sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

EM POUCO TEMPO OS MATARAM A TODOS

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O cristão não se mata por nacionalismos doentios ou outra qualquer razão. Isso é suicídio. Ele respeita a sua e a vida dos outros. O martírio, porém, é outra coisa. Não é uma vocação, não se procura, não se provoca. Mas pode acontecer e acontece quando o cristão, perante os adversários da fé, prefere ser morto do que negar ou ser infiel ao Evangelho. É o mais alto testemunho prestado à verdade da fé. O mártir dá testemunho de Cristo, morto e ressuscitado, ao qual está unido pela caridade. É a maior prova de amor, imita o próprio Cristo que livremente aceitou a morte e se entregou pela salvação do mundo. E o sangue destas testemunhas da verdade da fé e da doutrina cristã, destas pessoas que aceitam livremente a morte por causa da fidelidade a Cristo, foi sempre semente de cristãos, como soe dizer-se e realmente tem acontecido. Hoje, se uns são terrivelmente perseguidos, outros há que continuam a fazer crescer o número dos verdadeiros mártires da fé.
Dentro de dias vamos celebrar o martírio de vários cristãos em Nagazáki, no Japão: Paulo Miki e outros companheiros. Recordando-os, rezemos por todos os cristãos perseguidos para que, com a força do Espírito, eles possam permanecer fortes e firmes na fé e os seus perseguidores se arrependam e convertam à tolerância e ao amor.
Paulo Miki nasceu em 1564 numa família Samurai de Harima, no Japão, filho de um nobre e reconhecido militar, uma família convertida ao cristianismo por São Francisco Xavier, o primeiro que levou a fé ao Japão. Foi educado no colégio dos jesuítas em Anziquiama. Homem de oração profunda e catequista de grande zelo, veio a ingressar na Companhia de Jesus. Foi o primeiro sacerdote jesuíta no Japão, um pregador e orador fora de série.
O imperador Toyotomi Hideyoshi, um senhor feudal que unificou o Japão, começou por ser simpatizante do catolicismo. Não demorou, porém, que, por razões políticas, rompesse com o ocidente em geral e se tornasse forte perseguidor dos cristãos. Primeiro foram presos seis franciscanos, logo depois Paulo Miki com outros dois jesuítas e dezassete leigos. Todos sofreram terríveis humilhações e torturas públicas a caminho do Monte dos Mártires, na colina de Nishizaka, onde iriam enfrentar a pena de morte. Alguns eram muito jovens, adolescentes ainda. Tomás Cozaki tinha catorze anos; António, treze, Luis Ibaraki apenas onze anos.
Outros cristãos dispersaram e estabeleceram-se clandestinamente noutros locais, continuando a viver a sua fé, apesar da ausência de sacerdotes. Na clandestinidade perderam todo o contacto com a Igreja Católica, mas, na esperança de que as coisas mudassem, guardavam três princípios que os primeiros evangelizadores lhes haviam dado para, se e quando esse momento chegasse, eles pudessem reconhecer se, quem se apresentava, era, de facto, líder da Igreja Católica ou não estavam a ser enganados, coisa que só aconteceu duzentos e cinquenta anos depois, tendo eles mantido a chama da fé sempre acesa. Tais princípios eram os seguintes: Os Padres não são casados, haverá uma imagem de Maria, esta Igreja obedecerá ao Bispo de Roma.
No Ofício das Horas do dia 6 de fevereiro, memória litúrgica de São Paulo Miki e Companheiros, é-nos apresentada uma parte da História do seu martírio escrita por um autor do tempo, assim:
“Quando as cruzes foram levantadas, foi coisa admirável ver a constância de todos, à qual eram exortados pelo Padre Passos e pelo Padre Rodrigues. O Padre Comissário permaneceu sempre de pé, sem se mexer e com os olhos fixos no céu. O Irmão Martinho cantava salmos de ação de graças à bondade divina, e juntava-lhes o versículo seguinte: Nas tuas mãos, Senhor. Também o Irmão Francisco Branco dava graças a Deus com voz clara. O Irmão Gonçalo recitava em voz alta o “Pai-nosso” e a “Ave-Maria”. O nosso Irmão Paulo Miki, vendo-se elevado diante de todos a uma tribuna que nunca tivera, começou por afirmar aos circunstantes que era japonês e pertencia à Companhia de Jesus, que ia morrer por haver anunciado o Evangelho e que dava graças a Deus por lhe conceder tão elevado benefício. E por fim disse estas palavras:
“Agora que cheguei a este ponto extremo da minha vida, nenhum de vós há de acreditar que eu queira esconder a verdade. Declaro-vos portanto que não há outro caminho para a salvação do que aquele que possuem os cristãos. E como este caminho me ensina a perdoar aos inimigos e a todos os que me ofenderam, eu livremente perdoo ao imperador e a todos os autores da minha morte e peço a todos que se batizem”.
Então, voltando os olhos para os companheiros, começou a animá-los. Nos rostos de todos transparecia uma grande alegria, mas Luís era aquele em que isso se via de modo mais claro: quando outro cristão o animou gritando que em breve estaria com ele no paraíso, fez com as mãos e todo o corpo um gesto tão cheio de contentamento que os olhos de todos os presentes se fixaram nele. António estava ao lado de Luís, com os olhos fitos no céu. Depois de invocar o Santíssimo Nomes de Jesus e de Maria, entoou o salmo Louvai o Senhor, servos do Senhor (Sl 112,1), que tinha aprendido em Nagasáki no catecismo; é que no catecismo costumam ensinar alguns salmos às crianças. Alguns repetiam com rosto sereno: “Jesus, Maria”; outros exortavam os presentes a levarem uma vida digna de cristãos; e por estas e outras ações semelhantes demonstravam que estavam prontos para a morte. Então, os quatro carrascos começaram a tirar as espadas daquelas bainhas que costumam usar os japoneses. Ao verem o seu aspeto terrível todos os fiéis gritaram: “Jesus! Maria!”, e soltaram um grito de tristeza que chegou ao céu. E os carrascos, com dois golpes, em pouco tempo os mataram a todos”.

D.Antonino Dias- Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 31-01-2020.

Apresentação e Benção dos Bebés

INFORMAÇÃO PAROQUIAL


FESTA DE Nª SENHORA DA LUZ

Dia 2 de Fevereiro, celebramos a Festa de Nª Senhora da Luz, como habitualmente realiza-se a procissão, com início na Escola de Nª SRª da Luz, pelas 16:00h, seguindo o itinerário pelo Bairro do Telheiro,Rua Dr Egas Moniz,  Rua Dr Edmundo Curvelo, Rua 5 de Outubro, Largo Serpa Pinto, terminando na Igreja de Nossa Senhora da Luz, onde terá início a celebração da Eucaristia, Apresentação e Benção dos Bebés nascidos no ano de 2019.


Devido a esta celebração não será celebrada a Missa das 12:00h na Igreja Matriz

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

ESCREVER COM TINTA DE LUZ



A 24 de janeiro celebrou-se o padroeiro dos jornalistas, Francisco de Sales (1567-1622). Foi um mestre na arte de escrever, em tempos conturbados pelo radicalismo dos seguidores de Calvino, que tinham um forte bastião em Genebra.

Aqui era bispo católico Francisco de Sales. Não calava a verdade, mas não fazia da sua pena uma flecha para fulminar hereges. Alguém o aconselhava a desanimar de proclamar a boa nova de Jesus na região de clara maioria calvinista, afirmando com amargura: “essa gente só entende a linguagem que sai da boca dos canhões”. Francisco seguiu a pedagogia do bom pastor, que dá a vida pelas suas ovelhas, sem nunca assumir o papel de lobo contra as ovelhas que não eram do seu rebanho.

Resumindo o seu estilo de comunicar, mesmo aos que seguiam por caminhos opostos ao catolicismo, assim afirmou: “uma colher de mel apanha mais moscas que um barril de vinagre”. Francisco de Sales soube falar e escrever com o mel da bondade. Nesta linha, resumiu ele a sua atitude como pastor da Igreja: “Dado que o coração do nosso Salvador não tem outras leis que as da doçura, humildade e caridade, nós atuaremos sempre conduzidos por este suave jugo”.

Como as suas pregações eram escutadas apenas por um reduzido número de fiéis, achou que devia promover uma “Igreja em saída”, ao jeito do seu futuro homónimo Francisco, Papa no século XXI. Assim, começou a publicar semanalmente umas simples folhas, que distribuía pelas casas, clarificando ideias, proclamando verdades, sem proselitismos nem polémicas, mas com humildade e doçura. Foi um jornalista exemplar nos começos do século XVII.

Quando comunicamos podemos usar o veneno da mentira, ácido corrosivo da boa fama alheia, vinagre agressivo e mal-humorado. São tintas nada aconselháveis para escrever. Há quem julgue que escrever é uma espécie de exercício de “tiro ao alvo”, sendo necessário encontrar um inimigo para atacar. Recordo uma história que ouvi sobre um professor universitário, polemista inveterado. Ao almoço com colegas professores, fazia este comentário, feliz e vitorioso: “Correu-me muito bem esta manhã, pois consegui escrever doze páginas sobre um assunto atual”. Logo interveio um comensal, fazendo-lhe esta pergunta: “Contra quem escreveste?”

Podemos assim classificar a arte de Francisco de Sales comunicar: quando falava, as suas palavras eram embebidas em mel de doçura; quando escrevia, usava tinta de luz, que iluminava e aquecia.

Um seu irmão testemunhava que Francisco de Sales tinha um caráter duro e forte, mas que ele soube educar e evangelizar, a ponto de ficar conhecido como o santo da bondade. Comunicava tanta amabilidade e doçura que passou a ser proverbial este comentário: “Como deve ser bom Deus, se Francisco é assim tão bom!”

O Papa Francisco, falando da importância do bom uso das redes sociais, assim exortava: “Abrir o caminho ao diálogo, ao encontro, ao sorriso, ao carinho… Esta é a rede que queremos: uma rede feita, não para capturar, mas para libertar, para preservar uma comunhão de pessoas livres”. É uma rede de bondade que nos deve unir sempre mais.

Manuel Morujão, sj

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Evangelizadores enfadonhos e amargurados...qual o resultado?





Para o Papa Francisco, deste jeito, a Igreja não irá em frente:

"O Evangelho não irá em frente com evangelizadores enfadonhos, amargurados. Não. Somente irá em frente com evangelizadores alegres e cheios de vida. A alegria no receber a Palavra de Deus, a alegria de ser cristãos, a alegria de seguir em frente, a capacidade de festejar sem se envergonhar e não ser como esta senhora, Micol, cristãos formais, cristãos prisioneiros das formalidades".


segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Papa apresenta Bíblia como «grande história de amor entre Deus e a humanidade»

Vaticano divulga mensagem para o 54.º Dia Mundial das Comunicações Sociais

Foto: Lusa/EPA


Cidade do Vaticano 24 jan 2020 (Ecclesia) – O Papa escreveu na sua mensagem para o 54.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, divulgada hoje pelo Vaticano, que a Bíblia é uma “história de histórias”, que apresenta um Deus “simultaneamente criador e narrador”.

“A Bíblia é a grande história de amor entre Deus e a humanidade. No centro, está Jesus: a sua história leva à perfeição o amor de Deus pelo homem e, ao mesmo tempo, a história de amor do homem por Deus”, refere Francisco.

A mensagem tem como tema, em 2020, “‘Para que possas contar e fixar na memória’ (Ex 10, 2). A vida faz-se história”, a partir do livro do Êxodo.

“A experiência do Êxodo ensina-nos que o conhecimento de Deus se transmite sobretudo contando, de geração em geração, como Ele continua a tornar-se presente. O Deus da vida comunica-se, narrando a vida”, assinala.


O homem será chamado, de geração em geração, a contar e fixar na memória os episódios mais significativos desta História de histórias: os episódios capazes de comunicar o sentido daquilo que aconteceu”.

Francisco recorda que Jesus falava “não com discursos abstratos, mas com as parábolas, breves narrativas tiradas da vida de todos os dias”.

“Aqui a vida faz-se história e depois, para o ouvinte, a história faz-se vida: tal narração entra na vida de quem a escuta e transforma-a”, indica.

O Papa sustenta que as narrações do Evangelho mantêm a sua atualidade, não se limitando a ser “património do passado”.

“Por obra do Espírito Santo, cada história, mesmo a mais esquecida, mesmo aquela que parece escrita em linhas mais tortas, pode tornar-se inspirada, pode renascer como obra-prima”, escreve.

A mensagem evoca livros como as ‘Confissões’ de Santo Agostinho, o ‘Relato do Peregrino’ de Santo Inácio, a ‘História de uma alma’ de Santa Teresinha do Menino Jesus, os ‘Noivos prometidos’ (Promessi sposi) de Alexandre Manzoni ou os ‘Irmãos Karamazov’ de Fiódor Dostoevskij.

“Inumeráveis outras histórias têm representado admiravelmente o encontro entre a liberdade de Deus e a do homem”, acrescenta.

Francisco estimula os católicos a divulgar histórias que “testemunham o Amor que transforma a vida”, com “todas as linguagens, por todos os meios”.

Em causa, explica, não está um desejo de fazer “publicidade”, mas “testemunhar aquilo que o Espírito escreve nos corações”.

O texto refere ainda que os crentes devem “narrar-se” diante de Deus, colocando-se sob o seu “olhar de amor compassivo”.

O Dia Mundial das Comunicações Sociais foi a única celebração do género estabelecida pelo Concílio Vaticano II, no decreto ‘Inter Mirifica’, em 1963; assinala-se no domingo antes do Pentecostes (24 de maio, em 2020).

A mensagem do Papa é tradicionalmente publicada por ocasião da festa litúrgica de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, no dia 24 de janeiro.

OC

domingo, 26 de janeiro de 2020

Anuncio do Reino


https://www.youtube.com/watch?v=o28_KM1lrco

A liturgia deste domingo apresenta-nos o projecto de salvação e de vida plena que Deus tem para oferecer ao mundo e aos homens: o projecto do "Reino".
Na primeira leitura, o profeta/poeta Isaías anuncia uma luz que Deus irá fazer brilhar por cima das montanhas da Galileia e que porá fim às trevas que submergem todos aqueles que estão prisioneiros da morte, da injustiça, do sofrimento, do desespero.
Acolher Jesus é aceitar esse projecto de justiça e de paz que Ele veio propor aos homens. Esforçamo-nos por tornar realidade o "Reino de Deus"? Como lidamos com as situações de injustiça, de opressão, de conflito, de violência: com a indiferença de quem sente que não tem nada a ver com isso enquanto essas realidades não nos atingem directamente, ou com a inquietação de quem se sente responsável pela instauração do "Reino de Deus" entre os homens?
A segunda leitura apresenta as vicissitudes de uma comunidade de discípulos, que esqueceram Jesus e a sua proposta. Paulo, o apóstolo, exorta-os veementemente a redescobrirem os fundamentos da sua fé e dos compromissos assumidos no baptismo.
. A vivência da nossa fé não pode, portanto, depender do carisma da pessoa tal, ou estar ligada à personalidade brilhante deste ou daquele indivíduo que preside à comunidade. Para além da forma mais ou menos brilhante, mais ou menos coerente como tal pessoa anuncia ou testemunha o Evangelho, tem de estar a nossa aposta em Cristo; é n'Ele e só n'Ele que bebemos a salvação; é a Ele e só a Ele que o nosso compromisso baptismal nos liga. Cristo é, de facto, a minha referência fundamental? É à volta d'Ele e da sua proposta de vida que a minha experiência de fé se constrói? Em concreto: que sentido é que faz, neste contexto, dizer que só se vai à missa se for tal padre a presidir? Que sentido é que faz afastar-se da comunidade porque não gostamos da atitude ou do jeito de ser deste ou daquele animador?
O Evangelho descreve a realização da promessa profética: Jesus é a luz que começa a brilhar na Galileia e propõe aos homens de toda a terra a Boa Nova da chegada do "Reino". Ao apelo de Jesus, respondem os discípulos: eles serão os primeiros destinatários da proposta e as testemunhas encarregadas de levar o "Reino" a toda a terra.
Para que o "Reino" seja possível, Jesus pede a "conversão". Ela é, antes de mais, um refazer a existência, de forma a que só Deus ocupe o primeiro lugar na vida do homem. Implica, portanto, despir-se do egoísmo que impede de estar atento às necessidades dos irmãos; implica a renúncia ao comodismo, que impede o compromisso com os valores do Evangelho; implica o sair do isolamento e da auto-suficiência, para estabelecer relação e para fazer da vida um dom e um serviço aos outros... O que é que nas estruturas da sociedade ainda impede a efectivação do "Reino"? O que é que na minha vida, nas minhas opções, nos meus comportamentos constitui um obstáculo à chegada do "Reino"?

https://www.dehonianos.org/

sábado, 25 de janeiro de 2020

A razão pela qual Deus nos deu um sorriso

HUG

O sorriso permite nos melhorar o humor e deixar os outros felizes. Não é por acaso que Deus nos dotou dessa chave essencial para a felicidade que pode mudar a nossa vida e a daqueles em nossa volta



Já se perguntou que cara oferece pela manha aqueles que estão a sua volta? Será que é uma face sorridente de alguém que está feliz de encontrar os outros ou uma cara feia de quem quer os outros perguntem se você tem algum problema? Será que é um rosto sombrio de quem acumula os ressentimentos da humanidade, ou ainda um rosto morno de quem jamais sorri? Algumas pessoas tem temperamos espontaneamente sorridentes, outros precisam fazer um esforço contínuo para sorrir. De qualquer forma, o sorriso é um ato e é como a primeira palavra que você adereça àquele que o olha.

O sorriso, um convite à partilha

Um rosto que sorridente é como uma paisagem iluminada pelo sol. O sorriso é um bálsamo para o coração preocupado. Reflexo da alma, ele o convida a fazer as pazes consigo mesmo. E se o sorriso foi a marca da imagem de Deus pela qual o homem foi criado? Na vida de hoje, encontrar um rosto sorridente é como um presente do céu. No meio da agitação ou nos engarrafamentos, cruzar um rosto sorridente, o rosto de alguém que não conhecemos, que mesmo que não fale conosco, mas que sorri, nos reconcilia com a humanidade. Este é um presente que podemos dar sem custo àqueles que encontramos.

O sorriso fala muito e ainda não está sujeito a impostos, graças a Deus! Mas não podemos dizer isso em voz alta: poderia gerar ideias! Você poderia imaginar um país onde um sorriso seria a atitude necessária para relacionamentos comuns, um país em que, desde o jardim de infância, as crianças fossem acostumadas a sorrir e não a brigar? Não pareceria um país perigoso? Isso poderia desenvolver tanta solidariedade entre seus membros, tanto desejo de ver o bem comum, ser bem-sucedido, e tanta tenacidade em fazer tudo para chegar lá, que alguém poderia vê-lo como uma concorrência desleal, escapando da lei da selva e ameaçando as relações internacionais, precisamente baseadas na desconfiança e na concorrência. Um sorriso é como um convite à troca de experiências. E talvez seja disso que temos medo.

Sorrir é inaugurar o céu na terra

Como tudo o que é humano, profundamente humano, o sorriso pode ter dois lados, pode ser perverso ou pervertido. A perversão do sorriso é torná-lo uma fachada enganosa. Trata-se, portanto, de mentir: sorrimos para mascarar as nossas intenções. O que mostra, por outro lado, a força de um sorriso, uma vez que ele pode ser usado efetivamente para obter o que não se obteria pela força! Um homem que sorri para enganar uma criança é horrível. Não hesitaremos em falar então do sorriso do diabo, o que é chamado de Maligno, porque ele é capaz de enganar gentilmente. O sorriso pode ser zombador, incisivo, cruel. É uma diversão imprópria. O sorriso pode ser ingênuo. É o sorriso do inocente, aquele que não faz mal. Seu sorriso é uma abertura, ele acolhe sem maldade. É um sorriso de bebê. Esse sorriso derrete corações duros. É o sorriso da pessoa com síndrome de Down, que sorri para você porque não tem ideia do mal e porque pensa que você o quer bem. Se ele te incomoda, não é culpa dele.


O sorriso, como o testemunho, quando é franco e verdadeiro, é uma arma que o Senhor deu ao homem para desarmar os injustos. É simples experimentá-lo: sorria quando estiver ao volante, sorria para quem pede informações, sorria para quem te insulta. Dizem que no Céu os anjos sorriem constantemente pois estão muito felizes por estar em contínuo relacionamento com seu Senhor. É por isso que sorrir é inaugurar o céu na terra. Missão eminente trazida pelo primeiro cristão do mundo: assim como anunciar o Evangelho, sorrir é uma questão de mudar a face da terra.

Alain Quilici


https://pt.aleteia.org/

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

A ÚNICA PALAVRA SEMPRE ATUAL E ATUANTE

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Com a Carta Apostólica “Apperuit illis", o Papa estabeleceu que, doravante, o III Domingo do Tempo Comum “seja dedicado à celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus”. Mas deseja que este dia não seja “uma vez por ano, mas uma vez por todo o ano”, caso contrário, “o coração fica frio e os olhos permanecem fechados, atingidos, como somos, por inumeráveis formas de cegueira”. A propósito, o Conselho Pontifício para a promoção da Nova Evangelização publicou o “Subsídio litúrgico-pastoral 2020” para se viver este Domingo da Palavra de Deus, o qual - para além do logotipo baseado na passagem dos discípulos a caminho de Emaús em que Jesus aparece como Aquele que Se aproxima e caminha com a “Humanidade”-, traz também propostas celebrativas, formativas e recreativas para que se possa favorecer a perceção da Bíblia como “dom” de Deus.
Francisco publicou a referida Carta Apostólica no dia litúrgico de São Jerónimo, conhecido biblista que afirmava que “A ignorância das Escrituras é a ignorância de Cristo”. Nascido na Dalmácia em 347, toda a sua vida foi marcada por um grande amor às Escrituras, amor que sempre procurou despertar nos fiéis. A ele se deve a "Vulgata", o texto "oficial" da Igreja latina, que foi reconhecido como tal pelo Concílio de Trento.
A Carta Apostólica começa com a seguinte passagem do Evangelho de São Lucas: “Encontrando-se os discípulos reunidos, Jesus aparece-lhes, parte o pão com eles e abre-lhes o entendimento à compreensão das Sagradas Escrituras. Revela àqueles homens, temerosos e desiludidos, o sentido do mistério pascal, ou seja, que Ele, segundo os desígnios eternos do Pai, devia sofrer a paixão e ressuscitar dos mortos para oferecer a conversão e o perdão dos pecados; e promete o Espírito Santo que lhes dará a força para serem testemunhas deste mistério de salvação” (Lc 24,45).
Em seguida, e entre outras coisas, o Papa
RECORDA que o Concílio Vaticano II deu um grande impulso à redescoberta da Palavra de Deus com a Constituição Dogmática Dei Verbum; que Bento XVI, “para incrementar esta doutrina”, convocou o Sínodo sobre “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”, do qual resultou a Exortação Apostólica Verbum Domini que “constitui um ensinamento imprescindível para as nossas comunidades”;
SUBLINHA que estabeleceu tal iniciativa nesta altura do ano por ser nela que somos convidados a rezar pela Unidade dos Cristãos. A Palavra de Deus “convida a reforçar os laços com os judeus e a rezar pela unidade dos cristãos", expressa “uma valência ecuménica”, indica “o caminho a ser percorrido para alcançar uma unidade autêntica e sólida”;
EXORTA a que se viva o Domingo da Palavra como um dia solene e com sinais apropriados: “será importante que, na celebração eucarística, se possa entronizar o texto sagrado, de modo a tornar evidente aos olhos da assembleia o valor normativo que possui a Palavra de Deus”;
INDICA aos bispos a possibilidade de poderem “celebrar o rito do Leitorado ou confiar um ministério semelhante, a fim de chamar a atenção para a importância da proclamação da Palavra de Deus na liturgia”, sendo fundamental “preparar alguns fiéis para serem verdadeiros anunciadores da Palavra”; SUGERE aos párocos que “poderão encontrar formas de entregar a Bíblia, ou um dos seus livros, a toda a assembleia, de modo a fazer emergir a importância de continuar na vida diária a leitura, o aprofundamento e a oração com a Sagrada Escritura”;
ADVERTE que a Bíblia não é monopólio de ninguém, não é “património só de alguns”, não é “uma coletânea de livros para poucos privilegiados”. É “o livro do povo do Senhor”, o livro que os Pastores, “têm a grande responsabilidade de explicar e fazer compreender a todos”, em linguagem “simples e adaptada” à assembleia e falando “com o coração para chegar ao coração” de quem escuta e lhes fazer “captar a beleza da Palavra de Deus e a ver referida à sua vida diária”.
REPETE que “não se pode improvisar o comentário às leituras sagradas” nem se deve alongar o tempo “com homilias enfatuadas ou sobre assuntos não atinentes”.
FRISA a estreita relação que existe entre a Sagrada Escritura e a Eucaristia, bem como salienta a principal “finalidade inscrita na própria natureza da Bíblia”: a nossa salvação pela fé em Cristo. E se o Espirito Santo foi fundamental na formação da Sagrada Escritura, ela deve ser lida, interpretada e rezada com o mesmo Espírito com que foi escrita, para que permaneça sempre nova. Se assim não for, estará “sempre iminente o risco de ficarmos fechados apenas no texto escrito, facilitando uma interpretação fundamentalista, da qual é necessário manter-se longe para não trair o caráter inspirado, dinâmico e espiritual que o texto possui”. O Espírito Santo continua a atuar, “continua a realizar uma sua peculiar forma de inspiração, quando a Igreja ensina a Sagrada Escritura, quando o Magistério a interpreta de forma autêntica e quando cada fiel faz dela a sua norma espiritual”.
Não se trata, pois, de uma palavra do passado. É sempre atual e atuante. Tem profundo vínculo com a fé, com a esperança e a caridade dos crentes. É inseparável dos sacramentos, ensina, refuta, corrige e educa na justiça, como diz Paulo. Dirige-se a cada um de nós e faz-nos compreender o que o Senhor nos quer dizer. Constrói a Igreja, transcende os tempos, tem em si a eternidade, a vida eterna. É capaz “de abrir os nossos olhos, permitindo-nos sair do individualismo que leva à asfixia e à esterilidade enquanto abre a estrada da partilha e da solidariedade”.

D.Antonino Dias- Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 24-01-2020.

INFORMAÇÃO PAROQUIAL


https://www.youtube.com/watch?v=zkivkORaeJA

No próximo dia 25, último  sábado do mês de Janeiro, teremos a Oração de Taizé , pelas 21:00H, no centro Paroquial de Arronches. Compareça!

Dia 2 de Fevereiro, Dia da Apresentação do Senhor no Templo.
Em Arronches, celebramos também a Festa de Nossa Senhora da Luz.
Assim, como habitualmente, convidam-se os pais de todas as crianças nascidas ao longo de 2019, a apresentarem os seus filhos, a exemplo de Maria e José, nesse dia,na Igreja de Nossa Senhora da Luz.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

IGREJA CELEBRA DOMINGO DA PALAVRA DE DEUS


IGREJA CELEBRA DOMINGO DA PALAVRA DE DEUS




A Igreja celebra no próximo domingo, dia 26 de janeiro, o Domingo da Palavra de Deus, um dia instituído pelo Papa Francisco, através de uma Carta Apostólica publicada a 30 de setembro de 2019.

O Santo Padre definiu que, partir de 2020, o III Domingo do Tempo Comum seja especialmente dedicado à celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus.

Na Carta Apostólica, Francisco propõe a todos um «grande desafio»: «escutar as sagradas Escrituras para praticar a misericórdia», até porque «a Palavra de Deus é capaz de abrir os nossos olhos», permite sair do individualismo e «abre a estrada da partilha e da solidariedade».

Acontecendo num «período do ano em que somos convidados a reforçar os laços com os judeus e a rezar pela unidade dos cristãos», a celebração «expressa uma valência ecuménica, porque a Sagrada Escritura indica, a quantos se colocam à sua escuta, o caminho a seguir para se chegar a uma unidade autêntica e sólida».

Cada comunidade deve, segundo o Papa, encontrar forma de viver este dia de forma solene. O Santo Padre sugere que o texto sagrado possa ser entronizado na celebração eucarística, que a sua proclamação seja colocada em evidência e que a homilia seja adaptada, pondo-se «em destaque o serviço que se presta à Palavra do Senhor».

Os bispos podem celebrar o rito do Leitorado ou confiar um ministério semelhante, chamando «a atenção para a importância da proclamação da Palavra de Deus na Liturgia». É fundamental fazer todo o esforço possível preparando alguns fiéis «para serem verdadeiros anunciadores da Palavra com uma preparação adequada», como acontece com os acólitos ou ministros da comunhão.

Francisco aponta também a possibilidade de os párocos entregarem a Bíblia, ou um dos seus livros, a toda a assembleia, fazendo «emergir a importância de continuar na vida diária a leitura, o aprofundamento e a oração com a Sagrada Escritura».

O Santo Padre entende que é necessário não se abeirar da Palavra de Deus «por mero hábito», mas alimentar-se dela «para descobrir e viver em profundidade a nossa relação com Deus e com os irmãos».

Focando o desafio de escutar as sagradas Escrituras «para praticar a misericórdia», o Papa afirma que «a Palavra de Deus é capaz de abrir os nossos olhos, permitindo-nos sair do individualismo que leva à asfixia e à esterilidade enquanto abre a estrada da partilha e da solidariedade».

Imagem de Geraldine Dukes por Pixabay

Apostolado da Oração

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Liberdade Religiosa: 2019 foi «ano de mártires» para os cristãos

Presidente Internacional da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre pede à União Europeia e à ONU que é necessário consagrar um novo direito fundamental


Lisboa, 16 jan 2020 (Ecclesia) – O presidente internacional da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (FAIS), Thomas Heine-Geldern, afirmou que 2019 foi “um ano de mártires” e pediu às organizações internacionais que defendam a liberdade religiosa como um “direito fundamental”.

“Muito pouco está ainda a ser feito”, afirma o responsável internacional num comunicado da FAIS enviado à Agência ECCLESIA, dirigindo-se à União Europeia e à Organização das Nações Unidas.

Para Thomas Heine-Geldern, “é difícil acreditar que num país como a França se tenham registado mais de 230 ataques contra organizações cristãs durante o ano passado” ou que 40 igrejas tenham sido profanadas e danificadas no Chile.

O presidente da FAIS considera que 2019 foi “um dos anos mais sangrentos da história dos cristãos”, com muitos exemplos de ataques a igrejas e organizações religiosas.

No Sri Lanka, no domingo de Páscoa, um ataque a três igrejas, provocou a morte a 250 pessoas; também a Nigéria, na fronteira com os Camarões, tem conhecido ataques por parte de grupos terroristas islâmicos, como o Boko Haram.

“Na véspera de Natal, a vila cristã de Kwarangulum, no estado de Borno, foi atacada por jihadistas que mataram sete pessoas, sequestraram uma jovem e incendiaram casas e a igreja. Horas depois, outro grupo terrorista, com ligações ao Daesh, divulgou um vídeo onde mostra a execução de dez cristãos e de um muçulmano”, lembrou o presidente.

Já este ano, na noite de 8 de janeiro, quatro seminaristas no estado de Kaduna, centro norte da Nigéria, foram sequestrados.

Mas os casos de perseguição estendem-se a outros países africanos: no Burkina Faso assistiu-se à expulsão de cristãos e ao encerramento de escolas e de igrejas.

“Houve pelo menos sete ataques a comunidades católicas e protestantes, nos quais 34 cristãos foram mortos, incluindo dois sacerdotes e dois pastores”, explica Thomas Heine-Geldern citando informações obtidas pela AIS.

“Os nossos parceiros de projetos falam na tentativa de desestabilização do país, fomentando a conflitualidade entre religiões e promovendo a violência”, evidencia.

O Médio Oriente é outra região com “sinais preocupantes”, assinalados pelo arcebispo de Erbil, no Iraque, D. Bashar Warda.

Desde 2014, com a invasão do Daesh, o auto-proclamado Estado Islâmico, a comunidade religiosa tem “diminuído drasticamente”, tanto no Iraque como na Síria.

O aumento da violência e da perseguição tem, na opinião do presidente internacional da FAIS, aumentado junto da opinião pública a preocupação com a liberdade religiosa.

No balanço que fez de 2019, Thomas Heine-Geldern sublinhou também a solidariedade que permite levar ajuda “a milhares de famílias cristãs vítimas de perseguição e de violência”.

“É muito impressionante ver como leigos, religiosas, padres e bispos, apoiados pela generosidade dos nossos benfeitores, estão a fazer todos os possíveis e impossíveis para aliviar a necessidade espiritual e material do povo na Síria”, refere.

A beleza do trabalho que realizam é ver “além da cruz e do sofrimento”, experimentar “de perto a grande dedicação e amor de muitas pessoas”, concluiu.


LS

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos evoca «terrores» enfrentados pelos refugiados

Iniciativa decorre entre os dias 18 e 25 de janeiro, que tem em Portugal uma celebração nacional, este sábado, em Aveiro


Cruz com colete salva-vidas que o Papa Francisco colocou no Vaticano para lembrar os refugiados

Lisboa, 18 jan 2020 (Ecclesia) – Começa hoje, 18 de janeiro, o Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos, que une milhões de pessoas de várias Igrejas até ao dia 25 de janeiro, e recorda este ano os migrantes e refugiados que são vítimas de naufrágios no Mediterrâneo.

A reflexão proposta para as igrejas cristãs de todo o mundo foi preparado pelas comunidades do arquipélago maltês, a partir do relato bíblico do naufrágio de São Paulo II (século I), que o levou até à ilha de Malta, onde, segundo o livro dos Atos dos Apóstolos, foi tratado com “invulgar humanidade”.

“Hoje muitas pessoas estão a enfrentar terrores semelhantes, nesses mesmos mares. Os lugares mencionados no texto também fazem parte das histórias de migrantes de tempos modernos”, refere a proposta de reflexão, publicada em conjunto pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos (Santa Sé) e a Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial das Igrejas.

Os materiais que partiram das Igrejas Cristãs em Malta e Gozo (Cristãos Unidos em Malta), destacando a chegada da fé cristã a estas ilhas, através do apóstolo Paulo.

Evocando as “crises da migração”, o texto recorda que “muitos estão a fazer jornadas perigosas por terra e pelo mar para escapar de desastres naturais, guerra e pobreza”.

“As suas vidas também estão expostas a imensas e friamente indiferentes forças – não apenas naturais, mas também políticas, económicas e humanas”, pode ler-se.

Essa indiferença humana assume várias formas: a indiferença dos que vendem lugares em barcos inadequados para pessoas desesperadas; a indiferença que leva à decisão de não enviar barcos de socorro; a indiferença que faz mandar embora barcos de imigrantes”.

Os cristãos são convidados à “hospitalidade”, testemunhando em conjunto a “amorosa providência de Deus para todas as pessoas”.

“A nossa própria unidade cristã será descoberta não apenas mostrando hospitalidade uns aos outros, embora isso seja muito importante, mas também através de encontros amigáveis com aqueles que não partilham nossa língua, cultura ou fé”, indica a proposta de reflexão.

A passagem bíblica escolhida para 2020 foi tirada do livro dos Atos dos Apóstolos (27,18-28,10), narrando o naufrágio de São Paulo a caminho de Roma, com o tema “Demonstraram-nos uma benevolência fora do comum”.


Algumas das iniciativas que assinalam a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, em Portugal, são a celebração nacional, este sábado, na Sé de Aveiro, às 21h00; a oração promovida pelos cristãos católicos, greco-católicos, evangélicos, anglicanos, luteranos e ortodoxos do Algarve, às 16h00 também deste sábado, na igreja de São Francisco, em Faro; a vigília ecuménica que decorre na Igreja de Santa Isabel, em Lisboa, às 21h00 de hoje; a proposta das igrejas cristãs do Porto que pedem a todas as comunidades que rezem pelo fim da violência doméstica nos encontros deste fim de semana; e também através da apresentação do tema nos programas Ecclesia que passam na Antena 1, entre os dias 20 e 24 de janeiro, às 22h45, e na RTP2, às 15h00, no dia 22 de janeiro.
A entrevista desta semana Ecclesia/Renascença aborda também este tema a partir da experiência de Catarina Belo, professora de Filosofia Islâmica Medieval, no Egito.


O ‘oitavário pela unidade da Igreja’, hoje com outra denominação, começou a ser celebrado em 1908, por iniciativa do norte-americano Paul Wattson, presbítero anglicano que mais tarde se converteu ao catolicismo.

O ecumenismo é o conjunto de iniciativas e atividades tendentes a favorecer o regresso à unidade dos cristãos, quebrada no passado por cismas e ruturas.

As principais divisões entre as Igrejas cristãs ocorreram no século V, depois dos Concílios de Éfeso e de Calcedónia (Igreja copta, do Egito, entre outras); no século XI com a cisão entre o Ocidente e o Oriente (Igrejas Ortodoxas); no século XVI, com a Reforma Protestante e, posteriormente, a separação da Igreja de Inglaterra (Anglicana).

OC/PR

domingo, 19 de janeiro de 2020

Cordeiro de Deus


https://www.youtube.com/watch?v=rcqogmhaaXc

A liturgia deste domingo coloca a questão da vocação; e convida-nos a situá-la no contexto do projecto de Deus para os homens e para o mundo. Deus tem um projecto de vida plena para oferecer aos homens; e elege pessoas para serem testemunhas desse projecto na história e no tempo.
A primeira leitura apresenta-nos uma personagem misteriosa - Servo de Jahwéh - a quem Deus elegeu desde o seio materno, para que fosse um sinal no mundo e levasse aos povos de toda a terra a Boa Nova do projecto libertador de Deus.

A figura do Servo de Jahwéh convida-nos, em primeiro lugar, a tomar consciência de que na origem da vocação está Deus: é Ele que elege, que chama e que confia a cada um uma missão. A nossa vocação é sempre algo que tem origem em Deus e que só se entende à luz de Deus. Temos consciência de que somos escolhidos por Deus desde o seio materno, isto é, desde o primeiro instante da nossa existência? Temos consciência de que é Deus que alimenta a nossa vocação e o nosso compromisso no mundo? Temos consciência de que só a partir de Deus a nossa vocação faz sentido e o nosso empenhamento se entende? Temos consciência de que a vocação implica uma relação de comunhão, de intimidade, de proximidade com Deus?
A segunda leitura apresenta-nos um "chamado" (Paulo) a recordar aos cristãos da cidade grega de Corinto que todos eles são "chamados à santidade" - isto é, são chamados por Deus a viver realmente comprometidos com os valores do Reino.

Realizar a vocação à santidade não implica seguir caminhos impossíveis de ascese, de privação, de sacrifício; mas significa, sobretudo, acolher a proposta libertadora que Deus oferece em Jesus e viver d
e acordo com os valores do Reino. É dessa forma que concretizo a minha vocação à santidade? Tenho a coragem de viver e de testemunhar, com radicalidade, os valores do Evangelho, mesmo quando a moda, o orgulho, a preguiça, os interesses financeiros, o "politicamente correcto", a opinião dominante me impõem outras perspectivas?
O Evangelho apresenta-nos Jesus, "o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo". Ele é o Deus que veio ao nosso encontro, investido de uma missão pelo Pai; e essa missão consiste em libertar os homens do "pecado" que oprime e não deixa ter acesso à vida plena.

Em primeiro lugar, importa termos consciência de que Deus tem um projecto de salvação para o mundo e para os homens. A história humana não é, portanto, uma história de fracasso, de caminhada sem sentido para um beco sem saída; mas é uma história onde é preciso ver Deus a conduzir o homem pela mão e a apontar-lhe, em cada curva do caminho, a realidade feliz do novo céu e da nova terra. É verdade que, em certos momentos da história, parecem erguer-se muros intransponíveis que nos impedem de contemplar com esperança os horizontes finais da caminhada humana; mas a consciência da presença salvadora e amorosa de Deus na história deve animar-nos, dar-nos confiança e acender nos nossos olhos e no nosso coração a certeza da vida plena e da vitória final de Deus.

Testemunho... A palavra "Servidor" regressa hoje em força, em Isaías, enquanto João nos convida a contemplar o Cordeiro de Deus investido da Força do Espírito, ao qual dá testemunho. E nós? O nosso testemunho ficará limitado a estas palavras do Credo proclamado ao domingo? Ou leva-nos a empenharmo-nos em acções concretas no seguimento do Servidor?


https://www.dehonianos.org/

sábado, 18 de janeiro de 2020

Oração ao Espírito Criador

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Sabia que São João Paulo II amava uma oração que ele recitava todos os dias assim que acordava?

Aos 11 anos de idade, o pequeno Karol, aprendeu uma oração para passar em uma prova de matemática e desde então não parou de rezá-la.

Era janeiro de 1980, e São João Paulo II participava de um encontro com um grupo da Renovação Carismática e revelou aos presentes: “Quando eu era criança aprendi a orar ao Espírito Santo. Aos 11 anos, estava muito triste porque tinha muitos problemas com a matemática. Até que meu pai me ensinou o ‘Veni Creator Spiritus’ em um livreto e me disse: ‘Recite isso e você verá que Ele o ajudará a entender’. Desde então, eu recito este hino todos os dias há mais de 40 anos e tenho visto o quanto o Espírito divino nos ajuda”

“Vinde Espírito Criador,
a nossa alma visitai
e enchei os corações
com vossos dons celestiais.

Vós sois chamado
o Intercessor de Deus
excelso dom sem par,
a fonte viva, o fogo, o amor,
a unção divina e salutar.

Sois o doador dos sete dons
e sois poder na mão do Pai,
por Ele prometido a nós,
por nós seus feitos proclamai.

A nossa mente iluminai,
os corações enchei de amor,
nossa fraqueza encorajai,
qual força eterna e protetor.

Nosso inimigo repeli,
e concedei-nos a vossa paz,
se pela graça nos guiais,
o mal deixamos para trás.

Ao Pai e ao Filho Salvador,
por vós possamos conhecer
que procedeis do Seu amor,
fazei-nos sempre firmes crer.

Amém!


Fonte : filhos de Deus

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

NEM O MAR OS ENGOLIU NEM A VÍBORA O MATOU

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Eram 276 pessoas que seguiam a bordo do navio. Entre eles, Paulo e outros prisioneiros. O mar e os ventos mostravam-se assanhados e Paulo deu um conselho: «Meus amigos, eu vejo que a travessia não pode ser levada a cabo sem risco e graves prejuízos, tanto para a carga e para o barco, como também para as nossas vidas». Embora não fossem palavras loucas, eles fizeram orelhas moucas, e partiram. Não tardou que surgisse um vento ciclónico de tal ordem que os arrastou e fez andar à deriva. Açoitados pela tempestade, viram-se na necessidade de alijar a carga ao mar, inclusive os aparelhos do barco. Dado que nem o Sol nem as estrelas mostravam a sua graça e a tempestade não desarmava, afogou-se para eles toda a esperança de salvamento. No entanto, mesmo prisioneiro em direção a Roma, a missão de Deus continua a concretizar-se através de Paulo. Ele sente-se seguro nas mãos de Deus a quem pertence e serve. Como arauto da esperança e da paz, ergue-se no meio deles e exorta à coragem e à confiança: «Meus amigos, devíeis ter-me escutado e não largar de Creta. Isso ter-nos-ia poupado estes riscos e estes prejuízos. Seja como for, convido-vos a ter coragem, pois ninguém perderá a vida aqui, apenas o barco se vai perder. Esta noite, apareceu-me um Anjo de Deus, a quem pertenço e a quem sirvo, e disse-me: ‘Nada receies, Paulo. É necessário que compareças diante de César e, por isso, Deus concedeu-te a vida de todos quantos navegam contigo.’ Portanto, coragem, meus amigos, pois tenho confiança em Deus que tudo sucederá como me foi dito. Contudo, temos de encalhar numa ilha». Pelo meio da noite, os marinheiros, suspeitando que estavam perto de alguma terra, lançaram as âncoras e esperaram o dia. Alguns deles, finos em jeito de chico esperto, logo procuraram fugir do barco e, sorrateiramente, já tinham deitado o escaler ao mar. Paulo apercebeu-se da marosca e disse ao centurião e aos soldados: «Se esses homens não ficarem no barco, não podereis salvar-vos». Então, os soldados cortaram as amarras do escaler e deixaram-no cair.
Enquanto esperavam pelo dia, Paulo voltou a tranquilizar o pessoal e aconselhou a que tomassem algum alimento, voltando a garantir-lhes que nenhum deles perderia “um só cabelo da cabeça.». Eram ao todo duzentas e setenta e seis pessoas no barco. Quando o dia surgiu, não reconheceram a terra que se avistava. Soltaram as âncoras, afrouxaram as cordas dos lemes, içaram ao vento a vela da frente e seguiram rumo à praia, mas o navio encalhou. A proa manteve-se firme, mas a popa foi-se desconjuntando com a força das vagas. O medo, a desconfiança e a suspeita instalou-se. Os soldados, com medo de que algum dos prisioneiros fugisse a nado, resolveram matá-los. O centurião, porém, impôs-se e confiou em todos. Ordenou aos que sabiam nadar que alcançassem a terra a nado, enquanto que os outros passariam sobre pranchas ou sobre os destroços do barco. Tendo chegado todos a terra, só ali souberam que se tratava da ilha de Malta. Os naturais, ao verem-nos chegar sob chuva e frio, acolheram-nos ao redor de uma grande fogueira e com uma “amabilidade fora do comum”. Paulo fez-se colaborante e juntou mais lenha seca para lançar à fogueira. Eis senão quando, o calor fez saltar uma víbora que se enroscou na sua mão. Ao verem tal ocorrência, ficaram boquiabertos e disseram uns aos outros: «Com certeza, esse homem é assassino, pois conseguiu salvar-se do mar, mas a justiça divina não o deixa viver». Expectantes, ficaram à espera que Paulo caísse ali morto. No entanto, porque nada de anormal lhe acontecia, começaram a dizer que ele era um deus, salvara-se do veneno da víbora. O maioral da ilha, Públio, que tinha o pai acamado, recebeu-os durante três dias, hospedando-os de forma muito cordial. Paulo foi ver o doente e, depois de orar, impôs-lhe as mãos e curou-o, como também curou todos os outros doentes da ilha e a todos anunciou o Evangelho. “Eles, por sua vez, cumularam-nos de honras e, na altura da partida, proveram-nos do que era necessário” (cf. At 27, 1-44; 28, 1-10). Ao longo da sua história, esta ilha de Malta foi terra de cartagineses, romanos, bizantinos, árabes, normandos, aragoneses, suevos, cavaleiros da Ordem de São João, franceses e britânicos. Hoje é uma nação independente e membro da União europeia. A fé cristã está aí profundamente enraizada. O facto de ali se cruzarem muitas culturas e saberes, muitos migrantes e homens de negócios, fez desta gente um povo muito aberto e hospitaleiro. A própria variedade de igrejas cristãs que aí existe – são doze - fez de Malta um “vibrante cenário ecuménico”.
Os materiais de apoio à oração pessoal e comunitária para este oitavário mundial de Oração pela Unidade dos Cristãos, oitavário que vai do dia 18 ao dia 25 de janeiro, festa litúrgica de São Paulo, foram preparados pelas Igrejas cristãs de Malta. São inspirados no texto dos Atos dos Apóstolos que acima resumi e sob o lema: “Trataram-nos com uma amabilidade fora do comum” (At 28,2). No entanto, a providência divina continuará a servir-se de quem se sinta irmão e solidário, e ajude a destruir os muros que dividem e os preconceitos que segregam; de quem, com fé, saiba atirar com a carga ao mar, isto é, se converta e reconcilie, libertando-se da indiferença e quejandos; de quem se sinta arauto da esperança, sem medo, como Paulo, e anuncie coragem e confiança em Deus que nos ama; de quem pratique a hospitalidade como os habitantes de Malta e a todos reúna à volta da fogueira do amor; de quem promova a cultura do encontro para fazer crescer a unidade entre todas as Igrejas cristãs, sem medo nem olhar vesgo; de quem reze para que todos sejam um. É dando que se recebe.

Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 17-01-2020,

INFORMAÇÃO PAROQUIAL


MOVIMENTO PAROQUIAL ANO 2019

            Alegrete     Arronches  Degolados   Esperança  Mosteiros

Baptizados      10             16                     7                     4                   4

Casamentos      2               0                     0                     1                   0

Funerais          28             42                    12                   15                 10

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Movimento do projecto da Porta Aberta na Igreja Matriz de Arronches

Recebemos na Igreja Matriz a0 longo do ano 2019  1660 visitantes ( mil seiscentos e sessenta)

Blogger da Paróquia de Arronches

  Ao longo do ano de 2019, o blogger da paróquia teve 26558 visualizações.

Um Novo Hino para a Catequese em Portugal

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Falta-nos sonhar!


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Falta-nos sonhar. Falta-nos acreditar que o mundo pode ser mais. Falta-nos carregar a vida com as nossas esperanças numa confiança de que ainda há muito para alcançar.
Falta-nos sonhar. Colocar a nossa vida num arriscar constante e assim deixarmo-nos encontrar com o que verdadeiramente somos e queremos. Falta-nos sonhar. Falta-nos idealizar e planear. Escrever por entre linhas direitas tudo aquilo que fizemos de torto.
Falta procurarmos a nossa terminação. Enfrentarmos a nossa finitude e perguntarmos a Deus de que promessas e sonhos somos feitos.
Falta-nos sonhar. Colocar em equação todas as contas dos nossos planos. Duvidar e dividir. Errar e voltar a ganhar a motivação de sonhar ainda mais alto. Precisamos que os sonhos nos deem cor à vida. Precisamos que sejam revelados pelo brilho dos nossos olhos.
Falta-nos sonhar. E acreditar que tudo virá a ser possível diante deste reino do impossível. É tempo de nos tornarmos eternos sonhadores e fazer da nossa existência um poema cheio de profecias. É sonhando que nos fazemos e refazemos. É sonhando que partimos de novo, vezes sem fim, em promessas que nos resgatam.
Falta-nos sonhar. Imaginar o incerto. Tentar tocar o invisível e, deste jeito, permitirmos que aconteça vida em nós. Falta-nos viver com as incertezas que advêm do medo e sentirmos profundamente como se vive em caminhos de plena confrontação e descoberta.
Se hoje não sonharmos como suportaremos o nosso passado? Se hoje não sonharmos como viveremos o presente? Se hoje não sonharmos como desenharemos o nosso futuro?
A minha vida. A tua vida. E a nossa vida só avança quando deixamos que todo este dinamismo ganhe sentido numa força que não a dominamos, mas que nos eleva e nos convida a moldar-nos.
Por isso, hoje, se não queres continuar em direção a um sentido que não te dá sentido, pergunta-te corajosamente: quantos sonhos caminham contigo?


Emanuel António Dias