Volta e meia deparamo-nos com obstáculos, dificuldades e problemas difíceis de resolver que poem à prova a nossa capacidade de superação.
Gosto de olhar para os problemas como oportunidades, mas confesso, que nem sempre é fácil.
Quando fazemos parte de um grupo ou comunidade somos impelidos a dar sugestões para resolver situações mais difíceis e às vezes focamo-nos tanto no problema que não vemos as oportunidades. Eu sei que nem sempre é fácil sermos iluminados com ideias inovadoras e com caminhos de sucesso, eu sei, mas nem sempre nos esforçamos o suficiente.
Apontamos os dedos a tudo e todos, e muitas das vezes temos razão, mas isso não dos distrai do essencial?
Gostamos de atribuir culpados, seja uma pessoa ou um sistema, mas quantas vezes nos damos ao trabalho de pensar num caminho alternativo?
Pensar dar trabalho, dar opinião às vezes é perigoso e assumir um caminho é arriscado.
Eu sei, que nem sempre é fácil, aliás acho que na maioria das vezes é mesmo muito difícil. É mais fácil sermos juízes e definir culpados do que apresentar uma solução alternativa. Dirás tu, querida amiga: "falar para quem não quer ouvir?" Também é verdade que nem sempre encontramos quem compreenda as nossas ideias e as faça crescer, outros aguardam que corram mal para apontarem dedos, mas vá lá, pára um pouco e pensa bem para onde queres apontar o dedo.
Na dúvida, reza, pede inspiração, estuda mais o caso e apresenta o teu caminho. E se não tiveres caminho para apresentar, escuta com atenção quem o tem, ou então inspira os outros a ter essa ideia. Sim, porque sabes que há pessoas inspiradoras que apenas precisam de sentir um incentivo ou apelo ao processo de mudança e, quem sabe, não és tu a desencadear isso.
Por isso, querida amiga, da próxima vez que apontares, que sejam caminhos.
E tu, amiga, tens-te esforçado para apontar para quê?
Avanço tecnológico, acesso à informação, integração global, inteligência artificial, mobilidade constante, diversidade cultural, participação cívica, capacidade de mobilizar para causas sociais, são caraterísticas do nosso tempo. Escrevendo assim, poupo o leitor àquele chorrilho de coisas e loisas negativas com que tantas vezes se define a pessoa e a sociedade de hoje. Não sei se isso acontece por demasiado pessimismo, se para embelezar o discurso, se para fazer passar a ideia de que não se está em jejum em tais análises sociológicas, se, dado o tema a desenvolver, tem mesmo de ser. O povo diz que não se deve bater no ceguinho, mesmo que o ceguinho não seja cego mas prefira não ver. Alguém me dirá que isso não são contas do meu rosário, que não tenho nada a ver com isso, que me estou a meter onde não sou chamado. Admito, e podem crer que não vou prender o burrinho por causa disso, nem sair da sala, nem esgrimir argumentos para subir ao pódio. Mas entendo que há dimensões da vida que são mesmo contas do rosário de cada um, ainda que se possa pensar que, de facto, não são. Vou lembrar duas dessas dimensões que, quando há verdade e não meros preconceitos, cada vez gostam mais de andar juntas, de mãos dadas: espiritualidade, progresso e missão, quando andam de mãos dadas, ajudam-se mutuamente. A primeira é de la palisse, é para recordar que estamos no mês de Outubro. O leitor sabe que sim, pois não anda assim tão distraído. Não é tanto de la palisse, porém, dizer-se que o mês de outubro é o mês do Rosário! A secular história do Rosário é digna de registo. Por mais que se queira completar, nunca está terminada a lista dos seus admiráveis efeitos e benefícios. No próximo dia 7, Festa de Nossa Senhora do Rosário, crianças de todo o mundo vão unir-se na oração do terço pela paz, sob a iniciativa “Um Milhão de Crianças rezam o Terço”, desafiando cada pessoa, cada família e cada comunidade cristã a associar-se à iniciativa, pois quem reza faz a diferença. Há quem diga que a oração do Terço é monótono. Será mesmo ou seremos nós que o não sabemos tornar dinâmico, variado e interessante? Há quem diga que é uma seca. Será mesmo ou seremos nós que estamos tão secos tão secos tão secos que já nem a água-viva penetra em nós para que floresçamos e dêmos fruto? Há quem diga que se distrai muito quando o reza. Mas, não é verdade que só se distrai na oração quem reza? Há quem diga que é oração apenas para gente idosa. Mas não foi a crianças que a Senhora pediu que rezassem o terço todos os dias? No decorrer dos séculos, a oração do Rosário foi sempre proposta e valorizada como “um verdadeiro tesouro a descobrir”. Nossa Senhora, em Fátima, em todas as Aparições, insistiu nela e disse para quê: “Rezem o Terço todos os dias para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra”. Pobres e ricos, sábios e ignorantes, grandes e pequenos, crianças e jovens, idosos e doentes, todos o podem rezar. Dizia a Irmã Lúcia que “depois da oração litúrgica do Santo Sacrifício da Missa, a oração do santo Rosário ou Terço, pela origem e sublimidade das orações que o compõem e pelos mistérios da Redenção que recordamos e meditamos em cada dezena, é a oração mais agradável que podemos oferecer a Deus e de maior proveito para as nossas almas. Se assim não fosse, Nossa Senhora não o teria recomendado com tanta insistência”. Os Papas não se têm cansado de falar sobre a importância da oração do Terço. Francisco afirmou que sempre que rezamos o Terço “o Evangelho retoma o seu caminho na vida de cada um, das famílias, dos povos e do mundo”. Rezá-lo e ensiná-lo a rezar, individualmente e em família, é gosto de cada cristão, são contas do seu rosário! É um ato de fé e gratidão, reúne a família e a comunidade, gera paz interior, mantém a fé e a esperança bem acesas. Quem tem o dever de educar e evangelizar não pode entender que a necessidade de oração e a espiritualidade são realidades adquiridas. Não são, mesmo que alguém diga que até fez o percurso da catequese até ao fim, até à celebração do Crisma. A experiência diz-nos que não é bem assim. O próprio Crisma, para muitos, é, infelizmente, uma espécie de festa de finalistas! Como afirmou Ratzinger, “tudo procede dentro da normalidade, mas na realidade a fé vai-se deteriorando e degenerando na mesquinhez”. Apresento ainda outra dimensão da vida que também deve fazer parte das contas do rosário de cada um. O mês de Outubro é o mês das Missões. Cada um é missão, somos missão. A missão não é apenas tarefa de alguns, é vocação de todo o batizado. Ser batizado é ser missão, é ser de Deus, é amar como Deus. E Deus enviou o seu Filho Jesus Cristo para dar a sua vida por nós. Por sua vez, Jesus, tendo cumprido a sua missão, enviou-nos em seu nome como Ele tinha sido enviado pelo Pai. Ser cristão é sentir-se enviado, é ter um coração disponível e cheio de Deus para ir por todo o mundo, semeando a esperança alicerçada na fé e no amor. E esse ir por todo o mundo começa em nós mesmos: “Meu caminho é por mim fora, até chegar ao fim de mim e encontrar-me com Deus” escreveu Sebastião da Gama; começa em casa de cada um, nesse porto seguro de amor e de paz mesmo por entre imperfeições, pois a família é uma pequenina igreja doméstica onde todos se vão evangelizando, servindo e amando cada vez mais na alegria e na esperança; continua na paróquia e na diocese, comunidades de fé e centro de vida espiritual, provendo os sacramentos, a cultura da fé e a caridade fraterna, contando com a participação, o estimulo e o apoio de cada um também na partilha para as suas atividades, para o culto e os serviços ministeriais. E a missão vai-se alargando conforme a disponibilidade e circunstâncias de cada um e das próprias famílias e comunidades cristãs. Como lemos na Evangelii Gaudium, n.º 86, no mundo de hoje, há inúmeros sinais da sede de Deus, do sentido último da vida, ainda que muitas vezes expressos implícita ou negativamente. Todos somos chamados a ser pessoas-cântaro para dar de beber a todos, mesmo que o cântaro, por vezes, se torne numa pesada cruz. Foi precisamente na Cruz que o Senhor, trespassado, se nos entregou como fonte de água-viva.
D. Antonino Dias - Bispo Diocesano Portalegre-Castelo Branco, 03-10-2025.
“Também eu não te condeno. Vai e de agora em diante não tornes a pecar.” (Jo 8,11)
Chegado o mês de setembro, é momento de recomeçar o trabalho, as aulas e as rotinas. Recomeçar nem sempre é fácil e nem sempre está ligado aos nossos hábitos profissionais ou académicos. Recomeçar pode ser um momento de encontro contigo. Um momento depois do qual nunca voltaremos a ser iguais.
Recomeçar faz-me pensar no episódio da mulher adúltera. Nele a tua ternura e misericórdia saltam da página. Consola-me compreender que mulheres imperfeitas (e homens também, claro está), como eu tenham em ti motivo para se reerguer.
Sei do que falo porque foi num momento de grande vulnerabilidade, que comecei a sentir uma presença na minha vida, um ardor no peito, uma vontade de romper com o olhar que me colocava no centro, aquele olhar orgulhoso de quem pensa que tudo depende apenas de si. Senti-me tão amada nesse momento de tribulação, não porque não o fosse antes, mas por um amor que me transcendia. Uma presença apaziguadora e ao mesmo tempo provocadora que me ensinou que viver fechada no meu umbigo era morrer sem ter tido oportunidade de viver. Percebi, então que ser uma gota de água num oceano imenso basta porque o oceano não o seria sem todas as suas gotas. O que achava grande e importante afinal é pequeno, insignificante enganador e efémero.
Senti-me como a ovelha perdida e encontrada, arrebatada e deslumbrada por ti e a minha vida transformou-se num ‘sim’ consentido e com sentido. O vazio que carreguei em silêncio durante tanto tempo foi-se enchendo de ti, do teu amor e da tua paz. Tudo porque olhaste para a minha pequenez com misericórdia e compaixão.
Finalmente, compreendi a tua paixão, todos os passos que te conduziram à cruz. Sabias que tudo o que padecerias seria sinal daquele que te enviou. Tamanho amor não podia ser apenas humano, mas transcendente. Na cruz de escória e do escândalo onde foste insultado, maltratado e humilhado, ergueu-se a cruz da nossa salvação. A possibilidade de a humanidade redimida poder tocar o divino enquanto ainda está aqui.
Vejo o episódio da mulher adúltera como essa conversão interior que só acontece quando nos encontramos contigo. Ensinaste àqueles homens dispostos a apedrejar uma mulher por adultério (como se o adultério dependesse apenas dela), que somos todos pecadores. Aceitar isso é não viver iludido, mas sim saber que a cada queda vens ao nosso encontro e estendes a tua mão misericordiosa para nos reerguer pela tua graça.
Mas sabes o que me captou a atenção desta vez? Ver-te escrevendo no chão e não conseguir decifrar o que escrevias. A maneira sempre discreta como sempre atuas na nossa vida. Convidas-nos a discernir o que escreveste no chão da nossa vida. Tu, o único que poderia estilhaçar os nossos telhados de vidro, nem sequer te passa pela cabeça pegar numa pedra, mas antes escreves no chão tempo suficiente para reconhecermos a encruzilhada onde nos desviámos do teu caminho.
Que Palavra terás hoje para mim? O que ainda sonhas para mim, apesar de me perdido tantas vezes no caminho? Tenho a certeza de que já me respondeste várias vezes, mas tenho tanta dificuldade em ouvir... Por isso, peço-te o mesmo que te pediu o leproso: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me" (Mt, 8, 2).
A viagem da estátua original faz parte do programa do Jubileu da Espiritualidade Mariana dos dias 11 e 12 de outubro, em Roma. A imagem de Nossa Senhora de Fátima, venerada na Capelinha das Aparições no santuário mariano, parte de Portugal nesta sexta-feira (10/10). "A 'Senhora vestida de branco' se fará peregrina da esperança e, em Roma, estará junto do 'bispo vestido de branco', como carinhosamente os pastorinhos de Fátima se referiram ao Santo Padre”, disse Pe. Cabecinhas.
Andressa Collet - Vatican News
O Papa Leão XIV irá presidir o Terço pela Paz neste sábado, 11 de outubro, junto com os fiéis e peregrinos que participam tanto do Jubileu da Vida Consagrada quanto aquele da Espiritualidade Mariana. Na Praça São Pedro, a oração conjunta será acompanhada pela imagem original de Nossa Senhora de Fátima, aquela venerada diariamente na Capelinha das Aparições no santuário mariano de Portugal. A estátua parte da Cova da Iria nesta sexta-feira, 10 de outubro, para estar presente no programa divulgado pelo Dicastério para a Evangelização e segundo um pedido que ainda havia partido do Papa Francisco em 2024.
Serão dois os momentos em que o Papa Leão XIV estará junto à imagem da Virgem Maria: no sábado (11/10), às 18h do horário local na Vigília do Jubileu da Espiritualidade Mariana para o Terço pela Paz, e no domingo (12/10) na missa em que preside a partir das 10h30 da hora italiana. Os dois momentos serão realizados na Praça São Pedro. O encontro de Nossa Senhora de Fátima com os fiéis
Ao longo do dia de sábado (11/10), os fiéis terão oportunidade de venerar e estar próximos da imagem de Nossa Senhora na Igreja de Santa Maria in Traspontina. Nesse dia, o programa prevê: às 9h missa presidida pelo reitor do Santuário de Fátima, Pe. Carlos Cabecinhas; às 12h o Rosário presidido pelo Pe. Giuseppe Midili; e às 17h, procissão da Igreja de Santa Maria in Traspontina até à Praça São Pedro.
Segundo o Dicastério para a Evangelização, a presença da imagem da Virgem Maria no Jubileu da Espiritualidade Mariana deverá enriquecer “ainda mais este momento de oração e reflexão”. Para dom Rino Fisichella, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, estátua é “um dos ícones marianos mais significativos para os cristãos de todo o mundo” e “a presença da amada imagem original de Nossa Senhora de Fátima permitirá a todos fazer a experiência da proximidade da Virgem Maria”.
Cansados, temos tendência a aceitar coisas que jamais aceitaríamos se estivéssemos bem. Cansados, transformamos questões sem importância em verdadeiros desesperos.
Uma boa noite de sono ajuda a resolver muitos problemas. Restaura as nossas forças e distancia-nos do que é pequeno, mas que, só porque estamos demasiado perto, nos parece grande. Ao longe, vê-se sempre melhor.
O nosso corpo e a nossa mente precisam de tempo para se regenerarem, pelo que o descanso é um tempo indispensável a uma vida plena.
Mesmo os bons dias só ficam completos com a entrega do nosso corpo e do nosso espírito ao sono.
Somos feitos de tantos sonhos que tiveram de ser conquistados com esforço para se tornarem reais. O meu futuro depende daquilo que eu for capaz de sonhar e da força que, pela manhã, tiver para lutar pelo que ambiciono.
Um espírito calmo e paciente é a mais forte das armas contra as tentações do mal. Nunca devemos desperdiçar o tempo que podemos passar a dormir à noite! Por mais estranho que possa parecer, a verdade é que é mais importante ter planos para descansar do que para trabalhar.
Muitas vezes, é apenas na entrega serena ao sono que descobrimos a beleza e a bondade da vida que nos embala. E, mesmo que tenhamos vivido um daqueles dias que parecem melhores do que os sonhos, isso será sempre um sinal de que queremos mais — uma preparação para viver, no dia seguinte, o que de melhor ainda esteja à nossa espera.
No entanto, é preciso estar atento, pois chega sempre o momento de acordar. E, quando ele se apresenta, importa que enfrentemos as batalhas que nos esperam com a mesma generosidade com que nos entregámos ao descanso que nos preparou para elas.