Mostrar mensagens com a etiqueta viagem. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta viagem. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 27 de março de 2026

Papa visita Mónaco com apelos à paz e à ecologia

Leão XIV vai realizar primeira viagem internacional na Europa



Cidade do Vaticano, 25 mar 2026 (Ecclesia) – A Santa Sé apresentou hoje o programa da viagem de Leão XIV ao Principado de Mónaco, agendada para 28 de março, destacando temas como a paz, a defesa da vida e a ecologia.

“[O Mónaco é um] país de dimensões reduzidas, mas com um grande horizonte, no qual o Pontífice poderá oferecer uma primeira reflexão sobre o seu papel na Europa”, disse aos jornalistas o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni,

A deslocação, na véspera da Semana Santa, é a primeira de um Papa na era contemporânea ao Mónaco, segundo Estado mais pequeno do mundo, a seguir ao Vaticano.

Matteo Bruni destacou, em conferência de imprensa, que a viagem acontece numa “época de polarização social, em que muitas vezes as vidas são negligenciadas e se nota a necessidade de recompor as fraturas”.

O portal de notícias de Vaticano destaca a existência de imigrantes de 150 países, no Principado, com destaque para a comunidade portuguesa.

O programa oficial arranca às 09h00, com a chegada ao heliporto de Mónaco, onde Leão XIV será recebido pelo Príncipe Alberto II e pela Princesa Charlene, seguindo-se uma visita de cortesia ao Palácio do Príncipe.

Após uma passagem pela Catedral da Imaculada Conceição para um momento de oração com a comunidade católica local, o Papa desloca-se à igreja de Santa Devota para um encontro com jovens e catecúmenos, onde ouvirá testemunhos dos participantes.

O ponto alto desta viagem internacional acontece a partir das 15h30 (menos uma em Lisboa), com a celebração da missa no estádio Louis II, sob a presidência do Papa, perante cerca de 15 mil fiéis.

Todos os discursos da visita serão proferidos em língua francesa, adiantou o Vaticano, explicando que esta deslocação “relâmpago” foi encaixada na agenda antes da viagem apostólica a África, prevista para o mês de abril.

O Mónaco é um dos últimos países europeus a manter o catolicismo como religião de Estado; a Constituição de 1962 garante liberdade de culto aos residentes.

A primeira viagem internacional de Leão XIV levou-o à Turquia e ao Líbano, entre 27 de novembro e 2 de dezembro de 2025.

OC

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

A viagem...

 


Quatro paragens de comboio…

Para muitos, apenas o quotidiano de todos os dias. Para mim, um momento de leveza, a certeza de que é bom abrir espaço na vida para simplesmente estar.

Mudar de perspetiva, ver o mundo com um novo olhar.

Conversei com a Maria José sobre o tempo, sobre o comboio cheio e sobre a sua rotina...percebeu qual era a minha estação. Disse-me que eu estava no lugar certo para descer.

Ela, desceu comigo, comprou uma revista no quiosque e seguiu caminho.

Eu, fiquei... recuei no tempo, o meu relógio também. A vida, nesse instante, mostrou-me a sabedoria de apreciar.

Boa semana!


Carla Correia

sexta-feira, 5 de abril de 2024

Talvez precises de uma viagem



Conhecer novas realidades faz-nos crescer e torna-nos mais prudentes, porque nos obriga a um caminho interior por entre dimensões que nos são tão familiares quanto assustadoras. Desse ponto de vista, até a mais breve viagem é uma descoberta.

Se os muitos mundos do mundo nos podem enriquecer, também é verdade que por vezes o mais importante não é mudar de horizontes, mas sim aperfeiçoar a forma como olhamos para o que está diante de nós todos os dias, por vezes há muitos anos.

Há quem fuja dos seus medos e quem procure razões de esperança… Uns e outros correm inquietos até aprenderem a andar com sossego ao longo da sua própria vida. Sem parar, sem grandes medos e com esperanças mais ou menos firmes.

O olhar do viajante costuma falhar num ponto essencial, porque quem vê as coisas de passagem nunca chega a conhecer-lhes o lado mau. O que pode levar à conclusão de que as únicas realidades com defeitos são as da sua vida… quando, na verdade, assim é porque são as únicas que conhece bem e não de passagem.

Dois viajantes contam a mesma expedição de formas diferentes. Cada um repara e retém aquilo a que dá mais importância. Que bom que é quando ambos partilham os seus olhares e as riquezas que cada um deles desvenda!

Parte agora, põe-te a caminho. É sempre hora de partir, apesar de quase nunca sabermos para onde.


José Luís Nunes Martins

terça-feira, 4 de julho de 2017

A aventura de não ir a parte nenhuma



Resultado de imagem para lâmpadas de festa

Creio que levamos uma grande parte da vida a funcionar como nessa parábola que é “O Feiticeiro de Oz”. Vivemos aspirados por ciclones ou a desejar sê-lo; queremos voar para longe do sítio onde estamos; qualquer mapa que folheemos aparece-nos cheio de promessas encantadas; a felicidade define-se como um lugar que alcançaremos além do arco-íris. A vida comum assemelha-se a um inglório arrastar-se com sapatos de ferro, enquanto rebrilha nos nossos sonhos um extraordinário e levíssimo calçado de rubi. Sentimo-nos emparedados por um quotidiano que asfixia, quando poderíamos estar a trilhar um caminho de tijolos tão amarelos como o sol, na direção da cidade que refulge, e não do regresso previsível ao lugar cinzento que nos abriga. Desta maneira, o primeiro sinónimo que encontramos para a palavra aventura é evasão. E colocamos em cima dessa carta o nosso ouro.

Depois, demoradamente, à custa dos desencontros, passos em falso ou de tempo gasto com outras escutas, aprendemos o que a pequena Dorothy de “O Feiticeiro de Oz” conclui: “Se voltar a procurar os anseios do meu coração, não irei procurá-los além do meu quintal. Se não estiverem lá é porque realmente nunca foram meus.” A moral da história não é propriamente a dissuasão da viagem. É importante que os nossos olhos tenham contemplado tudo aquilo que lhes coube contemplar. E, como recomenda o poema “Ítaca”, de Constantino Kavafis, temos, de facto, de peregrinar a muitas cidades numa rota desejavelmente longa, vivida com euforia, contactando com empórios e sábios, arrematando mercadorias belas, madrepérolas e corais, âmbares e essências que fiquem, para sempre, a perfumar a vida. Mas as verdadeiras viagens são aquelas que nos entusiasmam e iniciam no regresso a nós próprios, sem o qual a viagem é só dispersão e em vez de conhecimento, um amontoar ruidoso e desconexo de experiências em vez de sabedoria. Não nos aconteça aquilo que vem ilustrado num velho relato islâmico: era uma vez um homem que tendo perdido a chave de casa, algures dentro do quarto, foi no entanto para a rua procurar a chave perdida, porque lá havia mais luz. Um dos maiores viajantes da literatura ocidental é Henry David Thoreau e os seus mais de vinte livros, muitos escritos numa solitária cabana nas margens do lago Walden, repetem o mesmo: a vida só tem sentido se for vivida de uma forma deliberada; e não importa por onde viajes ou quanta distância os teus passos alcançaram: a única coisa verdadeiramente importante é saberes quão vivo estás.

Uma vez ensinaram-me um provérbio que se repete na região de Quioto, no Japão. Diz o seguinte: “Não te limites a fazer coisas. Senta-te.” Na sua concisão esconde um programa exigente e cheio de possibilidades. Creio que nessa linha vai também o aforisma filosófico de Pascal: “Toda a infelicidade do ser humano nasce de um simples facto: não conseguir ficar quieto no seu quarto.” É claro que o quarto não é apenas o quarto, mesmo se muitas vezes não é mau começar por aí.

O verão sobrecarrega de atividade as agências de viagens, as redes sociais bombardeiam-nos com sugestões mirabolantes, as autoestradas e aeroportos bloqueiam-se com a nossa sofreguidão, os “ciclones” que fantasiamos durante o ano atiram-nos para paragens que supostamente cumpririam uma função compensatória ou supletiva em relação à vida ordinária. Há, porém, cada vez menos quem nos ajude a abraçar uma aventura só nossa, uma maravilhosa aventura necessária: a aventura de não ir a parte nenhuma.
Pe. José Tolentino Mendonça 26 junho 2017 iMissio


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Papa na Geórgia: Pe. Spadaro, missão pela unidade




O Papa Francisco partirá, na próxima sexta-feira (30/09), para a sua 16ª viagem apostólica internacional que o levará à Geórgia e ao Azerbaijão, no Cáucaso.


A radio vaticana entrevistou o Diretor da revista jesuíta ‘La Civiltà Cattolica’, Pe. Antonio Spadaro, sobre a etapa do pontífice na Geórgia. O jesuíta acompanhará o Papa em sua nova missão.

Pe. Spadaro: “Será uma viagem importante porque completará a visita ao sul do Cáucaso que é uma ferida aberta, ou seja, um lugar de riqueza enorme, sobretudo em relação ao cristianismo, mas também um lugar que viveu e vive até agora grandes conflitos por causa de interesses econômicos e políticos. O Papa ama estar presente nos lugares em que há feridas abertas que devem ser curadas. A dimensão da Igreja como hospital de campanha significa também a dimensão terapêutica de Jesus. O Papa irá a um lugar que é também um poço de história cristã. Há uma vida monástica ativa, mas não faltam problemas, pois as relações com a Igreja ortodoxa são complexas. A Igreja Ortodoxa na Geórgia não reconhece como válido, por exemplo, o Batismo realizado pelos católicos, não obstante haja um trabalho constante e contínuo de relações. Portanto, a presença do Papa significa também uma mensagem muito clara de unidade dos cristãos, fazendo apelo a essas raízes profundas que a Geórgia custodia com zelo. No fundo, a cultura e a própria língua do povo foram plasmadas pelo cristianismo. Outro elemento que considero muito importante é o fato de que esta é uma área de confim. Obviamente, diremos Ásia, mas ao mesmo tempo é claro que existe uma cultura que se refere claramente à Europa. Neste sentido, será uma viagem interessante às raízes cristãs da Europa.”

Portanto, uma viagem entre dificuldades, desafios, questões políticas, geopolíticas, religiosas e culturais. Em relação aos possíveis desdobramentos, o senhor por ocasião da viagem do Papa à Armênia falou sobre “diplomacia da misericórdia”...

Pe. Spadaro: “Penso, sem dúvida, que a viagem do Papa será um estímulo a crescer melhor, de maneira mais harmoniosa dentro da relação entre cristãos, de um lado, e entre cristãos e mundo civil e político, de outro. Quando o Papa visita os países se dirige a todos. Por outro lado, ajudará também a viver melhor as tensões que até agora subsistem e que são muito visíveis como, por exemplo, os muitos refugiados que vêm das áreas de confim entre a Geórgia e Rússia.”

O senhor observou se existe uma expectativa por essa visita, um interesse?

Pe. Spadaro: “Notei um grande interesse sobretudo dos jovens. Tive a oportunidade de falar sobre esse tema, sobre o significado das viagens do Papa. Tocou-me a presença interessante de jovens ortodoxos. A partir disso, se compreende que a sociedade está em evolução. O Patriarca Elias II é uma figura histórica que representa a passagem da situação soviética para a situação atual. Existe quase a expectativa de um futuro para a Igreja na Geórgia que provavelmente deve ser repensado e a geração que vive essa fermentação é muito interessada na viagem do Papa.”

Paz e fraternidade são as palavras que nos conduzirão nestas duas etapas. O senhor acha que devemos prestar atenção em quais gestos que o Papa fará?

Pe. Spadaro: “Isso é difícil prever. O Papa está muito atento à história. Significa concretamente que está também atento ao que acontece durante as suas visitas. Isso o faz mudar às vezes as palavras a serem ditas ou os gestos a cumprir. Por outro lado, os gestos, os abraços, tudo o que significa ponte, que simbolicamente representa o encontro com a realidade, homens e Igrejas, têm um valor absolutamente relevante que supera o conteúdo verbal. O próprio Papa disse que, no final, o que é importante não são os documentos oficiais, mas os encontros, os abraços.” (MJ/GC)

(from Vatican Radio)

sábado, 31 de maio de 2014

Papa fala sobre celibato, abusos e outros temas

No retorno a Roma, em conversa com os jornalistas, o Papa ressaltou momentos marcantes da viagem à Terra Santa


No avião que o trouxe de volta ao Vaticano, o Papa Francisco conversou durante quase uma hora com os jornalistas que o acompanharam na Terra Santa.

Abusos contra menores

“Neste momento, há três bispos sob investigação e um deles, já condenado, tem a pena em estudo. Não há privilégios neste tema dos menores. Na Argentina, chamamos os privilegiados de ‘filhos de papai’. Pois bem, sobre este tema não haverá filhos de papai. É um problema muito grave. Um sacerdote que comete um abuso, trai o corpo do Senhor. O padre deve levar o menino ou a menina à santidade. E o menor confia nele. E ao invés de levá-lo à santidade, abusa. É gravíssimo. É como fazer uma missa negra! Ao invés de levá-lo à santidade, o leva a uma problema que terá por toda a vida. Na próxima semana, no dia 6 ou 7 de Julho haverá uma missa com algumas pessoas abusadas, na Santa Marta, e depois haverá uma reunião, eu com eles. Sobre isto se deve prosseguir com tolerância zero.”

Celibato dos padres

“Há padres católicos casados, nos ritos orientais. O celibato não é um dogma de fé, é uma regra de vida, que eu aprecio muito e creio que seja um dom para a Igreja. Não sendo um dogma de fé, há sempre uma porta aberta.”

Eventual renúncia

“Eu farei o que o Senhor me dirá de fazer. Rezar, buscar a vontade de Deus. Bento XVI não tinha mais forças e, honestamente, é um homem de fé, humilde como é, tomou esta decisão. Setenta anos atrás os bispos eméritos não existiam. O que acontecerá com os Papas eméritos? Devemos olhar para Bento XVI como uma instituição, abriu uma porta, a dos Papas eméritos. A porta está aberta, se haverá outros ou não, somente Deus sabe. Eu creio que um Bispo de Roma, ao sentir que lhe faltam forças, deva fazer as mesmas perguntas que o Papa Bento fez.”

Ortodoxos

“Com Bartolomeu falamos de unidade, que se faz em caminho, jamais poderemos fazer a unidade num congresso de Teologia. Ele confirmou-me que Atenágoras realmente disse a Paulo VI: ‘vamos colocar todos os teólogos numa ilha e nós prosseguiremos juntos’. Devemos nos ajudar, por exemplo, com as igrejas, inclusive em Roma, onde muitos ortodoxos usam igrejas católicas. Falamos do concílio pan-ortodoxo, para que se faça algo sobre a data da Páscoa. É um pouco ridículo: ‘Quando ressuscita o seu Cristo? O meu na semana que vem. O meu, ao invés, ressuscitou na semana passada’. Com Bartolomeu falamos como irmãos, nos queremos bem, contamos as dificuldades do nosso governo. Falamos bastante da ecologia, de fazermos juntos um trabalho conjunto sobre este problema.”

Outros temas

Francisco falou ainda da alegada investigação sobre um desvio de 15 milhões de euros dos fundos do Instituto para as Obras de Religião, em que estaria envolvido o antigo Secretário de Estado do Vaticano.

“A questão desses 15 milhões está ainda em estudo, não é claro o que aconteceu”, afirmou.

O Papa disse que quer “honestidade e transparência” na administração financeira do Vaticano e que a nova Secretaria para a Economia, dirigida pelo Cardeal Pell, vai “levar por diante as reformas que foram sugeridas” por várias comissões para evitar “escândalos e problemas”. Nesse sentido, recordou que cerca de 1,6 mil contas foram fechadas no IOR nos últimos tempos.

Francisco confirmou que, além da viagem à Coreia do Sul em Agosto, voltará à Ásia em Janeiro de 2015, para visitar o Sri Lanka e as regiões afectadas pelo tufão nas Filipinas. O Papa mostrou-se preocupado com a falta de liberdade religiosa neste continente, falando num número de “mártires” cristãos que supera os dos primeiros tempos da Igreja.

(Rádio Vaticano)