segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

NAMORAR É UMA ARTE



O Dia dos Namorados não é apenas a celebração de um sentimento bonito. É, ou deveria ser, a celebração de uma escolha consciente: aprender a amar alguém real.
Como padre, tendo acompanhado tantos casamentos ao longo dos anos — em Angola, Moçambique e Portugal — percebi que tudo começa muito antes do altar. Começa no modo como se namora. No modo como se olha. No modo como se respeita.
Namorar não é possuir.
Não é moldar o outro à nossa medida.
Não é exigir que o outro seja o que imaginámos.
Namorar é aprender a contemplar. É descobrir quem o outro é — e permitir que o seja. Amar alguém é dar-lhe espaço para crescer, para respirar, para continuar a ser inteiro.
Quem ama não sufoca. Sustenta.
Quem ama não controla. Confia.
Quem ama não invade. Acolhe.
Há uma tentação subtil de transformar o amor numa fusão onde dois deixam de existir para se tornarem uma dependência. Mas o verdadeiro amor não apaga identidades. Potencia-as. O amor saudável é aquele em que dois caminham juntos, mas cada um permanece de pé.
Respeitar é amar.
Escutar é amar.
Dar tempo é amar.
Aceitar as diferenças é amar.
Namorar é aprender a linguagem do outro. É perceber que o silêncio também comunica. Que o espaço não é afastamento, mas maturidade. Que a liberdade não ameaça o amor — fortalece-o.
O Dia dos Namorados não devia ser apenas flores e fotografias. Devia ser um exame de consciência doce e sincero:
— Estou a amar ou estou a exigir?
— Estou a respeitar ou a impor?
— Estou a cuidar ou apenas a esperar ser cuidado?
O amor verdadeiro não é dramático nem teatral. É firme. É paciente. É construído em pequenos gestos diários. É saber pedir perdão. É saber esperar. É saber deixar o outro ser quem é — mesmo quando isso não coincide totalmente connosco.
Se estás a namorar, aprende a fazê-lo bem. Não tenhas pressa de chegar a etapas futuras sem consolidar o essencial: respeito, confiança, liberdade interior.
Porque amar alguém não é prendê-lo a nós.
É escolhê-lo — todos os dias — sabendo que ele é livre.
Neste Dia dos Namorados, que o amor seja mais do que emoção.
Que seja maturidade.
Que seja verdade.
Que seja espaço.
Que seja casa — onde dois permanecem, sem deixarem de ser quem são.

Padre João Torres

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