https://www.youtube.com/watch?v=UQ66Q2MdxfU&list=PL7Zt-5fD4oJj3JMhvkLAxHxO47r0rTeet&index=3
No Evangelho Jesus recorre a duas imagens para descrever a missão que o Pai lhe confiou: Ele é o “Pastor Bom” e “a porta” que dá acesso às ovelhas. Como “Pastor Bom”, Ele cuida das ovelhas de Deus com dedicação e amor, liberta-as do domínio da escravidão e leva-as ao encontro das pastagens verdejantes onde há vida em plenitude. Como “porta”, Ele tem uma dupla função: impede que os “ladrões e salteadores” tenham acesso às “ovelhas” e torna-se a referência para as “ovelhas” que entram e que saem. A vida daqueles que fazem parte do “rebanho” de Deus constrói-se e entende-se a partir de Jesus.
No “rebanho” de Jesus, não se entra por convite especial, nem há um número restrito de vagas. A proposta de salvação que Jesus faz destina-se a todos os homens e mulheres, sem exceção. O que é decisivo para fazer parte do rebanho de Deus é “escutar a voz” de Jesus, aceitar as suas indicações, tornar-se seu discípulo… Isso significa, concretamente, ir atrás de Jesus, aderir ao projeto de salvação que Ele veio propor, viver ao seu estilo, percorrer o mesmo caminho que Ele percorreu, numa entrega total aos projetos de Deus e numa doação total aos irmãos. Atrevemo-nos a seguir o nosso “Pastor” (Jesus) no caminho exigente do dom da vida, ou estamos convencidos que esse caminho é apenas um caminho de derrota e de fracasso, que não leva aonde nós pretendemos ir?
A primeira leitura define o percurso que Jesus, “o Bom Pastor”, desafia as suas “ovelhas” a fazer: é preciso abandonar o egoísmo e a escravidão (converter-se), aderir a Jesus e segui-l’O (ser batizado), acolher a vida nova de Deus e deixar-se recriar, vivificar e transformar por ela (receber o Espírito Santo).
Aos interessados em acolher a salvação de Deus, Pedro propõe um caminho de conversão. Converter-se é abandonar os velhos caminhos de egoísmo, de prepotência, de orgulho, de autossuficiência que nos levam para longe de Deus e voltar para trás, para que possamos escutar novamente Deus, aceitar outra vez os seus desafios, viver de acordo com as suas indicações, numa entrega obediente nas mãos de Deus; é abraçar a proposta de vida nova que Jesus nos veio oferecer, seguir atrás de Jesus, viver ao seu estilo, abraçar o seu Evangelho, comprometer-se com o Reino de Deus. Estamos disponíveis para encarar a nossa vida sob o signo da conversão? O que é que, na nossa vida, mais necessita de ser transformado, em termos de ideias, valores, comportamentos? O que temos de corrigir para viver de forma coerente com o nosso batismo e com a nossa opção por Jesus?
Na segunda leitura um “mestre” cristão do final do séc. I convida os batizados a olharem para o exemplo de Cristo: “insultado, não pagava com injúrias; maltratado, não respondia com ameaças; mas entregava-se àquele que julga com justiça”. Jesus, o “Pastor Bom”, aponta-nos o caminho que leva à vida. Se seguirmos as suas orientações, não seremos “ovelhas desgarradas”.
O autor da primeira Carta de Pedro refere-se a Jesus como “o Pastor” que reúne as suas ovelhas, as guarda e as conduz para as pastagens eternas onde há vida em abundância. Seguir esse “Pastor” é tornar-se seu discípulo e ir atrás d’Ele pelos caminhos que Ele indica, imitar os seus gestos, fazer o bem a todos, perdoar sem condições, testemunhar a todos a misericórdia de Deus, responder à injustiça e à violência com o amor. Cristo é, de facto, o nosso “Pastor”, a nossa referência fundamental, o modelo de vida que temos sempre diante dos olhos, aquele que seguimos sem hesitar? Como Cristo, estamos disponíveis para dar testemunho no mundo – mesmo que “contra a corrente” – da ternura, da misericórdia e da bondade de Deus?
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