Nenhuma família é perfeita.
Todas carregam amor e cansaço, esperança e feridas, gestos de cuidado e silêncios que pesam. Viver em família é caminhar juntos sem garantias, aprendendo a cada dia a arte frágil de permanecer.
Há momentos em que nos amamos, mas não nos entendemos. Queremos o bem, mas tropeçamos nas palavras. Exigimos sem escutar, protegemos sem confiar, seguimos em frente sem parar para ver se ainda estamos juntos no mesmo caminho.
Por isso, de tempos a tempos, é preciso parar. Respirar. Olhar para todos os lados. Perguntar com verdade: estamos a cuidar uns dos outros ou apenas a sobreviver lado a lado?
A vida corre depressa. A pressa entra em casa. O trabalho ocupa o lugar da presença. Os ecrãs roubam o brilho do olhar. E quase sem dar por isso, o essencial vai ficando para depois.
Cuidar é mais do que sustentar.
É escutar antes de responder.
É perdoar antes que o silêncio endureça.
É acompanhar quem cresce, amparar quem envelhece, levantar quem cai.
É escolher, todos os dias, proteger a vida frágil que nos foi confiada.
A família não é um lugar pronto. Descobre-se no tempo. Constrói-se na fragilidade. Aprende-se no erro e recomeça-se no amor. Quando uma família tem a coragem de rever o caminho, de ajustar os passos, de voltar a sonhar junta, mesmo imperfeita, está no rumo certo.
Porque cuidar da família é olhar para todos os lados…
e decidir, outra vez, caminhar juntos.
Padre João Torres

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