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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Ainda há dúvidas?!

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«Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados»

Lucas 12:7


Depois desta afirmação de Jesus, que dúvidas restam sobre o nosso valor para Deus?

Que dúvidas podem restar perante tamanha prova de amor?

Nem nós, quando amamos incondicionalmente, conseguimos olhar a tão pequeno pormenor.

Pode parecer algo insignificante, mas é bem mais relevante do que possamos imaginar.

Se este Deus se dá ao trabalho de saber quantos cabelos existem na nossa cabeça, quanto mais é que Ele não saberá sobre nós?

Quanto mais Ele não saberá sobre o nosso íntimo?

Ele não se deixa ficar pelo superficial. Ele não se deixa ficar pelo que vê ou pelo que ouve.

E como o sabemos? É-nos revelado pelo Seu Filho que não se deixava ficar pelo o olhar ou pelo o que Lhe diziam.

Ele aprofundava. Ele relacionava-se. Ele dava-se, para então, sim, ter um conhecimento mais profundo.

Quando o conhecimento fica muito ao de leve, nunca se tira a verdadeira essência.

Quando o conhecimento fica muito ao de leve, nunca se consegue amar verdadeiramente.

Quando o conhecimento fica muito ao de leve, nunca nos poderemos entregar ao outro.

É neste compromisso e nesta entrega de saber o pormenor mais insignificante, que este nosso Deus revela que está constantemente apaixonado por nós.

É neste total empenho e dedicação que Ele nos dá a certeza de que o nosso valor vai muito para além daquilo que nos categorizamos ou deixamos que nos categorizem.

O nosso valor para este Deus vai ao ponto daquilo que menos interessa ser motivo de orgulho para a Sua criação.

O nosso valor para este Deus não se revela no mais espalhafatoso pormenor, mas sim na subtileza que existe em cada um de nós.

Emanuel António Dias  20 de Outubro 2017 em iMissio

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Vai com cuidado!


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Na dúvida, não duvides. Crava os pés e as mãos nas certezas que foram sempre tuas.

Na mágoa, não magoes. Priva o coração de sentir igual ao que te fizeram sentir a ti.

Na tristeza, não entristeças. Separa as águas e não deixes que se misturem. Não deixes que te misturem. Separa as marés de dentro e guarda sempre espaço para ser feliz.

Na queda, não faças cair. Olha para os dois lados antes de atravessar. Antes de atravessares a vida de alguém.

Na raiva, não te deixes arder. O que hoje queima e destrói, amanhã pode ser cicatriz que ensina.

Parecem palavras fáceis de escrever. Não são. Parecem palavras fáceis de praticar. Não são. Se pensarmos bem, o nosso coração até domina as teorias sobre o que deve ou não fazer. É fácil dizer aos outros para não desistirem, não duvidarem, não caírem, não deixarem, não perderem, não se zangarem. Fácil, é. Mas nem sempre é possível. Na dúvida, estamos muitas vezes com sede de respostas rápidas. Não conseguimos perceber que as dúvidas não se resolvem nem dissolvem com pressas. Na mágoa, nem sempre conseguimos não magoar os que são nossos. Deixamo-nos encher de um ar ferido e, quando respiramos, ferimos os outros. Assim, quase sem dar conta. Na tristeza, é fácil pintar um quadro escuro e acreditar que o tempo está a passar devagar de propósito. Só para nos deixar ainda mais tristes. Na queda, fazemos cair. Arrastamos os outros connosco porque não nos apetece cair sozinhos. Na raiva, queimamos bondades e alegrias por ficarmos cegos com aquilo que nos fizeram.

Parecem palavras fáceis de escrever. Não são. Parecem palavras fáceis de praticar. Não são. Nem sempre conseguimos fazer o que seria suposto. Nem sempre nos é possível avançar com coragem e com vontade. Nem sempre é possível não duvidar. Mas, ainda assim, há uma possibilidade que espreita. É possível adivinhar uma fresta de luz mesmo quando não nos é possível ter brilho. Essa fresta que espreita e que nos acende é o amanhã.

É o dia de amanhã que nos consola. Que nos acalma e nos sossega. Amanhã será sempre melhor. Vou saber mais do que sabia ontem. Vou saber melhor do que sabia no dia anterior. É o amanhã que nos faz chorar de alegria. Essa promessa por nascer que nos embala os dias maus e nos faz acreditar em impossíveis.

É para o dia de amanhã que vamos. Vamos a caminho do dia de amanhã. E poder chegar lá é uma responsabilidade incrível.

Vamos a caminho do dia de amanhã. Na dúvida, vai (sempre) com cuidado.



Marta Arrais 31 de Maio 2017 em iMissio

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Quando puderes, recomeça!

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Quando puderes, recomeça. Faz outra vez. Esquece o que te fez andar para trás e anda para a frente.

Quando puderes, recomeça. Decide como se fosse a primeira vez. Prepara-te como se fosse a primeira aventura. Olha como se fosse o primeiro de todos os dias.

Quando puderes, recomeça. Sem atropelar o que te fez chegar até aqui e sem perder o que te há-de levar onde ainda não sabes que vais chegar.

Quando puderes, recomeça. Faz do medo uma pulseira e usa-o preso ao braço para te lembrares sempre que és tu que o prendes e nunca ele que te prende a ti.

Quando puderes, recomeça. Faz da dúvida um pássaro de origami e deixa-o voar num qualquer céu que não seja o teu. Que não sejas tu.

Quando puderes, recomeça. Respira fundo e levanta-te sempre como quem nunca chegou a cair.

Quando puderes, recomeça. Desiste do que te fez e faz andar em círculos e agarra o que te vai fazer quebrar a corrente.

Quando puderes, recomeça. Espera que a maré suba e mergulha como quem recebe o que a vida tiver para oferecer.

Quando puderes, recomeça. Leva aos outros o que achas que te deviam ter trazido a ti.

Quando puderes, recomeça. Solta as amarras do que te faz recuar.

Quando puderes, recomeça. Duvida do que pensas ser teu para sempre. Duvida das promessas e das garantias. Duvida da perfeição. Duvida de quem nunca tem dúvidas.

Quando puderes, recomeça. Põe sempre um pé atrás mas nunca ponhas os dois.

Quando puderes, recomeça. Surpreende-te com o que já tinhas visto e deslumbra-te com o que fez sempre parte de ti.

Quando puderes, recomeça. Aprende palavras novas. Aprende as pessoas. Aprende os países que visitares. Principalmente o teu.

Quando puderes, recomeça e prepara-te para descobrir que, afinal, ainda não sabes nada.

Quando puderes, recomeça. Como quem não tem medo de nascer outra vez.


Marta Arrais


19 de Abril 2017 em iMissio

sábado, 26 de novembro de 2016

Não duvides!





Não duvides!

O mundo dá demasiadas voltas. Mas volta sempre ao sítio certo. Não duvides.
A verdade há-de correr sempre atrás de ti. Por muito que te escondas dela. Não duvides.
A esperança há-de ser sempre maior que a tua paciência para a encontrar. Não duvides.
Não te prepares para viver. A vida está preparada para ti. Não duvides.
Não te esqueças do que aprendeste e não percas o rasto à tua história.
O silêncio pode ser uma arma mais forte que o grito. Não duvides.
Quem muito se ausenta, nem sempre deixa de fazer falta. Não duvides.
Os milagres só existem nas mãos de quem se atreve a fazê-los. Não duvides.
O regresso nem sempre volta a trazer a pessoa que partiu. Não duvides.
Há lutas que não valem a pena e há guerras que valem a pena perder. Não duvides.
Ninguém guarda segredos. São os segredos que nos guardam e, às vezes, nos limitam. Não duvides.
O que vale a pena descobrir numa pessoa está dentro dos olhos dela e nunca noutro lugar qualquer. Não duvides.
O que vale a pena guardar no coração é sempre leve. Se for pesado, não guardes.
O tempo chega sempre para tudo o que queremos, realmente, fazer. Não duvides.


Lá fora o mundo é sempre maior do que tu. Parece vir na tua direção, depois de ganhar balanço em todos os teus medos. Lá longe, o mundo promete a extinção das certezas e dos dias de sol. Resta-te, a cada dia que passa, ser mundo nos lugares onde falta tudo. Ser mundo com aqueles de quem o mundo se esqueceu. Ser mundo onde for preciso. Quando for preciso. Sempre que for preciso. E o mundo está debaixo dos teus pés e ao alcance das tuas mãos. Não duvides.

Fonte:
http://www.imissio.net/v2/cronicas/nao-duvides:4986