
Há coisas deslumbrantes que nos acontecem — e não pedem licença. Não batem à porta com alarde, não chegam vestidas de espetáculo. Entram-nos pelos olhos dentro, silenciosas, quase tímidas, como quem confia. E nesse instante, a Vida faz-nos uma pergunta simples e decisiva: acolhes ou não acolhes?
As coisas mais essenciais são assim. Simples. Nuas de complicação. Um olhar que demora mais um segundo. Um gesto que não estava na agenda. Um encontro que desmonta o plano do dia. A verdade é esta: viver não é assim tão complicado — nós é que insistimos em torná-lo.
Quando o Amor nos desarranja a agenda, tudo se esclarece. Ele não pede tempo, ele cria tempo. Não exige espaço, ele abre espaço. O Amor chega e reorganiza-nos por dentro, lembrando-nos do óbvio que esquecemos: o que importa não grita, sente-se.
E o que há a fazer, afinal?
É tão simples que quase assusta.
Acolher.
E sorrir.
Acolher o que vem sem tentar controlar. Acolher o que toca sem tentar explicar. Acolher a Vida como ela se oferece — imperfeita, generosa, profundamente humana. E sorrir não por ingenuidade, mas por reconhecimento.
Porque algo verdadeiro acabou de acontecer.
O Natal não acabou ontem. Nunca acaba. Ele dura no instante em que escolhes ser presença. Dura quando abrandas. Quando escutas. Quando deixas o coração disponível. O Natal é esse estado de abertura em que a Vida encontra lugar para entrar.
Basta deixares acontecer...

Padre João Torres
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