quinta-feira, 30 de junho de 2016

Vaticano: Francisco alerta para Igreja «fechada» e com medo dos «perigos»


Foto: Osservatore Romano

Papa presidiu à Missa da Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo com arcebispos de todo o mundo

Cidade do Vaticano, 29 jun 2016 (Ecclesia) - O Papa Francisco presidiu hoje no Vaticano à Missa da solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo, padroeiros de Roma, na qual alertou para a “tentação” de uma Igreja “fechada”.

“[É] uma tentação que existe sempre na Igreja: a tentação de fechar-se em si mesma, diante dos perigos. Mas mesmo aqui há uma brecha por onde pode passar a ação de Deus: a oração”, declarou na homilia da celebração em que entregou o pálio aos novos arcebispos metropolitas de todo o mundo.

Francisco desafiou as comunidades católicas a passar “do fechamento à abertura, do medo à coragem, da tristeza à alegria” e, perante a tradicional delegação do Patriarcado de Constantinopla (Igreja Ortodoxa), da “da divisão à unidade”.

Os pálios dos novos arcebispos metropolitas – entre eles quatro brasileiros – vão ser impostos pelos núncios apostólicos (representantes diplomáticos da Santa Sé) nas respetivas arquidioceses.

Na sua homilia, o Papa recordou episódios das primeiras comunidades cristãs, pouco depois da morte e ressurreição de Jesus, recordando que o apóstolo Pedro foi preso por Herodes e libertado por causa da “oração da comunidade”.

Já em liberdade, Pedro procura entrar numa casa amiga, mas a porta não se abre de imediato, o que, segundo Francisco, “deixa intuir o clima de medo em que se encontrava a comunidade cristã, fechada em casa e fechada também às surpresas de Deus”.

“Pedro bate à porta. ‘Olha!’ Há alegria e medo: ‘abrimos ou não?’ E ele está em perigo, porque a polícia podia prendê-lo, mas o medo paralisa-nos, paralisa-nos sempre; fecha-nos, fecha-nos às surpresas de Deus”, acrescentou.

O Papa sublinhou que “a principal via de saída dos fechamentos” na Igreja “é a oração”.

“A oração, como humilde entrega a Deus e à sua santa vontade, é sempre a via de saída dos nossos fechamentos pessoais e comunitários. É a grande via de saída dos fechamentos”, explicou.

A homilia falou ainda da “abertura” que se verificou na vida de São Paulo, por causa do Evangelho, e que o levou a anunciar Cristo “àqueles que não o conhecem e, depois, para se lançar, por assim dizer, nos seus braços e ser levado por Ele”.

O Papa saudou a delegação enviada pelo patriarca ecuménico Bartolomeu, de Constantinopla, para celebrar uma “festa de comunhão para toda a Igreja”.

Francisco instituiu em 2015 uma mudança na imposição do pálio aos novos arcebispos, determinando que seja apenas entregue e não colocado pelo Papa nesta celebração anual de 29 de junho.

A imposição do pálio - faixa de lã branca com seis cruzes pretas de seda - será realizada nas respetivas arquidioceses, pelo núncio apostólico (representante diplomático da Santa Sé) no país.

Os pálios são insígnias litúrgicas, envergadas pelos arcebispos metropolitas nas suas igrejas e nas da sua província eclesiástica.

OC

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Vaticano: Bento XVI agradece «bondade» do Papa Francisco

Papa emérito celebra 65 anos de sacerdócio e deixa palavras de estímulo ao seu sucessor

Foto: Osservatore Romano

28 jun 2016 (Ecclesia) - O Papa emérito Bento XVI regressou hoje ao Palácio Apostólico do Vaticano pela primeira vez desde fevereiro de 2013 e agradeceu a “bondade” de Francisco, seu sucessor.

“Mais do que nos jardins do Vaticano, com a beleza que têm, a sua bondade é o lugar onde moro e me sinto protegido”, declarou Bento XVI, no final de uma cerimónia de homenagem pelo seu 65.º aniversário de sacerdócio, presidida pelo atual Papa.

O Papa emérito disse ter ficado sensibilizado pela “bondade” de Francisco “desde o primeiro momento da sua eleição” e “em cada momento” da sua vida no Vaticano.

“Esperamos que possa seguir em frente, com todos nós, neste caminho da misericórdia divina, mostrando a estrada de Jesus para Deus”, desejou, perante membros do Colégio Cardinalício e responsáveis da Cúria Romana, na Sala Clementina.

Após o discurso de homenagem de Francisco, que o abraçou, Bento XVI falou de improviso, de pé, em italiano, sobre a “nova dimensão” que Cristo trouxe à vida da humanidade.

“Ele transformou em graça, em bênção, a cruz , o sofrimento, todo o mal do mundo”, graças à “força do seu amor”, precisou.

Para o Papa emérito, cada pessoa é chamada a “receber realmente a novidade da vida e ajudar à transubstanciação do mundo, para que seja um mundo não de morte, mas de vida”, no qual “o amor tenha realmente vencido a morte”.

Bento XVI agradeceu a “amizade” dos presentes e elogiou a edição de um livro que apresenta reflexões sobre o sacerdócio.

“Sinto interpretado o essencial da minha visão, do meu agir”, referiu.

“Procuro ajudar a entrar, cada vez de uma forma nova, no mistério que o Senhor coloca nas nossas mãos”, acrescentou.

O Papa emérito revelou que, há 65 anos, um sacerdote que foi ordenado consigo decidiu escrever na pagela de recordação da primeira Missa uma única palavra, em grego - 'eucharistomen' [damos-te graças] - e mostrou-se “convencido de que nesta palavra, onde há tantas dimensões, está tudo o que se pode dizer neste momento”.

“Obrigado a todos vós, que o Senhor nos abençoe a todos, obrigado Santo Padre”, concluiu.

Bento XVI anunciou a sua renúncia ao pontificado a 11 de fevereiro de 2013 e está a manter desde então uma vida de recolhimento, no Vaticano, surgindo esporadicamente em público para acompanhar cerimónias presididas por Francisco ou receber homenagens.

Joseph Ratzinger nasceu em Marktl am Inn (Alemanha), no dia 16 de abril de 1927, e passou a sua infância e adolescência em Traunstein, uma pequena localidade perto da Áustria.

De 1962 a 1965, participou no Concílio Vaticano II como ‘perito’, após ter chegado a Roma como consultor teológico do cardeal Joseph Frings, arcebispo de Colónia.

Em 25 de março de 1977, o Papa Paulo VI nomeou-o arcebispo de Munique e Frisinga; a 28 de maio seguinte, recebeu a sagração episcopal e escolheu como lema episcopal ‘Colaborador da verdade’.

O mesmo Paulo VI criou-o cardeal, no consistório de 27 de junho de 1977.

Em 1978, participou no Conclave, celebrado de 25 a 26 de agosto, que elegeu João Paulo I; mo mês de outubro desse mesmo ano, participou também no Conclave que elegeu João Paulo II.

O Papa polaco nomeou o cardeal Ratzinger como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Comissão Teológica Internacional, em 1981.

No dia 19 de abril de 2005 foi eleito como o 265.º Papa, sucedendo a João Paulo II; a 11 de fevereiro de 2013, anunciou a renúncia ao pontificado, com efeitos a partir do dia 28 do mesmo mês, uma decisão inédita em quase 600 anos de história na Igreja Católica.


OC

https://www.youtube.com/watch?v=h3lU1Nqe2TU#action=share

Solenidade e S. PEDRO e S. PAULO


https://www.youtube.com/watch?v=fDdDWyppn6c

Desde o século III que a Liturgia une na mesma celebração as duas colunas da Igreja, Pedro e Paulo. Mestres inseparáveis de fé e de inspiração cristã pela sua autoridade, simbolizam todo o Colégio Apostólico. Pedro era natural de Betsaida, onde exercia a profissão de pescador. Jesus chamou-o e confiou-lhe a missão de guiar e confirmar os irmãos na fé. É uma das primeiras testemunhas de Jesus ressuscitado e, como arauto do Evangelho, toma consciência da necessidade de abrir a Igreja aos gentios (At 10-11). Paulo de Tarso, perseguidor acérrimo da Igreja, converte-se no caminho de Damasco. A partir daí, a sua vivacidade e brilhantismo são postos ao serviço do Evangelho. Fortemente apaixonado por Cristo, percorre o Mediterrâneo para anunciar o Evangelho da salvação, especialmente aos pagãos. Depois de terem sofrido toda a espécie de perseguições, ambos são martirizados em Roma. Regando com o seu sangue o mesmo terreno, “plantaram” a Igreja de Deus.


S.PEDRO E S. PAULO ROGAI POR NÓS

terça-feira, 28 de junho de 2016

Lisboa: Cardeal-patriarca ordenou oito sacerdotes


Foto: Patriarcado de Lisboa

D. Manuel Clemente desafiou novos padres a ir ao encontro de «cada dimensão da vida social ou cultural»

Lisboa, 27 jun 2016 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa afirmou que anunciar a “vinda de Jesus” a cada pessoa e família, “a cada dimensão da vida social ou cultural” é o “único” programa dos oito novos sacerdotes ordenados este domingo.

“[Anúncio] Fazê-lo como sempre importa, empolgados pelo ‘sonho missionário de chegar a todos’, na variedade quantitativa e qualitativa das atuais circunstâncias. Igualmente sabendo que a misericórdia divina incide na carne sofredora do mundo; e que a vida ressuscitada de Cristo a há de tocar e salvar pelo corpo eclesial dos batizados e pelo ministério pastoral dos seus padres”, disse D. Manuel Clemente na celebração na igreja do Mosteiro dos Jerónimos.

Na homilia enviada à Agência ECCLESIA, o prelado recordou a terceira meditação do Papa Francisco no Jubileu dos Sacerdotes e explicou que o povo aprecia no padre: ‘Se cuida dos pobres, dos doentes, se perdoa os pecadores, ensina e corrige com paciência’.

O cardeal-patriarca de Lisboa assinalou aos novos sacerdotes que pelo seu “modo definitivo de viver” e pela sua “decisão sem retorno” vão anunciar a “vinda de Cristo à Jerusalém do mundo, a Páscoa de Cristo a quantos a esperam, o Reino de Deus finalmente aqui”.

D. Manuel Clemente presidiu à ordenação sacerdotal de oito novos padres, sete que vão ficar ao serviço da Igreja de Lisboa – Bernardo Trocado, 27 anos; Joaquim Loureiro, 30 anos; Marcos Martins, 33 anos; Miguel Cavaco, 27 anos; Rodrigo Alves, 25 anos; Thiago Leite 29 anos e Tiago Fonseca, 30 anos – e ainda José André dos Santos Ferreira, de 29 anos, da Sociedade de São Paulo (Paulistas).

“Na vida de um padre não há lugar para recortes ou demoras, no coração ou na agenda, como também ouvimos – ‘Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o Reino de Deus’ -, advertência que há de ter nos seus mensageiros ordenados uma concretização absoluta, que abra a cada ser humano o horizonte divino da vida”, desenvolveu o prelado.

O cardeal-patriarca de Lisboa incentivou a “viver definitivamente as coisas mais comuns, de vivê-las com Deus, por Deus e para Deus” e sublinhou que os agora sacerdotes quando se aproximarem de alguém ou alguém se aproximar deles apenas será ‘Reino’ o que “for integralmente proposto e decisivamente vivido”.

Na homilia intitulada ‘Para viver definitivamente as coisas’, acrescentou que o Reino “não se visibilize superficialmente” e, “muito menos”, a olhares fugazes porque o Reino já está presente no “corpo ressuscitado de Cristo, que o corpo eclesial assinala e o corpo de quem sofre patenteia”.

CB/OC

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Bento XVI celebrará com o papa Francisco os seus 65 anos de sacerdócio


bento e francisco

O papa emérito Bento XVI celebrará no próximo dia 29 de junho os seus 65 anos de ordenação como sacerdote da Igreja católica!





A ocasião extraordinária será marcada, no dia 28 de junho, por uma celebração solene presidida pelo papa Francisco na Sala Clementina do Palácio Apostólico do Vaticano, em presença do festejado.

O papa emérito receberá como presente um livro sobre o sacerdócio produzido especialmente em sua homenagem, conforme divulgado pela Fundação Ratzinger.

Joseph Ratzinger foi ordenado sacerdote na festa de São Pedro e São Paulo do ano de 1951, na catedral de Freising (Frisinga), na Alemanha, juntamente com seu irmão mais velho, o pe. Georg. Eles receberam a ordenação das mãos do cardeal Michael von Faulhaber, o então arcebispo de Munique.

“Éramos mais de quarenta candidatos. Quando nos chamaram, respondemos: ‘Eis-me aqui’”, relata o próprio papa emérito na sua autobiografia.

Após renunciar ao pontificado, Bento XVI respeitou fielmente o próprio retiro em uma vida de oração e dedicação aos aprofundamentos teológicos e filosóficos, aparecendo muito raramente em público. A sua última aparição pública foi durante a abertura do Jubileu da Misericórdia, em 8 de dezembro do ano passado.

(www.aleteia.org)

RESSENTIMENTO E PERDÃO


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Hoje vamos falar do ressentimento e do perdão no hino da caridade...



Diz-nos S. Paulo que o amor não guarda ressentimento.
Primeiro, o que é o ressentimento?

O ressentimento é a «mágoa sentida por uma ofensa». Não me parece que seja possível impedir o ressentimento. Todos nós ficamos ressentidos se nos ofendem, se nos magoam. Ora, esta mágoa depende muito do tipo de ofensa que nos fazem. A ofensa vai de uma brincadeira que nos magoa até um ato de uma crueldade inaudita. Reparemos que S. Paulo não nos diz que o amor não fica ressentido. Diz que não guarda ressentimento. Aqui, eu gostava de acrescentar uma coisa: a pessoa cristã, magoada, pode não guardar ressentimento para sempre, mas guarda ressentimento durante algum tempo. Senão não era uma pessoa normal. E se fomos muito magoados, o ressentimento dura muito tempo. E, ainda, se somos magoados constantemente, o ressentimento também é constante; não acaba enquanto a dor se mantiver.

Diz-nos S. Paulo que o amor não guarda ressentimento.

Primeiro, o que é o ressentimento? O ressentimento é a «mágoa sentida por uma ofensa». Não me parece que seja possível impedir o ressentimento. Todos nós ficamos ressentidos se nos ofendem, se nos magoam. Ora, esta mágoa depende muito do tipo de ofensa que nos fazem. A ofensa vai de uma brincadeira que nos magoa até um ato de uma crueldade inaudita. Reparemos que S. Paulo não nos diz que o amor não fica ressentido. Diz que não guarda ressentimento. Aqui, eu gostava de acrescentar uma coisa: a pessoa cristã, magoada, pode não guardar ressentimento para sempre, mas guarda ressentimento durante algum tempo. Senão não era uma pessoa normal. E se fomos muito magoados, o ressentimento dura muito tempo. E, ainda, se somos magoados constantemente, o ressentimento também é constante; não acaba enquanto a dor se mantiver.

O ressentimento é, pois, proporcional à dor da ferida e à nossa sensibilidade. O ressentimento há de passar, mas se fomos muito magoados, não passa durante muito tempo. E se formos constantemente magoados, nunca passa. Há, assim, duas causas que podem fazer o nosso ressentimento durar muito tempo:

– ou um ato que nos magoou muito,

– ou uma série de atos que não param.

Vou dar dois exemplos:

Uma vez tive que fazer o enterro de uma senhora que tinha sido assaltada, violada, assassinada e depois os criminosos ainda deitaram fogo à casa. A família dessa senhora vai guardar ressentimento durante muito tempo porque é uma ferida horrorosa. Provavelmente vai, mesmo, guardar ressentimento toda a vida, se bem que possa ir diminuindo.

Outro caso, que pode acontecer, é nós sermos magoados de forma continuada. Neste caso, há alguém que não para de nos magoar, que nos está sempre a magoar. Assim o ressentimento não acaba porque aquilo que nos magoa também não acaba.

Às vezes achamos que não estamos em posição de sacudir essa pessoa das nossas vidas. Na minha vida de padre já me deparei com pessoas que eram muito humilhadas no emprego, mas que não conseguiam arranjar outro. E também me deparei com pessoas achincalhadas pelos pais, não tendo forças para cortar com eles porque achavam que não se podiam desligar dos pais. Já para não falar dos casos de violência doméstica, em que a pessoa atacada não luta para se libertar daquela situação.

S. Paulo também nos diz: «a caridade tudo desculpa». Sim, o amor desculpa tudo mas às vezes demora muito tempo.

E o que é desculpar? Desculpar é deixarmos de querer mal à pessoa que nos fez mal. Desculpar é ainda rezar por essa pessoa. E é ser capaz de querer bem. Desculpar não é convidar a pessoa para minha casa, desculpar não é convidar para casa quem me fez mal ou fazer-me amigo dessa pessoa. Também não é esquecer.

Este ponto é muito importante porque há muitas pessoas que confundem as duas coisas. Podemos já ter perdoado e continuar a lembrar o mal que nos fizeram. Continuar, mesmo, a sentir dor, incómodo, revolta (etc.) de cada vez que pensamos na pessoa que nos magoou não quer dizer que não tenhamos perdoado. São sensações que têm mais a ver com a Psicologia do que com a Moral. São sensações de quem não esqueceu e não de quem não perdoou. Não tem a ver com o perdão, tem a ver com aquilo que nos marca. Positiva ou negativamente. Tanto não esquecemos o dia da Primeira Comunhão como aquela terrível ida ao dentista. Daí que se a ofensa foi muito grande, como nos marcou muito, nunca mais vá ser esquecida. Mas atenção que enquanto a ofensa não parar, não é possível perdoar. Se uma pessoa nos achincalha ou maltrata com regularidade, a ferida (psicológica) que nos provoca está permanentemente a ser aberta, logo é muito difícil, senão de todo impossível, perdoar.

Concluindo:

O ressentimento é a dor que sentimos.

Esta dor demora tanto mais tempo a passar quarto maior foi a ofensa.

Perdoar é não querer mal e ser capaz de rezar por. Nem implica ser amigo nem implica esquecer.

No próximo artigo vamos ver o seguinte:

Se perdoar não implica ficar amigo, como é que podemos amar os inimigos?

Texto: Gonçalo Miller Guerra, s.j.

Imagem: Ilda David'

domingo, 26 de junho de 2016

A Oração


https://www.youtube.com/watch?v=9UXXqFM8GDU&feature=youtu.be


"A oração não é outra coisa senão criar amizade, estando muitas vezes a sós com quem sabemos que nos ama". (Santa Teresa de Jesus)

Sim, não é outra coisa. Rezar é falar com Deus, com JESUS, mas Ele mesmo nos ensinou que não se trata de falar por falar. Isso seriam palavras que o vento leva. Trata-se de falar com JESUS para nos tornarmos seus amigos, amigos íntimos, amigos que se conhecem a fundo e se amam com loucura. Assim é a oração! A história duma amizade maravilhosa, porque JESUS é o grande amigo, o melhor amigo que poderíamos encontrar.

Responder ao chamamento de Cristo


https://www.youtube.com/watch?v=CdD4pZFjxEA

A liturgia de hoje sugere que Deus conta connosco para intervir no mundo, para transformar e salvar o mundo; e convida-nos a responder a esse chamamento com disponibilidade e com radicalidade, no dom total de nós mesmos às exigências do “Reino”.
A primeira leitura apresenta-nos um Deus que, para actuar no mundo e na história, pede a ajuda dos homens; Eliseu (discípulo de Elias) é o homem que escuta o chamamento de Deus, corta radicalmente com o passado e parte generosamente ao encontro dos projectos que Deus tem para ele.
O Evangelho apresenta o “caminho do discípulo” como um caminho de exigência, de radicalidade, de entrega total e irrevogável ao “Reino”. Sugere, também, que esse “caminho” deve ser percorrido no amor e na entrega, mas sem fanatismos nem fundamentalismos, no respeito absoluto pelas opções dos outros.
A segunda leitura diz ao “discípulo” que o caminho do amor, da entrega, do dom da vida, é um caminho de libertação. Responder ao chamamento de Cristo, identificar-se com Ele e aceitar dar-se por amor, é nascer para a vida nova da liberdade.

Apelo e convite a amar. Apelo: um convite presente em todas as leituras deste domingo. Apelo que recebe um acolhimento favorável, mas com resistências quanto à resposta. Sim, mas… Vamos aceitar o apelo de Jesus a segui-l’O, vamos renovar o convite a segui-l’O no amor. Em cada momento, ao longo da semana que se segue…

www.dehonianos.org/

sábado, 25 de junho de 2016

Arménia: Papa presta homenagem ao «martírio» da primeira nação cristã da história


(Lusa)

Papa Francisco iniciou programa oficial com visita de caráter ecuménico à sede apostólica de Etchmiadzin

Etchmiadzin, Arménia, 24 jun 2016 (Ecclesia) - O Papa Francisco homenageou hoje a história de fé e “martírio” na Arménia, considerada a primeira nação cristã da história, durante uma visita à sede apostólica de Etchmiadzin, nos arredores da capital.

“Queira o Senhor abençoar-vos por este luminoso testemunho de fé, que demonstra de maneira exemplar, com o sinal eloquente e sagrado do martírio, a poderosa eficácia e fecundidade do Batismo recebido há mais de mil e setecentos anos, que se manteve um elemento constante da história do vosso povo”, declarou Francisco, que entrou na Catedral da Igreja Apostólica Arménia acompanhado pelo patriarca desta comunidade, Karekin II.

Os dois responsáveis trocaram simbolicamente um abraço de paz diante do altar-mor, após terem beijado a cruz e o livro dos Evangelhos.

“Para a Arménia, a fé em Cristo não foi uma espécie de vestido que se põe ou tira segundo as circunstâncias e conveniências, mas um elemento constitutivo da sua própria identidade”, declarou o papa.

A Arménia celebrou em 2015 o centenário das perseguições do Império Otomano contra os cristãos, que segundo os seus responsáveis teriam provocado a morte de 1,5 milhões de pessoas num “genocídio”; esta visão é rejeitada pela Turquia, para quem o número de arménios mortos, nos combates que se sucederam ao levantamento das populações, não supera os 500 mil.

Após a recitação de um salmo, Francisco pronunciou a sua primeira intervenção em solo arménio, mostrando-se “comovido” por estar num local que testemunha a história desse povo.

“Considero um dom precioso de Deus poder-me aproximar do santo altar donde refulgiu a luz de Cristo na Arménia”, explicou.

Menos de uma hora depois de ter chegado ao aeroporto internacional de Erevan, para uma visita de três dias, o Papa agradeceu a “amizade e a caridade fraterna” da Igreja Apostólica Arménia.

“Curvo-me diante da misericórdia do Senhor, que quis que a Arménia se tornasse a primeira nação, desde o ano de 301, a acolher o cristianismo como sua religião, numa época em que grassavam ainda as perseguições no Império Romano”, acrescentou.

O pontífice sublinhou depois o caminho de aproximação, nas últimas décadas, entre a Igreja Católica e a Igreja Apostólica Arménia, “através dum diálogo sincero e fraterno”.

“O mundo está, infelizmente, marcado por divisões e conflitos, bem como por graves formas de pobreza material e espiritual, incluindo a exploração das pessoas, mesmo de crianças e idosos, e espera dos cristãos um testemunho de estima mútua e colaboração fraterna”, assinalou.

O Papa defendeu que o diálogo ecuménico “impede a instrumentalização e manipulação da fé” e abre “caminhos de reconciliação” entre nações e civilizações.

Francisco é o primeiro Papa a visitar a Arménia desde a viagem de São João Paulo II, em 2001.

O programa desta sexta-feira incluiu uma visita ao Palácio Presidencial, para uma reunião privada com o presidente Serzh Sargsyan seguida do encontro com as autoridades civis e o corpo diplomático; Francisco vai depois encontrar-se de novo com o patriarca Karekin II.

O palácio apostólico de Etchmiadzin, sede do ‘catholicos’ dos arménios, será a residência oficial do Papa até domingo.

OC

Seguir Cristo


https://www.youtube.com/watch?v=7oOoY1w_RM8

Eu te seguirei para onde fores!

Jesus parece assustar seus seguires quando alguns se entusiasmam tanto que dizem querer segui-lo para onde quer que vá!
Mas eles não entendiam ainda o alcance das palavras que estavam pronunciando!
Depois, sim, já iluminados pelo Espírito, entenderão e não mais abandonarão o Mestre em busca de outros caminhos de mais segurança para as coisas deste mundo.
Jesus foi duro, sim, foi claro. E eles só entenderão suas palavras mais tarde.
Mas isso ocorrerá quando já estiverem preparados para as ouvirem.


Informação Paroquial

Informa - se que no período de Verão não são celebradas as missas vespertinas de sábado que habitualmente tinham lugar na Igreja de Nª Srª da Luz pelas 18:30H. 

Pedimos desculpa pela informação errónea dada anteriormente.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Arménia: Papa envia mensagem em favor da paz e da reconciliação com a história

Papa Francisco inicia na sexta-feira primeira viagem ao Cáucaso

(Ecclesia) - O Papa Francisco enviou uma videomensagem à população da Arménia, antecipando a sua viagem ao país, com início marcado para sexta-feira, e deixou um apelo à paz e à reconciliação com a história.

“Não permitamos que as recordações dolorosas tomem conta do nosso coração; mesmo diante dos ataques repetidos do mal, não nos rendamos”, declarou, numa evocação das várias perseguições contra os arménios, que assinalaram em 2015 o centenário do ‘martírio’ (Metz Yeghern) às mãos do Império Otomano.

O Papa visita a Arménia a convite de Karekin II, supremo patriarca e catholicos de todos os arménios, das autoridades civis e da Igreja Católica, naquela que é a sua 14ª viagem internacional, com passagens, até ao momento, por 21 países.

Francisco confessa “admiração e dor” pela história e “vicissitudes” do povo arménio, cujos sofrimentos “estão entre os mais terríveis que a humanidade recorda”.

A mensagem associa-se, por isso, à dor pelas “tragédias” que os antepassados deste povo “viveram na sua própria carne”.

O Papa apresenta-se como “servo do Evangelho e mensageiro de paz", disposto a apoiar todos os esforços de “reconciliação”.

Francisco vai visitar no sábado o memorial dedicado às vítimas do genocídio arménio em Erevan, capital da Arménia, durante a sua visita ao país, entre sexta-feira e domingo.

A passagem pelo memorial de Tsitsernakaberd, construído em 1967, é um dos pontos centrais da visita do pontífice argentino, que já em abril de 2015 tinha celebrado uma Missa pelo centenário do ‘Metz Yeghern’, durante a qual proclamou São Gregório de Narek como doutor da Igreja.

“Daqui a pouco terei a alegria de estar entre vocês, na Arménia”, refere na videomensagem, pedindo ao povo arménio para rezar por esta viagem apostólica.

A intervenção recorda que a Arménia é considerado “o primeiro país cristão” - o rei Tiridates III proclamou o Cristianismo como religião de Estado em 301, ainda antes do Império Romano, sob o impulso de São Gregório, o Iluminador.

“Façamos como Noé que depois do dilúvio não se cansou de olhar para o céu e libertar várias vezes a pomba, até que uma vez ela regressou a ele com um ramo novo de oliveira. Era o sinal de que a vida podia recomeçar e a esperança devia ressurgir”, observou.

A mensagem faz assim referência à tradição bíblica, que no livro do Génesis assinala que a arca de Noé teria pousado sobre o monte Ararat, que agora pertence à Turquia.

Simbolicamente, Francisco e Karekin II vão lançar pombas brancas desde o Mosteiro de Khor Virap em direção ao monte.

Em abril de 2015, o Papa associou-se à cerimónia de “canonização dos mártires” da Igreja Arménia Apostólica (independente de Roma).

“Um século passou sobre este horrível massacre que foi um autêntico martírio do vosso povo, no qual muitos inocentes morreram”, escreveu, citando a declaração comum assinada por João Paulo II e pelo patriarca arménio Karekin II em 2001.

A referência a este texto, que fala do “extermínio de um milhão e meio de arménios cristãos” como “o primeiro genocídio do século XX”, mereceu protestos por parte da Turquia.

Segundo a Arménia, 1,5 milhões de pessoas foram perseguidas e mortas entre 1915 e 1916, enquanto para a Turquia o número de arménios mortos, nos combates que se sucederam ao levantamento das populações arménias contra os otomanos, não supera os 500 mil.

OC


Deixa Deus entrar...




"Antes de dizer alguma palavra
Deixa-me ouvir a Tua voz
E no meio da dor
Deixa-me sentir a Tua alegria
Eu quero conhecer-Te
Eu quero encontrar-Te."
First-Lauren Daigle



Cada vez temos menos paciência para este Deus. Vivemos num mundo demasiado agitado, onde tudo é a correr. Custa-nos parar para O deixarmos entrar.

Queremos que tudo seja instantâneo. Achamos, muitas das vezes, que esta construção, de onde Deus é protagonista, é feita à semelhança do fast food.

O tempo deste Deus não é o nosso tempo.

A vontade d'Ele não é a nossa vontade.

E antes de partirmos para a discussão, antes de partirmos para um inúmero palavreado com Ele, nós devemos parar… Precisamos de Lhe dizer: "Agora sim, eu estou preparado para que Tu entres".

É certo que são muitas as questões, as dúvidas e as dores.

Mas também é ainda mais certo que através desta fé sabemos que Ele nos acompanha.

E quando alguém acompanha o outro nunca elimina a dor, o sofrimento, nem dá todas as respostas, mas ampara. Segura. Protege. Dá alento. Divide tristezas e multiplica a felicidade.

E tudo isto só é possível se deixarmos que alguém entre nas nossas vidas.

Tudo isto acontece se abrirmos a porta e O deixarmos cear connosco.

E para isso não podemos fechar os nossos corações.

Para isso não podemos ignorar todas as questões.

Para isso temos de deixar que exista este encontro.

Precisamos que a paciência com este Deus seja enorme, pois só assim perceberemos o seu amor.

Só assim conseguiremos deixar as nossas vidas nas Suas mãos.

A fé nunca será totalmente adquirida.

A fé será sempre o "sim" e o "não" que daremos em cada dia a este Deus.

Tudo depende do relacionamento.

Tudo depende da forma como nos damos.

Por isso, antes de partirmos, deixemos que Ele entre.

Antes de desistirmos, deixemos que Ele trabalhe em nós.

Antes de desanimarmos, experimentemos a Sua alegria, a Sua misericórdia e o Seu amor.

Oração da noite



Hoje o PapaFrancisco compartilhou a oração que reza todas as noites antes de dormir.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Papa: Olhar-se ao espelho antes de julgar os outros

Antes de julgar os outros, devemos olhar-nos ao espelho para ver como somos. Foi a exortação do Papa na missa desta segunda-feira (20/06), na Casa Santa Marta. O Pontífice sublinhou que aquilo que distingue o juízo de Deus do nosso não é a omnipotência, mas a misericórdia.



O juízo pertence somente a Deus; por isso, se não quisermos ser julgados, nós também não devemos julgar os outros. Concentrando-se na leitura do Evangelho do dia, o Papa observou que ‘todos nós queremos que no Dia do Juízo, o Senhor nos olhe com benevolência, que se esqueça das coisas feias que fizemos na vida’.

Por isso, ‘se julgas continuamente os outros – advertiu – serás julgado com a mesma medida’. “O Senhor – prosseguiu – nos pede para nos olharmos no espelho”:

“Olha no espelho... mas não para se maquiar, para que não se vejam as tuas rugas. Não, não, não é este o conselho... Olha no espelho para te veres a ti mesmo, como és. ‘Porque olhas o argueiro que está no olho do teu irmão e não reparas na trave que está no teu? Como podes dizer ao teu irmão ‘Deixa que tire o argueiro que tens na vista, enquanto a trave está na tua?’. E como nos define o Senhor, quando fazemos isso? Com uma só palavra: ‘Hipócrita’. Tira primeiro a trave do teu olho, e só então, poderás ver bem e tirar o argueiro do olho do seu irmão”.

O Senhor, disse o Papa, podemos notar que “fica um pouco com raiva aqui”, nos chama de hipócritas quando nos colocamos no lugar de Deus”. Isto, acrescentou, é o que a serpente persuadiu a fazer Adão e Eva: “Se comerdes isso, sereis como Ele”. Eles, disse o Papa, “queriam tomar o lugar de Deus”:

“Por isso é feio julgar. O juízo é só de Deus, somente d’Ele! A nós o amor, a compreensão, rezar pelos outros quando vemos coisas que não são boas, mas também falar com eles: ‘Mas, olha, eu vejo isso, talvez ...' Mas jamais julgar. Nunca. E isso é hipocrisia, se nós julgamos”.

Quando julgamos, continuou, “nós nos colocamos no lugar de Deus”, mas “o nosso julgamento é um julgamento pobre”, nunca “pode ser um verdadeiro julgamento”. “E porque – pergunta-se o Papa - o nosso não pode ser como o de Deus? Porque Deus é Todo-Poderoso e nós não?” Não, é a resposta de Francisco, “porque no nosso julgamento falta a misericórdia. E quando Deus julga, julga com misericórdia”:

“Pensemos hoje no que o Senhor nos diz: não julgar, para não ser julgado; a medida, o modo, a medida com a qual julgamos será a mesma que usarão para connosco; e, em terceiro lugar, vamos nos olhar no espelho antes de julgar. ‘Mas aquele faz isso... isto faz o outro...’ ‘Mas, espere um pouco... ', eu me olho no espelho e depois penso. Pelo contrário, eu vou ser um hipócrita, porque eu me coloco no lugar de Deus e, também, o meu julgamento é um julgamento pobre; carece-lhe algo tão importante que tem o julgamento de Deus, falta a misericórdia. Que o Senhor nos faça entender bem essas coisas”.

RádioVaticana] iMissio

terça-feira, 21 de junho de 2016

INFORMAÇÃO PAROQUIAL


Dia 24 , sexta- feira, Feriado Municipal será celebrada a Eucaristia em Honra de S. João, pelas 11:00 H na Igreja Matriz.
Aos sábados a Eucaristia das 18:30H passará a ser celebrada na Igreja Matriz, durante o período de Verão.








SÃO JOÃO SÃO JOÃO TRAZ O ARCO E O BALÃO


A liturgia celebra a morte dos santos. O único santo de quem se celebra também o nascimento é João Batista. Sabemos que sua mãe era Isabel, uma senhora idosa e estéril, da descendência de Aarão. Seu pai, Zacarias, era um sacerdote do grupo de Abias. Ambos eram de idade avançada e justos diante de Deus (cf. Lc 1, 5-6). Desejavam ter um filho. Apesar da promessa de que iria ter um filho, Zacarias, consciente da idade avançada dos dois, duvidou daquela conversa do Anjo e saiu-lhe cara a brincadeira: ficou mudo até que tudo acontecesse. Mas o desejado pimpolho não se fez esperar, traquina e saudável lá veio à luz do dia. Segundo nos narra S. Lucas, a Anjo havia dito a Zacarias que o menino ia ser grande diante do Senhor e seria cheio do Espírito Santo desde o ventre materno (cf. Lc 1, 15-16). Oito dias após o nascimento, foram circuncidá-lo e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. A mãe, Isabel, bateu o pé e disse que não, que havia de chamar-se João. Os vizinhos diziam que sim, que deveria chamar-se Zacarias, até porque ninguém na família se chamava João. Foi o pai, Zacarias, que acabou por resolver a contenda. Porque não podia falar, escreveu numa tabuinha: “João é o seu nome”. E pronto, ponto, ficou dito e decidido. No mesmo instante, a boca de Zacarias abriu-se, a sua língua soltou-se e começou a louvar a Deus. Todos se admiraram e se perguntavam: “O que irá ser este menino?” (cf. Lc 57-66). De formação austera e simples, pessoa humilde e firme nas suas convicções, João foi um grande profeta, um profeta de transição do Velho para o Novo Testamento. Denunciou o erro com coragem e determinação, anunciou a verdade com entusiasmo e esperança. Foi o percursor de Cristo. Aquele que deu testemunho da luz, mas não era a luz. O que apontou “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” e batizou Jesus no Jordão. As autoridades de Jerusalém, intrigadas sobre se não seria ele o Messias, mostravam-se atentas e curiosas. Desejavam saber quem, afinal, era aquele senhor tão estranho que se vestia com pele de camelo, se alimentava de gafanhotos e mel silvestre, congregava o povo que o ouvia com atenção e denunciava a falsa segurança dos fariseus e as intrigas políticas dos saduceus: “raça de cobras venenosas” (Mt 3,7). Enviaram-lhe, então, uma espécie de embaixada que lhe perguntou, com insistência de mosca, qual a sua identificação: “Tu quem és?” João, que tinha o seu cartão de cidadão em dia, não demorou: “Eu não sou o Messias”. Insistiram de novo: “Quem és, então? És tu Elias?” João retorquiu, com determinação: “Não sou”. Voltaram à carga: “És tu o profeta?”. João respondeu: “Não”. Sem resposta capaz para levar às autoridades, insistiram mais uma vez: “Quem és tu, para podermos dar uma resposta aos que nos enviaram? Que dizes de ti mesmo?”. João responde: “Eu sou a voz de quem grita no deserto: endireitai o caminho do Senhor”. Porque não teriam entendido muito, voltam a perguntar: “Então porque é que batizas, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?” João responde serenamente e acaba por encerrar a entrevista: “Eu batizo com água, mas no meio de vós está Alguém que vós não conheceis e que vem depois de mim. Eu não mereço nem sequer desatar-lhe a correia das sandálias” (Jo 1, 19-28). Esta estranha postura aliada à forte e revolucionária pregação de João incomodaram muita gente, a começar pelas próprias autoridades. O Imperador temia que a fama e a simpatia de João provocassem uma revolta contra ele, Imperador. O próprio Herodes não aguentou por muito mais tempo este fora de série que cativava o povo e denunciava a hipocrisia dos costumes, de forma dura e seca, sem medo nem enredos. Mandou-o prender, algemar e colocar na prisão. Mateus diz que “Herodes …quisera mesmo dar-lhe a morte, mas teve medo do povo que o considerava um profeta” (Mt 14, 3-5). Mas Herodes não se fez esperar. Por motivos que envergonham a justiça e definem tal personalidade, mandou-o assassinar da forma mais leviana e desonrosa, a pedido de Herodíades, mulher de seu irmão Filipe, ainda vivo, e com a qual, ele, Herodes, mantinha uma relação amorosa. João afirmava-lhe, sem papas na língua: “Não te é permitido tê-la por mulher”. Na grande farra do seu aniversário, Herodes, por dá cá aquela palha, mandou-o decapitar e entregar a sua cabeça, num prato, à dita cuja mulher de seu irmão e sua companheira ou namorada, usando os eufemismos de hoje em dia. Assim morria aquele acerca do qual Jesus dissera: “Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Batista” (Mt 11,7-10). Educado na sadia exigência da verdade, no sentido de Deus e do bem, cumpriu a sua missão, com entusiasmo e zelo. Não foi cana agitada pelo vento, não embandeirou em arco, não foi balão de oxigénio sem peso nem valor. Foi grande na vida, foi grande na morte.
Dom Antonino Dias - Bispo de Portalegre- Castelo Branco

segunda-feira, 20 de junho de 2016

O Papa Francisco ofereceu chaves de leitura para a sua exortação apostólica Amoris Laetitia


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O Papa Francisco ofereceu uma profunda reflexão e chaves de leitura para a sua exortação apostólica Amoris Laetitia, recentemente publicada. 


O Santo Padre aproveitou a abertura do Congresso Eclesial da Diocese de Roma, na Basílica de São João de Latrão, que este ano aborda precisamente tal documento pontifício para recuperar algumas “ideias/tensões –chaves, surgidas durante o caminho sinodal” que podem ajudar a compreender melhor o espírito que se reflecte na exortação.

E para fazê-lo utilizou três imagens bíblicas das quais tirou três conclusões: a vida de cada pessoa, a vida de cada família deve ser tratada com muito respeito e cuidado, especialmente quando refletimos sobre essas coisas; ter cuidado para nã o fazer uma pastoral de guetos e para guetos; dar espaço aos anciãos para que voltem a sonhar.

“Tire as sandálias, pois o chão que está pisando é uma terra santa.” Esta foi a primeira imagem usada pelo Papa em seu discurso. A este respeito destacou que o terreno que tinha que atravessar, os temas a serem enfrentados no Sínodo, “precisavam de uma atitude determinada”. Tínhamos na frente uma – esclareceu – os rostos concretos de muitas famílias. “Este dar rosto aos temas exigia e exige um clima de respeito capaz de ajudar-nos e escutar aquilo que Deus nos está dizendo dentro das nossas situações”, explicou o Papa.

Um respeito “carregado de preocupações e perguntas honestas que olhavam para o cuidado das vidas que somos chamados a pastorear”. O dar rosto aos temas, assegurou o Santo Padre, ajuda a “não ter pressa para obter conclusões bem formuladas, mas muitas vezes sem vida” e ajuda “para não falar em abstracto”. Porque muitas vezes nos tornamos ‘pelagianos’, disse .

Também afirmou que as famílias “não são um problema, mas uma oportunidade que Deus nos coloca à frente”. Oportunidade que “nos desafia a suscitar uma criatividade missionária capaz de abraçar todas as situações concretas” e não só nas nossas paróquias, mas saindo a busca-las. Outro desafio ao que fez referência é o do “não dar nada nem ninguém por perdido, mas buscar, renovar a esperança de saber que Deus continua atuando dentro das nossas famílias”, “não abandonar ninguém porque não está à altura do que lhe foi pedido”. Refletir sobre a vida das nossas famílias – insistiu Francisco – assim como são e assim como estão, nos pede para tirar as sandálias para descobrir a presença de Deus.

A segunda imagem é a do fariseu quando ora dizendo: “Meu Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, ladrões, injustos e adúlteros; nem sequer como esse publicano”. A este respeito, o Pontífice advertiu que uma das tentações às quais estamos expostos continuamente é ter uma “lógica sep aratista”, especialmente os que vivem em uma situação diferente. O Papa garantiu que não podemos analisar, refletir e rezar sobre a realidade “como se estivéssemos em lados ou caminhos diferentes, como se estivéssemos fora da história”. Todos – sublinhou – necessitamos de conversão.

Também indicou que o acento colocado na misericórdia “nos coloca diante da realidade de forma realista, mas não com um realismo qualquer, mas com o realismo de Deus”. As análises são importantes e necessárias, mas “nada se pode comparar com o realismo evangélico, que não para diante das descrições das situações, das problemáticas – menos ainda diante do pecado – mas vai sempre além e consegue ver detrás de cada rosto, de cada história, de cada situação, uma oportunidade, uma possibilidade”. O Papa garantiu que isso não significa não ser claros na doutrina, mas “evitar cair em julgamentos e atitudes que não assumem a complexidade da vida”.

O realismo evangélico – disse – suja as mãos porque sabe que “grão e ervas da ninhas” crescem juntos, e o melhor grão, nesta vida, estará sempre misturado com um pouco de ervas daninhas.

Recordou um capitel medieval em uma Igreja na França no começo do caminho a Santiago, no qual está Judas que se enforca e do outro lado Jesus que o carrega. E voltando à imagem bíblica do fariseu destacou o perigo do Graças te dou porque sou da Acção Católica, da Cáritas, etc. e não como os destes bairros que são delinquentes… “isso não ajuda à pastoral”, disse o Papa.

Finalmente, a terceira imagem evocada pelo Papa é “seus anciãos terão sonhos proféticos” do livro de Joel. Com esta imagem o Santo Padre quis sublinhar a importância que os Padre sinodais deram ao valor do testemunho como lugar em que se pode encontrar o sonho de Deus e a vida dos homens.

Os sonhos dos anciãos vão junto com “as visões dos jovens”. Por isso, o Pontífice disse que é bonito encontrar matrimónios, casais, que sendo maiores continuam se procurando, se olhando, se querendo e se escolhendo. “É muito bonito encontrar ‘avós’ que mostram nos seus rostos enrugados pelo tempo a alegria que nasce do ter feito uma escolha de amo r e pelo amor”, sublinhou. E a contradição daquele que casa e pensa: ‘não me preocupo, em dois ou três anos volto à casa da minha mãe”.

Nesta linha advertiu que como sociedade “privamos da sua voz os anciãos, e isso é um pecado social de agora. Privamos eles do seu espaço”. E descartando-os, “descartamos a possibilidade de tomar contato com o segredo que lhes permitiu seguir em frente”. Esta falta de modelos – observou Francisco – não permite às jovens gerações ter visões.

“Nós precisamos dos sonhos dos avós”, disse. E acrescentou que não por acaso quando Jesus é levado ao templo foi recebido por dois avós que contaram o seu sonho. “Este é o momento dos avós… que sonhem e os jovens aprendam a profetizar estes sonhos”.

Em conclusão, o Santo Padre convidou a desenvolver uma pastoral familiar capaz de receber, acompanhar, discernir e integrar. Uma pastoral – disse – quer permita e faça possível o andaime adequado para que a vida confiada a nós encontre o apoio de quem tem necessidade para desenvolver-se segundo o sonho de Deus.
www.zenit.org

domingo, 19 de junho de 2016

Mas para vós quem sou Eu?


https://www.youtube.com/watch?v=SQmqaGRcHRw

A liturgia deste domingo coloca no centro da nossa reflexão a figura de Jesus: quem é Ele e qual o impacto que a sua proposta de vida tem em nós? A Palavra de Deus que nos é proposta impele-nos a descobrir em Jesus o “messias” de Deus, que realiza a libertação dos homens através do amor e do dom da vida; e convida cada “cristão” à identificação com Cristo – isto é, a “tomar a cruz”, a fazer da própria vida um dom generoso aos outros.
O Evangelho confronta-nos com a pergunta de Jesus: “e vós, quem dizeis que Eu sou?” Paralelamente, apresenta o caminho messiânico de Jesus, não como um caminho de glória e de triunfos humanos, mas como um caminho de amor e de cruz. “Conhecer Jesus” é aderir a Ele e segui-l’O nesse caminho de entrega, de doação, de amor total.
A primeira leitura apresenta-nos um misterioso profeta “trespassado”, cuja entrega trouxe conversão e purificação para os seus concidadãos. Revela, pois, que o caminho da entrega não é um caminho de fracasso, mas um caminho que gera vida nova para nós e para os outros. João, o autor do Quarto Evangelho, identificará essa misteriosa figura profética com o próprio Cristo.
A segunda leitura reforça a mensagem geral da liturgia deste domingo, insistindo que o cristão deve “revestir-se” de Jesus, renunciar ao egoísmo e ao orgulho e percorrer o caminho do amor e do dom da vida. Esse caminho faz dos crentes uma única família de irmãos, iguais em dignidade e herdeiros da vida em plenitude.

Fomos constituídos profetas no momento da nossa opção por Cristo (Baptismo). Como se tem “cumprido” a nossa missão profética? Na fidelidade e no empenho, ou na preguiça e no comodismo? No medo que paralisa, ou na inquebrantável confiança no Deus que está ao nosso lado?

Quem é Jesus, para nós? É alguém que conhecemos das fórmulas do catecismo ou dos livros de teologia, sobre quem sabemos dizer coisas que aprendemos nos livros? Ou é alguém que está no centro da nossa existência, cujo “caminho” tem um real impacto no nosso dia a dia, cuja vida circula em nós e nos transforma, com quem dialogamos, com quem nos identificamos e a quem amamos?

¨ É na oração que eu procuro perceber a vontade de Deus e encontrar o caminho do amor e do dom da vida? Nos momentos das decisões importantes da minha vida, sinto a necessidade de dialogar com Deus e de escutar o que Ele tem para me dizer?


extractos de http://www.dehonianos.org/portal/liturgia_dominical_ver.asp?liturgiaid=5

sábado, 18 de junho de 2016

Francisco: o Pai-Nosso é a pedra angular da oração


- Rezando o Pai Nosso sentimos o Seu olhar sobre nós. Foi o que afirmou o Papa na missa matutina na Casa Santa Marta nesta quinta-feira, (16/06).


Francisco ressaltou que, para um cristão, as orações não são palavras mágicas e recordou que ‘Pai’ é a palavra que Jesus profere sempre nos momentos fortes de sua vida.
Não desperdiçar palavras como os pagãos, não pensar que as orações são palavras ‘mágicas’. O Pontífice se inspirou no Evangelho do dia, quando Jesus ensina a oração do ‘Pai Nosso’ a seus discípulos e refletiu sobre o valor de rezar ao Pai na vida do cristão. Jesus, disse, “indica o espaço da oração em uma só palavra: ‘Pai’”.
Jesus se dirige sempre ao Pai nos momentos fortes de sua vida
Este Pai, observou, “sabe do que precisamos antes que lhe peçamos”. É um Pai que “nos escuta às escondidas, no segredo, como Ele, Jesus, nos aconselha a rezar: no segredo”.
“Este Pai nos dá a identidade de filhos. Eu digo ‘Pai’, mas chego às raízes da minha identidade: a minha identidade cristã é ser filho e esta é uma graça do Espírito. Ninguém pode dizer ‘Pai’ sem a graça do Espírito. ‘Pai’ é a palavra que Jesus usava quando era cheio de alegria, de emoção: “Pai, te louvo porque revelas estas coisas as crianças”; ou chorando, diante do túmulo de seu amigo Lázaro. “Pai, te agradeço porque me ouvistes”; ou ainda, nos momentos finais de sua vida, no fim”.
“Nos momentos mais fortes”, evidenciou Francisco, Jesus diz: ‘Pai’. “É a palavra que mais usa; Ele fala com o Pai. É o caminho da o ra ção e por isso – reiterou – eu me permito dizer, é o espaço de oração”. “Sem sentir que somos filhos, sem dizer ‘Pai’ – advertiu o Papa – a nossa oração é pagã, é uma oração de palavras”.
Rezar ao Pai, Ele conhece as nossas necessidades
Certo, acrescentou, podemos rezar a Nossa Senhora, aos anjos e Santos, mas a pedra angular da oração é o ‘Pai’. Se não formos capazes de iniciar a oração com esta palavra, “a oração não vai dar certo”:
“Pai. É sentir o olhar do Pai sobre mim, sentir que aquela palavra “Pai” não é um desperdício como as palavras das orações dos pagãos: é um chamado para Aquele que me deu a identidade de filho. Este é o espaço da oração cristã – “Pai” - e, em seguida, rezamos a todos os Santos, os Anjos, fazemos também as procissões, as peregrinações... Tudo bonito, mas sempre começando com “Pai” e na consciência de que somos filhos e que temos um Pai que nos ama e que conhece todas as nossas necessidades. Este é o espaço”.
Francisco em seguida dirigiu o pensamento à parte onde na oração do “Pai Nosso”, Jesus refere-se ao perdão do próximo como Deus nos perdoa. “Se o espaço da oração é dizer Pai - observou -, a atmosfera da oração é dizer ‘nosso’: somos irmãos, somos uma família”.
Então o Papa recordou o que aconteceu com Caim, que odiou o filho do Pai, odiou seu irmão. O Pai nos dá a identidade e a família. “Por isso - disse o Papa - é tão importante a capacidade de perdoar, de esquecer, de esquecer as ofensas, a saudável habitude, mas, deixemos para lá... que o Senhor faça, e não carregar o rancor, o ressentimento, o desejo de vingança”.
Faz-nos bem fazer um exame de consciência sobre como rezar ao Pai
“Rezar ao Pai perdoando todos, esquecendo os insultos - disse -, é a melhor oração que você pode fazer":
“É bom que às vezes façamos um exame de consciência sobre isso. Para mim, Deus é Pai, e eu o sinto Pai? E se não o sinto assim, mas peço ao Espírito Santo que me ensine a senti-lo assim. E eu sou capaz de esquecer as ofensas, de perdoar, de deixar para lá e se não, pedir ao Pai, ‘mas também estes são seus filhos, eles me fizeram uma coisa ruim ... ajude-me a perdoar’?. Façamos esse exame de consciência sobre nós e nos fará bem, muito bem. ‘Pai’ e ‘nosso’": nos dão a identidade de filhos e nos dão uma família para “caminhar” juntos na vida”. (CM-SP)

CF Atualidades

De News.VA

Cruz que leva à Paz interior!


https://www.youtube.com/watch?v=ktO0VAlpCYY&spfreload=5

Cruz que leva à Paz interior!

Jesus nos convida a segui-lo.
Mas é apenas um convite.
Ele nos apresenta seu programa austero e deixa que digamos “sim” ou “não” ao seu apelo.
A lei do Senhor é uma lei de Amor.
O Amor é exigente. Dá tudo e tudo exige.
Em compensação, liberta das ilusões, tiranias e mitos fabricados por nós.


sexta-feira, 17 de junho de 2016

«Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem»


São muitas as passagens do Evangelho que me obrigam a fazer silêncio e a parar. São muitas mesmo, para não dizer todas. Algumas pela densidade teológica, como por exemplo, muitas passagens em S. João. Outras, pela clareza da limpidez de Jesus diante da humanidade. E umas poucas por implicarem uma reviravolta de entranhas, na dificuldade do que é pedido. "Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem", é destas últimas, que ainda mais caracteriza algo muito específico do cristianismo.
Aqui damos de frente com o cúmulo do Amor de Deus. A aparente impossibilidade é logo desmascarada com a simplicidade do “faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre os justos e injustos”. Estamos perante o Pai que não selecciona pessoas para a sua dádiva de amor. Isto baralha. De instinto, ante os inimigos, parece que é natural e justificado deixar o ódio desenvolver, tentando eliminá-los. No entanto, a humanização em caminho de divinização, implica ultrapassar o instinto. “Apesar de tudo, quero que o outro, mesmo sendo meu inimigo, seja”, seria, parafraseando Gabriel Marcel, uma definição de amor.

Entende-se que o amor visto desta forma não é lamechice pegada, de beijinhos e abracinhos, como se, de repente, tivesse de tornar os meus inimigos como melhores amigos. Isto seria ridicularizar o embate forte de tudo isto. “Amar os inimigos” implica entranhar-me, a partir dessa oração que Sto. Inácio de Loiola nos convida a fazer nos Exercícios Espirituais, de ter e viver o conhecimento interno de Jesus para mais o amar e seguir. Então, apercebemo-nos que, por exemplo, em S. João, Jesus não se cala diante da injustiça e dos seu inimigos, revelando o amor a partir do questionamento. Quando leva a bofetada replica, não em violência, mas na questão que aponta à reflexão e conversão: “Se falei mal, mostra onde; mas, se falei bem, porque me bates?” Diante desta cena, imagino o diálogo a continuar: “O que te leva a bater-me, ainda mais quando tens capacidade para pensar e reflectir por ti? Queres estar submisso à tua aparente valentia de poder? Ou simplesmente imitas o caminho mais fácil, quando os poderes político e religioso são postos em causa ao se mostrar a dignidade de todos, em especial os excluídos e oprimidos?”

Pois, os mandamentos resumidos deixam de ter cargas morais, para se alicerçarem em existência relacional a partir do Amor: “Amai os inimigos”; “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”; “amai ao próximo como [se amam] a vós mesmos”. Isto não é simplismo, é densidade no caminho de compreensão de amor próprio (e tanto que falta no mundo) e do amor de Deus, nessa relação com o próximo (que nos remete à parábola do Samaritano). Por isso, a reviravolta de entranhas, muito ligada ao sentido da compaixão, faz como que o caminho de conversão implique o amor à luz e à sombra pessoais, nesse admitir com o mais verdade e coragem possíveis que tanto posso ser perseguido como perseguidor. Se desejo essa aproximação a Jesus, farei os possíveis para atrever-me a entrar, com Ele, na minha escuridão e aí levar a Sua luz. Esse exercício de conversão, podendo ser doloroso, é libertador… permitindo ver que nem o sol, nem a chuva, são do meu domínio, deixando, assim, o julgamento para Deus que simplesmente Ama. E isto, apesar de difícil de compreender, revela o Senhor da Vida.
Paulo Duarte, sj em iMissio


quinta-feira, 16 de junho de 2016

Missionários da Consolata de luto - Faleceu o padre Rossi


O padre António Rossi, dos Missionários da Consolata, faleceu ontem à noite, 15 de Junho, no Hospital de Santo André, em Leiria, onde estava internado devido a problemas de saúde.



O missionário italiano tinha 86 anos e estava em Portugal há mais de 50 anos. Era muito procurado para dar apoio espiritual, mas também era conhecido pelas missas que celebrava na Capelinha das Aparições, todos os dias, às 07h00. Celebrou mais de 8.500.

“Podemos contar com mais um intercessor que reza por cada um de nós, pelas nossas comunidades, pela Região Portuguesa à qual dedicou mais de 50 anos de sua vida sacerdotal, e pelo nosso Instituto que tanto amou e serviu. Agradeçamos a Deus pela vida e o ministério sacerdotal do padre Rossi: sobretudo pelo seu exemplo de oração e de dedicação à consolação de tantas pessoas aflitas no corpo e no espírito mas também pelo imenso trabalho realizado com inteligência e dedicação para ajudar as nossas missões”, afirmou o Superior Provincial dos Missionários da Consolata em Portugal, padre Eugénio Butti, numa mensagem enviada àquela comunidade e publicada no site da Revista Fátima Missionária.


Foto Ana Paula/Revista Fátima Missionária

Nova Carta da Doutrina da Fé fala sobre hierarquia e carisma


Cidade do Vaticano (RV) – “A Igreja rejuvenesce” é o título da Carta da Congregação para a Doutrina da Fé publicada na manhã desta terça-feira, (14/06), e dirigida aos Bispos do mundo inteiro. O documento é assinado pelo prefeito da Congregação, Card. Ludwig Müller, e pelo Secretário, o Arcebispo Luis Ladaria.

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A Carta Iuvenescit Ecclesia fala da relação entre dons hierárquicos e carismáticos para a vida e a missão da Igreja. Os primeiros são aqueles conferidos pelo Sacramento da ordenação (episcopal, sacerdotal e diaconal), enquanto os dons carismáticos são livremente distribuídos pelo Espírito Santo.

Conexão harmónica e complementar, com obediência aos Pastores

Em especial, a IE se detêm sobre questões teológicas, e não pastorais ou práticas, que derivam da relação entre instituição eclesial e novos movimentos e agregações, insistindo sobre a harmónica conexão e complementariedade dos dois dons.

Em vista de uma “participação fecunda e ordenada” dos carismas à comunhão da Igreja, estes não devem se subtrair à “obediência à hierarquia eclesial” nem têm “o direito a um ministério autónomo”.

“Dons de importância irrenunciável para a vida e a missão eclesial”, portanto, os carismas autênticos devem ter “abertura missionária”, “necessária obediência aos Pastores” e “imanência eclesial”.

Não contrapor Igreja institucional e Igreja da caridade

Portanto, a “contraposição ou a justaposição” dos carismas com os dons hierárquicos seria um erro. De fato, não se deve opor uma Igreja “da instituição” a uma Igreja “da caridade”, porque na Igreja “inclusive as instituições essenciais são carismáticas”, e os “carismas devem se institucionalizar para terem coerência e continuidade”.

Deste modo, ambas as dimensões “concorrem conjuntamente para tornar presente o mistério de Cristo e a sua obra salvífica no mundo”.

Que a dimensão carismática nunca falte à Igreja

As novas realidades, portanto, devem alcançar uma “maturidade eclesial” que comporta sua plena valorização e inserção na vida da Igreja, sempre em comunhão com os Pastores e atenta às suas indicações.

A existência de novas realidades, de fato – destaca a Carta – enche o coração da Igreja de “alegria e gratidão”, mas as chama também a “relacionar-se positivamente com todos os outros dons presentes na vida eclesial”, para que sejam “promovidos com generosidade e acompanhados com vigilante paternidade” pelos Pastores, “de modo que tudo concorra para o bem da Igreja e para a sua missão evangelizadora”.

“A dimensão carismática – lê-se ainda no documento – nunca pode faltar à vida e à missão da Igreja”.

Os critérios para discernir os carismas autênticos

Mas como reconhecer um dom carismático autêntico?

A Carta da Congregação evoca o discernimento, tarefa que é “de pertinência da autoridade eclesiástica”, segundo critérios específicos: ser instrumento de santidade na Igreja; empenhar-se na difusão missionária do Evangelho; confessar plenamente a fé católica; testemunhar uma comunhão real com toda a Igreja, acolhendo com leal disponibilidade os seus ensinamentos doutrinais e pastorais; reconhecer e estimar os outros componentes carismáticos na Igreja; aceitar com humildade os momentos de provação no discernimento; ter frutos espirituais como caridade, alegria, paz, humanidade; olhar para a dimensão social da evangelização, conscientes do fato de que “a preocupação pelo desenvolvimento integral dos mais abandonados não pode faltar numa autêntica realidade eclesial”.

O reconhecimento jurídico segundo o Direito canónico

Além disso, a IE indica outros dois critérios fundamentais a serem levados em consideração para o reconhecimento jurídico das novas realidades eclesiais, segundo as formas estabelecidas pelo Código de Direito Canônico: o primeiro é “o respeito pela peculiaridade carismática de cada agregação eclesial”, evitando “formas jurídicas forçadas” que “anulem a novidade”.

O segundo critério concerne ao “respeito do regime eclesial fundamental”, favorecendo “a inserção real dos dons carismáticos na vida da Igreja”, mas evitando que estes sejam concebidos como uma realidade paralela, sem uma referência ordenada aos dons hierárquicos.

Relação entre Igreja universal e Igrejas particulares é imprescindível

O documento da Congregação para a Doutrina da Fé evidencia ainda que a relação entre dons hierárquicos e carismáticos deve levar em consideração a “imprescindível e constitutiva relação entre Igreja universal e Igrejas particulares”. Isso significa que os carismas são oferecidos, sim, a toda a Igreja, mas sua dinâmica “não se pode realizar sem estar ao serviço de uma diocese concreta”.

Não só: esses dons representam também “uma autêntica possibilidade” para viver e desenvolver a vocação cristã de cada um, seja esta o matrimónio, o celibato sacerdotal ou o ministério ordenado. Além disso, também a vida consagrada “se insere na dimensão carismática da Igreja”, para que sua espiritualidade possa se tornar “um recurso significativo” seja para o fiel leigo, seja para o presbítero, ajudando ambos a viver uma vocação específica.

Olhar para o modelo de Maria

Por fim, a IE convida a olhar para Maria, “Mãe da Igreja”, modelo de “docilidade plena à acção do Espírito Santo” e de “límpida humildade”: com a sua intercessão, se faz votos que “os carismas abundantemente distribuídos pelo Espírito Santo entre os fiéis sejam por estes acolhidos com docilidade e produzam fruto para a vida e a missão da Igreja e para o bem do mundo”.

(bf)

(from Vatican Radio)

quarta-feira, 15 de junho de 2016

S. Maria Madalena (Festa)

S. Maria Madalena (Festa)

A pedido do Papa Francisco, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos emitiu um novo decreto, datado de 3 de Junho de 2016, relativo à celebração da Santa Maria Madalena, até agora celebrada como memória obrigatória (MO), e que passará a ser celebrada no Calendário Romano Geral com o grau de Festa.


Prot. N. 257/16 
DECRETO 

A Igreja, tanto no Ocidente como no Oriente, teve sempre em grande consideração e louvor Santa Maria Madalena, celebrando-a de diversos modos, pois ela foi a primeira testemunha evangelizadora da ressurreição do Senhor. 

Nos nossos dias, a Igreja é chamada a reflectir aprofundadamente sobre a dignidade da mulher, sobre a nova evangelização e a grandeza do mistério da misericórdia divina. Assim, parece conveniente, que o exemplo de Santa Maria Madalena, seja proposto aos fiéis de modo mais adaptado. De facto, esta mulher, conhecida como aquela que amou tanto Cristo e que foi amada por Ele; e que São Gregório Magno chamou de “testemunha da misericórdia” e São Tomas de Aquino de “apóstola dos apóstolos”; pode ser considerada pelos fiéis de hoje como modelo do ministério da mulher na Igreja. 
Por isso, o Sumo Pontífice Francisco estabeleceu que, a partir de agora, a celebração de Santa Maria Madalena seja inscrita no Calendário Romano Geral, com o grau de festa em vez do de memória, como até agora. 

O novo grau celebrativo implica algumas variações para o dia em que está inscrita a própria celebração, assim como a partir de agora, para os textos do Missal e da Liturgia das Horas a adoptar, isto é: 
a) o dia dedicado à celebração de Santa Maria Madalena permanece o mesmo, como aparece no Calendário Romano, isto é, dia 22 de Julho; 
b) os textos a usar na Missa e no Ofício Divino, permanecem os mesmos que já estão no Missal e na Liturgia das Horas do respectivo dia; acrescentando no Missal o prefácio próprio, que segue em anexo a este decreto. É competência da Conferência Episcopal traduzir o texto do prefácio em língua vernácula; de tal modo que, depois da aprovação da Santa Sé, possa ser usado e inserido a seu tempo na próxima reedição do Missal Romano. 

Nos lugares aonde Santa Maria Madalena, segundo o direito particular, é legitimamente celebrada num outro dia e com um grau diferente, continua a ser celebrada nesse mesmo dia e com o mesmo grau. 
Nada obste em contrário. 

Sede da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, dia 3 de Junho de 2016, solenidade do Sagrado Coração de Jesus 

Robertus Card. SARAH 
Prefeito 

Arturus ROCHE 
Arcebispo Secretário

2016-06-10 00:00:00

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Papa: aceitar sofrimento e limitação para compreender a vida



O Jubileu dos Enfermos e das Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais terminou neste domingo, (12/06), com a Missa presidida pelo Papa Francisco na Praça São Pedro.


Em sua homilia, Francisco recordou que, todos nós, “mais cedo ou mais tarde somos chamados a encarar e, às vezes, a lutar contra as fragilidades e as doenças, nossas e alheias”, para descobrir o verdadeiro sentido da vida.
E alertou:

“Diante disso, em nosso íntimo, pode algumas vezes sobrevir uma atitude cínica, como se fosse possível resolver tudo suportando ou contando apenas com as próprias forças”.

Olhar para dentro e despertar

Confiamos nos avanços da ciência com a certeza de que, em algum lugar, haverá um remédio. Se houvesse, todavia, estaria acessível a poucos. E a natureza humana – recordou o Papa – “ferida pelo pecado”, é em si mesma cheia de limitações.

Portanto, somos todos insuficientes em algum ponto, mesmo que não estejamos doentes ou sejamos portadores de necessidades especiais. E, mesmo assim, somos capazes de “segregar” o nosso semelhante.

Neste ponto, Francisco destacou que hoje é tido como improvável a possibilidade dos doentes ou pessoas especiais serem felizes, uma vez que não se inserem no “estilo de vida imposto pela cultura do prazer e da diversão”.

Falso bem-estar

“Em um tempo como o nosso, em que o cuidado do corpo se tornou um mito de massa e, consequentemente, um negócio, aquilo que é imperfeito deve ser ocultado, porque atenta contra a felicidade e a serenidade dos privilegiados e põe em crise o modelo dominante”.

Neste contexto – prosseguiu o Pontífice – seria melhor manter tais pessoas segregadas em um “recinto” qualquer – eventualmente cor de rosa – ou em “'espaços' criados por um assistencialismo compassivo, para não atrapalhar o ritmo de um falso bem-estar".

E, às vezes, até defende-se que o melhor seria livrar-se logo dessas pessoas, que custam caro em tempos de crise

“Na realidade, porém, como é grande a ilusão em que vive o homem de hoje, quando fecha os olhos à enfermidade e à deficiência! Não compreende o verdadeiro sentido da vida, que inclui também a aceitação do sofrimento e da limitação”.

Fraco confunde o forte

Ilusão também seria acreditar que o mundo seria melhor se houvesse somente pessoas “aparentemente perfeitas” – para não dizer maquiadas, acrescentou o Papa. Ao contrário: o mundo será melhor somente quando “crescem a solidariedade, a mútua aceitação e o respeito entre os seres humanos”.

“Como são verdadeiras as palavras do Apóstolo: ‘O que há de fraco no mundo é que Deus escolheu para confundir o que é forte’”, disse Francisco, ao afirmar que entre as doenças atuais mais frequentes estão aquelas espirituais.

"Quando se experimenta a decepção ou a traição nas relações importantes, então nos descobrimo vulneráveis, fracos e sem defesas. Consequentemente, torna-se muito forte a tentação de se fechar em si mesmo e corre-se o risco de perder a ocasião da vida: amar apesar de tudo".

Amor que cura


“O verdadeiro desafio é o de quem ama mais”, repetiu o Papa. E Jesus é o médico de amor que pode dar vida nova às pessoas doentes e especiais - e a quem com elas convive!

“Jesus é o médico que cura com o remédio do amor, porque toma sobre Si o nosso sofrimento e redime-o. Sabemos que Deus pode compreender as nossas enfermidades, porque Ele mesmo foi pessoalmente provado por elas”.

E concluiu:

“O modo como vivemos a doença e a deficiência é indicação do amor que estamos dispostos a oferecer. A forma como enfrentamos o sofrimento e a limitação é critério da nossa liberdade em dar sentido às experiências da vida, mesmo quando nos parecem absurdas e não merecidas”.

(from Vatican Radio)

domingo, 12 de junho de 2016

Santo António de Lisboa


https://www.youtube.com/watch?v=xWGVXxQ38h4

Documentário produzido por ocasião do 8º centenário do nascimento de Santo António (1195 - 1995).


S. António nasceu em Lisboa, em 1195. No batismo, recebeu o nome de Fernando. Em 1210 entrou para os Cónegos Regulares de S. Agostinho, no mosteiro de S. Vicente de Fora, em Lisboa. Dois anos depois, desejando uma vida mais recolhida, transferiu-se para o Mosteiro de S. Cruz, em Coimbra. Ordenado sacerdote, em 1220, ao ver os restos mortais dos primeiros mártires franciscanos, mortos em Marrocos, sentiu um novo apelo vocacional e mudou-se para a Ordem dos Frades Menores, tomando o nome de António. Em 1221 participou no “Capítulo das Esteiras”, junto à Porciúncula, e viu Francisco de Assis. Depois de alguns anos no escondimento e na oração, começou a pregar com grande sucesso e frutos. Converteu hereges em Itália e em França. Morreu aos 33 anos de idade, perto de Pádua, onde foi sepultado. No dia do Pentecostes de 1232, um ano depois da sua morte, foi canonizado pelo Papa Gregório IX.

O Pecado


https://www.youtube.com/watch?v=saSZCMxikRs

A liturgia deste domingo apresenta-nos um Deus de bondade e de misericórdia, que detesta o pecado, mas ama o pecador; por isso, Ele multiplica “a fundo perdido” a oferta da salvação. Da descoberta de um Deus assim, brota o amor e a vontade de vivermos uma vida nova, integrados na sua família.
A primeira leitura apresenta-nos, através da história do pecador David, um Deus que não pactua com o pecado; mas que também não abandona esse pecador que reconhece a sua falta e aceita o dom da misericórdia.
Na segunda leitura, Paulo garante-nos que a salvação é um dom gratuito que Deus oferece, não uma conquista humana. Para ter acesso a esse dom, não é fundamental cumprir ritos e viver na observância escrupulosa das leis; mas é preciso aderir a Jesus e identificar-se com o Cristo do amor e da entrega: é isso que conduz à vida plena.
O Evangelho coloca diante dos nossos olhos a figura de uma “mulher da cidade que era pecadora” e que vem chorar aos pés de Jesus. Lucas dá a entender que o amor da mulher resulta de haver experimentado a misericórdia de Deus. O dom gratuito do perdão gera amor e vida nova. Deus sabe isso; é por isso que age assim.Paulo chama, ainda, a atenção para a nossa identificação com Cristo. O cristão é aquele que se identifica com Cristo no seu amor e na sua entrega e que, nesse caminho, encontra a verdadeira vida, a vida em plenitude. É esse o caminho que eu procuro seguir? A minha vida desenrola-se de tal forma que eu posso dizer – como Paulo – “já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”? A vida de Cristo circula em mim e aparece, aos olhos dos meus irmãos, nos meus gestos, nas minhas palavras, no meu amor?

sábado, 11 de junho de 2016

Papa Francisco: “A fé é para mim, para preservá-la? Não! É para ir e dar aos outros”...‏


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Na homilia de hoje o Papa resume em três comportamentos a vida do cristão: estar de pé para acolher Deus, estar em paciente silêncio para escutar a sua voz e em saída para anunciá-Lo aos demais.


Um pecador arrependido que decidiu retornar a Deus ou alguém que consagrou a vida a Ele: ambos, em algum momento, podem ser tomados pelo “medo” de não conseguir manter a escolha. E a fé se embaça enquanto a depressão está à espreita.

Para aprofundar este aspecto e indicar a saída do túnel, o Papa evocou por um momento a situação do filho pródigo, deprimido enquanto observa faminto os porcos. Todavia, Francisco se concentrou sobretudo no Profeta Elias, personagem da liturgia do dia.

Ele, recordou o Papa, é “um vencedor” que “tanto lutou pela fé” e derrotou centenas de idolatras no Monte Carmelo. Mas, ao ser alvo da enésima perseguição, deixa-se abater. Cai por terra sob uma árvore, desencorajado, esperando a morte. Mas Deus não o deixa naquele estado de prostração e envia um anjo com uma frase imperativa: levanta-te, coma, saia:

“Para encontrar Deus é necessário voltar à situação do homem no momento da criação: de pé e em caminho. Assim, Deus nos criou: à Sua altura, à Sua imagem e semelhança e em caminho. “Vai, segue adiante! Cultiva a terra, faça-a crescer; e multiplicai-vos…’. ‘Saia!’. Saia e vá ao Monte e pare no Monte à minha presença. Elias ficou de pé. De pé, ele sai”.

Sair, para então colocar-se à escuta de Deus. Mas, “como passa o Senhor? Como posso encontrar o Senhor para ter certeza de que é Ele?”, se perguntou Francisco. O trecho do Livro dos Reis é eloquente. Elias foi convidado pelo anjo para sair da caverna no Monte Horebe, onde encontrou abrigo para estar na “presença” de Deus. No entanto, a induzi-lo a sair não são nem o vento “impetuoso e forte” que quebra = as rochas, nem o terremoto que se segue e nem mesmo o sucessivo fogo:

“Muito ruído, muita majestade, muito movimento e o Senhor não estava ali. ‘E depois do fogo, o sussurro de uma brisa suave’ ou, como está no original, ‘o fio de um silêncio sonoro’. E ali estava o Senhor. Para encontrar o Senhor, é preciso entrar em nós mesmos e sentir aquele ‘fio de um silêncio sonoro’ e Ele nos fala ali”.

O terceiro pedido do anjo a Elias é: “Saia”. O profeta é convidado a refazer seus passos, em direção do deserto, porque lhe foi dada uma tarefa a cumprir. Nisso, ressalta Francisco, se capta o estímulo “a estarmos em caminho, não fechados, não dentro do nosso egoísmo, da nossa comodidade”, mas “corajosos” em “levar aos outros a mensagem do Senhor”, isto é, ir em “missão”:

“Devemos sempre buscar o Senhor. Todos nós sabemos como são os maus momentos: momentos que nos puxam para baixo, momentos sem fé, escuros, momentos em que não vemos o horizonte, somos incapazes de se levantar. Todos nós sabemos isso! Mas é o Senhor que vem, nos restaura com o pão e com a sua força e nos diz: ‘Levante-se e vá em frente! Caminhe!’. Para encontrar o Senhor devemos estar assim: de pé e caminhar. Depois esperar que ele fale connosco: o coração aberto. E Ele vai nos dizer: ‘Sou eu’ e ali a fé se torna forte. A fé é para mim, para preservá-la? Não! É para ir e dar aos outros, para ungir os outros, para a missão”.
 (Com informações Rádio Vaticano)

Pela Palavra de Jesus, chegou ao Amor!


https://www.youtube.com/watch?v=FE2xGCN84Ss

Pela Palavra de Jesus, chegou ao Amor!
Porque a pecadora muito amou, foram-lhe perdoados os muitos pecados.
O amor levou a pecadora arrependida a chorar publicamente suas faltas.
Jesus lhe perdoou. E, porque recebeu o perdão, ela passou a amar de verdade e com muita intensidade.
Ela precisou muito da misericórdia de Deus.
E, porque recebeu dessa abundante misericórdia, tinha razão de sobra para ser agradecida e amar!

Afirmar «ou isto ou nada» é «herético», diz papa sobre o «realismo» cristão aplicado ao ensinamento da Igreja


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O papa afirmou, no Vaticano, que as alternativas de ação que se colocam aos católicos têm de abrir a possibilidade a escolhas que, embora não se atenham rigorosamente aos ensinamentos da Igreja, dele se aproximem, tendo em conta a realidade de cada pessoa.

«A Igreja católica nunca ensina “ou isto ou isto”. Isso não é católico. A Igreja diz: “isto e isto”. “Faz o que é perfeito: reconcilia-te com o teu irmão. Não o insultes. Ama-o. Mas se há algum problema, pelo menos coloca-te de acordo, para que não exploda a guerra”», apontou Francisco, citado pela Rádio Vaticano.

Na homilia da missa a que presidiu, o papa realçou a importância do «saudável realismo do catolicismo»: «Não é católico dizer “ou isto ou nada”; isso não é católico. Isso é herético».

«Jesus sabe sempre caminhar connosco, dá-nos o ideal, acompanha-nos para o ideal, liberta-nos deste enjaulamento da rigidez da lei e diz-nos: “Faz até ao ponto que podes fazer”», acrescentou Francisco.

Deus liberta «de todas» as «misérias», incluindo «a daquele idealismo que não é católico»: «Peçamos ao Senhor que nos ensine, antes, a sair de toda a rigidez», assinalou o papa, que evocou a «pequenina santidade da negociação» para alcançar a reconciliação «até ao ponto» que seja possível.

Francisco convidou os fiéis a uma leitura dos preceitos cristãos que liberte «da rigidez da lei e também dos idealismos que não (…) fazem bem»: «Muitas vezes não se pode chegar à perfeição, mas pelo menos fazei aquilo que puderdes».

O apelo de Francisco na homilia inspirou-se nas palavras que Jesus dirigiu aos seus discípulos, segundo o Evangelho proclamado nas missas desta quinta-feira: «A vossa justiça deve superar a dos escribas e dos fariseus».

«Quantas vezes nós, na Igreja, ouvimos estas coisas, quantas vezes: “Aquele padre, aquele homem, aquela mulher da Ação Católica, aquele bispo, aquele papa, que dizem ‘deveis fazer assim’, e ele faz o contrário”. Esse é o escândalo que fere o povo e não deixa que o povo de Deus cresça, que vá em frente. Não liberta», declarou.

Foi também o povo, prosseguiu o papa, referindo-se ao Evangelho, que «viu a rigidez desses escribas e fariseus e mesmo quando chegava um profeta que lhe dava um pouco de alegria, perseguiam-no e até o ameaçavam: não havia lugar para os profetas. E Jesus diz-lhes, aos fariseus: “Matastes os profetas perseguistes os profetas, esses que traziam o ar novo».


Rui Jorge Martins        
http://www.snpcultura.org/

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Uma carta de mais de mil anos dá testemunho: os cristãos são a alma do mundo


Early Christians - pt

Maior joia da literatura cristã primitiva, a Carta a Diogneto nos conta como viviam os primeiros cristãos


Durante muitos e longos séculos, um elegante manuscrito composto em grego permaneceu ignorado no mais abissal dos silêncios. O texto, de origens até hoje misteriosas, só foi encontrado, e por acaso, no longínquo ano de 1436, em Constantinopla, junto com vários outros manuscritos endereçados a um certo “Diogneto”.

Se não há certeza sobre o seu autor, sabe-se que o destinatário do escrito era um pagão culto, interessado em saber mais sobre o cristianismo, aquela nova religião que se espalhava com força e vigor pelo Império Romano e que chamava a atenção do mundo pela coragem com que os seus seguidores enfrentavam os suplícios de uma vida de perseguições e pelo amor intenso com que amavam a Deus e uns aos outros.

O documento que passou para a posteridade como "aCarta a Diogneto" descreve quem eram e como viviam os cristãos dos primeiros séculos. Trata-se, para grande parte dos estudiosos, da “joia mais preciosa da literatura cristãprimitiva”.

Confira a seguir os seus parágrafos V e VI, que compõem o trecho mais célebre deste tesouro da história cristã:

“Os cristãos não se distinguem dos outros homens nem por sua terra, nem por sua língua, nem por seus costumes. Eles não moram em cidades separadas, nem falam línguas estranhas, nem têm qualquer modo especial de viver. Sua doutrina não foi inventada por eles, nem se deve ao talento e à especulação de homens curiosos; eles não professam, como outros, nenhum ensinamento humano. Pelo contrário: mesmo vivendo em cidades gregas e bárbaras, conforme a sorte de cada um, e adaptando-se aos costumes de cada lugar quanto à roupa, ao alimento e a todo o resto, eles testemunham um modo de vida admirável e, sem dúvida, paradoxal.

Vivem na sua pátria, mas como se fossem forasteiros; participam de tudo como cristãos, e suportam tudo como estrangeiros. Toda pátria estrangeira é sua pátria, e cada pátria é para eles estrangeira. Casam-se como todos e geram filhos, mas não abandonam os recém-nascidos. Compartilham a mesa, mas não o leito; vivem na carne, mas não vivem segundo a carne; moram na terra, mas têm a sua cidadania no céu; obedecem às leis estabelecidas, mas, com a sua vida, superam todas as leis; amam a todos e são perseguidos por todos; são desconhecidos e, ainda assim, condenados; são assassinados, e, deste modo, recebem a vida; são pobres, mas enriquecem a muitos; carecem de tudo, mas têm abundância de tudo; são desprezados e, no desprezo, recebem a glória; são amaldiçoados, mas, depois, proclamados justos; são injuriados e, no entanto, bendizem; são maltratados e, apesar disso, prestam tributo; fazem o bem e são punidos como malfeitores; são condenados, mas se alegram como se recebessem a vida. Os judeus os combatem como estrangeiros; os gregos os perseguem; e quem os odeia não sabe dizer o motivo desse ódio.

Assim como a alma está no corpo, assim os cristãos estão no mundo. A alma está espalhada por todas as partes do corpo; os cristãos, por todas as partes do mundo. A alma habita no corpo, mas não procede do corpo; os cristãos habitam no mundo, mas não pertencem ao mundo. A alma invisível está contida num corpo visível; os cristãos são visíveis no mundo, mas a sua religião é invisível. A carne odeia e combate a alma, mesmo não tendo recebido dela nenhuma ofensa, porque a alma a impede de gozar dos prazeres mundanos; embora não tenha recebido injustiça por parte dos cristãos, o mundo os odeia, porque eles se opõem aos seus prazeres desordenados. A alma ama a carne e os membros que a odeiam; os cristãos também amam aqueles que os odeiam. A alma está contida no corpo, mas é ela que sustenta o corpo; os cristãos estão no mundo, como numa prisão, mas são eles que sustentam o mundo. A alma imortal habita em uma tenda mortal; os cristãos também habitam, como estrangeiros, em moradas que se corrompem, esperando a incorruptibilidade nos céus. Maltratada no comer e no beber, a alma se aprimora; também os cristãos, maltratados, se multiplicam mais a cada dia. Esta é a posição que Deus lhes determinou; e a eles não é lícito rejeitá-la”.


Durante muitos e longos séculos, um elegante manuscrito composto em grego permaneceu ignorado no mais abissal dos silêncios. O texto, de origens até hoje misteriosas, só foi encontrado, e por acaso, no longínquo ano de 1436, em Constantinopla, junto com vários outros manuscritos endereçados a um certo “Diogneto”.

Se não há certeza sobre o seu autor, sabe-se que o destinatário do escrito era um pagão culto, interessado em saber mais sobre o cristianismo, aquela nova religião que se espalhava com força e vigor pelo Império Romano e que chamava a atenção do mundo pela coragem com que os seus seguidores enfrentavam os suplícios de uma vida de perseguições e pelo amor intenso com que amavam a Deus e uns aos outros.

O documento que passou para a posteridade como "aCarta a Diogneto" descreve quem eram e como viviam os cristãos dos primeiros séculos. Trata-se, para grande parte dos estudiosos, da “joia mais preciosa da literatura cristãprimitiva”.

Confira a seguir os seus parágrafos V e VI, que compõem o trecho mais célebre deste tesouro da história cristã:

“Os cristãos não se distinguem dos outros homens nem por sua terra, nem por sua língua, nem por seus costumes. Eles não moram em cidades separadas, nem falam línguas estranhas, nem têm qualquer modo especial de viver. Sua doutrina não foi inventada por eles, nem se deve ao talento e à especulação de homens curiosos; eles não professam, como outros, nenhum ensinamento humano. Pelo contrário: mesmo vivendo em cidades gregas e bárbaras, conforme a sorte de cada um, e adaptando-se aos costumes de cada lugar quanto à roupa, ao alimento e a todo o resto, eles testemunham um modo de vida admirável e, sem dúvida, paradoxal.

Vivem na sua pátria, mas como se fossem forasteiros; participam de tudo como cristãos, e suportam tudo como estrangeiros. Toda pátria estrangeira é sua pátria, e cada pátria é para eles estrangeira. Casam-se como todos e geram filhos, mas não abandonam os recém-nascidos. Compartilham a mesa, mas não o leito; vivem na carne, mas não vivem segundo a carne; moram na terra, mas têm a sua cidadania no céu; obedecem às leis estabelecidas, mas, com a sua vida, superam todas as leis; amam a todos e são perseguidos por todos; são desconhecidos e, ainda assim, condenados; são assassinados, e, deste modo, recebem a vida; são pobres, mas enriquecem a muitos; carecem de tudo, mas têm abundância de tudo; são desprezados e, no desprezo, recebem a glória; são amaldiçoados, mas, depois, proclamados justos; são injuriados e, no entanto, bendizem; são maltratados e, apesar disso, prestam tributo; fazem o bem e são punidos como malfeitores; são condenados, mas se alegram como se recebessem a vida. Os judeus os combatem como estrangeiros; os gregos os perseguem; e quem os odeia não sabe dizer o motivo desse ódio.

Assim como a alma está no corpo, assim os cristãos estão no mundo. A alma está espalhada por todas as partes do corpo; os cristãos, por todas as partes do mundo. A alma habita no corpo, mas não procede do corpo; os cristãos habitam no mundo, mas não pertencem ao mundo. A alma invisível está contida num corpo visível; os cristãos são visíveis no mundo, mas a sua religião é invisível. A carne odeia e combate a alma, mesmo não tendo recebido dela nenhuma ofensa, porque a alma a impede de gozar dos prazeres mundanos; embora não tenha recebido injustiça por parte dos cristãos, o mundo os odeia, porque eles se opõem aos seus prazeres desordenados. A alma ama a carne e os membros que a odeiam; os cristãos também amam aqueles que os odeiam. A alma está contida no corpo, mas é ela que sustenta o corpo; os cristãos estão no mundo, como numa prisão, mas são eles que sustentam o mundo. A alma imortal habita em uma tenda mortal; os cristãos também habitam, como estrangeiros, em moradas que se corrompem, esperando a incorruptibilidade nos céus. Maltratada no comer e no beber, a alma se aprimora; também os cristãos, maltratados, se multiplicam mais a cada dia. Esta é a posição que Deus lhes determinou; e a eles não é lícito rejeitá-la”.
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