sexta-feira, 30 de setembro de 2022

EM SAÍDA ATÉ AOS CONFINS DO MUNDO....


Mês de outubro, mês das Missões, mês do Rosário, tempo favorável em direção à Jornada Mundial da juventude! Todo o batizado é missionário por vocação. Nas famílias e fora das famílias, nas comunidades cristãs e para além delas, a ação missionária humaniza, liberta, santifica. Cada um, a seu jeito e nas suas circunstâncias, em fidelidade ao seu batismo, deve ajudar a promover a cultura do encontro em cada um consigo mesmo, com Deus, com os outros, com a própria natureza. Fá-lo-á com o testemunho que dá, com a palavra que diz, com o profissionalismo que mostra, com a alegria com que vive, com a misericórdia que manifesta, com a empatia que gera. O milhão de crianças de todo o mundo que se vão unir na oração do Terço, em 18 de Outubro, pela paz, é um testemunho de valor incalculável, um estímulo. Foi às crianças que a Senhora primeiro se dirigiu a pedir-lhes que rezassem o terço todos os dias, e elas assumiram.
Os secretariados e serviços pastorais e sociais, as confrarias e irmandades, os movimentos e grupos eclesiais são missão. A sua atividade orienta-se, antes de mais, para dentro de cada um e do próprio grupo. Depois, para fora, de forma associativa. São equipa, são grupo, devem planear, agir e avaliar como tal. A sua razão de ser não é compatível com o virar de costas à vida diocesana e à vida das comunidades paroquiais que as originaram. Foram criados com a intenção de serem protagonistas da evangelização, com alegria e esperança, dando as mãos. Anunciar Jesus Cristo, o seu reino e a sua Igreja, promover a cultura da fé e aumentar a quantidade e a qualidade dos fiéis, com persistência e humildade, em comunhão, é o seu mister. A própria comunidade cristã, no seu todo, se é viva, ministerial e profética, é naturalmente missionária através da liturgia e das suas iniciativas, com inclusão das periferias, sejam iniciativas mais culturais ou pastorais, sejam mais lúdicas ou recreativas. Como refere Francisco, “Jesus precisa de corações que sejam capazes de viver a vocação como uma verdadeira história de amor, que os faça sair para as periferias do mundo e tornar-se mensageiros e instrumentos de compaixão”.
Em 23 de outubro, celebramos o Dia Mundial das Missões. Foi uma equipa do Seminário de Sássari, da Sardenha, Itália, quem, depois de ter promovido com êxito algumas iniciativas de animação missionária, fez chegar ao Papa o pedido de um dia todo ele dedicado às Missões. Dado o seu ardor missionário, ninguém estranhou que Pio XI aceitasse de imediato a sugestão como "uma inspiração que vem do céu". Já na solenidade de Pentecostes de 1922, ele teve um gesto surpreendente e profético. Interrompeu a homilia e, no meio de um silêncio a despertar a curiosidade de todos, pegou no seu solidéu e fê-lo passar por entre a multidão de bispos, presbíteros e fiéis na Basílica de São Pedro, pedindo a sua colaboração para as Missões. Em 1926 instituiu o Dia Mundial, ficando a celebrar-se todos os anos no penúltimo Domingo do mês de outubro. Tem como objetivo incentivar o espírito missionário e a cooperação de todos para a evangelização, a animação e a cooperação missionária em todo o mundo, também mediante a oração e a partilha. O primeiro Dia Mundial foi celebrado em 1927. Os Papas, desde 1963, têm escrito uma mensagem orientadora da vivência deste Dia Mundial. Paulo VI, na sua Mensagem de 1976, escreveu: “O Dia visa, sobretudo, a formação da consciência missionária no seio de todo o Povo de Deus, tanto dos indivíduos quanto das comunidades, o cultivo das vocações missionárias, o progressivo crescimento da cooperação, espiritual e material, a atividade missionária em toda a sua dimensão eclesial”.
‘Sereis minhas testemunhas’ é o tema da Mensagem do Papa Francisco para este ano de 2022. Inspira-se na passagem dos Atos dos Apóstolos: «Recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (At 1,8). Três expressões resumem os alicerces da vida e da missão dos discípulos: «Sereis minhas testemunhas», «até aos confins do mundo» e «recebereis a força do Espírito Santo». Os confins do mundo começam em casa...
Apelo a todas as famílias diocesanas, comunidades e instâncias pastorais a participarem, ao longo do mês de outubro, nesta missão que Jesus confiou a cada um de nós, a ti também. Não só com a poderosa oração do Rosário. Mas também promovendo outros momentos de oração, reflexão, ação e partilha para fomentar o espírito missionário local e ajudar às necessidades espirituais e materiais dos povos e da Igreja em todo o mundo.


D. Antonino Dias . Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 30-09-2022.

BUSCAR O ALTO



Quase sempre tentamos trilhar – ou impingir a outros – um caminho de santidade que não vai além do fazer: há que fazer coisas boas, como voluntariado; há que fazer retiros; há que fazer festas; há que fazer partilhas em grupo; há que participar em tudo. E isto é um equívoco! A santidade não pertence ao domínio do fazer, pertence ao domínio do ser.

Há que servir, sim, mas como resposta a um amor maior, não a partir da autossuficiência. Há que seguir, sim, mas não colocando a confiança num conjunto de regras na pedra, mas numa pessoa, Jesus. Há que conversar, sim, mas não ‘sobre’ coisas profundas, mas de maneira profunda.

Para entrar na aventura que é o caminho da santidade, há três atitudes-base a exercitar: agradecer, pedir perdão, assumir. De que forma? Agradecer a graça que Deus nos oferece em todas as situações; pedir perdão pelas cegueiras e coxeios próprios; assumir que não somos o centro da história, mas sim Jesus e a sua presença santificante, o Espírito.

Agradecer. Pedir perdão. Assumir. Três atitudes a exercitar todos os dias para santificar e viver a graça. Como se fôssemos uma árvore no jardim original, devemos lançar raízes através do agradecimento, fertilizá-las com a nossa miséria-feita-nova-vida na misericórdia de Deus e esticar os nossos ramos para os céus, não por nós, mas para que os fatigados possam descansar à sua sombra, os famintos alimentar-se dos seus frutos e para que os demais se deixem guiar pela direção que os nossos ramos apontam ao buscar o alto: o caminho para o Céu.

Nelson Faria, sj

Fotografia: Benjamin Davies (unsplash.com)


https://redemundialdeoracaodopapa.pt/

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Almoço com Jesus Cristo



Saí para almoçar com Ele. Já tínhamos tudo combinado. Ele pagava o almoço e eu colocava-lhe as questões. Ele escolheria os pratos e eu inundar-Lhe-ia de inquietações.

Ainda bem antes de chegar já Ele me avistava (típico de Si, não é verdade?). Recebeu-me nos seus braços. Recordei as vezes em que desejava efetivamente ter sentido o Seu toque e, por isso, deixei-me ficar. A aproveitar ao máximo a oportunidade.

Entramos e, por mais incrível que pareça, ninguém O reconheceu (outra das Suas manias, não é verdade?). Dirigimo-nos à mesa alegremente. Ele estava claramente feliz por se poder sentar à mesa e fazer daquele momento verdadeira Vida. Cumpriu e fez os seus pedidos. E eu não faltei ao prometido. Com medo de me esquecer de tudo, abri os meus apontamentos. E dei então início...

Onde estás?
O que nos pedes?
Qual é o Teu sonho?
É mesmo esta a Tua Igreja?
O que fazer diante da pobreza?
Como seguro o coração ao ver crianças sem infância?
Que palavras me podes dar nos momentos em que não sei como aliviar a dor?
Vale a Lei ou a Misericórdia?
Entram todos e todas em Tua casa ou só os que Te professam a fé?

Deixou-me sem resposta. Pagou a conta. Levantou-se. Olhou-me e abraçando-me disse: "Tu e todos são o meu sonho. São o meu Reino. Façam segundo o meu amor.".

O almoço não me deu as respostas, nem as soluções, mas permitiu-me viver as perguntas e, por isso, viver segundo o Seu amor.

(Fiquem descansados, porque o almoço não aconteceu. Talvez um dia, só Deus sabe 😉)


Emanuel António Dias

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Como se gere a velocidade de tudo?




Vivemos (quase) sempre a mil à hora. Acumulamos tarefas, respostas, e-mails, faltas de tempo de vontade. Esperam que consigamos dar tudo, a tempo inteiro. Sem reclamar. Sem caras feias, sem sobrolhos franzidos. O ritmo de tudo é alucinante. As esperas no trânsito são capazes de despertar o pior que há em nós. Atravessa-nos raiva que nem sabíamos que tínhamos. Tudo se acende e quase nunca parece ser luz. Pedimos tempo emprestado ao dia seguinte porque o hoje não nos basta.

A questão é: enquanto vivemos nesta espiral de quase inconsciência, sobra-nos tempo para pensar se estamos a viver como queremos? Se é este o exemplo que queremos dar aos nossos filhos, sobrinhos, afilhados, amigos?

Quando é que nos deixámos enredar nestas ondas de não chegar a lado nenhum?

Algures entre o que gostaríamos de fazer e o que gostaríamos que fizéssemos.

Algures entre a educação pouco emocional que nos deram.

Algures entre a pressa de ter um primeiro emprego, sem saber ainda nada sobre a vida e sobre os outros.

Enquanto as nossas pressas parecem bastar-nos, a vida segue implacável. A semear doenças graves entre os que amamos. A trazer um acidente que muda tudo e que não se esperava. A fazer-nos compreender que até os cenários mais perfeitos têm uma mancha escura ou, até, podre. Que até a nossa paz parece fazer barulho.

Não nos deixemos enganar. A vida não é o que acontece quando cumprimos prazos. Quando não dormimos para atingir este ou aquele objetivo. A vida é o que nos guarda quando as tempestades são muitas. A vida é aquele mergulho no mar que disfarça as lágrimas que não se choraram. É aquele abraço de reencontro no aeroporto. É o cancro que entrou em remissão. É a cura que ninguém esperava. É a chave na porta da casa nova. É o jantar com amigos. A festa de anos de um filho. É a coragem de se viver sempre como se tivéssemos, prometido, o dia de amanhã.


Marta Arrais

terça-feira, 27 de setembro de 2022

Sê Luz onde Deus te colocar



Porquê que as pessoas que ajudamos, às vezes, sentem “raiva” de nós? Para muitas pessoas, receber é muito difícil. Elas sentem-se humilhadas porque recebem sem dar nada em troca. Por isso, elas reclamam. É uma forma de manterem a auto-estima, de deixar claro que ainda conservam a própria dignidade. Mas cuidado a quem dá. Porque quem dá, também tem de saber dar de forma que a pessoa que recebe não se sinta ferida na sua dignidade. Às vezes, vivemos a vida ajudando os outros, nunca quisemos receber nada. Por isso, às vezes, certas doenças, por cruéis que possam ser, podem ser uma benção. Porque passamos uma vida a ajudar os outros mas não sabemos receber. Durante o tempo da doença, aprendemos que receber é necessário, também, para a nossa evolução. Lembra-te, que quando ajudamos alguém em dificuldade, quando damos alguma coisa a alguém que necessita, seja material ou imaterial, estamos teoricamente em posição de superioridade. Somos nós os dadores. Isso faz-nos bem sim e, às vezes, tendemos a não dar importância à maneira como essa ajuda é dada. Por outro lado, quando somos nós a receber, ou nos sentimos diminuídos, ou recebemos como se aquilo nos fosse indevido. Quantas vezes não fomos aquele que dá, aparentemente com generosidade, mas guardando lá no fundo um sentimento de superioridade sobre o outro… ou esperando a eterna gratidão de quem ajudamos?! E recusamos orgulhosamente de receber porque temos vergonha de mostrar a nossa fragilidade, como se isso nos fizesse menores aos olhos dos outros. E quantas vezes, fomos aquele que apenas recebe, sem dar nada em troca, egoisticamente convencidos, de que temos direito ao que recebemos?! A lei é dar com liberalidade e receber com gratidão, já o dizia S. Paulo. Que cada um de nós consiga entender as lições de dar e receber, e agradeça a Deus as oportunidades de as aprender.

RicardoEsteves.padre

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Pai, acordei, estou vivo



Hoje, reza assim! Pai, acordei, estou vivo. Este é o primeiro milagre do meu dia. Este é o milagre que nos concedes todos os dias, mas muitos já não alcançam hoje, esta graça. Hoje, rezo pelos que partiram. Vou sorrir e ser grato, pois, posso andar, ouvir, falar, e tenho o que comer e vestir. Hoje, a minha oração e pedido é, que Tu, Pai, tenhas misericórdia daqueles que precisam mais do que eu. Quanto a mim, obrigado, pois já tenho o necessário. Eu sei que cada pessoa que conhecemos e vamos conhecer na vida, são uma folha que enriquece a nossa árvore. Muitos perdem-se com o vento, outras ficam, nunca vão embora, são perenes. Eu sei que preciso rezar, porque sei que me amas e, sei também que onde há joelhos dobrados, não há batalhas perdidas. Mesmo sem saber muitas vezes o que Te pedir, se houver amor no meu coração, recebo, até o que não peço. Hoje, rezo por todos, sem excepção, para que neste dia ninguém diminua os seus sonhos, mas aumente a sua fé. Obrigado por tudo, querido Pai do céu! Um dia muito feliz para todos com Deus no coração.

RicardoEsteves.padre

domingo, 25 de setembro de 2022

A relação com os bens deste mundo

 


A liturgia deste domingo propõe-nos, de novo, a reflexão sobre a nossa relação com os bens deste mundo... Convida-nos a vê-los, não como algo que nos pertence de forma exclusiva, mas como dons que Deus colocou nas nossas mãos, para que os administremos e partilhemos, com gratuidade e amor.
Na primeira leitura, o profeta Amós denuncia violentamente uma classe dirigente ociosa, que vive no luxo à custa da exploração dos pobres e que não se preocupa minimamente com o sofrimento e a miséria dos humildes. O profeta anuncia que Deus não vai pactuar com esta situação, pois este sistema de egoísmo e injustiça não tem nada a ver com o projecto que Deus sonhou para os homens e para o mundo. Convém, também, aplicarmos o questionamento que a mensagem de Amós exige a nós próprios... Muito provavelmente, não frequentamos as festas do jet-set, nem usamos dinheiros públicos para pagar os nossos divertimentos e esbanjamentos... Mas, numa escala muito menor, não teremos os mesmos vícios que Amós denuncia nesta classe rica e ociosa? Não nos deixamos, às vezes, arrastar pelo desejo de ter, comprando coisas supérfluas e impondo sacrifícios à família para pagar as nossas manias de grandeza? Não gastamos, às vezes, de forma descontrolada, para pagar os nossos pequenos vícios, sem pensar nas necessidades daqueles que dependem de nós? E os religiosos e religiosas com voto de pobreza não gastam, às vezes, de forma supérflua, esquecendo que vivem das ofertas generosas de pessoas que têm menos do que eles?
O Evangelho apresenta-nos, através da parábola do rico e do pobre Lázaro, uma catequese sobre a posse dos bens... Na perspectiva de Lucas, a riqueza é sempre um pecado, pois supõe a apropriação, em benefício próprio, de dons de Deus que se destinam a todos os homens... Por isso, o rico é condenado e Lázaro recompensado.
Como me situo face aos bens? Vejo os bens que Deus me concedeu como "meus, muito meus, só meus", ou como dons que Deus depositou nas minhas mãos para eu administrar e partilhar, mas que pertencem a todos os homens?
Por muito pobres que sejamos, devemos continuamente interrogar-nos para perceber se não temos um "coração de rico" - isto é, para perceber se a nossa relação com os bens não é uma relação egoísta, açambarcadora, exclusivista (há "pobres" cujo sonho é, apenas, levar uma vida igual à dos ricos). E não esqueçamos: é a Palavra de Deus que nos questiona continuamente e que nos permite a mudança de um coração egoísta para um coração capaz de amar e de partilhar.A segunda leitura não apresenta uma relação directa com o tema deste domingo... Traça o perfil do "homem de Deus": deve ser alguém que ama os irmãos, que é paciente, que é brando, que é justo e que transmite fielmente a proposta de Jesus. Poderíamos, também, acrescentar que é alguém que não vive para si, mas que vive para partilhar tudo o que é e que tem com os irmãos?
O retrato aqui esboçado do "homem de Deus" define os traços do verdadeiro crente: ele é alguém que vive com entusiasmo a sua fé, que ama os irmãos (que trata todos com doçura, com paciência, com mansidão) e que dá testemunho da verdadeira doutrina de Jesus, sem se deixar seduzir e desviar pelas modas ou pelos interesses próprios. Identificamo-nos com este modelo?


https://www.dehonianos.org/

sábado, 24 de setembro de 2022

AO SERVÇO DA PESSOA E DA SOCIEDADE


Era um jovem perspicaz, atento e inspirador, chamava-se Vicente de Paulo. Após 441 anos continua a inspirar crianças, jovens, adultos e muita gente de boa vontade. Porque se celebra a 27 de setembro, sirvo-me de algumas biografias para recordar um pouco da sua vida. Filho de camponeses, fez estudos superiores graças a benfeitores. Aos 19 anos é ordenado sacerdote. Perde o pai, as dificuldades económicas da família agravam-se, abre uma escola que não resulta, fica endividado. Feito prisioneiro de piratas turcos numa viagem, é vendido a três donos, sucessivamente, dois anos depois consegue fugir. Vai a Roma, volta a Paris, é admitido entre os capelães da corte, uma corte sovina para com ele. Um pouco mais tarde, é nomeado pároco nos arredores de Paris. Sensibilizado pela vida de oração de alguns paroquianos, Vicente envolve-se no serviço pastoral e socio-caritativo e aceita ser precetor do filho mais velho do governador-geral das Galeras de França. Vendo que os camponeses doentes eram deixados ao abandono e na miséria e os pobres esquecidos, envolve os paroquianos no cuidado para com eles. No entanto, se os pobres terão, de imediato, tudo quanto lhes é preciso, Vicente sabe que logo serão novamente necessitados. Com pessoas comprometidas neste serviço aos pobres da paróquia, cria a primeira Associação cujos membros tomam o nome de “Servos dos pobres”. Convidado a ser capelão dos cerca de oito mil trabalhadores das propriedades da família Gondi, onde já tinha estado, promove a cultura da fé e funda também os “Servos dos Pobres” em várias povoações. Porque a mentalidade da época não aceita que os homens trabalhem junto com as mulheres, decide ocupar-se apenas das Associações femininas. As masculinas só iriam ser retomadas em 1833, em Paris, por um grupo de sete jovens universitários entre os quais estava Frederico Ozanam, dando origem às “Conferências de S. Vicente de Paulo”.
Entretanto, estuda Direito Canónico, em Paris. Tanto ou mais que nos campos, depara-se com as impensáveis condições de vida da sociedade parisiense. Uns, a quem nada faltava, até esperavam vir a gozar da bem-aventurança eterna. Outros, que nada tinham, a nada aspiravam devido à miséria e ao desprezo a que eram votados. Vicente funda também aí as associações de “Caridade”, mas dando às “Irmãs dos Pobres” o nome de “Damas da Caridade”. Nome pomposo para que as mulheres da nobreza se agregassem à Associação e a causa pudesse ter mais ajuda económica. Dentro deste espírito, destaca-se a instituição “Hotel Dieu”. Ajudava crianças abandonadas, condenados, escravos e populações esfomeadas devido à guerra.
Estimulado no seu trabalho, Vicente de Paulo associa alguns sacerdotes e começa, com considerável entusiasmo e êxito, a evangelizar na cidade e povoações. Outros sacerdotes aderem à iniciativa, pessoas colaboram partilhando bens, o arcebispo de Paris dá o seu apoio a todo este trabalho e entrega a Vicente e aos seus missionários uma casa num antigo colégio. A nova comunidade devia fazer vida comum, renunciar a encargos eclesiásticos, pregar nas povoações do campo, ocupar-se da assistência espiritual aos reclusos, promover a cultura católica nas paróquias. Nasce assim a “Congregação da Missão”. Entretanto, os missionários foram para o priorado de S. Lázaro, tendo tomado o nome de “Lazaristas”. Tornam-se os mais prestigiados formadores dos futuros sacerdotes, muitos seminários diocesanos ficam sob a sua responsabilidade, aceitam Missões no exterior, os seus Exercícios Espirituais são abertos a todos os eclesiásticos e leigos que desejem fazer um retiro anual, assim nasce o desejo de se reunirem semanalmente, dando origem às “Conferências de Terça-feira”.
A pregação nas povoações suscitou a vocação ao apostolado ativo, primeiro nas jovens dos campos, depois nas das cidades, dedicando-se aos necessitados e vivendo a consagração total. Porque as “Damas da Caridade” não desciam a todos os estratos sociais, Vicente de Paulo confia a formação do primeiro grupo de jovens a Luísa de Marillac, dando origem à Congregação das “Filhas da Caridade”: prestava assistência aos doentes nos hospitais, às crianças abandonadas, aos órfãos, aos reclusos, aos inválidos, a toda a espécie de miséria humana.
Vicente de Paulo veio a fazer parte do Conselho de Consciência de Ana de Áustria, que tinha como função escolher os bispos e conceder benefícios eclesiásticos. O cardeal Richilieu e o próprio rei Luís XIII pedem-lhe uma lista de nomes dignos de receberem a ordenação episcopal e pedem que ele esteja junto no seu leito da morte. Vicente opôs-se às escolhas políticas, privilegiava as qualidades morais e religiosas das pessoas, bem como se opôs a certas opções de política interna, especialmente quando Mazzarino tenta submeter à fome a revoltada cidade de Paris. Ele reage e age no terreno, chegando a pedir o afastamento de Mazzarino, mas logo é ele definitivamente afastado do Conselho de Consciência. Ana de Áustria, porém, concede-lhe o encargo de organizar, à escala nacional, a ajuda aos pobres, tendo-lhe passado pelas mãos mais dinheiro do que pelas do Ministro das Finanças, diz-se.
Esta Diocese de Portalegre-Castelo Branco tem usufruído do trabalho pastoral dos Padres da Congregação da Missão e das Irmãs Filhas da Caridade. Tem Conferências Vicentinas e alguns grupos da Juventude Mariana Vicentina. O Bispo emérito desta Diocese, Sr. Dom Augusto César, agora a residir em Fátima, foi Sacerdote da Congregação da Missão, dos Padres Vicentinos.
D. Antonino Dias - Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 23-09-2022.

O que é ser pai e o que é ser filho?


O que é ser pai e o que é ser filho? Como dizia alguém, ser pai é doar-se, é abrir mão do próprio bem-estar em prol do filho. Ser filho é gozar de um cuidado protector, que supre qualquer necessidade e enche o coração de amor. Ser pai, é ser responsável por separar o filho da mãe de uma relação simbiótica, que necessita de alguém cheio de afecto e alegria para fazer esse corte e permitir que o filho caminhe rumo à sua autonomia. Ser filho é entender que se é alguém mais além da mãe, que filho é um ser individual cheio de competências e potencial. Ser pai é ser sensível, valorizar cada conquista, entender as dificuldades. Ser filho é poder contar com o colo caloroso e ombro amigo do pai. Ser pai é embarcar nas fantasias e histórias criadas. É ser super-herói, príncipe e, às vezes, até fada. Ser filho é imaginar, sonhar e planear, contando sempre com alguém para o aplaudir e apoiar. Ser pai é proteger mesmo tendo medo às vezes, também. Ser filho é desfrutar de toda a segurança que um pai pode dar. Ser pai é ter um papel sublime, por isso, Deus é nosso Pai. Deste modo, o meu pai, o teu pai, contigo ou longe, tem sempre uma missão divina.

RicardoEsteves.padre

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Hoje, reza assim

 


Hoje, reza assim: paz, saúde e harmonia é tudo o que eu preciso, Pai do céu. Vem ao meu encontro e acalma o meu coração. Dá-me a serenidade de que tanto preciso para resolver o meu dia. Turbulentas e difíceis tem sido as minhas lutas, mas hoje, eu preciso parar e serenar a minha mente e coração. Como posso eu, Jesus, resolver os meus problemas se os meus pensamentos estão em desordem? Que estrutura tem o meu coração se a vida me aflige? Que hoje, eu consiga ver além dos meus olhos físicos, entender que Tu, Jesus, estás sempre a meu lado. Que a paz irradie no meu lar, que na minha família haja união, entendimento, conciliação, companheirismo… que os nossos pensamentos sejam harmoniosos com o desejo de crescimento mútuo. Obrigado Jesus, por todo o amor que me dás. Há! Senhor! Faz-me também recordar que ser humilde não é ser menos que ninguém, que ser humilde é saber que não sou mais do que ninguém. Um dia muito feliz para todos com Deus no coração

RicardoEsteves.padre


quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Queres ser feliz?




Queres ser feliz? Então, concentra-te em ti mesmo e não esperes que os outros te façam feliz. Os outros são complemento da tua felicidade, quando, contigo, partilham momentos. E até os menos bons momentos te podem trazer a felicidade, ao te libertarem do que sabes não querer mais para a tua vida. Alguém, um dia disse: sê tu mesmo. Todos os outros postos estão ocupados! Se não fores tu mesmo, se não te conheceres a ti mesmo, nunca te irás aceitar. Evita remoer o passado e permite-te crescer. Não queiras ser a pessoa do passado, até porque essa pessoa não existe mais. O passado é apenas um percurso do que és hoje. Deves crescer em cada década, em cada estação. Perdoa a ti mesmo os erros e comportamentos do passado, dos quais não tens orgulho. Eles já não podem ser alterados. Tiveste as tuas razões e as decisões que tomaste, fizeram sentido na época. Por isso, em vez de remoer os erros do passado, aprende as lições que a vida te deu. Se não aprendes a aceitar novas ideias não cresces, e o crescimento em cada idade da vida é essencial para seres sincero contigo mesmo e seres desta forma emocionalmente saudável. Não te compares com ninguém. As comparações geram ressentimentos porque estás mais ocupado em desejar ser outra pessoa do que tu próprio. As comparações levam-te a criticar os outros. Uma vida cheia de críticas direcionadas aos outros, nascem da tua baixa auto-estima. Tens de aprender a rir de ti mesmo, isso revela confiança. Se te esforças para ser uma pessoa que não és, nunca serás feliz.


RicardoEsteves.padre

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Talvez nos falte mais




Talvez nos falte mais. Sim, talvez nos falte sermos mais. Permitirmos que o encontro connosco aconteça no nosso quotidiano. Sem receio do que possamos descobrir. Sem medo de que os nossos cacos revelem a inteireza do que somos. Necessitamos deste descobrimento que nos ajuda a abraçar-nos. Que nos ajuda a abraçar o outro.

Talvez nos falte mais. Sim, talvez nos falte mais empatia. Essa capacidade de entrarmos na vida do outro. Sem acharmos que sabemos tudo o que sente, ou pensa. Falta-nos saber estar do outro lado. Saindo do nosso centro. Alargando os nossos sentidos ao outro que se faz presente na nossa vida.

Talvez nos falte mais. Sim, talvez nos falte mais incertezas. São elas que nos ajudam a caminhar. São elas que nos levam à descoberta. Do mundo. De mim. E do outro. São as incertezas que nos fazem relembrar a nossa fragilidade e, por isso, a nossa humanidade. Talvez nos falte mais incertezas, para deixarmos a arrogância de sabermos sempre tudo.

Talvez nos falte mais. Sim, talvez nos falte mais tempo. Quanto do nosso tempo é verdadeiramente nosso? Quanto do nosso tempo é dedicado à contemplação? Talvez não precisemos de mais tempo, mas sim de um maior proveito do mesmo.

Talvez nos falte mais. Sim, porque ainda vivemos imperfeitos. Inacabados. E precisamos de saber isso. Não para que seja vivido como um problema, mas para que possamos vivenciar a riqueza da nossa humanidade. Precisamos de saborear o que ainda não somos para que um dia possamos vir a ser tudo diante d'Aquele que é.

Talvez nos falte mais. E que bom. Que bom que não estamos finalizados. Que bom podermos delinear, vezes sem fim, em exploração e investimento, aquilo a que somos chamados a ser.

Talvez nos falte mais. Muito mais...


Emanuel António Dias

terça-feira, 20 de setembro de 2022

Porque nos custa tanto mudar?


Nunca conheci quem dissesse: “mudei a minha vida e foi incrivelmente fácil!” ou “sinto-me profundamente calmo com esta mudança na minha vida!”.

A verdade é que as mudanças doem. Mexem com a nossa carne. Com o nosso coração. Contorcem-nos a alma a um ponto que desconhecemos. É complicado sair dos hábitos de sempre (mesmo quando são nocivos); é complexo terminar aquela relação (mesmo que a pessoa não nos fizesse bem).

Conhecemos muitas pessoas presas a velhos padrões, a vidas que não lhes trazem alegria ou espanto. Talvez essas pessoas sejamos, também, nós.

Atenção: não há nada de errado com quem não quer mudar nada na sua vida. O problema é que, cá dentro, sabemos que as mudanças são necessárias e, consequentemente, sabemos também o que precisamos de mudar: em nós, na nossa vida, na forma como enfrentamos os desafios que nos surgem.

Mas, então, porque nos custam tanto as mudanças? Porque não pode ser um processo simples, se, muitas vezes, até é o melhor para nós?

O nosso cérebro habitua-se ao que conhece e cria “rotinas”. Tudo o que lhe foge dos padrões a que se habituou, acabará por tentar eliminar. Negar. Não querer. Sim. São dados científicos! Com esta dificuldade, que não controlamos, torna-se difícil continuar a querer mudar. A sorte é que não somos apenas cérebro. Somos inteligência emocional. Somos os nossos sentimentos. Somos as nossas pessoas. Os nossos sonhos. E estes também pesam. Quando nos munimos das forças certas, as mudanças podem tornar-se mais subtis, ainda que custem a engolir. A processar.

Arrisco-me a dizer que não aprenderíamos nada se ficássemos sempre no mesmo sítio. Se a paisagem fosse sempre a mesma. Se não conhecêssemos além dos que nos rodeiam mais proximamente.

São as mudanças que nos moldam às dificuldades que a vida pode trazer.

São as mudanças que nos deixam compreender melhor as dores dos outros e os sapatos que calçam e com que caminham.

Mudar é ter coragem para ser mais feliz, ainda que não se tenham quaisquer garantias.

É arriscar um voo picado que nos pode esmagar as asas.

Mas, de que outra forma valeria a pena?


Marta Arrais

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

O mundo não é cor-de-rosa


O mundo não é cor-de-rosa.

Insistem em repetir-me, às vezes, como quem tenta acordar-me para a realidade. Como quem quase parece tentar acusar-me de não ver bem. De só ver o lado bonito. Como se o lado bonito fosse o lado errado. E como se continuar a acreditar fosse sinónimo de fragilidade, de ilusão.

O mundo não é cor-de-rosa.

Eu sei. Eu também vejo. (Eu sei tanto.)

Mas eu também sei que é quando o mundo está cinzento, que um gesto de amor, mesmo o mais pequenino, lhe dá mais cor: É quando o mundo está cinzento, que um abraço que acolhe lhe dá mais cor. É quando o mundo está cinzento, que uma mão que se estende lhe dá mais cor. É quando o mundo está cinzento, que um sorriso do coração lhe dá mais cor. É quando o mundo está cinzento, que um olhar do fundo da alma lhe dá mais cor. É quando o mundo está cinzento, que uma presença que conforta lhe dá mais cor. É quando o mundo está cinzento, que alguém que faz sorrir lhe dá mais cor.

É quando o mundo está cinzento, que um gesto de amor lhe dá mais cor.

O mundo não é cor-de-rosa. Eu sei.

Mas eu também sei que é quando o mundo está cinzento, que faz tanta falta ver o lado bonito. E que é quando o lado bonito já não se vê, que faz tanta falta nós sermos esse lado bonito. Fazê-lo existir. Ser esse gesto de amor. E dar mais cor ao mundo. Todos os dias.

(Afinal, não é para isso que cá andamos?)

Talvez, um dia, continuar a acreditar possa voltar a ser sinónimo de força, de milagres a acontecer. De verdade. E de mais cores bonitas tatuadas pelo mundo.


Daniela Barreira

domingo, 18 de setembro de 2022

Servir a Deus e ao dinheiro

 


A liturgia sugere-nos, hoje, uma reflexão sobre o lugar que o dinheiro e os outros bens materiais devem assumir na nossa vida. De acordo com a Palavra de Deus que nos é proposta, os discípulos de Jesus devem evitar que a ganância ou o desejo imoderado do lucro manipulem as suas vidas e condicionem as suas opções; em contrapartida, são convidados a procurar os valores do "Reino".
Na primeira leitura, o profeta Amós denuncia os comerciantes sem escrúpulos, preocupados em ampliar sempre mais as suas riquezas, que apenas pensam em explorar a miséria e o sofrimento dos pobres. Amós avisa: Deus não está do lado de quem, por causa da obsessão do lucro, escraviza os irmãos. A exploração e a injustiça não passam em claro aos olhos de Deus.
Que podemos fazer para denunciar estes esquemas desumanos? Hoje fala-se cada vez mais em boicotar os produtos de certas multinacionais que se distinguem pelo seu envolvimento em questões injustas... Não será um caminho possível? Somos sensíveis a estas questões e estaremos dispostos a dar o nosso contributo? A Igreja não devia ter uma voz clara e firme (tão clara e tão firme como a que usa para denunciar outras situações, nem sempre tão graves) para gritar aos homens que a exploração e o lucro desmedido não fazem parte do projecto de Deus?
O Evangelho apresenta a parábola do administrador astuto. Nela, Jesus oferece aos discípulos o exemplo de um homem que percebeu como os bens deste mundo eram caducos e precários e que os usou para assegurar valores mais duradouros e consistentes... Jesus avisa os seus discípulos para fazerem o mesmo.
Todo este discurso não significa que o dinheiro seja uma coisa desprezível e imoral, do qual devamos fugir a todo o custo. O dinheiro (é preciso ter os pés bem assentes na terra) é algo imprescindível para vivermos neste mundo e para termos uma vida com qualidade e dignidade... No entanto, Jesus recomenda que o dinheiro não se torne uma obsessão, uma escravidão, pois Ele não nos assegura (e muitas vezes até perturba) a conquista dos valores duradouros e da vida plena.
Na segunda leitura, o autor da Primeira Carta a Timóteo convida os crentes a fazerem do seu diálogo com Deus uma oração universal, onde caibam as preocupações e as angústias de todos os nossos irmãos, sem excepção. O tema não se liga, directamente, com a questão da riqueza (que é o tema fundamental da liturgia deste domingo); mas o convite a não ficar fechado em si próprio e a preocupar-se com as dores e esperanças de todos os irmãos, situa-nos no mesmo campo: o discípulo é convidado a sair do seu egoísmo para assumir os valores duradouros do amor, da partilha, da fraternidade.


https://www.dehonianos.org/

sábado, 17 de setembro de 2022

Não basta só dizer que quero



É mais importante ser do que ter, sem duvida. Mas mais importante ainda, é o mundo necessitar de gente que saiba QUERER do que SER. Porquê? Porque ninguém é nada sem querer, sem esforço, sem trabalho, suor, dedicação, lágrimas, esperança… hoje, toda a gente quer ser, esperando sentados. Esquecendo que para ser é preciso fazer, querer. Querer, leva-te a tomar consciência tanto do que queres como do que não queres. Não pode ser um querer normal como o das crianças que parece que tem na boca o “quero” a toda a hora. A importância do querer reforça o que te motiva a fazer as coisas. Por isso, é necessário que esse teu querer não seja só de boca mas um “quero” que saia de todo o teu corpo. Não pode ficar só no pensamento mas também no coração, nas tuas entranhas. Porque se colocas firmeza em tudo a que te propões, as probabilidades para o conseguires são maiores. E não me refiro, apenas, às discussões sobre a diferença entre querer e amar, mas sobretudo na força que tem em querer algo, querer alguém, querer seguir em frente, querer deixar… eu sei que, às vezes, a vida, por muito que queiras nem sempre te dá o que desejas. Aí está o truque. Os desejos, os sonhos são efémeros, logo que não te ponhas em ação para os conseguir. Não basta só dizer que quero, como se dependesse de um desejo como no momento em que sopras as velas do teu aniversário. O amor não é nem pode ser formado apenas por sentimento. O amor é e tem de ser formado por inteligência, sentimento e vontade. Eu sei que quando o sentimento funciona, tudo é mais fácil. Quando desaparece há que buscar a inteligência e a vontade para saber o que é preciso fazer para seguir querendo. Se não se faz isto, significa que não sabes querer. O simples querer é o começo de muitos milagres. Não tenhas medo de quereres e muitas vezes não conseguires. Não é por isso que te tornes insignificante. Sabes o que a vida me tem ensinado? Que a importância de alguém não é medida apenas pelos quereres conseguidos, ou pelos seus sucessos. A importância de alguém também pode ser medida pela crueldade consciente ou inconsciente do desprezo alheio. Pensa nisto.

RicardoEsteves.padre

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

NOIVOS EXAUSTOS NA FESTA DO MATRIMÓNIO?!...


A celebração do Matrimónio “é um evento único, que se vive no contexto familiar e social de uma festa”, como lembra o documento sobre a Alegria do Amor. Os verdadeiros protagonistas desta festa cristã são os noivos. E não é o sacerdote quem os casa. São os próprios noivos que, como ministros da graça de Cristo, ao exprimirem livremente o seu consentimento irrevogável perante a Igreja, mutuamente se conferem o sacramento do Matrimónio, se recebem e entregam. O sacerdote, ou quem oficia em nome da Igreja, é apenas testemunha qualificada deste mútuo consentimento. Reza por eles, com eles e com os presentes, invoca a bênção de Deus sobre o novo casal. Ora, se os noivos são o centro, eles não devem, preocupados com outros preparativos da festa, não devem banalizar este momento – o momento mais importante da festa! -, da qual eles são os protagonistas e o centro. Isto é, não podem secundarizar a própria celebração litúrgica do seu matrimónio. Ela deve ser sentida, vivida e saboreada de forma orante, confiante e agradecida. Este momento tão alto, único e solene, reclama preparação, silêncio e paz interiores, serenidade, recolhimento e responsabilidade celebrativa. Os convidados que o sabem ser, crentes ou não, orientam as antenas e sintonizam na mesma onda, acompanham e respeitam quem os convidou.
O Papa Francisco alerta para a possibilidade de os noivos, “muito concentrados com o dia da boda”, se esquecerem “de que estão a preparar-se para um compromisso que dura a vida inteira”. Por isso alerta: “A preparação próxima do matrimónio tende a concentrar-se nos convites, na roupa, na festa com os seus inumeráveis detalhes que consomem tanto os recursos económicos como as energias e a alegria. Os noivos chegam desfalecidos e exaustos ao casamento, em vez de dedicarem o melhor das suas forças a preparar-se como casal para o grande passo que, juntos, vão dar. Esta mesma mentalidade subjaz também à decisão de algumas uniões de facto que nunca mais chegam ao matrimónio, porque pensam nas elevadas despesas da festa, em vez de darem prioridade ao amor mútuo e à sua formalização diante dos outros. Queridos noivos, tende a coragem de ser diferentes, não vos deixeis devorar pela sociedade do consumo e da aparência. O que importa é o amor que vos une, fortalecido e santificado pela graça. Vós sois capazes de optar por uma festa austera e simples, para colocar o amor acima de tudo”.
A festa do matrimónio cristão tem, pois, uma preparação que vem muito de trás. Começa desde que se nasce, no seio da família: “Tudo o que a família lhe deu deveria permitir-lhe aprender da própria história e torná-la capaz de um compromisso pleno e definitivo”. Intensifica-se, quando, a seu tempo, se faz do namoro um verdadeiro “itinerário de fé”. Aprender a amar alguém “não é algo que se improvisa, nem pode ser objeto de um breve curso antes da celebração do matrimónio”, ou de uma espécie de amor à primeira vista, ou de um simples ver se dá certo. É de crer que o caminho feito até ao matrimónio foi feito dentro duma verdadeira pedagogia do amor e dum responsável discernimento vocacional. Supõe-se que os noivos já passaram de um mero deslumbramento inicial, já se conhecem e expressaram um ao outro o que cada um espera do matrimónio, como entendem o amor e o compromisso, o que cada um deseja do outro e o tipo de vida em comum que desejam concretizar. Esse percurso faz sentir o outro como parte da sua própria vida, colocando a sua felicidade acima das necessidades próprias. Seria estranho se chegassem ao dia do casamento sem se conhecerem, porque se limitaram “a divertir-se juntos, a fazer experiências juntos, mas não enfrentaram o desafio de se manifestar a si mesmos e aprender quem é realmente o outro”. Além disso, mesmo após a preparação conveniente, ambos devem ter claro que o matrimónio não é o fim do caminho, mas uma realidade assumida que os lança para diante, com a decisão firme e realista de caminharem juntos. Todo este caminhar, de antes e de depois da festa do matrimónio, deve ser um percurso onde não falte a oração pessoal e a oração dos dois, juntos, a integração mútua na comunidade e a dinâmica sacramental na vida, com o olhar voltado para o futuro. Assim se tornam verdadeiros protagonistas, senhores da sua própria história e criadores de um projeto comum que hão de levar em frente, conjuntamente, todos os dias, com vontade firme de “superar as dificuldades associadas, as circunstâncias e os obstáculos que surgem no caminho”. Ambos sabem que o sacramento do matrimónio “não é uma convenção social, um rito vazio ou o mero sinal externo de um compromisso”. Nem tampouco uma “coisa” ou uma “força”. É um dom, para a santificação de ambos. A pertença recíproca dos esposos “é a representação real, através do sinal sacramental, da mesma relação de Cristo com a Igreja”. Eles são para a Igreja “a lembrança permanente daquilo que aconteceu na cruz; são um para o outro e para os filhos, testemunhas da salvação, da qual o sacramento os faz participar”. Cristo vem ao encontro deles com o sacramento do matrimónio para ficar com eles, para lhes dar a coragem de o seguirem, de tomarem sobre si a sua cruz, de se levantarem depois das quedas, de se perdoarem mutuamente, de levarem o fardo um do outro. Assim vivido, nesta recíproca ajuda e serviço, o matrimónio terá futuro (cf. ALcap.VI).

D. Antonino Dias Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 16-09-2022

Viver é sentir…!!!

Como dizia uma autora que agora não recordo o nome, nem sempre a beleza está diante dos nossos olhos. Essa beleza, a que chamam de beleza física, é só uma pele que encosta ao nosso corpo e sentimos o seu calor. A verdadeira beleza, é aquela com que alguém nos ganha todos os dias um pouco mais. É aquela beleza que não se pode fingir porque é algo inato. É aquela que se demonstra e se é demonstrado. Esta beleza precisa de silêncio à nossa volta, e na nossa vida há tanto barulho, tantas tarefas, tantas correrias, tantos conselhos e opiniões, tantas regras e restrições, que o que precisamos é apenas silêncio para poder ver e absorver a verdadeira beleza de um coração, que traduz gestos todos os dias e que desvalorizamos. Por isso, está mais atento a quem tens no teu mundo, no teu coração, porque, quando alguém que nos ama ou nós amamos, a palavra amanhã não existe. Às vezes, o que faz falta é uma pausa, para que possamos entender tudo. Permite-te ter o teu tempo. Mesmo que pares não significa que não estejas a viver. Viver vão significa andar, ou correr, ou chegar. Viver é sentir…!!!


RicardoEsteves.padre


quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Não, é não



Hoje, deixo-vos uma reflexão sobre a importância, sentido e significado do “Não”. Segundo o autor que não sei precisar o nome, não é não! Não, é não, e só há uma maneira de o dizer, sem admiração, sem interrogações. Não, só se diz uma maneira. É curto, rápido, sábio e pequeno. Não, só se diz de uma vez. Um não que precisa de uma longa caminhada ou de uma reflexão não é não. Um não que precisa de explicações justificativas, não é não. Não, é brevidade. Não, não deixa portas abertas nem armadilhas com esperanças. Não, mesmo que o outro ou o mundo se virem de cabeça para baixo. Não, é o fim de um livro sem capítulos ou segundas partes. Não, não se diz por carta, nem se diz com silêncios, nem em voz baixa, nem gritando, nem com a cabeça baixa, nem olhando para o lado, nem com pena, ainda menos com satisfação. Não, é não. Quando o não é não, ele vai olhar nos olhos e o não vai sair naturalmente da boca. Não, não é hesitante, nem agressivo, não deixa lugar para dúvidas. Não, não é uma negação do passado ou um entrave no presente, não é uma correção para o futuro. E só quem sabe dizer um não consciente, pode dizer sim.


RicardoEsteves.padre

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Paróquia de Arronches- Inscrições para a catequese 1º ano.

 


Começa mais um ano letivo e com ele vamos também iniciar o ano catequético.

Encontram-se abertas as inscrições para o 1º Ano de Catequese até ao dia 06 de Outubro, presencialmente na Igreja Matriz, nas 4ªs e 5ªs feiras, entre as 15:00H e as 17:30H ou através do e-mail juliadega@gmail.com.

Oportunamente realizar-se-á uma reunião com todos os encarregados de educação interessados.




Não és perfeito!


Não somos perfeitos. Mas não são raras as vezes em que gostaríamos que isso fosse diferente. Que soubéssemos sempre o que fazer, o que dizer… que fosse fácil perceber o que os outros precisam em cada momento. Que todos nos amassem. Que conseguíssemos amar, também, os outros de forma plena, profunda e repleta de tudo o que é bom e bonito.

Também não seria mau se pudéssemos ser uma versão admirável de nós mesmos. Bonitos no exterior, interiormente, saudáveis, seguros e profundamente felizes.

Escrever este “sonho” desta forma quase que nos faz rir. Impossível. Arrisco-me a dizer que ainda bem que é impossível ser perfeito. Ainda bem que não temos sempre as palavras certas ou bonitas. Ainda bem que sabemos o que é ser mesquinho, impaciente, mentiroso ou coscuvilheiro. E, neste momento, já o nosso interior está aos gritos: isso não sou. Isso não. Eu não.

Tu sim. Eu sim. Nós sim.

Todos conhecemos versões menos boas de nós. Momentos menos felizes. Todos temos as nossas partes feias. Escuras. Imperfeitas e toscas. E ainda bem. São as nossas quedas que nos ensinam coisas importantes sobre o que somos e sobre o que os outros são. São as nossas faltas de comunicação e os nossos mal-entendidos que nos ensinam a comunicar melhor numa próxima vez. São as vezes em que não soubemos amar-nos ou amar os nossos que nos ensinam a apurar a nossa vocação para viver em amor e em alegria (ainda que possa haver tristeza e mágoa, tantas vezes).

Não somos perfeitos. Não conseguimos ser tudo, para todos, em todos os momentos.

Não saberemos sempre o que fazer ou como agir.

Não conseguiremos, sempre, ser calmos e devolver alegria.

Não saberemos sempre o caminho a seguir.

Vamos querer desistir. Vamos precisar que nos ajudem e que nos deem a mão.

É esta imperfeição que nos ensinará a ser melhores amigos, namorados, maridos, companheiros e companheiras, colegas, pessoas.

É esta imperfeição que nos mostrará que precisamos uns dos outros para chegar ao que somos de melhor.

Marta Arrais


segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Ainda há quem nos olhe


Ainda há quem nos olhe. Sem segundas intenções. Sem a pressa de nos tirar medidas. Sem a tentação de formar julgamentos. Existe quem nos olhe de verdade. Há quem ainda comunique com o olhar. Usam a linguagem do silêncio para que não fique nada por dizer. Utilizam a gramática da proximidade para que nada em nós fique de lado. Têm o discurso da autenticidade e, por isso, agarram-nos por inteiro.

Ainda há quem nos olhe. No meio de tanta azáfama e preocupações, ainda há quem se deixe abandonar. E esse encontro, centrado no olhar, vai-nos falando de vida e de amor. Vai pronunciando bem baixinho como é que se vive perante o mistério da vida. Sem desejar que este seja desvendado, mas permitindo que seja atravessado com tudo o que somos, temos e fazemos.

Ainda há quem nos olhe. De um jeito que mais ninguém nos consegue decifrar. Existe quem num instante leia a nossa existência tantas vezes redigida em linhas distorcidas. Há, na nossa vida, quem entre pelas janelas da nossa alma. São gente que se deleita na nossa história permitindo que aceitemos a nossa imperfeição.

Ainda há quem nos olhe. Com mansidão. Com a doçura de nos amparar em todas as quedas. Com a amabilidade de nos acolher com a nossa inteireza. Com a cumplicidade de nos dar a conhecer o que são sem que seja necessário outro dialeto.

Quem são estes que nos olham? Quem são estes que se fazem próximos? Quem são estes que preenchem os nossos dias? Quem são estes que nos acalmam as tempestades e nos animam para a bonança? Quem são estes que utilizam o vocabulário do humanismo?

Ainda há quem nos olhe em presenças vivas e cheias de pureza. Deixando que olhos comuniquem a indecifrável forma de se viver em doação.

Hoje, pensa em todos/as que fazem parte da tua vida e questiona-te: quantos me olham de verdade? Quantos olhares conseguem ler a minha vida?


Emanuel António Dias

domingo, 11 de setembro de 2022

O Amor de Deus

 


A liturgia deste domingo centra a nossa reflexão na lógica do amor de Deus. Sugere que Deus ama o homem, infinita e incondicionalmente; e que nem o pecado nos afasta desse amor...
A primeira leitura apresenta-nos a atitude misericordiosa de Jahwéh face à infidelidade do Povo. Neste episódio - situado no Sinai, no espaço geográfico da aliança - Deus assume uma atitude que se vai repetir vezes sem conta ao longo da história da salvação: deixa que o amor se sobreponha à vontade de punir o pecador.
Na segunda leitura, Paulo recorda algo que nunca deixou de o espantar: o amor de Deus manifestado em Jesus Cristo. Esse amor derrama-se incondicionalmente sobre os pecadores, transforma-os e torna-os pessoas novas. Paulo é um exemplo concreto dessa lógica de Deus; por isso, não deixará de testemunhar o amor de Deus e de Lhe agradecer.
Entre os cristãos existe, muitas vezes, a convicção de que a "justiça de Deus" é a aplicação rigorosa da lei; assim, Deus trataria bem os bons, enquanto que castigaria, natural e objectivamente, os maus... A história de Paulo - e a história de tantos homens e mulheres, ao longo dos séculos - é um desmentido desta lógica: o amor de Deus derrama-se sobre todos os homens, mesmo sobre aqueles que têm vidas duvidosas e pecadoras. Bons e maus, a todos Deus ama, sem excepção. E nós? Somos filhos deste Deus e amamos os nossos irmãos, sem distinções? Às vezes ouvem-se - mesmo entre os cristãos - expressões de ódio e de desprezo em relação àqueles que cometem desacatos ou que têm comportamentos que reprovamos... Como conciliar essas atitudes com o exemplo de amor sem restrições que Deus nos oferece?
O Evangelho apresenta-nos o Deus que ama todos os homens e que, de forma especial, Se preocupa com os pecadores, com os excluídos, com os marginalizados. A parábola do "filho pródigo", em especial, apresenta Deus como um pai que espera ansiosamente o regresso do filho rebelde, que o abraça quando o avista, que o faz reentrar em sua casa e que faz uma grande festa para celebrar o reencontro.
Ser testemunha da misericórdia e do amor de Deus no mundo não significa, no entanto, pactuar com o pecado... O pecado - tudo o que gera ódio, egoísmo, injustiça, opressão, mentira, sofrimento - é mau e deve ser combatido e vencido. Distingamos claramente as coisas: Deus convida-me a amar o pecador e a acolhê-lo sempre como um irmão; mas convida-me também a lutar objectivamente contra o mal - todo o mal - pois ele é uma negação desse amor de Deus que eu devo testemunhar.

https://www.dehonianos.org/

sábado, 10 de setembro de 2022

Ser feliz

 


Tudo o que fazemos na vida é com a intenção de sermos felizes ou fazer alguém feliz, se for feito de coração. Só que muitas vezes, vivemos de tal forma acelerada que queremos chegar rápido à felicidade. E, muitas vezes, a felicidade nem sequer é chegar a lado nenhum, mas viver, sentir, usufruir, apreciar o lugar onde já estamos. Não deixes que nada nem ninguém, roube ou apague o brilho dos teus olhos. Nenhum caminho se faz seguro sem luz, mas se os teus olhos brilham, irão iluminar um pouco o teu caminhar. Não tenhas receio de ficar só por causa da tua sinceridade ou autenticidade. Quem ama a verdade aceita os erros e faz deles desafios para se construir todos os dias uma pessoa diferente, melhor. A vida pode ter muitos caminhos, mas eu só vejo duas opções, seguir os outros como se fosses um cordeiro, ou seguir o teu próprio caminho e não o que os outros indicaram. Por isso, digo, a vida tem muitos caminhos mas antes de adentrares por eles, só tens duas opções, ou seguir o teu ou o dos outros. Lembra-te, apenas, que não há, não existe nada, absolutamente nada que possa vencer a beleza da alma e o amor de um coração sincero. Por isso, aquilo que deixamos no coração dos outros é exactamente isso que nós somos. Porque a nossa boca fala e o corpo faz, aquilo que temos dentro do coração.

RicardoEsteves.padre

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

O CAMINHO DO PALÁCIO NÃO CONVÉM MESMO! ...

 

O princípio da subsidiariedade é um princípio fundamental da filosofia social. Tal princípio proclama que é tão injusto subtrair aos indivíduos o que eles, com a sua própria iniciativa e trabalho, podem fazer para o bem comum, como é igualmente injusto que uma instância superior assuma aquilo que as inferiores podem fazer. O fim natural de quem preside, coordena ou governa, não é para absorver e substituir. É para favorecer a participação, incrementar, elevar, estimular, apoiar, confiar....
Esta maneira de estar é inteligente, pedagógica e sensata. Favorece a comunhão, forma e faz crescer, gera interesse e maturidade, é a base sobre a qual se constrói uma verdadeira sociedade de pessoas adultas, seja um país, uma instituição, uma associação, um clube, uma família... A centralização, a negação da subsidiariedade ou a sua limitação, mata o espírito de iniciativa e de liberdade, desmotiva, empobrece, infantiliza.
A sua aplicabilidade deveria constituir conteúdo diário de avaliação. Se ela não acontece, porque é que não acontece, quais os obstáculos e como removê-los. E se acontece, como é que acontece e como se poderia melhorar. É certo que, em muitos lados, isso já é regra de ouro, e nota-se, a vida é diferente. Mas também é certo, que, por outros lados, é muito mais fácil o camelo passar pelo fundo duma agulha. Há quem centralize tudo em si. Há quem não confie nos outros e os tenha como incapazes de assumir seja o que for. Há quem não corra nem deixe correr riscos, o que será um risco ainda maior. Há quem deseje o ideal, mas como o ideal não existe, cruzam-se os braços, centraliza-se ainda mais e tudo se nivela por baixo ao arrepio da responsabilidade do cargo. Há muitas maleitas na forma de ser e estar nesta panóplia de funções que fazem girar as sociedades, onde este respeito de uns pelos outros nem sempre se vê.
Esta é também uma fatura que na Igreja estamos a pagar. E vai continuar a exigir muito suor e lágrimas até que seja liquidada. Com boas exceções, durante muito tempo contribuiu-se para a desresponsabilização das pessoas. Ignorou-se ou não havia qualquer perceção das consequências de tal facto, fossem quais fossem as causas. Programava-se para elas, sem elas. Dispensava-se a sua participação nas decisões, eram apenas destinatárias do que se pensava e programava. Os próprios órgãos sociais disto ou daquilo, eram nomeados como se impunha, mas, não raro, logo esquecidos no seu direito ao exercício da função. Tudo foi contribuindo para que se fosse perdendo o brio de pertença a uma Igreja toda ela corresponsável e em missão. Ela somos nós, os batizados. Não é uma instituição qualquer, fora de nós, onde apenas vamos reivindicar serviços.
As campainhas, porém, há muito que soaram. As coisas têm de mudar, seja contra as resistências de quem não tem consciência da situação, ou não a quer ter para não se revolucionar a si próprio, seja antecipando-nos no processo, com alegria e esperança, assumindo a nossa responsabilidade de fermento no meio da massa...
Sabemos que, por estas e outras circunstâncias e razões, as pessoas, se umas rejeitam qualquer espécie de compromisso, outras não se chegam à frente, não se sentem à-vontade, pensam que será colocar-se em ponta de pés ou que tudo será com os outros. Sabemos que tudo isto é difícil, no terreno, todos temos experiência disso. Mas também sabemos que muitas ficariam felizes se alguém fosse ao seu encontro, se fizesse encontrado e as convidasse...
Tantos recursos desperdiçados pelas nossas comunidades fora! Pessoas do professorado, do terciário e de outros setores sociais e profissionais, gente de fé e de valores, aposentada ou não, que, até alternando pessoas e assuntos, tanto poderiam ajudar a fazer crescer as comunidades na cultura da fé, e não só. Têm facilidade em preparar um tema, em o expor, em criar empatia e grupo, constituindo escola que se frequentasse com gosto, alegria e proveito! Há dias, alguém dizia que, se uns veem solução para os problemas, outros só veem problemas em cada solução!
É, faltam-nos profetas! Faltam-nos profetas e comunidades proféticas com a loucura dos santos a chegarem-se à frente para denunciar o perigo dos atalhos e rasgar autoestradas para alcançar a meta e subir ao pódio, vitoriosos, porque humildes e comprometidos na construção dum mundo de justiça e verdade, de amor e de paz. É verdade que pelo batismo somos todos profetas, participamos do profetismo de Cristo Jesus. Estamos-lhe muito gratos pela confiança que em nós depositou. Mas temos dificuldade em ver o mundo com os olhos de Deus. Vive-se mais à superfície e de aparências que de verdade e coerência. Mas só a verdade nos libertará!
Como escreve Joan Chittister no seu livro “O tempo é agora – um chamamento para uma coragem invulgar”, os verdadeiros profetas ‘são sempre incomodamente diferentes, desafiam sempre a consciência dos que ficam para trás, fazem sempre frente a um mundo que levanta obstáculos, estão sempre a caminho do Reino, não do palácio’.
O caminho do palácio não convém mesmo, ameaça vida palaciana!...
D. Antonino Dias . Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 09-09-2022.

Olha-te ao espelho e sorri



Já sorriste hoje? É tão bom acordares, olhar-te ao espelho e sorrires para ti. Olhamos tanto os outros que parecemos estranhos para connosco mesmos. Olha-te ao espelho todas as manhãs, não apenas para pentear o cabelo, ou se te tens ou não olheiras, ou se a maquilhagem ficou bem… olha-te nos olhos, olha-te a ti mesmo e deixa que a tua alma te diga quem és de verdade. Na minha opinião, nenhum dia pode começar bem, se não fizeres um bocadinho de silêncio dentro de ti mesmo. Nenhum dia pode ser realmente bom, se não sabes que quem sai de casa és tu, e não o que vestes ou em que vais trabalhar. Não leves contigo somente o corpo e deixes a identidade em casa. Deves olhar-te, não num olhar de vaidade mas num olhar que sorri de cumplicidade contigo mesmo. Acredita que sairás de casa mais confiante para o dia que começa, até porque o primeiro diálogo do dia, ainda que em silêncio, deve ser contigo mesmo. Por isso, é que alguém dizia que há pessoas que brilham sem serem estrelas, e que há silêncios que separam sem serem quilómetros. Que a vida é um pouco assim, sem sentido, mas que nos desesperamos para lhe dar um. E não é bem verdade?! Por isso, insisto, olha-te ao espelho e sorri. Que esse olhar te separe de ti mesmo e te possas ver de fora para dentro e, aí encontrarás um sentido para o dia e para a vida.

RicardoEsteves.padre

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

A tua fé




Já pensaste que se a riqueza fosse o segredo da felicidade, os ricos deveriam estar nas ruas a dançar, mas apenas as crianças pobres fazem isso. Se o poder garantisse segurança, porquê haver guarda-costas para os ditos VIP’s? Só os que vivem de forma humilde sonham em silêncio. Se a beleza e a fama atrai relacionamentos ideias, as celebridades deveriam ter melhores casamentos… tem fé em ti mesmo. Vive com graciosidade e caminha com humildade, ama com todo o teu coração e serás feliz. Sabes, às vezes, tentamos arranjar forma de justificar a ausência de Deus na nossa vida mas quando algo corre mal connosco ou com o mundo, responsabilizamos e culpamos Deus. Podemos não provar a quem não tem fé a existência de Deus, mas a minha fé também me garante que ninguém me prova a Sua inexistência. Nem a fé é para provar seja o o que for, a fé são apenas os olhos de um coração que sente as vibrações da alma deixadas pelos sinais de Deus. Um dia, um turista disse a um mendigo: dou-te cinco euros se me disseres onde está Deus. Sabem o que respondeu o mendigo? Disse: dou-te dez euros se me disseres onde Ele não está. Não são precisas mais palavras. A tua fé é a tua fé, a fé dos que acreditam, e outros tem a fé dos que não acreditam e isso também é válido, porque fé é acreditar em algo. Por isso, não percas a fé, tu que acreditas, apesar dos dissabores da vida, e respeita a fé dos que não acreditam porque também são filhos de Deus e por vezes com um coração mais nobre e evangélico que o nosso.

RicardoEsteves.padre

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Francisco na beatificação de João Paulo I: transmitiu a bondade do Senhor

 


“Com o sorriso, o Papa Luciani conseguiu transmitir a bondade do Senhor. É bela uma Igreja com um rosto alegre, sereno e sorridente, que nunca fecha as portas, que não se lamenta nem guarda ressentimentos, não se apresenta com modos rudes, nem padece de saudades do passado”. Palavras do Papa Francisco na homilia da Santa Missa de Beatificação do Papa João Paulo I, neste domingo, 4 de setembro

Na manhã deste domingo, 4 de setembro, foi realizada a Santa Missa com o Rito de Beatificação do Papa João Paulo I na Praça São Pedro no Vaticano. Na sua homilia, o Papa Francisco comentou o Evangelho do dia recordando das exigências de Jesus para segui-l’O perguntando-se o significado das suas advertências.

Seguir Jesus


Refletindo as palavras de Jesus o Papa disse: “Em primeiro lugar, vemos muitas pessoas, uma multidão numerosa que segue Jesus”. “Nos momentos de crise pessoal e social em que estamos mais expostos a sentimentos de ira ou temos medo de qualquer coisa que ameaça o nosso futuro, ficamos mais vulneráveis e assim, na onda da emoção, confiamo-nos a quem com sagácia e astúcia sabe cavalgar esta situação, aproveitando-se dos temores da sociedade e prometendo ser o ‘salvador’ que resolverá os problemas, quando, na realidade, o que deseja é aumentar a sua popularidade e o próprio poder”. Porém Francisco adverte: “O Evangelho diz-nos que Jesus não procede assim. O estilo de Deus é diferente, porque não instrumentaliza as nossas necessidades, nunca Se aproveita das nossas fraquezas para se engrandecer a Si mesmo. A Ele, que não nos quer seduzir com o engano nem quer distribuir alegrias fáceis, não interessam as multidões oceânicas”, frisa ainda.

O discernimento


“Assim, em vez de Se deixar atrair pelo fascínio da popularidade, pede a cada um para discernir cuidadosamente os motivos por que O segue e as consequências que isso acarreta”

“Com efeito – continua Francisco - pode-se seguir o Senhor por várias razões, e algumas destas –admitamo-lo – são mundanas: por trás duma fachada religiosa perfeita pode-se esconder a mera satisfação das próprias necessidades, a busca do prestígio pessoal, o desejo de aceder a um cargo, de ter as coisas sob controle, o desejo de ocupar espaço e obter privilégios, a aspiração de receber reconhecimentos, e muito mais. Isso acontece hoje entre os cristãos. Mas não é o estilo de Jesus; nem pode ser o estilo do discípulo e da Igreja”. Segui-Lo, continua, “significa ‘tomar a própria cruz’ (Lc 14, 27): como Ele, carregar os pesos próprios e os alheios, fazer da vida um dom, não uma posse, gastá-la imitando o amor magnânimo e misericordioso que Ele tem por nós”.

Ponderando em seguida: “Para o conseguir, porém, é preciso olhar mais para Ele do que para nós próprios, aprender o amor que brota do Crucificado”. Citando João Paulo I disse, nós mesmos “somos objeto, da parte de Deus, dum amor que não se apaga”. “Não se apaga: nunca se eclipsa da nossa vida, resplandece sobre nós e ilumina até as noites mais escuras”. "Amar, ainda que custe a cruz do sacrifício, do silêncio, da incompreensão, da solidão, da contrariedade e da perseguição".

Citando ainda o novo Beato esclareceu:

“Se queres beijar Jesus crucificado, não o podes fazer sem te debruçares sobre a cruz e deixar que te fira algum espinho da coroa, que está na cabeça do Senhor. O amor até ao extremo, com todos os seus espinhos: e não as coisas a meio, as acomodações ou a vida tranquila.”


Ainda falando do amor ou do medo de nos perdermos, renunciarmos a dar-nos, ou deixar inacabadas as coisas, Francisco recorda que se fizermos assim: “Acabamos por viver a meias: sem nunca dar o passo decisivo, sem levantar voo, sem arriscar pelo bem, sem nos empenharmos verdadeiramente pelos outros.

Viver plenamente o Evangelho


“Jesus pede-nos isto: vive o Evangelho e viverás a vida, não a meias, mas até ao fundo. Sem cedências”


“Irmãos, irmãs, o novo Beato viveu assim: na alegria do Evangelho, sem cedências, amando até ao extremo. Encarnou a pobreza do discípulo, que não é apenas desapegar-se dos bens materiais, mas sobretudo vencer a tentação de me colocar a mi mesmo no centro e procurar a glória própria. Ao contrário, seguindo o exemplo de Jesus, foi pastor manso e humilde. Considerava-se a si mesmo como o pó sobre o qual Deus Se dignara escrever. Nesta linha, exclamava: ‘O Senhor tanto recomendou: sede humildes! Mesmo que tenhais feito grandes coisas, dizei: ‘somos servos inúteis’”.

Por fim Francisco concluiu a homilia recordando:

“Com o sorriso, o Papa Luciani conseguiu transmitir a bondade do Senhor. É bela uma Igreja com um rosto alegre, sereno e sorridente, que nunca fecha as portas, que não exacerba os corações, que não se lamenta nem guarda ressentimentos, que não é bravia nem impaciente, não se apresenta com modos rudes, nem padece de saudades do passado, caindo no 'retrocedismo'. Rezemos a este nosso pai e irmão e peçamos-lhe que nos obtenha 'o sorriso da alma'; aquele transparente, aquele que não engana: o sorriso da alma, servindo-nos das suas palavras, peçamos o que ele próprio costumava pedir: 'Senhor, aceitai-me como sou, com os meus defeitos, com as minhas faltas, mas fazei que me torne como Vós desejais'”.


Jane Nogara - Vatican News

terça-feira, 6 de setembro de 2022

O teu valor está em ti



Hoje, deixo-te uma história que ajuda a reflectir, revelando que, às vezes, o valor não está nas coisas em si, mas no lugar que elas ocupam. Ora, repara: uma garrafa de água na hora do engarrafamento pode custar dez cêntimos. A mesma garrafa, por sua vez, num supermercado, pode custar cinquenta cêntimos. Numa área de serviço pode custar dois euros. Num bom restaurante ou hotel pode valer três euros. Num aeroporto ou avião pode custar quatro ou cinco euros. A garrafa é a mesma, a marca também, a única coisa que muda é o lugar. Cada lugar dá um valor diferente ao mesmo produto. Quanto te sentires nulo, ou pensares que não vales nada, quando tudo à tua volta te menosprezar, muda de lugar. Não fiques onde estás! Deves ter a coragem de mudar de ares e ir para um lugar onde te dêem o valor que mereces e consideram o que és de verdade. Certifica-te que te rodeias de pessoas que apreciam o que és e como és. Não te conformes com o que os outros querem fazer de ti. Sê autêntico, sê genuíno. O teu valor está em ti, não no dinheiro ou bens que possuís. Até porque ninguém é tão rico que não precise de nada, assim como ninguém é tão pobre que não tenha nada para dar. Todos tem o seu valor. Só precisas encontrar o lugar certo!

RicardoEsteves.padre

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Não deixes a tristeza vencer


Mesmo quando as coisas parecem perdidas e sem solução, não forces a felicidade, já o dizia alguém. Sabes porquê? Porque o importante na vida é não deixar a tristeza vencer! Por isso, hoje, reza assim: principalmente em família, dá-me a tua paz Senhor. Sem essa paz o mundo é pesado é complicado. Com o entendimento e respeito mútuo dentro de casa, o trabalho é alegre, resolvem-se os problemas, vive-se feliz. Faz da minha família uma corrente de elos resistentes. Que com a Tua benção, nos aprofundemos no conhecimento de nós mesmos e entre nós mesmos. Não deixes, Senhor, que em nenhum momento, se imponha entre nós a acusação, o ciúme, a violência… mas que até por olhares e gestos nos amemos. Que possa ajudar, todos os que hoje se cruzarem comigo, com a energia positiva da paz da minha família. Tudo o que eu fizer e disser, que revele um pouco de Deus em mim. Um dia muito feliz para todos com Deus no coração.

RicardoEsteves.padre

domingo, 4 de setembro de 2022

O caminho do Reino

(28) C2223 Seguimento de Jesus - YouTube

A liturgia deste domingo convida-nos a tomar consciência de quanto é exigente o caminho do "Reino". Optar pelo "Reino" não é escolher um caminho de facilidade, mas sim aceitar percorrer um caminho de renúncia e de dom da vida.
É, sobretudo, o Evangelho que traça as coordenadas do "caminho do discípulo": é um caminho em que o "Reino" deve ter a primazia sobre as pessoas que amamos, sobre os nossos bens, sobre os nossos próprios interesses e esquemas pessoais. Quem tomar contacto com esta proposta tem de pensar seriamente se a quer acolher, se tem forças para a acolher... Jesus não admite meios-termos: ou se aceita o "Reino" e se embarca nessa aventura a tempo inteiro e "a fundo perdido", ou não vale a pena começar algo que não vai levar a lado nenhum (porque não é um caminho que se percorra com hesitações e com "meias tintas").

Às vezes, as pessoas procuram a comunidade cristã por tradição, por influências do meio social ou familiar, porque "a cerimónia religiosa fica bonita nas fotografias"... Sem recusarmos nada, devemos, contudo, fazê-las perceber que a opção pelo baptismo ou pelo casamento religioso é uma opção séria e exigente, que só faz sentido no quadro de um compromisso com o "Reino" e com a proposta de Jesus.
A primeira leitura lembra a todos aqueles que não conseguem decidir-se pelo "Reino" que só em Deus é possível encontrar a verdadeira felicidade e o sentido da vida. Há, portanto, aí, um encorajamento implícito a aderir ao "Reino": embora exigente, é um caminho que leva à felicidade plena. Face ao contínuo cruzamento de perspectivas, de desafios, de teorias, ficamos confusos e sem saber, tantas vezes, como escolher. Por outro lado, as nossas escolhas acabam, tantas vezes, por ser condicionadas pelos "media", pelo politicamente correcto, pela ideologia dominante, pela moda, pelos valores que as telenovelas impõem, pelas ideias das pessoas que nos rodeiam, pela filosofia da empresa que nos paga ao fim do mês... Será que esses caminhos que nos são mais ou menos impostos nos conduzem no sentido da vida plena, da realização total, da felicidade?
A segunda leitura recorda que o amor é o valor fundamental, para todos os que aceitam a dinâmica do "Reino"; só ele permite descobrir a igualdade de todos os homens, filhos do mesmo Pai e irmãos em Cristo. Aceitar viver na lógica do "Reino" é reconhecer em cada homem um irmão e agir em consequência.

O amor - elemento que está no centro da experiência cristã - exige que as nossas comunidades sejam espaços de comunhão, de fraternidade, de acolhimento, sejam quais forem os defeitos dos irmãos. As nossas comunidades têm facilidade em acolher? Como são tratados os "diferentes" ou, então, aqueles que se afastaram ou que cometeram alguma falta? Acolhemo-los com amor, ou marcamo-los toda a vida com o estigma da suspeita e da desconfiança?

https://www.dehonianos.org/

sábado, 3 de setembro de 2022

Pela abolição da pena de morte - O Vídeo do Papa 09 - Setembro 2022


(27) Pela abolição da pena de morte - O Vídeo do Papa 09 - Setembro 2022 - YouTube

Há muitas razões para dizer "NÃO" à pena de morte. Não é justa, pois "não oferece justiça às vítimas, mas incentiva a vingança". E "evita qualquer possibilidade de se desfazer um possível erro judicial". É moralmente inadequada, pois "destrói o dom mais importante que recebemos: a vida". E, como nos recorda Francisco, "à luz do Evangelho, a pena de morte é inadmissível". Não fiquemos indiferentes às leis que, em algumas partes do mundo, ainda permitem a pena de morte. Juntemo-nos ao apelo do Santo Padre, compartilhando este vídeo. 

"Cada dia mais pessoas em todo o mundo estão a dizer NÃO à pena de morte. Para a Igreja, isso é um sinal de esperança.

 De um ponto de vista jurídico, [a pena de morte] já não é necessária.
 A sociedade pode reprimir eficazmente o crime sem privar definitivamente o infrator da possibilidade de redimir-se.

 Sempre, em toda condenação, deve haver uma janela de esperança. Caso contrário, não tem sentido.

 A pena de morte não oferece justiça às vítimas, mas encoraja a vingança. Uma condenação sem janela de esperança. E evita qualquer possibilidade de se desfazer um possível erro judicial.

 Por outro lado, moralmente a pena de morte é inadequada; ela destrói o dom mais importante que recebemos: a vida. 

Não esqueçamos que, até ao último momento, uma pessoa pode se converter e pode mudar.

 E, à luz do Evangelho, a pena de morte é inadmissível.

 O mandamento "não matarás" refere-se tanto ao inocente como ao culpado.

 Apelo, pois, a todas as pessoas de boa vontade para que se mobilizem pela abolição da pena de morte em todo o mundo. 

Rezemos para que a pena de morte, que atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa humana, seja abolida nas leis de todos os países do mundo." 


Pela Rede Mundial de Oração do Papa (Apostolado da Oração):