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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

As vontades não são desejos



Diz-se que a liberdade é poder fazer o que se quer, mas quem decide o que quer? Há em nós forças que podemos aprender a guiar e outras que são mais selvagens.

As vontades são as forças que nos levam a vencer obstáculos e a conquistar o que decidimos alcançar: o esforço que somos capazes de escolher fazer.

Os desejos são forças que nos tentam dominar, levando-nos a fazer algo que na verdade não escolhemos, não queremos, mas que, como costumamos dizer, tem de ser.

Os desejos são alheios a quem os possui; as vontades não. É comum confundir estes dois tipos de forças interiores, chamando vontades aos desejos. É assim que alguém se julga livre quando, na verdade, é apenas escravo dos seus apetites.

Devemos aprender a querer. Devemos aceitar os meios para chegarmos ao que queremos. Devemos aceitar também as consequências do caminho que nos leva ao que queremos.

Apesar de não querer o que tenho de fazer para alcançar o que pretendo, devo estar consciente de que importa pagar o preço para chegar onde sonho. Não quero, portanto, o que faço, mas aquilo para que o faço.

Ninguém quer as feridas que talvez sejam essenciais para chegar ao céu. Ninguém quer sofrer. Mas quem quer amar, sabe que, ainda que sofra, o que ganha é muito mais do que aquilo que perde.

A razão mais comum do fracasso é querer o que se quer, de imediato, sem ter de ordenar forças e talentos, coragem e paciência para conseguir o que se determinou.

A vontade tem muitas vezes de ser orientada para enfrentar os desejos, diminuindo-os para que possamos ser felizes. O muito é sempre pouco para quem sempre deseja mais.

O coração de cada um de nós precisa de muito menos do que julgamos.


José Luís Nunes Martins

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

«Mudam-se os tempos, mantém-se as vontades»



O mundo contemporâneo tem tão pouco de diferente de mundos de outros tempos, pelo menos na minha humilde compreensão!

O básico indispensável continua a sê-lo, embora mais requintado, mas nem por isso o foco se volta para a verdadeira essência do ser humano.

Olho para muitos problemas que afetam os nossos dias, como inacreditáveis de tão sem sentido, ridículos até?!

Que insanidade é esta de lutar por terra e mais terra para se ser dono e senhor? Mas de quê? - de léguas de sofrimento atroz que ceifam vidas a troco de nada?

Que loucura é esta que permite a terrível saga da FOME, quando há no mundo que chegue e que sobre para erradicar esta atrocidade?

Que dizer da ditadura do dinheiro que tudo pode e do poder que tudo domina, da violencia ? - como se fossemos imortais?!

E nós tantas vezes impavidos e serenos a normalizar o horror apresentado todos os dias aos nossos olhos? Temos um minuto de compaixão para 1 hora de scrol!

A diferença pode começar em nós, de forma simples e aparentemente inócua, mas há-de ressoar de alguma forma.

Força, luz e esperança para todos nós!

 Lucília Miranda