sexta-feira, 23 de agosto de 2019

1 DE SETEMBRO: ORAÇÃO E CONVERSÃO ECOLÓGICA

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O Planeta Terra faz soar os seus alarmes, merece atenção, precisa da solidariedade universal, do envolvimento de todos. Cada vez com maior criatividade, o homem sempre usou e transformou a natureza para superar condicionalismos, buscar soluções e dar resposta às perguntas que a luta pela vida e a sua curiosidade aliada à liberdade, inteligência e vontade lhe iam colocando. Desde o primeiro investimento tecnológico em busca das ferramentas básicas para quebrar as nozes, ir à caça ou para outros afazeres de subsistência imediata; desde (talvez!) as “Lomekiwan” até aos nossos dias, o homem, para ajustar os bens da natureza ao seu modo de estar e viver com mais qualidade, foi aguçando o engenho e deitando foguetes face aos avanços que ia conseguindo. Descobriu coisas, inventou coisas, produziu coisas, acumulou conhecimentos, contribuiu sempre para o avanço da ciência e desenvolvimento coletivo. Nestes nossos tempos, lembramos a “máquina a vapor, a ferrovia, o telégrafo, a eletricidade, o automóvel, o avião, as indústrias químicas, a medicina moderna, a informática e, mais recentemente, a revolução digital, a robótica, as biotecnologias e as nanotecnologias” (Laudato Si,102-LS). Alegramo-nos com isso e usufruímos desse progresso que continua a rasgar novos horizontes para ir mais além em busca de novas conquistas. Todas essas aquisições, porém, vão dando ao homem um poder enorme, sobretudo àqueles que detêm o conhecimento e o poder económico para o disfrutar. “Nunca a humanidade teve tanto poder sobre si mesma, e nada garante que o utilizará bem, sobretudo se se considera a maneira como o está a fazer”, como refere o Papa Francisco (id.104). O homem moderno “não foi educado para o reto uso do poder». O imenso crescimento tecnológico “não foi acompanhado por um desenvolvimento do ser humano quanto à responsabilidade, aos valores, à consciência”. E por isso, a sua ”liberdade adoece quando se entrega às forças cegas do inconsciente, das necessidades imediatas, do egoísmo, da violência brutal. Neste sentido, ele está nu e exposto frente ao seu próprio poder que continua a crescer, sem ter os instrumentos para o controlar. Talvez disponha de mecanismos superficiais, mas podemos afirmar que carece de uma ética sólida, uma cultura e uma espiritualidade que lhe ponham realmente um limite e o contenham dentro dum lúcido domínio de si” (id.105). Esta é hoje uma grande preocupação da humanidade. O Planeta Terra “clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la” (id.2). E não somos.
O movimento ecológico mundial tem feito o seu caminho de sensibilização para o problema. Tem havido cimeiras mundiais ainda que aquém das expectativas. As questões ambientais vão ocupando as agendas políticas, o debate público multiplica-se, promove-se o estudo e a proteção dos ecossistemas, luta-se por uma agricultura mais sustentável e diversificada, por uma gestão mais adequada dos recursos florestais e marinhos e da própria água potável. Procura-se que as energias renováveis, substituam, quanto antes, a tecnologia baseada nos combustíveis fósseis, altamente poluentes. As escolas vão fazendo o seu trabalho, cada um vai sendo sensibilizado para que faça o que pode e deve fazer em favor deste bem coletivo, desta casa comum que é a natureza. Muitas iniciativas vão sendo tomadas, a mudança de hábitos, mesmo que lenta e difícil, vai acontecendo.
O Papa Francisco, numa das suas abordagens a este tema referiu que este cuidado não pode ser apenas tarefa dos ecologistas: “Quando ouvimos falar que as pessoas se reúnem para pensar em como proteger a Criação, podemos dizer: `Mas são ecologistas?` Não, não são ecologistas! Isso é ser Cristão! Um cristão que não preserva a Criação, que não a faz crescer, é um cristão que não se importa com o trabalho de Deus, aquele trabalho que nasceu do Seu amor por nós”.
E na sua Carta Encíclica Laudato Si, ao propor algumas linhas de espiritualidade ecológica, ele acrescenta “que alguns cristãos, até comprometidos e piedosos, com o pretexto do realismo pragmático, frequentemente se burlam das preocupações pelo meio ambiente. Outros são passivos, não se decidem a mudar os seus hábitos e tornam-se incoerentes. Falta-lhes, pois, uma conversão ecológica, que lhes permita deixar emergir, nas relações com o mundo que os rodeia, todas as consequências do encontro com Jesus. Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspeto secundário da experiência cristã, mas parte essencial duma existência virtuosa” (id.217).
Tendo em contam a reflexão de inúmeros cientistas, filósofos, teólogos e organizações sociais que foram enriquecendo o pensamento da Igreja, este tema foi abordado muitas vezes pelos últimos Papas. O Papa Francisco recorda isso na Carta Encíclica Laudato Si, tornando presente, em síntese, a preocupação dos seus últimos antecessores. Paulo VI falou da possibilidade de uma “catástrofe ecológica sob o efeito da explosão da civilização industrial”. Entendia que, se o homem não viesse a mudar radicalmente o seu comportamento, ia sofrer graves consequências: “os processos científicos mais extraordinários, as invenções técnicas mais assombrosas, o desenvolvimento económico mais prodigioso, se não estiverem unidos a um progresso social e moral, voltam-se necessariamente contra o homem”. João Paulo II sentiu a necessidade de apelar a uma “conversão ecológica global”, a qual haveria de passar por mudanças profundas “nos estilos de vida, nos modelos de produção e de consumo, nas estruturas consolidadas de poder”. Bento XVI renovou o convite a “eliminar as causas estruturais das disfunções da economia mundial e a corrigir os modelos de crescimento que parecem incapazes de garantir o respeito do meio ambiente”. Esta preocupação também está presente noutras igrejas e comunidades cristãs, bem como noutras religiões. Tem havido trabalho e pronunciamentos interessantes, pois, como afirmava o Patriarca Bartolomeu, “todos, na medida em que causamos danos ecológicos”, somos chamados a reconhecer “a nossa contribuição – pequena ou grande – para a desfiguração e destruição do ambiente” (id. 6-8).
O Papa Francisco, por sua vez, brindou-nos com a sua Carta Encíclica sobre o cuidado da casa comum, Laudato Si, dirigida não só aos cristãos mas a todos os homens e mulheres de boa vontade. Em 6 de agosto de 2015, à semelhança do que já existia na Igreja Ortodoxa, decidiu instituir também, na Igreja Católica, o “Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação”, a celebrar anualmente no primeiro dia de setembro, data em que já é comemorado pela Igreja Ortodoxa. É um dia para oferecer “aos fiéis individualmente e às comunidades a preciosa oportunidade de renovar a pessoal adesão à própria vocação de guardas da criação, elevando a Deus o agradecimento pela obra maravilhosa que Ele confiou ao nosso cuidado, invocando a sua ajuda para a proteção da criação e a sua misericórdia pelos pecados cometidos contra o mundo em que vivemos”. Com todas as pessoas de boa vontade, vivamos nós também este “Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação”, o dia 1 de setembro.

ORAÇÃO DO PAPA FRANCISCO PELA NOSSA TERRA

Deus Omnipotente,
que estais presente em todo o universo
e na mais pequenina das vossas criaturas,
Vós que envolveis com a vossa ternura
tudo o que existe,
derramai em nós a força do vosso amor
para cuidarmos da vida e da beleza.
Inundai-nos de paz,
para que vivamos como irmãos e irmãs
sem prejudicar ninguém.
Ó Deus dos pobres,
ajudai-nos a resgatar
os abandonados e esquecidos desta terra
que valem tanto aos vossos olhos.
Curai a nossa vida,
para que protejamos o mundo
e não o depredemos,
para que semeemos beleza
e não poluição nem destruição.
Tocai os corações
daqueles que buscam apenas benefícios
à custa dos pobres e da terra.
Ensinai-nos a descobrir o valor de cada coisa,
a contemplar com encanto,
a reconhecer que estamos profundamente unidos
com todas as criaturas
no nosso caminho para a vossa luz infinita.
Obrigado porque estais connosco todos os dias.
Sustentai-nos, por favor, na nossa luta
pela justiça, o amor e a paz (Laudato Si, 246)


D.Antonino Dias- Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 23-08-2019.

Não fazer turismo espiritual na Igreja, mas viver como irmãos

A menina na audiência geral

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Um dia houve alguém que falou!

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Um dia houve alguém que falou. Pegou em toda a sua vida e levou-a à boca. Tornou-se palavra que alimenta e que aviva. Ousou-se tornar verbo para que todo o movimento e ação viesse do seu dinamismo de amor tão misterioso, mas ao mesmo tempo tão encantador. 

Um dia houve alguém que falou. Decidiu rasgar por completo a gramática do seu tempo e dar a conhecer as novas regras da libertação que não se focavam em opressão, mas que se regiam pelos seus gestos que eram adjetivos bem qualificados de comunhão, união e compaixão. Usou a sabedoria de se colocar perante os sujeitos e não permitiu que o predicado da sua divindade atropelasse a essência da criação da sua tão bela humanidade. 

Um dia houve alguém que falou. Saiu a espalhar a Boa Nova brincando com as palavras. Brincou tanto que chegou ao ponto de se tornar tremendamente sério. Deixou que toda a sua vida fosse cosida de cima a baixo com as palavras de seu Pai. Não veio com um discurso de campanha, nem com palavras feitas, porque ele era a verdadeira palavra. Veio para ser a palavra e nós bem sabemos que as expressões só ganham crédito quando os nossos gestos condizem com a nossa fala. E assim o fez: deixou tudo por escrito nos gestos da sua humanidade soprados pela sua autêntica divindade.

Um dia houve alguém que falou. Falou tanto e tão bem que aceitou que a palavra lhe entranhasse. Deu-lhe vida através da sua própria vida e deu a conhecer assim o vocábulo que não se perde pelo tempo ou pelos escritos, mas que insiste e resiste em viver em todos e por todos. 

Um dia houve alguém que falou e, diante de tão belos discursos, foi ditando de cor e salteado o Reino do seu tão amado Pai!

Emanuel António Dias

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Papa Francisco clama por um novo humanismo

Papa escreveu o prefácio de um livro sobre Movimentos Populares

Com um prefácio de seu próprio punho, o Papa Francisco apresenta um livro que reúne cinco anos de reflexão sobre o trabalho de milhares de associações que, atuando como “uma alavanca de transformação social”, lutam por um estilo de desenvolvimento justo e inclusivo.


Cidade do Vaticano

O profundo valor e os desafios de centenas de associações sociais que lutam contra a exclusão no mundo é o tema central do prefácio que o Papa Francisco escreveu para o livro “A irrupção dos Movimentos Populares: Rerum novarum do nosso tempo”.

Esta edição, preparada pela Pontifícia Comissão para a América Latina, oferece os principais pronunciamentos feitos nos Encontros Mundiais que, desde 2014, reuniu milhares de representantes de Movimentos Populares em diversas partes do continente americano.

Alavanca de grande transformação social

O Santo Padre começa a sua reflexão afirmando que as pessoas que vivem nas periferias territoriais e existenciais não são só um setor da população que deve ser alcançada pela Igreja, mas são “uma semente, uma renovação que, como o grão de mostarda, dará muito fruto», porque os concebe como «alavanca de uma grande transformação social».

Assim, não são atores passivos ou meros receptores de assistência social, que devem resignar-se a contemplar como as elites administram a ordem mundial, mas são verdadeiros protagonistas ativos, agentes do futuro da humanidade, cuja “rebelião pacífica”, à imagem de Jesus manso e humilde, conta com a solidariedade incondicional do Santo Padre.

Francisco reconhece nesta articulação dos movimentos sociais de carácter transnacional e transcultural aquele “modelo poliédrico” ao qual fez referência em sua exortação apostólica Evangelii Gaudium (nº2), e que se constitui a partir de um paradigma social baseado na cultura do encontro.

Sentinelas

Para o Papa, esta pluralidade de movimentos, cujas experiências de luta pela justiça ficam plasmadas no livro, «representam uma grande alternativa social, um grito profundo, um marco, uma esperança de que “tudo pode mudar”». Seu modo de resistir ao modelo reinante por meio de um testemunho de trabalho e sofrimento os revela – segundo Francisco - como “sentinelas” de um futuro melhor.

Reafirmando sua convicção de que a humanidade enfrenta atualmente uma transformação de época caracterizada pelo medo, pela xenofobia e pelo racismo, o Santo Padre garante que os «Movimentos Populares podem representar uma fonte de energia moral para revitalizar nossas democracias».

Antídoto aos populismos

De fato, em meio a uma sociedade global ferida por uma economia cada vez mais distante da ética, afirma que estes agregados sociais podem exercer a função de um antídoto contra os populismos e a política do espetáculo, já que privilegiam a participação da cidadania, com uma consciência mais positiva sobre o outro. Essa é a consequência da promoção de uma “força do nós”, que se opõe à “cultura do eu”.

Ao finalizar suas palavras, o Santo Padre enfatiza o tema do trabalho humano como um daqueles direitos sagrados que deve ser preservado em cada pessoa. Frente às concreções práticas de teses neoliberais e neoestatais, que sufocam e oprimem as pessoas em suas experiências profissionais, Francisco clama por um «novo humanismo, que coloque fim ao analfabetismo da compaixão e ao progressivo eclipse da cultura e da noção de bem».

https://www.vaticannews.va/pt

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Ser cristão significa ser coerente com o Evangelho


https://www.youtube.com/watch?v=iA4OemLAEpg



Dizer-se cristão é bom, mas é preciso ser cristão: palavras do Papa Francisco ao se reunir com os fiéis e peregrinos na Praça São Pedro para o Angelus dominical.

O Pontífice comentou o trecho de São Lucas, no qual Jesus adverte os discípulos de que chegou o momento da decisão.

“A sua vinda ao mundo, de fato, coincide com o tempo das escolhas decisivas: não se pode adiar a opção pelo Evangelho”, explicou o Papa.

Abandonar a apatia para acolher o fogo do amor

Para exemplificar melhor esse chamado, Jesus utiliza a imagem do fogo que Ele mesmo veio trazer sobre a terra: «Vim lançar fogo na terra; e que mais quero, se já está aceso ?».
Essas palavras, prosseguiu Francisco, têm a finalidade de ajudar os discípulos a abandonar toda atitude de preguiça, de apatia, de indiferença e de fechamento para acolher o fogo do amor de Deus.

“Jesus revela aos seus amigos, e também a nós, o seu desejo mais ardente: levar sobre a terra o fogo do amor do Pai, que acende a vida e mediante o qual o homem é salvo.”

O fogo do amor, aceso por Cristo no mundo por meio do Espírito Santo, é sem limites, universal, disse ainda o Papa.

"Incêndio benéfico"


Foi o que aconteceu desde os primeiros tempos do Cristianismo: o testemunho do Evangelho se propagou como um “incêndio benéfico, superando toda divisão entre indivíduos, categorias sociais, povos e nações”.

Este testemunho queima toda forma de particularismo e mantém a caridade aberta a todos, com uma preferência pelos mais pobres e excluídos.

Aderir a este fogo significa duas coisas: adorar a Deus e a disponibilidade a servir o próximo. A primeira quer dizer "aprender a oração da adoração, que com frequência esquecemos", afirmou o Papa, convidando os fiéis a descobrirem a beleza desta oração. Depois, estar disponível a servir o próximo e Francisco manifestou sua admiração a quem se dedica aos mais necessitados mesmo durante o período de férias.

“Para viver segundo o espírito do Evangelho, é preciso que, diante das sempre novas necessidades que aparecem no mundo, haja discípulos de Cristo que saibam responder com novas iniciativas de caridade. Assim, o Evangelho se manifesta realmente como fogo que salva, que transforma o mundo a partir da mudança do coração de cada um.”

Escolhas coerentes com o Evangelho

Assim se compreende outra afirmação de Jesus contida no trecho de Lucas, que numa primeira leitura pode chocar: «Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo, mas antes dissensão».

Isso significa que Jesus veio para “separar com o fogo” o bem do mal, o justo do injusto.

“Neste sentido, Jesus veio para “dividir”, para colocar “em crise” – mas de modo saudável – a vida dos seus discípulos, desfazendo as fáceis ilusões daqueles que acreditam poder conjugar vida cristã e mundanidade, vida cristã e acordos de todo gênero, práticas religiosas e atitudes contra o próximo.” O Pontífice advertiu que recorrer à cartomante é superstição, "não é de Deus".

A adesão a este fogo requer deixar a hipocrisia de lado e estar dispostos a pagar o preço por escolhas coerentes com o Evangelho. "Esta é a atitude que cada um deve buscar na vida: coerência", e pagar o preço por ela.


“ É bom dizer-se cristãos, mas é preciso antes de tudo ser cristãos nas situações concretas, testemunhando o Evangelho, que é, essencialmente, amor por Deus e pelos irmãos. ”

Francisco concluiu pedindo a Maria que “nos ajude a deixar-nos purificar o coração pelo fogo trazido por Jesus, para propagá-lo com a nossa vida, mediante escolhas firmes e corajosas”.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Sê a mudança


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Quantas vezes sonharam com um mundo de paz? Para mim, nunca passou de um sonho. Um sonho tão distante, um daqueles sonhos que sabemos que nunca vamos chegar porque não dependem de nós, porque no mundo existem tantas desigualdades, tantos diferentes pontos de vista. O mundo tem tantas coisas diferentes e tantas pessoas distintas que aos poucos me acostumei à ideia de que um mundo de paz só vai existir nos meus sonhos mas não para ver concretizado algum dia.
Torna-se ainda mais difícil porque nem sequer me sentia paz comigo mesma. Então, se nem sequer no sítio onde vivo e com quem vivo consigo a paz que sonho quanto mais almejá-lo para uma realidade ainda maior.
Pensar global, agir local. Comecei por mim. A paz não é um sítio onde chegas é um caminho que, com coragem, te propões a caminhar todos os dias. Todas as coisas que queria para o mundo comecei a aplica-las comigo, na minha vida. Ousei erradicar a violência da minha vida. Ousei começar a escolher a paz. Pelo caminho compreendi que a violência é como uma droga. Nem sabemos que somos viciados. Nem sabemos o quanto nos magoa, o quanto nos faz mal até nos irmos livrando dela.
A verdade é que pensamos que é só uma discussão. Que gritar é normal. Que casa ralhada é casa governada. A verdade é que nos repetimos que faz parte. Que isto é a vida. Não! Não! A tua vida podia ser assim mas isso não significa que não possa ser de outra forma. Lá porque neste momento parece que não existe outra opção não significa que ela não exista. Ela existe. É possível viver sem violência. É possível viver-se de paz. É possível governar-se uma casa, debater-se pontos de vistas sem nos magoarmos no percurso.
A verdade é quando crescemos nos ensinam a escrever, a ler e a fazer contas. Mas tantas vezes se esquecem de ensinar a amar e a ser amado. Tantas vezes nos esquecemos de ensinar a viver com paz, serenidade. Tantas vezes nos esquecemos de ensinar as emoções. A verdade é que o mundo de paz é possível, porque amar é possível. Basta começarmos por nós. E, ao mudarmos veremos em como o mundo se atreve a mudar connosco.

Paula Ascenção