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quarta-feira, 25 de maio de 2022

Hino com lema episcopal de D. Augusto César marcou celebração de 50 anos como bispo

Música da autoria do padre António Cartageno foi interpretada pelo Orfeão Polifónico de Castelo Branco

Foto: Diocese de Portalegre-Castelo Branco



Portalegre Castelo-Branco, 21 mai 2022 (Ecclesia) – A diocese de Portalegre-Castelo Branco celebrou este sábado os 50 anos de ordenação episcopal de D. Augusto César, com hino original do padre compositor António Cartageno.

“E ao Orfeão Polifónico de Castelo Branco também a nossa gratidão por estar connosco nesta hora de graça e ter ensaiado o hino baseado no lema episcopal de D. Augusto César ‘Caritas Urget’, e cuja música, feita de propósito para este dia, é da autoria do conhecido compositor, padre António Júlio Cartageno, sacerdote do presbitério de Beja”, anunciou D. Antonino Dias.

Na sua intervenção o bispo de Portalegre-Castelo Branco evocou esta efeméride marcada por “uma presença, não muito numerosa e simples”, devido ao pequeno espaço e à exigência dos cuidados sanitários a ter”, mas adiantou que o bispo emérito vai presidir à peregrinação diocesana a Fátima.

“No próximo domingo, 29 de maio, D. Augusto César presidirá, no Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, à nossa peregrinação diocesana, por ele iniciadas há 39 anos. A Diocese tem assim a oportunidade de estar presente, não só nas cerimónias do Santuário referentes à Peregrinação, mas também à tarde, no Centro Paulo VI, onde, de portas abertas a cerca de duas mil pessoas, teremos a habitual Sessão com a presença do Sr. Dom Augusto César, mas dando à sessão uma tonalidade diferente”, destacou, este sábado, na celebração que decorreu na Concatedral de Castelo Branco.

D. Augusto César indicou que “a Diocese de Portalegre-Castelo Branco continua a ser a sua ‘família espiritual’”, pois “conviveu ali quase 26 anos, saboreando o amor de Deus e a fraternidade entre todos”.

O bispo emérito lembrou ainda a vida de missionário, deixou palavras de alento e “colaboração fraterna e diálogo aos sacerdotes” e lembrou a guerra.

“Todos nós gostaríamos de ver a fraternidade espalhada à nossa volta e alimentada pelo diálogo. Mas o que antes foi acontecendo, muitas vezes, à conta do ciúme ou do orgulho…também agora se repete à conta da guerra. E o panorama é muito triste, pois, além das vidas cruelmente destruídas, segue-se a violência com sabor a uma ameaça alargada e progressiva”, disse.

SN

segunda-feira, 16 de maio de 2022

«Sem diálogo não conseguimos fazer grande coisa» – D. Augusto César

Bispo emérito de Portalegre Castelo-Branco celebra 50 anos de ordenação episcopal

Foto: Agência ECCLESIA/MC



Lisboa, 14 mai 2022 (Ecclesia) – D. Augusto César, bispo emérito de Portalegre-Castelo Branco, está a celebrar 50 anos de ordenação episcopal, numa missão que começou em Tete, Moçambique, destacando a importância do “diálogo” neste percurso.

“Com os sacerdotes tem de haver verdadeira amizade, não quer dizer que se agrade a todos, e o mesmo com o povo, hoje é evidente que sem diálogo não conseguimos fazer grande coisa, dialogar em família, em comunidade, com os cristãos e sobretudo com os sacerdotes”, disse à Agência ECCLESIA.

Ordenado bispo a 21 de maio de 1972, na igreja da Casa de S. Vicente de Paulo, pelo então cardeal-patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro, D. Augusto César recorda a “fraternidade” que viveu com as irmãs e os padre provinciais da congregação e o sonho de ser missionário.

“Eu sempre desejei ir para as missões e no meu estudo de Teologia pensei muito nisso e nunca disse a ninguém, um dia numas férias recebi uma carta do provincial, que dizia: chegou o dia desejado para ir para missões; eu respondi: obrigado, a minha mala está feita: é da obediência”, contou.

Na entrevista D. Augusto César lembra que a missão sempre o atraiu e o que o motivava era o “sentido de ajudar os que mais precisam e a simplicidade do povo” e lembra que exerceu o ministério de bispo de Tete, em “tempo de guerra”.

“Mesmo nessa altura que o país estava em guerra tive a oportunidade de visitar regularmente a diocese, animar e encorajar os missionários e o povo que estava nas missões”, indica.


Foto: Agência ECCLESIA/MC

D. Augusto César viria a resignar a 9 de julho de 1976, por considerar que a nomeação de um bispo moçambicano para Tete se ajustaria melhor às circunstâncias; em setembro de 1978, o Papa João Paulo I nomeou-o como bispo de Portalegre-Castelo Branco, tendo tomado posse no dia da Solenidade de Cristo-Rei (26.11.1978).

“A experiência missionária ajudou a estimular a diocese no sentido de participar ativamente, comecei a fazer visitas por arciprestado para dialogar com os padres antes do serviço com o povo, depois a segunda parte era já com todos os sacerdotes em cada uma das paróquias e o fim era sempre num dos santuários que existisse naquele arciprestado”, descreve.

Na Diocese de Portalegre Castelo-Branco, D. Augusto César permaneceu 26 anos e sentia que “os sacerdotes precisavam de alguém que trouxesse algo novo para os estimular”; pediu para sair e em 2004 veio a resposta para deixar a diocese, tendo ido residir na casa das Filhas da Caridade, de S. Vicente de Paulo, em Fátima.

Ao celebrar 50 anos de bispo, o entrevistado sente vontade de “guardar silêncio” e pede “orações uns pelos outros”.

“Guardar silêncio em algumas circunstâncias e reparar no que se passa à minha volta seja pandemia, seja a guerra atroz na Ucrânia e com tudo isto fico assim a olhar, dou graças a Deus por ter chegado a esta idade, e ser capaz de observar e faz-me estar em silêncio”, admite.

A entrevista a D. Augusto César, pelos 50 anos de ordenação episcopal é o centro do programa ’70×7′ deste domingo, na RTP 2, pelas 17h30.

HM/SN

Portalegre-Castelo Branco: Diocese vai assinalar 50 anos de ordenação episcopal de D. Augusto César