domingo, 13 de setembro de 2026

COITADO!... O HOMEM CHORAVA COMO UMA MULHER!...

 


Não fui eu quem viu!... Não fui eu quem o disse!... Tampouco sei apreciar tão lacrimosos epifenómenos através desse suor das janelas da alma!... Sim, isto de ver rios de água a serpentear cara abaixo de qualquer homem feito Madalena ou de qualquer Madalena feita homem não é, para mim, coisa agradável de se ver. Muito menos eu faria uma afirmação assim tão deselegante. A não ser que perdesse o tino e me deixasse influenciar pela baixaria que ecoa lá pela ‘Universidade Politécnica do Parlamento’, no ensino e exercício prático com que transmite e educa o país na arte nobre da política. Se ela fosse uma das competências de avaliação do PISA, haveríamos de ver como o ranking da maior parte dos eleitos pelo povo os faria chorar as pitangas, mas sem propósito de emenda. Perante a contumácia, só um GPS de marmeleiro lhes indicaria o rumo certo!... ihhihihihih!
Terá sido Aixa, mãe do rei de Granada, quem viu e afirmou essa coisa em título. E ao que parece, não eram lágrimas de crocodilo. Eram o amargo fruto daquela tremebunda e monarca tristeza, sentada lá pelos sofás daquele coração feito em cacos, destroçado! Ninguém gosta de perder nem que seja a feijões ou na raspadinha!... Na impossibilidade de torcer o pescoço aos reis de Espanha, o dito cujo, com a mochila às costas carregada com mísseis de raiva visceral, disparou, lá do alto do monte por onde passava, o seu último olhar e suspiro sobre a cidade! Não destruiu nada, não matou ninguém, ninguém se intimidou, foi um mero desabafo em alívio daquele patriótico nó na garganta. Presumo até que, naquele momento, o seu único consolo seria o de saber que iria chegar a casa a tempo e horas para o jantar, com a certeza de que, a partir de agora, iria ter tempo com fartura para o que desse e viesse! Acabava de entregar, à governança de Espanha, definitivamente, as chaves dessa sua amada pátria: Granada. Era o 2 de janeiro de 1492. O monte passou a ser conhecido por “Suspiro do Mouro”. Sua mãe, mulher resistente, de carácter forte e ‘pelo na venta’, de ‘antes quebrar que torcer’, que tudo tinha feito pelo seu filhote rei e pelo reino de todos, desgostosa pela sua fraqueza e capitulação, ter-lhe-á dito, ironicamente: “Chora, chora agora como uma mulher o que não soubeste defender como um homem”....
Mudando o bico ao prego, há muitas coisas na vida que também nós, homens e mulheres, temos de defender com determinação, com valentia e orgulho, para que um dia não tenhamos de chorar a perda daquela Pátria definitiva que nos está reservada. Uma Pátria que nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem o coração suspeitou, nem qualquer mente humana, por mais fulgurosa que seja, pode sequer imaginar quão sublime ela é (cf. 1Cor 2,9). Uma dessas coisas que é preciso defender e cuidar é a fé de que já falámos no texto anterior e continuaremos a falar. Mas o que é a fé? Não é um vago sentimento religioso que toda a gente tem, todas as civilizações e culturas tiveram e continuam a ter. O desejo de Deus “é um sentimento inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus. Deus não cessa de atrair o homem para Si e só em Deus é que o homem encontra a verdade e a felicidade que procura sem descanso” (CIC1). A fé também não é um saber de cor um conjunto de princípios que alguém ensinou a papaguear. Não é qualquer coisa que se possa reivindicar pelas ruas, comprar na quermesse, na feira, na farmácia, na loja dos chineses ou no supermercado, embora, mesmo que já se tenha e dela se viva, se deva pedir constantemente com humildade e confiança. Dizer que se tem fé está para além do dizer que se acredita e do clamar pelo Senhor. Não é uma mera concordância intelectual, pois, como São Tiago afirma, “também os demónios creem” (Tg 2,19). Não é uma espécie de passaporte, uma força interior a exigir que Deus satisfaça os nossos caprichos, como São Tiago também denuncia (Tg 4,3). Não é um compromisso cego, um sentimento arbitrário, um otimismo vazio, uma mera esperança humana. Não é coisa que se oponha à razão. Fé e razão devem ser como Romeu e Julieta, precisam uma da outra e uma implica a outra, completam-se, são duas janelas diferentes de olhar o mundo, duas formas diferentes de procurar a verdade, “duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade”, como escreveu São João Paulo II no Prólogo da Fides et Ratio. Fé e razão apoiam-se e dialogam entre si, respeitosamente. A fé apoia-se na autoridade divina e na revelação. A razão baseia-se na lógica, na evidência, na capacidade crítica da mente humana. Ciência e fé respondem a perguntas diferentes e utilizam métodos distintos para compreender a realidade do universo. A ciência investiga o “como” do universo e das suas maravilhas, através de evidências empíricas, de testes e do método científico, quer saber como as coisas funcionam e se formaram. A fé procura responder ao ‘porquê’ do universo, centrando-se no sentido da existência, na origem última e nos valores espirituais que estão fora do alcance observável de qualquer laboratório. A razão protege a fé do fanatismo, da superstição, da credulidade cega, das bruxarias, adivinhos, videntes e quejandos. A fé protege a razão da perda de sentido, do ceticismo absoluto, de possíveis endeusamentos e arrogâncias de autossuficiência.
Como escreve José Ayllón, “os ateus acham que Deus não existe. Os agnósticos dizem que Deus não fala. Os crentes creem que Deus nunca se cala. Por vezes, porém, aqueles que o negam ou o ignoram começam a ouvi-lo na imensa linguagem das galáxias, no elegantíssimo idioma da genética, nos números incríveis da física atómica, na linguagem inefável do amor e ainda no desconcertante significado do sofrimento”.
D, Antonino Dias
Caminha, 11-09-2026.

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