https://www.youtube.com/watch?v=BuSx4t-JDvw&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=1
Na segunda leitura, o apóstolo Paulo apresenta o plano salvador de Deus (aquilo a que ele chama a “sabedoria de Deus” ou o “mistério”). É um projeto que Deus preparou desde sempre “para aqueles que o amam”, que esteve oculto aos olhos dos homens, mas que Jesus Cristo revelou com a sua pessoa, com as suas palavras, com os seus gestos e, sobretudo, com o dom da sua vida até ao extremo. Na cruz onde Jesus entregou a vida vemos – ao vivo e a cores – o amor que Deus tem por nós; nesse amor descobrimos o caminho que leva à salvação, à nossa plena realização. A “sabedoria humana” – que Paulo denuncia – não é necessariamente, à priori, algo mau. Só será algo mau se nos atirar para caminhos de orgulho, de vaidade, de autossuficiência. Ora, muitas vezes é precisamente isso que acontece. Convencidos da nossa importância e da excelência das nossas “qualidades”, julgamos que podemos bastar-nos a nós próprios. Afastamo-nos de Deus, ignoramos as suas propostas, construímos a nossa história de vida à volta dos nossos interesses, dos nossos motivos, das nossas convicções pessoais. Os “mandamentos” de Deus tornam-se, para nós, um empecilho que fazemos questão de ignorar. Achamos também que não precisamos dos outros. Tornamo-nos arrogantes com os nossos irmãos, desprezamo-los e fazemos com que o mundo gire apenas à nossa volta. Acabamos por nos encontrar em caminhos fechados, que não levam a lado nenhum. Não é aí que está a nossa salvação, não é dessa forma que chegaremos à realização plena, não é assim que daremos sentido à nossa vida. Como é que queremos viver?
A primeira leitura diz-nos, no entanto, que somos livres de escolher entre as propostas de Deus (que conduzem à vida e à felicidade) e a nossa autossuficiência (que conduz, quase sempre, à morte e à desgraça). Para aqueles que escolhem a vida, Deus oferece-lhes os seus “mandamentos”: são os “sinais” que mostram o caminho da salvação. De onde vêm os males que sombreiam o caminho e a história dos homens? Resultarão da negligência de um Deus que “não quer saber” dos seus filhos? Serão castigos de Deus por nos termos portado mal e por termos escolhido caminhos inadequados? O problema do mal é complexo e não tem respostas simples. No entanto, a reflexão de Ben Sirá deixa-nos, desde logo, uma certeza: muitos dos males que desfeiam o mundo e que causam sofrimento aos homens provêm das escolhas erradas que fazemos. Deus não castiga, nem “inventa” males para nos travar; mas as nossas opções sem sentido podem resultar em dor e infelicidade para nós e para todos aqueles que caminham ao nosso lado. Se, no exercício da nossa liberdade, escolhermos ignorar as indicações de Deus e avançar por caminhos sem sentido, poderemos atribuir a Deus as culpas pelo dano que isso nos traz?
No Evangelho, Jesus pede aos seus discípulos – àqueles que aceitam a oferta da salvação que Ele traz e se dispõem a caminhar com Ele – que não se limitem a “serviços mínimos”, isto é, ao cumprimento da letra da “Lei”, mas adiram a Deus de todo o coração e busquem a vontade do Pai com paixão, com entusiasmo, com total compromisso. O “sermão da montanha” que Jesus um dia dirige aos discípulos no alto de um monte da Galileia tem por objetivo desafiá-los, fazê-los “ganhar altura”, evitar que eles fiquem atascados numa existência fútil e rasteira, levá-los a caminhar de rosto levantado e de olhos postos nas realidades eternas. Não se trata de evitar que eles sujem os pés e as mãos no pó dos caminhos, ou que reneguem essa fragilidade que é inerente à condição humana; trata-se de oferecer-lhes uma perspetiva elevada do sentido da existência, de forma que eles não se conformem com a mediocridade, as meias tintas, as convicções mornas, as coisas efémeras. Talvez devêssemos ler de vez em quando o “sermão da montanha” para não nos resignarmos à mediania e à banalidade, para não nos instalarmos numa existência cómoda mas sem saída. Somos chamados por Deus à santidade, a um destino transcendente, a uma vocação sublime, a uma felicidade completa e eterna. Não podemos aceitar menos do que isso. Estamos disponíveis para aceitar o desafio de Jesus e para abraçar o dinamismo do Reino de Deus e da sua justiça? Estamos dispostos a “voar alto” e a encontrar um sentido pleno para a nossa existência?
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