As leituras que a liturgia deste domingo nos propõe recordam-nos que Deus conta connosco para concretizar o seu projeto de salvação em favor dos homens. Ele escolhe-nos, chama-nos, envia-nos e habilita-nos para sermos suas testemunhas no mundo. Não temos o direito de frustrar, com as nossas recusas, o projeto de Deus.
A primeira leitura traz-nos a história de vocação de um “servo de Javé”, escolhido por Deus “desde o seio materno” para ser “luz das nações” e levar a salvação de Deus “até aos confins da terra”. Consciente de que Deus o sustenta com a sua força, o “servo” dispõe-se a cumprir a missão que lhe é confiada. Quando Deus nos inclui nos sus planos, a nossa resposta só pode ser um “sim” sem reticências.
Poderemos nós, seres frágeis e indignos, ser sinais de Deus no mundo? Poderemos, com todas as nossas limitações, concretizar a “obra” de Deus no meio dos nossos irmãos e anunciar, com palavras e com gestos, um mundo mais belo, mais justo e mais humano? Sim podemos, com a força de Deus. Convém, no entanto, que não nos iludamos: aquilo que fazemos de extraordinário não resulta das nossas forças ou das nossas qualidades, mas sim de Deus. Quando nos louvarem ou nos aplaudirem por causa das obras que fazemos, que o nosso coração não se encha de orgulho, de vaidade, de autossuficiência, de autoconvencimento: por detrás de todos os nossos êxitos está Deus, esse Deus que é capaz de renovar e transformar o mundo a partir da nossa fragilidade. Estamos bem conscientes dos nossos limites e, em simultâneo, da força de Deus que atua em nós e através de nós?
Na segunda leitura Paulo de Tarso, lembra aos cristãos da cidade de Corinto que todos são chamados a cumprir a missão que Deus lhes destina. Paulo, chamado por Deus a ser apóstolo de Jesus Cristo, irá anunciar o Evangelho em todo o lado aonde a vida o levar; os coríntios, chamados à santidade, deverão viver de forma coerente com a vida nova que assumiram no dia em que se comprometeram com Jesus e com o Evangelho.
Paulo lembra aos cristãos de Corinto – e a nós também – que todos os batizados são chamados à santidade. Para muitos cristãos, contudo, a palavra “santidade” assusta: parece demasiado exigente e, portanto, irrealizável. Na verdade, a vocação à santidade não implica obrigatoriamente seguir caminhos extremos de ascese, de privação, de sacrifício, de renúncia, de abandono do mundo; mas significa, sobretudo, viver de forma coerente com a vida nova que assumimos no dia em que fomos batizados, o dia em que nos comprometemos no seguimento de Jesus; significa deixarmos para trás as obras das trevas e passarmos a viver na luz, como pessoas novas, animadas pelo Espírito. Temos procurado concretizar a nossa vocação à santidade? A nossa vida dá testemunho dos valores de Deus?
No Evangelho, João Batista apresenta Jesus: Ele é “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, o “Filho de Deus” que possui a plenitude do Espírito e que vem batizar os homens no Espírito. Jesus recebeu do Pai a missão de oferecer aos homens a vida nova de Deus; e irá cumpri-la com absoluta fidelidade. Nós, os que nos aproximamos de Jesus e que decidimos segui-l’O, continuamos a obra de Jesus: somos enviados a levar ao mundo a salvação de Deus.
Segundo João Batista, Jesus veio “batizar no Espírito”. A todos aqueles que se dispuserem a acolher a sua proposta, Jesus comunica a vida de Deus, a força de Deus, o amor de Deus (o Espírito Santo). Os primeiros discípulos de Jesus fizeram essa experiência no dia de Pentecostes (cf. At 2). Aquele que recebe esse “batismo no Espírito”, passa a viver segundo um dinamismo novo: os seus gestos, as suas palavras e o seu estilo de vida refletem a vida de Deus. O que é batizado no Espírito, renuncia à escravidão do pecado e passa a fazer as obras de Deus. Ser batizado no Espírito corresponde a um novo nascimento. Para nós, este caminho começou no dia em que fomos batizados, o dia em que nos comprometemos a caminhar com Jesus e recebemos d’Ele a vida de Deus. Temos vivido de forma coerente com essa opção? Renovamos em cada dia a nossa decisão por Jesus ou, entretanto, optamos por outros caminhos, outras propostas, outras formas de vida? A nossa vida, as nossas escolhas, os nossos valores, os nossos gestos refletem a opção que fizemos no dia em que fomos “batizados no Espírito”?
https://www.dehonianos.org/
Sem comentários:
Enviar um comentário
Este é um espaço moderado, o que poderá atrasar a publicação dos seus comentários. Obrigado