Mostrar mensagens com a etiqueta mártires. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta mártires. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

SS. CORNÉLIO, PAPA E CIPRIANO, BISPO, MÁRTIRES






S. Cornélio, papa, Basílica de São Paulo fora das muralhas 
A comemoração destes dois mártires, no mesmo dia, é muito antiga. O Martirológio de São Jerônimo já os celebrava juntos. Esta data escolhida indica, em particular, a renúncia ao trono papal do primeiro e a morte do segundo por decapitação.

Cornélio, o Papa da mansidão

Em Roma, no ano 251, após alguns anos de cargo vacante, devido à perseguição de Décio, Cornélio foi eleito Papa: era um romano, talvez de origens nobres, mas, certamente, reconhecido como homem de fé, justo e amoroso. Porém, a sua eleição não foi aceita pelo herege Novaciano, que se fez consagrar antipapa e promoveu um cisma precisamente na Cidade de Roma. Cornélio - que apoiava à distância o Bispo Cipriano – foi acusado de ser muito manso com os "lapsos": estes eram apóstatas, que retornavam à Igreja, sem as devidas penitências, mas simplesmente com a apresentação de um certificado de reconciliação, obtido de algum suposto confessor. Além do mais, uma epidemia abateu-se sobre Roma e, depois, teve início também a perseguição anticristã de Galo. O Papa Cornélio foi exilado e preso em Civitavecchia, onde faleceu, mas foi sepultado nas catacumbas de São Calisto, em Roma.

Cipriano, Bispo convertido  

Táscio Cecílio Cipriano nasceu no norte da África, provavelmente em Cartago, entre os anos 200 e 210 dC. Filho de família abastada, recebeu formação superior, dedicando-se à oratória e advocacia. Converteu-se ao Cristianismo, já adulto, por volta de 245. Três anos depois foi eleito bispo de Cartago. Foi degolado nas imediações da cidade, na presença de grande multidão de cristãos e pagãos, aos 14 de setembro de 258, durante a perseguição de Valeriano.

A Igreja na época de São Cipriano vivia intenso fervor. As sangrentas perseguições, que desde Nero (ano 64 dC) a sacudiam, somente faziam aumentar o fervor, e os mártires entregavam suas vidas com amor e fé.

Mesmo com todo este fervor, surgiam grupinhos de hereges que, desejosos de 'autonomia', pregavam uma doutrina diferente da dos Apóstolos e dos Bispos da Santa Igreja de Cristo. Para combater estas heresias, Cipriano divulga por volta do outono do ano de 251, como ele mesmo diz, um livrinho de conduta cristã denominado: "Catholicae Ecclesiae Unitate" - "A Unidade da Igreja Católica".

São maravilhosas as palavras de São Cipriano. Ele demonstra uma clareza de idéias e um espírito decidido na meta que almeja alcançar. Homem de Deus, baseou-se totalmente nas escrituras para defender a unidade da Igreja Católica, o Primado de Pedro, e outras Santas Doutrinas recebidas diretamente dos Apóstolos.
Martírio de São Cipriano

No dia décimo oitavo das calendas de outubro pela manhã, grande multidão se reuniu no campo de Sexto, conforme a determinação do procônsul Galério Máximo. Este, presidindo no átrio Saucíolo, no mesmo dia ordenou que lhe trouxessem Cipriano. Chegado este, o procônsul interrogou-o: "És tu Táscio Cipriano?" O bispo Cipriano respondeu: "Sou".

O procônsul Galério Máximo: "Tu te apresentastes aos homens como papa do sacrílego intento?" Respondeu o bispo Cipriano: "Sim".

O procônsul Galério Máximo disse: "Os augustíssimos imperadores te ordenaram que te sujeites às cerimônias". Cipriano respondeu: "Não faço".

Galério Máximo disse: "Pensa bem!" O bispo Cipriano respondeu: "Cumpre o que te foi mandado; em causa tão justa, não há que discutir".

São Cipriano, detalhe de um mosaico do século VI que representa a procissão dos mártires, na Basílica de Santo Apolinário Novo, Ravena

Galério Máximo deliberou com o seu conselho e, com muita dificuldade, pronunciou a sentença, com esta palavras: "Viveste por muito tempo nesta sacrílega idéia e agregaste muitos homens nesta ímpia conspiração. Tu te fizeste inimigo dos deuses romanos e das sacras religiões, e nem os piedosos e sagrados augustos príncipes Valeriano e Galieno, nem Valeriano, o nobilíssimo César, puderam te reconduzir à prática de seus ritos religiosos. Por esta razão, por seres acusado de autor e guia de crimes execráveis, tu te tornarás uma advertência para aqueles que agregaste a ti em teu crime: com teu sangue ficará salva a disciplina". Dito isto, leu a sentença: "Apraz que Tarcísio Cipriano seja degolado à espada". O bispo Cipriano respondeu: "Graças a Deus!"

Após a sentença, o grupo dos irmãos dizia: "Sejamos também nós degolados com ele". Por isto houve tumulto entre os irmãos e grande multidão o acompanhou. E assim Cipriano foi conduzido ao campo de Sexto. Ali tirou o manto e o capuz, dobrou os joelhos e prostrou-se em oração ao Senhor. Retirou depois a dalmática, entregando-a aos diáconos e ficou de alva de linho e aguardou o carrasco, a quem, quando chegou, mandou que os seus lhe dessem vinte e cinco moedas de ouro. Os irmãos estenderam diante de Cipriano pano de linho e toalha. O bem-aventurado quis vendar os olhos com as próprias mãos. Não conseguindo amarrar as pontas, o presbítero Juliano e o subdiácono Juliano o fizeram.

Desde modo morreu o bem-aventurado Cipriano. Seu corpo, por causa da curiosidade dos pagãos, foi colocado ali perto, de onde, à noite, foi retirado e, com círios e tochas, hinos e em grande triunfo, levado ao cemitério de Macróbio Candiano, administrador, existente na via Mapaliense, junto das piscinas. Poucos dias depois, morreu o procônsul Galério Máximo.

Mártir santíssimo Cipriano foi morto, no dia décimo oitavo das calendas de outubro, sob Valeriano e Galieno imperadores, reinando, porém, nosso Senhor Jesus Cristo, a quem a honra e a glória pelos séculos dos séculos. Amém.


https://www.vaticannews.va/pt/
https://www.ecclesia.com.br/

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Liberdade Religiosa: 2019 foi «ano de mártires» para os cristãos

Presidente Internacional da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre pede à União Europeia e à ONU que é necessário consagrar um novo direito fundamental


Lisboa, 16 jan 2020 (Ecclesia) – O presidente internacional da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (FAIS), Thomas Heine-Geldern, afirmou que 2019 foi “um ano de mártires” e pediu às organizações internacionais que defendam a liberdade religiosa como um “direito fundamental”.

“Muito pouco está ainda a ser feito”, afirma o responsável internacional num comunicado da FAIS enviado à Agência ECCLESIA, dirigindo-se à União Europeia e à Organização das Nações Unidas.

Para Thomas Heine-Geldern, “é difícil acreditar que num país como a França se tenham registado mais de 230 ataques contra organizações cristãs durante o ano passado” ou que 40 igrejas tenham sido profanadas e danificadas no Chile.

O presidente da FAIS considera que 2019 foi “um dos anos mais sangrentos da história dos cristãos”, com muitos exemplos de ataques a igrejas e organizações religiosas.

No Sri Lanka, no domingo de Páscoa, um ataque a três igrejas, provocou a morte a 250 pessoas; também a Nigéria, na fronteira com os Camarões, tem conhecido ataques por parte de grupos terroristas islâmicos, como o Boko Haram.

“Na véspera de Natal, a vila cristã de Kwarangulum, no estado de Borno, foi atacada por jihadistas que mataram sete pessoas, sequestraram uma jovem e incendiaram casas e a igreja. Horas depois, outro grupo terrorista, com ligações ao Daesh, divulgou um vídeo onde mostra a execução de dez cristãos e de um muçulmano”, lembrou o presidente.

Já este ano, na noite de 8 de janeiro, quatro seminaristas no estado de Kaduna, centro norte da Nigéria, foram sequestrados.

Mas os casos de perseguição estendem-se a outros países africanos: no Burkina Faso assistiu-se à expulsão de cristãos e ao encerramento de escolas e de igrejas.

“Houve pelo menos sete ataques a comunidades católicas e protestantes, nos quais 34 cristãos foram mortos, incluindo dois sacerdotes e dois pastores”, explica Thomas Heine-Geldern citando informações obtidas pela AIS.

“Os nossos parceiros de projetos falam na tentativa de desestabilização do país, fomentando a conflitualidade entre religiões e promovendo a violência”, evidencia.

O Médio Oriente é outra região com “sinais preocupantes”, assinalados pelo arcebispo de Erbil, no Iraque, D. Bashar Warda.

Desde 2014, com a invasão do Daesh, o auto-proclamado Estado Islâmico, a comunidade religiosa tem “diminuído drasticamente”, tanto no Iraque como na Síria.

O aumento da violência e da perseguição tem, na opinião do presidente internacional da FAIS, aumentado junto da opinião pública a preocupação com a liberdade religiosa.

No balanço que fez de 2019, Thomas Heine-Geldern sublinhou também a solidariedade que permite levar ajuda “a milhares de famílias cristãs vítimas de perseguição e de violência”.

“É muito impressionante ver como leigos, religiosas, padres e bispos, apoiados pela generosidade dos nossos benfeitores, estão a fazer todos os possíveis e impossíveis para aliviar a necessidade espiritual e material do povo na Síria”, refere.

A beleza do trabalho que realizam é ver “além da cruz e do sofrimento”, experimentar “de perto a grande dedicação e amor de muitas pessoas”, concluiu.


LS

domingo, 26 de julho de 2015

IGREJA DE AGENTES DE PASTORAL MÁRTIRES




Em poucos dias – entre 14 e 20 de Julho – foram mortos três sacerdotes: um na Colômbia, um na Espanha e um terceiro na Venezuela.


Os agentes de pastoral assassinados em 2015 são 11: quatro na América, três na Europa, três na África e um na Ásia. Os sacerdotes mortos são nove desde o início do ano.

A estes, devem ser somados uma religiosa da África do Sul e um operador da Cáritas da Síria.

O continente americano, em particular a América Latina, se confirma como uma das regiões mais perigosas para os evangelizadores. Os sacerdotes mortos em países latino-americanos, em sete meses, já são quatro: dois na Colômbia, um no México e um na Venezuela.

Source: Actualidade Religiosa

domingo, 29 de junho de 2014

Mártires pelo testemunho do amor à pessoa de Jesus Cristo.


Ao celebrarmos a festa de São Pedro e São Paulo, celebramos a festa do que a Igreja é: Corpo de Cristo, testemunha de Jesus Cristo (At 1,8), testemunha da vitória de Cristo sobre o mal e todas as suas manifestações e sobre a morte. Ao celebrarmos num mesmo dia a festa desses dois mártires, tão diferentes entre si mas unidos pelo mesmo amor à pessoa de Jesus, amor que os levou a entregar as próprias vidas, celebramos a diversidade da Igreja e o desafio de construir a comunhão eclesial. Um e outro puderam experimentar uma profunda e radical transformação em suas vidas. Pedro foi encontrado pelo Senhor às margens do Mar da Galileia, enquanto com seu irmão André lavava as redes, depois de uma noite de pesca. A partir desse primeiro encontro, teve início um longo caminho de transformação radical da vida, que o levou a essa magnífica expressão de adesão radical a Jesus: “… Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo” (Jo 21,17). Paulo, de perseguidor implacável da Igreja de Cristo, foi iluminado pelo Senhor no caminho de Damasco. Essa iluminação, num primeiro momento, o cegou para fazê-lo compreender que todo o passado dele sem Cristo era uma grande cegueira. A luz que surpreendeu Paulo o cegou para dar a ele uma nova luz, a luz do Cristo ressuscitado, a iluminação que é dada como fruto da fé no Senhor, vencedor do mal e da morte.
A fé da Igreja está apoiada na rocha da fé de Pedro e no testemunho daqueles que com Pedro foram testemunhas oculares de tudo o que Jesus fez e ensinou. Pela fé a Igreja é revestida da luz do Cristo ressuscitado e, pela graça do mesmo Cristo, é herdeira de sua vitória (cf. Ap 12,1-6). Deles e de todos os que viveram o tesouro da fé a ponto de darem suas vidas, pode-se dizer que nada foi capaz de separá-los do amor de Cristo (Rm 8,35-37). Por razões diferentes, a Igreja de todos os tempos sempre foi perseguida e ameaçada. Sempre tivemos mártires. O nosso tempo, nesse aspecto, não faz exceção. Atrás do discurso da tolerância religiosa, esconde-se uma verdadeira rejeição aos valores verdadeiramente cristãos. Que Deus nos dê a graça e a força do Ressuscitado para que, apoiados na fé dos Apóstolos, possamos, não obstante o mundo que nos cerca, dar o verdadeiro testemunho de Cristo.

Carlos Alberto Contieri, sj



ORAÇÃO

Pai, consolida minha fé, a exemplo do apóstolo Pedro que, em meio às provações, soube dar, com o seu martírio, testemunho consumado de adesão a Jesus.