terça-feira, 31 de dezembro de 2024
Este é o tempo
De acreditares que tu és o presente.
Que tu és a magia,
Que tu és a vida,
O amor, a alegria, a paz e a Esperança.
Este é o tempo de veres em ti a fonte da verdade, o caminho da fé e da existência.
Este é o tempo dos pequenos gestos que se tornam luz.
Dos abraços,
Das palavras,
Dos silêncios,
Das memórias...
Este é o tempo de Ser.
De amar,
De escutar,
De pensar,
De falar,
De sentir...
Com fé e esperança na humanidade.
Este é o tempo de regressarmos à alegria, à beleza da vida, à riqueza de uma consciência coletiva de amor.
Este é o tempo de iluminar e ser iluminado.
Que ninguém se esconda do sol.
Ele nasce todos os dias e brilha dentro de cada um de nós.
Boa semana!
Carla Correia
segunda-feira, 30 de dezembro de 2024
Natal e o mundo em guerra

Nesta altura do ano, um pouco por todo o lado, há luzes de muitas cores que procuram chamar a atenção para ilusões fantásticas. Mas na verdade, é só uma sedução do consumismo que procura explorar-nos através das emoções.
O Natal é algo que pode ser muito profundo. Talvez por isso haja tantos e tão belos contos natalícios. Da mesma forma, surgem também muitas histórias que mascaram a realidade e apresentam algo que ela não é. Talvez porque alguns tentem convencer outros de que há um caminho expresso para que os que nelas acreditam possam sentir-se felizes através de uma simples compra, wdistraindo-se das tragédias humanas.
O mundo está em guerra. Em muitos lugares, há corações vazios e abandonados que sequer entram nos nossos pensamentos. Ainda mais no Natal, uma época em que tentamos afastar tudo o que pode estragar as festas.
A família, que se celebra no Natal, é o centro da nossa vida. É o espaço e o tempo de onde partimos para nos realizarmos enquanto pessoas, aprendendo que ninguém é feliz enquanto tiver um irmão a sofrer.
Natal é tempo de paz e de esperança. Celebra-se o nascimento de Jesus, Alguém diferente que nos veio ensinar algo muito simples: só amando é que somos felizes, a começar pelos que estão mais perto de nós, para depois ir ao encontro dos que mais precisam.
Os bens supérfluos nada contribuem para a verdadeira felicidade. Mas há muitas pessoas que não têm sequer o essencial. Aliás, não o têm talvez em grande parte porque nós teimamos em ignorar que eles existem.
Se nada mais pudermos fazer, lembremo-nos de tantas famílias a quem a guerra e o consumismo retiraram o essencial. Acolhamo-las no nosso coração e não nos deixemos levar pelos enganos de quem nos vende falsas felicidades.
Há então motivos para celebrar o Natal? Sim, porque muitos de nós já recebemos os melhores presentes: a nossa esperança, a nossa paz e a nossa família. Para muitos de nós, falta apenas ir ao encontro de quem mais precisa e… partilhar esses dons.
José luís Nunes Martins
domingo, 29 de dezembro de 2024
FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA DE JESUS, MARIA E JOSÉ
O Deus que se vestiu de menino frágil e se apresentou aos homens no presépio de Belém encontrou abrigo numa família humana, a família de José e de Maria, dois jovens esposos de Nazaré, uma aldeia situada nas colinas da Galileia. Neste domingo, ainda em contexto de celebração do Natal do Senhor, a liturgia convida-nos a olhar para essa Sagrada Família; e propõe-nos que a vejamos como exemplo e modelo das nossas comunidades familiares.
O Evangelho leva-nos até aos átrios do Templo de Jerusalém, onde o jovem Jesus está a ouvir as discussões dos rabis sobre a Palavra de Deus. Confrontado com a preocupação de Maria e de José, que o procuravam aflitos, Jesus enuncia o princípio fundamental que norteia a sua existência: Deus é o princípio, o centro e o fim de toda a sua vida; Ele fará sempre tudo para estar com Deus, para escutar Deus, para obedecer a Deus, para viver ao ritmo de Deus. Aliás, foi isso que Ele aprendeu com Maria e com José. A Família de Nazaré é uma família que se constrói à volta de Deus e do seu projeto.
Vivemos num tempo difícil, que não favorece a construção de um projeto familiar coerente com os valores de Deus. Muitos pais, afundados em mil dificuldades, ultrapassados por uma sociedade de egoísmo, de bem-estar, de indiferença, de incredulidade, não sabem como agir no sentido de oferecer aos filhos uma educação responsável, sã, solidária, coerente com a fé cristã. Não poderiam e não deveriam receber, no exercício da sua missão de educadores, uma ajuda mais concreta e eficaz a partir das comunidades cristãs? Que apoio é que a comunidade cristã poderá dar aos pais crentes que encontram dificuldades no projeto de educar responsavelmente os seus filhos?
A segunda leitura sublinha a dimensão do amor que deve brotar dos gestos dos que vivem “em Cristo” e aceitaram o convite para ser “Homem Novo”. Esse amor deve atingir, de forma muito especial, todos os que connosco partilham o espaço familiar e deve traduzir-se em atitudes de compreensão, de bondade, de respeito, de partilha, de serviço.
A nossa vida de todos os dias é, a cada instante, marcada por tensões, ansiedades, conflitos e problemas que mexem com o nosso equilíbrio e a nossa harmonia. Perdemos o controlo, tornamo-nos quezilentos e conflituosos, criticamos os outros com palavras que magoam, assumimos poses de arrogância e de superioridade, enchemos as redes sociais com comentários infelizes… Talvez nos faça bem cada dia, em jeito de exame de consciência, reservar um momento para olhar para Jesus e para confrontar os nossos gestos, as nossas palavras, as nossas escolhas com os gestos, as palavras e as suas opções. Admitimos que esse “confronto” pode ajudar-nos a situar as perspetivas e a recentrar a nossa vida “em Cristo”?
A primeira leitura apresenta, de forma muito prática, algumas atitudes que os filhos devem ter para com os pais… É uma forma de concretizar esse amor de que fala a segunda leitura.
É verdade que a vida de hoje é muito exigente a nível profissional e que nem sempre é possível a um filho estar presente ao lado de um pai que precisa de cuidados continuados ou de acompanhamento especializado. No entanto, se alguma vez as circunstâncias impuserem a necessidade de afastamento de um pai idoso ou descapacitado do ambiente familiar, isso não pode significar abandono e condenação à solidão. Seremos sempre responsáveis por aqueles que cativamos, e ainda mais por aqueles que foram, para nós, instrumentos do Deus criador e fonte de vida. Sentimo-nos responsáveis pelo bem-estar dos nossos pais, dos nossos avós, das pessoas idosas ou doentes que fazem parte da nossa história de vida?
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A Sagrada Família cumpre exatamente todas as prescrições da Lei. Todos os anos, na festa da Páscoa, vão ao templo. A fidelidade deles serve de exemplo para nós. Também nós devemos cumprir exatamente as leis da Igreja e temos de trabalhar para que os outros as cumpram fielmente. É a Família que vai render homenagem a Deus. A família é um ser moral que tem seus deveres para com Deus, presta-lhe um culto público.
Recadinho
É fácil hoje envolver os filhos nas coisas da fé?
É difícil cumprir os preceitos da Igreja?
Ocupo-me em primeiro lugar das coisas de Deus?
Consigo crescer espiritualmente?
Rezo em família? Como e quando?
Você é feliz?
É difícil cumprir os preceitos da Igreja?
Ocupo-me em primeiro lugar das coisas de Deus?
Consigo crescer espiritualmente?
Rezo em família? Como e quando?
Você é feliz?
MATRÍCULAS ABERTAS NA ESCOLA DE NAZARÉ
Para ajudar as famílias e os trabalhadores a crescer em sabedoria e perfeição, São Paulo VI apostava nesta escola superior de Nazaré, fundada por José, Maria e Jesus, e sobre a qual escreveu assim, em 5 de janeiro de 1964, quando a visitou:
“Nazaré é a escola onde se começa a compreender a vida de Jesus, é a escola em que se inicia o conhecimento do Evangelho. Aqui se aprende a observar, a escutar, a meditar e a penetrar o significado tão profundo e misterioso desta manifestação do Filho de Deus, tão simples, tão humilde e tão bela. Talvez se aprenda também, quase sem dar por isso, a imitá-la.
Aqui se aprende o método e o caminho que nos permitirá compreender facilmente quem é Cristo. Aqui se descobre a importância do ambiente que rodeou a sua vida, durante a sua permanência no meio de nós: os lugares, os tempos, os costumes, a linguagem, as práticas religiosas, tudo o que serviu a Jesus para se revelar ao mundo. Aqui tudo fala, tudo tem um sentido.
Aqui, nesta escola, se compreende a necessidade de ter uma disciplina espiritual, se queremos seguir os ensinamentos do Evangelho e sermos discípulos do Cristo.
Quanto desejaríamos voltar a ser crianças e acudir a esta humilde e sublime escola de Nazaré! Quanto desejaríamos começar de novo, junto a Maria, a adquirir a verdadeira ciência da vida e a superior sabedoria das verdades divinas!
Mas estamos aqui apenas de passagem e temos de renunciar ao desejo de continuar nesta casa o estudo, nunca terminado, do conhecimento do Evangelho. No entanto, não partiremos deste lugar sem termos recolhido, quase furtivamente, algumas breves lições de Nazaré.
Em primeiro lugar, uma lição de silêncio. Oh se renascesse em nós o amor do silêncio, esse admirável e indispensável hábito do espírito, tão necessário para nós, que nos vemos assaltados por tanto ruído, tanto estrépito e tantos clamores, na agitada e tumultuosa vida do nosso tempo! Silêncio de Nazaré, ensina-nos o recolhimento, a interioridade, a disposição para escutar as boas inspirações e as palavras dos verdadeiros mestres. Ensina-nos a necessidade e o valor de uma conveniente formação, do estudo, da meditação, da vida pessoal e interior, da oração que só Deus vê.
Uma lição de vida familiar. Que Nazaré nos ensine o que é a família, a sua comunhão de amor, a sua austera e simples beleza, o seu caráter sagrado e inviolável; aprendamos de Nazaré como é preciosa e insubstituível a educação familiar e como é fundamental e incomparável a sua função no plano social.
Uma lição de trabalho. Nazaré, a casa do Filho do carpinteiro! Aqui desejaríamos compreender e celebrar a lei, severa mas redentora, do trabalho humano; restabelecer a consciência da sua dignidade, de modo que todos a sentissem; recordar aqui, sob este teto, que o trabalho não pode ser um fim em si mesmo, mas que a sua liberdade e dignidade se fundamentam não só em motivos económicos, mas também naquelas realidades que o orientam para um fim mais nobre. Daqui, finalmente, queremos saudar os trabalhadores de todo o mundo e mostrar-lhes o seu grande Modelo, o seu Irmão divino, o Profeta de todas as causas justas que lhe dizem respeito, Cristo Nosso Senhor” (Alocução em Nazaré, 5 de janeiro de 1964).
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D. Antonino Dias - Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 28-12-2024.
sábado, 28 de dezembro de 2024
A fragilidade do Natal
Talvez o teu Natal não tenha sido conforme sonhaste.
Faltou alguém na mesa?
Não conseguiste comprar aquela prenda que tanto gostavas de dar?
Se calhar estás triste com alguém.
Talvez não tenhas conseguido falar com todos os que gostarias?
Estás preocupada com alguma coisa que não consegues controlar?
Pois, talvez o teu Natal tenha sido muito parecido com o de muita gente que sentiu a fragilidade que o Natal teima em realçar.
Acredito que também a sagrada familia tenha sentido inúmeras fragilidades... pois... talvez essa seja a base do verdadeiro Natal. O Natal surge da humildade e da esperança da humanidade na capacidade de renovação que Deus nos concede por meio de uma criança.
Por isso, se o teu Natal não foi bem como querias não permitas que isso seja a marca deste tempo, nem que isso te faça sentir menos capaz de Seres Natal.
Se Jesus estiver no centro da tua vida, as tuas fragilidades serão vividas com mais esperança. Não precisas de esconder o que sentes mas permite te ir ao essencial do momento. Emociona- te, ri, abraça e deixa que te deiem colo, aceita a fragilidade que carregas com ternura e dá testemunho aos outros da fé de que és portadora.
Talvez o Natal não tenha sido bem como esperavas... talvez!?
Mas Jesus nasceu na mesma.
Agora é tempo de preparar com Júbilo o ano da Esperança.
Raquel Rodrigues
quinta-feira, 26 de dezembro de 2024
O presente
No tempo em que vivemos continua a prevalecer a eufórica corrida aos presentes, as filas intermináveis de carros nas estradas para um qualquer shopping, as lojas a abarrotar e por aí vai!
Se me perguntam_ mas não gostas de receber presentes?
Respondo_ claro que sim, tanto quanto gosto de os dar, mas não me faz sentido assim!
Gosto de parar e pensar em algo específico e especial para aquela pessoa, que posso ter já comprado numa outra altura qualquer, à espera do momento certo para lhe entregar, e não precisa ser Natal.
Não é quanto custa e sim quanto vale.
Sinto muitas saudades da minha infância, onde só havia um presente em cada Natal, mas que felicidade ao desembrulhar, que magia....
Aquele urso (que ainda hoje guardo), aquela caixinha cor de rosa com chave e fechadura (que ainda tenho), aquele palhaço que iluminava a cara se lhe carregasse na barriga (só me resta uma foto dele).
Hoje não se acaba de abrir um, já agarramos outro. É como fazer "scroll" para o que não interessa!
Vamos resgatar o sentido do presente, o que acham?
Lucília Miranda
Vinte e seis passos do Advento ao Natal.- Dia 26
Dia 26: Que posso desejar de melhor?
«Eis o meu Deus e o meu tudo! Que mais quero? E que posso desejar de melhor? Oh, gostosa e doce palavra, mas só para aquele que a ama, e não ao mundo nem a nenhuma das coisas que estão no mundo! Meu Deus e meu tudo! Para o que somente entende, basta dizê-lo uma vez; mas para o que ama, é grato repeti-lo. Quanto Tu estás presente, tudo é agradável; mas, se estás ausente, já tudo aborrece. Tu fazes tranquilo o coração e dás grande paz e festiva alegria. Tu fazes-nos pensar bem de todas as coisas e em todas as coisas te louvar, e, sem ti, nada pode agradar por muito tempo; pois que, se algo é grato e sabe bem, tem de ser presente a tua graça e de ser temperado com o sal da tua sabedoria.»
Resolução: Fazer crescer o meu afeto por Deus, dizendo, de coração, «meu Deus e meu tudo».
Textos extraídos de "A imitação de Cristo", ed. Paulinas
Conceito original: In Terris
Adapt.: Rui Jorge Martin
quarta-feira, 25 de dezembro de 2024
Vinte e seis passos do Advento ao Natal.- Dia 25
Dia 25: Purificar a intenção.
«Quanto mais puro de intenção for o olhar, tanto mais firmemente caminhará entre as procelas. Mas em muitos se tolda o olhar da pura intenção e depressa se fixa em algo de agradável que suceda; e, assim, é raro aquele que se encontra totalmente livre da mancha da procura de si mesmo. Assim tinham vindo dantes os judeus a Betânia, a casa de Marta e de Maria, não tanto por causa de Jesus, mas para verem Lázaro. Portanto, deve-se purificar a intenção, para que seja simples e reta, e dirigi-la a mim, para além de tudo o que se interpõe.»
Resolução: Agradar a Deus em todas as coisas.
Textos extraídos de "A imitação de Cristo", ed. Paulinas
Conceito original: In Terris
Adapt.: Rui Jorge Martin
Missa do dia do Natal do Senhor
A liturgia deste dia é, toda ela, um hino ao amor de Deus. Canta a iniciativa desse Deus que, por amor, se vestiu da nossa humanidade e “estabeleceu a sua tenda entre nós”. Em Jesus, o menino nascido em Belém, Deus veio ter connosco e falou-nos, com palavras e gestos humanos, para nos oferecer a Vida plena e para nos elevar à dignidade de “filhos de Deus”.
Na primeira leitura, Isaías anuncia a chegada do Deus libertador. Ele é o rei que traz a paz e a salvação, proporcionando ao seu Povo uma era de felicidade sem fim. O profeta convida, pois, a substituir a tristeza pela alegria, o desalento pela esperança.
A segunda leitura apresenta, em traços largos, o plano salvador de Deus. Insiste, sobretudo, que esse projeto alcança o seu ponto mais alto com o envio de Jesus, a “Palavra” de Deus que os homens devem escutar e acolher.
O Evangelho desenvolve o tema esboçado na segunda leitura e apresenta a “Palavra” viva de Deus, tornada pessoa em Jesus. Sugere que a missão do Filho, “Palavra” viva de Deus, é completar a criação primeira, eliminando tudo aquilo que se opõe à vida e criando condições para que nasça o Homem Novo, o homem da vida em plenitude, o homem que vive uma relação filial com Deus.
www.dehonianos.org
Toda a vida de Jesus não poderia ter outra finalidade senão a maior glória de Deus.
Mas a vinda do Messias haveria de trazer também grandes benefícios aos seres humanos.
E nos daria o maior de todos os dons: o dom da paz!
terça-feira, 24 de dezembro de 2024
Amar é sempre mais

Só há amor se quem o escolhe o faz em liberdade e não condicionado por uma paixão arrebatadora. É um compromisso que se assume com uma intenção pessoal e clara, face a uma realidade que tem muito pouco de previsível.
Amar é lançar-se num vazio rumo a uma felicidade que depende mais das ações do que dos resultados.
Só há amor se quem o escolhe respeita a liberdade do outro a quem ama. A verdadeira bondade que é amar implica fazer o que se determinou, mesmo que o outro não corresponda como imaginado ou não corresponda de forma alguma.
Quem ama buscando ser correspondido não ama como deve. A liberdade pura com que se deve amar é igual à liberdade com que aceitamos ou não ser amados. Por vezes, o amor exige-nos que queiramos o bem de quem não nos quer. Há quem fale na incondicionalidade do amor, mas não consiga sequer imaginá-la.
Amar é ser mais. Sempre mais. Superando o próprio entendimento. Não é lógico. É um salto de fé.
Respeitar quem amamos é uma decisão que pode implicar ir contra a nossa própria vontade, no caso de, por exemplo, ele não nos respeitar ou sequer nos tolerar por perto.
Quem ama não se afasta, mas também não se impõe. Permanece tão firme quanto é possível à frágil vontade humana.
Podemos e devemos amar sempre, escolhendo e querendo o que for melhor para o outro. E é este contraegoísmo que acontece e habita o maior dos mistérios do amor, que se esconde e revela em cada um dos mil nãos que é preciso dizer, e cumprir, para que se realize o sim que um dia dissemos e que para sempre queremos ser.
José Luís Nunes Martins
Vinte e seis passos do Advento ao Natal.- Dia 24
Ainda tens de abandonar muitas coisas, e só abandonando-as totalmente por mim conseguirás o que procuras. Aconselho-te a que me compres ouro passado pelo fogo, para te tornares rico, ou seja, a sabedoria do Céu que pisa tudo o que é inferior. Submete-lhe toda a sabedoria da Terra, toda a complacência nos homens e em ti próprio. Eu o disse: nas coisas humanas, prefere as desprezíveis às que são grandes e preciosas; porque como coisa desprezível, pequena e quase esquecida se vê a verdadeira sabedoria do Céu, que não se orgulha da sua grandeza nem procura elevar-se no mundo, que é pregada de boca por muitos que a desmentem com a sua vida; ela é, contudo, a pérola preciosaescondida aos olhos de tantos.»
Resolução: Não procurar-se a si próprio, mas a Deus, e, nele, aos outros.
Textos extraídos de "A imitação de Cristo", ed. Paulinas
Conceito original: In Terris
Adapt.: Rui Jorge Martins
segunda-feira, 23 de dezembro de 2024
Vinte e seis passos do Advento ao Natal.- Dia 23
«Se o homem não for elevado no espírito, liberto de todas as criaturas e totalmente unido a Deus, não é de grande peso tudo o que saiba e o que tenha. Sempre será pequeno e se manterá em nível inferior o que julga haver algo de grande além do bem eterno, imenso e uno. Tudo o que não é Deus nada é, e como tal se deve ter. Há grande diferença entre a sabedoria dos homens iluminados e piedosos e a ciência dos literatos e eruditos. Muito mais alta é a doutrina que provém, lá do alto, da influência de Deus, do que a que o engenho humano laboriosamente consegue.»
Resolução: Examinar bem os impulsos e motivações interiores, e estar pronto a responder às boas inspirações. Para as más inclinações, não hesitar em as mortificar.
Textos extraídos de "A imitação de Cristo", ed. Paulinas
Conceito original: In Terris
Adapt.: Rui Jorge Martins
«Eu venho para fazer a Vossa Vontade»

Pequenina aos olhos da humanidade
grande aos Teus olhos, Senhor da Paz.
É Maria, Mãe da Esperança e da Caridade
que caminha na Fé neste mundo mordaz…
A Vida deixa de ser vivida
quando a alegria perde o seu sabor.
Mas a Esperança renasce de novo em Maria.
“Bendita entre as Mulheres” que na dor,
na incerteza dos passos, na maldade mais insana…
semeia o Teu Misericordioso Amor!
Maria, Prima de Isabel, Menina Moça
que acolhe o Menino Rei, Nosso Salvador,
É Aquela que parte sem hesitar
e na pureza dos gestos faz o Menino João exultar!
É o Espírito Santo quem os abraça e faz sorrir…
quem os forma num corpo humano de Alma Divina,
sem holocaustos nem sacrifícios anseiam partir…
anunciar ao mundo o Perdão, a Justiça e alegria para a Vida!
É a Tua vontade, Oh Bom Pai, que vivam na felicidade
de levar Jesus a Todos e Todos a Jesus…
Ao Menino que irá nascer em Belém, pequena cidade,
para ser Fortaleza de Esperança, Noite que se faz Luz!
E tudo isto só se concretiza hoje e sempre…
porque TU, Maria, Mãe pura do infinito Amor
soltas uma gargalhada e gritas ao mundo descrente:
“Eis a Escrava do Senhor!”
Liliana Dinis,
domingo, 22 de dezembro de 2024
INFORMAÇÃO PAROQUIAL
23 e 25 de Dezembro- NATAL DE JESUS
24 de Dezembro- Missa da Vigília de Natal em Arronches - 17h30
Missa da Noite de Natal em Alegrete às 23h00
25 de Dezembro- Horário normal de Domingos
Em Vale de Cavalos, missa às 15h30.
Próximo Domingo, 29 de Dezembro
Festa da Sagrada Família de Nazaré
Início do Ano Santo em todas as Dioceses
Em Portalegre, concentração na Igreja de S. Lourenço, às 10h30, peregrinação para a Sé e abertura da Porta Santa, celebração da Eucaristia presidida pelo nosso Bispo às 11h00.
Somos todos convidados a participar.
Na nossa zona pastoral serão celebradas as missas no horário habitual.
Vinte e seis passos do Advento ao Natal.- Dia 22
Dia 22: Confiar.
«Acaso alguma coisa me é difícil? Ou serei como aquele que promete e que não faz? Onde está a tua fé? Mantém-te firme e perseverante. Sê constante, sê forte, que a consolação a seu tempo chegará. Espera por mim, espera-me: virei e curar-te-ei. É tentação o que te aflige, e medo vão o que te apavora. Que te traz o cuidado das incertezas do futuro, senão tristeza sobre tristeza? Que a cada dia baste o seu próprio mal. É vão e inútil sofrer ou alegrar-se com o que há de acontecer, porque talvez nunca aconteça.»
Resolução: Viver a alegria do dom de cada dia.
Textos extraídos de "A imitação de Cristo", ed. Paulinas
Conceito original: In Terris
Adapt.: Rui Jorge Martins
Encontro de felicidade e paz!
Nesta última etapa do “caminho do advento”, a liturgia desvela um pouco mais a identidade do menino que vem de Deus e que os homens esperam ansiosamente. Ele entra no mundo pela porta da humildade e da simplicidade; mas é “o Senhor” da história, o rei-Pastor que há de guiar-nos aos campos eternos onde há Vida em abundância.
Na primeira leitura o profeta Miqueias deixa aos habitantes de Judá um convite à esperança. Promete a esse povo humilhado, angustiado, com futuro incerto, que Deus lhe vai enviar um rei novo, humilde e bom, que inaugurará uma era de prosperidade, de justiça e de harmonia. Como pastor de Judá, ele deixar-se-á guiar pelas indicações de Deus; e será, para todos os que o esperam, “a paz”.
Nós, cristãos, ligamos a profecia de Miqueias – sobre esse rei humilde que virá ao encontro dos homens e que será “a paz” – com a vinda de Jesus. Jesus, nascido da família de David, veio ao nosso encontro vestido de humildade e convidou-nos a colaborar com Ele na construção de um mundo de paz, de justiça, de entendimento, de amor. Jesus chamava, a esse “projeto”, o “reino de Deus”. Nós, encantados com Jesus, decidimos embarcar com Ele na bela aventura de construir o reino de Deus. Estamos verdadeiramente comprometidos com este projeto? Esforçamo-nos por eliminar tudo aquilo que, à nossa volta, é fonte de conflito, de injustiça, de opressão, de sofrimento, de morte? Procuramos dar testemunho de bondade, de amor, de misericórdia, de compreensão, de perdão, de serviço? O nosso objetivo é, como era o de Jesus, construir um mundo de paz?
No Evangelho duas mulheres, grávidas de esperança, convidam-nos a centrar a nossa atenção no menino que está para chegar e a acolhê-lo convenientemente: com o mesmo amor, com a mesma alegria, com a mesma gratidão, com o mesmo espanto que elas sentiram diante da visita de Jesus. Jesus é – dizem-nos elas – o centro da história da salvação, a realização plena das promessas de Deus, o “Senhor” da história que vestiu a nossa humanidade para nos trazer a paz.
Estamos na última etapa do “caminho do advento”. Nestes dias que antecedem a celebração do Natal tendemos a ser apanhados pela azáfama dos preparativos para a festa, pela corrida às “prendas”, pelo protocolo dos desejos de boas festas, pelo “ruído de fundo” das luzes, dos spots comerciais, das músicas natalícias; e, no meio dessa onda de futilidade que nos submerge e que nos arrasta, podemos perder de vista o Deus que vem ter connosco. Ora, aquelas duas mulheres grávidas de esperanças – Maria e Isabel – que Lucas coloca no centro do Evangelho deste domingo convidam-nos a centrar a nossa atenção no menino que está para chegar e a acolhê-lo convenientemente: com o amor, com a alegria, com a gratidão, com o espanto que elas sentiram diante da visita de Jesus. Jesus é o centro da história da salvação, a realização plena das promessas de Deus, o “Senhor” da história (o “Kyrios”) que vestiu a nossa humanidade para nos trazer a paz. Estamos focados n’Ele? No nosso coração e na nossa vida há lugar para Ele?
Na segunda leitura, um “mestre” cristão do séc. I oferece-nos a chave de leitura para entendermos a vida de Jesus: desde que Ele “entrou” no mundo, dispôs-se a pôr a sua vida ao serviço do plano de Deus, numa obediência total e numa entrega absoluta à vontade do Pai. É assim que são chamados a viver todos aqueles que se dispõem a acolher Jesus e a segui-l’O.
Para conhecermos o projeto de Deus e para obedecermos à sua vontade, precisamos de passar tempo com Ele. Jesus sempre reservou tempo para o diálogo com Deus. Cada dia, depois do encontro com as multidões, retirava-se para um lugar isolado e falava com o Pai. Nesse diálogo, tomava consciência do amor que o Pai lhe tinha, descobria a vontade do Pai e ganhava força para cumprir a missão. Jesus saía desses momentos fortalecido na sua decisão de obedecer incondicionalmente ao Pai. O tempo de advento é um tempo favorável para revitalizarmos a nossa intimidade com Deus, para falarmos mais com Deus, para escutarmos e acolhermos a sua Palavra. Dispomo-nos a isso, enquanto esperamos o Senhor que vem?
(www.dehonianos.org)
Encontro de felicidade e paz!
Esta atitude de Maria é um exemplo para nós que tanto nos esquecemos dos deveres que o parentesco nos impõe. É bom estarmos alerta. Nossa condição de apóstolos cristãos, discípulos missionários, nos leva a cumpri-los com maior afeto e caridade. Maria é a serva de Deus e serva dos homens. A visita que ela faz à sua prima Isabel é o símbolo e a realidade de entrega aos outros. Ao mesmo tempo, Maria contribui para a paz e júbilo naquela casa. É a antecipação da paz e da alegria que Cristo traz à humanidade. Maria nos dá outra lição: Maria é “a que acreditou”. Por isso ela é feliz. Nós somos felizes se acreditamos em Deus, aceitando Jesus em nossa vida. Recadinho Creio realmente no Natal de Jesus?
Em que consiste para mim a celebração do Natal?
Estou preparado para celebrá-lo bem?
Sinto-me mais perto de Jesus? Por quê?
Maria faz um gesto de humildade visitando sua prima. Em seu contexto de vida social é fácil ser humilde?
Em que consiste para mim a celebração do Natal?
Estou preparado para celebrá-lo bem?
Sinto-me mais perto de Jesus? Por quê?
Maria faz um gesto de humildade visitando sua prima. Em seu contexto de vida social é fácil ser humilde?
sábado, 21 de dezembro de 2024
Que, neste Natal, o amor te abrace

Que, neste Natal, o amor te abrace.
Que, neste Natal, o amor te abrace tanto, com tanta verdade, que faça milagres acontecer.
Que, neste Natal, o amor te abrace tanto, com tanta verdade, que se tatue em ti para sempre.
Que, neste Natal, um abraço te abrigue como porto seguro.
Que, neste Natal, uma mão te ampare e te conforte.
Que, neste Natal, um olhar te toque e te envolva a alma.
Que, neste Natal, um sorriso te abrace e te cative o coração.
Que, neste Natal, a ternura te cuide e te cure.
Que, neste Natal, um colo te aconchegue e faça tudo serenar.
Que, neste Natal, uma palavra te fale do coração, ao coração.
Que, neste Natal, um silêncio te escute o coração, com o coração.
Que, neste Natal, uma companhia te guarde e te seja sempre presente.
Que, neste Natal, um gesto de bondade torne tudo melhor e te faça sorrir.
Que, neste Natal, alguém te queira bem e te seja, de verdade e para sempre.
Que, neste Natal, tu saibas que ter (e ser) um bom coração é tanto, é tudo.
Que, neste Natal, o amor te salve.
Que, neste Natal, o amor te abrace.
Que, neste Natal, o amor seja o teu sol nos dias cinzentos, a tua luz na escuridão, a tua paz na tempestade.
Que, neste Natal, o amor te mostre o lado bom do mundo, a parte bonita da vida.
Que, neste Natal, o amor te abrace.
Que, neste Natal, o amor te traga a magia que acende todas as estrelas.
Que, neste Natal, o amor te acenda a chama da esperança no coração.
Que, neste Natal, o amor te abrace.
E que, neste Natal, tu descubras que esse abraço é tudo o que importa.
Que esse abraço é a resposta a tudo, o sentido de tudo.
Neste Natal… e em todos os dias. Sempre. Para sempre.
Daniela Barreira,
Vinte e seis passos do Advento ao Natal.- Dia 21
Que me não vençam, meu Deus, que me não vençam a carne e o sangue; que não me engane o mundo e a sua breve glória; que não sucumba ao demónio e à sua astúcia. Dá-me a força para resistir, a paciência para suportar, a constância para perseverar. Concede-me, em vez de todas as consolações do mundo, a suave unção do teu espírito, e em vez do amor carnal, o amor do teu nome. Eis que a comida, a bebida, o vestuário, tudo o que é feito para sustentar o corpo pesa ao espírito fervoroso. Faz que eu use com temperança de tais consolações, para que não me enrede nos excessivos desejos. Não se pode pôr tudo isto de parte, pois há que sustentar a natureza. Mas a tua santa Lei proíbe que se procure o supérfluo e o que mais deleita, para que a carne não se levante contra o espírito. Que em tudo isto, peço-te, me dirija e ensine a tua mão, a fim de que não caia nos excessos.»
Resolução: Usar de grande moderação em tudo o que é necessário ao corpo.
Textos extraídos de "A imitação de Cristo", ed. Paulinas
Conceito original: In Terris
Adapt.: Rui Jorge Martins
sexta-feira, 20 de dezembro de 2024
Este é o tempo
De Acreditar,
que somos todos uma família,
De darmos tempo...
"Acendermos uma vela e dizermos o quanto precisamos uns dos outros."
Este é o tempo de nos recordarmos
que a vida é a paisagem de Deus,
E o que o nosso coração é o tesouro
mais precioso.
Este é o tempo dos gestos bonitos,
De dar e receber,
De acreditar que a vida só faz sentido,
Neste movimento único de amor.
Este é o tempo de nos descobrirmos,
E voltar ao que nos completa.
Este é o tempo que sentimos,
sem termos visto.
Este é o tempo do nascimento que
Salva o mundo.
O teu, o nosso, o de todos...
Boa semana!
Carla Correia,
Vinte e seis passos do Advento ao Natal.- Dia 20
Dia 20: Abril, Senhor, o meu coração, e os meus ouvidos escutarão o amor.
«Filho, não sejas curioso, nem tenhas cuidados vãos. Que te importa isto ou aquilo? Segue-me. Que te importa, na verdade, se este é desta ou daquela maneira, ou se aquele diz isto ou faz aquilo? Não tens de responder pelos outros, mas só de ti próprio darás contas. Porque te intrometes, então? Eis que sou Eu que a todos conheço, que vejo tudo o que sucede sob o sol, que sei como cada qual é, e o que pensa, e o que quer, e qual o fim da sua intenção. Por isso, a mim se devem entregar todas as coisas; mas tu conserva-te em paz, e deixa que o que se agita se agite quanto quiser. Sobre ele recairá tudo o que fizer ou disser, porque me não pode enganar. Não procures a sombra de um grande nome, nem queiras possuir intimidade com muitos, ou a estima especial dos homens. Porque tais coisas causam distrações e grandes obscuridades no espírito. Dir-te-ei de boa vontade a minha palavra e revelar-te-ei coisas escondidas, se estiveres sempre atento à minha vinda e me abrires a porta do coração. Sê prudente, vigia na oração e humilha-te em tudo.»
Resolução: Decidir acabar com os murmúrios sobre a vida dos outros.
Conceito original: In Terris
Adapt.: Rui Jorge Martins
quinta-feira, 19 de dezembro de 2024
O que te traz o vento?
Ninguém sabe de onde vem o vento, nem para onde vai. É livre e jamais se deixa aprisionar. Quem o ama aceita-o assim. Desejar possuí-lo é um delírio. Podemos escutá-lo e até falar-lhe, mas é impossível vê-lo. Vemos o que faz, mas não o vemos a fazer coisa alguma. Assim também é o amor.
Procura ser como o vento: não procures atenção para ti, mas dedica-te a criar obras de valor. As verdadeiras qualidades de alguém não são herdadas ao nascer, e nem mesmo a educação mais cuidada pode garanti-las. O teu valor dependerá sempre daquilo que fores capaz de fazer com toda a liberdade que te é dada.
Que o teu coração sopre sem esperares nada em troca daqueles a quem dás alento.
Valoriza muito quem caminha contra o vento, porque esses são os que buscam a fonte do amor verdadeiro. Desconfia de quem se aproveita apenas e, sem esforço algum, se deixa levar pelo vento que tu sopras.
A elevação de alguém depende de como lida com o amor recebido e de como enfrenta as adversidades e fracassos da vida.
Se um sonho for superficial e insignificante, o tempo, como o vento, o extinguirá. Se tiver sentido e profundidade suficiente, o tempo, como o vento, fará com que cresça e incendeie o mundo ao seu redor.
O vento traz-me o sopro que me dá a vida. Não sei de onde vem nem para onde vai, mas sei que espera que eu o sinta e aproveite a sua força para concretizar o que, com toda a liberdade, eu sonhar.
José Luís Nunes Martins
Vinte e seis passos do Advento ao Natal.- Dia 19
Dia 19: Ilumina-me.
«Alumia-me, bom Jesus, com a claridade da luz interior, e afasta da cela do meu coração todas as trevas. Impede as muitas divagações do meu espírito e suprime as tentações que me violentam. Luta com força por mim, expulsa os animais ferozes, esses desejos atraentes, para que encontre a paz na tua força e a abundância dos teus louvores ressoe sem cessar na tua santa casa, isto é, na consciência pura. Ordena aos ventos e às tempestades; diz ao mar: «acalma», e ao Aquilão: «não sopres»; e haverá grande paz. Envia a tua luz e a tua verdade para que brilhem sobre a terra; pois terra sou, pobre e vazia, até que me ilumines. Espalha a tua graça lá do alto, derrama no meu coração o orvalho do Céu; com a água da devoção rega a face desta terra, para que dê um fruto bom e excelente. Eleva o espírito abatido pelo peso dos pecados, e o meu desejo, suspende-o das coisas do Céu, para que, provando da doçura da eterna felicidade, me canse de pensar no que é da Terra. Livra-me e liberta-me de toda a consolação humana que não dura: pois que nenhuma coisa criada pode dar ao meu desejo repouso e consolação. Liga-me a ti pelo laço indissolúvel do amor: pois que só Tu bastas a quem ama, e, fora de ti, todas as coisas são vãs.»
Resolução: Na hora das trevas, pedir instantemente a Deus para que as dissipe, liberte de toda a tentação, afaste de toda a consolação transitória, e dirija às coisas celestes, unido a Deus com o indissolúvel vínculo do amor.
Textos
extraídos de "A imitação de Cristo", ed. Paulinas
Conceito
original: In Terris
Adapt.: Rui
Jorge Martins
quarta-feira, 18 de dezembro de 2024
CELEBRAR O NATAL DE JESUS SEM JESUS É ESQUECER O ESSENCIAL
Como peregrinos da esperança, aguardando a sua última vinda, festejemos com Jesus a celebração do seu Natal. Com alegria, cantemos glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados! Escancarando-lhe as portas do coração, cada pessoa e cada família experimentará a alegria do encontro com Ele e consigo mesma. É nesse “diálogo orante, de coração a coração, com Cristo vivo e presente”, que tudo na vida adquire mais sentido, não só na vida pessoal e familiar, também no relacionamento de uns com os outros, dando as mãos na construção da civilização do amor, da paz e da justiça. Quando a luta pelos interesses pessoais, as guerras de poder, os discursos de ódio, a violência, a fome, a injustiça, a perseguição e toda a negação dos direitos humanos têm prioridade e prevalecem, prova-se à saciedade quão longe se está de entender a pessoa e a mensagem de Jesus. O mundo ainda não entendeu, não quer entender! No entanto, com ternura e simplicidade, tal como o contemplamos no presépio, Jesus não desiste de nós, continua a propor-se a todos como o caminho a verdade e a vida. E, na verdade, não há outro nome pelo qual possamos ser salvos (cf. At 4,12).
O Papa Francisco, falando desta sociedade líquida, cada vez mais narcisista e autorreferencial, anti coração, insiste na urgência de se recuperar o que é “importante e necessário: o coração”. Em vez de o desvalorizar, preferindo, sobretudo, conceitos como razão, liberdade e vontade, precisamos de “voltar ao coração”, de reconhecer o valor do amor, de falar e agir a partir do coração, de amadurecer e curar o coração. É no coração que a pessoa encontra “a fonte e a raiz de todas as suas outras potências, convicções, paixões e escolhas”. E o Coração de Jesus, também centro do seu ser e cheio de amor divino e humano, é “a mais alta plenitude que a humanidade pode atingir. É aí, nesse Coração, que finalmente nos reconhecemos e aprendemos a amar”.
Que neste Natal, cada pessoa, cada família, cada instituição e cada comunidade, sinta a beleza e o verdadeiro sentido do Natal de Jesus, se deixe envolver pelo seu amor e aceite o desafio do Papa Francisco para que se recupere e cure o coração, pois, se não tivermos amor, nada somos.
Feliz Natal para todos!
Feliz ano 2025, Ano Jubilar!
D. Antonino Dias - Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 17-12-2024.
Vinte e seis passos do Advento ao Natal.. Dia 18
Dia 18: Encontrar o caminho da paz e da liberdade.
«Filho, ensinar-te-ei agora o caminho da paz e da verdadeira liberdade.»
«Faz como dizes, Senhor, porque me é grato ouvir.»
«Procura, filho, fazer mais a vontade dos outros do que a tua. Prefere sempre ter menos do que mais. Procura o pior lugar e submete-te a todos. Deseja sempre e reza para que a vontade de Deus se cumpra em ti inteiramente. Deste modo, caminha o homem nas regiões da paz e do repouso.»
«Senhor, apesar de breves, as tuas palavras contêm grande parte da perfeição. Pequeno é o discurso, mas cheio de sentido e de fruto. Pois, se o pudesse guardar com fidelidade, não me perturbaria tão facilmente. Porque sempre que me sinto impaciente e atormentado, vejo que me afastei de tal doutrina. Mas Tu, que tudo podes e sempre desejas o progresso da alma, aumenta a tua graça para que possa cumprir as tuas palavras e completar a minha salvação.»
Resoluções: 1.º Rezar com mais frequência e com o vivo desejo de que seja feita a divina vontade. 2.º Não antepor a vontade própria à dos outros, a menos que o dever exija o contrário. 3.ª Considerar-se o último de todos.
Textos extraídos de "A imitação de Cristo", ed. Paulinas
Conceito original: In Terris
Adapt.: Rui Jorge Martins
terça-feira, 17 de dezembro de 2024
O tempo que perdemos
É imenso o tempo que perdemos a fazer o que nos mandam. A corresponder às expectativas nunca reconhecidas, nunca suficientes e permanentemente ajustadas à realidade de alguém que nunca somos nós.
Perdemos tempo a manter uma imagem de porcelana social; que nunca derreta, que nunca quebre, que nunca dê más respostas ou deixe antever qualquer réstia de má vontade. E é pouco aquilo que fazemos porque queremos. Porque gostamos ou porque nos apetece.
É tanto o tempo que se perde com ninharias. Com discussões intermináveis sobre este ou aquele tema da moda que não levam a lado algum. Nem nos dizem nada ao coração. Mas fica bem saber muitas coisas. E argumentar e fazer de conta. E assim vamos gastando fatias do nosso dia com o que não interessa e com quem interessa pouco.
É tanto o tempo que se perde a comprar coisas que ninguém vai usar. Em filas e em embrulhos com o papel igual. E a pobreza lá fora continua. E quem não tem casa continua a não ter. E quem não consegue pagar as contas continua a não conseguir. Mas vale tudo no reino do faz de conta. E até podemos nem ter amanhã se pudermos comprar hoje.
Passou o dia todo e amanhã repete-se tudo. Como naqueles filmes em que já todos sabemos o final, mas, ainda assim, é como se não soubéssemos. Sobra-nos pouco do que somos quando o dia acaba. Mas pelo menos aparecemos impecáveis, com um sorriso que se pendura para agradar e com menos três quilos de paciência.
Sobramo-nos pouco ao final do dia e, tantas vezes, já nem sabemos quem somos. São tantos os que nos pedem tudo e nunca somos nós a pedir.
Que saibamos dizer chega. E agora acabou. E quem manda em mim sou eu.
Porque não há nada tão urgente que não possa ficar para amanhã.
Quem muito se adia um dia deixa de fazer parte na equação mais importante:
Na sua.
Marta Arrais
Vinte e seis passos do Advento ao Natal.. Dia 17
Dia 17: Dirigir a mente para a bondade divina.
«O que tem menos coisas não se deve entristecer, nem portar indignamente ou invejar o mais rico; mas amar-te ainda mais e louvar a tua bondade, pois que com tanta abundância, tão bondosa e livremente, sem aceção de pessoas, distribuis os teus dons. Tudo vem de ti, e por isso deves ser louvado em tudo. Tu sabes o que convém dar a cada um e porque este tem menos e aquele mais; não nos pertence a nós decidir isso, mas a ti, diante de quem são contados os méritos de cada um.»
Resolução: Decidir não gastar o coração a considerar a superioridade dos benefícios de uns sobre outros, mas orientá-lo para a bondade e gratuidade divinas das suas mãos sempre cheias para dar e distribuir.
Textos extraídos de "A imitação de Cristo", ed. Paulinas
Conceito original: In Terris
Adapt.: Rui Jorge Martins
segunda-feira, 16 de dezembro de 2024
«Ele enche-se de júbilo»
«Ele enche-se de júbilo»
Passinho a passinho…
Devagar e mais devagarinho…
Consigo entender que eu
[ConTigo, Senhor]
sou alegria no caminho.
É que quando olhas para as minhas fraquezas…
quando sentes os meus anseios…
as minhas faltas de coragem para amar…
Sorris para mim e soltas os meus freios!
Bom Pai…
é neste trocar de olhares
que o brilho do meu coração aumenta,
para iluminar as trevas de quem se ausenta
do Teu plano de Salvação!
Habita em mim uma certeza imensa,
pois sei que estás perto,
mais perto do que eu sinto, até…
ao escutar a Voz de João,
aquele que clama um Batismo de água
quando Jesus vem e deixa fogo no coração.
Que esta alegria,
que é fruto do Teu Santo Espírito,
seja a eterna bateria
para levar Jesus a Todos e Todos a Jesus.
Eis a Boa Nova que nos faz abraçar a incerteza,
naquela busca de Paz que só depende da clareza
com que oferecemos a Vida sem hesitar!
Liliana Dinis
Vinte e seis passos do Advento ao Natal.Dia 16
Dia 16: Rezar ao Senhor para que te faça conhecer a sua vontade.
«Abre, Senhor, o meu coração à tua lei e ensina-me a caminhar nos teus preceitos. Faz-me compreender a tua vontade e recordar com grande respeito e consideração os teus benefícios, tanto em geral como em particular, para que por eles te consiga dar graças de maneira digna. Mas reconheço e confesso que nem a mais pequena das tuas graças posso agradecer devidamente. Sou menos que qualquer dos bens que me deste, e quando considero a tua generosidade, o meu espírito perde-se nessa grandeza.»
Resolução: Recordar os benefícios sentidos quando se seguiu a vontade do Senhor. Ser pessoa grata, porque Deus está sempre presente.
Textos extraídos de "A imitação de Cristo", ed. Paulinas
Conceito original: In Terris
Adapt.: Rui Jorge Martins
domingo, 15 de dezembro de 2024
Vinte e seis passos do Advento ao Natal. Dia 15
Dia 15: Procurar a consolação da alma que vem do Senhor.
Ó Jesus, esplendor da eterna glória, consolação da alma peregrina! Diante de ti está muda a minha boca, e o meu silêncio fala-te. Até quando tardará o meu Senhor? Que Ele se aproxime do seu pobre e que o alegre; que imponha a sua mão e o arranque de toda a angústia. Vem, vem! Porque, sem ti, não haverá hora ou dia alegre – Tu és a minha alegria –, e sem ti está vazia a minha mesa. Sou infeliz, qual prisioneiro carregado de correntes, até que me reanimes com a luz da tua presença, me dês a liberdade e mostres a tua face amiga. Procuram outros, em vez de ti, algo que lhes agrade; mas a mim nada agrada, nem agradará, senão Tu, ó meu Deus, minha esperança, eterna salvação. Não me calarei, nem cessarei de pedir, até que volte a tua graça e fales à minha alma.»
Resolução: Na aridez, recorrer ao Senhor com maior insistência. Procurar nele a consolação, e não naquilo que não pode dar.
Textos extraídos de "A imitação de Cristo", ed. Paulinas
Conceito original: In Terris
Adapt.: Rui Jorge Martins
DOMINGO DA ALEGRIA
Continuamos, nesta terceira etapa do “caminho do advento”, a preparar a vinda do Senhor. Chamado “domingo Gaudete”, este terceiro domingo do advento convida-nos à alegria. A vinda do Senhor aproxima-se; a nossa libertação está cada vez mais perto.
Na primeira leitura, o profeta Sofonias convida Jerusalém a alegrar-se porque Deus revogou a sentença de condenação que pendia sobre o seu Povo. O amor de Deus é bem mais forte do que a sua vontade de castigar. Deus irá estabelecer a sua morada no meio do seu Povo, curando-o com o seu amor e abrindo-lhe as portas de um futuro repleto de alegria, de esperança e de paz.
Muitos acreditam que o medo é a única forma de levar os seres humanos a mudarem os seus comportamentos errados. Por isso, recorrem a ameaças, anunciam castigos, praticam – talvez com boas intenções – um “terrorismo espiritual” que provoca angústia, depressão e abre caminho a uma visão pessimista e negativa de Deus, da vida e do mundo. Talvez consigam, através do medo, mudar alguns comportamentos; mas o preço de tudo isso é muito alto: cria escravidão, sofrimento, consciência de culpa, traumas infindáveis. O que renova o mundo e o transforma não é o medo, mas o amor. O amor é que faz crescer, é que cria dinamismos de superação, é que nos torna mais humanos e mais livres, é que nos faz confiar, é que potencia o encontro e a comunhão… Devemos ter isto bem presente quando formos chamados a dar testemunho do Evangelho e a proclamar a proposta de salvação que o nosso Deus faz aos homens. No nosso testemunho de Deus, somos profetas do medo que escraviza, ou do amor que liberta? Anunciamos um deus justiceiro e intransigente, ou um Deus que ama incondicionalmente os seus queridos filhos?
No Evangelho João Batista, o profeta do advento, continua a propor-nos caminhos de conversão. Exorta-nos a uma mudança radical, que nos torne mais humanos, mais solidários, mais bondosos, mais misericordiosos. Partilhar os nossos bens com os necessitados, não defraudar o próximo, não exercer violência, são as marcas da vida nova, de uma vida segundo o Espírito. É nesse sentido que caminham os que esperam o Senhor.
Jesus veio batizar no Espírito Santo e no fogo. Ora, nós recebemos esse batismo. No momento da nossa adesão a Jesus renunciamos ao pecado e acolhemos o Espírito vivificador, esse Espírito que animava Jesus e que o impulsionava para dar testemunho do Reino. Temos vivido de forma coerente com o batismo que recebemos? Deixamo-nos conduzir pelo Espírito e produzimos frutos bons, frutos do Espírito? Somos testemunhas e arautos de um mundo mais fraterno, mais humano, mais pacífico?
Na segunda leitura, Paulo pede aos cristãos de Filipos que se alegrem porque “o Senhor está próximo”. Conscientes dessa proximidade, os cristãos caminham pela vida serenos e confiantes, distribuindo gestos de bondade e de generosidade, numa escuta constante de Deus, dos seus desafios e propostas. É assim que se espera o Senhor.
Não é possível acolhermos alguém com quem não comunicamos e de quem nos sentimos distantes. A espera do Senhor faz-se, portanto, num diálogo contínuo com Ele. Ao longo deste “caminho de advento”, temos arranjado tempo e disponibilidade para falar com Deus, para escutar a sua Palavra, para acolher as suas indicações, para lhe apresentar as nossas dúvidas, inquietações, sonhos e esperanças?
https://www.dehonianos.org/
sábado, 14 de dezembro de 2024
Este é o tempo... (II)
Da Esperança,
Do coração aberto ao amor.
De acreditar,
E apreciar a vida a cada instante.
De abraçar,
Acolher e partilhar.
O tempo de agradecer a viagem da fé,
O dom, que nem sempre se explica,
Mas que ilumina a nossa vida.
Este é o tempo de estender as mãos,
Permitir que o mundo se cumpra,
E tecer coisas bonitas.
Este é o tempo do silêncio,
De calarmos o ruído,
De abrirmos o coração,
E renascer de novo.
Boa semana!
Carla Correia
Vinte e seis passos do Advento ao Natal. Dia 14
«Acima de tudo e em tudo descansarás, ó minha alma, no Senhor, pois é Ele o repouso eterno dos santos. Concede-me, doce e amado Jesus, que em ti descanse mais do que em toda a criatura; mais que na saúde e na beleza, que em toda a honra e glória, que em todo o poder e dignidade; mais que em toda a ciência e subtileza, que em todas as artes e riquezas, que em toda a alegria e júbilo; mais que em toda a fama e louvor, que em toda a suavidade e consolação, que em toda a esperança e toda a promessa; mais que em todo o merecimento ou desejo, que em todos os bens e tributos que podes dar e derramar, que em todo o gáudio e exultação que o espírito pode experimentar e sentir; e mais, finalmente, do que nos anjos e arcanjos e todo o exército do Céu, mais que em todas as coisas visíveis e invisíveis, mais que em tudo o que não és Tu, ó meu Deus.»
Resolução: Preparar o Natal ocupando-se mais com Deus, em vez de se deixar ocupar pelo frenesim deste tempo.
Textos extraídos de "A imitação de Cristo", ed. Paulinas
Conceito original: In Terris
Adapt.: Rui Jorge Martins
sexta-feira, 13 de dezembro de 2024
SEM ISSO, HAVERÁ TROPEÇOS A IMPEDIR A MARCHA...
"Cada novo passo na vida da Igreja é um regresso à fonte, uma experiência renovada do encontro com Cristo ressuscitado", assim começa o documento final do último Sínodo. Não falta quem manifeste grande fastio ao ser desafiado a percorrer os caminhos que ele aponta. Mas, se a fonte é Cristo, se vivemos animados pelo Espírito, se estamos em comunhão eclesial, se permanecemos com Pedro e sob Pedro, qual será a razão de tantos receios? Não será resistência à mudança, tentação comodista, subserviência ao que se pensa e faz, falta de abertura ao que o Espírito vai dizendo ou de confiança naquele que prometeu estar connosco até ao fim dos tempos? Ou será falta de entusiasmo e coragem para tentar novos métodos, nova linguagem, com novo ardor, mais conversação com o Espírito e mais espírito de missão? "Não tenhais medo", disse-nos o Senhor, "não tenhais medo". Porventura, não sabemos nós que os dons que Ele nos deu, aquando do nosso Batismo, são talentos para fazer frutificar e não para enterrar por qualquer motivo? (n.º 141). Talvez que, para alguns, sacerdotes ou leigos, a não atividade se deva ao não acreditarem muito no processo sinodal. Outros, porém, porque há que começar por dar passos simples e discretos e a paciência é pouca, talvez pensem que o melhor seja não fazer nada e depois descansar! Para outros, o pior obstáculo em que tropeçam, se não for o medo de perderem a centralidade que sempre tiveram, ou, de boa ou má vontade, lhe dão por costume, será o de não saberem bem por onde e como começar de forma a gerar empatia e interesse por tal processo. Sabemos que "a sinodalidade não é um fim em si mesma", mas não podemos esquecer que ela é uma dimensão constitutiva da Igreja, faz parte da sua vocação, da sua missão de evangelizar, tendo sempre em conta o sentido da fé da generalidade dos crentes, o qual "não se confunde com a opinião pública". É uma espécie de perceção instintiva que os fiéis têm sobre o que está ou não de acordo com a revelação de Deus em Jesus Cristo.
Alegra-nos, porém, saber que há muita gente a implementar o processo, com alegria e entusiasmo, de forma simples mas persistente. Os participantes no Sínodo admitiram que ele, de facto, já faz parte de muitas das nossas comunidades, que os primeiros frutos já "estão a fermentar na vida das famílias, das paróquias, das Associações e Movimentos, das pequenas comunidades cristãs, das escolas e das comunidades religiosas, onde cresce a prática da conversação no Espírito, do discernimento comunitário, da partilha dos dons vocacionais e da corresponsabilidade na missão" (n.º 7). No entanto, mesmo assim, não deixaram de pedir a todas as Igrejas locais que continuassem "o seu caminho quotidiano com uma metodologia sinodal de consulta e discernimento, identificando caminhos concretos e percursos formativos para realizar uma conversão sinodal palpável nas várias realidades eclesiais" (n.º 9).
Se, como lemos, o documento final delineia os fundamentos teológicos e espirituais destas temáticas, se desenvolve as perspetivas espirituais e proféticas do que emergiu da primeira sessão do Sínodo, se reclama das pessoas a conversão dos sentimentos, imagens e pensamentos, se apela à reforma e à conversão da ação pastoral e missionária, se lembra as relações humanas como construtoras da comunidade cristã e configuradoras da missão, entrelaçando vocações, carismas e ministérios, o documento também identifica três importantes práticas a ter em conta, práticas inspiradas em critérios evangélicos e intimamente ligadas entre si, a saber: ‘discernimento eclesial, processos de decisão e cultura da transparência, da prestação de contas e da avaliação’ (n.º 11). Esta prestação de contas do próprio ministério à comunidade cristã remonta aos princípios da Igreja e deve tornar-se prática corrente, a todos os níveis, inclusive no que diz "respeito ao estilo de vida dos pastores, aos planos pastorais, aos métodos de evangelização e às modalidades como a Igreja respeita a dignidade da pessoa humana, por exemplo, no que respeita às condições de trabalho nas suas instituições" (n.º 98). O próprio Pedro, quando regressou a Jerusalém depois de ter batizado Cornélio, um pagão, teve de prestar contas deste seu ato: "os que tinham vindo da circuncisão começaram a discutir com ele, dizendo: ‘Tu entraste em casa dos incircuncisos e comeste com eles". Pedro não demorou em expor perante eles as razões que o levaram a fazer isso (n.º 95).
A Assembleia sinodal ligou o significado desta transparência "a uma série de termos como verdade, lealdade, clareza, honestidade, integridade, coerência, rejeição da opacidade, da hipocrisia e da ambiguidade, e ausência de segundas intenções", afirmando que, no seu correto sentido, a transparência "não compromete o respeito da privacidade e da confidencialidade, a proteção das pessoas, da sua dignidade e dos seus direitos, mesmo contra pretensões indevidas da autoridade civil. Tudo isto, porém, não poderá nunca justificar práticas contrárias ao Evangelho ou tornar-se um pretexto para contornar ou encobrir ações contra o mal" (n.º 96). A transparência gera confiança e credibilidade, assegura a fidelidade da Igreja à sua missão, faz saber que todos devem prestar contas das suas ações e decisões, que ninguém, seja autoridade ou quem exerce algum cargo ou preste algum serviço, seja membro do clero ou leigo, que ninguém está isento de prestar contas à comunidade ou a alguém, ou a todos.
Perante estas exigências e desafios, embora tenhamos que bater com a mão no peito por muita coisa que se fez ou não se fez e ainda não se faz, não deve haver masoquistas angustiados ou avinagrados. Deve reconhecer-se o que está errado e saltar para o caminho certo, implementando novas práticas, novas formas de ser, estar e agir, abraçando o apelo "à alegria e à renovação da Igreja no seguimento do Senhor, no empenho ao serviço da sua missão, na procura dos modos para lhe ser fiéis" (n.º 3).
D. Antonino Dias - Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 13-12-2024.
Vinte e seis passos do Advento ao Natal - Dia 13
Dia 13: Viver na Terra, desejar o Céu.
Oxalá, ó forte Deus de Israel, zelador das almas fiéis, olhes para o sofrimento e para a dor do teu servo, e que o assistas em todas as coisas, em tudo o que empreender. Enche-me com a fortaleza do Céu, para que o homem velho, a mísera carne, ainda não totalmente submetida ao espírito, e contra a qual teremos de combater enquanto respirarmos nesta triste vida, não consiga dominar. Ah, que vida esta, onde não faltam tribulações e misérias e onde tudo é cheio de ciladas e de inimigos! Na verdade, mal uma tribulação ou tentação se afasta, logo outra chega, e está-se ainda em luta com a primeira e outras vêm, inesperadamente. Como se pode amar esta vida, que tantas amarguras tem, toda sujeita a calamidades e misérias? Como se lhe pode chamar vida, sendo fonte de tantas mortes e doenças? E, no entanto, ela é amada, e muitos são os que procuram deleitar-se nela. Censura-se frequentemente ao mundo o ser mentiroso e vão, mas nem por isso o deixamos mais facilmente, pois somos dominados pelo desejo da carne. Umas coisas levam-nos a amá-lo, outras a desprezá-lo. A amá-lo, o desejo da carne, o desejo dos olhos e o orgulho da vida; a odiá-lo e a aborrecê-lo, as penas e misérias que justamente os seguem.»
Resolução: Pedir a Deus para que alimente o amor por Ele, e assim a sua vontade não será peso, mas bem-aventurança.
Textos extraídos de "A imitação de Cristo", ed. Paulinas
Conceito original: In Terris
Adapt.: Rui Jorge Martins
quinta-feira, 12 de dezembro de 2024
O que se passa comigo?
A vida é especialista em pregar partidas, em virar os dias ao avesso, e a provocar sentimentos estranhos e pensamentos absurdos. Ainda bem que é assim. De repente damos por nós a ter comportamentos a que não estamos habituados, a reagir de forma menos pensada, a chorar por tudo e por nada e a perguntar- o que se passa comigo? Parece que não me conheço. E será que nos conhecemos mesmo?
Costumo dizer que apenas na tempestade sabemos reconhecer a nossa força, a nossa liderança e a nossa capacidade de resistir. O problema é que nem sempre estamos preparados para a tempestade, e mesmo quando estamos, parece que as ondas são intermináveis e, quando estamos a ganhar fôlego, vem outra onda… e temos de lutar novamente para nos manter á tona. Parece interminável…cansa…desgasta, e torna-nos pessoas diferentes. Mesmo tendo sobrevivido às ondas ficamos com mazelas que nos limitam a resistência para outras tempestades, mas também podemos ter aprendido a lição e, de umas ondas para as outras, podemos socorrer-nos de instrumentos capazes de prever o que vai acontecer e de nos proteger para a próxima. No entanto, as tempestades abrem feridas que se agravam quando não conseguimos saborear as marés calmas, refletir e preparar os dias menos bons.
Agravam-se quando procuramos os nossos companheiros de barco e não os vemos.
Agravam-se quando percebemos que as nossas atitudes são mais marcadas pela tristeza e rancor do que pelo bom que a vida tem.
Agravam-se quando não vemos “terra à vista” ou quando regressamos a terra e não temos com quem partilhar as peripécias da viagem.É que por vezes o que se passa contigo, depende demasiado do que o que se passa à tua volta.
E tu amiga?
O que se passa contigo?
Vinte e seis passos do Advento ao Natal.- Dia 12
«Confessarei contra mim a minha injustiça, confessar-te-ei, Senhor, a minha fraqueza. Muitas vezes, por pouca coisa me abato e torno triste. Prometo portar-me com mais coragem, mas, assim que vem a tentação, faz-se grande a minha angústia. E, por vezes, é bem desprezível a coisa de que me vem a grande tentação. Quando me julgo de certo modo seguro, quando nada sinto, dou comigo às vezes quase vencido por um ligeiro sopro. Vê, pois, Senhor, a minha pequenez e a minha fraqueza, que em tudo encontras; tem misericórdia de mim, e arranca-me do lodo para que não me atole e não fique caído para sempre. O que tantas vezes me dói e me envergonha diante de ti é a facilidade com que caio e a minha fraqueza em resistir às paixões. E, embora não consinta inteiramente nelas, é-me molesto o seu ataque, e aborreço-me de viver sempre lutando. Por aqui bem vejo a minha fraqueza, visto que essas loucas fantasias entram bem mais facilmente em meu espírito do que dele saem.»
Resolução: Reconhecer e meditar na fraqueza própria.
Textos extraídos de "A imitação de Cristo", ed. Paulinas
Conceito original: In Terris
Adapt.: Rui Jorge Martins
quarta-feira, 11 de dezembro de 2024
Palavras que o vento não leva!
Se tens algo para dizer diz, particularmente se é para acrescentar, fazer crescer, fazer pensar ou apenas fazer sorrir!
As palavras têm peso, eu acredito! E todas têm lugar, têm momento, têm sentido. Pode não ser já, mas ecoam aqui e ali. Ficam.
Já as menos bonitas, se usadas pra ferir, então que fiquem guardadas no silêncio, porque essas podem pesar a dobrar.
Quando digo por dizer, que às vezes também ocorre, então repito, ainda que para mim, e reflito. Depois terei mais cuidado a seguir!
Era importante também que expressões, aparentemente caídas em desuso, como "dou-te a minha palavra " ou "palavra de honra" sejam avivadas na nossa mente e no nosso coração.
A palavra certa, verdadeira, assertiva, amiga, querida, divertida pode transformar o dia de alguém, pode trazer clareza, leveza, alegria e pode até curar.
Digam...
Lucília Miranda
Vinte e seis passos do Advento ao Natal.- Dia 11
Dia 11: As tribulações fortalecem a alma.
«Sê pronto para a luta, se queres conseguir vitória. Não podes, sem combate, alcançar a coroa da paciência. Se não queres sofrer, recusas-te a ganhar. Mas, se queres ganhar, combate corajosamente e aguenta com paciência. Não se alcança o repouso sem trabalho, nem sem luta se chega à vitória.»
«Faça-se, Senhor, possível pela graça o que impossível me parece pela natureza. Sabes o pouco que posso sofrer e quão depressa desanimo à mais pequena adversidade. Faz com que eu ame e deseje qualquer sofrimento pelo teu nome: pois sofrer e ser humilhado por amor de ti é bem salutar à minha alma.»
Resolução: Na profundidade do teu coração, pedir a Deus que ajude a identificar com Ele as tribulações, e entregá-las.
Textos extraídos de "A imitação de Cristo", ed. Paulinas
Conceito original: In Terris
Adapt.: Rui Jorge Martins
terça-feira, 10 de dezembro de 2024
Viver é nascer aos poucos
E todos atingimos, em muitos momentos das nossas vidas, os confins das nossas forças, talentos e possibilidades. Não por sermos fracos, mas por sermos humanos. Nessas alturas não estamos a falhar. Estamos a passar por um mau bocado, pelo que precisamos e merecemos a compaixão dos outros, não a sua condenação ou abandono.
Muitas pessoas são acompanhadas apenas pela solidão, que lhes tenta abortar os sonhos. A solidão é um perigo. Tanto nos pode amassar até ficarmos dóceis, quanto nos pode magoar ao ponto de nos petrificar o coração. Umas vezes coroa-nos, outras crucifica-nos.
Precisamos de nos abrir ao outro, ir à procura de nós e, ainda que nada encontremos, não desesperar, porque o que nos salva é dar um passo, outro e outro ainda, sem deixar de nos darmos à luz e de nos abrirmos à luz.
Que cada dia me leve ao seguinte. Com esperança, fé e amor.
O amor está sempre a nascer, e não para morrer, mas sim para viver e fazer viver. Nada nasce do nada. A felicidade é um equilíbrio em que se tem os pés bem assentes na terra e o coração no alto dos céus.
Hoje, nascemos outra vez. Aceitemo-nos e cuidemos bem de nós, como recém-nascidos: frágeis, mas com valor infinito!
José Luís Nunes Martins
Vinte e seis passos do Advento ao Natal.- Dia 10
Dia 10: Viver alimentando a paciência.
«Não é verdadeiramente paciente o que não quer sofrer senão o que lhe agrada e de quem lhe agrada. O que tem real paciência não olha a quem o faz sofrer, se é seu superior, se é igual a si ou seu inferior, se é bom e santo, ou se é mau e indigno; mas aceita indiferentemente tudo de qualquer criatura todas as vezes que lhe sucede algo de mal, e tudo recebe reconhecidamente da mão de Deus, tendo-o como grande bem; porque, para Deus, qualquer coisa, mesmo pequena, por amor dele sofrida, não pode deixar de ter merecimento.»
Resolução: Ter presente na mente e no coração que o que se sofre e faz por amor a Deus tem grande merecimento.
Textos extraídos de "A imitação de Cristo", ed. Paulinas
Conceito original: In Terris
Adapt.: Rui Jorge Martins
segunda-feira, 9 de dezembro de 2024
A importância de viver em verdade
Vivemos tempos em que o fingimento e as aparências parecem reinar com mais força do que os valores e os princípios. É como se nos tivéssemos tornado reféns das nossas expectativas e das expectativas dos outros e nos tivéssemos esquecido daquilo que somos de verdade. Quantas vezes tomamos decisões com base no que os outros querem? No que os outros esperam ou no peso que nos colocam, mesmo sem querer, sobre os ombros e a cabeça?
Quantas vezes temos conseguido honrar as nossas vontades, as nossas necessidades e quantas vezes temos conseguido responder com verdade à pergunta:
“De que é que precisas, realmente, neste momento?”
Não precisamos todos das mesmas coisas nem ao mesmo tempo. Enquanto alguém ao nosso lado pode estar a viver no auge da produtividade e do empenho, nós podemos estar a esvaziar o balão da nossa motivação e a precisar de descanso e de isolamento social temporário.
Enquanto alguns se regeneram em convívios, inúmeros jantares, sítios barulhentos e festas com música alta, outros dão-se ao luxo de meditar, de respirar fundo e de encontrar harmonia com os ritmos do corpo, da mente e do espírito. Mas parece sempre que o que nos é pedido no exterior é que sejamos contra a nossa natureza, os nossos ritmos pessoais e individuais e, até, as nossas preferências.
Numa ditadura de redes sociais que nos obrigam a comprar, a ser, a vestir, a fazer, a viajar, a ler e a viver tudo cedo demais, cabe-nos a nós remar, conscientemente, contra estas, e outras tantas, marés.
Não é porque os outros dizem que temos de seguir,
Não é porque os outros fazem que temos de fazer,
Não é porque os outros compram que temos de comprar,
Não é porque os outros julgam que temos de julgar,
Não é porque os outros estão felizes que temos de estar.
O que acrescenta valor a cada um de nós é o que podemos ser quando tudo o resto já é.
Marta Arrais,
Vinte e seis passos do Advento ao Natal.- Dia 9
Dia 9: A disposição interior diante das provas da vida.
«Quanto melhor te dispões a sofrer, tanto mais sabiamente ages e mais mereces, e também suportas melhor os sofrimentos, visto que a coragem e o hábito a isso te ajudam. Não digas: “Não consigo suportar tais coisas de tal homem; não as posso aguentar porque me fez uma grave ofensa e me censura de coisas que nunca pensei; mas, doutro, sofrê-las-ei de boa vontade, como acho dever sofrê-las”. É louco tal pensamento, pois não considera a virtude da paciência, nem como ela há de ser recompensada, mas, pelo contrário, tem em conta as pessoas e as ofensas feitas.»
Resolução: Suportar com paciência as ofensas de qualquer pessoa, seja inferior ou superior hierárquico, rico ou pobre, de boa ou má fama.
Textos extraídos de "A imitação de Cristo", ed. Paulinas
Conceito original: In Terris
Adapt.: Rui Jorge Martins
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