domingo, 22 de fevereiro de 2026

QUARESMA: Tempo de conversão e de renovação

 

https://www.youtube.com/watch?v=QOjhyHXGVS4



No início do caminho quaresmal, a liturgia convida-nos a repensar as nossas certezas, as nossas opções, os nossos valores. Tempo de conversão e de renovação, a Quaresma é o momento favorável para nos reaproximarmos de Deus. É em Deus – e não noutras propostas, por mais encantadoras que sejam – que está a fonte da vida verdadeira.

Na primeira leitura a catequese de Israel esboça, em grandes linhas, o projeto de Deus para o mundo e para os homens. Deus criou-nos para a felicidade e mostrou-nos como viver para alcançar a vida verdadeira. Contudo, enquanto seres livres, temos de ser nós a fazer a nossa opção fundamental. Se decidirmos abraçar as indicações de Deus, conheceremos uma felicidade sem limites e uma plena realização; mas, se optarmos por dar ouvidos à tentação do egoísmo, da autossuficiência, da prepotência, da ganância, viveremos rodeados de coisas efémeras, vazias, que nunca saciarão plenamente a nossa sede de felicidade.De onde vimos? Para onde vamos? Porque é que estamos aqui? Qual o sentido da nossa vida? São perguntas eternas, que os homens e mulheres de todos os tempos constantemente colocam. A Palavra de Deus que hoje nos é oferecida responde: é Deus a nossa origem e o nosso destino último. Não somos um minúsculo e insignificante grão de areia à deriva numa galáxia qualquer; mas somos seres cuja existência Deus planeou, que Ele modelou com amor, a quem Ele animou com o seu próprio “sopro” de vida, a quem Ele ofereceu um destino de eternidade. O fim último da nossa existência não é o fracasso, o mergulho na absoluta escuridão, a dissolução no nada; mas é a vida definitiva, a felicidade sem fim, o encontro com Deus. É esse horizonte de vida eterna e de comunhão plena com Deus que temos diante dos olhos enquanto peregrinamos na terra? Que marca é que isso deixa na forma como vivemos o nosso dia a dia?

Na segunda leitura
, o apóstolo Paulo coloca diante de nós dois exemplos, dois modelos de vida, dois homens: Adão e Jesus. Adão representa o homem que optou por ignorar as propostas de Deus e decidir, por ele próprio os caminhos que deveria percorrer para se realizar plenamente; Jesus é o homem que decidiu escutar as indicações de Deus, obedecer aos projetos de Deus, percorrer o caminho que Deus Lhe indicava, mesmo se esse caminho tivesse de passar pela cruz. A desobediência de Adão trouxe ao mundo egoísmo, sofrimento e morte; a obediência de Jesus tornou-se, para o mundo e para todos os homens, uma fonte inesgotável e amor, de graça e de vida.Deus respeita a nossa liberdade. Aceita que construamos as nossas vidas sem atendermos às suas indicações, suporta até as nossas escolhas erradas. No entanto, nunca desiste de nós. Decidido a dar-nos todas as oportunidades, insiste uma e outra e outra vez… na esperança de que reconsideremos as nossas opções e escolhamos caminhos que conduzem à vida verdadeira. Numa decisão que mostra bem a profundidade do amor que nos tem, enviou-nos o seu Filho, Jesus. Jesus obedeceu ao Pai e veio ao nosso encontro, fez-se um de nós, partilhou a estrada em que andamos, lutou contra tudo o que nos faz mal, aceitou morrer para nos mostrar o caminho que conduz à vida. Considerando tudo isto, seremos capazes de continuar a preferir caminhos de orgulho e de autossuficiência, à margem de Deus? Que valor assumem, na construção da nossa vida, as propostas que Jesus nos veio trazer?

No Evangelho, o Evangelista Mateus propõe-nos uma catequese sobre as opções de Jesus. Ele recusou sempre as propostas e os valores que punham em causa o projeto de Deus para o mundo e para os homens. Para Jesus, os valores de Deus tiveram sempre primazia sobre os bens materiais, a embriaguez oferecida pelo êxito fácil, a sede de poder. Aos seus discípulos Jesus pede que sigam um caminho semelhante. Começamos, nestes dias, a percorrer um caminho, o caminho quaresmal. É o caminho que nos conduz à Páscoa, à ressurreição, à vida nova. Ao longo desse caminho seremos convidados a analisar, com lucidez e sentido de responsabilidade, as nossas opções, as nossas prioridades, os nossos valores, o sentido da nossa vida… Este tempo poderá ser um tempo de conversão, de realinhamento, de renovação, de mudança; poderá ser a oportunidade para nos reaproximarmos de Deus e das propostas que Ele nos faz. A Palavra de Deus que escutaremos cada domingo ajudar-nos-á a perceber o sem sentido de algumas das nossas escolhas e a detetar alguns dos equívocos em que navegamos. Aceitamos o desafio de percorrer este caminho? O Evangelho deste domingo refere algumas das “tentações” que Jesus teve de enfrentar e vencer. Estamos dispostos, da nossa parte, a identificar as “tentações” que nos escravizam e nos impedem de viver uma vida mais digna, mais humana, mais repleta de sentido e de esperança? Quais são as “tentações” que, com mais frequência, nos afastam do estilo de vida e do projeto de Jesus?


https://www.dehonianos.org/

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