor. É o compromisso mais bonito que podemos assumir enquanto pessoas.
Acredito profundamente que é no encontro, no respeito e na coragem de dar a mão que nos salvamos a nós próprios. Porque quando garantimos que o mundo é um lugar seguro e justo para uma criança, o mundo torna-se, finalmente, um lugar melhor para todos.
Afinal, a infância devia ser sempre esse lugar onde o amor não pede licença e os sonhos têm onde pousar.

Padre João Torres

terça-feira, 25 de agosto de 2026

«E vós, quem dizeis que Eu sou?»




«Uma amizade ou um amor, autênticos, são exceções, não regras.
É raro encontrar-se alguém que nos levante quando estamos caídos,
menos ainda que o faça sem hesitação e independentemente de estar muita gente a olhar.
Se depois de nos levantarmos seguimos ao seu lado, iremos longe. Muito longe.»
José Luís Nunes Martins
In Momentos de Sabedoria [pag. 152]





Jesus, no Evangelho de hoje,

anuncia aos Seus Discípulos o maior mistério que faz a humanidade caminhar, em união.

O Messias, O Filho de Deus vivo,

quer saber a perceção que têm aqueles que passam por Ele, sobre Ele…

Mas, não a tem em conta!

«E vós, quem dizeis que Eu sou?»


O que pesa nas Suas decisões; o que O faz viver;

o que leva Jesus até à morte e morte de Cruz, é o sentimento mais profundo:

O Amor misericordioso

vivido com o tempero mais puro da raiz de uma amizade verdadeira:

«Fazemo-nos irmãos de quem experimenta a mesma dor.
O sofrimento remete-nos para uma solidão profunda,
da qual a maioria dos outros se afasta como se fosse contagiosa.
E, assim, ao mal da tragédia acresce-se a dor da perda
dos que julgávamos que ficariam connosco.»
José Luís Nunes Martins
In Momentos de Sabedoria [pag. 153]


Jesus entrega a chave a Pedro e pede aos discípulos que não anunciem que Ele é o Messias…

Tudo teria de estar consumado.

Os Seus Amigos seriam colocados à prova:

De um lado: a mentira, a cobardia, a vaidade e a ganância. A humanidade…

Do outro lado: Jesus que ama enternecidamente cada um deles.


Ainda hoje, sentimos esse mesmo amor…

essa amizade que não tem fronteiras e é liberdade genuína.



Quantos de nós queremos levar este Jesus a todos e todos a este Jesus,

que é semente de serviço, que abraça os impuros, que sofre e chora connosco?



O Messias não nos apresenta uma vida de alegria sem fim.

Apenas quer caminhar connosco…

Fazer-se presença terna que nos fortalece com migalhas dO Pão…

Amor… sem reservas! Ser, apenas, O nosso Amigo…


Liliana Dinis

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Quem sou Eu para ti?

 



Quem sou Eu para ti?

Pergunta de Jesus a cada um de nós!
A resposta não se obtém pelo muito SABER, mas pelo muito AMAR. Saberemos quem é Jesus, não pelo que LEMOS ou APRENDEMOS, mas pelo amor com que somos amados e amamos.
Podemos viver a vida inteira a assistir a missas e a rezar terços, sem nunca nos deixarmos abalar, emocionar, questionar...
Porque uma coisa é dizer que somos crentes, outra coisa é acreditar.
É dizer, no mais profundo de nós mesmos:
Encontrar-TE foi a melhor coisa da minha vida!
Tu és a coisa mais bela e mais forte que me aconteceu...
Jesus usa o método das perguntas... Não nos cansemos de fazer perguntas: uma boa pergunta já contém em si mesma uma boa resposta.
Jesus não procura PALAVRAS, procura PESSOAS.
Não procura DEFINIÇÕES, mas COMPROMISSOS que nos envolvam...
Eu posso ser seu “simpatizante” e “ouvinte”, ou seu “amigo” e “seguidor”.
Pedro deu uma resposta: «Tu és o Messias». Tu és o Cristo, aquele que aviva a vida.
Pedro revela que Jesus é o Cristo; Jesus revela a Simão que ele é Pedro. Troca de cortesias.
Quando nos aproximamos do mistério de Deus, descobrimos o nosso rosto; quando nos aproximamos da Verdade de Deus, recebemos em troca a verdade sobre nós mesmos.
Cristo não é o que digo d’Ele, mas o que vivo d’Ele... Cristo não é as minhas palavras, mas o que d’Ele arde em mim...
Quem sou Eu para ti?
Talvez esta seja uma das perguntas mais importantes que Jesus nos pode fazer. Não basta saber quem Ele é. É preciso descobrir quem Ele se torna na nossa vida.
Deus não quer saber do que sabemos d’Ele, mas da nossa paixão por Ele…

Padre João Torres

domingo, 23 de agosto de 2026

Quem é Cristo para mim?

 

https://www.youtube.com/watch?v=r-q--g9oqi8&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=152

No centro da reflexão que a liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum nos propõe, estão dois temas à volta dos quais se constrói e se estrutura toda a existência cristã: Cristo e a Igreja.

O Evangelho convida os discípulos a aderirem a Jesus e a acolherem-n'O como "o Messias, Filho de Deus". Dessa adesão, nasce a Igreja - a comunidade dos discípulos de Jesus, convocada e organizada à volta de Pedro. A missão da Igreja é dar testemunho da proposta de salvação que Jesus veio trazer. À Igreja e a Pedro é confiado o poder das chaves - isto é, de interpretar as palavras de Jesus, de adaptar os ensinamentos de Jesus aos desafios do mundo e de acolher na comunidade todos aqueles que aderem à proposta de salvação que Jesus oferece.
"E vós, quem dizeis que Eu sou?" É uma pergunta que deve, de forma constante, ecoar nos nossos ouvidos e no nosso coração. Responder a esta questão não significa papaguear lições de catequese ou tratados de teologia, mas sim interrogar o nosso coração e tentar perceber qual é o lugar que Cristo ocupa na nossa existência... Responder a esta questão obriga-nos a pensar no significado que Cristo tem na nossa vida, na atenção que damos às suas propostas, na importância que os seus valores assumem nas nossas opções, no esforço que fazemos ou que não fazemos para o seguir... Quem é Cristo para mim?

A primeira leitura mostra como se deve concretizar o poder "das chaves". Aquele que detém "as chaves" não pode usar a sua autoridade para concretizar interesses pessoais e para impedir aos seus irmãos o acesso aos bens eternos; mas deve exercer o seu serviço como um pai que procura o bem dos seus filhos, com solicitude, com amor e com justiça.
O texto convida-nos a uma reflexão sobre a lógica e o sentido do poder... Sugere que o poder é um serviço à comunidade. Quem exerce o poder, deverá fazê-lo com a solicitude, o cuidado, a bondade, a compreensão, a tolerância, a misericórdia, e também com a firmeza com que um pai conduz e orienta os seus filhos. Nessa perspectiva, o serviço da autoridade não é uma questão de poder, mas é uma questão de amor. Será impensável considerar que alguém pode desempenhar com êxito cargos de responsabilidade, se não for guiado pelo amor. É esta mesma lógica que os cristãos devem exigir, seja no exercício do poder civil, seja no exercício do poder no âmbito da comunidade cristã.

A segunda leitura é um convite a contemplar a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus que, de forma misteriosa e às vezes desconcertante, realiza os seus projectos de salvação do homem. Ao homem resta entregar-se confiadamente nas mãos de Deus e deixar que o seu espanto, reconhecimento e adoração se transformem num hino de amor e de louvor ao Deus salvador e libertador.
Esse Deus omnipotente, que nunca conseguiremos definir, controlar e explicar não é um concorrente ou um adversário do homem, preocupado em afirmar a sua grandeza e omnipotência à custa da humilhação do homem... Mas é um pai, preocupado com a felicidade dos seus filhos e com um projecto de salvação que Ele pretende que os homens acolham. É verdade que muitas vezes não percebemos o alcance desse projecto; mas se virmos em Deus, não um concorrente mas um pai cheio de amor, aprenderemos a não nos fecharmos no orgulho e na auto-suficiência e a acolhermos, com gratidão, os seus dons - como um menino que recebe do pai a vida, o alimento, o afecto, o amor.

https://www.dehonianos.org/

sábado, 22 de agosto de 2026

477 anos da criação da Diocese de Portalegre – Castelo Branco - D. Pedro Fernandes

 


No âmbito dos 477 anos da criação da Diocese de Portalegre – Castelo Branco, D. Pedro Fernandes, Bispo Diocesano, deixa uma mensagem de celebração, gratidão e esperança para o futuro da nossa Diocese.
E porque o futuro também passa por novas formas de estar e comunicar, esta mensagem marca igualmente 𝘂𝗺𝗮 𝗻𝗼𝘃𝗮 𝗲𝘁𝗮𝗽𝗮 𝗻𝗮 𝗰𝗼𝗺𝘂𝗻𝗶𝗰𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗮 𝗗𝗶𝗼𝗰𝗲𝘀𝗲.
Mais presença nas redes sociais, mais proximidade e uma 𝗻𝗼𝘃𝗮 𝗽𝗮́𝗴𝗶𝗻𝗮 𝗻𝗼 𝗜𝗻𝘀𝘁𝗮𝗴𝗿𝗮𝗺, para partilhar a vida, a missão e o caminho da nossa comunidade diocesana.
𝗦𝗶𝗴𝗮 𝗮 𝗻𝗼𝘃𝗮 𝗽𝗮́𝗴𝗶𝗻𝗮 𝗲 𝗳𝗮𝗰̧𝗮 𝗽𝗮𝗿𝘁𝗲 𝗱𝗲𝘀𝘁𝗮 𝗻𝗼𝘃𝗮 𝗲𝘁𝗮𝗽𝗮!
[Instagram: diocese.portalegre.cbranco]

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

UM JOVEM CASAL EM BUSCA DO ESSENCIAL


Nesta época mais desejada para os jovens contraírem matrimónio, o aviso nas passagens dos caminhos de ferro não se devia ignorar: "Pare, Escute e Olhe".
Um jovem casal, de Divinópolis, Brasil, que haviam casado no dia 1 de agosto, prometeram-se ir a Itália como viagem de lua de mel. Para as despesas do casamento e a concretização desse sonho, fizeram meses de sacrifícios e poupança. Yago, que trabalha na ação social, até vendeu pães de mel pelas ruas com esse objetivo. Essa angariação de fundos, porém, era curta, não chegava. No entanto, graças aos amigos, o casal conseguiu fazer a viagem de uma semana a Itália. Pontos de maior referência eram a passagem pela Basílica de São Pedro e a possibilidade de se poderem encontrar com o Papa e receber a Bênção que ele costuma dar aos recém casados. Danielly explica: "Com a graça de Deus queríamos conversar com ele: uma palavra, uma frase, aquilo que ele dissesse, que iria edificar o nosso coração, iria edificar o nosso matrimónio. E valeu muito a pena! Valeu muito a pena a viagem, a visita, algo sobrenatural mesmo, muito, muito além do que a gente podia imaginar ou sonhar."
E lá estiveram na audiência desta quarta-feira, dia 12 de agosto, tendo, após a Audiência Geral, se encontrado com o Santo Padre Leão XIV. E porque o Papa se aproximava, sentiram a possibilidade de até lhe dirigirem uma palavra. Yago, na esperança de que isso acontecesse, confessou: "Naquele momento, quando ele estava vindo, cumprimentando a gente, só me vinha uma pergunta: o que é que eu posso perguntar? E, pra mim, a pergunta que me vinha mais ao meu coração era isso: o meu maior desejo do coração é ter uma família santa. Então eu vou-lhe perguntar isso. Aí, eu fiquei treinando em italiano. Como é que eu vou perguntar isso? Eu falo até meio travado assim, porque eu queria perguntar em italiano pra que ele pudesse entender. E foi mágico ver ele olhando meus olhos, respondendo a essa pergunta. Eu achei que meu coração ia parar ali, naquele momento!". E quando Yago fez a pergunta ao Papa – como ser uma família santa -, ele disse-lhes: “Coloquem tudo nas mãos de Deus. Rezem muito: o rosário, a santa missa, os sacramentos. E muita paciência entre vocês.” Este foi o conselho simples e prático dado a um jovem casal, segundo a notícia. E acrescentou Yago: "estar diante do Papa e pegar na sua mão, foi o entendimento que o amor de Deus é verdadeiro, e que não há nada que nos impeça de conquistar os nossos sonhos, sendo o maior deles a santidade e o Céu". Agora, o sentimento do jovem casal é de gratidão aos amigos e a Deus pelo "carinho e pela sua providência", e pela oportunidade de compartilhar com outros jovens casais o conselho do Papa para construir uma família santa.
Como a sociedade seria diferente se as famílias cristãs marcassem a diferença como verdadeiras famílias cristãs! O Papa Francisco afirmava que a santidade da família não está na perfeição. Está no amor quotidiano, no perdão mútuo, na vivência da fé em gestos simples do dia a dia. É um caminho concreto de aprendizagem, dinâmico, alegre e realista. Não é um produto acabado, mas um projeto que o casal constrói em conjunto ao longo da vida, aprendendo a contemplar o cônjuge com os olhos de Deus, aceitando os seus limites, celebrando as suas virtudes, gerindo as crises de forma a fortalecer a união. É um compromisso, uma aliança sempre renovada e centrada na paciência, no cuidado, na escuta atenta, no respeito pelas diferenças do outro, no crescimento conjunto, na superação de conflitos. A inserção e participação na comunidade é importante, não só como apoio ao casal mas também para a educação dos filhos. Esta educação não se faz com grandes discursos, mas com o testemunho, a oração individual, em família e na comunidade, valorizando o Domingo e os sacramentos, manifestando a beleza da oração simples e da caridade no dia a dia. Há pequenos gestos e atitudes que se tornam extraordinários e eficazes.

D. Antonino Dias
Caminha, 14-08-2026.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

O preço de escolher bem

 



O preço de escolher bem

O mal apresenta-se-nos sob a aparência do bem. Desvia-nos do melhor, levando-nos a trocar o melhor por aquilo que é apenas bom. É subtil, mas eficaz, porque nos vai afastando do caminho do bem supremo.

A maioria das escolhas decisivas das nossas vidas não são entre o bem e o mal, mas entre dois ou mais bens. Haverá algum mal em escolher um bem que, embora não seja o maior, continua a ser um bem? Sim. Ao fazê-lo, renunciamos a um bem maior.

Há situações em que somos forçados a escolher entre dois ou mais males. Todas as opções são más, mas aqui é ainda mais evidente que temos o dever de escolher o mal menor.

Importa ter a coragem de escolher o bem maior e de renunciar aos bens menores. É sempre duro assumir que deixar boas opções para trás faz parte do preço a pagar para alcançar o melhor. Afinal, é como se apenas merecesse o melhor quem fosse capaz das renúncias que isso implica.

É interessante que associemos a ideia de liberdade a algo muito agradável. A verdade, porém, é que a liberdade não é aquilo que sentimos depois de escolher bem; é aquilo que torna essa escolha possível. Todos somos livres e isso não é uma escolha. Estamos assim condenados a ser responsáveis pelas escolhas que fazemos – as boas e as más.

Somos responsáveis por aquilo que somos, por aquilo que fazemos aos outros e a nós próprios. Mais do que escolher um bem, devemos procurar escolher sempre o melhor de todos os bens. Só assim estaremos a escolher bem.


José Luís Nunes Martins

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Reconhecer Deus



A liturgia convida-nos a seguir Jesus e, muitas vezes, a subir ao monte. O monte significa, entre outras coisas, o afastamento do ruído que nos impede de discernir e ouvir Deus. Não é por acaso que a natureza e a criação divina nos aparece sempre como um elemento revelador de Deus. A beleza da natureza é algo contemplativo mas exige paciência e confiança pois tudo leva o seu tempo. A nossa vida deveria ser assim, mais " longe do mundo e perto de Deus"!

Foi no monte que Jesus se transfigurou, foi no mar que Jesus pôs à prova a fé de Pedro, era no monte que Jesus se recolhia para orar, mas não foi só Jesus. Um dia textos que mais me impactou foi a espera de Elias pela passagem de Deus. Elias esperou que Deus se manifestasse em elementos barulhentos, assustadores e brutais. Mas não! Deus fez-se reconhecer se por uma brisa suave. Que simples! E Elias reconheceu de imediato ao ponto de se ter levantado da gruta e ter cessado a espera. Dizem as escrituras que Elias vivia um momento confuso e turbulento e Deus manifestou se no oposto, e precisamente em tudo aquilo que Elias precisava. Recordo que quando li esta passagem senti de imediato uma enorme empatia e trago na memória a capacidade de parar, descansar, se necessário subir ao monte e ver Deus na beleza, na brisa suave e na serenidade que nestes tempos parecem escassear.

Não há fórmulas secretas para reconhecer Deus mas acredito que Ele se revela a cada um de maneiras diferentes e de acordo com a capacidade individual de cada um de se dispor a ver, sem pressas nem julgamentos e de modo muito mais real do que alguns imaginam.

Mas desenganem-se se acham que Deus nos quer apenas seres contemplativos, se reparares bem depois de todas estas paragens há algo que muda, há algo que os impele à ação e à mudança. Cada um que reconhece Deus tende a mudar de caminho (como os discípulos Emaús), a levantar-se e sair da gruta (como Elias), ou a aumentar a fé (como Pedro), e tantas e tantas outras transformações que a bíblia nos relata. Se estiveres bem atenta verás Deus, ou melhor…sentirás a sua presença.

E tu amiga, estás preparada para aceitar a presença de Deus na tua vida?


Raquel Rodrigues

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Não guardes a tua fé



«Entre todas as coisas magníficas da criação de Deus,
duas deixam para trás as outras;
uma está acima de nós - a imensidão dos céus estrelados;
outra dentro de nós - o espírito do homem.»



Para quem tem Fé em Deus e em todas as Suas criaturas,

o mundo é um verdadeiro paraíso sem fim.

Acreditamos que cada um de nós é único e irrepetível.

Acreditamos que saímos das mãos do Criador, que amorosamente nos desenha,

para vivermos numa intensa obediência à Sua misericordiosa providência.

Acreditamos que cada grão de areia

é colocado estrategicamente pelo Senhor que nos dá a vida,

num local definido, com uma textura distinta e com uma missão muito específica.

Também acreditamos que tudo o que vem de Deus

é para todos, todos, todos e para cada um de nós.

As coisas boas não são só para mim, porque sou mais bonito…

As coisas más não são só para ti, porque mereces…

E… contestar o que Deus providencia é perda de tempo!

Quando acreditamos que Deus nos ama, infinitamente, não há dor, há compaixão!

Deus espera por mim e por ti, a cada dia.

Mesmo que os nossos passos estejam desalinhados,

o Pai anseia que eu te leve a Jesus e que tu me leves até Jesus…

Deus não pergunta a tua nacionalidade,

nem se nasceste no seio de uma família conceituada.

Deus apenas quer que respeitemos o que é direito, que pratiquemos a justiça e…

que tenhamos uma Fé inabalável, Naquele que morreu para que a salvação fosse possível.

Quem tem Fé em Jesus encontra a cura para qualquer mal.

E até simples migalhas são um manjar repleto de iguarias.

Não guardes a tua Fé!

Faz-te Fé na vida da humanidade…


Liliana Dinis

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

MULHER DA GRANDE FÉ!

 


MULHER DA GRANDE FÉ!

O Evangelho deste Domingo, conta-nos a bela e maravilhosa história de vida, de uma mulher e mãe «libanesa», carregada com o drama da sua filha doente, situação verdadeira ontem como hoje, vem IMPLORAR DE JESUS, num GRITO que lhe sai do fundo das entranhas, que lhe «faça graça», isto é, que olhe para ela com mesma ternura com que ela embala ao colo a sua filha...
O texto diz que Jesus nem lhe respondeu. Mas a mulher não DESISTE, mas INSISTE... AQUELA MULHER NÃO ARREDA PÉ! Não se SENTE, nem se RESSENTE, perante o silêncio frio ou quente de Jesus.
A sua fé, já não se ABALA, com uma boa ou má fala do Mestre!
A sua fé, não CRESCE, nem DESAPARECE, por causa do mau feitio de qualquer um dos seus discípulos.
E é tal a insistência e a persistência, que esta libanesa consegue FAZER IMPLODIR DE COMPAIXÃO o coração de Jesus, com uma verdadeira explosão de fé!
«Mulher da grande fé!», replicou Jesus, «faça-se como queres!»
Esta cena do evangelho provoca, SEM DÓ, NEM PIEDADE, esta nossa fé TÃO POUCA e TÃO POLIDA DE ÁGUA benta e quantas vezes “melindrada”, por tudo e por nada!
Daqui é preciso estender o elogio de Jesus, às mães solteiras, às ciganas, às estrangeiras, ou àquelas que, separadas ou mal casadas, sozinhas e inteiras, suportam com coragem uma maternidade violenta, ou a crueldade de uma doença, que atormenta e desespera!
..... não podíamos encontrar um rosto mais feliz, do que esta mulher, distante e imigrante, tocada pela ternura de Deus... Só cumprimos a vontade do Pai quando vivemos abertos a todo o ser humano que sofre e geme pedindo compaixão...
O Evangelho deste Domingo, conta-nos a bela e maravilhosa história de vida, de uma mulher e mãe «libanesa», carregada com o drama da sua filha doente, situação verdadeira ontem como hoje, vem IMPLORAR DE JESUS, num GRITO que lhe sai do fundo das entranhas, que lhe «faça graça», isto é, que olhe para ela com mesma ternura com que ela embala ao colo a sua filha...
O texto diz que Jesus nem lhe respondeu. Mas a mulher não DESISTE, mas INSISTE... AQUELA MULHER NÃO ARREDA PÉ! Não se SENTE, nem se RESSENTE, perante o silêncio frio ou quente de Jesus.
A sua fé, já não se ABALA, com uma boa ou má fala do Mestre!
A sua fé, não CRESCE, nem DESAPARECE, por causa do mau feitio de qualquer um dos seus discípulos.
E é tal a insistência e a persistência, que esta libanesa consegue FAZER IMPLODIR DE COMPAIXÃO o coração de Jesus, com uma verdadeira explosão de fé!
«Mulher da grande fé!», replicou Jesus, «faça-se como queres!»
Esta cena do evangelho provoca, SEM DÓ, NEM PIEDADE, esta nossa fé TÃO POUCA e TÃO POLIDA DE ÁGUA benta e quantas vezes “melindrada”, por tudo e por nada!
Daqui é preciso estender o elogio de Jesus, às mães solteiras, às ciganas, às estrangeiras, ou àquelas que, separadas ou mal casadas, sozinhas e inteiras, suportam com coragem uma maternidade violenta, ou a crueldade de uma doença, que atormenta e desespera!
..... não podíamos encontrar um rosto mais feliz, do que esta mulher, distante e imigrante, tocada pela ternura de Deus... Só cumprimos a vontade do Pai quando vivemos abertos a todo o ser humano que sofre e geme pedindo compaixão...

Padre João Torres


domingo, 16 de agosto de 2026

A Páscoa de Maria

 


A Páscoa de Maria

A todos nós nos preocupa de uma certa forma
o fim último da nossa existência...
A festa da Assunção de Nossa Senhora ajuda-nos a ver um pouco de luz nessa imensa escuridão, que é a morte para nós...
Essa palavra estranha e abstrata assunção, quer dizer simplesmente que Maria, venceu definitivamente a morte. Foi assumida por Deus...
Mas Nossa Senhora morreu?
E o corpo, desapareceu?
Como aconteceu isso?
Não sabemos como aconteceu tudo isto,
mas sabemos que desde os primeiros séculos
se conservam os túmulos dos principais apóstolos,
e não se conservaram os restos mortais de Maria…
Os primeiros cristãos entenderam a morte de Maria como um “adormecer” (ou “dormição”) para acordar inteiramente no amor de Deus. Foi-se assim tornando claro que Deus chamou a si toda a realidade (espírito, alma, corpo) desta mulher especial.
Ela é a primeira resgatada e a primeira ressuscitada.
Ela é o primeiro ser humano a viver em plenitude aquilo
para que todos fomos criados.... Viver para sempre com Deus...
Maria “antecipa” a nossa ressurreição!
Dá-nos a esperança de também lá chegarmos,
na medida em que nos abrirmos à graça e ao amor de Deus.
Maria é abençoada porque ela acreditou. Porque ela confiou,
porque ela deu espaço a Deus, ela deixou-O agir na sua vida...
Ela é um SINAL DE ESPERANÇA para todas as pessoas simples,
ignoradas pelos poderosos, mas plenamente confiantes em Deus...
Nossa Senhora da Assunção nos ensine a colocar nossa vida o sonho de Deus....
nos alcance um novo ardor de ressuscitados,
para levar a todos o Evangelho da vida que vence a morte!


Padre João Torres

Solenidade de Nª Srª da Assunção

As Festas em Honra de Nossa Senhora da Assunção encheram Arronches de vivacidade através de uma programação que uniu a fé e a cultura alentejana. O dia ficou marcado por uma forte adesão popular aos vários momentos litúrgicos e etnográficos preparados pela comissão organizadora.
 O dia começou às 10h00 com a Missa Solene celebrada pelos Párocos Fernando Farinha e Rui Lourenço, na Igreja Matriz, onde o coro paroquial guiou os cânticos litúrgicos da comunidade.
 Pelas 11h00, a imagem da padroeira percorreu o centro histórico na tradicional Procissão. O momento contou com o acompanhamento musical solene da Banda Euterpe, que tocou ao longo da Praça da República e ruas adjacentes.
 Logo de seguida, as ruas foram invadidas pelo Desfile Etnográfico de Carroças, sob a coordenação da Associação «Os Romeiros de Esperança». A componente rítmica e festiva do desfile foi assegurada pelo Grupo das Pedrinhas de Arronches, atraindo muitos aplausos de residentes e turistas.
Às 12h00, realizou-se a emblemática Bênção dos Animais
O fecho do dia deu-se a partir das 22h00 na escadaria da Igreja Matriz, um cenário monumental transformado em casa de fados ao ar livre.
A Noite de Fados encerrou as celebrações num ambiente intimista de partilha cultural, na escadaria da Igreja Matriz, na qual se juntaram as grandes vozes presentes no cartaz deste ano 2026, as fadistas, Luís Caeiro, Cláudia Zarro, Hugo Faustino e Leonor Fartouce, acompanhados á guitarra portuguesa por Nuno Cirilo e Ricardo Semedo e á viola por Miguel Monteiro.
Organização pela Paróquia de Arronches e da Junta de Freguesia de Assunção e colaboração da Câmara Municipal de Arronches, animada por voluntários, no serviço de mesa e bar.


















Salto de Fé

 

https://www.youtube.com/watch?v=tdZINi11N3A&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=153

A liturgia do 20º Domingo do Tempo Comum reflecte sobre a universalidade da salvação. Deus ama cada um dos seus filhos e a todos convida para o banquete do Reino.

Na primeira leitura
, Jahwéh garante ao seu Povo a chegada de uma nova era, na qual se vai revelar plenamente a salvação de Deus. No entanto, essa salvação não se destina apenas a Israel: destina-se a todos os homens e mulheres que aceitarem o convite para integrar a comunidade do Povo de Deus.
A Igreja é a comunidade do Povo de Deus. Todos os seus membros são filhos do mesmo Deus e irmãos em Jesus, embora pertençam a raças diferentes, a culturas diferentes e a extractos sociais diferentes. No entanto: todos são lá acolhidos da mesma forma? O rico e o pobre são sempre tratados da mesma forma nas recepções das nossas igrejas? Aqueles que têm comportamentos considerados social ou religiosamente incorrectos são sempre tratados com amor e acolhidos com respeito nas nossas comunidades cristãs, ou são tratados como cristãos de segunda

O Evangelho apresenta a realização da profecia do Trito-Isaías, apresentada na primeira leitura deste domingo. Jesus, depois de constatar como os fariseus e os doutores da Lei recusam a sua proposta do Reino, entra numa região pagã e demonstra como os pagãos são dignos de acolher o dom de Deus. Face à grandeza da fé da mulher cananeia, Jesus oferece-lhe essa salvação que Deus prometeu derramar sobre todos os homens e mulheres, sem excepção.
Quem é que é cristão? Quem é que pode fazer parte da comunidade de Jesus? A resposta está implícita na história da mulher cananeia: torna-se membro da comunidade de Jesus quem aceita a sua oferta de salvação, quem acolhe o Reino, adere a Jesus e ao Evangelho. O que é determinante, para integrar a comunidade do Reino, não é a raça, a cor da pele, o local de nascimento, a tradição familiar, a formação académica, a capacidade intelectual, a visibilidade social, o cumprimento de ritos, a recepção de sacramentos, a amizade com o pároco, os serviços prestados à "fábrica da igreja", mas a fé (entendida como adesão a Jesus e à sua proposta de salvação). Para mim, o que é que é ser cristão? O que está no centro da minha experiência cristã é a pessoa de Jesus e a sua proposta de salvação? Em que é que se fundamenta a minha fé?

A segunda leitura sugere que a misericórdia de Deus se derrama sobre todos os seus filhos, mesmo sobre aqueles que, como Israel, rejeitam as suas propostas. Deus respeita sempre as opções dos homens; mas não desiste de propor, em todos os momentos e a todos os seus filhos, oportunidades novas de acolher essa salvação que Ele quer oferecer.
Aquilo que, muitas vezes, nos parece ilógico e sem sentido, talvez faça parte dos projectos de Deus - projectos que nem sempre conseguimos entender e enquadrar nos nossos esquemas mentais. Temos de aprender a confiar em Deus e na forma como Ele dirige a história, mesmo quando não conseguimos entender os seus projectos.Convida-nos - implicitamente - a não nos arvorarmos em juízes dos nossos irmãos. Por um lado, porque o comportamento tolerante de Deus nos convida a uma tolerância semelhante; por outro, porque aquilo que nos parece estranho e reprovável pode fazer parte, em última análise, dos projectos de Deus.


https://www.dehonianos.org/

sábado, 15 de agosto de 2026

Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria

 

https://www.youtube.com/watch?v=OQvLrUmOBo4

Bendita és tu, Maria! Hoje, Jesus ressuscitado acolhe a sua mãe na glória do céu... Hoje, Jesus vivo, glorificado à direita do Pai, põe sobre a cabeça da sua mãe a coroa de doze estrelas...

Primeira leitura: Maria, imagem da Igreja. Como Maria, a Igreja gera na dor um mudo novo. E como Maria, participa na vitória de Cristo sobre o Mal.
A Mulher pode representar a Igreja, novo Israel, o que sugere o número doze (as estrelas). O seu nascimento é o do baptismo que deve dar à terra uma nova humanidade. O Dragão é o perseguidor, que põe tudo em acção para destruir este recém-nascido. Mas o destruidor não terá a última palavra, pois o poder de Deus está em acção para proteger o seu Filho.
Proclamando esta mensagem na Assunção, reconhecemos que, no seguimento de Jesus e na pessoa de Maria, a nova humanidade já é acolhida junto de Deus.

Salmo
: Bendita és tu, Virgem Maria! A esposa do rei é Maria. Ela tem os favores de Deus e está associada para sempre à glória do seu Filho.

Segunda leitura: Maria, nova Eva. Novo Adão, Jesus faz da Virgem Maria uma nova Eva, sinal de esperança para todos os homens.
Assunção é uma forma privilegiada de Ressurreição. Tem a sua origem na Páscoa de Jesus e manifesta a emergência de uma nova humanidade, em que Cristo é a cabeça, como novo Adão.
Todo o capítulo 15 desta epístola é uma longa demonstração da ressurreição. Na passagem escolhida para a festa da Assunção, o apóstolo apresenta uma espécie de genealogia da ressurreição e uma ordem de prioridade na participação neste grande mistério. O primeiro é Jesus, que é o princípio de uma nova humanidade. Eis porque o apóstolo o designa como um novo Adão, mas que se distingue absolutamente do primeiro Adão; este tinha levado a humanidade à morte, ao passo que o novo Adão conduz aqueles que o seguem para a vida.
O apóstolo não evoca Maria, mas se proclamamos esta leitura na Assunção, é porque reconhecemos o lugar eminente da Mãe de Deus no grande movimento da ressurreição.

Evangelho
: Maria, Mãe dos crentes. Cheia do Espírito Santo, Maria, a primeira, encontra as palavras da fé e da esperança: doravante todas as gerações a chamarão bem-aventurada!
O cântico de Maria descreve o programa que Deus tinha começado a realizar desde o começo, que ele prosseguiu em Maria e que cumpre agora na Igreja, para todos os tempos.
Pela Visitação que teve lugar na Judeia, Maria levava Jesus pelos caminhos da terra. Pela Dormição e pela Assunção, é Jesus que leva a sua mãe pelos caminhos celestes, para o templo eterno, para uma Visitação definitiva. Nesta festa, com Maria, proclamamos a obra grandiosa de Deus, que chama a humanidade a se juntar a ele pelo caminho da ressurreição.
Em Maria, Ele já realizou a sua obra na totalidade; com ela, nós proclamamos: "dispersou os soberbos, exaltou os humildes". Os humildes são aqueles que crêem no cumprimento das palavras de Deus e se põem a caminho, aqueles que acolhem até ao mais íntimo do seu ser a Vida nova, Cristo, para o levar ao nosso mundo. Deus debruça-se sobre eles e cumpre neles maravilhas.

https://www.dehonianos.org/


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

O que esconde o sorriso...

 


Tu sabes que nem todos os sorrisos que vês significam que está tudo bem. Nem toda a pessoa que sorri está em paz. Nem toda a resposta que está tudo bem conta a história toda. Muitas pessoas enfrentam batalhas em silêncio… e tu sabes que sim! Muitas carregam dores que ninguém vê, passam necessidade sem pedirem ajuda. Sabes, por isso em tudo na tua vida escolhe a empatia antes do julgamento. Até porque tu nunca sabes o que alguém enfrentou antes de cruzar o teu caminho. Às vezes, uma simples palavra de carinho… uma simples palavra de carinho é o suficiente, um gesto de atenção, ou uma ajuda no momento certo pode mudar o dia desse alguém, ou até mesmo a vida. O mundo, cada vez mais, precisa mais de compaixão do que julgamentos, porque nem toda a dor arrasta consigo barulho e nem todo o sorriso revela realmente o que está no coração. E tu??? Tu tens apenas olhado para a aparência das pessoas ou tens procurado olhar de verdade para a história que elas carregam?

Padre Ricardo Esteves

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Sentir-se Cristão

 


Sentir-se cristão
Há quem diga que é cristão porque foi batizado.
Há quem o diga porque vai à Missa.
Há quem o diga porque reza.
Tudo isso é importante.
Mas só sabe verdadeiramente o que é ser cristão quem, pelo menos uma vez na vida, decidiu por causa de Cristo.
Quem escolheu o perdão quando o coração pedia vingança. Quem calou uma palavra que iria ferir. Quem mudou um comportamento, contrariou um orgulho ou renunciou a uma vontade apenas porque queria viver o Evangelho.
Ser cristão não é só saber coisas sobre Jesus.
É deixar que Jesus mude alguma coisa em nós.
É acordar e perceber que este novo dia não é um direito, mas um dom. É maravilhar-se com o mar, com o silêncio da montanha, com o canto dos pássaros, com o rosto de quem amamos, sabendo que a vida nunca nos foi devida. Tudo é graça.
Mas ser cristão é também deixar-se ferir pelas feridas do mundo. É não passar indiferente diante da fome, da guerra, da solidão ou da injustiça. É reconhecer, em cada rosto cansado, um pedaço do rosto de Cristo.
Ser cristão é viver de olhos levantados para Deus e de mãos estendidas aos irmãos.
É rir com quem se alegra, chorar com quem sofre, construir pontes onde outros levantam muros e acreditar que o amor continua a ser a única força capaz de mudar verdadeiramente o mundo.
É perdoar quem não merece. É fazer bem a quem não merece...

Talvez, no fim, ser cristão seja apenas isto: deixar que Cristo viva de tal maneira em nós que quem se cruza connosco consiga acreditar, por um instante, que Deus continua a passar pelas estradas deste mundo.

Padre João Torres

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Cinco factos surpreendentes sobre Santa Clara de Assis



Hoje (11) celebra-se a festa de Santa Clara de Assis, cofundadora das Clarissas Pobres e primeira abadessa de São Damião.
Apresentamos, de seguida, cinco factos sobre a vida desta grande santa.


1. É padroeira da televisão e das telecomunicações

No final da década de 1950, a televisão estava a tornar-se uma das formas mais importantes de comunicação da sociedade moderna.

Por esse motivo, o Papa Pio XII quis conceder a bênção e a proteção da Igreja a esta nova tecnologia. Assim, em 1958, publicou uma Carta Apostólica na qual proclamou Santa Clara padroeira da televisão.

Nesse documento, afirma-se que a Igreja apoia a inovação tecnológica e o progresso, recomendando a utilização da tecnologia moderna para a proclamação do Evangelho. Reconhece-se que a televisão pode ser utilizada tanto para o bem como para o mal, razão pela qual necessita de uma santa padroeira que lhe conceda proteção espiritual.

O Papa escolheu Santa Clara de Assis, que viveu no século XIII, pelo seguinte motivo: conta a história que, num Natal, Santa Clara estava doente e não conseguia sair da cama para assistir à Missa.

No entanto, Deus concedeu-lhe milagrosamente uma visão, em tempo real, da celebração da Eucaristia no seu convento, algo semelhante a uma «televisão espiritual».

2. Foi uma grande amiga de São Francisco de Assis

Na audiência geral de 15 de setembro de 2010, o Papa Bento XVI afirmou que «principalmente no início da sua experiência religiosa, Clara encontrou em Francisco de Assis não apenas um mestre cujos ensinamentos devia seguir, mas também um amigo fraterno».

Quando Clara tinha 18 anos, São Francisco foi à Igreja de São Giorgio, em Assis, para pregar durante a Quaresma. Depois de ouvir esta pregação, Clara sentiu dentro de si uma chama que lhe iluminou o coração e que, pouco depois, a levou a implorar a São Francisco que a ajudasse a viver também «segundo o modo do Santo Evangelho».

São Francisco, que reconheceu em Clara uma das almas escolhidas e destinadas por Deus a grandes feitos, prometeu ajudá-la e tornou-se o seu guia espiritual.

Em 1212, Clara fugiu de casa e dirigiu-se à Porciúncula, em Itália, onde passou a fazer parte da Ordem dos Frades Menores. Clara prometeu obedecer em tudo a São Francisco. Algum tempo depois, ela e as suas seguidoras mudaram-se para o Convento de São Damião, onde a santa permaneceu durante 41 anos, até ao dia da sua morte.

Nesse mesmo ano, Santa Clara e São Francisco de Assis fundaram a Segunda Ordem Franciscana, também conhecida como Ordem das Irmãs Clarissas.

3. Foi a primeira e única mulher a escrever uma regra de vida religiosa para mulheres

Bento XVI indicou que «Clara foi a primeira mulher na história da Igreja que compôs uma Regra escrita, submetida à aprovação do Papa, para que o carisma de Francisco de Assis fosse conservado em todas as comunidades femininas que se iam estabelecendo em grande número já naquela época e que desejavam inspirar-se no exemplo de Francisco e de Clara».

A sua decisão de escrever uma regra representou uma mudança radical em relação às normas religiosas do seu tempo. Só depois da sua insistência é que o Papa Inocêncio IV a aprovou, dois dias antes da morte de Clara, ocorrida a 11 de agosto de 1253.

4. Realizou milagres surpreendentes com pães

Certo dia, as irmãs clarissas tinham apenas um pão para alimentar 50 religiosas. Santa Clara abençoou-o e, enquanto todas rezavam juntas o Pai-Nosso, multiplicou-o e repartiu-o pelas suas irmãs.

Depois, enviou a outra metade aos Frades Menores. Perante isto, afirmou: «Aquele que multiplica o pão na Eucaristia, o grande mistério da fé, não terá também o poder de providenciar pão para as suas esposas pobres?»

Noutra ocasião, durante uma das visitas do Papa Inocêncio III ao convento, Santa Clara preparou as mesas e colocou nelas os pães, para que o Papa os abençoasse.

O Papa pediu à santa que fosse ela a fazê-lo, mas Clara recusou terminantemente.

O Papa pediu-lhe que fizesse o sinal da cruz sobre os pães e que os abençoasse em nome de Deus. Santa Clara, como verdadeira filha da obediência, abençoou aqueles pães com grande devoção, fazendo sobre eles o sinal da cruz. Naquele mesmo instante, o sinal da cruz apareceu marcado em todos os pães.

5. Esteve doente durante muitos anos

Santa Clara esteve doente durante 27 anos no Convento de São Damião, suportando todos os sofrimentos provocados pela doença. No seu leito, bordava, fazia trabalhos de costura e rezava incessantemente.

O Papa visitou-a duas vezes e exclamou: «Gostaria de ter tão pouca necessidade de ser perdoado como esta santa.»

Cardeais e bispos visitavam-na para lhe pedir conselho.

São Francisco já tinha morrido, mas três dos seus discípulos prediletos — Frei Junípero, Frei Ângelo e Frei Leão — leram para Clara a Paixão de Jesus enquanto ela agonizava.

A santa repetia: «Desde que me dediquei a pensar e a meditar sobre a Paixão e a Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, as dores e os sofrimentos não me desanimam, mas confortam-me.»

[@Acidigital]

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

A OUTRA MARGEM

 


A OUTRA MARGEM

Somos seres de travessia e vivemos contínuos deslocamentos, desde o ventre materno. Saímos de lugares estreitos em direção a espaços mais amplos, até à travessia definitiva. Toda travessia tem um “para quê” (um sentido); ela aponta para algo maior, inspirador. O perigo é deixar-nos determinar pelo medo, bloquear nosso espírito aventureiro e nos “acostumarmos” com a margem conhecida.
Às vezes estamos no meio de uma tempestade... levantam-se ondas de obscuridades sem sentido, de medos paralisantes, de dúvidas angustiantes... sopram outros ventos tempestuosos que nos ameaçam, arrastando tantas seguranças que nos sustentaram, quebrando tantos salva-vidas aos quais nos agarrávamos...
Mas, no meio das tempestades, urge não perder a calma, ter a coragem de “permanecer na barca” e não permitir que o ruído dos ventos nos vença, que os relâmpagos nos ceguem, que as ondas nos levem...
Afinal, somos “seres de travessia”. Jesus está connosco e diz-nos: «Coragem!
Sou Eu, não tenhais medo!»
Caminhar para a outra margem é sair do centro, da segurança, da acomodação... e ir em busca das surpresas, das novas descobertas; implica arriscar, ter ousadia, não ter medo de caminhar para os “confins da terra”, para regiões desconhecidas no seu próprio interior...
Somente partindo da realidade de nós mesmos, que é sempre uma realidade rica e original, é que poderemos crescer como “peregrinos” em direção à nossa interioridade e em direção a um maior compromisso.
Só assim podemos chegar ao outro lado.
Coragem!

Padre João Torres

domingo, 9 de agosto de 2026

"Ao largo... para rezar"

 

https://www.youtube.com/watch?v=2RqtZ3I59I8&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=154

A liturgia do 19º Domingo do Tempo Comum tem como tema fundamental a revelação de Deus. Fala-nos de um Deus apostado em percorrer, de braço dado com os homens, os caminhos da história.

A primeira leitura convida os crentes a regressarem às origens da sua fé e do seu compromisso, a fazerem uma peregrinação ao encontro do Deus da comunhão e da Aliança; e garante que o crente não encontra esse Deus nas manifestações espectaculares, mas na humildade, na simplicidade, na interioridade.
Hoje como ontem, há outros deuses, outras propostas de felicidade, que nos procuram seduzir e atrair... Há deuses que gritam alto (em todos os canais de televisão?) a sua capacidade de nos oferecer uma felicidade imediata; há deuses que, como um terramoto, fazem tremer as nossas convicções e lançam por terra os valores que consideramos mais sagrados; há deuses que, com a força da tempestade, nos arrastam para atitudes de egoísmo, de prepotência, de injustiça, de comodismo, de ódio... O nosso texto convida-nos a uma peregrinação ao encontro das nossas raízes, dos nossos compromissos baptismais... Temos, permanentemente, de partir ao encontro do Deus que fez connosco uma Aliança e que nos chama todos os dias à comunhão com Ele... Aceito percorrer este caminho de conversão? Encontro tempo para redescobrir o Deus da Aliança com quem me comprometi no dia do meu Baptismo? Quais são os falsos deuses que, às vezes, me afastam da comunhão com o verdadeiro Deus?

O Evangelho apresenta-nos uma reflexão sobre a caminhada histórica dos discípulos, enviados à "outra margem" a propor aos homens o banquete do Reino. Nessa "viagem", a comunidade do Reino não está sozinha, à mercê das forças da morte: em Jesus, o Deus do amor e da comunhão vem ao encontro dos discípulos, estende-lhes a mão, dá-lhes a força para vencer a adversidade, a desilusão, a hostilidade do mundo. Os discípulos são convidados a reconhecê-l'O, a acolhê-l'O e a aceitá-l'O como "o Senhor".
A caminhada histórica dos discípulos e o seu testemunho do banquete do Reino não é um caminho fácil, feito no meio de aclamações das multidões e dos aplausos unânimes dos homens. A comunidade (o "barco") dos discípulos tem de abrir caminho através de um mar de dificuldades, continuamente batido pela hostilidade dos adversários do Reino e pela recusa do mundo em acolher os projectos de Jesus. Todos os dias o mundo nos mostra - com um sorriso irónico - que os valores em que acreditamos e que procuramos testemunhar estão ultrapassados. Todos os dias o mundo insiste em provar-nos - às vezes com agressividade, outras vezes com comiseração - que só seremos competitivos e vencedores quando usarmos as armas da arrogância, do poder, do orgulho, da prepotência, da ganância... Como nos colocamos face a isto? É possível desempenharmos o nosso papel no mundo, com rigor e competência, sem perdermos as nossas referências cristãs e sem trairmos o Reino?

A segunda leitura sugere que esse Deus, apostado em vir ao encontro dos homens e em revelar-lhes o seu rosto de amor e de bondade, tem uma proposta de salvação que oferece a todos. Convida-nos a estarmos atentos às manifestações desse Deus e a não perdermos as oportunidades de salvação que Ele nos oferece.
Este texto propõe-nos também uma reflexão sobre as oportunidades perdidas... Israel, apesar de todas as manifestações da bondade e do amor de Deus que conheceu ao longo da sua caminhada pela história, acabou por se instalar numa auto-suficiência que não lhe permitiu acompanhar o ritmo de Deus, nem descobrir os novos desafios que o projecto da salvação de Deus faz, em cada fase, aos homens. O exemplo de Israel faz-nos pensar no nosso compromisso com Deus... Em primeiro lugar, mostra-nos a importância de não nos instalarmos num esquema de vivência medíocre da fé e sugere que o "sim" a Deus do dia do nosso baptismo precisa de ser renovado em cada dia da nossa vida... Em segundo lugar, sugere que o cristão não pode instalar-se nas suas certezas e auto-suficiências, mas tem de estar atento aos desafios, sempre renovados, de Deus... Em terceiro lugar, sugere que o ter o nome inscrito no livro de registos da nossa paróquia não é um certificado de garantia de salvação (a salvação passa sempre pela adesão sempre renovada aos dons de Deus).

https://www.dehonianos.org/