terça-feira, 5 de abril de 2022

Desconstruir para erguer



Jesus veio revolucionar. Veio dividir, não para reinar, mas para servir. E toda a Sua história é marcada e desenhada em serviço ao outro e pelo outro.

Jesus mais do que construir, veio para desconstruir um reino que apenas servia para alguns. Desconstruiu para que todos/as pudessem ser construídos/as. Para que todos pudessem ser erguidos/as num reino escrito e planeado por Deus.

Jesus virou tudo ao contrário para que ninguém ficasse sem a alegria de se saber amado/a. Um Deus humano e comprometido com a humanidade. Para isso chegou bem perto. Tocou. Comoveu-se. "Compaixonou-se".

Jesus veio para os que se sabiam sedentos. Esteve com quem ninguém queria estar. Comeu e bebeu com quem se sabia frágil. Andou pelas margens da vida para sentir de perto a dor de se ser rejeitado.

O Evangelho de Jesus não é definitivamente para meninos e meninas bonitas. Muito menos para aqueles que se acham donos da verdade e da perfeição. Quererá isto dizer que então não é de todos e para todos?

É claro que O é. No entanto, só seremos verdadeiramente dEle se tivermos a Sua capacidade de chegar aos que hoje permanecem nas margens da nossa sociedade.

Não teremos todos e todas, como Igreja, questionar a nossa postura?

Sou um/a Cristão/ã que ergue ou que condena?

Sou um/a Cristão/ã que se inspira no Pai da parábola do filho pródigo ou que ateima em ser o filho mais velho?

Sou um/a Cristão/ã reconhecido pela alegria e pelo amor ou pela rigidez da doutrina?

Hoje, antes de professares a tua fé, pergunta-te: a quem tens deixado de fora? Quem é que para ti não é digno da Sua presença?


Emanuel António Dias


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