sexta-feira, 4 de abril de 2025

Quem ama sofre



Sim, eu sei que já sabias, mas reflete novamente e pensa assim: SÓ quem ama é que sofre. Esta mudança de palavra parece que clarifica muita coisa. O amor é algo maravilhoso pois potencia o que de melhor temos, abre horizontes e faz “borboletas na barriga”. Por outro lado, quem ama preocupa-se, cuida, protege e tem tendência para tomar como sua a dor dos outros. Seja o amor aos pais, aos filhos, aos companheiros(as), aos amigos, quando é genuíno às vezes traz muito sofrimento.

Tive a oportunidade de refletir mais um pouco sobre isso num momento de oração em se falou da Paixão=amor de Cristo e como isso está tão presente no nosso dia a dia. Fazemos imensas analogias à cruz como símbolo de dor e morte, mas na verdade ela representa a vida na sua forma mais intensa. Quando amamos e vivemos intensamente as nossas relações, sejam de que espécie forem, carregamos o medo de perder o que isso nos dá. Carregamos o medo, do sofrimento do outro. Carregamos o medo de injustiças ou de traições. Carregamos, mas não desistimos de dar mais um e mais um passo. Neste caminho de amor encontramos tanta gente boa que nos tranquiliza, que nos toma no colo, que nos limpa as lágrimas. No caminho encontramos traidores, gente que nos humilha, que nos olha com escárnio e desdém, às vezes só porque…estamos no lugar errado e na hora errada.

Mas quando amamos vale a pena o risco! Vale a pena saber que iremos ter medos e sofrimentos mas que isso significa que somos matéria espiritual, é isso que nos recorda o que verdadeiramente somos.

Só quem ama é que sofre, mas a vida não se resume ao nível de sofrimento, mas ao tamanho do amor.

Não tenhas medo de amar só porque podes sofrer.

Pensa no que podes perder se optares por não amar.

E tu amiga, o que tens sofrido por amor?


Raquel Rodrigues




quinta-feira, 3 de abril de 2025

De tempestade em tempestade




A nossa existência é semelhante a uma longa viagem através de mares muitas vezes revoltos. Brisas suaves e ventos fortes alternam-se. Embora quase nunca consigamos prever quando acaba o que está e chega o que virá.

Esperamos a paz no meio da tormenta, mas quase nunca nos damos conta de que os tempos de bonança também acabam, mais cedo ou mais tarde.

Navegar por entre tempestades exige que levemos pouco connosco, para que não percamos muito e nos julguemos perdidos por causa disso. Tudo passa, o que mais importa saber é o que resta no final de cada capítulo.

Devíamos valorizar sempre quem fica connosco nos piores momentos, aqueles que não nos abandonam quando caímos, que nos ajudam a ficar de pé e a sair dos temporais. Quase todos afastam-se com subtileza depois, afinal, como não são necessários, nem precisam do nosso agradecimento, ou vão ajudar outros ou… voltam (tantas vezes sozinhos) às tempestades das suas vidas.

Alcançar a felicidade exige arriscar o fracasso, mas muitos preferem não tentar. Por outro lado, outros, com fé, conhecem a certeza de que não há comparação entre o que se perde por fracassar e aquilo que se perde por não tentar.

Muitas vezes, as tempestades estão dentro de nós e é a nossa alma que é chamada a sobreviver ao que não temos vontade de lhe fazer… mas fazemos.

Mas a alma, como o amor, resiste a tudo, pode até nem se reconhecer depois de ter passado a tempestade, chega até a não se lembrar do que se passou, por vezes nem sequer está segura de que já seja tempo de paz… No entanto, há algo de muito valioso em qualquer tempestade: confere sentido à nossa vida, aperfeiçoam-nos, ainda que julguemos que é tudo ao contrário disso.

Amar faz de nós melhores. Sempre.

O amor tem a leveza da brisa e a força da tempestade. Dá-nos conforto no meio da tormenta e mantém-nos longe da desgraça face às mudanças violentas.

Tudo passa, só o amor é que não tem fim!


José Luís Nunes Martins



quarta-feira, 2 de abril de 2025

A formiga e o elefante



A reflexão de hoje incide sobre algo que me intriga, que é nem mais nem menos, que a incrível capacidade que algumas pessoas têm de ver a "formiga" no nariz do outro assim como a incrível incapacidade de ver o "elefante" no seu.
E na maioria das vezes é flagrante!

Como é fácil apontar o dedo, julgar, olhar sobranceiro. Como é fácil dizer "se fosse eu fazia assim". Esquecemo-nos é que o outro é isso mesmo - OUTRO (com ser, estar, fazer, viver, experienciar diferente) e que isso muda tudo!

Temos também o dom de esquecermos rápido situações desconfortáveis, pelas quais passamos e que acarretaram tantas vezes sofrimento e deixamos para trás a empatia quando não é connosco.

Olhar para mim primeiro, olhar para o outro depois com olhos mais justos.

Lembro-me muitas vezes de algo que li algures que seria dentro disto "quem está sujo não é, muitas vezes, o lençol da vizinha e sim o vidro da minha janela".

Vamos lá tentar fazer diferente (uma proposta para este tempo de quaresma), porque não?



Lucília Miranda

terça-feira, 1 de abril de 2025

«Senhor, Bom Pai…»





Senhor, Bom Pai…

é o ressentimento que me faz cair no desespero de uma vida perdida…

Aquela mágoa, porque ouvi palavras que não gostei…

Aquela tristeza que se apodera do meu peito, quando não sou reconhecida…

Aquelas trevas que me cegam com um ciúme desmedido…

Aquele pão que partilho, mas não sacia nem tem sabor…

Mas…

Eis que uma forte Esperança invade o meu pensamento.

No fundo do meu coração ecoa uma voz pura:

“‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho.”


Pai Misericordioso,

ajoelho-me perante o Teu altar e peço-Te que me aceites como sou…

orgulhoso e sem esperança

invejoso e sem caridade

prepotente e sem fé

avarento e sem alegria

preguiçoso e sem coragem

ansioso e sem luz

enraivecido e sem amor


Sei que, SEMPRE, me esperas com os braços abertos,

com um banquete requintado,

com a luz da reconciliação acesa,

com o fermento da Tua justiça,

com a alegria da Paz,

com todo o Teu amor…


És Tu quem me quer mais do que eu me quero a mim!

És Tu quem tiras o pecado do mundo!

És Tu quem está sempre presente!


Pai, pequei contra ti…

Vem… vem instar comigo,

hoje e sempre…

para que eu leve Jesus a Todos e Todos a Jesus,

num desassossego sem fim,

onde só mora a minha alegria pelo meu irmão que volta para Ti…

e eu serei o Peregrino de Esperança,

o bom e fiel herdeiro de tudo o que é Teu!



Liliana Dinis




segunda-feira, 31 de março de 2025

Procissão dos Passos em Arronches


A Paróquia de Arronches celebrou neste domingo dia 30 de março a procissão dos Passos, com missa Solene às 16h00, seguida de Procissão, acompanhada pela Banda Musical 1º de Dezembro, de Campo Maior.

Após a Eucaristia, a procissão do Senhor dos Passos com saída da Igreja Matriz percorreu as ruas da vila até ao Largo Serpa Serpa Pinto. onde se encontrou com a procissão de Srª das Dores que saiu da Igreja de N^Srª da Luz
O Padre Fernando Farinha fez o Sermão do Encontro.

Finalizada a cerimónia do Sermão, as duas imagens seguiram em procissão pela Rua 5 de Outubro para terminar na Igreja Matriz, na Praça da República.





























domingo, 30 de março de 2025

Caminho para a vida

 



Na quarta etapa do “caminho da Quaresma”, a liturgia fala-nos de vida nova. Diz-nos como chegar lá. Convida-nos a experimentá-la.

A primeira leitura mostra-nos o Povo de Deus a começar uma nova vida na terra de Canaã. Para trás ficaram a escravidão do Egito e a desolação do deserto. Agora, na Terra Prometida, Israel pode começar a viver de uma forma nova, construindo um futuro de liberdade e de felicidade. É essa experiência – de passagem da escravidão à liberdade, da vida velha à vida nova – que somos convidados a fazer neste tempo de Quaresma.O batismo marcou, para nós, o momento em que nos comprometemos com Deus e passamos a fazer parte da família de Deus. Nesse dia, dissemos não à escravidão do egoísmo e do pecado e comprometemo-nos a viver a vida nova de Deus. Fomos ungidos com o óleo dos catecúmenos e recebemos a força de Deus para dizer “não” ao mal; fomos também ungidos com o óleo do crisma, que nos constituiu sacerdotes, profetas e reis, à imagem de Jesus, membros do povo da nova Aliança; fomos envolvidos numa veste branca e foi-nos pedido que nos mantivéssemos assim, vestidos de Deus, ao longo de todo o nosso caminho; recebemos a luz de Cristo e fomos convidados a nunca deixar apagar essa luz nas nossas vidas… Temos vivido na fidelidade a essa vida nova? A Quaresma não será um tempo favorável para renovarmos o nosso compromisso batismal e para regressarmos a essa fonte de vida nova onde mergulhamos no dia em que fomos batizados?

No Evangelho, através da parábola do “pai misericordioso”, Jesus garante-nos que Deus nunca nos fechará as portas: estará sempre à nossa espera de braços abertos, pronto para nos acolher e para nos reintegrar na sua família. “Voltar para Deus” é a opção certa para quem quiser dar sentido pleno à sua existência.A parábola do pai misericordioso deixa no ar algumas questões: se Deus é assim, se Deus está sempre de braços abertos para acolher os filhos que fizeram escolhas erradas, vale a pena ser bom? Não será mais lógico “gozar a vida” o mais possível, sem problemas de consciência, uma vez que Deus tudo perdoa? Na verdade, a parábola é clara: a opção pela futilidade e pelos valores efémeros não é uma boa opção. O filho mais novo da parábola constatou isso mesmo: as suas escolhas erradas levaram-no para um beco sem saída e deixaram-lhe feridas quase fatais. Foi por ter percebido que aquele tempo longe do pai tinha sido um tempo perdido, que ele voltou para casa. Podemos, nós também escolher a autossuficiência e afastar-nos de Deus… Será uma boa opção? Isso não será perder tempo? Podemos dar-nos ao luxo de desperdiçar a nossa breve vida em caminhos que não nos levam a lado nenhum?

Na segunda leitura
Paulo de Tarso, recorrendo ao conceito de “reconciliação”, lembra-nos que Cristo veio derrotar o egoísmo e o pecado e sanar a separação que havia entre Deus e os homens. Aqueles que aceitam ligar-se a Cristo e caminhar atrás d’Ele, estão reconciliados com Deus. Vivem uma vida nova, a vida dos filhos queridos e amados de Deus.
Paulo fala, neste texto, da “reconciliação” com Deus. Não fala explicitamente da “reconciliação” com os irmãos. Mas, quando escreve as palavras que lemos, ele está angustiado pelo conflito que o distancia dos seus queridos filhos de Corinto. Ora, Paulo sabe que só será possível a reconciliação entre os irmãos desavindos se, antes, esses irmãos descobriram o amor de Deus e aceitaram viver no dinamismo do amor. Quem descobre o amor de Deus e vive reconciliado com Deus, percebe que deve viver reconciliado com os seus irmãos. Nós, os que fomos tocados pelo amor de Deus, procuramos viver reconciliados com todos os nossos irmãos? Testemunhamos o amor de Deus vivendo em paz e harmonia uns com os outros?

https://www.dehonianos.org/


sábado, 29 de março de 2025

Sim, às vezes a vida...



Sim, às vezes a vida...

É como um segredo ao ouvido, que é contado com um jeitinho de amor.
Onde o toque suave do essencial, resplandesce cheio de cor.

Sim, às vezes a vida é como um carrossel, onde a coragem de pedir a Deus que conte uma história, torna cada momento mais simples e eterno.

É assim um ouvir com o coração.
É um olhar para o que se vê e para o que não se vê, também.
É estar perto e não ver nada ao longe.
É estar longe e sentir tudo de perto.

Sim, às vezes a vida é roda certeira,
Gira e avança, sem tréguas ou fim.
É a manhã de luz perfeita.
É a noite, onde Deus nos diz...sim!

Boa semana!


Carla Correia