domingo, 30 de abril de 2023
Oração do terço
Há muito que os católicos elegeram o Terço como a oração de devoção e intercessão a Nossa Senhora. É também uma forma de responder ao pedido que a Mãe de Deus e nossa Mãe fez há mais de cem anos, na Cova da Iria, em Fátima, aos três pastorinhos: “rezem o Terço todos os dias para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra”. Um pedido que se mantém atual e que ganha força perante os conflitos armados a que assistimos um pouco por todo o mundo, nomeadamente na Ucrânia e em vários pontos de África.
Aproxima-se maio, mês das mães e da Mãe de todas as mães, Maria. O Papa Francisco, à semelhança de João Paulo II e Bento XVI, tem implorado para que rezemos o Terço pela paz, todos os dias, em especial durante o mês de maio. Diz o Santo Padre que “o Terço é um instrumento poderoso que traz paz aos nossos corações, às famílias, à Igreja e ao mundo”. Todos os anos, Francisco reforça a importância de rezarmos o Terço em família ou em comunidade, no mês de maio, e sublinha que “sozinho ou em comunidade, o importante é rezar com simplicidade”.
Rezemos Juntos!
https://redemundialdeoracaodopapa.pt/
DOMINGO DO BOM PASTOR
O Evangelho apresenta Cristo como "o Pastor", cuja missão é libertar o rebanho de Deus do domínio da escravidão e levá-lo ao encontro das pastagens verdejantes onde há vida em plenitude (ao contrário dos falsos pastores, cujo objectivo é só aproveitar-se do rebanho em benefício próprio). Jesus vai cumprir com amor essa missão, no respeito absoluto pela identidade, individualidade e liberdade das ovelhas.
A segunda leitura apresenta-nos também Cristo como "o Pastor" que guarda e conduz as suas ovelhas. O catequista que escreve este texto insiste, sobretudo, em que os crentes devem seguir esse "Pastor". No contexto concreto em que a leitura nos coloca, seguir "o Pastor" é responder à injustiça com o amor, ao mal com o bem.
A primeira leitura traça, de forma bastante completa, o percurso que Cristo, "o Pastor", desafia os homens a percorrer: é preciso converter-se (isto é, deixar os esquemas de escravidão), ser baptizado (isto é, aderir a Jesus e segui-l'O) e receber o Espírito Santo (acolher no coração a vida de Deus e deixar-se recriar, vivificar e transformar por ela).
Perante a interpelação que Deus faz, por intermédio de Pedro, os membros da comunidade judaica perguntam: "que havemos de fazer, irmãos?" É a atitude de quem toma, bruscamente, consciência dos caminhos errados que tem trilhado, percebe o sem sentido de certas opções, comportamentos e valores, aceita questionar as suas certezas e seguranças, para aceitar os desafios de Deus. Trata-se de uma atitude corajosa: é mais fácil continuar comodamente instalado na sua auto-suficiência, do que "dar o braço a torcer" e reconhecer, com humildade, a necessidade de eliminar os preconceitos, de refazer os esquemas mentais, de admitir as falhas, os limites, as incoerências. Aceito questionar-me, estou disposto a admitir os meus limites, procuro humildemente o caminho certo, ou sou daqueles que nunca me engano e raramente tenho dúvidas?
Chamados a ser a fazer... Alguns escolheram o seu estado de vida, outros não escolheram, mas procuram assumi-lo: pensemos nas pessoas viúvas, dicorciadas, celibatárias. A Igreja enriquece-se com esta variedade de estados de vida: vida consagrada na vida religiosa ou num instituto secular, vida conjugal, celibato. Todos somos chamados a tornarmo-nos em cada dia um pouco mais santos. Tal é a nossa vocação comum a todos. A Igreja cumpre a sua missão graças àqueles que asseguram um serviço. Há o ministério ordenado (padres ou diáconos), o serviço do anúncio da Boa Nova para lá de todas as fronteiras (missionários) e todos os serviços prestados pelos leigos nos domínios da catequese, da liturgia, da acção caritativa, do testemunho. Nem todos somos chamados a ser padres, diáconos ou missionários. Mas somos todos chamados a servir no mundo e na Igreja!
sábado, 29 de abril de 2023
A vida não se controla
A vida não se controla. Ela não pode ser planificada do princípio ao fim, porque o imprevisível é o lugar onde Deus age.
Eu sei, quando a vida se descontrola, a nossa primeira reação é tentar retomar o controle. Mas muitas vezes, precisamos apenas aceitar e confiar no que está além do nosso alcance.
Mas, aprender a abrir mão do controle é uma das grandes lições da vida. Não é fácil, mas é necessário para que possamos crescer em sabedoria e humildade. Pois, quando pensamos que controlamos tudo, é fácil cairmos na armadilha da arrogância e do orgulho. Precisamos lembrar que somos limitados e que precisamos da ajuda de Deus e dos outros para seguir em frente.
A tentação da autossuficiência é uma das mais perigosas que enfrentamos.
O controle é uma ilusão que nos afasta da realidade e nos impede de viver plenamente. Precisamos aprender a deixar ir e confiar no que está por vir.
Queridos irmãos e irmãs, a vida é uma constante mudança e não podemos controlar todas as variáveis. O que podemos fazer é estar abertos ao que a vida nos traz, e confiar que Deus está sempre conosco.
| Cardeal D. José Tolentino Mendonça

30 de abril | Dia Mundial de Oração pelas Vocações
"Vocação: graça e missão" é o tema proposto pelo Papa, este ano, para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que se celebra no próximo domingo, 30 de abril. Para o Santo Padre, esta é "uma preciosa ocasião para redescobrir, maravilhados, que o chamamento do Senhor é graça, dom gratuito e, ao mesmo tempo, é empenho de partir, sair para levar o Evangelho".
Na Mensagem para este dia, Francisco assinala que o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, instituído por São Paulo VI, em 1964, durante o Concílio Ecuménico Vaticano II, é uma “providencial iniciativa para ajudar os membros do Povo de Deus a responder, pessoalmente e em comunidade, ao chamamento e à missão que o Senhor confia a cada um no mundo de hoje, com as suas feridas e as suas esperanças, os seus desafios e as suas conquistas".
No texto, o Papa recorda o dia em que entrou numa Igreja e se confessou, “aquele dia que mudou a sua vida, dando-lhe uma fisionomia que dura até hoje”. Francisco menciona que “no decurso da nossa vida, este chamamento inscrito nas fibras do nosso ser e portador do segredo da felicidade, alcança-nos, pela ação do Espírito Santo, de maneira sempre nova, ilumina a nossa inteligência, infunde vigor na vontade, enche-nos de admiração e faz arder o nosso coração. Às vezes irrompe até de forma inesperada".
Semente divina que germina
Segundo o Papa, "a vocação é uma combinação entre a escolha divina e a liberdade humana, uma relação dinâmica e estimulante que tem como interlocutores Deus e o coração humano”. Ou seja, o dom da vocação é como uma semente divina que germina no terreno da nossa vida, abre-nos a Deus e abre-nos aos outros para partilhar com eles o tesouro encontrado.
Mas, alerta: "o chamamento de Deus inclui o envio. Não há vocação sem missão. E não há felicidade e plena autorrealização sem oferecer aos outros a vida nova que encontramos. O chamamento divino ao amor é uma experiência que não se pode calar".
De acordo com o Papa, a missão comum a todos nós, cristãos, é testemunhar com alegria, em cada situação, por atitudes e palavras, aquilo que experimentamos estando com Jesus e na sua comunidade, que é a Igreja. E traduz-se em obras de misericórdia materiais e espirituais, num estilo de vida acolhedor e sereno, capaz de proximidade, compaixão e ternura, em contracorrente à cultura do descarte e da indiferença.
Partir apressadamente e com coração ardente para a JMJ Lisboa 2023
Tendo como referência evangélica os discípulos de Emaús, o Santo Padre afirma que podemos ver neles o que significa ter corações ardentes e pés a caminho, exatamente o que Francisco deseja para a próxima Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa, que tem como lema: “Maria levantou-se e partiu apressadamente”. “Que cada um e cada uma se sinta chamado a levantar-se e partir apressadamente, com coração ardente!”, escreve Francisco na Mensagem.
O Papa ressalta ainda que "a vocação é dom e tarefa, fonte de vida nova e de verdadeira alegria” e espera que “as iniciativas de oração e animação pastoral ligadas a este Dia Mundial de Oração pelas Vocações reforcem a sensibilidade vocacional nas nossas famílias, nas paróquias, nas comunidades de vida consagrada, nas associações e nos movimentos eclesiais".
sexta-feira, 28 de abril de 2023
A VOCAÇÃO É TANTO DE DEUS COMO DA PESSOA
Limitado, mas com aspirações infinitas, o ser humano é, por sua natureza, um ser religioso, coisa que nos faz acreditar que o ateísmo não é conatural ao homem. Os tempos que vivemos são, aliás, uns tempos de intensa busca espiritual e religiosa. De uma forma ou de outra, com certeza que sempre o foram! As motivações e os caminhos a seguir nessa procura é que nem sempre terão sido ou serão os mais acertados. Afirmando não sentir qualquer necessidade de Deus, há quem busque e cultive uma certa religiosidade, ao seu jeito, ao seu gosto, à la carte. Esta religiosidade sem Deus, porém, é classificada como uma religiosidade sem rosto, sem nome, politeísta, intimista, neutra, multiforme, new age... Por mais que se defenda e cultive, é incapaz de responder às mais profundas aspirações do coração humano, o qual não se satisfaz com ilusões ou tralha equivalente. No entanto, esta metamorfose cultural, promovida e construída à margem do Deus único, vai-se alastrando e gera consequências. Por um lado, se tem muita dificuldade em entender a vida como um dom recebido - da qual somos meros administradores e não donos! -, mais dificuldade tem em entender o critério evangélico de perder a vida para a ganhar. Por outro lado, por maior que seja o progresso e o avanço das ciências e da técnica, do conforto e do bem-estar, apesar de tudo isso, continuamos a verificar que o homem, mesmo que se endeuse, se manifeste inteligente, criativo, forte e capaz de tudo, não deixa de se interrogar constantemente sobre os enigmas da condição humana, sobre quem é e qual o sentido e a finalidade da sua vida, do sofrimento e da morte, sobre qual o caminho para alcançar a felicidade verdadeira e qual o fim da sua existência (cf.NA1). Nestas indagações em busca de significado, o homem, ora se coloca em bicos de pés e se constitui em norma absoluta, ora se rebaixa até à desesperação. No fundo desta persistência em continuamente se perguntar, estão, com toda a certeza, os gérmenes de divino e de eternidade que nele existem e o fazem aspirar às alturas: “fizeste-nos para ti, Senhor, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em ti”, rezava Santo Agostinho. De facto, sendo mistério incompreensível para si próprio, o homem não desiste de se ler, dizer e desvendar. Nesta sua tarefa sem fim, não devia esquecer que vem da Trindade e se encaminha para a Trindade. E tudo quanto queira e possa perguntar, com humildade e verdade, só lhe pode ser esclarecido pela Revelação de Deus em Jesus Cristo. Só a Revelação pode dar “uma resposta que defina a verdadeira condição do homem, explique as suas fraquezas, ao mesmo tempo que permita conhecer com exatidão a sua dignidade e vocação”. Só em Cristo e por Cristo se esclarecem os mistérios da condição humana, só Cristo revela o homem ao próprio homem (cf. GS22). A razão mais sublime da dignidade do homem consiste na sua vocação à união com Deus. Desde o começo da sua existência, o homem é convidado a dialogar com Deus. Se existe, é porque Deus o criou por amor. Se subsiste, é porque Deus, por amor, o sustenta. Se vive plenamente segundo a verdade, é porque reconhece livremente esse amor e a ele se entrega (cf. GS19).
Nesta iniciativa Mundial de Oração pelas Vocações, sabemos que há muita gente, incluindo muitos jovens, “animados pela busca sincera de uma autêntica espiritualidade e pela procura do sentido para as suas vidas, estão abertos a Deus enquanto sentido último das suas existências, promovem em si mesmos e à sua volta atitudes de confiança, otimismo e esperança, empenham-se corajosamente nas questões sociais, lutam por uma nova sociedade mais humana, mais fraterna e mais solidária, entregam-se generosamente em ações de voluntariado”, procuram descobrir, numa verdadeira atitude de responsabilidade, qual a sua missão neste mundo, qual o sentido da sua vida e do seu lugar na história, qual a sua vocação dentro de um projeto belo que os realize “nas suas mais profundas aspirações: no dom de si, na relação com os outros, na transformação da sociedade e do mundo, segundo o projeto salvífico de Deus”.
A vocação é um acontecimento ‘misterioso’, não nasce connosco, não depende apenas de nós, acontece no tempo, é algo de novo na história de cada um, surge a partir da realidade existencial de cada pessoa e cada pessoa deve assumir e viver, de forma ativa e responsável, esse processo. E assim, lendo com novos olhos os acontecimentos da própria vida, aos quais Deus ilumina e dá a clareza possível, a vocação é recebida e gradualmente aceite. Esta descoberta vocacional não depende de “uma análise lógica quanto aos pontos favoráveis e desfavoráveis em ordem à resposta a dar. Para um cristão, a voz que chama, abrangendo toda a sua personalidade e vida, é a voz de Deus que lhe fala no horizonte de uma relação de intimidade. As situações históricas e sociais e as inclinações pessoais, podem influenciar, mas no horizonte da relação com Deus, essas realidades encontram n’Ele a sua referência última e aparecem como sinais e mediações através das quais Deus manifesta o seu chamamento. Viver uma vocação e entregar-se a ela exige assumir e aceitar uma missão no meio do mundo, com Deus e a comunidade. A vocação é tanto de Deus como da pessoa, é de ordem sobrenatural e humana. Deus toma a iniciativa, é certo, mas conta com a liberdade e a vontade do homem. É uma convocatória pessoal na qual a pessoa tem um papel importante a desempenhar na resposta a este apelo de Deus (cf. CEP, RF e BPV). E Deus que chama a uma vocação, continua a chamar dentro dessa vocação, seja no matrimónio, na vida consagrada, no ministério ordenado, na vida missionária, na caminhada em direção à santidade, no viver com dignidade...
D. Antonino Dias - Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 28-04-2023.
Que fragilidade a nossa!
Somos frágeis, tão frágeis! Ou será que não? Quando foi a última vez que te sentiste fragilizada?
Se calhar foi uma mensagem que envias-te para a qual não tiveste o retorno esperado.
Um obrigado que esperavas receber e teima em não chegar.
Um resultado que não corresponde ao esperado.
Esperar um reconhecimento que fica por receber.
Ou eventualmente uma palavra de carinho que esperavas ter ouvido e não ouviste… enfim!
Acumulamos fragilidades, e dá-mos por nós a ter de gerir expectativas sobre comportamentos que não controlamos sob pena de estarmos constantemente em más companhias, ou seja com pensamento menos bons.
E quando falo de comportamentos esperados, não me refiro apenas aos dos outros, mas também aos nossos. Se é certo que as atitudes dos outros, ou as suas faltas de atitudes, nos fragilizam, também é certo que nós temos a nossa quota de responsabilidade. Não raras vezes penitenciamo-nos porque não tivemos a capacidade de corresponder ao que esperávamos de nós mesmos. Coisas simples como não ter conseguido responder ao colega sem se exasperar, ou ser assertivo em relação às chefias, ou até ter antevisto um problema que estava á frente dos nossos olhos. E então, sentimo-nos frágeis, como que se falhássemos. Se calhar não somos assim tão frágeis. Se calhar amamos muito e como amamos, esperamos, expomo-nos e sujeitamo-nos.
Mas será que temos de baixar expectativas para não nos fragilizarmos? Será que temos de esperar menos? Será que temos de nos contentar com a mediocridade das relações?
O que achas?
Eu prefiro assumir a minha fragilidade! Assumir as minhas esperanças, tanto em relação aos outros, como em relação a mim e assumir que vou sofrer porque nem sempre vou ter o retorno esperado. Mas sabes, volta e meia és surpreendida e recebes o que jamais esperarias receber e… sabe tão bem! Nessas alturas não te esqueças de retribuir, não vás fragilizar alguém.
E tu amiga, sentes-te frágil?
quinta-feira, 27 de abril de 2023
A indecisão pesa, cansa e desgasta
Os sucessos e os fracassos que resultam do que fomos decidindo fazer, e do que depois fizemos ou não, constituem a nossa identidade.
Não podemos escolher quase nada do que nos acontece, mas somos sempre chamados a ser livres e determinar a nossa resposta. Nunca é fácil, porque envolve sempre mudar e correr riscos.
Há pessoas que se perdem porque ficam à espera das condições perfeitas, outras por não quererem arriscar e acabarem paralisadas face às possibilidades que têm diante, e ainda há aquelas que se movimentam muito, mas que parecem estar às voltas numa rotunda de onde não querem arriscar uma saída… Todas elas, na sua indecisão, estão a destruir tempo e vida.
Importa muito que pensemos bem nas opções que se apresentam. Importa que criemos hipóteses e inventemos novos caminhos, mas chega sempre o momento de decidir e, depois dele, o outro, ainda mais importante: o de agir.
Há muita gente que não gosta senão que a vida lhe seja servida, que face a qualquer exigência não sabe senão esperar que a questão se dissolva ou resolva por si mesma, e julga mesmo que assim fica isenta da responsabilidade pelos resultados do que vem a seguir. Mas não. São tão culpados das tragédias que acontecem a seguir às suas indecisões quanto alguém que não faz nada enquanto observa outra pessoa a afogar-se. São assassinos com a mania da inocência.
Não devo condenar-me por um fracasso que não consegui prever. Até porque depois de cada insucesso é tempo de decidir o que fazer em relação a ele em face do futuro.
A indecisão pesa, cansa, desgasta e é inútil. Porque não tem depois… é para sempre, não se pode reverter!
quarta-feira, 26 de abril de 2023
O que é que em mim ainda não foi ressuscitado?

O que é que em mim ainda não foi ressuscitado? Esta tem sido a questão que me tem acompanhado nos últimos dias. Ciente da importância da ressurreição de Jesus Cristo para a minha fé e para a minha vida, compreendo que a ressurreição não me pode deixar na mesma. A ressurreição comemorada no Domingo de Páscoa não pode ficar fechada à espera de que tudo se volte a repetir no próximo ano. Tenho de ser eu, com tudo o que sou e faço, a verdadeira visita pascal (ou também tradicionalmente conhecida por compasso). Sim, tenho de ser eu e tu. Temos de ser nós, que acreditamos nesta loucura, a marcar o compasso das nossas vidas com a alegria de nos sabermos erguidos. Temos de ser nós, com a nossa irreverência e inquietude, a abanar com o “mofo” existente na sociedade e na nossa Igreja para que também sejam lavadas com o mesmo exagero e cuidado que Maria fez com Jesus ao derramar-lhe um perfume de nardo extremamente caro.
O que é que em mim ainda não foi ressuscitado? O que é que ainda não me permiti perdoar, a mim e aos outros? O que é que ainda não fui capaz de mudar? O que é que em mim ainda não tem vida? Quais as sombras em que ainda não permiti que Ele levasse a Sua Luz?
Acreditar na ressurreição é exigente, no entanto é também extremamente libertadora. E se nos liberta, porque não devemos libertar os outros? Sem imposições, sem fanatismos, mas convidando. Deixando que o nosso testemunho seja desafiante ao ponto de os outros quererem saber mais, de quererem sentir mais, de quererem vivenciar cada vez mais de perto esta nossa loucura.
A ressurreição começa sempre à volta da mesa do altar. Reunidos e alimentados pela Palavra. Reunidos e alimentados pelo Seu corpo partilhado e pelo Seu vinho de alegria, mas a verdadeira ressurreição acontece todos os dias da nossa vida. Do outro lado da igreja, sim, do lado de fora. A ressurreição acontece na Eucaristia da nossa vida, isto é, acontece naquilo que somos e fazemos pelos outros e para os outros sabendo que testemunhamos Aquele que nos é tudo e nos dá tudo!
Se professo a ressurreição sem alegria e de cabisbaixo, como poderão os outros acreditar em mim e em Deus? Se não me sinto erguido como poderão os outros acreditar em mim e em Deus? Se me considero erguido e não sou capaz de erguer a vida de outros, como poderão acreditar em mim e em Deus?
Sejamos a ressurreição, sejamos o amor que ergue todos seja em que altura for ou em que condição se encontre!
terça-feira, 25 de abril de 2023
Transmitir a fé é transmitir um tesouro!
Esta é a mensagem desta terça-feira, caros do Vatican News, festa de São Marcos evangelista. E no seu Evangelho hoje lemos estas palavras de Jesus: "Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura!". Comentando este trecho, o Papa faz questão de ressaltar que o nosso testemunho, o nosso modo de vida cristão - e não pagão - é o principal meio evangelizador:
"A fé leva-nos necessariamente a sair, faz-nos doar: essencialmente, a fé deve ser transmitida. Não é quieta. 'Ah, o senhor quer dizer, padre, que todos temos de ser missionários e partir para países distantes?' Não, isso faz parte da missionariedade. Quero dizer que, se você tiver fé, necessariamente tem de sair de si mesmo e mostrar a fé socialmente. A fé é social, é para todos: 'Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a toda a criatura'. (...) Uma vez, na Polônia, um estudante universitário perguntou-me: 'Na universidade, tenho muitos companheiros ateus. O que devo dizer-lhes para os convencer?' - 'Nada, amigo, nada! A última coisa que é preciso fazer é dizer algo. Comece a viver, e quando virem o teu testemunho, vão lhe perguntar: Por que você vive assim?'. A fé tem de ser transmitida: não para convencer, mas para oferecer um tesouro."
Católico simpatizante

Existem pessoas que se identificam com os valores católicos, mas não participam da vida comunitária em paróquias, associações ou movimentos e, por isso, dizem ser (ou dizemos nós que são) católicos não-praticantes. Sempre achei essa expressão muito estranha. É como se uma pessoa casada dissesse - «sou esposo, mas não praticante.» Não faz sentido.
A linguagem católica pode ser, por vezes, mais prescritiva do que persuasiva. Durante muito tempo falou-se (e fala-se ainda) daquilo que não podemos fazer, dizer ou pensar. A linguagem que começa com um “não” gera bloqueio. E há quem diga — «Mas existem situações em que temos de dizer “não”.» — ou talvez a linguagem precise de uma renovação. Sempre que alguém amigo ou conhecido nos diz ser um católico não-praticante, temos a oportunidade de renovar a nossa linguagem e a sua experiência, começando por um “sim” — «Sabes, eu penso que tu és antes um católico simpatizante.»
A linguagem bloqueadora do não fecha as nossas comunidades aos católicos simpatizantes que possuem uma experiência maior do que nós quanto ao modo como o mundo pensa fora do âmbito católico. E se abraçarmos o significado da palavra “católico”, que quer dizer “universal”, ninguém está fora senão aquele que se coloca fora por opção pessoal. Alguém que acolhe na sua vida os valores católicos, sem participar de qualquer vida comunitária, reconhece o seu valor universal e ao contrastar-se com valores diferentes desses diante de outras pessoas afastadas do catolicismo, pode fazer experiências católicas (universais) sem ser conotado de “católico”. Por isso, a sua vivência tem valor universal fazendo dele um católico simpatizante.
As pessoas afastam-se das Igrejas e comunidades católicas por sermos abertos ou fechados? Estou a incluir-me no grupo de católicos praticantes, e a pergunta parece retórica, mas a minha experiência é que os católicos consideram-se pessoas abertas, mas os outros sentem que são fechadas. Por outro lado, quem se considera um católico simpatizante, sente ser aberto e que participar numa comunidade católica levaria a fechar-se. Não conheço a experiência do leitor, mas a minha é a de que somos todos abertos “e” fechados. Porém, o caminho a percorrer juntos talvez seja o de sermos abertos e ponderados.
Ser ponderado implica pensarmos sobre as coisas antes de nós pronunciarmos sobre essas. E mesmo quando o fazemos, convém trabalhar continuamente a humildade por desconhecermos aspectos essenciais que podem fragilizar a nossa opinião. Um exemplo seria a moral sexual. Muitos católicos simpatizantes e praticantesdesconhecem os grandes desenvolvimentos que se deram no pensamento e experiência católicas desde que S. João Paulo II introduziu a Teologia do Corpo. Um outro exemplo seria a relação com a ciência. Muitos católicos simpatizantes e praticantes desconhecem aquilo que chamaria de Teologia da Dúvida onde o diálogo científico-teológico se torna um modo de nos aproximarmos de uma experiência de Deus menos infantil e mais profunda.
O católico não-praticante é aquele que possui valores católicos, até pode participar da vida comunitária, mas não vive e dá testemunho desses valores. Basta pensar naquelas pessoas criticam sempre os outros, exercem abuso de autoridade ou de outra natureza ou não dão espaço ao amor recíproco, achando-se donas dos empenhos ou lugares religiosos que lhe foram confiados. Por outro lado, um grande desafio para os que simpatizam com os valores católicos será desconhecerem esses valores em profundidade suficiente, de tal modo que as razões de não participarem na vida comunitária são pobres.
Uma vez fui a um grupo de jovens nas Mercês próximo de Sintra. Um dos jovens que participava assiduamente nos encontros era ateu. Não acredita em Deus, mas acredita e vivia o valores católicos. Era um católico simpatizante para quem Deus é um Mistério “inacreditável”. Gostaria de ser mais como ele porque as pessoas inacreditáveis são aquelas que não cessam de nos surpreender, como Deus.
No tempo presente em que entramos numa dimensão religiosa mais orientada para a espiritualidade, parece-me relevante reconhecer que todo o católico simpatizante que não vai à missa ou participa na vida comunitária, não está fora, mas dentro da Igreja. Ele habita nas periferias existenciais da sociedade, trabalho, e lá procura (quer se dê conta ou não disso) uma união com Deus através dos valores católicos do amor fraterno, misericordioso, sincero e autêntico. A sua missão é alargar os espaços eclesiais que não se definem pelas estruturas físicas, mas pela vivência dos valores. Por isso, da próxima vez que alguém te disser ser um católico não-praticante, oferece uma correção fraterna pacífica dizendo-lhe com serenidade que ele é antes um católico simpatizante.
segunda-feira, 24 de abril de 2023
Que vida queres viver?
Vivemos para agradar. Para fingir. Para fazer de conta. Moldamo-nos para pertencer e para nos convencermos a nós (e aos outros) que vamos na direção oposta do vento que nos sopra dentro do coração. É mais fácil ser-se o que não se é. Viver uma vida que alguém desenhou, pensou ou perspetivou. E enquanto nos vamos adaptando às expectativas alheias, já nem sabemos quem somos. Perdemo-nos da nossa raiz e da luz que, em vez de brilhar, só conseguirá apagar-se.
Quando nos perguntam de que é que precisamos, não sabemos responder. Abrimos os olhos e a vida de espanto e de dor. Sabemos lá do que precisamos. Sabemos lá o que queremos. Fomos andando para a frente sem saber se era por aí o caminho. E é assim que, um dia, damos por nós a precisar de voltar para trás. Damos por nós a seguir uma urgência de compreender o que ficou por desatar, por viver, por descobrir.
A nossa vida não é de ninguém. Não pertence a um grupo. A uma rede social. A uma pessoa ou a vários. Não se restringe a um trabalho, a uma profissão ou a uma vocação. A nossa vida é única. Como um fio de água que faz o rio crescer, mas que ninguém vê. A vida rasgou-nos para nos construir naquilo que precisamos de ser. E o tempo passa demasiado depressa para vivermos para as aparências. Para as necessidades dos amigos, da família, dos maridos, das mulheres, dos namorados ou das namoradas. Ninguém te pode explicar como é que (te) vais fazer feliz. Como é que podes aproveitar o teu caminho para deixar marca.
Essa responsabilidade é tua. Esse presente foi-te dado a ti.
Não passes a bola a mais ninguém.
Viver é agora. E aqui.
Viver é o que tu quiseres. É aquilo em que acreditas. É a pessoa que amas. Seja ela quem for.
Viver é ser capaz de fazer o que só te cabe a ti.
Viver é contigo. E só podes ser tu.
domingo, 23 de abril de 2023
: Mostrai me, Senhor, o caminho da vida.
É no Evangelho, sobretudo, que esta mensagem aparece de forma nítida. O texto que nos é proposto põe Cristo, vivo e ressuscitado, a caminhar ao lado dos discípulos, a explicar-lhes as Escrituras, a encher-lhes o coração de esperança e a sentar-Se com eles à mesa para "partir o pão". É aí que os discípulos O reconhecem. Como é que Ele nos fala? Como é que Ele faz renascer em nós a esperança? Como é que Ele nos passa esse suplemento de entusiasmo que nos permite continuar? Lucas responde: é através da Palavra de Deus, escutada, meditada, partilhada, acolhida no coração, que Jesus nos indica caminhos, nos aponta perspectivas novas, nos dá a coragem de continuar, depois de cada fracasso, a construir uma cidade ainda mais bonita. Que lugar é que a Palavra de Deus desempenha na minha vida? Tenho consciência de que Jesus me fala e me aponta caminhos de esperança através da sua Palavra?
A primeira leitura mostra (através da história de Jesus) como do amor que se faz dom a Deus e aos irmãos, brota sempre ressurreição e vida nova; e convida a comunidade de Jesus a testemunhar essa realidade diante dos homens.
O nosso texto insiste numa mensagem que, nestes dias, aparece com grande insistência: Deus ressuscitou Jesus e não permitiu que a morte O derrotasse... A ressurreição de Cristo prova que uma vida gasta ao serviço do plano do Pai, na entrega aos homens, não conduz ao fracasso, mas à ressurreição, à exaltação, à vida plena. É conveniente lembrarmos isto, sempre que nos sentirmos desiludidos, decepcionados, fracassados, derrotados, criticados, por gastarmos a vida numa dinâmica de serviço, de entrega, de amor. Uma vida que se faz dom nunca é um fracasso; uma vida vivida de forma egoísta e auto-suficiente, à margem de Deus e dos outros, é que é fracassada, pois não conduz à vida em plenitude.
A segunda leitura convida a contemplar com olhos de ver o projecto salvador de Deus, o amor de Deus pelos homens (expresso na cruz de Jesus e na sua ressurreição). Constatando a grandeza do amor de Deus, aceitamos o seu apelo a uma vida nova.
O mundo em que vivemos potencia mais o egoísmo e a auto-suficiência do que o amor e a doação... Os homens do nosso tempo vivem, de forma geral, voltados para si mesmos, para os seus pequenos interesses pessoais e para a realização imediata dos seus sonhos, desejos e prioridades. Nós, os crentes, no entanto, somos convidados a viver e a anunciar a lógica de Deus, que é a lógica do amor e da entrega da vida até às últimas consequências. Qual é a lógica que domina a minha vida e que eu transmito nas minhas palavras e nos meus gestos: a lógica do amor, da entrega, da doação até às últimas consequências, ou a lógica do egoísmo, do orgulho, do amor-próprio?
https://www.dehonianos.org/
sábado, 22 de abril de 2023
UMA ESPECIAL TERAPIA DA ESPERANÇA
Nesta semana, à falta de tempo para preparar um tema, deixo-lhes esta belíssima proposta:
‘Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-se deles e pôs-se com eles a caminho. Mas os seus olhos estavam impedidos de o reconhecerem. Ele perguntou lhes: «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?» Pararam, com ar muito triste, e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias». E Ele perguntou: «Que foi?» Responderam lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. Mas a Ele não o viram». Então Jesus disse lhes: «Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?» Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que lhe dizia respeito.
Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de ir para diante. Mas eles convenceram-no a ficar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. E quando se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. Nesse momento, abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no. Mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como o tinham reconhecido ao partir o pão’ (Lc 24,13-35).
---
Apreciemos como o Papa Francisco comenta esta “Terapia da Esperança” operada por Cristo. Diz ele: “Imaginemos a cena: dois homens caminham desiludidos, tristes, decididos a deixar para trás a amargura de um vicissitude malsucedida. Antes daquela Páscoa estavam cheios de entusiasmo: convencidos de que aqueles dias teriam sido determinantes para as suas expetativas e para a esperança do povo inteiro. Jesus, ao qual tinham confiado a própria vida, parecia ter finalmente chegado à batalha decisiva: agora manifestaria o seu poder, depois de uma longa fase de preparação e de escondimento. Era isso o que eles esperavam. Mas não foi assim. Os dois peregrinos cultivavam uma esperança somente humana, que agora desabava. Aquela cruz erguida no Calvário era o sinal mais eloquente de uma derrota que não tinham previsto. Se deveras aquele Jesus era segundo o coração de Deus, deviam chegar à conclusão de que Deus estava inerme, indefeso nas mãos dos violentos, incapaz de opor resistência ao mal.
Assim, naquela manhã de domingo, os dois fogem de Jerusalém. Ainda tinham nos olhos os momentos da paixão, a morte de Jesus; e na alma o pensamento atormentado pelos acontecimentos, durante o repouso forçado do sábado. Aquela festa de Páscoa, que devia entoar o canto da libertação, transformou-se pelo contrário no dia mais doloroso da sua vida. Deixam Jerusalém para ir alhures, a uma aldeia tranquila. Têm toda a aparência de pessoas empenhadas em apagar uma recordação que magoa. Portanto, encontram-se numa estrada, andam, tristes. Este cenário - a estrada - já tinha sido importante nas narrações dos evangelhos; agora tornar-se-á cada vez mais relevante, quando se começa a narrar a história da Igreja.
O encontro de Jesus com aqueles dois discípulos parece ser totalmente casual: assemelha-se a uma das numerosas encruzilhadas que se encontram na vida. Os dois discípulos prosseguem pensativos e um desconhecido caminha ao lado deles. É Jesus; mas os seus olhos não são capazes de o reconhecer. E então Jesus começa a sua “terapia da esperança”. O que acontece nesta estrada é uma terapia da esperança. Quem a faz? Jesus.
Em primeiro lugar pergunta e escuta: o nosso Deus não é um Deus intrometido. Embora já conheça o motivo da deceção dos dois, deixa-lhes o tempo para poder sondar profundamente a amargura que se apoderou deles. Daqui surge uma confissão que é um refrão da existência humana: «Nós esperávamos, mas... Nós esperávamos, mas...» (v. 21). Quantas tristezas, quantas derrotas, quantas falências há na vida de cada pessoa! No fundo somos todos um pouco como esses dois discípulos. Quantas vezes na vida esperamos, quantas vezes nos sentimos a um passo da felicidade e, no fim, ficamos desiludidos. Mas Jesus caminha com todas as pessoas desanimadas que procedem cabisbaixas. E caminhando com elas, de forma discreta, consegue restituir-lhes a esperança.
Jesus fala com eles sobretudo através das Escrituras. Quem pega o livro de Deus nas mãos não se cruza com histórias de fácil heroísmo, campanhas de conquista impetuosas. A verdadeira esperança nunca é pouco dispendiosa: passa sempre através das derrotas. A esperança de quem não sofre, talvez nem sequer seja tal. Deus não gosta de ser amado como poderíamos amar um general que leva o seu povo à vitória, aniquilando no sangue os seus adversários. O nosso Deus é uma chama esmorecida que arde num dia de frio e de vento, e não obstante a sua presença neste mundo possa parecer frágil, Ele escolheu o lugar que todos nós desdenhamos.
Em seguida Jesus repete também aos dois discípulos o gesto fulcral de cada Eucaristia: pegou no pão, abençoou-o e, depois de o partir, ofereceu-o. Nesta sequência de gestos, não há porventura toda a história de Jesus? E não há, em cada Eucaristia, também o sinal do que deve ser a Igreja? Jesus pega em nós, abençoa-nos, “parte” a nossa vida — porque não há amor sem sacrifício — e oferece-a aos outros, oferece-a a todos. O encontro de Jesus com os dois discípulos de Emaús é rápido. Todavia, nele está todo o destino da Igreja. Narra-nos que a comunidade cristã não está fechada numa cidadela fortificada, mas caminha no seu ambiente mais vital, ou seja, a estrada. E ali encontra as pessoas com as suas esperanças e as suas desilusões, por vezes pesadas. A Igreja escuta as histórias de todos, assim como sobressaem do íntimo da consciência pessoal; para depois oferecer a Palavra de vida, o testemunho de amor, amor fiel até ao fim. E então o coração das pessoas volta a arder de esperança.
Todos nós, na nossa vida, tivemos momentos difíceis, obscuros; momentos nos quais caminhávamos tristes, pensativos, sem horizontes, somente com um muro à nossa frente. E Jesus sempre está ao nosso lado para nos dar esperança, para nos aquecer o coração e dizer: “Vai em frente, estou contigo. Vai em frente”. O segredo da estrada que conduz a Emaús resume-se inteiramente nisto: mesmo através das aparências contrárias, continuamos a ser amados, e Deus nunca deixará de nos querer bem. Deus caminhará sempre connosco, sempre, até nos momentos mais dolorosos, nos períodos mais difíceis, também nos momentos de derrota: ali está o Senhor. E esta é a nossa esperança. Vamos em frente com esta esperança! Porque Ele está ao nosso lado e caminha connosco, sempre!
...
D. Antonino Dias - Bispo Diocesano
Portalegre-castelo Branco, 21-04-2023.
Chamados à santidade
No modo peculiar de os cristãos verem o mundo, todos os seres são o que são porque chamados por Deus à existência – há, portanto, uma vocação, um chamamento (é este o significado de vocação) primordial de todo o cosmos e dos seres que o compõem a existir como criaturas de Deus.
À vocação a existir acresce, para os humanos, a vocação a ser em relação, com Deus, os outros humanos e as demais criaturas. Esta relação assume formas muito diversas, mas no caso dos cristãos sintetiza-se numa outra vocação: a vocação à santidade, comum a todos os que, pelo batismo, se tornam filhos de Deus e irmãos de Cristo. A santidade, porém, não é um viver alheado do mundo e dos outros, pelo contrário, só é real se acontece na imersão plena no mundo e no compromisso total com os outros.
No próximo Domingo assinala-se o primeiro dia da Semana de Oração pelas Vocações. Individualmente e como comunidade, somos chamados a pedir ao Pai a graça de vivermos a vocação à santidade nas circunstâncias que compõem a nossa vida: no sacerdócio, na vida religiosa, na vida familiar ou em qualquer outra condição. Que sejamos capazes de viver com alegria o plano de Deus para cada um de nós.
NÃO ESTRANHE – OS SINOS VÃO REPENICAR!
Sim, os sinos vão repenicar em sinal de boa notícia, de alerta e de anúncio. Vão reiterar a todos os jovens e às comunidades cristãs o amável convite para a grande festa da alegria que se aproxima, a Festa dos Jovens com Cristo, em Igreja.
A convite do Comité Organizador Local da Jornada Mundial da Juventude, os sinos das igrejas das paróquias portuguesas vão assinalar essa data simbólica, vão tocar às 20H23, neste III Domingo da Páscoa, dia 23 de abril, para assinalar que faltam apenas 100 dias para a JMJ. Sabemos que, onde isso for possível e as boas vontades se congregarem, algumas catedrais e monumentos também aceitarão o convite e serão iluminados com as cores da Jornada Mundial da Juventude e de Portugal.
Com esta iniciativa, procura-se lembrar e sensibilizar, mais uma vez, para este acontecimento único no nosso país, um acontecimento com repercussões em todo o mundo, não só no mundo católico, mas em todo o mundo, crente ou não crente. A Juventude é a paz em movimento, é o maior aliado de Cristo Jesus, sem juventude o mundo morreria de frio e pasmo!
Os jovens sabem que Jesus foi e continua a ser o maior revolucionário da História com uma única arma, a arma do amor. E o amor manifesta-se com o acolhimento, a verdade, a ternura, a mansidão, a justiça, o bem. Não usa a violência ou a imposição, não ilude com artimanhas ou mentiras, não deita mão de fingimentos ou de falsas promessas, a sua linguagem é sim sim, não não. Como Caminho, Verdade e Vida, Jesus oferece a sua paz, a sua atenção, a sua amizade, a sua alegria, a sua graça, a sua companhia, a sua mão.
Ser amigo de Jesus, de facto, é perigoso. Ele descongela os corações mais frios, amolece as inteligências mais duras, fortalece as vontades para o bem, renova e dinamiza a sua Igreja pela força do seu Espírito, dá sentido à vida e às coisas da vida, transforma e humaniza as pessoas, as famílias, a sociedade. Quando uma pessoa faz uma verdadeira experiência na amizade com Jesus, logo essa pessoa se desembrulha ou, usando a linguagem do Papa Francisco, logo salta do sofá, tira as pantufas, calça os sapatos, não se debruça à janela a ver passar a vida e o mundo. Arregaça as mangas e dá razão a um autor anónimo do princípio da Igreja, que escreveu assim: “Se dizes: ‘sou judeu’, ninguém fica alterado. Se dizes: ‘sou romano’, ninguém treme. Se dizes: ‘sou grego, bárbaro, escravo’, ninguém se impressiona. Mas, se eu digo: ‘sou cristão’, o mundo treme”.
Caro jovem, em comunhão com o teu pároco e envolvendo a tua comunidade, ajuda a preparar a Jornada, integra-te, sensibiliza, convida, participa, sê curioso em relação à mesma. Que o toque do sino, no próximo Domingo, em igrejas e capelas da nossa Diocese, à hora anunciada, à hora em que todas as paróquias o farão por esse país abaixo e acima, seja entendido por ti e por todos como mais um apelo à participação.
Com certeza que ainda não é do conhecimento da maior parte de vós, mas, nos dias anteriores à Jornada, em Lisboa, num processo de inscrições ainda não encerrado, já temos inscritos para os dias na nossa diocese, jovens da Índia, Brasil, Lituânia, Bangladesh, Noruega, Egito, Honduras, Iraque, França, Ilha Coração, Roménia, Itália, França, Ilhas Maurícias, Haiti, Gabão, Austrália e Congo. Ah, e de Portugal também, já me esquecia! Não sei se já te inscreveste para a Jornada Mundial em Lisboa, mas sei que não será bom que algum de vós pense que isto não é com ele ou para ele, ou se distraia ao ponto de viver totalmente desligado deste acontecimento de graça.
Todos estamos alertados e chamados a envolver-nos, de alguma forma, neste encontro mundial e multicultural de jovens para os jovens. Cristo é a única causa deste acontecimento, é o único ponto de convergência em Lisboa. Muita gente, muitas famílias, comunidades e instituições vão acolher jovens estrangeiros, outros manifestarão a sua comunhão, colaborando, rezando, sensibilizando à participação, facilitando, convidando e ajudando, até economicamente, algum jovem que tenha dificuldades em se inscrever...
Vamos a isso, que ninguém permaneça alheio ou de braços cruzados!
Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 18-04-2023.
sexta-feira, 21 de abril de 2023
Se amas, escuta
Magoa-nos saber que aqueles que amamos não nos ouvem.
Hoje, talvez como nunca, as pessoas não se ouvem umas às outras. Todos querem falar e, por isso mesmo, ninguém quer ouvir.
Depois até está na moda a ideia de que devemos dialogar connosco próprios. Um apelo ao individualismo que parte do princípio de que cada um de nós se deve bastar a si mesmo. Uma independência orgulhosa que não resulta porque é uma solidão disfarçada de superioridade.
É essencial que cada um de nós, de forma livre e autónoma, pense, decida e encaminhe a sua vida, mas isso não significa de maneira alguma, que o devamos fazer sem o apoio dos outros através do diálogo.
Parece que já ninguém tem tempo, temos tanto para fazer ao ponto de tudo ter de ser feito com a maior pressa possível. A nossa atenção é disputada aos gritos e acabamos por não entender coisa alguma.
Depois, acreditamos que podemos fazer muitas coisas ao mesmo tempo, mas, na verdade, já são poucos os que conseguem fazer bem uma só, no meio de tanto barulho.
Cansados de tudo, desistimos e rendemos-nos a um aparelho eletrónico qualquer que nos absorve ao ponto de nos levar de nós mesmos.
O espírito escurece e a tristeza abre um buraco em nós. Magoamos os outros e os eles a nós por não reconhecermos o que todos precisamos de nos expressar e de escutar.
A falta de escuta confunde-se com ausência de amor.
Que eu saiba expressar apenas aquilo que importa, mas apenas quando for tempo disso.
Escutar é difícil. Exige que façamos calar em nós os egoísmos, orgulhos e vaidades, submetendo-nos por completo, ainda que por meros instantes, às necessidades do outro e àquilo que procura expressar.
Uma escuta só é verdadeira se não procurar uma reação, antes sim uma relação… na qual este momento o tempo é do outro e o silêncio que se lhe segue… ainda é dele.
José Luís Nunes Martins
quinta-feira, 20 de abril de 2023
Dia Diocesano dos Catequistas
Dia Diocesano dos Catequistas
Será no Arciprestado da Sertã, em Proença -a -Nova no Auditório da Câmara Municipal( ginásio do antigo colégio) no dia 29 de Abril, com ínicio às 10h
Programa do dia:
!0.00h - Acolhimento
10.30h - Comferência- " Implicações pastorais do ministério do catequista" - Padre Diamantino Duarte
13.00h- Almoço volante, no Seminário ( Preço por pessoa, 10.00€)
14.30h- Momentos musicais
16.00h - Eucaristia
As inscrições até ao dia 23 de Abril, devem ser feitas aos padres que servem a nossa Zona Pastoral.
quarta-feira, 19 de abril de 2023
20 de abril | Oração pelas vítimas de abusos
Os bispos portugueses convocaram para amanhã, dia 20 de abril, uma jornada nacional de oração pelas vítimas de abusos sexuais, de poder e de consciência na Igreja. Está prevista para as 11h00 uma Eucaristia, na Basílica da Santíssima Trindade, em Fátima. Quem quiser associar-se a este momento de oração:
Jornada nacional de oração pelas vítimas de abusos sexuais, de poder e de consciência na Igreja, 20 de abril de 2023
Deixo-me encantar
Deixo-me encantar.
Deixo-me encantar por aqueles abraços que abrigam. Por aqueles abraços que se deixam (de)morar.
Deixo-me encantar por aquelas mãos que amparam e que confortam.
Deixo-me encantar por aqueles olhos que brilham. E por aqueles olhos que olham bem dentro, que tocam.
Deixo-me encantar por aqueles sorrisos que abraçam o coração.
Deixo-me encantar por aqueles beijos que curam a alma.
Deixo-me encantar por aquelas palavras (e por aqueles silêncios) que falam com amor. Que falam de amor.
Deixo-me encantar por aquele céu cheio de estrelas. E de lua.
Deixo-me encantar por aqueles sempres que ainda existem e que são mesmo para sempre.
Deixo-me encantar por aquelas pessoas que fazem sorrir. Por aquelas pessoas que são amor em forma de gente.
Deixo-me encantar pelo amor. Que torna tudo mais bonito. Que salva.
Deixo-me encantar.
Deixo-me encantar porque, enquanto os dias passam, são estes pequenos nadas que me vão mostrando tudo. Tudo o que há de mais bonito. Para encontrar, para conhecer, para sentir, para viver.
Tudo o que há de mais bonito para ser.
terça-feira, 18 de abril de 2023
MCC- 78° C.C. de Senhoras
Aproximando-se a realização do 78° C.C. de Senhoras da nossa diocese, vamos estar unidos em oração com todas os que o irão viver. Assim, individual ou coletivamente, vamos rezar para que o Espírito Santo ali derrame as Suas Graças. Coletivamente, o grupo de cursilhistas de Portalegre, irá realizar as seguintes Intendências:
6a feira, dia 21 - Via Sacra - 18h;
Todas estas Intendências serão realizadas na igreja de S. Lourenço.
Domingo, dia 23 -Encerramento - 18 h no Cine Teatro de Nisa .
Cristo conta conosco

segunda-feira, 17 de abril de 2023
ACREDITAR
O cristão é aquele que, como Tomé, reconhece que as feridas de Jesus são verdadeiras e acredita que, nelas, reside o mistério do amor e da vida. É aquele que toma a iniciativa de entrar em relação com o Ressuscitado, de estender a mão e tocar nas suas feridas, de permitir que Jesus toque as suas próprias feridas e as cure.
Precisamos ver para crer, mas não é por vermos que acreditamos. Acreditar é um ato de confiança, é uma entrega.
Jesus vem, estando as portas trancadas, Jesus vem. Não há nada que o detenha, nem o medo, nem o silêncio, nem o segredo, nem o impossível. [...] Naquela noite, os discípulos têm a experiência de que, mesmo quando tudo parece estar terminado, mesmo quando já não há caminho nem saída, Jesus vem.
O Evangelho de João termina com uma declaração de propósito. Estas coisas foram escritas para que possamos acreditar que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, acreditando, possamos ter vida em seu nome. Acreditar em Jesus é um ato de confiança e entrega, e é através dele que encontramos a vida em sua plenitude.
Queridos irmãos, o cristão é aquele que, como Tomé, reconhece que as feridas de Jesus são verdadeiras e acredita que, nelas, reside o mistério do amor e da vida. É aquele que toma a iniciativa de entrar em relação com o Ressuscitado, de estender a mão e tocar nas suas feridas, de permitir que Jesus toque as suas próprias feridas e as cure.
| Cardeal José Tolentino Mendonça
domingo, 16 de abril de 2023
Domingo da Divina Misericórdia
Na primeira leitura temos, na "fotografia" da comunidade cristã de Jerusalém, os traços da comunidade ideal: é uma comunidade fraterna, preocupada em conhecer Jesus e a sua proposta de salvação, que se reúne para louvar o seu Senhor na oração e na Eucaristia, que vive na partilha, na doação e no serviço e que testemunha - com gestos concretos - a salvação que Jesus veio propor aos homens e ao mundo. A comunidade cristã é, ainda, uma comunidade que celebra liturgicamente a sua fé. A celebração da fé comunitária dá-nos a dimensão de um povo peregrino, que caminha unido, voltado para o seu Senhor e tendo Deus como a sua referência. Da celebração comunitária da fé, sai uma comunidade mais fortalecida, mais consciente da vida que une todos os seus membros, mais adulta e com mais força para ser testemunha da salvação. O que é que significa, para mim, a celebração comunitária da fé? A celebração eucarística é um rito aborrecido, a que "assisto" por obrigação, ou uma verdadeira experiência de encontro com o Jesus do amor e do dom da vida e uma experiência de amor partilhado com os meus irmãos de fé?
No Evangelho sobressai a ideia de que Jesus vivo e ressuscitado é o centro da comunidade cristã; é à volta d'Ele que a comunidade se estrutura e é d'Ele que ela recebe a vida que a anima e que lhe permite enfrentar as dificuldades e as perseguições. Por outro lado, é na vida da comunidade (na sua liturgia, no seu amor, no seu testemunho) que os homens encontram as provas de que Jesus está vivo.
Não é em experiências pessoais, íntimas, fechadas e egoístas que encontramos Jesus ressuscitado; mas encontramo-l'O no diálogo comunitário, na Palavra partilhada, no pão repartido, no amor que une os irmãos em comunidade de vida. O que é que significa, para mim, a Eucaristia?
A segunda leitura recorda aos membros da comunidade cristã que a identificação de cada crente com Cristo - nomeadamente com a sua entrega por amor ao Pai e aos homens - conduzirá à ressurreição. Por isso, os crentes são convidados a percorrer a vida com esperança (apesar das dificuldades, dos sofrimentos e da hostilidade do "mundo"), de olhos postos nesse horizonte onde se desenha a salvação definitiva.
A questão do sentido do sofrimento (sobretudo do sofrimento que atinge o justo) é tão antiga como o homem; as respostas que o homem foi encontrando para essa questão foram sempre parciais e insatisfatórias... A Palavra de Deus que hoje nos é proposta não esclarece definitivamente a questão, mas acrescenta mais uma achega: o sofrimento ajuda-nos, muitas vezes, a crescer, a amadurecer, a despirmo-nos de orgulhos e auto-suficiências, a confiar mais em Deus... Somos convidados a tomar consciência de que o sofrimento pode ser, também, um caminho para ressuscitarmos como homens novos, para chegarmos à vida plena e definitiva.
De qualquer forma, somos convidados a percorrer a nossa vida com esperança, olhando para além dos problemas e dificuldades que dia a dia nos fazem tropeçar e vendo, no horizonte, a salvação definitiva. Isto não significa alhearmo-nos da vida presente; mas significa enfrentar as contrariedades e os dramas de cada dia com a serenidade e a paz de quem confia em Deus e no seu amor.
sábado, 15 de abril de 2023
Ser família de acolhimento
Estimadas famílias,
Nos dias 26 a 31 de julho deste ano realizar-se-á o encontro "Dias na Diocese" (DND), que antecede a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023.
Este encontro acolhe jovens vindos de todo o mundo nas comunidades paroquiais das várias dioceses do país.
Os DND são como um caminho de preparação dos peregrinos e da comunidade anfitriã para a vivência dos dias da JMJ.
Durante esses dias, os participantes podem ficar a conhecer melhor a região que os acolhe, bem como a Igreja local, ficando alojados, à semelhança da semana da Jornada, em casas de famílias (preferencialmente), ou em instalações paroquiais ou públicas, de modo a poderem fazer uma verdadeira experiência de Igreja, evangelização e missão.
Assim, neste momento as famílias da nossa Diocese são interpeladas a receber e acolher estes jovens em suas casas.
Para este efeito, podem inscrever-se acedendo ao formulário https://docs.google.com/.../1FAIpQLSf9lQV5E56sb.../viewform, onde encontram mais informações.
O prazo para submeter as inscrições foi alargado até ao final do mês de maio.
Podem ainda obter mais informações em:
https://www.lisboa2023.org/pt/dias-nas-dioceses
https://jmj2023.pt/familia-de-acolhimento/
Agradecemos desde já a generosidade das famílias que se inscreverem, dando deste modo um verdadeiro testemunho de Vida em Igreja!

