As vezes, os conflitos que a vida nos traz, são inevitáveis. Apesar, de que não fomos feitos para andarmos em guerras mas para lutar por aquilo em que nós acreditamos e nos apraz. Deves combater a tua desmotivação e falta de confiança porque são muitos os que vão atentar contra os teus sonhos. Esses que agem assim, como dizia alguém: querem fazer-te refém do derrotismo. Esses são os que não sabem nem conhecem outra forma de te aprisionar na vontade deles, em vez de te deixarem voar e crescer nos teus sonhos. Por isso não sigas nada que não te deixe crescer ou seguir em frente o caminho que traçaste e que eu sei que serás capaz de palmilhar. Não desistas perante as vozes que apenas falam, não porque te querem ajudar, mas essas vozes ecoam porque são pessoas que falam, só porque gostam de se ouvir. Eu sei que falamos muito de pessoas que ferem ou magoam mas também há pessoas que curam, e muitas vezes só com a sua presença. As pessoas que nos curam, não são pessoas isentas de defeitos, mas é a delicadeza dos seus gestos que fazem a diferença. Não precisas ser perfeito no teu agir, até porque nunca o conseguiremos, mas podemos ser autênticos na forma de actuar, ser e estar. O mundo não precisa de perfeição. O mundo precisa de coração. E o mundo precisa do teu.
terça-feira, 30 de agosto de 2022
O mundo precisa de coração
As vezes, os conflitos que a vida nos traz, são inevitáveis. Apesar, de que não fomos feitos para andarmos em guerras mas para lutar por aquilo em que nós acreditamos e nos apraz. Deves combater a tua desmotivação e falta de confiança porque são muitos os que vão atentar contra os teus sonhos. Esses que agem assim, como dizia alguém: querem fazer-te refém do derrotismo. Esses são os que não sabem nem conhecem outra forma de te aprisionar na vontade deles, em vez de te deixarem voar e crescer nos teus sonhos. Por isso não sigas nada que não te deixe crescer ou seguir em frente o caminho que traçaste e que eu sei que serás capaz de palmilhar. Não desistas perante as vozes que apenas falam, não porque te querem ajudar, mas essas vozes ecoam porque são pessoas que falam, só porque gostam de se ouvir. Eu sei que falamos muito de pessoas que ferem ou magoam mas também há pessoas que curam, e muitas vezes só com a sua presença. As pessoas que nos curam, não são pessoas isentas de defeitos, mas é a delicadeza dos seus gestos que fazem a diferença. Não precisas ser perfeito no teu agir, até porque nunca o conseguiremos, mas podemos ser autênticos na forma de actuar, ser e estar. O mundo não precisa de perfeição. O mundo precisa de coração. E o mundo precisa do teu.
segunda-feira, 29 de agosto de 2022
Nunca desistas de ti.
domingo, 28 de agosto de 2022
A humildade, a gratuidade, o amor desinteressado
O Evangelho coloca-nos no ambiente de um banquete em casa de um fariseu. O enquadramento é o pretexto para Jesus falar do "banquete do Reino". A todos os que quiserem participar desse "banquete", Ele recomenda a humildade; ao mesmo tempo, denuncia a atitude daqueles que conduzem as suas vidas numa lógica de ambição, de luta pelo poder e pelo reconhecimento, de superioridade em relação aos outros... Jesus sugere, também, que para o "banquete do Reino" todos os homens são convidados; e que a gratuidade e o amor desinteressado devem caracterizar as relações estabelecidas entre todos os participantes do "banquete". Na nossa sociedade, agressiva e competitiva, o valor da pessoa mede-se pela sua capacidade de se impor, de ter êxito, de triunfar, de ser o melhor... Quem tem valor é quem consegue ser presidente do conselho de administração da empresa aos trinta e cinco anos, ou o empregado com mais índices de venda, ou o condutor que, na estrada, põe em risco a sua vida, mas chega uns segundos à frente dos outros... Todos os outros são vencidos, incapazes, fracos, olhados com comiseração. Vale a pena gastar a vida assim? Estes podem ser os objectivos supremos, que dão sentido verdadeiro à vida do homem?
Na primeira leitura, um sábio dos inícios do séc. II a.C. aconselha a humildade como caminho para ser agradável a Deus e aos homens, para ter êxito e ser feliz. É a reiteração da mensagem fundamental que a Palavra de Deus hoje nos apresenta. Ser humilde significa assumir com simplicidade o nosso lugar, pôr a render os nossos talentos, mas sem nunca humilhar os outros ou esmagá-los com a nossa superioridade. Significa pôr os próprios dons ao serviço de todos, com simplicidade e com amor. Quando somos capazes de assumir, com simplicidade e desprendimento, o nosso papel, todos reconhecem o nosso contributo, aceitam-nos, talvez nos admirem e nos amem... É aí que está a "sabedoria", quer dizer, o segredo do êxito e da felicidade.
A segunda leitura convida os crentes instalados numa fé cómoda e sem grandes exigências, a redescobrir a novidade e a exigência do cristianismo; insiste em que o encontro com Deus é uma experiência de comunhão, de proximidade, de amor, de intimidade, que dá sentido à caminhada do cristão. Aparentemente, esta questão não tem muito a ver com o tema principal da liturgia deste domingo; no entanto, podemos ligar a reflexão desta leitura com o tema central da liturgia de hoje - a humildade, a gratuidade, o amor desinteressado - através do tema da exigência: a vida cristã - essa vida que brota do encontro com o amor de Deus - é uma vida que exige de nós determinados valores e atitudes, entre os quais avultam a humildade, a simplicidade, o amor que se faz dom. A questão fundamental deste texto e do ambiente que o enquadra é propor-nos uma redescoberta da nossa fé e do sentido das nossas opções, a fim de superarmos a instalação, o comodismo e a preguiça que nos levam, tantas vezes, a uma caminhada cristã morna, sem exigências, sem compromissos, que facilmente cede e recua quando aparecem as dificuldades e os desafios...
sábado, 27 de agosto de 2022
O amor não cobra, não exige
Demonstra o teu amor hoje como se estivesses de partida. Nunca percas a oportunidade de demonstrar os teus sentimentos para que as pessoas guardem o melhor de ti. Não adies os teus gestos de afecto, nem os teus sorrisos, porque não sabes se amanhã irás reencontrar essas pessoas que hoje cruzam, vão e vem nos teus caminhos. Um dia sem amor é um dia perdido. Por isso, ama até mesmo aqueles que te querem menos bem, porque o teu amor é teu, e tu podes dá-lo, até mesmo àqueles que acham que não precisam, ou simplesmente não querem porque não sabem o seu significado. Muitos pensam que por ser amados, que o amor cobra um preço e sentem necessidade de retribuir. Não! O amor não cobra, não exige que seja retribuído, o amor, quem o dá de coração, não exige volta, porque o amor é gratuito. Por isso, repito, que um dia sem amor é um dia perdido. É um dia que não volta mais. Viemos ao mundo não apenas para viver, mas viemos ao mundo para viver amando. A nossa vida é mortal, temos uma data de validade, e não sabemos quando expira. Por isso, vive hoje, para que amanhã o teu amor se torne presente, no coração das pessoas , mesmo que tu estejas já ausente.
sexta-feira, 26 de agosto de 2022
ADMIRÁVEL `FESTIVAL´ MUI FERIDO E QUEIXOSO
Entre tantos festivais que por aqui, ali e acolá se vão realizando, e bem, vai acontecer, de 1 a 4 de setembro, mais uma chamada de atenção para aqueloutro de inigualável grandiosidade e qualidade. É um Festival Sinfónico, digamos assim. É permanente e tem inspirado génios e menos génios! Sendo global, cada pessoa de boa vontade, onde quer que esteja e sem pagar entrada, dele pode usufruir e associar-se à sua divulgação, defesa e promoção, ajudando a corrigir as dissonâncias gananciosamente introduzidas e a travar as fífias de quem, não querendo afinar pelo mesmo lamiré, se julga mais competente que o seu compositor e maestro, dispensando-o. A partitura, os acidentes e andamentos musicais, as melodias em variedade imensa de sons e ritmos, as vozes, os instrumentos e instrumentistas das notáveis orquestras em palco estão a ser manipuladas e corrompidas. Muitos dos seus regentes, espalhafatosos e desgrenhados tanto quanto baste a fazer captar o olhar de todos, usam fraca e truculenta batuta, ignorando os avisos da mais alta ciência na matéria em causa. Ou se fazem moucos ou moucaram mesmo, lá diz a mariquinhas! Não há prótese que se lhes ajuste nem desafinação que os demova da sua performance sem verdade interpretativa! A crise climática, a redução da biodiversidade, as crises sanitárias e os conflitos bélicos são prova dessa triste ingerência a reclamar conversão urgente e diária, de todos, não é opcional ou só para os outros. Esta conversão tem de ser individual e familiar; de instituições, comunidades e Estados; de empresas de produção, exploração e lazer; de mercados e consumo; de estilos de vida e duma organização social apoiada mais nas exigências da justiça e do desenvolvimento sustentável do que nas da irresponsabilidade, da indiferença e do desperdício. É uma exigência da vocação de todos a guardiães desta Casa Comum, diz quem sabe e alerta. Se assim não for, as consequências deste deixa-correr serão cada vez mais graves e sofridas. A comunhão universal grita por uma relação diferente de uns com os outros e de todos com a Criação. Mais: usufruir desta imensa e belíssima catedral que é a natureza, dever-nos-á fazer sentir a obrigação de nos associarmos ao seu “grandioso coro cósmico”, e, afinando pelo mesmo diapasão, entoarmos hinos de ação de graças por tanta beleza sem igual.
Instituído pelo Papa Francisco em agosto de 2015, todos os anos, a 1 de setembro, data em que já era comemorado pela Igreja Ortodoxa, vamos celebrar o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, um tempo que terminará a 4 de outubro com a festa de São Francisco de Assis, rezando com ele: «louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas». O Santo Padre, na sua Mensagem para este Dia Mundial, convida-nos a escutar a voz da criação, “um canto doce que louva o nosso amado Criador”, mesmo que acompanhado por um coro de gritos dissonantes e amargos a lamentarem-se dos maus-tratos.
Como refere o Papa, esses gritos amargos surgem de vários cantos e origens: “Primeiro, é a irmã Madre Terra que grita. À mercê dos nossos excessos consumistas, geme implorando para pararmos com os nossos abusos e a sua destruição. Depois gritam as diversas criaturas. À mercê dum «antropocentrismo despótico», nos antípodas da centralidade de Cristo na obra da criação, estão a extinguir-se inúmeras espécies, cessando para sempre os seus hinos de louvor a Deus. Mas gritam também os mais pobres entre nós. Expostos à crise climática, sofrem mais severamente o impacto de secas, inundações, furacões e vagas de calor que se vão tornando cada vez mais intensas e frequentes. E gritam ainda os nossos irmãos e irmãs de povos indígenas. Por causa de predatórios interesses económicos, os seus territórios ancestrais são invadidos e devastados por todo o lado, lançando «um clamor que brada ao céu». Enfim gritam os nossos filhos. Ameaçados por um egoísmo míope, os adolescentes pedem-nos ansiosamente, a nós adultos, que façamos todo o possível para prevenir ou pelo menos limitar o colapso dos ecossistemas do nosso planeta. Escutando estes gritos amargos, devemo-nos arrepender e mudar os estilos de vida e os sistemas danosos”.
Em novembro de 2022, no Egito, vai realizar-se a cimeira COP27 sobre o clima, mais uma oportunidade para promover uma eficaz implementação do Acordo de Paris, limitando o aumento da temperatura a 1,5°C, objetivo que “é bastante árduo e requer uma colaboração responsável entre todas as nações para apresentar planos climáticos ou Contribuições Determinadas a nível nacional mais ambiciosos, para reduzir a zero, com a maior urgência possível, as emissões globais dos gases de efeito estufa”.
Em dezembro próximo também terá lugar a cimeira COP15 sobre a biodiversidade. Será no Canadá e “proporcionará à boa vontade dos Governos uma oportunidade importante para adotarem um novo acordo multilateral para deter a destruição dos ecossistemas e a extinção das espécies”. O Papa Francisco, na referida Mensagem que, aliás, convido a ler, pede que rezemos e convidemos as nações a porem-se de acordo sobre alguns princípios-chave que ele refere e acha se deveriam ter em conta; reitera às grandes empresas mineiras, petrolíferas, florestais, imobiliárias e agroalimentares, “que deixem de destruir florestas, zonas húmidas e montanhas, que deixem de poluir rios e mares, que deixem de intoxicar as pessoas e os alimentos»; solicita às nações que mais têm contribuído para uma maior poluição que paguem essa “dívida ecológica”, realizando “passos mais ambiciosos tanto na COP27 como na COP15” e cumpram “as suas promessas de apoio financeiro e técnico às nações economicamente mais pobres, que já sofrem o peso maior da crise climática”.
D. Antonino Dias- Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 26-08-2022.
Agradecer cada manhã

Depois de muitas quedas, vais descobrir que às vezes, quando tudo dá errado, acontecem coisas tão maravilhosas que jamais teriam acontecido, se tudo tivesse dado certo. Vais perceber que quando te amaste de verdade, pudeste compreender que em qualquer circunstância, tu estavas no lugar certo, na hora certa. Então, aí, podes relaxar, porque irás perceber que o sofrimento emocional, é um sinal de que estás indo contra a tua verdade. Pára de desejar que a tua vida seja diferente, e começa a ver que tudo o que acontece, contribui para o teu crescimento. Desiste de querer ter sempre razão, e com essa atitude irás errar menos vezes. Desiste de ficar a reviver o passado e de te preocupar tanto com o futuro. Se assim agires, isso vai manter-te no presente, que é onde a vida acontece. Luta para descobrir que na vida tens mais é que jogar, viver, porque os tombos são inevitáveis. Percebe que a tua mente pode atormentar-te ou decepcionar-te, mas quando colocas a tua mente ao serviço do coração, ela vai tornar-se uma grande aliada. Percebe também que sem amor, sem carinho, sem amigos verdadeiros, a vida é vazia e torna-se amarga. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensão, e períodos de crise. É agradecer a Deus, cada manhã pelo milagre da vida.
quinta-feira, 25 de agosto de 2022
O amor nasce das imperfeições
Eu não sei se há na vida, alguma coisa mais forte, do que quando alguém chega ao pé de nós naqueles momentos difíceis, pega na nossa mão e diz: eu estou aqui! Caso o teu relacionamento não esteja como gostarias, muda a ideia formada sobre o teu percurso e pensa nas partes positivas. O dia que tu quiseres que o outro seja perfeito , é porque já esqueceste todas as regras do amor. Porque o amor nasce das imperfeições. Muitas vezes, buscamos no parceiro a perfeição mas nem sempre é possível. Amar é reconhecer as imperfeições e aceita-las. Afinal, num relacionamento é importante aceitar o outro por completo e não apenas, a parte que nos convém. Lembra-te que o amor não é prender nem ter domínio sobre alguém, mas consiste em fazer livre a quem se ama e se quer bem. Todo o amor que não promove a liberdade não convém. Muitas pessoas vivem relacionamentos sufocantes, rodeado por ciúme e desconfiança. Isso não é algo saudável para o casal, porque é necessário que cada um tenha confiança no outro. O amor resiste à distância, ao silêncio das separações, às saudades. Sem perdão não há amor. Muitas pessoas terminam relacionamentos por certos acontecimentos. É importante saber que quando há amor de verdade dentro de uma relação é possível sim, perdoar e seguir em frente em busca da felicidade. Na tua vida não tenhas medo de ser fraco, a fraqueza, representa a capacidade de amar. Quando o outro, pelas mais diversas razões, esperar pelo teu ódio, surpreende-o com o teu amor. Palavras erradas costumam magoar para o resto da vida, já o silêncio certo, pode ter a resposta de muitas perguntas. Palavras quando proferidas em momento de raiva e frustração, podem gerar uma situação difícil e causar arrependimento. Por isso, deixa que o tempo se ajeite com o tempo.
quarta-feira, 24 de agosto de 2022
Decepções
Quem nunca teve uma decepção mínima que fosse? Às vezes chega até, a ser patético, pois, passamos pela mesma situação várias vezes, e sempre nos surpreendemos quando somos decepcionados. Sempre esperamos demais das outras pessoas, no amor, na amizade, na paixão, no envolvimento, até das famílias. E com certeza, nós também já decepcionamos alguém. Isso é recíproco. Decepções vão acontecer novamente e a vida continua, segue o seu ciclo. Decepcionaste-te? Fala com alguém, desabafa, chora, grita, descarrega toda a tua dor que este dentro de ti e, então sorri e vê que o mundo não vai acabar por isso. A dor é inevitável, o sofrimento é opcional. Todos os dias devemos mudar. Não quero dizer com isto que temos de mudar o nosso jeito de ser mas devemos querer ser melhores do que somos. Digo-vos que a decepção não mata, ensina a viver. O tempo ensina tudo sem anular nada mas cobra-te tudo o que te ensinou, com novas perguntas onde as respostas não mudaram. A decepção não mata, as pessoas erram e os sentimentos mudam. Vais aprender que a confiança é tudo, que a amizade verdadeira é rara, e que amar realmente não é o mesmo que gostar. Vais aprender que um dia não é uma vida, e que as atitudes revelam personalidades. Por muito que te dediques, sempre existirão pessoas que não reconhecerão o teu valor e mesmo que o reconheçam vão agir como se assim não fosse. Desta forma, aprende que não deves viver para os outros mas sim para ti mesmo. Por isso, te digo: vive em busca dos teus sorrisos, e vive com pessoas que te proporcionem esses sorrisos.
RicardoEsteves.padre
terça-feira, 23 de agosto de 2022
A Alma é a tua Vida
Sabes de onde vem a tua alma? Vem de um lugar onde o tempo não tem o mesmo significado. Onde as pessoas não envelhecem, não adoecem e não morrem. Onde o tempo é eterno. O único desafio da alma é o corpo, que muitas vezes se contradiz com ela, mas ela veio para se fazer presente nesse corpo, acolher e amar. Amar esse corpo relativamente frágil e mortal. A alma vem de um mundo para este mundo para soprar bons ventos no coração, para que te sintas um pouco mais alegre, sintas ânimo, alento, te sintas… com alma! A alma vem de um mundo onde não existem portas, nem janelas, nem paredes, nem prisões. A única separação que existe entre a tua alma e corpo, é muitas vezes a tua falta de fé, principalmente, porque não a escutas. Quando andas tão ocupado com as tuas lamentações, lamentações essas que constroem muros, não te deixando ver mais além. A alma vem de um mundo onde as sementes podem-se transformar em árvores de um momento para o outro, porque não existe o tempo que impede o crescimento. Lembra-te que somos todos visitantes deste tempo e lugar a que chamamos mundo, terra, e estamos só de passagem. A nossa missão é observar, crescer, amar… e depois voltamos para casa! Pensa nisto: o corpo é nada, porque dentro de ti existe um outro “corpo” que é tudo. Um corpo que jamais morre, mas que sucumbe ao ver que te perdes. O corpo é a tua morte, a alma a tua vida.
segunda-feira, 22 de agosto de 2022
Ninguém tem medo do amor
Eu sei que não és tão forte quanto pensas, nem tão fraca quanto temias ser. Podes não ter o passo rápido como gostarias nem paralisas como poderias. Aprendeste a equilibrar-te nos extremos. Se não tens o direito de escolher todos os acontecimentos, posiciona-te de acordo com os factos. No final de contas o que te move não é forte o suficiente para te derrubar, mas é intenso o suficiente para te fazer ir mais além. Sabes, para se fazer a diferença na vida de alguém não precisas ser brilhante ou perfeito. Só é preciso que te importes! Por isso, aprende a tratar como te tratam e a dar a mesma importância que te dão. Quantas oportunidades não desperdiçaste na tua vida, quando o que tu realmente querias era provar a todo o mundo que não precisavas provar nada a ninguém?! Ninguém tem medo do amor, ninguém. Até porque o amor é tudo o que procuramos nesta vida. Do que realmente temos medo é da irresponsabilidade do outro. O que assusta e atormenta é a ideia de ter a saúde emocional e a dignidade destruída depois de termos oferecido o melhor que temos. Se calhar estás na fase, naquela fase da tua vida em que te estás a tornar quem deverias ter sido a vida inteira. Vale a pena pensar nisto.
domingo, 21 de agosto de 2022
SALVAÇÃO
Na primeira leitura, um profeta não identificado propõe-nos a visão da comunidade escatológica: será uma comunidade universal, à qual terão acesso todos os povos da terra, sem excepção. Os próprios pagãos serão chamados a testemunhar a Boa Nova de Deus e serão convidados para o serviço de Deus, sem qualquer discriminação baseada na raça, na etnia ou na origem.
No Evangelho, Jesus - confrontado com uma pergunta acerca do número dos que se salvam - sugere que o banquete do "Reino" é para todos; no entanto, não há entradas garantidas, nem bilhetes reservados: é preciso fazer uma opção pela "porta estreita" e aceitar seguir Jesus no dom da vida e no amor total aos irmãos.
A segunda leitura parece, à primeira vista, apresentar um tema um tanto deslocado e marginal, em relação ao que nos é proposto pelas outras duas leituras; no entanto, as ideias propostas são uma outra forma de abordar a questão da "porta estreita": o verdadeiro crente enfrenta com coragem os sofrimentos e provações, vê neles sinais do amor de Deus que, dessa forma, educa, corrige, mostra o sem sentido de certas opções e nos prepara para a vida nova do "Reino".
No fundo, os sofrimentos e as provas que temos de enfrentar não põem em causa esta certeza fundamental: Deus ama-nos e quer salvar-nos; o sofrimento e as provas permitem-nos, muitas vezes, descobrir essa realidade. Apesar das crises, o cristão nunca deve esquecer o amor de Deus e agradecer por isso. Diante dos sofrimentos, resta-nos agradecer a preocupação desse Deus que, servindo-se dos dramas da vida, nos manifesta o seu amor e nos salva.
sábado, 20 de agosto de 2022
Acreditar
Eu sei que tens dias que bate uma tristeza tão grande, uma vontade de ficar bem quietinha onde os ruídos do mundo não te possam encontrar. Existem dias que as tuas dores antigas dão a cara, uma uma lágrima desliza pelo teu rosto, que tudo parece mais difícil do que realmente é e as saudades parecem ocupar todo o território do teu peito. Eu sei que tens dias que o coração fica apertado e a coragem parece coxear. Esses dias, são dias que a alma precisa de colinho. No fundo, algo me diz que tudo te vai correr bem. Que os teus caminhos são tortos mas a chegada é certa. Sabes? Não fiques triste nem desanimes perante o que de menos bom possas estar a viver, sabes porquê? La na frente tem coisas bonitas à tua espera, basta que acredites! E eu acredito, pois vivo de acreditar e acredito que o que importa mesmo, não são as pedras que encontramos pelo caminho, mas sim as flores que carregamos dentro do coração. Por isso é que digo: estar em paz é um lugar lindo!
sexta-feira, 19 de agosto de 2022
NÃO CONVÉM ACABAR DE INICIAR
A vida vai-se construindo com rotinas sem que deva ser rotineira ou macambúzia. Desde o levantar ao deitar, cada um, nas suas próprias circunstâncias, cumpre os seus ritos habituais, procurando reagir a um certo rame-rame que estupidifica e alabrega. Cada novo dia desafia-nos a viver de cara lavada e com entusiasmo contagiante, com gosto e alegria agradecida, com competência criativa e fidalguia no trato, com atitudes de sentinela vigilante e de arautos destemidos à semelhança dos profetas bíblicos que não tinham medo de fazer acordar para a verdade aqueles que dormiam sossegados na injustiça e na indiferença humilhante. Avaliar o desempenho neste palco da vida onde cada um, com mais ou menos maquiagem e mestria, vai encenando como deve ou quer, como pode ou sabe, faz-nos aprender mais com a consciência dos próprios limites do que com o reconhecimento das capacidades. Admitir os limites torna-nos humildes, coloca-nos a caminho, faz-nos contar com os outros, faz com que nos vamos superando, com que percebamos que, se por aqui não vamos, há que rasgar novas estradas, pois, quem não arrisca, arrisca muito mais... Extasiar-se com as capacidades pode provocar o sentimento de autossuficiência, de poder, de domínio, de superioridade, de acomodação egoísta, de exceção sem igual. E em que é que alguém é mais do que os outros? O que é que alguém possui que não tenha recebido? E se o recebeu, porque se orgulha como se assim não fosse? (cf. 1Cor 4,7) .
Há uma sabedoria que, mais do que as teorias e os saberes, sabe indicar os caminhos da vida. Não aquela sabedoria - aliás, sempre boa e importante! -, que se obtém pela experiência, pelo estudo e conhecimento, mas aquela outra muito mais necessária que brota como dom gratuito quando entramos em nós mesmos e falamos com Aquele que está no segredo: “Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa”(Mt 6,6).
Hoje fala-se muito em discernimento, e bem, é preciso discernir, saber discernir. Ao longo dos tempos, tem havido muita investigação, muitos estudos e publicações sobre o discernimento e a sua importância. Acredito que também terá havido muita dor de cabeça, muitos erros e acertos, na sua aplicação concreta quer sobre o própria pessoa quer sobre os outros. O Papa Francisco não se cansa de falar na necessidade do discernimento. O Sínodo da Família de 2014-2015 falou imensamente da necessidade do discernimento, dedicando até, no seu Documento Conclusivo, um capitulo sobre “acompanhar, discernir e integrar a fragilidade”. O Sínodo de 2018 teve como tema: "Os jovens, a fé e o discernimento vocacional".
Mas, o que é discernir e quais são os verdadeiros critérios para que realmente seja discernimento? Esse é que é o busílis! Mas indo à origem latina, o verbo ‘discernere’ é composto por ‘cernere’ precedido de ‘dis’. ‘Cenere’ significa ver claro, separar, distinguir, avaliar, ajuizar, escolher o que convém, se se deve ou não fazer isto ou aquilo, agora, mais logo ou nunca. O ‘dis’ acrescenta que esse ver claro acontece ‘entre’ várias coisas ou possibilidades. No âmbito da fé, o discernimento espiritual acaba por ser uma virtude, um caminho, uma ação da graça. Não é uma atitude que brota da vontade meramente humana, é um dom do Dom do Espírito Santo. Por ele, a pessoa, nas várias circunstâncias da vida, ainda que difíceis, é levada a ter prioridades, a escolher, a decidir, a optar por aquilo que, em consciência, acha ser o melhor, mesmo que se tenha de renunciar e deixar para trás tantas outras coisas boas e caminhos diferentes. É assim que se procura afinar e agir em conformidade com a vontade de Deus que nem sempre sintoniza com a nossa. O que nos parece mais evidente, mais fácil e cómodo nem sempre é o que nos convém. É por isso que neste processo de discernimento são imprescindíveis a responsabilidade pessoal, a oração e a escuta da Palavra de Deus que se faz ouvir no silêncio, na comunidade, nos outros, nos acontecimentos da vida e da história. Deus não é um desmancha prazeres, nunca se impõe nem deseja telecomandar seja quem for, não faz de nós um títere ou uma marionete. Ele deseja o bem de todos e de cada um, em liberdade responsável. Por isso, apenas sugere, propõe, toca no ombro, desafia, responsabiliza na condução da vida pelas estradas do mundo e oferece-se como amigo e companheiro de viagem, aprendendo d’Ele que é manso e humilde de coração (cf. Mt 11, 29-30).
Como, em tempos, nos recordava o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, São João Clímaco, dentro da tradição cristã, dá-nos uma boa definição do discernimento. Dizia ele: “O discernimento, nos principiantes, é um sobreconhecimento autêntico de si próprio; naqueles que estão a metade do caminho, é um sentido espiritual que distingue infalivelmente o bem autêntico do natural e do seu contrário; nas pessoas espiritualmente amadurecias, é uma ciência infundida por divina iluminação, que é capaz de iluminar com o próprio lume aquilo que nos outros permanece coberto pelas trevas. Talvez, mais em geral, define-se e é discernimento a compreensão segura da vontade de Deus em cada tempo, lugar e circunstância, que está presente só em quem é puro no coração, no corpo e na palavra (…). O discernimento é uma consciência imaculada e uma sensibilidade pura (…)”.
No seu livro “A Arte de recomeçar” (Editorial A.O, 2021, págs. 30-31), Fabio Rosini entende por discernimento “aquela dinâmica que guia interiormente a pessoa que vive diante de Deus, tal como Jesus está diante do Pai. É a orientação profunda do ser. Não é uma escolha isolada, mas subsiste em todas as escolhas. Revela-se nas escolhas, mas não consiste nas escolhas em si mesmas (...) não é uma habilidade. É uma identidade redimida posta em ação, é a relação dos filhos com o Pai que se torna sensibilidade, olhar apurado, olhar afinado”.
O bom discernimento nunca nos deixa acabar de iniciar, não permite que se deixe esmorecer o entusiasmo da primeira hora!
D. Antonino Dias- Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 19-08-2022.
Nem todo o mundo é teu amigo
O primeiro milagre do dia acontece quando abrimos os olhos e nos deparamos com a vida. Mas, cuidado, muitos pecados, geralmente, apresentam-se como grandes oportunidades de satisfazer uma vontade. Quando estiveres cansado de alguém, toma uma boa dose de silêncio e sai sem pagar. São muitos os sentimentos que matamos por aí, mas alguns são em legítima defesa. Nem todo o mundo é teu amigo, só porque está a tua volta e riem contigo, não significa que eles estarão lá por ti. As pessoas fingem bem. A inveja, ás vezes, não está muito longe. Então, conhece o teu círculo e no final de cada dia, situações reais expõe as pessoas falsas. Por isso, presta atenção. Observa as pessoas que realmente estão felizes com a tua felicidade, e as que estão tristes com a tua tristeza. Elas são as únicas que merecem lugares especiais no teu coração. Tudo isto, para te alertar, que nem sempre quem está ao teu lado, está contigo. Ás vezes, é melhor desaparecer e fazer falta, do que estar presente e não significar nada
quinta-feira, 18 de agosto de 2022
O Valor da vida
Às vezes para criar inimigos, não é necessário declarares guerra, basta dizeres o que pensas. Sabes o que seria um sonho bom? Seria que cada pessoa cuidasse apenas da sua própria vida e que as pessoas não julguem o que não sabem ou pensam saber, mas avaliem as pessoas pelo conteúdo do seu caráter. Hoje em dia procuramos os melhores professores para aprender os melhores conteúdos e pagámos bem caro para usufruir de tal sabedoria e ensinamentos. Tudo na vida tem um preço. Mas se fôssemos mais atentos, veríamos que a VIDA e o TEMPO, são os dois maiores professores que temos. Porque a vida ensina-nos a fazer bom uso do tempo, enquanto o tempo nos ensina o verdadeiro valor da vida. Não deixes que o tempo passe, nem que a vida se desgaste no tempo sem que tenhas passado cada prova que a própria vida no tempo te traz. Nem tudo são as lições que queríamos, nem tudo tem a fragrância das rosas. Há provas que sao um todo de dor que toldam a nossa visão. Nesses momentos o cair no chão, não é fraqueza, é dar o corpo e alma à bala que nos abala sem contar. Cair no chão é prova dada de que não fugiste ao tempo que a vida trouxe, porque a vida continua e o tempo ajudar-te-á a levantar. A maior prova não é o enfrentar o que te derruba, a maior prova é usares o tempo para recomeçares a viver. Não te desiludas pelas vezes que cais. Chora! Sim, chora quando caíres mas sorri porque vais a tempo de te voltar a erguer. Jesus caiu a caminho do calvário três vezes, e acredito que a Sua alma coberta de dor e injustiça subiu o calvário rastejando. Mas Ele usou o tempo, esperando o tempo que de novo viveria. Apesar da dor que possas viver, do calvário que tenhas de subir, não temas. A dor glorificar-te-á, se o teu coração estiver na verdade. Um dia muito feliz para todos com Deus no coração
quarta-feira, 17 de agosto de 2022
O que é o ideal?
Quem idealiza demais, perde a oportunidade de viver tudo o que está à sua volta. O que é o ideal? A palavra ideal é aquilo que existe como se fosse uma realidade iluminada que não nos pertence ainda, mas que nos motiva. O sonho muitas vezes é isso! Eu imagino que o que eu sonho possa acontecer na minha vida e vivo à sombra desta imaginação. Às vezes pedimos coisas, mas o que é que estamos a pedir? Será que aquilo que peço, realmente está de acordo com as minhas possibilidades? Particularmente, eu tenho muito medo de sonhar grande demais ao ponto de nunca alcançar o que sonho e viver frustrado por causa disso. Ou, então, sonhar pequeno demais e assim nunca chegar à realização humana que eu posso chegar. Então, o que é que vale a pena na vida? É nós descobrirmos qual é o papel que queremos desempenhar no mundo. Se formos conscientes das nossas possibilidades e limites e houver um autoconhecimento, podemos pedir o que está de acordo com as nossas possibilidades. Não adianta nada pedir por um dom que eu não tenho. Eu não posso pedir absolutamente nada a Deus que eu saiba que é contrário à minha natureza, porque Deus não vai trair a nossa natureza. Somos seres diferentes uns dos outros, dotados de particularidades. O que é que Deus faz crescer então? Aquilo que tu recebeste na particularidade. Nós somos felizes na medida em que equilibramos o ideal e a realidade. Não podemos ficar presos só no ideal nem só na realidade. É assim que nós construímos grandes histórias. Sabias que a génese das frustrações está ligada directamente à inadaptação do sonho? Podemos ter um sonho sem termos a possibilidade de o realizar. Isto é como querer ser surfista no deserto do Sahara. Às vezes, precisamos deslocar-nos para vivermos certos sonhos. Às vezes estamos no lugar errado a viver o sonho certo, outras vezes, estamos no local certo a viver o sonho errado. Nem sempre é preciso mudar os sonhos, basta mudar os momentos e os tempos de os viver. Continua a sonhar sempre porque faz parte da vida humana, mas faz de tudo para descobrir o que é que desse sonho tão grande pode ser feito para ser realizado.
terça-feira, 16 de agosto de 2022
Festas em Honra da Padroeira Nossa senhora de Assunção
Esta segunda-feira foi dia da Paróquia celebrar a sua Padroeira Nossa Senhora da Assunção, com cerimónias religiosas e a tradicional noite de fados na Praça da República.
A Paróquia de Arronches contou com o apoio da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia de Assunção.
Após um intervalo de dois anos, devido à pandemia, a Paróquia retomou a habitual noite de fados, com algumas alterações.
Deu- se início na manhã deste feriado, com Missa na Igreja Matriz, seguida de Procissão acompanhada pela banda de música Euterpe de Portalegre, seguindo pelas principais ruas do centro histórico da vila com passagem pela sede da Junta de Freguesia de Assunção.
As festividades em Honra da Padroeira continuaram à noite com um tradicional espectáculo de fados, a que assistiram algumas dezenas de pessoas.
Deu- se início na manhã deste feriado, com Missa na Igreja Matriz, seguida de Procissão acompanhada pela banda de música Euterpe de Portalegre, seguindo pelas principais ruas do centro histórico da vila com passagem pela sede da Junta de Freguesia de Assunção.
As festividades em Honra da Padroeira continuaram à noite com um tradicional espectáculo de fados, a que assistiram algumas dezenas de pessoas.
A Paróquia de Arronches contou com o apoio da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia de Assunção.
segunda-feira, 15 de agosto de 2022
Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria
Primeira leitura: Maria, imagem da Igreja. Como Maria, a Igreja gera na dor um mudo novo. E como Maria, participa na vitória de Cristo sobre o Mal.
Salmo: Bendita és tu, Virgem Maria! A esposa do rei é Maria. Ela tem os favores de Deus e está associada para sempre à glória do seu Filho.
Segunda leitura: Maria, nova Eva. Novo Adão, Jesus faz da Virgem Maria uma nova Eva, sinal de esperança para todos os homens.
Evangelho: Maria, Mãe dos crentes. Cheia do Espírito Santo, Maria, a primeira, encontra as palavras da fé e da esperança: doravante todas as gerações a chamarão bem-aventurada!
O cântico de Maria descreve o programa que Deus tinha começado a realizar desde o começo, que ele prosseguiu em Maria e que cumpre agora na Igreja, para todos os tempos.
Pela Visitação que teve lugar na Judeia, Maria levava Jesus pelos caminhos da terra. Pela Dormição e pela Assunção, é Jesus que leva a sua mãe pelos caminhos celestes, para o templo eterno, para uma Visitação definitiva. Nesta festa, com Maria, proclamamos a obra grandiosa de Deus, que chama a humanidade a se juntar a ele pelo caminho da ressurreição.
Em Maria, Ele já realizou a sua obra na totalidade; com ela, nós proclamamos: "dispersou os soberbos, exaltou os humildes". Os humildes são aqueles que crêem no cumprimento das palavras de Deus e se põem a caminho, aqueles que acolhem até ao mais íntimo do seu ser a Vida nova, Cristo, para o levar ao nosso mundo. Deus debruça-se sobre eles e cumpre neles maravilhas.
Rezar por Maria.
Frequentemente, ouvimos a expressão: "rezar à Virgem Maria"... Esta maneira de falar não é absolutamente exacta, porque a oração cristã dirige-se a Deus, ao Pai, ao Filho e ao Espírito: só Deus atende a oração. Os nossos irmãos protestantes que, contrariamente ao que se pretende, por vezes têm a mesma fé que os católicos e os ortodoxos na Virgem Maria Mãe de Deus, recordam-nos que Maria é e se diz ela própria a Serva do Senhor.
Rezar por Maria é pedir que ela reze por nós: "Rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte!" A sua intervenção maternal em Caná resume bem a sua intercessão em nosso favor. Ela é nossa "advogada" e diz-nos: "Fazei tudo o que Ele vos disser!"
Rezar com Maria.
Ela está ao nosso lado para nos levar na oração, como uma mãe sustenta a palavra balbuciante do seu filho. Na glória de Deus, na qual nós a honramos hoje, ela prossegue a missão que Jesus lhe confiou sobre a Cruz: "Eis o teu Filho!" Rezar com Maria, mais que nos ajoelharmos diante dela, é ajoelhar-se ao seu lado para nos juntarmos à sua oração. Ela acompanha-nos e guia-nos na nossa caminhada junto de Deus.
Rezar como Maria.
Aprendemos junto de Maria os caminhos da oração. Na escola daquela que "guardava e meditava no seu coração" os acontecimentos do nascimento e da infância de Jesus, nós meditamos o Evangelho e, à luz do Espírito Santo, avançamos nos caminhos da verdade. A nossa oração torna-se acção de graças no eco ao Magnificat. Pomos os nossos passos nos passos de Maria para dizer com ela na confiança: "que tudo seja feito segundo a tua Palavra, Senhor!"
domingo, 14 de agosto de 2022
Fogo do Amor
A Palavra de Deus que hoje nos é servida convida-nos a tomar consciência da radicalidade e da exigência da missão que Deus nos confia. Não há meios-termos: Deus convida-nos a um compromisso, corajoso e coerente, com a construção do "novo céu" e da "nova terra". É essa a nossa missão profética.
A primeira leitura apresenta-nos a figura do profeta Jeremias. O profeta recebe de Deus uma missão que lhe vai trazer o ódio dos chefes e a desconfiança do Povo de Jerusalém: anunciar o fim do reino de Judá. Jeremias vai cumprir a missão que Deus lhe confiou, doa a quem doer. Ele sabe que a missão profética não é um concurso de popularidade, mas um testemunhar, com verdade e coerência, os projectos de Deus.
O Evangelho reflecte sobre a missão de Jesus e as suas implicações. Define a missão de Jesus como um "lançar fogo à terra", a fim de que desapareçam o egoísmo, a escravidão, o pecado e nasça o mundo novo - o "Reino". A proposta de Jesus trará, no entanto, divisão, pois é uma proposta exigente e radical, que provocará a oposição de muitos; mas Jesus aceita mesmo enfrentar a morte, para que se realize o plano do Pai e o mundo novo se torne uma realidade palpável.
O "fogo" que Jesus veio atear - fogo purificador e transformador - já atingiu o meu coração e já transformou a minha vida? Animado pelo Espírito de Jesus ressuscitado, eu já renunciei, de verdade, à vida de egoísmo, de fechamento em mim próprio, de comodismo, para fazer da minha vida um compromisso com o "Reino", se necessário até ao dom da vida?
A segunda leitura convida o cristão a correr de forma decidida ao encontro da vida plena - como os atletas que não olham a esforços para chegar à meta e alcançar a vitória. Cristo - que nunca cedeu ao mais fácil ou ao mais agradável, mas enfrentou a morte para realizar o projecto do Pai - deve ser o modelo que o cristão tem à frente e que orienta a sua caminhada. O cristão é convidado a não perder de vista o exemplo de Cristo. Apesar da tentação, ele nunca cedeu ao mais fácil, ao mais cómodo, ao mais agradável... Para ele, o critério fundamental era o plano do Pai; e o caminho do Pai passava pelo amor radical, pelo dom da vida, pela cruz. No entanto, ele demonstrou que o caminho da entrega da vida não conduz ao fracasso, mas à vida plena... É este o quadro que o cristão deve ter sempre diante dos olhos.
https://www.dehonianos.org/
sábado, 13 de agosto de 2022
UM MÉDICO SANTO NO ENCALÇO DA SÍNDROME DE DOWN

Na Jornada Mundial da Juventude de 1997, em Paris, São João Paulo II fez questão de visitar o seu túmulo. Bento XVI iniciou o seu processo de beatificação. Francisco, em janeiro de 2021, autorizou a promulgação do decreto que reconhece as virtudes heroicas deste médico, a primeira etapa para que o processo da sua beatificação e canonização prossiga os seus trâmites. Servindo-me do Portal da Família, divulgo um pouco da vida deste médico que, em fidelidade ao Juramento de Hipócrates, sempre lutou pelo reconhecimento dos direitos dos mais pequeninos e indefesos, não tendo medo de sacrificar a sua própria carreira por essa causa. Apesar da sua adolescência ter sido marcada pela guerra, ele cresceu no seio de uma família muito unida, mas na qual cada filho desenvolvia as suas capacidades intelectuais com toda a liberdade e da qual ele afirmava: “A minha família foi a maior recompensa recebida na minha vida”.
Estamos a falar do médico e professor francês Jérome Lejeune, nascido em 1926 e falecido em 1994, juntando-se ao número de médicos santos como José Moscati, Paul Dochier, Gianna Beretta Molla, Ladislau Batthyány-Strattmann, Jacques-Désiré Laval e tantos outros que souberam marcar a diferença como fiéis servidores na medicina.
Desejava ser médico de zona rural, mas logo se interessou pelo mongolismo, pelos seus mecanismos e pela caracterização da doença. Descobriu a trissomia do par de cromossomos 21, o que leva à síndrome de Down, uma doença causada por um acidente genético no qual os pais não têm nenhuma responsabilidade. Estabeleceu a ligação entre o índice de capacidade mental e a anomalia cromossómica, abriu as portas à citogenética e à genética moderna. Convencido de que qualquer avanço rumo à cura de uma certa doença cromossómica permitiria curar outras doenças, abriu várias pistas terapêuticas. Revolucionou o mundo da medicina genética com um verdadeiro salto de qualidade.
Investigador de reputação mundial sobretudo no Centro Nacional de Pesquisas Científicas de França e perito internacional para os assuntos relacionados com os efeitos biológicos da radioatividade atómica, estudou mais de 30 mil dossiês cromossómicos e tratou mais de 9 mil portadores de disfunção da inteligência. Foi professor de genética humana na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Beneficiando do Código de Napoleão que abre a possibilidade da carreira universitária a quem faz avançar os conhecimentos de forma notável, ensinou na Faculdade de Medicina de Paris e na Faculdade de Medicina de Necker, ajudou na formação de centenas de pesquisadores de mais de 30 países.
Membro da Academia de Ciências Morais e Políticas de França e da Academia Nacional da Medicina, recebeu o doutoramento honoris causa pelas Universidades de Navarra, de Dusseldorf, de Buenos Aires e do Chile. Foi membro da Academia de Medicina de França, da Academia Real da Suécia, da Academia Pontifícia do Vaticano, da American Academy of Arts and Sciences, da Academia de Lincei (Roma) entre outras. Participou e presidiu a várias comissões internacionais da Nações Unidas e da Organização Mundial da Saúde. Foi o primeiro presidente da Academia Pontifícia para a Vida. Recebeu numerosos prémios, entre eles, o prémio Kennedy, o prémio William Allen Memorial Award e o prémio Griffuel pelos seus trabalhos pioneiros sobre as anomalias cromossómicas no câncer.
Quando desejava ver os frutos das suas pesquisas tornarem possível o avanço da medicina rumo à cura, constata que o seu trabalho estava a ser utilizado para fins que ele desaprovava, como a interrupção da gravidez a quem fosse detetada essa doença. Torna-se então defensor da vida desde a sua conceção, defendendo essas crianças doentes: "Logo que os 23 cromossomos paternos trazidos pelos espermatozoides e os 23 cromossomos maternos trazidos pelo óvulo se unem, está reunida toda a informação necessária e suficiente para a constituição genética do novo ser humano". “O facto de a criança se desenvolver em seguida durante 9 meses no seio da sua mãe, em nada modifica a sua condição humana". Uma vez concebida, é uma pessoa, nada se acrescenta, apenas se desenvolve. “Aceitar o facto de que, após a fecundação, um novo indivíduo começou a existir já não é questão de gosto ou de opinião. A natureza humana do ser humano, desde a conceção até a velhice, não é uma hipótese metafísica, mas sim uma evidência experimental". Referia que «Não é a medicina que se deve temer, mas a loucura dos homens”, e acrescentava: “hoje somos mais poderosos do que outrora, porém menos sensatos: a tecnologia é cumulativa, a sabedoria não é». A qualidade duma civilização mede-se “pelo respeito que ela tem pelos seus membros mais frágeis. Não há outros critérios de julgamento». Pensava "que diante de um feto que corre um risco, não há outra solução senão deixá-lo correr esse risco. Porque, se se mata, transforma-se o risco de 50% em 100% e não se poderá salvar em caso nenhum. Um feto é um paciente, e a medicina é feita para curar... Toda a discussão técnica, moral ou jurídica é supérflua: é preciso simplesmente escolher entre a medicina que cura e a medicina que mata". Não se luta contra a doença suprimindo o doente, devendo a medicina, na sua mais nobre missão e única razão de ser, colocar ao serviço dos pacientes os seus progressos científicos e técnicos.
As suas posições éticas e morais, em defesa da vida e dos indefesos, fizeram-no odiado por aqueles que se atribuem o direito de vida e de morte sobre os seus semelhantes, fizeram-no sofrer e provocaram boicotes na sua carreira. Negaram-lhe os apoios económicos para continuar nas suas pesquisas, os grandes meios de comunicação social deixaram de publicar os seus artigos, foi abandonada a sua participação em programas televisivos, congressos e outras iniciativas da área, até pelos próprios amigos. A ideologia ao serviço da cultura da morte venceu. Hoje, países há que 100% dos bebés com a síndrome são abortados.
Faleceu no sábado da Páscoa de 1994. A sua pessoa foi objeto de numerosas manifestações, de elogios em várias academias de ciência, de discursos de autoridades políticas, científicas e culturais. Milhares de cartas chegaram do mundo inteiro, incluindo uma longa carta do Papa João Paulo II à sua família. Muitos testemunhos chegaram de pais maravilhados com a forma como ele recebia e olhava para essas crianças, levando os pais a olhá-las com um amor renovado: “Ele ensinou-nos a amar a nossa criança”.
D. Antonino Dias Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 12-08-2022.
sexta-feira, 12 de agosto de 2022
Costurar o tempo
Era tão bom poder costurar o tempo. Bordar algo bonito em cima dos erros para que eles desaparecessem. Era bom poder costurar bem pertinho as pessoas que gostamos, costurar o amor verdadeiro no peito de quem amamos, costurar a verdade na boca, costurar a auto-estima bem alto para que ela nunca caia, costurar o perdão na alma e e bondade nas mãos. Costurar o bem sobre o mal, costurar a saúde na doença, e a felicidade em todos os cantos do mundo, e irmos assim costurando a vida. Hoje, estejas o que estiveres a passar, a sentir a dor que sentes, sabe que vai passar… maior do que todos os ventos contrários e mais forte do que qualquer tempestade é o Deus que habita em ti, em mim, em nós. É Ele que nos dá o poder da vida. É Ele que nos encoraja e fortalece. É Ele que nos momentos mais difíceis pega em nós ao colo e aumenta a nossa fé. É Ele que todos os dias nos abençoa e nos coloca de pé. Seja o que for… vai passar!
quinta-feira, 11 de agosto de 2022
"Passar de bestial a besta"
Certamente, a maioria das pessoas, senão todas, conhecem a expressão “passar de bestial a besta”. Por isso, se pensarmos bem, esta máxima é a mais pura realidade e aplica-se como uma luva ao nosso quotidiano. Chegamos a um ponto em que percebemos que dificilmente se pode subir mais na consideração de uma pessoa, ou que alguém pode subir mais na nossa consideração. Mas descer… há! Descer não tem limites! Passar de bestial a besta é algo que acontece numa fração de segundos e depois atingindo o estatuto de besta é sempre possível continuar a descer sem parar. Talvez, por isso, e por que a consideração tem uma estranha tendência para descer, passamos grande parte da nossa vida com a sensação de desilusão em relação aos outros. Bem, talvez a culpa nem seja daqueles a quem chamamos besta, é provável que a culpa até seja nossa, porque fazemos uma má gestão das expectativas. Assim nos tornamos masoquistas emocionais. Afinal de contas, a frase “passar de bestial a besta” já existe há muito tempo por algum motivo. Pedofilia deve ser devidamente punida, condenada, inaceitável, sem margem de dúvidas, aconteça ela onde quer que seja. Pedofilia é matar a vida em vida, é torturar e olhar no olhar de quem a padece a morte silenciosa onde apenas a alma grita em dor atroz. Devemos proteger os inocentes, ser a voz de quem não tem voz, mas não julgar sem prova dada o que apenas uma palavra dita pode mentir ou deturpar. Eu confio em Deus e confio na justiça, e sinto-me indigno de apontar, julgar, até prova em contrário. Devemos ter cuidado com o que dizemos, porque, às vezes, passamos de bestiais a bestas. Discutir este assunto, não é falar ou opinar sobre futebol, é falar de vidas que magoaram, destruíram, quebraram inocências sem peso e medida. Não julguemos sem antes sermos conhecedores da verdade, porque eu acredito na verdade, que a pedofilia é verdade, mas nem tudo o que se diz é como é. Mas sim, ela existe em todo o lado. Não queiramos ser pesados e medidos pelo que dizemos e depois achados sem peso. Apenas peço: respeitem e amem as crianças com o amor que lhes é digno.
RicardoEsteves.padre
quarta-feira, 10 de agosto de 2022
Estar vivo
segunda-feira, 8 de agosto de 2022
Ser autentico.
Parece caricato, eu sei… mas é verdade. Às vezes, precisamos de inimigos novos porque os antigos estão a começar a gostar de nós. Na vida sê tu mesmo, sê fiel a ti próprio, porque todos os outros já existem. Sê autêntico, não queiras ser réplica de tantos outros. É a diversidade que enriquece a humanidade e cria a unidade para quem está disposto a aceitar a diferença. Por isso, ama as pessoas, mas não te apegues demasiado a elas. Um dia, elas podem acordar com novos planos dos quais tu não fazes parte. Maturidade não é envelhecer, é evoluir com os ensinamentos da vida, se olhares para eles, bons ou maus, e souberes retirar uma lição de cada um deles. Sabes o que é maturidade? Maturidade é trocar a intensidade de um viver frenético como se a vida nos fugisse por entre os dedos, pela constância. Maturidade é trocar a aparência pela essência, a ansiedade pela calma, o corpo pela alma, o rancor por amor. Há pessoas, na vida, que encontramos por acaso, outras encontramos porque eram precisas na nossa vida, mas todas elas importantes para o nosso crescimento. Por isso, é que às vezes, temos tudo para “subir” na vida mas a boca atrapalha. Concretiza primeiro o que idealizaste, e deixa que os outros sonhem o que construíste. Eu sei que às vezes, é mais fácil dizer que está tudo bem, do que tentar explicar todas as razões pelas quais não estás. Há coisas que só Deus entende. Um dia muito feliz para todos com Deus no coração
Ricardo Esteves..padre
domingo, 7 de agosto de 2022
FÉ VIGILANTE
A primeira leitura apresenta-nos as palavras de um “sábio” anónimo, para quem só a atenção aos valores de Deus gera vida e felicidade. A comunidade israelita – confrontada com um mundo pagão e imoral, que questiona os valores sobre os quais se constrói a comunidade do Povo de Deus – deve, portanto, ser uma comunidade “vigilante”, que consegue discernir entre os valores efémeros e os valores duradouros.
O tema da liturgia deste domingo gira à volta da “vigilância”. Não se trata de estar sempre com “a alminha em paz”, “na graça de Deus” para que a morte não me surpreenda e eu não seja atirado, sem querer, para o inferno; trata-se de eu saber o que quero, de ter ideias claras quanto ao sentido da minha vida e de, em cada instante, actuar em conformidade. É esta “vigilância” serena, de quem sabe o que quer e está atento ao caminho que percorre, que me é pedida. É esse o caminho que eu tenho vindo a percorrer? A minha vida tem sido uma busca atenta do que Deus quer de mim?
A segunda leitura apresenta Abraão e Sara, modelos de fé para os crentes de todas as épocas. Atentos aos apelos de Deus, empenhados em responder aos seus desafios, conseguiram descobrir os bens futuros nas limitações e na caducidade da vida presente. É essa atitude que o autor da Carta aos Hebreus recomenda aos crentes, em geral.
O autor deste texto convida o crente a confiar firmemente na possessão dos bens futuros, anunciados por Deus, mas invisíveis para já. A nossa caminhada nesta terra está marcada pela finitude, pelas nossas limitações, pelo nosso pecado; mas isso não pode fazer-nos desanimar e desistir: viver na fé é, apesar disso, apontar à vida plena que Deus nos prometeu e caminhar ao seu encontro. É esta esperança que nos anima e que marca a nossa caminhada, sobretudo nos momentos mais difíceis, em que tudo parece desmoronar-se e as coisas deixam de fazer sentido?
O Evangelho apresenta uma catequese sobre a vigilância. Propõe aos discípulos de todas as épocas uma atitude de espera serena e atenta do Senhor, que vem ao nosso encontro para nos libertar e para nos inserir numa dinâmica de comunhão com Deus. O verdadeiro discípulo é aquele que está sempre preparado para acolher os dons de Deus, para responder aos seus apelos e para se empenhar na construção do “Reino”.
A Palavra de Deus que hoje nos é proposta contém uma interpelação especial a todos aqueles que desempenham funções de responsabilidade, quer na Igreja, quer no governo, quer nas autarquias, quer nas empresas, quer nas repartições… Convida cada um a assumir as suas responsabilidades e a desempenhar, com atenção e empenho as funções que lhe foram confiadas. A todos aqueles a quem foi confiado o serviço da autoridade, a Palavra de Deus pergunta sobre o modo como nos comportamos: como servos que, com humildade e simplicidade cumprem as tarefas que lhes foram confiadas, ou como ditadores que manipulam os outros a seu bel-prazer? Estamos atentos às necessidades – sobretudo dos pobres, dos pequenos e dos débeis – ou instalamo-nos no egoísmo e no comodismo e deixamos que as coisas se arrastem, sem entusiasmo, sem vida, sem desafios, sem esperança?
https://www.dehonianos.org/
sábado, 6 de agosto de 2022
Pelos pequenos e médios empresários – O Vídeo do Papa 08 – Agosto de 2022
Pela Rede Mundial de Oração do Papa (Apostolado da Oração): https://www.popesprayer.va/pt-pt/
O amor estraga-te todos os planos
Amar exige uma dedicação tão grande que os nossos projetos são desarrumados quase todos os meses!
Quando amas, tu deixas de ser a tua prioridade. Só tens um caminho. A tua felicidade só é possível se conseguires alcançar a de quem amas. Quantos mais amares, mais assim é.
A vida é um espanto, uma viagem feita de tantos improvisos. Nunca peças o que é impossível, mas prepara-te para tudo, mesmo para o que te parece impossível!
Os nossos planos podem ser belos, contudo a realidade supera-os sempre. O amor não se planeia, é necessário que tenhamos o coração aberto ao que se cria onde nada existia.
Os projetos que fazemos para a nossa vida, por mais organizados que sejam, acabam sempre apenas ensaios. Neste mundo, tudo muda num instante, só o nosso objetivo deve continuar a ser o mesmo! Importa planear, mas ainda é mais importante sermos fiéis a quem somos e não perder a fé na felicidade.
Amar é trazer para o presente todo o futuro. É sentir, num instante concreto, toda a eternidade.
O plano é simples: amar. De nada te valerá tentares dominá-lo, mas tudo poderás se aprenderes a admirá-lo e a servir-te da sua força.
Sê humilde e paciente. Se for preciso sofrer, e vai ser, deixa que o amor te fortaleça, renove, ilumine e oriente. Entrega-te. Não procures tê-lo dentro de ti, busca antes viveres tu no coração do amor.
No fim da tua vida neste mundo, se o amor te tiver baralhado os dias e os anos vezes sem conta, podes ter a certeza de que do outro lado – onde somos avaliados de acordo com o peso do nosso coração – a tua existência será tão importante e preciosa quanto foi aqui.
O amor não tem fim. E tu, se amares, também não!
José Luís Nunes Martins
sexta-feira, 5 de agosto de 2022
A PURIFICAÇÃO DA MEMÓRIA E O PEDIDO DE PERDÃO
A história que se escreve e ensina é, muitas vezes, a história dos que se consideram vencedores, fossem quais fossem os seus objetivos, o pretexto, a estratégia e os meios que usaram. Para valorizar tal façanha e os seus fins, convém que a história seja narrada a enaltecer o seu heroísmo, sirva ao seu endeusamento e deprecie os vencidos como se de formiga branca ou erva daninha se tratasse. A verdade, porém, – ou pelo menos parte dela! -, mais tarde ou mais cedo, sempre vem ao de cima. Só a verdade nos libertará!...
À entrada do terceiro milénio, São João Paulo II escrevia que o ano jubilar se caracterizara pelo pedido de perdão, não só pelas pessoas que se interrogaram sobre a sua própria vida para implorar misericórdia, mas também pela Igreja inteira, “que quis recordar as infidelidades de muitos dos seus filhos que ao longo da história obscureceram o seu rosto de Esposa de Cristo. Há muito que nos predispúnhamos para este exame de consciência, cientes de que a Igreja, contendo pecadores no seu seio, é «simultaneamente santa e sempre necessitada de purificação». Congressos científicos ajudaram-nos a focalizar os aspetos onde, no arco dos primeiros dois milénios, nem sempre brilhou o espírito evangélico. Como esquecer a comovente Liturgia de 12 de Março de 2000 na basílica de S. Pedro, durante a qual, com os olhos fixos no Crucifixo, fiz-me porta-voz da Igreja, pedindo perdão pelo pecado de todos os seus filhos? Esta «purificação da memória» reforçou os nossos passos no caminho para o futuro, tornando-nos ao mesmo tempo mais humildes e vigilantes na nossa adesão ao Evangelho (NMI, 6).
O tempo da purificação da memória continua, vive-se com vergonha e humilhação, mas também com sinceridade, humildade e esperança numa maior fidelidade ao Evangelho. A Igreja sempre se renova, se é humana, é sobretudo divina. Ainda a viver a peregrinação penitencial do Papa Francisco ao encontro dos povos indígenas do Canadá, celebramos, a 9 de agosto, o Dia Internacional dos Povos Indígenas. Serão 370 milhões que lutam pelo reconhecimento dos seus direitos, pelos territórios que habitam e respetivos frutos, pela sua forma de vida que é única. Repartem-se por 90 países, constituindo 5% da população global e 15% do total da população mais pobre, mas culturalmente muito ricos. A falta dos direitos básicos, a colonização, as doenças, a baixa expectativa de vida, a degradação do ambiente, a perseguição, as ameaças territoriais, as deslocações forçadas por conflitos e violências, a discriminação sistemática, a apropriação ilegal das suas terras, as catástrofes naturais e as poucas garantias de verem cumpridos os seus direitos, torna-os excessivamente vulneráveis e ameaçados nas suas formas de vida, cultura e identidade. A Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável prometem não deixar ninguém para trás, mas o processo é lento. Só o querer e a coragem de implementar políticas inclusivas, equitativas e acessíveis a estes povos concretizarão as suas aspirações e os seus direitos. Entre outros direitos, eles são iguais perante os demais povos, não podem sofrer qualquer tipo de discriminação, têm direito à autodeterminação, à nacionalidade própria, à sua integridade física e cultural que deve ser preservada e garantida, inclusive, pelos Estados. Não podem ser removidos à força dos seus territórios que sempre souberam amar, respeitar, guardar e valorizar. Têm o direito de exercer as suas crenças espirituais bem como a utilizar, a promover e a divulgar o seu própria língua, sempre ligada à sua cultura, à sua história, à sua identidade. Quase metade dos 6.700 idiomas do mundo, na maioria indígenas, corre o risco de desaparecer, o que significa uma perda do conhecimento tradicional. O Dia Internacional dos Povos Indígenas é para alertar para esta situação e para que estes povos não tenham os seus direitos básicos ainda mais diminuídos.
Sem poder reparar o mal feito, o Papa Francisco fez da sua recente Visita Pastoral ao Canadá uma peregrinação penitencial: “Vim com espírito penitencial, para vos manifestar o pesar que sentimos no coração, enquanto Igreja, pelo mal que não poucos católicos vos causaram apoiando políticas opressivas e injustas aplicadas a vós. Vim como peregrino, com as minhas limitadas possibilidades físicas, para propiciar mais passos em frente convosco e a vosso favor: para que se prossiga na busca da verdade, para que se progrida na promoção de percursos de cura e reconciliação, para que se continue para diante semeando esperança para as futuras gerações de indígenas e não indígenas que desejam viver juntos (...) Há pouco, escutei vários de vós, ex-alunos das escolas residenciais: obrigado pelo que tiveram a coragem de dizer, contando grandes sofrimentos, que eu não teria imaginado. Isso despertou em mim a indignação e a vergonha que, há meses, me acompanham. Também hoje e aqui quero dizer-vos o grande pesar que sinto; e desejo pedir perdão pelo mal cometido nas escolas por não poucos católicos que contribuíram para as políticas de assimilação cultural e de alforria. Mamianak - lamento. Veio-me ao pensamento o testemunho dum idoso em que descrevia a beleza do clima que reinava nas famílias indígenas antes da chegada do sistema das escolas residenciais (...) Queridos amigos, estamos aqui com a vontade de percorrer, juntos, um itinerário de cura e reconciliação, que, com a ajuda do Criador, nos ajude a projetar luz sobre o que aconteceu e a superar o passado obscuro”.
Francisco também afirmou que, de facto, esta «história de sofrimento e desprezo», originada por uma mentalidade colonizadora, «não se cura facilmente». E alerta-nos para o facto de que «a colonização não para; embora em muitos lugares se transforme, disfarce e dissimule». É o caso das colonizações ideológicas. Se outrora a mentalidade colonialista transcurou a vida concreta das pessoas, impondo modelos culturais pré-estabelecidos, também hoje não faltam colonizações ideológicas que afrontam a realidade da existência, sufocam o apego natural aos valores dos povos, tentando desenraizar as suas tradições, a história e os laços religiosos. Trata-se duma mentalidade que, com a presunção de ter superado «as páginas negras da história», abre espaço à cultura do cancelamento que avalia o passado com base apenas em certas categorias atuais. Assim estabelece-se uma moda cultural que uniformiza, torna tudo igual, não tolera diferenças e concentra-se apenas no momento presente, nas necessidades e direitos dos indivíduos, negligenciando muitas vezes os deveres para com os mais débeis e frágeis: pobres, migrantes, idosos, doentes, nascituros… São eles os esquecidos nas sociedades do bem-estar; são eles que, na indiferença geral, acabam descartados como folhas secas para queimar”.
D. Antonino Dias - Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 05-08-2022.
quinta-feira, 4 de agosto de 2022
Nas férias rezamos-Te melhor

Nas férias dá para Te rezar melhor. Mesmo do lado de fora da Tua casa. Rezamos melhor, porque vivenciamos com maior intensidade todos os momentos da nossa vida. Não há pressa que nos apresse. Podemos finalmente vivenciar tudo o que somos e temos. Deixando que a nossa existência ganhe significado no tempo e no espaço.
Nas férias rezamos-Te mais e melhor. Até quando os dias passam por completo e achamos que não houve tempo para Te rezar. Nas férias a oração ganha um outro sentido (ou se calhar, ganha o verdadeiro sentido). A oração encarna a nossa história. E, para isso, basta que tudo o que somos e fazemos seja entregue a Ti. Desta forma, não só rezamos em Ti como também Tu rezas em nós, pois permitimos que Tu sejas. Em tudo e em todos.
Nas férias rezamos-Te melhor. E, talvez por isso, as férias sejam momento para nos relacionarmos mais intimamente contigo e, de certa forma, oportunidade para aprendermos a rezar com maior leveza e simplicidade, sem nunca cair, obviamente, em algo simplista e leviano.
Rezamos-Te melhor, porque reconhecemos a importância do descanso. Tão benéfico para podermos rejuvenescer e recomeçarmos e tão útil para podermos saborear a Tua presença.
Rezamos-Te melhor, porque contemplamos. Os que se cruzam connosco. Os que se alimentam da nossa presença. Os que dão sentido à nossa existência. E a toda a criação que nos deste como bênção.
Rezamos-Te melhor, porque nos sabemos amados. Amados no toque. No olhar. No convívio. Na partilha de uma mesa cheia de sedentos de Ti e da vida.
Nas férias rezamos-Te melhor. E que nunca nos esqueçamos disto para que, regressando ao nosso quotidiano, possamos levar um pouco das férias à nossa habitual oração.
Aproveito para desejar a todos/as umas ótimas férias. Que neste tempo possam descansar, viajar, sorrir, rezar e amar. Boas férias!
Rezamos-Te melhor, porque nos sabemos amados. Amados no toque. No olhar. No convívio. Na partilha de uma mesa cheia de sedentos de Ti e da vida.
Nas férias rezamos-Te melhor. E que nunca nos esqueçamos disto para que, regressando ao nosso quotidiano, possamos levar um pouco das férias à nossa habitual oração.
Aproveito para desejar a todos/as umas ótimas férias. Que neste tempo possam descansar, viajar, sorrir, rezar e amar. Boas férias!
Emanuel António Dias
quarta-feira, 3 de agosto de 2022
A ditadura do pensamento positivo

Parece não haver espaço para pensar de outra forma que não seja a que rima com otimismo e positividade. Levaram-nos a crer que é errado chorar, que não devemos mostrar o que sentimos e que, se o fizermos, devemos mostrar sempre uma versão bonitinha, sublinhada daquele cor-de-rosa das nuvens que vemos nos desenhos animados.
No entanto, a vida não é nada disso. Não é uma paisagem bonitinha nem simples, na maioria das vezes. Tem escarpas capazes de rasgar joelhos ou almas, trilhos que nos fazem perder o rumo e o norte, armadilhas que nos fazem resvalar todas as certezas e ideias pré-concebidas. É nesses dias que não precisamos que nos digam coisas como:
“não fiques assim”
“olha para o lado bom de tudo isto”
“pensa positivo”
Pensar positivo quando o que se sente é, precisamente, negativo é mascarar com uma mentira aquilo que se diz e que se é.
Pensar positivo como resposta a todos os problemas é, na realidade, criar mais um.
É preciso olhar com respeito para os nossos pensamentos negativos. Para o mau. Para a raiva que pode existir. Para a tristeza. Para o desânimo. E encontrar espaços sérios e seguros dentro de nós para lidar com isto. O pensamento positivo não é, de certeza, uma solução.
A ditadura do positivismo deixa-nos uma sensação de não pertencer, de não estar certo (ou válido) sentir o que sentimos. E essa sensação deixa marcas e feridas que podem, depois, apodrecer e ganhar formas demasiado feias.
Que saibamos pensar positivo quando for tempo disso e que saibamos “pensar negativo” quando sentirmos diferente do bom, da alegria e do que for feliz.
Há espaço para tudo o que és.
Há espaço para tudo o que somos.
Ou, pelo menos, devia haver.
Marta Arrais
terça-feira, 2 de agosto de 2022
«Pobreza…» -

Quando o teu coração anseia pela vaidade, estás a um passo da maior miséria da tua vida.
Ser pobre implica olhar para o menor bem que existe na face da terra e
sentir-se o ser humano mais rico do mundo.
Mas, a vaidade não pode apoderar-se desse coração.
Viver despojado de tudo o que pode alterar a pureza da nossa Alma é almejar as “coisas do Alto”.
“Estuda para teres um futuro melhor do que meu!”
É a frase que marca muitas das nossas infâncias.
A azáfama diária… o ritmo do teu trabalho… as obrigações que uma família impõe…
o querer ter mais… o ambicionar ser o maior de todos…
Será que nos pratos da balança da nossa existência
colocamos a vida sem vaidades nem riquezas e uma vida de oração e pobreza?
Qua terá mais peso!
A liturgia do 18º Domingo do Tempo Comum, do Ano C,
carrega-nos com um dos maiores ensinamentos dO Mestre:
«Vede bem, guardai-vos de toda a avareza:
a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens».
Quanto vale a tua vida?
Não sejas um pobre rico!
Deus tem um plano de vida para ti onde és um rico pobre.
Aquele que é capaz de nada ter, possuirá a misericórdia perante Aquele que tudo cria e tudo conduz.
Não mergulhes num mar de coisas e coisitas que não te dá o sabor doce do sal.
Não te detenhas a respirar escassamente o ar puro das árvores que te oferecem a renovação espiritual.
Não te queiras medir perante a omnipotência de um abraço sincero, de um sorriso que transborda gratidão.
Atira-te para a hipótese remota de viveres por amor para que nasçam infinitos gestos de Amor maior!
Faz da tua vida uma viagem onde todos são ricos, pois vivem numa pobreza diária.
Um dia, um sacerdote numa homília disse:
“Só os pobres têm a coragem de pedir!”
Pede a Deus, nosso Pai, que te afaste da vaidade do mundo
e te conceda a força de viver na loucura da Cruz dO Cristo.
Sê pobre!
segunda-feira, 1 de agosto de 2022
O Papa no Angelus: é bom se tornar rico, mas rico segundo Deus
“Que Nossa Senhora nos ajude a compreender quais são os verdadeiros bens da vida, aqueles que permanecem para sempre”: foi o pedido do Papa à Virgem Maria no Angelus ao meio-dia deste XVIII Domingo do Tempo Comum.
Refletindo sobre a página do Evangelho do dia, Francisco destacou a passagem em Lc 12,13 em que um homem dirige um pedido a Jesus: "Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança". É uma situação muito comum, problemas semelhantes ainda são atuais: quantos irmãos e irmãs, quantos membros da mesma família infelizmente brigam, e talvez não falem mais um com o outro, por causa da herança! - frisou o Papa.
A ganância, uma doença que destrói as pessoas
O Pontífice observou que Jesus, respondendo a este homem, não entra em detalhes, mas vai à raiz das divisões causadas pela posse das coisas, e diz: "Precavei-vos cuidadosamente de qualquer cupidez".
O que é a cobiça? É a ganância desenfreada pelos bens, o querer sempre enriquecer-se. É uma doença que destrói as pessoas, porque a fome de posses gera dependência. Sobretudo aquele que tem tanto nunca se dá por satisfeito: sempre quer mais, e somente para si mesmo. Mas desta forma não é mais livre: é apegado, escravo daquilo que paradoxalmente deveria servir-lhe para viver livre e sereno. Em vez de servir-se do dinheiro, se torna servo do dinheiro. Mas a ganância é uma doença perigosa também para a sociedade: por causa dela chegamos hoje a outros paradoxos, a uma injustiça como nunca antes na história, onde poucos têm muito e muitos têm pouco ou nada. Pensemos também nas guerras e conflitos: o anseio por recursos e riqueza está quase sempre envolvido. Quantos interesses estão por trás de uma guerra! Certamente, um deles é o comércio de armas. Este comércio é um escândalo ao qual não devemos e não podemos nos resignar.
Servir a riqueza é idolatria, é ofender a Deus
Francisco acrescentou que Jesus nos ensina hoje que, no cerne de tudo isso, não há apenas alguns poderosos ou certos sistemas econômicos: há a ganância que está no coração de cada um.
Dito isso, o Santo Padre convidou-nos a refletir sobre algumas perguntas:
Como está meu desapego dos bens, das riquezas? Eu me queixo do que me falta ou sei dar-me por satisfeito com o que tenho? Sou tentado, em nome do dinheiro e das oportunidades, a sacrificar as relações e o tempo para os outros? E mais ainda, me ocorre sacrificar a legalidade e a honestidade no altar da ganância? Eu digo "altar" porque bens materiais, dinheiro, riquezas podem se tornar um culto, uma verdadeira idolatria. Portanto, Jesus nos adverte com palavras fortes. Ele diz que não se pode servir a dois senhores, e - tenhamos cuidado - não diz Deus e o diabo, ou o bem e o mal, mas Deus e as riquezas. Servir-se da riqueza sim; servir a riqueza não: é idolatria, é ofender a Deus.
Francisco acrescentou que Jesus nos ensina hoje que, no cerne de tudo isso, não há apenas alguns poderosos ou certos sistemas econômicos: há a ganância que está no coração de cada um.
Dito isso, o Santo Padre convidou-nos a refletir sobre algumas perguntas:
Como está meu desapego dos bens, das riquezas? Eu me queixo do que me falta ou sei dar-me por satisfeito com o que tenho? Sou tentado, em nome do dinheiro e das oportunidades, a sacrificar as relações e o tempo para os outros? E mais ainda, me ocorre sacrificar a legalidade e a honestidade no altar da ganância? Eu digo "altar" porque bens materiais, dinheiro, riquezas podem se tornar um culto, uma verdadeira idolatria. Portanto, Jesus nos adverte com palavras fortes. Ele diz que não se pode servir a dois senhores, e - tenhamos cuidado - não diz Deus e o diabo, ou o bem e o mal, mas Deus e as riquezas. Servir-se da riqueza sim; servir a riqueza não: é idolatria, é ofender a Deus.
A vida não depende do que se possui
Então – podemos pensar - não se pode desejar ser rico? O Pontífice respondeu: é claro que se pode, de fato, é justo desejá-lo, é bom se tornar rico, mas rico segundo Deus! Deus é o mais rico de todos: é rico em compaixão, em misericórdia. Sua riqueza não empobrece ninguém, não cria brigas e divisões. É uma riqueza que ama dar, distribuir, compartilhar.
Antes de concluir, o Papa lembrou, por fim, o que realmente conta na vida:
Irmãos, irmãs, acumular bens materiais não é suficiente para viver bem, porque - diz Jesus novamente - a vida não depende do que se possui (cf. Lc 12,15). Em vez disso, depende de bons relacionamentos: com Deus, com os outros, e também com aqueles que têm menos. Então, nós nos perguntemos: como eu quero me enriquecer? De acordo com Deus ou de acordo com a minha ganância? E voltando ao tema da herança, que herança eu quero deixar? Dinheiro no banco, coisas materiais, ou pessoas contentes ao meu redor, boas obras que não são esquecidas, pessoas que eu ajudei a crescer e amadurecer?
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