sexta-feira, 30 de junho de 2023

A FILHA DO MINISTRO TOCAVA VIOLINO...



E daí?... Daí, morreu!...
Não por tocar violino, claro. Também tocava piano.
De ascendência espanhola, nasceu na Nicarágua, chamava-se Maria Romero Meneses. Foi salesiana, acreditamos que seja nossa protetora, esse favor lho pedimos. Cresceu numa família numerosa e feliz. Estudou música, tocava piano e violino, gostava da pintura e do desenho, tinha aptidão para as artes. É certo que isto de associar os sons e as palavras, as cores e as formas, a criatividade e o engenho é só para alguns. Só toca viola quem tem unhas. Fazer da vida uma obra-prima, porém, isso sim, isso é tarefa de todos. Todos devemos arregaçar as mangas, deitar as mãos às rabiças do arado e olhar em frente, sem sair da linha, virando a leiva. Esta função aratória, este ato de lavrar o coração e a vida, pode encontrar terrenos secos e duros, terrenos fundos e húmidos, terrenos com ervanço e raizame densos que é preciso desbravar, passarinhos e passarões que se têm de espantar (cf. Lc 8, 4-15). Tudo será possível se feito com humildade e esperança, com sentimentos de gratidão para com quem no-lo permite e ajuda a fazer, com determinação e alegria da nossa parte.
Maria Romero teve a sua primeira grande escola no testemunho dos seus pais. Foi aí que cavou e construiu os alicerces para fazer as mais importante opções da sua vida. Os gestos concretos de seus pais, sobretudo para com os pobres, sempre a sensibilizavam e motivaram a rasgar caminhos, a descobrir valores e deveres, a não cruzar os braços, a buscar significado e sentido para a sua vida. Seu pai era ministro da República, sem peneiras. Aos doze anos, Maria Romero entrou no colégio das Filhas de Maria Auxiliadora. Sempre disponível e alegre, sentia que o carisma de São João Bosco tinha sido criado a pensar nela.
Um carisma é um dom, que Deus, através do Espírito Santo, concede a algumas pessoas, não para seu próprio proveito ou se colocarem em bicos de pés, mas para benefício dos outros, da comunidade. Quando a pessoa que recebeu um determinado carisma o coloca a render com humildade e paciência, essa pessoa encanta, cativa, arrasta, centraliza em Jesus, faz discípulos, transforma a história.
Na fidelidade ao carisma de São João Bosco, Maria Romero foi-se descobrindo cada vez mais na sua riqueza e pobreza à luz da Palavra de Deus e do referido carisma. No noviciado, ensina música, colabora, toma contacto com a pobreza juvenil, sente o dever de trabalhar com os jovens. O trabalho, adaptado à idade e circunstâncias da pessoa, é sempre um caminho de amadurecimento pessoal, faz parte do processo educativo, gera autonomia e liberdade, aguça a criatividade, desenvolve, realiza, responsabiliza no bem comum. Quando alguém toma opções estruturantes da vida sem nunca ter saltado do sofá, sem nunca ter, por comodismo ou por medo e calculismo, lutado pela sua autonomia, isso não augura nada de bom, tanto para essa pessoa como para com quem ela vai ter de viver, trabalhar ou conviver...
Feitos os votos perpétuos, Maria Romero foi enviada em missão para São José, na Costa Rica, a qual se tornou a sua segunda pátria. Destinada primeiramente a ensinar música, desenho e datilografia, incluiu nas suas atividades educativas a catequese aos jovens das periferias da capital. Mesmo trabalhando num colégio de jovens, ela procura, sobretudo, crianças pobres e abandonadas. De entre as suas melhores alunas, surgem aquelas que também se sentem tocadas pelo carisma que ela testemunhava. Com genica e ardor, logo se dedicam à obra de promoção social, partem em direção às preferias, curando e libertando, em fidelidade a Cristo presente nos pobres. Ajudam a limpar as barracas, levam comida e roupa, fazem catequese. Os oratórios festivos para os rapazes também logo acabam por surgir. À sua Rainha por excelência - Maria Auxiliadora -, Romero recorre e agradece os muitos benfeitores que iam suportando as obras sociais a que ia dando corpo. Graças ao voluntariado de médicos especialistas, consegue uma policlínica, com várias especialidades, assegurando a assistência médico-farmacêutica aos pobres, em cuja estrutura também podiam desenvolver a sua formação cultural e espiritual. Sempre sensível à promoção do pobre, iniciou uma série de cursos de qualificação profissional para jovens e adultos, capacitando-os quer para as atividades domésticas mais necessárias, como cozinha, costura e outros trabalhos, quer para outras áreas de trabalho, habilitando-os a tocar a vida para a frente de forma capaz e autónoma. Para as famílias sem teto, conseguiu um grande terreno onde coordenou a construção de casas. É a cidade de Santa Maria, uma obra que continua nos dias de hoje, graças a uma Associação de Leigos dedicados. Para difundir a devoção salesiana a Maria Auxiliadora, coordenou a construção de uma grandiosa igreja no centro da capital do país, uma obra construída pela força da fé e apoio de muitos benfeitores, envolvendo a própria comunidade. Contemplativa na ação e conselheira espiritual, dá início a uma série de exercícios espirituais destinados a benfeitores, jovens e adultos, pais e mães de família. Os seus escritos têm tido várias edições. Morreu vítima de ataque cardíaco, em 1977. O Governo da Costa Rica, declarou-a cidadã honorária da nação. São João Paulo II beatificou-a em 2002, celebra-se a 7 de julho, dia do seu falecimento. É cidadã do mundo!

Antonino Dias - Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 30-06-2023.

Rezar é amar



Nos últimos tempos tenho tido a felicidade de ter acesso a vários pedidos de oração. São muitas as preocupações, as inquietações, os desejos e os pedidos de alívio. E, não querendo romantizar todos estes pedidos, tem sido de uma riqueza muito grande verificar como é que a vida se cruza no mais íntimo de cada um de nós. A oração, de facto, vai muito para além de um ato de fé e com isto não quero dizer que a fé seja um ato menor, mas sim que a forma como cada um se entrega na oração faz com que o seu próprio ato de fé seja engrandecido. Torna-o maior, porque os pedidos de oração alargam-nos a vida. Permite-nos olhar para nós e para o outro. Dá-nos a possibilidade de reconhecermos, dignamente, a nossa finitude. Os pedidos de oração engrandecem o nosso arriscar, a nossa confiança na existência de um Deus que é Pai com entranhas de Mãe, mas, acima de tudo, demonstram que na oração há muito amor a ser desenhado e demonstrado.

Rezar por nós, por alguém ou dar bom nome a alguém a Deus (abençoar) é uma outra forma de amar. E, nestes pedidos de oração, tenho sentido que são mais do que uma partilha íntima, um pedido de socorro ou um desejo profundo. Sinto, em cada palavra, que o pedido de oração nasce do amor e anseia que este se concretize n’Aquele que é amor. São pedidos autênticos. Despidos daquilo que tantas vezes usámos no nosso quotidiano para que não descubram as nossas fragilidades ou inquietações. A oração é uma outra forma de (nos) amarmos, porque ali, onde ninguém vê, entregamos o que somos, sem máscaras, nem capas. É uma entrega radical e sedenta que vive na confiança de que o amor tudo pode alcançar.

Acredito, plenamente, que o segredo da oração está no amor. Só nos entregamos verdadeiramente quando amamos e nos sentimos amados. Só confidenciamos a nossa vida quando estamos enamorados. Só temos verdadeiramente fé quando esta se reveste de amor. Como poderíamos rezar a Deus se não acreditássemos que Ele é amor? Como entregaríamos a nossa vida e a vida dos que amamos a Deus se não acreditássemos que é o Amor que nos salva?

Não existe oração sem amor e arriscaria a dizer que não há amor sem oração. São inseparáveis e precisamos de ambas para descobrirmos que a nossa vida é muito mais do que aquilo que somos e fazemos.

Rezar é amar e amar…é tornar toda a nossa vida numa autêntica oração!


Emanuel António Dias

quinta-feira, 29 de junho de 2023

São Pedro e São Paulo, apóstolos e principais líderes da Igreja

 


Estes santos são considerados “os cabeças dos apóstolos” por terem sido os principais líderes da Igreja Cristã Primitiva, tanto por sua fé e pregação, como pelo ardor e zelo missionários.

São Pedro, príncipe dos Apóstolos

Tinha como primeiro nome Simão, era natural de Betsaida, irmão do Apóstolo André. Pescador, foi chamado pelo próprio Jesus e, deixando tudo, seguiu o Mestre, estando presente nos momentos mais importantes da vida do Senhor, que lhe deu o nome de Pedro.

Um homem simples e impulsivo. Falou, muitas vezes, em nome dos Apóstolos e não hesitou em pedir a Jesus explicações e esclarecimentos sobre sua pregação.

Foi o primeiro a responder ao Mestre: “Senhor, para quem iremos? Somente tu tens palavras de vida eterna; nós acreditamos e sabemos que és o Santo de Deus” (Jo 6,67-68), diante da pergunta que Cristo fez aos discípulos: “Também vocês querem ir embora?”.

Primeiro Papa da Igreja

Em princípio, fraco na fé, chegou a negar Jesus durante o processo que culminaria em Sua morte por crucifixão. O próprio Senhor o confirmou na fé após Sua ressurreição (da qual o apóstolo foi testemunha), tornando-o intrépido pregador do Evangelho através da descida do Espírito Santo de Deus, no Dia de Pentecostes, o que o tornou líder da primeira comunidade.

São Pedro é o apóstolo que Jesus Cristo escolheu e investiu da dignidade de ser o primeiro Papa da Igreja. “E eu te digo: Tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus”.

São Pedro é o pastor do rebanho santo, é na sua pessoa e nos seus sucessores que temos o sinal visível da unidade e da comunhão na fé e na caridade.

Martírio

Pregou no Dia de Pentecostes e selou seu apostolado com o próprio sangue, pois foi martirizado em uma das perseguições aos cristãos, sendo crucificado de cabeça para baixo a seu próprio pedido, por não se julgar digno de morrer como seu Senhor, Jesus Cristo. Escreveu duas Epístolas e, provavelmente, foi a fonte de informações para que São Marcos escrevesse seu Evangelho.

São Paulo

Saulo era natural de Tarso. Recebeu educação esmerada “aos pés de Gamaliel”, um dos grandes mestres da Lei na época. Tornou-se fariseu zeloso, a ponto de perseguir e aprisionar os cristãos, sendo responsável pela morte de muitos deles.

De perseguidor cristão à conversão

Converteu-se à fé cristã, enquanto perseguia os cristãos, no caminho de Damasco, quando o próprio Senhor Ressuscitado lhe apareceu e o chamou para o apostolado: “Saulo, Saulo, por que você me persegue?”. Recebeu o batismo do Espírito Santo e preparou-se para o ministério.

Desde então, converteu-se e começou a pregar o Cristianismo, viajando pelo mundo, pregando o evangelho de Jesus Cristo e o mistério de sua paixão, morte e ressurreição.

Apóstolo das Gentes

Tornou-se um grande missionário e doutrinador, fundando muitas comunidades.

De perseguidor passou a perseguido, sofreu muito pela fé e foi coroado com o martírio, sofrendo morte por decapitação. Escreveu treze Epístolas e ficou conhecido como o “Apóstolo dos Gentios”.

A minha oração

“Senhor, hoje eu quero Te pedir por toda a Santa Igreja Católica. Que, pela intercessão de São Pedro e São Paulo, colunas da Igreja, possamos ser sempre fiéis à fé e à doutrina que o próprio Cristo nos deixou.  Amém!”

São Pedro e São Paulo, rogai por nós!

quarta-feira, 28 de junho de 2023

E reconhecer? Não?



Conheço imensa gente que trabalha como voluntária para associações, movimentos, igreja e eu sei lá que mais. Vejo, na maioria, a vontade genuína de dar o seu contributo para fazer algo de melhor seja pela sua freguesia, paróquia ou lugar. E é maravilhoso!

No entanto, vejo que é um trabalho que a elas, como a mim, nos fica caro. E quando digo caro não falo apenas em termos monetários, mas em termos de algo muito precioso que é o tempo. Se passo 8 horas do meu dia focada no meu trabalho, quando regresso a casa quero descansar e estar com os meus, mas a agenda comunitária acaba por se sobrepor em reuniões, formações e preparações e tudo o que acaba em palavrões difíceis de explicar aos filhos e marido que ficam em casa. Tudo em prol de um mundo melhor e de pessoas mais felizes- dizemos nós, para nos confortar.

- Então, porque é que por vezes nos sentimos vazias, tal qual saco de semente que depois de esvaziar fica cheia de… nada?

- Porque nos sentimos esgotados e até invisíveis quando damos o melhor de nós em prol dos outros?

Não sei explicar, mas uma coisa eu sei: somos seres de capacidades ilimitadas e força inesgotável desde que ela seja alimentada. É como o fogo, se for alimentado, lentamente, na medida certa, ele ilumina e aquece, mas quando se apaga, apenas fica a cinza que rapidamente desaparece. Sinto que a missão é como um fogo, com vida própria, mas que precisa da ação do outro para cumprir o seu propósito. Independentemente de conseguir ser uma chama, grande ou não, sei que para se manter acesa precisa de ser cuidada e alimentada.

Então como alimentar o fogo da missão?

Entre outras coisas, acredito que o reconhecimento é altamente “inflamável”. Quando vemos algo bonito a acontecer, quando vemos alguém a fazer algo bom, deveríamos ser os primeiros a dizer” eu vi, e gostei do que vi” sem receio nem pudor. Somos todos muito rápidos a apontar dedos, e eu também, mas deveríamos ser também a elogiar ou, pelo menos a reconhecer o esforço e a dedicação.

Infelizmente quando expresso um certo desalento, ouço:” só o fazes porque queres!” e com toda a razão. Mas gostaria mais de ouvir um “obrigada” em vez de uma desvalorização. Da mesma maneira que um pai ou mãe tem um filho, “porque quer”, há momentos em que questiona se o que está a fazer está correto. Não é? E nessa altura não gostas que te digam que a responsabilidade é tua, mas que te animem e reconheçam que não é uma tarefa fácil, mas é fundamental. Quando partilhamos as nossas fragilidades, e a outra parte ouve, reconhece e até nos conforta, o nosso fogo, até então em vias de apagar, ganha numa chama nova, cresce e ganhamos logo super poderes!

O poder das palavras, das mensagens e dos gestos pode realmente fazer a diferença, mas temos medo de reconhecer o valor dos outros, como se isso nos retirasse algum valor próprio. Nada mais errado! Quando o fogo dos outros nos ilumina e nos aquece, também nós queremos fazer parte desse fogo e cumprir o nosso propósito, seja ele qual for.

Reconhecer o empenho dos outros, mesmo que o resultado não seja o esperado pode mudar tudo, não achas?

E tu amiga, sentes que te reconhecem?


Raquel Rodrigues

terça-feira, 27 de junho de 2023

Nenhuma mentira é maior do que a tua verdade!




Cada vez mais esta frase (me) faz sentido. Somos confrontados, a cada dia, com mentiras atrás de mentiras. Invenções atrás de invenções. Manipulações de ideias e conduções de princípios que nunca quisemos como nossos. Vamos engolindo essas meias-verdades umas vezes por preguiça, outras por desânimo e, outras, por uma imensa falta de força de alma para ir contra o que nos querem impingir.
A mentira tornou-se tão popular e tão normalizada que há até quem perca tempo a vesti-la de verdade. De história bonita e bem contada. Mas por muito interessante e bem vestida que uma mentira possa ser, nunca é a mesma coisa que contar (ou ouvir) a verdade. E é cada vez mais importante estarmos conscientes dessa diferença.
A verdade parece-nos agora um mito. Uma invenção de gurus e de gente iluminada que a encontrou enquanto buscava esta ou aquela luz.

Não te enganes. A verdade existe e está em vias de extinção.

Não te enganes. É a verdade que pulsa dentro do teu coração e é por essa que valerá sempre a pena viver.

Vão tentar dobrar-te. Vergar-te. Enganar-te. Disfarçar-se de boas pessoas para te convencer. Mas a pele da verdade rima com a da liberdade e a da coragem. Não é pegajosa nem areia-movediça. Não é salta-pocinhas nem vento que não sabe para onde sopra.

A verdade é como um baloiço pendurado nos ramos gordos de uma figueira. Recebe-nos e abraça-nos sem doer. Sem se forçar para se fazer ver.7
A verdade do que tu és só pode ser aquilo que existe quando desligas as notificações. Quando apagas a luz. Quando te despes das máscaras do costume e das peles que usas para agradar.

A verdade pertence-te se a quiseres agarrar ao colo. Se lhe quiseres dar de beber vai trazer-te a força de uma cascata que tem sempre força para descer. Para desaguar em mais água e em mais vida.

A verdade mora sozinha numa casa e está à espera de que saibamos abrir-lhe mais vezes a porta do nosso coração.

Não te esqueças: nenhuma mentira pode ser maior do que a tua verdade.

Enquanto te lembrares disso nunca mais estarás sozinho.


Marta  Arrais


segunda-feira, 26 de junho de 2023

Gente que cuida



Precisamos tanto de gente que cuida.

Gente que cuida com abraço que abriga e que sabe a casa.

Gente que cuida com mão que ampara e que conforta.

Gente que cuida com olhar mais fundo, que olha dentro da alma.

Gente que cuida com sorriso que abraça e que serena o coração.

Gente que cuida com beijo tão terno que parece que cura.

Gente que cuida com colo que aconchega, colo onde repousar.

Gente que cuida com palavra do coração e com silêncio que diz tudo, sem ser preciso dizer.

Gente que cuida com presença de verdade, de quem fica, de quem se importa.

Gente que cuida com amor, como quem sabe que o amor salva.

Gente que cuida não importa quando, onde, nem porquê.

Gente que cuida como quem respira, como quem existe.

Gente que cuida porque é: gente que é vida que cuida.

Gente que cuida e que, quase sem notar, fala de amor da forma mais bonita de todas: sem ser preciso falar.

Precisamos tanto de gente que cuida.

Precisamos tanto de ser gente que cuida.

Precisamos, não precisamos?


Daniela Barreira


domingo, 25 de junho de 2023

NÃO TEMAIS

 


As leituras deste domingo põem em relevo a dificuldade em viver como discípulo, dando testemunho do projecto de Deus no mundo. Sugerem que a perseguição está sempre no horizonte do discípulo... Mas garantem também que a solicitude e o amor de Deus não abandonam o discípulo que dá testemunho da salvação.
A primeira leitura apresenta-nos o exemplo de um profeta do Antigo Testamento - Jeremias. É o paradigma do profeta sofredor, que experimenta a perseguição, a solidão, o abandono por causa da Palavra; no entanto, não deixa de confiar em Deus e de anunciar - com coerência e fidelidade - as propostas de Deus para os homens.
No baptismo, fomos ungidos como "profetas", à imagem de Cristo. Estamos conscientes dessa vocação a que Deus, a todos, nos convocou? Temos a noção de que somos a "boca" através da qual a Palavra de Deus ressoa no mundo e Se dirige aos homens?
A experiência profética é um caminho de luta, de sofrimento, muitas vezes de solidão e de abandono; mas é também um caminho onde Deus está. O testemunho de Jeremias confirma que Deus nunca abandona aqueles que procuram testemunhar no mundo, com coragem e verdade, as suas propostas. Esta certeza deve trazer ânimo e dar esperança a todos aqueles que assumem, com coerência, a sua missão profética.

No Evangelho, é o próprio Jesus que, ao enviar os discípulos, os avisa para a inevitabilidade das perseguições e das incompreensões; mas acrescenta: "não temais". Jesus garante aos seus a presença contínua, a solicitude e o amor de Deus, ao longo de toda a sua caminhada pelo mundo.
O medo - de parecer antiquado, de ficar desenquadrado em relação aos outros, de ser ridicularizado, de ser morto - não pode impedir-nos de dar testemunho. A Palavra libertadora de Jesus não pode ser calada, escondida, escamoteada; mas tem de ser vivamente afirmada com palavras, com gestos, com atitudes provocatórias e questionantes. Viver uma fé "morninha" (instalada, cómoda, que não faz ondas, que não muda nada, que aceita passivamente valores, esquemas, dinâmicas e estruturas desumanizantes), não chega para nos integrar plenamente na comunidade de Jesus.
 De resto, o valor supremo da nossa vida não está no reconhecimento público, mas está nessa vida definitiva que nos espera no final de um caminho gasto na entrega ao Pai e no serviço aos homens; e Jesus demonstrou-nos que só esse caminho produz essa vida de felicidade sem fim que os donos do mundo não conseguem roubar.

Na segunda leitura, Paulo demonstra aos cristãos de Roma como a fidelidade aos projectos de Deus gera vida e como uma vida organizada numa dinâmica de egoísmo e de auto-suficiência gera morte.
A modernidade ensinou-nos que a fonte da salvação não é Deus, mas o homem e as suas conquistas. Exaltou o individualismo e a auto-suficiência e ensinou-nos que só nos realizaremos totalmente se formos nós - orgulhosamente sós - a definir o nosso caminho e o nosso destino. No entanto, onde nos leva esta cultura que prescinde de Deus e das suas sugestões? A cultura moderna tem feito surgir um homem mais feliz, ou tem potenciado o aparecimento de homens perdidos e sem referências, que muitas vezes apostam tudo em propostas falsas de salvação e que saem dessa experiência de busca mais fragilizados, mais dependentes, mais alienados?


https://www.dehonianos.org/

sábado, 24 de junho de 2023

JMJ Lisboa. Papa recebe primeiro Kit de Peregrino e deixa mensagem aos jovens

 



A 40 dias da Jornada Mundial da Juventude, o Papa Francisco deixa um apelo aos jovens para "seguirem em frente" e promete encontrar-se com eles em Lisboa.


S. João Baptista

 

S. João Baptista



João Batista, além da Virgem Maria, é o único santo de quem a Liturgia celebra o nascimento para a terra. João, como "Precursor" de Jesus teve, de fato, um papel único na História da Salvação. Filho de Zacarias e de Isabel, a sua vida não desabrochou por iniciativa humana, mas por dom de Deus a dois pais de idade avançada e, por isso, já sem possibilidade de gerar filhos. Situado na charneira entre o Antigo e o Novo Testamento, como Precursor, João é considerado profeta de um e outro Testamento. O paralelismo estabelecido por Lucas entre a infância de Jesus e de João Batista levou a Liturgia a celebrar o nascimento de ambos: o de Jesus no solstício de Inverno e o de João no solstício de Verão.

A festa do nascimento de João Batista leva-nos a pensar no amor preveniente de Deus e na importância das suas preparações para o acolhermos devidamente e com fruto. Deus prepara o nascimento de João: um anjo anuncia a Zacarias que a sua mulher, idosa e estéril, vai ter um filho, cujo nascimento alegrará a muitos; inesperadamente, o nome da criança não é Zacarias, mas João, cujo significado é: "Deus faz graça"; João é enviado a preparar os caminhos do Senhor, o "ano de graça" do Senhor, a vinda de Jesus. Como o agricultor prepara o terreno antes de lhe lançar a semente, assim Deus prepara os tempos e os corações para receberem os seus dons. É por isso que havemos de viver vigilantes, de estar atentos à ação de Deus em nós e nos outros, para a sabermos discernir no meio dos acontecimentos humanos e nas mais variadas situações da nossa vida. João ajuda-nos a estarmos atentos a Jesus e ao que Ele quer fazer em nós e no nosso mundo. João acreditou e indicou Jesus aos que o seguiam: "depois de mim, virá alguém maior do que eu... Eis o Cordeiro de Deus!"
Por todas estas razões, a festa de hoje é um dia de alegria para a Igreja. E, todavia, João foi um profeta austero, que pregou a penitência com uma linguagem pouco amável: "Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da cólera que está para vir? Produzi, pois, frutos dignos de conversão e não vos iludais a vós mesmos, dizendo: 'Temos por pai a Abraão!'" (Mt 3, 7-8). O profeta exortava a uma penitência que se torna alegria, alegria da purificação, alegria da vinda do Senhor.
A missão de João Batista é, de certo modo, a missão de todo o crente: preparar a vinda do Senhor, o que é mais do que simplesmente anunciar. É preciso por ao serviço de Jesus não só as nossas palavras, mas também a nossa vida toda.

Portal dos Dehonianos


São João Batista é comemorado em duas datas: seu nascimento em 24 de junho e seu martírio no dia 29 de agosto. Isso não é comum, pois em geral, todos os santos católicos são comemorados no dia de sua morte; o dia que nasceram para a eternidade. Somente São João, a virgem Maria e o próprio Jesus, são comemorados no dia de seu nascimento e morte. João nasceu, exatamente seis meses antes de Jesus Cristo. Alguns relatos afirmam que a maneira encontrada por Isabel para avisar Maria que o menino ia nascer, foi acendendo uma fogueira. Outra versão diz que a fogueira era a maneira dos povos da antiguidade anunciarem a chegada do verão e a igreja adotou essa manifestação para anunciar a chegada do precursor de Cristo. Vem daí os significados da fogueira de São João. 

Fonte: Alexandre De Hollanda Cavalcanti - Mestre em Dogmática.

sexta-feira, 23 de junho de 2023

RECONHECER OS SINAIS E AGIR EM CONFORMIDADE



Acaba de sair o ‘Instrumento de Trabalho’ para a próxima assembleia ordinária do Sínodo dos Bispos, a qual decorrerá durante o próximo mês de outubro, em Roma. O texto, do qual faço eco, não é um texto conclusivo, não indica o fim duma iniciativa. Assinala, isso sim, mais uma etapa de todo um processo sinodal em marcha. Não é o resumo do que se passou a partir da escuta do Povo de Deus. No entanto, dá-nos uma compreensão progressiva da sinodalidade, a partir de dentro, num processo dinâmico em que se falou, escutou e dialogou, de forma construtiva, respeitosa e orante, sem impor opiniões, sem decidir por maiorias, sem dizer por dizer. É fruto do que se foi expondo sobre a natureza da Igreja sinodal, como se foram abordando as questões e as tensões que é preciso enfrentar, explorar e discernir para que a conversão sinodal da Igreja aconteça, de forma visível e permanente. O texto dá-nos a perceber como se realiza, hoje, em diferentes níveis, aquele ‘caminhar juntos’ que permite à Igreja não só anunciar o Evangelho mas também discernir os passos que o Espírito Santo, o seu verdadeiro protagonista e guia, a convida a dar, infundindo-lhe confiança. Este estilo e experiência sinodal rasgam horizontes de esperança, são um sinal claro da presença e da ação do Espírito a conduzir a Igreja através da história, tornam praticável o modo evangélico de lidar com as mais diversas situações, de as acolher e discernir.
Tudo começou com a consulta ao povo de Deus a nível das paróquias e das dioceses, com sínteses elaboradas a nível nacional. Estas ideias, reações e sugestões de quem quis colaborar, foram reunidas por cada uma das Conferências Episcopais e por cada um dos Sínodos das Igrejas Orientais, que, chamados a refletir e discernir, elaboraram um texto, captando adequadamente as contribuições dos participantes a nível das suas dioceses e eparquias, ou mesmo a nível online, textos que foram enviados à Secretaria-Geral do Sínodo, em Roma. A partir da leitura e análise de todos estes contributos, um grande grupo de especialistas redigiu o primeiro ‘Documento de Trabalho’ que serviu de base às reuniões das sete instâncias da Etapa Continental: África, Oceânia, Ásia, Médio Oriente, América Latina, Europa e América do Norte. O objetivo era concentrarem-se nas intuições e tensões que ressoaram mais fortemente na experiência da Igreja em cada continente e identificar aquelas que, da perspetiva de cada continente, representam as prioridades a serem abordadas na Assembleia Ordinária do Sínodo, em outubro. Desta forma, cada Assembleia Continental produziu, consensualmente, um Documento Final que, enviado à Secretaria-Geral do Sínodo, em Roma, deu origem ao segundo ‘Instrumento de Trabalho’, documento que, esse sim, vai servir de base à reflexão, oração e discernimento dos participantes na XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2023. Alimenta-se a esperança de que esta experiência universal dê origem a uma nova primavera para a escuta, o discernimento, o diálogo e a tomada de decisões na Igreja, de modo que todo o Povo de Deus possa caminhar melhor em conjunto, entre si, e com toda a família humana, sob a orientação do Espírito Santo.
Este documento em causa não sugere respostas, apenas aponta e articula algumas intuições que surgiram no processo, abre perguntas e convida a um maior aprofundamento e discernimento. Como é suposto, é fruto dum trabalho que envolveu um grande número de pessoas de diferentes partes do mundo e com diferentes competências. É um documento da Igreja que foi capaz de dialogar com várias sensibilidades e campos pastorais de todo o mundo, destacando as características da Igreja sinodal que emergiram da experiência desses dois anos e o modo de proceder que foi identificado como um elemento-chave para se tornar cada vez mais uma Igreja sinodal. E logo surgem prioridades que emergem de todo o processo, exigem um discernimento mais aprofundado, como, por exemplo, a comunhão, um sinal e um instrumento de união com Deus e da unidade de toda a humanidade, na qual é preciso crescer, acolhendo a todos, sem excluir ninguém, em fidelidade ao Evangelho; a corresponsabilidade e participação, uma exigência da fé batismal que desafia a compartilhar os dons e as tarefas ao serviço do Evangelho, de forma criativa e concreta, reconhecendo e valorizando a contribuição de cada pessoa em prol da missão comum, com estruturas e instituições, dinâmicas e estilo de autoridade que sejam capazes de fomentar uma Igreja verdadeiramente sinodal missionária; a necessidade de uma cultura e de uma espiritualidade sinodais, um desejo de conversão, uma formação adequada e uma linguagem renovada quer na liturgia, na pregação, na catequese e na arte sacra, quer em todas as formas de comunicação dirigidas tanto aos seus membros quanto ao público em geral.
Uma Igreja sinodal é fundada no reconhecimento de uma dignidade comum derivada do Batismo, é uma Igreja que ouve e uma Igreja que escuta, é uma Igreja que deseja ser humilde e sabe que tem muito a aprender. É uma Igreja de encontro e diálogo, que não tem medo da diversidade, mas a valoriza sem a forçar à uniformidade. É uma Igreja aberta e acolhedora, que abraça toda a gente e tem a capacidade de gerir as tensões sem ser vencida por elas. Como ressalta do Documento, a sinodalidade, se é um caminho privilegiado de conversão, reconstitui a Igreja na unidade, cura as suas feridas, reconcilia a sua memória, acolhe as diferenças, tem consciência de que é vulnerável e incompleta, permanece aberta às surpresas de Deus enquanto caminha pela história em direção à pátria definitiva. É também uma Igreja de discernimento, na riqueza de significados que esse termo assume dentro das diferentes tradições espirituais. Ser uma Igreja de discernimento significa ser o espaço para a ação do Espírito, que nos convida a crescer na capacidade de reconhecer os seus sinais.


D. Antonino Dias - Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 23-06-2023.


Irmã Lúcia de Jesus é declarada venerável

 


Irmã Lúcia de Jesus Crucificado é agora venerável. Nesta quinta-feira, 22 de junho, foi publicado o decreto que reconhece as “virtudes heroicas” da religiosa Carmelita. Irmã Lúcia foi a mais velha dos três videntes de Fátima e figura central no conhecimento e divulgação da Mensagem dirigida à humanidade por Nossa Senhora nas Aparições na Cova da Iria, em 1917. No Santuário de Fátima, o sinos tocaram em sinal festivo e, em seguida, o reitor presidiu a uma oração espontânea na Capelinha das Aparições. Além de peregrinos e voluntários, fez-se presente a vice-postuladora da causa de beatificação, Irmã Ângela de Fátima Coelho, que também foi rezar e deixar flores no túmulo da venerável. A Declaração desta quinta representa um passo essencial para a beatificação, penúltima etapa para a declaração da santidade. Para a beatificação, exige-se o reconhecimento de um milagre atribuído à intercessão de Lúcia de Jesus.

quinta-feira, 22 de junho de 2023

Ter a ousadia de perguntar. Ter ousadia de incomodar





Sou grata a quem tem ousadia de me perguntar coisas. Sou grata por aqueles que não temem incomodar e me questionam, não para me pôr à prova, mas para realmente ouvir o que tenho a dizer.

Sabes amiga, sinto que vamos perdendo a vontade de perguntar. Escondemo-nos na desculpa” não quero incomodar” e fugimos de querer saber o que realmente é importante na vida uns dos outros. Quando vemos alguém mais abatido ou distante somos muito rápidos a fazer juízos de valor mas demasiado lentos para questionar:” O que se passa?”. “Porque estás assim?”

Porque não perguntamos?

Será que não queremos saber?

Será que não queremos carregar as dores dos outros?

Porque achas que será?

A pergunta significa que alguém quer saber, está interessado e se preocupa. E sabe tão bem termos quem se preocupe connosco!

Há quem não goste de ser importunado e sente qualquer pergunta como uma invasão da sua privacidade, mas acredito que também essas gostam de ter boas conversas.

Outros passaram por experiências terríveis de quebra de confiança e são incapazes de dar espaço a que se lhes façam perguntas, mas mesmo esses…precisam de boas relações e de curar feridas.

As perguntas são bons pontos de partida, mas devem ser sinceras e quem as faz deve estar preparado para ouvir o que daí vem.

Mas será que estamos preparados para ouvir o que o outro nos vai dizer?

Vamos arranjar tempo, amiga, vamos fazer perguntas, porque eu quero saber como estás.

E tu amiga, o que falta que te perguntem?


Raquel Rodrigues

quarta-feira, 21 de junho de 2023

Não prometas o bem. Faz



Se procuras a verdadeira alegria, então trata de a semear naqueles que estão à tua volta, a começar pelos mais próximos. É impossível alcançares a felicidade para ti, porque ela só te pode chegar através de outra pessoa.

Tal como qualquer árvore de fruto, também tu não te preocupes em distinguir entre aqueles a quem te podes dar. Mesmo que haja quem julgues que não merece… não julgues e dá-te. Se houver algum mal nessa pessoa, tal não te contaminará.

Promover o bem de alguém é criar condições para que seja quem é, tal como fazer-lhe mal é diminuí-lo ou aniquilá-lo. Por isso, uma das formas mais nobres de fazer o bem é combater o mal!

É de grande valor a existência capaz de ver em si todo o bem que tem. A maior parte das pessoas só depois de o perder tem consciência do quanto iluminava a sua vida.

Alguns, tão escuras são as trevas do inferno em que vivem, que sentem o bem que lhes é feito como algo que os importuna e desrespeita… A solução que veem para o mundo é a de que o mal se espalhe por todo o lado em vez de abrirem a sua vida ao bem que, por mais que pareça tardar, vence sempre. Sempre. Cuida de te preparares porque, por maiores que sejam os bens que faças, não terás as respostas que mereces. Serás mal interpretado, poucos te agradecerão e alguns até te hão de tentar atingir nos dentes. Mas a verdade é que nunca foi grande herói aquele que só fez o bem a quem lho fazia também.

Faz o bem que tens a fazer, apesar de tudo.

Sem promessas, apenas como um compromisso de ti para contigo!


José Luís Nunes Martins

segunda-feira, 19 de junho de 2023

A vida é (só) um sopro



É isso que a vida é:

Uma vela que se acende e nos recorda que é à luz que havemos de voltar a pertencer.

Uma brisa do vento que nem sabe que passa.

Que nem sabe que existe.

Uma pincelada de uma cor ao calhas.

Uma nostalgia entre o nunca ter o tudo que se quer e o saber que já tudo se tem.

É só isso que a vida é:

Um sopro bonito de quem respira e não sabe.

De quem vê tudo com olhos que têm mestrado em distração.

Um copo fresco por fora a abraçar o corpo do vinho de dentro.

Uma fresta de uma janela em que só reparamos quando se fecha ou faz barulho.

Uma estrela acesa por cima das nossas cabeças enleadas de pensamentos que não valem nada.

Só um sopro.

Uma inspiração profunda e um deixar ir tudo como quem expira o que não interessa, já, ao coração.

Uma almofada quente encostada à pele da alma. Sem queimar e sem arder.

Um brilho de luzes-verdade no meio de tanta mentira.

Um sopro baixinho. Um murmúrio. Um segredo dito por quem nunca soube nada.

Uma casca de uma lima ou de um limão. Que ao mesmo tempo que perfuma faz doer as feridas todas, se as tivermos.

Um fósforo que se acende uma vez só.

Quem nos dera ser só esse sopro. E que só esse sopro nos chegasse para fazer a vida valer a pena.

Marta Arrais

domingo, 18 de junho de 2023

A Missão

 


Neste domingo, a Palavra que vamos reflectir recorda-nos a presença constante de Deus no mundo e a vontade que Ele tem de oferecer aos homens, a cada passo, a sua vida e a sua salvação. No entanto, a intervenção de Deus na história humana concretiza-se através daqueles que Ele chama e envia, para serem sinais vivos do seu amor e testemunhas da sua bondade.
A primeira leitura apresenta-nos o Deus da "aliança", que elege um Povo para com ele estabelecer laços de comunhão e de familiaridade; a esse Povo, Jahwéh confia uma missão sacerdotal: Israel deve ser o Povo reservado para o serviço de Jahwéh, isto é, para ser um sinal de Deus no meio das outras nações.
O Povo que aceita o compromisso com Deus e que "embarca" na aventura da "aliança" é um Povo que é propriedade de Deus, que aceita ficar ao serviço de Deus. A sua missão é testemunhar o projecto salvador de Deus diante de todos os povos da terra. Tenho consciência de que, no dia do meu baptismo, eu entrei na comunidade do Povo de Deus e assumi o compromisso de testemunhar Deus e o seu projecto de salvação diante do mundo? A minha vida tem sido coerente com esta opção? Tenho sido um sinal vivo do amor e da bondade de Deus diante dos homens e mulheres com quem me cruzo todos os dias?
O Evangelho traz-nos o "discurso da missão". Nele, Mateus apresenta uma catequese sobre a escolha, o chamamento e o envio de "doze" discípulos (que representam a totalidade do Povo de Deus) a anunciar o "Reino". Esses "doze" serão os continuadores da missão de Jesus e deverão levar a proposta de salvação e de libertação que Deus fez aos homens em Jesus, a toda a terra.
A segunda leitura sugere que a comunidade dos discípulos é fundamentalmente uma comunidade de pessoas a quem Deus ama. A sua missão no mundo é dar testemunho do amor de Deus pelos homens - um amor eterno, inquebrável, gratuito e absolutamente único.
O amor de Deus é universal. Não marginaliza nem discrimina ninguém, não distingue entre amigos e inimigos, não condena irremediavelmente os que falharam nem os afasta do convívio de Deus. Nós, discípulos de Jesus, somos testemunhas deste amor? Como é que tratamos e acolhemos aqueles que não concordam connosco, que assumem atitudes problemáticas, que fracassaram no seu casamento, que têm comportamentos considerados social ou religiosamente incorrectos?

https://www.dehonianos.org/

sábado, 17 de junho de 2023

ULTREIA DIOCESANA

 




As inscrições deverão ser feitas o mais rápidamente possivel, junto dos responsáveis dos Centros de Ultreia, para que cheguem à organização em tempo util.

sexta-feira, 16 de junho de 2023

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

 



Quem é esse Deus em quem acreditamos? Qual é a sua essência? Como é que o podemos definir? A liturgia deste dia diz-nos que “Deus é amor”. Convida-nos a contemplar a bondade, a ternura e a misericórdia de Deus, a deixarmo-nos envolver por essa dinâmica de amor, a viver “no amor” a nossa relação com Deus e com os irmãos.
A primeira leitura é uma catequese sobre essa história de amor que une Jahwéh a Israel. Ensina que foi o amor – amor gratuito, incondicional, eterno – que levou Deus a eleger Israel, a libertá-lo da opressão, a fazer com ele uma Aliança, a derramar sobre ele a sua misericórdia em tantos momentos concretos da história… Diante da intensidade do amor de Deus, Israel não pode ficar de braços cruzados: o Povo é convidado a comprometer-se com Jahwéh e a viver de acordo com os seus mandamentos.
A segunda leitura define, numa frase lapidar, a essência de Deus: “Deus é amor”. Esse “amor” manifesta-se, de forma concreta, clara e inequívoca em Jesus Cristo, o Filho de Deus que Se tornou um de nós para nos manifestar – até à morte na cruz – o amor do Pai. Quem quiser “conhecer” Deus, permanecer em Deus ou viver em comunhão com Deus, tem de acolher a proposta de Jesus, despir-se do egoísmo, do orgulho e da arrogância e amar Deus e os irmãos.
O Evangelho garante-nos que esse Deus que é amor tem um projecto de salvação e de vida eterna para oferecer a todos os homens. A proposta de Deus dirige-se especialmente aos pequenos, aos humildes, aos oprimidos, aos excluídos, aos que jazem em situações intoleráveis de miséria e de sofrimento: esses são não só os mais necessitados, mas também os mais disponíveis para acolher os dons de Deus. Só quem acolhe essa proposta e segue Jesus poderá viver como filho de Deus, em comunhão com Ele.


https://www.dehonianos.org/

quinta-feira, 15 de junho de 2023

O que significa ser devoto do Sagrado Coração de Jesus

 


Entenda essa devoção e o que Jesus prometeu a quem a promover

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus está chegando e para viver bem essa data, somos chamados a abrir nossos corações para que Deus possa adentrar e reinar em nossas vidas. A devoção ao Sagrado Coração de Jesus é muito antiga, no entanto suas palavras são sempre novas e atravessam gerações.

Santa Margarida Maria de Alacoque, foi a primeira apóstola do Sagrado Coração de Jesus. Desde criança, foi muito fervorosa, de uma fé admirável. Mas foi a partir de 1673, que Santa Margarida passou a ter revelações místicas de Nosso Senhor Jesus, lhe pedindo uma propagação ao seu Sagrado Coração.

Assim como visitou a freira Santa Margarida, o Senhor também quer nos visitar. Mas para que Ele adentre nosso coração, precisamos exercitar a fé. A confiança gera a nossa entrega total ao Senhor e é essa abertura que Ele deseja. Nós temos o livre arbítrio e Ele não entra sem nossa permissão. Jesus conhece o melhor caminho para mim e para você, a felicidade verdadeiramente completa, está ao lado Dele.

Jesus apareceu à Santa Margarida Maria por numerosas vezes e deu a conhecer que seria ela o instrumento para arrebanhar o maior número de pessoas ao Amor de Seu Coração. Deste colóquio distinguem-se classicamente as 12 promessas do Sagrado Coração:

1. “A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de Meu Sagrado Coração”;

2. “Eu darei aos devotos de Meu Coração todas as graças necessárias a seu estado”;

3. “Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias”;
 
4. “Eu os consolarei em todas as suas aflições”;

5. “Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”;

6. “Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos e empreendimentos”;

7. “Os pecadores encontrarão, em meu Coração, fonte inesgotável de misericórdias”;

8. “As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”;

9. “As almas fervorosas subirão, em pouco tempo, a uma alta perfeição”;

10. “Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos”;

11. “As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no Meu Coração”;

12. “A todos os que comunguem, nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.

Ser devoto do Sagrado Coração de Jesus é corresponder ao amor profundo e sincero do Senhor por nós. É adorar Seu Coração transpassado, que nos amou primeiro. É exercitar a fé, implorando a Deus que nos dê um coração de carne e nos livre do coração de pedra. Portanto, neste mês de junho, aproveitemos essa belíssima data litúrgica, para nos aprofundar na fé e amá-lo cada vez mais, sem medidas
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Padre Reginaldo Manzotti

quarta-feira, 14 de junho de 2023

O DIA DA CONSCIÊNCIA .... E PARA QUÊ?...



O Dia da Consciência celebra-se a 17 de junho, todos os anos. O Papa Francisco, em 2020, também se referiu a este Dia evocando o testemunho “do diplomata português Aristides de Sousa Mendes, que, oitenta anos atrás, decidiu seguir a voz da consciência e salvou a vida de milhares de judeus e outros perseguidos”.
Esta iniciativa pretende chamar a atenção para o respeito pela liberdade de consciência de cada um e para todas as formas de negar ou violentar a dignidade humana. Se a educação apostasse nisso, não seriam precisas tantas leis, tantas polícias e armas, tantos tribunais e chilindrós para terem de enfrentar os desmandos das consciências malformadas. Quantas mais leis, mais imperfeita é uma sociedade, mais se denota a ausência da ética, da moral, da solidariedade. A formação humana em todas as suas dimensões é essencial, mas se essa formação esquece a formação das consciências, não poderemos esperar uma feliz convivência humana. Poder-se-á perguntar: mas o que isso de formar as consciências? Os teóricos que se desunhem... No entanto, que adiantaria termos muitos eruditos e doutores, muitos empresários e o mais que seja, se construíssemos uma sociedade de egoístas a olhar apenas para o seu próprio umbigo e a espezinhar os outros?!... Que adiantariam todos esses conhecimentos se não conduzissem ao respeito pelo outro, à proteção da sua vida e à sua justa liberdade, à cultura da verdade, à prática da cidadania, à tolerância democrática, ao compromisso pessoal e comunitário pelo bem comum, à verdadeira sabedoria que nos torna mais justos, mais humanos e fraternos? Um ensino que apenas dá valor ao que é produtivo e rentável gera o egocentrismo e a competição sem limites, atrai a mentira, a corrupção e a desonestidade, gera o sentimento de vazio social e existencial, faz sentir medo de quem, sem olhar a meios, impõe o seu ‘eu é que sou e sei, eu quero, posso e mando’...
A liberdade é uma aspiração da pessoa, da sociedade e dos povos, sim, é. Mas não consiste em fazer tudo o que se quer como se tudo fosse permitido. Só a verdade nos liberta, só a verdade nos dignifica, só a verdade na liberdade ou a liberdade com verdade nos conduz ao bem e à beleza. Quem, em nome da liberdade, opta pelo mal, cozinha leis injustas, espezinha ou destrói o mais fraco, promove o descarte ou o abandono, é porque não consegue ser interiormente livre para optar pelo bem. É escravo de si mesmo ou do grupo que o instrumentaliza para que assim pense e proceda. É verdade que a consciência pode errar por ignorância invencível, mas quando a pessoa ou os grupos se dispensam de procurar a verdade ou a relativizam, quando a consciência se vai progressivamente cegando e endurecendo com ambições e prepotências, com importâncias e poder, quando se confunde a liberdade com fazer o que se quer e não com fazer o que se deve, quando se procura expulsar Deus do próprio coração como se Ele fosse um intruso indesejável ou um cota desmancha prazeres, temos o caldo entornado, logo se deixa de considerar o próximo como um «outro eu», digno de atenção e acolhimento, de respeito e reverência.
No fundo da própria consciência há uma lei que o homem não se impôs a si mesmo, mas à qual deve obedecer. É uma voz que constantemente ecoa no mais íntimo do seu coração. No momento oportuno faz-se presente, chama-o a fazer o bem e a fugir do mal, chama-o à responsabilidade. Esta lei foi escrita pelo próprio Deus, “é o centro mais secreto e o santuário do homem, no qual ele se encontra a sós com Deus, cuja voz se faz ouvir na intimidade do seu ser; a sua dignidade está em obedecer-lhe, por ela é que será julgado”.
Pela fidelidade a esta voz da consciência, estamos “unidos aos demais homens, no dever de buscar a verdade e de nela resolver tantos problemas morais que surgem na vida individual e social. Quanto mais, portanto, prevalecer a reta consciência, tanto mais as pessoas e os grupos estarão longe da arbitrariedade cega e procurarão conformar-se com as normas objetivas da moralidade” (cf. GS16).
A dignidade da pessoa humana é superior a todas as coisas e tem direitos e deveres universais e invioláveis. Por isso, “tudo quanto se opõe à vida, como seja toda a espécie de homicídio, genocídio, aborto, eutanásia e suicídio voluntário; tudo o que viola a integridade da pessoa humana, como as mutilações, os tormentos corporais e mentais e as tentativas para violentar as próprias consciências; tudo quanto ofende a dignidade da pessoa humana, como as condições de vida infra-humanas, as prisões arbitrárias, as deportações, a escravidão, a prostituição, o comércio de mulheres e jovens; e também as condições degradantes de trabalho; em que os operários são tratados como meros instrumentos de lucro e não como pessoas livres e responsáveis. Todas estas coisas e outras semelhantes são infamantes; ao mesmo tempo que corrompem a civilização humana, desonram mais aqueles que assim procedem, do que os que padecem injustamente; e ofendem gravemente a honra devida ao Criador” (GS27).
Para nós, cristãos, como afirma a Constituição Gaudium et Spes da qual me estou a servir, “Nenhuma lei humana pode salvaguardar tão perfeitamente a dignidade pessoal e a liberdade do homem como o Evangelho de Cristo, confiado à Igreja. Pois este Evangelho anuncia e proclama a liberdade dos filhos de Deus; rejeita toda a espécie de servidão, a qual tem a sua última origem no pecado; respeita escrupulosamente a dignidade da consciência e a sua livre decisão; sem descanso recorda que todos os talentos humanos devem redundar em serviço de Deus e bem dos homens; e a todos recomenda, finalmente, a caridade. É o que corresponde à lei fundamental da economia cristã. Porque, embora seja o mesmo Deus o Criador e o Salvador, o senhor da história humana e o da história da salvação, todavia, segundo a ordenação divina, a justa autonomia das criaturas e sobretudo do homem, não só não é delimitada mas antes é restituída à sua dignidade e nela confirmada. Por isso, a Igreja, em virtude do Evangelho que lhe foi confiado, proclama os direitos do homem e reconhece e tem em grande apreço o dinamismo do nosso tempo, que por toda a parte promove tais direitos. Este movimento, porém, deve ser penetrado pelo espírito do Evangelho, e defendido de qualquer espécie de falsa autonomia. Pois estamos sujeitos à tentação de julgar que os nossos direitos pessoais só são plenamente assegurados quando nos libertamos de toda a norma da lei divina. Enquanto que, por este caminho, a dignidade da pessoa humana, em vez de se salvar, perde-se (GS41).
Educar é muito mais difícil do que ensinar ou instruir, não pode distanciar-se do bem comum e da experiência comunitária.

D. Antonino Dias - Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 14-06-2023.

Preciso de uma aldeia para ser feliz


Não consigo ser feliz sozinho. Preciso dos outros, porque a minha existência só ganha sentido quando faço parte da vida de outras pessoas. Posso estar mais ou menos presente, posso precisar de receber mais ou de dar mais, posso estar triste ou alegre, mas nunca consigo ser eu sem ninguém com quem me preocupar e sem ninguém que se preocupe comigo.

Cada pessoa é um mistério, um universo quase tão infinito quanto belo, e a verdade é que nem sempre estamos iguais, como se nos víssemos a partir de diferentes perspetivas, tempos e disposições… chegamos a parecer ser diferentes até de nós mesmos.

É um bom princípio assumir que todos os outros têm algo de bom, se não for possível acrescentar-lhes bem, pelo menos importa garantir que não lhes fazemos mal.

Não somos iguais a ninguém e isso é bom. Mas no mais profundo de cada uma das nossas identidades há um conjunto de valores que quase todos partilhamos. Cabe a cada pessoa fazer o seu caminho, por entre uma multidão infindável de outros que, ao mesmo tempo, andam pelo mundo em busca da felicidade, um pouco por todo o lado.

O encontro é algo sublime. Reencontrar no outro algo que também sou, como se fossemos mesmo irmãos que partilham um código genético, é extraordinário. Há muitos sonhos e pesadelos que um dia descobri que não eram só meus. Não sou o único inspirado nem o único atormentado em nada! E isso é bom!

Ao contrário das aparências, as pessoas são muito mais parecidas connosco do que julgamos. Consideramos aqueles que não conhecemos bem melhores do que talvez sejam… o que implica que talvez comecemos por nos menosprezar. Alguns julgam-se mesmo melhores do que nós, o que nos dá a certeza de que não são! Mas também nós, por vezes, nos julgamos acima do outro… o que é um erro e um péssimo ponto de partida.

Não te importes muito com o que os outros ficam a pensar de ti. A maior parte das vezes nunca mais lhes passamos pelos pensamentos… esquecem-se do que somos, dissemos ou fizemos. Pensam em mil outras coisas, não se importam… enquanto alguns de nós achamos mesmo que estão a dedicar o seu tempo a pensar mal de nós!

Mais vale preocupares-te a sério e apenas com o que tu próprio dizes, fazes e és. Isso inspirará os outros e ajudá-los-ás sem teres de te impor de qualquer forma.

Ninguém é o que parece, nem tu! Apesar disso, somos mesmo todos irmãos. E isso é bom!

Que nunca julgues importante o que possam dizer ou pensar de ti, apenas o que tu és!

Mas não te esqueças que és parte da aldeia de que os outros precisam para serem felizes.


José Luís Nunes Martins

terça-feira, 13 de junho de 2023

Dia Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes

 


Inspiras-me… e eu deixo-me inspirar



Estou rodeada de pessoas inspiradoras e que às vezes nem sabem o quanto. Está na hora de se fazer justiça!

    Inspiram-me as palavras genuínas de preocupação!

    Inspiram-me os que reparam quando estou ausente!

    Inspiram-me os que fazem gestos de amor sem esperar retorno!

    Inspiram-me as observações inusitadas que as pessoas fazem sobre mim!

    Inspiram-me as pessoas que se apagam para dar palco e luz aos outros- as pessoas farol!

    Inspira-me a música, a natureza, os textos de quem escreve com o coração,

    Inspira-me verdadeiramente a palavra de Deus…

E eu adoro ser inspirada!

Acho que todos somos inspirados a fazer mais e melhor, mas por vezes estamos tão cheios de nós mesmos que parece que não precisamos de mais ninguém. Que enganados que andámos!

Recentemente alguém me mandou uma mensagem a dizer que se tinha lembrado de mim e teceu um elogio que me deixou corada! Não, não era um admirador, nem posso considerar amiga de longa data, por isso a minha enorme surpresa. Essa pessoa, sem se aperceber, inspirou-me e eu saboreei cada palavra como um bom e doce licor. Que bem que soube! Retribui a gentileza e senti-me inspirada a fazer mais e melhor. Não quero ficar no mero elogio, mas merecer todos os outros que possam, ainda que poucos tenham a coragem de expressar.

Se tu soubesses…se tu soubesses, o poder que tens nas mãos! Obrigada!

E tu amiga, já inspiraste alguém hoje?


Raquel Rodrigues

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Somos sempre muito mais


Somos sempre muito mais. Mais do que os outros pensam. Mais do aquilo que imaginamos. Mais do que fomos até ao momento. E somo-lo porque não nos encerramos em nós mesmos. Somo-lo porque não nos definimos somente pelo passado, mas construímo-nos na vivência do presente e com a esperança do futuro.

Somos sempre muito mais. Mais do que aquilo que pensamos. Somos muito mais do que os nossos medos e as nossa fragilidades. Somos isso e muito mais e, por isso, a beleza da nossa existência está na aceitação da nossa inteireza. Essa que ganha forma com os nossos pedaços despedaçados. Essa mesma inteireza que nos recorda que do nosso nada pode surgir o tudo.

Somos sempre muito mais. Mais do que aquilo que nos querem impor. Somos muito mais do que aquilo que nos oferecem. Somos a liberdade. Sim, porque a nossa humanidade leva-nos à leveza da liberdade. E é nela que nos descobrimos. É nela que nos completamos. É nela e com ela que estamos sempre muito mais perto de nos afirmarmos.

Somos sempre muito mais. Mais do que aquilo que nos define. Mais do que aquilo que conquistamos. Mais do que aquilo que falhámos. Somos o cruzamento de acontecimentos. De vidas. De contextos. De decisões que se revelam interligadas. Somos sempre muito mais do que qualquer um pode saber.

Hoje, encontra o teu espaço, toma consciência do teu respirar e recorda tudo o que de bom fizeste e relembra que é na bondade que a tua vida pode ser sempre mais. Que é na bondade que tu te alargas!


Emanuel António Dias

domingo, 11 de junho de 2023

Misericórdia

 


A Palavra de Deus deste 10º Domingo do Tempo Comum repete, com alguma insistência, que Deus prefere a misericórdia ao sacrifício. A expressão deve ser entendida no sentido de que, para Deus, o essencial não são os actos externos de culto ou as declarações de boas intenções, mas sim uma atitude de adesão verdadeira e coerente ao seu chamamento, à sua proposta de salvação. É esse o tema da liturgia deste dia.
Na primeira leitura, o profeta Oseias põe em causa a sinceridade de uma comunidade que procura controlar e manipular Deus, mas não está verdadeiramente interessada em aderir, com um coração sincero e verdadeiro, à aliança. Os actos externos de culto – ainda que faustosos e magnificentes – não significam nada, se não houver amor (quer o amor a Deus, quer o amor ao próximo – que é a outra face do amor a Deus).
O problema principal que aqui nos é posto é o da nossa relação com Deus. Deus chama-nos a viver em aliança com Ele… Como é que nós respondemos ao “chamamento” de Deus? Com uma adesão verdadeira e sincera, que implica a totalidade da nossa vida, ou com um compromisso de “meias tintas”, sem exigência nem radicalidade?
O culto a Deus, sem o amor ao irmão, não faz sentido. O nosso compromisso com Deus tem de se concretizar em obras em favor dos homens e em gestos libertadores, que levem ternura, misericórdia, à vida de todos aqueles que Deus coloca no nosso caminho.

Na segunda leitura, Paulo apresenta aos cristãos (quer aos que vêm do judaísmo e estão preocupados com o estrito cumprimento da Lei de Moisés, quer aos que vêm do paganismo) a única coisa essencial: a fé. A figura de Abraão é exemplar: aquilo que o tornou um modelo para todos não foram as obras que fez, mas a sua adesão total, incondicional e plena a Deus e aos seus projectos.
Se a salvação é sempre um dom do amor de Deus e não uma conquista nossa, não se justifica qualquer atitude de arrogância ou de exigência do homem face a Deus.
Temos de aprender a ver tudo o que somos e temos, não como a retribuição pelo nosso bom comportamento, mas como um dom gratuito de Deus – dom que nunca merecemos, por mais “bonzinhos” que sejamos. Diante dos dons de Deus, resta-nos o louvor e o agradecimento, por um lado, e a confiança, a entrega e a obediência, por outro.
Como é que eu respondo ao dom de Deus? Com o orgulho e a auto-suficiência de quem não precisa de Deus para ser feliz e para se realizar? Com a “esperteza saloia” de quem pretende negociar com Deus para obter a salvação? Ou com o reconhecimento de que a salvação é um dom não merecido que, apesar de tudo, Deus me oferece e me convida a acolher?

O Evangelho apresenta-nos uma catequese sobre a resposta que devemos dar ao Deus que chama todos os homens, sem excepção. O exemplo de Mateus sugere que o decisivo, do ponto de vista de Deus, é a resposta pronta ao seu convite para integrar a comunidade do “Reino”.
A Palavra de Deus que aqui nos é proposta sugere também que na comunidade do “Reino” não há cristãos de primeira e cristãos de segunda (conforme cumprem ou não as leis e as regras). O que há é pessoas a quem Deus chama e que respondem ou não ao seu convite. De qualquer forma, não pode haver, na comunidade cristã, qualquer tipo de discriminação ou de marginalização…


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sábado, 10 de junho de 2023

Só se desilude quem, um dia, se iludiu!



Só se desilude quem, um dia, se iludiu!



Desiludimo-nos muito. É profissão e ocupação para toda a vida. Ninguém nos ensina, no entanto, a lidar com os desfasamentos provocados pelas expectativas que não se encontram (tantas e tantas vezes) com a realidade.

Mas, afinal, de onde chega a desilusão? Há alguma forma de a evitar?

Há alguma prevenção que poderá ser feita mas a verdade é que, mesmo na premeditação e no evitamento da desilusão, haverá sempre espaço para que esta surja e nos arrebate com punhos e dentes.

Vivemos iludidos. Viajamos na ilha das imensas expectativas que criamos sobre as coisas e sobre os outros. Quase nunca batemos certo com o que realmente acontece. Batemos de frente. Somos completamente abalroados pela crueza verdadeira das coisas que nunca imaginámos. Pelos cenários que não desenhámos na imaginação. Iludimo-nos porque queremos acreditar numa versão bonita das coisas. Queremos que tudo combine com o que desejámos e com aquilo para que estamos verdadeiramente motivados. Esse é o princípio de todas as desilusões.

Podemos evitar a desilusão se enchermos menos o copo das expectativas. Do adequar os outros àquilo que somos. Ninguém é como tu. Ninguém viveu a tua história. Ninguém passou pelas mesmas sendas a arder. Pelos mesmos trilhos de pedras e folhas calcadas. Como é que, não vivendo o mesmo que tu, poderão os outros agir de acordo contigo e com o que esperas deles?

Mais vale não esperar nada. Não como quem desiste, mas como quem quer surpreendido pelo que vier.

Enquanto quisermos que a vida nos obedeça, que as circunstâncias rimem com a nossa vontade e que os outros façam o que faríamos no lugar deles… vamos cair no poço do costume. Lá dentro, enquanto esperneamos para sair da pele pegajosa da desilusão vamos prometer-nos não mais criar expectativas. Não mais imaginar cenários que só existem na nossa cabeça.

E quando, finalmente, sairmos do poço retomaremos forças para, mais dia menos dia, cair outra vez.

Que possamos aprender a fazer melhor entre uma queda e outra. Afinal, só se desilude aquele que, um dia, se iludiu.

Marta Arrais

sexta-feira, 9 de junho de 2023

A CULTURA DO CUIDADO EM PEQUENOS GESTOS




Vivemos o Dia Mundial do Meio Ambiente, foi em 5 de junho. Aconteceu no meio de um ambiente politicamente tóxico. E cá para nós que ninguém nos ouve: eles não se entendem mesmo! E não é por causa da abundância de plásticos no fundo do mar ou na foz do Tejo a exigir soluções! Nem é por causa das cabras selvagens e javalis que, espalhados por estes territórios por onde me encontro em funções, dão cabo dos parcos frutos do trabalho duro, mas necessário para a sobrevivência destes sacrificados e queixosos agricultores. É, sim, por causa dum valiosíssimo computador cheio de segredos, com as Secretas pelo meio. É por causa de um famoso portátil a desafiar pancadaria e fugas para a casa de banho: os desarranjos foram grandes! Não duvidem, essa preciosidade é, certamente, aquele ponto de apoio que Arquimedes já profetizara pelo ano 250 antes de Cristo, mais coisa menos coisa. De alavanca na mão pelas ruas e becos de Siracusa, mas sem qualquer perspetiva cronológica desse feliz achamento, já ele procurava essa coisa para levantar e revirar o mundo de pernas para o ar. Aí, nesse pc ministerial, arcano dos arcanos mais arcanos, jaz a desgraça apocalítica do mundo ou a misteriosa solução de todos os problemas! Os seus custódios, porém, em vez de figurarem em busca da verdade com respeito por si próprios, e também pelo que representam e significam nesta sociedade tão carente de valores, fazem, isso sim, é uma triste figura, uma figura de sendeiros, diz-se lá pelas terras do vinho alvarinho e do arroz do forno. Com ruídos de poluir os ares e de fazer aquecer os fusíveis de quem os ouve, chamam mentirosos uns aos outros e deixam pelas ruas da amargura a arte nobre da política, o seu brio e o testemunho de pessoas de bem. Nos cinquenta anos do Dia Mundial do Ambiente e à porta dos cinquenta anos da nossa democracia, bem gostávamos de ver menos poluição e mais escorreiteza nestas causas. Paciência, ficará para a próxima!
Este ano, esse dia Mundial teve como tema ‘soluções para a poluição plástica’, no âmbito da campanha ‘Combata a Poluição Plástica’. Segundo li, ‘mais de 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas a cada ano, metade das quais de uso único. Desse total, menos de 10% é reciclado. Estima-se que de 19 a 23 milhões de toneladas acabam em lagos, rios e mares. Atualmente, o plástico sobrecarrega os aterros sanitários, é deitado nos oceanos e é queimado, tornando-se numa das mais graves ameaças para o planeta. Além desses impactes, existe um risco menos conhecido: os microplásticos estão já presentes na cadeia alimentar, na água que bebemos e até mesmo no ar que respiramos. Segundo algumas estimativas, as pessoas consomem mais de 50.000 partículas de plástico por ano. Muitos produtos plásticos contêm aditivos perigosos, o que pode representar uma ameaça à saúde’. Os entendidos, dizem que, por este caminho, em 2050, haverá mais de 12 bilhões de toneladas de resíduos plásticos. Um terço do lixo doméstico é composto por embalagens de plástico. Cerca de 80% são descartadas após usadas uma única vez. São obtidos, principalmente, a partir do petróleo e a maioria não é biodegradável. A sua grande maioria (79%) acaba sem tratamento nos aterros sanitários, lixões e no meio ambiente. O ecossistema marinho é quem mais sofre com os plásticos. A cada ano, cerca de 8 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos. Estima-se que até 2050, 99% das aves marinhas terão ingerido plástico. A estimativa é que existam bilhões de toneladas de plástico a flutuar nos oceanos. Apenas a ‘Grande Ilha de Lixo do Pacífico’, nome dado a um aglomerado de plásticos no Pacífico Norte, possui um tamanho equivalente ao território dos Estados Unidos. A solução deste problema, que é sistêmico, poderá vir da parte das empresas, do poder político, da sociedade civil e de cada pessoa. A Laudato Si’ alerta que a consciência da gravidade da crise cultural e ecológica precisa de se traduzir em novos hábitos e em ser capaz de renunciar àquilo que o mercado oferece, pois até se reconhece que tanto o progresso como a mera acumulação de objetos ou prazeres não dão pleno sentido e alegria ao coração humano. Onde se deveriam realizar as maiores mudanças nos hábitos de consumo, os jovens têm uma nova sensibilidade ecológica e um espírito generoso. Alguns deles até lutam admiravelmente pela defesa do meio ambiente, mas cresceram num contexto de altíssimo consumo e bem-estar que torna difícil a maturação doutros hábitos. Por tudo isso, estamos, de facto, perante um desafio educativo (cf. LS’ 209).
E como afirma Francisco, é necessário sentir que precisamos uns dos outros, que “temos uma responsabilidade para com os outros e o mundo, que vale a pena ser bons e honestos. Vivemos já muito tempo degradação moral, baldando-nos à ética, à bondade, à fé, à honestidade; chegou o momento de reconhecer que esta alegre superficialidade de pouco nos serviu. Uma tal destruição de todo o fundamento da vida social acaba por nos colocar uns contra os outros na defesa dos próprios interesses, provoca o despertar de novas formas de violência e crueldade e impede o desenvolvimento duma verdadeira cultura do cuidado do meio ambiente” (LSi’, 229).
O amor para com os outros e o mundo, manifesta-se em pequenos gestos de cuidado mútuo, manifesta-se em todas as ações capazes de ajudar a construir uma sociedade mais humana e um mundo melhor, mais digno da pessoa. Por isso, é necessário revalorizar o amor na vida social fazendo dele a norma constante e suprema do agir. “Neste contexto, juntamente com a importância dos pequenos gestos diários, o amor social impele-nos a pensar em grandes estratégias que detenham eficazmente a degradação ambiental e incentivem uma cultura do cuidado que permeie toda a sociedade. Quando alguém reconhece a vocação de Deus para intervir juntamente com os outros nestas dinâmicas sociais, deve lembrar-se que isto faz parte da sua espiritualidade, é exercício da caridade e, deste modo, amadurece e se santifica (LSi’, 231).

D. Antonino Dias-  Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 09-06-2023.

Santíssimo Corpo e Sangue de Deus- 8 de Junho

 




Celebrámos ontem o "Corpo de Deus"!
 Fomos para rezar. 
Não foi possível, devido ao tempo, sair à rua. Ficámos na Igreja.
Os catequetizandos do 6º ano realizaram a sua Profissão de Fé.
Acompanhados pelos pais, padrinhos e familiares afirmaram publicamente a fé que adquiriram pelo baptismo.
Esta declaração de fé marca uma nova etapa na caminhada cristã.





quinta-feira, 8 de junho de 2023

Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

 



Não basta a fé, é preciso dar testemunho

Crer significa traduzir para a própria vida aquilo em que se acreditou. Indispensável é, pois, haver de nossa par­te esta crença em Nosso Senhor Jesus Cristo, não de maneira etérea, mas de acordo com o momento histórico atual. E como ao longo dos séculos o mal se apresenta sob novos as­pectos, temos a obrigação de manifestar a fé em Cristo de modo conveniente à situação que vivemos. Nos primeiros tempos do Cristianismo os fiéis eram conduzidos pelo sopro do Espírito Santo, a ponto de estarem dispostos a entregar tudo quanto pos­suíam, como se narra nos Atos dos Apóstolos (cf. At 2, 44-46). Diversa foi a época das perseguições, em que os cristãos, ine­briados pela ideia da Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo e abrasados de amor por Ele, enfrentavam a mor­te e dominavam os instintos de sociabilidade e de conservação, ambos muito vincados na alma. Na Idade Média, outra forma de adesão levou o homem a transformar a vida social em uma manifestação da Fé Católica. A cada fase histórica, portanto, a fé produz novos e variados frutos de santidade, pois sem as obras ela é morta (cf. Tg 2, 17).

Também nós pre­cisamos dar testemunho dessa virtude, adequando a Jesus Cristo nossas ati­tudes, mentalidade, inte­ligência, vontade, sensibi­lidade, enfim, tudo aquilo que somos e queremos ser. Ao presenciarmos no mundo hodierno o aban­dono da fé e o quase com­pleto desaparecimento do fermento evangélico nas relações humanas, cabe­-nos alimentar uma vigo­rosa piedade eucarística e mariana, ao lado da fideli­dade à Cátedra de Pedro, e buscarmos a sacralidade em todos os aspectos da existência. Em suma, de­vemos conformar-nos ao Divino Mestre, a fim de participar, já nesta vida, do inefável convívio com as três Pessoas Divinas. Este é o objetivo da Li­turgia de hoje: estimular­-nos a crescer na devoção à Santíssima Trindade e a corresponder ao seu inefável amor, realizando a vontade do Pai, caminhando nas pegadas do Filho e atendendo com docilidade às moções do Espírito Santo.

https://www.arautos.pt/

quarta-feira, 7 de junho de 2023

Desapega-te!




Se sentes que andas pesada, carregando fardos que não consegues libertar: DESAPEGA-TE.

Se não vislumbras o discernimento que precisas, a lucidez de ideias que te tranquiliza e te dão sabedoria: DESAPEGA-TE.

Se não consegues sentir alegria mesmo quando o que fazes está bem feito e tudo corre como esperado: DESAPEGA-TE.

    Não esperes que as coisas se desviem do teu caminho ou simplesmente passem. Está na hora de tomares as rédeas e de fazer escolhas. Não deixes que decidam por ti, escolhe tu os pesos que queres carregar, pois de alguns não te livras pela certa!

    Em vez de ouvires a música que passa no rádio - escolhe a música que queres ouvir!

    Em vez de ouvires quem te chateia- procura falar com quem te inspira, procura boas conversas, não te limites ao que te dão!

    Em vez de veres o que está a dar, procura ler algo que te interessa, que te inspira, mas escolhe tu! Perde o tempo necessário nessa escolha, mas que seja tua, corre esse risco, o risco de falhar.

Vai à procura do que te faz bem: ir pelo caminho diferente para o trabalho, apanhar chuva, molhar os pés, saltar, gritar, dançar, faz tu! E por mais louco e pequeno que seja acho que vais sentir que afinal…não te desapegas-te de nadaL, pois o mundo precisa de ti na mesma e os problemas estão lá.

Acredito sim, querida amiga, que te vais começar a APEGAR ao que realmente te faz bem, o que te faz feliz.

Esse apego que sentes aos teus. Esse apego que sentes também pelos que não são teus…são pesos, são sim senhora.

Não os deixes de sentir, afinal são eles que nos dão a humildade de sentir a terra por baixo dos nossos pés. São os pesos que nos agarram à humanidade a que somos chamados a viver.

Mas desapega-te para te apegares ao que realmente te faz bem.

E tu amiga, a que precisas de te desapegar?


Raquel Rogrigues

terça-feira, 6 de junho de 2023

Pela abolição da tortura – O Vídeo do Papa 6 – Junho de 2023

 


Sabias que, mesmo no século XXI, a tortura ainda existe no mundo? “A tortura não é uma história do passado. Infelizmente, faz parte da nossa história atual”, como afirma Francisco no vídeo produzido pela Rede Mundial de Oração do Papa para divulgar a intenção de oração de junho. Este horror tem de acabar. E para acabar com ele, "é essencial colocar a dignidade da pessoa acima de tudo". Se não o fizermos, como refere Francisco no final do vídeo, "as vítimas não são pessoas, são 'coisas' e podem ser objeto de maltratos desmedidos", destruindo-as para o resto da vida, tanto física como psicologicamente. Rezemos com o Papa "para que a comunidade internacional se empenhe concretamente na abolição da tortura, garantindo apoio às vítimas e aos seus familiares". “A tortura. Meu Deus, a tortura! A tortura não é uma história do passado. Infelizmente, faz parte da nossa história atual. Como é possível que a capacidade humana para a crueldade seja tão grande? Existem formas de tortura muito violentas, outras mais sofisticadas, como os tratamentos degradantes, a anulação dos sentidos ou as detenções em massa em condições desumanas que tiram a dignidade da pessoa. Mas isso não é uma novidade. Pensemos no próprio Jesus, como foi torturado e crucificado. Paremos este horror da tortura. É essencial colocar a dignidade da pessoa acima de tudo. Caso contrário, as vítimas não são pessoas, são 'coisas' e podem ser objeto de maltratos desmedidos, causando a morte ou danos psicológicos e físicos permanentes por toda a vida. Rezemos para que a comunidade internacional se empenhe concretamente na abolição da tortura, garantindo apoio às vítimas e aos seus familiares”. 

Pela Rede Mundial de Oração do Papa (Apostolado da Oração): https://www.popesprayer.va/pt-pt