sábado, 31 de julho de 2021

Nomeações Diocesanas

 


O que fazer nas férias?



Para esta crónica voltei a ler um pouco da Laudato Si do Papa Francisco. Um texto que é uma contínua fonte de saber e de saber ser.

No nº 237, o Bispo de Roma refere-se à participação na Eucaristia dominical em tempo de férias, no entanto, podemos estender e entender este trecho a todo o período de descanso.

«O ser humano tende a reduzir o descanso contemplativo ao âmbito do estéril e do inútil, esquecendo que deste modo se tira à obra realizada o mais importante: o seu significado. Na nossa atividade, somos chamados a incluir uma dimensão recetiva e gratuita, o que é diferente da simples inatividade. Trata-se doutra maneira de agir, que pertence à nossa essência. Assim, a ação humana é preservada não só do ativismo vazio, mas também da ganância desenfreada e da consciência que se isola buscando apenas o benefício pessoal.»

Os portugueses, de uma forma geral, usam o termo “férias” para definir este tempo de descanso que é consequência da paragem das atividades ligadas, sobretudo, ao trabalho ou estudo. “Férias” quer dizer, dias de descanso, dias de feriado. Porém, o termo mais usado pelos nossos irmãos latinos é “vacação”: Vacaciones (Espanha); Vacances (França); Vacanze (Itália).

A "vacação", particípio presente do verbo latino "vacare", isto é, "estar vazio, livre", é precisamente o tempo de abrandar para criar aquele espaço útil à escuta e ao acolhimento de tudo aquilo que pode verdadeiramente dar-nos plenitude. É restabelecer a fronteira com as nossas correrias frenéticas, com o ativismo em busca de objetivos que têm de ser alcançados. É curioso como o Evangelho nunca fala de resultados, mas apenas de frutos!

Verdade é que, quase todos nós, perdemo-nos no verbo fazer. E estamos dispostos a sacrificar por ele o verbo ser. Fazer ajuda-nos a não pensar muito. Fazer apaga-nos…

Passamos horas, dias, semanas a fazer coisas. Passamos horas, dias, semanas a correr, perseguindo aquela felicidade que, pelo contrário, nos é dada na medida em que paramos de nos preocupar com ela e simplesmente ouvimos o verbo ser, de quem realmente somos e daquele Rosto de Amor que carregamos inscrito no coração, do qual somos imagem e semelhança…

«A lei do repouso semanal impunha abster-se do trabalho no sétimo dia, «para que descansem o teu boi e o teu jumento e tomem fôlego o filho da tua serva e o estrangeiro residente» (Ex 23, 12). O repouso é uma ampliação do olhar, que permite voltar a reconhecer os direitos dos outros. Assim o dia de descanso, cujo centro é a Eucaristia, difunde a sua luz sobre a semana inteira e encoraja-nos a assumir o cuidado da natureza e dos pobres.» Laudato Si, 237

Estar vazio, não significa apenas ausência. Enquanto professor prezo muito a ordem e sobretudo o silêncio. Como pode uma palavra chegar ao meu ouvido se o silêncio estivesse cheio de sons e ruídos?

Este tempo mais vazio, de férias (=vacaciones; vacances; vacanze), não pode ser apenas uma quebra no longo período de trabalho. Deve ser a ocasião para ouvir o nosso coração e o coração dos nossos irmãos. Deve ser ocasião para escutar as perguntas que nos habitam e fazer espaço àquela Palavra que está escondida no nosso íntimo.


Boas férias!


Paulo J. A. Victória

sexta-feira, 30 de julho de 2021

NEM MINISTÉRIO PÚBLICO NEM ADVOGADOS...




Vamos recordar uma figura extraordinária que, segundo a história, tinha paciência de Job e resiliência de atleta olímpico. Este testemunho, se hoje interpela os mais descuidados nesse dever de ofício e causa admiração nos menos resistentes em tal serviço, leva outros, sobretudo em certos ambientes que se dizem muito à frente, a pensar que hoje já não há gente dessa, nem tampouco tal serviço é necessário. Parte-se do princípio de que, hoje, somos todos uns santinhos à espera de palmas, escultores e peanhas numa qualquer acrópole mundana, quanto mais altaneira melhor, não há pecados. Ora, em tal pose existencial, o dito é mesmo coisa dura de roer, isto é: quem disser que não tem pecados engana-se a si mesmo, e mente, a verdade não está nele (cf. 1Jo 1,8). E deveria, com certa urgência, “livrar-se das mentiras secretas com que se engana a si próprio” (SpS33). Muitas vezes fazemos o mal que não queremos e nem sempre fazemos o bem que desejamos, o pecado mora em nós, por ação e omissão (cf. Rom 7,19-20).
Os cristãos, se não perderem o sentido do pecado, arrependidos no coração e não apenas em blá-blá-blá, confiantes na misericórdia divina, confessam-se, pedem perdão humildemente. Conscientes da sua fragilidade, sabem apoiar-se na graça sacramental e mudar de vida. A conversão é um desafio permanente. Segundo o Papa Pio XII, o maior pecado do nosso tempo é ter-se perdido a noção de pecado! Quem perdeu a consciência do pecado, afirma que não há nem tem pecados e até se orgulha do mal que faz como se de virtude se tratasse. Perde-se a noção do pecado e a vergonha. Perder a vergonha, neste campo, é mesmo uma vergonha. O Papa Francisco até afirmou que o primeiro passo para uma confissão bem feita é a vergonha do próprio pecador diante de Deus. É uma graça que até se deve pedir, diz ele. Ajuda ao arrependimento e à conversão. O pecador sente mais fortemente o perdão de Deus para consigo e o dever de perdoar aos outros....
É certo que uns somos mais pestinhas do que outros e ninguém se pode iludir com as aparências, sejam aparências de “santinhos” ou de “endiabrados”. Dentre “santinhos”, “endiabrados” e assim-assim, há quem se deixe ir na onda e converta o pecado em negócio rentável, em meio deplorável e habitual de enriquecimento pessoal, sem pejo de destruir pessoas, famílias, instituições e a própria sociedade. E não é assim tão raro isso acontecer. Ainda que alguém caia em si e desista, tais casos são piores que a hidra de lerna, e cada vez mais sofisticados!... E tudo nasce no coração humano fechado no seu egoísmo e importâncias balofas. Sim, todo o pecado, quando se torna em hábito, se tem uma dimensão individual, acaba por ter uma dimensão familiar e social de terríveis consequências. Tem repercussões sociais, destrói o bem comum, muitas famílias autodestroem-se por algum dos seus membros se deixar resvalar na mundanidade e não se cuidar a tempo e horas. Assim aconteceu ao longo da História da Salvação. Mergulhado na decadência moral a que o desleixo, a má governação e o mau exemplo das autoridades civis e religiosas o levaram, o povo de Deus acabava por cair em si e reconhecer as verdadeiras causas da triste situação a que chegara. A conclusão era quase sempre a mesma: pecámos, cometemos injustiças e iniquidades, fomos rebeldes, afastamo-nos dos mandamentos e preceitos, nem o povo nem os chefes escutámos quem denunciava a situação. Neste cair em si, o povo sentia vergonha: “Sobre nós, Senhor, recai a vergonha que sentimos no rosto, pecámos contra vós (cf. Dan 9, 4-10).
Em cada tempo e lugar, qualquer crença religiosa sempre exigiu a coerência de vida, muito mais o exige a fé cristã. E a primeira expressão fundamental de coerência é a luta contra o pecado. É certo que há fatores que podem estar na origem dos desvios da conduta moral. Entre outros, a Igreja refere a ignorância a respeito de Cristo e do seu Evangelho, os maus exemplos dados pelos outros, a escravidão das paixões, a pretensão de uma mal entendida autonomia da consciência, a rejeição da formação, a falta de conversão e de caridade (cf. CIgC1792). Se, porventura, a ignorância sobre Jesus Cristo que é a plenitude da lei, for uma ignorância não culpável, há, no coração de cada pessoa, e estabelecida pela razão, uma lei natural que é universal nos seus preceitos e cuja autoridade se estende a todos os homens. Ela exprime a dignidade da pessoa e determina a base dos seus deveres e direitos fundamentais (cf. id. 1956).
A formação da consciência é tarefa para toda a vida, desde criança, sem incutir medos e sentimentos de culpa de forma tóxica e reprovável. Psiquiatras e psicólogos sabem bem quanto isto pode ser verdade. Assim como, pelo menos alguns, também reconhecem que a cura para alguns dos seus clientes, está mais em precisarem de saber e sentir que Deus os ama e lhes perdoa, do que em qualquer outra terapia. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa! A formação da consciência implica uma educação prudente que seja capaz de garantir a liberdade e a paz do coração através duma consciência reta e verdadeira, e muitos a podem ajudar a formar. No entanto, como afirmou São João Paulo II ao falar da Reconciliação, “nenhum recurso humano, técnica psicológica, ou qualquer expediente didático ou sociológico, será tão eficaz na formação das consciências cristãs; no Sacramento da Penitência atua efetivamente Deus, rico em misericórdia”. Reconhecer ou ser ajudado a reconhecer o erro, arrepender-se de o ter praticado e pedir perdão pelo mesmo, é um ato interior que só o próprio, em profunda consciência e com o sentido da sua culpabilidade e da sua confiança em Deus, se abeira d’Ele e lhe confessa: “Pequei contra vós!” (Ps 50,6). Somos muito diligentes a reclamar justiça quando somos injustiçados, não somos tão apressados em reconhecer a culpa quando somos culpados. Escondemo-nos sob dois pesos e duas medidas. O justo, porém, acusa-se a si mesmo. Nenhum agente do ministério público entra pelo seu coração adentro a escabichar nas gavetas da consciência, “o núcleo mais secreto e o sacrário do homem, no qual ele se encontra a sós com Deus, cuja voz ressoa na intimidade do seu ser” (GS16). Também não tem, não precisa de advogados de acusação, muito menos de advogados de defesa. Precisa sim, da verdade de si próprio, de arrependimento, do propósito de emenda e da certeza de que Deus lhe perdoa e o ama, e faz festa! “O não reconhecimento da culpa, a ilusão de inocência não me justifica nem me salva, porque o entorpecimento da consciência, a incapacidade de reconhecer em mim o mal enquanto tal é culpa minha” (SpS33)
Como refere o papa Francisco, entrar num confessionário, não é entrar numa câmara de tortura nem a confissão deve ser encarada como uma sessão de psiquiatria, mas como um lugar onde se encontra, na alegria, o amor e o perdão de Deus. Só Deus pode perdoar os pecados, só Ele é infinitamente bom e justo, só Ele pode julgar com retidão e sem fazer acessão de pessoas. E pecados!...quem os não tem que atire a primeira pedra.
Todo esta breve introdução, como o leitor vê, é para dizer que, em 4 de agosto, celebramos a festa de São João Maria Vianney, vulgarmente conhecido como o Santo Cura d‘Ars, Padroeiro dos Párocos. Chegava a passar dezasseis horas seguidas no Confessionário. Em mais de quarenta anos de sacerdócio, o seu principal compromisso esteve ligado à Eucaristia, à Catequese e à Confissão, as verdadeiras prioridades na vida de uma Pároco. Saúdo todos os Párocos e Sacerdotes neste dia do Padroeiro. Que nenhum esmoreça na luta pela santidade e que, por entre todas as suas preocupações e tarefas, que as prioridades da sua solicitude pastoral passem pelo grande amor à Eucaristia, à Evangelização e ao Sacramento da Reconciliação.

D. Antonino Dias - Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 30-07-2021.

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Uma mão cheia de fé!



Somos feitos das primaveras que nos plantam dentro do peito. Muitas vezes, os que o fazem nem sabem que o fizeram; nem sabem que nos fizeram nascer flores dentro dos dias. Somos feitos dos azuis que nos pintam dentro do céu que temos debaixo da pele da alma. Somos feitos das vezes que não olhámos para trás por valer a pena abraçar o que estava mesmo à nossa frente. Mas, afinal, quando não temos quem nos faça ser Primavera ou quem nos pinte o céu de azul, somos feitos de quê?!

Somos feitos de fé. Do que nos faz querer tudo mesmo quando não há forças para quase nada. Do que nos faz querer aumentar o tamanho ao coração, por ser demasiado pequeno para tudo o que queremos guardar nele.

Somos feitos de fé. Da fé que nos faz rezar e juntar as mãos para o Céu. Da fé que nos faz trazer uma pomba ao peito. Uma pomba branca que ninguém vê mas que voa baixinho mesmo debaixo da nossa pele. Da fé que nos faz querer entender menos para poder saber mais. Da fé que nos faz continuar a pedalar mesmo quando a bicicleta (ou o caminho!) nos fizer(em) cair.

Somos feitos de fé. Da fé que nos faz felizes e fortes. Da fé que nos deixa também ser pequenos, fracos e pobres. Da fé que nos permite ser o que quisermos por nos permitir ser, precisamente, tudo.

Somos feitos de fé. Da fé que nos põe música nas palavras que dizemos. Da fé que nos faz avançar, nadar mais fundo e viver melhor.

Somos feitos de fé. Da fé que nos faz acreditar que não estamos sozinhos. Da fé que nos faz acreditar que somos melhores porque estamos juntos.

Somos feitos de fé. Da fé que nos faz repensar a vida toda. Da fé que nos faz querer começar de novo. Da fé que nos derruba os muros de dentro.

Quando nos perguntarem o que dizem ou guardam as nossas mãos, poderemos dizer:

- Tenho uma mão cheia de fé.

E a outra mão?!

- Tenho a outra mão cheia de coragem. Hoje, ainda é preciso coragem para ter fé.


Marta Arrais


quarta-feira, 28 de julho de 2021

Amar alguém é ver nele o que só ele tem



Nem eu sou o mais importante do mundo, nem todos somos iguais. Partindo destes princípios, é importante que eu seja capaz de me expulsar do centro do mundo e de estar mais atento à forma como cada um dos que estão perto de mim pensam e sentem.

Conhecer a forma como alguém pensa e sente é fundamental para a compreender, e isto é, talvez, ainda mais importante do que nos conhecermos a nós mesmos. Aliás, parte de um princípio que nos obriga a ser mais verdadeiros: a humildade de não pensarmos apenas em nós, como se fossemos a única pessoa valiosa no mundo.

O valor de alguém depende da sua capacidade de ser dom na vida dos outros. Ora, ninguém pode amar alguém, ou sequer ajudar, se não souber quem ele é.

Cometemos grandes erros sempre que julgamos e agimos com grandes certezas a respeito dos outros, sem que os tenhamos consultado antes ou feito um esforço para nos colocarmos no seu lugar.

Se não somos capazes de pensar e sentir a vida a partir do seu ponto de vista, então é bom que assumamos pelo menos isso: que não sabemos.

Há sorrisos lindos que escondem dores profundas, há pessoas com histórias muito duras, tão amargas que se esforçam para as esquecer, ou, pelo menos, para que não lhes estejam sempre a doer. Vistas de fora, estas pessoas têm vidas aparentes que muitos desejam.

O céu começa em mim, mas a porta é aberta no coração do outro. Só quando sou bom para o outro é que sou bom para mim, e não funciona ao contrário.

Sou céu quando o sou para outro. Compreendendo-o como alguém irrepetível, com uma história, sonhos, formas de pensar e sentir profundas e únicas.

Amar alguém é ver nele o que só ele tem.

Há pessoas que apenas se conhecem a si mesmas, julgam que são tudo o que há no mundo, os outros são apenas meros figurantes numa peça que é afinal um monólogo. Condenaram-se à prisão invisível que é o egoísmo. Se apenas são úteis a si mesmas, não fazem diferença no mundo.


José Luís Nunes Martins


terça-feira, 27 de julho de 2021

Sabermo-nos amados





Há uma certa beleza em reconhecermos alguém pela forma como nos trata. Existe algo de divino quando nos sabemos amados pela simples forma como alguém chama por nós.

Nesta forma de tratar, Jesus era um verdadeiro especialista. Não chamava por chamar. Nem dizia o nome de alguém apenas para se fazer de importante, ou para demonstrar que tinha contactos. Ele tinha a perfeita noção que para curar feridas teria de ir ao toque da unicidade. Jesus dominava a mestria da empatia e da compaixão e, por isso, antes de costurar uma vida despedaçada olhava no rosto e chamava, os que se cruzavam consigo, pelo nome.

Jesus chamava pelo nome. De um jeito sempre diferente. Sempre novo. Marcando, desta forma, a importância que cada um e cada uma tem para Ele. Em Jesus, não há preferidos, nem preferidas. Todos são amados por Si, mas não deixa de colocar de parte as idiossincrasias existentes em cada história. Não coloca de parte o que há de único em cada um.

Jesus tem o cuidado de se dar a conhecer de uma forma sempre diferente a cada um de nós. Seja pelo olhar. Pelo sorriso. Pela palavra. Ou pela simples forma como nos chama.

Sabemo-nos amados, porque Ele se dá ao ínfimo cuidado de amar com tudo. De nos amar acima de tudo. E de nos acolher como sendo especiais.

O amor e a Misericórdia deste Deus, revelado por Jesus Cristo, ganha forma no trato simples e cuidado. Ganha vida num simples pronunciar do nosso nome. E nós, cristãos, também temos esta responsabilidade: de transmitirmos que os outros são amados através do nosso olhar e da forma como chamamos pelos outros.

Que tenhamos a audácia de sabermos sempre o nome daqueles e daquelas que vão passando pela estrada da nossa vida, não para nos exibirmos, mas para sermos capazes de transformarmos toda a nossa existência num verdadeiro testemunho de amor.

Hoje, recorda todos os que fazem parte da tua história, e pergunta-te: quantos é que te chamam por amor?


Emanuel António Dias

segunda-feira, 26 de julho de 2021

A forma da vida





São tantas as tormentas. É tanto o caos. E é tão pouco o que serena. Tão pouco a ser paz. E depois... Um sorriso a tatuar-se em ti. A forma do amor em ti. Pudesse ser essa a forma da vida.

São tantas as dores. É tanto o que se desfaz. E é tão pouco o que cuida. Tão pouco a ser cura. E depois... Uma mão a enlaçar-se em ti. A forma do amor em ti. Pudesse ser essa a forma da vida.

São tantos os medos. É tanta a escuridão. E é tão pouco o que abriga. Tão pouco a ser luz. E depois... Um abraço a ancorar-se em ti. A forma do amor em ti. Pudesse ser essa a forma da vida.

São tantos os olhares vazios. É tanto o desalento. E é tão pouco o que toca. Tão pouco a ser verdade. E depois... Um olhar a fixar-se em ti. A forma do amor em ti. Pudesse ser essa a forma da vida.

São tantos os corações ao frio. É tanto o desamor. E é tão pouco o que acalenta. Tão pouco a ser amor. E depois... Uma alma a abraçar-se em ti. A forma do amor em ti. Pudesse ser essa a forma da vida.

A forma do amor em ti. Pudesse ser essa a forma da vida.

E pode. E, no fundo, é, não é?


Daniela Barreira


domingo, 25 de julho de 2021

25 de Julho de 2021 | I Dia Mundial dos avós e dos idosos



Queridos avôs, queridas avós!

«Eu estou contigo todos os dias» (cf. Mt 28, 20) é a promessa que o Senhor fez aos discípulos antes de subir ao Céu; e hoje repete-a também a ti, querido avô e querida avó. Sim, a ti! «Eu estou contigo todos os dias» são também as palavras que eu, Bispo de Roma e idoso como tu, gostaria de te dirigir por ocasião deste primeiro Dia Mundial dos Avós e dos Idosos: toda a Igreja está solidária contigo – ou melhor, connosco –, preocupa-se contigo, ama-te e não quer deixar-te abandonado." (Papa Francisco)





Pão Partilhado

 

C2117 Pao partilhado - YouTube


A liturgia do 17º domingo Comum dá-nos conta da preocupação de Deus em saciar a "fome" de vida dos homens. De forma especial, as leituras deste domingo dizem-nos que Deus conta connosco para repartir o seu "pão" com todos aqueles que têm "fome" de amor, de liberdade, de justiça, de paz, de esperança.
Na primeira leitura, o profeta Eliseu, ao partilhar o pão que lhe foi oferecido com as pessoas que o rodeiam, testemunha a vontade de Deus em saciar a "fome" do mundo; e sugere que Deus vem ao encontro dos necessitados através dos gestos de partilha e de generosidade para com os irmãos que os "profetas" são convidados a realizar.
O Evangelho repete o mesmo tema. Jesus, o Deus que veio ao encontro dos homens, dá conta da "fome" da multidão que O segue e propõe-Se libertá-la da sua situação de miséria e necessidade. Aos discípulos (aqueles que vão continuar até ao fim dos tempos a mesma missão que o Pai lhe confiou), Jesus convida a despirem a lógica do egoísmo e a assumirem uma lógica de partilha, concretizada no serviço simples e humilde em benefício dos irmãos. É esta lógica que permite passar da escravidão à liberdade; é esta lógica que fará nascer um mundo novo.
Na segunda leitura, Paulo lembra aos crentes algumas exigências da vida cristã. Recomenda-lhes, especialmente, a humildade, a mansidão e a paciência: são atitudes que não se coadunam com esquemas de egoísmo, de orgulho, de auto-suficiência, de preconceito em relação aos irmãos.

À ESCUTA DA PALAVRA.
Jesus não cria pães e peixes a partir de nada. Cria a partir dos cinco pães e dois peixes do rapazito. A partir do pão dos pobres! Ao multiplicar os pães e os peixes, Jesus multiplica o dom do rapazito. Mas é ridículo alimentar uma multidão de cinco mil homens com tão pequena quantidade. Mas uma pequena quantidade pode ter um valor infinito. Jesus não olha como nós. O nosso olhar deve ser como o de Jesus. Quando damos amor, amizade, um pouco do nosso tempo ou simplesmente um sorriso, quando procuramos respeitar o outro, sem o julgar, quando fazemos um caminho de perdão... Jesus serve-Se desse pequeno pouco para construir connosco, pacientemente, dia após dia, o seu Reino.

https://www.dehonianos.org/


sábado, 24 de julho de 2021

E tu, quando é que descansas?



O descanso continua a ser um elefante no meio das nossas salas. Acena-nos. Tenta que lhe prestemos atenção. Derruba a nossa concentração, a nossa memória a curto prazo e nós, astutos, continuamos a ignorá-lo. Aliás, continuamos a ignorar ambos: o descanso e o elefante que ele representa.

Não descansamos para ter a certeza que ninguém duvidará da nossa competência e do nosso valor. Não descansamos para poder usar essa bandeira tatuada no peito e para hasteá-la diante dos olhos dos outros, que dominam (arrogantemente) a arte da preguiça e do lazer.

Não descansamos porque não conseguimos. Porque estamos mergulhados numa engrenagem que nos obriga a não parar. A não pensar. A não discernir sobre o que estamos a conseguir com as nossas atitudes e com o nosso estilo de vida.

Estamos reféns de um modo de vida que ninguém nos ensinou, mas que vimos ser repetido dentro de nós ao longo dos últimos dias, meses, anos, gerações. Estudamos para conseguir trabalhar. Trabalhamos para conseguir dinheiro. Trabalhamos mais para conseguir mais dinheiro. Quando deixamos de trabalhar das duas uma: ou somos demasiado velhos para usufruir da vida ou já não estamos cá para usufruir dela.

É só isto que queremos para nós? Resumir a vida a uma quantidade interminável de tarefas e de lutas diárias que rimam com produtividade e capacidade de (demasiado) trabalho? Não pode ser.

Ainda vamos a tempo de travar a fundo. De nos retirarmos dos contextos onde estamos reféns. Ainda vamos a tempo de legitimar o tempo de descanso. Ainda vamos a tempo de fazer as malas e encontrar espaço para aquilo que nos comove o coração. Seja isso o que for. Ainda vamos a tempo de começar a nossa história outra vez ou de a retomar a partir daquela última página dobrada num dos cantinhos do livro que somos.

Ainda vamos a tempo de fazer melhor. De cuidar do que somos e do que viemos, realmente, cá fazer: encontrar um sentido bonito para a nossa existência de cada dia.


Marta Arrais

sexta-feira, 23 de julho de 2021

OS SONHOS, A MEMÓRIA E A ORAÇÃO DOS AVÓS!...


Muitas pessoas já celebram o Dia dos Avós em 26 de julho de cada ano, dia litúrgico de Santa Ana e São Joaquim, avós maternos de Jesus. Com o Santo Padre, saudamos todos os avôs e avós, cada idoso e cada idosa, pedindo ao Senhor para todos eles a graça da alegria e da paz, em saúde e bom acolhimento familiar e social, ou institucional, se for o caso. Que a vida lhes sorria sempre. Aos que já partiram, que o Senhor lhes dê o eterno descanso e intercedam por nós junto de Deus.
A Assembleia da República Portuguesa, em 3 de abril de 2003, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição da República, que nos termos do artigo 67.º define a família como elemento fundamental da nossa sociedade, resolveu, a pedido de várias pessoas e instituições, instituir esse dia 26 de julho de cada ano como Dia Nacional dos Avós. No projeto de resolução n.º 142/IX, pelo qual instituiu esse Dia Nacional dos Avós, a Assembleia da República realça a importância dos avós como agentes de equilíbrio de relações afetivas em família, pelo seu papel na transmissão de valores sociais e de valores da família, pelo seu importante papel na educação dos netos, já que os pais estão ausentes em grande parte do dia, bem como pela sua troca de saberes e de experiências em família e na sociedade, permitindo a continuidade.
O Papa Francisco, este ano, instituiu, a nível da Igreja Católica, o Dia Mundial dos Avós, a celebrar sempre no Domingo mais próximo do dia 26 de julho, dia litúrgico de Santa Ana e São Joaquim. Neste primeiro Dia Mundial dos Avós, a Igreja manifesta a sua solidariedade com todos os avós e idosos, dizendo a cada um: a Igreja “preocupa-se contigo, ama-te e não quer deixar-te abandonado”. Esta afirmação da Igreja é feita pela voz do Papa Francisco. Ele recorda a cada um a promessa que o Senhor fez aos discípulos antes de subir ao Céu: «Eu estou contigo todos os dias» (cf. Mt 28, 20).
Lembrando o anjo que veio animar e incutir esperança ao avô materno de Jesus em hora menos boa da sua vida, Francisco afirma que “mesmo quando tudo parece escuro, como nestes meses de pandemia, o Senhor continua a enviar anjos para consolar a nossa solidão, repetindo-nos: «Eu estou contigo todos os dias». Di-lo a ti, di-lo a mim, a todos. Está aqui o sentido deste Dia Mundial que eu quis celebrado pela primeira vez precisamente neste ano, depois dum longo isolamento e com uma retoma ainda lenta da vida social: oxalá cada avô, cada idoso, cada avó, cada idosa – especialmente quem dentre vós está mais sozinho – receba a visita de um anjo! Este anjo, algumas vezes, terá o rosto dos nossos netos; outras vezes, dos familiares, dos amigos de longa data ou conhecidos precisamente neste momento difícil. Neste período, aprendemos a entender como são importantes, para cada um de nós, os abraços e as visitas, e muito me entristece o facto de as mesmas não serem ainda possíveis em alguns lugares”.
Acentuando também a importância da Palavra de Deus em nos ajudar a entender o que o Senhor nos pede em cada estação da vida, acrescenta: “Eu mesmo posso dar testemunho de que recebi a chamada para me tornar Bispo de Roma quando tinha chegado, por assim dizer, à idade da aposentação e imaginava que já não podia fazer muito de novo. O Senhor está sempre junto de nós – sempre – com novos convites, com novas palavras, com a sua consolação, mas está sempre junto de nós. Como sabeis, o Senhor é eterno e nunca vai para a reforma. Nunca”.
E no contexto do mandato que o Senhor nos deu de ir e ensinar, o Papa lembra aos idosos que a sua vocação “é salvaguardar as raízes, transmitir a fé aos jovens e cuidar dos pequeninos. Atenção! Qual é a nossa vocação hoje, na nossa idade? Salvaguardar as raízes, transmitir a fé aos jovens e cuidar dos pequeninos. Não vos esqueçais disto. Não importa quantos anos tens, se ainda trabalhas ou não, se ficaste sozinho ou tens uma família, se te tornaste avó ou avô ainda relativamente jovem ou já avançado nos anos, se ainda és autónomo ou precisas de ser assistido, porque não existe uma idade para aposentar-se da tarefa de anunciar o Evangelho, da tarefa de transmitir as tradições aos netos. É preciso pôr-se a caminho e, sobretudo, sair de si mesmo para empreender algo de novo”. Há “uma renovada vocação, também para ti, num momento crucial da história. Perguntar-te-ás: Mas, como é possível? As minhas energias vão-se exaurindo e não creio que possa ainda fazer muito. Como posso começar a comportar-me de maneira diferente, quando o hábito se tornou a regra da minha existência? Como posso dedicar-me a quem é mais pobre, se já tenho tantas preocupações com a minha família? Como posso alongar o meu olhar, se não me é permitido sequer sair da residência onde vivo? Não é um fardo já demasiado pesado a minha solidão? Quantos de vós se interrogam: Não é um fardo já demasiado pesado a minha solidão? O próprio Jesus ouviu Nicodemos dirigir-Lhe uma pergunta deste tipo: «Como pode um homem nascer, sendo velho?» (Jo 3, 4). Isso é possível – responde o Senhor –, abrindo o próprio coração à obra do Espírito Santo, que sopra onde quer. Com a liberdade que tem, o Espírito Santo move-Se por toda a parte e faz aquilo que quer”.
Repetindo que ninguém se salva sozinho e que desta crise jamais sairemos iguais, o Papa diz a cada avó, avô, idoso ou idosa, que cada um é necessário “para se construir, na fraternidade e na amizade social, o mundo de amanhã”, todos devemos ser «parte ativa na reabilitação e apoio das sociedades feridas». E apresenta três de entre vários pilares que os idosos deverão sustentar nesta nova construção: “os sonhos, a memória e a oração”.
Recordando a passagem bíblica de Joel: «Os vossos anciãos terão sonhos e os jovens terão visões», Francisco diz que “o futuro do mundo está nesta aliança entre os jovens e os idosos. Quem, senão os jovens, pode agarrar os sonhos dos idosos e levá-los por diante? Mas, para isso, é necessário continuar a sonhar: nos nossos sonhos de justiça, de paz, de solidariedade reside a possibilidade de os nossos jovens terem novas visões e, juntos, construirmos o futuro. É preciso que testemunhes, também tu, a possibilidade de se sair renovado duma experiência dolorosa. E tenho a certeza de que não será a única, pois, na tua vida, terás tido tantas e sempre conseguiste triunfar delas. E, dessa experiência que tens, aprende como sair da provação atual. Nisto se vê como os sonhos estão entrelaçados com a memória. Penso como pode ser de grande valor a memória dolorosa da guerra, e quanto podem as novas gerações aprender dela a respeito do valor da paz. E, a transmitir isto, és tu que viveste a tribulação das guerras. Recordar é uma missão verdadeira e própria de cada idoso: conservar na memória e levar a memória aos outros”. E volta à sua vivência pessoal: “Penso também nos meus avós e naqueles de vós que tiveram de emigrar e sabem quanto custa deixar a própria casa, como fazem muitos ainda hoje à procura dum futuro. Talvez tenhamos algum deles ao nosso lado a cuidar de nós. Esta memória pode ajudar a construir um mundo mais humano, mais acolhedor. Mas, sem a memória, não se pode construir; sem alicerces, tu nunca construirás uma casa. Nunca. E os alicerces da vida estão na memória”.
Aliada aos sonhos e à memória, está a oração, afirma Francisco: “A tua oração é um recurso preciosíssimo: é um pulmão de que não se podem privar a Igreja e o mundo. Sobretudo neste tempo tão difícil para a humanidade em que estamos – todos na mesma barca – a atravessar o mar tempestuoso da pandemia, a tua intercessão pelo mundo e pela Igreja não é vã, mas indica a todos a serena confiança de um porto seguro”.

D. Antonino Dias - Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 23-07-2021.


Às vezes a vida...



Nem sempre a vida é como queremos ou imaginámos. Muitas vezes é um tremendo mistério que por muito que tentemos não conseguimos encontrar respostas. Consegue, em tantos e tantos momentos, tornar-se numa tremenda injustiça que nos faz sentir perdidos de tudo e de todos. Tão perdidos que questionamos o que somos, o que fazemos e o que queremos. Tão perdidos que nem somos capazes de encontrar um sentido para a existência terrena.

Às vezes a vida prega-nos partidas. Somos apanhados na curva da maldade e da ingratidão. Somos apanhados em contracurvas que nos deixam completamente mudados. Desacreditados. Chegamos, inclusive, a questionar a nossa própria fé que em tantas outras circunstâncias nos encaminhou e suportou. Nestas alturas, o caminho da vida e da fé, torna-se areoso. Pesado. Torna-se tremendamente desgastante sem uma brisa que nos oriente ou nos alivie da carga de não nos termos encontrado plenamente.

Às vezes a vida não tem a vivacidade que nos foi prometida, nem a beleza que nos foi contada. Em muitos dias tem apenas a tonalidade cinzenta de um silêncio que não nos aconchega. Por vezes, o nosso caminhar, reveste-se de inúmeros questionamentos, de incompreensões e de lágrimas que não nos oferecem o alívio.

Às vezes a vida é o que não queríamos que fosse, mas isso não significa que tenha chegado ao fim. Pode simplesmente estar a pedir-nos novos rostos. Novos lugares. Novos afazeres. Pode apenas estar a convidar-nos a um descanso mais prolongado. Pode só estar a direcionar-nos para um encontro mais íntimo e verdadeiro connosco mesmos e com Deus.

Às vezes a vida torna-se numa viagem sem destino à vista, mas nem assim deixa de perder valor ou dignidade. Nem assim merece ser terminada, mas sim confirmada com esperança, coragem e amor. Às vezes a vida, mergulhada em mistério, pede que arrisquemos na autenticidade de sermos.

Hoje, antes de olhares para o teu umbigo, questiona-te: quantos precisam da tua presença para um novo caminhar? Quantos precisam do teu olhar para uma nova fé? Quantos precisam do teu abraço para se sentirem amados e acolhidos? Diz-me, quantos?


Emanuel António Dias

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Decálogo para as férias





Estamos no tempo teórico de férias, mas muitos, por causa da situação económica, não poderão desfrutá-las. Outros trabalham mais que nunca ao serviço dos turistas que nos visitam e de quem faz férias. Mas no melhor dos casos – pelo menos alguns dias, ou nem que seja algumas horas – poderemos ir de férias. Também será uma boa ocasião para conhecer melhor o próprio país, os locais mais próximos, outras pessoas, e para penetrarmos mais no tesouro cultural do nosso património.

Estamos esgotados pelo confinamento e temos vontade de saborear – por escassos que sejam – alguns dias diferentes, de descanso, de espairecimento. Aqui ficam algumas reflexões para nos ajudar a viver estes dias.


1. Respeito pela natureza
Não a prejudiques, lançando lixo em todo o lado, destruindo a flora ou maltratando a fauna e os seus espaços vitais. Na praia, na montanha, no campo… descobre na natureza a primeira carta de amor que Deus te enviou.


2. Não te envergonhes de ser cristão

Sem necessidade de fazer propaganda disso, sê capaz de dar razão da tua fé e da tua esperança, se a ocasião se proporcionar.


3. Jesus não faz férias e quer acompanhar-te nas tuas
Por isso participa na Eucaristia do domingo, onde quer que estejas. Quando entrares numa igreja, não te limites a contemplar a sua beleza ou o seu património. Procura um momento de oração, de comunicação pessoal com Jesus.


4. As férias ou dias de festa são para toda a família

Dialoga, joga, brinca, passa bem o tempo com a família, sem pressas. Sobretudo, procura momentos para escutar e falar, dado que o ritmo habitual do quotidiano não proporciona muitas vezes oportunidade para isso.


5. Sê cauteloso com a vida dos outros

A vida é um grande dom de Deus. Evita os riscos desnecessários e sê prudente ao escolher atividades.


6. Valoriza a amizade

Tens uma boa ocasião para partilhar pensamentos, opiniões, gostos e distrações com outras pessoas não habituais. Estreita a amizade com os amigos, e se tiveres oportunidade faz novas amizades.

7. Recorda sempre que outros trabalham muito para que tu possas desfrutar

Essas pessoas também têm os seus direitos; respeita-os. E sê agradecido, porque um sorriso, um dizer «obrigado» com sinceridade é, muitas vezes, a melhor recompensa.


8. Descansa, mas deixa que outros também descansem

Pensa durante a noite que tu podes levantar-te tarde, mas outros fá-lo-ão muito cedo e têm direito ao seu descanso, para que possam trabalhar e servir melhor.


9. Não vale tudo
Durante o tempo livre, tempo de férias, não vale tudo. Recorda os teus compromissos, recorda a tua dignidade e a dignidade de toda a pessoa. Recorda os mandamentos.


10. Vive a caridade e a solidariedade

Pensa em quem não tem férias, porque nem sequer tem o pão de cada dia. A caridade não faz férias.


Cada um de vós, leitores, poderá acrescentar o que considerar importante.


Boas férias e boas viagens!

[A partir de texto de D. Francesc Pardo i Artigas | Bispo de Girona, Espanha |In Agência SIC]


quarta-feira, 21 de julho de 2021

Papa:descanso, contemplação e compaixão para uma «ecologia do coração»



“Temos necessidade de uma “ecologia do coração” que inclui descanso, contemplação e compaixão. Aproveitemos o tempo de verão para isso!”

Descanso e compaixão, dois aspectos importantes da vida que guiaram a reflexão do Papa Francisco no Angelus deste XVI Domingo do Tempo Comum, que voltou a ser rezado da janela do apartamento pontifício, visto que o anterior foi do Hospital Agostino Gemelli, onde o Pontífice se recuperava de uma cirurgia.

O perigo do ativismo


O Papa inspirou-se no Evangelho de Marcos proposto pela liturgia do dia para chamar a atenção que Jesus se preocupa com o cansaço físico e interior dos seus discípulos. Prova disso, é que ao ouvir seus relatos jubilosos pelos “prodígios da pregação” durante a missão, Jesus lhes faz um convite: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”, convida ao repouso.

Ele quer alertá-los de um perigo, que sempre está à espreita também para nós: o perigo de deixar-se cair no frenesi do fazer, cair na armadilha do ativismo, onde o mais importante são os resultados que obtemos e o sentir-se protagonistas absolutos.

Aprender a parar

E isso, observou Francisco, acontece também na Igreja, “estamos atarefados, corremos, pensamos que tudo depende de nós e, no final, corremos o risco de negligenciar Jesus e estarmos sempre nós no centro. Por isso, convida os seus para repousar um pouco à parte, com Ele”:

Não é apenas repouso físico, é também descanso do coração. Porque não basta “desligar”, é preciso repousar de verdade. E como se faz isso? Para fazer isso é preciso voltar ao cerne das coisas: parar, ficar em silêncio, rezar, para não passar da correria do trabalho para a correria das férias.

Mas o fato de Jesus se retirar a cada dia na “oração, no silêncio, na intimidade com o Pai”, não impede que Ele esteja atento às necessidades da multidão, e o convite dirigido aos seus discípulos, deveria acompanhar também a nós, que deveríamos parar “a correria frenética que dita as nossas agendas”:

“Aprendamos a parar, a desligar o celular, a contemplar a natureza, a regenerar-nos no diálogo com Deus.”

A compaixão nasce da contemplação


Mas o Papa recorda ainda, que “o Evangelho narra que Jesus e os discípulos não podem descansar como gostariam”, pois as pessoas provenientes dos lugares mais diversos os reconhecem. Neste ponto, move-se a compaixão”:

Aqui está o segundo aspecto: a compaixão que é o estilo de Deus, o estilo de Deus é: proximidade, compaixão e ternura. Quantas vezes no Evangelho, na Bíblia, encontramos esta frase: “teve compaixão dele”. Comovido, Jesus se dedica ao povo e retoma o ensino. Parece uma contradição, mas na realidade não o é. De fato, só o coração que não se deixa levar pela pressa é capaz de se comover, isto é, de não se deixar levar por si mesmo e pelas coisas a fazer e de perceber os outros, suas feridas, suas necessidades. A compaixão nasce da contemplação.

Ecologia do coração

Assim – observou Francisco - caso aprendamos a descansar verdadeiramente, nos tornaremos capazes da verdadeira compaixão:

Se cultivarmos o olhar contemplativo, levaremos em frente as nossas atividades sem a atitude voraz de quem quer possuir e consumir tudo; se permanecermos em contato com o Senhor e não anestesiarmos a parte mais profunda de nós, as coisas a fazer não terão o poder de nos tirar o fôlego e nos devorar. Temos necessidade - ouçam isso - temos necessidade de uma “ecologia do coração” que inclui descanso, contemplação e compaixão. Aproveitemos o tempo de verão para isso. Nos ajuda bastante!

Ao concluir, o Santo Padre convidou os fiéis a dirigirem-se a Nossa Senhora, “que cultivou o silêncio, a oração e a contemplação, e sempre se move em terna compaixão por nós, seus filhos.”

VATICANO

terça-feira, 20 de julho de 2021

E quando nada flui?!



Os livros de autoajuda aconselham-nos a deixar fluir. A acreditar na nossa força interior. A confiar que a vida sabe o que faz e que o que é nosso há de vir parar à nossa mão. Vamos lendo aqui e ali que se respirarmos fundo, se mantivermos o pensamento positivo e esperançoso, tudo correrá como gostaríamos. Dizem que tudo flui quando nos deixamos ir, quando confiamos que a vida nos devolve na vida do que demos.

Lamentavelmente, percebemos que quase nunca é assim. Que quando deixamos fluir, a vida continua a raptar-nos a esperança em dias melhores, continua a adiar-nos os planos e continua a mostrar-nos que não fazemos a mínima ideia do que, um dia, será (ou não) nosso. Descobrimos que o que hoje parecia certo, amanhã deixa de ser. Descobrimos que os nossos princípios e valores parecem boiar num mundo de favores, subterfúgios e outros pretextos para não fazer o bem.

Há, na vida de cada um de nós, uma imprevisibilidade que nos apaixona e, ao mesmo tempo, nos desarma profundamente. Mas não conseguimos deixar de nos sentir injustiçados quando seguimos os trilhos certos e o caminho que queremos não vem ao nosso encontro. E não conseguimos deixar de nos sentir perdidos quando tudo corre bem aos que fazem tudo mal. E não conseguimos deixar de nos questionar: que estará, então, guardado para mim?

Não sei o que está guardado para cada um, mas sei que a vida nos compensa na medida do sofrimento que também nos dá. Sei que tudo se equilibra, um dia. Que tudo bate (mais) certo quando for o tempo disso. Ainda que não seja hoje, agora ou amanhã.

Lá mais para a frente, quando olhares para trás, vais perceber tanto do que hoje estás a viver. Até lá, desanima quando tiver que ser, mas depois limpa as lágrimas e faz-te ao trilho. Ao mar. Ao chão. À vida.

Por isso, e por tanto mais que não cabe nas palavras, valerá sempre a pena arriscar e mergulhar no rio, em vez de esperar que ele flua.

Saltas?


Marta Arrais

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Não nos abandonemos!



Há um provérbio popular que diz o seguinte: «O tempo a tudo dá remédio.» Eu, porém, conheço gente que sofre sem cura à vista. Penso tantas vezes no livro de Job…

Conheço pessoas traídas pela vida, carregadas de dor e desilusão, com pesos quase impossíveis de carregar. Que têm dificuldade em rezar apesar da sua fé. Continuam a lutar e a questionar Deus porque permite que tudo lhes aconteça... O que fizeram para merecer tal sofrimento…

A eterna pergunta acerca do sofrimento: Por quê a dor inocente?

Por que é que a pessoa justa não está livre das provações dolorosas? Por que é que Job passou pela severa prova que todos conhecemos? E por que é que Jesus, o único inocente, o único justo, que viveu apenas para amar, carregou a cruz? Por que é que sofreu tanto na sua paixão? Por quê?

Antes de mais temos que perceber, à luz do Evangelho, que os nossos sofrimentos não são castigo de Deus. As nossas provações e as nossas desilusões não são decretadas por Deus. É a dimensão do humano. É a nossa humanidade, a nossa fragilidade.

Acredito que sofrer hoje, aparentemente, seja mais difícil que no passado. Num mundo em que se venera a perfeição, o sofrimento é cada vez mais escondido, alojado em sítios e lugares preparados para esse efeito.

Ser-se humano é ser mortal. Consequentemente, sofreremos sempre. Esta vida mortal é marcada pelas limitações, pelo mal e como tal, o sofrimento é-nos inerente. Pertence-nos.

Mas não é fácil sofrer. Não é fácil encontrar uma resposta para o sofrimento…

Job gritou antes de nós do abismo de sua dor. Jesus, o único que verdadeiramente se poderia definir como justo, também gritou na cruz, esmagado pelo peso da iniquidade de toda a humanidade e abandonado pelo seu Pai, em quem sempre depositou a sua confiança: «Eloí, Eloí, lamá sabactani». Também nós clamamos, sempre que a prova e a dor, como uma injustiça que não acreditamos merecer, entra na nossa vida, na vida das nossas famílias e nas nossas comunidades.

Não tenhamos medo, deixemos que o nosso gemido suba até ao céu como uma oração.

A dor inocente de Jesus é redentora e a nossa, vivida em comunhão com ele, torna-se por sua vez, salvação para todos nós. Na nossa fé, na comunhão com o Filho de Deus, testemunhamos que não são as provações e as desilusões da vida que têm a última palavra, mas a Páscoa do Jesus e a nossa na sua.

Mas até lá e como somos frágeis precisamos de nos apoiar mutuamente.

Não nos abandonemos!


Paulo J. A. Victória


domingo, 18 de julho de 2021

O Senhor é meu pastor: nada me faltará

 


A liturgia do 16º Domingo do Tempo Comum dá-nos conta do amor e da solicitude de Deus pelas "ovelhas sem pastor". Esse amor e essa solicitude traduzem-se, naturalmente, na oferta de vida nova e plena que Deus faz a todos os homens.
Na primeira leitura, pela voz do profeta Jeremias, Jahwéh condena os pastores indignos que usam o "rebanho" para satisfazer os seus próprios projectos pessoais; e, paralelamente, Deus anuncia que vai, Ele próprio, tomar conta do seu "rebanho", assegurando-lhe a fecundidade e a vida em abundância, a paz, a tranquilidade e a salvação.A Palavra de Deus que nos é proposta neste domingo garante-nos que Deus é o "Pastor" que se preocupa connosco, que está atento a cada uma das suas "ovelhas"; Ele cuida das nossas necessidades e está permanentemente disposto a intervir na nossa história para nos conduzir por caminhos seguros e para nos oferecer a vida e a paz. É n'Ele que temos de apostar, é n'Ele que temos de confiar
O Evangelho recorda-nos que a proposta salvadora e libertadora de Deus para os homens, apresentada em Jesus, é agora continuada pelos discípulos. Os discípulos de Jesus são - como Jesus o foi - as testemunhas do amor, da bondade e da solicitude de Deus por esses homens e mulheres que caminham pelo mundo perdidos e sem rumo, "como ovelhas sem pastor". A missão dos discípulos tem, no entanto, de ter sempre Jesus como referência... Com frequência, os discípulos enviados ao mundo em missão devem vir ao encontro de Jesus, dialogar com Ele, escutar as suas propostas, elaborar com Ele os projectos de missão, confrontar o anúncio que apresentam com a Palavra de Jesus.
Na segunda leitura, Paulo fala aos cristãos da cidade de Éfeso da solicitude de Deus pelo seu Povo. Essa solicitude manifestou-se na entrega de Cristo, que deu a todos os homens, sem excepção, a possibilidade de integrarem a família de Deus. Reunidos na família de Deus, os discípulos de Jesus são agora irmãos, unidos pelo amor. Tudo o que é barreira, divisão, inimizade, ficou definitivamente superado.

À ESCUTA DA PALAVRA.
Instituição evangélica das férias! "Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco". É a instituição evangélica das férias! De facto, a multidão era tão numerosa que os Apóstolos nem tinham tempo para comer. Deviam estar esgotados, tanto mais que regressavam do primeiro envio em missão, que não terá sido propriamente um tempo de repouso. Conhecemos a vida de Jesus, a sua missão, as grandes fadigas, as noites em oração, sem dormir, após um dia extenuante... Numa das travessias de barco, aproveita mesmo para repousar um pouco e dormir... Assim, Ele sabe estar atento à fadiga dos seus companheiros. Convida-os a respeitar também as exigências da natureza corporal, a ter um pouco de repouso. E nós, hoje? Sabemos bem que as férias não são um luxo, se corresponderem àquilo para que existem: precisamente para respeitar a nossa natureza humana, que exige tempos de relaxe, de recuperação, não apenas física mas também intelectual e espiritual. As férias não são um tempo de ócio, mas de "re-criação", para retomar energias. Sabemos que há ainda muitos homens, mulheres e crianças que são explorados como vulgares máquinas para produzir. Isso não é respeitar a vontade criadora de Deus. O Evangelho de hoje, que cai bem em período de férias, recorda-nos isso de modo muito oportuno. Isso é também válido para os servidores do Evangelho! Os Apóstolos diminuem, as funções pastorais aumentam... a fadiga também. Cabe a cada um tirar as devidas consequências evangélicas!

https://www.dehonianos.org/


sábado, 17 de julho de 2021

Papa restringe celebração da missa na forma anterior ao Vaticano II

 
Uma celebração segundo o Missale Romanum de 1962 / Foto: Daniel Ibanez CNA

Vaticano, 16 jul. 21 / 09:38 am (ACI).- O papa Francisco emitiu um motu proprio na sexta-feira restringindo as missas celebradas sob a forma extraordinária do Rito Romano, conhecido como rito tridentino, no qual as orações são feitas em latim e que era a forma única do rito romano antes da reforma feita pelo Concílio Vaticano II. O uso da forma extraordinária depende agora da autorização do bispo local a grupos que queiram a missa tradicional, só poderá ocorrer em igrejas em locais determinados por ele que não sejam igrejas paroquiais, e não poderão ser autorizados novos grupos ou paróquias pessoais.

O papa fez mudanças radicais na carta apostólica Summorum Pontificum de 2007 do seu predecessor Bento XVI, que reconhecia o direito de todos os sacerdotes a celebrarem missa usando o Missal Romano de 1962. "Em defesa da unidade do Corpo de Cristo, sou obrigado a revogar a faculdade concedida pelos meus Predecessores”, diz o papa na carta aos bispos em que explica sua decisão. “O uso distorcido que foi feito desta faculdade é contrário às intenções que levaram a conceder a liberdade de celebrar a Missa com o Missale Romanum de 1962".

Para Francisco, seus predecessores permitiram a celebração da missa anterior ao Vaticano II para encorajar a unidade da Igreja. "Uma oportunidade oferecida por São João Paulo II e, com ainda maior magnanimidade, por Bento XVI, destinada a recuperar a unidade de um corpo eclesial com diversas sensibilidades litúrgicas, foi explorada para alargar as lacunas, reforçar as divergências, e encorajar discórdias que ferem a Igreja, bloqueiam o seu caminho, e a expõem ao perigo da divisão", escreveu. O papa diz que a celebração da forma extraordinária do rito romano se tornou uma rejeição do Concílio Vaticano II. Há uma "rejeição da Igreja e das suas instituições em nome do que é chamado a 'verdadeira Igreja'", diz Francisco, para quem duvidar do Concílio é "duvidar do próprio Espírito Santo que guia a Igreja".

A partir de agora, o uso da forma antiga da liturgia pode ser autorizado pelos bispos "para prover ao bem daqueles que estão enraizados na forma anterior de celebração e precisam regressar em devido tempo ao Rito Romano promulgado pelos Santos Paulo VI e João Paulo II”, diz o papa.

Em seu primeiro artigo, o motu proprio, chamado Traditionis custodes sobre o "uso da Liturgia Romana anterior à reforma de 1970", define os livros litúrgicos emitidos por Paulo VI e João Paulo II após o Concílio Vaticano II como "a única expressão da lex orandi do Rito Romano". Lex orandi é expressão latina que significa “Lei de orar”.

O segundo afirma que é "competência exclusiva" do bispo autorizar o uso do Missal Romano de 1962 na sua diocese. O terceiro estabelece as responsabilidades dos bispos cujas dioceses já têm um ou mais grupos que oferecem Missa com a liturgia tradicional em latim. O texto ordena que os bispos “se assegurem de que estes grupos não neguem a validade do Vaticano II e do magistério dos sumos pontífices”.

O bispo deve indicar um ou mais lugares onde se pode usar a liturgia na forma extraordinária, “mas não em igrejas paroquiais e sem erigir novas paróquias pessoais”. O papa também manda que os bispos locais verifiquem se as paróquias já estabelecidas para que as missas sejam celebradas no rito antigo "são eficazes para o crescimento espiritual e determine se devem ou não ser mantidas". Fica proibida a criação de novos grupos ou a ereção de novas paróquias pessoais.

O motu proprio diz que as missas oferecidas segundo o Missal Romano de 1962 devem utilizar leituras "proclamadas na língua vernácula, utilizando traduções da Sagrada Escritura aprovadas para uso litúrgico pelas respectivas conferências episcopais".

O texto também ordena a criação de um delegado diocesano selecionado pelo bispo para supervisionar o cuidado pastoral destes grupos. "Esse sacerdote deve ter no coração não só a celebração correta da liturgia, mas também o cuidado pastoral e espiritual dos fiéis", afirma.

O quarto artigo do documento diz que os sacerdotes ordenados após 16 de julho de 2021, que desejem oferecer a forma extraordinária da Missa, terão de apresentar um pedido formal ao bispo diocesano que consultará à sua vez a Sé Apostólica antes de conceder a autorização.

O quinto diz que os padres que já oferecem a Missa tradicional devem pedir autorização ao seu bispo diocesano para "continuarem a usufruir desta faculdade".

O sexto artigo informa que, a partir da deste 16 de julho, “os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, estabelecidos pela Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, são de competência da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica”.

“A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos e a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, em assuntos de sua competência, exercem a autoridade da Santa Sé, supervisionando a observância destas disposições”, estabelece o artigo 7.

O oitavo e último artigo do Motu proprio declara que "as normas, instruções, permissões e costumes anteriores que não estejam em conformidade com as disposições do presente Motu proprio ficam revogados".

sexta-feira, 16 de julho de 2021

HÁ PRESSA NO AR -- HOJE VOU DAR MÚSICA



O Hino da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, sob o mote “Há Pressa no Ar”, foi inspirado no tema que o Santo Padre propôs para a JMJ Lisboa 2023: «Maria levantou-se e partiu apressadamente» (Lc1,39). Desenvolve-se em torno do ‘sim’ de Maria e da sua ida à pressa ao encontro da prima Isabel, como relata a passagem bíblica. A letra é de João Paulo Vaz, Sacerdote. A música, de Pedro Ferreira, professor e músico, ambos da diocese de Coimbra. Os arranjos são do músico Carlos Garcia. Foi gravado, em duas versões: em português e na versão internacional em cinco idiomas: português, inglês, espanhol, francês e italiano.
Ao cantar este hino, os jovens de todo o mundo são convidados a identificarem-se com Maria, dispondo-se ao serviço, à missão e à transformação do mundo. A letra evoca também a festa da JMJ e a alegria centrada na relação com Deus.
Em 29 de junho foi apresentada a versão latino-americana da canção, produzida pela organização da anterior JMJ que teve lugar no Panamá, em 2019. “É uma viagem curta, mas interessante, que tem como fio condutor a letra e a melodia do hino original. Inicia-se com “Pop” que, com elementos eletrónicos, nos leva ao coro onde começamos a sentir o “Pop Urbano”. Rapidamente passamos pela “Cumbia Panamenha”, onde ouvimos os tambores típicos do Panamá, o güiro e o acordeão. Dali vamos ao género “Roots” onde se destaca o estilo da ilha do caribe. Já no coro seguinte, passamos para a “Salsa”, que com a conga e o timbale transmitem a alegria rítmica deste género”.
Depois da versão latino-americana do Hino da Jornada Mundial da juventude 2023, saída em junho, foi agora divulgada a versão chinesa da JMJ2023Lisboa. Envolveu mais de 20 jovens, presentes na comunidade católica chinesa em Portugal e da Diocese de Xi’na, na China. A tradução e arranjo musical esteve a cargo dos jovens da comunidade em Portugal, com o apoio da Irmã Dominia (Lijun Shen), Missionária das Servas do Espírito Santo, e do irmão Paul. A gravação da música e do vídeo teve lugar na Diocese de Xi’an, na Expo Xi’an e na Catedral de São Francisco em Xi’an, envolvendo o Coro Inglês de Xi’an Agios e o Coro Xi’an Seraphim. Convido o amigo leitor a escutar as várias versões.
VERSÃO PORTUGUESA
https://youtu.be/H1x2t2EstlI

VERSÃO INTERNACIONAL (em português, inglês, espanhol, francês e italiano)
https://youtu.be/VZtB29FDBRk
Os símbolos da Jornada Mundial da Juventude, a Cruz peregrina e o Ícone mariano “Salus Populi Romani”, começaram, no dia 8 deste mês de julho, a sua peregrinação por Angola e São Tomé e Príncipe. Aí estarão até ao dia 15 de agosto. Seguir-se-ão a Espanha e a Polónia. Em Portugal acontecerá entre novembro de 2021 e julho de 2023.

D. Antonino Dias - Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 16-07-2021


A longa dor do desamor




O amor é essencial à existência. Sem ele, a vida fica limitada, subdesenvolvida, impedida de ser o que é e deve ser.

Os gestos que resultam da falta de amor são cruéis. Violência pura, porque procura destruir.

Sempre que alguém nos faz mal, ainda que sem essa intenção, pode atingir-nos mais fundo do que nós mesmos julgamos ser possível. O que resulta disso? Uma dor que acaba por alterar a forma como olhamos o mundo e o compreendemos. Uma mentira pode fazer-nos duvidar de muitas verdades.

Se alguém me chama imbecil, é possível que eu acredite, se a minha forma de ver o mundo foi alterada pelas cicatrizes de males antigos. E se acredito, acabo por sofrer, nesse instante, mais uma pancada de desamor, mais um golpe que se abre e desfigura.

De forma simples, sentimos o mundo com um coração cheio de marcas do passado.

Sempre que desamamos alguém estamos a causar-lhe um mal que, sendo imediato, poderá permanecer muito mais tempo do que a própria memória dele.

Importa que cada um de nós, se não for capaz de amar, não desame.

Quem desama procura combater um mal que, estando em si, julga que lhe é exterior.

Face ao desamor que trazemos no coração, importa que saibamos, com toda a certeza, que há algo mais profundo do que essa mágoa. No fundo do nosso coração, bem mais fundo do que as dores em nós, está alguém à espera de ser libertado e… viver de forma plena.

Só quem é capaz de aceitar que muitas das suas dores resultam de ter acreditado em quem lhe mentiu é que se liberta do medo que nasce do desamor e que impede a felicidade.

Ama. Faz-te bem!


José Luís Nunes Martins


quinta-feira, 15 de julho de 2021

Demora-te



Demora-te. Não tem mal algum ainda não estares onde queres estar. Não há nenhum problema ainda não teres alcançado o que tanto desejas. Há tempo para ti. Haverá o momento certo para poderes desfrutar tudo aquilo que sonhas e ambicionas.

Demora-te. Não deixes que as pressas te acelerem o passo. Não permitas que os outros definam prazos de validade. Nunca perderás dignidade mesmo que te digam o contrário. As portas nunca se fecharão por muito que o mundo te possa dizer que "já era altura". Estás dentro do teu ritmo. É isso que tens de saber. É isso que tens de sentir. Entra nesse teu batimento. Aceita-o. E, acima de tudo, aproveita-o com o que és e fazes.

Demora-te. Fica o tempo que precisares. Perde-te. E volta a recomeçar. Sempre. Em todos os dias da tua vida. Não tem de ficar tudo feito pela mesma ordem. Não tem de ser tudo conquistado da mesma forma. Tens, isso sim, de vivenciar tudo como parte de ti. Tens de experienciar com o mais profundo de ti mesmo e reconheceres o que queres, o que procuras.

Demora-te. Sim, demora-te. Encontra-te. Repara bem em todo o teu caminho. Anota tudo de bom e de belo que tens feito e que ateimas em não comemorares. Convence-te que o teu valor não é definido pelo que conquistas ou fazes, mas pelo que és. Pelo que és na vida de tantos e tantas.

Demora-te. Não tens de andar em tempos que não são os teus. Não tens de caminhar com quem já não permanece na estrada da tua vida. É altura de ires ficando. Em tantos outros lugares. Em tantos rostos. É o momento ideal para te demorares mais um pouco.

Demora-te e perceberás, de uma vez por todas, que o caminho da tua existência é único e que o Senhor, teu Deus, jamais te abandonará.

Hoje, antes de caíres na tentação de entrares em correrias que não são as tuas, pergunta- te: quantas vezes permitiste-te demorar?


Emanuel António Dias

quarta-feira, 14 de julho de 2021

Papa teve alta, após 10 dias de internamento

 




(Ecclesia) – O Papa regressou hoje ao Vaticano, após 10 dias de internamento no Hospital Gemelli, de Roma, onde foi operado a um problema no cólon, informa a Santa Sé.


Francisco deixou a instituição ao lado do seu motorista, no carro que habitualmente o transporta nas deslocações em Roma.

Antes do regresso à Casa de Santa Marta, onde reside, o Papa rezou na Basílica de Santa Maria Maior.

Após a alta, o Papa vai recuperar no Vaticano, num mês de julho que, como é habitual, não tem compromissos públicos.

Uma nota da Santa Sé, divulgada esta terça-feira, indicava que Francisco prosseguia os tratamentos e reabilitação para “regressar quanto antes ao Vaticano”; na última tarde, o Papa visitou o serviço de Oncologia Pediátrica, localizado no 10.º andar do Gemelli.

A entrada no hospital aconteceu na tarde de 4 de julho, para uma intervenção cirúrgica ao cólon.

Francisco surgiu este domingo em público, pela primeira vez desde a operação, para presidir à recitação do ângelus.

Antes dessa oração, refere o Vaticano, o Papa quis encontrar-se com pacientes da vizinha enfermaria de Oncologia Pediátrica, com as suas famílias; posteriormente, cumprimentou os pacientes internados no mesmo andar, conversando brevemente com a equipa médica e de enfermagem.

Francisco, de 84 anos de idade, sofria de uma “estenose diverticular grave”, com sinais de diverticulite esclerosante, um problema no cólon.

OC


terça-feira, 13 de julho de 2021

Papa agradece a quem o acompanha na recuperação e sublinha importância dos sistemas de saúde



10.º andar do Hospital Gemelli voltou a acolher recitação do ângelus, 16 anos depois



Roma, 11 jul 2021 (Ecclesia) – O Papa presidiu hoje à recitação do ângelus no Hospital Agostino Gemelli, de Roma, onde se encontra há uma semana, após uma intervenção cirúrgica, agradecendo a acompanha na recuperação e sublinhando a importância dos sistemas de saúde.

“Nestes dias de internamento, experimentei a importância de um bom serviço de saúde, acessível a todos, como é o caso da Itália e de outros países. Um serviço de saúde gratuito, que garanta um bom serviço, acessível a todos. Este precioso bem não deve ser perdido”, referiu Francisco, desde o 10.º andar da instituição, na qual foi operado a um problema no cólon, no último domingo.

O Papa falou de pé, na varanda, surgindo sorridente perante a multidão que o esperava, e foi recebido com uma salva de palmas e gritos de ‘Viva o Papa’.

“Agradeço a todos: tenho sentido muito a vossa proximidade e o apoio das vossas orações. Obrigado, de coração”, disse.

Perante centenas de pessoas reunidas diante do edifício – e falando para milhões de espetadores, através da transmissão online -, o Papa manifestou o seu “apreço e incentivo aos médicos e a todos os profissionais de saúde e funcionários” deste e outros hospitais, que “trabalham tanto”.

“Rezemos por todos os doentes, especialmente pelos que se encontram em condições mais difíceis: que ninguém fique só e todos possam receber a unção da escuta, da proximidade e do cuidado. Peçamo-lo por intercessão de Maria, nossa Mãe, Saúde dos enfermos”, acrescentou.

Francisco esteve acompanhado por crianças internados no Gemelli, como ele.

“Por que sofrem as crianças? É uma pergunta que toca o coração. Acompanhemo-los com a oração”, apelou.

O Papa começou por manifestar-se “feliz” pela possibilidade de poder manter o compromisso da recitação dominical do ângelus, ao meio-dia de Roma.

Na sua reflexão sobre a passagem do Evangelho do dia, que é lida nas Missas de todo o mundo, Francisco sublinhou que os discípulos de Jesus “ungiram muitos enfermos com óleo e curaram-nos” (Mc 6,13).

“Este ‘óleo’ é certamente o sacramento da Unção dos enfermos, que conforta o espírito e o corpo. Mas este ‘óleo’ é também a escuta, a proximidade, a preocupação, a ternura de quem cuida do doente: é como uma carícia que te faz sentir melhor, alivia a dor”, observou.

A intervenção destacou que a proximidade aos doentes é um dos critérios do “julgamento final”, apresentados por Jesus Cristo.


Todos nós, todos, mais cedo ou mais tarde, precisamos dessa ‘unção’ da proximidade e da ternura, e todos podemos dá-la a outra pessoa, com uma visita, um telefonema, uma mão estendida para quem precisa de ajuda”.

Depois de uma semana sem aparições públicas, Francisco foi à janela do seu quarto pedir o “contributo de todos” e um compromisso comum para manter o “bem precioso” dos serviços públicos de saúde.

Foto: Lusa/EPA



O Papa desafiou a Igreja Católica a manter as suas instituições de saúde, resistindo à tentação de “vender” quando surgem dificuldades económicas, para “salvar as instituições gratuitas”.

“A vocação na Igreja é fazer serviço e o serviço é gratuito”, insistiu.

O 10.º andar do Hospital Universitário Agostino Gemelli, que acolhe Francisco, recebeu em várias ocasiões São João Paulo II, a última das quais em 2005, pouco antes da sua morte.

O Papa polaco recuperou nesta instituição após o atentado contra a sua vida, a 13 de maio de 1981, e esteve internado noutras ocasiões, tendo recitado, por várias vezes, a oração do ângelus e ‘Regina Caeli’ desde a instituição de saúde.

OC