quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Sei por onde não quero ir



É fácil perdermo-nos quando os caminhos sugeridos são imensos.

Vai por aqui.

Dizem.

Faz assim. Compra isto. Faz esta viagem. Experimenta este restaurante. Segue este influencer. De repente, todos somos peritos em sugestões e em caminhos.

No meio de tanta informação ficamos sem bússola. Ou melhor, a nossa bússola começa a disparar em todas as direções. Torna-se complexo saber que rumo será o acertado a cada momento. Faço porque os outros me dizem para fazer ou faço porque me faz sentido?

De que forma posso acertar o ponteiro da minha bússola interna?

Talvez a solução não caiba da mesma forma a cada um. Mas, pode fazer sentido encontrar tempo para respirar fundo, sozinho(a), no silêncio que nem sempre sobra no final de cada dia. E nesse movimento tentar compreender, de olhos fechados, e sem distrações ou estímulos, por onde é que quero seguir.

Acompanhado ou solitário?

Silencioso ou comunicativo?

Empenhado ou a privilegiar o descanso?

Expressivo ou mais contemplativo?

Julgo que todos temos os dois lados das várias moedas. Por vezes preferimos fazer caminho de mãos dadas e, outras vezes, preferimos encontrar apenas a presença da nossa própria mão. Há alturas em que nos faz sentido falar e outras em que o silêncio nos ajuda mais a comunicar.

Precisamos de todos os nossos estados. Mas, essencialmente, precisamos de nos habitar a nós próprios, independentemente das opiniões díspares dos outros.

O que faz sentido para mim e o que rima com a minha raiz interna é o que deve prevalecer.

Mesmo que, às vezes, tenhamos de virar as costas a uma ou outra ideia. A esta ou aquela pessoa.

E quando não soubermos qual o caminho a seguir, que saibamos sempre por onde não queremos ir.


Marta Arrais

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