sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

JORNALISTAS COMUNICADORES DE ESPERANÇA

 


Francisco publicou a habitual Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, o qual vamos celebrar a 1 de junho. Num tempo ‘marcado pela desinformação’ e no qual ‘alguns centros de poder controlam uma grande massa de dados e de informações’, o Papa convida os jornalistas, e afins, a serem comunicadores de esperança, consciente que está de quão importante e necessário é o seu ‘compromisso corajoso’ e a sua ‘responsabilidade pessoal e coletiva para com o próximo’.
Começa por referir que, atualmente, “com demasiada frequência, a comunicação não gera esperança, mas sim medo e desespero, preconceitos e rancores, fanatismo e até ódio. Muitas vezes, simplifica a realidade para suscitar reações instintivas; usa a palavra como uma espada; recorre mesmo a informações falsas ou habilmente distorcidas para enviar mensagens destinadas a exaltar os ânimos, a provocar e a ferir. Já várias vezes insisti na necessidade de “desarmar” a comunicação, de a purificar da agressividade. Nunca dá bom resultado reduzir a realidade a slogans. Desde os talk shows televisivos até às guerras verbais nas redes sociais, todos constatamos o risco de prevalecer o paradigma da competição, da contraposição, da vontade de dominar e possuir, da manipulação da opinião pública”.
E refere ainda outro fenómeno que ele considera preocupante e a cuja lógica não nos podemos render: “poderíamos designá-lo como a ‘dispersão programada da atenção’ através de sistemas digitais que, ao traçarem o nosso perfil de acordo com as lógicas do mercado, alteram a nossa perceção da realidade. Acontece portanto que assistimos, muitas vezes impotentes, a uma espécie de atomização dos interesses, o que acaba por minar os fundamentos do nosso ser comunidade, a capacidade de trabalhar em conjunto por um bem comum, de nos ouvirmos uns aos outros, de compreendermos as razões do outro. Parece que, para a afirmação de si próprio, seja indispensável identificar um “inimigo” a quem atacar verbalmente. E quando o outro se torna um “inimigo”, quando o seu rosto e a sua dignidade são obscurecidos de modo a escarnecê-lo e ridicularizá-lo, perde-se igualmente a possibilidade de gerar esperança”.
Baseando-se na Primeira Carta de São Pedro, Francisco relaciona a esperança com o testemunho e a comunicação cristã, sugerindo três importantes mensagens dessa passagem, onde se lê: «no íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça; com mansidão e respeito» (cf. 3, 15-16).
Que mensagens, então, são essas? Antes de mais, a de saber que a esperança dos cristãos tem um rosto, 'o rosto do Senhor ressuscitado', cuja presença entre nós nos permite 'esperar contra toda a esperança', mesmo quando tudo parece desmoronar-se. A segunda mensagem é a de estar dispostos a dar razões da esperança 'a todo aquele que vo-la peça', fazendo ressoar a beleza do amor de Deus e levando os outros a perguntar: 'porque é que viveis assim? Porque é que sois assim?'. A terceira mensagem é que a resposta a este pedido deve ser dada 'com mansidão e respeito', 'com proximidade'. Jesus, o comunicador por excelência, também se fez próximo e companheiro dos discípulos de Emaús, fazendo-lhes 'arder os corações através do modo como interpretava os acontecimentos à luz das Escrituras'.
Precisa-se de uma comunicação que fale ao coração, que suscite atitudes de abertura à amizade, que gere empatia e empenho, que aposte 'na beleza e na esperança mesmo nas situações aparentemente mais desesperadas’, que ‘não venda ilusões ou medos’, mas ajude a 'reconhecer a dignidade de cada ser humano e a cuidar juntos da nossa casa comum’.
Neste ano jubilar, sendo importante encontrar e divulgar as sementes de esperança do mundo de hoje, Francisco convida os comunicadores a cuidar do seu coração e a falar ao coração de quem os lê ou escuta, semeando a esperança, curando as feridas da humanidade, sendo testemunhas e promotores de uma comunicação 'que difunda uma cultura do cuidado, construa pontes e atravesse os muros visíveis e invisíveis do nosso tempo... escrevendo juntos a história do nosso futuro'.
D. Antonino Dias- Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 31-01-20
25.

Festa de Apresentação do Senhor

Comunidade Paroquial de Arronches


Festa da Apresentação do Senhor




Junte se a nós na apresentação das crianças nascidas no ano anterior

Traga o seu bebé.

 Estão todos convidados
 

Igreja de Nossa Senhora da Luz - 16h00


quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Nós somos o nosso pior inimigo quando...



Nós somos o nosso pior inimigo quando...

Nos esquecemos de quem somos.
Quando nos limitamos,
Quando não acreditamos nas nossas capacidades, no nosso valor, nos nossos dons e, assim, distanciamo-nos de quem somos.

Esperamos e colocamos nos outros o nosso valor.
Esperamos e colocamos nos outros a responsabilidade do que pensamos, do que sentimos, do que fazemos.
Acabamos por dar poder "ao outro", quando ele deveria existir para nos relembrar o nosso poder.

Uns mostram-nos a nossa força, o nosso amor, a nossa determinação; outros mostram-nos as nossas fragilidades. Todos existem para sabermos acolher este contraste da nossa existência e esta é a alavanca para a nossa evolução.

Que este seja o tempo de viver com sentido, independentemento do que a cada um esteja destinado fazer. Que possamos ver a beleza das pequenas coisas todos os dias.

Somos seres espirituais a viver uma experiência humana. Que eu veja na minha existência a beleza de aprender a estar viva.

Boa semana!


Carla Correia

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Agarra o momento

 



Já tiveste a vontade de guardar um momento para que a memória não o apaga-se?

Os filhos nos nossos colos, o sorriso de orgulho dos pais, o momento em que tomaste a decisão da tua vida, ou aquele abraço…. Eu sim, gostava de ter uma máquina para poder revisitar esse momento e voltar a sentir algumas coisas que foram únicas e especiais. Se cada momento fosse um balão cheio de hélio agarrado a mim de certeza que já estaria na estratosfera.

Não me considero saudosista mas tenho pena de ver algumas memórias a esvanecer como folhas levadas pelo vento. Reconheço, no entanto, que as folhas antes de serem levadas pelo vento já foram viçosas, cumpriram o seu papel, protegeram da chuva, absorveram o sol, pelo que a única hipótese que tenho é mesmo: agarrar o momento.

E com isto falo de oportunidades que não temos coragem de agarrar.

De decisões que temos medo de tomar.

De conversas que temos adiado ter.

Se este é o teu momento… agarra-o!

Este é o momento de saborear, com olhar mais demorado, os gestos dos que te rodeiam. Olha bem, repara bem, toca, vai ao encontro e deixa-te encontrar pelos que te querem bem, mas que nem sempre o sabem demostrar.

Agarra as tuas relações e os momentos de aprendizagem que te proporcionam.

Agarra os momentos especiais sejam eles bons ou maus. Agarra-os até ao momento em que tens de os deixar ir para dar lugar a algo novo, a algo renovado., enfim a uma folha nova.

E tu amiga, que momento gostarias de agarrar.



Raquel Rodrigues

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Nunca te vingues!



A vingança envolve sempre um julgamento que quase nunca está certo. Quantos de nós são capazes de se colocar no lugar do outro? Será que alguém é capaz de me compreender em toda a minha profundidade, quando nem eu mesmo o consigo?

Julgar o outro é fácil e não promove nada de bom a não ser para nos convencermos de que somos justos e bondosos, o que, se somos juízes de outros, é mentira!

Não arrisques uma vingança. Tornar-te-ás responsável por uma injustiça. É muito difícil de aceitar, mas será sempre melhor sofrer um mal do que ser o seu autor.

A vingança é um ato de tal forma selvagem que nunca compensa de facto o mal que se pretende remediar. Jamais consola e, no fim, acaba por se perder ainda mais. Por vezes até grande parte da dignidade é perdida.

Todos sentimos injustiças, mas nem todos temos de ser autores delas, ou pelo menos, somos capazes de evitar muitas das nossas!

Uma alma que quer ser forte procura suportar tudo, até crueldades. Os heróis são justos e não há vinganças justas. Uma grande alma deixa a maldade com os maus e isso já é, a seu tempo, um grande castigo.

Constrói o futuro. Estás aqui para fazer com que as coisas boas aconteçam.

Concentra-te no amanhã e usa o teu presente para buscar os sonhos que desejas realizar. Evita focar-te nos pesadelos, pois tornar-se-ão tanto maiores quanto mais atenção tua receberem. Não os matarás, e acabarás por lhes entregar, sem necessidade, a tua preciosa paz.

Procura compreender os outros, mesmo aqueles que não conseguem compreender-se a si mesmos.

Perdoa e esquece!

Nunca ninguém se arrependeu de perdoar alguém, tamanha é a paz que advém dessa forma de amar!


 José Luís Nunes Martins


domingo, 26 de janeiro de 2025

III Tempo Comum



«Cumpriu-se hoje…»

Hoje?

Porque não poderei pensar melhor e deixar para amanhã?

É muita pressão…

O mundo arrasta-me pelos caminhos que traçou,

onde a palavra não tem peso, nem medida, nem valor.

e eu… Tenho medo de não ser capaz!

Sinto-me mãos sem pés

Orelha sem olho

Nariz sem língua

Corpo sem Espírito Santo!

Então…

Hoje, peço-Te, Bom Pai,

faz com que o meu coração anseie a Tua Palavra.

Que todo o meu corpo acolha a Tua Lei e que eu seja membro da Tua Igreja!

Envia um Novo Esdras à Tua Casa…

Que os Sacerdotes do mundo inteiro abram a Bíblia,

como Porta Santa neste ano Jubilar.

É um Tempo Novo que se apresenta com a (persistente) Palavra autêntica.

A Palavra de Deus que sacia a fome de conhecimento e discernimento.

A Palavra que aquece e guia mais que uma fogueira acesa.

A Palavra que resiste

e avança por caminhos sombrios para semear Caridade, Fraternidade e Paz.

É hora!

É hoje que temos de Levar Jesus a Todos e Todos a Jesus,

como Peregrinos da Esperança que dizem a uma só voz:

“O Senhor enviou-me a anunciar a Boa Nova aos pobres,

a proclamar aos cativos a redenção”

Vamos! É hoje!

Que eu seja capaz do silêncio que me unge com o Teu Espírito…

Faz de mim, Senhor, Palavra Viva,

reflexo da Tua vontade, para todo o sempre.


Liliana Dinis,

Festa da Palavra- 4º Ano de catequese

 


Na Bíblia, podemos conhecer a história da salvação, que é a história da infinita misericórdia e da paciência inesgotável de Deus, para connosco. Paciente e misericordioso são as palavras que identificam a natureza de Deus. Os salmos cantam a misericórdia de Deus, que é eterna. E Jesus, em tudo o que é, em tudo o que diz e em tudo o que faz, revela o rosto da misericórdia do Pai. “Na Sagrada Escritura, a misericórdia é, pois, a palavra-chave para indicar o agir de Deus para connosco” (MV 9). E o principal pecado da humanidade consiste precisamente nisto: em recusar-se a escutar a Palavra de Deus, que nos quer oferecer a Sua misericórdia.(cf. Audiência do Papa, 28.09.2016)

Domingo da Palavra de Deus, um chamado à ação

Por feliz inspiração, o Papa Francisco propôs a celebração anual do “Domingo da Palavra de Deus”, no terceiro Domingo do Tempo Comum, sendo esta edição no contexto do Ano Jubilar. Trata-se de uma iniciativa profundamente pastoral que o Papa Francisco desejou para que as pessoas compreendam como é importante, na vida cotidiana da Igreja e das comunidades, a Palavra de Deus. Uma Palavra que não se reduz a um livro, mas que está sempre viva e se torna um sinal concreto e palpável.
Na tua palavra lançarei as redesCrédito: Bank_ZM / GettyImages
O lema escolhido pelo Santo Padre para este Domingo da Palavra de Deus é um versículo do Salmo 118,81: “Espero na tua Palavra”. “É um grito de esperança: o homem, no momento da angústia, da tribulação, do não-sentido, clama a Deus e põe nele toda a sua esperança”

Alegra-se a nossa comunidade porque o 4º ano de catequese celebra , hoje , a Festa da Palavra.
Jesus convida cada um de nós a deixar tudo e a segui -Lo, a sermos pescadores de Homens.
A Sua Palavra faz nos ser parecidos com Jesus, e se deixarmos tudo para O seguir, seremos felizes.
Hoje estas crianças receberam a Biblia, para que assim tenham a palavra sempre presente.
Elas sabem que é através do que Jesus lhes diz que ficam mais próximas de Deus e assim serão felizes.

Ao entregarmos hoje a Bíblia, preparamo-nos assim para viver melhor este novo jubilar, em que somos desafiados, “com Maria, a renovarmo-nos nas fontes da alegria”. Ora, nós já sabemos e saboreamos que “a Sagrada Escritura é fonte de alegria” (EG 5)! O próprio Jesus, olhando para Maria, exclamou: “Felizes os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática!” (Lc 11,28). Na verdade, “O anúncio da Palavra cria comunhão e gera a alegria. Anunciando a Palavra de Deus, queremos comunicar também a fonte da verdadeira alegria, que brota da certeza de que só Jesus tem palavras de vida eterna (cf. Jo 6,68)” (cf. Bento XVI, Verbum Domini, 123).

Que a nossa vida fale por si, torne contagiosa a esperança e cada um possa dizer ao outro, com alegria e entusiasmo convincentes: " Confia no Senhor! Sê forte e corajoso, e confia no Senhor" ( Sal 27,14) ( D. Antonino Dias , Palavra que une, nº19, de 29/12/2024








Somos todos apóstolos.

 




A liturgia deste domingo convida-nos a refletir sobre a Palavra de Deus: ela é o centro à volta do qual se articula e se constrói a comunidade de Deus. Essa Palavra não é uma doutrina abstrata, para deleite dos eruditos; mas é, primordialmente, um anúncio libertador que Deus dirige a todos os homens e que incarna em Jesus e nos cristãos.

A primeira leitura descreve-nos uma magnífica “liturgia da Palavra”, celebrada em Jerusalém quase cem anos após o regresso dos primeiros exilados na Babilónia. A “assembleia de Deus”, reunida à volta da Palavra, escuta as indicações de Deus, deixa-se questionar por elas, sente o apelo à conversão que a Palavra lhe traz… Depois, faz festa: o encontro com a Palavra de Deus é fonte de alegria e de esperança para toda a comunidade.Nas nossas comunidades cristãs há pessoas que estão especialmente ao serviço da Palavra de Deus: leitores, salmistas, pregadores, catequistas, diáconos, presbíteros… Enquanto “servidores da Palavra”, eles têm uma responsabilidade especial. Por eles passa a obrigação de proclamar a Palavra de Deus de uma forma que todos a ouçam e que todos a compreendam. Se isso não acontecer, estarão a defraudar a Palavra de Deus e a comunidade que se dispõe a escutá-la. Aqueles a quem é confiada a missão de proclamar a Palavra, preparam convenientemente o ambiente e os meios que ajudam à escuta? Proclamam a Palavra clara e distintamente, sem gestos teatrais desnecessários? Refletem a Palavra e explicam-na de forma acessível, de forma que ela toque a assembleia que escuta? Têm a preocupação de adaptá-la à vida?

No Evangelho Jesus, no cenário da sinagoga de Nazaré, proclama a Palavra de Deus e atualiza-a. Ele, a Palavra feita “carne”, apresenta o “programa” que se propõe concretizar no mundo: libertar os seres humanos de tudo aquilo que os priva de vida e lhes rouba a dignidade. Com Jesus começa um tempo novo, um “jubileu” de alegria, de graça, de paz e de felicidade sem fim.O “programa” de Jesus continua a ser o mesmo, dois mil anos depois. A questão é que, agora, é a Igreja de Jesus que tem a responsabilidade de implementar este “programa”. Isto de oferecer aos pobres uma nova esperança, de libertar os homens e mulheres que são prisioneiros da injustiça e da opressão, de proporcionar a todos uma vida mais digna e mais ditosa, de defender os excluídos pela sociedade de bem-estar, de acolher e integrar os “diferentes” e marginalizados, não é uma coisa de ideologias oriundas de uma certa área política, mas é uma coisa “de Jesus”. Ou a comunidade cristã tem a libertação dos “pobres” no seu “programa”, ou deixa de ser a Igreja de Jesus. A Igreja tem-se preocupado em anunciar o “evangelho da libertação”? Tem-se preocupado suficientemente com a sorte dos pobres, dos pequenos, dos excluídos, dos sem voz, dos abandonados, dos marginalizados, dos imigrantes que todos os dias batem à porta do nosso mundo egoísta e saciado? O que mais poderá a Igreja fazer para ser sinal, junto dos desfavorecidos e sofredores, da misericórdia e do amor de Deus?

A segunda leitura apresenta a comunidade gerada e alimentada pela Palavra libertadora de Deus: é um “corpo” (o “corpo de Cristo”), formado por muitos membros, onde cada membro trabalha em prol do projeto comum e põe ao serviço de todos os dons que Deus lhe confiou.A comunidade cristã é o “corpo de Cristo”. O “corpo” é a realidade que nos identifica, que nos torna visíveis aos olhos dos nossos irmãos, que nos permite entrar em relação com aqueles que nos rodeiam. A Igreja, como “corpo de Cristo”, torna presente e visível no mundo o próprio Cristo; é através da Igreja que os nossos irmãos se relacionam com Cristo. Quem olha para a Igreja deve “ver” o rosto de Cristo que sorri com amor, o coração de Cristo que acolhe e perdoa, as mãos de Cristo que abençoam e abraçam… É isso que acontece? A Igreja – essa Igreja da qual nós somos membros – é presença de Cristo junto dos homens e mulheres do nosso tempo? A Igreja é a imagem visível de Cristo, do seu projeto de vida, da proposta de salvação que Ele veio oferecer a todos? A Igreja mostra, ao vivo e a cores, a misericórdia, o carinho, a ternura, a compreensão que Cristo tinha por todos os homens e mulheres, e particularmente pelos pobres, pelos mais frágeis, por aqueles que a sociedade condena e abandona na berma da estrada da vida?
Se um membro de um “corpo” não desempenhar o papel que lhe compete, todo o “corpo” fica prejudicado. Na construção da comunidade cristã, procuramos cumprir a nossa missão, com sentido de responsabilidade, ou remetemo-nos a uma situação de passividade e de comodismo, esperando que sejam os outros a fazer tudo? Somos membros ativos da comunidade, que trabalham e servem a comunidade, ou somos simples “consumidores” que se limitam a “frequentar a Igreja” e a beneficiar do trabalho dos outros?


www.dehonianos.org

sábado, 25 de janeiro de 2025

O tempo que perdemos


Não sei se serei a única, mas tem-me sobrado uma sensação de não conseguir ter dias plenos. É como se a maioria das horas fossem passadas num rastilho que parece queimar demasiado depressa. Para chegar a algum lado de carro é preciso tempo, paciência e uma gestão de emoções correspondente à de um monge tibetano.

Na cidade chegamos a demorar uma hora e meia para fazer dez quilómetros. E é aqui que entra a minha (e a nossa) criatividade e exploração da dimensão do mundo dos sonhos. Os pensamentos sucedem-se:

“mas porque vim eu por aqui?” ou “devia ter ficado em casa”

Ou ainda “não devia ter vindo”; “que perda de tempo inacreditável”

E, quando chegamos finalmente ao destino, passaram-se horas, momentos de stress injustificados (mas reais) e mais umas quantas más palavras pela cabeça.

Quando foi que tudo ficou tão difícil? Quando foi que perdemos as rédeas da nossa própria vida para estarmos reféns de um tempo que não existe?

Um monge tibetano diria: se estiveste duas horas no trânsito, alegra-te. É porque tens carro.

Ainda que esta perspetiva seja quase humorística, nem sempre tem muita piada. E a sensação de não sermos realmente donos do nosso tempo adensa-se. Ou é uma reunião que se prolongou sem perspetiva de final. Ou um grupo de whatssap que se incendiou com pedidos mais ou menos sociais ou profissionais. Ou são os posts repetidos de formas diferentes pela imprensa e que teimamos em ler duzentas vezes, fazendo um scroll repetitivo e interminável.

Tudo nos adia da nossa própria realidade interna. Tudo nos afasta ainda mais uns dos outros, ainda que as interações à distância de cliques sejam mais abundantes do que a chuva dos últimos dias.

Temo-nos esquecido de nos colocar em primeiro lugar. De dizer que hoje não porque temos um compromisso connosco. De dizer não quero. Não vou. Não me apetece. Não vou querer saber. A priorização do nosso tempo e o autocuidado é visto como falta de empenho e de motivação.

Tenho vindo a deixar de me importar com o que os outros acham e pensam. E tu?


Marta Arrais

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

'CRÊ O QUE LÊS, ENSINA O QUE CRÊS, VIVE O QUE ENSINAS'




Francisco instituiu, em 2019, o Domingo da Palavra, da Palavra de Deus. Deve ser bem pensado e preparado para envolver famílias, comunidades, irmandades, confrarias, movimentos, de modo festivo e proveitoso. Ocorre este ano em contexto de Ano Jubilar e sob o lema: “Espero na Tua Palavra”. É uma passagem do Salmo 119, é um grito de esperança de quem, em momento de tribulação, clama por Deus e põe n’Ele a sua esperança. Um dos objetivos do Domingo da Palavra é sensibilizar para a leitura orante da Sagrada Escritura, a qual não pode estar ausente da vida espiritual, dos percursos de formação e dos espaços de oração. Jesus Cristo deu-se a todos de duas formas, dizia o beato Tiago Alberione: “no Evangelho e na Eucaristia. Na Eucaristia é alimento e força, no Evangelho é luz e verdade”. Ir apenas à Comunhão e não prestar atenção à Palavra, será alimento, sim, mas os caminhos da vida também precisam de luz e de verdade, do Evangelho.
Quando, na segunda metade do século V antes de Cristo, o rei da Pérsia, Artaxerxes, enviou Esdras para Jerusalém, onde a violência, a exploração e o mal-estar reinavam, Esdras logo percebe que o caos social se deve ao desconhecimento da Lei. Sem esquecer nada nem ninguém, convoca a assembleia do povo e organiza-a com todo o pormenor. Constrói um estrado para que o leitor seja visto por todos. Uma solenidade sem igual reveste toda a cerimónia. O Livro é levado e aberto com tal majestade que toda a assembleia se levanta em atitude de veneração pelo texto sagrado. A sua proclamação faz-se desde a aurora até ao meio-dia, sem presa. A sua leitura é clara e seguida com toda a atenção, é explicada e compreendida. Todo o povo a escuta, comovido e triste pelo confronto da sua vida com a Palavra que ouve, mas logo sente a alegria da confiança no Senhor que nunca o abandonou. Vale a pena ler este texto de Neemias, escrito há cerca de 2.500 anos:
“Naqueles dias, todo o povo, como se fosse uma única pessoa, reuniu-se na praça que fica em frente da porta das Águas. O povo pediu que Esdras, doutor da Lei, trouxesse o livro da Lei de Moisés, que Deus tinha dado a Israel. Então, o sacerdote Esdras trouxe o Livro da Lei perante a assembleia de homens e mulheres e todos os que eram capazes de compreender. Era o primeiro dia do sétimo mês. Desde a aurora até ao meio-dia, fez a leitura do Livro, no largo situado diante da Porta das Águas, diante dos homens e mulheres e todos os que eram capazes de compreender. Todo o povo ouvia atentamente a leitura do Livro da Lei. Esdras, doutor da Lei, estava de pé num estrado de madeira feito de propósito. Estando assim em plano superior a todo o povo, Esdras abriu o Livro à vista de todo o povo, pois estava em lugar mais alto. Quando abriu o livro, todo o povo se levantou. Então, Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus, e todos responderam, erguendo as mãos: “Ámen! Ámen!”. Depois, ajoelharam-se e prostrando-se de rosto por terra, adoraram o Senhor. Os levitas liam, clara e distintamente, o Livro da Lei de Deus e explicavam o seu sentido, de maneira que o povo compreendesse a leitura. Então, o governador Neemias, o sacerdote e doutor da Lei, Esdras, bem como os levitas que ensinavam o povo, vendo que todo o povo chorava ao escutar as palavras da Lei, disseram: “Hoje é um dia consagrado ao Senhor vosso Deus. Não vos entristeçais nem choreis”. Depois, Neemias acrescentou: “Ide para vossas casas, comei uma boa refeição, tomai bebidas doces e reparti com aqueles que não têm nada preparado. Hoje é um dia consagrado a nosso Senhor; portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa fortaleza. E o povo foi para casa comer e beber. Repartiram com quem não tinha nada e fizeram uma grande festa, porque haviam compreendido a mensagem que lhes fora explicada” (cf. Neemias, 8, 1-13).
Quando todos ouvem e compreendem a Palavra de Deus aplicada à sua situação concreta e à concreta situação da comunidade, essa Palavra gera nova maneira de ser, de estar e agir. Conduz à partilha, à prática da justiça, à comunhão, à alegria de viver. O Salmo 119 afirma que a Palavra ‘faz viver’, ‘faz levantar’, ‘é estável’’, ‘é lâmpada para os meus passos’, é ‘luz para o meu caminho’, ‘faz que os meus caminhos sejam firmes’. São Paulo, por sua vez, diz que ela é “adequada para ensinar, refutar, corrigir e educar na justiça” (2Tm 3, 16-17). E a Carta aos Hebreus refere-a como “viva e eficaz, mais penetrante que uma espada de dois gumes” (Hb 4,12). Desde que entendida, ela aperfeiçoa, limpa, santifica, liberta, discerne os pensamentos e os propósitos do coração de cada um, fala ao homem de cada tempo, em cada lugar e circunstância.

D. Antonino Dias - Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 24-01-2025.


Nós somos o espelho do céu aqui na terra...

 


Nós somos o espelho do céu aqui na terra...

Somos tudo o que vai para além dos nomes, dos adjetivos, das ideias, das crenças, dos mecanismos de defesa que (nos) erguemos.

Somos muito para além do que se coloca diante do olhar.

Somos chamados a agir, a transformar. A carregar a luz que recebemos e a iluminar as sombras.

Não somos meros observadores desta vida. Vamos mais fundo. Não ficamos à espera que a vida se cumpra.
Nós cumprimo-nos em cada dia.

Somos o espelho do céu aqui na terra,
de todas as vezes que a força e a coragem não se rendem.
De todas as vezes que o verbo se faz ouvir e de todas as vezes que nos perdemos na nossa essência; na verdade do divino que habita em cada um de nós.

Boa semana!

Carla Correia

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Ainda há esperança

 


Ainda há esperança.

 

Acontece-nos e chega-nos como a borboleta mais pequenina que vem, de mansinho, pousar-se na nossa vida: para nos tocar.


Às vezes, tão despercebida. Às vezes, tão à vista. Mas sempre, sempre, para nos abraçar.


Às vezes, escondida naqueles abraços que nos abrigam. Às vezes, escondida naquelas mãos que nos amparam. Às vezes, escondida naqueles sorrisos que nos abraçam. Às vezes, escondida naqueles olhares que nos envolvem. Às vezes, escondida naqueles beijos que nos curam. Às vezes, escondida naqueles colos que nos serenam. Às vezes, escondida naquelas palavras que nos falam ao coração. Às vezes, escondida naqueles silêncios que nos escutam (e que nos sentem) o coração. Às vezes, escondida naquelas companhias que nos confortam. Às vezes, escondida naqueles risos que nos contagiam. Às vezes, escondida naqueles momentos que nos tatuam, para sempre, o coração. Às vezes, escondida naqueles gestos que nos fazem sorrir. Às vezes, escondida naquelas pessoas que nos querem bem.


Ainda há esperança.


Acontece-nos e chega-nos como sopro de ternura capaz de nos salvar os dias (e capaz de nos salvar dos dias). Como a borboleta mais pequenina que vem, de mansinho, pousar-se na nossa vida: para nos tocar.


Às vezes, tão despercebida. Às vezes, tão à vista. Mas sempre, sempre, para nos abraçar. E sempre, sempre, em forma de amor.


Que ela nunca nos falte. E que nós nunca a deixemos faltar, também.

Daniela Barreira

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Nem sempre “vai correr tudo bem”!



Quando recebes uma notícia que te afeta os planos, ou então os de alguém de quem és próximo somos logo tentados a dizer ”vai correr tudo bem”.

Quando de mau te acontece e que te perturba também ouvimos os outros a consolar-nos e a dizer ”vai correr tudo bem”.

E sorrimos com um ar de quem está a dizer uma certeza que sabe que não existe. Sorrimos para disfarçar o medo, ou a revolta por algo nos ter acontecido e que não achamos justo. Seja uma doença, um acidente, a perda de emprego ou a partida de alguém próximo, seja o que for, provoca-nos reações em cadeia e palavras estranhas e comportamentos esquisitos.

Cambaleamos entre a revolta e a tristeza e os “Super” poderes de quem acredita que tudo passa e tudo vai correr bem.

Mas nem sempre corre bem!

Nem sempre ganhamos as lutas todas.

Nem sempre superamos as perdas

Nem sempre temos a força necessária para as mudanças que a vida nos impõe.

E mesmo que, com palavras, tentemos consolar dá-mos por nós a desvalorizar o sofrimento alheio.

Quantas vezes para consolar dizemos: ”vai correr tudo bem” e desvalorizamos o sentimento presente, o agora, o imediato em que “NÃO, NÃO ESTÁ TUDO BEM”.

Acreditamos sempre que vai ficar tudo bem, dentro do possível e o humanamente suportável, mas AGORA, agora não está bem e é AGORA que eu preciso de gestos, de sorrisos, de companhia. É AGORA que quero que me abraces, e que me faças sentir protegida para que haja o que houver, mesmo que o fim não seja o desejado, já tenha valido a pena essa tua companhia, esse raio de luz.

Nem sempre tudo vai correr bem, mas enquanto houver caminho quero que estejas comigo… haja o que houver… estamos nas mãos de Deus e no abraço uns dos outros.

E tu amiga, o que não está a correr bem?


Raquel Rodrigues

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Ofereço-te a minha tristeza



Há quem, por estar triste, julgue que não presta, menos ainda para se dar a alguém. Porque isso poderia implicar, segundo pensa, o sofrimento do outro. Ora, se alguém me revela a sua vulnerabilidade, como posso eu não ver nisso o amor com que se confia a mim?

O que pode oferecer alguém que nada tem senão a sua tristeza?

– Essa mesma tristeza!

O que importa nunca é o que se dá, mas aquilo que o faz dar. O motivo pelo qual se dá. Se dou a alguém tudo quanto tenho, será porque o amo. E nada há de mais valioso do que o amor.

As almas mais generosas são as que carregam em si feridas vivas e cicatrizes daquelas que, entretanto, o tempo já remediou.

Alguns dos sofrimentos mais profundos parece que destroem as armaduras com que os corações se defendem. E assim expostos, tornam-se ainda mais sensíveis ao bem e aos males. Tanto às dores quanto à bondade.

Um coração sofrido sabe, melhor do que qualquer um, como não fazer sofrer outro. Uma grande dor afunda-se ao ponto de não se deixar ver de fora. Por vezes, quando alguém a pressente, aquele que a carrega revela-a. Mas há poucas pessoas capazes de querer ir ao encontro dos que sofrem, menos ainda de acolher suas dores.

E às dores que existem somam-se as solidões em que tantos as têm de suportar.

O que te doeu mais em todo este tempo?

– Estar sozinho enquanto me doía.

Oferece-me a tua tristeza, sentir-me-ei honrado se me deixares espreitar para dentro do que és… o sofrimento que te escava por dentro talvez tenha feito do teu coração uma majestosa catedral. Um mosteiro onde se luta para chegar ao céu. Um castelo onde se ama, apesar de tudo.

Se me julgares digno de um dos mais belos gestos de amor de que alguém é capaz…. Oferece-me a tua tristeza, que eu hei de oferecer-te a minha, se isso for a única coisa que te puder dar.


José Luís Nunes Martins

domingo, 19 de janeiro de 2025

II Tempo Comum




Quero agarrar aquele amor que não me abandona jamais!

Aquele amor que abre um sorriso sem início nem fim!

Como um olhar que brilha mais que água cristalina,

quando o sol levemente a atravessa!

Como palavra trocada num silêncio,

que me faz sentir a noiva mais desejada!

Bodas que a cada dia são renovadas com os dons do Santo Espírito.


Só Deus, Bom Pai, ama assim.

E só em Deus nos sentimos profundamente abençoados.


A hora ainda não tinha chegado,

mas ao apelo cândido e firme da Mãe:

«Não têm vinho!»

[Como quem diz: “Perderam a alegria…”]

o Filho vai e realiza as maravilhas de Deus no mundo…


Não deixa para amanhã…

Não precisa marcar hora!

Ama o momento no tempo certo!


Hoje, tu és o vinho que falta à humanidade.

Parece que não entendes a ordem de Maria:

«Fazei tudo o que Ele vos disser!»

Deixas cair no chão e esqueces que anunciar é prioridade na tua vida.

Hesitar é perder a hora certa para amar sem medida,

como diz Santo Agostinho…


Tudo em Deus emana a loucura de um amor…

de um Serviço… de uma disponibilidade sem fronteiras…

que nem eu, nem tu, poderemos alguma vez entender…


Mas, se nos propusermos, juntos,

a levar Jesus a Todos e Todos a Jesus,

como Peregrinos de Esperança,

iremos sentir o Amor que nos eleva a Alma.


O Amor que nos faz viver no Espírito Santo.

Em Santidade e verdade.


Jamais nos sentiremos abandonados.

Somos a Igreja dO Cristo: Amada, Predileta e Desposada…

Nova Jerusalém… Terra fértil e fecunda…

Onde reina a justiça como facho ardente…

Onde o Amor não se perde… é ar que se respira!

Onde não faltará, jamais, o vinho.

Onde Reina a Alegria infinita que vem de Deus.


Hoje, chegou a tua hora!

És água sem alegria?

Então… anseia ser vinho do Amor!


Liliana Dnis


Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

 


O tema: “Crês nisso?” (João 11,26)

“Essa oferta de dons também representa circularidade, compartilhamento e diversidade na mesma fé”, enfatiza monsenhor Marco Gnavi, chefe do Escritório de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da diocese de Roma. “Crês nisso?” (João 11,26) é o tema que acompanhará a Semana. As orações e reflexões foram elaboradas pelos irmãos e irmãs da Comunidade Monástica de Bose, no norte da Itália; um grupo internacional nomeado pelo Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos e pela Comissão Fé e Constituição do Conselho Ecumênico de Igrejas trabalhou junto com os redatores. O tema é inspirado no diálogo entre Jesus e Marta, durante a visita de Jesus à casa de Marta e Maria em Betânia, após a morte de seu irmão Lázaro, conforme narrado pelo evangelista João.




Façam tudo o que Jesus mandar!”

 



A Palavra de Deus que a liturgia nos propõe neste segundo domingo comum utiliza a metáfora do “casamento” para descrever a relação de amor e de comunhão entre Deus e o seu Povo. Inclui um veemente convite a entrarmos nessa história de amor que Deus se dispõe a construir connosco.

Na primeira leitura um profeta anónimo fala a Jerusalém – a cidade triste e em ruínas que as tropas babilónicas destruíram e queimaram – e garante-lhe que Deus a ama com um amor sem fim. O amor de Deus irá regenerar Jerusalém, recriando-a e transformando-a numa “noiva” encantadora e resplandecente. Iluminada pelo amor, a cidade-esposa de Deus encherá de orgulho e de alegria o coração do seu marido.
Quando fazemos uma verdadeira experiência do amor de Deus, nada fica igual na nossa vida. Somos dominados por um profundo sentimento de gratidão e ficamos com vontade de testemunhar esse amor junto de todos aqueles que se cruzam connosco nos caminhos que todos os dias percorremos. Tornamo-nos arautos do amor de Deus e esse amor “aparece” nos nossos gestos, nas nossas atitudes, na nossa forma de tratar os outros homens e mulheres. Somos sinais vivos de Deus, com o amor que transparece nos nossos gestos? As nossas famílias são um reflexo do amor de Deus? As nossas comunidades cristãs anunciam ao mundo, de forma concreta, o amor que Deus tem por todos os seus filhos, particularmente pelos mais frágeis, pelos mais abandonados, por aqueles que ninguém quer e ninguém ama?

No Evangelho Jesus, no cenário da festa de casamento de um jovem casal de Caná da Galileia, apresenta o programa que se propõe concretizar: trazer o “vinho bom”, o “vinho” da alegria e do amor, à relação entre Deus e os homens. Da ação de Jesus – das suas palavras, dos seus gestos, do seu amor até ao extremo – nascerá a comunidade da nova “aliança”, a comunidade que vive no amor a Deus e que se dispõe a dar testemunho desse amor no mundo.
Todos os dias nos deparamos com um sem número de homens e mulheres que vivem tristes e amargurados, condenados pela sociedade, julgados pelos seus irmãos, votados à indiferença e ao abandono, feridos na sua dignidade, roubados nos seus direitos, que anseiam por libertação e esperança. Quando essas pessoas aparecem nas nossas comunidades cristãs à procura de ajuda e compreensão, são acolhidas? Oferecemos-lhe o “vinho novo” de Jesus, ou as leis velhas de uma religião que condena, que ameaça, que aumenta o sofrimento e a amargura? Falamos-lhes da ternura de Deus, ou de um deus sem misericórdia, incapaz de compreender o sofrimento dos seus filhos e filhas?

Na segunda leitura, Paulo lembra aos cristãos de Corinto que os “carismas”, enquanto sinais do amor de Deus, se destinam ao bem de todos. Não podem servir para uso exclusivo de alguns, nem podem ser fator de divisão e de tensão comunitária. Na partilha comunitária dos dons de Deus manifesta-se o amor que une o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Os dons que o Espírito concede, por mais pessoais que sejam, são para servir o bem comum e para reforçar a vivência comunitária. Quem os recebe deve pô-los ao serviço de todos, com humildade e simplicidade. Não faz sentido escondermos os “dons” que recebemos, guardando-os só para nós e deixando que eles fiquem estéreis; também não faz sentido usar os “dons” que recebemos de tal forma que eles se tornem fator de conflitos ou de divisões. Os “dons” que nos foram concedidos são postos ao serviço da comunidade? São fonte de encontro, de comunhão, de partilha, de Vida, para a comunidade de que fazemos parte?

www.dehonianos.org

sábado, 18 de janeiro de 2025

Segue a tua estrela



Sim, segue a tua estrela, mesmo que, por vezes, outras pareçam brilhar mais.

Não é fácil, é um exercício diário para não desviar o foco e ficar distraída com outras luzes!

É um caminho para se caminhar com calma para discernir o que realmente queremos, precisamos e acima de tudo o que nos faz feliz.

Eliminar ruídos, buscando um pouco de silêncio para me encontrar comigo mesma, porque afinal no fim do dia, sou eu comigo mesma.

Acredito nessa estrela que me guia, mas quero acreditar mais e mais.

Sou grata.

Sigam a vossa estrela!


Lucília Miranda

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

ANTES DOS AFONSINHOS OUTROS SE ENTENDERAM...



Lá para os lados de Deu-la-Deu Martins e arredores, quando as coisas já esqueceram até ao diabo, se alguém as quer lembrar, outro é capaz de retorquir que isso já nem sequer ao Menino Jesus interessa, pois é do tempo dos afonsinhos, isto é, dum passado longínquo. É possível que o dito tenha alguma coisa a ver com os nossos primeiros Afonsos, com aqueles que, acreditando, lutaram por este torrão pátrio que se esticou para além da Taprobana. Muito antes dos afonsinhos, porém, outros, enfrentando adamastores reais, também conquistaram novos mundos e renovaram mentalidades, refizeram corações partidos e espevitaram os mais saudáveis, dando mais sentido à vida e às coisas da vida. No entanto, o pó do tempo e das ideias, o desalinho de jeitos e feitios, à mistura com excessos de zelo e de zelos mal entendidos, fez-lhes sentir a necessidade de se escutarem para espanar o pó uns aos outros e acertar as agulhas e os alfinetes, como bons peregrinos da esperança. Para lhes agradecer o testemunho que nos deixaram - de que é falando que as pessoas se entendem -, celebramos este ano os 1.700 anos dessa sua iniciativa: o primeiro Concílio Ecuménico. Aconteceu de 20 de maio a 25 de julho do ano 325, em Niceia, atual cidade Iznik, na Turquia. Nele participaram bispos de todas as regiões em que havia cristãos, mais de trezentas pessoas coordenadas pelo Bispo de Córdoba, pois, devido à idade, o de Roma fez-se representar.
O imperador Constantino, em 313, pelo Edito de Milão, decretara o fim da perseguição religiosa, garantindo a legitimidade, não só do cristianismo, mas de todas as religiões do império. Mais tarde, em 380, o imperador Teodósio I, com o Edito de Tessalónica, fez do Cristianismo a religião oficial do Império. À medida que os cristãos aumentavam, a Igreja, respeitando a diversidade, debatia-se, cada vez mais, com a questão da inculturação da fé nos diferentes contextos culturais e políticos e com aqueles que se sentiam mais papistas que o Papa e pregavam erros doutrinais, alguns deles da simpatia do imperador. Um dos principais e nada bom de assoar, foi Ario, um padre que negava a verdadeira divindade de Jesus Cristo e que até já fora admoestado, com dureza, no sínodo dos bispos do Egito. Com os seus pios parenéticos e seguidores em crescendo, as divisões ameaçavam. A Igreja, para atalhar tais situações a tempo e horas, sentia necessidade de se ouvir e discernir bem os caminhos que o Espírito lhe inspirasse, em fidelidade à sua nobre missão de evangelizar. Por sua vez, o imperador Constantino, depois de ter limpado o sebo a quem com ele compartilhava o poder em regime de Tetrarquia, ficou imperador único. Tendo unificado politicamente o império, via com bons olhos que a Igreja, em crescimento, estivesse unida e colaborasse nesse propósito. Por isso, abraçou a ideia, facilitou a sua concretização, colocou à sua disposição os serviços do exército e ofereceu o seu palácio em Niceia, perto da sua residência em Nicomedia, para o realizar. Segundo afirmam os estudiosos dos documentos do Concílio, não se pode afirmar que Constantino fosse um protagonista direto da reconciliação das partes em disputa ou que tivesse feito valer as suas opiniões sobre as dos bispos ali reunidos. Ele não tinha capacidade teológica para dominar as questões que ali se debatiam e o que foi aprovado até foi contra as suas próprias inclinações que eram da linha de Ario. No entanto, tal como ainda hoje alguns fazem, quando percebeu que a barca de Caronte se encostava às margens da sua vida para lhe transportar a alma lá pelos rios Estige e Aqueronte, pediu os Sacramentos. Acabou por entender que, mais importante que a vitória sobre Magêncio na Batalha da Ponte Mílvia, melhor seria vencer a batalha da própria vida: ‘In hoc signo vinces’.
Portas dentro o Concílio, a imensa maioria dos participantes logo percebeu que a doutrina de Ario atraiçoava a fé recebida dos Apóstolos. Para evitar consequências menos boas, basearam-se no Credo batismal da Igreja de Cesareia e redigiram um texto que traduzisse a fé recebida desde as origens. Mais tarde, no Concílio de Constantinopla, em 381, este texto foi de novo apreciado, tendo resultado o Credo que hoje rezamos e ao qual chamamos Credo Niceno-Constantinopolitano ou apenas Credo Niceno. Além desta questão, outras estiveram em cima da mesa: como calcular a data da celebração da Páscoa, como reintegrar as pessoas que haviam abandonado a fé durante as perseguições, como contrapor algumas opiniões teológicas consideradas heréticas e outras questões referentes ao funcionamento interno da Igreja. Apesar de se ter concluído como é que a data da celebração da Páscoa deveria ser calculada, as interpretações posteriores fizeram com que fosse frequentemente marcada em datas diferentes no Oriente e no Ocidente. Em 2025, essas datas coincidem, a Páscoa será celebrada por todos na mesma data. Como estamos em ano jubilar e procuramos a unidade da Igreja, que bom seria se todos começássemos a celebrar a Páscoa na mesma data, todos os anos. Somos peregrinos da esperança: é falando que as pessoas se entendem. Nesta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, rezemos para que todos nos entendamos e demos as mãos, com alegria e esperança.

D. Antonino Dias - Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 17-01-2025.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

O melhor caminho...



O melhor caminho...

É encontrarmos beleza nas pequenas coisas. Na simplicidade de olhar a vida de frente, com o coração disponível a abraçar o que nos chega.

Repetirei vezes sem conta, para mim mesma, que vale sempre a pena recomeçar. Recomeçar por dentro, com os olhos de quem não se cansa de ver cada dia como único. Mesmo quando as coisas não correm como queremos.

Pois tudo na vida coexiste. Os nossos maiores sonhos e os nossos maiores medos. E, nem todas as fases da nossa vida falarão das mesmas histórias.

A verdade é que somos únicos. E se não estivéssemos cá, o mundo não seria exatamente o mesmo. Somos uma peça neste universo. Só por isso vale a pena honrar o nosso lugar.
Viver a nossa história e aprofundar a nossa existência.

Sente onde estás e o que amas.
Viemos ao mundo para expressar, ser e fazer o que só nós conseguimos. Manifesta-te em encontro, em união. Em Amor.

Lembra-te... o melhor caminho é o que nos leva sempre a casa.


Carla Correia


quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Gerir expectativas



É uma das maiores dificuldades de todos nós. Ora vê lá: Quando passamos um ano a esperar ferias, projetar descansos e por vezes os planos saem furados.

Quando procuramos emprego e criamos a ideia de que vamos encontrar e depois de mandares 100 currículos as respostas não chegam.

Quando esperas que o teu amigo, ou namorado prepare algo especial para aquele dia em que estás em baixo e... nada.

Quando chegas a casa e esperas encontrar sossego e está tudo fora do sitio.

Quando esperas um resultado de um concurso, de uma nota escolar e as expectativas de um bom resultado saem frustradas.

E por aí fora.

Claro que há expectativas e expectativas umas mais importantes que outras, mas quando não concretizadas mexem contigo na mesma. Desvalorizamos o que sentimos: "deixa lá, para a próxima é melhor" e vamos enterrando sentimentos menos bons e camuflando de resignação.

O problema é quando nos criam expectativas. Quando nos dizem que o que pensas é importante, mas depois apenas se traduz em silêncio. Quando nos fazem promessas de amor e sucesso e não passa de intenção. O pior de tudo é que nos vamos convencendo que " não vale a pena" e convencemos os outros que a melhor forma de gerir expectativas é não as ter.

Mas acredito que a maior parte de nós resiste, sonha, espera e cria uma expectativa do melhor cenário possível. Ainda bem. Por isso amiga, luta sempre pelo melhor, não desistas do fogo que te arde na alma e partilha com quem amas esse desejo, quem sabe isso se transforma em amor e se concretiza em atos.

E tu amiga, que expectativas tens?


 Raquel Rodrigues



terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Por quem darias a tua vida?



Um pai olha para o seu filho recém-nascido e compreende que passou a ter alguém por quem deve morrer, se for preciso. E o mundo, nesse caso, não lhe reconhecerá grande heroísmo, apenas que dessa forma cumpriu a sua obrigação, não fazendo mais do que era esperado.

Talvez o mais estranho é que seja assim por amor. Um amor por alguém que não se escolheu. O pai escolhe amar, sem condições em relação ao que o seu filho seja ou possa fazer. Um pai ama o filho e, por isso, se necessário, dá a vida por ele. Sem heroísmo, apenas e só porque o ama.

Se amo, e se o faço com verdade, encontro aí o valor absoluto da minha existência, em qualquer momento, por pior que seja. Mas que sentido teria minha vida se não tivesse por quem morrer? Desgraçado aquele que não tem sequer por quem chorar.

Por amor sou capaz de ir resgatar quem amo do meio de uma tempestade num mar distante, entrar numa casa em chamas se for lá que ele esteja, ou até descer a um inferno qualquer para de lá o retirar e o levar às portas do céu.

O amor é maior do que esta vida. Há quem ame apenas com o coração, uma emoção enorme e uma agitação que nos parece levar ao céu, mas que, da forma estranha com que chegou, também passa e desaparece… e morre.

E há quem ame com a alma, que, por ser de substância divina, é eterna, e assim também o amor que dela emana. A morte é impotente face a qualquer amor desta natureza.

Dar a vida é muito mais do que morrer. É, sobretudo, dar-me, empregando o meu tempo, as minhas forças e os meus talentos ao serviço do bem de quem amo.


José Luís Nunes Martins


segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Batismo



A água aspergida para a tua fronte tem uma pitada de sal…


É urgente que recordes o Teu Batismo.

Já é tempo que abras a porta do teu coração,

como a Igreja abriu as Suas portas,

no mesmo segundo em que a tua família disse o teu nome.


Os dias passam e ainda não limpaste a tua veste branca.

A cada segundo do teu viver,

Deus Pai sussurra ao teu ouvido:

«Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha Alma.»

O que te faz parar no caminho?

És Peregrino de Esperança no mundo!

És Batizado!

Tens em ti o Santo Espírito de Deus a fervilhar como chama olímpica…

Se as trevas deste céu escuro avassalam o teu caminho,

procura a pomba branca que é sinal de Paz e voa sem cessar!


Se as dúvidas dos gestos humanos te fazem cair,

levanta-te e leva Jesus a Todos e Todos a Jesus, com um sorriso no rosto!


Se a coragem te abandonar o peito, rasga o coração…


És Filho muito Amado…

És Filha muito Amada…

de um Deus que abençoa o Seu Povo na Paz…

Quem te poderá parar?


Vai…


E dá sabor ao teu Batismo!



Liliana Dinis,

domingo, 12 de janeiro de 2025

Festa do Baptismo do Senhor

 


A liturgia deste dia celebra o Batismo de Jesus. Evoca o momento em que Jesus, ungido pelo Espírito Santo e apresentado aos homens como “Filho Amado” de Deus, abraçou a missão que o Pai lhe entregou: recriar o mundo, fazer nascer um Homem Novo. E propõe-nos, a todos nós que fomos batizados em Cristo, que tiremos desse facto as consequências que se impõem.

A primeira leitura anuncia um misterioso “Servo”, escolhido por Deus e enviado aos homens para instaurar um mundo de justiça e de paz sem fim… Investido do Espírito de Deus, ele concretizará essa missão com humildade e simplicidade, sem recorrer ao poder, à imposição, à prepotência, pois esses esquemas não são os de Deus.A missão profética só faz sentido à luz de Deus: é sempre Ele que toma a iniciativa, que escolhe, que chama, que envia e que capacita para a missão… Aquilo que fazemos, por mais válido que seja, não é obra nossa, mas sim de Deus; o nosso êxito na missão não resulta das nossas qualidades, mas da iniciativa de Deus que age em nós e através de nós. Somos apenas colaboradores de Deus, “humildes trabalhadores da vinha do Senhor”. É sempre Deus que projeta e que age, através da nossa fragilidade, para oferecer ao mundo a Vida e a salvação. Esquecer isto pode conduzir-nos à arrogância, à autossuficiência, à vaidade, ao convencimento; e, sempre que isso acontece, a nossa intervenção no mundo acaba por desvirtuar o projeto de Deus. Em que atitudes se concretiza a minha missão profética no acolhimento do projeto de Deus?

No Evangelho, aparece-nos a concretização da promessa profética da primeira leitura: Jesus é o Filho/”Servo” enviado pelo Pai, sobre quem repousa o Espírito e cuja missão é realizar a libertação dos homens. Obedecendo ao Pai, Ele tornou-Se pessoa, identificou-Se com as fragilidades dos homens, caminhou ao lado deles, a fim de os promover e de os levar à Vida em plenitude.Depois de batizado e de ser ungido pelo Espírito, Jesus não se instalou numa crença religiosa de meias tintas ou de serviços mínimos. Animado pela força do Espírito, partiu para a Galileia a anunciar o Reino de Deus e a testemunhar – com palavras e com gestos – o projeto libertador do Pai. É dessa forma – coerente, comprometida, apaixonada – que eu procuro viver a missão que Deus me confiou no dia em que eu fui batizado? Os meus irmãos e irmãs maltratados pela vida e pelos homens podem contar com o meu empenho em levar-lhes a carícia do Deus que cura e que dá Vida?

A segunda leitura reafirma que Jesus é o Filho amado que o Pai enviou ao mundo para concretizar um projeto de salvação em favor dos homens; por isso, Ele “passou pelo mundo fazendo o bem” e libertando todos os que eram oprimidos. É este o testemunho que os discípulos devem dar, para que a salvação que Deus oferece chegue a todos os povos da terra.
“Reconheço que Deus não faz aceção de pessoas” – diz Pedro no seu discurso em casa de Cornélio. E nós, filhos desse Deus que ama a todos da mesma forma e que a todos oferece igualmente a salvação, aceitamos todos os irmãos da mesma forma, reconhecendo a igualdade fundamental de todos os homens em direitos e dignidade? Temos consciência de que a discriminação de pessoas por causa da cor da pele, da raça, do sexo, da orientação sexual ou do estatuto social é uma grave subversão da lógica de Deus?

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sábado, 11 de janeiro de 2025

Não estamos longe!



Para onde vão os que nos morrem? Os que partem e os que deixamos de encontrar neste plano e nesta dimensão? Se não os vemos será que ainda existem? Voltaremos a encontrar-nos?

Todas estas (e tantas outras) perguntas se podem acender em nós perante uma perda e um luto. E o impacto de alguém que se “perde” para a morte pode durar uma vida inteira.

No entanto, vale a pena olhar para estas perdas e estes lutos de uma outra perspetiva. Não retirando a importância de sentir a dor que podem causar e as consequências que esta pode ter no momento presente ou futuro, também será possível encontrar aqui uma face da moeda com um pouco mais de luz.

Quem parte não se perde. Coloca-se à nossa disposição a partir da dimensão celestial e eterna em que agora paira. Encontra formas de se fazer presente, permanentemente. Encontra maneiras de nos embeber de uma proximidade real (e nunca imaginada ou sugerida) que acaba por ser muito mais intensa e profunda, precisamente por operar ao nível da alma. E é nesse silêncio que diz tudo que tanta saudade pode ser encurtada e transformada em graça e em dom.

Quem parte não nos abandona. Não atravessa para uma outra margem, mas, antes, permanece perto numa outra dimensão do caminho. Envia-nos sinais em forma de pássaros, cores, gestos, pessoas, peças de roupa ou canções. Faz-se presente através de um abraço alheio ou improvável e aparece-nos nos sonhos ou nas orações.

Pensar que a morte nos retira dos nossos é um pensamento demasiado curto e pequenino. A morte é só a cara que damos à dor. Mas depois dessa mesma dor, há um universo de beleza transcendente à nossa espera. E a certeza de estarmos juntos, mesmo quando estamos longe.

A morte não nos afasta, ao contrário do que toda a vida pensámos. A morte aproxima-nos profundamente e traz-nos mensagens de além-vida que podem mudar o curso do rio da nossa alma. E é por essa vida que se planta depois da morte por que vale a pena viver.


Marta Arrais


sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

A VIDA, A POLÍTICA E O Sr. HIPÓCRATES



Neste ano 2025, ano especial, ano jubilar, um dos três apelos que é feito às pessoas de boa vontade, de toda a comunidade humana, é que haja ‘um firme compromisso de promover o respeito pela dignidade da vida humana, desde a sua conceção até à morte natural’. Entre nós, a arte nobre da política, que é um serviço para o bem de todos, nem sempre usa de tal nobreza em relação à defesa da vida de todos, mesmo que a Constituição portuguesa proclame que “a vida humana é inviolável”, que “em caso algum haverá pena de morte”, que “a integridade moral e física das pessoas é inviolável”, que “ninguém pode ser submetido a tortura, nem a tratos ou penas cruéis, degradantes ou desumanos” (Artigos 24º e 25º).
Redigido há cerca de 2.600 anos, o Juramento de Hipócrates, uma obra de arte e sabedoria só comparável às mais altas criações do espírito humano, continua a indicar as regras éticas para o exercício da honrosa profissão da Medicina. No entanto, sendo um marco importante na história da medicina e dos profissionais da saúde, já sofreu algumas alterações e há quem o rejeite ou o desvalorize. Desde os primórdios da história humana, perante o fratricídio de Abel por seu irmão Caim, é denunciada a gravidade do crime e acentuada a importância da preservação da vida. Mais tarde, no Sinai, soou firme a ordem: “Não matarás”, uma ordem que destaca a importância da sacralidade da vida humana, transcendendo o âmbito físico e abrangendo todas as manifestações de ódio e ira que possam comprometer o dom da vida. No entanto, se há quem se identifique plenamente com a defesa da vida, desde a sua conceção até à morte natural, e a tenha como um dever sem tergiversações, outros há que, em vez disso, pedem que seja regulamentada a possibilidade de matar sem ensanguentar as mãos, como se tudo o que é legal fosse moral. A verdade, porém, não depende de maiorias, nem do mais forte. A par, investe-se contra a dignidade da classe médica, limitando a sua liberdade de consciência, ficando mui incomodados quando os médicos, aqueles que têm consciência da gravidade do ato, recorrem à objeção de consciência para o não praticarem, um direito que lhes assiste. E, como sabemos, não é a religião nem a filosofia que comprovam a vida humana desde a sua conceção. É a ciência. Progressistas, ao ponto de mandarem a ciência às malvas, querem fazer crer, na opinião pública, que os defensores da vida são ignorantes e retrógrados. Afirmam que a defesa da vida é uma questão meramente religiosa, e que, por isso, não faz sentido numa sociedade pluralista. Que é uma consequência natural dos progressos culturais do tempo, esquecendo que a defesa da vida é uma questão iminentemente humana. Entendemos estes zelos, até porque, quem os tem, já nasceu, e a aplicação do que defendem não tem efeitos retroativos sobre eles próprios. Seja como for, não podemos deixar de afirmar que, de entre os crimes contra a vida, o aborto provocado apresenta características que o tornam particularmente grave. A perceção da sua gravidade, porém, tem-se vindo a diluir progressivamente em muitas consciências. O sentido ético da sociedade é cada vez mais incapaz de distinguir o bem do mal, mesmo quando está em jogo o direito à vida.
A coragem de olhar frontalmente a verdade e chamar às coisas pelo seu nome, foi chão que deu uvas. E mal vai quando a verdade incomoda, quando se tem medo dela ou dela se foge. Dizer que o aborto provocado é crime, “crime abominável”, é verdade, mas incomoda muita gente. É um ser humano que, na primavera da vida, é eliminado, sendo o mais inocente de todos os inocentes que se possam imaginar. Não é um agressor, é uma vida humana que, na sua total fragilidade, sem qualquer capacidade de defesa, pede que dele tenham dó e o deixem crescer, nascer e viver em paz, como peregrino de esperança. Tem vida própria, é autónomo, também da mãe, embora dela dependa até ao seu nascimento. O relatório da Direção Geral da Saúde, publicado em 27 de dezembro, afirma que, em 2023, foram realizados em Portugal, 17.124 abortos, um aumento de 3% face ao ano 2022. A Organização Mundial de saúde, estima que, globalmente, cerca de 73 milhões de abortos induzidos ocorrem anualmente, o que equivale, aproximadamente, a 200 mil por dia. Os atentados à vida, tanto em relação à vida nascente como à vida terminal, estão, cada vez mais, a revestir-se de singular gravidade. É um retrocesso civilizacional a solidificar a cultura da morte. A consciência coletiva não os quer considerar como crimes, quer abraçá-los como um direito de quem os pratica: um direito da mulher quando se trata do aborto, um direito de alguém quando se trata da eutanásia. Para o conseguir, pretende-se retirar passos fundamentais para o consentimento informado da mulher que aborta, procura-se o reconhecimento legal por parte do Estado, pede-se a concretização gratuita pelos profissionais de saúde, esconde-se a verdadeira natureza desses atentados e procura-se atenuar a sua gravidade, usando uma terminologia ambígua, a qual deixa já transparecer um certo mal-estar das consciências, pois sabem que nenhuma mudança de linguagem é capaz de alterar a realidade das coisas, a verdade. No âmbito da eutanásia, defendem que é apenas para casos limite e em prol de uma morte digna, da autonomia e da liberdade da pessoa que sofre. Esquecem, porém, que a autonomia e a liberdade pressupõem a vida como bem indisponível, é o pressuposto de todos os direitos. Só é livre quem vive e a dignidade do ser humano é objetiva, a doença não a diminui, implica, isso sim, é que se reivindique e proporcione os necessários cuidados paliativos a quem sofre. Quem tem a responsabilidade de cuidar e acompanhar, quem tem a responsabilidade sobre as instituições atinentes e quem adquiriu competências para legislar, respeitar e defender a vida humana não deveria colocar-se a jeito, carregando a culpa desta promoção da cultura da morte.


D. Antonino Dias - Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 08-01-2025.


Olhar as Estrelas...




Olhar as Estrelas...

Aquilo em que me foco é o que trago para a minha vida.

Um novo ano, um novo dia, um novo momento reflete como observo, sinto e vivo o que me rodeia. Como observo, sinto e vivo o que vem de dentro.

Esta ideia é preciosa. É um tesouro. Especialmente se desejarmos abrir o coração à experiência da vida e à esperança de um mundo melhor.

Que haja um espaço consciente entre aquilo que eu vejo e a minha bússola interior, entre aquilo que eu sinto e o que faço em relação a isso. Uma pausa para refletir sobre o que se encontra dentro e na verdade se espelha do lado de fora.

Assim como os Reis Magos, podemos nós também colocar a nossa atenção nas estrelas. O propósito que os levava pelo deserto, manifestava um desejo e uma vontade interna muito forte. Eles escutaram e seguiram pelo deserto com fé.

Ha sempre lugares luminosos mesmo em tempos sombrios. E nós podemos ser essa luz.

Boa semana!


Carla Correia

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Mudar de caminho.


Quando encontramos algo que procuramos com empenho temos a tendência para regressar ao ponto de partida para poder partilhar com os nossos tamanha descoberta.

Já te aconteceu? Procurares a tua “estrela” a “tua pedra preciosa” e ficares tão contente com essa descoberta que queres contar aos teus o bom que isso foi. Queres partilhar que a procura, as noites a fio e o estudo de como atingir esse objetivo, valeram a pena? Pode ser paz de espirito, a reconciliação com alguém, um emprego, um projeto, um companheir(a) para a vida… eu sei lá!

É tão bom não é? Mas dá trabalho e geralmente implica uma grande mudança na nossa vida.

O que aprendi com a história dos Reis Magos foi algo tão profundo que serve para qualquer momento da nossa vida e que quero partilhar contigo.

Primeiro, eles não tiveram a sorte de ver uma estrela, aliás muitos devem tê-la visto. Eles foram dos poucos que procuraram essa Estrela e estudaram muito para entender o que isso significava.

Segundo, eles foram à procura, ao invés do rei Herodes que se limitou a mandar que alguém fosse ver. Os Reis Magos saíram do comodismo e do seu conforto para arriscar por caminhos novos à procura daquilo que tinham esperado encontrar.

Terceiro, depois de encontrar o que procuravam os Reis “regressaram por outro caminho”. É que quando nos predispomos à procurade algo que acreditamos e a encontramos, geralmente há algo em nós que nunca regressa ao mesmo sitio. Acredito que há todo um mundo novo, uma esperança e uma alegria que nos faz mudar de caminho.

No caso dos Reis, como no meu, quando encontrei Cristo, toda a minha vida mudou e esse encontro transformou-me e continua a transformar-me.

Os Reis magos são o exemplo de uma atitude que parece faltar cada vez mais- a Procura! Queremos ter tudo de modo instantâneo e queremos mudanças rápidas e imediatas, esquecendo-nos que o caminho pode ser longo, muito longo, mas que vale a pena.

E tu querida amiga, de que andas á procura?


Raquel Rodrigues

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

A esperança é uma certeza!



Há homens que cumprem os seus dias com muito pouco medo e quase sem fé. O tempo para eles é uma espécie de carrasco que aprenderam a ignorar. Vivem nos limites, alguns até para lá deles, ampliando assim o que se julgava ser o possível. Sofrem o que a muitos bastaria para desistirem de tudo, mas continuam aqui. Alguns até conseguem sorrir, como se não vivessem nos infernos deste mundo. Mas o que será que os faz continuar?

A vida quer viver. A esperança vive na raiz do nosso ser e oferece-nos um sentido, um rumo e, acima de tudo, é ela mesma uma força capaz de nos levar adiante.

É preciso que cada um de nós sonhe, ou que pelo menos acredite que há um futuro ainda não certo, que depende de alguma forma do que fizermos agora. Para alguns, o simples resistir à passagem do tempo é já uma luta heroica. Acreditam, ainda que possam não ter consciência disso, que a sua oportunidade chegará mais tarde.

A esperança é essencial à criação. Ninguém faz nada de bom se não acreditar que é capaz de o fazer. A esperança não é suficiente, mas é indispensável.

Só quem abre o seu coração e se permite ser tocado pela verdade do que é possível pode dar a si mesmo um amanhã melhor.

A pior existência é a daqueles que já não esperam nada, nem nos seus sonhos há algo pelo qual valha a pena resistir ao tempo agreste. São os que já não choram, os que perderam o medo da vida e da morte.

Que sejamos capazes de nos abrir à esperança e de nos mantermos fiéis a ela, mais ainda quando tudo o que tivermos esperado se desmoronar, porque, nessa altura, como sempre, se ainda não somos felizes, é porque a história ainda não acabou.


José Luís Nunes Martins

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

É tempo.



É tempo de agradecer
[e como nos passa ao lado]

É tempo de pedir perdão
[e como não fazemos exame de consciência]

É tempo de aprender
[e como não nos apetece]

É tempo de crescer
[e como tentamos evitar essas dores]

É tempo de acreditar que é possível
[e como nos falta visualizar como se já fosse real]

É tempo de fé
[e como não a alimentamos]

É sempre tempo e vamos sempre a tempo de fazer por nós e pelos outros, embora os recomeços nos façam refletir um pouco mais sobre isso!

Assim sendo, é novo o ano, então que não sejamos nós o "velho".

Saúde, amor e a benção de Deus para este 2025 acabadinho de chegar!



Lucília Miranda