O papa rezou hoje pelas pessoas que vivem na dor e no desespero por causa da pandemia, pediu a graça das lágrimas, e sublinhou que Deus não só não é insensível aos lamentos como também se entristece pelos seres humanos.
«Penso em muita gente que chora: gente isolada, gente de quarentena, os idosos sós, gente recuperada e as pessoas em terapia, os pais que veem que, como não há salário, não sabem se conseguirão dar de comer aos filhos», afirmou.
«Muita gente chora. Também nós, do nosso coração, os acompanhamos. E não nos fará mal chorar um pouco com o pranto do Senhor por todo o seu povo», afirmou Francisco na introdução à missa a que presidiu, esta manhã, na casa de Santa Marta.
Na homilia, o papa centrou-se no Evangelho proclamado nas Eucaristias deste domingo, o quinto da Quaresma, a duas semanas da Páscoa, no qual Jesus se comove com a morte do seu amigo Lázaro, a quem volta a dar a vida após quatro dias no sepulcro (João 11,1-45).
Jesus, «Deus, mas homem, chora», como noutro passo do Evangelho, quando se refere que também derrama lágrimas sobre o destino de Jerusalém: «E com quanta ternura Jesus chora. Chora do coração, chora com amor, chora com os seus que choram. O pranto de Jesus. Talvez tenha chorado outras vezes na vida, não sabemos; seguramente no horto das Oliveiras [antes de ser preso e condenado à morte]. Mas Jesus chora por amor, sempre», observou. Com efeito, vincou, «Jesus não pode ver as pessoas e não sentir compaixão. Os seus olhos estão com o coração; Jesus vê com os olhos, mas vê com o coração, e é capaz de chorar».
«Hoje, perante um mundo que sofre tanto, perante tanta gente que sofre as consequências desta pandemia, pergunto-me: sou capaz de chorar, como seguramente o fez Jesus, e o faz agora Jesus? O meu coração assemelha-se ao de Jesus?», questionou.
E ainda que o coração de cada pessoa seja «demasiado endurecido», saberá ainda dizer e praticar o alfabeto da compaixão?
«[Mesmo se] sou capaz de falar, de fazer o bem, de ajudar, mas o meu coração não entra, não sou capaz de chorar, então pedir esta graça ao Senhor: Senhor, que eu chore contigo, chore com o teu povo que sofre neste momento», apontou.
«Tantos choram hoje. E nós, deste altar, deste sacrifício de Jesus, de Jesus que não se envergonhou de chorar, peçamos a graça de chorar. Que hoje seja para todos nós como o domingo do pranto», afirmou.
Antes de concluir a celebração, na terceira semana de transmissões em direto das missas presididas pelo papa, Francisco adorou o Santíssimo Sacramento e procedeu à bênção eucarística, convidando à comunhão espiritual.
Neste 5º Domingo da Quaresma, a liturgia garante-nos que o desígnio de Deus é a comunicação de uma vida que ultrapassa definitivamente a vida biológica: é a vida definitiva que supera a morte. Na primeira leitura, Jahwéh oferece ao seu Povo exilado, desesperado e sem futuro (condenado à morte) uma vida nova. Essa vida vem pelo Espírito, que irá recriar o coração do Povo e inseri-lo numa dinâmica de obediência a Deus e de amor aos irmãos. O Evangelho garante-nos que Jesus veio realizar o desígnio de Deus e dar aos homens a vida definitiva. Ser "amigo" de Jesus e aderir à sua proposta (fazendo da vida uma entrega obediente ao Pai e um dom aos irmãos) é entrar na vida definitiva. Os crentes que vivem desse jeito experimentam a morte física; mas não estão mortos: vivem para sempre em Deus. A segunda leitura lembra aos cristãos que, no dia do seu Baptismo, optaram por Cristo e pela vida nova que Ele veio oferecer. Convida-os, portanto, a ser coerentes com essa escolha, a fazerem as obras de Deus e a viverem "segundo o Espírito".
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Rezemos:
Senhor Jesus, Médico dos médicos, que curastes com amor os enfermos, e nunca deixastes de acolher a todos, vinde em nosso socorro, neste momento em que o medo nos aprisiona.
Libertai-nos do mal da pandemia, que avança sobre o nosso País e todo o mundo. Acreditamos, Senhor, que tudo pode ser mudado pela força da oração.
Olhai por todos aqueles que estão infetados com o coronavírus.
Acolhei junto a Vós as almas de tantas vítimas desse vírus em todo o mundo, e libertai do medo os que se encontram catalogados como casos suspeitos.
Fortalecei os Profissionais de saúde e Agentes de Segurança e quantos têm que trabalhar.
Concedei-nos a sabedoria para seguirmos as orientações necessárias neste momento em que caminhamos lado a lado com o medo do contágio.
Amado Jesus, que não nos falte a fé nem o discernimento para nos prevenirmos contra o mal que, rapidamente, tende a crescer a cada dia.
Auxiliai com Vossa graça os profissionais da área da saúde, para que descubram a vacina contra o coronavírus.
Dai-nos a vossa mão e concedei-nos a paz diante desta tempestade que nos rouba a serenidade.
Em Vós confiamos, e em Teu Sagrado Coração nos refugiamos neste momento em que o mundo clama por Tua infinita misericórdia. Assim seja!
Em outubro de 2006, falecia Carlo Acutis, um jovenzito que soube marcar a diferença. Embora tivesse nascido, em 1991, em Londres, foi Milão que o viu crescer. Cheio de vida e alegre como todos os jovens, a todos cativava pela sua serenidade e entusiasmo contagiante. Tornou-se popular e muito apreciado. A sua história despertou profunda admiração e comoveu muitíssima gente. Dotado de uma inteligência acima da média e apaixonado pela vida, entendera bem o chamamento à santidade e quanto bem podia fazer pelos outros. Educado cristãmente e exercitado nas virtudes cristãs, a Eucaristia era para ele um bem precioso, indispensável, a autoestrada para o céu. São Francisco era o seu grande santo de devoção. Gostava de Assis, esteve em Fátima, tinha devoção ao Anjo da Guarda e à oração do terço diário, frequentava os sacramentos. Na escola onde iniciou os estudos, desenvolveu a sua paixão pelos computadores. Criou um site dedicado aos milagres eucarísticos e à vida dos santos, procurando ajudar aqueles que desejavam marcar a diferença. Das Filipinas a Cabo Verde, do Brasil à China, em todo o mundo está presente esta sua herança espiritual. Tal como Chiara Luce Badano, da qual falei na semana passada, Carlo Acutis é outro dos doze jovens que o Papa Francisco, no documento conclusivo do Sínodo sobre os Jovens, apresenta como um dos santos que, não conhecendo a idade adulta, deixou o testemunho de uma “outra forma de viver a juventude”. Fez “brilhar os traços da idade juvenil em toda a sua beleza”. Tornou-se profeta da mudança. O Papa Francisco ao falar aos jovens do mundo inteiro, aos jovens que tanto apreciam a web e as redes sociais e vivem mergulhados numa cultura cada vez mais digitalizada, nunca deixa de alertar. Ao mesmo tempo que realça, com esperança, a enorme capacidade dos jovens para colocarem em marcha uma Igreja em saída, uma Igreja em busca da renovação e da sua eterna juventude, ele escreve assim: “é verdade que o mundo digital pode expor-te ao risco de te fechares em ti mesmo, de isolamento ou do prazer vazio. Mas não esqueças a existência de jovens que, também nestas áreas, são criativos e às vezes geniais. É o caso do jovem Venerável Carlo Acutis. Ele sabia muito bem que estes mecanismos da comunicação, da publicidade e das redes sociais podem ser utilizados para nos tornar sujeitos adormecidos, dependentes do consumo e das novidades que podemos comprar, obcecados pelo tempo livre, fechados na negatividade. Mas ele soube usar as novas técnicas de comunicação para transmitir o Evangelho, para comunicar valores e beleza. Não caiu na armadilha. Via que muitos jovens, embora parecendo diferentes, na verdade acabam por ser iguais aos outros, correndo atrás do que os poderosos lhes impõem através dos mecanismos de consumo e aturdimento. Assim, não deixam brotar os dons que o Senhor lhes deu, não colocam à disposição deste mundo as capacidades tão pessoais e únicas que Deus semeou em cada um. Na verdade, «todos nascem – dizia Carlos – como originais, mas muitos morrem como fotocópias». Não deixes que isto te aconteça! Não deixes que te roubem a esperança e a alegria, que te narcotizem para te usar como escravo dos seus interesses. Ousa ser mais, porque o teu ser é mais importante do que qualquer outra coisa; não precisas de ter nem de parecer. Podes chegar a ser aquilo que Deus, teu Criador, sabe que tu és, se reconheceres o muito a que estás chamado. Invoca o Espírito Santo e caminha, confiante, para a grande meta: a santidade. Assim, não serás uma fotocópia; serás plenamente tu mesmo (CV104-107). Com apenas 15 anos, uma grave doença, uma leucemia fulminante de tipo m3, bateu à porta de Carlo Acutis. Entrou enraivecida em sua casa e não houve medicina que a esconjurasse. Em apenas um mês, Carlo Acutis partia para junto do Senhor, a quem amava e anunciava. Se seus pais viviam com dor estes momentos, ele manifestava-se preocupado com isso, agradecia ao pessoal de saúde, vivia o dia a dia com intensidade, fixado no essencial: "Estar sempre junto com Jesus: este é o meu plano de vida". Esperando a partida para junto de Deus, ofereceu todos os seus sofrimentos ao Senhor pela Igreja e pelo Papa. Pela sua grande devoção a São Francisco, foi sepultado em Assis. No enterro, havia migrantes, alguns muçulmanos e hinduístas que o conheciam pelos seus passeios pelo bairro. Alguém conta que ele levava comida a um sem abrigo, deu um saco de dormir a um idoso que dormia sobre papelão, doava as suas mesadas para os frades capuchinhos. Era austero com ele próprio, como conta a sua mãe: “Uma vez, ele não gostou nem um pouco quando eu comprei um par de sapatos que ele achou supérfluos. Ele treinava a força de vontade. E dizia que ‘o problema é motivar a vontade. A única coisa que nós temos que pedir a Deus na oração é a vontade de ser santos’”. Um amigo confessou a sua aproximação à fé devido ao testemunho de Carlo. A postuladora para a causa dos Santos da Arquidiocese de Milão, afirmou que a fé de Carlo Acutis era "singular": "levava-o a ser sempre sincero consigo mesmo e com os outros (...) era sensível aos problemas e às situações dos seus amigos, dos companheiros, das pessoas que viviam perto dele e de quem o encontrava dia a dia". Declarada a sua venerabilidade, está em curso a causa da sua beatificação. A Sagrada Escritura refere que “até os jovens se cansam e afadigam; até os rapazes tropeçam e caem, mas os que põem a sua esperança em Deus renovam as suas forças, abrem asas como as águias, correm e não se fatigam, caminham e não se cansam” (Is 40, 30-31).
D. Antonino Dias- Bispo Diocesano Portalegre-castelo Branco, 27-03-2020.
O Papa Francisco preside esta sexta-feira, 27 de março, a uma oração no pátio da Basílica de São Pedro, sem a presença de fiéis, que será seguida por uma bênção excecional "Urbi et Orbi" (à Cidade e ao Mundo), devido à pandemia do novo coronavírus.
O Papa Francisco convidou os fiéis do mundo inteiro a participarem num momento de oração e bênção na Praça de São Pedro, que não terá a presença de fiéis.
“Renovo a todos o convite a participar espiritualmente através dos meios de comunicação, no momento de oração a que vou presidir na sexta-feira, pelas 18h00 (17h00 em Lisboa), no adro da Basílica de São Pedro. À escuta da Palavra de Deus e à adoração Santíssimo Sacramento vai seguir-se a bênção Urbi et Orbi, à qual estará ligada a indulgência plenária”, disse o Papa Francisco, esta quarta-feira.
Conta a Agência Ecclesia, que vai estar no Vaticano o "crucifixo milagroso" que, segundo a tradição, pôs fim à peste de 1522, em Roma. O Papa rezou diante deste crucifixo, a 15 de março, quando visitou a igreja de São Marcelo al Corso, na capital italiana.
A bênção ‘Urbi et Orbi’ é concedida pelo Papa, habitualmente, nas celebrações da Páscoa e do Natal, pelo que esta bênção tem assim um caráter excecional.
“Queremos responder à pandemia do vírus com a universalidade da oração, da compaixão, da ternura. Permaneçamos unidos. Façamos sentir a nossa proximidade às pessoas mais sós e mais provadas”, disse o Papa Francisco, quando convocou o momento especial de oração.
Na televisão portuguesa, o momento vai ser transmitido em direto na RTP1. Também é possível assistir online, através do Vatican News.
O número de mortos em Itália por coronavírus ascendeu esta quinta-feira a 8.165, 662 dos quais nas últimas 24 horas, uma cifra inferior à dos dias anteriores.
Papa convida todos os cristãos a rezar o Pai-nosso ao mesmo tempo
O papa convidou hoje os cristãos de todo o mundo, independentemente das suas Igrejas e Comunidades a que pertencem, a orarem a oração que Jesus ensinou, o Pai-nosso, na próxima quarta-feira, 25 de março, ao meio-dia.
Com esta iniciativa, que decorrerá na data em que liturgicamente se assinala a anunciação do anjo a Maria – nove meses antes do Natal –, os cristãos respondem «à pandemia do vírus», afirmou Francisco, após a oração do Angelus, que proferiu na biblioteca apostólica do Vaticano.
Para a próxima sexta-feira, 27 de março, o papa convida a participar numa oração a que presidirá, perante a Praça de S. Pedro, vazia, a transmitir para todo o mundo pelos meios de comunicação, na qual se meditará na Palavra de Deus, haverá um tempo de adoração ao Santíssimo Sacramento e a bênção "urbi et orbi" (à cidade e ao mundo), a que será incorporada a possibilidade de receber a indulgência plenária.
Depois de pedir a proximidade dos cristãos às pessoas mais sós - na missa a que presidiu, antes, rezou pelas vítimas do coronavírus, em particular pelas que morrem sozinhas -, e também às que assumem protagonismo nestes dias, como médicos, enfermeiros, polícias, exército, autoridades governamentais, Francisco sugeriu a leitura pausada e meditativa, neste domingo, do capítulo nono do Evangelho segundo S. João.
As palavras de Francisco:
«Nestes dias de provação, quando a humanidade estremece pela ameaça da pandemia, gostaria de propor a todos os cristãos a unirem as suas vozes para o céu.
Convido todos os chefes das Igrejas e os líderes de todas as Comunidades cristãs, juntamente com todos os cristãos das várias confissões, a invocar o altíssimo Deus omnipotente, recitando, simultaneamente, a oração que Jesus, nosso Senhor, nos ensinou», começou por dizer o papa.
Convido, portanto, todos, a fazê-lo muitas vezes ao dia, mas, todos juntos, a recitar o Pai-nosso na próxima quarta-feira, 25 de março, ao meio-dia, todos juntos.
No dia em que muitos cristãos recordam o anúncio à Virgem Maria da incarnação do Verbo [Jesus], possa o Senhor escutar a oração unânime de todos os seus discípulos que se preparam para celebrar a vitória de Cristo ressuscitado.
Com esta mesma intenção, na próxima sexta-feira, 27 de março, às 18h00, presidirei a um momento de oração no adro da basílica de S. Pedro, com a praça vazia.
A partir de agora, convido todos a participar espiritualmente através dos meios de comunicação. Escutaremos a Palavra de Deus, elevaremos a nossa súplica, adoraremos o Santíssimo Sacramento, com o qual, no termo, darei a bênção “urbi et orbi”, a que será incorporada a possibilidade de receber a indulgência plenária.
À pandemia do vírus queremos responder com a universalidade da oração, da compaixão, da ternura. Permaneçamos unidos, façamos sentir a nossa proximidade às pessoas mais sós e mais provadas. A nossa proximidade aos médicos, agentes de saúde, enfermeiros, enfermeiras, voluntários. A nossa proximidade às autoridades, que têm de tomar medidas duras, mas para o nosso bem. A nossa proximidade aos polícias, aos soldados, que, nas estradas, procuram manter sempre a ordem, para que se cumpram as coisas que o Governo pede para que se façam para o bem de todos nós. Proximidade a todos.
Exprimo também a minha proximidade à população da Croácia, atingida esta manhã por um terramoto. O Senhor lhes dê a força e a solidariedade para enfrentar esta calamidade.
E não vos esqueçais: hoje, pegai no Evangelho e lede tranquilamente, lentamente, o capítulo 9 de João. Também eu o farei. Fará bem a todos.
A todos desejo um bom domingo. Não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço, e até à vista.»
Iniciativa realiza-se em Fátima, a 25 de março, e vai renovar a Consagração de Portugal ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) anunciou hoje, em comunicado, a convocação de um momento de oração nacional, a 25 de março, solenidade da Anunciação do Senhor, perante a pandemia do Covid-19.
“Todas as Dioceses estarão unidas na oração do Rosário pelas intenções de todo o mundo e em particular de Portugal, nesta situação dramática que estamos a passar devido ao coronavírus Covid-19”, lê-se no documento.
Com inicio às 18h30, a iniciativa vai ser “transmitida por várias plataformas digitais de rádio e televisão, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário do Santuário de Fátima, sob presidência do cardeal António Marto, bispo de Leiria-Fátima e vice-presidente da CEP.
“A partir das nossas casas procuremos estar em sintonia espiritual nesta oração do Rosário e consagração de Portugal”, sugerem os bispos portugueses.
As leituras deste Domingo propõem-nos o tema da "luz". Definem a experiência cristã como "viver na luz". No Evangelho, Jesus apresenta-se como "a luz do mundo"; a sua missão é libertar os homens das trevas do egoísmo, do orgulho e da auto-suficiência. Aderir à proposta de Jesus é enveredar por um caminho de liberdade e de realização que conduz à vida plena. Da acção de Jesus nasce, assim, o Homem Novo - isto é, o Homem elevado às suas máximas potencialidades pela comunicação do Espírito de Jesus. Na segunda leitura, Paulo propõe aos cristãos de Éfeso que recusem viver à margem de Deus ("trevas") e que escolham a "luz". Em concreto, Paulo explica que viver na "luz" é praticar as obras de Deus (a bondade, a justiça e a verdade). A primeira leitura não se refere directamente ao tema da "luz" (o tema central na liturgia deste domingo). No entanto, conta a escolha de David para rei de Israel e a sua unção: é um óptimo pretexto para reflectirmos sobre a unção que recebemos no dia do nosso Baptismo e que nos constituiu testemunhas da "luz" de Deus no mundo.
Confissões em tempo de Quarentena? O Papa explica:Sei que muitos de vocês, na Páscoa, vão se confessar para se encontrarem com Deus. Mas muitos me diriam hoje: “Padre, onde posso encontrar um sacerdote, um confessor, já que não podemos sair de casa? E eu quero fazer as pazes com o Senhor, eu quero que ele me abrace, que o meu Pai me abrace ... Como posso fazer se não encontro sacerdotes?". Faz o que o diz Catecismo. É muito claro: se não encontras um sacerdote para te confessares, fala com Deus, Ele é o teu Pai, e diz-lhe verdade: "Senhor, fiz isto, isto, isto ... Perdoa-me", e pede-lhe perdão de todo coração, com o ato de contrição, e promete-lhe: "Depois vou me confessar, mas perdoa-me agora". E imediatamente voltarás à graça de Deus. Tu mesmo podes aproximar-te - como nos ensina o Catecismo – ao perdão de Deus, se não tens perto de ti um sacerdote. Mas pensa: é o momento! E este é o momento correto, o momento oportuno. Um ato de contrição bem feito, e assim a nossa alma se tornará branca como a neve.
Deus Pai, Criador do mundo, omnipotente e misericordioso, que por nosso amor enviaste o teu Filho ao mundo como médico dos corp
os e das almas, olha para os teus filhos que neste momento difícil de desorientação e consternação em muitas regiões da Europa e do mundo se voltam para Ti em busca de força, salvação e alívio.
Livra-nos da doença e do medo, cura os nossos doentes, conforta os seus familiares, dá sabedoria aos nossos governantes, energia e recompensa aos médicos, enfermeiros e voluntários, vida eterna aos defuntos. Não nos abandones neste momento de provação, mas livra-nos de todo o mal.
Tudo isto Te pedimos, ó Pai que, com o Filho e o Espírito Santo, vives e reinas pelos séculos dos séculos. Ámen.
Santa Maria, Mãe da saúde e da esperança, roga por nós!
Sem esquecer o vírus que nos atormenta, vou mudar de registo e falar de Chiara Badano, cujo nascimento foi considerado uma graça de Nossa Senhora das Pedras, devoção dos pais, pois há 11 anos que tentavam ter um filho e não o conseguiam ter. Chiara cedo entrou no Movimento dos Focolares, onde começou a viver a espiritualidade própria do Movimento e era extremamente ativa no setor juvenil. Aí aprendeu a colocar Deus em primeiro lugar e a oferecer a Jesus todas as suas dificuldades e sofrimentos. Gostava do desporto, da patinagem, da montanha e do mar, de cantar e dançar, uma jovem feliz! Aos 17 anos, durante uma partida de ténis, teve uma forte dor num ombro. As consultas e os exames clínicos multiplicaram-se. O diagnóstico, porém, não tardou, acusava um osteossarcoma, um tumor ósseo, que, apesar dos muitos cireneus, não deixou de ser uma verdadeira quaresma a carregar Chiara com a sua cruz, por ladeira íngreme, até ao cimo do seu calvário e sua páscoa, dois anos depois. Ao tomar conhecimento do que se tratava, Chiara ficou imóvel e em silêncio. Alguns minutos depois, já interiormente refeita, afirmou: «Se é o que queres, Jesus, é o que eu também quero". Os jovens que partilhavam o mesmo ideal, e outras pessoas do Movimento, alternavam-se em visitas ao hospital, manifestando comunhão com a doente e a sua família. Chiara, porém, nunca perdia o sorriso. O seu quarto, no hospital ou em casa, foi sempre um lugar de encontro, de apostolado, era a sua igreja, a todos cativava pelo seu testemunho. Embora na cama, permaneceu sempre muito ativa. Pelo telefone acompanhava grupos de Jovens, mandava mensagens, cartões e cartazes, fazia sentir a sua presença nos Congressos e atividades, procurava todos os meios para fazer com que os seus amigos e colegas conhecessem os gen e as gen e convidou muitos para o Encontro internacional de Jovens por um Mundo Unido, realizado em Roma, em maio de 1990. Gen significa “geração nova”, são os jovens e adolescentes que fazem parte do Movimento dos Focolares e vivem agregados em todo o mundo por faixas etárias e com dinâmicas próprias, apostados que estão em fomentar a revolução do amor tendo como finalidade a realização do testamento de Jesus: “Que todos sejam um”. Ela já não podia correr, mas queria que os jovens o fizessem: "Eu já não posso correr. Porém, gostaria de vos passar a tocha, como nas Olimpíadas. Os jovens têm uma vida só e vale a pena empregá-la bem!" Pessoas não crentes e até os próprios médicos, ficavam sensibilizados com a paz que experimentavam ao seu redor. Sentiam-se tocados e alguns até se reaproximaram de Deus, recordam-na, falam sobre ela, invocam-na. O médico que a acompanhava, bastante crítico em relação à Igreja, ficava cada vez mais impressionado com o seu testemunho e o dos pais: “Desde quando conheci Chiara alguma coisa mudou dentro de mim. Aqui existe coerência, aqui, na minha opinião, todo o cristianismo se encaixa”. E alguns dos adjetivos usados por esses médicos para descrever a serenidade e a fortaleza com que Chiara enfrentava essa doença mortal, foram de “fora do comum”, “extraordinário”, “incrível”... "É verdade. A sua atitude não era normal, porque completamente sobrenatural, fruto da graça divina, da fé infinita e do heroísmo cheio de virtude. Ela falava do vestido de noiva para o seu funeral, como se fosse uma jovem que se prepara para o matrimónio". Sim, ela preparou-se para o encontro com o Esposo, escolhe o vestido de noiva, o penteado, os cânticos e as orações para a sua “festa de núpcias”, para a “sua” Missa, o seu funeral. Queria que fosse uma festa, que ninguém chorasse. Apesar do sofrimento, ela sentia-se amada por Deus e manifestava isso de forma bela, como, por exemplo, quando assim se expressou depois de uma noite dolorosa: "Sofria muito, mas a minha alma cantava...". Quando percebia que a sua mãe estava preocupada pela situação, ia-a confortando: "Confie em Deus, pois você fez tudo"; "Quando eu tiver morrido, siga Deus e encontrará a força para ir em frente"; “Quando me quiser encontrar, olhe para o céu, e me encontrará numa estrelinha”. Nos últimos encontros com o seu Bispo, manifestou sempre um grande amor à Igreja. Sempre serena e forte, diante de cada nova “surpresa”, o seu estado de espírito era sempre o mesmo: "Com você, Jesus, por você, Jesus!"; “Por ti, Jesus, se tu queres eu também quero!”. E tudo oferecia pela Igreja, pelos jovens, pelos ateus, pelo Movimento dos Focolares, pelas missões... e repetia: "Não tenho mais nada, contudo tenho o meu coração e com ele posso sempre amar". Pouco antes de partir, ela revelou aos amigos que a foram visitar: "Vós não podeis imaginar como é agora o meu relacionamento com Jesus... Sinto que Deus me pede algo mais, algo maior. Talvez seja ficar neste leito por anos, não sei. Interessa-me unicamente a vontade de Deus, fazê-la bem no momento presente: aceitar os desafios de Deus”. Por insistência de muitas pessoas, Chiara, escreveu um bilhetinho a Nossa Senhora a pedir-lhe a cura, e ela escreveu: "Mãezinha Celeste, eu te peço o milagre da minha cura; se isso não for vontade de Deus, peço-te a força para nunca ceder!" Quando perceberam que o tratamento já era inútil, os médicos decidiram interromper as terapias. A doente referiu: “A medicina depôs as suas armas. Interrompendo os tratamentos, as dores nas costas aumentaram e quase não consigo mexer-me. Sinto-me tão pequena e o caminho a percorrer é tão árduo... muitas vezes sinto-me sufocada pela dor. Mas é o Esposo que vem ao meu encontrar, não é? Sim, eu também repito: ‘Se tu queres, eu também quero’... Tenho a certeza que, com Ele, venceremos o mundo!”. O relacionamento entre Chiara Badano e Chiara Lubich, a Fundadora do Movimentos dos Focolares, era muito próximo. Como os membros do Movimento dos Focolares, que o desejassem, podiam receber um outro nome, e Chiara Badano ainda o não tinha recebido, no dia 30 de setembro de 1989, Lubich respondeu-lhe assim, animando-a à perseverança até ao fim: "Chiara, não tenhas medo de Lhe dizer o teu sim, momento a momento. Ele te dará força, fica certa disso! Eu também rezo e estou sempre aí contigo. Deus ama-te imensamente e quer penetrar no íntimo da tua alma e fazer com que experimentes gotas de céu. 'Chiara Luce' - Clara Luz - é o nome que escolhi para ti. Tu gostas? É a luz do Ideal que vence o mundo. Eu o mando junto com todo o meu afeto...". Chiara ‘Luce’ Badano veio a falecer aos 19 anos, em 7 de outubro de 1990. Segundo relata a sua mãe, se o seu último ato de amor foi a doação das suas córneas a dois jovens, as suas últimas palavras, foram: “Tchau mamãe! Esteja feliz, porque eu estou feliz”. Em 25 de setembro de 2010, a Igreja proclamou a sua Beatificação, a primeira pessoa do Movimento dos Focolares a alcançar esse reconhecimento. Participaram milhares de pessoas, de mais de 40 países dos cinco continentes. Os santos são as mais belas flores da Humanidade!
D.Antonino Dias - Bispo Diocesano Portalegre-Castelo Branco, 20-03-2020.
Tão depressa sinto o coração a rebentar de esperança como o sinto cheio de medo. Tão depressa me parece óbvio que tudo passará como me sinto assoberbada com tudo o que está a acontecer. Tão depressa consigo consolar os outros e dizer coisas razoáveis como me sinto a fazer uma birra imensa e a bater com os pés em todo o lado. Não me conformo. Não me conformo com o que nos está a acontecer a todos. Não me conformo com as vezes em que me esqueci de olhar melhor para o céu e para o sol de cada dia. Não me conformo com as vezes em que assumi que veria aquela pessoa no dia seguinte. No segundo seguinte. No momento seguinte. Não me conformo com as vezes em que reclamei por ter que sair de casa cedo e sentir demasiado frio. Não me conformo com as vezes em que me queixei pelo calor que fazia lá fora e pelo cansaço a que o corpo parecia ceder. Não me conformo com o facto de ter acreditado tantas vezes que tudo era garantido. Jantar fora quando quisesse. Ir ao café. Beber um copo de vinho ao pôr do sol. Abraçar os amigos. Rir sem ter medo de me aproximar deles. Passear na rua e não prestar atenção a nada nem à falta que passear na rua me poderia fazer. Ir ao centro comercial e parar nas lojas preferidas ou não parar em nenhuma e comer, apenas, um gelado. Fazia tudo sem ter medo. Fazíamos tudo sem ter medo e sem pensar e não sabíamos que éramos profundamente felizes. Nunca sabemos. Nunca percebemos as coisas até que as mesmas nos fogem para uma dimensão que fica aquém do alcance das nossas mãos e dos nossos braços. Não me conformo e preciso de me conformar. Não nos conformamos e precisamos de o fazer. De aceitar. De embalar a revolta até a fazer adormecer e depois soprá-la para longe. Precisamos de respirar fundo e olhar em frente, mesmo que pareça insuportável ou verdadeiramente difícil.
Como diria Chiara Petrillo: “Apenas vivendo o hoje é possível enfrentar a vida”.
É isso que nos cabe agora como missão: viver o hoje para enfrentar o que virá amanhã. O amanhã mora já ali e há-de ser profundamente melhor e mais feliz. Vais ver.
Penso que a nós, pastores, não nos basta comunicar aos fiéis algumas regras de procedimento, de tipo higiénico-sanitário ou litúrgico. Isso é bem-vindo e faz falta. Mas é preciso mais; é preciso oferecer ao santo povo de Deus uma interpretação cristã do momento crítico que estamos a viver, uma leitura dos sinais, para realmente crescermos na fé, caminharmos na esperança e testemunharmos o amor. Precisamos de oferecer percursos e recursos alternativos, para que a ausência e a distância física da Igreja se torne presença espiritual de uma comunidade que tece os seus laços de fé de modo mais profundo, permanecendo unida como ramos na videira. Deste modo, aproveitaremos este tempo especial da quarentena forçada, como tempo favorável para uma Quaresma reforçada e, portanto, para uma Páscoa verdadeiramente de renascimento e de vida nova. Vai neste sentido, a Mensagem, que dirijo aos meus paroquianos, que é fruto da minha leitura e das leituras destes dias.
Vivemos tempos difíceis. Vivemos um tempo em que um vírus nos coloca em alerta constante. Vivemos tempos em que o lazer ou em que o "godere", ou seja, o usufruir, não nos leva a lado nenhum. O "depois" preocupa-nos. Vivemos um tempo em que o "já" e o "agora", não nos satisfazem por completo. Perante uma epidemia que parece alastrar-se pelo nosso país, o ser feliz aqui e agora, parece distante…
Curioso saber quem é que Jesus convidou a subir ao monte. Curioso saber o que Jesus disse aos seus apóstolos depois deste acontecimento: «Não temais!»
Os cristãos são chamados a não vacilar perante os acontecimentos do mundo. São chamados a permanecerem firmes perante a tribulação; perante a dificuldade de perceber o mundo ou os acontecimentos do mundo.
Não é fácil aceitar o sofrimento dos que nos são próximos; dos que nos são familiares; dos que nos são «tudo» neste mundo…
Que a «Transfiguração» nos acalente nestes dias! Que «o mundo que há de vir» nos alimente e nos seja força para enfrentar as tormentas destes dias.
A fé não é magia.
É um dos temas que tenho abordado com todo um universo de boa gente empenhada num mundo melhor. A fé não nos salvaguarda de momentos maus. Não! A fé não é uma porção mágica! A fé fortalece-nos perante circunstâncias más da vida!
Reparem no que Jesus disse a Pedro, Tiago e João: «Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do homem ressuscitar dos mortos». (Mt 17, 9) A Verdade só nos sará dada nos fins dos tempos! Existem muitas coisas neste mundo que não nos serão compreendidas aqui e agora! Este é o nosso drama. Este é o drama do Homem que quer saber tudo e agora! Este é o drama do ser humano que se julga sabedor de toda a vida! E que é só assim que se compreende… Mas a verdade é que não é. Por mais que queiramos saber TUDO do que somos, não o saberemos…
Eis a razão porque não compreendemos todo o sofrimento… Porque não compreendemos a morte sem razão… Que mal fizeram tantos dos que perecem perante este vírus? Haverá apenas um explicação naturalista, evolucionista? A ou as razões da natureza não nos satisfazem! Somos seres conscientes e com memória do passado e esperançosos no futuro…
A Transfiguração nos acalente perante um presente sofredor e um futuro de esperança…
A fé salva-nos na medida em que não nos esquecemos da "nossa parte", ou seja, a fé que não é magia, "obriga-nos" a seguir as recomendações que a ciência e a razão humanas nos exigem.
A Transfiguração exige-nos que sejamos completos neste mundo enquanto cá estamos. Pedro, Tiago e João queriam montar uma tenda para lá permanecerem. Porém, Jesus disse-lhes: 'Meus amigos, há um mundo para transformar! Há um mundo, cheio de problemas; cheio de "vírus" onde é preciso ser luz e sal!'
Que a nossa fé não seja vã nestes dias de tormenta. Sejamos capazes de nos transfigurar perante esta tormenta chamada de coronavírus! Deus é o nosso horizonte de felicidade!
Bem hajam todos aqueles que são luz nas trevas; que são bonança na tempestade.
A Transfiguração nos acalente perante um presente sofredor e um futuro de esperança…
A fé salva-nos na medida em que não nos esquecemos da "nossa parte", ou seja, a fé que não é magia, "obriga-nos" a seguir as recomendações que a ciência e a razão humanas nos exigem.
A Transfiguração exige-nos que sejamos completos neste mundo enquanto cá estamos. Pedro, Tiago e João queriam montar uma tenda para lá permanecerem. Porém, Jesus disse-lhes: 'Meus amigos, há um mundo para transformar! Há um mundo, cheio de problemas; cheio de "vírus" onde é preciso ser luz e sal!'
A Palavra de Deus que hoje nos é proposta afirma, essencialmente, que o nosso Deus está sempre presente ao longo da nossa caminhada pela história e que só Ele nos oferece um horizonte de vida eterna, de realização plena, de felicidade perfeita. A primeira leitura mostra como Jahwéh acompanhou a caminhada dos hebreus pelo deserto do Sinai e como, nos momentos de crise, respondeu às necessidades do seu Povo. O quadro revela a pedagogia de Deus e dá-nos a chave para entender a lógica de Deus, manifestada em cada passo da história da salvação. A segunda leitura repete, noutros termos, o ensinamento da primeira: Deus acompanha o seu Povo em marcha pela história; e, apesar do pecado e da infidelidade, insiste em oferecer ao seu Povo - de forma gratuita e incondicional - a salvação. O Evangelho também não se afasta desta temática... Garante-nos que, através de Jesus, Deus oferece ao homem a felicidade (não a felicidade ilusória, parcial e falível, mas a vida eterna). Quem acolhe o dom de Deus e aceita Jesus como "o salvador do mundo" torna-se um Homem Novo, que vive do Espírito e que caminha ao encontro da vida plena e definitiva. A vida é dom. "Se conhecêsseis o dom de Deus!", diz Jesus à mulher de Samaria. Deus é alguém que oferece um presente, é o seu modo de fazer aliança connosco. Ele faz-nos viver porque é nosso Criador. Ele faz-nos reviver porque é nosso Salvador. Ele faz-nos viver com Ele e com os nossos irmãos porque é o Espírito que faz a nossa comunhão. Saibamos apreciar estes presentes, saibamos provar o seu sabor. A vida, recebemo-la... que presente! É preciso que a demos... em troca! Nesta semana, procuremos aprofundar esta relação que somos convidados a viver com Deus e com os nossos irmãos. Não sejamos daqueles "mimados" que já não sabem apreciar o que se lhes dá! Não sejamos daqueles "avarentos" que já não sabem o que é oferecer! Que fonte? Sede do Povo de Israel no deserto! Sede da samaritana! E nós? Temos sede? De quem? De quê? A que poço vamos nós beber para matar todas as sedes que nos habitam? E se nos enganamos na fonte? "Senhor, dá me dessa água, para que eu não sinta mais sede"!
Além das recomendações oficiais em relação ao COVID 19, rezar pelos doentes e pelos profissionais é uma das coisas a fazer. Esta oração é de D. Bruno Forte, bispo italiano.
As leituras deste Domingo propõem-nos o tema da "luz". Definem a experiência cristã como "viver na luz". No Evangelho, Jesus apresenta-se como "a luz do mundo"; a sua missão é libertar os homens das trevas do egoísmo, do orgulho e da auto-suficiência. Aderir à proposta de Jesus é enveredar por um caminho de liberdade e de realização que conduz à vida plena. Da acção de Jesus nasce, assim, o Homem Novo - isto é, o Homem elevado às suas máximas potencialidades pela comunicação do Espírito de Jesus. Na segunda leitura, Paulo propõe aos cristãos de Éfeso que recusem viver à margem de Deus ("trevas") e que escolham a "luz". Em concreto, Paulo explica que viver na "luz" é praticar as obras de Deus (a bondade, a justiça e a verdade). A primeira leitura não se refere directamente ao tema da "luz" (o tema central na liturgia deste domingo). No entanto, conta a escolha de David para rei de Israel e a sua unção: é um óptimo pretexto para reflectirmos sobre a unção que recebemos no dia do nosso Baptismo e que nos constituiu testemunhas da "luz" de Deus no mundo.