sábado, 7 de fevereiro de 2026

MATRIMÓNIOS FELIZES – FILHOS AGRADECIDOS!...

                       

Todos os anos, no segundo Domingo de fevereiro, bem próximo do Dia dos Namorados, celebra-se o Dia Internacional do Matrimónio. Nasceu na década de oitenta do século findo, num grupo de casais do Movimento Encontro Matrimonial. Um movimento de espiritualidade conjugal e familiar já presente em mais de cem países, incluindo Portugal. Este Dia pretende homenagear os casais, celebrar o amor e o diálogo conjugal, destacar a beleza e a importância do compromisso, promover a união familiar vivida em alegria e fidelidade, fortalecer a instituição familiar.
Casamento e Matrimónio, palavras usados como sinónimas, fazem alguma diferença. O Casamento acontece com um ato jurídico, celebrado perante a lei civil, entre um homem e uma mulher, para formalizar a união e definir direitos e obrigações. O Matrimónio, por sua vez, está associado à união sagrada, sacramental. Tem conotações teológicas, espelha o ‘sonho de Deus’ para a humanidade, representa a união de Cristo com a Igreja. Quando só civil, mesmo entre não batizados, o Casamento também é irrevogável, indissolúvel. É uma aliança que, pela lei natural, se destina a durar até à morte de um dos cônjuges. E os filhos agradecem! No início da criação, Deus os fez homem e mulher. O homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua esposa e serão dois numa só carne (cf. Gn 2, 24). Embora assim não se queira entender e a sua história seja complexa, a indissolubilidade vem desde o princípio, funda-se no amor que, por sua natureza, exige compromisso total e definitivo, para bem de cada um dos cônjuges e dos filhos. Mais tarde, Cristo elevou essa união de um homem e de uma mulher ao nível de Sacramento, sendo para a Igreja a lembrança permanente do que aconteceu na cruz. Os esposos “são um para o outro, e para os filhos, testemunhas da salvação, da qual o sacramento os faz participar”.
Na fé, é possível assumir os bens do Matrimónio como compromissos que se podem cumprir melhor com a ajuda da graça do Sacramento. Este, porém, não é uma simples “convenção social, um rito vazio ou o mero sinal externo dum compromisso”. Não é uma ‘coisa’, nem ‘uma força’. Nem se vai buscar ou comprar à Igreja. O Sacramento celebra-se na comunidade e vive-se no quotidiano da vida. Embora a celebração tenha um princípio e um fim, não é um rito passageiro, vazio, uma mera burocracia. É uma graça, uma ação durável, permanente, a sustentar a vida cristã de quem o celebra. Trata-se dum encontro real com Cristo. É o próprio Cristo que “vem ao encontro dos esposos cristãos, fica com eles, dá-lhes a coragem de o seguirem, tomando sobre si a sua cruz, dá-lhes a coragem de se levantarem depois das quedas, de se perdoarem mutuamente, de levarem o fardo um do outro” (cf. AL). É um dom para a santificação e a salvação dos esposos.
No entanto, tudo o que é dom de Deus implica tarefa humana. O dom não age automaticamente. Se a vida é um dom, eu tenho de procurar viver com dignidade, com respeito absoluto pela minha vida e pela vida dos outros. Se a fé é um dom, eu tenho de o alimentar e de o viver de forma coerente, com adesão pessoal a Deus e amor para com o próximo. Se o Sacramento é um dom, um encontro preparado e pessoal na amizade com Cristo, eu devo-o acolher com abertura de coração e aceitar todas as consequências que daí advêm para a transformação da minha vida quotidiana: cristã, familiar e social. Unidos, pois, em Matrimónio, num projeto de vida comum baseado no amor, na fidelidade e no acolhimento, homem e mulher devem assumir como essencial para a sustentação, fortalecimento e vivência dessa união conjugal, deitar mão daqueles meios que Jesus a todos aconselhou: humildade, oração, vigilância, atenção mútua, inserção na comunidade, participação, companheirismo, capacidade de colocar a felicidade do outro acima dos próprios interesses. Trata-se de um ‘sim’ livre e generoso, capaz de superar desafios e dificuldades para construir uma família, uma comunidade de vida e de amor, cuja construção implica paciência, perdão, amadurecimento diário, fortaleza, tempo e graça de Deus. É verdade que sempre surgem dificuldades, problemas, sofrimento. O importante, porém, é que nunca se perca o entusiasmo da primeira hora, que se reaviva a fé e a graça sacramental, que tudo se vá superando, tantas vezes sabendo perder para se ganhar.
A celebração deste Dia pode incluir celebrações religiosas ou civis, a renovação da aliança, a bênção dos casais e iniciativas várias para a valorização da mais pequenina e importante das comunidades humanas. Paralelamente a todas as atividades que envolvam as comunidades, muitas famílias dão continuidade à celebração deste dia, paredes dentro as suas próprias casas. Sabem remar contra a maré, a qual tende a desvalorizar o valor incontornável da família. Vão renovando e fortalecendo aquele interesse pela santificação mútua e pela educação na fé de todos os seus membros, a começar pelos mais pequeninos. Nenhuma família deverá contribuir, com o seu silêncio e a sua falta de testemunho, para que os seus mais próximos não façam a sua experiência de fé, com determinação e alegria.9



D. Antonino Dias
Caminha, 06-02-2026.










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