sexta-feira, 31 de outubro de 2025

AmaDeus!

 



“Sou o caminho, a verdade e a vida.” (Jo 14, 6)

 

Senhor, és o único Caminho que quero seguir.
Que cada passo seja uma oração,
Cada obstáculo uma oblação,
Cada inspiração alento para não desanimar.

Senhor, és a única Verdade que quero conhecer.
Homem te fizeste e na cruz te entregaste,
Cruz de escândalo e de perdão,
Cruz de loucura e de salvação (cf. 1Cor 1,23).

Senhor, quero que sejas a Vida em mim,
Vida que acolhe os que a sociedade rejeitou,
Vida que devolve a dignidade aos que a sociedade humilhou,
Vida que sem pecado a todos amou.

Pela tua graça, Senhor, dá-me a o desapego e a coragem para seguir-te,
O entendimento e a sabedoria para a tua verdade escolher,
A fortaleza e a perseverança para a cruz carregar e as dificuldades ultrapassar,
A piedade e a fé para reconhecer que só tu és “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 6)
E a liberdade para em tudo amar e servir (cf. Sto. Inácio de Loyola).

Raquel Dias

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Quero dar-te um abraço





Quero dar-te um abraço e demorar-me. Descansar nos braços de quem também quero que descanse nos meus. Com força, para que se sinta toda a vontade e os corações se possam reconhecer um ao outro e passem a bater ao mesmo tempo. E demorar, porque se um abraço tem um certo poder de cura, eu quero ficar assim até que tudo fique bem, ou pelo menos melhore.

Chega a acontecer que num abraço não se saiba quem está a curar quem!

Um abraço verdadeiro é uma entrega tão generosa que quase se sente o outro como uma mãe grávida sente o filho que traz dentro de si. Nada mais importa. Quem me dera conseguir dar abraços assim…

Quando nos abraçamos, há algo sagrado que envolve os que abrem os seus braços para se entregar e se acolher o outro. É uma espécie de encontro de almas, em que a presença do outro se sente ainda mais, quanto mais se aperta.

Quanta tristeza há naquele lugar e tempo em que eu desejo o abraço de alguém que não mo dá, que não o quer, porque não me quer.

E que alegria imensa há em abraçar alguém até ao ponto em que o abraço parece terminar — e o outro, em vez de nos largar, nos aperta ainda com mais força… naqueles seus braços onde parecemos encaixar na perfeição…

Como uma mãe que tem no colo a solução para todos os problemas do mundo, também eu queria poder fazer dos meus braços um refúgio seguro para quem precisa descansar de tanto lutar e sofrer…Um abraço pode ser o ponto em que uma tristeza ou uma dor profunda se aceitam e assim se pode, por fim, seguir adiante.

Abraça os que amas enquanto podes.

Quem sabe se não está para breve o dia em que já não poderás sentir os braços de quem te ama – nem sentir-te a ti mesmo nesse lugar que também é uma morada tua.


José Luís Nunes Martins


quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Educação: Leão XIV alerta para «eficientismo sem alma» e pede renovação no tempo da inteligência artificial


Papa publica carta apostólica «Desenhar novos mapas de esperança», no 60.º aniversário da declaração conciliar «Gravissimum Educationis»

Foto: Vatican Media


Cidade do Vaticano, 28 out 2025 (Ecclesia) – O Papa publicou hoje um documento dedicado à educação, no qual alerta para um “eficientismo sem alma” e pede renovação das propostas e instituições católicas, perante o advento da inteligência artificial.

“As tecnologias devem servir a pessoa, não substituí-la; devem enriquecer o processo de aprendizagem, não empobrecer as relações e as comunidades. Uma universidade e uma escola católica sem visão correm o risco de cair no eficientismo sem alma, na padronização do conhecimento, que se transforma em empobrecimento espiritual”, escreve Leão XIV, na carta apostólica ‘Desenhar novos mapas de esperança’’, que assinala o 60.º aniversário da declaração ‘Gravissimum Educationis’, do Concílio Vaticano II, sobre a educação.

O novo documento alerta para os riscos de uma cultura educativa centrada apenas na tecnologia e na produtividade, propondo um “humanismo integral” que una conhecimento, ética e fé.

O Papa realça que “nenhum algoritmo poderá substituir o que torna a educação humana: poesia, ironia, amor, arte, imaginação, a alegria da descoberta e até mesmo a educação para o erro como oportunidade de crescimento”.

“O ponto decisivo não é a tecnologia, mas o uso que fazemos dela. A inteligência artificial e os ambientes digitais devem ser orientados para a proteção da dignidade, da justiça e do trabalho; devem ser governados com critérios de ética pública e participação; devem ser acompanhados por uma reflexão teológica e filosófica à altura”, sustenta.

O texto foi assinado esta segunda-feira, na Basílica de São Pedro, antes da Missa de abertura do Jubileu do Mundo Educativo, numa breve cerimónia acompanhada pelo cardeal português D. José Tolentino Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, da Santa Sé.

Leão XIV propõe uma abordagem pastoral criativa, que passe por “reforçar a formação dos professores também no plano digital”, “valorizar a didática ativa” e “promover a aprendizagem em serviço e a cidadania responsável”, evitando “qualquer tecnofobia”.

A carta pastoral aborda ainda a importância do discernimento sobre “a conceção didática, a avaliação, as plataformas, a proteção de dados e o acesso equitativo”.


A responsabilidade ecológica não se esgota em dados técnicos. Eles são necessários, mas não suficientes. É necessária uma educação que envolva a mente, o coração e as mãos; novos hábitos, estilos comunitários, práticas virtuosas. A paz não é ausência de conflito: é força suave que rejeita a violência. Uma educação para a paz desarmada e desarmante ensina a depor as armas da palavra agressiva e do olhar que julga, para aprender a linguagem da misericórdia e da justiça reconciliada”.

O Papa soma três novas prioridades para o Pacto Educativo Global, lançado por Francisco em outubro de 2020, somando-as às “sete vias” identificadas pelo seu predecessor.

Essas prioridades passam pela “vida interior”, destacando que os jovens “precisam de espaços de silêncio, discernimento, diálogo com a consciência e com Deus.

A segunda diz respeito ao digital, com apelos ao “uso sábio das tecnologias e da IA, colocando a pessoa antes do algoritmo e harmonizando as inteligências técnica, emocional, social, espiritual e ecológica”.

A terceira refere-se à “paz desarmada e desarmante”, de que Leão XIV tem falado desde o início do seu pontificado, educando “para linguagens não violentas, reconciliação, pontes e não muros”.
Foto: Lusa/EPA
         

A carta apostólica reconhece que a hiperdigitalização pode “fragmentar a atenção” e fala numa “crise das relações”, realçando que “é precisamente aqui que a educação católica pode ser um farol: não um refúgio nostálgico, mas um laboratório de discernimento, inovação pedagógica e testemunho profético”.

O Papa relaciona ainda a crise educativa com as desigualdades globais.

“Vivemos num ambiente educativo complexo, fragmentado, digitalizado. Perante os muitos milhões de crianças no mundo que ainda não têm acesso ao ensino primário, como podemos não agir?”, questiona.

“Perante as dramáticas emergências educativas provocadas pelas guerras, pelas migrações, pelas desigualdades e pelas diversas formas de pobreza, como não sentir a urgência de renovar o nosso compromisso?”, acrescenta.

O documento reafirma que “a educação não é uma atividade acessória, mas constitui a própria trama da evangelização: é a forma concreta pela qual o Evangelho se torna gesto educativo, relação, cultura”.

A formação cristã, acrescenta Leão XIV, “abrange toda a pessoa”, nas suas dimensões “espiritual, intelectual, afetiva, social, corporal”, e a educação “não mede o seu valor apenas na escala da eficiência”, mas “na dignidade, na justiça, na capacidade de servir o bem comum”.

"Esquecer a nossa humanidade comum gerou fraturas e violência; e quando a terra sofre, os pobres sofrem mais. A educação católica não pode calar: deve unir justiça social e justiça ambiental, promover sobriedade e estilos de vida sustentáveis, formar consciências capazes de escolher não apenas o conveniente, mas o justo. Cada pequeno gesto – evitar desperdícios, escolher com responsabilidade, defender o bem comum – é alfabetização cultural e moral.”

A carta apostólica indica que “a escola católica é um ambiente onde fé, cultura e vida se entrelaçam” e que a família “continua a ser o primeiro local de educação”.

Contra “a subordinação da educação ao mercado de trabalho e à lógica muitas vezes rígida e desumana das finanças”, o Papa pede uma educação aberta à cooperação global e à fraternidade.

Leão XIV deixa um apelo à superação das divisões e à construção de redes educativas, na Igreja Católica, como uma “constelação viva e plural”.

“Onde no passado havia rivalidade, hoje pedimos às instituições que convergirem: a unidade é a nossa força mais profética”, apela o documento.

A declaração ‘Gravissimum Educationis’, promulgada pelo Papa Paulo VI a 28 de outubro de 1965 durante o Concílio Vaticano II, definiu a educação como um direito universal e parte essencial da missão da Igreja.

OC

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Outono




0s tons mudam, as folhas caem, anoitece mais cedo...

É o fechar de um ciclo, início de outro.
Há beleza nos dois, assim saibamos respeitar a natureza e aprender com ela.

E certamente tão mais sábios seríamos se estivéssemos atentos ao que "ela " nos ensina.

O sol dá lugar a chuva, o calor ao frio, os dias vividos fora de casa a um recato maior. Um pouco à semelhança do que acontece na nossa vida!

Que saibamos então viver a beleza de cada dia com as suas particularidades. Nem sempre luz , nem sempre sombra, aprendendo, valorizando e evoluindo.


Que seja um Outono bonito para todos.


Lucília Miranda


segunda-feira, 27 de outubro de 2025

A vida não é sobre termos tudo...



A vida não é sobre termos tudo...


...É, antes, sobre cuidar de tudo o que temos, de tudo o que somos.

É reconhecer o valor dos pequenos gestos, acolher as pessoas que caminham connosco de forma inteira,

aquelas que veem para além do que podemos oferecer, e que nos amam pelo que habita dentro do nosso coração.

A verdadeira beleza da vida revela-se na capacidade de a abraçarmos por completo. Na coragem de permanecermos fiéis a nós próprios, não pelo que o mundo espera que sejamos, mas pelo que acreditamos poder oferecer à própria existência.


Nos momentos decisivos,
Deus ilumina o nosso caminho.
E tal como São Paulo,
também nós, por vezes, caminhamos cegos, até que a vida, na sua infinita bondade, revela-nos a luz que dissipa a escuridão.

Boa semana!


Carla Correia

domingo, 26 de outubro de 2025

(“aquele que se exalta será humilhado e aquele que se humilha será exaltado” )

 





A liturgia do trigésimo domingo comum propõe-nos uma reflexão sobre a forma como Deus exerce a Sua justiça. A justiça de Deus não ignora o sofrimento dos pobres, dos mais fracos, daqueles que nem sempre obtém justiça nos tribunais dos homens. A justiça de Deus concretiza-se essencialmente como amor e misericórdia. Todos os que estiverem disponíveis para acolher o amor misericordioso de Deus, encontrarão graça e salvação.

Na primeira leitura um sábio judeu do séc. II a.C. lembra aos seus concidadãos – impressionados pela arrogância dos conquistadores gregos e pelo brilho da cultura helénica – que Deus não faz aceção de pessoas: Ele escuta as súplicas dos desprezados e faz justiça às vítimas dos poderosos. Talvez as vozes dos humildes não signifiquem nada para os grandes do mundo; mas elas atravessam as nuvens e vão diretas ao coração de Deus.Jesus Ben Sira garante-nos que “a oração do humilde atravessa as nuvens” e chega a Deus. Porquê? Porque Deus está especialmente atento ao pobre, ao desvalido, aos que o mundo despreza? Sem dúvida. Deus está sempre atento às súplicas dos seus filhos mais frágeis. Mas é provável que Ben Sira esteja a insinuar outra coisa: que a oração do humilde “toca” o coração de Deus e agrada a Deus; e que a oração do rico não “toca” o coração de Deus e não agrada a Deus. Expliquemos isto… O pobre apresenta-se diante de Deus com humildade e simplicidade e coloca-se confiante nas mãos de Deus; sente-se pequeno, frágil indigno, e vê em Deus aquele que o pode salvar; com gratidão, entrega toda a sua vida nas mãos de Deus e confia no Seu amor; a sua atitude e a sua oração agradam a Deus. O rico, pelo contrário, apresenta-se diante de Deus seguro da sua importância, do seu estatuto, do seu poder; petulante e autossuficiente, sente-se mais como um “parceiro” de Deus, do que um “filho” que tudo deve ao amor de Deus; a sua atitude e a sua oração não agradam a Deus. E nós, como é que nos apresentamos diante de Deus?

No Evangelho Jesus, conta uma parábola “para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros”. Colocando frente a frente a figura de um fariseu de vida exemplar e de um publicano de vida mais do que duvidosa, Jesus tira uma conclusão desconcertante: de nada valem as “boas obras” do “justo” que, convencido dos seus méritos, se apresenta diante de Deus e dos irmãos com orgulho e arrogância; Deus prefere o pecador que, humildemente, reconhece a sua indignidade e se dispõe a abraçar a salvação que lhe é oferecida.A certeza de possuir qualidades e méritos em abundância pode conduzir ao orgulho. Do orgulho nasce a arrogância e o desprezo por aqueles que não são como nós. Ora, isto é perigoso. Entrincheirados atrás da nossa importância e da nossa pretensa autoridade moral, julgamo-nos melhores do que os outros; e sentimo-nos no direito de avaliar, de criticar, de julgar e de condenar aqueles que nos rodeiam. O passo seguinte é erguermos muros de separação: do nosso lado colocamos os “bons” (aqueles com os quais nos identificamos, os que têm uma visão do mundo e da vida semelhante à nossa) e no lado oposto colocamos os “pecadores” (aqueles com os quais não nos identificamos, os que têm visões “diferentes”, os que têm comportamentos que reprovamos). Onde é que isto nos conduz? Não servirá para criar exclusão e marginalização? Ajudará a potenciar a fraternidade, a inclusão, a comunhão? Temos o direito de nos considerarmos melhores do que um agnóstico, ou do que um ateu? Poderemos continuar, de forma ligeira, a alimentar a nossa ilusão de inocência, a condenar os outros à luz dos nossos critérios, e a esquecer a compaixão de Deus por todos os seus filhos?

A segunda leitura
propõe-nos o testemunho do apóstolo Paulo na fase final da sua vida: apesar de todas as contrariedades e vicissitudes que teve de enfrentar por causa da sua fidelidade a Jesus e ao Evangelho, Paulo manteve-se fiel e coerente: combateu o bom combate e guardou a fé. Resta-lhe agora confiar em Deus e entregar-se nas suas mãos. O exemplo de Paulo aponta o caminho aos crentes de todas as épocas.Paulo experimentou, no seu caminho de testemunho missionário, o abandono, a solidão, a traição, a incompreensão de muita gente, inclusive de alguns irmãos na fé. Por outro lado, sentiu sempre que o Senhor estava com ele, o animava e lhe dava forças para que “a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todos os pagãos a ouvissem”. A experiência de Paulo é, afinal, a experiência de todos os “profetas” que Deus envia ao mundo para serem arautos da sua salvação no meio dos homens: de um lado está o ódio do mundo, que desgasta e traz desânimo; do outro está a solicitude de Deus que conforta, sustenta, defende, anima e renova as forças dos seus enviados. É esta também a nossa experiência? A certeza da presença de Deus ao nosso lado dá-nos a força necessária para cumprirmos fielmente a missão que nos foi confiada?

https://www.dehonianos.org/

sábado, 25 de outubro de 2025

Pessoas que são tanto.





Pessoas que abraçam. Que abraçam mesmo, do fundo do coração.

Pessoas que dão a mão como quem dá o coração: para sempre.

Pessoas que olham mais fundo, que olham a alma.

Pessoas que sorriem como quem abraça.

Pessoas que são feitas de tanta ternura, que quase parece que cura.

Pessoas que são colo que tudo aconchega, que tudo serena.

Pessoas que falam como fala o amor.

Pessoas que escutam como se escuta o amor, mesmo sem ser preciso dizer.

Pessoas que são companhia em todas as horas: faça chuva ou faça sol.

Pessoas que são amparo, que são conforto.

Pessoas que cuidam, que (se) importam.

Pessoas que são porto de abrigo.

Pessoas que fazem sorrir.

Pessoas que têm o coração do lado certo: do lado do bem.

Pessoas que são esperança a existir, a ser verdade.

Pessoas que são de verdade.

Pessoas que são amor em forma de gente.

Pessoas que são tanto.

Mesmo sem saberem.

Só por serem, por estarem, por existirem.

Pessoas que são tanto: Que nunca nos faltem. E que nunca as deixemos faltar, também.


Daniela Barreira


sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Viemos para incomodar…



Não digo isto com orgulho mas, com responsabilidade.

Por vezes sinto que vivemos numa aparente normalidade em que tudo é permitido, em que o bom senso foi substituído pelo "meu" senso. Parece que, ora, não há mal em nada, ora há mal em tudo. Gratificação é suborno e vender bifanas em plena procissão religiosa é “dar de comer a quem tem fome”J. Parece que vale tudo ao ponto de perdermos a noção do que é correto ou não.

Depois, claro, há os que “vêm para incomodar” pois insistem em alertar para certas e determinadas coisas que não estão bem. É claro que são desvalorizadas e apelidados de beatas e velhos do restelo. Enfim…e alguns até são.

Não gosto de incomodar ninguém, mas sinto que às vezes sou obrigada a fazê-lo!

Não aceito discurso de ódios que incomodam tantos mas, que parecem terem boas sementeiras.

Não compreendo que uma opinião, por mais estranha que pareça, seja de imediato alvo de insulto ao invés do contraditório.

Não gosto que se use as instituições apenas para fazer bonito, para usar estatuto ou benefício.

Incomoda-me que se utilize a Igreja para “fazer” festas, benzer objetos, ou à sombra da honra de santos fazermos negócios sem qualquer busca pela espiritualidade.

Incomoda-me perceber que gostamos muito das aparências, mas pouco da prática do culto, da fé e da busca de Deus: isso é para os outros!Enquanto isso, organizam-se festas e em que se quer fazer o melhor com os melhores músicos, o maior número de andores e por aí, mas na vivência comunitária, raramente vemos os seus rostos nem o seu testemunho. Com sorte, vemos os seus filhos na catequese, mas nas eucaristias: isso é para os outros!

Incomoda-me e confesso a minha fraqueza, tolda-me a mente.

Sei que esta carta vai incomodar algumas almas e até, quiçá, dar origem a comentários que me vão incomodar, mas é assim a vida!

E tu amiga, o que te incomoda?


Raquel Rodrigues

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

O silêncio das grandes dores




Por fora, parecemos sempre ter vidas melhores, com menos tristezas e mais paz e alegria, como se houvesse uma lei que obrigasse todas as pessoas a esconder as suas adversidades.

As dores pequenas gritam, as grandes atacam-nos em silêncio e deixam-nos mudos, como elas.

A verdade é que as pessoas mais extraordinárias estão cheias de cicatrizes. O sofrimento faz, apesar de tudo, as almas mais fortes.

A luz mais bela de cada um de nós só se revela através das brechas abertas pelas pancadas que sofremos. E é por essas mesmas aberturas que nos chega o ar que refresca e desanuvia o nosso interior.

Muitas das mais belas histórias de amor foram escritas – e algumas vividas – por pessoas destroçadas.

Quem mais ama, mais sofre. Mas só é feliz quem ama, até ao fim deste mundo. Quem aspira ao céu, deve estar disposto a colocar à prova essa sua vontade e a pagar o custo pela viagem. A alguns é exigido tudo.

O mundo está cheio de gente que tem medo de ser feliz.

Talvez viver seja aprender a sofrer e a encontrar-lhe o sentido.

Pouco se reza quando se entregam apenas palavras.


José Luís Nunes Martins


quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Quem tudo quer controlar, pouco vive!



A necessidade de controlar tudo o que acontece pode chegar-nos por causa de uma profunda necessidade de segurança.

Temos a ilusão de que se conseguirmos (e pudermos) controlar o mundo à nossa volta, podemos viver numa bolha idealizada e maravilhosa, mas pouco real (no fundo).

A verdade é que a necessidade de controlo, do expectável e do previsível acaba por nos oferecer um conforto que a vida nunca nos vai oferecer, uma vez que se caracteriza, precisamente, por ser o oposto.

A vida vai acontecer-nos apesar de tudo o que queiramos ou precisamos.

A vida mostra-nos os lugares para onde é necessário olhar, as feridas que, por estarem abertas, ainda precisam da nossa atenção e revela-nos que as pessoas que são o que são, independentemente da nossa pretensão de as mudar.

Julgo que não podemos condenar quem se sente confortável a tentar controlar o que acontece. Mas podemos dizer-lhe, ou dizer-lhes, que esse não é um caminho saudável. O caminho que nos poderá deixar verdadeiramente livres é o de deixar ir, deixar ser, deixar acontecer.

É, sem dúvida, uma aprendizagem até aos nossos últimos dias. Não vamos conseguir render-nos e entregar-nos ao que a vida é de um dia para o outro.

Mas podemos ter consciência, compreender que fazemos o que fazemos por um motivo válido e sério.

Controlamos para sobreviver. Para tentar encontrar uma alternativa num mundo disforme e absurdo que pouca solução parece ter para nos oferecer.

Talvez seja assim porque a única solução para resolver o que o mundo é,

É o que somos.


Marta Arrais

terça-feira, 21 de outubro de 2025

A beleza do desapego...



Ver a beleza do desapego... é algo difícil.

Somos seres apegados a tudo o que nos rodeia: sítios, coisas, pessoas, lembranças, rotinas.

Apegamo-nos até mesmo a ideias sobre quem somos.

Apegamo-nos ao que conhecemos, pois o desconhecido por vezes assusta.

Queremos prender os cilcos efémeros da natureza. Mas a vida é movimento. Um movimento profundo de aprendizagem e transformação.

Há um convite de leveza e harmonia no desapego. Um convite em aceitar a beleza de cada instante. Um convite em experimentar a humildade da existência.

Há um convite de fé e de esperança, em cada acolher de mãos abertas.

O desapego pode ser a prova
mais subtil da consciência humana, e também, a mais libertadora.

O desapego deixa o convite de habitarmos a vida e confiar no seu fluxo invisível de amor.

Boa semana!


Carla Correia

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Catequese: D. António Augusto Azevedo pede «empenho renovado» a catequistas «num tempo que exige novo impulso»

 Presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã afirmou catequese como «laboratório de diálogo capaz de iluminar a procura de sentido de homens e mulheres do nosso tempo»

Foto Educris

Fátima, 18 out 2025 (Ecclesia) – D. António Augusto Azevedo apelou hoje a um “renovado compromisso” dos catequistas na missão de anunciar a fé, afirmou este como um “tempo que exige de cada um novo impulso” na ação e na missão da catequese.

“Vivemos um tempo sinodal que é um tempo de aprofundamento e continuidade que mobiliza toda a Igreja e na qual a catequese e os catequistas devem ter um papel e um empenhamento acrescidos”, afirmou nas palavras que deram início às Jornadas Nacionais de Catequistas 2025, que decorrem até domingo.


“O número 145, no capítulo V do documento final do sínodo, fala-nos da catequese como uma prática formativa que deve receber novo impulso. Uma catequese centrada em itinerários de iniciação cristã, em saída e extrovertida, aproximada da experiência de cada um. Um laboratório de diálogo capaz de iluminar a procura de sentido, certamente de muitos homens e mulheres do nosso tempo”, acrescentou.

O presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé (CEECDF) saudou os mais de 1100 participantes, de todas as dioceses portuguesas e começou por recordar as palavras do Papa Leão XIV aos catequistas lusófonos no Jubileu dos Catequistas, em Roma, que decorreu em Roma, entre 26 e 28 de setembro.

“O Papa pediu-nos em Roma, na nossa língua, a coragem e a dedicação constantes no anúncio do evangelho para que as crianças, os adolescentes e os jovens connosco cresçam intuindo que Deus as ama e tem para elas grandes sonhos”, recordou.

No final da sua intervenção D. António Augusto Azevedo contextualizou o tema da iniciativa – «Credo: A fé celebrada e testemunhada» – e desejou que o encontro possa ser um tempo de “procura, redescoberta e transmissão do tesouro que é o da fé”.

“Num mundo que tende a valorizar e a extremar as diferenças, o desafio que temos, como cristãos e a fazer comunhão. Professar o credo é um grande sinal de comunhão”, disse.

D. António Augusto de Azevedo pediu um “renovado compromisso, renovado empenhamento de todos”, nos secretariados diocesanos, dioceses e paróquias, “um renovado compromisso de cada um, de cada catequista” para implementar o “novo itinerário no qual a Igreja em Portugal está empenhada”.

As Jornadas Nacionais de Catequistas 2025 vão contar com quatro conferências, que abordam diferentes dimensões do Credo, desde a sua centralidade na vida da Igreja, passando pela vivência da fé, até ao papel do catequista como anunciador da vida nova do Evangelho.

Entre os oradores estão o padre Carl-Mario Sultana, da arquidiocese de Malta e presidente da Equipa Europeia da Catequese, e D. Alexandre Palma, bispo auxiliar do Patriarcado de Lisboa.

O segundo dia das Jornadas é marcado por uma conferência sobre «O crescimento da/na Fé durante o Tempo aprofundamento mistagógico», com testemunhos de catequistas e catequizandos.

As Jornadas terminam com uma Eucaristia presidida por D. António Augusto Azevedo, na Basílica da Santíssima Trindade.

Segundo informa o portal Educris, as Jornadas contam com a participação de mil e cem catequistas de 20 diocese do país.

Em 2025, comemoram-se os 1700 anos do Concílio de Niceia (325-2025), onde se formulou a primeira versão do Credo.

LJ/LS

domingo, 19 de outubro de 2025

Festa do Acolhimento- Benção das mochilas

 


Foi com uma igreja cheia que a nossa paróquia celebrou mais um domingo. Este, porém, foi um domingo especial em que todos os alunos foram convidados a participar na Bênção das Mochilas.

Conforme explicou o nosso pároco, a Bênção não era só para as mochilas, mas também para os estudantes. Muitos foram os que responderam sim a esta chamada e participaram.

Com e por todos eles toda a comunidade rezou pedindo para que a todos Deus guie, proteja, ilumine e sejam conduzidos sãos e salvos ao longo de todo o ano letivo. Foi sem dúvida alguma um belo momento e significativo momento para todos quantos participaram nesta celebração.

A Missa da Bênção das Mochilas proporciona um encontro entre Igreja, família e escola, onde as crianças passam a maior parte do tempo durante o ano, e despertar a comunhão entre elas não apenas na teoria, mas na prática e no convívio social. Também tem o objetivo de resgatar o valor da bênção nas famílias, mostrando sua importância.

O Papa Francisco, no final de 2019, lançou um grande desafio aos educadores, estudantes e familiares: participar de um grande Pacto Global pela Educação. Uma verdadeira aliança entre escola, família e sociedade para que se possa colocar cada vez mais no centro do processo educacional o desenvolvimento integral da pessoa, ajudando as novas gerações a assumirem como princípio de suas vidas o humanismo solidário e a proteção da Casa Comum.

Antes da celebração, os alunos foram convidados a levar suas mochilas até o altar, onde no final da missa o Sr. Padre Rui fez uma oração pedindo a bênção divina para os alunos nesta etapa escolar que se iniciou e para os materiais escolares.
 

 ORAÇÂO
“Que o Senhor os abençoe e guarde. Que Ele lhes mostre o brilho de sua face na inventividade criativa de homens e mulheres que facilitam e ampliam os limites humanos, através da Ciência e da Tecnologia, frutos da inteligência que nos faz imagem e semelhança do Criador.

Que o Senhor tenha cuidado e carinho com vocês, todos os dias, em todos os momentos, e que vocês sejam cuidadosos e carinhosos com todos os que cruzarem o seu caminho.

Que o Senhor lhes revele o seu rosto no rosto daqueles que mais necessitam do seu amor e dê, a todos, saúde e paz.

Que Ele esteja à sua frente para guiá-los. Que ele esteja atrás de vocês para protegê-los. Que Ele esteja sobre vocês para iluminá-los. Que ele esteja dentro de vocês para fortalecê-los.

E que Ele esteja sempre ao lado de vocês, amigo e companheiro de caminhada. Que ele abençoe a vocês e seus objetos escolares. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Amém!








O Dia Mundial das Missões de 2025



O Dia Mundial das Missões de 2025 será celebrado no dia 19 de outubro, com o tema "Missionários da esperança entre os povos".

Mensagem do Papa Francisco

Para o Dia Mundial das Missões de 2025, o Papa Francisco enfatiza a importância de ser "mensageiros e construtores da esperança". Ele convida todos os cristãos a renovar seu compromisso de levar a mensagem de Jesus Cristo a todos os cantos da Terra. A mensagem central deste ano é a esperança, refletindo a vocação missionária de cada batizado.

www.vatican.va+1



 

Necessidade de orar sempre sem desanimar

 



As leituras que a liturgia do vigésimo nono domingo comum nos propõe recordam-nos a importância de manter com Deus uma relação estreita, uma comunhão íntima, um diálogo insistente, uma escuta atenta… O diálogo contínuo com Deus trará à nossa vida uma nova luz: permitir-nos-á compreender os silêncios de Deus, respeitar os tempos de Deus, entender o projeto de Deus, confiar sempre no amor de Deus.

A primeira leitura traz-nos um episódio da caminhada do povo de Deus pelo deserto: durante um confronto de Israel com os amalecitas, Moisés ficou em oração, no cimo de um monte, pedindo a Deus que salvasse o seu povo. Ao contar esta história, a catequese de Israel pretende sublinhar o poder da oração. O crente só conseguirá enfrentar as duras batalhas que a vida lhe impõe se puder contar com a ajuda e a força de Deus; e essa ajuda e essa força brotam de um diálogo contínuo, nunca interrompido e nunca acabado, com esse Deus salvador e libertador que acompanha o seu povo em cada passo do caminho.
O Deus de hoje – como o Deus de ontem – não suporta a injustiça, a opressão e a maldade; Ele nunca fica do lado do opressor e não aceita ser cúmplice do injusto e do violento. Mais: Deus está presente e atuante nos gestos e nas palavras de todos aqueles que lutam pela libertação do seus irmãos e procuram fazer nascer um mundo mais justo e mais livre. Temos consciência disso? Somos capazes de reconhecer a presença e a ação de Deus naqueles que se esforçam por construir um mundo mais humano e mais pacífico?

No Evangelho Jesus conta aos discípulos uma parábola sobre “a necessidade de orar sempre sem desanimar”. Segundo Jesus, Deus escuta sempre a oração dos seus filhos e, no tempo oportuno, há de dar resposta a tudo aquilo que eles lhe dizem. Entretanto, independentemente da resposta de Deus, a oração faz bem: aproxima os crentes de Deus, fá-los entender o projeto de Deus, leva-os a confiar incondicionalmente em Deus, na sua misericórdia, na sua bondade, no seu amor.Timóteo é exortado a servir a Palavra e a proclamá-la “a propósito e fora de propósito”, em todas as circunstâncias, sem medo, sem vergonha, sem atenuar a radicalidade e a exigência da Palavra de Deus, sem cedências aos interesses dos que se sentem incomodados pelos desafios de Deus. É assim que procedem aqueles e aquelas a quem a Igreja confia o serviço da Palavra? Os que têm a missão de proclamar a Palavra e de a explicar aos irmãos, procuram fazê-lo de forma clara e cativante, a fim de que a Palavra chegue ao coração dos que a escutam?

Na segunda leitura um mestre cristão do final do primeiro século convida os crentes a terem sempre em conta, na construção do edifício da sua fé, a Sagrada Escritura. Ela é um lugar privilegiado de encontro entre Deus e o homem. Escutar a Escritura é escutar o Deus que fala e que mostra o caminho que conduz à vida verdadeira. A oração também passa pela escuta desse Deus que nos fala através da Sua Palavra escrita.Timóteo é exortado a servir a Palavra e a proclamá-la “a propósito e fora de propósito”, em todas as circunstâncias, sem medo, sem vergonha, sem atenuar a radicalidade e a exigência da Palavra de Deus, sem cedências aos interesses dos que se sentem incomodados pelos desafios de Deus. É assim que procedem aqueles e aquelas a quem a Igreja confia o serviço da Palavra? Os que têm a missão de proclamar a Palavra e de a explicar aos irmãos, procuram fazê-lo de forma clara e cativante, a fim de que a Palavra chegue ao coração dos que a escutam?

https://www.dehonianos.org/

sábado, 18 de outubro de 2025

Recomeços



Volta e meia somos convidados a recomeçar rotinas, a recomeçar encontros e conversas que por um espaço de tempo parece que ficaram suspensas.

Os recomeços causam adrenalina como se esperássemos algo novo ou diferente. E às vezes é isso mesmo que acontece outras, é mais do mesmo. Por isso, os dias antes e depois dos ditos recomeços costumam ser duros. Entre a ansiedade, as expectativas e a vontade de voltar à rotina que nos traz segurança, há todo um “eu” que cresce, sem dar conta, uma maturidade diferente e a capacidade de dar a cada recomeço o valor que tem.

Recomecem trabalhos, escolas ou projetos!

Recomecem reuniões, discussões e resolução de problemas

Recomecem os motivos para aguçar a nossa criatividade

Recomecem as canseiras de quem nem tempo tem para marcar encontros

E que recomece diariamente a vontade de olhar para tudo com um olhar novo e puro.

Olhar com paixão para o amor de anos.

Olhar com entusiasmo para o trabalho que fazes todos os dias.

Olhar com novidade para as conversas do costume

E Não te esqueças de seres tu também um bom motivo de recomeços.

Se sentes que algo que fazes não te está a fazer bem - recomeça, não esperes para o novo ano.

Se sentes que uma conversa não te faz bem - recomeça, muda de assunto e conduz tu.

Se sentes que precisas de perceber por onde recomeçar…fecha os olhos e Reza!

Quem sabe era esse o recomeço que precisavas e o reencontro que adiavas.

E tu amiga, que recomeços estás a adiar?


Raquel Rodrigues


sexta-feira, 17 de outubro de 2025

aDeus!




“Tendo despedido a multidão, subiu sozinho a um monte para orar.” (Mt 14, 23)

‘Despediu-os’. Ouvir isso nos dias que correm causa espanto e consternação, sobretudo se os despedidos forem pessoas que nos são queridas. Isto deve-se ao peso negativo que atribuímos a despedir, no contexto de uma sociedade com uma economia instável, na qual a desvalorização das pessoas mergulha-as numa vida cuja qualidade deteriora-se progressivamente.

Contudo, o significado do verbo ‘despedir’ tem muito mais alcance. Basta pensar que neste episódio relatado em Mateus, Jesus despede a multidão depois de ter multiplicado os pães e peixes para alimentá-la. Uma atitude bem contrária ao ato laboral de prescindir dos serviços de alguém. Assim despedir em ‘jesuano’ significa enviar depois de ter acolhido. É entregar aDeus a pessoa que parte. É aquele momento agridoce que conduz à saudade. Em francês dizemos “au revoir” quando nos despedimos. Existe nessa expressão um alento: despedimo-nos até nos voltamos a ver. Mesmo na ausência, a presença do outro fica apenas adiada. Similarmente a ‘saudade’ é o reconhecer que a porta se fecha e a distância física aumenta, a tristeza pode até bater à porta com mais ou menos regularidade, mas o que guardamos são todos os momentos felizes, a alegria que partilhámos quando estivemos juntos. Como é preciosa a linguagem que nos permite estar em relação com os outros.

Ora na semana passada quem se despediu fui eu. Despedi-me dos alunos, educadores, do colégio e muito provavelmente do ensino. Despedi-me sem ter sido despedida. Despedi-me sabendo que fui tão bem recebida. Despedi-me ciente de que deixo uma parte de mim para trás, como exprime maravilhosamente Saint Exupéry no Principezinho: “aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”. Despedi-me esperando que tenha sabido dar mais do que recebi, mas sei que recebi muito de todos. Os anos passados no colégio fortaleceram-me, ajudaram-me a crescer profissional e pessoalmente e redobraram a minha esperança.

Nos olhos curiosos e bondosos dos mais novos, vi a possibilidade de vir a conhecer, graças a eles, um mundo melhor, quem sabe mais generoso, mais tolerante e com menos ódio no coração. Talvez seja exatamente graças a esses olhares esperançosos, aos sorrisos doces e rasgados de alegria e a tantos gestos afetuosos de carinho e de consolo que tenho hoje coragem de partir. No meu coração estão gravados os abraços que recebi de antigas alunas no dia do aniversário da morte do meu pai, as mensagens, os desenhos no quadro, os abraços de despedida e até as lágrimas que alguns derramaram ao ver-me chorar… Entrei quebrada e insegura, mas todo o amor que ali recebi e tudo o que ali vivi devolveu-me a tua paz e a confiança de saber que chegou a hora de ser ‘livre para servir’ noutro lugar.

Vou, mas não sacudo o pó das minhas sandálias (cf. Lc 9, 5), pelo contrário, abençoo e agradeço o tempo que ali passei. A ti entrego os que ali conheci, dos mais novos aos ‘jovens há mais tempo’. Perguntarão talvez porque vou embora de um lugar que tanto me marcou. Vou porque em boa hora compreendi que quando há dor no partir, maior é a vontade de voltar. Compreendi que testemunhar-te é saber sair da nossa bolha de conforto para dar-te a conhecer em lugares onde foste esquecido. Tu ensinaste-nos que “não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos” (Mc 2, 17) e consequentemente quem escolhe seguir-te acolhe os teus ensinamentos e aceita os teus envios.

Vou, recupero o meu nome de batismo, não mais serei ‘stôra’, ‘miss’, ‘teacher’ ou ‘madame’, mas ficará sempre a tão portuguesa saudade.


Raquel Dias


quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Tenho mais do que mereço ou menos?




Há momentos em que nos sentimos algo perdidos entre a certeza de que merecemos muito mais do que aquilo e aqueles que está e estão à nossa volta, e uma outra certeza contrária que nos garante que tudo o que temos já é muito mais do que merecemos.

Serei eu um desafortunado que merece compaixão e que deve aspirar a mais do que tenho ou, pelo contrário, sou um impostor que já tem muito mais do que seria justo? E é nesta espécie de maré interior que a forma como me vejo e me avalio varia entre opostos.

A verdade é que mereceremos sempre ser mais, porque haverá sempre que precise do que temos e somos de bom. Se seguirmos por esse caminho chegaremos ao céu, em todos os sentidos!

Mas também é verdade que desconsideramos muito o que já há de bom na nossa vida. Assim, é quase sempre uma mentira completa que tenhamos pouco e que sejamos uns desgraçados que vivem num qualquer vale de trevas.

Neste mundo nem sempre recebemos o que merecemos. Nem as recompensas nem as penalidades.

Talvez não seja bom confiar nas emoções do momento, e procurar, com calma, olhar com verdade para todos os que nos amam e para tudo quanto julgamos nosso, mas que, num instante, podemos perder.

Que eu saiba sempre reconhecer e acolher o amor que me é dado por outros, e, da mesma forma, nunca me satisfaça com o que já sou e amo, procurando e encontrando sempre formas de ser e amar mais.


José Luís Nunes Martins


quarta-feira, 15 de outubro de 2025

CATEQUESE: Festa do Acolhimento , Benção das Mochilas

 

CATEQUESE: Festa do Acolhimento



No próximo domingo, dia 19 de outubro, na missa das 12h00, acolhemos as crianças do 1º ano da Catequese.

Elas começam, assim, o caminho de descoberta e de conhecimento do grande Amigo que é Jesus.

A acompanhá-los, teremos as famílias, a comunidade paroquial e meninos mais velhos da nossa catequese.

Durante a missa decorrerá o compromisso dos pais, das catequistas, das crianças, da comunidade, em participar na educação para a fé, uns acolhendo e outros sentindo-se acarinhados, no final a Benção das Mochilas

A nossa comunidade paroquial faz festa e está muito feliz em receber-vos!

Leão XIV, apelo para o 99º Dia Mundial das Missões

 


O Santo Padre a todas as paróquias: “Obrigado por tudo o que farão para me ajudar a apoiar os missionários em todo o mundo”

Cidade do Vaticano, 13 out 2025 (Ecclesia) – O Papa lançou um apelo ao contributo dos católicos para ajudar ação missionária da Igreja, recordando a sua própria experiência como religioso no Peru.

“Quando fui padre e depois bispo missionário no Peru, vi com os meus próprios olhos como a fé, a oração e a generosidade vividas neste dia podem transformar comunidades inteiras”, refere Leão XIV, numa mensagem para o 99.º Dia Mundial das Missões.

O Papa sublinha que esta celebração quase centenária é uma ocasião em que toda a Igreja se une em solidariedade e oração pelos missionários.

“As vossas orações e o vosso apoio ajudam a espalhar o Evangelho, a apoiar programas pastorais e de catequese, a construir novas igrejas e a cuidar das necessidades de saúde e educação dos nossos irmãos e irmãs nos territórios de missão”, sublinha a mensagem em vídeo, enviada aos jornalistas.

Leão XIV recorda o tema escolhido para a celebração deste ano, pelo Papa Francisco, “Missionários de esperança entre os povos”, em ligação com o Jubileu.

“Renovemos o nosso compromisso alegre de levar Jesus Cristo, nossa Esperança, até aos confins da terra. Obrigado por tudo o que vão fazer para me ajudar a apoiar os missionários em todo o mundo”, conclui.

A 5 de outubro, encerrando o Jubileu do Mundo Missionário e dos Migrantes, no Vaticano, o Papa tinha falado “nova era missionária” na Igreja, que passa por acolher quem chega de longe.

“Os barcos que esperam avistar um porto seguro onde parar e os olhos cheios de angústia e esperança, que procuram terra firme onde desembarcar, não podem e não devem encontrar a frieza da indiferença ou o estigma da discriminação”, disse, na homilia da Missa a que presidiu na Praça de São Pedro.

Na última mensagem que assinou o Dia Mundial das Missões, o Papa Francisco tinha pedido uma “nova estação evangelizadora”, a partir da “grande esperança” cristã, lembrando que “a pertença à Igreja nunca é uma realidade adquirida”.

“Na sociedade moderna, a pertença à Igreja nunca é uma realidade adquirida de uma vez para sempre. Por isso, a ação missionária de transmitir e formar a maturidade da fé em Cristo é ‘o paradigma de toda a obra da Igreja’”, refere o documento.

OC


terça-feira, 14 de outubro de 2025

Ainda vais a tempo de seres quem és



Apercebo-me de que, muitas vezes, vivemos em esforço. Sentimos que temos de corresponder às expectativas dos pais, dos professores, dos amigos, da sociedade no geral. Vivemos como se o guião da nossa própria vida nos fosse alheio. Como se nem sempre reconhecêssemos ou tivéssemos consciência dos motivos para seguir este ou outro caminho.

Começamos cedo a querer que os outros nos aceitem. Que gostem de nós como somos, mas, para que isso aconteça, sentimos que temos sempre de ser outra coisa qualquer. Uma versão melhor. Mais bem trabalhada. Mais bem resolvida. Mais aceitável para quem nos encontra.

Começamos cedo a disfarçar. A fazer de conta que estamos a conseguir chegar a todo o lado e a fazer o que nos pedem com uma cara alegre que, tantas vezes, só queria poder estar triste. Ou amuada. Ou zangada. Ou outra coisa qualquer que sempre fica menos bem nas fotografias ou nos stories das redes sociais.

Vamo-nos habituando a sentir menos e, depois, a não sentir de todo. Para nos protegermos. Para sobreviver num mundo que valoriza o esforço sem limites, a produtividade, a mente, o racional e o saber. Assim avançamos pela vida sabendo de tudo, menos de nós e do mundo que nos habita (ou assola?) por dentro.

Creio que a vida não pode ser só isto. Não pode compadecer-se simplesmente desta promessa vazia que nos fizeram: se trabalhares muito e bem vais ser muito feliz. Se fizeres o que é esperado, vais encaixar. Se disseres o que os outros querem ouvir, mesmo que não concordes, vais ser erguido em braços.

Se assim for, ainda não percebemos nada do que viemos cá fazer. Já dizia o agora Santo Carlo Acutis, será que nos contentamos em ser fotocópias? Repetições e réplicas uns dos outros? Sem saber onde começamos e onde terminamos?

Podemos, ainda, (e agora!) começar a esculpir e a descobrir a nossa versão original. Aquela que já quer saber pouco do que os outros pensam. Que se prioriza. Que diz que não mesmo que isso provoque o espanto alheio. Que não se deixa corromper, manipular ou subornar. Que vive para ser quem é, independentemente do que os outros esperam que seja.

Ainda vais a tempo de seres quem és. Todos os outros caminhos acabarão por deixar de valer a pena.


Marta Arrais

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

“Dilexi te”, Leão XIV: não se pode separar a fé do amor pelos pobres

 


Publicada a primeira exortação apostólica de Robert Prevost, um trabalho iniciado por Francisco sobre o tema do serviço aos pobres, em cujo rosto encontramos “o sofrimento dos inocentes”. O Papa denuncia a economia que mata, a falta de equidade, a violência contra as mulheres, a desnutrição, a emergência educacional. Ele faz seu o apelo de Bergoglio pelos migrantes e pede aos fiéis que façam ouvir “uma voz que denuncie”, porque “as estruturas da injustiça devem ser destruídas com a força do bem"


Salvatore Cernuzio – Vatican News

Dilexi te, “Eu te amei”. O amor de Cristo que se encarna no amor aos pobres, entendido como cuidado dos doentes; luta contra a escravidão; defesa das mulheres que sofrem exclusão e violência; direito à educação; acompanhamento aos migrantes; esmola que “é justiça restabelecida, não um gesto de paternalismo”; equidade, cuja falta é “a raiz de todos os males sociais”. Leão XIV assina sua primeira exortação apostólica, Dilexi te, texto em 121 pontos que brota do Evangelho do Filho de Deus que se tornou pobre desde sua entrada no mundo e que relança o Magistério da Igreja sobre os pobres nos últimos cento e cinquenta anos. “Uma verdadeira mina de ensinamentos”.

Salvatore Cernuzio – Vatican News

Papa reforça proposta de «Igreja pelos pobres e com os pobres», publicando documento preparado pelo seu antecessor

Cidade do Vaticano, 09 out 2025 (Ecclesia) – Leão XIV publicou hoje a primeira exortação apostólica do pontificado, ‘Dilexi Te’, na qual assume o legado pastoral e social de Francisco, numa reflexão sobre a relação da Igreja com os pobres.

“Em continuidade com a Encíclica Dilexit nos, o Papa Francisco, nos últimos meses da sua vida, estava a preparar uma exortação apostólica sobre o cuidado da Igreja pelos pobres e com os pobres, intitulada Dilexi te, imaginando Cristo a dirigir-se a cada um deles dizendo: Tens pouca força, pouco poder, mas «Eu te amei»”, explica o Papa, eleito a 8 de maio deste ano, pouco mais de duas semanas após a morte de Francisco (21 de abril).

O título ‘Dilexi Te’ (Eu amei-te, em português) é retirado de uma passagem do último livro da Bíblia, o Apocalipse (Ap 3, 9).

“Ao receber como herança este projeto, sinto-me feliz ao assumi-lo como meu – acrescentando algumas reflexões – e ao apresentá-lo no início do meu pontificado, partilhando o desejo do meu amado predecessor de que todos os cristãos possam perceber a forte ligação existente entre o amor de Cristo e o seu chamamento a tornarmo-nos próximos dos pobres”, escreve Leão XIV.

A reflexão sublinha a “opção preferencial pelos pobres”, uma expressão que se generalizou na Igreja Católica a partir da América Latina – onde Francisco nasceu e onde o atual Papa foi missionário e bispo – como uma dimensão teológica, e não apenas social, na vida da Igreja.

“A condição dos pobres representa um grito que, na história da humanidade, interpela constantemente a nossa vida, as nossas sociedades, os sistemas políticos e económicos e, sobretudo, a Igreja. No rosto ferido dos pobres encontramos impresso o sofrimento dos inocentes e, portanto, o próprio sofrimento de Cristo”, sustenta a encíclica.

Na linha do seu antecessor, Leão XIV defende o ideal de uma Igreja humilde, fiel à sua vocação de serviço aos necessitados, inspirando-se em figuras como São Francisco de Assis e os membros das ordens mendicantes, surgidas no século XIII.

“A Igreja é luz quando se despoja de tudo, a santidade passa por um coração humilde e dedicado aos pequenos”, refere, falando numa “revolução evangélica, na qual o estilo de vida simples e pobre se converte em sinal profético para a missão”.


Jesus é um mestre itinerante, cuja pobreza e precaridade são sinais do vínculo com o Pai e são pedidas também a quem deseja segui-lo no caminho do discipulado, precisamente para que a renúncia aos bens, às riquezas e às seguranças deste mundo seja um sinal visível do ter-se confiado a Deus e à sua providência.”

O Papa enfatiza que a Igreja deve assumir “uma decidida e radical posição em favor dos mais fracos”, num texto em que retoma a tradição bíblica e patrística (teólogos da antiguidade cristã), convidando a reconhecer os pobres como “carne de Cristo” e “modo fundamental de encontro com o Senhor da história”.

“A caridade não é uma via opcional, mas o critério do verdadeiro culto”, aponta.

A exortação apostólica assume críticas dentro e fora da Igreja a esta mensagem em defesa dos mais frágeis.

“Observar que o exercício da caridade é desprezado ou ridicularizado, como se fosse uma fixação somente de alguns e não o núcleo incandescente da missão eclesial, faz-me pensar que é preciso ler novamente o Evangelho, para não se correr o risco de o substituir pela mentalidade mundana”, adverte o pontífice.

Leão XIV sustenta que os pobres não são apenas destinatários de assistência, destacando a “necessidade de considerar as comunidades marginalizadas como sujeitos capazes de criar cultura própria”.


Existem muitas formas de pobreza: a daqueles que não têm meios de subsistência material, a pobreza de quem é marginalizado socialmente e não possui instrumentos para dar voz à sua dignidade e capacidades, a pobreza moral e espiritual, a pobreza cultural, aquela de quem se encontra em condições de fraqueza ou fragilidade seja pessoal seja social, a pobreza de quem não tem direitos, nem lugar, nem liberdade”.

O primeiro Papa da Ordem de Santo Agostinho, da qual foi responsável mundial, escreve que “numa Igreja que reconhece nos pobres o rosto de Cristo e nos bens o instrumento da caridade, o pensamento agostiniano permanece uma luz segura”.

“Hoje, a fidelidade aos ensinamentos de Agostinho exige não só o estudo de suas obras, mas a predisposição para viver com radicalidade o seu apelo à conversão que inclui necessariamente o serviço da caridade”, indica.

A ‘Dilexi Te’ está dividida em 121 pontos, com quase 60 citações de Francisco, entre as 129 notas do texto.

“Devemos sentir a urgência de convidar todos a entrar neste rio de luz e vida que provém do reconhecimento de Cristo no rosto dos necessitados e dos sofredores. O amor pelos pobres é um elemento essencial da história de Deus conosco e irrompe do próprio coração da Igreja como um apelo contínuo ao coração dos cristãos, tanto das suas comunidades, como de cada um individualmente”, apela Leão XIV.

Uma exortação apostólica é um documento formal do Papa dirigido principalmente aos católicos, sem se limitar a eles, cujo objetivo principal é orientar os destinatários sobre um tema específico – neste caso, “o amor para com os pobres” –, estimulando a reflexão e a ação.

Uma exortação apostólica é um documento formal do Papa dirigido principalmente aos católicos, cujo objetivo principal é orientar os destinatários sobre um tema específico – neste caso, “o amor para com os pobres” -, estimulando a reflexão e a ação.

Sem o peso oficial de uma encíclica, o documento papal mais solene, cada exortação apostólica é vista como um texto que expressa diretamente a visão do pontífice sobre o tema em análise.

OC

As emoções... que são vida.



As emoções... que são vida.

Fala-se muito de emoções e da sua importância, mas abrir espaço dentro de cada um para as sentir, compreender e aceitar vai um longo caminho.

Aprofundar a experiência do que sentimos todos os dias em relação a uma serie de acontecimentos é um ato de enorme coragem.

O mais simples é vivermos em "piloto automático" , acumular ideias, pensamentos e deixarmos que a vida aconteça.

Digo muitas vezes para abrirmos o coração à vida, mas só pode ser com uma atitude ativa, responsável e consciente da realidade que a vida é.

As nossas escolhas determinam o nosso caminho. O que sentimos também, mas o que fazemos com o que sentimos ainda mais. Para isso, temos de fazer pequenos ajustes na rota. Quanto mais resistirmos às nossas emoções, mais elas permanecerão.

E, o que é que as emoções têm de espiritualidade ou fé? Tudo.

São elas que nos guiam no caminho do perdão, da compaixão, da gratidão, da esperança e da harmonia... São as emoções que alimentam a alma e dão sentido à nossa jornada.

As emoções são a linguagem silenciosa da fé, que nos ligam ao outro. Viver é sentir. Sentir é acreditar.

Boa semana!


Carla Correia

domingo, 12 de outubro de 2025

A FÉ É SALVAÇÃO

 



As crises e dificuldades que enfrentamos ao longo da viagem da vida deixam, frequentemente, feridas que, com as nossas frágeis forças, não conseguimos curar. Incapazes de superar a nossa debilidade, afundamo-nos no desespero. Quem poderá devolver-nos a esperança? As leituras que a liturgia deste domingo nos propõe dizem-nos: “Deus não abandona os seus queridos filhos que a vida magoou e deixou para trás. Ele está sempre disponível para nos purificar de todas as lepras que nos sujam e para nos oferecer a sua salvação”.

Na primeira leitura Deus, através da ação do profeta Eliseu, oferece a sua salvação a um leproso estrangeiro, o general sírio Naamã. Curado da sua doença física e da sua cegueira espiritual, Naamã reconhece o poder de Deus e proclama a sua fé. Só Javé é o Senhor da vida, só Ele pode salvar. A misericórdia infinita de Deus derrama-se sobre todos os que n’Ele confiam, independentemente da sua origem étnica, da sua história de vida, da sua condição social ou religiosa.A cada passo – às vezes de forma totalmente inesperada – somos confrontados com a nossa debilidade. As contrariedades que o dia a dia apresenta, os problemas que ameaçam o equilíbrio da nossa vida, a impotência que experimentamos diante da violência e da maldade, o desmoronamento repentino das nossas certezas, a precariedade da nossa saúde, fazem-nos descobrir que somos “barro” frágil, que facilmente se quebra em pedaços. Ansiamos por seguranças, buscamos certezas, procuramos vida em plenitude; mas, onde encontrar tudo isso? Nesses bens materiais que nos dão uma ilusão de poder, de bem-estar, de tranquilidade, mas que rapidamente nos fogem das mãos? Nos líderes de opinião que nos dizem todos os dias como devemos viver para termos êxito e nos sentirmos integrados, mas que logo nos usam para alimentar os seus projetos pessoais? Nos charlatães que nos garantem remédios para o mau olhado, para inveja, para os males de amor, para o insucesso nos negócios, para todas as doenças físicas e espirituais, mas que apenas estão interessados no nosso dinheiro? Os teólogos de Israel que nos ofereceram esta catequese sobre a cura do general sírio Naamã ensinam que só Deus é fonte de vida e que é apenas em Deus que podemos confiar. É em Deus que colocamos a nossa esperança de salvação e de vida plena, ou há outros deuses que nos seduzem e aos quais entregamos a condução da nossa vida?

No Evangelho, alguns leprosos pedem a Jesus que se compadeça deles. Foram colocados à margem da vida e foi-lhes roubada toda a esperança. Jesus, profundamente compadecido, dispõe-se a oferecer-lhes a salvação de Deus. Mostra-lhes o caminho que eles devem percorrer para chegarem à vida nova. Estranhamente, só um deles reconheceu os dons de Deus e se mostrou grato pela salvação que lhe foi oferecida. Era um samaritano, um “herege”. Por vezes são os “improváveis”, aqueles pelos quais ninguém dá nada, que mais facilmente se deixam “tocar” pela bondade de Deus.Daqueles homens que, no caminho, ficaram curados da “lepra”, só um veio a correr ter com Jesus e se prostrou diante d’Ele para Lhe agradecer. Só um viu naquilo que lhe tinha acontecido enquanto caminhava, um sinal extraordinário da misericórdia e do amor de Deus; só um viu em Jesus o enviado de Deus para oferecer aos homens a possibilidade de viverem uma vida nova, livre de todas as cadeias, de todos os medos e de todas as indignidades; só um foi capaz de captar a grandeza de Deus e a sua bondade insondável; só um experimentou uma gratidão tão grande que não podia ser calada por mais um instante sequer. O texto não diz porque é que os outros não voltaram a correr para Jesus. Terão achado que aquilo que lhes aconteceu era tão “normal” que não precisava de agradecimentos extraordinários? Terão achado que era obrigação de Deus compensá-los pelo azar que tinham tido na vida? Seriam simplesmente pessoas “desligadas”, que não tinham a sensibilidade suficiente para mostrar gratidão? E nós, somos capazes de reconhecer os dons que Deus todos os dias coloca na nossa existência? Conseguimos reconhecer em Jesus o “irmão” que Deus enviou ao nosso encontro e que nos oferece, gratuitamente e sem condições, a salvação de Deus? Lembramo-nos de agradecer a Deus os seus dons, a Sua bondade, o Seu amor, a Sua salvação?

Na segunda leitura, um catequista cristão do final do séc. I convida os crentes a terem sempre diante dos olhos o exemplo de Cristo. Ele, embora tenha passado pelo caminho da cruz, chegou à ressurreição. O cristão, na esteira de Cristo, não deve ter medo de enfrentar as dificuldades e as perseguições: é através desse caminho que chegará à salvação, à vida definitiva.Naturalmente, nenhum de nós está interessado em “falhar” a vida. Todos queremos que a nossa vida faça sentido e seja coroada de êxito. O que podemos fazer, como devemos viver, para que a nossa vida valha a pena? Deveremos apostar nos êxitos humanos, nos triunfos sociais, na busca da fama, do reconhecimento e dos aplausos daqueles que nos rodeiam? O autor da Segunda Carta a Timóteo, depois de ver o que aconteceu com Jesus, sugere um outro caminho: chegaremos à nossa realização plena se gastarmos a vida a servir e a amar, até ao do total de nós próprios. Jesus ressuscitou e foi glorificado depois de passar pela cruz. Se percorrermos o mesmo caminho de Jesus, encontrar-nos-emos, no final do caminho, com a vida definitiva (“se morremos com Cristo, também com Ele viveremos; se sofremos com Cristo, também com Ele reinaremos”). Achamos que isto faz sentido? Estamos dispostos a percorrer o caminho de Jesus, a viver e a amar como Ele?

https://www.dehonianos.org/


sábado, 11 de outubro de 2025

A misericórdia que gera desdém



Somos inundados constantemente com imagens de miséria humana que nos perturbam. Perturbam, mas não é a todos!

Assisto com tristeza a vil ataques a manifestações de compaixão em relação a migrantes. Lembro-me de uma imagem de uma jovem da cruz vermelha que consolava um imigrante vítima de um naufrágio e de como ela foi agredida nas redes sociais.

Vejo também voluntários de associações que apoiam sem abrigos a serem agredidos sob o pretexto de estarem a incentivar a mendicidade.

E vi eu também, na minha cidade, com os meus próprios olhos. Há uns anos passeava na cidade com o meu filho- criança ainda - quando deparámos-nos com um sem abrigo. Aproximamos-nos e abordamos a perguntar se o podíamos ajudar. Estivemos um pouco à conversa e ficou assim. Não o ajudei muito pois na verdade ele também não queria ser ajudado. Limitamo-nos a ouvir e a consolar. Do outro lado da rua ouvia insultos, e olhares de desdém. Senti-me envergonhada e foi difícil explicar a uma criança, qual era o mal do gesto que tínhamos feito. Atravessamos a rua e fomos por outro lado, e mesmo na presença da criança não se coibiram a continuar as " bocas".

Falo pouco sobre este episódio que me envergonha e ainda hoje me custa passar lá. Sabem porquê? Porque não tive coragem de os enfrentar e de afirmar o meu gesto. Não salvei ninguém e talvez, não o tenha ajudado mas no meu íntimo sinto que não podemos estar sempre a olhar para o lado como se não fosse connosco. Afinal, nós não somos um comando da televisão a fazer zapping. Alias, acredito que temos na mão inúmeras possibilidades para mostrar misericórdia e compaixão mesmo que isso não salve o mundo.

O que ainda não consigo explicar ao meu filho é porque é que a misericórdia incomoda tanto, mas costumo lembrar que Cristo foi mestre nesses atos e também morreu na Cruz. A única diferença é que Ele nos salvou! E nós teimamos em continuar o seu legado. Por isso é que mostrar misericórdia é uma ato de coragem que a tantos incomoda, porque na verdade eles não conhecem o verdadeiro poder transformador que o amor tem.

E tu amiga, quando é que os teus atos de misericórdia foram olhados com desdém?


Raquel Rodrigues

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Esperança



Hoje, no aconchego das nossas casas, assistimos à tremenda violência que acontece agora, neste preciso instante, em terras que nos parecem distantes!

Mas serão tão distantes assim?

Não são eles seres humanos iguaizinhos a nós, com medos, incertezas, sonhos já destruídos?

Não são elas crianças como as nossas que deveriam estar a brincar e sorrir em vez de terem de se transformar em adultos a força, já carregados de tanto sofrimento?

Poderíamos ser nós, e só este exercício de pensamento deveria servir para nos conectarmos profundamente com eles, pedindo para que não percam a fé, pedindo luz para o seu caminho, pedindo coragem. Esquecendo guerrinhas sem sentido, das quais somos tantas vezes protagonistas, para refletir sobre o que realmente importa.

Por fim, pedir o antídoto para os corações de pedra, que vivem como se nunca fossem morrer e para quem o poder e o dinheiro são alimento que os sustenta.

"Quem realmente sabe o que planta não pode temer a colheita."

Que a justiça não tarde.



Lucília Miranda,

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Imagem de Nossa Senhora de Fátima parte na sexta-feira de Portugal ao encontro do Papa

 


A viagem da estátua original faz parte do programa do Jubileu da Espiritualidade Mariana dos dias 11 e 12 de outubro, em Roma. A imagem de Nossa Senhora de Fátima, venerada na Capelinha das Aparições no santuário mariano, parte de Portugal nesta sexta-feira (10/10). "A 'Senhora vestida de branco' se fará peregrina da esperança e, em Roma, estará junto do 'bispo vestido de branco', como carinhosamente os pastorinhos de Fátima se referiram ao Santo Padre”, disse Pe. Cabecinhas.


Andressa Collet - Vatican News

O Papa Leão XIV irá presidir o Terço pela Paz neste sábado, 11 de outubro, junto com os fiéis e peregrinos que participam tanto do Jubileu da Vida Consagrada quanto aquele da Espiritualidade Mariana. Na Praça São Pedro, a oração conjunta será acompanhada pela imagem original de Nossa Senhora de Fátima, aquela venerada diariamente na Capelinha das Aparições no santuário mariano de Portugal. A estátua parte da Cova da Iria nesta sexta-feira, 10 de outubro, para estar presente no programa divulgado pelo Dicastério para a Evangelização e segundo um pedido que ainda havia partido do Papa Francisco em 2024.

Serão dois os momentos em que o Papa Leão XIV estará junto à imagem da Virgem Maria: no sábado (11/10), às 18h do horário local na Vigília do Jubileu da Espiritualidade Mariana para o Terço pela Paz, e no domingo (12/10) na missa em que preside a partir das 10h30 da hora italiana. Os dois momentos serão realizados na Praça São Pedro.
O encontro de Nossa Senhora de Fátima com os fiéis

Ao longo do dia de sábado (11/10), os fiéis terão oportunidade de venerar e estar próximos da imagem de Nossa Senhora na Igreja de Santa Maria in Traspontina. Nesse dia, o programa prevê: às 9h missa presidida pelo reitor do Santuário de Fátima, Pe. Carlos Cabecinhas; às 12h o Rosário presidido pelo Pe. Giuseppe Midili; e às 17h, procissão da Igreja de Santa Maria in Traspontina até à Praça São Pedro.

Segundo o Dicastério para a Evangelização, a presença da imagem da Virgem Maria no Jubileu da Espiritualidade Mariana deverá enriquecer “ainda mais este momento de oração e reflexão”. Para dom Rino Fisichella, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, estátua é “um dos ícones marianos mais significativos para os cristãos de todo o mundo” e “a presença da amada imagem original de Nossa Senhora de Fátima permitirá a todos fazer a experiência da proximidade da Virgem Maria”.

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Festa de Nossa Senhora do Rosário


Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora do Santo Rosário ou Nossa Senhora do Santíssimo Rosário é o título mariano apresentado aquando da aparição da Santíssima Virgem Maria a São Domingos de Gusmão em 1214 na igreja do mosteiro de Prouille, na qual a mãe de Jesus entregou o Rosário ao fiel frade dominicano. É também o título pelo qual a Virgem Maria se apresentou aos três pastorinhos nas suas aparições em Fátima.

São Domingos, após a aparição e ter recebido o Santo Rosário das mãos de Nossa Senhora, tornou-se, ele próprio, o grande propagador dessa devoção mariana no início do século XIII. A Igreja Católica conferiu lhe o título de "Apóstolo do Santo Rosário"

A palavra rosário quer dizer um tanto de rosas, um buquê de rosas que se oferece a Nossa Senhora. Cada Ave Maria é uma rosa que oferecemos à Mãe do Céu, com carinho e esperança. Assim, quando rezamos o Santo Rosário completo oferecemos um buquê de cento e cinquenta rosas à Virgem Maria.

Em 1572, o Papa Pio V instituiu "Nossa Senhora da Vitória" como uma festa litúrgica.

Em 1573, Papa Gregório XIII mudou o título da comemoração para "Festa do Santo Rosário" e esta festa foi estendida pelo Papa Clemente XII a toda a Igreja Católica. Após as reformas do Concílio Vaticano II a festa foi renomeada para Nossa Senhora do Rosário. A festa tem a classificação litúrgica de memória universal e é comemorada dia 7 de Outubro.

Comemorando e louvando Nª Senhora do Rosário, habitualmente a Paróquia realiza a procissão pelas ruas do centro da vila, após a celebração da Eucaristia.










terça-feira, 7 de outubro de 2025

NOVO BISPO PARA A DIOCESE DE PORTALEGRE-CASTELO BRANCO


É com alegria e viva esperança que acabamos de receber a tão aguardada notícia. Sua Santidade o Papa Leão XIV acaba de nomear o Reverendo Padre Pedro Alexandre Simões Gouveia Fernandes, Padre dos Missionários do Espírito Santo, como Bispo desta Diocese de Portalegre-Castelo Branco.
Nesta hora de graça e de ação de graças, em que a mão de Deus se mostra favorável e próxima, todo o Povo de Deus que constitui esta comunidade Diocesana, com o seu Bispo cessante - agora nomeado Administrador Apostólico até que o novo Bispo tome posse -, o Senhor Dom Augusto César Alves Ferreira da Silva, Bispo Emérito, o Colégio de Consultores, os Cónegos Capitulares, Presbíteros, Diáconos, Membros de Vida Consagrada, Seminaristas, Serviço Cáritas, Conselhos diocesanos, Secretariados, Movimentos e Obras de Apostolado e de Ação Social, Responsáveis paroquiais, Catequistas, Irmandades, Confrarias e todos os Conselhos e serviços diocesanos e paroquiais, saúdam e aplaudem com fraterna amizade o seu novo Bispo, Dom Pedro Fernandes.
Com um carinhoso abraço, desejamos a Vossa Excelência as boas-vindas e os maiores êxitos apostólicos no ministério episcopal entre esta boa gente dispersa por território do Alto-Alentejo, Beira Baixa e Ribatejo.
Após as diligências levadas a cabo pelos serviços da Nunciatura Apostólica em Portugal, agradecemos ao Santo Padre a graça de o ter elegido e nomeado, como agradecemos também, na pessoa do seu Superior Provincial, Padre Hugo Norberto Mendes Ventura, a toda a Congregação dos Missionários do Espírito Santo esta dádiva à nossa Igreja Diocesana.
Que Santa Maria do Castelo, Mãe de Jesus, e Santo António de Lisboa, Padroeiro da Diocese, sejam sempre a estrela a iluminar o caminho de Vossa Reverência como pastor e mestre da fé desta parcela do Povo de Deus.
Em hora a confirmar, a tomada de posse canónica acontece com a Ordenação Episcopal, na catedral de Portalegre, em 16 de novembro próximo.
CURRICULUM VITAE
Rev.do
P. Pedro Alexandre Simões Gouveia Fernandes, C.S.Sp., nasceu a 22 de junho de 1969 em Lisboa, Patriarcado de Lisboa. Após concluir os estudos secundários em 1987, frequentou o primeiro ano de Teologia na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa. Depois, em 1988, ingressou na comunidade de estudantes Espiritanos do Restelo, em Lisboa, onde prosseguiu os seus estudos enquanto desenvolvia trabalho pastoral em um ambiente de imigração.
Em 1991 ingressou no Noviciado espiritano em Silva, Barcelos, e fez os primeiros votos a 8 de setembro de 1992. No ano seguinte regressou a Lisboa para o quinto ano de teologia, concluindo com uma tese sobre o diálogo católico-anglicano.
De 1993 a 1995 foi membro da Comunidade Espiritana de Clamart (França), obtendo uma licenciatura em Teologia Moral no Institute Catholique de Paris. Em 8 de setembro de 1995 fez os votos perpétuos e em 8 de outubro de 1995 foi ordenado diácono em Lisboa.
Depois, de 1995 a outubro de 1996, realizou o seu estágio missionário na Guiné-Bissau como diácono. Foi ordenado sacerdote em Lisboa a 21 de julho de 1996 e integrou, nesse ano, o primeiro grupo de Espiritanos enviados para a missão em Moçambique. Inseriu-se na equipa missionária de Netia (Diocese de Nacala), de onde assistiu a vasta região de Itoculo (na mesma diocese). Aí mesmo, a partir de 2004, com a equipa Espiritana à que pertencia, fundou a nova missão de S. José de Itoculo (2004), confiando ao clero de Nacala a missão de Netia. Durante este período, além do trabalho paroquial, foi Coordenador da Zona Pastoral de Monapo-Carapira (Vigário Forâneo) e Coordenador Pastoral da Diocese (2000-2009).
De 2009 a 2010 mudou-se para Roma, onde obteve um diploma no Centro Interdisciplinar para a Formação de Formadores para o Sacerdócio (C.I.F.S.), na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma (2009-2010). De regresso a Portugal, de 2010 a 2018 foi Superior da Comunidade Espiritana do Porto; Diretor de Formação na Casa de Formação Espiritana do Pinheiro Manso, no Porto, um centro internacional de formação de jovens Espiritanos de vários países; e Professor de Teologia da Missão no 6º ano do Seminário Diocesano do Porto.
De 2010 a 2012 foi Conselheiro Provincial e de 2012 a 2018 Primeiro Assistente da Província Portuguesa da Congregação do Espírito Santo e Acompanhante e Animador de grupos juvenis, em particular grupos pertencentes aos Jovens sem Fronteiras, movimento ligado aos Espiritanos.
De 2018 a 2024 foi Superior Provincial da Província Portuguesa dos Espiritanos e Vice-Presidente da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP). Atualmente é Presidente do Conselho de Administração da Instituição de Apoio Social Ânima Una.
(Na página da Diocese está a Mensagem do novo Bispo à Diocese, em texto e vídeo)
D. Antonino Eugénio Fernandes Dias
Administrador Apostólico da
Diocese de Portalegre-Castelo Branco
07-10-2025