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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Escolhe a Vida. Escolhe Amar Mais.





“O que é bom… ou é pecado ou engorda.”
Muita gente pensa o mesmo da fé. Que ser cristão é viver limitado.
Que Deus proíbe o que dá prazer. Que a religião é uma lista de “nãos”.
Mas deixa-me dizer-te uma coisa: isso não é cristianismo.
Deus não impõe. Deus propõe.
“Se quiseres, guardarás os mandamentos.” Se quiseres.
Diante de ti estão a vida e a morte. E Deus respeita-te tanto
que te deixa escolher.
Os mandamentos não são uma prisão.
São proteção. São mapa. São caminho para uma vida maior.
Jesus vai mais fundo. Ele não quer o mínimo.
Ele quer o máximo do amor. “Não matarás.”
E tu pensas: “Eu nunca matei ninguém.”
Mas já feriste alguém com palavras? Já destruíste alguém com desprezo?
Já espalhaste um boato? Já insultaste no silêncio do coração?
Pode-se matar sem tocar. Pode-se matar com a língua.
Com a indiferença. Com a humilhação.
Depois, Jesus fala do adultério. E vai à raiz: ao olhar. À intenção.
Ao coração. O outro não é objeto. Não é consumo. Não é posse.
É pessoa. É mistério. É dom.
Se não cuidas do teu olhar, o teu coração adoece.
E o que entra no coração acaba por moldar a tua vida.
E depois: “Sim, sim. Não, não.” Sem “nim”.
Sem duplicidade. Sem meias-verdades. Num mundo cheio de aparências,
Jesus chama-te à autenticidade. Não à perfeição. Mas à verdade.
Escolhe o que te faz crescer. Escolhe o que constrói. Escolhe o que dá vida.
E vais descobrir uma coisa surpreendente: O que é verdadeiramente bom
não é pecado nem engorda — dá vida.

Padre João Torres

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Ficas ou voas?!

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Estamos entre espadas e paredes. Entre trilhos certos e tranquilos (de onde não se pode ver o Céu) e veredas com escolhos que, no final, nos brindarão com uma paisagem capaz de fazer esquecer qualquer caminho mais difícil.

Estamos entre ventos e marés. De um lado sopra o que já passou e não deixou de ser nosso. De outro, sopra um convite para o futuro. De um lado, o mar tem a cor transparente de sempre e, de outro, vislumbra-se um azul que assusta.

Estamos entre aterragens e voos. De um lado, acenam-nos os nossos confortos ferrugentos e, de outro, acena-nos um par de asas novinho em folha.

Estamos entre um virar-de-página e um deixar o marcador-de-livros-onde-sempre esteve. De um lado cativa-nos o cheiro a livro novo e, de outro, a certeza do livro que nos embala e adormece.

Estamos entre o velho e o novo. De um lado mora o ano que passou (e não nos deixa só porque se inaugurou outro calendário) e, de outro, o ano novidade que queremos impor com uma força que não é nossa.

Estamos entre o ganhar-balanço e o andar para trás. De um lado a vontade de fazer diferente e de escrever uma nova história. De outro, a vontade de reler as páginas antigas que nos trouxeram ao capítulo onde estamos agora.

Estamos entre a paz e a guerra. De um lado do nosso Céu, uma pomba branca está poisada a olhar para nós. De outro, uma pena esvoaçante que sobrou de uma luta sem vencedores.

Estamos aqui. Onde sempre estivemos. Ou estivemos aqui e ali e voltámos, agora, aos lugares de onde nunca saímos.

Estamos os mesmos mas queremos convencer-nos do contrário. E ainda bem. Somos filhos de uma esperança acesa que nos promete mudanças e rumos novos. Somos sombras de uma luz maior que nos acende bondades. Somos, também, muito teimosos e bastante míopes. Nem sempre queremos ver o muito que já nos foi dado.

Ainda vamos a tempo de querer ver. De procurar. De ir atrás. De guardar as espadas de guerras antigas. De abraçar a mochila que a vida nos deu para levar.

Ainda vamos a tempo de querer tudo.

Ainda vais a tempo de querer o que for para ti.

Então, ficas ou voas?


Marta Arrais

terça-feira, 8 de maio de 2018

Aos que escolhem não ficar!

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Há qualquer coisa dentro de nós que se assemelha a um porto. Um desses cais que abrem braços para acolher os barcos que os outros são.

Há, em nós, um desejo que rima com maré cheia e que nos faz querer guardar e amar todos os que decidam aproximar-se das nossas águas.

No entanto, há barcos que estão destinados a uma viagem de ida e volta e, como tal, não foram feitos para ficar (connosco).

Há, na minha opinião, um grande mistério em torno dos que nos deixam. Dos que escolhem deixar de fazer parte. Nunca sabemos, ao certo, se somos nós (com os nossos traços e manias) que afastamos os que se afastam ou se a escolha é inteiramente deles. Sei que gostamos de pensar que nada tivemos que ver com isso. Umas vezes não tivemos. Outras, a culpa foi toda nossa. Sei, ainda, que no cais daquilo que somos há lugares vazios e contornos dos que, um dia, julgámos nossos.

Os que escolhem não ficar fazem-no, em primeiro lugar, porque são livres. E a liberdade é razão suficiente para (quase) tudo. Até para o abandono voluntário. Depois, fazem-nos porque cresceram, porque começaram a olhar para o mundo de uma outra forma. Fazem-no porque não gostam do que lhes devolvemos como pessoas ou com a nossa forma de estar e ser. Fazem-no por cobardia. Por não conseguirem segurar-nos as mãos e dizer-nos:

Magoaste-me terrivelmente. E agora, que havemos de fazer com isto?!

Fazem-no porque querem. Sem ter razão alguma. Fazem-no porque conhecem alguém que lhes enche (mais) as medidas e aquilo que não se pode medir.

A verdade é que o fazem e nós, depois, não sabemos o que fazer com isso. Como é que se recupera a presença de alguém que não volta? De alguém que preferiu continuar a viver sem nós?

Não se recupera. Respira-se fundo, apenas. Respira-se fundo uma e outra vez até deixar de doer. A dor (tal como tudo o resto) também passa. Ainda assim, não esqueças quem passou por ti.