sexta-feira, 30 de junho de 2017

PODERIA LÁ A NOSSA DOUTORA BEBER ATÉ CAIR!...


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Já Pitágoras alertava: “Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens”. Por sua vez, Gianfranco Ravasi assegura que ”Num mundo cada vez mais grosseiro, saber comportar-se bem, educadamente e com sinceridade nas relações interpessoais é um valor a cultivar e a propor”. De facto, já não falta quem argumente sobre a necessidade urgente de se apostar muito mais na educação integral. Cresce o medo de uma sociedade selvagem e a resvalar para um certo masoquismo onde tudo dolorosamente se desculpa em nome da liberdade, da tolerância, da cultura e do respeito pelos que agem assim, não se importando estes de respeitar aqueles que acabam por ter de os aturar sofridamente. Será virtude? Parece-me, isso sim, uma grande sonsice. Sonsice de uns que, tendo tal dever, entendem que educar é com todos os outros menos com eles. Sonsice de outros que se julgam educados e com todos os direitos, mesmo quando, puxando por eles, estão a cair, orgulhosamente, no ridículo. Sonsice daqueles que afirmam que a educação de hoje está no top do mais que bom. Sonsice ainda de uma sociedade já indiferente a estes desmandos e que tende a assimilá-los como cultura a promover. A par, reconhecemos também a persistência na discriminação. Sim, se é um pobretana ou marginal qualquer a fazer determinada coisa, é logo apelidado de mal criado, sem educação, sem princípios, sem valores. Se é um menino de bem ou gente de curso superior ou de considerado adn, o que fez, precisamente igual ou pior do que fez o outro, é uma traquinice, uma brincadeira, uma coisa gira e a merecer aplausos.
Acredito que eu esteja a ficar cota, como falam por aí os civilizados do sistema. Talvez que sim. Se a velhice é um posto, já sou dum tempo perdido na lonjura dos tempos. Dum tempo em que, além do ensino, a maioria dos professores também educava pela sua maneira de estar, falar e se apresentar, como hoje, felizmente, ainda há quem o faça. Talvez por isso, e por mais esforço que me imponha, mesmo que respeite toda a gente, não sou capaz, por culpa minha com certeza, não duvido, mas não sou capaz de me inculturar a ver um professor de tatuagens, piercings, em moda de calças rotas ou caídas por rabo abaixo, a mascar chicletes, sempre pendurado no cigarro, e por aí fora… professores e afins, claro, pessoas com responsabilidades tais que deveriam conquistar e ter credibilidade educativa… Acredito que a misericórdia do leitor me perdoará esta minha inadaptação à modernidade destes mestres tão “fixes” e “porreirinhos”, como a malta soe dizer!
A propósito de coisas relacionadas com atitudes e comportamentos, Bárbara Wong, uma das pessoas que melhor conhece a realidade educativa em Portugal, escreveu, no dia 11 deste mês, no jornal Público, uma crónica interessante que aconselho a ler, e a que deu o título de “Entre o saber e o trajar”. A musa da crónica foi o que presenciou numa cerimónia de bênção das pastas a que foi assistir, o que, aliás, não está muito longe do que acontece em alguns casamentos e batizados. Crente ou não crente, não sei, Bárbara Wong esperaria, com certeza, embora em tom simples e festivo, um momento religioso, social, académico, solene, nobre. Não foi isso, porém, o que encontrou. Depois de ter introduzido o tema, escreve: “O padre entra no auditório ao som de um cântico religioso que o coro entoa e mal se ouve a última nota, a sala inteira bate palmas. Surpreende-me (…) As palmas vão continuar a ouvir-se durante toda a bênção, assim como assobios. E o sacerdote lá vai adaptando-se à plateia e pede-lhe para que se levante ou para que se sente nos momentos certos. Estranho é haver quem esteja ali trajado a preceito, com a pasta das fitas na mão e não se mexa do lugar, permanecendo sentado. Serão os contestatários? Os ateus? Os mata-frades? Mas foram obrigados a estar ali? Como farão no seu dia-a-dia, quando em termos profissionais tiverem de assistir a uma bênção de outra coisa qualquer? É que o que não falta são cerimónias do Estado laico que metem a Igreja à mistura. Vão permanecer sentados de pernas abertas com um ar displicente e com a mão no rabo da namorada, que está de pé?
Eles não sabem estar numa cerimónia religiosa porque ninguém os preparou para tal. As famílias também batem palmas, conversam ao telefone ou actualizam-se no Facebook enquanto o padre está lá em baixo a dizer umas coisas sobre o futuro, os valores, etc. E o barulho da sala não parece incomodar a direcção da escola nem os professores que ocupam as primeiras filas do auditório.”
Mas, segundo Bárbara, as coisas não ficaram por aí. Após esta cerimónia, os representantes dos finalistas de cada curso, usaram da palavra para dizerem o que disseram em relação aos professores. Estes, na primeira fila, “riem-se, desvalorizando a crítica implícita ao seu modo de ensinar.” “Elas contam aos pais, aos irmãos mais novos, aos tios e aos avós que beberam até cair, até não se lembrarem, até irem parar aos bombeiros ou ao hospital, até não saberem como conseguiram ir às aulas no dia seguinte ou o ano todo (…) Não sabem como passaram os três anos do curso (…) E os pais riem-se (…) então podia lá a nossa doutora, que fica tão bem com a sua capa e a sua pasta, beber até cair?”
E depois de ter ouvido o discurso vazio - e pouco elegante, aliás! - do dux, rex ou max, com mais palmas e assobios, Bárbara Wong termina dizendo: “Saio angustiada. São a geração mais bem preparada dizem os próprios depois de confessarem as bebedeiras e o que não aprenderam em três anos. O que farão? Quem os contratará? A direcção daquela escola, sentada na fila da frente, que elogiou a praxe porque precisa da associação de estudantes para se manter no poder, não se sente responsável pelos seus alunos? (…) A democratização do ensino chegou, é certo, 43 anos depois do 25 de Abril todos podem chegar ao doutoramento e ainda bem, mas, enquanto ninguém chamar a si a educação integral das crianças e dos jovens – convencido que está que a educação pertence às famílias e o ensino aos professores – continuaremos a fazer distinção entre aqueles que têm conhecimento e sabem estar e os que só sabem trajar. Ainda há muito a fazer e ninguém parece estar preocupado.” Antonino Dias
30-06-2017

Já Pitágoras alertava: “Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens”. Por sua vez, Gianfranco Ravasi assegura que ”Num mundo cada vez mais grosseiro, saber comportar-se bem, educadamente e com sinceridade nas relações interpessoais é um valor a cultivar e a propor”. De facto, já não falta quem argumente sobre a necessidade urgente de se apostar muito mais na educação integral. Cresce o medo de uma sociedade selvagem e a resvalar para um certo masoquismo onde tudo dolorosamente se desculpa em nome da liberdade, da tolerância, da cultura e do respeito pelos que agem assim, não se importando estes de respeitar aqueles que acabam por ter de os aturar sofridamente. Será virtude? Parece-me, isso sim, uma grande sonsice. Sonsice de uns que, tendo tal dever, entendem que educar é com todos os outros menos com eles. Sonsice de outros que se julgam educados e com todos os direitos, mesmo quando, puxando por eles, estão a cair, orgulhosamente, no ridículo. Sonsice daqueles que afirmam que a educação de hoje está no top do mais que bom. Sonsice ainda de uma sociedade já indiferente a estes desmandos e que tende a assimilá-los como cultura a promover. A par, reconhecemos também a persistência na discriminação. Sim, se é um pobretana ou marginal qualquer a fazer determinada coisa, é logo apelidado de mal criado, sem educação, sem princípios, sem valores. Se é um menino de bem ou gente de curso superior ou de considerado adn, o que fez, precisamente igual ou pior do que fez o outro, é uma traquinice, uma brincadeira, uma coisa gira e a merecer aplausos.
Acredito que eu esteja a ficar cota, como falam por aí os civilizados do sistema. Talvez que sim. Se a velhice é um posto, já sou dum tempo perdido na lonjura dos tempos. Dum tempo em que, além do ensino, a maioria dos professores também educava pela sua maneira de estar, falar e se apresentar, como hoje, felizmente, ainda há quem o faça. Talvez por isso, e por mais esforço que me imponha, mesmo que respeite toda a gente, não sou capaz, por culpa minha com certeza, não duvido, mas não sou capaz de me inculturar a ver um professor de tatuagens, piercings, em moda de calças rotas ou caídas por rabo abaixo, a mascar chicletes, sempre pendurado no cigarro, e por aí fora… professores e afins, claro, pessoas com responsabilidades tais que deveriam conquistar e ter credibilidade educativa… Acredito que a misericórdia do leitor me perdoará esta minha inadaptação à modernidade destes mestres tão “fixes” e “porreirinhos”, como a malta soe dizer!
A propósito de coisas relacionadas com atitudes e comportamentos, Bárbara Wong, uma das pessoas que melhor conhece a realidade educativa em Portugal, escreveu, no dia 11 deste mês, no jornal Público, uma crónica interessante que aconselho a ler, e a que deu o título de “Entre o saber e o trajar”. A musa da crónica foi o que presenciou numa cerimónia de bênção das pastas a que foi assistir, o que, aliás, não está muito longe do que acontece em alguns casamentos e batizados. Crente ou não crente, não sei, Bárbara Wong esperaria, com certeza, embora em tom simples e festivo, um momento religioso, social, académico, solene, nobre. Não foi isso, porém, o que encontrou. Depois de ter introduzido o tema, escreve: “O padre entra no auditório ao som de um cântico religioso que o coro entoa e mal se ouve a última nota, a sala inteira bate palmas. Surpreende-me (…) As palmas vão continuar a ouvir-se durante toda a bênção, assim como assobios. E o sacerdote lá vai adaptando-se à plateia e pede-lhe para que se levante ou para que se sente nos momentos certos. Estranho é haver quem esteja ali trajado a preceito, com a pasta das fitas na mão e não se mexa do lugar, permanecendo sentado. Serão os contestatários? Os ateus? Os mata-frades? Mas foram obrigados a estar ali? Como farão no seu dia-a-dia, quando em termos profissionais tiverem de assistir a uma bênção de outra coisa qualquer? É que o que não falta são cerimónias do Estado laico que metem a Igreja à mistura. Vão permanecer sentados de pernas abertas com um ar displicente e com a mão no rabo da namorada, que está de pé?
Eles não sabem estar numa cerimónia religiosa porque ninguém os preparou para tal. As famílias também batem palmas, conversam ao telefone ou actualizam-se no Facebook enquanto o padre está lá em baixo a dizer umas coisas sobre o futuro, os valores, etc. E o barulho da sala não parece incomodar a direcção da escola nem os professores que ocupam as primeiras filas do auditório.”
Mas, segundo Bárbara, as coisas não ficaram por aí. Após esta cerimónia, os representantes dos finalistas de cada curso, usaram da palavra para dizerem o que disseram em relação aos professores. Estes, na primeira fila, “riem-se, desvalorizando a crítica implícita ao seu modo de ensinar.” “Elas contam aos pais, aos irmãos mais novos, aos tios e aos avós que beberam até cair, até não se lembrarem, até irem parar aos bombeiros ou ao hospital, até não saberem como conseguiram ir às aulas no dia seguinte ou o ano todo (…) Não sabem como passaram os três anos do curso (…) E os pais riem-se (…) então podia lá a nossa doutora, que fica tão bem com a sua capa e a sua pasta, beber até cair?”
E depois de ter ouvido o discurso vazio - e pouco elegante, aliás! - do dux, rex ou max, com mais palmas e assobios, Bárbara Wong termina dizendo: “Saio angustiada. São a geração mais bem preparada dizem os próprios depois de confessarem as bebedeiras e o que não aprenderam em três anos. O que farão? Quem os contratará? A direcção daquela escola, sentada na fila da frente, que elogiou a praxe porque precisa da associação de estudantes para se manter no poder, não se sente responsável pelos seus alunos? (…) A democratização do ensino chegou, é certo, 43 anos depois do 25 de Abril todos podem chegar ao doutoramento e ainda bem, mas, enquanto ninguém chamar a si a educação integral das crianças e dos jovens – convencido que está que a educação pertence às famílias e o ensino aos professores – continuaremos a fazer distinção entre aqueles que têm conhecimento e sabem estar e os que só sabem trajar. Ainda há muito a fazer e ninguém parece estar preocupado.”
Antonino Dias
30-06-2017


Já Pitágoras alertava: “Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens”. Por sua vez, Gianfranco Ravasi assegura que ”Num mundo cada vez mais grosseiro, saber comportar-se bem, educadamente e com sinceridade nas relações interpessoais é um valor a cultivar e a propor”. De facto, já não falta quem argumente sobre a necessidade urgente de se apostar muito mais na educação integral. Cresce o medo de uma sociedade selvagem e a resvalar para um certo masoquismo onde tudo dolorosamente se desculpa em nome da liberdade, da tolerância, da cultura e do respeito pelos que agem assim, não se importando estes de respeitar aqueles que acabam por ter de os aturar sofridamente. Será virtude? Parece-me, isso sim, uma grande sonsice. Sonsice de uns que, tendo tal dever, entendem que educar é com todos os outros menos com eles. Sonsice de outros que se julgam educados e com todos os direitos, mesmo quando, puxando por eles, estão a cair, orgulhosamente, no ridículo. Sonsice daqueles que afirmam que a educação de hoje está no top do mais que bom. Sonsice ainda de uma sociedade já indiferente a estes desmandos e que tende a assimilá-los como cultura a promover. A par, reconhecemos também a persistência na discriminação. Sim, se é um pobretana ou marginal qualquer a fazer determinada coisa, é logo apelidado de mal criado, sem educação, sem princípios, sem valores. Se é um menino de bem ou gente de curso superior ou de considerado adn, o que fez, precisamente igual ou pior do que fez o outro, é uma traquinice, uma brincadeira, uma coisa gira e a merecer aplausos.
Acredito que eu esteja a ficar cota, como falam por aí os civilizados do sistema. Talvez que sim. Se a velhice é um posto, já sou dum tempo perdido na lonjura dos tempos. Dum tempo em que, além do ensino, a maioria dos professores também educava pela sua maneira de estar, falar e se apresentar, como hoje, felizmente, ainda há quem o faça. Talvez por isso, e por mais esforço que me imponha, mesmo que respeite toda a gente, não sou capaz, por culpa minha com certeza, não duvido, mas não sou capaz de me inculturar a ver um professor de tatuagens, piercings, em moda de calças rotas ou caídas por rabo abaixo, a mascar chicletes, sempre pendurado no cigarro, e por aí fora… professores e afins, claro, pessoas com responsabilidades tais que deveriam conquistar e ter credibilidade educativa… Acredito que a misericórdia do leitor me perdoará esta minha inadaptação à modernidade destes mestres tão “fixes” e “porreirinhos”, como a malta soe dizer!
A propósito de coisas relacionadas com atitudes e comportamentos, Bárbara Wong, uma das pessoas que melhor conhece a realidade educativa em Portugal, escreveu, no dia 11 deste mês, no jornal Público, uma crónica interessante que aconselho a ler, e a que deu o título de “Entre o saber e o trajar”. A musa da crónica foi o que presenciou numa cerimónia de bênção das pastas a que foi assistir, o que, aliás, não está muito longe do que acontece em alguns casamentos e batizados. Crente ou não crente, não sei, Bárbara Wong esperaria, com certeza, embora em tom simples e festivo, um momento religioso, social, académico, solene, nobre. Não foi isso, porém, o que encontrou. Depois de ter introduzido o tema, escreve: “O padre entra no auditório ao som de um cântico religioso que o coro entoa e mal se ouve a última nota, a sala inteira bate palmas. Surpreende-me (…) As palmas vão continuar a ouvir-se durante toda a bênção, assim como assobios. E o sacerdote lá vai adaptando-se à plateia e pede-lhe para que se levante ou para que se sente nos momentos certos. Estranho é haver quem esteja ali trajado a preceito, com a pasta das fitas na mão e não se mexa do lugar, permanecendo sentado. Serão os contestatários? Os ateus? Os mata-frades? Mas foram obrigados a estar ali? Como farão no seu dia-a-dia, quando em termos profissionais tiverem de assistir a uma bênção de outra coisa qualquer? É que o que não falta são cerimónias do Estado laico que metem a Igreja à mistura. Vão permanecer sentados de pernas abertas com um ar displicente e com a mão no rabo da namorada, que está de pé?
Eles não sabem estar numa cerimónia religiosa porque ninguém os preparou para tal. As famílias também batem palmas, conversam ao telefone ou actualizam-se no Facebook enquanto o padre está lá em baixo a dizer umas coisas sobre o futuro, os valores, etc. E o barulho da sala não parece incomodar a direcção da escola nem os professores que ocupam as primeiras filas do auditório.”
Mas, segundo Bárbara, as coisas não ficaram por aí. Após esta cerimónia, os representantes dos finalistas de cada curso, usaram da palavra para dizerem o que disseram em relação aos professores. Estes, na primeira fila, “riem-se, desvalorizando a crítica implícita ao seu modo de ensinar.” “Elas contam aos pais, aos irmãos mais novos, aos tios e aos avós que beberam até cair, até não se lembrarem, até irem parar aos bombeiros ou ao hospital, até não saberem como conseguiram ir às aulas no dia seguinte ou o ano todo (…) Não sabem como passaram os três anos do curso (…) E os pais riem-se (…) então podia lá a nossa doutora, que fica tão bem com a sua capa e a sua pasta, beber até cair?”
E depois de ter ouvido o discurso vazio - e pouco elegante, aliás! - do dux, rex ou max, com mais palmas e assobios, Bárbara Wong termina dizendo: “Saio angustiada. São a geração mais bem preparada dizem os próprios depois de confessarem as bebedeiras e o que não aprenderam em três anos. O que farão? Quem os contratará? A direcção daquela escola, sentada na fila da frente, que elogiou a praxe porque precisa da associação de estudantes para se manter no poder, não se sente responsável pelos seus alunos? (…) A democratização do ensino chegou, é certo, 43 anos depois do 25 de Abril todos podem chegar ao doutoramento e ainda bem, mas, enquanto ninguém chamar a si a educação integral das crianças e dos jovens – convencido que está que a educação pertence às famílias e o ensino aos professores – continuaremos a fazer distinção entre aqueles que têm conhecimento e sabem estar e os que só sabem trajar. Ainda há muito a fazer e ninguém parece estar preocupado.”

D. Antonino Dias - Bispo de Portalegre Castelo Branco
30-06-2017

quinta-feira, 29 de junho de 2017

INFORMAÇÃO PAROQUIAL

No próximo dia 1 de Julho, sábado, decorre a Peregrinação Interparoquial ao Santuário de Fátima ( Arronches, Alegrete, Vale de Cavalos, Mosteiros, Esperança, Degolados e Reguengo),  solicitamos aos inscritos para antecipadamente se informarem do lugar e número do autocarro, de modo a evitar constrangimentos na altura da partida.

Informamos ainda que devem levar o necessário para alimentação ( almoço e lanche), usar calçado confortável, levar chapéu e não esquecer a água.

PARTIDAS NOS LOCAIS HABITUAIS:

ALEGRETE E DEGOLADOS: 7 :00H

ARRONCHES: 7:30H


10:00h -Via Sacra

12.00 h -Eucaristia na Igreja  de Santo Estevão -   Calvário Húngaro

13:00h - Almoço

Tempo Livre até 15h 45m

16:00h  Oração do terço

17:00h  Partida de regresso


Também dia 1 de Julho, sábado, o rancho realiza o seu habitual festival com a consagração dos estandartes na Eucaristia. Por este motivo a Eucaristia das 18:30h de sábado será celebrada na Igreja Matriz e não na Igreja de Nª Srª da Luz como é hábito.

Dia 2, domingo, o ofertório das eucaristias reverte a favor das vítimas dos incêndios através das Cáritas Diocesanas.




S. Pedro e S. Paulo, Apóstolos

https://www.youtube.com/watch?v=DQiYleymQoI

S. Pedro e S. Paulo, Apóstolos

Papa: O nosso inimigo é o pecado



Os 3 ensinamentos de São João Batista



Saber se dar, voltar à honestidade e não maltratar os mais fracos

São João Batista é um dos santos mais retratados na arte cristã. Reconhecê-lo é fácil: o profeta que se alimentava de gafanhotos e mel silvestre usa uma veste de pele de camelo e um cinto e está quase sempre junto a um cordeiro, imagem que evoca Jesus, o Cordeiro de Deus.

João, cujo nome significa “Deus é misericórdia”, é o último profeta do Antigo Testamento. A Igreja o homenageia tanto no dia do seu martírio (29 de agosto) quanto no do nascimento (24 de junho), data-marco dos seis meses que antecedem o nascimento de Jesus, segundo as palavras do Arcanjo Gabriel a Maria. São João Batista, junto com Jesus e Nossa Senhora, é o único santo a quem a Igreja celebra no dia do nascimento neste mundo, já que a tradição é celebrar os santos no dia do seu nascimento para a vida eterna.

João teria nascido em Ain Karim, cerca de sete quilômetros a oeste de Jerusalém, numa família sacerdotal: seu pai, Zacarias, era da classe de Abias, e sua mãe, Isabel, descendia de Aarão. “Chamar-se-á João”, afirmou seu pai.

No décimo quinto ano de Tibério (28-29 d.C.), iniciou a sua missão no rio Jordão: pregar e batizar. Daqui vem o nome “Batista”.

Quando batiza Jesus, João revela a identidade de Deus:


“Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira o pecado do mundo!”

Anuncia que Deus vem ao mundo como um frágil e bom cordeiro e que o Seu sacrifício salvará o homem da morte.


“Assim, pois, esta minha alegria se cumpre. É necessário que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3,29-30).

Morre decapitado por capricho de Salomé, a filha de Herodíades, amante do rei de Israel.

A vítima, porém, não encontra paz neste mundo nem sequer após a morte. Nos tempos do imperador Juliano, o Apóstata, em 361-362, seu sepulcro é profanado e queimado. Suas cinzas, segundo a tradição, estão na catedral de São Lorenço, em Gênova, para onde os cruzados as teriam levado em 1098.

O que São João Batista pode dizer hoje aos fiéis e aos que não creem?

1 – Ele ensina um verbo: dar.
É o verbo que esculpe um futuro novo. A nova lei de um mercado diferente e humano: em vez do acúmulo, a doação; em vez do desperdício, a sobriedade; em vez do sucesso a todo custo, dar espaço a Outro.

De si, ele oferece tudo: tempo, presença, dinheiro, afeto, correção, transparência. O Batista diz: “Quem tiver duas túnica reparta com quem não tem, e quem tiver alimentos faça o mesmo” (Lc 3,11). Um critério de justiça animado pela caridade.

Bento XVI afirmou:

“A justiça pede superar o desequilíbrio entre aqueles que têm o supérfluo e aqueles a quem falta o necessário. A caridade nos impele a estar atentos uns aos outros e a ir ao encontro das suas necessidades, em vez de procurar justificativas para defender os próprios interesses. Justiça e caridade não são opostas: ambas são necessárias e se completam. O amor será sempre necessário, mesmo na sociedade mais justa”, porque “sempre existirão situações de necessidade material nas quais é indispensável uma ajuda na linha do amor concreto para com o próximo” (encíclica Deus Caritas Est, 28).

2 – Ele nos ensina o retorno à honestidade

A volta à legalidade, começando por mim mesmo e pelos meus comportamentos mais simples: ser honesto mesmo nas pequenas coisas.

3 – O terceiro ensinamento é para aqueles que governam

Não maltratar e não extorquir nada de ninguém. Não se aproveitar do cargo para humilhar.

É sempre o mesmo princípio: primeiro as pessoas, depois a lei. Antes a misericórdia que a punição. E quando for preciso punir, fazê-lo com humanidade.
Padre Francesco Occhetta | Jun 23, 2017 em Aleteia

quarta-feira, 28 de junho de 2017

A sinfonia de Deus


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                                                                                                        «Faz-nos peregrinos

                                                                                                       que no visível escutam

                                                                                                        a secreta melodia do invisível.»

                                                                                                       Pe. José Tolentino Mendonça


Precisamos de caminhar. Precisamos, definitivamente, de ir. De ir em busca deste Deus que tem um idioma muito próprio.

Um Deus que tem um dialeto com uma pronúncia quase não notória.

Um Deus que tem uma linguagem silenciosa e quase discreta, onde apenas se revela na simplicidade daquilo que vemos.

Não é um Deus de grandes fachadas, nem de grandes palestras.

Não é um Deus mágico, nem cheio de importância.

É um verdadeiro maestro. O único que conseguiu fazer a mais bela das melodias da nossa vida.

Foi ele quem criou a sinfonia do amor. Uma sinfonia em silêncio maior.

Sim, um silêncio bem profundo. Bem inquietante e desafiante, mas Ele deixou tudo pautado. Tudo tem o seu compasso e a sua batida. Não há sustenidos que nos façam carregar no mute, nem que nos façam querer percorrer a escala da vida sozinhos.

É ele o maestro da vida. E a única vareta que ele tem não é para realizar ilusões, mas sim verdadeiras aparições.

É quando Ele aparece que o concerto da nossa vida se inicia. É aí mesmo que as cortinas se abrem para que tudo possa ser escutado. É a Sua palavra. É a Sua Boa Nova. É a Sua Boa Notícia que não passa despercebida nem ao mais descrente.

É quando Ele aparece que percebemos que caminhamos na direção certa.

É preciso peregrinar. É preciso caminhar na certeza de que o invisível será sempre fundamentado pela maior de todas as melodias.

O invisível estará sempre presente nas notas que este maestro coloca na partitura das nossas vidas.

Emanuel António Dias

http://www.imissio.net/artigos/49/367/a-sinfonia-de-deus/

terça-feira, 27 de junho de 2017

Somos quem somos, não importa onde estamos


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A identidade de cada um de nós depende do encontro constante do nosso íntimo com as suas circunstâncias. Mas também é verdade que as pessoas não mudam a sua essência de forma súbita, apesar do que possam prometer. Assim, uma mudança de ambiente não significa uma alteração no íntimo.

A educação e o meio onde crescemos são fatores que condicionam a construção de quem somos, mas não serão tão determinantes quanto se costuma julgar.

Alguém honesto não se torna desonesto apenas pelo convívio com gente menos virtuosa. Da mesma forma, uma pessoa deprimida não se animará apenas por estar rodeada de otimistas.

É estranho que haja quem considere e avalie os outros apenas pelas circunstâncias onde os encontra. Mais, há até quem faça encadeamentos estranhos tais como: se uma determinada pessoa é pobre, logo é triste e terá inveja de quem tem mais do que ela… Erros grosseiros que tantas vezes se têm como certezas convictas. Um vilão pode sorrir muito, mas não é por isso que deixa de ser quem é.

Há quem, sofrendo de alguma pobreza de espírito, se adapte de forma demasiado flexível ao meio em que se encontra, não por simpatia, mas antes por uma necessidade de se encontrar e sentir acolhido. Que tipo de amizades pode ter aquele cujo coração é tão fraco que muda de rumo em função dos ventos?

Há também os que não mudam consoante as estações, companhias ou ocasiões. Esses são fortes. Constroem-se de forma lenta, mas segura e sustentada. Todas as noites se renovam e todos os dias se fortalecem. São firmes porque sabem de onde vêm, quem são e quem querem ser… ou, pelo menos, quem não querem ser.

Cada um de nós é senhor do seu destino, por isso é responsável por aquilo que faz com o que lhe foi dado. Quem abdica da sua liberdade por causa de opiniões alheias faz-se escravo das aparências.

José Luís Nunes Martins

http://www.imissio.net/artigos/49/369/somos-quem-somos-nao-importa-onde-estamos/

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Quanto mais se cresce na fé, mais se cresce na humildade.





Ter fé é caminhar! Esta é a premissa para qualquer tipo de discussão acerca da religião, seja ela qual for.

Durante esta semana assisti, com tristeza, ao debate nas redes sociais do novo livro de D. Carlos Azevedo e do artigo de opinião do Pe. Anselmo Borges, acerca das aparições de Nossa Senhora em Fátima. Escrevo tristeza, porque para muitos católicos é um tema de certezas absolutas. Sejamos honestos! Se as aparições de Maria fossem tão absolutas, seriam dogmas de fé. Isto é: para sermos verdadeiramente cristãos católicos, não podíamos não acreditar nas aparições, tal como não podemos não acreditar na morte e ressurreição do Senhor. Podemos ter dúvidas em muitos momentos, daí o "caminhar na fé", mas a partir do momento em que não acreditamos, é vã a nossa fé.

Mas as aparições de Nossa Senhora, não são dogma de fé. Apesar de tudo isto, pessoalmente acredito na mensagem de Fátima, que resumo em duas palavras: Oração e Conversão.

O que é curioso é que nenhum dos autores põe em causa o fenómeno, mas apenas procuram, dentro dos seus limites pessoais, esclarecer o que de facto aconteceu em 1917. Mas logo, os ditos "conservadores das boas tradições", "esmagaram" com o seu "purismo" habitual estes dois cristãos... Entre cristãos católicos, isto inunda-me de tristeza... Como caminhamos para longe de Jerusalém como os discípulos de Emaús...

No entanto Francisco, na sua viagem ao Egipto, diz: "Deus aprecia apenas a fé professada com a vida, porque o único extremismo permitido nos crentes é aquele da caridade". Qualquer outra forma de extremismo não vem de Deus. É claro que o Papa refere-se ao contexto onde vive uma minoria de cristãos católicos que, juntamente com o Coptas Ortodoxos, têm sido perseguidos e alvo de atentados nos últimos tempos. Porém, esta mensagem pode e deve ser dirigida a todos nós que nos dizemos cristãos e católicos.

Este é o caminho apontado por Francisco: caridade e perdão. Uma fé preenchida pela caridade, torna-nos mais misericordiosos, mais honestos e mais humanos. Uma fé preenchida pelo perdão, leva-nos a amar gratuitamente e sem distinção ou preferências. Leva-nos a ver o outro jamais como inimigo, mas como irmão a amar, a respeitar e a servir. Só uma fé animada pela caridade e pelo perdão, ajuda-nos a viver uma cultura de encontro, de diálogo e de respeito.

No Air Defense Stadium, onde o Papa Francisco celebrou a única missa nesta viagem muito curta à capital egípcia, ficou bem claro para os pouco mais de 25 mil crentes presentes: "A fé verdadeira é aquela que nos conduz a proteger os direitos dos outros com a mesma força e o mesmo entusiamo com que defendemos os nossos. Na realidade, quanto mais se cresce na fé e no conhecimento, mais se cresce na humildade e na consciência de sermos pequenos".
Continuação de uma Santa Páscoa marcada pelo encontro.

Paulo Victória 2 de Maio 2017 em iMissio

domingo, 25 de junho de 2017

O Oleiro



Que nesta semana continuem usufruindo a graça de nos deixarmos modelar pelo amor do nosso Deus, para que no Seu tempo, vejamos a perfeição de Sua obra.

Não temais...


https://www.youtube.com/watch?v=C2JGDSU-e44



As leituras deste domingo põem em relevo a dificuldade em viver como discípulo, dando testemunho do projecto de Deus no mundo. Sugerem que a perseguição está sempre no horizonte do discípulo… Mas garantem também que a solicitude e o amor de Deus não abandonam o discípulo que dá testemunho da salvação.
A primeira leitura apresenta-nos o exemplo de um profeta do Antigo Testamento – Jeremias. É o paradigma do profeta sofredor, que experimenta a perseguição, a solidão, o abandono por causa da Palavra; no entanto, não deixa de confiar em Deus e de anunciar – com coerência e fidelidade – as propostas de Deus para os homens.
No Evangelho, é o próprio Jesus que, ao enviar os discípulos, os avisa para a inevitabilidade das perseguições e das incompreensões; mas acrescenta: “não temais”. Jesus garante aos seus a presença contínua, a solicitude e o amor de Deus, ao longo de toda a sua caminhada pelo mundo.
Na segunda leitura, Paulo demonstra aos cristãos de Roma como a fidelidade aos projectos de Deus gera vida e como uma vida organizada numa dinâmica de egoísmo e de autossuficiência gera morte.

No baptismo, fomos ungidos como “profetas”, à imagem de Cristo. Estamos conscientes dessa vocação a que Deus, a todos, nos convocou? Temos a noção de que somos a “boca” através da qual a Palavra de Deus ressoa no mundo e Se dirige aos homens?

Alguns acontecimentos que marcam o nosso tempo confirmam que uma história construída à margem de Deus e das suas propostas é uma história marcada pelo egoísmo, pela injustiça e, portanto, é uma história de sofrimento e de morte. Quando o homem deixa de dar ouvidos a Deus, dá ouvidos ao lucro fácil, destrói a natureza, explora os outros homens, torna-se injusto e prepotente, sacrifica em proveito próprio a vida dos seus irmãos. Qual o nosso papel de crentes neste processo? O que podemos fazer para que Deus volte a estar no centro da história e as suas propostas sejam acolhidas?

A Palavra de Deus que nos foi hoje proposta convida-nos também a fazer a descoberta desse Deus que tem um coração cheio de ternura, de bondade, de solicitude. Se nos entregarmos confiadamente nas mãos desse Deus, que é um pai que nos dá confiança e protecção e é uma mãe que nos dá amor e que nos pega ao colo quando temos dificuldade em caminhar, não teremos qualquer receio de enfrentar os homens.

extractos de  http://www.dehonianos.org/portal/liturgia/?mc_id=1455

sábado, 24 de junho de 2017

Jesus manso e humilde de coração!


Vinde a mim, todos vós que andais cansados e oprimidos…

Jesus manso e humilde de coração!
“Venham comigo, pois sou manso e humilde de coração!”
Junto dele, as coisas difíceis se tornam fáceis.
A mãe ou o pai que se levantam à noite para cuidar de uma criança que chora,
não sentem nenhum “gostinho”,
mas se levantam dispostos, de boa vontade, porque amam seu filho.
É este o descanso que Jesus nos promete, se o aceitamos como mestre,
se estamos dispostos a viver com ele uma vida motivada pelo amor.

Vinde a mim, todos vós que andais cansados e oprimidos…




Este é o convite que o Senhor nos faz hoje e sempre!

Celebrar a Solenidade do Coração de Jesus é celebrar este Deus que tem coração e nos fala ao coração. A Palavra de Deus que a liturgia nos propõe neste dia é uma palavra que nos fala de amor. E não podia ser de outra forma, porque Deus é Amor! Amar é a sua essência e é dele a iniciativa do amor. Ele não nos ama em retribuição do nosso amor, ama-nos mesmo que nós não O amemos, ama-nos apesar de nós, das nossas fragilidades, quedas e infidelidades.

Deus não nos ama nem nos escolhe porque somos santos e perfeitos, mas para nos oferecer a
possibilidade de tendermos a essa santidade e perfeição, de caminharmos continuamente rumo a esse ideal de amor e bondade que só em Deus podemos encontrar e que só Deus pode preencher em Plenitude.

A celebração da Solenidade do Coração de Jesus é ocasião privilegiada para contemplar este
Deus de Coração grande, que ama, acolhe e perdoa todos os seus filhos de todas as gerações. Ao ser amados assim, sem limites nem reservas, somos também chamados a entrar nesta dinâmica de amor, não de um amor feito de belas teorias e encantadoras ideias, mas de um amor que se realiza e concretiza em gestos e ações de um quotidiano vivido na solidariedade, na partilha e no encontro com irmãos e irmãs com quem nos cruzamos pelos caminhos da vida. Se o Senhor nos convida a encontrar nele o descanso e alívio para os nossos cansaços e dificuldades, também nos desafia a sermos, nós mesmos, porto seguro, alívio e amparo para os mais cansados, frágeis, marginalizados e vulneráveis da nossa Humanidade.

A Igreja compreendeu muito bem esta necessidade de estarmos atentos uns aos outros, especialmente aos desamparados e deserdados de sociedades tantas vezes baseadas em princípios e ideais pouco justos e pouco fraternos. A opção preferencial pelos pobres é um princípio basilar da Doutrina Social da Igreja e deve ter consequências práticas nas opções pastorais da Igreja. O nosso Fundador, Padre Leão Dehon, percebeu muito bem esta necessidade de estar aos lado dos mais pobres e carenciados do seu tempo, ao tomar a opção coerente de ir ao encontro dos operários explorados e despojados da sua dignidade ao trabalharem em condições desumanas, sem horários dignos, sem salários justos, sem direitos respeitados nem voz para os reivindicar. O Padre Dehon compreendeu que a devoção ao Coração de Jesus, para ser autêntica e coerente, não podia limitar-se a umas fórmulas de piedade, a belas orações, ladainhas, actos de oblação ou de desagravo. Todas essas fórmulas eram importantes, mas deviam ter correspondência na prática quotidiana: alguém que consagra a sua vida ao Coração de Jesus é, necessariamente, alguém que se consagra aos irmãos, dando particular atenção às periferias existenciais de cada tempo e de cada lugar. Só pode consagrarse ao Coração de Jesus alguém que queira abrir o seu coração a um amor desinteressado e sem limites aos irmãos, a exemplo de Cristo, que nos amou primeiro.

É precisamente isso que nos lembra o nosso Superior Geral na carta que enviou a toda a Família Dehoniana para esta Solenidade. Com o título “Dar de beber a quem tem sede, dar de comer a quem tem fome”, a mensagem do P. Heiner Wilmer e seu Conselho parte dos exemplos de Henry Dunant, fundador da Cruz Vermelha Internacional e primeiro Prémio Nobel da Paz, e do exemplo evangélico do Bom Samaritano. Estes exemplos, diz-nos o Superior Geral, devem servir de inspiração à nossa ação e dedicação aos que encontramos com fome e sede, não apenas fome e sede materiais, mas fome e sede de vida, de razões de viver, de razões para acreditar e confiar num futuro com sentido e horizonte. A exemplo de Dunant, do Bom Samaritano e de tantos missionários que nos precederam, devemos fazer-nos próximos dos pobres e carenciados do nosso mundo.

Que o Coração de Jesus nos ajude e inspire, para que sejamos homens e mulheres de coração, verdadeira Igreja em saída, qual hospital de campanha instalado nas periferias existenciais da nossa Humanidade.

José Agostinho Sousa
24-06-2017
  http://www.dehonianos.org/portal/vinde-a-mim-todos-vos-que-andais-cansados-e-oprimidos/

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Optimismo de bolso!



Para se viver num mundo distorcido como é o nosso é preciso ser-se genuinamente optimista. São mais as portas que se fecham na nossa cara do que aquelas que se abrem para nos deixar passar. São mais os gestos que insinuam desconfiança e dúvida do que aqueles que acolhem sem pensar duas vezes. São mais as vezes que a vida nos diz “eu bem te disse” do que as vezes que nos diz “afinal… tinhas, tu, razão”.

Para se viver num mundo pessimista como é o nosso é necessário ser-se verdadeiramente optimista. E como é que isso se consegue no meio do caos que nos desinstala diariamente? A verdade é que nem sempre se consegue e nem sempre é possível. Como alguém me dizia há dias, há vários tipos de optimismo. E há. Infelizmente, nem todos os optimismos são bons. Depende do eco que a palavra tem em nós e na vida que vivemos e, por outro lado, dependerá também do eco que o mesmo conceito terá nos outros.

Se estivermos a falar do optimismo cego, podemos estar perante um problema. Este optimismo é o de quem escolhe não ver. Não vê o que está errado e nem sequer o valoriza porque “é optimista” e está convencido que o está mal é meramente temporário. Claro que quem se instala nesta cegueira alegre acaba por ser um falso optimista. Se tudo estiver mal na vida de alguém, não lhe vamos dirigir consolo apropriado se lhe dissermos que está tudo bem ou que vai ficar tudo bem. Muitas vezes, a vida das pessoas não vai mesmo ficar bem. Vai ficar diferente por uns tempos. Vai ser difícil. Vai ficar diferente para sempre.

Podemos falar ainda do optimismo passageiro. É uma espécie de onda que nos acalma e motiva mas desaparece rapidamente perante um problema “a sério”. Podemos também chamar-lhe optimismo de conveniência. Por alguma razão, é-nos conveniente fazer um rascunho de optimismo e dar-lhe uma ou outra cor apressada para que o efeito se sinta rápida e eficazmente.

Estou tentada a dizer que nada disto é optimismo. Nada do que é instantâneo foi feito para durar. O que é feito para permanecer dá trabalho e gasta a pele ao coração. O optimismo é primo da alegria e é como uma peça de roupa que decidimos vestir. Um acessório que nos completa e melhora. O optimismo verdadeiro é o optimismo consciente. Aquele que observa o caos para lhe adivinhar uma réstia de ordem ou organização. Aquele que não se demite da responsabilidade dos riscos que corre. Aquele que guarda no bolso uma palavra de alento em vez de uma palmadinha nas costas.

O optimismo não é para qualquer um. É para os corajosos. Para todos aqueles que decidem atrever-se a ver (e fazer!) melhor. Mesmo quando tudo estiver virado do avesso.


Marta Arrais 14 de Junho 2017 em iMissio              

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Peditório Nacional para as vitimas dos incêndios





Peditório nacional no primeiro domingo de julho para as vítimas dos incêndios: “Pedimos a todas as comunidades cristãs, e a quem deseje associar-se, que além de outras iniciativas solidárias dediquem a oração, o sufrágio e o ofertório do primeiro domingo de julho a esta finalidade” (Conferência EPiscopal Portuguesa)


As pessoas que nos regam os sonhos


quarta-feira, 21 de junho de 2017

UNIDOS NA DOR E NA RECONSTRUÇÃO DO FUTURO


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“Mensagem da Conferência Episcopal Portuguesa
«Solidários com as vítimas dos incêndios»...


Reunidos em Fátima, nas Jornadas Pastorais e em Assembleia Plenária extraordinária, nós, os Bispos portugueses, acompanhamos com dor, preocupação solidária e oração a dramática situação dos incêndios que provocaram numerosas vítimas e que estão a causar enorme devastação no país.
Partilhamos, antes de mais, a dor dos que choram os seus familiares e amigos que perderam a vida, pedindo a Deus que os acolha junto de Si. Manifestamos igualmente o nosso reconhecimento e apoio aos bombeiros, às organizações de socorro e aos numerosos voluntários, nacionais e estrangeiros, que envidam todos os esforços para salvar vidas, minorar danos e evitar a perda de pessoas e de bens, mesmo à custa de canseiras e riscos pessoais.
Na sequência do que afirmámos na Nota Pastoral de 27 de abril de 2017 «Cuidar da casa comum – prevenir e evitar os incêndios», estamos conscientes da necessidade de medidas mais preventivas, concretas e concertadas sobre esta calamidade que todos os anos atinge o nosso país. Neste momento, porém, em cada uma das nossas Igrejas diocesanas, sentimo-nos próximos e comprometidos com a situação dramática dos que sofrem. A partir das nossas comunidades cristãs, das Cáritas Diocesanas e da Cáritas Portuguesa, e de outras instituições eclesiais, participamos no esforço de acudir às vítimas, providenciar meios de primeira necessidade e colaborar no ressurgir da esperança, da solidariedade e do alento para reconstruir a vida e o futuro.
Pedimos a todas as comunidades cristãs e a quem deseje associar-se que, além de outras iniciativas solidárias, dediquem a oração, o sufrágio e o ofertório do primeiro domingo de julho a esta finalidade e que enviem o produto desta recolha fraterna para a Cáritas Portuguesa [Conta Cáritas na CGD: 0001 200000 730 - IBAN: PT50 0035 0001 00200000 730 54], a fim de ser encaminhado com brevidade para aqueles que necessitam.
Fátima, 21 de junho de 2017”
+++++++
D. Antonino Dias - Bispo de Portalegre Castelo Branco
21-06-2017

Francisco: rezar o Terço traz paz à Igreja e ao mundo



"Rezando, nós levamos tudo a Deus: os cansaços, as feridas, os medos, mas também as alegrias, os dons, os entes queridos..."


O Terço é um instrumento poderoso que traz paz aos nossos corações, à Igreja e ao mundo. É o que afirma o Papa Francisco em uma vídeo mensagem enviada a Dom Mario Grech, Bispo da Diocese de Gozo, Malta, por ocasião da inauguração dos mosaicos do Santuário da Virgem de Ta Pinu. Os mosaicos são três, e representam a Virgem com o Menino, São João Batista e São Paulo. As três obras foram colocadas na entrada principal do Santuário e foram feitas pelo Centro Aletti.
Em um grande “abraço de mosaicos estão esperando por você Jesus e a sua Mãe”. O Papa Francisco descreve assim a obra inaugurada no Santuário da Virgem de Ta Pinu. Uma imagem que, sublinha, “põe diante dos nossos olhos a beleza de uma oração contemplativa simples, acessível a todos, jovens e idosos: a oração do Terço”:

Eu muitas vezes recito o Terço diante de um mosaico: um pequeno mosaico de Nossa Senhora com o Menino, onde parece que no centro está Maria, enquanto na verdade Ela, usando as suas mãos, torna-se uma espécie de escada através da qual Jesus pode descer até nós. O centro é sempre Jesus, que se abaixa para caminhar com nós homens, para que possamos subir ao céu com Ele”

Na oração do Terço, continua o Papa na vídeo mensagem, “nós nos dirigimos à Virgem Maria, para que nos conduza sempre mais perto do seu Filho, Jesus, para conhecê-Lo e amá-Lo sempre mais”. Observou ainda que, enquanto meditamos sobre as etapas da vida de Cristo nos detemos também sobre a nossa vida “porque nós caminhamos com o Senhor”. Esta simples oração, na verdade, “ajuda-nos a contemplar tudo o que Deus em seu amor fez por nós e pela nossa salvação, e faz-nos perceber que nossa vida está unida à vida de Cristo”:


“Rezando, nós levamos tudo a Deus: os cansaços, as feridas, os medos, mas também as alegrias, os dons, os entes queridos… tudo a Deus. Rezando, nós permitimos a Deus entrar em nosso tempo, acolher e transfigurar tudo o que vivemos. Usem frequentemente este instrumento poderoso que é a oração do Terço, porque traz a paz aos corações, às famílias, à Igreja e ao mundo”.

Publicado originalmente em:

terça-feira, 20 de junho de 2017

Um caminho que não é teu

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Um caminho que não é teu

Se estiveres a ir depressa demais, para. Senta-te à beira do caminho, daquele mesmo que até há instantes caminhaste, e sossega. Olha o pó que trazes nos sapatos, as bolhas que trazes nos pés e vê os passos que deste. Todas as vezes em que andaste mais depressa do que podias e todas as vezes em que te arrastaste apenas porque sim. Olha a marca que deixaste no chão por teres caído e olha o par de pegadas que desapareceu quando achavas não aguentar mais.

Para. Mas não desistas. Senta-te apenas por breves momentos para que esses não te custem a eternidade. Só podes continuar se fores verdadeiro contigo mesmo. Se for para ir sozinho, que seja.

Olha para o caminho que se segue. É longo e nada fácil. Ao fundo tens uma encruzilhada. Dois caminhos possíveis que se apresentam diante de ti. Ambos são possíveis, mas só um poderás percorrer.

Independentemente da dificuldade de cada um, opta.

Não optes nem pelo mais fácil nem pelo mais difícil. Opta por aquele que te fará feliz. Pensa nos outros, mas pensa também em ti.

Quando decidires, não tornes a pensar. Não dês espaço aos "ses" nem te lembres dos "mas". Avança! Avança sem desfalecer!

"Nenhum caminho será longo", nenhum caminho será breve, nenhum caminho será perfeito, mas todo o caminho será o teu. O caminho dos teus passos, dos teus avanços, das tuas quedas, das tuas dúvidas, das tuas feridas, das tuas certezas e das tuas mágoas. O caminho das tuas escolhas. O caminho da tua vida. O caminho que te diz respeito, mas que não te pertence. O caminho que percorres com os teus pés, mas não com a tua força.

E quando tornares a ir depressa demais, quando os teus passos se mostrarem sem sentido, quando sentires que tens de parar. Não pares.

Abre os braços. Acolhe a Vida.

Há sempre passos que te acompanham, pegadas que te seguem: um caminhar que se orienta ao ritmo de dois corações.

Rita Santos - 16 junho 2017 em iMissi


segunda-feira, 19 de junho de 2017

Deus será tudo em todos

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Deus será tudo em todos




«...o próprio Filho renderá homenagem àquele
que lhe sujeitou todas as coisas,
a fim de que Deus seja tudo em todos.»

1 Coríntios 15, 28



É esta a certeza da nossa fé. A certeza de que nada disto é em vão.
Um dia Deus será tudo em todos.
Um dia Deus será tudo em todos nessa eternidade que não sabemos explicar, mas que acreditamos que será a nossa humanidade elevada à plenitude.
Uma plenitude de felicidade por estarmos finalmente face a face com Aquele que é.
Com a certeza de que o Céu é já aqui, caminhamos no silêncio para este Abba que não nos nega a relação.
Uma relação que parte sempre da nossa liberdade.
Uma relação que nos leva ao encontro daquilo que poderemos vir a ser.
Uma relação que nos entrega ao amor pleno.
Só nesta relação de entrega total poderemos, um dia, vir a ser aquilo que realmente somos.
E quando assim for, aí sim, habitará Deus.
Habitará com o Seu Espírito Santo sem precisar de línguas de fogo.
Habitará a sua presença ardente e, esse sim, será o único fogo que veremos reluzir.
O fogo do amor e da misericórdia eterna que servirá unicamente para purificar.

Um dia Deus será tudo em todos, mas pode habitar já hoje.
Não esperemos que o Céu seja além. Não esperemos que Ele surja no "final" do nosso tempo.
Façamos com que Ele habite agora e aí teremos o verdadeiro encontro com a nossa humanidade.
Façamos com que Ele habite agora para que as nossas relações sejam reflexo verdadeiro da Sua presença.

Emanuel António Dias -   16 junho 2017 em iMissio

domingo, 18 de junho de 2017

Rezemos pelas vitimas do incendio

"Há tempo de plantar e tempo de colher"





Desejamos que na sua vida e da sua família os frutos do Espírito continuem a ser sempre abundantes...

Deem grátis o que grátis receberam!



Jesus enviou seus discípulos a pregar o Reino de Deus e lhes concedeu o poder de fazer milagres. E, com uma comparação, explicamos a finalidade dos milagres: quando plantamos uma árvore, regamos com frequência para que pegue, vingue. Quando já crescida, não precisa de muito cuidado, já tem condições de se manter.
Assim a graça de Deus no coração do ser humano. Quando adquire raízes se desenvolve, produz frutos e frutos em abundância.

sábado, 17 de junho de 2017

Ultreia Diocesana em Castelo Branco






A Ultreia Diocesana realizar-se-á no dia 25 de junho na Escola Preparatória Afonso de Paiva, Castelo Branco, onde também será servido o almoço com um custo 6 euros.
As inscrições devem ser feitas nos diversos núcleos, que elaborará a lista dos participantes e receberá também o dinheiro. No dia da ultreia (de manhã) serão entregues as senhas para o almoço, ao responsável pelo núcleo ou a quem ele indicar. Deverá também trazer a lista das pessoas inscritas que depois distribuirá as senhas pelas pessoas do seu núcleo. Deverão indicar o número de participantes a Castelo Branco uns 4 ou 5 dias antes.



Programa da Ultreia:

10h00 ------- Acolhimento
10h30 ------- Oração
10h45 ------- “A Actualidade da Mensagem de Fátima”
Tema apresentado pelo Dr. Jacinto Faria
11h45 -------- Debate
12h15 -------- Breve Intervalo
12h30 -------- Almoço
14h30 -------- Apontamento Musical
15h00 -------- Projecção sobre Ultreia Mundial
15h30 -------- Ultreia
17h00 --------- Encerramento
18h00 --------- Eucaristia na Sé

Lucília Miguéns

A MISSÃO



Neste domingo, a Palavra que vamos reflectir recorda-nos a presença constante de Deus no mundo e a vontade que Ele tem de oferecer aos homens, a cada passo, a sua vida e a sua salvação. No entanto, a intervenção de Deus na história humana concretiza-se através daqueles que Ele chama e envia, para serem sinais vivos do seu amor e testemunhas da sua bondade.
A primeira leitura apresenta-nos o Deus da “aliança”, que elege um Povo para com ele estabelecer laços de comunhão e de familiaridade; a esse Povo, Jahwéh confia uma missão sacerdotal: Israel deve ser o Povo reservado para o serviço de Jahwéh, isto é, para ser um sinal de Deus no meio das outras nações.
O Evangelho traz-nos o “discurso da missão”. Nele, Mateus apresenta uma catequese sobre a escolha, o chamamento e o envio de “doze” discípulos (que representam a totalidade do Povo de Deus) a anunciar o “Reino”. Esses “doze” serão os continuadores da missão de Jesus e deverão levar a proposta de salvação e de libertação que Deus fez aos homens em Jesus, a toda a terra.
A segunda leitura sugere que a comunidade dos discípulos é fundamentalmente uma comunidade de pessoas a quem Deus ama. A sua missão no mundo é dar testemunho do amor de Deus pelos homens – um amor eterno, inquebrável, gratuito e absolutamente único.

O Povo que aceita o compromisso com Deus e que “embarca” na aventura da “aliança” é um Povo que é propriedade de Deus, que aceita ficar ao serviço de Deus. A sua missão é testemunhar o projecto salvador de Deus diante de todos os povos da terra. Tenho consciência de que, no dia do meu baptismo, eu entrei na comunidade do Povo de Deus e assumi o compromisso de testemunhar Deus e o seu projecto de salvação diante do mundo? A minha vida tem sido coerente com esta opção? Tenho sido um sinal vivo do amor e da bondade de Deus diante dos homens e mulheres com quem me cruzo todos os dias?

O amor de Deus é universal. Não marginaliza nem discrimina ninguém, não distingue entre amigos e inimigos, não condena irremediavelmente os que falharam nem os afasta do convívio de Deus. Nós, discípulos de Jesus, somos testemunhas deste amor? Como é que tratamos e acolhemos aqueles que não concordam connosco, que assumem atitudes problemáticas, que fracassaram no seu casamento, que têm comportamentos considerados social ou religiosamente incorrectos?
As obras que eu realizo são verdadeiramente um anúncio do mundo novo que está para chegar? Eu procuro transmitir alegria, coragem e esperança àqueles que vivem imersos no abatimento, na frustração, no desespero? Eu procuro ser um sinal do amor e da ternura de Deus para aqueles que vivem sozinhos, abandonados, marginalizados?

• O nosso serviço ao “Reino” é um serviço totalmente gratuito, ou é um serviço que serve para promover os nossos interesses, a nossa pessoa, os nossos esquemas de realização pessoal?

Uma abundante seara e tão poucos trabalhadores! O desemprego não existe no campo missionário, são os trabalhadores que faltam! Porém, Jesus não se cansa de chamar!

Então? Estás à espera de quê? Não falta talvez consistência e audácia à nossa fé para ousarmos arriscar este género de trabalho cujos produtos não virão aumentar as nossas contas no banco? E se este convite te disser pessoalmente respeito? Que respondes?

sexta-feira, 16 de junho de 2017

CONVERSA NECESSÁRIA … TALVEZ INCÓMODA!

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Tendo amado os Seus, o Senhor amou-os até ao fim. E sabendo que era chegada a hora de partir deste mundo para o Pai, no decorrer duma refeição, lavou-lhes os pés e deu-lhes o mandamento do amor. Ao mesmo tempo, instituiu a Eucaristia como memorial da Sua morte e da Sua ressurreição, e ordenou aos seus Apóstolos que a celebrassem até que Ele voltasse (cf. CIgC 1337). Desde o princípio, a Igreja jamais deixou de ser fiel a esta ordem do Senhor. E sempre o fez no primeiro dia da semana, o dia em que Jesus ressuscitou dos mortos, apareceu a muitos e cumpriu a promessa de enviar o Espírito Santo. Assim, como escreve São Lucas, os primeiros cristãos eram assíduos ao ensinamento dos Apóstolos, à união fraterna, à fração do pão e às orações em comum, como se tivessem uma só alma (cf. At 2, 42-46). Também, desde os primeiros tempos da Igreja, temos imensos testemunhos a dar-nos conta da centralidade da Eucaristia no pensamento e na vida das primeiras comunidades e de cada cristão.
A Eucaristia manifesta, na comunidade, o compromisso com a encarnação e a morte de Jesus. Como afirma Bento XVI, “do dom de amor de Cristo provém a nossa especial responsabilidade de cristãos na construção de uma sociedade solidária, justa e fraterna. Especialmente no nosso tempo, em que a globalização nos torna cada vez mais dependentes uns dos outros, o Cristianismo pode e deve fazer com que esta unidade não se edifique sem Deus, ou seja, sem o verdadeiro Amor, o que daria espaço à confusão, ao individualismo e à prepotência de todos contra todos. O Evangelho visa desde sempre a unidade da família humana, uma unidade não imposta do alto, nem por interesses ideológicos ou económicos, mas sim a partir do sentido da responsabilidade recíproca, porque nos reconhecemos membros de um único corpo, do Corpo de Cristo, porque aprendemos e continuamos a aprender constantemente do Sacramento do Altar, que a partilha, o amor é o caminho da verdadeira justiça (Bento XVI, C. de Deus, 2011).
Temos falado muitas vezes da riqueza inesgotável da Eucaristia como fonte e centro de toda a vida cristã. Hoje, porém, ainda a saborearmos a Solenidade do Corpo de Deus, vou falar noutra direção, talvez sendo incómodo para quem optou, não por viver como acredita mas por acreditar como vive, o que, entendemos, não deve ser a melhor opção. São João Paulo II, ensinou que “a Eucaristia, qual mesa do Pão do Senhor, é um contínuo convite, como resulta do sinal litúrgico do celebrante no momento do “Eis o Cordeiro de Deus! Felizes os convidados para a Ceia do Senhor”. No entanto, alerta a todos para “aquele bem que é a sensibilidade de consciência cristã, dirigida unicamente pelo respeito a Cristo que, ao ser recebido na Eucaristia, deve encontrar no coração de cada um de nós uma morada digna. Este problema está intimamente ligado, não só com a prática do Sacramento da Penitência, mas também com um reto sentido de responsabilidade perante o depósito de toda a doutrina moral e perante a distinção precisa entre bem e mal, a qual se torna em seguida, para cada um dos participantes na Eucaristia, base do correto juízo de si mesmo no íntimo da própria consciência” (Dominicae Cenae,11). São Paulo, por sua vez, exorta a um exame de consciência, como preparação para alguém se aproximar da Comunhão Eucarística ou dela se abster: “Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpado de pecar contra o Corpo e o Sangue do Senhor. Examine-se, pois, cada um a si mesmo e então coma do pão e beba do cálice. Pois quem come e bebe sem discernir o Corpo do Senhor come e bebe a sua própria condenação” (1Cor 11, 27-29).
Sabemos que Deus é infinitamente misericordioso, sim, mas não podemos esconder-nos por detrás da misericórdia de Deus para nos dispensarmos de acolher e cumprir a Sua Palavra e o que a Igreja nos ensina. Com certa apreensão, porém, vamos percebendo que, sobretudo quando se vive a fé de uma forma muito irregular ou por conta própria, se resvala facilmente para entender o simples desejo de comungar sacramentalmente como forte motivo para realmente o fazer, reivindicando-o como se de um direito se tratasse, quer para expressar a pertença à comunidade, quer por razões de afirmação pessoal, quer por outras razões muito próprias e subjetivas.
Toda a ordem sacramental é obra da misericórdia divina, mas o princípio da misericórdia, se mal-entendido, pode levar-nos a querer manipular a autêntica misericórdia, a banalizar a própria imagem de Deus e a querer justificar a nossa própria indiferença para com Deus e os outros. De facto, como escreve o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, temos de ter em conta que, “para além da misericórdia, também a santidade e a justiça pertencem ao mistério de Deus. Se ocultarmos estes atributos divinos e banalizarmos a realidade do pecado, não faz qualquer sentido mediar a misericórdia de Deus às pessoas” (cf. G-LM, A esperança da família, pgs 28-30). Por isso, nunca é demais fazer o apelo à boa catequese sobre a Eucaristia, à responsabilidade individual, familiar e comunitária, à verdadeira formação da consciência, à frequência do Sacramento da Penitência ou Confissão, à fidelidade aos princípios da doutrina cristã e ao discernimento das situações tal como no-lo propõe o Papa Francisco.

Antonino Dias - Bispo de Portalegre Castelo Branco
16-06-2017

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Faleceu frei Francolino Gonçalves, biblista português

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LFS/AEReligioso integrava Pontifícia Comissão Bíblica, do Vaticano (Ecclesia) - O religioso dominicano português Francolino Gonçalves, especialista no estudo da Bíblia, faleceu hoje em Jerusalém, aos 74 anos de idade, anunciou a Associação Bíblica Portuguesa.


O “ilustre biblista”, refere o comunicado enviado à Agência ECCLESIA, era membro da Pontifícia Comissão Bíblica, da Santa Sé, professor da Escola Bíblica de Jerusalém e membro da Associação Bíblica Portuguesa.
“A Associação Bíblica Portuguesa pede aos seus associados «a oração da comunhão dos santos e aos membros sacerdotes que o tenham presente nas intenções eucarísticas, para que, depois de tantos anos dedicados à Palavra de Deus, possa agora passar da fadiga da procura e do estudo à alegria da contemplação»”, acrescenta a nota oficial assinada pelo padre Mário Sousa, presidente da Associação.
Frei Francolino Gonçalves, investigador da Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém, tinha sido reconduzido pelo Papa Francisco em 2014 como membro da Comissão Bíblica Pontifícia, um cargo que ocupava desde 2009, por nomeação de Bento XVI.
O sacerdote nasceu em Corujas, Macedo de Cavaleiros, em março de 1943; foi ordenado sacerdote em novembro de 1968, na cidade canadiana de Montreal.
O percurso académico do religioso português, no estudo das Escrituras, passou pela Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém (onde foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian), pelo Instituto Orientalista de Lovaina (Bélgica) e pela Universidade Dominicana de Filosofia e Teologia de Ottawa (Canadá).
Frei Francolino Gonçalves era doutor em filologia e história orientais pela Universidade Católica de Lovaina e em Letras (História da Antiguidade) pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Os seus principais centros de interesse foram a dimensão política do profetismo no Próximo Oriente Antigo e a história da formação dos livros proféticos da Bíblia, em especial Isaías e Jeremias.
Em 2011 foi distinguido por unanimidade com o prémio da Academia Pedro Hispano.
Para o júri do prémio, frei Francolino Gonçalves é "um caso raro e incontornável” da cultura portuguesa nos séculos XX/XXI.
As investigações deste especialista “levaram-no a levantar novas hipóteses e perspetivas que alteram profundamente a compreensão das religiões da Bíblia”.
OC

Solenidade de Corpus Christi e Primeira Comunhão

Hoje foi dia de festa na nossa comunidade, celebramos a Solenidade  de Corpo e Sangue de Cristo e os catequisandos do 3ºano receberam pela primeira vez Jesus Eucarístico


A história de Corpus Christi remete - nos  ao século XIII. A igreja católica viu a necessidade de realçar a presença do "Cristo todo" no pão.
A Eucaristia é um dos 7 sacramentos da igreja. Foi instaurado na Última Ceia quando Jesus disse ao seus discípulos:" Este é o meu corpo (pão), isto é meu sangue (vinho), fazei isto em memória de mim."
Corpus Christi é celebrado sempre numa quinta-feira, remetendo à quinta-feira santa quando a Última Ceia foi celebrada.

Corpus Christi, em latim significa Corpo de Cristo. Trata -sede uma festa e feriado católico e baseado em tradições dessa crença. A data é comemorada sempre na quinta feira após o segundo domingo em  que é comemorado Pentecostes. Tratada como feriado nacional desde 1961, o dia é celebrado com missas festivas e as ruas, em muitos lugares, são enfeitadas por tapetes feitos de areia, flores, entre outros materiais, para a passagem da procissão que é conduzida pelo bispo ou pároco da igreja. A procissão traz no seu significado a caminhada do povo de Deus em busca da Terra Prometida. O Antigo Testamento diz que o povo peregrino foi alimentado com maná no deserto. Com a instituição da Eucaristia, o povo é alimentado, simbolicamente, com o próprio Corpo de Cristo.

A primeira comunhão é um momento especial e inesquecível na vida de todas as crianças. Em Portugal, a catequese ocorre normalmente num período de três anos, no qual as crianças, com idade média de 8 a 10 anos, são preparadas para receber Jesus eucarístico, recebendo ensinamentos religiosos formais e também participando da vivência cristã da Igreja.

Os jovens aprendem os valores religiosos e quando chega ao dia da primeira comunhão, para eles, é a coroação de todo esse processo de aproximação de Deus, através do desabrochar de sua religiosidade. Assim,  esses jovens por terem perseverado até este momento, pelo encontro com Jesus, os pais e padrinhos, devem incentivá-los a permanecerem no caminho até agora trilhado, o caminho de Deus, longe das terríveis tentações que o mundo está oferecendo aos jovens de hoje.
Devem lembrar-se sempre de todos os ensinamentos que aprenderam no catecismo e levá-los para a suas vidas.
Que a alegria deste momento aqueça os seus corações e lhes traga o amor de Deus, a comunhão e a paz sejam abundantes, não apenas hoje, mas todos os dias.