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sábado, 1 de junho de 2019

Papa encerra primeiro dia da visita à Roménia junto da comunidade católica

Francisco destaca papel das mulheres na construção do futuro, em reflexão centrada na figura da Virgem Maria
Foto: Lusa
Bucareste, 31 mai 2019 (Ecclesia) – O Papa Francisco encerrou hoje o primeiro dia da sua visita à Roménia com uma celebração na catedral católica de São José, em Bucareste, destacando o papel das mulheres na construção do futuro.

“Contemplar Maria permite-nos estender o olhar sobre tantas mulheres, mães e avós destas terras que, com sacrifício sem alarde, abnegação e empenho moldam o presente e tecem os sonhos do futuro. Doação silenciosa, tenaz e despercebida”, declarou, na homilia da Missa, perante centenas de pessoas que lotaram o templo.

A celebração decorreu depois de uma série de encontros ecuménicos com responsáveis da Igreja Ortodoxa da Roménia.

A passagem do papamóvel pelas ruas da capital romena foi acompanhada por centenas de pessoas.

Francisco centrou a sua reflexão para a minoria católica (cerca de 7% da população do país) em três expressões “Maria caminha, Maria encontra, Maria rejubila”.

Falando das várias viagens realizados pela Virgem Maria, particularmente venerada pelos católicos romenos, o Papa sublinhou que “nunca foram caminhos fáceis, exigiram coragem e paciência”.
Foto: Lusa
A intervenção destacou a importância do encontro entre jovens e idosos, dando origem ao “milagre” da cultura do encontro, “na qual ninguém é descartado nem rotulado”.

“Cultura do encontro que nos impele, a nós cristãos, a experimentar o milagre da maternidade da Igreja que procura, defende e une os seus filhos”, acrescentou o pontífice.

Francisco afirmou que “o problema da fé é a falta de alegria”, que encerra as pessoas em si próprias e leva a esquecer Deus, “Pai, salvador e poderoso”.

Pensemos nas grandes testemunhas destas terras! Pessoas simples, que confiaram em Deus no meio das perseguições. Não colocaram a sua esperança no mundo, mas no Senhor, e assim continuaram em frente”.

No final da sua intervenção, o Papa desafiou os católicos a ser “promotores duma cultura do encontro que desminta a indiferença e a divisão e permita a esta terra cantar, com força, as misericórdias do Senhor”.

No sábado, o pontífice desloca-se a Bacau, na região da Moldávia, onde pelas 11h30 preside à Missa no Santuário de Sumuleu-Ciuc, destino histórico de peregrinação para os católicos de língua húngara da Roménia e de outros países; a celebração vai contar com a presença do presidente da Hungria, Janos Ader.

OC

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Papa pede que Europa conserve raízes da «identidade cristã»

Francisco rezou pela reconciliação e a comunhão entre católicos e ortodoxos
Foto: Lusa
Bucareste, 31 mai 2019 (Ecclesia) – O Papa rezou hoje na Roménia por um “caminho de fraternidade” que promova a “reconciliação e a comunhão” entre católicos e ortodoxos, desafiando-os a conservar as raízes cristãs da Europa.

“Suplicamo-Vos também o pão da memória, a graça de reforçar as raízes comuns da nossa identidade cristã, raízes indispensáveis num tempo em que a humanidade, particularmente as gerações jovens, correm o risco de se sentirem desenraizadas no meio de tantas situações líquidas, incapazes de fundamentar a existência”, declarou, num encontro de oração que decorreu na nova catedral ortodoxa da Salvação do Povo.

O templo, conhecido como “catedral nacional” de Bucareste, acolheu a recitação do Pai-Nosso em latim e romeno, pontuada pela execução de hinos de Páscoa católicos e ortodoxos, num simbólico gesto ecuménico.

Numa intervenção em forma de oração, Francisco invocou a “concórdia” para a humanidade.

 "Pedimo-la pela intercessão de tantos irmãos e irmãs na fé que moram juntos no vosso céu, depois de ter acreditado, amado e sofrido muito – mesmo em nossos dias – pelo simples facto de serem cristãos”.



O Papa convidou a rejeitar quaisquer dinâmicas guiadas pelas “lógicas do dinheiro, dos interesses, do poder”.

“Enquanto nos encontramos mergulhados num consumismo cada vez mais desenfreado, que cega com fulgores cintilantes, mas efémeros, ajudai-nos, Pai, a crer naquilo que rezamos: renunciar às seguranças cómodas do poder, às seduções enganadoras da mundanidade, à vazia presunção de nos crermos autossuficientes, à hipocrisia de cuidar das aparências”, acrescentou.


Francisco desejou que a oração comum dê voz ao “grito” dos mais pobres, perante o individualismo e a indiferença.

“Ajudai-nos, Pai, a não ceder ao medo, nem ver um perigo na abertura; a ter a força de nos perdoarmos e prosseguir, a coragem de não nos contentarmos com a vida tranquila, mas de procurar sempre, com transparência e sinceridade, o rosto do irmão”, rezou.

Centenas de pessoas acolheram o líder da Igreja Católica diante da catedral ortodoxa, onde se ouviram gritos de “unidade” e “viva o Papa”.

O patriarca Daniel falou de um edifício “simbólico”, que representa o renascimento espiritual da Roménia, após os anos do regime comunista, no século XX.

Este responsável explicou que a oração com o Papa quis ser uma forma de agradecimento pelos 426 lugares de culto colocados à disposição dos ortodoxos romenos, na Europa ocidental, pela Igreja Católica.

Daniel ofereceu a Francisco um mosaico com a figura de Santo André, padroeiro espiritual da Roménia; este discípulo de Jesus era irmão de São Pedro, o primeiro Papa.

A Igreja Católica e as Igrejas ortodoxas continuam separadas desde o Cisma de 1054, tendo estas últimas desenvolvido um modelo de autoridade próprio, de cariz nacional, pelo que os vários patriarcados são autónomos e o patriarca ecuménico de Constantinopla (atual Turquia) tem apenas um primado de honra, como ‘primus inter pares’.

A primeira visita do Papa Francisco à Roménia, 20 anos depois da viagem de São João Paulo II a Bucareste, iniciou-se esta manhã e decorre até domingo.

OC