domingo, 31 de maio de 2020

Os 7 dons do Espírito Santo explicados pelo Papa Francisco



Texto: Editor ChurchPOP

O Catecismo da Igreja Católica diz que: “Os sete dons do Espírito Santo são: sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Em plenitude, pertencem a Cristo, Filho de David. Completam e levam à perfeição as virtudes daqueles que os recebem” (n.1831). Tornam os fiéis dóceis para obedecerem prontamente às inspirações divinas. São Paulo lembra que “Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus […]. Filhos e, portanto herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo” (Rm 8,14.17).

1- Dom de Ciência

O dom da ciência faz que o cristão penetre na realidade deste mundo sob a luz de Deus; vê cada criatura como reflexo da sabedoria do Criador e como caminho a Deus. Leva o homem a compreender o vestígio de Deus que há em cada ser criado. O homem foi feito para Deus e só n’Ele pode descansar, como disse Santo Agostinho. Por este dom o cristão reconhece o sentido do sofrimento e das humilhações no plano de Deus, que liberta e purifica o homem.

2- Dom do Entendimento / Inteligência

O dom do entendimento ou inteligência nos ajuda a penetrar no íntimo das verdades reveladas por Deus e entendê-las. Por ele o cristão contempla os mistérios da fé. É um entendimento diferente daquele que o teólogo obtém pelo estudo; o que é penoso e lento. O dom da inteligência é eficaz mesmo sem estudo; é dado aos pequeninos e ignorantes, desde que tenham grande amor a Deus.
Por esse dom conhecemos os nossos pecados e a nossa miséria. Os santos, quanto mais se aproximaram de Deus, mais tiveram consciência do seu pecado ou da sua distância de Deus.

3- Dom da Sabedoria

O dom da sabedoria nos dá um conhecimento da verdade revelada por Deus. Abrange todos os conhecimentos do cristão e os põe sob a luz de Deus, mostra a grandeza do plano do Criador e a sua omnipotência. Vem da intimidade com o Senhor.

4- Dom do Conselho

O dom do conselho permite ao cristão tomar as decisões oportunas nas horas difíceis da vida, para que se comporte como verdadeiro filho de Deus. Isso, às vezes, exige coragem. Pelo dom do conselho o Espírito Santo nos inspira a maneira correta de agir no momento oportuno. “Todas as coisas têm o seu tempo, e tudo o que existe debaixo dos céus tem a sua hora […]” (Ecl 3, 1-8); fora desse momento preciso, o que é oportuno pode tornar-se inoportuno; nem sempre é fácil discernir se é oportuno falar ou calar, ficar ou partir, dizer “sim” ou dizer “não”.

5- Dom da Piedade

O dom da piedade nos orienta em todas as relações que temos com Deus e com o próximo. São Paulo se refere a isso: “Recebestes o Espírito de adoção filial, pelo qual bradamos: Abbá ó Pai” (Rm 8,15). O Espírito Santo, mediante o dom da piedade, nos faz, como filhos adotivos de Deus, reconhecer Deus como Pai. E, pelo fato de reconhecermos Deus como Pai, consideramos as criaturas com olhar novo. Este dom nos leva a considerar o fato de que Deus é sumamente santo e sábio: “Nós vos damos graças por vossa grande glória”. É o dom da piedade que leva os santos a desejar, acima de tudo, a honra e a glória de Deus. “Para que em tudo seja Deus glorificado”, diz São Bento. E Santo Inácio de Loiola exclama: “Para a maior glória de Deus”. É também o dom da piedade que desperta no cristão a inabalável confiança em Deus Pai, como, por exemplo, Santa Teresinha. Este dom leva o cristão a ver o outro como irmão e a amá-lo como filho de Deus.

6- Dom da Fortaleza

O dom da fortaleza nos dá força para a fidelidade à vida cristã, cheia de dificuldades. Jesus disse que “o Reino dos céus sofre violência dos que querem entrar, e violentos se apoderam dele” (Mt 11,12). Pelo dom da Fortaleza o Espírito Santo nos dá a coragem necessária para a luta diária contra nós mesmos, nossas paixões e problemas, com paciência, perseverança, coragem e silencio. Nos dá forças além das naturais. Esta força divina transforma os obstáculos em meios e nos dá a paz mesmo nas horas mais difíceis. Foi o que levou São Francisco de Assis a dizer: “Irmão Leão, a perfeita alegria consiste em padecer por Cristo, que tanto quis padecer por nós”.

7- Dom do Temor

O dom do temor de Deus nos leva a amá-Lo tão profundamente que tenhamos receio de ofendê-Lo. Nada tem a ver com o temor do mercenário ou o temor do castigo (do escravo); mas é o temor do amor do filho. É a rejeição que o cristão experimenta diante da possibilidade de ofender a Deus; brota das entranhas do amor. Não há verdadeiro amor sem este tipo de temor. Medo de ofender o Amado. Pelo dom do temor de Deus a vitória é rápida e perfeita, pois é o Espírito que move o cristão a dizer “não” à tentação. O dom do temor de Deus está ligado à virtude da humildade, que nos faz conhecer nossa miséria, impede a presunção e a vã glória, e assim, nos torna conscientes de que podemos ofender a Deus; daí surge o santo temor de Deus. Ele se liga também à virtude da temperança; combate a concupiscência e os impulsos desordenados do coração, para não ofender e magoar a Deus.

SOLENIDADE DO PENTECOSTES


https://www.youtube.com/watch?v=oOekEIkfWz0

O tema deste domingo é, evidentemente, o Espírito Santo. Dom de Deus a todos os crentes, o Espírito dá vida, renova, transforma, constrói comunidade e faz nascer o Homem Novo.
O Evangelho apresenta-nos a comunidade cristã, reunida à volta de Jesus ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma comunidade viva, recriada, nova, a partir do dom do Espírito. É o Espírito que permite aos crentes superar o medo e as limitações e dar testemunho no mundo desse amor que Jesus viveu até às últimas consequências.
Identificar-se como cristão significa dar testemunho diante do mundo dos "sinais" que definem Jesus: a vida dada, o amor partilhado. É esse o testemunho que damos? Os homens do nosso tempo, olhando para cada cristão ou para cada comunidade cristã, podem dizer que encontram e reconhecem os "sinais" do amor de Jesus?
Na primeira leitura, Lucas sugere que o Espírito é a lei nova que orienta a caminhada dos crentes. É Ele que cria a nova comunidade do Povo de Deus, que faz com que os homens sejam capazes de ultrapassar as suas diferenças e comunicar, que une numa mesma comunidade de amor, povos de todas as raças e culturas.
Para se tornar cristão, ninguém deve ser espoliado da própria cultura: nem os africanos, nem os europeus, nem os sul-americanos, nem os negros, nem os brancos; mas todos são convidados, com as suas diferenças, a acolher esse projecto libertador de Deus, que faz os homens deixarem de viver de costas voltadas, para viverem no amor. A Igreja de que fazemos parte é esse espaço de liberdade e de fraternidade? Nela todos encontram lugar e são acolhidos com amor e com respeito - mesmo os de outras raças, mesmo aqueles de quem não gostamos, mesmo aqueles que não fazem parte do nosso círculo, mesmo aqueles que a sociedade marginaliza e afasta?
Na segunda leitura, Paulo avisa que o Espírito é a fonte de onde brota a vida da comunidade cristã. É Ele que concede os dons que enriquecem a comunidade e que fomenta a unidade de todos os membros; por isso, esses dons não podem ser usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço de todos.
É preciso ter consciência da presença do Espírito: é Ele que alimenta, que dá vida, que anima, que distribui os dons conforme as necessidades; é Ele que conduz as comunidades na sua marcha pela história. Ele foi distribuído a todos os crentes e reside na totalidade da comunidade. Temos consciência da presença do Espírito e procuramos ouvir a sua voz e perceber as suas indicações? Temos consciência de que, pelo facto de desempenharmos esta ou aquela função, não somos as únicas vozes autorizadas a falar em nome do Espírito?

https://www.dehonianos.org/


sábado, 30 de maio de 2020

A SOLIDÃO NÃO SE MEDE AOS PALMOS

A imagem pode conter: 1 pessoa, óculos graduados e closeup

Por vezes, dentro de uma casa, a solidão mais invisível é a dos jovens. A solidão não se mede aos palmos — isto deve ser explicado a quem pensa que ela está confinada ao mundo dos adultos. É certo que, a partir de certa idade, e de uma sucessão de acontecimentos desamparados com os quais se colide, surge esse coágulo da alma, que luta para se tornar fixo. Não admira que os adultos farejem mais recorrentemente a solidão uns nos outros, lhe reconheçam os códigos, despistem os seus ziguezagues... Mas, por serem adultos, podem também fazer uso de mais recursos internos, de forças que possuam já ou que procurem, para fazer-lhe frente. A vulnerabilidade dos (mais) velhos é ainda outro discurso, porque aí a solidão, não raro, é um eufemismo para ocultar a palavra abandono. E, sobre isso, as nossas sociedades precisariam de refletir melhor. Mas a solidão dos (mais) novos é, porventura, aquela mais submersa, mais enigmática e confusa para os próprios sujeitos, aquela sobre a qual falamos menos. Possivelmente só daqui a muitos anos, por exemplo, vamos perceber como é que a geração das crianças e adolescentes de hoje viveu esta experiência da pandemia, que medos e incertezas se alojaram neles pela primeira vez ou que perguntas sem resposta se fizeram. Só mais adiante compreenderemos o que representou para eles o fecho abrupto das escolas, a distância dos amigos e coetâneos ou este regresso a uma intensidade da família nuclear, que antes talvez não haviam tido. Contou-me uma amiga que um dos filhos à mesa, tentando interpretar a situação extraordinária que a família está a viver, disse: “Acho que estamos aqui a construir memórias.” Todos olharam para ele, espantados com a grandeza inesperada da definição na boca de um fedelho, mas seguramente aquelas palavras corresponderam dentro dele a emoções, a um esforço concreto de aproximação a uma realidade complexa, a um apaziguamento que encontrou quando foi capaz de justificar a estranheza com uma missão que unia — e unirá depois ainda — toda a sua família, pois as memórias são, como se sabe, moedas para ser usadas no país do futuro.
Muitas vezes, quem os vê armados de tecnologia, estirados pela casa, aparentemente fechados nos seus interesses, com a cabeça noutro lado, a responder com monossílabos a frases inteiras não imagina que esse é o modo possível de se protegerem de um mundo que sentem em derrapagem. Que quando vagueiam numa passividade onde só vemos desnorte e indolência eles estejam engolidos, com uma dolorosa reverberação que não captamos, pelo indizível espavento de se terem olhado ao espelho, e de se interrogarem como serão ao acordar no dia seguinte, e no mês seguinte. E que quando parecem implicativos e agressivos estão, a bem dizer, apenas assustados. Nós adultos esquecemo-nos depressa de como as vidas são fragilmente construídas sobre certezas cuja evidência depende da confiança, e que esta é um tão longo e feliz e sofrido caminho.
Ganharíamos tanto se em vez da pressa dos juízos nos déssemos ao trabalho de sintonizar com a solidão dos outros, aprendendo assim a reconciliar-nos com a nossa. A solidão é uma das primeiríssimas experiências de humanidade que fizemos. Lembro aquilo que escreveu a pedopsiquiatra Françoise Dolto: “A solidão dos bebés existe. Eles têm necessidade de que lhes falem, de que lhes cantem, mesmo se ao longe. Ouvem uma voz, não estão completamente sozinhos. O ser humano precisa de companhia. O espaço de um ser humano, desde o nascimento, precisa de ser povoado pela presença psíquica de outro ser para o qual ele existe.”

D.JOSÉ TOLENTINO  MENDONÇA
2020.05.23

sexta-feira, 29 de maio de 2020

COMO TOCHA QUE PASSA DE MÃO EM MÃO


Resultado de imagem para antonino dias

Se o anúncio da partida de Jesus causou tristeza nos apóstolos, Jesus, plenitude da revelação do Pai, foi-lhes dizendo que era importante que Ele partisse, pois, quando fosse, pediria ao Pai que enviasse, em seu nome, o Espírito Santo, o Espírito da Verdade que lhes ensinaria e recordaria tudo quanto Jesus lhes havia dito e os conduziria à verdade plena. Em continuidade com a obra de Jesus Cristo, a pessoa do Espírito Santo, unida indissociavelmente ao Pai e ao Filho, iria garantir a fidelidade dos discípulos e tornar mais humana a família dos homens e a sua história, dando vida, renovando a face da terra. E a promessa de Jesus foi cumprida:
“Quando chegou o dia da festa do Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído semelhante ao de um vento forte que ressoou por toda a casa onde se encontravam. Foram então vistas por eles umas línguas como de fogo, que se espalharam e desceram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.
Encontravam-se em Jerusalém, nessa altura, judeus devotos vindos de todas as nações do mundo. Quando se ouviu aquele ruído, juntou-se muita gente e ficaram todos admirados, porque cada um deles os ouvia falar na sua própria língua. A multidão ficou deveras maravilhada, e diziam uns aos outros: «Estes homens que estão a falar não são todos da Galileia? Como é que cada um de nós os ouve na nossa própria língua? Há aqui gente que veio da Pártia, da Média, do Elam, da Mesopotâmia, da Judeia, da Capadócia, do Ponto, da Ásia, da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia que ficam perto de Cirene. E alguns vieram de Roma. Uns são judeus e outros convertidos à religião judaica. Alguns, ainda, vieram de Creta e outros da Arábia. Todos nós os ouvimos nas nossas próprias línguas falar das coisas maravilhosas que Deus tem feito.» Estavam todos muito admirados, sem saberem o que pensar (...).
Então Pedro levantou-se com os outros onze apóstolos e disse em alta voz à multidão: «Homens da Judeia e todos os que moram em Jerusalém, prestem bem atenção e escutem o que eu vou dizer. Não pensem que estes homens estão bêbedos, pois ainda são nove horas da manhã. O que aqui se passa é aquilo que está escrito no livro do profeta Joel. “Deus diz: Nos últimos dias, espalharei o meu Espírito sobre toda a Humanidade. Os vossos filhos e filhas profetizarão; os jovens terão visões e os velhos terão sonhos. Espalharei o meu Espírito também sobre os meus servos e servas, e eles hão de profetizar em meu nome, naqueles dias (...). Israelitas, escutem estas palavras: Jesus de Nazaré foi um homem que teve a aprovação de Deus diante de todos vós, como viram pelos milagres, maravilhas e coisas extraordinárias que Deus fez por seu intermédio, no vosso meio, como bem sabem. Jesus foi entregue conforme o plano previsto na sabedoria de Deus e vocês mataram-no, crucificando-o por meio de homens iníquos. Porém Deus o ressuscitou livrando-o do poder da morte, porque não era possível que ele fosse dominado por ela (...), e nós somos testemunhas disso. Ele foi glorificado ficando à direita de Deus, que lhe deu o Espírito Santo, como tinha prometido, e enviou-o sobre nós. E isto é o que estão a ver e a ouvir. (...) Portanto, que todo o povo de Israel fique bem ciente que a esse mesmo Jesus, que vocês crucificaram, Deus o fez Senhor e Messias.» Quando ouviram isto, ficaram muito comovidos e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: «Irmãos, que devemos fazer?» Pedro respondeu: «Arrependam-se e cada um seja batizado em nome de Jesus Cristo, para que Deus vos perdoe os pecados. E receberão o dom do Espírito Santo. Pois a promessa de Deus é para vós e para os vossos filhos, e para todos os que estão longe: para todos os que o Senhor, nosso Deus, quiser chamar» (cf. At 2, 1-39).
Nesta Solenidade do Pentecostes, peçamos ao Divino Espírito Santo que derrame sobre nós os dons da Sabedoria, Entendimento, Conselho, Ciência, Fortaleza, Piedade e Temor de Deus, para que, iluminados e fortalecidos nos caminhos da vida, sejamos construtores da unidade na diversidade, e possamos dar os frutos de Caridade, Alegria, Paz, Paciência, Benignidade, Bondade, Longanimidade, Mansidão, Fé, Modéstia, Continência e Castidade.
Pela força do Espírito Santo, a Igreja, com uma experiência de dois mil anos, continua a acompanhar as esperanças da humanidade, transmitindo, como tocha que passa de mão em mão, a começar na família, o Evangelho que é Jesus Cristo. Se há sombras que nos possam causar alguns calafrios, há muitos sinais de esperança, tanto na sociedade civil como na eclesial. E se o caminho percorrido ainda é pouco, não se deve à sonolência do Espírito, mas à dureza do coração humano.

D.Antonino Dias Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 29-05-2020.

Para um regresso seguro às igrejas




quinta-feira, 28 de maio de 2020

Celebrações com presença física retomam dia 31 de Maio

As celebrações com presença física regressam este domingo (31 Maio), nas nossas paróquias.


Queremos garantir a participação do maior número de fiéis em perfeitas condições de segurança e respeito pelas regras de desconfinamento.

Para esta reabertura gradual, foram definidas estritas medidas de prevenção do contágio da Covid-19, com indicações e recomendações relativas à higienização dos espaços, higiene pessoal, etiqueta respiratória, distanciamento físico e proteção individual, junto dos seus colaboradores e espaços/ Igrejas

Dentro dos espaços fechados é obrigatório o uso de máscara e a prévia higienização das mãos.

Nestes espaços, e durante as celebrações, a máscara só deverá ser retirada no momento da comunhão que continuará a ser dada na mão.Fique atento e respeite as indicações dos colaboradores.




quarta-feira, 27 de maio de 2020

Papa convoca Terço Mundial simultâneo com santuários do mundo todo: sábado, 30

VATICAN GARDEN
Isabelle Puaut | Flickr CC BY-NC-ND 2.0

Transmissão ao vivo dos Jardins do Vaticano, em conjunto com santuários do mundo inteiro, pelo fim da pandemia de covid-19

O próximo dia 30 de maio será o último sábado deste mês de Maria, e, nessa ocasião emblemática, o Papa Francisco rezará o Terço na Gruta dos Jardins do Vaticano dedicada a Nossa Senhora de Lourdes, com a intenção de pedir a intercessão de Maria contra a pandemia da covid-19.
Participação simultânea dos santuários

Santuários católicos de todo o mundo se juntarão à oração por meio de transmissão online. O convite do Papa foi oficializado mediante carta aos reitores dos santuários assinada por dom Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização. Evocando o testemunho do livro dos Atos dos Apóstolos, que afirma que “todos se uniram constantemente em oração, juntamente com Maria” (1,14), dom Rino escreveu:

“À luz da situação de emergência causada pela pandemia de coronavírus que provocou a interrupção da atividade normal de todos os santuários e a interrupção de todas as peregrinações, o Papa Francisco deseja expressar um gesto de proximidade a cada um de vocês com a oração do Santo Terço”.

De fato, o Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização se tornou o responsável mundial pelos santuários católicos em 2017

Horário e transmissão

O Terço deste sábado será rezado às 17h30 do horário de Roma (12h30 em Brasília; 16h30 em Lisboa e Luanda; Maputo está no mesmo fuso de Roma).

Embora todos os santuários devam participar simultaneamente, cada um realizará a sua própria oração do Terço na língua local.

Todos transmitirão as suas celebrações compartilhando-as com o Centro de Televisão do Vaticano, que, assim, poderá exibir, alternadamente, imagens locais e de santuários do mundo inteiro.

Já confirmaram participação, entre outros, os santuários europeus de Fátima (Portugal), Lourdes (França), Pompeia (Itália) e Częstochowa (Polônia), bem como os santuários latino-americanos de Guadalupe (México), Aparecida (Brasil) e Luján (Argentina).

O evento poderá ser acompanhado através do site e das redes sociais do Vatican News.
Santuários reabrindo aos poucos

Durante os períodos de quarentena ou distanciamento social decretados pelos diversos governos, a maioria dos santuários católicos ficou fechada ao público.

O de Nossa Senhora de Fátima, em Portugal, pela primeira vez em sua história, não recebeu peregrinos para as celebrações deste último 13 de maio, data da primeira aparição de Nossa Senhora em 1917.

Outros estão retomando a normalidade aos poucos, como o de Nossa Senhora de Lourdes, na França, que reabriu parcialmente no último dia 16.


Redação da Aleteia | Maio 26, 2020

No último domingo de «confinamento», bispos apelam à participação dos fiéis no regresso às celebrações comunitárias


Missas online sublinharam celebrações do Dia Mundial das Comunicações Sociais e da Ascensão de Jesus


Lisboa, 24 mai 2020 (Ecclesia) – As comunidades católicas celebraram o 11.º domingo consecutivo sem Missas comunitárias, devido ao confinamento provocado pela pandemia de Covid-19, com apelos dos bispos diocesanos para preparar o regresso das celebrações com fiéis, nos próximos dias 30 e 31.

“Os bispos tomaram estas medidas de uma maneira absolutamente livre e responsável”, com o apoio das autoridades de saúde, explicou em Lisboa o cardeal-patriarca, D. Manuel Clemente, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

As celebrações dominicais abordaram a festa litúrgica da Ascensão de Jesus, o 54.º Dia Mundial das Comunicações Sociais (DMCS) e o final da semana ‘Laudato Si’, dedicada à encíclica social e ecológica do Papa, assinada há cinco anos.

470 anos depois da elevação de Portalegre a cidade, D. Antonino Dias presidiu à Missa com transmissão através da rede Facebook, pela primeira vez, aludindo a um “tempo de grande sofrimento” que deve ser uma “grande oportunidade para abrir janelas e rasgar portas em direção ao futuro”.

O responsável pela Diocese de Portalegre-Castelo Branco convidou a valorizar a saúde, a proximidade, a beleza da natureza, bem como a “reforçar a importância da família”.

No 54.º DMCS, D. Antonino Dias desejou que todos saibam “construir” a sua história e recusar as que são “tecidas no tear da fantasia e da mentira”.

Apontando ao futuro, o prelado defende que “a vida tem de continuar, com muita esperança e confiança”.
OC



terça-feira, 26 de maio de 2020

TERÇO COM OS CURSILHISTAS DA DIOCESE DE PORTALEGRE - CASTELO BRANCO


Cursistas, no dia 27, pelas 21h, estejamos unidos num só coração e numa só alma, rezando o terço que o nosso diretor espiritual, P. Adelino Cardoso, orientará a partir do facebook, “paróquias do padre Adelino”.


A imagem pode conter: texto

«Laudato Si»: Papa lança ano especial para amplificar «grito da terra e dos pobres»







Encíclica ecológica e social de Francisco assinala quinto aniversário










Cidade do Vaticano, 24 mai 2020 (Ecclesia) – O Papa assinalou hoje no Vaticano o quinto aniversário da sua encíclica ecológica e social ‘Laudato Si’, lançando um ano especial para “chamar a atenção para o grito da terra e dos pobres”.

Francisco destacou o final da semana ‘Laudato Si’, que leva agora a um ano especial de aniversário, “para refletir sobre a encíclica”

“Convido todas as pessoas de boa vontade a aderir, para tomar conta da nossa comum e dos nossos irmãos e irmãs mais frágeis”, apelou, no final da oração do ‘Regina Caeli’, transmitida online.

O ano dedicado à ‘Laudato si’ é promovido pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé), começando com uma “oração comum pela terra e pela humanidade”.

O ano especial conclui-se em 2021 e tem como objetivo principal “propor um compromisso público comum com a sustentabilidade total a ser alcançada em sete anos”.

“Estão envolvidas as famílias, dioceses, ordens religiosas, universidades, escolas, unidades de saúde e o mundo dos negócios, com especial atenção às empresas agrícolas”, anuncia o Vaticano.

Já a ‘Semana Laudato Si’, que se conclui hoje, envolveu paróquias, comunidades religiosas, dioceses, escolas e outras instituições católicas, contando com o apoio do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, o Movimento Católico Global pelo Clima e o Renova+.

A Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, organismo dos bispos católicos em Portugal, destaca, numa nota enviada à Agência ECCLESIA, que a encíclica ‘Laudato Si’ é “uma inspiração” para o momento atual, projetando “um futuro mais justo e sustentável”.

Neste documento, Francisco pede “um olhar diferente, um pensamento, uma política, um programa educativo, um estilo de vida e uma espiritualidade” que consigam resistir ao “avanço do paradigma tecnocrático”.

“Uma ecologia integral requer abertura para categorias que transcendem a linguagem das ciências exatas ou da biologia e nos põem em contacto com a essência do ser humano”, escreve.

O Papa propõe uma mudança de fundo na relação da humanidade com o meio ambiente, alertando para as consequências já visíveis do aquecimento global e das alterações climáticas.

A encíclica defende uma “cidadania ecológica”, para mudar “hábitos nocivos” de consumo e comportamentos “suicidas” da humanidade, rumo a uma “corajosa revolução cultural”.

OC


 

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Dia Mundial das Comunicações Sociais: Papa apresenta Bíblia como «História de histórias»

54.º Dia Mundial das Comunicações Sociais tem como tema «Para que possas contar e fixar na memória’ (Ex 10, 2). A vida faz-se história»



Cidade do Vaticano 24 mai 2020 (Ecclesia) – O Papa escreveu na sua mensagem para o 54.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrada hoje, que a Bíblia é uma “história de histórias”, que apresenta um Deus “simultaneamente criador e narrador”.

“A Bíblia é a grande história de amor entre Deus e a humanidade. No centro, está Jesus: a sua história leva à perfeição o amor de Deus pelo homem e, ao mesmo tempo, a história de amor do homem por Deus”, refere Francisco.

A mensagem tem como tema, em 2020, “‘Para que possas contar e fixar na memória’ (Ex 10, 2). A vida faz-se história”, a partir do livro do Êxodo.

“A experiência do Êxodo ensina-nos que o conhecimento de Deus se transmite sobretudo contando, de geração em geração, como Ele continua a tornar-se presente. O Deus da vida comunica-se, narrando a vida”, assinala.

O homem será chamado, de geração em geração, a contar e fixar na memória os episódios mais significativos desta História de histórias: os episódios capazes de comunicar o sentido daquilo que aconteceu”.

 

Francisco recorda que Jesus falava “não com discursos abstratos, mas com as parábolas, breves narrativas tiradas da vida de todos os dias”.

“Aqui a vida faz-se história e depois, para o ouvinte, a história faz-se vida: tal narração entra na vida de quem a escuta e transforma-a”, indica.

O Papa sustenta que as narrações do Evangelho mantêm a sua atualidade, não se limitando a ser “património do passado”.

“Por obra do Espírito Santo, cada história, mesmo a mais esquecida, mesmo aquela que parece escrita em linhas mais tortas, pode tornar-se inspirada, pode renascer como obra-prima”, escreve.

A mensagem evoca livros como as ‘Confissões’ de Santo Agostinho, o ‘Relato do Peregrino’ de Santo Inácio, a ‘História de uma alma’ de Santa Teresinha do Menino Jesus, os ‘Noivos prometidos’ (Promessi sposi) de Alexandre Manzoni ou os ‘Irmãos Karamazov’ de Fiódor Dostoevskij.

“Inumeráveis outras histórias têm representado admiravelmente o encontro entre a liberdade de Deus e a do homem”, acrescenta.

Francisco estimula os católicos a divulgar histórias que “testemunham o Amor que transforma a vida”, com “todas as linguagens, por todos os meios”.

Em causa, explica, não está um desejo de fazer “publicidade”, mas “testemunhar aquilo que o Espírito escreve nos corações”.

O texto refere ainda que os crentes devem “narrar-se” diante de Deus, colocando-se sob o seu “olhar de amor compassivo”.

O Dia Mundial das Comunicações Sociais foi a única celebração do género estabelecida pelo Concílio Vaticano II, no decreto ‘Inter Mirifica’, em 1963; assinala-se no domingo antes do Pentecostes (24 de maio, em 2020).

A mensagem do Papa é tradicionalmente publicada por ocasião da festa litúrgica de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, no dia 24 de janeiro.

OC

domingo, 24 de maio de 2020

SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR


https://www.youtube.com/watch?v=BzuDuKZ_MQE

 

A Festa da Ascensão de Jesus, que hoje celebramos, sugere que, no final do caminho percorrido no amor e na doação, está a vida definitiva, a comunhão com Deus. Sugere também que Jesus nos deixou o testemunho e que somos nós, seus seguidores, que devemos continuar a realizar o projecto libertador de Deus para os homens e para o mundo.
O Evangelho apresenta o encontro final de Jesus ressuscitado com os seus discípulos, num monte da Galileia. A comunidade dos discípulos, reunida à volta de Jesus ressuscitado, reconhece-O como o seu Senhor, adora-O e recebe d'Ele a missão de continuar no mundo o testemunho do "Reino".
No dia em que fui baptizado, comprometi-me com Jesus e vinculei-me com a comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A minha vida tem sido coerente com esse compromisso?
Na primeira leitura, repete-se a mensagem essencial desta festa: Jesus, depois de ter apresentado ao mundo o projecto do Pai, entrou na vida definitiva da comunhão com Deus - a mesma vida que espera todos os que percorrem o mesmo "caminho" que Jesus percorreu. Quanto aos discípulos: eles não podem ficar a olhar para o céu, numa passividade alienante; mas têm de ir para o meio dos homens, continuar o projecto de Jesus.
O nosso testemunho tem transformado e libertado a realidade que nos rodeia? Qual o real impacto desse testemunho na nossa família, no local onde desenvolvemos a nossa actividade profissional, na nossa comunidade cristã ou religiosa?
A segunda leitura convida os discípulos a terem consciência da esperança a que foram chamados (a vida plena de comunhão com Deus). Devem caminhar ao encontro dessa "esperança" de mãos dadas com os irmãos - membros do mesmo "corpo" - e em comunhão com Cristo, a "cabeça" desse "corpo". Cristo reside no seu "corpo" que é a Igreja; e é nela que Se torna, hoje, presente no meio dos homens.
Dizer que fazemos parte do "corpo de Cristo" significa que devemos viver numa comunhão total com Ele e que nessa comunhão recebemos, a cada instante, a vida que nos alimenta. Significa, também, viver em comunhão, em solidariedade total com todos os nossos irmãos, membros do mesmo "corpo", alimentados pela mesma vida. Estas duas coordenadas estão presentes na nossa existência? 




https://www.dehonianos.org/

sábado, 23 de maio de 2020

Somos do Céu!





Não somos daqui.

Estamos emprestados. Fomos emprestados por um Céu que está muito além do nosso entendimento.

Não somos daqui e ninguém sabe, ao certo, ao que vem nem para que vem.

Ninguém nos diz, quando descemos, que coisas teremos à nossa espera.

Ninguém nos põe uma carta no bolso e nos pede que a abramos, só, e apenas, quando chegarmos à vida e ao caminho que nos esperam.

Não sei bem como explicar isto, mas sei que não somos daqui. Não estamos cá porque calhou. Porque aconteceu. Porque as coisas são assim.

Em primeiro lugar, porque isso não faria qualquer sentido. Ninguém vai a um lugar só porque sim. Sem razão nenhuma. Quando vamos (seja onde for) temos um propósito. Queremos ir. Queremos ver. Queremos conhecer. Queremos encontrar.

Em segundo lugar, porque tenho fé. Acredito que a vida não pode ser um acaso, uma coincidência, um raspar de pele – ao de leve – aqui neste mundo.

Acredito (profundamente) que estamos cá para deixar marca. Para sublinhar o mundo com a nossa existência. Com a nossa presença. Com o nosso carácter. Com a nossa forma de falar. De pensar. De amar. De procurar. De querer. De sonhar. De ousar.

Claro que haverá momentos em que não conseguiremos evitar sublinhar esta terra com as nossas fraquezas, fragilidades, impaciências, mentiras e, até, maldades e desvios de carácter.

Mas o Céu em que eu acredito pede-nos que deixemos marca de paz. De alegria. De ternura. Pede-nos que sejamos raiozinho de sol ao fim do dia; fiozinho de água a correr numa cascata já quase seca; pássaro que esquece as suas asas para salvar outras asas como as suas; folha de árvore que não tem medo de cair, se esse for o seu propósito.

Não somos daqui. Somos do Céu e houve Alguém que nos emprestou e nos quis dar a oportunidade de viver, para os outros e para o mundo, de forma inesquecível.

Não és daqui. Não te esqueças disso um minuto que seja. Ainda vamos a tempo de fazer tudo valer a pena.

Para a Irmã Marta Mendes (ASM)


Marta Arrais

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Comunicado da Diocese




21 de Maio de 2020

Comunicado

Em tempos de confinamento, D. Antonino quis ouvir os Arciprestes e os Vigários sobre os desafios que estes tempos novos levantam às comunidades, às paróquias e ao clero que as servem.

Com recurso a ferramentas digitais, reuniu às 15 horas, pela segunda vez, os cinco Arciprestes e o Vigário Geral.

O Primeiro momento foi para que cada um, na medida do seu conhecimento, partilhasse como está a decorrer o desconfinamento nos Arciprestados.

Depois, cada um falou das suas preocupações no que toca aos trabalhos prévios ao retomar o culto público e a atividade pastoral, tanto quanto possível.

As regras emanadas pela Conferência Episcopal Portuguesa, são as regras par a Diocese, se alguma adaptação for necessária terá como critério a segurança sanitária e o bom senso.

Os sacerdotes que pertencem a grupos de risco, fruto da idade ou de doença, devem ser especialmente cuidadosos no regresso ao culto e às atividades pastorais, dispensando todos os contactos para além do estritamente necessário.

No que toca a velórios, sobretudo porque são omissos no comunicado da CEP, foram partilhadas algumas as preocupações, quer quanto aos com os espaços e a sua manutenção, quando isso é responsabilidade das paróquias, quer quanto à salubridade dos mesmos, depois de horas de velórios e sem qualquer possibilidade de controlar efetivamente quem entra e quem sai, e, por vezes, com mais de um corpo simultaneamente.

Pareceu, onde for possível, ser favorável dissociar a celebração das exéquias do espaço onde o corpo é velado, isto é, onde a celebração das exéquias é costume ser feita no mesmo local do velório, poderá não ser muito prudente, sanitariamente, que isso aconteça, pelo menos enquanto não existir mais clareza quanto à evolução da pandemia. Aconselhou-se a que, se for útil, possa haver algum diálogo com as autoridades locais, para que se possa sintonizar e agir o melhor possível.

Decidiu-se que os Arciprestes e o Vigário Geral concelebrariam a Eucaristia de Ação de Graças a que preside D. Antonino no próximo domingo dia 24, na Catedral de Portalegre, transmitida pela página de Facebook da Diocese.

Ficou também decidido que não temos condições de segurança para realizar a reunião do Conselho Diocesano de Pastoral de 6 de junho, e que a do Conselho Presbiteral será substituída por uma reunião digital que será convocada pelo Secretário para o dia em que está marcada.


                                                                          Nuno Miguel Barradas Tavares Folgado



MÉDICOS ADOTAM TERAPIA HÁ MUITO TESTADA

PARABÉNS, SR. BISPO - Animus Semper

Sejam quais forem as ferramentas que cada pessoa tem de usar no seu trabalho, desde o delicado bisturi ao pincel, do teclado ao tubo de ensaio, do pensamento à vassoura de rua, dos telescópios às panelas da cozinha, da máscara de carnaval à da pandemia (e mais pode acrescentar o leitor!...), seja qual for essa ferramenta, será bom aceitar o conselho de Anselmo de Cantuária: “Ó homem, deixa um momento as tuas ocupações habituais. Entra um instante em ti mesmo, longe do tumulto dos teus pensamentos. Põe de parte os cuidados que te apoquentam e liberta-te agora das inquietações que te absorvem. Entrega-te uns momentos a Deus, descansa por algum tempo na sua presença. Entra no íntimo da tua alma. Remove tudo, exceto Deus e o que te possa ajudar a procurá-lo no silêncio”.
Este autor do século XI aconselha o homem a pedir a Deus que ensine o seu coração a saber onde e como o procurar e encontrar. E coloca o homem a fazer perguntas para saber quem o poderá ajudar, como, com que sinais, com que aspeto poderá ele encontrar Deus!
Li, há dias, no “Ecos do Sameiro”, o testemunho de um jovem médico da Lombardia, Julian Urban, de 38 anos, um dos testemunhos compilados por Gianni Giardinelli, e que, com a devida vénia, aqui transcrevo. Diz ele: “Nunca, nos meus piores pesadelos, eu imaginei ter uma experiência como a que estou a ter, nas últimas semanas, no hospital onde trabalho. O pesadelo continua – o rio está cada vez mais caudaloso. No princípio vieram alguns pacientes, depois, dezenas – por fim, centenas. Neste momento já não somos mais médicos: tornámo-nos uma espécie de ‘classificadores’ na ‘linha de montagem’, decidindo quem vive e quem é enviado para casa para morrer – mesmo aqueles que durante toda a sua vida pagaram os seus impostos ao Estado italiano. Até há duas semanas atrás, eu e os meus colegas éramos ateus; isso era o mais normal, pois como médicos aprendemos que a ciência exclui a presença de Deus. Sempre trocei do facto de os meus pais irem à Igreja. Um pastor, já idoso, de 75 anos, veio ter connosco há 9 dias atrás, era um homem afável, de modos gentis e estava com sérias dificuldades em respirar, mas trazia uma Bíblia consigo e ficámos impressionados com ele ao lê-la aos moribundos, segurando-lhes as mãos. Estávamos todos cansados, desencorajados, física e mentalmente exaustos, quando, finalmente, tivemos tempo para o ouvir. Agora, temos de admitir: como seres humanos chegámos ao limite, não podemos fazer mais – mas as pessoas estão a morrer diariamente, e cada vez mais. E estamos exaustos: dois dos nossos colegas já morreram e há outros que estão infetados. Chegámos à conclusão de que o que quer que seja que o homem pode fazer, precisamos de Deus – e começamos a pedir-Lhe ajuda, sempre que temos alguns minutos disponíveis. Falamos uns com os outros e é incrível como nós, ateus empedernidos, estamos agora diariamente em busca da nossa paz, pedindo ao Senhor para nos ajudar a resistir, a fim de podermos cuidar dos doentes. Ontem, o idoso Pastor de 75 anos morreu – e apesar de termos tido mais de 120 mortes aqui, nas últimas semanas, e estarmos todos exaustos, destruídos, aquele Pastor trouxe-nos paz como nós nunca pensámos ter nesta altura, apesar das nossas condições e dificuldades. O Pastor partiu para estar com o Senhor e bem depressa nós iremos também, seguindo-o se as coisas continuarem como até aqui. Há seis dias que não vou a casa; nem sei quando comi pela última vez e estou a tomar consciência da minha ociosidade na terra. Quero dedicar o meu último sopro de vida a ajudar o meu próximo. Estou feliz porque me voltei para Deus, novamente, rodeado do sofrimento e da morte dos meus concidadãos”.
Eis um exemplo, um sinal, um aspeto pelo qual podemos encontrar Deus. Ele serve-se de tudo para que o possamos encontrar!... É particularmente sensível à vida humana, sejam quais forem os seus caminhos, êxitos e fracassos. Conhece-nos, chama-nos pelo nome, dá ânimo ao cansado e firmeza ao enfraquecido, estende-nos a mão mas sem nos obrigar a que Lhe dêmos a nossa. Porque respeita a liberdade de cada um e cada um nem sempre a sabe usar, o bem e o mal coexistem, o trigo e o joio crescem juntos, lado a lado, até à ceifa (cf. Mt13,24-30). E, se, porventura, nos parece que o mal e o joio predominam, isso não acontece porque Deus é indiferente ou nos abandona. Acontece, sim, porque nós o abandonamos, porque entendemos que a liberdade é fazer o que quero, o que me dá na gana, e não fazer o que devo. Deus não nos esquece, não foge nem se esconde, acompanha-nos, respeitando a nossa liberdade, tantas vezes confundida com libertinagem! Esta atitude de Deus parece-nos estranha. Sim, é estranha! Conforme lemos na Sagrada Escritura, é uma sabedoria demasiado profunda para nós, tão sublime que não temos capacidade para ela (cf. Sl 139,6).
No entanto, Deus, na sua condescendência infinita, deu-nos um sinal por excelência, um sinal para o encontrarmos. Enviou-nos o seu Filho, para nos falar, para nos dar a conhecer o próprio Pai e o seu amor por nós. Para isso, Jesus assumiu a nossa condição humana, trabalhou com mãos humanas, pensou com inteligência humana, agiu com vontade humana, amou com coração humano, tornou-se verdadeiramente um de nós e morreu por cada um de nós, para nos salvar (cf. GS22). Sentiu fome e sede, cansaço e sono, sentiu a dor e a tristeza, a alegria e a traição, a perseguição e o abandono, chorou. Porque sempre falava do Pai e com o Pai, um dia, Filipe, entusiasmado com a conversa de Jesus, saiu-se com esta: “Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta!”. Disse-lhe Jesus: “Há tanto tempo que estou convosco e não me conheces, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como dizes tu: ‘Mostra-nos o Pai!’? Não acreditas que Eu estou no Pai, e o Pai está em mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por mim mesmo; o Pai, que permanece em mim, realiza as suas obras. Acreditai em mim: Eu estou no Pai, e o Pai em mim. Se não, acreditai por causa das obras em si” (Jo 14, 8-11).
Cristo é, de facto, o Sinal, o Sacramento do Pai, o Filho de Deus, o Caminho a conhecer e a trilhar! Quantas vezes Ele já nos terá tocado no ombro!... Quantas vezes teremos feito de conta que não percebemos!... Adotar o conselho que a CP nos dá nas passagens de nível, pode ser um bom método para perceber os sinais que Deus nos vai dando para que não sejamos trucidados pelas rodas da vida: PARE, ESCUTE E OLHE...


D. Antonino Dias  Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 22-05-2020.

Ascensão: sabe que presente Jesus deu para a humanidade ao deixar a Terra?

JESUS' ASCENSION

Os discípulos foram os primeiros a lamentar a ascensão de Jesus ao céu. Eles pensavam que Jesus se tornaria rei de Israel e ficaria com eles por um longo período. Somente depois eles entenderam quais presentes ele deu à humanidade quando deixou a Terra

Se Jesus tivesse permanecido na Terra após sua ressurreição, que prova irrefutável isto seria para os incrédulos! Que conforto para os hesitantes! Que desprezo para os céticos! No entanto, Jesus disse aos seus discípulos: “Digo-vos a verdade: convém a vós que eu vá! Porque, se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for, vo-lo enviarei” (Jo 16, 7). Por que então sua “ausência” pode ser considerada um “presente”?

Jesus se junta a nós de uma nova maneira

A primeira razão é o próprio dom do Espírito Santo. Este Espírito nos torna filhos de Deus. Ele nos faz como Jesus, “nos cristifica”. Pelo dom do Espírito, Jesus compartilha connosco o tesouro de ser Filho: seu relacionamento amoroso com o Pai. A partir de agora, encontramos Jesus não mais fora, mas dentro de nós mesmos, a fim de vivermos por meio dele, como filho e filha de Deus.

Cristo também “se une” a nós de uma nova maneira, na intimidade de nossos corações. Ele então nos assegura que, no dia desta reunião interior, nosso coração estará em alegria, e essa alegria, ninguém será capaz de arrancar de nós (Jo 16, 22).

Jesus abre o caminho para uma autêntica intimidade de amor com ele


A segunda razão nos é dada pela aventura de Maria Madalena. Alguns dias antes da paixão, ela derramou lágrimas nos pés de Jesus. Ela os tocava, os cobriu com beijos e perfume e enxugou-os com seus cabelos. Contudo, na manhã da ressurreição, Jesus disse a essa mesma mulher: “Não me toque!”.
O modo de encontrar Jesus após a ressurreição não é mais o mesmo que no tempo de sua vida terrena. A renúncia a uma reunião “sensível” é a condição essencial para uma reunião na verdade. Esse novo relacionamento ocorre através do ato da fé, e não mais do toque dos sentidos.

Poderíamos até dizer que Jesus não “ficou” entre nós nesta forma corporal, para que pudéssemos viver uma autêntica intimidade de amor com ele. Porque no amor, como sabemos, existem abraços que se separam e distâncias que se reúnem, abraços que se exilam e êxodos que se conectam.

Jesus habita connosco enquanto Eucaristia


A terceira razão nos é dada através da aventura dos discípulos de Emaús. Eles disseram a seu misterioso companheiro: “Fique connosco!”. Então Jesus parou na estalagem, pegou o pão, abençoou e deu a eles. Mas, no momento da comunhão, ele desapareceu dos olhos deles. Ao fazer isso, Jesus respondeu plenamente ao desejo dos discípulos: Cristo realmente mora com eles em forma de Eucaristia.

A sua ausência visível dá lugar à sua presença real, viva e corporal no Santíssimo Sacramento. E agora, seu endereço é o tabernáculo de todas as igrejas da Terra. Porque ele está verdadeiramente connosco, todos os dias até o fim dos tempos! (Mt 28, 20).

Padre Nicolas Buttet
( Aleteia)

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Dia da Espiga

Nenhuma descrição de foto disponível.

Regresso das Celebrações

A imagem pode conter: 1 pessoa, texto

Cubra seus filhos com a proteção de Deus através desta oração bíblica

BLESSED CHILD

Para rezar quando seus filhos forem sair de casa sem si

Quando nossos filhos saem pela porta da frente de casa e deixam o nosso olhar vigilante, é difícil para nós confiar que que eles estarão em boas mãos. O mundo é perigoso e qualquer coisa pode acontecer quando eles estão distantes de nós. Quem nunca pensou assim?
No entanto, nosso coração fica em paz quando confiamos nossas vidas e as de nossos amados a Deus, encarregando-o de proteger nossos filhos de qualquer dano. Se não podemos protegê-los, certamente Ele pode acudi-los em seus braços poderosos.
Abaixo uma oração do livro de Números, que, às vezes, é usada pelos padres durante a liturgia. Como pais e mães, temos a autoridade para abençoar nossos filhos usando palavras semelhantes – e nossa bênção pode ter um profundo efeito sobre eles. Não tenha medo e deixe que seu coração fique à vontade durante a oração, sabendo que, apesar de tudo o que possa acontecer, Deus está no controle.

Reze:

“O Senhor te abençoe e te guarde. O Senhor te mostre a sua face e conceda-te sua graça. O Senhor volva o seu rosto para ti e te dê a paz!” (Números 6, 24-25)

 Pode terminar esta oração fazendo um sinal da cruz na testa do seu filho e acrescentando:

“Que Deus te abençoe e te proteja em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

Philip Kosloski

Aleteia

terça-feira, 19 de maio de 2020

Semana Laudato si: Franciscanos divulgam segunda de nove versões portuguesas do Cântico das Criaturas

Tradução de Frei Aloísio Tomás Gonçalves, franciscano da primeira metade do século XX, dita por Frei António Marques de Castro



https://www.youtube.com/watch?v=61TRulCzQQg


Lisboa, 17 mai 2020 (Ecclesia) – Os Franciscanos portugueses divulgam nove versões do Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis para assinalar a Semana Laudato si.

A segundatradução, divulgada este domingo, é de Frei Aloísio Tomás Gonçalves, franciscano da primeira metade do século XX, autor de uma Vida de S. Francisco de Assis, e é lida por Frei António Marques de Castro

Esta proposta dos Franciscanos consiste no contato com o texto de São Francisco, o «Cântico das Criaturas» “a partir de nove versões portuguesas diferentes (duas são paráfrases), uma para cada dia”, refere uma nota enviada à Agência ECCLESIA.

Foi há 800 anos que o poeta de Assis compôs aquele que é “um dos mais conhecidos poemas religiosos de todos os tempos: o Cântico do Irmão Sol ou Cântico das Criaturas”.

Há cinco anos, o Papa Francisco inspirou-se nele para escrever a encíclica «Laudato si», sobre o cuidado da casa comum.

A primeira versão é de frei Mário Branco, o “maior poeta franciscano português do século XX”, sendo de realçar a sua obra póstuma Sonetos (2002).

Segue-se a de um outro franciscano da primeira metade do século XX, frei Aloísio Tomás Gonçalves, autor de uma Vida de São Francisco de Assis (1928).

Quatro são de alguns dos protagonistas do movimento franciscanófilo português da primeira metade do séc. XX: Jaime de Magalhães Lima, Severo Portela e Afonso Lopes Vieira, que participaram no volume «Em louvor de S. Francisco (1927)», e de Júlio Eduardo dos Santos, autor de «São Francisco de Assis. Versão dos seus opúsculos… (1927)».

Há também a versão de Frei Fernando Félix Lopes, franciscano, historiador e escritor; tradutor dos Opúsculos de S. Francisco (1968); e autor da biografia O Poverello S. Francisco de Assis (1951), com várias edições ao longo da segunda metade do século XX.

As últimas são de “dois grandes poetas portugueses dos nossos dias”: Jorge de Sena e Pedro Tamen, exemplo, entre “muitos outros, dos que se inspiram no poeta de Assis”.

LFS/PR


segunda-feira, 18 de maio de 2020

Hoje celebramos 100 anos do nascimento de São João Paulo II, o “Papa da família”

KAROL WOJTYŁA SENIOR

EAST NEWS
Família de São João Paulo II: o pai Karol, a mãe Emilia e o irmão mais velho Edmundo


Hoje celebramos 100 anos do nascimento de São João Paulo II, o “Papa da família”

KAROL WOJTYŁA SENIOR
EAST NEWS
Família de São João Paulo II: o pai Karol, a mãe Emilia e o irmão mais velho Edmundo
Redação da Aleteia | Maio 18, 2020

Ele, no entanto, perdeu muito cedo a própria família: a mãe aos 9 anos, o irmão aos 12 e o pai aos 21. Um futuro Papa a sós no mundo, mas nunca sozinho.
Neste 18 de maio de 2020, celebramos o centenário de nascimento de São João Paulo II, o “Papa da família”, como foi descrito no dia da sua canonização pelo Papa Francisco.

De fato, a família foi a instituição mais apaixonadamente defendida pelo pontífice polonês, a ponto de ele ter chegado a declarar:

“Em torno da família se trava o combate fundamental da dignidade do homem”.

O amor do Papa Wojtyła pela família vinha de casa. Os seus pais, aliás, acabam de ter aberta, na Polônia, a fase diocesana do seu processo de beatificação.

E é sobre essa família polonesa e católica, sofrida, mas cheia de fé, esperança e amor cristão, que nos fala um artigo especial assinado no Vatican News por Alessandro Gisotti, vice-diretor editorial dos meios de comunicação da Santa Sé.

Gisotti observa que basta ler os dados biográficos básicos da mãe, Emilia, e do pai, Karol, de quem herdou o nome, para se compreender o quanto o testemunho deles influenciou profundamente a personalidade do futuro pontífice, nascido na pequena cidade de Wadowice, no extremo sul da Polônia, em 18 de maio de 1920.
A mãeEAST NEWS

“Sobre o teu túmulo branco florescem as flores brancas da vida. Ah, quantos anos já se foram sem você, quantos anos?”.

Essas palavras tocantes, dedicadas à mãe, foram escritas por Wojtyła em Cracóvia na primavera de 1939. O futuro Papa tinha então 19 anos e já fazia uma década que havia perdido a mãe, quando era apenas um garotinho de 9 anos de idade. Emilia, de saúde muito frágil, tinha vivido uma gravidez muito difícil, que, aliás, os médicos a tinham desaconselhado de levar adiante, e, desde então, passou os 9 anos seguintes entre internações e o progressivo enfraquecimento que a levou desta vida.

Vem do amor materno, inegavelmente, boa parte da profunda sensibilidade de Wojtyła na defesa enfática da vida humana mais frágil, desde a concepção até a morte natural. Foi ele, não custa lembrar, quem beatificou em 1995 e depois canonizou em 2004 a médica e mãe italiana Gianna Beretta Molla, que, para proteger a vida do seu filho nascituro, não hesitou em sacrificar a própria, recusando-se também ela a abortar.
EAST NEWS

Não admira que os cidadãos de Wadowice tenham dedicado a Emilia Kaczorowska Wojtyła uma obra em prol das mulheres que, mesmo no meio de muitas dificuldades, escolheram proteger o fruto da sua maternidade: a Casa da Mãe Sozinha. Em visita à sua terra natal em junho de 1999, João Paulo II declarou sobre essa obra:

“Sou grato por esse grande dom do amor de vocês pelo homem e da solicitude de vocês pela vida. A minha gratidão é tanto maior porque esta casa é dedicada à minha mãe, Emilia. Acredito que aquela que me colocou no mundo e envolveu de amor a minha infância cuidará também desta obra”.
O irmãoPublic Domain

Três anos depois da morte precoce da mãe, outro luto comoveria os Wojtyła: a trágica morte de Edmund, o irmão maior a quem Karol tanto amava e admirava. Médico, Edmund foi arrancado deste mundo com apenas 26 anos, em 1932, porque cuidou de uma jovem doente de escarlatina, uma doença infectocontagiosa aguda, provocada por bactéria, contra a qual não existia vacina na época. Edmund sabia dos riscos, mas, como o Bom Samaritano, priorizou o socorro ao próximo que precisava dele. É uma figura excepcional a ser lembrada neste período de particular heroísmo de tantos médicos e profissionais da saúde que comprometem a própria vida para cuidar dos enfermos de covid-19.

Muitos anos mais tarde, o futuro Papa contaria que a morte do irmão foi um choque profundo, tanto pelas circunstâncias dramáticas em que aconteceu quanto porque ele próprio, Karol, já tinha muito mais consciência da morte do que quando tinha perdido a mãe, na infância. A memória de Karol Wojtyła gravaria para sempre o exemplo do irmão, “mártir do dever”: era Edmund quem mais o encorajava nos estudos; tinha sido Edmund quem o ensinou a jogar bola; era Edmund, junto com o pai, quem cuidava do caçula depois da morte da mãe.
O paiEAST NEWS

Karol tinha apenas 12 anos e já tinha perdido a mãe e o irmão. Restava-lhe, porém, o amado pai, o Karol que lhe dera o seu mesmo nome, um militar de carreira do exército polonês, bom e rigoroso, de fé inabalável apesar das tragédias pessoais, familiares e nacionais. O Karol pai acompanharia o Karol filho até a idade adulta, ajudando a consolidar a sua personalidade e a gerir a própria conduta com base na honestidade, no patriotismo, no amor à Virgem Maria e em outras virtudes humanas e espirituais que se tornariam para ele um “segundo DNA”.

Quando já era Papa, em conversa com o amigo jornalista André Frossard, São João Paulo II testemunhou:

“Meu pai foi admirável. E quase todas as minhas recordações de infância e de adolescência se referem a ele”.

O Papa declarou, ainda, que os muitos sofrimentos vividos tão cedo não fecharam seu pai em si mesmo, mas abriram nele “imensas profundezas espirituais”:

“A dor dele se transformava em oração. O simples fato de vê-lo se ajoelhar teve uma influência decisiva nos meus anos jovens”.

A influência do pai se estendeu também à vocação sacerdotal do filho. Em seu livro autobiográfico “Dom e Mistério”, publicado no seu aniversário de 50 anos de sacerdócio, o Papa contou:

“Não falávamos de vocação ao sacerdócio, mas o exemplo dele foi para mim, de qualquer modo, o primeiro seminário, um tipo de seminário doméstico”.

São João Paulo II também contou, no livro-entrevista “Cruzando o Limiar da Esperança”, escrito com o jornalista italiano Vittorio Messori em 1994, que o pai lhe tinha recomendado uma particular oração ao Espírito Santo:

“Ele me disse para rezá-la diariamente. E, desde aquele dia, procuro fazer isso. Foi assim que eu entendi pela primeira vez o que significam as palavras de Cristo à samaritana sobre os verdadeiros adoradores de Deus, ou seja, sobre aqueles que O adoram em espírito e verdade”.

Os anos da maturidade são decisivos para a sua confiança total no Senhor e na Mãe Santíssima. Karol filho e Karol pai vivem em Cracóvia, onde o jovem estuda na universidade, quando irrompe a ocupação nazista. Os sofrimentos da família se entrelaçam e se fundem com os da pátria polonesa, tornando-se um só.

Aos 21 anos, o futuro Pontífice perde também o pai, que morre na fria noite de inverno de 18 de fevereiro de 1941, talvez o dia mais doloroso da sua vida.
Um jovem futuro Papa a sós no mundo, mas nunca sozinhoAFP Archive

Karol Wojtyła parece ter ficado sozinho no mundo. Na verdade, ele ficou a sós em termos de ausência física dos pais e do irmão, mas, sozinho, ele nunca esteve. Ele sabia que existe uma Esperança que nenhuma doença e nem sequer a morte podem vencer. Ele o sabia justamente por causa do amor e do exemplo dos pais e do irmão, aqueles “santos da porta ao lado”, como diria o Papa Francisco. Santos do dia-a-dia.

Ao longo do caminho da sua existência, do seu peregrinar pelo mundo anunciando o Evangelho, Karol Wojtyła sempre manteve a família consigo. Assim como sua mãe, ele defendeu a vida corajosamente. Assim como seu irmão, ele se doou ao próximo até o fim. Assim como seu pai, ele não teve medo, porque abriu, ou melhor, escancarou as portas para Cristo.

Neste 18 de maio de 2020, marcado mundialmente pela pandemia de covid-19, a celebração dos 100 anos do nascimento de São João Paulo II é um lembrete de que sempre podemos cruzar o limiar da esperança.

“Não tenham medo! Abram, ou melhor, escancarem as portas para Cristo!” (São João Paulo II, discurso de inauguração do pontificado, 22 de outubro de 1978).
____________

A partir de artigo de Alessandro Gisotti no Vatican News