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sábado, 18 de abril de 2020

É preciso deixar no passado aquilo que foi passado!


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É preciso deixar no passado aquilo que foi passado. Não se pode pisar nada de novo se continuamos a persistir no que foi antigo. Há que existir uma libertação para que possamos começar uma nova ação. Só deste jeito permitiremos que o perdão nos seja dado. Deixando que tudo seja, de novo, trabalhado em nós para que a renovação aconteça na nossa total dignidade. Que nunca se esvaece, que nunca se perde.

É preciso deixar no passado aquilo que foi passado. Pode ter ficado escrito, nas marcas que delimitam a nossa humanidade, mas não se deve tornar em travões, que nos fazem arrastar os pés, em busca daquilo que tanto desejamos: deixarmo-nos ser efetivamente! Só assim poderemos voltar a ver mais e melhor. Despontando, de uma vez por todas, a novidade de podermos viver cada dia como dádiva permanente.

É preciso deixar no passado aquilo que foi passado. Agarrarmos o nosso coração despedaçado e quebrado e passar-lhe a mão da vida. A mão que sustenta todo aquele que parece perdido. A mão que aponta no meio da escuridão para a aurora da vida. A mão que é capaz de manter a sinfonia da vida ao ritmo dos hinos da alegria.

É preciso deixar no passado aquilo que foi passado. É o agora que existe. E este agora pode ser eternizado, porque viverá na certeza de que nada se dá por terminado e que ninguém pode ser acabado. Este agora pode ser eternizado, porque se alicerça na vontade de recomeçar vezes sem fim na esperança de voltar a caminhar por trilhos jamais imaginados.

É preciso deixar no passado aquilo que foi passado!

Hoje, se quiseres purificar-te diante das tuas sombras, pergunta-te demoradamente: quantas vezes deixaste que a Luz te visse? quantas vezes permitiste que a Luz te amasse?


Emanuel António Dias

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Quem muito olha para trás, pouco anda para a frente!







Temos alguma dificuldade em atirar para trás das costas tudo aquilo que (já) não nos acrescenta. Gostamos muito de dormir à sombra das nossas mágoas de estimação, dos nossos queixumes habituais e de todas as injustiças que a vida nos desferiu. Adoramos entrelaçar o coração a todas as coisas que já devíamos ter colocado no ontem. Lá atrás e no capítulo do já passou. No entanto, falta-nos formação em saber largar. Em saber deixar ir. Não compreendemos que aquilo que nos aconteceu já não nos pode acontecer. O que é do passado, ficou lá. O que resta é apenas um contorno do que vivemos e que, muitas vezes, só atormenta a memória.

É-nos difícil deixar o que já não interessa. Passar por cima dos assuntos e parar de os mastigar. Aconteceu. Paciência. Que eu possa, agora, saber viver com isso e que eu não viva “refém” do que se passou comigo.

Isso quer dizer que o que está lá atrás já não nos faz mal? Faz. Se quisermos. Se deixarmos. Se olharmos para os nossos dias com uma luz recém-nascida.

Não há recomeços sem pontos finais. Mais ou menos queridos. Mais ou menos merecidos.

Não há futuro sem se deixar cair os degraus de ontem.

Não há novidades se, dentro de nós, for tudo velho e estiver tudo fora de prazo.

Não há novo capítulo se não se terminar a leitura do anterior.

Dizem que quem muito olha para trás, pouco vai andar para a frente!

Não tenhas medo. Mais à frente será sempre melhor do que já foi.


Marta Arrais