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segunda-feira, 22 de junho de 2015

Arquiteta, empresária, doutora... E decidiu virar freira?


religiosa

Você tem uma profissão, um bom emprego, uma vida “quase” realizada, mas tem medo de largar tudo para consagrar-se a Cristo como padre ou freira?

Fique tranquilo. Não é o primeiro nem o único a largar profissão, emprego, vida “quase” realizada e outras coisas para consagrar-se a Deus como padre ou freira. De cada 10 sacerdotes, 7 tinham uma profissão antes de entrar no seminário (descartando os padres do seminário menor). O mesmo ocorre na vida religiosa: temos de arquitectas a administradoras de empresas que se tornaram freiras.
É normal que o primeiro sentimento seja o de medo diante da ideia de abandonar tudo.
Na realidade, você não abandona nada. Pelo contrário: ganha tudo! Trata-se de empreender uma nova missão: a de discípulo! Os discípulos de Jesus, de maneira simples e imediata, nos deixaram um grande exemplo.
A nova profissão de discípulo consistia em estar com o Mestre, deixar-se guiar totalmente por Ele. Dessa maneira, a profissão encontra duas vertentes. A primeira diz respeito a algo externo: caminhar junto ao Mestre com direcção diferente, sem vacilar e com segurança. A segunda é íntima e interna e diz respeito à nova orientação da existência.
Os sentimentos e pensamentos já não apontam para os negócios nem para a comodidade pessoal, mas conduzem ao abandono total e à doação aos outros
Estar à disposição do Mestre havia chegado a ser uma razão de vida. Isso significava tornar realidade o convite de Jesus ao jovem rico, a Mateus e a outros milhares de homens que largaram tudo, e podemos comprovar todos os dias.
A seguir, vou lhe apresentar uma maravilhosa experiência de “largar tudo”. Trata-se de uma jovem, administradora de empresas, profissão que deixou para se dedicar à nova profissão do discipulado proposto pelo Mestre. Ela é uma simples religiosa, formada em Teologia e actualmente cursa Direito Canónico; exerce sua profissão no mundo por meio da sua congregação.
Você tem uma profissão, um bom emprego, uma vida “quase” realizada, mas tem medo de largar tudo para consagrar-se a Cristo como freira?


Ouvindo isso, Jesus lhe disse: “Ainda lhe falta uma coisa: vá, venda tudo o que você tem e dê o dinheiro aos pobres, e assim terá um tesouro no céu. Depois venha e siga-me” (cf. Lc 18, 22-23). Ao ouvir isso, o jovem ficou muito triste, porque era muito rico.

Cito esta passagem bíblia porque ela reflecte bem o que se vive quando alguém sente o chamado de Deus, ou pelo menos a inquietude de ver em que consiste a “vocação” à vida sacerdotal ou consagrada.

De cara, talvez se pense: “Eu, padre/freira? Mas se já tenho todo um caminho percorrido, uma profissão e um emprego que adoro...”. Talvez você já tenha certo status, seu próprio salário, sua independência, enfim, uma vida com a qual muitos sonham.
Tudo isso pode fazer você achar que não precisa se questionar sobre o tema da vocação, já que está bem no caminho que escolheu, já construiu parte da sua vida e tem “segurança” (no sentido em que o mundo a entende), ou simplesmente pode dizer: “Por que vou me enclausurar ou perder o que já ganhei na vida?”.
No entanto, ainda que pareça incrível de acreditar, a pessoa ganhar mais ainda. Vender tudo, largar tudo... O Senhor, que é sábio e rico em misericórdia, dá muito mais.
Agora lhe contarei a minha história. Meu nome é Erika e sou freira. Na verdade, nunca me imaginei nesta opção de vida, nem quando era criança, adolescente ou jovem. No entanto, Deus me convidou e eu aceitei. Não foi fácil, nada fácil. Eu estava em uma situação de muito bem-estar.
Quando senti o chamado, quase me escondi, e dizia a Deus: “Não! Por favor, não!”. Mas havia algo maior em meu coração, um desejo de serviço, de entrega aos irmãos, de fazer algo diferente daquilo que todo mundo faz (ou seja, casar-se, ter um bom emprego, filhos etc.). É claro que eu tinha medo de largar tudo, “tudo”.
Meu processo durou três anos e ninguém ao meu redor sabia que eu estava passando por isso. As coisas ficavam cada vez mais complicadas para levar a cabo minha opção; no trabalho, eu recebia promoções, tinha cursos, viagens, enfim, nada disso me ajudava a decidir dar o salto. No entanto, eu dei esse salto, lancei-me na aventura e segui meus sonhos, aquilo que fazia meu coração vibrar.
Minha família se perguntava sobre o que eu poderia estar passando de ruim para fazer isso; perguntaram-me se eu havia tido alguma desilusão no amor (como as pessoas pensam ou a mídia mostra). Claro que não! Era um fogo que me queimava por dentro. Foi uma etapa de luta, lágrimas, alegria
Cheguei à vida religiosa e só durei 9 meses. A luta interna era tão grande, que decidi voltar para casa; eu ficava pensando que cada dia que passava era uma oportunidade de emprego perdida e que já não seria a mesma coisa. Então saí durante 10 meses; nesse tempo, voltei a trabalhar, recuperei muito do que deixei, ou mais ainda.
O emprego que consegui era fantástico. Deus me deixava em liberdade para decidir e não me fechava as portas. No entanto, não era a mesma coisa, minha vida parecia, de certa maneira, “vazia”, porque o “ter” e “fazer” me realizavam, mas o “ser” nem tanto. Assim, decidi voltar à vida religiosa, mas dessa vez com as mãos e o coração vazios de tudo o que pudesse me impedir de caminhar.
Agora, posso dizer que Deus é tão maravilhoso, que, na verdade, nos dá mais do que deixamos para trás. Actualmente, vivo com alegria a minha vocação, sigo o Ser a quem amo, e os dons que Ele me deu estão a serviço do seu Reino, ou seja, estudei Contabilidade Pública e, ainda que pareça inacreditável, eu a continuo exercendo. É claro que não recebo um salário espectacular monetariamente, mas em alegria e entrega, sim.
É trabalhar pelos outros, ver e descobrir que fazer bem o meu serviço dá frutos em muitas pessoas. Tudo aquilo que aprendi no trabalho me ajuda muito no trato com as pessoas, no desenvolvimento pessoal e institucional etc. E ainda por cima tive a oportunidade de cursar uma segunda faculdade.
Às vezes, temos a ideia de que, na vida religiosa ou sacerdotal, a pessoa é ignorante ou tem poucas possibilidades de desenvolvimento. Mas isso é um erro. Pelo contrário, Deus lhe permite crescer, desenvolver-se profissionalmente e ter oportunidades para isso.
Isso por falar só no aspecto profissional, mas há muitos outros âmbitos da vida sacerdotal e religiosa que também são muito interessantes.
Finalmente, como ao jovem rico, Jesus pode estar lhe dizendo: “Ainda lhe falta uma coisa: vá, venda tudo o que tem e dê o dinheiro aos pobres, e assim terá um tesouro no céu. Depois venha e siga-me”, e não se arrependerá.

Irmã Erika Jacinto Muñoz
Religiosa del Verbo Encarnado

(Artigo originalmente publicado por Vocación y Actualidad)

terça-feira, 3 de junho de 2014

Irmã Gabrielle, a freira que viu 8 papas



Francesa, 92 anos e um grande amor pela figura do papa. Eis uma das tantas freiras que se encontram no convento das Clarissas em Jerusalém


Ela nasceu a 6 de Fevereiro de 1922, dia da eleição de Pio XI, fato este que marcou sua vida. Irmã Gabrielle, 92 anos, há 40 anos em Jerusalém na ordem das irmãs Clarissas, tem tanto amor pela figura papal que sua longevidade a permitiu seguir a vida de 8 papas (Pio XI, Pio XII, João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II, Bento XVI e Papa Francisco), um recorde.

Corrado Paolucci ( aleteia)